Nossa identidade

Posicionamentos da Igreja

O que a Igreja Metodista Livre ensina sobre as questões do nosso tempo

Esta página apresenta uma síntese pastoral dos posicionamentos da Igreja Metodista Livre, fundamentada nas Escrituras e no Manual da Igreja.

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade.” (Jo 1.14)

Posicionamento 1

Sexualidade santificada

A sexualidade é um bom presente de Deus, reservado para o casamento entre um homem e uma mulher.

(Gn 1.26-28; Gn 2.24; Mt 19.4-6; Hb 13.4)

A Bíblia não trata a sexualidade como assunto vergonhoso. Ela começa afirmando que Deus criou o ser humano à sua imagem, homem e mulher, e viu que tudo era muito bom (Gn 1.26-28, 31). No casamento, os dois se tornam “uma só carne” (Gn 2.24), num vínculo de intimidade, transparência e alegria que a Escritura descreve sem constrangimento: “estavam nus e não se envergonhavam” (Gn 2.25). A união do homem e da mulher é tão preciosa aos olhos de Deus que os profetas a usaram como retrato da aliança entre o Senhor e o seu povo, e o Novo Testamento a usa como retrato de Cristo e a Igreja (Ef 5.31-32).

O pecado corrompeu esse dom. A história bíblica registra, com honestidade, a degradação da sexualidade humana: poligamia, prostituição, violência, luxúria. E a nossa cultura repete o erro antigo de transformar o sexo em ídolo, ensinando que ninguém pode ser feliz sem atividade sexual, que a identidade da pessoa se resume aos seus desejos e que toda vontade deve ser satisfeita. O resultado está à vista: muita nudez, pouca intimidade e menos amor ainda.

Diante disso, não anunciamos uma lista de proibições, mas um caminho de restauração. Jesus chama todos nós, sem exceção, a negar a nós mesmos, tomar a cruz e segui-lo. Todos somos chamados à santidade também na área da sexualidade, e nenhum de nós vive sem depender da graça que perdoa, purifica e transforma. Por isso a igreja honra dois caminhos santos: o casamento fiel entre um homem e uma mulher, e o celibato, vivido por Jesus e recomendado por Paulo como vocação digna e frutífera (1Co 7.7). Numa família de fé de verdade há lugar de honra para casados, solteiros, viúvos e celibatários.

O que diz o nosso Manual

“A visão bíblica para a intimidade sexual santificada é que ela é um presente de Deus reservado para o casamento entre um homem e uma mulher. A intimidade sexual cria um vínculo único e duradouro que as Escrituras descrevem como ‘uma só carne’.”

Ver no Manual (§3410) →

Para aprofundar, veja a lição Sexualidade: dádiva de Deus, do curso de casais Uma Só Carne.

Posicionamento 2

Homossexualidade: verdade e amor, juntos

Sustentamos com clareza o ensino bíblico e, com a mesma firmeza, o amor por todas as pessoas.

(Gn 1.26-27; Lv 18.22; Rm 1.26-27; 1Co 6.9-11; Mc 12.30-31)

Poucos temas geram tanta confusão e tanta dor. Por isso falamos com cuidado pastoral, sem esconder o que cremos. A Escritura é consistente, do Antigo ao Novo Testamento: a relação sexual é reservada para o casamento entre um homem e uma mulher, e as práticas homossexuais são contrárias à ordem criada por Deus (Lv 18.22; Rm 1.26-27; 1Co 6.9-10; 1Tm 1.8-10). Nessa leitura estamos junto com a imensa maioria dos cristãos de todos os séculos, continentes e tradições. Alguns falam hoje de uma “terceira via”, em que cada igreja ou cada pessoa conclui o que quiser. Não é esse o nosso caminho do meio. O nosso caminho do meio é outro: segurar ao mesmo tempo, sem soltar nenhuma das duas, a verdade da Palavra e o amor prático pelas pessoas.

O nosso Manual faz uma distinção que muda tudo na prática pastoral: uma coisa é a prática (e a intenção cultivada no coração, cf. Mt 5.28), outra coisa é a atração sentida. A atração pelo mesmo sexo, por si só, não constitui pecado voluntário. A Escritura distingue tentação de consentimento e prática pecaminosa (Tg 1.14-15): o próprio Jesus foi tentado e não pecou (Hb 4.15). Quem sente atração pelo mesmo sexo e busca viver em santidade não é cristão de segunda categoria, e a simples tentação não desqualifica ninguém do serviço cristão. Todos nós lutamos por santidade sexual; ninguém luta sozinho.

Rejeitamos erros opostos. De um lado, a crueldade: zombaria, humilhação e violência contra pessoas homossexuais não representam o coração de Jesus, e nos arrependemos de todo silêncio ou aspereza que fez alguém se sentir invisível ou indesejado na igreja. Rejeitamos também toda compreensão da pessoa humana que faça dos desejos sexuais sua identidade mais profunda. Nossa identidade fundamental não se encontra nos desejos que experimentamos, mas em sermos criaturas feitas à imagem de Deus e, em Cristo, novas criaturas (Gn 1.27; 2Co 5.17). O chamado de Cristo nunca foi “siga o seu coração”, mas “siga-me” (Mt 4.19). Também não aceitamos que cristãos sejam perseguidos ou ridicularizados por afirmarem o que a Escritura ensina: discordar não é odiar.

