SERMÃO 79
Sobre a dissipação
A dissipação da alma: quando a vida se dispersa e o coração se afasta de Deus.
“Digo isto para o próprio bem de vocês, não para impor limitações, mas tendo em vista o que é decente e para que vocês possam se consagrar ao Senhor, sem distração alguma.”
(1Co 7.35, NAA)Antes de ler
Neste sermão, John Wesley emprega a palavra “dissipação” em sentido mais profundo do que o uso comum. Ele não se refere apenas a uma vida marcada por festas, jogos, bebidas ou prazeres desordenados, mas a toda dispersão interior que retira Deus do centro dos pensamentos, desejos e afetos.
Para Wesley, uma pessoa pode levar uma vida exteriormente séria, respeitável e produtiva e, ainda assim, viver dissipada, caso esteja tão absorvida pelos negócios, estudos, honras ou interesses terrenos que deixe de perceber a presença e a vontade de Deus.
A solução não é abandonar as responsabilidades da vida, mas recuperar a simplicidade de propósito: fazer todas as coisas com os olhos voltados para Deus, mediante uma fé que atua pelo amor.
— Bispo Ildo Mello
Em quase todas as regiões de nossa nação, especialmente nas cidades grandes e populosas, ouvimos pessoas sensatas apresentarem uma queixa geral a respeito da dissipação, que continua aumentando. Observa-se que ela se espalha cada vez mais pela corte, pela cidade e pelo campo. Pela frequência com que essa palavra é mencionada e pelas contínuas condenações dirigidas contra ela, poderíamos naturalmente imaginar que uma expressão tão comum fosse perfeitamente compreendida. Entretanto, podemos duvidar de que realmente seja.
Podemos afirmar com segurança que poucas pessoas que usam frequentemente esse termo compreendem o que ele significa. Uma razão para isso é que, embora a realidade exista há muito tempo entre nós, especialmente desde a época do rei Carlos II — um dos seres humanos mais dissipados que já viveram —, a palavra não existe há tanto tempo. Quase não era ouvida cinquenta anos atrás, nem muito antes do presente reinado.
Ela foi introduzida recentemente. Apesar disso, já está na boca de todos e se tornou desgastada pelo uso, sendo uma das palavras da moda em nossos dias.
Outra razão pela qual é tão pouco compreendida talvez seja que, entre os inúmeros escritores que surgem ao nosso redor, não existe um só — pelo menos entre aqueles que conheço — que tenha publicado sequer um pequeno folheto sobre o assunto. Temos, na verdade, um breve ensaio a respeito dele. Pouquíssimas pessoas, porém, o leram, pois está no meio de um volume de ensaios cujo autor é pouco conhecido no mundo.
Mesmo esse texto está longe de chegar ao fundo da questão. Apenas passa superficialmente pelo assunto e, do princípio ao fim, não oferece sequer uma definição de dissipação, embora eu a tenha procurado cuidadosamente.
Estamos acostumados a falar da dissipação como algo relacionado principalmente, se não exclusivamente, ao comportamento exterior, à maneira de viver. Ela, porém, existe interiormente antes de aparecer exteriormente. Está no coração antes de ser vista na conduta. É necessário existir um espírito dissipado antes que exista uma maneira dissipada de viver. Mas o que é a dissipação do espírito? Essa é a primeira e a principal questão.
Deus criou todas as coisas para si mesmo, especialmente todos os espíritos inteligentes. Na verdade, parece que alguma espécie ou algum grau de inteligência é inseparável dos seres espirituais, assim como a extensão é essencial à matéria. Ele criou esses seres mais diretamente para si mesmo, a fim de que o conhecessem, o amassem e desfrutassem dele.
Assim como o Sol é o centro do sistema solar, também podemos afirmar — até onde é possível comparar as coisas materiais com as espirituais — que Deus é o centro dos espíritos.
Enquanto permanecem unidos a ele, os espíritos criados encontram descanso. Permanecem em descanso enquanto se consagram ao Senhor sem distração, e não além disso.
Essa expressão do apóstolo — deixando de lado, no momento, a situação específica em que foi utilizada — é extremamente peculiar: pros to euprosedron tō Kyriō. A palavra traduzida por “consagrar-se” ou “dedicar-se” significa literalmente “estar assentado em boa posição para ouvir”.
