SERMÃO 94
Sobre a religião familiar
“Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”: a fé vivida dentro de casa.
“Eu e a minha casa serviremos o Senhor.”
(Js 24.15, NAA)Antes de ler
Neste sermão, John Wesley apresenta a família como o primeiro espaço de formação espiritual. A religião familiar não consiste apenas em realizar orações domésticas, mas em criar um ambiente no qual todos sejam conduzidos à fé, ao amor a Deus, ao amor ao próximo e à obediência cristã.
Wesley dirige-se principalmente aos chefes de família segundo a estrutura social da Inglaterra do século XVIII. Por isso, fala de esposa, filhos, empregados domésticos, aprendizes e visitantes. O princípio mais amplo é que todo cristão possui responsabilidade espiritual para com aqueles que estão sob seus cuidados e influência.
Alguns conselhos disciplinares, escolares, conjugais e profissionais refletem diretamente os costumes daquele período. A linguagem relacionada à autoridade dos pais e à correção dos filhos não deve ser usada para justificar violência, humilhação, intimidação ou qualquer forma de abuso. A educação cristã deve ser exercida com amor, segurança, respeito e domínio próprio.
— Bispo Ildo Mello
1. Nos versículos anteriores, lemos que Josué, já idoso, reuniu todas as tribos de Israel em Siquém e convocou os anciãos, os chefes, os juízes e os oficiais de Israel. Todos se apresentaram diante de Deus.
Josué relembrou as grandes coisas que Deus havia feito por seus antepassados e concluiu com esta forte exortação:
“Agora, pois, temam o Senhor e sirvam-no com integridade e fidelidade. Joguem fora os deuses aos quais os pais de vocês serviram além do Eufrates e no Egito e sirvam o Senhor” (Josué 24.14).
Existe algo mais surpreendente do que isto: até mesmo no Egito e no deserto, onde eram diariamente alimentados e guiados dia e noite por milagres, os israelitas, de modo geral, adoravam ídolos em aberta oposição ao Senhor, seu Deus!
Josué prossegue:
“Porém, se não agrada a vocês servir o Senhor, escolham hoje a quem irão servir: se os deuses aos quais os pais de vocês serviram do outro lado do Eufrates ou os deuses dos amorreus em cuja terra vocês estão morando. Eu e a minha casa serviremos o Senhor” (Josué 24.15).
2. Essa decisão era digna de um santo de cabelos brancos, que havia experimentado desde a juventude a bondade do Senhor a quem se consagrara e as vantagens de servi-lo.
Como seria desejável que todos os que provaram que o Senhor é bondoso, todos aqueles que ele retirou da terra do Egito, da escravidão do pecado — especialmente aqueles que estão unidos em comunhão cristã —, adotassem essa sábia decisão!
Então, a obra do Senhor prosperaria em nossa terra. Sua Palavra se espalharia e seria glorificada. Multidões de pecadores, em todos os lugares, estenderiam as mãos para Deus, até que a glória do Senhor cobrisse a terra como as águas cobrem o mar.
3. Qual será, porém, a consequência caso não adotem essa decisão; caso a religião familiar seja negligenciada e não se cuide da nova geração?
O atual avivamento religioso não desaparecerá em pouco tempo? Não será, como disse um historiador a respeito da nascente república romana, res unius aetatis, “um acontecimento que começa e termina dentro de uma única geração”?
Não confirmará a melancólica observação de Lutero: “Um avivamento religioso raramente dura mais de uma geração”? Por geração, como ele próprio explicou, entendia um período de trinta anos.
Bendito seja Deus, porém, porque essa observação não se aplica inteiramente ao presente caso. Este avivamento, iniciado em 1729, já permanece há mais de cinquenta anos.
4. Não observamos, porém, algumas consequências tristes do fato de pessoas boas não adotarem essa decisão?
Não surgiu, mesmo durante esse período e até mesmo entre filhos de pais piedosos, uma geração que não conhece o Senhor, não possui seu amor no coração nem seu temor diante dos olhos?
Quantos desprezam o conselho dos pais e zombam da orientação das mães! Quantos são inteiramente estranhos à verdadeira religião, à sua vida e ao seu poder!
Não poucos abandonaram toda religião e entregaram-se a diversas espécies de maldade.
É verdade que isso poderá acontecer algumas vezes até mesmo com filhos cuidadosamente educados na piedade. Conheci alguns exemplos, mas não muitos.
Geralmente, a maldade dos filhos decorre de algum erro ou negligência dos pais. Esta é uma regra geral, embora não universal e sujeita a algumas exceções:
“Ensine a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele” (Provérbios 22.6).
