Estudos do Bispo Ildo · Escatologia

Israel e Dispensacionalismo

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Quantos povos de Deus existem?+

Teria Deus dois planos de salvação, um para Israel e outro para a Igreja? Haverá esperança de salvação após a Segunda Vinda de Cristo ou o Arrebatamento? A Igreja é um parêntese no plano de Deus? O Relógio profético parou? O Reino de Deus foi adiado?

Ildo Swartele de Mello)

O ensino da Igreja, em todos os tempos até John Darby, 1830, conhecido como pai do dispensacionalismo, foi de que Deus tem apenas um povo e de que a Igreja fazia parte do plano eterno de Deus, cujo intento era reunir judeus e gentios em um único povo. A nação de Israel no A.T. era um tipo para a Igreja do N.T. e de que a Igreja substituiu Israel como povo de Deus, não no sentido de excluir os judeus, mas no sentido de incluir também os gentios debaixo do senhorio redentor do Messias (Ef 2.12-22; Os 1.9; 2.25; Jo 1.10-12; 9.17; 12.14; Rm 9.24, 25). A Igreja é agora “o Israel de Deus” (Gl 6.16), composta por judeus (o remanescente de Israel, os judeus que aceitam o Cristo) e por gentios crentes.

O Evangelho do Reino de nosso Senhor Jesus Cristo é a única esperança de salvação para os judeus, assim como o é para os gentios. Pois sabemos que Deus não faz acepção de pessoas ( Rm 2.11), os judeus só podem ser salvos se aceitarem a Cristo como único e suficiente Salvador durante a era presente. Pois só há um caminho e um único nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos. Após o soar da última trombeta não haverá segunda oportunidade para ninguém, tanto incrédulos judeus como gentios se lamentarão naquele dia ( Ap 1.7), clamarão para que as pedras caiam sobre eles e buscarão a morte sem que a possam encontrar. Sendo enganosa a idéia de uma segunda oportunidade de salvação após o arrebatamento da Igreja ( Mt 25.1-13) e também é falsa a idéia de um plano de salvação distinto para Israel.

Os dispensacionalistas afirmam: “O dispensacionalismo crê que através dos tempos Deus tem dois distintos propósitos: um relativo à terra, com pessoas terrestres e envolvendo objetivos terrestres, que é o judaísmo; enquanto o outro está relacionado ao céu, com um povo celestial, envolvendo objetivos celestiais, que é o cristianismo”

1 Afirmam, ainda, que a Igreja é um parêntesis no plano de Deus, pois dizem que o relógio profético parou devido à rejeição de Israel o que possibilitou, segundo eles, o surgimento da Igreja, fazendo do período da Igreja, um período de intervalo no “jogo” da história de Deus com Israel, no mundo. Mas as Escrituras não apóiam tal invenção. Pois a Igreja não é um instrumento temporário de Deus, não é um arranjo temporário e de caráter secundário devido à rejeição de Israel e nem é um parêntesis no plano de Deus. Pois Paulo deixa claro que a Igreja faz parte do plano eterno de Deus ( Ef 1.22,23).

Cox diz que alguns Dispensacionalistas chegam a afirmar que se os judeus tivessem aceitado a Cristo, a cruz não teria sido necessária.

2 Nada existe no A.T. e no N.T. que indique um intervalo de tempo (em que o relógio profético fica parado) entre a penúltima e a última semana da profecia de Daniel, antes o contrário ( Cl 1.13). Veremos, mais adiante, quando tratarmos da interpretação das 70 Semanas de Daniel, algo mais sobre este ponto em questão.

Paulo usa 14 capítulos em Romanos para provar que nunca existiu um plano de salvação para judeus e outro para os gentios, mas, ao contrário, sempre houve um único plano eterno incluindo judeus e gentios (Gn 17.5; Rm 4.11, 12, 16, 17, 23, 24). Paulo não diz que Deus mudou o seu plano original, antes, ele afirma que a Igreja sempre foi o plano de Deus (Ef 3.4-6, 21, 26, 31; Gl 3.8, 16; ver também Gn 3.15). O N.T. fala da lei, da circuncisão e do próprio povo de Israel em termos simbólicos, como sendo sombras da realidade que se encontra na Igreja (Cl 2.17; Hb 10.1; Ef 1.22,23). Israel era um tipo da Igreja como povo de Deus; a terra prometida um tipo do céu (a Nova Terra); a circuncisão, ritual de iniciação do judaísmo, um tipo do novo nascimento e do batismo, ritual de iniciação do cristianismo; a lei um tipo e um aio para o evangelho, pois a lei não tinha um fim em sim mesma, mas encaminhava-se para Cristo e encontrou seu fim, cumprimento e plenitude no Evangelho do Reino; e o templo um tipo do “Corpo de Cristo” (Hb 8.5; 9.9, 24; 10.9,16,19-21; 11.9-16,39,40; 12.18-24; 13.10-14; Cl 2.11,12). Os cristãos são chamados de “eleitos de Deus” (Rm 9.33). A Igreja foi profetizada no A.T.: (Jo 8.56; At 3.22-24; 1 Pe 2.9 comparar com Ex 19.5,6; Hb 2.12 comparar com Sl 22.22). A Igreja é denominada e tratada pelos apóstolos como sendo o “Israel de Deus” (Gl 6.16; 3.6-16; 1 Pe 2.6s comparar com Ex 19.5,6; Rm 2.11, 28, 29; Jo 15.1; Rm 11.17-24; Ef 2.12-22; 3.6; 4.4; Jo 10.16; Rm 9.24, 25 comparar com Os 2.23.

Concordo com Juan Stam, quando ele observa que, segundo Mateus, a vida e o ministério de Jesus estão repletos de analogias a Moisés e ao Êxodo, dizendo que ao nascer o novo Moisés, um novo faraó promove um feroz infanticídio; Ele nota também que Jesus, após descer ao Egito, qual novo José e novo Israel, ele sai do Egito e retorna para Canaã: “Do Egito chamei o meu Filho” ( Mt 2.15, cf. Os 11.1). O paralelo não para por aí, pois, no Sermão do Monte (novo Sinai), Jesus se apresenta como o novo Legislador do povo de Deus ( Mt 5.17-48; cf. 19.7) e, no Monte da Transfiguração, Moisés e Elias, o continuador e o resgatador do legado de Moisés, se fazem presentes, como que representando a Lei e os Profetas, que testificam que Jesus é o Cristo, cumprimento da Lei e dos Profetas, e, conforme Lucas, eles, ali no Monte da Transfiguração, estavam falando com Jesus de seu “êxodo” ( Lc 9.31). Sabemos que Jesus celebrou a Páscoa judaica, transformando-a em celebração do novo pacto ( Mt 26.28; 1 Co 11.25, cumprindo Jr. 31.31-34)

3. Juan Stam também chama a atenção para o fato dos temas do Êxodo, tais como, as pragas, as trombetas e as taças, estarem permeando todo o livro de Apocalipse, sendo, inclusive, uma chave para sua interpretação. E é interessante notar, por exemplo, que o texto de Apocalipse 15.3 mostra a visão dos vencedores da Besta cantando “o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro”, onde vemos mais que um paralelo tipológico substitutivo e complementar, mas uma verdadeira fusão como faces da mesma moeda. O “ano do Jubileu” ( Lv 25.8-17), nunca teve seu cumprimento nos tempos do Antigo Testamento, devido à ganância dos ricos ( cf.

Jr 34.8-17), Mas Isaías profetizava que chegaria o tempo em que Deus poria seu Espírito sobre seu Servo para cumprir este jubileu.

Stam observa que o dom do Espírito aparece aqui como pré-condição do jubileu escatológico. E, Jesus, em seu primeiro sermão, faz a leitura de Is 61, dizendo em seguida “Hoje se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir” ( Lc 4.21, ver também Lc 7.22-23). A profecia se cumpriu em Cristo e podemos ver a extensão deste cumprimento na ação da Igreja após o derramamento do Espírito Santo.

Uma leitura de At 2 a luz de Is 61 revela como Lucas via a Igreja em seu Pentecostes como um sinal do cumprimento de Is 61, pois a Igreja é o Corpo de Cristo. Deus derrama seu Espírito sobre a Igreja, segue-se a proclamação da boa nova do Evangelho ( At 2.14-42) e é praticada a justiça a favor dos pobres (2.43-47). Em At 4.32-5.11, vemos a mesma relação entre a a ação do Espírito Santo e a Missão integral da Igreja, pois a comunidade recebe o Espírito (4.31) e em seguida cria boas novas para os pobres (4.32-37). Vemos, então, que Israel como nação, não cumpriu as exigências do ano do Jubileu, mas aquilo que foi prescrito a Israel se cumpre na Igreja, quando lemos que os crentes mais abastados venderam suas propriedades para distribuição do dinheiro entre os pobres e viúvas. Jesus, através de Seu Espírito, está atuando na Igreja para cumprimento das Escrituras com sua promessa do Espírito e do Jubileu (Is 61.1s), “se cumpriu” ( Lc 4.21).

4 Existe, sim, distinção entre Israel nacional e Israel espiritual. 1) Nacional:

Mt 3.9,10; Mt 21.19 (Figueira como Nação); Mt 23.38; Lc 14.24; Rm 2.28,29; Rm 9.6; 2) Espiritual:

Rm 2.28,29; 11.26 (remanescentes); Mt 19.28; Ef 2.11-16; 3.6; Gl 3.7-9; 6.16; Fl. 3.3; Cl 2.11-14; 3.11). João, no livro de Apocalipse, também considera haver um Israel espiritual (remanescente) em distinção a um meramente nacional (2.9; 3.9).

A Igreja é a manifestação do remanescente de Israel. Notar que o primeiro gentio a se converter foi Cornélio. O que vale dizer que a Igreja era composta originariamente de crentes judeus, pelos remanescentes de Israel (Rm 2.28,29; 3.3,4; 9.6-8,27,29; 11.15), os gentios foram acrescentados nesta mesma Oliveira. Neste sentido, há muito mais continuidade do que descontinuidade (Ef 2.18-20; 3.6; Gl 3.6-29). Não houve mudança no plano de Deus (Ef 1.3-4), mas revelação progressiva (Gl 6.16; 3.13,14). O Verdadeiro Israel é aquele que possui o Messias. Cristo é a Videira verdadeira (Jo 15.1), a videira é símbolo notório de Israel. O verdadeiro herdeiro de Abraão é o que tem fé no Messias prometido (Gl 3.1s). E não é sem propósito que o número de apóstolos da Igreja é idêntico ao número de tribos de Israel.

Os autores do Novo Testamento não são literalistas como os dispensacionalistas quanto à interpretação do Antigo Testamento. A restauração de Israel profetizada por Amós (9.11,12) é interpretada em termos espirituais no Novo Testamento como tendo cumprimento na realidade da Igreja ( At 15.13-19). O mesmo se dá com a promessa de uma nova aliança que seria feita com o Israel rebelde, registrada em Jeremias 31.33,34, e que se aplica à Igreja cristã (ver Hb 8.6-12, onde o autor cita Jr 31.31-34). Um dos principais dogmas do dispensacionalismo, como observa George Ladd 5, é que no milênio o templo judaico será reedificado e todo o sistema sacrificial reinstituído, de acordo com sua hermenêutica literalista das profecias do Antigo Testamento, em particular, a de Ezequiel 40-48. Ensinam que tais sacrifícios serão um memorial da morte de Cristo. Mas qualquer idéia de restauração dos sistemas sacrificiais quer memoriais ou não, opõe-se diretamente ao ensino de Hebreus 8.13, que afirma claramente que o sistema de culto do Antigo Testamento estava obsoleto e prestes a terminar. O Antigo Testamento não previu claramente como se cumpririam suas próprias profecias. Elas se cumpriram de forma bem imprevistas para o próprio Antigo Testamento e inesperadas para os judeus.

Veja mais um exemplo de como o Antigo Testamento é interpretado pelo Novo, ou seja, como ele é reinterpretado à luz do evento Cristo. Pois Mateus 2.15 cita Oséias 11.1 para provar que Jesus deve vir do Egito. Isto, no entanto, não é o que a profecia quer dizer no Antigo Testamento.

Oséias diz: “Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei o meu filho”. Em Oséias isto não é nem uma profecia, mas uma afirmação histórica, que Deus chamou Israel do Egito no Êxodo. Mas Mateus transforma esta declaração histórica sobre a nação de Israel em profecia que se cumpre em Cristo. Outro exemplo encontramos como Mateus aplica o texto de Is 53 a Jesus ( Mt 8.17). E como Felipe interpreta os sofrimentos do Servo para o eunuco etíope como referindo-se a Jesus ( At 8.30-35). No contexto do Antigo Testamento, Isaías 53 não é uma profecia do Messias. Messias significa ungido e designa o rei davídico ungido e vitorioso. Isto se vê claramente em Isaías 11.3-4, que descreve uma cena totalmente diferente, onde o Messias deve governar, esmagar o mal e matar o perverso. Como pode um governante vitorioso ser ao mesmo tempo a pessoa mansa e humilde que derrama a sua alma na morte (Is 53.12)

 É por isto que os discípulos de Jesus não compreenderam o fato de que ele devia sofrer e morrer. O Messias deve vencer e reinar, não ser vencido e esmagado. No Antigo Testamento não está claro que antes do Messias vir como vencedor para reinar deve primeiramente vir como o servo humilde sofredor. No Antigo Testamento, O servo sofredor nunca é chamado Messias ou filho de Davi e, às vezes, é identificado com Israel (Is 52.13; 49.5; 45.3). A hermenêutica literalista não funciona, porque literalmente, Isaías 53 não é uma profecia do Messias, mas de um servo anônimo do Senhor. As profecias do Antigo Testamento precisam ser interpretadas à luz do Novo Testamento para obter-se seu significado mais profundo.

Em Romanos 9.24-26, Paulo usa duas profecias que literalmente se referem à salvação futura de Israel e as aplica à Igreja, que formada de judeus e gentios, tornou-se o povo de Deus. A lei é substituída pelo Evangelho (Rm 6.14; 10.4); a circuncisão pelo Novo Nascimento, o batismo cristão (Cl 2.11; Rm 2.28,29 “verdadeiro judeu é aquele que é circuncidado no coração” e Fl. 3.3 que diz: “Porque nós é que somos a circuncisão…”); o sacerdócio levítico é substituído pelo sumo-sacerdócio de Cristo (Livro de Hebreus) e pelo sacerdócio universal de todos os crentes (1 Pe 2); a Jerusalém terrestre é substituída pela Nova Jerusalém celestial; a terra prometida pelo céu; o templo pelo Corpo de Cristo (Igreja) e Israel dá lugar a Igreja como povo de Deus (Ef 2.14,16; Gl 6.16). A Igreja tem a mesma afinidade com a nação de Israel que o Novo Testamento tem com o Antigo Testamento ou que a graça tem com a lei. A cruz de Cristo provocou mudanças: 1. O Antigo Testamento foi superado pelo Novo Testamento. 2. A lei foi superada pela graça; 3. O sacrifício de animais foi superado pelo sangue do Cordeiro; 4. O Sábado foi superado pelo Dia do Senhor; 4. A Antiga Aliança foi superada pela Nova Aliança; 5. Israel (como nação) foi superada pela Igreja (Israel Espiritual). Dizer que o antigo que foi superado vai ser ainda reavivado é o mesmo que dizer que o sacrifício de Cristo não foi eficaz e suficiente. A Bíblia nada diz sobre o fim da era da Igreja e a restauração da era judaica.

