Curso de RomanosAula 4

Abraão, o pai de todos os que creem

“Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi atribuído como justiça.”Romanos 4.3 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Rm 4 (leia o capítulo; tenha à mão Gn 15.1-6)

Para começar

As perguntas que nos guiam

Paulo acabou de afirmar que a justificação pela fé não anula a Lei. Agora ele traz a testemunha mais respeitada de Israel para o banco.

1

A justificação pela fé é invenção recente?

Ou já estava lá, na história do maior patriarca, séculos antes da Lei?

2

Fé é mérito ou confiança?

Abraão “ganhou” a justiça por ser fiel — ou a recebeu por confiar em quem prometeu?

3

Quem são os filhos de Abraão?

Descendentes de sangue e circuncisão — ou todos os que creem, judeus e gentios?

Tese da aula: em Romanos 4, Abraão prova que a justificação sempre foi pela fé. Ele foi declarado justo antes da circuncisão (o rito é selo, não causa), recebeu a promessa pela fé e não pela Lei, e creu no Deus que ressuscita — tornando-se pai de todos os que creem. E o que se escreveu dele foi escrito também por causa de nós (Rm 4.23-25).

Rm 4.1-8

Abraão creu, e isso lhe foi atribuído como justiça

“Pois que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi atribuído como justiça.” (Rm 4.3; cf. Gn 15.6)

A bem-aventurança do perdão

Paulo chama Davi como segunda testemunha: “Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas” (Rm 4.7; Sl 32). Justiça atribuída é, do outro lado, pecado perdoado.

Rm 4.6-8 · Sl 32.1-2

Rm 4.9-12

Justificado antes da circuncisão: o rito é selo, não causa

A cronologia decide a questão. Quando Abraão foi declarado justo, ainda era incircunciso.

Abraão creu em Gênesis 15; a circuncisão só veio em Gênesis 17, anos depois. Logo, a justiça veio pela fé, e o rito entrou como “selo da justiça da fé” (Rm 4.11) — um carimbo que confirma o que já era verdade, não a causa que a produz. A ordem importa: primeiro a fé, depois o sinal.

Rm 4.13-16

A promessa vem pela fé, não pela Lei

Rm 4.13

A promessa de que Abraão seria herdeiro do mundo não veio “por meio da lei, e sim pela justiça da fé”. A herança é de graça.

Rm 4.15

“A lei suscita a ira”: onde há lei, há transgressão a acusar. A Lei aponta a dívida; não a paga.

Rm 4.16

“Por isso procede da fé, para que seja segundo a graça” — e assim a promessa fique garantida a toda a descendência, judeus e gentios.

Se a herança dependesse do cumprimento da Lei, viveríamos na insegurança — sempre devendo mais. Porque depende da fé e da graça, a promessa é firme. A certeza da salvação não repousa no meu desempenho, mas na fidelidade de quem prometeu.

Rm 4.17-22

A fé que dá glória a Deus

“…diante daquele em quem creu, o Deus que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem.” (Rm 4.17)

1

Esperando contra a esperança

Sem motivo humano para esperar, Abraão creu e “se tornou pai de muitas nações” (Rm 4.18). A fé olha além das circunstâncias.

2

Encarou a impossibilidade

Considerou o próprio corpo “já amortecido” e o de Sara (Rm 4.19) — e ainda assim não vacilou por incredulidade.

3

Deu glória a Deus

“Plenamente convicto de que Deus era poderoso para cumprir o que prometera” (Rm 4.21). A fé honra a Deus por confiar no seu poder e na sua palavra.

Repare no que a fé de fato é: não uma força positiva dentro de nós, mas confiança na força e na fidelidade de Deus. Por isso ela “dá glória a Deus” — desloca todo o peso para ele. E foi por isso que “lhe foi atribuído como justiça” (Rm 4.22).