5. Qual é, porém, o significado desta decisão: “Eu e a minha casa serviremos o Senhor”?
Para compreendê-la e praticá-la, consideraremos:
I. O que significa servir ao Senhor;
II. Quem está incluído na expressão “a minha casa”;
III. O que podemos fazer para que nós e nossa casa sirvamos ao Senhor.
1. Perguntemos, primeiramente, o que significa “servir ao Senhor”, não simplesmente como judeu, mas como cristão; não apenas mediante um serviço exterior — embora alguns judeus tenham avançado além disso —, mas com o serviço interior do coração, adorando-o “em espírito e em verdade” (João 4.24).
A primeira coisa incluída nesse serviço é a fé: crer no nome do Filho de Deus.
Não podemos prestar serviço aceitável a Deus antes de crermos em Jesus Cristo, a quem ele enviou. É aqui que começa a adoração espiritual.
Assim que alguém possui esse testemunho em si mesmo e pode dizer:
“Esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gálatas 2.20),
torna-se realmente capaz de servir ao Senhor.
2. Assim que uma pessoa crê, ama a Deus. Isso também está incluído em servir ao Senhor.
“Nós amamos porque ele nos amou primeiro” (1 João 4.19), e a fé é a evidência desse amor.
O amor do Deus que perdoa é derramado no coração pelo Espírito Santo que nos foi concedido.
Esse amor admite milhares de graus. Entretanto, todo aquele que crê pode dizer sinceramente diante de Deus:
“Senhor, tu sabes que eu te amo. Sabes que meu desejo está em ti e na lembrança do teu nome.”
3. Caso alguém ame verdadeiramente a Deus, não poderá deixar de amar também seu irmão.
A gratidão ao Criador certamente produzirá benevolência para com as demais criaturas.
Caso amemos a Deus, necessariamente amaremos uns aos outros, assim como Cristo nos amou.
Nossa alma se amplia em amor por todo filho dos seres humanos. Para com todos os filhos de Deus, revestimo-nos de compaixão, bondade, mansidão e paciência, perdoando uns aos outros sempre que existir alguma queixa, assim como Deus nos perdoou em Cristo.
4. Mais uma coisa está incluída em servir ao Senhor: obedecer-lhe, andar constantemente em seus caminhos e cumprir de coração sua vontade.
É ser semelhante aos servos celestiais que fazem a vontade de Deus; guardar cuidadosamente seus mandamentos, evitar tudo aquilo que proibiu e praticar com zelo tudo aquilo que ordenou.
É procurar sempre conservar uma consciência sem ofensa diante de Deus e das pessoas.
“Eu e a minha casa serviremos o Senhor”, dirá todo verdadeiro cristão. Quem está incluído na expressão “a minha casa”?
1. A pessoa de sua casa que exige sua primeira e mais próxima atenção é, sem dúvida, sua esposa.
Você deve amá-la como Cristo amou a Igreja e entregou-se por ela, para santificá-la e apresentá-la a si mesmo sem mancha, ruga ou coisa semelhante.
Esse é o propósito que todo marido deve procurar em seu relacionamento com a esposa: utilizar todos os meios legítimos para que ela seja fortalecida em santidade e ande de maneira irrepreensível no amor.
2. Depois da esposa, encontram-se os filhos: espíritos imortais que Deus confiou temporariamente ao cuidado de vocês, para que sejam formados em santidade e preparados para desfrutar de Deus na eternidade.
Essa é uma responsabilidade gloriosa e profundamente importante, pois uma única alma vale mais do que todo o mundo.
Cada filho, portanto, deve ser acompanhado com o máximo cuidado, para que, quando vocês forem chamados a prestar contas de cada um ao Pai dos espíritos, possam fazê-lo com alegria, e não com tristeza.
3. Os empregados, qualquer que seja a função deles, devem ser considerados, em certa medida, como filhos secundários. Deus também os colocou sob seus cuidados, como pessoas que prestarão contas.
Todo aquele que permanece debaixo de seu teto e possui uma alma a ser salva está, em alguma medida, sob sua responsabilidade.
Isso não inclui apenas os aprendizes contratados por determinado número de anos, nem somente os empregados que permanecem por períodos maiores ou menores, mas também aqueles que trabalham semanal ou diariamente.
Eles também foram, em certa medida, colocados em suas mãos.
Não é vontade de seu Senhor celestial que algum deles deixe sua casa sem ter recebido de você alguma coisa mais valiosa do que ouro ou prata.
Em alguma medida, vocês são responsáveis até mesmo pelo “estrangeiro que está dentro dos seus portões”.
