SERMÃO 118
Sobre o olhar simples
“Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz” — o olhar simples: uma só intenção, voltada inteiramente para Deus.
“Os olhos são a lâmpada do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Se, porém, os seus olhos forem maus, todo o seu corpo estará em trevas.”
(Mt 6.22-23, NAA)Antes de ler
A expressão inglesa single eye indica olhar simples, íntegro ou concentrado numa única finalidade. Wesley interpreta o “olho” como a intenção que orienta a alma. Quando a pessoa procura somente a glória de Deus, toda a vida recebe luz; quando procura felicidade nas criaturas, nas riquezas, no reconhecimento ou nas vantagens sociais, toda a vida fica em trevas.
O sermão contém linguagem extremamente severa a respeito de pais que escolhiam o casamento dos filhos por razões econômicas, jovens que se casavam visando riqueza e ministros que buscavam prestígio. No século XVIII, casamentos frequentemente eram negociados pelas famílias e estavam ligados à posição social e ao patrimônio. Wesley reage contra essa prática com o vocabulário escatológico de sua época.
A aplicação atual deve respeitar a liberdade e a maturidade das pessoas envolvidas. A família pode aconselhar, mas não controlar ou impor um relacionamento. A fé não deve ser utilizada para justificar coerção, abuso espiritual ou julgamento precipitado. O princípio central é examinar se nossas decisões são governadas pelo amor a Deus, pela santidade e pelo bem verdadeiro das pessoas ou por dinheiro, aparência e prestígio.
— Bispo Ildo Mello
1. “A simplicidade e a pureza”, afirma um homem piedoso, “são as duas asas que elevam a alma ao céu: a simplicidade, que está na intenção, e a pureza, que está nas afeições.” O grande e bondoso bispo Jeremy Taylor recomenda a primeira delas com muita seriedade no início de seu excelente livro Regras para Viver e Morrer Santamente. Começa insistindo nesse ponto como o primeiro elemento da verdadeira religião e advertindo que, sem ele, todos os esforços serão inúteis e sem efeito.
A mesma verdade é fortemente destacada pelo vigoroso e elegante escritor senhor Law em seu Chamado Sério para uma Vida Piedosa, tratado que dificilmente será superado ou mesmo igualado em língua inglesa, tanto pela beleza da expressão quanto pela correção e profundidade do pensamento. Quem poderia censurar algum seguidor de Cristo por atribuir grande importância a esse ponto, considerando a maneira pela qual nosso Mestre o recomenda nas palavras citadas?
2. Consideremos atentamente toda a passagem, como poderia ser traduzida literalmente: “O olho é a lâmpada do corpo.” Aquilo que o olho representa para o corpo, a intenção representa para a alma. Observemos como nosso Senhor coloca, com perfeita propriedade, a simplicidade de intenção entre os desejos mundanos e as preocupações mundanas, ambos com tendência direta para destruí-la.
Ele prossegue: “Se o seu olho for simples”, fixado exclusivamente em Deus, “todo o seu corpo”, isto é, toda a sua alma, “será cheio de luz”, preenchido de santidade e felicidade. “Se, porém, o seu olho for mau”, isto é, não for simples, procurando outro objeto ou alguma coisa debaixo do Sol, “todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que existe em você são trevas, que grandes trevas serão!” Como estará distante não somente de todo conhecimento verdadeiro, mas também da santidade e da felicidade!
3. Considerando essas coisas, podemos clamar: “Como é grandioso ser cristão; ser cristão verdadeiro, interior e bíblico, conformado no coração e na vida à vontade de Deus! Quem é suficiente para essas coisas?” Ninguém, a menos que tenha nascido de Deus. Não me surpreendo que um dos deístas mais sensatos tenha afirmado: “Considero a Bíblia o melhor livro que li durante toda a vida. Possuo, porém, objeção insuperável contra ela: é boa demais. Apresenta plano de vida e sistema de doutrina e prática excelentes demais para que seres humanos fracos e insensatos procurem alcançá-los ou copiá-los.”
