Salmos 32.2 §
Nota de John Wesley
Não atribui — a quem Deus não carrega com a culpa dos seus pecados, mas graciosamente o perdoa e o aceita em Cristo. Não há dolo — que confessa livremente todos os seus pecados, e se converte do pecado para Deus de todo o coração.
Nota do editor
Paulo escolheu estes dois versículos como a prova davídica da justificação pela fé: 'Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça INDEPENDENTEMENTE DE OBRAS' (Rm 4.6-8, citando Sl 32.1-2). Note-se a riqueza tripla do vocabulário do perdão: transgressão PERDOADA (levantada, carregada para longe — o bode Azazel, Lv 16.22), pecado COBERTO (o propiciatório sobre a lei quebrada, Êx 25.21-22) e iniquidade NÃO IMPUTADA (o termo contábil: a dívida não lançada na conta — porque lançada noutra: 2Co 5.19,21). E a cláusula final guarda o equilíbrio evangélico que Wesley explicita: 'em cujo espírito não há dolo' — não perfeição, mas transparência; o perdoado é o que parou de advogar em causa própria (v. 3-5; 1Jo 1.8-9; Pv 28.13). O salmo nasce da experiência de Davi pós-Urias (cf. Sl 51): ele conheceu os ossos consumidos do silêncio e o alívio da confissão — 'confessarei... e tu perdoaste'. Entre esses dois verbos do v. 5 não há penitência comprida: há a prontidão do Pai que corre (Lc 15.20).
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