III
Tema III

Saúde Emocional e Cuidado do Pastor

O bem-estar integral do servo de Deus

2 capítulos
Capítulo 1

Depressão de pastores e líderes

A depressão no ministério pastoral: causas, exemplos bíblicos e caminhos de restauração

1. Uma realidade alarmante

Infelizmente, muitos pastores têm sofrido de depressão — e alguns chegaram ao suicídio. Isso é alarmante e precisa ser tratado com seriedade. Cerca de 20% da população mundial sofre de depressão por causas diversas: biológicas, emocionais, relacionais — e eu acrescentaria também causas espirituais, como pecados não confessados e não tratados, que tornam a alma pesada e conturbada por dentro. A Escritura nos exorta: “Desembaracemo-nos de todo peso e do pecado que nos rodeia, e corramos com perseverança a corrida que nos está proposta” (Hb 12.1).

Quando olhamos especificamente para pastores e líderes, os números são ainda mais graves. Segundo o Instituto Barna, pastores e líderes têm três vezes mais chances de contrair depressão do que a média da população. 70% dos pastores lutam com depressão em algum nível; 71% se dizem esgotados; 80% acreditam que o ministério afetou negativamente suas famílias; e 70% dizem não ter um amigo próximo — “um amigo mais chegado do que um irmão” (Pv 18.24).

2. O testemunho do apóstolo Paulo

O apóstolo Paulo conheceu de perto esse peso. Escrevendo aos coríntios, desabafou: “Quando chegamos à Macedônia, não tivemos nenhum alívio; pelo contrário, em tudo fomos atribulados: lutas por fora, temores por dentro. Porém Deus, que consola os abatidos, nos consolou com a chegada de Tito” (2Co 7.5–6).

Paulo era atacado por fora pelas circunstâncias mais variadas e sacudido por dentro pela angústia e ansiedade. Mas há algo precioso nessa passagem: Deus consolou. E o meio que Deus usou foi enviar uma pessoa — Tito, um amigo verdadeiro, alguém de confiança, que compreendeu, escutou e acolheu. Que alívio, em meio a uma fornalha, encontrar um amigo mais chegado do que um irmão! (cf. Pv 18.24).

3. As causas da depressão pastoral

As causas são múltiplas e se combinam de modo perverso.

Esgotamento físico e emocional. O ritmo do ministério, muitas vezes sem descanso adequado, vai consumindo o pastor por dentro.

Baixos salários e falta de dignidade. Muitos pastores não são tratados com a devida honra. Paulo orientou que os presbíteros que governam bem sejam considerados dignos de dupla honra, especialmente os que se dedicam à pregação e ao ensino (1Tm 5.17).

Pressão, cobranças e expectativas irreais. Espera-se que o pastor seja um super-homem: sempre cheio do Espírito, sempre alegre, sempre disponível, sempre com respostas. O pastor basicamente não pode confessar fraqueza, limitação ou momento difícil. Mas Paulo, ao contrário, foi capaz de dizer: “Quando estou fraco, então é que sou forte” (2Co 12.10). O pior é quando o próprio pastor assume esse papel de super-herói — quando não reconhece seus limites, não declara abertamente que é um ser humano com as mesmas fraquezas de todos, que precisa de oração, que tem altos e baixos, que precisa de ajuda e compreensão.

Competição e comparação. O ambiente de comparação ministerial é tóxico e produz muita frustração, especialmente quando as coisas não saem como o pastor esperava.

Desprestígio dentro da própria igreja. É triste, mas é realidade: é raro que líderes valorizem devidamente o ministério pastoral. Quando dentro do seio da igreja o pastor não recebe o respeito que lhe é devido, isso fere fundo.

Traições ministeriais, crises familiares e divórcio. Essas feridas atingem o pastor no nível mais íntimo de sua vida.

Falta de amigos. E novamente voltamos a este ponto central — a ausência de um amigo verdadeiro é uma das causas mais profundas do adoecimento pastoral.

4. Cuidados práticos: o que fazer

Cultivar boas amizades. Isso depende de nós. Precisamos buscar ativamente amizades, mentoria, apoio, conselheiros, grupos de confiança — gente do bem, gente de Deus (cf. Pv 27.9).

Buscar ajuda médica sem vergonha. A medicina tem muito a contribuir. Psicólogos, psiquiatras e medicamentos, quando indicados sob orientação profissional, são importantes para sair da crise. Não há espiritualidade em negar o corpo.