Sem dúvida, Paulo faz alusão a Maria, que estava sentada aos pés do Mestre, ouvindo seus ensinamentos (Lucas 10.39). Enquanto isso, Marta estava ocupada com muitos serviços, distraída e dissipada: periespato. É dessa mesma expressão que Paulo retira a palavra traduzida por “sem distração”.
Assim como os muitos serviços dispersaram os pensamentos de Marta e a distraíram das palavras do Senhor, milhares de coisas que acontecem diariamente tendem a dispersar nossos pensamentos e a nos afastar da voz daquele que fala continuamente ao nosso coração — refiro-me ao coração de todos os que estão dispostos a ouvi-lo.
Estamos cercados por todos os lados de pessoas e coisas que procuram nos afastar de nosso centro. Na verdade, toda criatura, caso não estejamos continuamente vigilantes, nos afastará do Criador.
Todo o mundo visível, tudo aquilo que vemos, ouvimos ou tocamos, todos os objetos dos sentidos ou do entendimento, tendem a dispersar nossos pensamentos para longe do mundo invisível e a desviar nossa mente daquele que é tanto o Autor quanto a finalidade de nosso ser.
Isso acontece com maior facilidade porque todos nós somos, por natureza, atheoi, ateus no mundo. E o somos em grau tão elevado que nada menos do que um poder todo-poderoso pode combater a tendência para a dissipação existente em todo espírito humano, restaurando sua capacidade de prestar atenção a Deus e de fixar-se nele.
Isso não pode acontecer enquanto não nos tornarmos novas criaturas, enquanto não formos novamente criados em Cristo Jesus e enquanto o mesmo poder que criou o mundo não produzir em nós um coração puro e renovar dentro de nós um espírito firme.
Mas quem é renovado dessa maneira? Aquele que crê no nome do Filho de Deus.
Somente aquele que crê no Senhor Jesus Cristo é, desse modo, nascido de Deus. Somente por meio dessa fé é novamente criado em Cristo Jesus ou por intermédio dele, restaurado à imagem de Deus na qual foi criado e novamente centralizado em Deus. Ou, como o apóstolo expressa, torna-se “um só espírito com o Senhor” (1 Coríntios 6.17).
Mesmo então, porém, o crente poderá encontrar dentro de si restos daquela mentalidade carnal, daquela tendência natural para repousar nos bens criados e contentar-se com as coisas visíveis. Sem cuidado contínuo, essa tendência oprimirá sua alma e o afastará do Criador.
Nesse ponto, as pessoas do mundo, aquelas que não conhecem a Deus, sempre se unirão contra ele, algumas vezes intencionalmente e outras talvez sem intenção. O próprio espírito dessas pessoas é contagioso e, imperceptivelmente, transforma o nosso à sua semelhança.
Podemos ter certeza de que o príncipe deste mundo, o diabo, as auxiliará com toda a sua força.
Ele trabalhará com todo o seu poder e, o que é muito mais perigoso, com toda a sua astúcia, procurando afastar-nos da simplicidade para com Cristo, de nossa simples ligação com ele e de nossa união com aquele por meio de quem também estamos unidos ao Pai em um só espírito.
Nada, porém, é mais certo do que isto: embora o inimigo possa tentar o crente mais forte a abandonar sua simplicidade para com Cristo, espalhando seus pensamentos e desejos entre os objetos do mundo, não pode obrigar nem mesmo o mais fraco a fazer isso, porque a graça de Deus continua sendo suficiente para ele.
A mesma graça que inicialmente o uniu a Deus é capaz de conservar essa união feliz, apesar de toda a fúria, força e astúcia do inimigo.
Deus nunca deixou de oferecer testemunhas de seu poder para libertar aqueles que confiam nele, tanto de todas as tentações que podem atacá-los quanto dessa tentação em particular.
Deus ainda possui um pequeno rebanho que, de fato, se consagra a ele sem distração. Apegando-se ao Senhor com firme propósito, essas pessoas não são afastadas dele, nem mesmo por um momento, mas se alegram sempre, oram sem cessar e dão graças em todas as circunstâncias.
