SERMÃO 32
Acautelai-vos dos falsos profetas
Décimo segundo dos treze discursos de Wesley sobre o Sermão do Monte.
“Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Vós os conhecereis pelos seus frutos… Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. Assim, pois, pelos seus frutos vós os conhecereis.”
(Mt 7.15–20, NAA)Antes de ler
Este é o segundo estorvo externo à santidade — depois do mau exemplo, o mau conselho, encarnado nos falsos profetas. Wesley não os define pela heresia doutrinária apenas, mas por um critério surpreendente e prático: falso profeta é todo aquele que ensina como caminho para o céu qualquer via diferente da que Jesus traçou no Sermão do Monte — o caminho da humildade, do pranto, da mansidão, do amor e da santidade. Ele descreve o disfarce desses lobos (aparência de inofensividade, de utilidade, de religião, de amor) e dá a regra infalível de Jesus: "pelos seus frutos os conhecereis". No fim, faz uma ponderação pastoral honesta sobre se devemos ou não ouvi-los, e encerra com um apelo comovente a esses mesmos mestres.
— Bispo Ildo Mello
1. Quase não é possível exprimir ou conceber que multidões de almas correm para a perdição por não se deixarem persuadir a andar num caminho estreito, ainda que fosse o caminho da salvação eterna. E a mesma coisa podemos observar diariamente. Tal é a insensatez e a loucura da humanidade que milhares de homens ainda se precipitam no caminho do inferno apenas por ser ele largo. Andam nele porque outros andam; porque tantos perecem, eles aumentarão o número. Tal é a espantosa influência do exemplo sobre os fracos e miseráveis filhos dos homens! Ela continuamente povoa as regiões da morte e afoga inúmeras almas na perdição eterna!
2. Para advertir a humanidade disto, para guardar quantos for possível desse contágio que se alastra, Deus ordenou aos seus atalaias que clamem em alta voz e mostrem ao povo o perigo em que está. Para esse fim, ele enviou os seus servos, os profetas, nas gerações que se seguiram, para apontar a vereda estreita e exortar todos os homens a não se conformarem a este mundo. Mas o que fazer, se os próprios atalaias caírem na cilada contra a qual deveriam advertir os outros? O que fazer, se “os profetas profetizam falsamente”, se “fazem o povo errar do caminho”? O que fazer, se eles apontam, como o caminho para a vida eterna, o que na verdade é o caminho para a morte eterna, e exortam os outros a andar, como eles mesmos andam, no caminho largo, e não no estreito?
3. Isto é coisa inaudita, coisa incomum? Não; Deus sabe que não. Os exemplos disso são quase incontáveis. Podemos achá-los em toda era e nação. Mas quão terrível é isto — quando os embaixadores de Deus se tornam agentes do diabo! —, quando os que são comissionados a ensinar aos homens o caminho para o céu, de fato lhes ensinam o caminho para o inferno! Estes são como os gafanhotos do Egito, “que comeram o resto que escapara, o que restara depois do granizo”. Devoram até o resto dos homens que haviam escapado, que não haviam sido destruídos pelo mau exemplo. Não é, portanto, sem causa que o nosso sábio e gracioso Mestre tão solenemente nos previne contra eles: “Acautelai-vos”, diz ele, “dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores.”
4. Uma cautela esta da máxima importância. Para que ela penetre mais eficazmente no nosso coração, indaguemos, primeiro, quem são esses falsos profetas; segundo, que aparência assumem; e, terceiro, como podemos saber o que realmente são, apesar da sua bela aparência.
I. Quem são os falsos profetas
1. Por “profetas” aqui (como em muitas outras passagens da Escritura, particularmente no Novo Testamento) entendem-se não os que preveem coisas futuras, mas os que falam em nome de Deus; os homens que professam ser enviados por Deus para ensinar aos outros o caminho para o céu. São falsos profetas os que ensinam um caminho falso para o céu, um caminho que não conduz para lá; ou (o que, no fim, dá no mesmo) os que não ensinam o verdadeiro.
