Estudos do Bispo Ildo · Escatologia
Segunda Vinda e Arrebatamento
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Como Discernir Os Sinais dos Tempos+
Por Ildo Mello “Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do céu, e não podeis discernir os sinais dos tempos” (Mt 16.3).
Introdução
Quais são os sinais dos tempos apontados por Jesus? Quais já se cumpriram e quais ainda estão por vir? Com que propósito Jesus nos falou de tais sinais? Os sinais servem de base para calcularmos a data de sua vinda? O retorno de Cristo é iminente?
Vivemos dias em a maioria dos cristãos demonstra muito pouco interesse a respeito das coisas relacionadas a Segunda Vinda de Cristo e o mundo por vir. Muitos Cristãos não estão buscando as coisas lá de cima onde Cristo está (Cl 3.1,2) e poucos são os que realmente clamam “Maranata”, ora vem, Senhor Jesus (Ap 22.20). Parecem mesmo estarem amando mais o mundo do que a Deus, esquecendo-se de que são peregrinos na terra. Mas, como afirmou o Apóstolo Paulo, "se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens." (1Co 15.19). Pois, "que proveito há em ganhar o mundo é perder a alma?” (Mc 8.36).
Agora, mesmo entre aqueles cristãos que demonstram interesse, poucos são os que possuem uma boa compreensão dos temas escatológicos a ponto de serem capazes de discernir adequadamente os sinais dos tempos. Espero que este breve estudo possa contribuir para uma melhor compreensão dos sinais dos tempos profetizados por nosso Senhor Jesus Cristo registrados em Mateus 24.
Primeiramente, veremos algo a respeito dos propósitos dos sinais, para que servem e para o que não servem, com algumas dicas sobre como melhor discernir a razão de ser dos sinais. Depois, estudaremos um pouco a respeito do contexto em que tais sinais foram dados, atentando para as duas questões dos discípulos que suscitaram este importante discurso de Jesus como resposta. Aí, veremos quais sinais dizem respeito à primeira questão e quais à segunda. Quais tiveram cumprimento ainda naquela geração e aqueles que teriam cumprimento em momento posterior.
Analisaremos os sinais descritos como o princípio das dores e também os sinais derradeiros, que realmente dizem que nos aproximamos do fim.
4 Propósitos dos Sinais Visam nos preparar para o que teremos de enfrentar: falsos profetas, perseguição religiosa, etc.
Chamam nossa atenção para a necessidade de vigilância e perseverança, para mantermos a fé viva e o comportamento adequado.
Trazem conforto e ânimo, pois nos asseguram que Deus está cumprindo suas promessas, exercendo domínio sobre tudo e que sua vinda está próxima.
Mostram que temos um papel decisivo na história através da evangelização.
Discernindo os Sinais dos tempos É Errado pensar que os sinais dos tempos dizem respeito exclusivamente a eventos futuros, espetaculares e catastróficos; calcular a data do retorno de nosso Senhor Jesus Cristo a partir dos sinais.
O Certo é reconhecer que os sinais dos tempos revelam que Cristo já venceu a grande e decisiva batalha da cruz e que ele reina dos céus, trabalhando para colocar seus inimigos debaixo dos pés e para cumprir suas promessas. Isto traz conforto na tribulação e reforça a esperança de que o grande dia do Senhor se aproxima e que em Cristo, somos mais que vencedores! vigiar, andar na luz, estando sempre preparados para a Vinda do Senhor cumprir a Grande Comissão de fazer discípulos de todas as nações.
As advertências dos Sinais dos tempos O Sermão escatológico de Jesus em Mateus 24 traz conhecimento importante sobre os finais dos tempos, mas suas repetidas exortações mostram que sua ênfase é sobre como viver à luz dessa realidade e não sobre especular ou calcular a data da Vinda.
Advertências Vede que ninguém vos engane. (Mt 24.4).
Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto!, não saiais. Ou: Ei-lo no interior da casa!, não acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do Homem. Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres. (Mt 24.26–28).
"Aprendei, pois, a parábola da figueira” (Mt 24.32).
"vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor” (Mt 24.42).
Os sinais não servem de base para marcar a data da vinda de Cristo “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai.” (Mt 24.36).
Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor. Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa. Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá. (Mt 24.42–44).
Os sinais do fim não oferecem um quadro claro e defino do cenário dos últimos dias:
Os sinais do fim falam tanto de tempos de tribulação (Mt 24.9,21,29 como também sobre período de normalidade e paz como nos dias de Noé (Mt 24.37-39 e 1Ts 5.3).
Multiplica-se a iniquidade (Mt 24.12), mas também temos o sucesso da propagação do Evangelho (Mt 24.14).
Crescem joio e trigo concomitantemente até a consumação dos séculos (Mt 13.24-30).
A Segunda Vinda de Cristo é iminente?
A Segunda Vinda de Cristo é iminente? Pode acontecer a qualquer momento sem prévios sinais? A resposta é não. Pois não seria lógico concluir que determinados textos estão ensinando a idéia da iminência hoje, quando se evidencia que estes mesmos textos não poderiam ter sido interpretados neste sentido por seus primitivos destinatários. Por exemplo, os textos, como Mc 9.1; Mc 13.29-30; Mt 10.23; Rm 13.11-12; Tg 5.8; 1 Pe 4.7; Ap 22.20; Hb 10.25, 37; 1 Jo 2.18, usados pelos dispensacionalistas para defender uma Segunda Vinda de Cristo iminente, nunca poderiam ter sido compreendidos pelos discípulos com esta intenção, pois quando foram escritos, certos eventos tinham, necessariamente, que ocorrer antes da Segunda Vinda de Cristo, por exemplo: A promessa do consolador (Jo 16.7, 13, 26); Evangelho deveria ser pregado a todo mundo (Mt 26.13; At 1.8; 9.15; 22.15; 26.2); Pedro seria morto conforme profetizado por Cristo (Jo 21.18); guerras viriam antes do fim (Lc 21.9); primeiro ocorreria a apostasia e o aparecimento do Homem da Iniquidade (2 Ts 2.2,3). Paulo recebeu de Deus diversas orientações sobre o que lhe ocorreria no decurso de sua vida e ministério, inclusive sobre sua morte (At 9.15; 22.15; 26.2; 23.11; 27.24; 28.30; 2 Tm 4.5ss. Fica evidente, então, que a Igreja neo-testamentária não poderia ter esperado uma vinda de Cristo a qualquer momento. Se os textos usados pelos dispensacionalistas nunca poderiam ter significado de iminência para os leitores originais, também não têm este significado para nós, hoje.
Cristo no Sermão das últimas coisas nos ensinou que sinais deveriam preceder sua Segunda Vinda. Sinais depõem contra a ideia de “iminência”. Os sinais não têm a intenção de nos conceder condições para precisar o dia da Segunda Vinda, Jesus denuncia a fascinação por cálculos (Mt 24.33-36); os sinais mencionados por Cristo são inespecíficos para este fim, antes, o propósito é preparar o povo de Deus com a compreensão das pressões que terá de suportar. O propósito de Jesus é encorajar, não a especulação, mas a vigilância, fortalecer a fé e advertir os discípulos do que será a sua sorte como seguidores dela. Aqui, Cristo está ensinando que tudo está debaixo do domínio de Deus. Ele mesmo prometeu que sempre estaria conosco até a consumação dos séculos (Mt 28.20), dando força para sermos capazes de perseverar até o fim e sermos salvos (Mc 13.13). Jesus nos ajuda enxergar que além dessas tribulações está a Sua bendita e gloriosa Vinda (Mc 13.24-27). Por não sabermos quando se dará o Seu retorno, devemos ser vigilantes, estando sempre preparados para nos encontrarmos com o nosso Deus (Mt 24.42-25.13).
Alguns textos sugerem um tempo relativamente longo entre a ascensão e a Segunda Vinda de Cristo (Rm 9; 11; Mt 24.45-51; 2 Pe 3). O livro de Atos é um livro de história da Igreja e ninguém escreve história convencido de que o mundo está para acabar.
Os textos que falam sobre uma “vinda súbita” e o dos “sinais”, e mesmo aqueles que apontam para uma “demora”, não são contraditórios, mas complementares. Em 1 Tessalonicenses 5, temos uma referência à “vinda súbita”, já em 2 Tessalonicenses 2, temos a menção de “sinais” que devem preceder a Segunda Vinda de Cristo. Jesus não disse que poderia vir a qualquer momento, antes profetizou uma série de eventos que se dariam antes daquele glorioso dia. Tais sinais não são suficientemente precisos para calcularmos o tempo da Sua vinda, que para nós permanece como incerta, requerendo que estejamos sempre alertas. Este “em breve” pode até nos parecer demorado, como bem explicou Pedro, dizendo que há um propósito para o que encaramos como “demora”, a longanimidade de Deus e seu desejo que nenhum pereça (2 Pe 3.9); Pedro ensina que podemos fazer algo para “apressar” a Segunda Vinda de Cristo (2 Pe 3.12), que depende, em algum sentido, das conversões (At 3.19-21). Jesus disse: “Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações” (Mc 13.10; cf. Mt 24.14).
Conforme o ensino do apóstolo Pedro, a Segunda Vinda de Cristo não é iminente, pelo contrário ela depende da realização dos propósitos de Deus, que, por sua vez, estão vinculados à missão da Igreja. É desta forma que podemos entender o que o apóstolo quer dizer com esta incumbência dada aos cristãos de “apressar” a vinda do Senhor (2 Pe 3.12).
Seria contraditório crer que a Segunda Vinda de Cristo pode se dar a qualquer momento, independente de qualquer fator ou cumprimento profético, e, ao mesmo tempo, ensinar que pode ser feito algo para apressar a vinda do Senhor. Ou Pedro era um pré-tribulacionista que acreditava que a Segunda Vinda de Cristo era iminente ou era, como deixou claro em sua segunda epístola, daqueles que acreditam que a Segunda Vinda do Senhor depende, entre outras coisas, da obra missionária da Igreja. Por isso, exorta os cristãos que cumpram o seu papel, apressando a volta de Jesus.
