SERMÃO 42
As estratégias de Satanás
As artimanhas pelas quais o inimigo procura corromper a obra de Deus na alma.
“Pois não ignoramos as suas intenções.”
(2Co 2.11, NAA)Antes de ler
Satanás não procura apenas levar os cristãos a cometer pecados evidentes. Algumas de suas estratégias mais perigosas utilizam verdades bíblicas de maneira distorcida.
Neste sermão, Wesley mostra como o inimigo pode usar a própria doutrina da perfeição cristã contra a vida espiritual. Ele apresenta a santidade futura de maneira tão ameaçadora que o crente passa a desprezar a graça que já recebeu, perde a alegria, a paz, a confiança em Cristo e, finalmente, enfraquece sua própria santidade.
O remédio é conservar unidas as diferentes dimensões do evangelho: perdão, santificação e glória. Não devemos desprezar a obra inicial de Deus porque ainda não alcançamos a maturidade. Também não devemos abandonar a esperança da plena santificação por causa dos abusos cometidos por algumas pessoas.
— Bispo Ildo Mello
1. São incontáveis as estratégias pelas quais o sutil deus deste mundo procura destruir os filhos de Deus ou, quando não consegue destruí-los, atormentá-los, confundi-los e impedi-los de correr a carreira que está diante deles.
Tratarei apenas de uma dessas estratégias, embora ela se manifeste de diversas maneiras.
Por meio dela, Satanás procura dividir o evangelho contra si mesmo e utilizar uma parte da verdade para destruir outra.
2. O Reino interior dos Céus, estabelecido no coração de todos os que se arrependem e creem no evangelho, é justiça, paz e alegria no Espírito Santo.
Toda criança em Cristo sabe que começamos a participar dessas bênçãos na hora em que cremos em Jesus.
Contudo, elas são apenas os primeiros frutos do Espírito; a colheita ainda não chegou.
Embora sejam bênçãos incomparavelmente grandes, esperamos receber coisas ainda maiores.
3. Esperamos amar o Senhor, nosso Deus, não apenas com o amor sincero, embora ainda fraco, que possuímos agora, mas com todo o coração, todo o entendimento, toda a alma e todas as forças.
Esperamos receber poder para alegrar-nos sempre, orar sem cessar e dar graças em todas as circunstâncias, sabendo que essa é a vontade de Deus em Cristo Jesus para nós.
4. Esperamos ser aperfeiçoados no amor: naquele amor que expulsa todo medo atormentador e todo desejo que não seja glorificar aquele a quem amamos e crescer continuamente no amor e no serviço a Deus.
Esperamos crescer de tal maneira no conhecimento e no amor experimental de Deus que possamos andar continuamente na luz, assim como ele está na luz.
Cremos que teremos em nós a mesma atitude que houve em Cristo Jesus.
Amaremos cada pessoa a ponto de estarmos dispostos a entregar a vida por ela.
Por meio desse amor, seremos libertos da ira, do orgulho e de toda afeição contrária à bondade.
Esperamos ser purificados de todos os ídolos e de toda impureza da carne e do espírito.
Esperamos ser salvos de todas as impurezas interiores e exteriores e purificados assim como Cristo é puro.
5. Confiamos na promessa daquele que não pode mentir.
Chegará o tempo em que, em cada palavra e ação, cumpriremos sua bendita vontade na terra como ela é cumprida no céu.
Nossa conversa será sempre marcada pela graça e apropriada para edificar aqueles que ouvem.
Quer comamos, bebamos ou façamos qualquer outra coisa, tudo será realizado para a glória de Deus.
Todas as palavras e ações serão praticadas em nome do Senhor Jesus, dando graças a Deus Pai por meio dele.
6. A grande estratégia de Satanás é destruir a primeira obra de Deus na alma — ou pelo menos impedir seu crescimento — utilizando nossa expectativa por essa obra maior.