Tudo isso seria verdadeiro segundo qualquer hipótese que não fosse a bíblica. Admitindo-se, porém, a hipótese bíblica, toda a dificuldade desaparece. Caso “todas as coisas sejam possíveis para Deus”, então todas as coisas são possíveis àquele que crê.
4. Consideremos, primeiramente, a primeira parte da declaração de nosso Senhor: “Se o seu olho for simples, todo o seu corpo será cheio de luz”; em segundo lugar, a parte seguinte: “Se o seu olho for mau, todo o seu corpo será cheio de trevas”; e, em terceiro lugar, a terrível condição daqueles cujo olho não é simples: “Se a luz que existe em você são trevas, que grandes trevas serão!”
1. Primeiramente, “se o seu olho for simples, todo o seu corpo será cheio de luz”. Caso seu olho seja simples; caso Deus esteja em todos os seus pensamentos; caso procure continuamente aquele que é invisível; caso sua intenção em todas as coisas, pequenas ou grandes, em toda a sua conduta, seja agradar a Deus, não fazer a própria vontade, mas a vontade daquele que o enviou ao mundo; caso possa dizer, não a alguma criatura, mas àquele que o criou para si mesmo:
Contemplo-te, Senhor, Finalidade de meus desejos,
então a promessa certamente se cumprirá: “Todo o seu corpo será cheio de luz.” Toda a sua alma será preenchida pela luz do céu, pela glória do Senhor repousando sobre você. Em todas as ações e em toda a sua conduta, possuirá não apenas o testemunho de uma boa consciência diante de Deus, mas também o testemunho do Espírito divino, confirmando ao seu espírito que todos os seus caminhos lhe são agradáveis.
2. Quando toda a alma estiver cheia dessa luz, você será capaz, conforme a orientação de Paulo aos tessalonicenses, de “alegrar-se sempre, orar sem cessar e dar graças em todas as circunstâncias”. Quem poderá perceber continuamente a presença amorosa de Deus sem se alegrar sempre? Quem poderá conservar o olhar amoroso da alma continuamente fixo em Deus sem orar sem cessar? Seu coração fala com Deus sem voz, e seu silêncio conversa com ele. Quem poderá perceber que o Pai amoroso está satisfeito com tudo aquilo que realiza e sofre sem ser constrangido a agradecer em todas as circunstâncias, sabendo que todas as coisas cooperam para o bem?
3. Assim, “todo o seu corpo será cheio de luz”. Sem dúvida, a luz do conhecimento também está incluída aqui. Ela procede “da unção que vem do Santo, permanece nele e o ensina a respeito de todas as coisas”, isto é, de tudo aquilo que precisa conhecer atualmente para agradar a Deus. Por meio dela, possuirá conhecimento claro da vontade divina em todas as circunstâncias da vida. Isso não acontece sem a utilização dos meios, mas mediante todos os meios que Deus colocou à sua disposição. Caminhando nessa luz, necessariamente crescerá “na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo”. Avançará continuamente em toda santidade e em toda a imagem de Deus.
1. Nosso Senhor observa, em segundo lugar: “Se o seu olho for mau, todo o seu corpo será cheio de trevas.” Caso seja mau, isto é, não seja simples — pois o olho que não é simples é mau —, “todo o seu corpo será cheio de trevas”. Certamente, não pode existir meio-termo entre o olhar simples e o olhar mau. Sempre que não procuramos Deus, procuramos felicidade em alguma criatura. Independentemente de qual seja essa criatura, isso constitui idolatria.
Não existe diferença entre procurar os prazeres dos sentidos, os prazeres da imaginação, o elogio das pessoas ou as riquezas. João reúne todas essas coisas sob a expressão geral “amor ao mundo”. O olhar é mau quando procura alguma delas ou, na realidade, qualquer coisa debaixo do Sol. Na medida em que busca alguma coisa inferior a Deus, toda a alma e todo o curso da vida ficam cheios de trevas.
A ignorância a respeito de si mesmo, de seu verdadeiro interesse e de seu relacionamento com Deus o cercará de nuvens impenetráveis, trevas que podem ser sentidas. Enquanto o olhar de sua alma permanecer fixado em alguma dessas coisas, elas continuarão envolvendo sua alma e cobrindo-a de completa escuridão.
