SERMÃO 129

A causa e a cura dos terremotos

“Venham, contemplem as obras do Senhor” — diante dos terremotos, Charles Wesley chama o pecador à humildade, ao arrependimento e ao refúgio em Cristo.

Sl 46.8, NAA ⏱ 22 min de leituraDeus, criação e providência

“Venham, contemplem as obras do Senhor, que assolações efetuou na terra.”

(Sl 46.8, NAA)

Antes de ler

Este sermão aparece na coleção organizada por Thomas Jackson, mas a edição digital do Wesley Center identifica Charles Wesley, irmão de John Wesley, como seu autor.

O sermão foi publicado em 1750, num período em que tremores ocorridos na Inglaterra despertaram grande temor. Seu autor interpreta os terremotos principalmente como atos judiciais de Deus e consequências do pecado humano. Essa interpretação reflete uma concepção teológica comum naquele contexto histórico.

A geologia moderna explica os terremotos por processos naturais relacionados, sobretudo, ao movimento das placas tectônicas. A providência divina poderá ser reconhecida mesmo dentro das causas naturais, mas não temos autorização para concluir que as vítimas de determinado desastre fossem mais culpadas do que outras pessoas. O próprio Jesus rejeitou esse tipo de julgamento em Lucas 13.1-5.

As descrições históricas de grandes terremotos foram preservadas, mas apresentadas sem detalhes desnecessariamente chocantes. Alguns números e relatos utilizados pelo autor procedem de fontes do século XVII e do início do século XVIII e não podem ser confirmados integralmente pelos critérios históricos atuais.

O apelo permanente do sermão é este: a fragilidade da vida deve conduzir-nos à humildade, ao arrependimento, à fé em Cristo e à preparação espiritual.

— Bispo Ildo Mello

Texto:

Charles Wesley

Publicado pela primeira vez em 1750.

De todos os juízos que o Deus justo permite que alcancem os pecadores neste mundo, nenhum parece mais terrível e destrutivo do que um terremoto. Recentemente, ele permitiu que isso acontecesse em nossa parte da terra, despertando nossos temores e chamando-nos a “preparar-nos para encontrar nosso Deus”. Os tremores sentidos em diversos lugares depois daquele que fez esta cidade tremer poderão convencer-nos de que o perigo ainda não terminou. Devem conservar-nos em reverência, pois “a sua ira não se retirou, e a sua mão continua estendida”.

Para corresponder ao propósito da providência nesta crise solene, utilizarei as palavras do texto:

I. Para demonstrar que os terremotos estão debaixo do governo do Senhor e que somente ele permite semelhante destruição sobre a terra;

II. Para chamar vocês a contemplar as obras do Senhor em dois ou três exemplos terríveis;

III. Para oferecer algumas orientações apropriadas para esta ocasião.

DEMONSTRAR QUE OS TERREMOTOS ESTÃO DEBAIXO DO GOVERNO DO SENHOR

A afirmação de que Deus é o soberano sobre esses acontecimentos e de que o pecado constitui sua causa moral — qualquer que seja sua causa natural — não poderá ser negada por aqueles que creem nas Escrituras. Elas declaram que é Deus “quem remove os montes e, na sua ira, os transtorna; quem sacode a terra do seu lugar, e as suas colunas estremecem” (Jó 9.5-6). “Ele olha para a terra, e ela treme; toca os montes, e eles fumegam” (Salmos 104.32). “Os montes se derretem como cera na presença do Senhor, na presença do Senhor de toda a terra” (Salmos 97.5). “Os montes tremem diante dele, e as colinas se derretem. Quem poderá suportar a sua indignação? Quem permanecerá diante do furor de sua ira? O seu furor se derrama como fogo, e as rochas são destruídas diante dele” (Naum 1.5-6).

