Salmos 1.1 §
Nota de John Wesley
Bem-aventurado — as palavras hebraicas são muito enfáticas: ó, a bem-aventurança daquele homem! Conselho — que não conduz a sua vida segundo o conselho ou o modo de viver deles. Detém — o que denota permanência mais assentada nele. Caminho — no seu modo de proceder. Roda — o que denota perseverança constante e resoluta nos seus maus caminhos. Escarnecedores — dos que fazem zombaria do pecado e mofam da bondade e dos bons. Vários observam neste versículo uma gradação, excedendo sempre a cláusula seguinte a anterior: pois deter-se é mais que andar, e assentar-se mais que deter-se; e os pecadores, no uso da Escritura, são piores que os ímpios, e os escarnecedores são os piores dos pecadores.
Nota do editor
O portão do Saltério abre com uma anatomia da queda em três verbos: anda, detém-se, assenta-se (Sl 1.1). Ninguém se assenta na roda dos escarnecedores no primeiro dia; começa-se aceitando conselho, ganha-se intimidade com o caminho, e um dia a cadeira tem o nosso nome. O pecado é processo com marchas — e por isso a vigilância cristã trabalha na primeira: o passeio inocente de hoje é o endereço de amanhã (Pv 4.14-15; 1Co 15.33). O contraste do v. 2 é a única prevenção que funciona: não um vazio de más companhias, mas um prazer maior — 'o seu PRAZER está na lei do SENHOR', meditada 'de dia e de noite'. A santidade não é dieta, é apetite trocado (Sl 119.97,103; Jr 15.16). E a árvore do v. 3 corrige a pressa: plantada (não nascida ao acaso), junto a ribeiros (não autossuficiente), fruto 'na estação própria' (não em todas as estações) — a folha que não murcha é promessa para os invernos em que não há fruto visível (Jr 17.7-8).