John Darby chegou ao disparate de afirmar que nenhuma das Palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo foi dirigida para a Igreja: “Na verdade, nada foi dirigido à igreja pelo Senhor em pessoa, porque ainda não havia uma igreja para a qual dirigir-se.” (6)

Israel (Jr 3.1,20; Os 1.2; 2.16-20) e Igreja (Ef 5.23-32; Ap 19.7-9) são denominados: “esposa de Deus”. Teria Deus duas esposas?

Tabela 2 – Israel Prefigura a Igreja no Antigo Testamento Antigo Testamento Novo Testamento Israel Igreja como o Israel de Deus (Gl 6.16; Ef 2.12; Hb 8.8-10)

Circuncisão A Verdadeira Circuncisão (Fp 3.3; Rm 2.29)

Batismo – Novo Nascimento ( Cl 2.11; 1 Pe 3.21)

Terra Céu Jerusalém terrestre Jerusalém Celestial Lei Evangelho ( Rm 6.14; 10.4) – Graça Templo Corpo De Cristo Moisés Legislador Jesus O Novo Legislador ( Mt 5.17-48; cf. 19.7).

Sacerdócio Levítico Sumo Sacerdócio De Cristo Sacerdócio de todos os crentes (1 Pe 2.9)

Páscoa Judaica Prefigura A Ceia Do Senhor (Ex 12.21-28)

“ Cristo Nossa Páscoa” (1 Co 5.7)

Páscoa Cristã – Ceia Do Senhor (1 Co 5.7,8; Lc 22.15; Mt 26.2-19; Mc 14.1, 12-16; Lc 22.7-15; Jo 2.13; 13.1)

Sacrifícios De Cordeiro O Cordeiro De Deus Cãntico De Moiséis Cãntico De Moisés E Do Cordeiro Virgem (2 Rs 19.21; Jr 14.17; 18.13; 31.4,21; Lm 1.15; 2.13; Am 5.2)

Virgem (2 Co 11.2)

Esposa (Is 62.5)

Esposa (2 Co 11.2; Ap 19.7; 21.2; 22.17)

Descendentes De Abraão Descendentes De Abraão (Gl 3.29; 4.7) Os genuínos descendentes de Abraão são os que fazem as obras de Abraão. (Jo 8.37; comparar Gn 15.6 com Jo 8.39, 40, 42,47) Filhos naturais de Abraão são chamados de filhos de Satã. “Nem todos os filhos de Abraão são verdadeiros israelitas” (Rm 9.6)

Herdeiros Da Promessa Herdeiros Da Promessa (Gl 3.29; Rm 8.17; Hb 11.7; 1 Pe 3.7) O verdadeiro herdeiro de Abraão é o que tem fé no Messias prometido. O verdadeiro israelita é aquele que possui o Messias. A herança de Abraão é uma pátria celestial (Hb 11.8,13-16, 39,40; 1 Pe 1.4).

Família De Deus Membros Da Mesma E Única Família De Deus (Ef 2.19)

Povo De Deus (Ex 19.5-6)

Povo De Deus (1 Pe 2.9)

Judeus E Gentios Batizados Em Um Só Corpo (1 Co 12.13)

Filhos De Deus (Is 63.16; Os 11.1)

Filhos De Deus (Jo 1.10-13; Rm 8.15; 2 Co 6.18)

12 Tribos 12 apóstolos Videira (Sl 80.8-15) e Oliveira (Jr 11.16) são símbolos de Israel (outros textos: Dt 8.8; 24.20; Dt 28.40; Jz 9.8; I Rs 18.32; Ne 8.15; Jó 15.33; Sl 52.8; 128.3; Is 17.6; Os 14.6; Zc 4.3-15; Jz 9.12,13; 1 Rs 4.25; Ez 15.2; 17.6-19)

A Videira Verdadeira (Jo 15.1) Os gentios crentes foram enxertados na mesma oliveira, na mesma raiz e tronco do hebreu Abraão (Rm 11.16-18).

A restauração de Israel profetizada (Am 9.11,12)

Cumpre-se na realidade da Igreja (At 15.13-19)

Sábado Domingo – O Dia do Senhor – desprovido daquela mentalidade legalista.

Antiga Aliança Nova Aliança. Em Cristo, g entios unidos a judeus formando um só corpo (Jo 11.52)

Concluindo, o Novo Testamento vê as profecias do Antigo Testamento encontrando seu cumprimento em Cristo e sua Igreja. A Igreja Cristã foi edificada sobre o fundamento dos profetas e dos apóstolos judeus (Ef 2.14-16). Ela não constitui um segundo povo de Deus. Deus tem apenas um povo (Jo 10.16; Ef 2.14-16). Os gentios crentes foram enxertados na mesma oliveira, tomando parte na mesma raiz e tronco do hebreu Abraão (Rm 11.16-18). Não existe um plano de salvação distinto para Israel. A esperança futura para Israel é aceitar o Cristo, sendo novamente reconduzido a mesma e única Árvore, a Oliveira, da qual fazem parte judeus e gentios crentes, o Corpo de Cristo, que é a Igreja, onde não há mais lugar para distinções entre judeus e gentios, pois, em Cristo foi derrubada a parede de separação.

1 Chafer, L.S. Dispensationalism. Dallas Seminary Press, 1951, p. 107 2 Cox, William E. Biblical Studies in Final Things. Presbyterian and Reformed Publishing Co., New Jersey, 1980, p. 49.

3 Steuernagel, Valdir Raul, org. “A Missão da Igreja”. Belo Horizonte, 1994, parte A1. o primeiro capítulo: “A HISTÓRIA DA SALVAÇÃO E A MISSÃO DA IGREJA” 4 Ibid 5 Ladd, George. “Milênio – Significado e Interpretações”, Ed.

Luz para o Caminho, Campinas, 1985, p. 25 6 William Kelly, ed. The Collected Writings of J. N. Darby, vol. IV, pág. 31.

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Uma crítica ao dispensacionalismo+

O que é o dispensacionalismo

O dispensacionalismo é um sistema teológico que ensina que haverá sete dispensações na história humana. Dispensações são maneiras pelas quais Deus interage com o homem.

Inocência (Gênesis 1.1 – Gênesis 3.7)

Consciência (Gênesis 3.8- Gênesis 8.22)

Governo Humano (Gênesis 9.1 – Gênesis 11.32)

Promessa (Gênesis 12.1 – Êxodo 19.25)

Lei (Êxodo 20.1 – Atos 2.4)

Graça (Atos 2.4 – Apocalipse 20.3)

Reino Milenar (Apocalipse 20.4 – Apocalipse 20.6)

Origem complicada e doutrinas estranhas

O dispensacionalismo com sua visão pré-tibulacionista surgiu em meados do século XIX. Foi John Darby que elaborou a doutrina de que a Vinda de Jesus Cristo seria em duas fases, a primeira delas seria antes da Grande Tribulação para arrebatar a Igreja em um evento secreto. Mas a esperança da Igreja não é um evento secreto, não visto pelo Mundo. A esperança cristã é o aparecimento visível da glória de Deus, no retorno de Cristo (Tt 2.13), a revelação ao mundo de Jesus como Senhor, quando ele vier com os anjos do seu poder (2Ts 1.7). Importante notar que nenhum texto tem sido encontrado em apoio a esse ponto de vista, nem nos escritos dos primeiros séculos, nem em escritos posteriores, até 1830, quando Darby ficou impressionado com uma visão de uma adolescente chamada Margaret McDonald, que, naquela época, era uma profetiza membro de uma Igreja Católica Carismática. Portanto, tal conceito não é fruto de estudo bíblico, mas de uma profecia particular. Em toda a história da Igreja, ninguém chegou a tal conclusão baseado única e tão somente nas Escrituras Sagradas.

Após estes sete anos de Grande Tribulação, os dispensacionalistas ensinam que ocorrerá a batalha do Armagedom que culminará com a segunda etapa da Segunda Vinda de Cristo que virá com sua Igreja sobre as nuvens dos céus. E, contrariando os diversos textos bíblicos que ensinam que, na Segunda Vinda, haverá ressurreição geral de salvos e perdidos para o Juízo Final, afirmam os dispensacionalistas que apenas os salvos ressuscitarão nesta ocasião (lembrando que, segundo eles, a grande maioria dos redimidos já teria sido ressuscitada antes da Grande Tribulação por ocasião do arrebatamento). Afirmam ainda que os perdidos ressuscitarão apenas mil anos mais tarde, pois os ensinam que a Segunda Vinda de Cristo não trará o imediato Juízo Final, mas que este terá de esperar mil anos exatos de reinado de Cristo na terra, tal milênio se faz necessário para cumprir as profecias do Antigo Testamento referentes a Israel que, segundo eles, precisam se cumprir literalmente na nação de Israel e não para o Israel espiritual de Deus que é a Igreja, o povo de Deus.

O dispensacionalismo ensina que há dois povos distintos de Deus: Israel e a Igreja. “O dispensacionalismo crê que através dos tempos Deus tem dois distintos propósitos: um relativo à terra, com pessoas terrestres e envolvendo objetivos terrestres, que é o judaísmo; enquanto o outro está relacionado ao céu, com um povo celestial, envolvendo objetivos celestiais, que é o cristianismo” ( Chafer, L.S. Dispensationalism. Dallas Seminary Press, 1951, p. 107). Afirma, ainda, que a Igreja é um parêntesis no plano de Deus, pois ensina que o relógio profético parou devido à rejeição de Israel o que possibilitou, segundo eles, o surgimento da Igreja, fazendo do período da Igreja, um período de intervalo no “jogo” da história de Deus com Israel, no mundo. Mas as Escrituras não apóiam tal invenção. Pois a Igreja não é um instrumento temporário de Deus, não é um arranjo temporário e de caráter secundário devido à rejeição de Israel e nem é um parêntesis no plano de Deus. Pois Paulo deixa claro que a Igreja faz parte do plano eterno de Deus (Ef 1.22,23). Nada existe no A.T. e no N.T. que indique um intervalo de tempo (em que o relógio profético fica parado) entre a penúltima e a última semana da profecia de Daniel, antes o contrário (Cl 1.13). Jesus disse que há “um só rebanho e um só pastor” (Jo 10.16), pois a Igreja é a manifestação do remanescente de Israel. Notar que o primeiro gentio a se converter foi Cornélio. O que vale dizer que a Igreja era composta originariamente de crentes judeus, pelos remanescentes de Israel (Rm 2.28,29; 3.3,4; 9.6-8,27,29; 11.15), os gentios foram acrescentados nesta mesma Oliveira, pois não há duas oliveiras, duas noivas, duas esposas, dois povos distintos de Deus). Neste sentido, há muito mais continuidade do que descontinuidade (Ef 2.18-20; 3.6; Gl 3.6-29). Não houve mudança no plano de Deus (Ef 1.3-4), mas revelação progressiva (Gl 6.16; 3.13,14). O Verdadeiro Israel é aquele que possui o Messias. Cristo é a Videira verdadeira (Jo 15.1), a videira é símbolo notório de Israel. O verdadeiro herdeiro de Abraão é o que tem fé no Messias prometido (Gl 3.1s).“Verdadeiro judeu é aquele que é circuncidado no coração” (Rm 2.28,29 ). “Porque nós é que somos a circuncisão…” (Fl. 3.3);E não é sem propósito que o número de apóstolos da Igreja é idêntico ao número de tribos de Israel. A Igreja é denominada e tratada pelos apóstolos como sendo o “Israel de Deus” (Gl 6.16; 3.6-16; 1 Pe 2.6s comparar com Ex 19.5,6; Rm 2.11, 28, 29; Jo 15.1; Rm 11.17-24; Ef 2.12-22; 3.6; 4.4; Jo 10.16; Rm 9.24, 25 comparar com Os 2.23.).

O dispensacionalismo diz que, no final do reinado milenar, Satanás será solto e convencerá as nações da terra a fazerem guerra contra Jesus. Tal idéia é absurda, pois que chance de vitória poderiam ter as nações armadas contra o Cristo glorificado e seus súditos com os corpos ressurrectos e indestrutíveis? Tal crença é resultado de uma interpretação literal de Apocalipse 20 que contraria todo o ensino de Cristo e seus Apóstolos a respeito do Reino de Deus. Por conta disto, o dispensacionalismo para ser coerente consigo mesmo, acaba sendo forçado a concluir também que, quando Jesus estiver cercado por exércitos inimigos, ele precisará ser socorrido por um fogo vindo do céu. Mas, o Cristo glorificado não precisa da ajuda de um fogo que vem do céu, pois ele mesmo é aquele que vem sobre as nuvens dos céus com labaredas de fogo para salvar o seu povo e destruir os inimigos de Deus (2 Ts 1.6-10 e Is 66.15-16). Concluindo, os dispensacionalista afirmam que é somente após o milênio que haverá a ressurreição dos perdidos e o Juízo Final, o que contariz dezenas de textos bíblicos do Antigo e Novo Testamentos que ensinam que haverá um única ressurreição geral de todos por ocasião da Segunda Vinda de Cristo que vem para julgar os vivos e os mortos e trazer os novos céus e terra (Dn 12.2; Ap 1.7; Mt 25.31-34 e 26.63-64; Ap 20.11-15; 2Pe 3.10-12).

Os pré-milenistas dispensacionalistas ensinam 3 Ressurreições ressur­reição para a Igreja, na ocasião do Arreba­tamento; a ressurreição para aqueles que virão a crer e morrer durante a Grande Tribulação de sete anos (ressurreição esta que ocorre­rá na segunda etapa da Segunda Vinda de Jesus, no final da Grande Tribulação); e a ressurreição dos incrédulos no final do Mi­lênio.

3 Julgamentos Tribu­nal de Cristo Julgamento das Nações (o julgamento dos judeus e gentios convertidos no final da Grande Tri­bulação)

Juízo Final ou Juízo do Grande Trono Branco (dos incrédulos no final do Milê­nio).

Comparativo: o que diz o dispensacionalismo e o que diz a Bíblia

O Dispensacionalismo diz que Deus tem dois povos distintos: Israel e igreja Mas a Bíblia diz que há “um só rebanho e um só pastor” (Jo 10.16), pois a Igreja é a manifestação do remanescente de Israel. Notar que o primeiro gentio a se converter foi Cornélio. O que vale dizer que a Igreja era composta originariamente de crentes judeus, pelos remanescentes de Israel (Rm 2.28,29; 3.3,4; 9.6-8,27,29; 11.15), os gentios foram acrescentados nesta mesma Oliveira, pois não há duas oliveiras, duas noivas, duas esposas, dois povos distintos de Deus). Neste sentido, há muito mais continuidade do que descontinuidade (Ef 2.18-20; 3.6; Gl 3.6-29). Não houve mudança no plano de Deus (Ef 1.3-4), mas revelação progressiva (Gl 6.16; 3.13,14). O Verdadeiro Israel é aquele que possui o Messias. Cristo é a Videira verdadeira (Jo 15.1), a videira é símbolo notório de Israel. O verdadeiro herdeiro de Abraão é o que tem fé no Messias prometido (Gl 3.1s).“Verdadeiro judeu é aquele que é circuncidado no coração” (Rm 2.28,29). “Porque nós é que somos a circuncisão…” (Fl. 3.3);E não é sem propósito que o número de apóstolos da Igreja é idêntico ao número de tribos de Israel. A Igreja é denominada e tratada pelos apóstolos como sendo o “Israel de Deus” (Gl 6.16; 3.6-16; 1 Pe 2.6s comparar com Ex 19.5,6; Rm 2.11, 28, 29; Jo 15.1; Rm 11.17-24; Ef 2.12-22; 3.6; 4.4; Jo 10.16; Rm 9.24, 25 comparar com Os 2.23.