Os escritores inspirados apresentam os terremotos como atos judiciais de Deus ou como manifestações das consequências do pecado. O pecado seria a causa moral, e os terremotos, um dos efeitos da indignação divina. Assim declara o salmista: “A terra se abalou e tremeu; também os fundamentos dos montes estremeceram e foram abalados, porque ele se indignou” (Salmos 18.7).

O profeta Isaías também declara: “Castigarei o mundo por causa da sua maldade e farei cessar a arrogância dos orgulhosos. Por isso, farei estremecer os céus, e a terra será sacudida do seu lugar, por causa da indignação do Senhor dos Exércitos e por causa do dia do furor de sua ira” (Isaías 13.11,13).

Novamente: “Eis que o Senhor devasta e desola a terra, transtorna a sua superfície e dispersa os seus moradores. As comportas do alto se abrem, e os fundamentos da terra tremem. A terra será totalmente quebrada, inteiramente despedaçada e violentamente sacudida. A terra cambaleará como um bêbado e balançará como uma cabana. A sua transgressão pesará sobre ela; cairá e não tornará a levantar-se” (Isaías 24.1,18-20).

“Trema, ó terra, na presença do Senhor, na presença do Deus de Jacó” (Salmos 114.7). “Você será visitada pelo Senhor dos Exércitos com trovão, terremoto e grande estrondo” (Isaías 29.6).

Esses testemunhos bíblicos são bastante claros ao relacionar semelhante calamidade ao governo e ao juízo de Deus. A razão, assim como a fé, também nos leva a reconhecer que os sofrimentos existentes na criação estão ligados à maldição que alcançou a terra por causa da primeira transgressão.

Já não devemos procurar estabilidade completa num mundo do qual a inocência foi expulsa. Não conseguimos imaginar que o universo fosse perturbado por acontecimentos tão violentos enquanto a humanidade permanecesse em sua justiça original.

Por que a indignação divina armaria os elementos contra criaturas perfeitamente fiéis? Por que Deus permitiria que suas obras fossem transtornadas para destruir pessoas inocentes? Por que os habitantes da terra seriam envolvidos por suas ruínas caso não existisse pecado? Por que seriam levados à morte aqueles que não estivessem sujeitos à morte?

Concluamos, portanto, com base nas Escrituras e na razão, que os terremotos pertencem àquelas estranhas obras de juízo permitidas por Deus num mundo caído e constituem uma das consequências do pecado.

CONTEMPLAR ALGUMAS DESSAS OBRAS DO SENHOR

No ano de 1692, aconteceu na Sicília um dos terremotos mais terríveis registrados até então. Toda a ilha foi abalada, e Nápoles e Malta também sentiram os tremores. Era impossível permanecer em pé sobre a terra em movimento. Até aqueles que estavam deitados eram lançados de um lado para o outro, como sobre ondas. Grandes muralhas foram deslocadas de seus fundamentos.

Os danos foram impressionantes. Cinquenta e quatro cidades e vilas, além de grande número de povoados, foram quase inteiramente destruídas. Catânia, uma das cidades mais antigas, conhecidas e prósperas do reino, residência de diversos monarcas e sede de uma universidade, foi particularmente atingida.

O padre Antônio Serrovita, enquanto viajava em direção à cidade e ainda se encontrava a alguns quilômetros de distância, observou sobre ela uma nuvem escura como a noite. Grandes labaredas se levantavam do monte Etna e se espalhavam ao redor. O mar começou repentinamente a rugir e formar grandes ondas; as aves voavam desorientadas; os animais corriam pelos campos, e ouviu-se estrondo semelhante ao disparo simultâneo de inúmeras peças de artilharia.

Os cavalos dele e de seus companheiros pararam, tremendo, de modo que precisaram desmontar. Assim que desceram, foram levantados do chão pelo movimento da terra. Quando ele olhou para Catânia, viu somente espessa nuvem de poeira. Da magnífica cidade, quase nenhum sinal permanecia visível.