Agora, vamos estudar os sinais anunciados por Jesus Cristo para compreender melhor este importante assunto.
Mateus 24.3 – 2 questões Quando sucederão estas coisas: Destruição do templo (Mt 24.2) e a queda de Jerusalém (Mt 23.38) e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século?
Sinais relacionados a questão 1, quando sucederão estas coisas: destruição do templo (Mt 24.2) e a queda de Jerusalém (Mt 23.38)?
“todas estas coisas hão de vir sobre esta geração”(Mt 23.36) sacrilégio e destruição do templo – “Eu lhes garanto que não ficará aqui pedra sobre pedra…” (Mt 24.1,2). Profecia cumprida em 70 d.C. e a Queda de Jerusalém – “Eis que a casa de vocês ficará deserta.” (Mt 23.38). “Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo… Então, os que estiverem na Judéia…” (Mt 24.15,16; Cf. Dn 9.26).
“não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam” (Mt 24.34).
Sinais relacionados a questão 1: E que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século?
Quadro Geral Que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século?
Falsos cristos e falsos profetas (v. 4, 5, 11 e 24)
"guerras e rumores de guerras" (v. 6)
"haverá fomes e terremotos” (v. 7)
"Então, sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome.” (v. 9)
"E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos." (v. 12)
"E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim. (v. 14)
Metade destes sinais dizem respeito ao princípio das dores (Mateus 24.4-8)
Falsos cristos e falsos profetas (v. 4, 5, 11 e 24)
"guerras e rumores de guerras" (v. 6)
"haverá fomes e terremotos” (v. 7)
1. Falsos Profetas
(v. 4 e 5) "Cuidado, que ninguém os engane. Pois muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Eu sou o Cristo! ’ e enganarão a muitos." (v. 11) "e numerosos falsos profetas surgirão e enganarão a muitos." (v. 24) “Pois aparecerão falsos cristos e falsos profetas que realizarão grandes sinais e maravilhas para, se possível, enganar até os eleitos.”
Anticristos são falsos profetas e não governadores tiranos “Filhinhos, esta é a última hora; e, assim como vocês ouviram que o anticristo está vindo, já agora muitos anticristos têm surgido. Por isso sabemos que esta é a última hora.” (1 Jo 2.18).
“Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo: aquele que nega o Pai e o Filho.” (1 Jo 2.22).
“mas todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus. Esse é o espírito do anticristo, acerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo.” (1 Jo 4.3).
De fato, muitos enganadores têm saído pelo mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em corpo. Tal é o enganador e o anticristo. (2 Jo 1.7)
Não confundir Anticristo com a Besta Todas as menções ao(s) Anticristo(s) aparecem nas epístolas joaninas e dizem respeito aos hereges ou falsos profetas, enquanto as Bestas apocalípticas se referem a imperadores tiranos.
2. Guerras
(v. 6) "guerras e rumores de guerras" “Então saiu outro cavalo; e este era vermelho. Seu cavaleiro recebeu poder para tirar a paz da terra e fazer que os homens se matassem uns aos outros. E lhe foi dada uma grande espada.” (Ap 6.4).
3. fomes e terremotos (v. 7) "haverá fomes e terremotos em vários lugares; (apenas o princípio das dores)
“Quando o Cordeiro abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro ser vivente dizer: "Venha! " Olhei, e diante de mim estava um cavalo preto. Seu cavaleiro tinha na mão uma balança. Então ouvi o que parecia uma voz entre os quatro seres viventes, dizendo: "Um quilo de trigo por um denário, e três quilos de cevada por um denário, e não danifique o azeite e o vinho!” (Ap 6.5,6).
“Naquela mesma hora houve um forte terremoto, e um décimo da cidade ruiu. Sete mil pessoas foram mortas no terremoto; os sobreviventes ficaram aterrorizados e deram glória ao Deus do céu.” (Ap 11.13).
Houve, então, relâmpagos, vozes, trovões e um forte terremoto. Nunca havia ocorrido um terremoto tão forte como esse desde que o homem existe sobre a terra. (Ap 16.18).
Últimos Sinais
Mateus 24.4-8
4. Grande Tribulação dos Cristãos
5. Apostasia
6. Propagação do Evangelho
4. Grande tribulação cristã
(v. 9) "Então, sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome.”
“… eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos… Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.” (Ap 7.9 e 14).
"E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los” (Ap 13.7).
"Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou.” (Rm 8.36,37).
Observa-se que a tribulação do v. 9 diz respeito aos cristãos perseguidos por causa do nome de Jesus, enquanto que a grande tribulação registrada a partir do v. 15 tem a ver com a destruição do templo e de Jerusalém como juízo de Deus conforme Jesus profetizou em Mt 23.37 e 38 e 24.1-2. vide também as 70 Semanas de Daniel 9.
 Quadro comparativo das duas espécies de tribulações mencionadas por Cristo.
Para saber mais a respeito da Grande Tribulação, recomendo a leitura do estudo que se encontra no seguinte link: http://escatologiacrista.blogspot.com.br/2008/02/grande-tribulao.html
5. Apostasia
(v. 12) "E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos." “Não deixem que ninguém os engane de modo algum. Antes daquele dia virá a apostasia e, então, será revelado o homem do pecado, o filho da perdição.” (2 Ts 2.3).
“Contudo, quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra?" (Lc 18.8)
6. E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo
(v. 14) "E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim.
Jesus espera que a Igreja cumpra a sua missão: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19).
O Apocalipse revela que a Igreja será bem-sucedida em sua missão de fazer discípulos de todas as nações: “Depois disso olhei, e diante de mim estava uma grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, de pé, diante do trono e do Cordeiro, com vestes brancas e segurando palmas” (Ap 7.9).
A paciência de Deus e seu desejo de salvar mais e mais pessoas são a causa de Cristo ainda não ter regressado. “O Senhor não demora em cumprir a sua promessa, como julgam alguns. Pelo contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento.” (2Pe 3.9). Portanto a Igreja tem um papel preponderante, pois pode acelerar o processo através da propagação do Evangelho, como disse o Apóstolo Pedro em 2 Pedro 3.12: “esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão.
O grande Dia do senhor A Segunda Vinda de Cristo e a nossa reunião com Ele que se dará através do arrebatamento será um evento glorioso, retumbante e visível. Haverá portentosos sinais nos céus e todos o verão vindo sobre as nuvens com grande poder e glória.
Sinais nos céus (v. 29) "o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados.
“Observei quando ele abriu o sexto selo. Houve um grande terremoto. O sol ficou escuro como tecido de crina negra, toda a lua tornou-se vermelha como sangue” (Ap 6.12).
"O quarto anjo tocou a sua trombeta, e foi ferido um terço do sol, um terço da lua e um terço das estrelas, de forma que um terço deles escureceu. Um terço do dia ficou sem luz, e também um terço da noite.” (Ap 8.12)
Sua Vinda não será secreta ou discreta – Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis… Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto!, não saiais. Ou: Ei-lo no interior da casa!, não acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do Homem. (Mt 24.23–27)
Virá de modo visível e glorioso "Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória.” (Mt 24.30).
“… eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem… (Dn 7.13).
“… Este mesmo Jesus, que dentre vocês foi elevado ao céu, voltará da mesma forma como o viram subir”. (At 1.11)
"Eis que ele vem com as nuvens, e todo olho o verá, até mesmo aqueles que o traspassaram…” (Ap 1.7).
Neste mesmo dia se dará arrebatamento da Igreja “Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá… Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória. 31 E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus." (Mt 24.29–31).
Jesus ensina que o arrebatamento da Igreja acontecerá após a Grande Tribulação no momento de sua visível, ruidosa e gloriosa vinda!
Paulo também ensinou que a Vinda do Senhor e a nossa reunião com ele que se dá através do arrebatamento somente acontecerá após a manifestação do homem da iniquidade, portanto, após a Grande Tribulação: "Irmãos, no que diz respeito à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele.. isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição. (2Ts 2.1–3).
Uma grande dificuldade de interpretação Os textos abaixo indicam que tais eventos se dariam naquela geração e que sua vinda seria logo após a Grande Tribulação, mas não foi bem assim. Como entender, então?
“Enchei vós, pois, a medida de vossos pais. 33 Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno? 34 Por isso, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas. A uns matareis e crucificareis; a outros açoitareis nas vossas sinagogas e perseguireis de cidade em cidade; 35 para que sobre vós recaia todo o sangue justo derramado sobre a terra… 36 Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre a presente geração. (Mt 23.32–36). não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam (Mt 24.34).
"Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá…” (Mt 24.29).
Diante deste dilema, devemos lembrar que Jesus está respondendo à duas questões distintas. Uma tem a ver com a Queda de Jerusalém e a outra com a sua Segunda Vinda. A queda de Jerusalém e a destruição do templo se deram naquela mesma geração, no ano 70 d.C., conforme a profecia de Jesus.
Já os sinais da Segunda Vinda apontam para um período mais bem mais longo que envolve muitas guerras, terremotos e a propagação do Evangelho por todo o mundo.
Lembremos também que Jesus descreve duas distintas espécies de Grande Tribulação. Numa, aquela geração judeus sofreria em decorrência do juízo de Deus e, na outra, os cristãos sofreriam por amor a Cristo. Uma é de natureza estritamente judaica, pois tem a ver com o juízo de Deus sobre aquela geração de judeus que rejeitou o Cristo, culminando com a destruição de Jerusalém, enquanto que a outra é de natureza cristã, nada mais tendo a ver com juízo de Deus sobre Jerusalém e nem com a profanação e a destruição do templo, porque diz respeito à perseguição que os cristãos de todas as partes do mundo sofreriam por causa do nome de Jesus.