O Dispensacionalismo diz que há dois planos de salvação, um para Israel e outro para a Igreja.

Mas a Bíblia diz O Evangelho do Reino de nosso Senhor Jesus Cristo é a única esperança de salvação para os judeus, assim como o é para os gentios. Pois Deus não faz acepção de pessoas (Rm 2.11). Os judeus só podem ser salvos se aceitarem a Cristo como único e suficiente Salvador durante a era presente. Pois só há um caminho (Jo 14.6) e um único nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos (At 4.12). Após o soar da última trombeta não haverá segunda oportunidade de salvação para ninguém, tanto incrédulos judeus como gentios se lamentarão naquele dia (Ap 1.7), clamarão para que as pedras caiam sobre eles e buscarão a morte sem que a possam encontrar. Sendo enganosa a idéia de uma segunda oportunidade de salvação após o arrebatamento da Igreja (Mt 25.1-13) e também é falsa a idéia de um plano de salvação distinto para Israel. Paulo usa 14 capítulos em Romanos para provar que nunca existiu um plano de salvação para judeus e outro para os gentios, mas, ao contrário, sempre houve um único plano eterno incluindo judeus e gentios (Gn 17.5; Rm 4.11, 12, 16, 17, 23, 24).

O Dispensacionalismo diz que a Segunda Vinda de Cristo pode acontecer a qualquer momento sem prévios sinais Mas a Bíblia diz que o Evangelho deveria ser pregado a todo mundo antes da Segunda Vinda (Mt 26.13; At 1.8; 9.15; 22.15; 26.2); que primeiro ocorreria a apostasia e o aparecimento do Homem da Iniquidade (2 Ts 2.2,3).

O Dispensacionalismo diz que a Igreja não passa pela Grande Tribulação.

Mas a Bíblia diz que a Igreja passa pela Grande Tribulação (Ap 1.9; 2.3-13; 6.9s; 7.9-17; 11.1-10; 12.11, 17; 13.7,8; 14.1-5,13).

O Dispensacionalismo diz que a Segunda Vinda acontecerá antes da Grande Tribulação.

Mas a Bíblia diz que a Segunda Vinda será “Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento e os poderes dos céus serão abalados. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e muita glória. E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus” (Mt 24.29-31). E que o Arrebatamento não acontecerá antes da manifestação do Iníquo (2Ts 2.1-8).

O Dispensacionalismo diz que a esperança cristã é um arrebatamento secreto Mas a Bíblia diz que a esperança cristã é o aparecimento visível de Cristo sobre as nuvens do céu, revelando-se como Senhor a todo mundo e que não há nada de secreto e silencioso nos relatos que descrevem o arrebatamento da Igreja. (Tt 2.13; 2Ts 1.7 e Ap 1.7; At 1.11; 1Ts 4.16-17; Mt 24.31; Lc 22.25-28). “Virá, entretanto, como ladrão, o dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo e os elementos se desfarão abrasados” (2Pe 3.10).

O Dispensacionalismo diz que o templo judaico será reconstruído para ser profanado novamente pela Besta no período da Grande Tribulação e para que também possam ser celebrados sacrifícios no templo no período do milênio Mas a Bíblia diz Não existe um único versículo no Novo Testamento que prometa a reconstrução do templo judaico. Jesus profetiza a destruição do templo e deixa claro que ela se daria naquela mesma geração (Mt 23.36). O que se cumpriu na íntegra no ano de 70 d.C. quando, o príncipe de um povo que havia de vir ou o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel (Mt 24.15), General Tito, profanou o templo e destruiu a cidade e o templo. O que concorda bastante com a profecia de Daniel que aponta para uma nova destruição do templo e da cidade de Jerusalém como resultado da rejeição e morte do Ungido: “Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará; e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas” (Daniel 9.26). Deus não habita em templos construídos por mãos humanas (At 7.48; 17.24). O tabernáculo ou o templo do Antigo Testamento eram sombra da realidade que se manifestou em Cristo e na sua Igreja (Hb 9.9-10.14). Pois, templo, no Novo Testamento, passa a significar Jesus e a Igreja, como Corpo de Cristo (1 Co 3.16; Ef 2.22). Notar que até mesmo o corpo físico dos crentes é chamado de templo no Novo Testamento (2 Co 6.16-19). Em João 4, falando à mulher samaritana, Jesus anunciou a chegada do tempo em que a verdadeira adoração não estaria mais confinada ao templo de Jerusalém, mas que se tornaria universal, realizada em espírito e em verdade. Aqueles que defendem a necessidade da reconstrução do templo estão regredindo ao sistema sacrificial do período pré-cristão. Sistema este que foi anulado, tornando-se obsoleto, por ter sido substituído e superado pelo sacrifício definitivo de Cristo na Cruz. Pois, o sacrifício do verdadeiro Cordeiro de Deus não permite mais lugar para outros sacrifícios. O retorno à prática destes sacrifícios em um templo construído por mãos humanas, ainda que em caráter de celebração simbólica, é algo descabido que revela um descaso para com o sacrifício supremo realizado por Cristo na cruz.

O Dispensacionalismo diz que a morte física continuará a existir após a Segunda Vinda de Cristo, Mas a Bíblia diz que a morte é destruída pela vitória na Segunda Vinda de Cristo (1Co 15.54)

O Dispensacionalismo diz que a criação natural continuará sujeita à maldição da Queda mesmo após a Segunda Vinda de Cristo Mas a Bíblia diz que a criação natural é libertada da escravidão da corrupção na Segunda Vinda (Rm 8.21); O Dispensacionalismo diz que os Novos Céus e Nova Terra não serão estabelecidos na Segunda-Vinda, mas apenas 1.000 mais tarde.

Mas a Bíblia diz que os Novos Céus e Nova Terra são introduzidos imediatamente após a Segunda Vinda (2Pe 3.10-12); O Dispensacionalismo diz que homens e mulheres descrentes ainda terão a oportunidade de abraçar à fé salvadora em Cristo na Grande Tribulação após o Arrebatamento e também pelo período de mil anos após sua Segunda Vinda.

Mas a Bíblia diz que toda oportunidade de salvação termina na Segunda Vinda (Mt 24.14 e 37; 25.1-13; Mc 13.33); O Dispensacionalismo diz que os incrédulos não serão finalmente ressuscitados até pelo menos 1000 anos subseqüentes ao retorno de Cristo.

Mas a Bíblia diz que a ressurreição dos incrédulos irá ocorrer com a Segunda Vinda (Dn 12.2; Ap 1.7; Mt 25.31-34 e 26.63-64).

O Dispensacionalismo diz… que os incrédulos não serão finalmente julgados na Segunda Vinda, mas somente mil anos mais tarde.

Mas a Bíblia diz que o juízo final dos incrédulos irá ocorrer com a Segunda Vinda (Dn 12.2; Mt 25.31-34; Ap 20.11-15;). Mais a respe Algumas contradições do dispensacionalismo Os dispensacionalistas gostam de dizer que interpretam a Bíblia de maneira literal, mas, contraditoriamente, quando Jesus disse que os redimidos ressuscitarão no “último dia” (João 6.40), eles afirmam que Jesus quis dizer mil e sete anos antes do último dia. Porque o dispensacionalismo ensina que a ressurreição dos que morreram em Cristo acontecerá antes do Início da Grande Tribulação que, segundo eles, durará 7 anos. Ainda segundo este ponto de vista, haveria um segundo momento de ressurreição de pessoas que se converteram e morreram durante o período da Grande Tribulação, ressurreição esta que se daria por ocasião da Segunda-Vinda de Cristo. Mas este ainda não seria o último dia, visto que eles ensinam que depois disto ainda haveria um período de mil anos de história sobre a face da terra. Por isto é que os dispensacionalistas precisam interpretar último dia de maneira bem figurada. Para eles existem múltiplos “ultimo dia”.

E quando Jesus disse que chegará “a hora em que todos os que estiverem nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão; os que fizeram o bem ressuscitarão para a vida, e os que fizeram o mal ressuscitarão para serem condenados” (João 5.28,29), eles negam o sentido normal do texto e afirmam que ele quis dizer que por “a hora” Jesus teria intencionado dizer pelo menos tres horas distintas separadas por sete anos e mais outros mil anos, e que, quando Jesus diz que naquela hora todos ressuscitarão, eles dizem que “todos” não significam todos, mas uns agora e outros depois e outros mais tarde ainda. No episódio em que Jesus diz que o sumo-sacerdote e seus comparsas ali presentes o veriam vindo sobre as nuvens do céu (Mateus 26.63-64), os dispensacionalistas afirmam que Jesus não quis dizer bem isto, pois segundo a sua cronologia escatológica, os perdidos não ressuscitarão na Segunda-Vinda, mas apenas mil anos mais tarde. O resultado disto é que eles são forçados a apelar para a alegorização, dizendo que o sumo-sacerdote não ressuscitará para contemplar a vinda do Senhor, pois que ele ali representa a comunidade judaica. Jesus apenas estaria querendo dizer que haverá judeus vivos por ocasião da Segunda Vinda.

E também que, quando Apocalipse 1.7 ensina que “todos, até os que o traspassaram”, verão Jesus regressando sobre as nuvens dos céus, ensinam eles que o termo “todos” não deve ser interpretado literalmente como “todos” e que de maneira alguma os que o traspassaram na cruz ressuscitarão para ver a Segunda Vinda de Cristo, pois ensinam que apenas os salvos ressuscitarão na Parusia. Eles também recusam-se em concordar com a afirmação de Jesus de que a ressurreição dos salvos ninivitas se dará no dia do juízo final juntamente com a geração de judeus que rejeitou o testemunho de Cristo (Mateus 12.41), simplesmente porque isto contraria seus pressupostos pré-milenistas.

Bispo José Ildo Swartele de Mello Estudo mais completo sobre o Milênio em http://escatologiacrista.blogspot.com.br/p/o-milenio-apocaliptico.html Estudo completo sobre a Segunda Vinda de Cristo e a Grande Tribulação em http://escatologiacrista.blogspot.com.br/p/conceitos-tribulacionistas.html

O Reino, A Cruz e a Missão da Igreja+

A cruz de Cristo e a missão da Igreja

A cruz é considerada o maior símbolo do cristianismo entre católicos e protestantes em geral. Mas existe uma controvérsia entre católicos e protestantes em torno do crucifixo, ou seja, cruz com Cristo crucificado, que é comum entre os católicos, e a cruz vazia, defendida pelos evangélicos. Reconheço ser problemática a representação de Jesus tanto em esculturas como em gravuras, pinturas, etc, pois não temos como nos assegurar de que o artista está sendo feliz em sua inspiração e devemos acrescentar a isto a preocupação com o mandamento de não fazer imagens que possam induzir a idolatria. Portanto, não quero aqui sair em defesa do uso do crucifixo, mas apenas demonstrar a fraqueza dos argumentos de muitos evangélicos, que, em sua defesa da cruz vazia, criticam os católicos como se a cruz com Cristo ou o Cristo crucificado significasse algo ultrapassado pela ressurreição. Conheci alguns evangélicos que chegavam ao ponto de insinuar com isto que os católicos não crêem na ressurreição. Tem até uma música chamada “Espelhos Mágicos” da banda Oficina G3 i que, num determinado trecho, diz: “Só vêem um Cristo vencido em dor. Não conhecem a cruz vazia, pois ressuscitou…” Este trecho da canção parece refletir este debate entre “cruz vazia X crucifixo”, retratando o que muitos evangélicos pensam a respeito dos católicos, afirmando que eles “não conhecem a cruz vazia”, traduz-se: “não sabem que Cristo ressuscitou”. Sim, de fato, alguns crentes chegam a sugerir que os católicos estariam ignorando a ressurreição de Cristo. Este erro é oriundo da tentativa de desenvolver uma identidade evangélica latino-americana muito fixada em estabelecer contraste e fazer oposição à Igreja católica. Picuinhas desta natureza são perigosas por acabarem levando a outros extremos, como, por exemplo, na comemoração da páscoa, quando a maioria evangélica chega a se esquecer da sexta-feira. Parecem estar fugindo do tema da cruz, pulando a cruz e indo direto para a ressurreição. E, a cruz, quando lembrada, é a cruz de Cristo e não também a do discípulo.

Distorções que esvaziam a cruz

Pode ser também que, isto, de evitar o tema da cruz, possa ter contribuído em alguma medida para o sucesso do conceito pré-tribulacionista, tão proeminente entre os evangélicos brasileiros, com seu ensino escapista, que diz que Deus não permitirá que a Igreja passe pela Grande Tribulação. Segundo este conceito teológico a Igreja será arrebatada e o Espírito Santo será removido da Terra antes da manifestação do Anticristo. Mas parece bastante incoerente que o anticristo surja no cenário mundial apenas após o arrebatamento da Igreja e a remoção do Espírito Santo. Mas como é que este inimigo poderá ser nomeado anticristo, visto que, segundo o pretribulacionismo, seriam removidos o Espírito Santo e a Igreja que é o Corpo de Cristo? Se este fosse o caso, este inimigo seria ANTI O QUÊ?

Tem ainda a teologia da prosperidade que ensina que Cristo morreu e sofreu na cruz para que nós pudéssemos viver uma vida livre das doenças, privações e sofrimentos, que é conveniente para aqueles que estão contaminados pelo espírito que atua neste mundo por traz desta sociedade de consumo e que também pensam na cruz apenas em termos do que Cristo sofreu por nós a fim de que pudéssemos desfrutar hoje de uma vida semi-paradisíaca na terra, propondo uma escatologia quase que plenamente realizada, pois que já poderíamos usufruir sem restrições de tudo o que Cristo conquistou na cruz como um direito nosso aqui e agora a ser apropriado pela fé, ignorando, portanto, que estamos vivendo no intervalo entre a primeira e a Segunda Vindas de Cristo, e que neste período presente, experimentamos apenas os primeiros frutos da colheita do Reino do Céu (Rm 8) e que vivemos em esperança, suportando angústias até agora aguardando a plenitude dos tempos que se dará com a manifestação do Filho de Deus por ocasião de sua Segunda Vinda. Vivemos no “já e ainda não”. Portanto, no mundo ainda temos aflições (Jo 16.33). Sabemos que Jesus Reina hoje (Ef 1.22) e que está pondo paulatinamente um a um os seus inimigos debaixo de seus pés (1 Co 15.25), mas ainda não vemos todos os seus adversários subjugados aos seus pés (Hb 2.8). A batalha decisiva já foi travada, Cristo já triunfou na cruz, mas a luta continua até a batalha derradeira do Armagedom. E a nós, como seus seguidores, nos cabe nos identificarmos com ele na sua luta e no seu sofrimento, carregando as nossas próprias cruzes, cumprindo assim o que resta dos sofrimentos de Cristo (Cl 1.24).