Dos 18.914 habitantes, segundo o relato utilizado pelo autor, aproximadamente dezoito mil morreram. Nas diversas cidades e vilas atingidas, afirmava-se que sessenta mil pessoas haviam morrido numa população de 254.900 habitantes.

No mesmo ano, em 7 de junho de 1692, aconteceu o terremoto da Jamaica. A maior parte das casas, igrejas, instalações agrícolas, moinhos e pontes da ilha foi destruída. Rochas e montanhas foram rompidas; algumas regiões elevadas foram transformadas em planícies; plantações inteiras desapareceram ou foram lançadas ao mar. Em aproximadamente dois minutos, nove décimos da cidade de Port Royal foram destruídos, e muitas construções afundaram profundamente.

Em alguns pontos, o solo se abriu, e algumas pessoas arrastadas para baixo reapareceram em outros lugares, inclusive no porto, levadas pelas águas que irrompiam pelas aberturas. Desse modo extraordinário, algumas conseguiram sobreviver.

A água de poços com profundidades diferentes foi lançada para cima com grande força. Enquanto as casas de um lado da rua afundavam, as do outro eram transformadas em ruínas. A areia das ruas se levantava como ondas, elevando aqueles que estavam sobre ela e depois cedendo sob seus pés. Ao mesmo tempo, águas invadiam as áreas atingidas, enquanto as pessoas procuravam agarrar-se a vigas e pedaços de madeira.

Navios e pequenas embarcações foram virados ou perdidos no porto. Uma embarcação foi levada pelo movimento do mar e pelo afundamento do cais sobre as construções da cidade.

O terremoto foi acompanhado por profundo ruído subterrâneo semelhante a trovões. Em menos de um minuto, três quartos das casas, o terreno sobre o qual estavam construídas e muitos habitantes ficaram debaixo da água. Aquilo que permaneceu parecia apenas um grande monte de ruínas.

O tremor era tão forte que derrubava as pessoas enquanto procuravam abrigo. O solo se levantava e descia como o mar. Algumas construções ainda de pé foram deslocadas de seus lugares. Dizia-se que determinada rua ficou duas vezes mais larga do que era anteriormente.

Em muitos lugares, o solo se abria e se fechava rapidamente. Centenas de aberturas podiam ser vistas ao mesmo tempo. Algumas pessoas foram tragadas pela terra; outras ficaram presas quando o solo voltou a fechar-se.

Um homem, enquanto corria em direção ao forte, lugar mais aberto onde esperava proteger-se, viu o solo abrir-se diante de grande multidão. O mar avançou sobre as fortificações, atingiu o cemitério e espalhou os restos das sepulturas. O porto ficou coberto pelos sinais da destruição.

Assim que o tremor mais violento terminou, esse homem pediu a todas as pessoas que se unissem a ele em oração. Entre elas estavam diversos judeus, que se ajoelharam e responderam às orações, sendo ouvidos até mesmo invocando Jesus Cristo. Depois de uma hora e meia de oração e exortações ao arrependimento, ele foi aconselhado a procurar refúgio num navio. Passando sobre construções que estavam quase no nível da água, chegou primeiro a uma canoa, depois a um bote e finalmente a uma embarcação maior.

As maiores aberturas tragaram casas inteiras. De algumas delas saíam grandes quantidades de água, lançadas a considerável altura. O acontecimento foi acompanhado por odores desagradáveis e pelo ruído de montanhas caindo. Em poucos instantes, o céu ficou escuro e avermelhado. Pouquíssimas casas de fazenda ou instalações açucareiras permaneceram de pé em toda a Jamaica.

Em muitos lugares, casas, árvores e plantações desapareceram juntas. Depois, surgiram grandes depósitos de água. Quando secaram, deixaram apenas areia, sem sinal de que árvores ou plantas tivessem existido ali.

Uma grande montanha se rompeu e caiu sobre o terreno inferior, cobrindo diversos povoados. Outra se deslocou e alcançou parte de uma plantação situada a aproximadamente dois quilômetros. Segundo o relato, outra montanha extensa desapareceu, deixando em seu lugar grande lago.