2. Todo caminho largo é, infalivelmente, um caminho falso. Portanto, eis uma regra clara e segura: “Os que ensinam os homens a andar num caminho largo, um caminho em que muitos andam, são falsos profetas.” De novo: o verdadeiro caminho para o céu é um caminho estreito. Portanto, eis outra regra clara e segura: “Os que não ensinam os homens a andar num caminho estreito, a ser singulares, são falsos profetas.” Para ser mais particular: o único verdadeiro caminho para o céu é o apontado no sermão anterior — o caminho da humildade, do pranto, da mansidão e do santo desejo, do amor de Deus e do próximo, do fazer o bem e do sofrer o mal por amor de Cristo. São, portanto, falsos profetas os que ensinam, como caminho para o céu, qualquer outro caminho que não este.
3. Não importa como chamem esse outro caminho. Podem chamá-lo de fé; ou de boas obras; ou de fé e obras; ou de arrependimento; ou de arrependimento, fé e nova obediência. Todas estas são boas palavras. Mas se, sob estes ou quaisquer outros termos, eles ensinam aos homens algum caminho distinto deste, são propriamente falsos profetas. Quanto mais caem sob essa condenação os que falam mal deste bom caminho — mas, acima de tudo, os que ensinam o caminho diretamente oposto: o caminho do orgulho, da leviandade, da paixão, dos desejos mundanos, do amar mais o prazer do que a Deus, do desamor ao próximo, do descaso pelas boas obras, e do não sofrer mal algum, nenhuma perseguição por causa da justiça!
4. Se se perguntar “ora, quem já ensinou isto, ou quem ensina isto, como o caminho para o céu?”, respondo: dez mil homens sábios e honrados; sim, todos aqueles, de qualquer denominação, que animam o orgulhoso, o frívolo, o passional, o amante do mundo, o homem dado ao prazer, o injusto ou desamoroso, a criatura cômoda, descuidada, inofensiva e inútil, o homem que não sofre opróbrio algum por causa da justiça, a imaginar que está no caminho para o céu. Estes são falsos profetas no mais alto sentido da palavra. São traidores, tanto de Deus quanto do homem. Não são outra coisa senão os primogênitos de Satanás, os filhos mais velhos de Apoliom, o Destruidor. Estes estão muito acima da categoria dos assassinos comuns, pois matam as almas dos homens. Estão continuamente povoando os domínios da noite; e, sempre que seguem as pobres almas que destruíram, “o inferno lá embaixo se agita para vir ao seu encontro”!
II. O disfarce que assumem
1. Mas será que eles vêm na sua própria forma? De modo algum. Se assim fosse, não poderiam destruir. Você se alarmaria e fugiria para salvar a vida. Por isso assumem uma aparência bem contrária (que era a segunda coisa a considerar): “apresentam-se disfarçados em ovelhas, ainda que por dentro sejam lobos roubadores”.
2. “Apresentam-se disfarçados em ovelhas”, isto é, com uma aparência de inofensividade. Vêm da maneira mais branda e inofensiva, sem sinal algum de inimizade. Quem imaginaria que estas criaturas mansas fariam algum dano a alguém? Talvez não sejam tão zelosas e ativas em fazer o bem quanto se desejaria. Contudo, você não vê razão para suspeitar que tenham sequer o desejo de fazer algum mal. Mas não é tudo.
3. Vêm, segundo, com uma aparência de utilidade. De fato, para isto — para fazer o bem — são particularmente chamados. São separados para esta mesma coisa. São particularmente comissionados a velar pela sua alma e a criá-lo para a vida eterna. É todo o seu ofício “andar por toda parte fazendo o bem e curando os oprimidos do diabo”. E você sempre se acostumou a vê-los sob essa luz, como mensageiros de Deus, enviados para lhe trazer uma bênção.
4. Vêm, terceiro, com uma aparência de religião. Tudo o que fazem é por causa da consciência! Asseguram-lhe que é por puro zelo por Deus que estão fazendo de Deus um mentiroso. É por pura preocupação com a religião que a destruiriam pela raiz. Tudo o que dizem é só por amor à verdade, e por temor de que ela venha a sofrer; e, pode ser, por consideração à Igreja e por desejo de defendê-la de todos os seus inimigos.
5. Acima de tudo, vêm com uma aparência de amor. Tomam todo esse trabalho só para o seu bem. Não se incomodariam com você, não fosse a afeição que têm por você. Farão amplas profissões de boa vontade, de preocupação com o perigo em que você está e de ardente desejo de preservá-lo do erro, de não ficar enredado em doutrinas novas e perniciosas. Ficariam muito tristes de ver alguém tão bem-intencionado arrastado a algum extremo, perplexo com noções estranhas e ininteligíveis, ou iludido no fanatismo. Por isso o aconselham a permanecer quieto, no simples caminho do meio, e a acautelar-se contra “ser justo em demasia”, para que você não se “destrua a si mesmo” (Ec 7.16).
