“Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.”Isaías 53.5
Para começar
Um alto oficial etíope volta de Jerusalém lendo Isaías 53 em voz alta, sem entender. E faz a Filipe a pergunta que atravessa os séculos: “De quem diz isto o profeta? De si mesmo ou de outro?” (At 8.34).
A resposta de Filipe é a leitura apostólica em uma linha: “Então, Filipe… começando por esta passagem da Escritura, anunciou-lhe a Jesus” (At 8.35). Sete séculos antes da cruz, Isaías descreveu o Messias rejeitado, substituto, silencioso, morto entre ímpios e sepultado com o rico, e vitorioso depois da morte. É o coração messiânico do Antigo Testamento.
Nesta aula, vamos percorrer o cântico, ver como o Novo Testamento o cita, celebrar a grande troca, e corrigir com carinho o uso que a Teologia da Prosperidade faz do versículo mais amado do capítulo.
Isaías 52.13-53.12
O poema tem cinco estrofes, e começa e termina no mesmo lugar: a exaltação do Servo.
O centro
Toda a força do cântico está nos pronomes: o que era nosso caiu sobre ele; o que era dele foi dado a nós.
O que era nosso, sobre ele
As nossas enfermidades, as nossas dores, as nossas transgressões, as nossas iniquidades, o castigo (Is 53.4-5). “O Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (53.6).
O que era dele, para nós
A paz (“o castigo que nos traz a paz”), a cura, a justificação (“o meu Servo, o justo, justificará a muitos”, 53.11), o acesso ao Pai (Rm 5.1).
Paulo resume a troca numa frase: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co 5.21). E repare na amplitude que o próprio Isaías declara: “todos nós andávamos desgarrados… e o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Is 53.6). O sacrifício do Servo é suficiente para todos os desgarrados, sem exceção; nenhum pecador está fora do alcance dessa troca.
Escritura interpretando Escritura
Nenhum capítulo do Antigo Testamento é aplicado a Jesus com tanta insistência. Veja o mapa.
A correção necessária
Apoiada em Isaías 53.4-5, a Teologia da Prosperidade promete cura física plena e garantida nesta vida. É preciso examinar o texto com cuidado, no contexto de Isaías e à luz do conjunto das Escrituras.
No livro de Isaías, “enfermidade” já aparece como retrato do pecado: “Toda a cabeça está doente… desde a planta do pé até a cabeça não há nada são” (Is 1.5-6). Por isso Pedro, ao citar o versículo, aplica-o à libertação do pecado: “Ele mesmo levou os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro… pelas suas feridas vocês foram curados” (1Pe 2.24). Ao mesmo tempo, a palavra não exclui o sentido físico: Mateus aplica Isaías 53.4 às curas do ministério de Jesus (Mt 8.16-17). A profecia abrange o pecado e todas as suas consequências.
Já
Cristo inaugurou o Reino e cura ainda hoje, conforme a sua soberana vontade. As curas são sinais do Reino, primícias de uma restauração que ainda não chegou inteira.
Mt 8.16-17; Tg 5.14-15
Ainda não
Seguimos sujeitos a doenças e à morte, gemendo pela redenção do corpo. A cura plena, sem enfermidade nem morte, vem na ressurreição, quando “a morte já não existirá”.
Rm 8.22-23; 1Co 15.53-54; Ap 21.4
E as Escrituras registram, sem constrangimento, servos fiéis enfermos: Paulo com o espinho que não lhe foi removido (2Co 12.7-9), Timóteo com enfermidades frequentes tratadas com remédio prático (1Tm 5.23), Epafrodito quase morto por doença (Fp 2.27), Trófimo deixado enfermo em Mileto (2Tm 4.20). Deus pode curar, e cura; mas o faz segundo a sua soberania. Prometer o que Deus não prometeu para agora é fabricar decepção e culpa; anunciar o que ele garantiu para sempre é consolar de verdade.
O convite
“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Is 53.6).
O versículo começa e termina com “todos”: todos desgarrados, a iniquidade de todos sobre o Servo. Ninguém fica de fora do diagnóstico, e ninguém precisa ficar de fora do remédio. O cântico termina anunciando o fruto: “o meu Servo, o justo, justificará a muitos” (53.11), e Pedro completa o retorno para casa: “agora, vocês se converteram ao Pastor e Bispo da sua alma” (1Pe 2.25).
Fixação
Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.
Avaliação
Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe. Errar aqui também ensina.
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Para pensar e conversar
Para ver e rever
Se você preferir ouvir o argumento inteiro de uma vez, esta exposição do Bispo Ildo trata exatamente da seção mais delicada da lição: o uso de Isaías 53 pela Teologia da Prosperidade.
Desmascarando os erros da Teologia da Prosperidade na interpretação de Isaías 53 · Bispo Ildo Mello
Para aprofundar. Esta aula nasceu do estudo Desmascarando os Erros da Teologia da Prosperidade na Interpretação de Isaías 53, do Bispo Ildo Mello, que você pode ler e compartilhar em página própria.
Tarefas
Ler Isaías 52.13-53.12 e, ao lado, Atos 8.26-40 e 1Pedro 2.21-25, marcando cada frase do cântico citada no Novo Testamento; e escrever, em poucas linhas, como você explicaria “pelas suas pisaduras fomos sarados” a alguém doente.
Aula 14
Salmo 110, o capítulo do Antigo Testamento mais citado no Novo: o enigma que calou os fariseus, o Rei assentado à direita e o Sacerdote para sempre. Ir para a Aula 14 →
Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA) e Almeida Revista e Atualizada (RA). · Bispo Ildo Mello