Depois do tremor principal, aqueles que sobreviveram procuraram abrigo nos navios do porto, onde muitos permaneceram por mais de dois meses. Durante esse período, os tremores continuaram intensos e frequentes, algumas vezes dois ou três em uma hora, acompanhados por ruídos assustadores e gases provenientes do solo. Muitos não se atreviam a retornar à terra. Depois, enfermidades provocadas pelas condições insalubres atingiram grande número de pessoas.

Em 28 de outubro de 1746, aproximadamente às dez e meia da noite, Lima, capital do Peru, foi destruída por um terremoto que se estendeu por grande distância ao longo da costa, tanto para o norte quanto para o sul. A destruição aconteceu tão rapidamente que praticamente não houve tempo para reagir: o ruído, o tremor e a queda das construções foram percebidos quase simultaneamente.

Durante os quatro minutos em que ocorreu a parte mais forte do terremoto, alguns ficaram presos nas ruínas das casas, e outros foram atingidos nas ruas pela queda das construções enquanto procuravam um lugar seguro.

Apesar disso, a maior parte dos habitantes — calculados em quase sessenta mil — foi providencialmente preservada, seja nos espaços deixados entre as ruínas, seja sobre elas, sem que soubessem explicar como haviam chegado ali.

Numa ocasião como essa, ninguém possuía tempo para pensar cuidadosamente. Mesmo que possuísse, não existia lugar seguro para onde fugir. Partes que pareciam mais firmes algumas vezes demonstravam ser as mais frágeis, enquanto outras aparentemente fracas ofereciam maior resistência. O temor era tão grande que ninguém se considerava seguro antes de conseguir sair da cidade.

A terra atingia os edifícios com tamanha força que cada novo tremor derrubava grande parte deles. As igrejas e as casas mais altas, caindo com enorme peso, completavam a destruição de muitas estruturas que o primeiro tremor havia poupado.

Os abalos eram rápidos, mas sucessivos. Nos intervalos, algumas pessoas eram levadas de um ponto para outro, e isso contribuiu para que algumas sobrevivessem. Outras foram preservadas justamente porque não conseguiram mover-se.

Setenta e quatro igrejas, além de capelas, catorze mosteiros, hospitais e enfermarias, foram reduzidos a ruínas num instante, e suas riquezas ficaram enterradas. Embora menos de vinte casas permanecessem de pé, o número de mortos registrado foi de aproximadamente 1.141 pessoas. Entre elas estavam pacientes de um hospital atingido pela queda do telhado, aos quais ninguém conseguiu prestar auxílio.

Callao, cidade portuária situada a aproximadamente onze quilômetros de Lima, foi coberta pelo mar durante o mesmo terremoto. Desapareceu repentinamente, e praticamente nada permaneceu visível.

Algumas torres e partes das muralhas resistiram durante breve período. Assim que os habitantes começaram a recuperar-se do primeiro susto, o mar se levantou a enorme altura e avançou violentamente além de seus limites. A água afundou a maior parte dos navios ancorados no porto. Outros foram levantados acima das muralhas e deixados em terra firme, muito além da cidade.

Ao mesmo tempo, as águas arrancaram dos fundamentos quase todas as casas e construções. Permaneceram apenas dois portões e pequenos fragmentos das muralhas, como lembrança daquela calamidade.

Segundo os números apresentados pelo relato, quase cinco mil habitantes morreram. Algumas pessoas conseguiram agarrar-se a pedaços de madeira e permanecer flutuando durante algum tempo, embora muitas não conseguissem manter-se neles.

Aproximadamente duzentas pessoas, principalmente pescadores e marinheiros, sobreviveram. Disseram que as águas cercaram a cidade sem deixar caminho seguro. Nos intervalos em que a inundação diminuía um pouco, ouviam-se os pedidos de socorro daqueles que ainda permaneciam na região atingida. Algumas pessoas que estavam nos navios levados sobre a cidade conseguiram escapar.