III. Como conhecê-los: pelos seus frutos
1. Mas como podemos saber o que realmente são, apesar da sua bela aparência? Esta era a terceira coisa que se propôs indagar. O nosso bendito Senhor viu quão necessário era a todos os homens conhecer os falsos profetas, por mais disfarçados que estivessem. Viu também quão incapazes eram a maioria dos homens de deduzir uma verdade através de uma longa cadeia de consequências. Por isso, dá-nos uma regra curta e clara, fácil de ser entendida por homens da mais humilde capacidade, e fácil de ser aplicada em todas as ocasiões: “Vós os conhecereis pelos seus frutos.”
2. Em todas as ocasiões você pode facilmente aplicar esta regra. Para saber se algum dos que falam em nome de Deus é falso ou verdadeiro profeta, é fácil observar, primeiro, quais são os frutos da sua doutrina quanto a eles mesmos. Que efeito ela teve sobre a sua vida? São eles santos e irrepreensíveis em todas as coisas? Que efeito teve sobre o seu coração? Aparece, pelo teor geral da sua conduta, que as suas disposições são santas, celestiais, divinas? Que há neles a mente que houve em Cristo Jesus? Que são mansos, humildes, pacientes, amantes de Deus e do homem, e zelosos de boas obras?
3. Você pode facilmente observar, segundo, quais são os frutos da sua doutrina quanto aos que os ouvem — ao menos em muitos, ainda que não em todos, pois os próprios apóstolos não converteram todos os que os ouviram. Têm estes a mente que houve em Cristo? E andam como ele também andou? E foi por ouvir esses homens que começaram a fazê-lo? Eram, interior e exteriormente, maus até os ouvirem? Se assim é, é prova manifesta de que aqueles são verdadeiros profetas, mestres enviados por Deus. Mas, se não é assim, se eles não ensinam eficazmente nem a si mesmos nem aos outros a amar e servir a Deus, é prova manifesta de que são falsos profetas, que Deus não os enviou.
4. Palavra dura esta! Quão poucos a podem suportar! Disto o nosso Senhor tinha consciência, e por isso se digna a prová-la amplamente por vários argumentos claros e convincentes. “Colhem-se”, diz ele, “uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?” Você espera que esses homens maus produzam bom fruto? Tanto poderia esperar que os espinheiros produzissem uvas, ou que os figos crescessem sobre abrolhos! “Toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus.” Todo verdadeiro profeta, todo mestre que eu enviei, produz o bom fruto da santidade. Mas um falso profeta, um mestre que eu não enviei, produz só pecado e maldade. “Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons.” Um verdadeiro profeta, um mestre enviado por Deus, não produz bom fruto apenas às vezes, mas sempre; não acidentalmente, mas por uma espécie de necessidade. Do mesmo modo, um falso profeta, um que Deus não enviou, não produz mau fruto acidentalmente ou só às vezes, mas sempre, e por necessidade. “Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo.” Tal será, infalivelmente, a sorte daqueles profetas que não produzem bom fruto, que não salvam almas do pecado, que não levam pecadores ao arrependimento. “Assim, pois” — fique isto como regra eterna —, “pelos seus frutos vós os conhecereis”. Os que, de fato, levam o orgulhoso, o passional, o desapiedado, os amantes do mundo, a tornarem-se humildes, gentis, amantes de Deus e do homem — estes são verdadeiros profetas, são enviados por Deus, que, por isso, confirma a sua palavra. Por outro lado, aqueles cujos ouvintes, se injustos antes, permanecem injustos ainda, ou, ao menos, vazios de qualquer justiça que “exceda a justiça dos escribas e fariseus” — estes são falsos profetas; não são enviados por Deus; por isso, a sua palavra cai por terra; e, sem um milagre de graça, eles e os seus ouvintes juntos cairão no abismo sem fundo!
