Profecias do Antigo TestamentoAula 15

Malaquias 4: o Elias que viria

“Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor.”Malaquias 4.5

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Ml 3.1; 4.4-6; Mt 11.7-15; 17.10-13; Lc 1.13-17

Para começar

A última palavra do Antigo Testamento

O Antigo Testamento se despede com uma promessa dupla: “Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim” (Ml 3.1) e “eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor” (Ml 4.5).

Depois dessas palavras, quatro séculos de silêncio profético. E, durante esses quatrocentos anos, Israel esperou Elias, e muitos o esperavam de modo estritamente literal: o mesmo homem que subiu num redemoinho (2Rs 2.11) desceria para preparar o caminho do Messias. Até hoje, na Páscoa judaica, deixa-se uma cadeira vazia e um cálice para Elias.

Encerramos o curso com este texto de propósito: nele, o próprio Jesus nos mostra, num caso concreto e verificável, como o cumprimento pode ser real e, ainda assim, surpreender a expectativa literalista. É o selo do método que usamos nas quinze aulas.

Lucas 1

O anjo interpreta a profecia

Quando o silêncio se quebra, a primeira mensagem do céu é exatamente sobre o Elias de Malaquias.

“Ele irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos… e preparar para o Senhor um povo bem-disposto” (Lc 1.17).

Repare: o anjo Gabriel cita Malaquias 4.5-6 (a conversão dos corações dos pais aos filhos) e, ao citar, interpreta: João viria “no espírito e poder de Elias”. Não Elias em pessoa, mas alguém revestido do mesmo espírito, do mesmo poder e da mesma missão. O céu leu a profecia antes de nós, e não a leu ao pé da letra.

A palavra final

Jesus interpreta: “Elias já veio”

Jesus confirmou a leitura do anjo, com todas as letras, duas vezes.

Sobre João Batista: “E, se vocês querem aceitar, ele mesmo é Elias, que estava para vir” (Mt 11.14). E, descendo do monte da transfiguração, quando os discípulos perguntaram pela expectativa dos escribas: “Elias já veio, e não o reconheceram… Então os discípulos entenderam que ele lhes falava a respeito de João Batista” (Mt 17.12-13).

Esclarecimento necessário

O que Jesus não disse: reencarnação

Os espíritas alegam que João Batista foi a reencarnação de Elias. O próprio texto bíblico desmonta a alegação em quatro golpes.

1

João negou

“És tu Elias? E disse: Não sou” (Jo 1.21). João não era Elias em pessoa; veio no espírito e poder de Elias (Lc 1.17).

2

Elias apareceu

No monte da transfiguração apareceram Moisés e Elias (Lc 9.30-31), quando João já havia morrido. Se João fosse a reencarnação de Elias, quem deveria aparecer seria João.

3

Elias nem morreu

A doutrina espírita exige a morte para reencarnar; mas Elias foi arrebatado com corpo e tudo (2Rs 2.11), como Enoque, “trasladado para não ver a morte” (Hb 11.5).

4

Morre-se uma só vez

“Aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hb 9.27). E a salvação não vem de pagarmos pelos pecados em sucessivas existências, mas da fé no sacrifício único e perfeito de Cristo (Ef 2.8-10; Hb 10).

A lição das lições

O selo do método

Pense no que aconteceu: a última profecia do Antigo Testamento se cumpriu de um modo real, histórico e verificável, e mesmo assim diferente do que a leitura literalista esperava.

Os escribas esperavam o Elias do redemoinho; Deus enviou um pregador vestido de pelos de camelo, “no espírito e poder de Elias”. E os que exigiam o Elias literal correram o risco de perder o Elias real que pregava diante deles: “Elias já veio, e não o reconheceram” (Mt 17.12).

A expectativa literalista

Exige que o cumprimento repita a letra da figura: o mesmo Elias, o mesmo templo, o mesmo trono em Jerusalém, a mesma festa, os mesmos sacrifícios.

O cumprimento bíblico

Honra a promessa superando a figura: um Elias maior que Elias, um templo maior que o templo, um trono maior que o de Jerusalém, um sacrifício que encerra todos os outros.

É por isso que o curso inteiro insistiu nos três princípios: contexto, Escritura interpretando Escritura e respeito à linguagem profética. Quem os abandona corre o risco dos escribas: guardar a cadeira vazia para um Elias que já veio, e não reconhecer o cumprimento quando ele prega ao seu lado.

Encerramento

O fim do curso: quinze aulas, um só Cristo

Do Éden ao grande Dia do Senhor, a profecia bíblica conta uma única história, e o centro dela nunca mudou.