Dos vinte e três navios existentes no porto quando o terremoto aconteceu, quatro ficaram encalhados e os demais afundaram. Algumas pessoas que se salvaram sobre tábuas foram levadas diversas vezes até a ilha de São Lourenço, situada a mais de onze quilômetros do forte. Finalmente, algumas chegaram à costa e outras à ilha.

Esses acontecimentos demonstram a fragilidade da segurança humana. Quando o juízo alcança a terra, cumprem-se as palavras: “Por isso, todas as mãos desfalecerão, e o coração de todos se derreterá” (Isaías 13.7); “haverá dores como as da mulher que está para dar à luz” (Isaías 13.8); e: “O que fugir do grito de terror cairá na cova; e o que sair da cova será apanhado na armadilha” (Isaías 24.18).

Quando não existe tempo para fugir, método para escapar ou possibilidade de resistência; quando nenhum abrigo permanece nas torres mais altas ou nas cavernas mais profundas; quando a terra se abre repentinamente e se transforma em sepultura de famílias, ruas e cidades; quando águas são lançadas sobre elas, o fogo irrompe do solo ou a própria terra volta a fechar-se; quando pais e filhos, maridos e esposas, patrões e empregados, governantes, ministros e cidadãos, em meio à saúde, à paz e aos negócios diários, são envolvidos numa calamidade comum e passam juntos para o mundo eterno; quando apenas alguns minutos separam uma cidade conhecida de sua completa destruição — quem poderá confiar na segurança das coisas terrenas?

Se a guerra é mal terrível, quanto mais um terremoto que, em meio à paz, produz calamidade comparável às situações mais extremas da guerra! Se uma epidemia é terrível porque atinge milhares; se o fogo destruidor é juízo assustador, quanto mais extraordinário é um acontecimento no qual casas, habitantes, cidades e regiões inteiras poderão ser atingidos em poucos minutos! A morte chega sem aviso suficiente, sem tempo para preparação e sem que exista abrigo seguro neste mundo.

Entre todas as manifestações do juízo divino, nenhuma parece mais assustadora ou inevitável do que esta. Onde poderemos escapar caso aquilo que parece mais sólido neste mundo comece a tremer? Se o próprio solo que sustenta todas as coisas ameaça ceder debaixo de nossos pés, qual abrigo encontraremos contra um perigo que nos cerca por todos os lados? Para onde poderemos fugir caso os abismos que se abrem fechem todos os nossos caminhos?

Como as pessoas ficam aterrorizadas quando ouvem a terra gemer; quando o tremor sucede ao ruído subterrâneo; quando as casas se soltam dos fundamentos, os tetos desabam e o chão afunda! Que esperança permanece quando nem mesmo a fuga oferece segurança? Em outros males, algum caminho poderá permanecer aberto. O terremoto, porém, envolve aquilo que destrói, alcança províncias inteiras e algumas vezes não deixa sequer um registro capaz de informar às gerações seguintes aquilo que aconteceu.

É mais poderoso do que o fogo, que poderá poupar as rochas; mais destruidor do que um conquistador, que poderá deixar as muralhas; mais voraz do que o mar, que devolve parte dos destroços. Engole aquilo que derruba. O próprio mar se encontra sujeito ao seu poder, pois algumas das tempestades mais perigosas são provocadas por terremotos.

ORIENTAÇÕES APROPRIADAS PARA ESTA OCASIÃO

Chego, em terceiro e último lugar, a algumas orientações apropriadas para a ocasião. Elas são ainda mais necessárias porque vocês não sabem quando o terremoto pelo qual Deus recentemente nos visitou poderá voltar nem se sua extensão poderá ser ampliada. Uma e duas vezes o Senhor nos advertiu de que se levantou para sacudir terrivelmente a terra.