Assim como eram especialmente obrigados, segundo a antiga aliança, a impedir que trabalhasse no dia do Senhor enquanto permanecesse em sua casa, pela mesma razão devem fazer tudo ao seu alcance para ajudá-lo a não pecar contra Deus em qualquer outra questão.
Perguntemos, em terceiro lugar, o que podemos fazer para que todas essas pessoas sirvam ao Senhor.
1. Primeiramente, não devemos procurar impedi-las de praticar pecados exteriores?
Devemos procurar afastá-las da linguagem profana, do uso irreverente do nome de Deus, do trabalho desnecessário e das diversões impróprias no dia do Senhor.
Esse trabalho de amor é devido até mesmo aos visitantes e, com maior razão, à esposa, aos filhos e aos empregados.
Aos visitantes, sobre os quais possuímos menor influência, podemos orientar por meio de argumentos e persuasão bondosa.
Caso, depois de repetidas tentativas, insistam em desrespeitar deliberadamente as convicções e a ordem espiritual de sua casa, será necessário limitar a convivência, deixando de lado uma cortesia que coloque a família em prejuízo.
Quanto aos empregados, caso não possam ser orientados mediante exemplo, diálogo e repreensão apropriada, talvez seja necessário encerrar a relação de trabalho, ainda que isso produza inconvenientes.
2. A esposa, porém, não pode ser dispensada, exceto por adultério.
O que poderá ser feito caso ela esteja habituada a algum outro pecado evidente?
Não encontro na Bíblia autorização para que o marido agrida sua esposa por qualquer razão. Mesmo que ela o agrida primeiro, ele somente pode proteger-se quando sua vida estiver em perigo imediato.
Nunca conheci um único caso em que a violência de um marido tenha tornado sua esposa melhor.
Tudo aquilo que pode ser feito deve ser realizado, em parte, pelo exemplo e, em parte, pelo diálogo e pela persuasão, aplicados segundo a prudência cristã.
Caso o mal possa ser vencido, deverá ser vencido pelo bem. Não pode ser vencido pelo próprio mal. Não podemos combater o diabo com as armas dele.
Caso o mal não seja vencido pelo bem, somos chamados a suportá-lo e dizer:
“Esta é a cruz que Deus permitiu para mim. Certamente, ele a permite por sábios propósitos. Que faça aquilo que lhe parecer bom. Quando considerar melhor, afastará de mim este cálice.”
Enquanto isso, continuem em oração sincera, sabendo que nada é impossível para Deus. No tempo apropriado, ele afastará a provação ou a transformará em bênção para sua alma.
3. Enquanto os filhos são jovens, podemos afastá-los do mal não apenas por conselhos, persuasão e repreensão, mas também por uma disciplina coerente.
Esse recurso deve ser utilizado somente depois que os meios mais suaves tiverem sido empregados e não tiverem produzido efeito.
Mesmo então, deve-se evitar completamente a ira, a humilhação e a violência. Tudo deve ser realizado com serenidade, bondade e domínio próprio. Caso contrário, o espírito dos pais será prejudicado, e os filhos receberão pouco benefício.
4. Em segundo lugar, procurem estabelecer a adoração a Deus em sua casa.
Realizem diariamente a oração familiar. Separem uma parte do tempo, pela manhã e à noite, para que todos os membros da casa se reúnam diante de Deus.
Leiam uma parte das Escrituras que possa ser compreendida por todos. Acrescentem palavras de explicação quando forem necessárias.
Depois, unam-se em oração, apresentando a Deus as necessidades da família, agradecendo pelas misericórdias recebidas e intercedendo uns pelos outros.
5. Cuidem para que a oração familiar não se transforme numa forma vazia e sem vida.
Não leiam apressadamente palavras que ninguém acompanha ou compreende.
Orem de maneira simples, clara e sincera. Não permitam que o serviço seja excessivamente longo, especialmente quando existem crianças pequenas.
O objetivo não é cansar a família, mas conduzi-la à presença de Deus.
6. Procurem especialmente ensinar os filhos desde cedo, de maneira simples, frequente e paciente.
Ensinem-nos cedo, desde a primeira ocasião em que perceberem o início do raciocínio.
A verdade pode começar a iluminar a mente muito antes daquilo que geralmente imaginamos.
Aquele que observa cuidadosamente as primeiras manifestações da compreensão poderá, pouco a pouco, oferecer assuntos apropriados para que a mente trabalhe e dirigir os olhos da criança para coisas boas, em vez de deixá-los presos apenas ao mal ou às coisas insignificantes.
Assim que uma criança começa a falar, podemos concluir que o raciocínio começou a funcionar.
Não conheço razão para que os pais não comecem então a falar das melhores coisas, das coisas de Deus.