Procurarei mostrar:
I. As maneiras pelas quais ele tenta fazer isso.
II. Como podemos devolver contra ele esses dardos inflamados e crescer por meio daquilo que ele pretendia usar para nossa queda.
I. Como Satanás utiliza a expectativa da perfeição contra nós
1. Primeiro, Satanás procura diminuir nossa alegria no Senhor, levando-nos a considerar nossa indignidade, pecaminosidade e imperfeição e lembrando-nos de que uma transformação muito maior ainda precisa acontecer.
Caso imaginássemos que permaneceríamos para sempre como somos agora, talvez encontrássemos algum tipo de consolo, ainda que pobre, na suposta inevitabilidade de nossa condição.
Entretanto, sabemos que não precisamos permanecer assim. Existe uma obra maior de Deus, e sem santidade ninguém verá o Senhor.
O adversário distorce essas verdades e utiliza aquilo que ainda não alcançamos para destruir a alegria pelo que já recebemos.
Passamos a pensar que não podemos alegrar-nos na graça presente porque existe uma graça maior que ainda não recebemos.
2. Deixamos de experimentar plenamente a bondade de Deus e de agradecer pelas grandes coisas que ele já fez, porque ainda existem coisas maiores que ele não realizou.
Quanto mais profundamente Deus nos convence da impureza que ainda permanece e quanto mais intensamente desejamos a santidade completa prometida, mais somos tentados a desprezar os dons presentes e desvalorizar aquilo que já recebemos por causa daquilo que ainda não possuímos.
3. Caso Satanás consiga diminuir nossa alegria, atacará em seguida nossa paz.
Sugerirá:
“Você está preparado para ver Deus? Ele é santo e você não é. Como pode imaginar que ele olha para você com aprovação?
Que comunhão pode existir entre a luz e as trevas?
Como alguém tão impuro pode ser aceito por Deus?
Você enxerga o alvo de sua vocação, mas ele está muito distante. Como pode presumir que seus pecados já foram apagados antes de se aproximar mais de Deus e tornar-se mais semelhante a ele?”
4. Dessa maneira, Satanás procura não apenas abalar nossa paz, mas destruir seu fundamento.
Gradualmente, tenta levar-nos de volta ao ponto de onde começamos: procurar justificação pelas obras ou pela própria justiça.
Deseja fazer com que alguma coisa existente em nós se transforme na base de nossa aceitação diante de Deus ou em condição necessária antes dessa aceitação.
5. Mesmo que permaneçamos firmes na verdade de que ninguém pode colocar outro fundamento além de Jesus Cristo e de que somos justificados gratuitamente pela graça, Satanás continuará argumentando:
“A árvore é conhecida pelos frutos. Onde estão os frutos de sua justificação?
Você possui a atitude de Cristo?
Está morto para o pecado e vivo para a justiça?
Conhece o poder da ressurreição de Cristo?”
Quando comparamos os pequenos frutos que percebemos em nós com a plenitude das promessas, somos tentados a concluir:
“Talvez Deus nunca tenha declarado que meus pecados foram perdoados. Talvez eu não tenha recebido verdadeiramente o perdão. Que participação possuo entre os santificados?”
6. Durante a enfermidade, a dor ou a aproximação da morte, o inimigo intensificará esse ataque:
“Não está escrito que, sem santidade, ninguém verá o Senhor?
Você não é santo. Sabe que a santidade significa a plena imagem de Deus. Como está distante dela!
Não conseguirá alcançá-la. Portanto, todo o seu trabalho foi inútil. Tudo o que sofreu não produziu resultado.
Você ainda está em seus pecados e finalmente perecerá.”
Caso os olhos não estejam firmemente fixados naquele que levou nossos pecados, Satanás nos colocará novamente debaixo do medo da morte e da antiga escravidão, prejudicando ou destruindo nossa paz e nossa alegria.
7. Sua obra mais sutil, porém, ainda não apareceu.
Ele não se contenta em atacar nossa alegria e nossa paz. Procura também destruir nossa justiça e a santidade que já recebemos, utilizando nossa expectativa de receber santidade maior.