Retornando ao tema do debate entre católicos e protestantes, Paulo, por exemplo, não pregava apenas a cruz vazia, pois seu foco principal estava na mensagem da cruz “cheia” com Cristo crucificado! “Mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios (1 Co 1.23); “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1 Coríntios 2.2). Nos textos de Gálatas mencionados acima, Paulo deixa claro que não somente Jesus havia sido crucificado, mas que ele também havia sido crucificado juntamente com Cristo de modo que o mundo estava crucificado para ele e ele para o mundo. O servo não é maior do que o seu Senhor, devendo o discípulo sempre ter a consciência de que, seguir o Servo Sofredor, que na cruz morreu, é se identificar com ele em todos os sentidos, não somente na glória da sua ressurreição, mas também na dor de seu sofrimento na cruz. Assim, quem quiser seguir o mestre e herdar o reino, deve estar disposto a tomar a sua própria cruz.

Jesus disse que deveríamos ter memória de seu sacrifício na cruz. Esquecer a morte de Jesus é privar o cristão daquilo que dá sentido à sua vida e também daquilo que deve marcar o seu estilo de vida. Não se deve entender a morte como algo superado pela ressurreição. Páscoa é descobrir a Vida que está no interior da morte. Descobrir na morte a Páscoa, como plenitude de Vida, como Vida definitivamente instalada na existência. Algo assim como na Primavera: abrem-se os botões e entregam a vida, gestada na aparente morte do Inverno. A Vida é o que de melhor alguém pode dar a seu semelhante. Quando alguém é capaz de dar a vida por seus semelhantes, é sinal de que vive em plenitude. Na prática, fazer memória é identificar-se com Cristo e com Cristo Crucificado. Fazer memória da Paixão de Jesus significa manifestar no nosso agir diário, não se dá somente através da celebração do ritual da Ceia do Senhor, mas também em tomar a própria cruz, seguindo e assumindo o modelo e o estilo de vida de Jesus aqui neste mundo como suas testemunhas que somos e devemos ser. E não fazer vã a morte dele na cruz.

O que veremos a seguir

O que é que os textos de Isaías 6, Natal, Bodas de Caná, Tempestade no Mar da Galiléia e a crucificação de Cristo têm em comum? O silêncio de Deus por um tempo e o seu aparente abandono que se vê no caos que se abatia sobre Israel no período de Isaías, onde parecia que o Diabo havia se assenhoreado da situação, portas que se fecharam para José e Maria no momento crítico do parto, o vinho que acaba durante a festa e a tempestade que abate o barco em que estão os discípulos com Jesus e a própria condição de abandono experimentada por Cristo na sua cruz. Mas sabemos como a boa mão do Senhor se manifestou em cada um daqueles episódios. Deus é o Senhor da história. Não somos joguetes nas mãos dos homens e dos demônios. O Senhor tem um plano e um caminho no meio da tormenta (Naum 1.3). A cruz faz parte do plano, mas ela não é o capítulo final! Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8.28). Os cristãos precisam aprender a carregar a sua própria cruz com perseverança, confiança e total dependência de Deus.

Veremos também as implicações da cruz para a ética e a santificação cristãs e também para a pregação do Evangelho e o exercício da liderança cristã e do ministério pastoral.

A cruz e o exercício da liderança na Igreja

Queremos um testemunho encarnacional, que não separe a cruz do ministério da Igreja. A cruz não é apenas questão do passado. O discipulado exige que levemos a nossa própria cruz a cada dia. A missão de Deus se prolonga em nós à medida que aprendemos o caminho da cruz, isto requer sacrifício.

A cruz é o tema central de nossa identificação com Cristo. Queremos participar de seu reino, então, participemos de seu sacrifício. Pois os cristãos são seguidores do Messias crucificado. Paulo disse que não pregava outra coisa, senão: o Messias crucificado. O Messias (REI) que não busca o poder para dominar os demais. O que significa o que Paulo disse a respeito de a cruz ser loucura para os gregos?

O reino de ponta-cabeça

Jesus veio estabelecer uma nova ordem revolucionária, um reino de ponta cabeça, como bem expressou Kraybill, ao dizer também que o Reino de Deus para uma maneira de viver invertida, que contrasta com a atual ordem social, ii onde os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos (Mt 20.16); onde o maior é aquele que se assemelha a uma criança e é aquele serve aos demais com humildade (Mt 18.1ss); onde o maior é aquele que lava os pés dos outros, tarefa que usualmente era destinada aos servos e escravos (Jo 13.14).

A mensagem da cruz revela o aspecto paradoxal do Reino. O Livro de Apocalipse, por exemplo, mostra algo como que uma inversão da norma comum de poder ao apresentar o Cordeiro de Deus que foi ferido como o único digno de abrir o Livro. Diz ainda que o Cordeiro, que foi condenado e setenciado a morte por Pilatos e que morreu como um criminoso de forma vexatória, aos olhos humanos, numa cruz, está assentado no único trono que está sobre todos e que permanecerá vigente na consumação dos séculos. iii Cristo nos chama a ser seus discípulos e isto significa que ele nos chama para sermos crucificados. Precisamos experimentar sua morte para então podermos experimentar o poder de sua ressurreição. Tiago e João, em Mt 20, queriam os primeiros lugares no Reino. Jesus pergunta, então, se eles estão dispostos a beber o cálice que ele bebe. Sem refletir, prontamente respondem que sim. Jesus profetiza que eles certamente beberam deste cálice. Sabemos que Tiago foi o primeiro dos doze apóstolos a ser morto como mártir (At 12.2) e João o último. Jesus pediu para que o cálice fosse afastado dele, mas não teve jeito, aceitou tomá-lo livremente dizendo: “Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua” (Lucas 22.42). “Mas Jesus disse a Pedro: Mete a espada na bainha; não beberei, porventura, o cálice que o Pai me deu?” (João 18.11). Pedro também tentou se esquivar do cálice, mas resignou-se ao seu destino. Tiago e João só estavam pensando na graça e glória de estarem ao lado de Cristo como primeiro ministros, mas nada sabiam ainda sobre a graça de padecer por Cristo. Todos os apóstolos parecem ter sido martirizados por amor a Cristo. Bem, Jesus mesmo já os havia prevenido: “Quem quiser vir após mim, negue a si mesmo e tome a sua cruz e siga-me” e também: “bebereis do meu cálice e sereis batizados com o batismo com que sou batizado”. Mas Jesus respondeu: “Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu estou para beber? Responderam-lhe: Podemos. Então, lhes disse: Bebereis o meu cálice; mas o assentar-se à minha direita e à minha esquerda não me compete concedê-lo; é, porém, para aqueles a quem está preparado por meu Pai” (Mt 20.22-23).

Houve um período em que os discípulos procuravam se esquivar do tema da cruz. Não entendiam e não faziam questão de entender. Só enxergavam o que queriam ver, como alguém apaixonado que só olha o lado bom e agradável. Jesus falava da cruz (Lc 9.44) e eles ignoravam o tema e logo mudavam de assunto inquirindo e disputando sobre algo que lhes parecia bem mais interessante, ou seja: “qual de nós será o maior no Teu Reino?” (Lc 9.45 e 46). Os discípulos tinham uma concepção do Messias apenas em termos do Rei vencedor, que restauraria o Reino a Israel. Criam que ele se manisfetaria ao mundo com grande poder e glória ainda naqueles dias e não podiam pressupor um caminho de cruz, sofrimento, humilhação e rejeição nem sequer como estágio para o estabelecimento do seu Reino. Sentiam-se prontos para reinar com Cristo, mas tinham que aprender a ser menores como uma criança, pois o menor é que é de fato o maior e também deveriam aprender a servir como servos de todos. (Lc 9.47-48). Em 1 Coríntios 1, vemos algo semelhante acontecendo só que no sentido inverso, ou seja, havia disputa entre os coríntios sobre quem seria o maior dos apóstolos, quem seria o melhor dos cristãos e qual grupo era o mais cristão de todos. Paulo responde a esta disputa que inclusive incluía o seu nome, dizendo que ele nunca quis um lugar de destaque e que ele só quis saber de Cristo e este crucificado. Paulo critica a sabedoria deste mundo que é míope para ver o poder e a sabedoria de Deus que se revelam na “fraqueza” da cruz. Levou um dia para tirar o povo do Egito e 40 anos para tirar o Egito do Povo. Pode-se ver, no próprio capítulo 9 de Lucas, que os discípulos, por vezes, manifestaram o espírito deste mundo: “pediram para descer fogo do céu” (v.54). Jesus repreende perguntando “não sabeis de que espírito sois?” (v. 55). Os discípulos estavam agindo como agem os do mundo procurando destruir e eliminar os que fazem oposição. E queriam também impedir que alguém continuasse a pregar e a expulsar demônios somente por que não faziam parte do mesmo “time” (v. 49). Disputaram por posições (v. 46) e Pedro recomendou que Jesus desse um jeitinho de evitar a cruz, por não entender os planos de Deus. Mas Jesus o repreende “arreda Satanás, pois cogitas das coisas dos homens e não das coisas de Deus.” (Mc 8.33). Pois “quem quiser, pois salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, salvá-la-á.”. O caminho do discipulado é o caminho da cruz. Pois “todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Tm 3.12).

Jesus foi tentado a demonstrar o poder de Sua divindade (Lc 4.8-10). Entretanto, ele estava determinado a se esvaziar da Sua glória, reduzindo-se a nada, unicamente voltado para a glória do Pai. “No meio de vós, Eu sou como quem serve” (Lc 22.27); Jesus jamais perseguiu a fama, pelo contrário, vivia fugindo dela. Dar testemunho de si mesmo é um pecado grosseiro, pois revela a necessidade carnal de ser o centro das atenções. (Jo 7.18a). “Nada façais por partidarismo, ou vanglória, mas por humildade, considerando os outros superiores a si mesmo… Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fp 2.3-8).

Quanto mais nós crescemos no Espírito de Jesus Cristo, mais cônscios de nossa pobreza nos tornamos e mais nós percebemos que tudo nada vida é uma dádiva imerecida. O tom de nossa vida passa a ser a humildade e alegre atitude de gratidão. O pobre de espírito é a pessoa que menos julga ao seu próximo, diferente do altivo fariseu que orava no templo. A criança é pobre de espírito porque não tem pretensões na base de seu méritos. O Reino pertence às pessoas que não ficam tentando parecer boas para impressionar quem quer que seja. Aí vemos o perigo da hipocrisia e do narcisismo espiritual. As crianças tinham pouco valor na época do Novo Testamento. Sem importância, sem status, não eram contadas. São símbolo dos que são marginalizados pela sociedade, como os pobres, mendigos, prostitutas, coletores de impostos, inferiorizados e envergonhados pela sociedade, mas que foram chamados por Jesus de “pequeninos”. Nunca desprezem um destes meus pequeninos (Mt 18.10). Eles não têm o que temer, o reino pertence a eles (Lc 12.32). Jesus gastou um tempo desproporcional com pessoas descritas como: pobres, cegos, mendigos, leprosos, pecadores, prostitutas, cobradores de impostos, perseguidos, marginalizados, possuídos por espíritos imundos, não religiosos, pequeninos, a ralé da sociedade, os últimos e ovelhas perdidas da casa de Israel. Extrema atenção que ele deu aos perdedores, pecadores e para aqueles que eram tidos como ninguém. Jesus deu preferência aos fracos, perdidos e doentes. Possuía uma incompreensível atração pelos não atraentes, um estranho interesse pelos não desejáveis e desinteressantes e um estranho amor pelos não amados. A Missão da Igreja e o exercício da liderança cristã devem ser exercidos neste espírito de Cristo, de modo humilde, sem autoritarismo, servindo sem interesses mesquinhos como ganância e autopromoção. Grandes coisas podem acontecer quando você não se importa com quem vai levar a fama”. (Mark Twain). Creio que as maiores coisas só acontecem quando você dá fama aos outros.

A Igreja como Povo de Deus

Precisamos resgatar o conceito de Igreja como Povo de Deus. A Igreja evangélica está sendo ameaçada por novas ditaduras dos que se autodenominam apóstolos ou agem como tal, ainda que com outros títulos, ou com títulos nenhum. A Igreja precisa de uma participação mais democrática, que vise à participação de todos de maneira mais ativa. i A critica se restringe a um detalhe em particular encontrado em uma música e que reflete o pensamento de muitos evangélicos. Nada contra esta banda em si, que, no geral, é de boa qualidade e possui muitas canções excelentes. ii Kraybill, Donald.

O Reino de Ponta-cabeça. Tradução: João Marques Bentes. Campinas: Editora Cristã Unida. 1993. P.15. iii Myers, Bryant L.

Caminar con Los Pobres. Manual teórico-prático de desarrollo transformador. Buenos Aires: Kairós. 2002. P. 52.

O literalismo dispensacionalista e suas inconsistências+

Por Bispo José Ildo Swartele de Mello

O literalismo produz muitos equívocos de interpretação, por exemplo, Nicodemos, por conta do literalismo, não entendeu a linguagem figurada de Jesus, concluindo equivocadamente que nascer de novo era o mesmo que voltar ao ventre de sua mãe (Jo 3.4). E a mulher samaritana errou em interpretar literalmente a seguinte frase de Jesus “aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede”. Tanto que ela chegou a pedir para beber desta água para não precisar voltar a buscar água naquele poço (João 4.10-15). E os líderes judeus não entenderam a linguagem figurada de Jesus que falou do seu corpo como sendo templo e quiseram matar a Jesus por conta de sua errônea interpretação literal (Jo 2.21 e Mt 26.61).

O literalismo levou os dispensacionalistas a fazerem uma separação tão radical entre Israel e Igreja, chegando ao ponto de negarem que o Sermão do Monte seja uma mensagem de Cristo para os cristãos, alegando tratar-se de uma mensagem apenas voltada aos judeus. (Vide notas da Bíblia dispensacionalista de Estudo Scofield). No entanto, o Novo Testamento aplica a Igreja aquilo que o Antigo Testamento exclusivamente diz a respeito de Israel: “vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus… vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus…” (1Pe2.9-10; Tt 2.14; Ap 1.6; 5.10; cp. Êx 19.5-6; Dt 14.2; Is 43.20).

Os dispensacionalistas seguem a mesma hermenêutica literalista que levou os fariseus a rejeitarem a Cristo, pois esperavam um rei político que os liderasse numa guerra contra o Império Romano, restaurando seu reino terreno, e não um rei pacífico e espiritual, cujo reino não é deste mundo.

