Profecias do Antigo TestamentoAula 12

2Samuel 7: o trono de Davi

“A tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; o teu trono será estabelecido para sempre.”2Samuel 7.16

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: 2Sm 7.1-17; Lc 1.26-33; At 2.29-36

Para começar

Davi quer construir, Deus promete edificar

Davi, morando em casa de cedro, incomoda-se: a arca de Deus está numa tenda. Ele quer construir uma casa para o Senhor. E Deus responde invertendo tudo.

“O Senhor te faz saber que ele, o Senhor, te fará casa” (2Sm 7.11). Não Davi para Deus, mas Deus para Davi: não um edifício, mas uma dinastia. É uma das maiores promessas da Bíblia, e uma das mais disputadas: o dispensacionalismo ensina que Jesus ainda espera para assentar-se no trono de Davi, num milênio futuro, em Jerusalém. Nesta aula, deixaremos um anjo e um apóstolo responderem onde e quando essa promessa se cumpre.

2Samuel 7.12-16

A promessa dinástica

O juramento a Davi tem quatro fios, e os quatro apontam para além de Salomão.

Um descendente. “Farei levantar depois de ti o teu descendente… e estabelecerei o seu reino” (v. 12).
Uma casa para o nome de Deus. “Este edificará uma casa ao meu nome” (v. 13). Salomão ergueu o templo de pedra; o Descendente maior edificaria a casa verdadeira (Aulas 6 e 9).
Uma relação de Pai e Filho. “Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho” (v. 14), a semente dos salmos messiânicos (Sl 2.7; Hb 1.5).
Um trono para sempre. “O teu trono será estabelecido para sempre” (v. 16). Nenhum rei humano cumpre um “para sempre”. A promessa pede um Rei que não morra.

Os salmos guardaram esse juramento na memória de Israel: “Jurei a Davi, meu servo… estabelecerei a tua posteridade para sempre” (Sl 89.3-4; cf. Sl 132.11). Quando a dinastia caiu no exílio, a promessa virou a grande pergunta da esperança de Israel: onde está o filho de Davi?

Lucas 1

O anúncio a Maria

Quinhentos anos depois do último rei davídico, o anjo Gabriel visita uma virgem desposada com “José, da casa de Davi”.

“Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim” (Lc 1.32-33).

Gabriel amarra Jesus a 2Samuel 7 fio por fio: o Filho, o trono de Davi, o reinado sem fim. A pergunta decisiva não é se Jesus recebe o trono de Davi, e sim quando e onde. É exatamente isso que Pedro responde.

A leitura apostólica

Pedro em Pentecostes: o trono cumprido

No mesmo sermão que estudamos na Aula 7, Pedro expõe a promessa davídica, e diz onde ela se cumpriu.

“Sendo, pois, Davi profeta e sabendo que Deus lhe havia jurado que um dos seus descendentes se assentaria no seu trono, prevendo isto, referiu-se à ressurreição de Cristo” (At 2.30-31). Repare na sequência do argumento de Pedro: o juramento do trono… cumprido na ressurreição e exaltação: “Deus ressuscitou este Jesus… Exaltado à direita de Deus… Deus o fez Senhor e Cristo” (At 2.32-36).

O exame

Onde está o trono?

O Novo Testamento responde com números. Há 61 referências a “trono” no Novo Testamento, 46 delas no Apocalipse. Somente três dizem respeito a tronos aqui na terra, e esses três pertencem a Satanás e à Besta (Ap 2.13; 13.2; 16.10).

O trono de Deus e de Cristo é sempre celestial (Ap 3.21; 4.2; 5.6; 7.17; 22.1, 3, entre dezenas de outras). Deus não habita em edifícios ou tronos construídos por mãos humanas: “O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés” (At 7.48-49). E Jesus declarou que o seu Reino não é deste mundo (Jo 18.36).

Agora

Jesus está assentado à direita do trono, lugar de honra e poder (Mc 14.62; Cl 3.1; Hb 8.1; 12.2), e reina, pondo os inimigos debaixo dos seus pés (1Co 15.25).

Na Segunda Vinda

Ele se assentará no “trono da sua glória” para julgar vivos e mortos (Mt 25.31). E, depois do Juízo Final, novos céus e nova terra (Ap 21).