8. Ele faz isso, em primeiro lugar, atacando nossa alegria no Senhor.
A alegria no Espírito Santo é um instrumento precioso pelo qual Deus promove todas as disposições santas.
Ela contribui tanto para a santidade interior como para a exterior.
Fortalece nossas mãos para continuar na obra da fé e no trabalho do amor, lutar o bom combate e alcançar a vida eterna.
Também nos sustenta diante dos sofrimentos interiores e exteriores e levanta as mãos cansadas e os joelhos enfraquecidos.
Tudo aquilo que diminui nossa alegria no Senhor também dificulta proporcionalmente nosso crescimento em santidade.
9. O mesmo acontece quando Satanás destrói ou abala nossa paz.
A paz de Deus é um auxílio precioso para o avanço da imagem divina dentro de nós.
Poucas coisas contribuem tanto para a santidade quanto a tranquilidade contínua do espírito, uma mente firme em Deus e o descanso sereno no sangue de Jesus.
Sem essa paz, torna-se extremamente difícil crescer na graça e no conhecimento vivo de Cristo.
Todo medo, exceto o temor filial e amoroso, paralisa a alma.
Fecha as fontes da vida espiritual e impede o movimento do coração em direção a Deus.
A dúvida prende a alma como lama profunda.
Na medida em que o medo e a dúvida prevalecem, o crescimento em santidade é prejudicado.
10. Enquanto procura utilizar a necessidade do amor perfeito para encher-nos de dúvidas e medo, o adversário também procura enfraquecer ou destruir nossa fé.
Fé e paz estão inseparavelmente ligadas.
Enquanto a fé permanece, permanecemos em paz. O coração fica firme enquanto confia no Senhor.
Se abandonamos a fé — nossa confiança filial no Deus amoroso que perdoa —, nossa paz termina, porque seu fundamento foi destruído.
11. A fé é também o único fundamento da santidade.
Por isso, aquilo que atinge a fé atinge a própria raiz da obra de Deus.
Sem a consciência permanente de que Cristo me amou e se entregou por mim; sem a convicção contínua de que Deus, por amor de Cristo, é misericordioso para comigo, pecador, não consigo amar verdadeiramente a Deus.
Nós o amamos porque ele nos amou primeiro.
Nosso amor cresce de acordo com a clareza e a força da convicção de que fomos amados e recebidos no Filho.
Sem amor a Deus, não podemos amar o próximo como a nós mesmos nem possuir disposições corretas para com Deus e para com as pessoas.
12. Tudo aquilo que enfraquece nossa fé prejudica, na mesma proporção, nossa santidade.
Essa é a maneira mais rápida e eficaz de destruir toda a obra interior.
Não atinge apenas uma disposição cristã ou um único fruto do Espírito, mas arranca a própria raiz de toda a vida espiritual.
13. Não é surpreendente que o príncipe das trevas utilize toda a sua força nesse ponto.
A experiência demonstra a violência com que essa tentação atinge aqueles que têm fome e sede de justiça.
Eles enxergam claramente, de um lado, a profunda corrupção do próprio coração e, do outro, a santidade para a qual foram chamados em Cristo.
Veem sua distância de Deus e, ao mesmo tempo, a glória da imagem divina na qual precisam ser renovados.
Às vezes, ficam tão desanimados que quase clamam:
“Até para Deus isso é impossível!”
Ficam prontos para abandonar a fé e a esperança e lançar fora justamente a confiança pela qual poderiam vencer todas as coisas e realizar tudo por meio de Cristo, que os fortalece.
14. Aqueles que conservam firmemente sua confiança até o fim certamente receberão a promessa de Deus, que alcança o tempo e a eternidade.
Mas existe outra armadilha.
Enquanto desejamos ardentemente a parte da promessa que será cumprida nesta vida — a gloriosa liberdade dos filhos de Deus —, podemos desviar os olhos da glória que será revelada depois.
