Profecias do Antigo TestamentoAula 5

Isaías 17: Damasco, a profecia e o noticiário

“Porque antes que o menino saiba dizer meu pai ou minha mãe, serão levadas as riquezas de Damasco e os despojos de Samaria, diante do rei da Assíria.”Isaías 8.4

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Is 7.1-16; 8.1-4; 17.1-3; 2Rs 16.5-9

Para começar

A manchete que sempre volta

Toda vez que a Síria entra no noticiário, ressurge a mesma leitura: Isaías 17 (“eis que Damasco deixará de ser cidade e se tornará um montão de ruínas”) estaria prestes a se cumprir nos nossos dias.

O diagnóstico do Bispo é direto: um erro grave é ler profecias bíblicas sem levar em consideração o seu contexto histórico. O profeta Isaías deixou claro que Damasco seria destruída e despojada naquele tempo, pelo rei da Assíria: “Porque antes que o menino saiba dizer meu pai ou minha mãe, serão levadas as riquezas de Damasco e os despojos de Samaria, diante do rei da Assíria” (Is 8.4).

Esta aula fecha o curso aplicando, a um caso concreto, o primeiro princípio que aprendemos na Aula 3: reconhecer o contexto em que a profecia foi proferida. É a vacina contra o sensacionalismo profético.

O contexto

A crise siro-efraimita

Por volta de 738 a.C., os sírios, liderados por Rezim, uniram forças com Peca, rei de Israel (o reino do Norte), para subjugar Judá.

Muitas terras foram capturadas, embora o cerco de Jerusalém tenha sido malsucedido (2Rs 16.5-6; 2Cr 28.5). Foi nesse momento de aparente sucesso para Damasco que a destruição da cidade foi prevista por Isaías (Is 8.4; 17.1), por Amós (Am 1.3-5) e por Jeremias (Jr 49.23-27).

A história

O cumprimento em 732 a.C.

Depois de derrotar Israel, Tiglate-Pileser III atacou Damasco, saqueou a cidade, deportou a população e a substituiu por estrangeiros de outras terras capturadas.

Damasco, então, deixou de ser uma cidade-estado independente. A própria Escritura registra o cumprimento: “O rei da Assíria lhe deu ouvidos e subiu contra Damasco, tomou-a, levou o povo cativo… e matou Rezim” (2Rs 16.9).

O princípio

Profecia tem endereço

O que Isaías anunciou cumpriu-se onde e quando ele anunciou. Reciclar Isaías 17 como manchete sobre a Síria moderna ignora o contexto e transforma a Escritura em bola de cristal.

Leitura de jornal

Arranca o versículo do seu século, cola-o na crise da semana e gera ondas de medo e de datas marcadas que envergonham o Evangelho quando falham.

Leitura com contexto

Pergunta primeiro a quem, quando e por que o profeta falou; encontra o cumprimento histórico; e então colhe o que o texto ensina sobre Deus, o seu juízo e a sua fidelidade.

O ponto não é blindar a profecia contra o presente. É honrá-la: um texto já cumprido testemunha que Deus governa a história e cumpre o que diz, e é exatamente isso que ele continua fazendo hoje.

O alvo

O fio que permanece

A mesma crise que produziu o oráculo contra Damasco produziu a maior promessa daquelas páginas: diante do medo de Acaz, Deus anunciou o sinal do Emanuel.

“Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel” (Is 7.14).

Mateus mostra onde esse sinal chega: em Jesus, o Deus conosco (Mt 1.23). É o mesmo fio que seguimos desde a Aula 1: a profecia bíblica não existe para alimentar manchetes, existe para conduzir a Cristo. Damasco caiu no seu século; o Emanuel permanece em todos os séculos.

Fim do curso. Cinco aulas, um único método: reconhecer o contexto, deixar a Bíblia interpretar a própria Bíblia e respeitar a linguagem dos profetas. Do Éden (Gn 3.15) à nova criação (Is 65; Ap 21), passando pelo Dia do Senhor (Zc 14) e pelas Setenta Semanas (Dn 9), o centro é sempre o mesmo: Jesus Cristo.

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe. Errar aqui também ensina.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

Como pastorear alguém que vive ansioso, colecionando manchetes e vídeos sobre “profecias se cumprindo agora”?Ver resposta sugerida
Primeiro, sem ridicularizar: por trás da ansiedade costuma haver algo bom, a convicção de que a Bíblia é verdadeira e de que Cristo voltará. O problema é a dieta, não a fome. Jesus previu guerras e rumores de guerras e ordenou exatamente o contrário do pânico: “vede que não vos assusteis” (Mt 24.6). Ofereça uma troca: menos manchetes, mais texto; menos datas, mais vigilância no sentido bíblico, que é santidade e serviço (Mt 24.45-46; 1Ts 5.6-11). E mostre o efeito colateral do sensacionalismo: cada previsão fracassada endurece um zombador (2Pe 3.3-4). A esperança cristã não precisa de calendário para ser firme; precisa de Cristo.
Um irmão compartilhou um vídeo dizendo que a guerra na Síria é o cumprimento de Isaías 17. Como corrigir sem apagar o zelo dele?Ver resposta sugerida
Comece elogiando o que merece elogio: ele está lendo a Bíblia e levando a profecia a sério. Depois, convide-o a ler com você o entorno do texto: Isaías 7 e 8, a coalizão de Rezim e Peca, o prazo do menino que ainda não fala (Is 8.4) e o registro do cumprimento em 2Reis 16.9. Pergunte: se a Escritura mesma mostra a profecia cumprida no século oitavo antes de Cristo, o que ela quer que aprendamos hoje? A resposta honra mais a Deus do que a manchete: ele governa as nações e cumpre a sua palavra. Encerre apontando o fio maior da mesma crise, o Emanuel (Is 7.14; Mt 1.23). Corrigir método sem esfriar o amor pela Palavra: esse é o alvo (2Tm 2.15, 24-25).

Para casa e próxima aula

Para aprofundar. Esta aula nasceu do estudo A Destruição atual de Damasco tem alguma coisa a ver com a profecia de Isaías?, do Bispo Ildo Mello, que você pode ler e compartilhar em página própria.

Tarefas

Ler Isaías 7.1-16, 8.1-4 e 2Reis 16, montando em meia página a linha do tempo da crise siro-efraimita até a queda de Damasco; e escrever a resposta que você daria a uma manchete que anuncie Isaías 17 como profecia para os dias de hoje.

Aula 6

Ezequiel 40–48, o templo da visão: a glória que parte e volta, o sermão em arquitetura, o problema dos sacrifícios expiatórios e João lendo Ezequiel na Nova Jerusalém. Ir para a Aula 6 →

Citações bíblicas conforme o estudo original do autor. · Bispo Ildo Mello