Agora, ao contrário do que alegam, os dispensacionalistas não são nada consistentes em sua proposta de interpretação literal das Escrituras Sagradas. Por exemplo:

Vinte e duas inconsistências do literalismo dispensacionalista

  1. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente as afirmações de Jesus sobre Satanás já ter sido amarrado (Mt 12.29), já ter caído do céu como um relâmpago (Lc 10.17) e que já havia chegado a hora dele ser expulso (Jo 12.31).
  2. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente a estupenda declaração de Jesus: “certamente é chegado o reino de Deus sobre vós” (Mt 12.28); simplesmente porque isto contradiz sua crença de que o reino foi adiado por conta da rejeição de Israel.
  3. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente a seguintes declarações de Jesus sobre seu reino não ser deste mundo e nem se manifestar com visível aparência: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui” (Jo 18.36); “Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós.” (Lc 17.20–21), os dispensacionalista preferem contrariar o claro ensino de Cristo, do que abandonarem sua ideia de ver estabelecido um reino milenar aqui na terra em termos físicos e literais.
  4. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente as parábolas que ensinam que o Reino de Deus se manifesta no mundo de maneira discreta como um grão de mostarda e que vai crescendo de modo paulatino e que se defronta sempre com o inimigo que se apresenta em forma de pássaro ou daquele que planta o joio no meio do trigo (Mt 13).
  5. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente as seguintes declarações de Jesus: “sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” Mt 16.18); e “é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações” (Mc 13.10), pois eles ensinam que o arrebatamento sempre foi iminente, podendo ter acontecido e acontecer a qualquer momento, mesmo antes do sucesso da Igreja em fazer discípulos de todas as nações, mesmo antes do cumprimento da profecia de que o Evangelho precisa necessariamente ser pregado para testemunho a todas as nações antes do fim.
  6. Os dispensacionalista não interpretam literalmente a profecia das Setenta Semanas de Daniel, pois dizem que ela não se cumpriu em 490 anos na vinda de Cristo, sua morte e, no consequente destruição de Jerusalém e do templo, ensinando, ao contrário, que há um intervalo de dois mil anos ou mais no seu cumprimento profético quando não existe nada naquela profecia que sequer sugira algo assim.
  7. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente a profecia de Daniel 2, pois negam que Cristo tenha inaugurado seu Reino nos dias do Império Romano conforme esclarece Daniel: “nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre, como viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro. O Grande Deus fez saber ao rei o que há de ser futuramente. Certo é o sonho, e fiel, a sua interpretação.” (Dn 2.44–45).
  8. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente o ensino de Jesus quanto a necessidade de vigiar para não ser pego de surpresa pela Vinda do Senhor que porá fim a oportunidade de salvação (Mt 24.14 e 37; 25.1-13; Mc 13.33), pois, contrariamente, ensinam que será possível haver salvação depois do arrebatamento.
  9. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente 2 Tessalonicenses 2, que ensina que “a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e a nossa reunião com ele”(2Ts 2.1), que sabemos se dará com o arrebatamento, “não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus, ou objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus.” (2Ts 2.3b,4). Isto porque a interpretação literal deste texto levaria necessariamente a negação do ensino pré-tribulacionista que ensina que a manifestação do Iníquo somente acontecerá após o arrebatamento da Igreja.
  10. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente as diversas passagens bíblicas que ensinam que a Igreja passa pela Grande Tribulação (Ap 1.9; 2.3-13; 6.9s; 7.9-17; 11.1-10; 12.11, 17; 13.7,8; 14.1-5,13).
  11. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente os textos que claramente ensinam que o juízo final dos incrédulos irá ocorrer com a Segunda-vinda (Dn 12.2; Mt 25.31-34).
  12. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente as palavras de Tiago no encerramento do concílio de Jerusalém, onde ele vê a conversão dos gentios para fazerem parte da Igreja como o cumprimento da profecia a respeito da reedificação do tabernáculo caído de Davi. (At 15.14–19).
  13. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente a afirmação de Paulo que diz que a morte, o último inimigo, será destruída e tragada pela vitória na Segunda-vinda de Cristo (1Co 15.54), pois eles ensinam que, mesmo depois da Segunda Vinda de Cristo, haverá morte e rebelião na terra no milênio.
  14. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente quando Jesus diz que os redimidos ressuscitarão no “último dia” (Jo 6.40), eles afirmam que Jesus quis dizer mil e sete anos antes do último dia. Porque o dispensacionalismo ensina que a ressurreição dos que morreram em Cristo acontecerá antes do Início da Grande Tribulação que, segundo eles, durará 7 anos. Ainda segundo este ponto de vista, haveria um segundo momento de ressurreição de pessoas que se converteram e morreram durante o período da Grande Tribulação, ressurreição esta que se daria por ocasião da Segunda-Vinda de Cristo. Mas este ainda não seria o último dia, visto que eles ensinam que depois disto ainda haveria um período de mil anos de história sobre a face da terra. Por isto é que os dispensacionalistas precisam interpretar último dia de maneira bem figurada. Para eles existem múltiplos “ultimo dia”.
  15. Os dispensacionalistas também não interpretam literalmente o texto em que Jesus diz que chegará “a hora em que todos os que estiverem nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão; os que fizeram o bem ressuscitarão para a vida, e os que fizeram o mal ressuscitarão para serem condenados” (João 5.28,29), eles negam o sentido normal do texto, alegando que ao dizer “a hora”, Jesus teria intencionado dizer pelo menos tres horas ou momentos distintas separadas por sete anos e mais outros mil anos. Além de tamanho disparate, eles ensinam também que, quando Jesus diz que naquela hora todos ressuscitarão, que não é bem assim, dizem que não devemos interpretar “todos” de maneira literal, pois, para eles, “todos” não significam todos, mas uns agora e outros depois e outros mais tarde ainda.
  16. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente o texto em que Jesus diz que o sumo-sacerdote e seus comparsas ali presentes o veriam vindo sobre as nuvens do céu (Mt 26.63-64), pois segundo a sua cronologia escatológica, os perdidos não ressuscitarão na Segunda-Vinda, mas apenas mil anos mais tarde. O resultado disto é que eles são forçados a apelar para a alegorização, dizendo que o sumo-sacerdote não ressuscitará para contemplar a vinda do Senhor, pois que ele ali representa a comunidade judaica. Jesus apenas estaria querendo dizer que haverá judeus vivos por ocasião da Segunda-vinda.
  17. Os dispensacionalistas também não interpretam literalmente Apocalipse 1.7 que ensina que “todos, até os que o traspassaram”, verão Jesus regressando sobre as nuvens dos céus, pois ensinam eles que o termo “todos” não deve ser interpretado literalmente como “todos” e que de maneira alguma os que o traspassaram na cruz ressuscitarão para ver a Segunda-vinda de Cristo, pois ensinam que apenas os salvos ressuscitarão na Segunda Vinda de Cristo. Eles também recusam-se em concordar com a afirmação de Jesus de que a ressurreição dos salvos ninivitas se dará no dia do juízo final juntamente com a geração de judeus que rejeitou o testemunho de Cristo (Mt 12.41), simplesmente porque isto contraria seus pressupostos pré-milenistas.
  18. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente textos como João 10.16, 1 Coríntios 10.17; 12.13; Efésios 2.13-22 e Romanos 11 que ensinam que Deus só tem um povo, um só rebanho, pois há apenas uma só Oliveira da qual fazem parte pela fé judeus e gentios, pois Jesus derrubou a parede de separação que estava no meio, para que dos dois criasse, em si mesmo um novo homem, seu Corpo, a Igreja, edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo, a pedra angular. No entanto, os dispensacionalistas dizem que Deus tem dois povos, e que tem dois planos de salvação e dois destinos futuros, um terreno para Israel e outro celestial para a Igreja. Paulo usa 14 capítulos em Romanos para provar que nunca existiu um plano de salvação para judeus e outro para os gentios, mas, ao contrário, sempre houve um único plano eterno incluindo judeus e gentios (Gn 17.5; Rm 4.11, 12, 16, 17, 23, 24).
  19. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente Romanos 2.28-29: “Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, q no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus.” Pois uma interpretação literal deste texto implicaria necessariamente em espiritualizar o termo judeu, algo inadmissível para eles que vivem ensinando que judeu é judeu e cristão é cristão. Eles fazem uma separação radical entre Israel e Igreja.
  20. Os dispensacionalistas também não interpretam literalmente Hebreus 12.22: “Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembléia”, pois isto seria espiritualizar Monte Sião e Jerusalém como algo pertencente a Igreja na Nova Aliança.
  21. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente o ensino de Paulo de que a promessa da terra feita a Abraão não diz respeito somente a Israel, mas também a Igreja. “Não foi por intermédio da lei que a Abraão ou a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro do mundo, e sim mediante a justiça da fé. Pois, se os da lei é que são os herdeiros, anula-se a fé e cancela-se a promessa, porque a lei suscita a ira; mas onde não há lei, também não há transgressão. Essa é a razão por que provém da fé, para que seja segundo a graça, a fim de que seja firme a promessa para toda a descendência, não somente ao que está no regime da lei, mas também ao que é da fé que teve Abraão (porque Abraão é pai de todos nós, como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí.)” (Rm 4.13–17).
  22. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente o trecho de Hebreus 11 que diz que os patriarcas viram o cumprimento da promessa da terra em termos mais espirituais que terrestres, tanto que, Abraão, “pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa; porque aguardava a cidade j que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador… Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. Porque os que falam desse modo manifestam estar procurando uma pátria. E, se, na verdade, se lembrassem daquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar. Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. o Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade.” (Hb 11.9–16). Portanto, uma pátria celestial é a esperança dos judeus crentes do Antigo Testamento, idêntica a dos cristãos do Novo Testamento! Jesus subiu foi nos preparar um lar celestial na casa do Pai! “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também. (Jo 14.2–3). “Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, a buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra” (Cl 3.1–2). Infelizmente, os dispensacionalistas seguem pensando na restauração de um reino terreno de Israel, enquanto que próprios patriarcas morreram na esperança de uma pátria celestial. Como Abraão, Isaque e Jacó, nós cristãos, também declaramos que “a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20).
Haveria um plano distinto de salvação para Israel?+

A tese: graça sobre Israel, mas não um plano à parte

Creio que Deus tem sua graça estendida sobre o povo de Israel, mas não um plano distinto de salvação para os judeus como ensinado pelos dispensacionalistas, que dizem que Israel será salvo no período da Grande Tribulação, não através da graça, mas como um prêmio pelo martírio, pois afirmam que naquele tempo será restabelecido o período da lei como nos dias do Antigo Testamento. Uma grande heresia que deve ser totalmente rechaçada!

Chafer, proeminente dispensacionalista e fundador do Seminário de Dallas, em “Teologia Sistemática” afirma que Deus estabeleceu um plano de salvação diferente para os judeus e que também designou um destino diferente para eles, a saber, um paraíso na terra e não no céu:… os israelitas foram designados para viver e servir debaixo de um sistema meritório e legal, ao passo que os cristãos vivem e servem debaixo de um sistema de graça; que os israelitas, como uma nação, têm a sua cidadania agora e seu destino futuro se concentra somente na terra, estendendo-se até a nova terra que está por vir, ao passo que os cristãos têm sua cidadania e destino futuro centralizados somente no céu, estendendo-se até os novos céus que ainda hão de ser cridos… ( L.S. Chafer, Teologia Sistematica. Dalton: Publicaciones Españolas, 1974, Tomo II, p. 31).

Mas o ensino de que é possível salvação através das obras da lei contraria totalmente o ensino do Novo Testamento que, enfaticamente, proclama: “É evidente que diante de Deus ninguém é justificado pela Lei, pois “o justo viverá pela fé” (Gl 3.11). “Portanto, ninguém será declarado justo diante dele baseando- se na obediência à Lei, pois é mediante a Lei que nos tornamos plenamente conscientes do pecado” (Rm 3.20). O próprio Abraão foi justificado por fé e não pelas obras (Gl 3.5-9). E os sacrifícios de cordeiros para perdão dos pecados nos tempos do Antigo Testamento apontavam para o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, de modo que os santos do Antigo Testamento não foram justificados por obras, mas pelo sangue do Cordeiro (Hb 8.5; 10.1)! Jesus é a nossa Páscoa (Hb 11.26)!

Salvação pelas obras da lei contraria toda a Escritura

Porque “… não há um só justo na terra, ninguém que pratique o bem e nunca peque” (Ec 7.20 cf. Rm 3.10-12). “P ois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.23,24). “P ois, se a justiça vem pela Lei, Cristo morreu inutilmente! ” (Gl 2.21).

Além disto, Paulo nega a existência de qualquer plano distinto de salvação para os judeus, ensinando que no Novo Testamento ” já não há diferença entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, bárbaro e cita, escravo e livre, mas Cristo é tudo e está em todos” (Cl 3.11). Isto aconteceu porque a “barreira” e o “muro de inimizade” entre judeus e gentios foram destruídos na cruz, e, assim: “de ambos os povos fez um” (Ef Ef 2.14).

Paulo nega qualquer plano distinto para Israel

Antes de Cristo, os gentios estavam “separados da comunidade de Israel” (Ef 2.11), mas agora fazem parte da COMUNIDADE DE ISRAEL! Fomos enxertados na mesma e única OLIVEIRA (Rm 11.17). Agora somos: ” concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo Jesus Cristo como pedra angular” (Ef 2.19,20). A Igreja é agora denominada de “o povo escolhido de Deus” (Cl 3.12) e também de ” O Israel de Deus ” (Gl 6.16). E as promessas que anteriormente foram destinadas ao povo hebreu, agora pertencem a Igreja, que congrega judeus e gentios remidos pelo sangue de Cristo: “Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Antes vocês nem sequer eram povo, mas agora são povo de Deus; não haviam recebido misericórdia, mas agora a receberam” (1 Pe 2.9 cf. Ex 19.6).

A Igreja é a continuidade de Israel como povo de Deus, não no sentido de excluir os judeus, mas no sentido de incluir também os gentios debaixo do senhorio redentor do Messias (Ef 2.12-22; Os 1.9; 2.25; Jo 1.10-12; 9.17; 12.14; Rm 9.24, 25). Como ” Israel de Deus “, a Igreja é composta por judeus (o remanescente de Israel que estão em Cristo) e por gentios que também se encontram em Cristo e que também receberam o poder de serem feitos filhos de Deus (Jo 1.12,13), legítimos descendentes de Abraão e herdeiros das promessas (Gl 3.29)!

Deus não possui dois povos e nem duas comunidades, mas apenas uma! Jesus não possui dois Corpos, mas apenas um, que é a Igreja! O propósito divino foi ” reconciliar com Deus os dois em um corpo, por meio da cruz, pela qual ele destruiu a inimizade” (Ef 2.16). “Nele vocês também estão sendo edificados juntos, para se tornarem morada de Deus por seu Espírito” (Ef 2.22). Pois ” há somente um corpo e um espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos” ( Ef 4.4-6).

“Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam”( Rm 10.12).

O caminho de salvação é o mesmo para judeus e para gentios: “Ele veio e anunciou paz a vocês que estavam longe e paz aos que estavam perto, pois por meio dele tanto nós como vocês temos acesso ao Pai, por um só Espírito” (Ef 2.17,18). O Evangelho da Graça baseado na cruz de Cristo é o caminho: “reconciliar com Deus os dois em um corpo, por meio da cruz, pela qual ele destruiu a inimizade” (Ef 2.16). Através do único remanescente verdadeiramente justo e fiel de Israel, o Messias Jesus Cristo, o descendente de Abraão por excelência (Gl 3.16), foi que Deus estendeu sua graça a todas as nações conforme seu plano Eterno que fora previamente anunciado a Abraão (Gn 12.1-3 cf. Gl 3.14-16).