A partir desse período, nenhuma oportunidade deveria ser perdida de transmitir as verdades que a criança já seja capaz de receber.
7. Falar cedo, porém, não produzirá benefício caso não falem de maneira clara.
Utilizem palavras que as crianças pequenas possam compreender, palavras semelhantes àquelas que elas próprias utilizam.
Observem cuidadosamente as poucas ideias que já possuem e procurem ligar a essas ideias aquilo que desejam ensinar.
Por exemplo, digam à criança que olhe para cima e perguntem:
“O que você está vendo?”
“O Sol.”
“Veja como é brilhante! Sinta como aquece sua mão! Observe como ajuda a grama a crescer. Deus, embora você não possa vê-lo, está acima de tudo isso e é muito mais glorioso do que o Sol. Foi Deus quem criou a grama e as flores, quem faz as árvores ficarem verdes e produzirem frutos. Pense no poder dele! Ele pode realizar tudo aquilo que desejar. E ele ama você; deseja fazer-lhe o bem.”
Desse modo, adaptem suas palavras à capacidade da criança.
8. Ensinem com frequência.
Não imaginem que seja suficiente falar uma ou duas vezes.
A impressão desaparecerá rapidamente, a menos que seja renovada.
Repitam as mesmas verdades em ocasiões diferentes e de diversas maneiras, utilizando tudo aquilo que a criança vê e ouve como ocasião para falar sobre Deus.
9. Ensinem de maneira paciente.
Não fiquem desanimados porque a criança compreende lentamente ou esquece depressa.
Não se irritem por precisarem repetir muitas vezes a mesma coisa.
Lembrem-se de quanto tempo Deus precisou suportar a ignorância e a lentidão de vocês.
10. Ensinar cedo, claramente e com frequência não adiantará, a menos que perseverem.
Nunca abandonem nem interrompam esse trabalho de amor antes de verem seu fruto.
Para isso, perceberão a necessidade absoluta de serem revestidos do poder do alto. Sem esse poder, ninguém possuirá paciência suficiente para a tarefa.
A lentidão de algumas crianças, a instabilidade de outras e a resistência de outras poderiam levar os pais a desistir e permitir que seguissem as próprias inclinações.
11. Suponham que, depois de tudo isso — depois de ensinarem os filhos desde a infância, da maneira mais clara possível, sem perder oportunidades e perseverando —, ainda não vejam imediatamente algum fruto.
Não concluam que nunca haverá resultado.
Talvez o pão lançado sobre as águas seja encontrado depois de muitos dias. A semente que permaneceu durante muito tempo escondida no solo poderá finalmente brotar e produzir abundante colheita.
Especialmente caso não deixem de orar por eles diante de Deus e permaneçam firmes em súplicas.
Independentemente do efeito produzido nos outros, sua recompensa permanece com o Altíssimo.
12. Muitos pais, por outro lado, veem rapidamente o fruto da semente lançada e possuem o consolo de observar que seus filhos crescem na graça à medida que crescem em idade.
Mesmo assim, ainda não concluíram sua tarefa. Outra responsabilidade permanece e, algumas vezes, apresenta grande dificuldade.
Os filhos já alcançaram a idade de frequentar a escola. Para qual escola deveriam ser enviados?
13. Lembrem-se de que não estou falando ao mundo desatento, superficial e irrefletido, mas àqueles que temem a Deus.
Pergunto, portanto: com qual finalidade enviam seus filhos à escola?
“Para que estejam preparados para viver no mundo.”
Em qual mundo: neste ou no futuro?
Talvez tenham pensado somente neste mundo e se esquecido de que existe outro, que permanecerá eternamente.
Incluam isso em sua decisão. Enviem-nos a professores que mantenham essa realidade continuamente diante deles.
14. Não é recomendável enviar crianças para ambientes nos quais a religião seja desprezada ou completamente ignorada.
Que benefício existe em aprender línguas, ciências ou boas maneiras, caso percam a simplicidade, a pureza e o temor de Deus?
Uma criança bem-intencionada poderá ser facilmente corrompida por um grande grupo no qual ninguém pensa na salvação da própria alma e toda a conversa aponta para outra direção.
Wesley faz aqui uma comparação severa entre certos grandes internatos de sua época e ambientes moralmente degradados, expressando sua profunda desconfiança de instituições nas quais não existia acompanhamento individual nem formação cristã.
15. “Onde, então, enviarei minhas filhas?”
Caso não possam educá-las pessoalmente — como minha mãe fez, conduzindo sete filhas até a idade adulta —, enviem-nas a uma professora que verdadeiramente tema a Deus; cuja vida sirva de exemplo às alunas e que não possua tantas estudantes a ponto de ficar impossibilitada de acompanhar cada uma como quem prestará contas a Deus.