5. Ó, “acautelai-vos desses falsos profetas!” Pois, embora “se apresentem disfarçados em ovelhas, por dentro são lobos roubadores”. Só destroem e devoram o rebanho; despedaçam-no, se não há quem o socorra. Não podem conduzi-lo pelo caminho para o céu. Como poderiam, se eles mesmos não o conhecem? Ó, cuidado para que não o desviem do caminho e o façam “perder o que já trabalhou”!
6. Mas talvez você pergunte: “Se há tal perigo em ouvi-los, devo ouvi-los de algum modo?” É pergunta de peso, que merece a mais profunda consideração, e não deve ser respondida senão após o pensamento mais calmo, a reflexão mais deliberada. Por muitos anos quase tive receio de falar sobre isto, incapaz de me decidir num sentido ou noutro. Muitas razões há que prontamente ocorrem e me inclinam a dizer: “Não os ouça.” E, contudo, o que o nosso Senhor fala a respeito dos falsos profetas do seu próprio tempo parece implicar o contrário. “Então falou Jesus à multidão e aos seus discípulos, dizendo: Na cadeira de Moisés se assentaram os escribas e os fariseus” — são os mestres ordinários e constantes na vossa igreja. “Tudo, pois, que vos disserem, fazei e guardai; não façais, porém, conforme as suas obras, porque dizem e não fazem” (Mt 23.1–3). Ora, que estes eram falsos profetas no mais alto sentido, o nosso Senhor o mostrou durante todo o curso do seu ministério — como, de fato, o faz nestas próprias palavras: “dizem e não fazem”. Portanto, pelos seus frutos os seus discípulos não podiam senão conhecê-los, visto que estavam à vista de todos. E, contudo, ele não lhes proíbe ouvir sequer a estes; aliás, com efeito, ordena-lhes que o façam, naquelas palavras: “Tudo, pois, que vos disserem, fazei e guardai.” Pois, a menos que os ouvissem, não poderiam saber, muito menos guardar, tudo o que eles lhes mandassem fazer. Aqui, então, o próprio Senhor dá uma orientação clara, tanto aos apóstolos quanto a toda a multidão, para, em certas circunstâncias, ouvir até falsos profetas, conhecidos e reconhecidos como tais.
7. Talvez se diga: “Ele só orientou a ouvi-los quando liam a Escritura à congregação.” Respondo: ao mesmo tempo que assim liam a Escritura, geralmente também a expunham. E aqui não há indício algum de que devessem ouvir uma coisa, e não também a outra. Aliás, os próprios termos “tudo o que vos disserem” excluem tal limitação. De novo: a estes, a falsos profetas inegavelmente tais, é frequentemente confiada (ó, dor de dizê-lo! pois certamente essas coisas não deveriam ser assim) também a administração do sacramento. Orientar os homens, portanto, a não os ouvir seria, com efeito, cortá-los das ordenanças de Deus. Mas isto não ousamos fazer, considerando que a validade da ordenança não depende da bondade de quem a administra, mas da fidelidade daquele que a instituiu, que quer e de fato nos encontra nos seus caminhos designados. Por isso, também por esse motivo, hesito em dizer: “Não ouçam sequer os falsos profetas.” Mesmo por estes que estão eles próprios sob uma maldição, Deus pode dar-nos, e dá, a sua bênção. Pois o pão que eles partem, conhecemos por experiência ser “a comunhão do corpo de Cristo”; e o cálice que Deus abençoou, mesmo pelos seus lábios profanos, foi para nós a comunhão do sangue de Cristo.
8. Tudo, portanto, o que posso dizer é isto: em qualquer caso particular, espere em Deus por humilde e fervorosa oração, e então aja segundo a melhor luz que tem; aja segundo o que estiver persuadido, no conjunto, ser mais para o seu proveito espiritual. Tenha grande cuidado de não julgar temerariamente; de não pensar levianamente que alguém seja falso profeta. E, quando tiver prova plena, veja que nenhuma ira ou desprezo tenha lugar no seu coração. Depois disto, na presença e no temor de Deus, decida por si mesmo. Só posso dizer: se, pela experiência, você achar que ouvi-los fere a sua alma, então não os ouça; então, quietamente, abstenha-se e ouça os que o edificam. Se, por outro lado, achar que não fere a sua alma, então pode ouvi-los ainda. Apenas “atente em como ouve”: acautele-se deles e da sua doutrina. Ouça com temor e tremor, para que não seja enganado e entregue, como eles, a um forte engano. Como continuamente misturam verdade e mentira, quão facilmente você pode receber as duas juntas! Ouça com fervorosa e contínua oração àquele que só ensina sabedoria ao homem. E veja que traga tudo o que ouve “à lei e ao testemunho”. Não receba nada sem provar, nada enquanto não for pesado na balança do santuário; não creia em nada do que dizem, a menos que seja claramente confirmado por passagens da Sagrada Escritura. Rejeite por completo tudo o que dela diferir, tudo o que por ela não for confirmado. E, em particular, rejeite, com a máxima aversão, tudo o que for descrito como o caminho da salvação e que seja diferente do caminho, ou aquém do caminho, que o nosso Senhor traçou no discurso anterior.