Os três Evangelhos sinóticos registram a profecia sobre a Grande Tribulação de Jerusalém, pois foram escritos antes da Queda de Jerusalém, já o Evangelho de João, escrito após, nada menciona a este respeito, pois já não era mais profecia, mas, sim, história. No entanto, João, no livro de Apocalipse, também escrito em período posterior, descreve uma Grande Tribulação que produziria uma incontável multidão de mártires cristãos procedentes de todos os povos, tribos, línguas e nações (Ap 7.9-14).
Portanto, aquela geração de judeus realmente sofreu todos aqueles juízos, exatamente como foram profetizados por Jesus. A angústia de Jerusalém foi tremenda em decorrência dos 7 anos de sítio que gerou até infanticídios por conta da perturbadora fome. Tal cerco só acabou com a invasão do exército liderado pelo General Tito que profanou o templo e depois o destruiu, juntamente com toda a cidade. Como Cristo não regressou logo após a Grande Tribulação de Jerusalém, devemos lembrar que Jesus também mencionou uma Grande Tribulação que atingiria os cristãos por conta de sua fidelidade a Cristo e que também mencionou sinais que indicam a necessidade de um período que vai muito além de uma geração para ser cumprido.
Concluindo Aprendemos que Os sinais:
Não servem para calcular a data da Vinda de Cristo 2. Visam nos preparar para o que teremos de enfrentar: falsos profetas, perseguição religiosa, etc. chamam nossa atenção para a necessidade de vigilância e perseverança, para mantermos a fé viva e o comportamento adequado. trazem conforto e ânimo, pois nos asseguram que Deus está cumprindo suas promessas, exercendo domínio sobre tudo e que sua vinda está próxima.
Mostram que temos um papel decisivo na história através da evangelização.
Os sinais e a vida cristã Discernir o propósito dos sinais tem implicações importantes para nossa conduta diária, pois significa:
“remir o tempo, porque os dias são maus” (Ef 5.16) uma exortação a “andar como filhos da luz” (Ef 5.8). reconhecer que não somos meros expectadores, mas agentes escatológicos que apressam o retorno de Cristo (2Pe 3.9,12; Mt 24.14 e Ap 7.9) através do cumprimento da missão de fazer mais e mais discípulos de todas as nações (Mt 28.20).
Desconstruindo o Mito dos “Precursores” do Pré‑Tribulacionismo+
Uma análise histórica e crítica Por Bispo José Ildo Swartele de Mello
Introdução
Quando alguém afirma que Jesus arrebatará a Igreja sete anos antes da sua volta em glória, logo surge a pergunta: “Mas onde isso foi ensinado ao longo da história cristã?” A verdade é que, por dezoito séculos, ninguém descreveu um esquema em duas etapas — primeiro, um arrebatamento secreto, antecedendo a Grande Tribulação, seguido por uma segunda fase da Vinda de Cristo, de forma pública e visível. O próprio John Nelson Darby, pai do pré‑tribulacionismo, não recorreu aos Pais da Igreja nem a teólogos medievais para sustentar sua tese; baseou‑se exclusivamente na sua leitura da Bíblia, distinguindo Israel da Igreja, interpretando as semanas de Daniel e vendo tipos proféticos no Apocalipse.
Só mais tarde, apologistas dispensacionalistas passaram a “garimpar” frases antigas que, fora do contexto, parecem antecipar um arrebatamento prévio. Irineu, o sermão atribuído a “Pseudo‑Efrem”, a lenda inquisitorial sobre Frei Dolcino e notas dispersas de pregadores puritanos do século XVII foram convocados para dar ao sistema uma genealogia mais longa.
Neste estudo, voltamos às fontes originais — em grego, latim ou boas traduções — e fazemos a pergunta decisiva: essas passagens realmente falam de um arrebatamento antes da Grande Tribulação, separado da vinda gloriosa de Cristo? À medida que avançamos, fica claro que as supostas provas resultam de leituras anacrônicas, recortes fora do contexto ou equívocos de tradução. No fim das contas, o pré‑tribulacionismo plenamente articulado continua sendo uma novidade nascida no século XIX.
1. Pastor de Hermas e a tribulação espiritual (séc. II)
Na Visão II, cap. 6 do Pastor de Hermas¹ lê‑se: “Felizes sois vós que suportais a grande tribulação que está para vir…”. Alguns veem aí um convite à fuga, mas o próprio livro exorta os cristãos a carregarem cruzes, enfrentarem prisões e não negarem a fé. A bem‑aventurança recai sobre quem suporta, não sobre quem escapa. Gregory Beale² lembra que, na Igreja primitiva, a glória vinha depois da provação; não havia expectativa de remoção secreta antes do sofrimento.
2. Pais quiliastas: Irineu de Lião e Vitorino de Pettau (sécs. II‑III)
2.1. Irineu Dispersos em busca de pedigree histórico, alguns defensores do pré‑tribulacionismo agarram‑se a Irineu de Lião († c. 202), autor do monumental Contra as Heresias.³ Se um bispo do século II ensinasse um arrebatamento antes da tribulação, o argumento ganharia peso considerável. O verso mais citado é 5,29,1, na tradução ANF: “When, in the end, the Church shall be suddenly caught up from this, there shall be tribulation such as has not been since the beginning…”. Lendo só essa linha, parece haver dois atos: primeiro a Igreja sobe; depois começa a tribulação. Mas o efeito nasce de três equívocos.
Primeiro, a frase é arrancada do bloco que vai do capítulo 29 ao 30, onde Irineu organiza a sequência completa. Ele recorda dois períodos de três anos e meio — a meia‑semana de Daniel — e coloca neles a perseguição do Anticristo. Só depois declara que Cristo desce, os mortos ressuscitam, os vivos são transformados e então se inicia o reino. Segundo, o grego original usa ὅταν… γένηται, partícula temporal que significa “quando/ao mesmo tempo em que”, jamais “antes de”. Irineu descreve simultaneidade, não sucessão. Terceiro, o próprio autor chama esse tempo de “última prova dos justos”, o que pressupõe a Igreja ainda na cena, não ausente.
A coerência interna confirma o quadro. No mesmo Livro V ele diz que a Besta “perseguirá a Igreja, mas será destruída pela vinda do Senhor” (5,26,1) e que a ressurreição dos justos se dará “depois do advento do Anticristo” (5,35,1). Nada aqui indica um hiato de sete anos. A posição de Irineu também combina com a Didaquê 16, com o Diálogo de Justino (cap. 110) e com Hipólito (Tratado sobre Cristo e o Anticristo, capítulo 60): todos preveem a Igreja atravessando a tribulação e acolhendo Cristo numa única vinda gloriosa.
Assim caem as quatro colunas da tese pré‑tribulacionista: não existe intervalo de sete anos sem Igreja; há uma única segunda vinda, não duas; a gramática de Irineu dispensa a leitura “antes de”; e o testemunho patrístico é uniforme em esperar tribulação com a Igreja na terra. A “prova” pré‑tribulacionista é fruto de uma citação isolada, traduzida com viés e desligada do contexto. Quando lido por inteiro, Contra as Heresias exibe o esquema clássico pós‑tribulacionista: reinado final do Anticristo, perseguição derradeira aos santos, descida pública do Senhor, arrebatamento/ressurreição e início do reino milenar. Em vez de legitimar o pré‑tribulacionismo, Irineu confirma a expectativa primitiva: o povo de Deus enfrenta a tribulação, mantém‑se fiel e é vindicado na mesma e única manifestação de Cristo — nunca sete anos antes dela.
2.2. Vitorino Alguns autores dispensacionalistas recorrem a Vitorino de Pettau para sugerir um arrebatamento antes da ira final. O argumento é que, no seu comentário de Ap 6.14, ao falar do “céu que se enrola como um pergaminho”, Vitorino veria ali o momento em que a Igreja seria retirada da Terra antes que os juízos seguintes caiam sobre o mundo.
Mas o próprio texto de Vitorino desmente essa leitura.⁴ Ele identifica o colapso cósmico do sexto selo como o anúncio do Juízo Final, imediatamente seguido da “primeira ressurreição” de Ap 20.4‑6. Em outras palavras, para ele o selar do céu não inaugura sete anos de ira sem Igreja; marca o clímax da parusia pública, logo antes do reino milenar. Vitorino, tal como Irineu, é quiliasta (pré‑milenista), mas nitidamente pós‑tribulacionista: a Igreja atravessa o período do Anticristo e só então, junto com o colapso do universo, encontra Cristo e reina com Ele.
3. Cipriano de Cartago e o desejo de “partir” (c. 252 d.C.)
Defensores do pré‑tribulacionismo costumam citar Cipriano de Cartago para sustentar a ideia de que Deus removerá os fiéis antes da tribulação. A base é uma linha de seu tratado De Mortalitate⁵, escrito em meio à peste (c. 252): “O justo é levado antes que venha o mal” (Is 57,1). Para esses autores, o “partir” do justo seria um indício de arrebatamento prévio aos juízos finais.
O contexto mostra outra coisa. Cipriano está confortando cristãos apavorados com a epidemia e interpreta Isaías como promessa de que a própria morte do crente pode ser um livramento misericordioso — não uma fuga coletiva em vida. Allen Brent⁶ observa que “partir” significa morrer em Cristo ou, no máximo, receber a coroa do martírio — nada a ver com uma retirada coletiva antes da tribulação. Cipriano encoraja os fiéis a permanecer firmes nas provações presentes, não a esperar um resgate secreto antes dos sofrimentos escatológicos.
4. Literalismo antioqueno ≠ pré‑tribulacionismo (sécs. IV‑V)
Alguns associam a escola de Antioquia — Luciano, Teodoro de Mopsuéstia, João Crisóstomo — ao pré‑tribulacionismo por causa do “método literal”. Entretanto, Crisóstomo, Homilia 77 sobre Mateus⁷, afirma que a Igreja verá a tribulação e permanecerá firme. Teodoro, em seu comentário ao Apocalipse⁸, aplica os 1 260 dias ao último governo do Anticristo, com a Igreja ainda na terra. Portanto, o dito literalismo antioqueno confirma a presença da Igreja durante a tribulação — não sua retirada antecipada.