Podemos deixar de contemplar a coroa prometida pelo justo Juiz àqueles que amam sua vinda e esquecer a herança incorruptível reservada nos céus.
Isso também prejudica nossa alma e nosso crescimento em santidade.
Manter o alvo eterno diante dos olhos é um auxílio necessário para correr a carreira.
15. Foi a consideração da recompensa que levou Moisés a preferir sofrer com o povo de Deus em vez de desfrutar temporariamente dos prazeres do pecado.
Considerou a reprovação por causa de Cristo riqueza maior do que os tesouros do Egito.
O próprio Jesus, por causa da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, desprezou a vergonha e assentou-se à direita do trono de Deus (Hb 12.2).
Quanto mais precisamos contemplar a alegria futura para suportar as cruzes permitidas pela sabedoria de Deus e avançar pela santidade em direção à glória!
16. Enquanto buscamos a santidade presente e a glória futura, podemos cair em outra armadilha.
Podemos preocupar-nos tanto com o amanhã que deixamos de aproveitar o dia de hoje.
Podemos esperar tanto o amor perfeito que deixamos de utilizar o amor já derramado em nosso coração.
Algumas pessoas sofreram grande prejuízo por esse motivo.
Ficaram tão ocupadas com aquilo que esperavam receber que negligenciaram o que já haviam recebido.
Esperando receber cinco talentos, enterraram o único talento que possuíam.
Não utilizaram a graça presente para a glória de Deus e o crescimento da própria alma.
17. Assim o adversário procura anular o propósito de Deus, dividindo o evangelho contra si mesmo.
Faz com que a expectativa da obra perfeita destrua a obra inicial de Deus na alma.
Procura cortar as fontes da santidade e também transformar a bendita esperança da perfeição em ocasião para disposições contrárias à santidade.
18. Quando nosso coração deseja intensamente as grandes e preciosas promessas; quando temos sede da plenitude de Deus e perguntamos por que sua obra parece demorar, Satanás aproveita a oportunidade para tentar-nos à murmuração.
Procura fazer-nos reclamar contra Deus porque sua resposta não chegou no momento que desejávamos.
Ao menos tentará produzir irritação ou impaciência.
Talvez desperte inveja daqueles que consideramos já terem alcançado o prêmio de sua elevada vocação.
O inimigo sabe que, ao cedermos a essas disposições, destruímos justamente aquilo que procurávamos construir.
Buscando a santidade perfeita de maneira errada, tornamo-nos menos santos do que éramos.
19. Existe até o perigo de nossa última condição tornar-se pior do que a primeira.
O apóstolo afirmou que seria melhor não ter conhecido o caminho da justiça do que, depois de conhecê-lo, abandonar o santo mandamento recebido (2Pe 2.21).
20. Satanás procura ainda produzir outro resultado: trazer má reputação sobre o bom caminho.
Poucas pessoas conseguem distinguir — e muitas não desejam distinguir — entre o abuso acidental de uma doutrina e sua tendência natural.
Por isso, o adversário mistura continuamente essas duas coisas quando se trata da perfeição cristã, a fim de criar preconceito contra as gloriosas promessas de Deus.
21. Como ele tem sido bem-sucedido!
Alguém observa um efeito negativo produzido pelo uso incorreto dessa doutrina e imediatamente conclui que esse efeito é seu fruto necessário.
Diz:
“Vejam os resultados dessa doutrina!”
Não são resultados naturais da verdade, mas consequências acidentais de seu abuso.
O abuso de uma doutrina bíblica não elimina sua utilidade.
A infidelidade humana não pode anular a fidelidade de Deus.
Deus seja verdadeiro, e toda pessoa, mentirosa.
A Palavra do Senhor permanecerá.
“Fiel é aquele que os chama, o qual também o fará.”
(1Ts 5.24, NAA)
Não sejamos afastados da esperança do evangelho.
II. Como transformar os ataques em crescimento
1. Satanás procura diminuir sua alegria no Senhor lembrando sua pecaminosidade e a necessidade da santidade completa?
Devolva esse dardo contra ele.
