Salmos 22.1 §
Nota de John Wesley
Deus meu — que és meu amigo e pai, embora agora me mostres rosto carregado. A repetição denota a profundidade da sua angústia, que o fazia clamar tão ardentemente. Desamparaste — retiraste a luz do teu rosto, os apoios e consolos do teu Espírito, e me encheste dos terrores da tua ira. Isto se verificou em parte em Davi, mas muito mais plenamente em Cristo. Bramido — os meus clamores, arrancados de mim pelas minhas misérias.
Nota do editor
Da cruz, na hora mais escura da história, Jesus não improvisou: citou — 'Eli, Eli, lamá sabactâni?' é a primeira linha deste salmo (Mt 27.46; Mc 15.34). E citar a primeira linha era, no costume judaico, invocar o salmo inteiro: o Crucificado orava um texto que desce ao desamparo (v. 1-21) e sobe à vitória universal (v. 22-31) — dentro do abandono, agarrava a esperança do desfecho. Note-se o mistério teológico do v. 1: o desamparo é real (o Pai retirou consolo, não amor; fez o Filho 'pecado por nós', 2Co 5.21; Gl 3.13) e a fé permanece — 'DEUS MEU, Deus meu': o possessivo sobrevive ao eclipse. Ali se consumou a troca: ele foi desamparado para que a nós se pudesse dizer 'não te deixarei, nem te desampararei' (Hb 13.5). Por isso o crente no seu 'porquê' sem resposta tem um Sumo Sacerdote que orou esse mesmo porquê — e o atravessou (Hb 4.15-16).
Temas: cristo