5. Pseudo‑Efrem e a Última Trombeta (séc. VII)
No sermão Sobre a Última Trombeta⁹, encontra‑se a seguinte frase: g mnes enim sancti et electi Dei, ante tribulationem quae ventura est, colliguntur et ad Dominum adsumuntur, ne quando videant confusionem, quae universum propter peccata nostra obruet mundum. (edição C. P. Caspari, Briefe, Abhandlungen und Predigten [1890] p. 211, l. 4‑6).
Tradução direta para o português:
Pois todos os santos e eleitos de Deus, antes da tribulação que há de vir, são reunidos e levados ao Senhor, para que não vejam a confusão que há de abater todo o mundo por causa dos nossos pecados.
Lida sozinha e com as lentes modernas do dispensacionalismo, a frase parece apoiar um arrebatamento pré‑tribulacional. Mas, no sermão inteiro, tribulação significa o período de perseguição brutal e martírio que o Anticristo desencadeará — não um bloco de sete anos de juízos divinos despejados sobre a terra enquanto a Igreja descansa no céu. Logo após a sentença citada, o autor descreve cristãos fugindo para o deserto, muitos sendo degolados e a terra enchendo‑se de sangue; tudo isso se passa durante a tribulação mencionada. Mais adiante ele diz claramente que “quando se completarem os três anos e meio, aparecerá o Anticristo e então o Senhor virá em glória para destruí‑lo”, vinculando a segunda vinda à plena manifestação do Iníquo, não a um resgate secreto antes dela. Alan Kurschner¹⁰ observa que o particípio latino colliguntur(“são reunidos”) tem conotação litúrgica de ajuntamento final, e que o propósito final — “para que não vejam a confusão” — é retórico, não cronológico; o autor promete livramento na crise (por proteção ou martírio), não fuga antes dela. Tomar essa linha como esboço do modelo de Darby, portanto, é anacronismo: transplanta categorias do século XIX a um texto do século VII que fala de sofrimento imediato dos santos e da vinda de Cristo logo após o auge da perseguição.
6. Frei Dolcino: desmontando o mito de um “precursor” do pré‑tribulacionismo Há quem cite Frei Dolcino de Novara como se o líder dos “Apostólicos”, morto em 1307, tivesse antecipado a ideia de um arrebatamento anterior à Grande Tribulação. Quando se põem os fatos na mesa, a comparação não se sustenta. Dolcino capitaneou um movimento joaquinista que pregava o fim da “Igreja carnal”, defendia a comunhão de bens e, segundo registros inquisitoriais, recorreu a saques e violência nas montanhas do Piemonte¹¹. A Encyclopædia Britannica também o classifica como rebelde apocalíptico¹².
A única peça de origem que descreve sua escatologia é um libelo hostil, a Historia Fratris Dulcini (1316), escrita nove anos depois da execução. Dolcino não deixou uma linha de exegese bíblica; tudo chega filtrado pela pena dos vencedores¹³. Segundo o relato, ele pregaria durante três anos e meio, seria levado ao paraíso de Enoque e Elias antes de perseguição feroz, veria Enoque e Elias voltarem e morrerem, assistiria — de longe — ao longo reinado do Anticristo e, por fim, desceria à terra como “papa legítimo” para evangelizar quem sobrou. Mesmo assim, quase nada bate com o esquema pré‑tribulacionista clássico. Francis X. Gumerlock confirma que o episódio não gerou descendência teológica¹⁴.
7. Puritanos e pré‑Darbyanos (sécs. XVII‑XVIII)
Morgan Edwards especulou, em Two Academical Exercises¹⁵, sobre um intervalo de 3 ½ anos antes do milênio, mas não descreveu duas vindas.
Manuel Lacunza, em *La venida del Mesías…*¹⁶, aguardava um reino terreno futuro; a ideia de arrebatamento secreto surgiu apenas no prefácio inglês de Edward Irving (1827).
Increase Mather¹⁷ e Joseph Mede¹⁸ veem o retorno de Cristo como ato único e visível.
8. A alegada “cascata puritana” (séc. XVII)
O artigo de David Cloud¹⁹ destaca pregadores puritanos — Thomas Vincent, Jeremiah Burroughs, Nathaniel Homes, William Hooke, Oliver Heywood — como se já ensinassem um arrebatamento pré‑tribulacional. Mas Thomas Vincent, An Explicatory Catechism²⁰, lê 1 Ts 4.17 como a ressurreição final; não há intervalo de sete anos. Jeremiah Burroughs, sermão 240 sobre Oséias²¹, fala em “salvos da ira vindoura”, entendendo “ira” como juízo final. Nathaniel Homes, The Resurrection Revealed²², de fato propõe um arrebatamento pouco antes da conflagração de 2 Pe 3.10, mas sem dupla parousia. William Hooke, The Saints Dignity and Duty²³, confia em proteção durante a perseguição; Oliver Heywood, The Great Danger of Apostasy²⁴, exorta firmeza até que “o homem do pecado seja revelado”. Quando não pós‑trib, esses autores ficam no máximo num “pré‑ira” encurtado.
9. Uma última alegação dispensacionalista a examinar
Em A Brief History of the Rapture (2005), Thomas Ice cita cinco autores como prova de que já existiria um “arrebatamento secreto” antes da ira final: Pierre Jurieu, Philip Doddridge, John Gill, James Macknight e Thomas Scott²⁵. Contudo, a leitura direta das fontes mostra:
Jurieu prevê três anos e meio de perseguição, a queda de Roma e o reino de Cristo na terra, sem retirada celestial da Igreja²⁶.
Doddridge usa “rapture” apenas como tradução de 1 Ts 4,17; não divide a vinda em duas fases²⁷.
Gill fala do encontro nos ares seguido imediatamente do reino pós‑tribulacional²⁸.
Macknight admite que os crentes ficarão “algum tempo” com Cristo, mas descem logo para reinar; nenhum hiato de sete anos²⁹.
Scott vê o encontro como recepção ao Rei que prossegue direto ao juízo³⁰.
Nada aqui descreve sete anos de Grande Tribulação sem Igreja nem uma Segunda Vinda de Cristo em duas etapas separadas por sete anos. Até essa “evidência” suplementar reforça que a ideia de um arrebatamento secreto antes da Grande Tribulação surge só com Darby.
Conclusão
Revisitando o itinerário sugerido por quem busca uma linhagem antiga do pré‑tribulacionismo — de Hermas e Ireneu a Dolcino, dos puritanos a Jurieu ou Gill — encontramos sempre o mesmo resultado: falta a peça‑chave de duas vindas separadas por anos, com uma retirada secreta da Igreja antes do Anticristo e da Grande Tribulação. Esse quadro completo aparece apenas a partir de 1830, quando John Nelson Darby sistematiza o dispensacionalismo. O pré‑tribulacionismo, portanto, é construção moderna; os supostos “precursores” não passam de ecos esparsos, extraídos de contexto para justificar uma genealogia que a história não confirma.
Notas 1. HERMAS, Pastor, Vis. II, 2, Loeb Classical Library 24 (Lake, 1965), p. 26‑29.
2. BEALE, Gregory K. A New Testament Biblical Theology (Baker, 2011), p. 1101‑1106.
3. IRINEU, Contra as Heresias, V.29‑30 (trad. PAULUS, 2004).
4. VITORINO, Commentarius in Apocalypsin 6.14, CCSL 49, p. 78‑80.
5. CIPRIANO, De Mortalitate 25‑26, CSEL 3/3, p. 290‑295.
6. BRENT, Allen. Cyprian and Roman Carthage (CUP, 2009), p. 185‑190.
7. JOÃO CRISÓSTOMO, Hom. 77 in Matth. (PG 58, 708‑712).
8. TEODORO DE MOPSUESTIA, Commentarius in Apocalypsin 11.3‑12 (ed. Swete), p. 215‑219.
9. PSEUDO‑EFREM, De extremo iudicio, §§ 2‑3, CSCO 93, p. 4‑6.
10. KURSCHNER, Alan E. Pseudo‑Ephraem Is NOT a Pre‑Tribulation Document (Eschatos, 2012), p. 7‑11.
11. Historia Fratris Dulcini, caps. 2‑4 (Rerum Ital.).
12. Encyclopædia Britannica, s.v. “Fra Dolcino”, acesso 08 jul 2025.
13. Historia Fratris Dulcini, caps. 10‑11, in: McGinn, Apocalyptic Spirituality (Paulist, 1979), p. 217‑222.
14. GUMERLOCK, Francis X. “A Rapture Citation in the Fourteenth Century”, Evangelical Review of Theology 25/2 (2001), p. 113‑119.