Na prática: recebemos com hospitalidade toda pessoa que deseja adorar conosco e caminhamos com ela com paciência, confiando no Espírito Santo, que convence do pecado e conduz cada um ao melhor de Deus. Por fidelidade à compreensão bíblica do casamento que confessamos, nossos pastores não celebram uniões entre pessoas do mesmo sexo. Fazemos isso sem hostilidade, amando também as pessoas que discordam de nós.

O que diz o nosso Manual

“As atividades sexuais são pecado, a tendência sexual é tentação. Para aqueles que caíram na atividade homossexual, a graça de Deus está disponível e é completamente adequada para perdoar e libertar.”

Ver no Manual (§3410) →

Posicionamento 3

Mulheres na liderança da igreja

Ordenamos mulheres não apesar da Escritura, mas por causa dela.

(Gn 1.26-30; Jl 2.28-29; Rm 16.7; Gl 3.28)

A Igreja Metodista Livre afirma o ministério e a ordenação de mulheres desde muito antes dos debates atuais. B. T. Roberts, nosso fundador, escreveu já em 1891 o livro Ordenando Mulheres, defendendo essa posição com a Bíblia aberta. Rejeitamos a suposição de que afirmar mulheres na liderança exige desprezar a Escritura. É exatamente o contrário: baseamos o nosso entendimento na história da redenção contada pela Escritura inteira, lendo cada passagem no seu contexto.

Na criação, homem e mulher foram feitos à imagem de Deus e receberam juntos a autoridade para governar a terra (Gn 1.26-30). A mulher é chamada de “auxiliadora” (Gn 2.18), mas a palavra hebraica ali usada (ezer) não descreve uma assistente subalterna: nas Escrituras ela aparece mais de vinte vezes, quase sempre para falar do socorro do próprio Deus. A subordinação da mulher ao homem não é o desenho original: é consequência da queda (Gn 3.16). E a redenção em Cristo restaura o que o pecado distorceu: “nem homem nem mulher; porque todos vocês são um em Cristo Jesus” (Gl 3.28).

A história bíblica confirma isso a cada etapa. No Antigo Testamento, Miriã foi profetisa (Êx 15.20), Débora julgou Israel (Jz 4.4-5) e Hulda instruiu sacerdotes e reis (2Rs 22.14-20). Jesus ensinou mulheres como discípulas, revelou-se Messias primeiro a uma samaritana, que evangelizou sua cidade (Jo 4.25-29), e escolheu mulheres como primeiras testemunhas da ressurreição, enviadas a anunciar aos irmãos (Jo 20.17-18). No Pentecostes, o Espírito foi derramado sobre filhos e filhas, cumprindo a profecia de Joel (At 2.17-18; Jl 2.28-29). Na igreja primitiva, Priscila ensinou Apolo (At 18.24-26), Lídia abrigou a primeira igreja da Europa (At 16.14-15) e Júnia é chamada de notável entre os apóstolos (Rm 16.7).

E as passagens que mandam a mulher calar (1Co 14.34-35; 1Tm 2.11-15)? Entendemos que Paulo corrige, nelas, situações específicas de desordem, não todas as mulheres de todos os tempos. Na mesma carta aos coríntios, ele orienta como as mulheres deviam orar e profetizar no culto (1Co 11.5), o que mostra que elas falavam, com a aprovação dele. Em 1 Timóteo 2.12, Paulo emprega o verbo raro authentein, usado apenas aqui no Novo Testamento e cujo alcance semântico é discutido. Entendemos, à luz do contexto da carta, que Paulo está reprimindo uma forma indevida de ensino e exercício de autoridade naquela comunidade, e não proibindo universalmente o ministério de mulheres. Paulo limitou pessoas que estavam fora de ordem; não fechou a porta que Deus abriu.

O que diz o nosso Manual

“Esses homens e mulheres ordenados pela Igreja são caracterizados por dons e graça. […] a ordenação é sempre, antes de tudo, uma atividade de chamamento e unção divinos.”

Ver no Manual (§8000) →

Para estudar o tema a fundo, veja a lição Por que a Igreja ordena mulheres e o livro completo de B. T. Roberts, Ordenando Mulheres (1891), traduzido em nosso site.

Posicionamento 4

Unidade racial

O racismo é pecado. A igreja de Jesus é a multidão de toda nação, tribo, povo e língua.

(Gn 1.26-27; Mc 12.30-31; At 17.26; Ap 7.9)

A Igreja Metodista Livre nasceu, em 1860, de uma consciência incomodada. Entre os sentidos históricos do “Livre” em nosso nome estavam a oposição à escravidão e aos bancos pagos nos templos, que privilegiavam os ricos e excluíam os pobres. B. T. Roberts e os primeiros metodistas livres lutaram para que escravizados e pobres tivessem na igreja o mesmo lugar de qualquer outra pessoa. Honrar essa história é continuar o mesmo combate.

