Igreja Metodista Livre · Culto e Adoração

Liturgia de Culto

Ordem, reverência e liberdade na adoração a Deus

O que diz o Manual

Cremos que os ritos e as cerimônias da Igreja devem receber o devido respeito. Não se deve, por opinião particular, desrespeitar voluntária e propositadamente os ritos da Igreja à qual pertencemos. Esses ritos, não são os mesmos em todos os lugares e em todas as Igrejas. Sempre houve diferenças, refletindo a diversidade de épocas, países e costumes. Por isso, reconhecemos o direito que toda denominação tem, de mudar e instituir ritos e cerimônias para a edificação de todos. Mas, que nada seja instituído de forma contrária à Palavra de Deus.

O culto público em nossas Igrejas mantém um equilíbrio entre a liberdade e a formalidade. A pregação é enfatizada como um meio de edificar os crentes e converter os pecadores. Todo culto público deve ser realizado na língua do povo.

O culto principal de domingo deve buscar quatro alvos básicos:

Para alcançar tais resultados, cada culto deverá incluir hinos pela congregação, leitura das Escrituras, oração pastoral, a Oração Dominical e pregação. Recomenda-se a Bênção Apostólica para despedir a congregação.

Os outros cultos devem incluir cânticos pela congregação, oração, leitura das Escrituras e pregação. Em certas ocasiões, pode-se usar o compartilhamento, a ministração da cura e outras formas de adoração. A ordem dos cultos deve evitar a rotina, oferecendo variações apropriadas, dentro das limitações de boa ordem, das Escrituras e dos rituais específicos, quando estes forem usados (Capítulo 9).

O pastor é o líder, o dirigente e principal responsável por tudo o que acontece no culto. Ele pode delegar esta tarefa a pessoas que julgar qualificadas, mas sempre recairá sobre ele a responsabilidade final. Portanto, por ensino e exemplo, o pastor deve insistir na reverência e na atitude de adoração antes, durante e depois do culto.

O propósito da música no culto de adoração é inspirar e apoiar a adoração. A música vocal e instrumental usada no culto deve procurar contribuir para a reverência e a sublime adoração, e não para a exibição de talento, mesmo que esse seja excelente. Pessoas qualificadas, cujo caráter e vida demonstrem princípios bíblicos e apoiem os padrões da Igreja Metodista Livre, serão escolhidas para dirigirem o louvor no culto público e para tocarem os instrumentos.

O cântico congregacional é uma parte da adoração divina na qual todos os presentes devem se unir. O culto de adoração deve ser planejado para que encoraje todos os membros a uma adoração significativa em conjunto. Deve-se ter o cuidado de incluir músicas de adoração que reconheçam nossa herança Metodista nas suas letras e cânticos evangélicos que consideram o estilo musical e composições atuais.

Como igreja das duas visões protestantes — litúrgica e não litúrgica —, a Igreja Metodista Livre valoriza tanto a reverência quanto a liberdade do Espírito. Os pastores são os responsáveis por decidir como conduzir o culto de forma correta.

Uma exortação para que haja ordem e decência nos cultos

“Tudo, porém, seja feito com decência e ordem.”1 Coríntios 14.40

O Apóstolo Paulo exorta desta maneira a igreja de Corinto, que precisava aprender que a ação do Espírito produz ordem e decência, e não bagunça e confusão. A liberdade do Espírito não é incompatível com a ordem e a decência deste mesmo Espírito, pois “Deus não é Deus de desordem” (1Co 14.33). Portanto, toda desordem no culto não é de procedência divina. Sabedores disto, cabe aos pastores botarem ordem na casa, não permitindo que o culto seja enrolado e descontrolado. Assim como Paulo estabeleceu regras para o bom andamento do culto, devemos nós fazer o mesmo.

Alguns exemplos de coisas que devemos evitar em um culto:

O culto deve ser objetivo, enxuto, sem vãs repetições.

Cada participante deve possuir uma clara consciência da integridade do culto, para não invadirmos a área do outro.

Um dirigente de culto e um líder de louvor não devem fazer comentários bíblicos prolongados, visto que já teremos um pregador, e nem muito menos devem fazer apelos, pois isto quebra as pernas do pregador, que também pode ter planejado o mesmo. Isto é confusão, e não unção! Dirigentes de culto e de louvor devem ser humildes para limitarem-se ao seu papel. Devem obedecer ao tempo estipulado para eles.