1. TEMAM A DEUS

Primeiramente, “temam a Deus e deem-lhe glória, pois chegou a hora de seu juízo”. Considerem o poder daquele que somente consegue matar e também salvar. Está nas mãos dele a vida de todas as criaturas, a sua respiração e todos os seus caminhos.

Deus fala ao coração de vocês como por meio de um trovão subterrâneo: “A voz do Senhor clama à cidade. Escutem a vara e aquele que a determinou” (Miqueias 6.9). Ele ordena que reconheçam seu poder e sua justiça. “Venham e vejam” enquanto um novo selo é aberto. “Venham e contemplem as obras de Deus; ele é tremendo em seus feitos para com os filhos dos homens” (Salmos 66.5).

Quando ele faz os montes tremerem e a terra se abalar, nosso coração não deveria comover-se? “Vocês não me temem? — diz o Senhor. Não tremem diante de mim?” (Jeremias 5.22).

Não temerão aquele que pode abrir as comportas do céu ou romper as fontes das profundezas e, segundo seu propósito, permitir que correntes de juízo sejam derramadas? Aquele que pode fazer cair sobre os perversos “brasas de fogo e enxofre, e vento abrasador” ou permitir que gases e forças existentes nas profundezas da terra abram caminho e destruam cidades e regiões? Aquele que poderá transformar repentinamente uma terra fértil em deserto e espetáculo de desolação?

“Será tocada a trombeta na cidade, sem que o povo fique alarmado? Acontecerá algum mal à cidade, sem que o Senhor o tenha permitido? O leão rugiu; quem não temerá?” Com Deus existe terrível majestade; por isso, as pessoas devem temê-lo.

Que o temor de Deus alcance neste momento todos os que ouvem estas palavras, levando cada pessoa a declarar: “O meu corpo estremece de temor diante de ti, e tenho medo dos teus juízos” (Salmos 119.120).

Quem dera todos enxergassem sua mão levantada como se estivesse preparada para agir! Ela continua estendida, e sua vara permanece sobre uma terra culpada, um povo que caminha para a destruição.

Esta não é uma nação sujeita à visitação? “Não castigaria eu estas coisas? — diz o Senhor. Não me vingaria de uma nação como esta?” (Jeremias 5.9).

O que, além de arrependimento nacional, poderá impedir a destruição nacional?

2. ARREPENDAM-SE E ABANDONEM O MAL

“Considerem isto, vocês que se esquecem de Deus, para que ele não os destrua, sem que haja quem os livre” (Salmos 50.22).

Arrependam-se, para que a iniquidade não se transforme em sua ruína! Esta é a segunda orientação ou, antes, a primeira, fortalecida e explicada.

Temam a Deus e afastem-se do mal. Arrependam-se e produzam frutos dignos de arrependimento. Abandonem seus pecados neste momento.

“Lavem-se e purifiquem-se! Tirem da minha presença a maldade de seus atos; parem de fazer o mal. Aprendam a fazer o bem”, diz o Senhor (Isaías 1.16-17).

“Se não se arrependerem, todos vocês também perecerão” (Lucas 13.3).

“Agora, porém, diz o Senhor, convertam-se a mim de todo o coração, com jejuns, choro e lamento. Rasguem o coração, e não as roupas. Convertam-se ao Senhor, seu Deus, porque ele é bondoso e compassivo, tardio em irar-se e grande em misericórdia. Quem sabe se não voltará, se arrependerá e deixará uma bênção?” (Joel 2.12-14).

“Quem sabe?” Esta é pergunta que deveria fazer vocês tremerem. Deus os está pesando na balança e, falando segundo nossa limitada maneira de compreender, considerando se deve salvar ou destruir.

“Diga aos filhos de Israel: Vocês são povo teimoso. Se por um momento eu subisse com vocês, eu os destruiria. Agora, pois, tirem os seus enfeites, para que eu saiba o que fazer com vocês” (Êxodo 33.5).