15. EDWARDS, Morgan. Two Academical Exercises (1788), p. 7‑12.
16. LACUNZA, Manuel. La venida del Mesías en gloria y majestad (1811), I, p. 101‑104.
17. MATHER, Increase. The Mystery of Christ’s Kingdom (1693), cap. 4, p. 57‑61.
18. MEDE, Joseph. Clavis Apocalyptica (1643), p. 523‑533.
19. CLOUD, David. “When Was the Pre‑Tribulation Rapture First Taught?” Way of Life, 2010, acesso 18 jul 2025.
20. VINCENT, Thomas. An Explicatory Catechism (1675), p. 309‑312.
21. BURROUGHS, Jeremiah. Exposition of Hosea, serm. 240 (1651), p. 85‑89.
22. HOMES, Nathaniel. The Resurrection Revealed (1653), p. 62‑63, 492‑494.
23. HOOKE, William. The Saints Dignity and Duty (1660), p. 73‑75.
24. HEYWOOD, Oliver. The Great Danger of Apostasy (1679), cap. 3, p. 41‑46.
25. ICE, Thomas D. “A Brief History of the Rapture” (Pre‑Trib Research Center, 2005), p. 2‑4.
26. JURIEU, Pierre. The Accomplishment of the Scripture Prophecies (London, 1687), III, p. 306‑309.
27. DODDRIDGE, Philip. The Family Expositor, IV (London, 1738), p. 278‑280.
28. GILL, John. Exposition of the NT, II (London, 1748), com. 1 Ts 4,15‑17.
29. MACKNIGHT, James. Apostolical Epistles Explained, IV (London, 1763), p. 461‑462.
30. SCOTT, Thomas. Holy Bible with Explanatory Notes (London, 1792), com. 1 Ts 4,16‑17.
Família rasga dinheiro e documentos, segue pastores para encontrar com Jesus em pessoa em São Paulo e desaparece+
O caso que motivou esta reflexão
Em 2013, o portal Gospel Mais noticiou o caso de uma família de São Paulo que, convencida por pregadores de rua de que Jesus voltaria em uma data determinada, rasgou dinheiro e documentos, abandonou empregos e saiu de casa para “encontrar Jesus”. Foi localizada dias depois, a cerca de 400 km, e recebeu acompanhamento da assistência social.
Fonte: portal Gospel Mais, noticias.gospelmais.com.br.
O que a Escritura ensina sobre a iminência da Segunda Vinda
Jesus falou sobre uma série de sinais que precederiam sua Segunda Vinda (Mt 24), mas, no final do seu sermão, ele deixou bem claro que tais sinais dariam a eles apenas uma noção de proximidade e jamais serviriam para a marcação exata de data. “Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai”… “Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor” (Mt 24.36-42). Todos os que marcam datas e que acreditam nelas estão ignorando esta clara advertência de Cristo. “Errais por não conhecerdes as Escrituras” (Mc 12.24).
A Segunda Vinda de Cristo é iminente? Pode acontecer a qualquer momento sem prévios sinais? A resposta é não. Pois não seria lógico concluir que determinados textos estão ensinando a idéia da iminência hoje, quando se evidencia que estes mesmos textos não poderiam ter sido interpretados neste sentido por seus primitivos destinatários. Por exemplo, os textos, como Mc 9.1; Mc 13.29-30; Mt 10.23; Rm 13.11-12; Tg 5.8; 1 Pe 4.7; Ap 22.20; Hb 10.25, 37; 1 Jo 2.18, usados pelos dispensacionalistas para defender uma Segunda Vinda de Cristo iminente, nunca poderiam ter sido compreendidos pelos discípulos com esta intenção, pois quando foram escritos, certos eventos tinham, necessariamente, que ocorrer antes da Segunda Vinda de Cristo, por exemplo: A promessa do consolador (Jo 16.7, 13, 26); Evangelho deveria ser pregado a todo mundo (Mt 26.13; At 1.8; 9.15; 22.15; 26.2); Pedro seria morto conforme profetizado por Cristo (Jo 21.18); guerras viriam antes do fim (Lc 21.9); primeiro ocorreria a apostasia e o aparecimento do Anticristo (2 Ts 2.2,3). Paulo recebeu de Deus diversas orientações sobre o que lhe ocorreria no decurso de sua vida e ministério, inclusive sobre sua morte (At 9.15; 22.15; 26.2; 23.11; 27.24; 28.30; 2 Tm 4.5ss.
Fica evidente, então, que a Igreja neo-testamentária não poderia ter esperado uma vinda de Cristo a qualquer momento. Se os textos usados pelos dispensacionalistas nunca poderiam ter significado de iminência para os leitores originais, também não têm este significado para nós, hoje.
Cristo no Sermão das últimas coisas nos ensinou que sinais deveriam preceder sua Segunda Vinda. Sinais depõem contra a idéia de “iminência”. Os sinais não têm a intenção de nos conceder condições para precisar o dia da Segunda Vinda, Jesus denuncia a fascinação por cálculos (Mt 24.33-36); os sinais mencionados por Cristo são inespecíficos para este fim, antes, o propósito é preparar o povo de Deus com a compreensão das pressões que terá de suportar. O propósito de Jesus é encorajar, não a especulação, mas a vigilância – fortalecer a fé e advertir os discípulos do que será a sua sorte como seguidores dela. Se os cristãos atentarem para as palavras de Cristo, como disse Travis, “conhecerão que a situação não está fora do controle de Deus, e que eles podem ‘perseverar até o fim e serem salvos’ (Mc 13.13) e que além dessas tribulações está o retorno triunfante do Filho do Homem (Mc 13.24-27)”.1 Por não sabermos quando se dará Sua Segunda Vinda, é necessária a vigilância (Mt 24.42-25.13). Alguns textos sugerem um tempo relativamente longo entre a ascensão e a Segunda Vinda de Cristo (Rm 9; 11; Mt 24.45-51; 2 Pe 3). O livro de Atos é um livro de história da Igreja e ninguém escreve história convencido de que o mundo está para acabar.
Os textos que falam sobre uma “vinda súbita” e o dos “sinais”, e mesmo aqueles que apontam para uma “demora”, não são contraditórios, mas complementares. Em 1 Tessalonicenses 5, temos uma referência à “vinda súbita”, já em 2 Tessalonicenses 2, temos a menção de “sinais” que devem preceder a Segunda Vinda de Cristo. Jesus não disse que poderia vir a qualquer momento, antes profetizou uma série de eventos que se dariam antes daquele glorioso dia. Tais sinais não são suficientemente precisos para calcularmos o tempo da Sua vinda, que para nós permanece como incerta, requerendo que estejamos sempre alertas. Este “em breve” pode até nos parecer demorado, como bem explicou Pedro, dizendo que há um propósito para o que encaramos como “demora”, a longanimidade de Deus e seu desejo que nenhum pereça (2 Pe 3.9); Pedro ensina que podemos fazer algo para “apressar” a Segunda Vinda de Cristo (2 Pe 3.12), que depende, em algum sentido, das conversões (At 3.19-21). Jesus disse: “Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações” (Mc 13.10; cf. Mt 24.14). Conforme o ensino do apóstolo Pedro, a Segunda Vinda de Cristo não é iminente, pelo contrário ela depende da realização dos propósitos de Deus, que, por sua vez, estão vinculados à missão da Igreja. É desta forma que podemos entender o que o apóstolo quer dizer com esta incumbência dada aos cristãos de “apressar” a vinda do Senhor (2 Pe 3.12).
Não há base bíblica para qualquer idéia de que quando Jesus vier haja dúvidas sobre quem ele é ou sobre se ele realmente veio. A Segunda Vinda de Cristo e o conseqüente arrebatamento da Igreja nunca são descritos como sendo secretos ou silenciosos, mas sempre se apresentam como um evento: retumbante, com “grande clangor de trombeta” (Mt 24.31; 1 Ts 4.16,17); “assim como o relâmpago” (Mt 24.27); visível: “assim virá do modo como o vistes subir” (At 1.11); “aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem” (Mt 24.30); “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele.” (Ap 1.7; ver também 19.11-21; Mt 26.64; Mc 14.62 e Dn 7.13); “pela manifestação de sua vinda” (2Ts 2.8); “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas… bramido do mar e das ondas; haverá homens que desmaiarão de terror… pois os poderes dos céus serão abalados. Então se verá o Filho do homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória. Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei as vossas cabeças; porque a vossa redenção se aproxima.” (Lc 22.25-28; ver também Mc 8.38); “aparecerá segunda vez” (Hb 9.28); “Virá, entretanto, como ladrão, o dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo e os elementos se desfarão abrasados” (2 Pe 3.10; ver também v.12); Paulo diz que nós os cristãos estamos aguardando “a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo” (Tt 2.12; ver também Cl 3.4 e 1 Pe 5.4; 1 Jo 3.2; Mt 16.27; 25.31; 1 Co 4.5; 1 Tm 4.1; Jd 14,15; 1 Co 1.7; 2Ts 1.7,8).
Devemos estudar as profecias de Cristo para não cairmos nas heresias dos falsos profetas. Sigamos firmes na Palavra de nosso Senhor Jesus Cristo!
“Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor” (Mt 24.36)
Bispo Ildo Mello Igreja Metodista Livre: metodistalivre.org.br/ Blog: escatologiacrista. blogspot.com Igreja: imeldemirandopolis. blogspot.com Vídeos: youtube.com/ildomello Novo Canal de Vídeos: vimeo.com/channels/ mensagem MP3: divshare.com/download/12472628-291 Estudos: scribd.com/ildomello Siga-me: twitter.com/ildomello
A Segunda Vinda de Cristo é iminente?+
A Segunda Vinda de Cristo é iminente? Pode acontecer a qualquer momento sem prévios sinais? A resposta é não. Pois não seria lógico concluir que determinados textos estão ensinando a idéia da iminência hoje, quando se evidencia que estes mesmos textos não poderiam ter sido interpretados neste sentido por seus primitivos destinatários. Por exemplo, os textos, como Mc 9.1; Mc 13.29-30; Mt 10.23; Rm 13.11-12; Tg 5.8; 1 Pe 4.7; Ap 22.20; Hb 10.25, 37; 1 Jo 2.18, usados pelos dispensacionalistas para defender uma Segunda Vinda de Cristo iminente, nunca poderiam ter sido compreendidos pelos discípulos com esta intenção, pois quando foram escritos, certos eventos tinham, necessariamente, que ocorrer antes da Segunda Vinda de Cristo, por exemplo: A promessa do consolador (Jo 16.7, 13, 26); Evangelho deveria ser pregado a todo mundo (Mt 26.13; At 1.8; 9.15; 22.15; 26.2); Pedro seria morto conforme profetizado por Cristo (Jo 21.18); guerras viriam antes do fim (Lc 21.9); primeiro ocorreria a apostasia e o aparecimento do Homem da Iniquidade (2 Ts 2.2,3). Paulo recebeu de Deus diversas orientações sobre o que lhe ocorreria no decurso de sua vida e ministério, inclusive sobre sua morte (At 9.15; 22.15; 26.2; 23.11; 27.24; 28.30; 2 Tm 4.5ss. Fica evidente, então, que a Igreja neo-testamentária não poderia ter esperado uma vinda de Cristo a qualquer momento. Se os textos usados pelos dispensacionalistas nunca poderiam ter significado de iminência para os leitores originais, também não têm este significado para nós, hoje.