O Evangelho do Reino de nosso Senhor Jesus Cristo é a única esperança de salvação para os judeus, assim como o é para os gentios. Pois sabemos que ” Deus não faz acepção de pessoas” (Rm 2.11), os judeus só podem ser salvos se aceitarem a Cristo como único e suficiente Salvador durante a era presente. Pois só há um caminho e um único nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos. Após o soar da última trombeta não haverá segunda oportunidade para ninguém, tanto incrédulos judeus como gentios se lamentarão naquele dia (Ap 1.7), clamarão para que as pedras caiam sobre eles e buscarão a morte sem que a possam encontrar. Sendo enganosa a idéia de uma segunda oportunidade de salvação após o arrebatamento da Igreja (Mt 25.1-13) e também é falsa a idéia de um plano de salvação distinto para Israel.

“Pois em um só corpo todos nós fomos batizados em um único Espírito: quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um único Espírito ” (1 Co 12.13).

Paulo usa 14 capítulos em Romanos para provar que nunca existiu um plano de salvação para judeus e outro para os gentios, mas, ao contrário, sempre houve um único plano eterno incluindo judeus e gentios (Gn 17.5; Rm 4.11, 12, 16, 17, 23, 24). Paulo não diz que Deus mudou o seu plano original, antes, ele afirma que a Igreja sempre foi o plano de Deus (Ef 3.4-6, 21, 26, 31; Gl 3.8, 16; ver também Gn 3.15).

O N.T. fala da lei, da circuncisão e do próprio povo de Israel em termos simbólicos, como sendo sombras da realidade que se encontra na Igreja (Cl 2.17; Hb 10.1; Ef 1.22,23):

Israel era um tipo da Igreja como povo de Deus; A terra prometida um tipo do céu (a Nova Terra); A circuncisão, ritual de iniciação do judaísmo, um tipo do novo nascimento e do batismo, ritual de iniciação do cristianismo; A lei um tipo e um aio para o evangelho, pois a lei não tinha um fim em sim mesma, mas encaminhava-se para Cristo e encontrou seu fim, cumprimento e plenitude no Evangelho do Reino; E o templo um tipo do “Corpo de Cristo” (Hb 8.5; 9.9, 24; 10.9,16,19-21; 11.9-16,39,40; 12.18-24; 13.10-14; Cl 2.11,12).

Israel como tipo e figura da Igreja

Os cristãos são chamados de “eleitos de Deus” (Rm 9.33).

A Igreja foi profetizada no A.T.: (Jo 8.56; At 3.22-24; 1 Pe 2.9 comparar com Ex 19.5,6; Hb 2.12 comparar com Sl 22.22).

A Igreja é denominada e tratada pelos apóstolos através de termos típicamente judaicos:

O “Israel de Deus” (Gl 6.16; 3.6-16; 1 Pe 2.6s comparar com Ex 19.5,6; Rm 2.11, 28, 29; Jo 15.1; Rm 11.17-24; Ef 2.12-22; 3.6; 4.4; Jo 10.16; Rm 9.24, 25 cf. Os 2.23)

Os títulos de Israel aplicados à Igreja

“Raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus” (1Pe 2.9-10; Ap 1.6; Tt 2.14; cf. Ex. 19.6; Dt 7.6); A diáspora (1Pe 1.1; Tg 1.1)

As doze tribos (Tg 1.1; Ap 7.4; Lc 22.30)

Judeu interiormente (Rm 2.28-29); A circuncisão (Fp 3.3 cf. Cl.2.11; Rm 2.29)

Os que “chegaram ao monte Sião, à Jerusalém celestial, à cidade do Deus vivo” (Hb 12.22)

O novo céu, onde a Igreja morará, é denominado de “A Nova Jerusalém” e possui portas onde estão “escritos os nomes das doze tribos de Israel” (Ap 21.12)

Filhos da promessa como Isaque (Gl 4.28)

Legítimos descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa (Gl 3.29)

“Eleitos de Deus” (Rm 9.33)

O Verdadeiro Israel é aquele que possui o Messias. Cristo é a Videira verdadeira (Jo 15.1), a videira é símbolo notório de Israel. O verdadeiro herdeiro de Abraão é o que tem fé no Messias prometido (Gl 3.1s). E não é sem propósito que o número de apóstolos da Igreja é idêntico ao número de tribos de Israel.

Portanto, não existem duas videiras. Assim como também não existem dois corpos, nem duas cabeças, nem duas noivas, nem dois noivos, nem muito menos dois meios de salvação.

Não há duas videiras nem dois corpos

Em Romanos 9.24-26, Paulo usa duas profecias que literalmente se referem à salvação futura de Israel e as aplica à Igreja, que, formada de judeus e gentios, tornou-se o povo de Deus.

A Igreja tem a mesma afinidade com a nação de Israel que o Novo Testamento tem com o Antigo Testamento ou que a graça tem com a lei.

A cruz de Cristo provocou mudanças:

O Antigo Testamento foi superado pelo Novo Testamento.

As mudanças provocadas pela cruz

O sacrifício de animais foi superado pelo sangue do Cordeiro; O Sábado foi superado pelo Dia do Senhor; A lei é substituída pelo Evangelho (Rm 6.14; 10.4); A circuncisão pelo Novo Nascimento, o batismo cristão (Cl 2.11; Rm 2.28,29 “verdadeiro judeu é aquele que é circuncidado no coração ” e Fl. 3.3 que diz: “Porque nós é que somos a circuncisão…”); O sacerdócio levítico é substituído pelo sumo-sacerdócio de Cristo (Livro de Hebreus) e pelo sacerdócio universal de todos os crentes (1 Pe 2); A Jerusalém terrestre é substituída pela Nova Jerusalém celestial; A terra prometida pelo céu; O templo pelo Corpo de Cristo (Igreja)

Israel dá lugar a Igreja como povo de Deus (Ef 2.14,16; Gl 6.16).

Dizer que o antigo regime da Lei, que foi superado pelo Evangelho da Graça, vai ser ainda reavivado é o mesmo que dizer que o sacrifício de Cristo não foi eficaz e suficiente (Gl 2.21). A Bíblia nada diz sobre o fim da era da Igreja e a restauração da era judaica e também nada ensina sobre um dia de restauração do período da Lei, pois segundo as Escrituras, a Lei serviu de tutor (Gl 3.24) para o Evangelho e não tem porque voltar a cena, porque “O FIM DA LEI É CRISTO” (Rm 10.4)!

A dicotomia entre Israel e Igreja também é destruída pela afirmações de Paulo de que os santos do Antigo Testamento também estão em Cristo, significando que eles também pertencem ao Corpo de Cristo que é a Igreja (1Co 12.13). Temos, portanto, um único povo de Deus salvo e unificado através das eras pelo bendito sangue do único e verdadeiro Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!

Apocalipse 21 descreve a moradia celestial da Igreja, denominada como sendo “a noiva e a esposa do Cordeiro” (v.10). Este novo céu é chamado de Nova Jerusalém (v.11), a nova terra prometida. A descrição deste novo céu também remonta a Israel: “Nas portas estavam escritos os nomes das doze tribos de Israel” (v. 12). E é nesta mesma cidade santa que encontramos “os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro” inscritos nos fundamentos de seus muros. O que revela que o destino de Israel não é um paraíso na terra, mas, sim, no mesmo céu da Igreja! Pois de ambos os povos, Deus fez um: A Igreja, que está edificada sobre o fundamento dos profetas do Antigo Testamento e dos Apóstolos do Novo (Ef 2).

Não existe, portanto, um plano de salvação distinto para Israel. A esperança futura para Israel é exercer fé em Cristo, sendo novamente reconduzido a mesma e única Árvore, a Oliveira, da qual fazem parte judeus e gentios crentes, o Corpo de Cristo, que é a Igreja, onde não há mais lugar para distinções entre judeus e gentios.

Bispo José Ildo Swartele de Mello http://www.escatologiacrista.blogspot.com.br

Questões referentes a embaixada em Jerusalém+

Estarei hoje no Vejam Só debatendo os conflitos relacionados a mudança da embaixada brasileira para Jerusalém. O que a Bíblia tem a dizer a respeito? Nesta Terça às 23.35 h na RITTV. Dá para assistir também ao vivo pelo canal do youtube da RITTV.

Defendo o direito de Israel ter seu Estado e sua capital, assim como vejo que os palestinos também tem seus direitos que precisam ser contemplados. Tudo com o máximo de justiça possível. Mas não vejo nenhuma profecia a respeito disto. Todas as do AT diziam respeito ao retorno do cativeiro babilônico. E nada é dito no Novo Testamento que sustente este apoio quase incondicional de muitos crentes às causas de Israel.

As Escrituras do Novo Testamento não vêem as promessas da Terra Prometida encontrando um cumprimento terreno, mas celestial: "Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa; porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador" (Hb 11.9-10).

A promessa da Terra é para toda a descendência de Abraão, o que inclui os gentios que são filhos da fé ou filhos da promessa e não somente de judeus que receberam a lei de Moisés (Rm 4.16-17). Paulo afirma que é através dos filhos espirituais de Abraão que se cumpre a promessa de que Abraão seria pai de muitas nações (Rm 4.17). "Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos. De modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão" (Gl 3.7-9).

Paulo conclui o capítulo 3 de Gálatas reafirmando que as promessas foram destinadas ao descendente por excelência de Abraão que é o Cristo (v. 19) e diz que tais promessas são extensivas a todos os que crêem em Cristo: "Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que, mediante a fé em Jesus Cristo, fosse a promessa concedida aos que crêem" (Gl 3.22).

Neste debate. levantarei as seguintes questões:

1. Se Jesus claramente ensinou que seu reino não era deste mundo (Jo 18.13) e que não viria com aparência física, e nem diriam que ele está aqui ou acolá (Lc 17.20), porque insistir na ideia de um reino de Deus político partidário, com trono terreno em um palácio em Jerusalém, e ainda uma reconstrução do templo para celebração de sacrifícios e festas judaicas nos moldes do AT?

2. Jesus veio como príncipe da paz ou como um general de guerra? Como o Bom Pastor ou como um grande guerreiro? Ele entrou em Jerusalém como um rei manso e humilde montado em um jumentinho ou como um rei cheio de pompa, ostentando poder para intimidar a todos?

3. Jesus reivindicou um trono terreno ou recusou a coroa política (Jo 6.15) e as glórias deste mundo (mt 4.8-9) e tranquilizando a Pilatos, garantindo não possuir ambições políticas, pois seu reino não era deste mundo (Jo 18.13)?

4. Como conciliar toda esta disputa bélica por poder com as bem-aventuranças do Reino de Deus proclamadas por Jesus Cristo no Sermão do Monte (Mt 5.1-12)?

5. Por que não entender de uma vez por todas que Jesus derrubou a parede de separação entre judeus e gentios (Ef 2) e que no Reino de Deus não há mais lugar para tais distinções ou qualquer espécie de discriminação (Cl 3.11)?

6. Por que priorizar Jerusalém quando Jesus claramente ensinou que não há mais lugar especial de adoração (Jo 4.21-24)?

7. Jesus prometeu voltar para nos levar para a Nova Jerusalém (Jo 14.1-3) que ele foi preparar e não para reinar aqui na velha terra de um trono na velha Jerusalém.

8. Esperamos novos céus e nova terra (2Pe 3.3). Os patriarcas habitaram em tendas como peregrinos em Canaã, pois esperavam a Nova Canaã (Hb11.8-16).

Um Messias Pastor Davi foi escolhido rei quando pastoreava o rebanho de seu pai e não como guerreiro (1 Sm 16.1-13).

"E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. 3 Portanto, o Senhor os entregará até ao tempo em que a que está em dores tiver dado à luz; então, o restante de seus irmãos voltará aos filhos de Israel. 4 Ele se manterá firme e apascentará o povo na força do Senhor, na majestade do nome do Senhor, seu Deus; e eles habitarão seguros, porque, agora, será ele engrandecido até aos confins da terra. 5 Este será a nossa paz. Quando a Assíria vier à nossa terra e quando passar sobre os nossos palácios, levantaremos contra ela sete pastores e oito príncipes dentre os homens.” (Mq 5.2-5).

"Ele apascentará o povo na força do Senhor… (Mq 5.4).

"Ele será a nossa paz" (Mq 5.5).

"e suscitarei para elas um só pastor, e ele as apascentará" (Ez 34.23).

"Destruirei os carros de Efraim, e os cavalos de Jerusalém; e o arco de guerra será destruído" (Zc 9.10).

"farei com elas aliança de paz" (Ez 34.25). e eu suscitarei a Davi um germe justo, e rei que é, reinará, e agirá sabiamente, e executará o juízo e a justiça na terra (Jr 23.5).

"Eis aí te vem o teu rei, Justo e Salvador, pobre montado sobre um jumento” (Zc 9.9).

"O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados; 2 a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram 3 e a pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória." (Is 61.1–3, cp Lc 4.18–19; Mt 11.5; Lc 7.22 e Mt 5.4).

"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto." (Is 9.6–7 cf. Lc 1.32–33).

Mas, Israel não esperava que o Messias fosse o Servo Sofredor de Isaías 53…… com uma postura de rei humilde e que atuasse muito mais como um Bom Pastor, ensinando a amar o inimigo e a oferecer a outra face, ordenando a Pedro a embainhar a sua espada, e repreendendo os Tiago e João por seu desejo de ver fogo do céu punindo uma aldeia de samaritanos. Jesus disse a eles: “Vós não sabeis de que espírito sois. Pois o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las. (Lc 9.55–56). “Nem por força e nem por violência” (Zc 4.6; Mt 26.52).

João Batista parece mesmo, por um tempo, ter partilhado desta expectativa messiânica político revolucionária.

Depois de batizar a Jesus, foi confrontar o pecado do Herodes. Tendo sido aprisionado, passado muitos dias, nada de Jesus vir para libertá-lo da prisão. Em vez de liderar uma revolução armada, Jesus estava pregando a paz, ensinando seus seguidores a oferecerem a outra face, a caminhar a segunda milha e a amar os inimigos (Mt 5.38-48). Confuso, foi que ele enviou a seguinte pergunta a Jesus: “és tu aquele que havia de vir ou devemos esperar outro?” (Lc 7.20).

No Reino de Deus, os bem-aventurados são (Mt 5.1-11):

1. Os humildes

2. Os que choram

3. Os mansos

4. Os que tem fome e sede de justiça

5. Os misericordiosos

6. Os limpos de coração

7. Os pacificadores

8. Os perseguidos por causa da justiça

9. Os perseguidos por causa de Cristo

Pois, no Reino de Cristo:

1. os últimos serão os primeiros, maior é o que serve 2. o amor exemplar vem do samaritano 3. não há discriminação entre homens e mulheres, adultos e crianças, livres e escravos, ricos e pobres, judeus e palestinos.