Esperar um trono de madeira e ouro em Jerusalém é esperar menos do que a promessa entregou. O filho de Davi não reina sobre um território; reina sobre tudo, do trono mais alto que existe.

Aplicação

O Rei da casa de Davi hoje

Se o trono de Davi está ocupado desde a ressurreição, três coisas mudam na vida da igreja.

1

A pregação tem um Rei presente

Não anunciamos um candidato a rei, mas o Senhor entronizado: “Deus o fez Senhor e Cristo” (At 2.36). O evangelho é a proclamação de uma coroação já ocorrida.

2

A missão é a expansão do reinado

Cada convertido de todas as nações é o tabernáculo de Davi sendo reerguido (At 15.16-17). A obra missionária é política do Reino: anexação pacífica de corações ao trono.

3

A esperança tem endereço certo

Não olhamos para Jerusalém terrestre à espera de uma coroação; olhamos para o céu à espera do Rei coroado (Fp 3.20; Ap 1.7).

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe. Errar aqui também ensina.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

Davi quis fazer algo grande para Deus e ouviu que Deus faria algo maior por ele. O que esse episódio ensina sobre nossos projetos “para Deus”?Ver resposta sugerida
Ensina a ordem da graça. O impulso de Davi era bom, e Deus o honrou (1Rs 8.18), mas a resposta divina inverteu o fluxo: antes de qualquer coisa que Davi fizesse para Deus, Deus faria por Davi o que ele jamais poderia fazer por si: uma casa eterna. É o evangelho em miniatura: nós não construímos primeiro; recebemos primeiro. Muitos ministérios adoecem por inverter isso, servindo para conquistar o favor de Deus em vez de servir a partir dele. Repare também que Davi respondeu do jeito certo: entrou, assentou-se diante do Senhor e orou maravilhado: “Quem sou eu, Senhor Deus…?” (2Sm 7.18). Projeto bom nasce assim: da gratidão de quem já recebeu, não da ansiedade de quem quer merecer. Antes de perguntar “o que farei para Deus?”, pergunte “o que Deus já jurou fazer?”, e sirva descansado dentro do juramento dele (Ef 2.8-10).
Como responder, com mansidão, a quem ensina que Jesus ainda não se assentou no trono de Davi e que isso ocorrerá num milênio em Jerusalém?Ver resposta sugerida
Leve a conversa para Atos 2.29-36 e faça uma única pergunta: quando Pedro diz que Deus jurou a Davi que um descendente “se assentaria no seu trono”, a que evento ele liga o cumprimento? O texto responde: à ressurreição e exaltação de Jesus (“referiu-se à ressurreição de Cristo… exaltado à direita de Deus… Deus o fez Senhor e Cristo”). Não é um teólogo posterior interpretando; é um apóstolo, no dia de Pentecostes, expondo 2Samuel 7. Some-se o anúncio de Gabriel (Lc 1.32-33), que promete reinado “para sempre”, não reinado de mil anos. E reconheça o que há de verdadeiro na expectativa do irmão: haverá, sim, uma manifestação visível e gloriosa desse reinado, quando o Rei vier “no trono da sua glória” (Mt 25.31). A diferença não é se Jesus reina, mas desde quando; e nisso vale deixar Pedro dar a palavra final (2Tm 2.24-25).

Para casa e próxima aula

Para aprofundar. Esta aula dialoga com o estudo Jesus reinará em um trono em Jerusalém?, do Bispo Ildo Mello, com o levantamento completo das 61 referências a “trono” no Novo Testamento.

Tarefas

Ler 2Samuel 7.1-17, Lucas 1.26-33 e Atos 2.29-36, sublinhando cada fio da promessa e onde o Novo Testamento o amarra; e escrever, em poucas linhas, a resposta à pergunta: desde quando Jesus reina no trono de Davi?

Aula 13

Isaías 53, o Servo Sofredor: o coração messiânico do Antigo Testamento, a grande troca, e o que “pelas suas pisaduras fomos sarados” promete e não promete. Ir para a Aula 13 →

Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA) e Almeida Revista e Atualizada (RA). · Bispo Ildo Mello