1. Gênesis 3.15. A promessa entre os destroços: o Descendente esmagará a serpente.
2. Isaías 65. Novos céus e nova terra, na consumação, com Pedro e João.
3. Zacarias 14. O Dia do Senhor, lido por Jesus, e o Rei sobre toda a terra.
4. Daniel 9. As Setenta Semanas cumpridas no Ungido, sem parêntese.
5. Isaías 17. Damasco: profecia tem endereço, não manchete.
6. Ezequiel 40–48. O templo da visão, cumprido em Cristo e na cidade sem santuário.
7. Joel 2. O Espírito sobre toda a carne: “isto é o que foi dito”.
8. Jeremias 31. A Nova Aliança, servida no cálice, exposta em Hebreus.
9. Ezequiel 37. Os ossos que vivem e o único rebanho do único Pastor.
10. Daniel 2 e 7. A pedra que cresce e o Filho do Homem que vem com as nuvens.
11. Gênesis 12 e 15. As promessas a Abraão, herdadas em Cristo, herdeiro do mundo.
12. 2Samuel 7. O trono de Davi, ocupado desde a ressurreição.
13. Isaías 53. O Servo que levou a iniquidade de nós todos.
14. Salmo 110. O Rei assentado à direita, Sacerdote para sempre.
15. Malaquias 4. O Elias que veio, e o método selado pelo próprio Jesus.

E Malaquias aponta para a frente: o Elias veio “antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor” (Ml 4.5). O primeiro advento cumpriu-se com precisão; o segundo virá com a mesma certeza. “Para vocês que temem o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas” (Ml 4.2). Até aquele Dia, o método fica, a esperança arde e a oração da Igreja permanece a mesma: Maranata, vem, Senhor Jesus (Ap 22.20).

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe. Errar aqui também ensina.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

“Elias já veio, e não o reconheceram” (Mt 17.12). Que expectativas nossas podem estar nos impedindo de reconhecer o que Deus já está fazendo?Ver resposta sugerida
Os escribas não erraram por falta de zelo bíblico; erraram por excesso de moldura: sabiam exatamente como Elias deveria vir, e a certeza sobre o formato os cegou para o cumprimento. Nós corremos riscos parecidos. Quem espera avivamento só no formato de multidões pode não reconhecer o mover de Deus numa igreja pequena e fiel; quem espera resposta de oração num prazo e num modo definidos pode não perceber a resposta que veio diferente; quem espera que Deus fale como falou no passado pode perder o que ele está dizendo hoje pela Palavra, na voz de um irmão simples. O antídoto não é abandonar o discernimento, é submeter as molduras à Escritura e pedir os olhos que os discípulos pediram: “Senhor, que eu veja” (Lc 18.41). Vale terminar o curso com este exame: em que área estou guardando uma cadeira vazia para um cumprimento que talvez já esteja assentado à mesa?
Como usar o caso de João Batista para conversar, com mansidão, tanto com um espírita quanto com um irmão literalista?Ver resposta sugerida
Com o espírita, comece pelo terreno comum: ele valoriza João Batista e Elias, e isso abre a Bíblia entre vocês. Então mostre os quatro fatos do texto: João negou ser Elias (Jo 1.21); Elias apareceu na transfiguração quando João já tinha morrido (Lc 9.30-31); Elias nem sequer morreu, foi arrebatado (2Rs 2.11); e “aos homens está ordenado morrerem uma só vez” (Hb 9.27). Termine com a boa notícia que a reencarnação tenta imitar: não precisamos de muitas vidas para pagar nossos pecados, porque Cristo pagou de uma vez por todas (Hb 10.10-14). Com o irmão literalista, o mesmo texto serve de espelho amigo: a profecia de Malaquias era real e se cumpriu de verdade, mas não na letra que os escribas exigiam; Jesus mesmo disse “ele é o Elias” (Mt 11.14). Se a última profecia do Antigo Testamento se cumpriu assim, vale reler as outras com a mesma humildade, deixando que Jesus e os apóstolos digam o formato do cumprimento (2Tm 2.24-25).

Para casa

Para aprofundar. Esta aula dialoga com o estudo João Batista foi a reencarnação de Elias?, do Bispo Ildo Mello, que você pode ler e compartilhar em página própria.

Tarefas

Ler Malaquias 3.1 e 4.4-6, Lucas 1.13-17 e Mateus 11.7-15 e 17.10-13, anotando como o anjo e Jesus interpretam a vinda de Elias; e escrever, em meia página, o que o caso de João Batista ensina sobre como ler as demais profecias.

Fim do curso

Quinze aulas, do Éden ao grande Dia. Refaça as avaliações, guarde os PDFs e leve o método: contexto, Escritura interpretando Escritura e o fio que leva a Cristo. Maranata! Rever o curso →

Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA) e Almeida Revista e Atualizada (RA). · Bispo Ildo Mello