Quarenta anos atrás, eu não conhecia na Inglaterra uma professora dessa espécie. Hoje, porém, existem várias escolas e professoras assim.
16. Suponhamos agora que os filhos já tenham permanecido o tempo suficiente na escola e vocês estejam pensando numa profissão para eles.
Antes de decidir, cuidem para que seus olhos estejam voltados unicamente para Deus.
Seu propósito é agradá-lo?
Caso temam ou amem a Deus, esta será sua primeira consideração:
“Em qual profissão meu filho terá maior possibilidade de amar e servir a Deus? Em qual atividade possuirá melhores oportunidades de acumular tesouros no céu?”
Fico profundamente entristecido ao observar como isso é pouco considerado até mesmo por pais piedosos.
Eles pensam apenas em como o filho poderá ganhar mais dinheiro, e não em como poderá alcançar maior santidade.
Por esse motivo, enviam-no a um empregador sem fé e a uma casa na qual não existe nem sequer a forma exterior da religião, muito menos seu poder.
Colocam-no numa profissão que inevitavelmente o expõe a tentações tão fortes que poderá tornar extremamente difícil seu serviço a Deus.
Que crueldade espiritual, caso realmente acreditem que existe outro mundo!
“Mas o que devo fazer?”
Coloque Deus diante dos olhos e realize todas as coisas para agradá-lo.
Procure um profissional, qualquer que seja sua atividade, que ame ou pelo menos tema a Deus, e uma família na qual exista ao menos a forma da religião.
Seu filho ainda poderá escolher servir ao pecado, mas provavelmente não o fará.
Não se preocupe caso ganhe menos dinheiro, desde que alcance maior santidade.
É suficiente possuir menos bens terrenos, caso alcance a herança celestial.
17. Existe ainda outra situação na qual precisarão especialmente da sabedoria do alto.
O filho ou a filha alcançou a idade de casar-se e pede seu conselho.
Vocês sabem aquilo que o mundo chama de “bom casamento”: aquele no qual se obtém muito dinheiro.
Seria realmente um bom casamento caso fosse verdade que o dinheiro sempre produz felicidade. Duvido, porém, profundamente disso. O dinheiro raramente traz felicidade, seja neste mundo, seja no futuro.
Não permitam que alguém os engane com palavras vazias. Riqueza e felicidade raramente habitam juntas.
Portanto, caso sejam sábios, não procurarão enriquecer seus filhos por meio do casamento.
Mantenham os olhos voltados unicamente para Deus. Procurem somente sua glória e a verdadeira felicidade dos filhos, tanto no tempo quanto na eternidade.
É lamentável observar pais cristãos alegrando-se porque entregaram o filho ou a filha a uma pessoa rica, mas sem temor de Deus, e chamarem isso de bom casamento.
Aprendam uma lição melhor com um Mestre melhor:
“Busquem em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça”, tanto para vocês quanto para seus filhos, “e todas estas coisas lhes serão acrescentadas” (Mateus 6.33).
18. Caso estejam firmemente decididos a andar nesse caminho e a empregar todos os meios possíveis para que vocês e sua casa sirvam ao Senhor; caso desejem que todos os membros da família o adorem não somente por meio de formas, mas em espírito e em verdade, precisarão utilizar toda a graça, coragem e sabedoria concedidas por Deus.
Encontrarão obstáculos que somente o poderoso poder divino poderá capacitá-los a vencer.
Precisarão enfrentar até mesmo pessoas religiosas que julgarão que vocês estão indo longe demais.
Todas as forças das trevas se colocarão contra vocês, empregando violência e engano.
Acima de tudo, enfrentarão a falsidade do próprio coração, que, caso seja ouvido, apresentará inúmeras razões para que se conformem um pouco mais com o mundo.
Mas, assim como começaram, prossigam em nome do Senhor e na força de seu poder!
Desafiem o mundo, quando sorri e quando ameaça, juntamente com o príncipe deste mundo.
Sigam a razão iluminada e os oráculos de Deus, e não as modas e os costumes humanos.
“Conserve-se puro.”
Independentemente daquilo que os outros façam, que vocês e sua casa adornem a doutrina de Deus, nosso Salvador.
Que vocês, seu cônjuge, seus filhos e todos os que trabalham com vocês permaneçam do lado do Senhor, caminhando juntos sob o mesmo jugo, em todos os seus mandamentos e ordenanças, até que cada pessoa receba a recompensa correspondente ao seu trabalho!
Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.