No Brasil, essa conversa não é teórica. Fomos o último país das Américas a abolir a escravidão, em 1888, e as marcas dessa herança ainda são visíveis na vida do nosso povo. A igreja não pode tratar o assunto como se não fosse com ela. O evangelho afirma que Deus criou de um só homem todas as nações (At 17.26), que toda pessoa carrega a imagem de Deus (Gn 1.26-27) e que o Cordeiro comprou para Deus uma multidão “de toda tribo, língua, povo e nação” (Ap 7.9). Diante disso, discriminar alguém por sua cor ou origem é afrontar diretamente a visão de Deus para a criação. O racismo se manifesta em atitudes individuais, mas também pode se esconder em costumes e estruturas que perpetuam exclusão; nos dois casos, é pecado a ser confessado e combatido.

Por isso nos comprometemos com uma postura de humildade e autoexame constante, reconhecendo como é fácil ficar cego para a experiência dos outros (Fp 2.3-4); com o arrependimento pelas vezes em que fomos coniventes ou omissos; com a correção de pensamentos, atitudes e práticas discriminatórias onde quer que apareçam, inclusive dentro da igreja; e com igrejas locais que modelem, na prática, a reconciliação que pregamos, com irmãos de todas as origens participando de todos os níveis de liderança e comunhão. Tudo isso sustentado em oração, porque unidade racial não é projeto social de ocasião: é obediência ao mandamento de amar o próximo como a nós mesmos (Mc 12.30-31).

O que diz o nosso Manual

“Somos comprometidos com o valor de todos os humanos, sem distinção de gênero, etnia, cor ou qualquer outra distinção (Atos 10:34-35) e os respeitaremos como criados à imagem de Deus.”

Ver no Manual (§3340) →

Posicionamento 5

Migrantes e estrangeiros

Deus ordena ao seu povo amar o estrangeiro. Jesus se identifica com ele.

(Êx 22.21; Lv 19.33-34; Dt 10.18-19; Mt 25.35)

Poucas ordens se repetem tanto na Lei quanto esta: cuidar do estrangeiro. “Não maltrate o estrangeiro, nem o oprima; porque vocês foram estrangeiros na terra do Egito” (Êx 22.21; ver também Lv 19.33-34; Dt 10.18-19). Israel deveria amar o forasteiro porque conhecia por experiência a dor de ser forasteiro. E Jesus foi além: identificou-se pessoalmente com o estrangeiro, a ponto de dizer que o acolhemos ou rejeitamos a Ele mesmo na pessoa do necessitado: “eu era forasteiro, e vocês me hospedaram” (Mt 25.35). Quando quiseram saber quem é o próximo que devemos amar, Ele contou a história de um samaritano, justamente alguém pertencente a um povo desprezado pelos judeus (Lc 10.25-37).

Nós somos, nós mesmos, uma igreja de migrantes. A obra metodista livre no Brasil está ligada à história da imigração japonesa, que deu origem à nossa Conferência Nikkei; hoje a estrutura eclesiástica brasileira também supervisiona igrejas em Angola, no Paraguai e na Argentina, e a família metodista livre mundial está presente em mais de cem países. O Brasil que recebeu nossos antepassados recebe hoje venezuelanos, haitianos, angolanos, bolivianos e tantos outros. Para a igreja, nenhuma dessas pessoas é um problema estatístico: cada uma carrega a imagem de Deus, e a Grande Comissão nos envia a “todas as nações” (Mt 28.19), inclusive as que chegam até nós.

Reconhecemos que o Estado tem o direito e o dever de ordenar suas fronteiras, e ensinamos a boa cidadania e o respeito às autoridades (Rm 13.1-7). Mas a submissão ao Estado nunca anula o mandamento do amor. O cuidado com a pessoa vulnerável é, para o cristão, uma ordem de categoria mais alta que qualquer conveniência política, e as funções da igreja vêm de Deus: anunciamos o evangelho, servimos e ministramos a qualquer pessoa, sem perguntar primeiro por documentos. Na prática, isso significa acolher o migrante na comunidade, ajudar com as necessidades básicas, com a língua e com a documentação, garantir que ele possa ouvir o evangelho e adorar de forma que entenda, e defender que seja tratado com justiça, recusando todo discurso que desumanize qualquer povo.

O que diz o nosso Manual

“Como cristãos, somos cidadãos do reino de Deus e desse mundo. […] Nossa submissão é, primeiro, para com Deus.”

Ver no Manual (§3470) →

Posicionamento 6

A igreja e a política partidária

Somos cidadãos do Reino de Deus antes de qualquer bandeira. O Reino de Deus acima de qualquer partido.

(Mt 6.33; Jo 18.36; Fp 3.20; Mc 12.17)

A igreja confessa um só Senhor. “A nossa pátria está nos céus” (Fp 3.20); “não temos aqui cidade permanente” (Hb 13.14). Quando Jesus declarou “O meu Reino não é deste mundo” (Jo 18.36), não estava dizendo que o seu Reino não tem consequências para este mundo, mas que a sua origem, natureza e poder não procedem dos sistemas políticos deste mundo. É um Reino marcado pelo serviço e pelo sacrifício, no qual quem quiser ser o primeiro será servo de todos (Mc 10.42-45). Por isso a igreja de Jesus Cristo não pode ser identificada com nenhum partido político, e a nossa lealdade suprema não pertence à direita nem à esquerda, mas ao Reino de Deus e à sua justiça (Mt 6.33).