Deus espera para ver o efeito produzido por suas advertências. Interrompe por um momento a execução do juízo e pergunta: “Como poderia eu abandoná-lo?” Ou: “Por que vocês ainda deveriam ser castigados?”

Ele não possui prazer na morte daquele que morre. Não realizaria sua estranha obra caso a impenitência obstinada das pessoas não a tornasse necessária.

“Por que vocês morreriam, ó casa de Israel?” (Ezequiel 18.31).

Deus os adverte sobre o juízo que se aproxima para que recebam a advertência e escapem por meio do arrependimento oportuno. Levanta a mão e a move diante de vocês para que a enxerguem e evitem o golpe. Declara: “O machado já está posto à raiz das árvores.” Portanto, arrependam-se, produzam bons frutos e não serão cortados nem lançados ao fogo.

Não desprezem as riquezas de sua misericórdia, mas permitam que ela os conduza ao arrependimento! “Considerem que a paciência de nosso Senhor significa salvação” (2 Pedro 3.15).

Não endureçam o coração. Voltem-se para aquele que os disciplina ou, antes, ameaça discipliná-los, para que se convertam e sejam poupados!

Como o Senhor é tardio em irar-se! Como reluta em castigar! Com que passos lentos se aproxima para executar o juízo! Quantas aflições menores envia antes do golpe definitivo!

Caso ordenasse ao cavaleiro do cavalo vermelho: “Espada, percorra esta terra”, poderíamos reclamar de não ter recebido advertência? A espada já havia ferido em outros lugares e depois chegou às nossas fronteiras. Apesar disso, o Deus misericordioso declarou: “Até aqui você virá e não passará.” Interrompeu os invasores no meio de nossa terra, fez com que retrocedessem e os derrotou.

Caso envie o cavaleiro do cavalo amarelo, cujo nome é Morte, e uma epidemia alcance milhares e dezenas de milhares, poderemos negar que antes nos havia advertido por meio da grande mortalidade entre os animais?

Caso o provoquemos até que permita que nossa terra seja devastada, transtornada e destruída como Sodoma e Gomorra, não teremos provocado isso contra nós mesmos? Não possuíamos razão para esperar semelhante calamidade? Não recebemos aviso anterior? A terra não tremeu antes de se abrir? Não houve tremor antes que abrisse a boca?

Deus não colocou diante de nossos olhos exemplos de juízo tão terrível? Nunca ouvimos sobre a destruição da Jamaica, de Catânia ou de Lima, acontecida recentemente? Caso finalmente pereçamos, pereceremos sem desculpa, pois o que mais poderia ter sido feito para salvar-nos?

Você que ouve estas palavras recebe agora outro chamado ao arrependimento e outra oferta de misericórdia.

Em nome do Senhor Jesus, eu o advirto mais uma vez, como sentinela sobre a casa de Israel: fuja da ira que virá!

Recordo-lhe — caso tenha esquecido tão rapidamente — o recente e assustador acontecimento por meio do qual Deus o fez perceber a proximidade da morte. Talvez tenha despertado seu corpo. Despertou também sua alma?

O Senhor estava no terremoto e apresentou pergunta solene à sua consciência: “Você está preparado para morrer? Está em paz com Deus?”

Caso a terra abrisse novamente a boca e o tragasse, o que aconteceria com você? Estaria no seio de Abraão ou experimentaria sofrimento? Caso tivesse morrido no último terremoto, não teria morrido em seus pecados?

Quem impediu sua perdição? Foi o Filho de Deus! Curve-se e adore-o. Dê-lhe a glória por sua libertação e consagre o restante de seus dias ao serviço dele.

3. ARREPENDAM-SE E CREIAM NO EVANGELHO

Esta é a terceira orientação: arrependam-se e creiam no evangelho. Creiam no Senhor Jesus, e ainda serão salvos. “Beijem o Filho, para que ele não se ire e vocês não pereçam.”