O trono de Deus e de Cristo jamais é terreno, pois é sempre celestial:

1. “e eis armado no céu um trono, e, no trono, alguém sentado" Apocalipse 4.2 2. "Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte." (1 Co 15.25-26)

3. Cabeça de toda autoridade! (Cl 2.10)

4. Exaltado acima de todos (Fp 2.9)

5. "fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro. (Ef 1.20-21)

Jesus, interpretando as Setenta Semanas de Daniel Jesus profetizou a Grande Tribulação de Jerusalém como castigo por conta do assassinato de profetas e do próprio Ungido.* “Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará; e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas.” (Dn 9.26, cp. Mt 23.34-38; Mt 24.15-26).

Jesus, em Lucas 21.20-24, ensina que, depois da destruição de Jerusalém, que se daria naquela geração (Mt 23.36) e que realmente cumpriu-se no ano 70 d.C., os judeus seriam dispersos e que Jerusalém seria pisada pelos gentios até que se completasse o tempo deles (gentios). Isto representa um enorme problema para os dispensacionalistas que ensina que a Grande Tribulação é um evento ainda futuro e que depois dela teremos imediatamente o retorno de Cristo, enquanto que esta profecia de Cristo dá a entender um longo período de tempo depois deste período da Grande Tribulação e destruição de Jerusalém, tempo este em que Jerusalém seria pisada por gentios. Por plenitude dos gentios, podemos entender o cumprimento da seguinte profecia: “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim.” (Mt 24.14). Portanto, o retorno dos judeus a Jerusalém é um sinal do final dos tempos, pois, se daria após o sucesso da missão da Igreja. Paulo fala disto em outros termos: "25 Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não sejais presumidos em vós mesmos): que veio endurecimento em parte a Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios. 26 E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá de Sião o Libertador e ele apartará de Jacó as impiedades. 27 Esta é a minha aliança com eles, quando eu tirar os seus pecados. 28 Quanto ao evangelho, são eles inimigos por vossa causa; quanto, porém, à eleição, amados por causa dos patriarcas; 29 porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis. 30 Porque assim como vós também, outrora, fostes desobedientes a Deus, mas, agora, alcançastes misericórdia, à vista da desobediência deles, 31 assim também estes, agora, foram desobedientes, para que, igualmente, eles alcancem misericórdia, à vista da que vos foi concedida. 32 Porque Deus a todos encerrou na desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos." (Rm 11.25–32).

Quando estudamos o tratamento especial que Paulo dá a questão do seu povo judeu nos capítulos 9, 10 e 11 de Romanos, notamos que ele não menciona nada a respeito de uma restauração da nação de Israel. A oração de Paulo e sua esperança em relação aos seus conterrâneos é para que eles se convertam a Cristo e venham a fazer parte da única Oliveira, o Corpo de Cristo e povo de Deus. Não há um plano de salvação para judeus distinto e à parte do Evangelho e do Corpo de Cristo. Deus não faz acepção de pessoas!

O papel da Igreja não é fazer política, mas fazer discípulos. Pois é isto que levará a plenitude dos gentios e a uma conversão de Israel no final dos tempos. Cristo regressará para resgatar uma Igreja bem-sucedida em sua missão de fazer discípulos de todos os povos. A Nova Jerusalém estará plena de gente salva por Cristo de todos os povos, tribos, línguas e nações. Maranata!

O templo judaico deverá ser reconstruído de novo?+

Os dispensacionalistas, ignorando a história, advogam que o templo judaico será reconstruído para ser profanado novamente pela Besta no período da Grande Tribulação e para que também possam ser celebrados sacrifícios no templo no período do milênio. Mas, nenhuma passagem do Antigo Testamento faz referência a uma reconstrução de um terceiro templo em Jerusalém. Todas as referências à reconstrução do templo registradas no Antigo Testamento referem-se ao templo reconstruído na época de Esdras.

O silêncio do Novo Testamento

Não existe um único versículo no novo Testamento que prometa a reconstrução do templo judaico. Jesus falou da destruição do templo (Mt 24.2; Mc 13.2; Lc 19.44; 21.6). Jesus falou da destruição do templo como um juízo contra o povo de Israel, a semelhança do que foi a destruição do primeiro templo e da cidade de Jerusalém em 586 a.C., que se deu como conseqüência do pecado, idolatria e perseguição aos profetas de Deus. Jesus, dirigindo-se aos líderes religiosos dos judeus, diz que aquela geração era hipócrita por se julgar melhor do que seus antepassados que mataram os profetas. Afirmou que eles fariam o mesmo e até pior que os seus pais.

O que Jesus disse sobre o templo

Observe as palavras de Jesus a este respeito em Mateus 23.32-24.2, “Enchei vós, pois, a medida de vossos pais. Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno? Por isso, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas. A uns matareis e crucificareis; a outros açoitareis nas vossas sinagogas e perseguireis de cidade em cidade; para que sobre vós recaia todo o sangue justo derramado sobre a terra, desde o sangue do justo Abel até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem matastes entre o santuário e o altar. Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre a presente geração. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes! Eis que a vossa casa vos ficará deserta. Declaro-vos, pois, que, desde agora, já não me vereis, até que venhais a dizer: Bendito o que vem em nome do Senhor! Tendo Jesus saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos para lhe mostrar as construções do templo. Ele, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.”

Portanto, Jesus disse que aquela geração de judeus cometeria pecados ainda mais graves por não perseguir apenas os enviados de Deus, mas também o próprio Filho (Mt 21.37-44). Jesus deixa claro que a destruição do templo se daria naquela mesma geração (Mt 23.36). O que se cumpriu na íntegra no ano de 70 d.C. quando, o príncipe de um povo que havia de vir ou o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel (Mt 24.15), General Tito, profanou o templo e destruiu a cidade e o templo. O que concorda bastante com a profecia de Daniel que aponta para uma nova destruição do templo e da cidade de Jerusalém como resultado da rejeição e morte do Ungido: “Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará; e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas” (Daniel 9.26).

Embora, Jesus tenha profetizado a destruição do templo como juízo sobre a geração de judeus que rejeitou o Cristo, ele nunca profetizou a reconstrução do templo, a não ser em termos da sua própria ressurreição, quando comparou o templo a si mesmo (Jo 2.19).

O templo em Apocalipse

Os cristãos dispensacionalistas fazem questão de ignorar o fato de que o Templo se revestiu de um novo significado no Novo Testamento, tornando-se um tipo de Cristo e de sua Igreja (Ef 2.19-21).

O termo templo aparece 12 vezes no livro de Apocalipse e, em cada uma das ocorrências, está se referindo ao templo celestial ou ao Senhor Deus mesmo. “Nela, não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro” (Ap 21.22).

Deus não habita em templos feitos por mãos humanas

Deus não habita em templos construídos por mãos humanas (At 7.48; 17.24). O tabernáculo ou o templo do Antigo Testamento eram sombra da realidade que se manifestou em Cristo e na sua Igreja (Hb 9.9-10.14). Pois, templo, no Novo Testamento, passa a significar Jesus e a Igreja, como Corpo de Cristo (1 Co 3.16; Ef 2.22). Notar que até mesmo o corpo físico dos crentes é chamado de templo no Novo Testamento (2 Co 6.16-19). O templo, portanto, encontra seu último e definitivo significado e cumprimento não em um outro templo construído por mãos humanas, mas em Jesus Cristo que está nos céus e na sua Igreja na terra.

O autor de Hebreus descreve os sacrifícios do templo como ilustração ou cópia das realidades celestiais (Hb 9.9, 23, 24; 10.1-3, 11). Pedro usa a mesma terminologia para descrever o modo como os cristãos foram feitos nova casa de Deus, edifício este que tem Jesus por pedra de esquina (1 Pe 2.5-7). Com a chegada do verdadeiro templo, não há lugar mais para templos construídos por mãos humanas.

Em João 4, falando à mulher samaritana, Jesus anunciou a chegada do tempo em que a verdadeira adoração não estaria mais confinada ao templo de Jerusalém, mas que se tornaria universal, realizada em espírito e em verdade.

O retorno dos sacrifícios e o sacrifício de Cristo

Os dispensacionalistas advogam o retorno da celebração de sacrifícios no templo no período do milênio, um verdadeiro absurdo que contradiz o ensino claro do Novo Testamento que ensina que Jesus fez um sacrifício eficaz, pleno, uma vez por todas, não havendo, portanto, mais lugar para os cerimoniais e sacrifícios judaicos que haviam sido instituídos como sombras da realidade que se cumpriu em Cristo. Portanto, não há mais cabimento para o retorno a práticas dos sacrifícios do templo. Este é o ensino claro do Novo Testamento. Veja o que diz o autor de Hebreus sobre este assunto em Hb 9.9 – 10.14: “É isto uma parábola para a época presente; e, segundo esta, se oferecem tanto dons como sacrifícios, embora estes, no tocante à consciência, sejam ineficazes para aperfeiçoar aquele que presta culto, os quais não passam de ordenanças da carne, baseadas somente em comidas, e bebidas, e diversas abluções, impostas até ao tempo oportuno de reforma. Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção.

Portanto, se o sangue de bodes e de touros e a cinza de uma novilha, aspergidos sobre os contaminados, os santificam, quanto à purificação da carne, muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo! Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados… Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que se acham nos céus se purificassem com tais sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais, com sacrifícios a eles superiores. Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus; nem ainda para se oferecer a si mesmo muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no Santo dos Santos com sangue alheio. Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado… Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem. Doutra sorte, não teriam cessado de ser oferecidos, porquanto os que prestam culto, tendo sido purificados uma vez por todas, não mais teriam consciência de pecados?… Depois de dizer, como acima: Sacrifícios e ofertas não quiseste, nem holocaustos e oblações pelo pecado, nem com isto te deleitaste (coisas que se oferecem segundo a lei), então, acrescentou: Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade. Remove o primeiro para estabelecer o segundo. Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas. Ora, todo sacerdote se apresenta, dia após dia, a exercer o serviço sagrado e a oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca jamais podem remover pecados; Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus, aguardando, daí em diante, até que os seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés. Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados”.

Os dispensacionalistas em sua insistência em enxergar dois povos de Deus, Israel e Igreja, e com sua crença na existência de dois propósitos e planos distintos para cada um destes povos, acabam promovendo a revitalização no seio evangélico das sombras do Antigo Testamento que já foram plenamente superadas pela substância no Novo Testamento. Entretanto, Deus não tem dois povos, mas somente um. O Novo Testamento vê as profecias do Antigo Testamento encontrando seu cumprimento em Cristo e em sua Igreja. A Igreja Cristã foi edificada sobre o fundamento dos profetas e dos apóstolos judeus (Ef 2.14-16). Ela não constitui um segundo povo de Deus. Deus tem apenas um povo (Jo 10.16; Ef 2.14-16). Os gentios crentes foram enxertados na mesma “oliveira”, tomando parte na mesma raiz e tronco do hebreu Abraão (Rm 11.16-18). Não existe um plano de salvação distinto para Israel. Pois Deus não faz acepção de pessoas (Rm 2.11). A esperança futura para Israel é aceitar o Cristo, sendo novamente reconduzido a mesma e única Árvore, a oliveira, o Corpo de Cristo, que é a Igreja, da qual fazem parte judeus e gentios crentes, não havendo mais lugar para distinções e divisões, pois, em Cristo foi derrubada a parede de separação que existia entre judeus e gentios.

O que está em jogo

Portanto, os cristãos que defendem a necessidade da reconstrução do templo estão regredindo ao sistema sacrificial do período pré-cristão. Sistema este que foi anulado, tornando-se obsoleto, por ter sido substituído e superado pelo sacrifício definitivo de Cristo na Cruz. Pois, o sacrifício do verdadeiro Cordeiro de Deus não permite mais lugar para outros sacrifícios. O retorno à prática destes sacrifícios em um templo construído por mãos humanas, ainda que em caráter de celebração simbólica, é algo descabido que revela um descaso para com o sacrifício supremo realizado por Cristo na cruz.

Os Cristãos que advogam a reconstrução do templo judaico estão não só patrocinando as reivindicações políticas da nação de Israel de soberania sobre o Monte do Templo e Jerusalém, mas também sobre todo o território que compreendia a extensão do antigo Reino de Israel na época do Rei Davi. O que, ainda que inconscientemente, favorece a perpetuação de um apartheid social que pretende expulsar os palestinos dos territórios ocupados. Tal teologia conduz ao racismo por promover acepção de pessoas, o que não faz jus à missão da Igreja que é de reconciliação (2 Co 5.18-19).

Vejam Só “Quando Deus irá cumprir as promessas territoriais feitas a Ab…+

Minha opinião a respeito do assunto está desenvolvida em outro estudo deste acervo, onde procuro mostrar que as promessas territoriais feitas a Abraão não apontam para um pedaço de terra no Oriente Médio, mas para a pátria celestial que ele mesmo esperava (Hb 11.9-10) e da qual Cristo é o herdeiro e nós, os coerdeiros (Rm 4.13; Gl 3.29).

Leia: Promessas feitas a Abraão cumprindo-se em Cristo

Contradições Dispensacionalistas+

Os dispensacionalistas gostam de dizer que interpretam a Bíblia de maneira literal, mas, contraditoriamente, quando Jesus disse que os redimidos ressuscitarão no "último dia” (João 6.40), eles afirmam que Jesus quis dizer mil e sete anos antes do último dia. Porque o dispensacionalismo ensina que a ressurreição dos que morreram em Cristo acontecerá antes do Início da Grande Tribulação que, segundo eles, durará 7 anos. Ainda segundo este ponto de vista, haveria um segundo momento de ressurreição de pessoas que se converteram e morreram durante o período da Grande Tribulação, ressurreição esta que se daria por ocasião da Segunda-Vinda de Cristo. Mas este ainda não seria o último dia, visto que eles ensinam que depois disto ainda haveria um período de mil anos de história sobre a face da terra. Por isto é que os dispensacionalistas precisam interpretar último dia de maneira bem figurada. Para eles existem múltiplos "ultimo dia".

E quando Jesus disse que chegará "a hora em que todos os que estiverem nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão; os que fizeram o bem ressuscitarão para a vida, e os que fizeram o mal ressuscitarão para serem condenados” (João 5:28,29), eles negam o sentido normal do texto e afirmam que ele quis dizer que por "a hora" Jesus teria intencionado dizer pelo menos tres horas distintas separadas por sete anos e mais outros mil anos, e que, quando Jesus diz que naquela hora todos ressuscitarão, eles dizem que “todos" não significam todos, mas uns agora e outros depois e outros mais tarde ainda.

No episódio em que Jesus diz que o sumo-sacerdote e seus comparsas ali presentes o veriam vindo sobre as nuvens do céu (Mateus 26:63-64), os dispensacionalistas afirmam que Jesus não quis dizer bem isto, pois segundo a sua cronologia escatológica, os perdidos não ressuscitarão na Segunda-Vinda, mas apenas mil anos mais tarde. O resultado disto é que eles são forçados a apelar para a alegorização, dizendo que o sumo-sacerdote não ressuscitará para contemplar a vinda do Senhor, pois que ele ali representa a comunidade judaica. Jesus apenas estaria querendo dizer que haverá judeus vivos por ocasião da Segunda-vinda.