Disso decorrem algumas recusas firmes. O púlpito é sagrado, consagrado à exposição fiel das Escrituras, e não pode ser transformado em palanque nem em plataforma política de candidato algum. O pastor não foi chamado para formar militantes partidários, mas discípulos de Jesus Cristo (Mt 28.19-20); por isso, nenhum pastor deve dizer aos fiéis em quem votar, e rejeitamos o chamado “voto de cajado”, que trata o rebanho como curral eleitoral. Rejeitamos igualmente a idolatria das ideologias: sistemas humanos que tomam uma verdade parcial, a absolutizam e passam a exigir lealdade total (Cl 2.8). O evangelho não se deixa cooptar por nenhum projeto humano de poder. Nenhuma ideologia, de direita ou de esquerda, pode ser identificada com o evangelho. Todas devem ser examinadas e julgadas à luz do senhorio de Cristo e das Escrituras.

Em tempos de polarização e desinformação, em que algoritmos alimentam bolhas e transformam irmãos em inimigos, a igreja precisa ser o lugar do encontro, não da polarização. A mesa da comunhão é onde pessoas com visões políticas distintas se assentam juntas, porque foram compradas pelo mesmo sangue de Cristo (1Co 10.16-17). Quando a preferência política se torna mais determinante do que a comunhão em Cristo, algo espiritualmente grave está acontecendo. Lembramos ainda que mentira, calúnia e falso testemunho são pecados também no ambiente digital (Êx 20.16; Ef 4.25): antes de compartilhar, o cristão pausa, verifica as fontes e examina o fruto, recusando toda narrativa que alimente ódio e desprezo, ainda que ela confirme as suas preferências (Tg 1.19; Mt 7.16-20). “Examinem todas as coisas, retenham o que é bom” (1Ts 5.21).

Nada disso é alienação ou omissão. Damos “a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mc 12.17): oramos pelas autoridades, participamos da vida cívica, buscamos o bem comum (“Procurem a paz da cidade […] e orem por ela ao Senhor; porque na sua paz vocês terão paz”, Jr 29.7) e exercemos com consciência a responsabilidade do voto, escolhendo por caráter, história de vida e compromisso com a justiça, a liberdade e a verdade, nunca por favores pessoais ou rótulos de ocasião. A influência da igreja na sociedade é a do sal, do fermento e da luz: não partidária, mas profundamente transformadora; pacífica, mas nunca indiferente à injustiça. João Wesley nos deixou o exemplo. No seu Diário, em 6 de outubro de 1774, registrou o conselho que deu aos metodistas que tinham direito de voto: votar, sem paga nem recompensa, na pessoa que julgassem mais digna; não falar mal do candidato contrário; e cuidar para que o seu espírito não se azedasse contra os que votassem do outro lado. Dois séculos e meio depois, é difícil encontrar conselho mais atual.

O que diz o nosso Manual

“Como cristãos, oramos por ‘todos os que exercem autoridade’ (1ª Timóteo 2:2) […]. Participamos ativamente na vida cívica através do envolvimento em esforços para a melhoria das condições sociais, culturais e educacionais. […] Exercemos a responsabilidade do voto.”

Ver no Manual (§3470) →

Para aprofundar, veja a orientação pastoral do Bispo Ildo Pastoreio Fiel em Tempos de Polarização e Desinformação e os estudos Missão da Igreja e envolvimento político e A vocação cristã para o voto cidadão, manifesto da Aliança Cristã Evangélica Brasileira que subscrevemos: “A igreja é de Jesus Cristo e não pode ser identificada com nenhum partido político. O púlpito é sagrado e não pode ser usado como plataforma política de candidato algum.”

Posicionamento 7

O uso de álcool

A embriaguez é pecado. Sem legalismo, defendemos a abstinência como o caminho mais seguro e sábio, confiando na ação do Espírito Santo e respeitando diferenças de consciência onde a Escritura não legisla explicitamente.

(Pv 20.1; Ef 5.18; Gl 5.23; 1Co 10.31)

Sobre a embriaguez não há debate entre cristãos: a Escritura a nomeia como pecado. “E não se embriaguem com vinho, pois isso leva à devassidão, mas deixem-se encher do Espírito” (Ef 5.18; ver também Gl 5.21). A sabedoria bíblica é realista quanto aos riscos: “O vinho é zombador e a bebida forte causa alvoroço; todo aquele que é vencido por eles não é sábio” (Pv 20.1). E os males estão diante de todos: o álcool é imprevisivelmente viciante, e o seu abuso deixa um rastro de casamentos destruídos, violência doméstica, acidentes e saúde arruinada.