Ser pastoreado. O pastor cuida dos outros, mas também precisa ser cuidado. O coração do pastor precisa de um pastor. Paulo precisava de Timóteo; Timóteo precisava de Paulo. Sozinhos não damos conta. A prática do Pastoreio de Pastores — onde há intimidade, confiança, e onde se pode compartilhar lutas, tentações, fraquezas e quedas — é essencial. “Carreguem os fardos uns dos outros” (Gl 6.2). “Confessem os pecados uns aos outros e orem uns pelos outros, para que sejam curados” (Tg 5.16).

Pastores e pastoras às vezes não confessam porque temem o julgamento. Preferem defender uma imagem que não corresponde à realidade. Mas isso é hipocrisia — querer parecer mais do que realmente se é. A santificação passa pela confissão: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9).

Ter uma perspectiva mais realista. As expectativas da congregação, da família, da sociedade e até as próprias expectativas são muitas vezes irreais. Uma coisa que muito me ajudou foi descobrir com clareza: eu não sou Deus. Às vezes a gente carrega o fardo de achar que tudo é culpa sua, que toda a responsabilidade pela igreja, pela família, pelo mundo repousa sobre seus ombros. Mas não. “Porque eu, o SENHOR, sou o vosso Deus” (Is 41.13). Tenho minha parcela de responsabilidade — nem mais, nem menos. Isso é libertador.

Rejeitar o espírito de autocomiseração. Todo servo de Deus — aliás, todo ser humano — precisa rechaçar o espírito de vitimismo. Quando a pessoa alimenta a mágoa, a amargura, a injustiça sofrida, e passa a se colocar no papel de vítima permanente, “raiz de amargura” começa a brotar e contaminar a alma (Hb 12.15). Não alimente isso. Combata. Não se entregue à autocomiseração.

Ter hábitos saudáveis. Alimentação, atividade física, equilíbrio entre igreja, família, trabalho e lazer, tirar férias. E confiar mais em Deus: “Lançai sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1Pe 5.7). “Confie no SENHOR de todo o seu coração e não se apoie no seu próprio entendimento” (Pv 3.5).

5. Esteja preparado para a frustração

A parábola do semeador nos dá uma perspectiva necessária (Mt 13.3–8; Mc 4.3–8). Apenas uma quarta parte da semente caiu em boa terra. Isso significa que a missão vai ter muito mais frustração do que frutos visíveis. Deus preparou Ezequiel para isso: “Eu te envio, mas eles não te ouvirão” (cf. Ez 2.3–7). Mesmo assim, “a palavra que sai da minha boca não voltará para mim vazia” (Is 55.11).

Jesus curou dez leprosos e apenas um voltou para agradecer (Lc 17.11–19). Multiplicou pães e peixes, fez incontáveis milagres — e depois de um discurso mais duro, a multidão foi embora. Jesus ficou só com os doze e perguntou: “Vocês também não querem ir embora?” Pedro respondeu: “Senhor, para quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6.67–68). A palavra estava sendo semeada pelo próprio Cristo — e ainda assim experimentou muita frustração. Mas parte da semente caiu em boa terra. Vale a pena. O teu trabalho não é em vão no Senhor (1 Co 15.58).

6. Elias: o profeta deprimido que recebeu uma missão nova

Elias derrubou os profetas de Baal e esperava um avivamento nacional (1 Rs 18.20–40). O que veio foi a perseguição de Jezabel. Ele fugiu, pediu para morrer e entrou numa caverna — deprimido, sozinho, isolado (1 Rs 19.1–10). Mas Deus foi visitá-lo. E de um modo que Elias não esperava: não no vento forte, não no terremoto, não no fogo — mas numa voz mansa e delicada (1Rs 19.11–12).

E Deus lhe disse algo fundamental: “Ainda reservei sete mil em Israel” (1Rs 19.18). Elias não estava sozinho. Sete mil não tinham dobrado os joelhos a Baal. E ele nem os conhecia — mas eles o conheciam; seu exemplo havia positivamente impactado a vida deles.

E então Deus não se aposentou com Elias: deu-lhe uma nova missão — ungir reis, e especialmente ungir seu sucessor, Eliseu (1Rs 19.15–16). Que coisa linda: o ministério não havia acabado. Havia fruto no porvir e uma sucessão a ser construída.

7. Jeremias e a memória da misericórdia

Jeremias era um homem de muita tristeza. Viveu para ver a profecia do juízo de Deus se cumprir sobre um povo que não deu ouvidos às advertências (cf. Jr 1.10; 7.25–28). Mas mesmo em Lamentações, no fundo do poço, ele encontrou o caminho: “Trago isto à memória; portanto, tenho esperança. As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, pois as suas compaixões não têm fim; renovam-se cada manhã” (Lm 3.21–23). Em vez de ruminar o que é ruim, trazer à memória o que pode dar esperança. “Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável… nisso pensai” (Fp 4.8).