Cristo no Sermão das últimas coisas nos ensinou que sinais deveriam preceder sua Segunda Vinda. Sinais depõem contra a idéia de “iminência”. Os sinais não têm a intenção de nos conceder condições para precisar o dia da Segunda Vinda, Jesus denuncia a fascinação por cálculos (Mt 24.33-36); os sinais mencionados por Cristo são inespecíficos para este fim, antes, o propósito é preparar o povo de Deus com a compreensão das pressões que terá de suportar. O propósito de Jesus é encorajar, não a especulação, mas a vigilância – fortalecer a fé e advertir os discípulos do que será a sua sorte como seguidores dela. Se os cristãos atentarem para as palavras de Cristo, como disse Travis, “conhecerão que a situação não está fora do controle de Deus, e que eles podem ‘perseverar até o fim e serem salvos’ (Mc 13.13) e que além dessas tribulações está o retorno triunfante do Filho do Homem (Mc 13.24-27)”.1 Por não sabermos quando se dará Sua Segunda Vinda, é necessária a vigilância (Mt 24.42-25.13). Alguns textos sugerem um tempo relativamente longo entre a ascensão e a Segunda Vinda de Cristo (Rm 9; 11; Mt 24.45-51; 2 Pe 3). O livro de Atos é um livro de história da Igreja e ninguém escreve história convencido de que o mundo está para acabar.
Os textos que falam sobre uma “vinda súbita” e o dos “sinais”, e mesmo aqueles que apontam para uma “demora”, não são contraditórios, mas complementares. Em 1 Tessalonicenses 5, temos uma referência à “vinda súbita”, já em 2 Tessalonicenses 2, temos a menção de “sinais” que devem preceder a Segunda Vinda de Cristo. Jesus não disse que poderia vir a qualquer momento, antes profetizou uma série de eventos que se dariam antes daquele glorioso dia. Tais sinais não são suficientemente precisos para calcularmos o tempo da Sua vinda, que para nós permanece como incerta, requerendo que estejamos sempre alertas. Este “em breve” pode até nos parecer demorado, como bem explicou Pedro, dizendo que há um propósito para o que encaramos como “demora”, a longanimidade de Deus e seu desejo que nenhum pereça (2 Pe 3.9); Pedro ensina que podemos fazer algo para “apressar” a Segunda Vinda de Cristo (2 Pe 3.12), que depende, em algum sentido, das conversões (At 3.19-21). Jesus disse: “Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações” (Mc 13.10; cf. Mt 24.14). Conforme o ensino do apóstolo Pedro, a Segunda Vinda de Cristo não é iminente, pelo contrário ela depende da realização dos propósitos de Deus, que, por sua vez, estão vinculados à missão da Igreja. É desta forma que podemos entender o que o apóstolo quer dizer com esta incumbência dada aos cristãos de “apressar” a vinda do Senhor (2 Pe 3.12). Seria contraditório crer que a Segunda Vinda de Cristo pode se dar a qualquer momento, independente de qualquer fator ou cumprimento profético, e, ao mesmo tempo, ensinar que pode ser feito algo para apressar a vinda do Senhor. Ou Pedro era um pré-tribulacionista que acreditava que a Segunda Vinda de Cristo era iminente ou era, como deixou claro em sua segunda epístola, daqueles que acreditam que a Segunda Vinda do Senhor depende, entre outras coisas, da obra missionária da Igreja. Por isso, exorta os cristãos que cumpram o seu papel, apressando a volta de Jesus.
Gondim afirma que Segunda Vinda é utopia motivacional+
A afirmação em debate
Ricardo Gondim fez a seguinte afirmação em uma palestra que proferiu aos pastores em Março de 2011:
“A volta de Cristo está revelada nas escrituras, não para a gente esperar por Ele. A volta de Cristo está revelada nas escrituras para nos mobilizar a ir na direção daquilo que a volta de Cristo significa, a agirmos, para dizer que o Reino de Deus é chegado entre os homens”.
O vídeo desta palestra que estava publicado no Youtube, por alguma razão desconhecida, foi removido. Eu e muitas outras pessoas tivemos a oportunidade de assistir para confirmar que ele realmente ensinou isto. O link era este: http://www.youtube.com/watch?v=ihP-U4q53eY&feature=youtu.be Então, para o Gondim, a Segunda Vinda não é um evento a ser aguardado pela Igreja, mas uma motivação para a Igreja trabalhar para produzir aquilo que a Segunda Vinda de Cristo significa. No entanto, a Segunda Vinda de Cristo não é uma utopia motivacional, mas, sim, a bendita esperança cristã baseada na palavra daquele que é fiel e poderoso para cumprir o que prometeu. “De fato, não seguimos fábulas engenhosamente inventadas, quando lhes falamos a respeito do poder e da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo; pelo contrário, nós fomos testemunhas oculares da sua majestade” ( 2 Pe 1.16)
O que a Escritura ensina sobre a esperança da Segunda Vinda
O Reino de Deus foi inaugurado na Primeira Vinda de Cristo, a igreja é o Corpo de Cristo, uma poderosa agência do Reino, que encontrará sua plenitude por ocasião da Segunda Vinda, que trará o juízo final e um novo tempo em uma nova terra.
É certo criticar a passividade de muitos cristãos que aguardam de braços cruzados o retorno de Cristo como solução de todos os problemas, mas não à custa do esvaziamento da promessa da Segunda Vinda de Jesus. “Porque assim como o relâmpago sai do Oriente e se mostra no Ocidente, assim será a vinda do Filho do homem” ( Mt 24.27).
Onde está o equívoco
Gondim está plenamente equivocado quando afirma que a esperança da Segunda Vinda levou muitos tessaloniscenses à um comodismo, pois a causa do problema não foi a esperança, mas o falso ensino que dizia que a Segunda Vinda já havia ocorrido. “Irmãos, quanto à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e o nosso reencontro com ele, rogamos a vocês que não se deixem abalar nem alarmar tão facilmente, quer por profecia, quer por palavra, quer por carta supostamente vinda de nós, como se o dia do Senhor já tivesse chegado” (2 Ts 2.1-2).
A Segunda Vinda de Cristo será um evento real, concreto, pessoal e visível conforme a promessa de Jesus que diz: “Então se verá o Filho do homem vindo nas nuvens com grande poder e glória” (Mc 13.26).
Pedro ensina que podemos fazer algo para “apressar” a Segunda Vinda de Cristo (2 Pe 3.12), que depende, em algum sentido, das conversões (At 3.19-21). Jesus disse: “Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações” (Mc 13.10; cf. Mt 24.14). Conforme o ensino do apóstolo Pedro, a Segunda Vinda de Cristo não é iminente, pelo contrário ela depende da realização dos propósitos de Deus, que, por sua vez, estão vinculados à missão da Igreja. É desta forma que podemos entender o que o apóstolo quer dizer com esta incumbência dada aos cristãos de “apressar” a vinda do Senhor (2 Pe 3.12). Seria contraditório crer que a Segunda Vinda de Cristo pode se dar a qualquer momento, independente de qualquer fator ou cumprimento profético, e, ao mesmo tempo, ensinar que pode ser feito algo para apressar a vinda do Senhor. Ou Pedro era um pré-tribulacionista que acreditava que a Segunda Vinda de Cristo era iminente ou era, como deixou claro em sua segunda epístola, daqueles que acreditam que a Segunda Vinda do Senhor depende, entre outras coisas, da obra missionária da Igreja. Por isso, exorta os cristãos a cumprirem o seu papel evangelizador, apressando, assim, a volta de Jesus.
O derramamento do Espírito em Pentecoste ocorreu imediatamente após a ascensão de Cristo e é inseparável dela. Jesus foi entronizado como Senhor e Messias (At 2.36), como o Rei de todo o Universo, e é desta exaltada posição que ele enviou o seu Espírito para capacitar a sua Igreja a cumprir sua missão de fazer discípulos de todas as nações.
Conclusão
Portanto, a Segunda Vinda de Cristo não deve ser encarada como uma utopia motivacional, mas como a bendita esperança de um retorno real, físico e glorioso de Jesus Cristo o que também nos impulsiona ao cumprimento de nossa missão na Terra.
Bispo José Ildo Swartele de Mello
RaptureTok+
Assista também ao vídeo desta reflexão.
O fenômeno viral no TikTok, conhecido como “RaptureTok”, ganhou notoriedade ao espalhar a crença de que o arrebatamento, e o subsequente fim do mundo, ocorreriam em uma data específica.
Como surgiu e do que se trata
Toda a tendência teve origem a partir de uma previsão de um pastor sul-africano chamado Joseph Ma. Ele afirmou que, em um sonho em 2018, Jesus lhe disse que o arrebatamento aconteceria em 23 ou 24 de setembro de 2025. A partir desse relato, a data se popularizou nas redes sociais, levando muitos a acreditarem que o “arrebatamento da igreja” estava iminente.
O “RaptureTok” se tornou uma plataforma onde cristãos evangélicos online compartilham suas reações e preparativos para o que acreditam ser um evento próximo. O cerne da crença se baseia no conceito de arrebatamento, onde os crentes seriam levados ao céu antes de um período de tribulação na Terra, uma interpretação que ganha forma em uma corrente teológica específica.