A ação do Espírito é qualitativa, e não necessariamente quantitativa, no que diz respeito à duração do culto. Não é a quantidade de hinos, oração e minutos de pregação que farão de um culto uma verdadeira bênção, mas, sim, a qualidade destas ações! Um sermão curto é geralmente preferível, por produzir melhores resultados, pois não é pelo muito falar que seremos ouvidos, como ensinou Jesus a respeito da oração — e que se aplica à pregação e ao louvor: “e, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos” (Mt 6.7). Quão frequentemente desobedecemos este mandamento do Senhor! Quanta vã repetição em nossas orações, em nossos louvores e em nossas pregações! Quanta desordem em nossos cultos! Ouçamos o que diz o Senhor! Ordem e decência é mandamento do Senhor (1Co 14.37).

Não sejamos enrolados e repetitivos, tornando o culto chato e cansativo. Não vamos permitir também longos testemunhos, que só fazem cansar e irritar o povo. Nós, pastores, somos responsáveis por controlar cada ato do culto. Algumas de nossas igrejas têm tomado a sábia decisão de solicitar aos membros da igreja que comuniquem por escrito ou pessoalmente o seu testemunho ao pastor, que se encarregará de transmiti-lo à congregação de modo bem objetivo e dinâmico!

Devemos cuidar também para que não haja lacunas entre um ato e outro do culto. Todos os participantes devem ser devidamente orientados a respeito de quando se dará a sua participação, para estarem prontos para fazê-lo assim que chegar a hora, sem que sequer seja necessário serem anunciados. Cada participante deve se ater a fazer apenas aquilo para o qual foi designado. Por exemplo, alguém que foi chamado para cantar não deve ler a Bíblia, orar e ficar falando. Cante! Por falta deste cuidado, muitos cultos são chatos e enrolados, pois cada um que participa quer falar além da conta. Falta aí aquele tal de “si mancol”, e o pastor é culpado por permitir tais excessos.

O dirigente de louvor não deve ter a liberdade de fazer um culto dentro do culto, ou seja, não deve ignorar a integridade do culto, devendo ater-se simplesmente ao seu papel como parte de um todo que deve ser harmonioso. Um dirigente não deve ler a Bíblia, pregar, orar, fazer apelo e ficar repetindo desnecessariamente as canções ou partes delas. A menção de um versículo, uma oração curta e um comentário bem objetivo — coisa que caiba dentro da introdução natural das próprias canções — é aceitável, mas o que passar disto… Deve tomar também o cuidado para que o período de louvor não seja longo e cansativo. Mais uma vez, a qualidade é mais importante que a quantidade. Cuidados devem ser tomados para que as canções possuam boa teologia e que haja um bom planejamento e ensaio para apresentar o melhor para o Senhor, evitando canções que o povo já está cansado de cantar e aquelas que o povo parece não ter muito apetite para cantar. Sensibilidade e bom senso se fazem necessários para a escolha de um bom e variado repertório. Os músicos e cantores devem saber que a igreja é que tem a prioridade. Eles não estão ali para se apresentarem para a igreja, mas para levarem toda a congregação a adorar em espírito e em verdade. Cuidado com o volume dos microfones e instrumentos, para que não sufoquem a voz do povo de Deus. A congregação precisa se ouvir cantando!

A Ceia do Senhor também precisa ser planejada para que aconteça da forma mais organizada possível, remindo o tempo na hora da distribuição dos elementos. Busque a forma mais prática de fazer isto. Procure conversar com colegas para saber como eles estão fazendo, em busca de conselhos que possam agilizar o processo. Pense também em pegar uma das canções ou hinos que estariam comumente programados para acontecer durante o momento de adoração e colocá-la no momento da distribuição da Ceia, buscando aquela que seja adequada para o momento. Além disto, em um culto de Ceia, você pode orientar a congregação a se valer do momento de prelúdio do culto para que façam as suas orações de confissão. Desta forma, a Ceia pode muito bem ser o primeiro ato do culto. Que ninguém se atrase mais para o início do culto!

Por falar nisto, exorto aos pastores que comecem o culto pontualmente, nem um minuto a mais nem a menos. Jamais nos atrasemos para o nosso encontro com o Senhor como Igreja. Não vamos deixar o Senhor esperando! Isto faz parte da ordem e decência devidas ao culto sagrado. Não sejamos relapsos!

Queremos aprimorar a qualidade de nossos cultos sem perder a unção. Queremos aperfeiçoar nossa pregação, nosso louvor e nosso ensino. Queremos ser uma igreja que prima pela excelência em tudo o que faz. Para isto, precisaremos rever o que fazemos, para ver como podemos aprimorar.

No amor do Senhor,
Bispo Ildo Mello

Consultar o Manual da Igreja →

Fonte: Manual da Igreja Metodista Livre (2024–2027) — Capítulos 6 e 9; e reflexão pastoral do Bispo Ildo Mello.

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