8. Davi e o Salmo 42: a alma abatida que aprendeu a esperar

Davi também passou por profunda depressão. O Salmo 42 revela isso com clareza comovente: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus” (Sl 42.1). “As minhas lágrimas têm sido o meu alimento de dia e de noite, enquanto me dizem continuamente: Onde está o teu Deus?” (Sl 42.3). Atacado por fora — ridicularizado, questionado, acusado —, conturbado por dentro — sem apetite, sem ânimo, retroalimentando a tristeza de dia e de noite.

Mas Davi tomou uma atitude. Em vez de se alimentar de lágrimas, ele fez uma escolha: “De dia, o SENHOR mandará a sua graça, e de noite o seu cântico estará comigo — uma oração ao Deus da minha vida” (Sl 42.8). Ele contemplou a grandeza de Deus, lembrou das suas misericórdias, contou as histórias de fidelidade divina — e isso trouxe paz.

“Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei — ele é o auxílio do meu semblante e o meu Deus” (Sl 42.11). O deprimido precisa exortar a si mesmo. Não se entregar ao pessimismo. Sacudir a alma. Dizer: “a situação presente não é a palavra final. Eu ainda o louvarei.”

Conclusão

Há saída. Há esperança. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos darei descanso” (Mt 11.28). “O meu fardo é leve” (Mt 11.30). “Justificados, pois, pela fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1). “Somos mais do que vencedores por meio daquele que nos amou” (Rm 8.37). “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8.28).

Reveste-te da armadura de Deus (Ef 6.11). Bebe do amor e do cuidado de Deus. Assume uma perspectiva realista sobre teus limites e sobre a complexidade da vida. Confia na soberania e no guiar de Deus. E experimenta a paz de Deus que está à tua disposição em Cristo Jesus — “a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus” (Fp 4.7).

Ele te ama e quer o teu bem.

Capítulo 2

Chorem, Sacerdotes e Ministros do Senhor, e Orem

Uma reflexão bíblica sobre compaixão, lamento e consolo

1. Um mandamento negligenciado

“Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram” (Rm 12.15). Esse é um imperativo apostólico, um mandamento — não uma sugestão. Somos conclamados a chorar, isto é, a ter compaixão genuína, a sentir a dor do outro e a nos aproximar com sensibilidade, em vez de recriminar o sofrimento alheio.

É lamentável que, em alguns ambientes cristãos, o choro seja combatido como sinal de fraqueza ou de falta de fé. Quando alguém está sofrendo e um irmão se aproxima para dizer “Deixa de chorar! Por que você está assim se tem fé em Deus?”, em vez de levar consolo, leva culpa — e acrescenta peso sobre quem já está esmagado. Não encontraremos nenhum apoio bíblico para essa atitude. Pelo contrário: a Escritura nos apresenta heróis da fé que choraram, clamaram e gemeram — e encontraram em Deus não reprovação, mas consolo.

2. Um Deus que chora conosco

Temos um Deus que se comove. O Espírito Santo “intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26) — ele geme, padece conosco, compartilha nossa dor. E Jesus, o Filho de Deus encarnado, chorou mais de uma vez.

A primeira ocasião foi na entrada triunfal em Jerusalém. Do alto do Monte das Oliveiras, ao contemplar a cidade amada, “Jesus, chegando perto e vendo a cidade, chorou por ela” (Lc 19.41). E se lamentou: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis reunir os teus filhos como a galinha reúne os seus pintos debaixo das asas, e vocês não quiseram!” (Mt 23.37). Ele chorou porque via o que viria: o cerco, a destruição, a desolação — o terrível juízo que se cumpriria em 70 d.C., quando a cidade seria incendiada e não sobraria pedra sobre pedra (cf. Lc 19.43–44). Diante disso, não endureceu o coração: chorou.

A segunda ocasião foi diante do túmulo de Lázaro. “Quando Jesus viu que ela chorava, e que os judeus que a acompanhavam também choravam, agitou-se no espírito e se comoveu” (Jo 11.33). E o texto mais curto e mais profundo da Bíblia registra: “Jesus chorou” (Jo 11.35). Os que estavam ali disseram: “Vejam como ele o amava!” (Jo 11.36). A fórmula do amor cristão é esta: partilhar a dor do outro, sentir a perda, perceber o que está acontecendo no coração de quem sofre.