E também que, quando Apocalipse 1.7 ensina que "todos, até os que o traspassaram", verão Jesus regressando sobre as nuvens dos céus, ensinam eles que o termo "todos" não deve ser interpretado literalmente como "todos" e que de maneira alguma os que o traspassaram na cruz ressuscitarão para ver a Segunda-vinda de Cristo, pois ensinam que apenas os salvos ressuscitarão na Parusia.

Eles também recusam-se em concordar com a afirmação de Jesus de que a ressurreição dos salvos ninivitas se dará no dia do juízo final juntamente com a geração de judeus que rejeitou o testemunho de Cristo (Mateus 12.41), simplesmente porque isto contraria seus pressupostos pré-milenistas.

Dá pra entender?

12 Maravilhosas Mudanças Provocadas pela Cruz!+

O Antigo Testamento dá lugar ao Novo Testamento (Jr 31.31 e Hb 8.6; 12.24); A lei dá lugar ao Evangelho (Rm 6.14; 10.4); O sacrifício de animais dá lugar ao Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29); O Povo de Deus passa a ser a Igreja que congrega em si judeus e gentios fiéis ao Messias (Gl 6.16; Ef 2.12-16; Hb 8.8-10; 1 Co 12.13); A circuncisão dá lugar ao batismo (Cl 2.11; Rm 2.28-29; Fl 3.3; Rm 2.29); O sacerdócio levítico dá lugar ao sacerdócio de Cristo (Hb 4.14; 6.20; 8.5; 9.9, 24; 10.9,16,19-21; 11.9-16,39,40; 12.18-24; 13.10-14) e ao sacerdócio universal de todos os crentes (1 Pe 2.9); Doze patriarcas dão lugar aos doze Apóstolos de Cristo (Lc 6.13; 9.1; 22.14; Ef 2.20; At 2.43; Ap 21.14); A Jerusalém terrestre dará lugar a Nova Jerusalém celestial (Ap 21.2; 3.12; 2 Co 5.1; Fp 3.19-21); O templo de Jerusalém dá lugar ao novo templo que é a Igreja, o Corpo de Cristo (Hb 8.2; 1 Co 3.16-17; 2 Co 6.16-19; Ef 2.22; At 7.48; 17.24; Mt 18.20).

Moisés dá lugar ao Novo Legislador, Jesus Cristo, que do alto de um Novo Monte Sinai nos traz um Novo Mandamento (Mt 5.17-48; cf. 19.7; Jo 13.34); A Páscoa judaica dá lugar a Cristo, nossa Páscoa (1Co 5.7), a Ceia do Senhor (Mt 26.28; 1 Co 11.25, cumprindo Jr 31.31-34; 1 Co 5.7,8; Lc 22.15; Mt 26.2-19; Mc 14.1, 12-16; Lc 22.7-15; Jo 2.13; 13.1); E o Sábado dá lugar ao Dia do Senhor (Mc 16.9; Jo 20.1,19-23,26-29; At 2.1-4 cf. Lv 23.15,16; At 20.6,7; 1 Co 16.1,2; 1 Co 1.2).

Leia o artigo completo Sobre a Questão do Mandamento do Sábado em: http://www.scribd.com/fullscreen/56675587?access_key=key-16ivrni76kzuhq8chfyj Bispo José Ildo Swartele de Mello www.metodistalivre.org.br

10 absurdos ensinos dispensacionalistas+

Existem muitos absurdos no ponto de vista dispensacionalista, citarei aqui apenas 10:

O Ensino de que Deus teria dois povos; O ensino de que os apóstolos de Jesus representariam Israel e não a igreja em grande parte dos escritos dos Evangelhos, cujos textos passariam a não ter nenhum ensino para nós, como Igreja. Exemplo: O Sermão do Monte e o Sermão das últimas coisas.

O ensino de que existiriam dois Evangelhos, um para salvar gentios na era presente e outro para judeus no período da Grande Tribulação. Mas Paulo expressamente advertiu: "Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema" (Gálatas 1.9); O ensino de que haveria mais de duas vindas, dividindo a Segunda Vinda em duas ou três etapas; O ensino de que a Igreja não passaria pela grande Tribulação; O ensino de que o arrebatamento seria um evento secreto, separado por 7 anos da Segunda Vinda gloriosa e manifesta de Cristo; O ensino de que haveria possibilidade de salvação após o arrebatamento da Igreja O ensino de que o anticristo seria, de fato, antisemita, pois, para eles, quando ele surgir, a Igreja já terá sido arrebatada e não poderá ser perseguida por ele, restando a ele perseguir apenas os judeus; O ensino de que a sétima e última  trombeta, que anuncia a Vinda do Senhor e promove a ressurreição dos mortos e o arrebatamento da Igreja, não seria, de fato, a última, pois creem em múltiplas Segundas Vindas de Cristo e em múltiplas ressurreições.

E o ensino de que haverá muitos juízos finais;

“E, Assim, Todo o Israel Será Salvo”+

O que Paulo quis dizer em Romanos 11.26?

O que Paulo quis dizer ao declarar que “todo o Israel será salvo” (Rm 11.26)? Estaria ele prometendo a salvação de cada judeu que já existiu? Estaria chamando a igreja de “Israel”? Ou estaria anunciando, para dentro da história, uma conversão em larga escala do povo judeu ao seu Messias? A resposta importa, porque dela dependem tanto a nossa compreensão da fidelidade de Deus quanto a postura da igreja diante do povo judeu.

Neste artigo, procuro defender a leitura que me parece mais consistente com o texto: “todo o Israel” designa o Israel étnico como totalidade corporativa, que será salvo pela fé em Cristo, reenxertado na mesma e única oliveira do povo de Deus. Antes de chegar lá, apresento o problema que Paulo enfrenta e as principais alternativas de interpretação.

1. O problema de Paulo: a palavra de Deus falhou?
Romanos 9 a 11 não é um apêndice da carta; é o ponto em que Paulo enfrenta a objeção mais grave ao seu evangelho. Se Jesus é o Messias de Israel, por que a maior parte de Israel o rejeitou? Teria a palavra de Deus falhado? Paulo responde de imediato que não (Rm 9.6), e todo o bloco existe para sustentar essa negativa. Ele mesmo carrega o problema como dor pessoal: tem grande tristeza e incessante dor no coração por seus irmãos segundo a carne (Rm 9.2-3), e ora a Deus pela salvação deles (Rm 10.1).
O capítulo 11 é o desfecho do argumento. Paulo pergunta: “Teria Deus rejeitado o seu povo?” E responde: “De modo nenhum!” (Rm 11.1). A prova inicial é o remanescente, do qual o próprio Paulo faz parte. Mas o apóstolo não para no remanescente; ele avança para algo maior, que chama de mistério (Rm 11.25). É esse mistério que precisamos entender.

2. As principais leituras de “todo o Israel”
Quatro interpretações disputam o versículo, e cada uma tem defensores sérios.
A primeira, dispensacionalista, entende que “todo o Israel” é o Israel étnico e vincula sua salvação a um programa escatológico próprio, com restauração nacional e, em geral, um reino milenar terreno. A segunda, associada a Calvino, identifica “todo o Israel” com a igreja inteira, judeus e gentios juntos, o Israel de Deus (Gl 6.16). A terceira entende a expressão como a soma do remanescente judaico crente ao longo de toda a história (Rm 11.1-5). A quarta, que chamo de étnico-corporativa e que foi sustentada por exegetas como John Murray e C. E. B. Cranfield, entende que Paulo antevê uma conversão em larga escala do povo judeu a Cristo, dentro da história e dentro da única oliveira, sem qualquer programa paralelo de salvação.
As duas leituras do meio têm um mérito real: preservam a unidade do povo de Deus contra qualquer teologia de dois povos. A questão é se elas fazem justiça ao texto de Romanos 11. Entendo que não, pelas razões que seguem.

3. “Israel” continua sendo o Israel étnico
O primeiro argumento é o mais simples: o uso da palavra. Ao longo de Romanos 9 a 11, “Israel” designa o povo étnico em todas as ocorrências. E o caso decisivo está no versículo imediatamente anterior: “veio endurecimento em parte a Israel, até que a plenitude dos gentios tenha entrado” (Rm 11.25). Ninguém entende que a igreja foi endurecida. Se “Israel” no v. 25 é o povo étnico endurecido, uma mudança de referente no v. 26, dentro da mesma frase e sem qualquer aviso, seria abrupta demais.
O contexto seguinte confirma. A citação que fundamenta a promessa fala do Libertador que virá de Sião e “desviará de Jacó as impiedades” (Rm 11.26-27; Is 59.20-21): linguagem de Israel étnico, não da igreja. E o v. 28 descreve o mesmo grupo como “inimigos quanto ao evangelho, mas amados quanto à eleição, por causa dos patriarcas” (Rm 11.28). Só o Israel incrédulo pode ser, ao mesmo tempo, inimigo quanto ao evangelho e amado por causa dos pais. A igreja não se encaixa nessa descrição; o remanescente crente também não, pois este não é inimigo do evangelho.
Vale acrescentar que “todo o Israel” não exige a salvação de cada indivíduo. No uso bíblico, a expressão tem sentido corporativo e representativo: “todo o Israel” se reuniu, subiu, pecou, celebrou (1Rs 12.1; 2Cr 12.1; Dn 9.11). Designa o povo como totalidade, não uma contagem exaustiva de cabeças. Paulo fala da nação voltando ao seu Messias como corpo, não de um decreto de salvação universal e incondicional dos judeus.

4. A lógica da plenitude: queda, riqueza dos gentios, readmissão
O segundo argumento é a lógica interna do capítulo. Paulo constrói uma expectativa crescente, em três degraus. Primeiro: se a transgressão de Israel se tornou riqueza para o mundo, “quanto mais a sua plenitude!” (Rm 11.12). Segundo: se a rejeição deles trouxe reconciliação ao mundo, a readmissão deles será “vida dentre os mortos” (Rm 11.15). Terceiro: se não permanecerem na incredulidade, “serão enxertados, pois Deus é poderoso para os enxertar de novo” (Rm 11.23).
Note que há um “plenitude” de Israel (Rm 11.12) em paralelo com a “plenitude dos gentios” (Rm 11.25). O capítulo caminha para um clímax duplo: o número completo dos gentios entra, e Israel, provocado a ciúmes pela salvação dos gentios (Rm 11.11, 14), retorna ao seu Messias. É exatamente isso que a partícula grega traduzida por “e, assim” (houtōs) indica: modo, não mera sequência. Todo o Israel será salvo deste modo, por essa dinâmica de endurecimento parcial, missão aos gentios, ciúme santo e reenxerto pela fé.
Aqui aparece a fragilidade das leituras que identificam “todo o Israel” com a igreja ou com o remanescente: elas esvaziam a expectativa que Paulo passou o capítulo inteiro construindo. Se “todo o Israel” é apenas a igreja, o mistério do v. 25 não revela nada de novo; dizer que a igreja será salva beira a tautologia. E se é apenas o remanescente, o “quanto mais” do v. 12 perde o sentido, pois o remanescente já existia desde sempre e não representa nenhuma “readmissão” futura capaz de ser comparada a “vida dentre os mortos”.

5. Uma só oliveira: por que isso não é dispensacionalismo
É preciso dizer com igual clareza o que essa leitura não é. Ela não é dispensacionalista. Paulo não anuncia um segundo programa de salvação, uma segunda aliança, um projeto político ou territorial para o Israel étnico. A imagem que governa o capítulo é a da oliveira única (Rm 11.17-24): uma só raiz, os patriarcas e as promessas; ramos naturais quebrados pela incredulidade; ramos silvestres, os gentios, enxertados pela fé; e ramos naturais reenxertados quando não permanecem na incredulidade (Rm 11.23). Não há duas árvores. Há uma árvore e uma única condição de permanência nela: a fé.
A própria metáfora, aliás, pressupõe a distinção étnica que Paulo mantém do começo ao fim: os gentios são zambujeiro, oliveira brava, enxertados “contra a natureza” (Rm 11.24), enquanto os judeus são os ramos naturais. É por isso que o reenxerto deles é, para Paulo, ainda mais esperável que o nosso enxerto: “quanto mais esses, que são ramos naturais, serão enxertados na sua própria oliveira!” (Rm 11.24).
Essa leitura é plenamente compatível com a escatologia amilenista. Ela não exige templo reconstruído, reino terreno de mil anos nem cumprimento territorial; exige apenas o que o próprio texto diz: que, antes do fim, Deus reverta o endurecimento parcial e traga o povo judeu, como corpo, à fé no seu Messias, pelo mesmo evangelho pregado a todos (Rm 1.16; 10.12-13). O Deus que enxertou o zambujeiro é poderoso para reenxertar os ramos naturais.

6. Conclusão: minha posição
Deixo minha posição explícita. “Todo o Israel será salvo” refere-se ao Israel étnico como totalidade corporativa. Paulo antevê, como desfecho do mistério, uma conversão em larga escala do povo judeu a Jesus Cristo, ligada à entrada da plenitude dos gentios, realizada dentro da história e dentro da única oliveira do povo de Deus. Não se trata de salvação automática de cada judeu, nem de um plano paralelo de salvação, nem de um programa político-territorial. Trata-se do mesmo evangelho, da mesma fé e da mesma árvore, à qual os ramos naturais serão reintegrados.
Reconheço o mérito das leituras eclesiológicas: elas guardam, com razão, a verdade de que há um só povo de Deus. Mas essa verdade não precisa ser defendida contra o sentido étnico de Rm 11.26; ela é defendida pelo próprio Paulo por meio da oliveira. O que as leituras eclesiológicas não conseguem explicar é a expectativa crescente do capítulo, o Israel endurecido do v. 25 e os inimigos amados do v. 28. Por isso, a leitura étnico-corporativa me parece a mais consistente com o conjunto do texto.

Reflexão pastoral
Paulo encerra o argumento não com um organograma escatológico, mas com doxologia: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus!” (Rm 11.33). O mistério de Israel deve nos levar ao mesmo lugar: adoração diante de um Deus que não desiste do povo que escolheu, ainda que esse povo o tenha rejeitado.
Há também duas advertências práticas no capítulo. A primeira é contra a arrogância gentílica: “não se glorie contra os ramos” (Rm 11.18); “não te ensoberbeças, mas teme” (Rm 11.20). Toda forma de desprezo cristão pelo povo judeu, e a história da igreja carrega cicatrizes graves nesse ponto, contradiz frontalmente o texto que estamos estudando. Fomos enxertados por graça, e nos sustentamos pela fé, não por mérito. A segunda é um chamado à missão e à oração: se a salvação dos gentios existe também para provocar Israel a ciúmes (Rm 11.11), então a igreja evangeliza e ora pelo povo judeu não por sentimentalismo profético, mas porque essa é a própria engrenagem do plano de Deus. Que a nossa oração seja a de Paulo: que eles sejam salvos (Rm 10.1), pelo único caminho dado a judeus e gentios, a fé em Jesus Cristo, “porque não há distinção entre judeu e grego, visto que todos têm o mesmo Senhor, rico para com todos os que o invocam” (Rm 10.12).

(Autor Bispo José Ildo Swartele de Mello)