Pela graça de Deus, quanto mais você percebe aquilo que ainda precisa ser purificado, mais pode alegrar-se na esperança de que tudo isso será destruído.
Enquanto conserva essa esperança, cada disposição pecaminosa que percebe — e que odeia profundamente — pode aumentar, e não diminuir, sua humilde alegria.
Você pode dizer:
“Isso também desaparecerá diante do Senhor. Assim como a cera derrete diante do fogo, esse pecado será desfeito em sua presença.”
Quanto maior é a transformação que ainda precisa ser realizada, mais você pode triunfar no Deus da salvação, que já fez grandes coisas e ainda fará coisas maiores.
2. Quanto mais intensamente Satanás atacar sua paz com a sugestão:
“Deus é santo, e você é impuro. Está muito distante da santidade sem a qual ninguém verá o Senhor. Como pode estar no favor de Deus? Como pode imaginar que foi justificado?”,
mais firmemente conserve esta verdade:
Não fui recebido por causa de obras de justiça praticadas por mim.
Fui aceito no Filho amado.
Não possuo justiça própria como causa total ou parcial de minha justificação, mas a justiça recebida pela fé em Cristo.
3. Grave essa verdade no coração:
“Sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus.”
(Rm 3.24, NAA)
Valorize cada vez mais a preciosa verdade:
“Pela graça vocês são salvos, mediante a fé.”
(Ef 2.8, NAA)
Admire a graça gratuita de Deus, que amou o mundo e entregou seu Filho para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Assim, a percepção do pecado que ainda precisa ser purificado e a visão da santidade que você espera contribuirão para estabelecer sua paz e fazê-la correr como um rio.
4. Essa paz continuará fluindo apesar das montanhas de impiedade que se tornarão planas quando o Senhor tomar plena posse de seu coração.
A enfermidade, a dor e a aproximação da morte não precisam produzir dúvida ou medo.
Para Deus, um dia, uma hora ou um momento podem ser suficientes para realizar tudo o que ainda precisa ser feito.
Ele não está limitado pelo tempo.
O tempo de Deus é sempre o melhor.
Não viva ansioso. Apresente seus pedidos a Deus, não com dúvida ou medo, mas com ações de graças, sabendo que ele não negará coisa alguma verdadeiramente boa.
5. Quanto mais o inimigo tentar fazê-lo abandonar o escudo da fé e a confiança no amor de Deus, mais firmemente conserve aquilo que recebeu.
Desperte o dom de Deus existente em você.
Nunca abandone a convicção:
“Tenho um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo.”
E:
“Esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.”
(Gl 2.20, NAA)
Que essa seja sua glória e sua coroa de alegria. Não permita que ninguém tome sua coroa.
6. Conserve firmemente a verdade:
“Eu sei que meu Redentor vive.”
E:
“Tenho redenção em seu sangue, o perdão dos pecados.”
Cheio de paz e alegria no ato de crer, prossiga, por meio dessa fé, para a renovação completa de sua alma segundo a imagem daquele que o criou.
Clame continuamente a Deus para que enxergue o prêmio de sua elevada vocação não na forma assustadora apresentada por Satanás, mas em sua verdadeira beleza.
Não o considere apenas como uma obrigação ameaçadora sem a qual será condenado, mas como a mais desejável dádiva das riquezas da misericórdia divina.
7. Quando contempla a santidade dessa maneira, sua fome por ela aumenta.
Toda a alma sente sede de Deus e de conformidade com sua imagem.
Recebendo boa esperança e forte consolação pela graça, você não ficará cansado ou desanimado, mas continuará avançando até alcançar a promessa.
8. Pelo mesmo poder da fé, prossiga para a glória.
Deus uniu desde o princípio o perdão, a santidade e o céu.
Por que as pessoas deveriam separar aquilo que Deus uniu?
Não permita que nenhum elo dessa corrente seja quebrado:
“Deus me perdoou por amor de Cristo.