Todos nós cremos na ressurreição dos mortos (cf. Jo 11.25). E ainda assim, quando alguém que amamos morre, a dor é real. A despedida dói. O luto é humano — e é legítimo. Jesus não repreendeu as irmãs de Lázaro por chorarem; chorou com elas. Não nos deixemos enganar por um triunfalismo vazio e insensível que confunde espiritualidade com ausência de humanidade.

3. As mulheres que choraram pela cruz

Quando Jesus carregava sua cruz em direção ao Calvário, um grupo de mulheres o seguia lamentando e chorando. “Jesus, voltando-se para elas, disse: — Filhas de Jerusalém, não chorem por mim; chorem antes por vocês mesmas e por seus filhos” (Lc 23.28). Cristo não as repreendeu pelo choro — acolheu a expressão daquela compaixão e a redirecionou para uma realidade ainda mais grave.

4. Os heróis da fé que choraram

A Bíblia está repleta de personagens de fé que choraram.

Abraão chorou diante do corpo de Sara: “Abraão foi lamentar a morte de Sara e chorar por ela” (Gn 23.2). Luto honesto, sem vergonha.

Ana chorava porque era estéril, e isso pesava enormemente sobre ela. “Ana, com amargura de alma, orou ao SENHOR e chorou muito” (1Sm 1.10). Havia lá um sacerdote — Eli — que, ao invés de acolhê-la, a repreendeu, achando que estava embriagada. Cuidado com os “super-espirituais” que repreendem o choro alheio: o nível de espiritualidade de Eli é bem conhecido por quem lê o restante da história (cf. 1Sm 2.12–17; 3.11–14). O Senhor, porém, ouviu a oração de Ana entre lágrimas, e ela concebeu Samuel (cf. 1Sm 1.20).

Pedro chorou amargamente depois de negar a Jesus: “E Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe havia dito: ‘Antes que o galo cante, você me negará três vezes’. E, saindo dali, chorou amargamente” (Mt 26.75). O coração contrito e quebrantado diante de Deus não é sinal de fraqueza — é sinal de graça. Como disse Davi em seu salmo de arrependimento: “Os sacrifícios a Deus são o espírito quebrantado; o coração contrito e humilhado, ó Deus, não desprezarás” (Sl 51.17).

Davi e o povo “prantearam, choraram e jejuaram até a tarde por Saul, por Jônatas, seu filho, pelo povo do SENHOR” (2Sm 1.12). Líderes corajosos, valentes guerreiros — e choraram muito. Davi também entrou em profundo luto pela morte de seu filho Absalão (cf. 2Sm 18.33), e sofreu de tamanha tristeza que chegou a comprometer seu estado emocional. O luto pode acontecer com qualquer servo de Deus, independentemente do tamanho da sua fé.

Paulo se despediu dos presbíteros de Éfeso com lágrimas. “Então Paulo se ajoelhou e orou com todos eles. Todos choraram muito e, abraçando Paulo, o beijavam” (At 20.36–37). Paulo sabia que caminhava em direção ao martírio, e aquele era um momento de despedida definitiva. Lágrimas legítimas, santificadas pelo amor.

José foi tomado de emoção ao rever seus irmãos: “José apressou-se a procurar um lugar onde pudesse chorar; entrou no quarto e chorou ali” (Gn 43.30). Teve até pudor de chorar em público, mas o choro era genuíno — um coração quebrantado de amor.

5. O clamor que chega ao céu

O choro dirigido a Deus tem poder. O povo de Israel, sob a opressão do Egito, “gemeu por causa da escravidão e clamou; o seu clamor por causa da escravidão subiu a Deus” (Êx 2.23). E Deus ouviu. O Êxodo foi a resposta ao pranto de um povo que se voltou para o Senhor. “Na minha angústia invoquei o SENHOR e clamei ao meu Deus; do seu templo ele ouviu a minha voz, e o meu clamor chegou aos seus ouvidos” (Sl 18.6).

O Salmo 42 retrata com honestidade esse lugar de angústia: “As minhas lágrimas têm sido o meu alimento de dia e de noite, enquanto me dizem continuamente: Onde está o teu Deus?” (Sl 42.3). Os adversários do povo de Deus sempre aparecerão nessa hora para zombar — como fizeram com Jesus na cruz (cf. Mt 27.40–43). Mas o Senhor não abandona. E aqueles que zombam da dor alheia respondem perante Ele — como responderam os edomitas que ridicularizaram Israel em sua aflição (cf. Ob 1.10–14).