O impacto: fé sincera e zombaria
O impacto do fenômeno foi dual e muito significativo, dividindo os internautas em dois grupos principais:
* Preparação e Ação: Milhões de pessoas levaram a previsão a sério, manifestando sua fé por meio de ações práticas. Vídeos mostravam indivíduos vendendo seus pertences, como carros e até mesmo animais de estimação, e criando materiais para os “não-crentes” que seriam “deixados para trás”, como Bíblias e cartões com escrituras.
* Zombaria e Crítica: Em contrapartida, a tendência foi recebida com ampla zombaria e ceticismo. A internet foi inundada com vídeos de pessoas parodiando a crença, vestindo seus pets com capacetes de papel alumínio e comparando a previsão a outras falhas históricas de fim do mundo, como o calendário maia em 2012 e o bug do milênio (Y2K). A magnitude do fenômeno foi tamanha que até mesmo o famoso dicionário Merriam-Webster participou da conversa online.
O fenômeno “RaptureTok” reflete uma escatologia distorcida e espetaculativa, que se apoia em uma leitura dispensacionalista e pré-tribulacionista da Bíblia. Essa interpretação não corresponde nem ao ensino bíblico nem à fé histórica da igreja, que compreende a volta de Cristo e o encontro com a igreja como um único e glorioso evento público.
O que a Escritura ensina sobre a volta de Cristo
As Escrituras afirmam que:
* A volta de Cristo será um único evento público e visível a todos:
* 1 Tessalonicenses 4.16-17 descreve o Senhor descendo do céu e a igreja sendo “arrebatada” para encontrá-lo nos ares, em um só momento glorioso.
* 1 Coríntios 15.51-52 fala de um mistério: “Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.” * Apocalipse 1.7 declara que “todo olho o verá, até mesmo os que o trespassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele.” * Ninguém sabe o dia nem a hora desse acontecimento:
* Mateus 24.36 é a palavra clara de Jesus: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai.” * Mateus 25.13 reforça a necessidade de vigilância, não de especulação: “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir.” Previsões desse tipo, ao falharem, somam-se a tantas outras que já fracassaram, resultando no descrédito do evangelho. O vídeo em questão ilustra essa consequência, mostrando como a seriedade de uma verdade da fé cristã é submetida à zombaria e banalização.
O verdadeiro preparo cristão
O verdadeiro preparo cristão não se baseia em sensacionalismo ou especulação, mas sim em viver em santidade prática e em amor a Deus e ao próximo, como ensinou John Wesley.
* 2 Pedro 3.11-12 liga a esperança da vinda do Senhor à santificação: “Visto que todas essas coisas hão de ser assim desfeitas, que pessoas deveis ser em santo procedimento e piedade, esperando e apressando a vinda do Dia de Deus.” * Colossenses 3.1-2 orienta os crentes a se concentrarem nas coisas do alto: “Se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está, assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra.” A esperança cristã não é um espetáculo com data marcada, mas a vigilância constante de quem aguarda a vinda gloriosa de Cristo, perseverando na fé, no amor e na santificação até o fim.
Prepara-te para te encontrares com o teu Deus!+
“Prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus” (Am 4.12).
A Parábola das 10 virgens (Mateus 25)
Existem dois extremos perigosos a respeito dos finais dos tempos:
1) Terrorismo espiritual e 2) fazer pouco caso.
Enquanto uns fazem o maior alarde e vivem atemorizados com a perspectiva dos finais dos tempos, outros não estão nem aí para a Segunda Vinda de Cristo. Buscam a Deus apenas por questões relacionadas a era presente. “Se é somente para esta vida que temos esperança em Cristo, dentre todos os homens somos os mais dignos de compaixão”. (1 Coríntios 15.19)
Os cristãos não tem o que temer.
A Segunda Vinda é uma boa notícia para os crentes. Os verdadeiros cristãos anelam por ela, clamando: “Maranata! Vem Senhor Jesus!”, e nem temem a própria morte, pois, como Paulo, podem dizer: “desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor” (Filipenses 1.23). Devemos amar a Segunda Vinda de Cristo: “Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amam a sua vinda” (2 Timóteo 4.8).
No entanto, a Segunda Vinda representa ameaça de juízo para aqueles que não estão preparados e forem encontrados desprovidos do azeite em suas lâmpadas. O azeite é a fonte de luz da lâmpada. Não adianta ter a forma de lâmpada, pois, sem azeite, não há luz, mas apenas trevas. “Deus “retribuirá a cada um conforme o seu procedimento”. Ele dará vida eterna aos que, persistindo em fazer o bem, buscam glória, honra e imortalidade. Mas haverá ira e indignação para os que são egoístas, que rejeitam a verdade e seguem a injustiça.” (Romanos 2.6-8).
Ninguém sabe a hora.
Os sinais não foram dados para sabermos a data do retorno de cristo.
Jesus Cristo, no Sermão das últimas coisas, nos ensinou que sinais devem preceder sua Segunda Vinda. Os sinais não têm a intenção de nos conceder condições para precisar o dia da Segunda Vinda. Jesus denuncia a fascinação por cálculos (Mt 24.33-36). Os sinais mencionados por Cristo são inespecíficos para este fim, antes, o propósito é preparar o povo de Deus com a compreensão das pressões que terá de suportar. O propósito de Jesus é encorajar, não a especulação, mas a vigilância – fortalecer a fé e advertir os discípulos do que será a sua sorte como seguidores dela. Se os cristãos atentarem para as palavras de Cristo, saberão que a situação não está fora do controle de Deus, e que tem da parte Dele ajuda para perseverarem até o fim e serem salvos (Mc 13.13). Lembrando também que as tribulações do presente não se comparam a glória que está por vir com o retorno triunfante do Filho do Homem (Mc 13.24-27).
Deus esconde a data do fim dos tempos para que cada geração de crentes viva como se fosse a última.
Devemos estar sempre vigilantes, pois não sabemos quando se dará sua Segunda Vinda e também porque nosso encontro com Cristo pode se dar através da nossa própria morte. (Mt 24.42-25.13).
É recomendável que, no final de cada dia, façamos um exame de nossa própria consciência. “Examina-me, Senhor, e prova-me; esquadrinha os meus rins e o meu coração” (Salmos 26.2). Devemos viver a cada momento como se fosse o último! Devemos viver sob a luz da eternidade.
Como disse, Wesley: “o cristão deve estar sempre pronto para pregar e para morrer”.
Por que razão demora?
A demora tem a ver com a paciência de Deus que trabalha em favor de nossa conversão (2 Pedro 3.9). Concede tempo para que as lâmpadas sejam cheias de azeite. Não se canse de esperar. Não abuse da paciência de Deus. Cuidado com o relaxamento. Não negligencie a oportunidade que Ele lhe oferece hoje. “Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação” (2 Coríntios 6.2). Amanhã pode ser muito tarde!
“Portanto, vigiem, porque vocês não sabem o dia nem a hora!” (Mateus 25.13)
Bispo José Ildo Swartele de Mello
Depoimento pessoal: da vitrola assustadora à convicção amadurecida+
Nos primeiros anos da década de 1980, eu era um adolescente curioso e apaixonado por tudo que dizia respeito à fé cristã. Certo dia, pus na vitrola o LP A Última Trombeta. A faixa de abertura trazia um locutor alarmado: “Oslo urgente! Milhões de pessoas desapareceram sem deixar rastro…”. A cena dramatizava o arrebatamento “secreto” antes da Grande Tribulação. Quase todos ao meu redor aceitavam esse pré-tribulacionismo como doutrina incontestável, e eu – sem exame crítico – fiz o mesmo.
Anos depois, já no seminário, resolvi confrontar aquela narrativa com “tudo o que está escrito”. O resultado foi transformador: descobri que as Escrituras, a história da Igreja e a lógica interna do Evangelho apontam numa direção muito diferente.
Revisão bíblica — quatro pilares 1. Evangelhos A volta de Cristo ocorre logo depois da tribulação, com grande visibilidade e som de trombeta; não há qualquer retirada prévia da Igreja.
Mt 24.29-31 | Mc 13.24-27 | Lc 21.25-28 2. Cartas paulina s Arrebatamento, ressurreição e juízo formam um único evento; a Igreja só será reunida a Cristo depois da apostasia e da revelação do Homem da Iniquidade.
1Ts 4.13-17; 5.1-11 • 2Ts 1.6-10; 2.1-4, 8 • 1Co 15.51-52 3. Demais epístolas A esperança é um retorno glorioso e público, e perseverar no sofrimento faz parte do chamado cristão.
1Pe 1.7; 4.13 • Tg 5.7-8 • Jd 14-15 • 1Jo 3.2 4. Apocalipse A “grande multidão” vem da Grande Tribulação, não é poupada dela. Há um único juízo final seguido da nova criação.
Ap 1.7; 7.9-14; 13.7-10; 20.11-15; 21.1-5
2. Razões adicionais que consolidaram minha convicção
Igreja, cruz e martírio – Jesus vinculou discipulado a carregar a cruz (Mc 8.34) e avisou: “No mundo tereis aflições” (Jo 16.33). Paulo declara que “por muitas tribulações nos importa entrar no Reino” (At 14.22) e que todosos que querem viver piedosamente serão perseguidos (2Tm 3.12).
Apocalipse 3.10 lido à luz de Jo 17.15 – A preposição ek e o verbo tēréō indicam proteção dentro da prova, não remoção física. É assim com os mártires que saem “ek da grande tribulação” (Ap 7.14).
Dia do Senhor ≠ dois programas separados – Paulo chama tanto a reunião da Igreja (1Ts 4.13-17) quanto o juízo sobre o ímpio (2Ts 1.6-10) de Dia do Senhor; não há divisão de sete anos.
Arrebatamento não será secreto – Trombeta retumbante (Mt 24.31; 1Ts 4.16-17), relâmpago visível (Mt 24.27) e estrépito cósmico (2Pe 3.10) contradizem qualquer noção de evento oculto.
Testemunho patrístico unânime – Pais da Igreja dos séculos II-IV previram que a Igreja enfrentaria o Anticristo. A ideia de um rapto pré-tribulacional só surgiu em 1830, sem raízes bíblicas ou históricas.
