A igreja que vai ao encontro das pessoas
Por que a igreja não pode se limitar a esperar as pessoas dentro dos templos? Porque o próprio Senhor não esperou: ele veio, andou entre nós, entrou em casas e procurou os que estavam longe. Quem serve na visitação continua esse movimento — leva a igreja até onde a pessoa está.
O Ministério de Visitação é a igreja em pés e mãos: presença que conforta, ouvido que escuta, oração que sustenta e Palavra que anima. Não substitui o pastor, mas amplia o seu cuidado, alcançando o que muitas vezes ele sozinho não conseguiria alcançar.
“Estive enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me.”Mateus 25.36 (NAA)
Jesus percorria as cidades e as aldeias, ensinando e curando (Mt 9.35). Ele fez da visita um meio de graça, e ainda a exalta como serviço prestado a si mesmo: “estive enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me” (Mt 25.36).
A religião pura, diz Tiago, se mostra em visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições (Tg 1.27). E o bom pastor deixa as noventa e nove para buscar a ovelha perdida, até encontrá-la (Lc 15.4–6). Paulo, por sua vez, ensinava não só em público, mas de casa em casa (At 20.20).
Visita os membros e as famílias em seus lares; procura os ausentes e os afastados, com palavra de encorajamento; acolhe os novos e os visitantes; e lembra dos que ninguém lembra — os enfermos, os idosos, os presos (Hb 13.3).
Em cada visita, o objetivo é o mesmo: fazer presente o amor de Cristo, ouvir com atenção, orar com a pessoa e, quando for o caso, encaminhá-la ao pastor para o cuidado devido.
A visitação se faz com discrição, ética e sensibilidade, respeitando o tempo e a intimidade de cada um. Quem visita representa a igreja e, por isso, informa ao pastor as situações que pedem cuidado pastoral, sem expor a pessoa.
Melhor do que muitas palavras é a presença fiel: às vezes, apenas estar ali, orar e voltar já prega o evangelho da compaixão.
A visitação não é tarefa de poucos, mas vocação de uma igreja que ama. Quando vamos ao encontro das pessoas, deixamos de ser um prédio para onde elas deveriam vir e nos tornamos um povo que caminha até onde elas estão.
Que ninguém em nossa comunidade fique esquecido. Onde houver uma porta, que haja um irmão disposto a bater nela em nome de Cristo.
No amor do Senhor,
Bispo Ildo Mello