6. A palavra dos profetas: chorem, sacerdotes

O profeta Joel transmite uma convocação de Deus que vale para cada geração: “Que os sacerdotes, ministros do SENHOR, chorem entre o pórtico e o altar e orem: ‘Poupa o teu povo, SENHOR, e não entregues a tua herança ao opróbrio, para que as nações não dominem sobre ela. Por que se diria entre os povos: Onde está o Deus deles?’” (Jl 2.17). Os ministros do Senhor são chamados a interceder com lágrimas pelo povo, a ter compaixão, a se preocupar com o sofrimento coletivo e a buscar Deus em favor de quem está em angústia.

E a promessa para o povo que se humilha ainda ressoa: “Se o meu povo que se chama pelo meu nome se humilhar, orar e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei do céu, perdoarei o seu pecado e sararei a sua terra” (2Cr 7.14). A cura começa pela humildade, pela oração e pela busca sincera da face de Deus — não pela maquiagem da realidade.

7. O consolo que vem depois do choro

O choro não é a última palavra. “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5). A esperança cristã não é alienação da dor — é a certeza de que Deus ouve o clamor do seu povo, que sua compaixão nunca se esgota (cf. Lm 3.22–23), e que Ele age. O mesmo Jesus que chorou diante do túmulo de Lázaro disse: “Eu sou a ressurreição e a vida” (Jo 11.25) — e ressuscitou o morto. A compaixão de Deus se move em direção à restauração.

“Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam” (Sl 23.4). Deus não nos abandona no vale. “Em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8.37).

Portanto: chorai com os que choram (Rm 12.15). Carregai os fardos uns dos outros (Gl 6.2). Intercedei com lágrimas pelos que sofrem. E confiai no “Pai de misericórdias e Deus de toda consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação” (2Co 1.3–4).

Textos bíblicos para meditação

“Quando Jesus ia chegando a Jerusalém, vendo a cidade, chorou por ela” (Lc 19.41).

“Quando Jesus viu que ela chorava, e que os judeus que a acompanhavam também choravam, agitou-se no espírito e se comoveu” (Jo 11.33).

“Jesus chorou. Então os judeus disseram: — Vejam o quanto ele o amava” (Jo 11.35–36).

“Porém Jesus, voltando-se para elas, disse: — Filhas de Jerusalém, não chorem por mim; chorem antes por vocês mesmas e por seus filhos!” (Lc 23.28).

“Abraão veio lamentar a morte de Sara e chorar por ela” (Gn 23.2).

“E Ana, com amargura de alma, orou ao SENHOR e chorou muito” (1Sm 1.10).

“Então Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe tinha dito: ‘Antes que o galo cante, você me negará três vezes’. E Pedro, saindo dali, chorou amargamente” (Mt 26.75).

“Prantearam, choraram e jejuaram até a tarde por Saul, por Jônatas, seu filho, pelo povo do SENHOR e pela casa de Israel, porque tinham caído à espada” (2Sm 1.12).

“Então houve grande pranto entre todos, e, abraçando Paulo, o beijavam, entristecidos especialmente pela palavra que ele tinha dito: que não mais veriam o seu rosto. E eles o acompanharam até o navio” (At 20.37–38).

“As minhas lágrimas têm sido o meu alimento dia e noite, enquanto me dizem continuamente: ‘E o seu Deus, onde está?’” (Sl 42.3).

“Por estas coisas, eu choro; os meus olhos, os meus olhos se desfazem em lágrimas. Porque o consolador, que devia restaurar as minhas forças, se afastou de mim. Os meus filhos estão desolados, porque o inimigo prevaleceu” (Lm 1.16).

“Os filhos de Israel gemiam por causa da sua escravidão. Eles clamaram, e o seu clamor chegou até Deus” (Êx 2.23).

“Na minha angústia, invoquei o SENHOR; gritei por socorro ao meu Deus. Do seu templo ele ouviu a minha voz, e o meu clamor chegou aos seus ouvidos” (Sl 18.6).

“José, profundamente emocionado por causa do seu irmão, apressou-se e procurou um lugar onde chorar. Entrou no quarto e ali chorou” (Gn 43.30).

“Que os sacerdotes, ministros do SENHOR, chorem entre o pórtico e o altar, e orem: ‘Poupa o teu povo, ó SENHOR, e não faças da tua herança um objeto de deboche e de zombaria entre as nações. Por que hão de dizer entre os povos: Onde está o Deus deles?’” (Jl 2.17).

“Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram” (Rm 12.15).

“O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5).

“Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam” (Sl 23.4).

Orientações Pastorais — conselhos de caminhada para pastores e líderes
Bispo Ildo Mello