Na medida, porém, em que uma pessoa cede a essa tentação, torna-se dissipada. A palavra original significa propriamente dispersar ou espalhar. Assim, o sol dissipa, isto é, dispersa as nuvens; o vento dissipa ou espalha a poeira. Por uma metáfora natural, dizemos que nossos pensamentos estão dissipados quando são espalhados de maneira irregular por toda parte.
Da mesma maneira, nossos desejos ficam dissipados quando se desprendem de Deus, seu verdadeiro centro, e são espalhados entre as pobres, perecíveis e insatisfatórias coisas do mundo.
Na verdade, pode-se dizer de toda pessoa que permanece estranha à graça de Deus que todas as suas paixões estão dissipadas:
Espalhadas por toda a extensão da terra,
Imensuravelmente distantes de Deus.
A distração, no sentido empregado por Paulo, está intimamente relacionada à dissipação ou, mais propriamente, é a mesma coisa. Portanto, consagrar-se ao Senhor sem distração significa dedicar-se a ele sem dissipação.
Sempre que a mente se desprende de Deus, está, nessa mesma medida, dissipada ou distraída. A dissipação, portanto, pode ser definida de maneira geral como “retirar Deus do centro da alma”.
Tudo aquilo que afasta a mente de Deus propriamente nos dissipa.
Com isso, podemos compreender facilmente o significado direto e apropriado da expressão comum “homem dissipado”. É alguém separado de Deus, desligado de seu centro, seja por causa da agitação dos negócios, seja pela busca de honra ou promoção, seja pelo apego às diversões, aos chamados prazeres tolos ou a qualquer insignificância debaixo do sol.
É verdade que o povo geralmente restringe essa descrição àqueles que são violentamente apegados às mulheres, aos jogos e à bebida; às danças, aos bailes, às corridas ou à pobre e infantil diversão de perseguir raposas e lebres até que fiquem exaustas.
Essa descrição, porém, aplica-se igualmente ao tolo sério que se esquece de Deus por dedicar atenção excessiva a qualquer ocupação do mundo, ainda que seja da natureza mais elegante ou importante.
Uma pessoa pode ser tão dissipada para longe de Deus pelo estudo da matemática ou da astronomia quanto pelo apego às cartas ou aos cães de caça.
Todo aquele que vive habitualmente desatento à presença e à vontade do Criador é uma pessoa dissipada.
Também podemos aprender que uma vida dissipada não é apenas a vida do jovem excessivamente enfeitado, do homem afetado, do jogador, do perseguidor de mulheres, do frequentador de teatros, do caçador de raposas ou de qualquer pessoa de mente desordenada.
É igualmente a vida de um estadista respeitável, de um cavalheiro ou de um comerciante que vive “sem Deus no mundo” (Efésios 2.12).
De acordo com isso, uma época dissipada — como talvez seja a presente, acima de todas as épocas anteriores, pelo menos daquelas registradas pela história — é uma época na qual Deus é geralmente esquecido.
Uma nação dissipada — como a Inglaterra é atualmente em grau superlativo — é uma nação na qual a grande maioria das pessoas não tem Deus em nenhum de seus pensamentos.
Uma clara consequência dessas observações — embora alguns possam considerá-la paradoxal — é que a dissipação, no sentido pleno e geral da palavra, é exatamente a mesma coisa que a impiedade.
O nome é novo, mas a realidade é quase tão antiga quanto a própria criação.
Essa é atualmente a glória particular da Inglaterra, na qual nenhuma outra nação debaixo do céu se iguala a ela.
Portanto, dizemos uma verdade incontestável quando afirmamos que não existe sobre a face da terra outra nação — pelo menos entre aquelas de que ouvimos falar — tão perfeitamente dissipada e ímpia; não apenas tão completamente sem Deus no mundo, mas desafiando-o tão abertamente.
Desde Júlio César, desde Noé, desde Adão, não existiu época alguma de que tenhamos lido na história na qual a dissipação ou impiedade prevalecesse tão geralmente, tanto entre os grandes quanto entre os pequenos, entre os ricos e os pobres.
Ainda assim, bendito seja Deus!