3. Conclusões que permanecem
A trombeta final (1Co 15.52) não anunciará fuga, mas coroação: o Rei virá julgar, ressuscitar e renovar todas as coisas.
O martírio não é derrota; pela cruz, Cristo triunfou (Cl 2.15) e, pelo sangue do Cordeiro, os santos vencem a Besta (Ap 12.11).
Promessa real não é isenção de sofrimento, mas vitória na perseverança: “Em todas estas coisas somos mais que vencedores” (Rm 8.37).
Desde então, ensino uma escatologia pós-tribulacionista, alicerçada na harmonia dos textos bíblicos, no testemunho da igreja antiga e no chamado de Jesus para seguir-Lhe os passos – inclusive quando esses passos passam pelo vale da tribulação antes de chegarem à glória eterna.
Estão dizendo que Cristo volta em 21 de Maio de 2011+
Anúncio em um ônibus no Rio de Janeiro Uma seita cristã dos Estados Unidos com seguidores no Brasil e em muitos outros países está alardeando que o fim do mundo está bem próximo e que o Arrebatamento acontecerá no 21 de maio de 2011.
Muitos estão dando crédito a esta falsa profecia a ponto de abandonarem seus empregos para se dedicarem totalmente a proclamação desta mensagem.
Harold Camping é o profeta desta seita denominada Family Radio. Não é a primeira vez que ele profetiza uma data para a Segunda Vinda de Cristo. No início da década de 90, ele chegou a publicar um livro sugerindo que Cristo voltaria em 6 de Setembro de 94, o que levou várias pessoas a se reunirem naquele dia na expectativa do cumprimento de tal profecia.
Harold Camping fez cálculos matemáticos para chegar a tal conclusão, imaginando que o juízo final se daria 7 mil anos depois do grande dilúvio, que teria acontecido em 4990 a.C.
Este erro de tentar adivinhar a data do retorno de Cristo através de cálculos matemáticos aplicados a eventos bíblicos foi cometido por muitas pessoas ao longo da história da igreja. Um caso que se tornou notório e que deu origem a Igreja Adventista do Sétimo Dia é o de Guilherme Miller, que era um pastor batista no Estado de Nova Iorque, e que convenceu-se de que o texto de Daniel 8.14 se referia à vinda de Cristo para "purificar o santuário". Calculando que cada um dos 2.300 dias representava um ano, tomou como ponto de partida a carta de regresso de Esdras e seus compatriotas a Jerusalém em 457 a.C., e chegou à conclusão de que Cristo voltaria à terra em 1843. Após o fracasso dessa profecia, Miller teve a hombridade de reconhecer o seu grave erro, mas, infelizmente, seus discípulos não aceitaram que ele estivesse errado, e passaram a dar uma nova interpretação a tal profecia, dizendo que Cristo de fato havia regressado, só que não de maneira visível para pisar a terra, mas de maneira invisível para purificar o santuário celestial.
Tais erros teriam sido evitados se os cristãos dessem ouvidos a Jesus Cristo, que ensinou aos seus discípulos sobre a necessidade de sempre estarem vigilantes, pois jamais saberiam a data de sua Segunda Vinda: "Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir"(Mt 25.13). E, em outra passagem, ele reafirma este mesmo ensino, dizendo: "Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai. E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem" (Mt 24.36-39).
Os ensinos de Cristo são claros a este respeito de modo que os cristãos não tem desculpas para cair nos erros dos falsos profetas que anunciam a data da Volta de Cristo.
Cuidado com os falsos profetas! (Mt 7.15; 24.11; 1 Jo 4.1 e Jr 23.32)
Bispo Ildo Mello
O Arrebatamento+
Arrebatamento by José Ildo Swartele de Mello on Scribd Há algo de secreto em relação à Segunda Vinda de Cristo?
Não há base bíblica para qualquer idéia de que quando Jesus vier haja dúvidas sobre quem ele é ou sobre se ele realmente veio. A Segunda Vinda de Cristo e o conseqüente arrebatamento da Igreja nunca são descritos como sendo secretos ou silenciosos, mas sempre se apresentam como:
Um evento retumbante:
“grande clangor de trombeta” (Mt 24.31; 1 Ts 4.16,17); “assim como o relâmpago” (Mt 24.27); "bramido do mar e das ondas; haverá homens que desmaiarão de terror… pois os poderes dos céus serão abalados" (Lc 22.25-28)
“Virá, entretanto, como ladrão, o dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo e os elementos se desfarão abrasados” (2 Pe 3.10; ver também v.12); Um evento visível:
“assim virá do modo como o vistes subir” (At 1.11); “aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem” (Mt 24.30); “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele.” (Ap 1.7; ver também 19.11-21; Mt 26.64; Mc 14.62 e Dn 7.13); “pela manifestação de sua vinda” (2Ts 2.8); “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas… bramido do mar e das ondas; haverá homens que desmaiarão de terror… pois os poderes dos céus serão abalados. Então se verá o Filho do homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória. Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei as vossas cabeças; porque a vossa redenção se aproxima.” (Lc 22.25-28; ver também Mc 8.38); “aparecerá segunda vez” (Hb 9.28); “Virá, entretanto, como ladrão, o dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo e os elementos se desfarão abrasados” (2 Pe 3.10; ver também v.12); Paulo diz que nós os cristãos não estamos aguardando um evento secreto não visto pelo mundo, pois o que nós aguardando é “a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo” (Tt 2.12; ver também Cl 3.4 e 1 Pe 5.4; 1 Jo 3.2; Mt 16.27; 25.31; 1 Co 4.5; 1 Tm 4.1; Jd 14,15; 1 Co 1.7; 2Ts 1.7,8).
O que é o arrebatamento, quando acontecerá e como se dará?
O Arrebatamento será secreto?+
Há algo de secreto em relação à Segunda Vinda de Cristo?
Não há base bíblica para qualquer idéia de que quando Jesus vier haja dúvidas sobre quem ele é ou sobre se ele realmente veio. A Segunda Vinda de Cristo e o conseqüente arrebatamento da Igreja nunca são descritos como sendo secretos ou silenciosos, mas sempre se apresentam como:
Um evento retumbante:
“grande clangor de trombeta” (Mt 24.31; 1 Ts 4.16,17); “assim como o relâmpago” (Mt 24.27); " bramido do mar e das ondas; haverá homens que desmaiarão de terror… pois os poderes dos céus serão abalados" (Lc 22.25-28)
“Virá, entretanto, como ladrão, o dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo e os elementos se desfarão abrasados” (2 Pe 3.10; ver também v.12); Um evento visível:
“assim virá do modo como o vistes subir” (At 1.11); “aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem” (Mt 24.30); “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele.” (Ap 1.7; ver também 19.11-21; Mt 26.64; Mc 14.62 e Dn 7.13); “pela manifestação de sua vinda” (2Ts 2.8); “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas… bramido do mar e das ondas; haverá homens que desmaiarão de terror… pois os poderes dos céus serão abalados. Então se verá o Filho do homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória. Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei as vossas cabeças; porque a vossa redenção se aproxima.” (Lc 22.25-28; ver também Mc 8.38); “aparecerá segunda vez” (Hb 9.28); “Virá, entretanto, como ladrão, o dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo e os elementos se desfarão abrasados” (2 Pe 3.10; ver também v.12); Paulo diz que nós os cristãos não estamos aguardando um evento secreto não visto pelo mundo, pois o que nós aguardando é “a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo” (Tt 2.12; ver também Cl 3.4 e 1 Pe 5.4; 1 Jo 3.2; Mt 16.27; 25.31; 1 Co 4.5; 1 Tm 4.1; Jd 14,15; 1 Co 1.7; 2Ts 1.7,8).
Arrebatamento by José Ildo Swartele de Mello on Scribd
Terremotos e sinais do fim+
Contemplamos estarrecidos as calamidades derivadas do mais forte terremoto registrado na história do Japão. Jesus falou de terremotos como sinal da proximidade do final dos tempos, classificado-os na categoria de princípio das dores (Mateus 24.1-8).
Embora estejam classificados na categoria de princípio das dores, o que chama a atenção é a intensidade e a frequência de calamidades como terremotos, tsunamis, enchentes.. Pois, o livro de Apocalipse fala de uma série de juízos de Deus em termos de catastrofes que afetarão a humanidade no período que precede à Segunda Vinda e o Juízo final. Fica claro que antes do juízo final, haverá juízos preliminares, sinal da misericórdia divina, até mesmo com o intuito de despertar a humanidade para que se arrependam antes que seja tarde demais. Como exemplo, leia Apocalipse 11.13.
A questão da radiação atômica faz acender o debate sobre o uso de tecnologia arriscada. Isto pode também ser interpretado à luz do evento da Torre de Babel, quando um juízo divino recaiu sobre um povo que se afastava de Deus por estarem arrogantemente confiados em sua tecnologia científica.
Isto serve de recado para toda a humanidade, especialmente para aqueles que confiam na ciência e se apartam do Senhor (Jr 17.5). Sejamos humildes para reconhecer nossas limitações. Nossa suficiência procede de Deus (2 Co 3.5)! Precisamos ser cautelosos para evitar os abusos da ciência, "pois de Deus não se zomba, tudo aquilo que o homem plantar, isto mesmo irá colher" (Gl 6.9).
Em todo caso, são sinais dos tempos, juízos preliminares, resultado do pecado que faz até a terra gemer de dor (Rm 8.22). A terra geme e treme e nós também (Rm 8.23). Mas ainda não é o fim (Mt 24.6-8), há ainda oportunidade para arrependimento e fé. Tempo de evangelização (Mt 24.14). Oportunidade para o exercício de compaixão (Mt 9.36). Arrependei-vos antes que venha o grande e terrível dia do Senhor (Ml 4.5 e Mc 1.15).
Bispo Ildo Mello