2. Quantos exemplos dessa triste verdade nos cercam: aqueles cujo olhar não é simples ignoram completamente a natureza da verdadeira religião! Quantas pessoas consideradas boas, de vida exteriormente inocente, são tão ignorantes a respeito de si mesmas, de Deus e da adoração em espírito e em verdade quanto pessoas que nunca ouviram o evangelho! Apesar disso, não lhes falta entendimento natural. Algumas aperfeiçoaram suas capacidades naturais por meio de educação liberal e acumularam grande quantidade de conhecimento profundo e variado.
Apesar disso, permanecem inteiramente ignorantes a respeito de Deus e das coisas divinas! Como desconhecem os mundos invisível e eterno! Por que continuam nessa lamentável ignorância? A razão evidente é que seu olhar não é simples. Não procuram Deus; ele não se encontra em todos os seus pensamentos. Não desejam nem consideram o céu e, por isso, afundam cada vez mais.
3. Pela mesma razão, encontram-se tão distantes da santidade verdadeira quanto do conhecimento valioso. Como seu olhar não é simples, permanecem estranhas à religião viva. Ainda que sejam altamente instruídas, profundamente conhecedoras de todas as áreas da literatura, corteses e humanitárias, caso seu olhar não esteja exclusivamente fixado em Deus, nada podem conhecer da religião bíblica.
Nem sequer sabem o significado da santidade cristã ou de sua porta de entrada, o novo nascimento, com todas as circunstâncias que o acompanham. Não conhecem essas coisas mais do que os animais do campo. Arrependem-se e creem no evangelho? Quanto menos são “renovadas no espírito da mente” segundo a imagem daquele que as criou! Como não possuem qualquer experiência disso, também não possuem concepção alguma.
Caso você mencione semelhante realidade, poderá ouvir: “Muita religião deixou você louco.” Quaisquer que sejam suas demais capacidades, estão destituídas da única religião que possui valor diante de Deus.
4. Enquanto seu olhar não for simples, estarão tão distantes da felicidade quanto da santidade. Poderão experimentar ocasionalmente sonhos agradáveis procedentes:
Da riqueza, honra, prazer ou qualquer coisa Que este mundo passageiro possa oferecer.
Nenhuma dessas coisas, porém, poderá satisfazer o apetite da alma. Nem todas elas reunidas poderão oferecer descanso — o menor ingrediente da felicidade — a um espírito que Deus criou para desfrutá-lo.
A alma faminta, como abelha ocupada, passa de flor em flor, mas abandona cada uma com esperança frustrada e expectativa enganada. Toda criatura clama, algumas em voz alta e outras silenciosamente: “A felicidade não está em mim.” A altura e a profundidade proclamam ao ouvido atento: “O Criador não colocou em mim a capacidade de oferecer felicidade. Portanto, apesar de toda sua habilidade e de todos os esforços, você não conseguirá extraí-la de mim.” Quanto mais os filhos dos seres humanos procuram extrair felicidade de algum objeto terreno, maior será sua frustração e mais segura sua decepção.
5. “Embora a maioria da humanidade não encontre felicidade e ela não possa ser encontrada nos prazeres vazios do mundo, não poderia ser encontrada no conhecimento por aquele que não possui olhar simples? Certamente:
O contentamento precisa proceder da ciência, Pois conhecer é atributo semelhante ao divino.”
De modo algum. Pelo contrário, tem sido observação de todas as gerações que os homens de maior conhecimento frequentemente se encontram entre os mais insatisfeitos. Isso levou pessoa de extraordinário conhecimento a declarar: “Um insensato poderá encontrar alguma espécie de paraíso na terra” — embora até isso constitua grande engano —, “mas o sábio não encontrará nenhum.” Estes costumam ser os mais descontentes e impacientes.
