João negou
“És tu Elias? E disse: Não sou” (Jo 1.21). João não era Elias em pessoa; veio no espírito e poder de Elias (Lc 1.17).
“Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor.”Malaquias 4.5
Para começar
O Antigo Testamento se despede com uma promessa dupla: “Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim” (Ml 3.1) e “eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor” (Ml 4.5).
Depois dessas palavras, quatro séculos de silêncio profético. E, durante esses quatrocentos anos, Israel esperou Elias, e muitos o esperavam de modo estritamente literal: o mesmo homem que subiu num redemoinho (2Rs 2.11) desceria para preparar o caminho do Messias. Até hoje, na Páscoa judaica, deixa-se uma cadeira vazia e um cálice para Elias.
Encerramos o curso com este texto de propósito: nele, o próprio Jesus nos mostra, num caso concreto e verificável, como o cumprimento pode ser real e, ainda assim, surpreender a expectativa literalista. É o selo do método que usamos nas quinze aulas.
Lucas 1
Quando o silêncio se quebra, a primeira mensagem do céu é exatamente sobre o Elias de Malaquias.
“Ele irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos… e preparar para o Senhor um povo bem-disposto” (Lc 1.17).
Repare: o anjo Gabriel cita Malaquias 4.5-6 (a conversão dos corações dos pais aos filhos) e, ao citar, interpreta: João viria “no espírito e poder de Elias”. Não Elias em pessoa, mas alguém revestido do mesmo espírito, do mesmo poder e da mesma missão. O céu leu a profecia antes de nós, e não a leu ao pé da letra.
A palavra final
Jesus confirmou a leitura do anjo, com todas as letras, duas vezes.
Sobre João Batista: “E, se vocês querem aceitar, ele mesmo é Elias, que estava para vir” (Mt 11.14). E, descendo do monte da transfiguração, quando os discípulos perguntaram pela expectativa dos escribas: “Elias já veio, e não o reconheceram… Então os discípulos entenderam que ele lhes falava a respeito de João Batista” (Mt 17.12-13).
Esclarecimento necessário
Os espíritas alegam que João Batista foi a reencarnação de Elias. O próprio texto bíblico desmonta a alegação em quatro golpes.
“És tu Elias? E disse: Não sou” (Jo 1.21). João não era Elias em pessoa; veio no espírito e poder de Elias (Lc 1.17).
No monte da transfiguração apareceram Moisés e Elias (Lc 9.30-31), quando João já havia morrido. Se João fosse a reencarnação de Elias, quem deveria aparecer seria João.
A doutrina espírita exige a morte para reencarnar; mas Elias foi arrebatado com corpo e tudo (2Rs 2.11), como Enoque, “trasladado para não ver a morte” (Hb 11.5).
“Aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hb 9.27). E a salvação não vem de pagarmos pelos pecados em sucessivas existências, mas da fé no sacrifício único e perfeito de Cristo (Ef 2.8-10; Hb 10).
A lição das lições
Pense no que aconteceu: a última profecia do Antigo Testamento se cumpriu de um modo real, histórico e verificável, e mesmo assim diferente do que a leitura literalista esperava.
Os escribas esperavam o Elias do redemoinho; Deus enviou um pregador vestido de pelos de camelo, “no espírito e poder de Elias”. E os que exigiam o Elias literal correram o risco de perder o Elias real que pregava diante deles: “Elias já veio, e não o reconheceram” (Mt 17.12).
A expectativa literalista
Exige que o cumprimento repita a letra da figura: o mesmo Elias, o mesmo templo, o mesmo trono em Jerusalém, a mesma festa, os mesmos sacrifícios.
O cumprimento bíblico
Honra a promessa superando a figura: um Elias maior que Elias, um templo maior que o templo, um trono maior que o de Jerusalém, um sacrifício que encerra todos os outros.
É por isso que o curso inteiro insistiu nos três princípios: contexto, Escritura interpretando Escritura e respeito à linguagem profética. Quem os abandona corre o risco dos escribas: guardar a cadeira vazia para um Elias que já veio, e não reconhecer o cumprimento quando ele prega ao seu lado.
Encerramento
Do Éden ao grande Dia do Senhor, a profecia bíblica conta uma única história, e o centro dela nunca mudou.
E Malaquias aponta para a frente: o Elias veio “antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor” (Ml 4.5). O primeiro advento cumpriu-se com precisão; o segundo virá com a mesma certeza. “Para vocês que temem o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas” (Ml 4.2). Até aquele Dia, o método fica, a esperança arde e a oração da Igreja permanece a mesma: Maranata, vem, Senhor Jesus (Ap 22.20).
Fixação
Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.
Avaliação
Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe. Errar aqui também ensina.
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Para pensar e conversar
Para aprofundar. Esta aula dialoga com o estudo João Batista foi a reencarnação de Elias?, do Bispo Ildo Mello, que você pode ler e compartilhar em página própria.
Tarefas
Ler Malaquias 3.1 e 4.4-6, Lucas 1.13-17 e Mateus 11.7-15 e 17.10-13, anotando como o anjo e Jesus interpretam a vinda de Elias; e escrever, em meia página, o que o caso de João Batista ensina sobre como ler as demais profecias.
Fim do curso
Quinze aulas, do Éden ao grande Dia. Refaça as avaliações, guarde os PDFs e leve o método: contexto, Escritura interpretando Escritura e o fio que leva a Cristo. Maranata! Rever o curso →
Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA) e Almeida Revista e Atualizada (RA). · Bispo Ildo Mello