Rm 4.23-25

Escrito também por causa de nós

“E não somente por causa dele está escrito que lhe foi atribuído, mas também por nós, a quem será atribuído, isto é, a nós, que cremos naquele que ressuscitou dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor.” (Rm 4.23-24)

Onde a aula nos deixa: a mesma fé que justificou Abraão justifica você. E essa justificação não é ponto de chegada, e sim de partida: dela brotam paz, acesso e esperança — os frutos que Romanos 5 vai desdobrar na próxima lição.

Da exegese à vida

Aplicações pastorais

1

Descanse na promessa, não no desempenho

Se a herança fosse pela Lei, você viveria sempre devendo. Porque é pela fé, é firme (Rm 4.16). Repouse na fidelidade de quem prometeu.

2

Não confunda o selo com a causa

Batismo, membresia e ritos confirmam a fé; não a substituem. Cuide para que o sinal externo tenha a realidade interior por trás (Rm 4.11).

3

Creia olhando para Deus, não para o espelho

Abraão encarou a impossibilidade e mesmo assim deu glória a Deus (Rm 4.20-21). A sua fé se firma no poder dele, não no seu estado de ânimo.

4

Acolha todo filho de Abraão

A fé, não a origem, define a família de Deus. Não há cristão de segunda classe (Rm 4.11-12).

A pergunta de Romanos 4 é pessoal: a minha fé está apoiada no que eu vejo em mim — ou no Deus que ressuscita os mortos?

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

Abraão “creu, esperando contra a esperança” (Rm 4.18). Onde, hoje, a sua fé está sendo chamada a confiar numa promessa que as circunstâncias parecem contradizer?Ver resposta sugerida
A fé de Abraão não foi otimismo ingênuo: ele “considerou o seu próprio corpo já amortecido” e o de Sara (Rm 4.19), olhou de frente para a impossibilidade — e ainda assim não vacilou, porque estava “plenamente convicto de que Deus era poderoso para cumprir o que havia prometido” (Rm 4.21). A fé bíblica não fecha os olhos para a realidade; ela olha para além dela, para o Deus que “vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem” (Rm 4.17). Traga aqui a sua promessa aparentemente vencida — o filho distante, a cura que não vem, o ministério estéril — e pergunte não “o que eu vejo?”, mas “quem prometeu?”. A fé descansa no caráter de quem fala, não na aparência do que se vê.
Um irmão pergunta: “se sou declarado justo só pela fé, isso é apenas uma ficção jurídica? Deus finge que sou bom?”. Como você explicaria a justiça imputada de Rm 4 sem cair nesse mal-entendido?Ver resposta sugerida
A justificação é real, não faz de conta. Quando Deus “atribui justiça” a quem crê (Rm 4.5-6), ele não mente sobre o meu passado; ele decide, com base na obra de Cristo, tratar-me como reconciliado — e essa decisão é tão verdadeira quanto a sentença de um juiz. Mas é bom lembrar, na nossa tradição, que a justificação nunca vem sozinha: quem Deus declara justo, ele também começa a tornar justo. A justiça imputada (o novo status diante de Deus) e a justiça comunicada (a santificação que o Espírito opera dentro de nós) são distintas, mas inseparáveis. Deus não finge que sou bom; ele me perdoa de verdade e, em seguida, começa a me refazer de verdade (Rm 6; 8.1-4). A fé que recebe o perdão é a mesma que se deixa transformar.

Para casa e próxima aula

Tarefas

Ler Gênesis 15.1-6 e Romanos 4 lado a lado e anotar como Paulo usa a história de Abraão; depois, escrever meia página sobre uma promessa de Deus que você precisa crer “esperando contra a esperança” (Rm 4.18), entregando-a em oração.

Aula seguinte

Justificados, temos paz com Deus: os frutos da justificação, a pedagogia das tribulações e a graça que superabunda sobre o pecado (Rm 5). Ir para a Aula 5 →

Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA), salvo indicação em contrário. · Bispo Ildo Mello