O conhecimento naturalmente produz esse efeito: “O conhecimento”, como observa o apóstolo, “incha de orgulho.” Onde existe orgulho, não existe felicidade; as duas coisas são inteiramente incompatíveis. Por isso, quando não existe verdadeira religião, há razão suficiente para esta triste reflexão:
Que vantagem existe, ó Razão, em ser sábia? Enxergar esta cena triste com olhos mais rápidos, Conhecer com maior clareza aquilo de que reclamar E possuir percepção superior para sentir a dor?
1. Resta considerar, em terceiro lugar, a importante pergunta de nosso Senhor: “Se a luz que existe em você são trevas, que grandes trevas serão!” O significado é claro: caso o princípio que deveria oferecer luz a toda a alma, assim como o olho oferece luz ao corpo; que deveria orientar seu entendimento, paixões, afeições e disposições, todos os pensamentos, palavras e ações; caso esse próprio princípio esteja obscurecido, dirigido de maneira errada e chame as trevas de luz, como serão grandes as trevas e terríveis os seus efeitos!
2. Para percebermos isso com maior clareza, consideremos alguns exemplos específicos. Comecemos com situação muito importante: um pai escolhe a profissão do filho. Caso seu olhar não seja simples; caso não procure exclusivamente a glória de Deus e a salvação da alma do filho; caso sua única consideração não seja qual profissão provavelmente o conduzirá ao maior crescimento na santidade, e sim qual proporcionará maior riqueza terrena ou promoção eclesiástica, a luz que existe nele evidentemente são trevas. Como são grandes essas trevas! Não se encontra num erro pequeno, mas indescritivelmente grave.
Você não preferiria que seu filho fosse sapateiro na terra e santo glorioso no céu, em vez de senhor poderoso na terra e condenado na eternidade? Caso contrário, como são grandes e indescritíveis as trevas que cobrem sua alma! Que insensatez considerar um palácio na terra superior a um trono no céu! Como está obscurecido o entendimento daquele que, para conquistar para o filho a honra procedente das pessoas, coloca-o no caminho da vergonha eterna!
3. Não posso abandonar ainda esse assunto, pois possui a maior importância. Como são grandes as trevas daquela pessoa — rica ou pobre — que vende a própria filha e troca sua felicidade eterna por alguma quantidade de ouro ou prata! Como seria considerada monstruosa a pessoa que devorasse a própria descendência! Não seria igualmente grave entregar deliberadamente o filho ou a filha a um relacionamento destrutivo, escolhendo para ele ou ela alguém que não possui temor de Deus simplesmente porque possui dinheiro?
“Mas ele é rico e possui dez mil libras!” E caso possuísse cem mil? O perigo poderia ser ainda maior e menor a probabilidade de escapar das armadilhas espirituais da riqueza. Como você enfrentaria a acusação da própria filha caso ela dissesse: “Você me conduziu a esta condição. Caso tivesse considerado primeiramente o caráter e a fé, e não a riqueza, meu caminho poderia ter sido diferente. Que benefício o dinheiro me proporcionou?”
4. Existem entre aqueles chamados metodistas pessoas que demonstram semelhante “misericórdia” aos filhos? Procuram casá-los bem — segundo a expressão comum —, isto é, negociá-los com alguém que possui muito dinheiro e pouca ou nenhuma religião? A luz que existe em vocês também são trevas? Consideram Deus menos do que as riquezas? Não possuem entendimento? Não receberam maior benefício de tudo aquilo que ouviram?
Homem ou mulher, considere aquilo que está fazendo! Não entregue o filho ou a filha a um relacionamento destrutivo simplesmente porque a outra pessoa vive cercada de ouro e prata. Receba a advertência enquanto existe tempo! Cuidado com a isca dourada! A morte e a ruína estão escondidas debaixo dela. Prefira a graça ao ouro e às pedras preciosas e a glória celestial às riquezas terrenas. Como são grandes as trevas que permitem alguém agir assim e depois limpar a boca, dizendo: “Não pratiquei mal algum!”
5. Consideremos outro caso próximo desse. Suponhamos que um jovem, depois de terminar os estudos universitários, deseje ministrar nas coisas santas e, consequentemente, receba a ordenação. Qual é sua intenção? Qual é a finalidade que procura? Caso seu olhar seja simples, seu único propósito será salvar a própria alma e a daqueles que o ouvem e conduzir o maior número possível de pecadores das trevas para a maravilhosa luz.