O arrependimento isolado não os salvará. Na realidade, não existe verdadeiro arrependimento enquanto não confessarem, com o coração quebrantado, o mais condenável de todos os seus pecados: a incredulidade, isto é, ter rejeitado ou deixado de receber Jesus Cristo como seu único Salvador.

Também não conseguirão arrepender-se sem que ele mesmo lhes conceda poder, sem que seu Espírito os convença do pecado porque não creem nele.

Enquanto não se arrependerem da incredulidade, todos os bons desejos e promessas permanecerão inúteis e desaparecerão como nuvem da manhã. Os votos realizados durante o perigo serão esquecidos e quebrados assim que a aflição terminar.

Suponham que o terremoto não retorne. Escaparão por causa de sua perversidade? Nunca faltarão a Deus meios para julgar pecadores impenitentes. Possui inúmeros outros juízos reservados. Ainda que a terra não abra a boca, a pessoa que rejeita definitivamente a graça enfrentará o juízo eterno.

Deseja escapar da morte eterna? Então, receba dentro de si a sentença de morte, miserável pecador que destrói a própria alma! Reconheça sua falta de fé viva, salvadora e divina.

Lamente debaixo do peso da incredulidade e recuse ser consolado antes de ouvir da própria boca do Senhor: “Tenha bom ânimo; os seus pecados estão perdoados.”

Não posso simplesmente supor que todas as pessoas possuem fé nem dirigir-me aos pecadores desta terra como se fossem crentes em Jesus Cristo. Onde estão os frutos da fé?

A fé atua pelo amor. A fé vence o mundo. A fé purifica o coração. A fé, mesmo em pequena medida, remove montanhas.

“Se você pode crer, tudo é possível ao que crê.” Caso tenha sido justificado pela fé, possui paz com Deus e se alegra na esperança de sua manifestação gloriosa.

Aquele que crê possui o testemunho dentro de si, possui no coração a garantia antecipada do céu e possui amor mais forte do que a morte.

A morte perdeu o poder de ferir o crente. Por isso, ele “não temerá, ainda que a terra seja abalada e os montes sejam lançados no meio dos mares” (Salmos 46.2). Sabe em quem tem crido e sabe que nem a vida nem a morte poderão separá-lo do amor de Deus que está em Cristo Jesus, seu Senhor.

Você realmente crê dessa maneira? Examine a si mesmo pela infalível Palavra de Deus. Caso não possua os frutos, efeitos e propriedades inseparáveis da fé, você não possui fé.

Venha, então, ao Autor e Consumador da fé. Confesse os pecados e a raiz de todos eles — sua incredulidade — até que ele perdoe seus pecados e o purifique de toda injustiça.

Venha ao Amigo dos pecadores, cansado e sobrecarregado, e ele lhe dará perdão! Lance sua alma aflita sobre o amor daquele que morreu por você!

Entre na rocha, na arca, na cidade de refúgio! Peça, e receberá juntamente a fé e o perdão. Ele espera para demonstrar-lhe graça.

Deus o poupou justamente para isso: para que seus olhos contemplem a salvação. Independentemente dos juízos que aconteçam nestes últimos dias, todo aquele que invocar o nome do Senhor Jesus será salvo.

Invoque-o agora, pecador! Persevere em oração até que ele lhe responda com paz e poder. Lute pela bênção! Sua vida e sua alma estão em jogo!

Clame intensamente:

“Jesus, Filho de Davi, tenha misericórdia de mim!”

“Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!”

“Senhor, ajuda-me! Ajuda minha incredulidade! Salva-me, ou perecerei!”

“Purifica meu coração perturbado! Lava-me completamente na fonte de teu sangue; guia-me por teu Espírito; santifica-me inteiramente e recebe-me na glória!”

Agora, a Deus Pai seja toda a glória, por meio de Jesus Cristo, no Espírito Santo, para todo o sempre. Amém.

Tradução em português atual a partir do original em domínio público (ed. Thomas Jackson, 1872), realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas conforme a NAA. Igreja Metodista Livre do Brasil.

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