Agora está renovando-me segundo sua imagem.
Em breve me preparará completamente para sua presença e me receberá diante de sua face.
Eu, justificado pelo sangue do Filho e santificado pelo Espírito, entrarei na Nova Jerusalém, a cidade do Deus vivo.
Chegarei à assembleia dos primogênitos, a Deus, Juiz de todos, e a Jesus, Mediador da nova aliança.
Em breve as sombras desaparecerão e o dia da eternidade nascerá.
Beberei do rio da água da vida que procede do trono de Deus e do Cordeiro.
Seus servos o adorarão, verão sua face, e seu nome estará na testa deles.
Não haverá noite, porque o Senhor Deus os iluminará, e reinarão para todo o sempre.”
9. Caso você experimente a boa Palavra de Deus e os poderes do mundo futuro, não murmurará por ainda não estar plenamente preparado para a herança dos santos na luz.
Em vez de reclamar por não ter sido completamente libertado, louvará a Deus pela libertação já recebida.
Considerará aquilo que ele realizou como garantia do que ainda fará.
Não ficará irritado por ainda não estar inteiramente renovado, mas agradecerá porque certamente será.
Sua salvação completa está agora mais próxima do que quando começou a crer.
10. Em vez de atormentar-se inutilmente porque o tempo ainda não chegou, espere com calma e confiança.
A promessa certamente se cumprirá e não falhará.
Você poderá suportar com maior alegria o peso do pecado que ainda permanece, porque ele não permanecerá para sempre.
Dentro de pouco tempo desaparecerá completamente.
Espere o tempo do Senhor. Seja forte, confie nele, e ele fortalecerá seu coração.
11. Caso veja pessoas que parecem — até onde o julgamento humano consegue alcançar, pois somente Deus conhece o coração — já terem sido aperfeiçoadas no amor, não inveje a graça que receberam.
Alegre-se e seja consolado.
Glorifique a Deus por elas.
Quando um membro é honrado, todos os membros não deveriam alegrar-se?
Em vez de ciúmes e suspeitas, agradeça a Deus por essa confirmação.
Alegre-se por receber nova prova de que Deus é fiel e cumpre suas promessas.
Isso deve estimulá-lo a alcançar aquilo para o que também foi alcançado por Cristo Jesus.
12. Para isso, resgate o tempo.
Utilize bem o momento presente.
Aproveite cada oportunidade para crescer na graça e praticar o bem.
Não permita que a expectativa de receber mais graça amanhã o torne negligente hoje.
Você possui um talento agora. Caso espere receber cinco, utilize com ainda maior cuidado aquele que já recebeu.
Quanto mais espera receber no futuro, mais trabalhe para Deus no presente.
A graça de hoje é suficiente para as responsabilidades de hoje.
13. Deus está derramando seus benefícios sobre você agora.
Demonstre ser administrador fiel da graça presente.
Independentemente do que acontecer amanhã, esforce-se hoje para acrescentar à fé a coragem, o domínio próprio, a paciência, o amor fraternal e o temor de Deus, até alcançar o amor puro e perfeito.
Que essas coisas estejam em você e cresçam.
Não permaneça improdutivo.
Assim lhe será concedida ampla entrada no Reino eterno de nosso Senhor Jesus Cristo.
14. Finalmente, caso no passado você tenha utilizado incorretamente a esperança de ser santo como Deus é santo, não abandone essa esperança.
Abandone o abuso, mas conserve a verdade.
Utilize-a agora para a maior glória de Deus e para o crescimento de sua alma.
Em fé firme, tranquilidade de espírito e plena certeza da esperança, alegrando-se sempre por aquilo que Deus já fez, prossiga para a perfeição.
Cresça diariamente no conhecimento de Jesus Cristo.
Avance de força em força, em submissão, paciência e humilde gratidão por aquilo que já recebeu e por aquilo que ainda receberá.
Corra a carreira que está diante de você, olhando para Jesus, até que, por meio do amor perfeito, entre em sua glória.
Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.