Ao mesmo tempo, não colocamos regra onde a Bíblia colocou princípio. Já aprendemos, na nossa própria história, o perigo de transformar marcadores externos em atestado de santidade: isso gera legalismo, e legalismo não santifica ninguém. A membresia na igreja não é prêmio para quem já venceu todas as lutas; ela vem no comecinho da caminhada, como recurso do Espírito para nos formar. O princípio que nos governa é o domínio próprio, que é fruto do Espírito (Gl 5.22-23), somado ao bom senso de quem conhece os riscos, ao cuidado com o corpo, que é templo do Espírito Santo (1Co 6.19-20), e ao amor que se importa com o irmão: “É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa que leve um irmão a tropeçar” (Rm 14.21).

A Igreja Metodista Livre não transforma a abstinência em condição de salvação nem em requisito prévio para alguém ser acolhido na comunidade. Contudo, à luz dos riscos pessoais e sociais do álcool, de nossa tradição e do amor ao próximo, defendemos a abstinência como escolha sábia e testemunho solidário. Onde cristãos sinceros chegam a convicções diferentes quanto ao uso moderado, aplicamos os princípios de Romanos 14 e 15, sem desprezo nem julgamento mútuo: “o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17).

Na prática, nossos encontros, templos e atividades permanecem livres de álcool, para não fazer tropeçar os vulneráveis, especialmente os que estão em recuperação. Recebemos de braços abertos quem chega a Cristo ainda lutando contra dependências, confiando no Espírito Santo, que transforma de dentro para fora. Aos líderes cabe encorajar a sabedoria da abstinência e cultivar transparência sobre o tema. E, em tudo, vale a regra de ouro da mesa cristã: “se vocês comem, ou bebem ou fazem qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31).

O que diz o nosso Manual

“Um dos sinais da presença interior do Espírito é o domínio próprio (Gálatas 5:23). […] Como cristãos, desejamos ser caracterizados pelo equilíbrio e pela moderação. Procuramos evitar padrões extremos de conduta. Também procuramos manter-nos livres de vícios e compulsões.”

Ver no Manual (§3350) →  ·  Sobre bebidas alcoólicas (§3390) →

Posicionamento 8

Jogos de azar e apostas

Nós nos abstemos do jogo em todas as suas formas, por consciência e como testemunho da fé em Cristo.

(Pv 13.11; Is 65.11; 1Tm 6.9-10; 1Co 6.12)

O jogo de azar não é um pecado novo; nova é apenas a embalagem. No fundo, ele repousa sobre uma fé alternativa: a fé na sorte. Mas o cristão não crê no acaso; crê no Deus que dirige todas as coisas do seu mundo pelo seu cuidado providencial. Colocar a esperança num palpite é, na prática, erguer um altar a outro deus, e esse ídolo é antigo: o profeta já denunciava os que abandonam o Senhor e “preparam uma mesa para a deusa Fortuna e misturam vinho para o deus Destino” (Is 65.11). Quem confia no Senhor não precisa consultar a sorte: “Confie nele em todo tempo, ó povo; […] Deus é o nosso refúgio” (Sl 62.8).

Além de trair a confiança na providência, o jogo fere o próximo. Ao ganho do jogo falta tanto a dignidade de um salário merecido quanto a honra de um presente: ele tira recursos do bolso do próximo sem uma paga justa, num sistema em que o meu ganho só existe porque muitos perderam. Isso é o oposto do padrão bíblico, que dignifica o trabalho e a generosidade: “A riqueza obtida com facilidade, essa diminui, mas quem a ajunta pelo trabalho, esse a vê aumentar” (Pv 13.11); “quem tem pressa de enriquecer não ficará sem castigo” (Pv 28.20); quem antes tomava dos outros deve passar a trabalhar “para que tenha o que repartir com o necessitado” (Ef 4.28). João Wesley, no sermão O Uso do Dinheiro, ensinou que ninguém pode enriquecer prejudicando o próximo e citou o jogo pelo nome, ao lado da usura e das cobranças abusivas, entre os ganhos que o amor cristão proíbe: não podemos “devorar o rendimento das suas terras […] por meio do jogo“.

No Brasil de hoje, esse pecado antigo ganhou escala industrial. Com as apostas eletrônicas, as chamadas bets, o celular transformou a casa de milhões de brasileiros num cassino aberto 24 horas, empurrado por propaganda maciça e por influenciadores pagos. Levantamentos do Banco Central e estudos apresentados no Senado Federal (dados de 2024 e 2025) indicam dezenas de bilhões de reais movimentados por mês e centenas de milhares de famílias em endividamento grave, além de uma parcela alarmante de apostadores já em risco de dependência, a ludopatia, um vício silencioso que não aparece no espelho; os números estão detalhados no estudo O Vício Silencioso. O aviso “jogue com responsabilidade” não passa de transferência de culpa: pedir moderação a quem foi fisgado por um sistema desenhado para prender a atenção é como pedir a um alcoólatra que beba com moderação. O modelo econômico das apostas é construído de modo que, no conjunto, a vantagem permaneça com a casa: muitos precisam perder para que o sistema seja lucrativo. Ele não foi desenhado para tirar ninguém da pobreza, mas para transferir o dinheiro de quem tem pouco para quem tem muito. A Escritura descreve com precisão essa armadilha: “os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos insensatos e nocivos, que levam as pessoas a se afundar na ruína e na perdição” (1Tm 6.9).