Nem todos estão perdidos: existem aqueles que preferem
A fé e a piedade para com Deus!
Existem na Inglaterra, confio, mais do que sete mil, sim, talvez dez vezes esse número, que ainda não dobraram nem os joelhos nem o coração diante do deus deste mundo.
Apegando-se firmemente ao Deus dos céus, não são levados pela inundação, pela corrente geral e quase universal de dissipação ou impiedade.
Eles não possuem a mentalidade do delicado Crispo:
Qui nunquam direxit brachia contra
Torrentem,
“que nunca procurou nadar contra a corrente”.
Eles se atrevem a nadar contra a corrente. Cada um deles pode dizer verdadeiramente:
Nec me, qui caetera, vincit
Impetus, et rapido contrarius evehor orbi.
[Tradução de Addison:
“Eu navego contra o movimento deles e não sou
Arrastado por toda a corrente do céu.”]
Caso não consigam fazer a corrente retroceder, pelo menos podem apresentar um testemunho público contra ela.
Por isso, estão livres do sangue de seus compatriotas ímpios. A culpa cairá sobre a cabeça deles mesmos.
Mas por quais meios podemos evitar ser levados pela corrente transbordante da dissipação? Não é difícil responder a essa pergunta para aqueles que creem nas Escrituras.
Creio verdadeiramente que a Bíblia é a Palavra de Deus. Partindo dessa convicção, respondo: a cura radical de toda dissipação é “a fé que atua pelo amor” (Gálatas 5.6).
Portanto, caso desejem ficar livres dessa enfermidade maligna, primeiramente permaneçam firmes na fé; naquela fé que traz o Espírito de adoção, que clama no coração: “Aba, Pai!”; pela qual podem testemunhar: “Esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gálatas 2.20).
Por meio dessa fé, vocês veem aquele que é invisível e colocam continuamente o Senhor diante de si.
Em seguida, edificando-se na fé santíssima, conservem-se no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna.
Enquanto viverem segundo essa regra, permanecerão acima de toda dissipação.
Como isso concorda exatamente — embora a expressão seja diferente — com a observação do piedoso Tomás de Kempis!
“A simplicidade e a pureza são as duas asas que elevam a alma ao céu. A simplicidade está na intenção; a pureza, no afeto.”
O que é isso senão, na linguagem do apóstolo, a simples “fé que atua pelo amor”? Pela simplicidade, vocês contemplam continuamente a Deus; pela pureza, vocês o amam.
O que é isso senão possuir, como dizia um escritor antigo, “o olhar amoroso da alma fixado em Deus”?
Enquanto a alma permanecer nessa posição, não haverá lugar para a dissipação.
Portanto, foi com grande discernimento que o grande e piedoso bispo Jeremy Taylor, em suas Regras para o viver e o morrer santamente, colocou antes de todas as demais regras aquelas relacionadas à pureza de intenção.
O bispo Warburton, pessoa que não costumava elogiar facilmente, dizia a respeito dele: “Não consigo imaginar que exista sobre a terra um gênio maior do que o doutor Jeremy Taylor.”
E Taylor não possuía a autoridade do próprio Senhor para colocar essa regra em primeiro lugar? Cristo apresenta como princípio universal: “Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz” (Mateus 6.22).
Tenham Deus como único objetivo. Em cada passo que derem, olhem somente para ele. Procurem uma única coisa: a felicidade de conhecer, amar e servir a Deus.
Então a alma de vocês será cheia de luz, cheia da luz da glória de Deus, do seu glorioso amor brilhando sobre vocês na face de Jesus Cristo.
Poderia alguma coisa ajudar mais na santidade universal do que contemplar continuamente a luz de sua glória?
Não é de admirar, portanto, que tantos homens sábios e piedosos tenham recomendado a todos os que desejam ser verdadeiramente religiosos o exercício da presença de Deus.
Ao fazer isso, porém, alguns desses homens santos parecem ter cometido um erro, particularmente um excelente escritor de nosso país, em suas cartas a respeito do Espírito de Oração.
Eles orientam pessoas completamente adormecidas e ainda não convencidas do pecado a praticar esse exercício logo no início de sua vida religiosa. Isso, porém, certamente não deveria ser a primeira coisa, mas uma das últimas.