Caso, porém, seu olhar não seja simples; caso procure comodidade, honra, dinheiro ou promoção, o mundo poderá considerá-lo sábio, mas Deus lhe diz: “Insensato!” Enquanto a luz que existe nele forem trevas, como serão grandes essas trevas! Que insensatez poderia ser comparada àquela de alguém especialmente consagrado ao Deus do céu que “se preocupa com as coisas terrenas”?
O ministro mundano é insensato entre os insensatos. Ministros preguiçosos, entregues aos prazeres, amantes do dinheiro, dos elogios ou da promoção são a verdadeira causa do desprezo pelo clero. São pragas do mundo cristão e grave prejuízo para a humanidade. Pessoas como essas levaram João Crisóstomo a declarar: “O inferno está pavimentado com as almas de sacerdotes cristãos.”
6. Consideremos outro caso. Suponhamos que jovem mulher economicamente independente receba, ao mesmo tempo, propostas de um homem rico sem religião e de um homem religioso sem riqueza; em outras palavras, de um rico que vive sem Deus e de um pobre filho de Deus.
Que diremos caso, permanecendo semelhantes as demais circunstâncias, ela prefira o rico ao homem bom? Evidentemente, seu olhar não é simples e, por isso, seu coração insensato está obscurecido. Como são grandes as trevas que a levam a considerar ouro e prata recomendação maior do que santidade! Que fazem uma pessoa sem temor de Deus, mas com dinheiro, parecer-lhe mais amável do que um filho de Deus sem riqueza!
Que palavras poderiam expressar plenamente a insensatez indesculpável dessa escolha? A menos que se arrependa profundamente, descobrirá tarde demais que o companheiro rico não poderia oferecer-lhe vida espiritual.
7. Existem diante de Deus pessoas envolvidas em alguma dessas questões? Permitam-me, “com grande franqueza”, aplicar isso à consciência de vocês “diante de Deus”. Vocês a quem Deus confiou filhos ou filhas: seu olhar é simples quando consideram os relacionamentos deles? Que qualidades procuram em possíveis genros ou noras: religião ou riquezas? Qual é sua primeira consideração? Não pensam como o antigo pagão:
Primeiro se procure o dinheiro; A virtude será procurada depois?
Apresentemos a questão claramente. O que preferem: uma pessoa rica sem temor de Deus ou um cristão piedoso; uma pessoa com patrimônio, mas coração distante de Deus, ou um filho de Deus sem riqueza; um senhor importante cujo comportamento demonstra aquilo que existe no coração, ou trabalhador em quem possuem razão para acreditar que Cristo habita?
Como são grandes as trevas que fazem alguém preferir uma pessoa distante de Deus a um filho de Deus; que fazem preferir o pobre lixo das riquezas mundanas, que desaparece como sombra, às riquezas da glória eterna!
8. Dirijo-me especialmente a vocês chamados metodistas. Há mais de cinquenta anos ministro entre vocês diante do grande Deus e tenho sido servo de vocês por amor de Cristo. Durante esse período, ofereci muitas advertências solenes sobre esse assunto. Apresento agora mais uma, talvez a última.
Algum de vocês se atreve, ao escolher profissão, posição social ou companheiro para a vida, para si ou para os filhos, a olhar para as coisas da terra em vez das coisas do alto? Poderia deliberadamente preferir, para si ou para sua descendência, uma pessoa sem temor de Deus que possua dinheiro a um filho de Deus sem riqueza? Até os pagãos clamavam:
Ó almas curvadas para a terra E vazias das coisas celestiais!
Arrependam-se de sua mentalidade terrena! Abandonem o título de cristãos ou prefiram, tanto no próprio caso quanto no caso dos filhos, a graça ao dinheiro e o céu à terra. Pelo menos a partir deste momento, “que seu olhar seja simples”, para que “todo o seu corpo seja cheio de luz”!
Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.