Por isso, seguindo o nosso Manual, nos abstemos do jogo em todas as suas formas: apostas eletrônicas, cassinos, loterias, inclusive as formas consideradas inocentes, como rifas e bingos, mesmo para fins beneficentes, pois a obra de Deus se sustenta com ofertas voluntárias, não com a sorte. Advertimos que o patrocínio e a normalização do jogo pelo Estado apenas agravam o problema, e consideramos legítimas e necessárias medidas responsáveis de proteção contra publicidade que explore pessoas vulneráveis, especialmente crianças e adolescentes. E, com a firmeza, vem a compaixão: quem está preso nesse ciclo não precisa de desprezo, precisa de socorro. A nossa palavra para o apostador endividado e envergonhado é a mesma do evangelho: rompa o silêncio, procure ajuda, venha para uma comunidade que acolhe sem julgar. Quando houver dependência, encorajamos também a busca de acompanhamento pastoral, psicológico, médico e financeiro adequado. “Todas as coisas me são lícitas”, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas (1Co 6.12). A liberdade que o vício rouba, Cristo devolve.

O que diz o nosso Manual

“O jogo é contrário à fé no Deus que dirige todas as coisas do Seu mundo, não pelo acaso, mas pelo Seu cuidado providencial. […] Por causa dos males que ele promove, nos abstemos do jogo em todas as suas formas por questão de consciência e como um testemunho da fé que temos em Cristo.”

Ver no Manual (§3360) →

Para aprofundar, veja os estudos do Bispo Ildo O Vício Silencioso: o que as bets estão fazendo aos lares brasileiros, Razões para um cristão não participar de loterias e jogos de azar e Apostando na Ilusão, além do livro de B. T. Roberts Primeiras Lições sobre o Dinheiro.

Posicionamento 9

O cuidado da criação

A terra é do Senhor. Cuidar dela é honrar uma aliança que o próprio Deus estabeleceu.

(Gn 2.15; Gn 9.9-16; Sl 24.1; Cl 1.19-20)

Depois do dilúvio, Deus fez uma aliança que costuma passar despercebida: não apenas com Noé, mas “com todos os seres viventes”, uma “aliança entre mim e a terra”, selada com o sinal do arco-íris (Gn 9.9-16). O plano de Deus nunca foi salvar pessoas para fora da criação, mas restaurar pessoas com a criação: em Cristo, Deus reconcilia consigo “todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus” (Cl 1.19-20). Desde o Éden, o ser humano foi posto no jardim “para o cultivar e o guardar” (Gn 2.15). Somos mordomos, não donos: “Ao Senhor pertence a terra e a sua plenitude” (Sl 24.1).

Essa ênfase é profundamente wesleyana. João Wesley se maravilhava com a sabedoria de Deus na criação e ensinava que o amor ao próximo alcança tudo o que afeta o bem-estar do próximo, e a saúde do ambiente certamente afeta. B. T. Roberts, além de líder da igreja, era fazendeiro, e tratou a terra e a justiça econômica do campo como assuntos do Reino. Um cristianismo que despreza a criação não é mais espiritual; é menos bíblico.

O cuidado da criação, para nós, não é bandeira partidária: é mordomia e testemunho. De modo prático, incentivamos as igrejas locais a ensinar o que a Escritura diz sobre Deus, o povo e a terra; a fazer da propriedade da igreja um sinal visível de cuidado, começando pelo simples, como plantar e preservar árvores; a incluir a contemplação da natureza nas disciplinas espirituais, pois “Os céus proclamam a glória de Deus” (Sl 19.1); a formar grupos que respondam a desafios ambientais concretos da sua cidade; e a apoiar os esforços legítimos da comunidade pelo bem do ambiente que todos compartilhamos.

Posicionamento 10

Vida na luz: transparência e sociedades secretas

A lealdade suprema do cristão é a Jesus Cristo. Quem anda na luz rejeita segredos e lealdades que competem com a verdade e com o senhorio de Cristo.

(Mt 5.34-37; Lc 12.1-3; Jo 3.19-21; 1Jo 1.5-7)

Desde a fundação, os metodistas livres se abstêm de participar de sociedades secretas, como as lojas maçônicas e ordens semelhantes. A razão é simples e continua válida: associações que exigem juramentos de sigilo e lealdade comprometem de antemão as ações futuras dos seus membros, e o cristão não pode jurar lealdade sem reservas a ninguém, porque a sua rendição incondicional pertence a Jesus Cristo, o Senhor (At 2.36; Mt 5.34-37). Além disso, o culto dessas sociedades costuma ser religioso sem ser cristão: uma religiosidade moralista, sem redenção e sem o nome que é o único “pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4.12). Quem se une à Igreja renuncia à membresia nessas ordens.