Essas pessoas deveriam começar pelo arrependimento, pelo conhecimento de si mesmas, de sua pecaminosidade, culpa e incapacidade.
Em seguida, deveriam ser instruídas a buscar a paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.
Somente então deveriam ser ensinadas a conservar aquilo que receberam, a andar na luz do rosto de Deus, sim, a andar na luz, assim como ele está na luz, sem treva alguma, até que o sangue de Jesus Cristo as purifique de todo pecado.
Foi por estar plenamente convencido da absoluta necessidade de o cristão colocar continuamente o Senhor diante de si que um grupo de jovens cavalheiros de Oxford, que muitos anos atrás costumavam passar juntos a maior parte de suas noites, procurando auxiliar uns aos outros a desenvolver a própria salvação, colocou esta pergunta em primeiro lugar em seu plano diário de autoexame:
“Fui simples e recolhido em tudo o que disse ou fiz?”
“Fui simples?”, isto é: coloquei continuamente o Senhor diante de mim e fiz todas as coisas com o único propósito de agradá-lo?
“Fui recolhido?”, isto é: reuni rapidamente meus pensamentos dispersos e recuperei a simplicidade, caso tivesse sido afastado dela por pessoas, demônios ou por meu próprio coração mau?
Por esse meio, foram preservados da dissipação e capacitados, cada um deles, a dizer:
“Pela graça de Deus, uma coisa faço — pelo menos, esse é meu objetivo constante: vejo a Deus, amo a Deus e sirvo a Deus. Glorifico-o com meu corpo e com meu espírito.”
A mesma coisa parece ser indicada por duas palavras incomuns frequentemente encontradas nos escritos dos homens piedosos geralmente chamados de místicos: introversão e extroversão.
“Examinem-se”, diz Paulo aos coríntios e, neles, aos cristãos de todas as épocas. “Ou vocês não reconhecem que Jesus Cristo está em vocês? A não ser que já estejam reprovados” (2 Coríntios 13.5), isto é, sejam incrédulos, incapazes de suportar a prova da Palavra de Deus.
Prestar atenção à voz de Cristo dentro de vocês é aquilo que esses autores chamam de introversão.
Voltar os olhos da mente para longe de Cristo e em direção às coisas exteriores é aquilo que chamam de extroversão.
Por meio desta última, os pensamentos se afastam de Deus, e vocês se tornam propriamente dissipados.
Por meio da introversão, porém, podem permanecer conscientes de sua presença amorosa. Ouvem continuamente aquilo que agrada ao Senhor dizer ao coração.
Caso continuem ouvindo essa voz interior, serão preservados de toda dissipação.
Finalmente, podemos aprender qual julgamento devemos fazer daquela afirmação frequentemente apresentada em defesa da nação inglesa e da época presente: a de que, em todos os demais aspectos, a Inglaterra está no mesmo nível das outras nações, e a época presente, no mesmo nível das épocas anteriores; admite-se apenas que somos mais dissipados do que nossos vizinhos e que esta época é mais dissipada do que as anteriores.
Se isso é admitido, porém, tudo está admitido.
Admite-se que esta nação é pior do que qualquer das nações vizinhas e que esta época é pior, essencialmente pior, do que todas as épocas anteriores.
A dissipação ou impiedade é mãe de todo pecado, de toda injustiça, crueldade, fraude e infidelidade; de toda disposição, palavra ou ação maligna possível. Na realidade, ela contém todas essas coisas.
Tudo o que é impuro, tudo o que possui má reputação, tudo o que é profano; caso exista algum vício, tudo isso está incluído na impiedade geralmente chamada de dissipação.
Portanto, que nenhum amante da virtude e da verdade diga uma só palavra em favor desse monstro. Que nenhum amante da humanidade abra a boca para diminuir sua culpa.
Detestem-na como detestariam o diabo, de quem ela é descendente e semelhante!
Detestem-na como detestariam a extinção de toda virtude e o domínio universal de um espírito terreno, sensual e demoníaco.
Fujam dela como fugiriam — caso o vissem aberto diante de vocês — do lago de fogo que arde com enxofre!
Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.