Apelo aos falsos profetas
1. Não posso concluir sem dirigir umas poucas palavras claras àqueles de quem agora falávamos. Ó vós, falsos profetas! Ó vós, ossos secos! Ouvi, ao menos uma vez, a palavra do Senhor! Até quando mentireis em nome de Deus, dizendo “Deus falou”, quando Deus não falou por vós? Até quando perverteis os retos caminhos do Senhor, pondo as trevas por luz, e a luz por trevas? Até quando ensinareis o caminho da morte e o chamareis de caminho da vida? Até quando entregareis a Satanás as almas que professais conduzir a Deus?
2. “Ai de vós, cegos guias de cegos! Pois fechais o Reino dos céus diante dos homens; e nem vós entrais, nem deixais entrar os que estão entrando.” Aqueles que “se esforçariam por entrar pela porta estreita”, vós os chamais de volta para o caminho largo. Aqueles que mal deram um passo nos caminhos de Deus, vós, diabolicamente, os acautelais contra ir longe demais. Aqueles que apenas começam a “ter fome e sede de justiça”, vós os advertis a não “ser justos em demasia”. Assim os fazeis tropeçar já no limiar; sim, cair e não mais se levantar. Ó, por que fazeis isto? Que proveito há no sangue deles, quando descem à cova? Miserável proveito para vós! “Eles perecerão na sua iniquidade; mas o seu sangue Deus o requererá das vossas mãos!”
3. Onde estão os vossos olhos? Onde está o vosso entendimento? Tereis enganado a outros até enganar também a vós mesmos? Quem requereu isto das vossas mãos, que ensinásseis um caminho que nunca conhecestes? Estais “entregues a” tão “forte engano” que não só ensinais, mas “credes na mentira”? E podeis, de fato, crer que Deus vos enviou, que sois seus mensageiros? Não; se o Senhor vos tivesse enviado, a obra do Senhor prosperaria na vossa mão. Tão certo como vive o Senhor, se fôsseis mensageiros de Deus, ele “confirmaria a palavra dos seus mensageiros”. Mas a obra do Senhor não prospera na vossa mão. Não levais pecador algum ao arrependimento. O Senhor não confirma a vossa palavra; pois não salvais alma alguma da morte.
4. Meus caros irmãos, não endureçais o coração! Por tempo demais fechastes os olhos contra a luz. Abri-os agora, antes que seja tarde demais; antes que sejais lançados nas trevas exteriores! Não pese sobre vós nenhuma consideração temporal, pois a eternidade está em jogo. Correstes antes de ser enviados. Ó, não ide mais longe! Não persistais em condenar-vos a vós mesmos e aos que vos ouvem! Não tendes fruto dos vossos labores. E por quê? Porque o Senhor não está convosco. Humilhai-vos, pois, diante dele. Clamai a ele desde o pó, para que ele primeiro vivifique a vossa alma; vos dê a fé que atua pelo amor, que é humilde e mansa, pura e misericordiosa, zelosa de boas obras, alegrando-se na tribulação, no opróbrio, na angústia, na perseguição por causa da justiça! Assim “o Espírito da glória e de Deus repousará sobre vós”, e ficará claro que Deus vos enviou. Assim, de fato, “fareis o trabalho de evangelista, cumprindo cabalmente o vosso ministério”. Assim, a palavra de Deus na vossa boca será “um martelo que despedaça a rocha!” Ficará então conhecido, pelos vossos frutos, que sois profetas do Senhor — sim, pelos filhos que Deus vos deu. E, tendo “convertido muitos à justiça”, “resplandecereis como as estrelas, para todo o sempre!”
Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.