Mas o princípio vai além das lojas. Panelinhas, grupos fechados e canais de comunicação que escondem informação de parte dos irmãos produzem, em escala menor, o mesmo mal: dividem, marginalizam e controlam. Jesus chamou o segredo hipócrita de “fermento dos fariseus” e avisou que tudo o que está encoberto será revelado (Lc 12.1-3). Há, é claro, uma confidencialidade santa, que protege os vulneráveis; o que rejeitamos é o segredo que exclui e adoece as relações. Deus é luz, e quem vive nele anda na luz (1Jo 1.5-7).

Por isso cultivamos uma igreja de portas abertas: finanças e orçamentos acessíveis aos membros; reuniões e atas abertas, salvo as raras exceções de proteção aos vulneráveis e respeitados os deveres legais, pastorais, disciplinares e de proteção de dados e das pessoas envolvidas; líderes avaliados com transparência em todos os níveis; e uma mesa do Senhor oferecida publicamente. Nas redes sociais e nos grupos de mensagens vale o mesmo padrão: nada de grupos ocultos que manipulem informação ou fabriquem classes de irmãos mais e menos informados. Vivemos acima de qualquer suspeita, na luz, como Ele está na luz.

O que diz o nosso Manual

“Como cristãos, então, nos recusamos a jurar lealdade sem reserva a qualquer sociedade secreta, pois vemos tal submissão em conflito direto com a rendição incondicional a Jesus Cristo como Senhor.”

Ver no Manual (§3330) →

Posicionamento 11

Santidade da vida

Toda vida humana possui dignidade porque existe diante de Deus e carrega sua imagem, desde seu início até seu fim natural.

(Gn 1.26-27; Sl 139.13-16; Jr 1.5; Lc 1.41-44)

A dignidade da vida humana não vem do tamanho, da saúde, da produtividade ou do desejo de terceiros: vem de Deus, que nos criou à sua imagem (Gn 1.26-27). A Escritura fala do nascituro como pessoa diante de Deus: “tu me teceste no ventre de minha mãe” (Sl 139.13); “Antes de formá-lo no ventre materno, eu já o conhecia” (Jr 1.5); e João Batista exultou no ventre de Isabel diante da presença de Cristo, também Ele gerado no ventre de Maria (Lc 1.41-44). Por isso o nosso Manual confessa que a vida humana, “seja embrionária, madura ou senil”, é sagrada, pois existe em relação a Deus. Não existe vida inútil, e nenhuma vida vale menos por ser pequena, frágil, doente ou indesejada.

Sobre o aborto, a nossa posição protege, ao mesmo tempo, a mãe e o filho que ela carrega. O aborto intencional, da concepção em diante, viola o mandamento “não matarás”; a única exceção reconhecida pelo Manual são as circunstâncias extremas em que a interrupção da gravidez é necessária para salvar a vida da gestante, decisão que deve ser tomada com responsabilidade e aconselhamento cristão. Rejeitamos o aborto como instrumento de conveniência, preferência pessoal ou controle de natalidade. E dizemos com igual clareza a parte que muitas vezes fica calada: a mulher que passou por um aborto encontra na igreja graça, perdão e restauração, não um tribunal. À gestante em dificuldade, oferecemos alternativas concretas e cuidado de longo prazo: apoio material e emocional, acompanhamento da comunidade e, quando for o caso, o caminho da adoção.

Sobre o fim da vida, cremos que não existe justificativa para a eutanásia ou para o suicídio assistido. Ao mesmo tempo, o Manual faz distinções que evitam falsos dilemas: recusar medidas heroicas que apenas prolongam artificialmente o processo de morte não é eutanásia; e é permitido usar analgésicos e cuidados que aliviam o sofrimento, mesmo quando envolvem riscos, quando a intenção é beneficiar o paciente. Defendemos os cuidados paliativos como expressão do amor cristão: acompanhar, aliviar e consolar até o fim. Para o cristão, a morte física não é o fim da vida, mas a transição para a eternidade, e a comunidade da fé é chamada a estender o conforto de Deus aos que sofrem.

As tecnologias reprodutivas oferecem esperança real a casais que sofrem, e geram questões éticas delicadas. O princípio orientador é o mesmo do começo ao fim: toda vida humana deve ser valorizada, respeitada e protegida em todos os seus estágios, e cada decisão nessa área deve ser informada pela Escritura, pela teologia cristã da família e por bom aconselhamento.

O que diz o nosso Manual

“Como cristãos, cremos que a vida humana, seja embrionária, madura ou senil, é sagrada, pois a vida existe em relação a Deus. […] Cremos que não existe vida ‘inútil’. O valor e a utilidade de nossas vidas repousam acima de tudo no nosso relacionamento com Deus que nos ama.”

Ver no Manual (§3420) →

Posicionamento 12

Pornografia e pureza digital

A pornografia deprava um dom de Deus e escraviza. Buscamos a santidade também na vida digital.

(Jó 31.1; Sl 101.3; Mt 5.28; Fp 4.8)

A pornografia provoca a luxúria, que é a depravação de um dom de Deus, e funciona como força degenerativa: começa com o clique, avança para o vício, insensibiliza a consciência e vitima os inocentes, inclusive na produção do próprio material. O que o nosso Manual já denunciava ganhou, na era digital, alcance inédito: o conteúdo está no bolso, a um toque, empurrado por algoritmos; crianças e adolescentes são expostos cada vez mais cedo; e a dependência pornográfica, muitas vezes escondida atrás de vidas aparentemente corretas, é hoje uma das lutas pastorais mais frequentes, embora uma das menos confessadas. O silêncio só a fortalece.

