Mirra — com que costumavam perfumar as vestes. Isto pode denotar aquelas virtudes gloriosas e de suave cheiro que, entesouradas no coração de Cristo, se manifestavam exteriormente e exalavam grato perfume em todo o curso da sua vida e ações. Palácios — supõe-se aqui o rei residindo nos seus palácios de marfim, e as suas vestes tão fragrantes que não só perfumam todo o palácio em que está, mas o seu doce aroma é percebido pelos que passam perto — tudo dito poeticamente, com alusão às gloriosas vestes e palácios de Salomão. As mansões celestiais não impropriamente se podem chamar palácios de marfim, como alhures, na mesma maneira figurada, se dizem adornadas de ouro e pedras preciosas; mansões das quais Cristo veio ao mundo, para as quais foi, e onde fixou a sua morada depois de sair do mundo, e donde derramou todos os fragrantes dons e graças do seu Espírito. Embora não haja necessidade de forçar cada circunstância particular em tais descrições poéticas — pois algumas expressões podem usar-se apenas como ornamentos, como nas parábolas —, basta saber que as excelências do rei Cristo são descritas pelas coisas em que os potentados terrenos põem a sua glória. Com que — pelo doce cheiro das tuas vestes saindo daqueles palácios de marfim, ou pela efusão dos dons e graças do teu Espírito desde o céu; o que, sendo grande bênção para os que os recebem, alegra também o coração de Cristo: como demonstração do seu próprio poder e glória, e como instrumento de trazer almas a Deus. Te alegram — és alegrado.