A resposta cristã não é apenas força de vontade, é aliança e vigilância. Jó ensina o primeiro passo: “Fiz uma aliança com os meus olhos” (Jó 31.1); o salmista, o segundo: “Não porei coisa injusta diante dos meus olhos” (Sl 101.3). Jesus leva a pureza ao coração, onde a batalha realmente acontece (Mt 5.28), e Paulo aponta o caminho positivo: ocupar o pensamento com o que é verdadeiro, respeitável, justo e puro (Fp 4.8), pois “a vontade de Deus é a santificação de vocês: que se abstenham da imoralidade sexual” (1Ts 4.3). Na prática, incentivamos medidas concretas: filtros e limites nos aparelhos, prestação de contas a um irmão de confiança, aconselhamento pastoral e, quando houver dependência instalada, acompanhamento profissional. Quem luta encontra na igreja uma comunidade que acolhe sem humilhar, e a graça que liberta.

Temos ainda um dever especial com as famílias: pais e responsáveis atentos ao que os filhos acessam, educação sexual sadia no lar e na igreja, e uma comunidade que fala do assunto abertamente, para que ninguém precise lutar sozinho e no escuro.

O que diz o nosso Manual

“A pornografia provoca a luxúria sexual, que é a depravação de um dom de Deus. […] Como cristãos, nós nos opomos à abominação da pornografia por todos os meios legítimos.”

Ver no Manual (§3400) →

Posicionamento 13

Casamento, divórcio e novo casamento

O casamento é aliança vitalícia entre um homem e uma mulher. Diante da crise, a igreja trabalha primeiro pela cura; diante da ruptura, oferece um caminho de restauração.

(Gn 2.24; Mt 19.6; Hb 13.4; Ml 2.16)

Na criação, Deus instituiu o casamento para o bem da humanidade: a união vitalícia de um homem e uma mulher, que as Escrituras chamam de “uma só carne” (Gn 2.24). Jesus a confirmou: “que ninguém separe o que Deus ajuntou” (Mt 19.6). “Digno de honra entre todos seja o matrimônio” (Hb 13.4). Por isso cremos que o casamento deve ser assumido publicamente, com votos diante de Deus e do Estado; uma aliança apenas privada não basta, e a união estável não constitui casamento, razão pela qual não ministramos bênção em cerimônias de união estável. E, porque casar é decisão para a vida inteira, pedimos preparo: aconselhamento pré-conjugal, aprovação dos pais quando os noivos são jovens e o compromisso de casar no Senhor (2Co 6.14).

Casamentos adoecem, inclusive entre cristãos, e a igreja não fecha os olhos para isso. Diante da crise, os primeiros recursos são espirituais: a Palavra, a oração, os sacramentos, o conselho pastoral e, quando necessário, o conselheiro profissional. Reconhecemos que a violência doméstica, física ou emocional, acontece também em famílias ligadas à igreja e pode pôr vidas em risco; nesses casos, a segurança do cônjuge e dos filhos vem primeiro, e mesmo cristãos podem precisar se separar, mantendo aberto, quando possível, o caminho da reconciliação (1Co 7.10-11). Mesmo quando o casamento é ferido pela infidelidade, o primeiro chamado é trabalhar pela restauração da união.

Quando a reconciliação se torna impossível, as Escrituras permitem o divórcio nos contextos de adultério (Mt 5.32; 19.9) e de abandono (1Co 7.15), mas nunca o ordenam; por isso recomendamos sempre o aconselhamento antes de qualquer decisão. O divórcio produz trauma, e a pessoa divorciada precisa de cura, não de rótulo: arrependimento, perdão, acompanhamento e restauração à participação saudável na comunidade. O novo casamento é possível ao cônjuge que sofreu adultério ou abandono, depois de esgotados os esforços de perdão e reconciliação, sempre com o conselho e a orientação da igreja. E quem se divorciou antes de conhecer a Cristo não é, só por essa razão, impedido de ser membro, ainda que tenha se casado de novo: a graça não cobra dívidas que Cristo já pagou.

O que diz o nosso Manual

“O casamento é a união de um homem e uma mulher dentro de um relacionamento vitalício que as Escrituras chamam de ‘uma só carne’. […] Embora as Escrituras permitam divórcio nos contextos de adultério (Mateus 5:32) e deserção (1ª Coríntios 7:10-16), elas não ordenam o divórcio.”

Ver no Manual (§3440) →

Para aprofundar, veja o curso de casais Uma Só Carne, em especial as lições Aliança, mais que contrato e Divórcio, graça e recomeços.

Para continuar estudando

Estes posicionamentos resumem o ensino da Igreja. Para conhecer os fundamentos, leia o Manual da Igreja na íntegra e as demais páginas sobre a nossa identidade. E converse com o seu pastor: posicionamento nenhum substitui o cuidado pastoral pessoal.