Estudos do Bispo Ildo · Soteriologia
Arminianismo e Calvinismo
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A DOUTRINA DA ELEIÇÃO [corporativa]+
Leitura: Ef. 1 Introdução:
Ao estudarmos o assunto da eleição não podemos perder de vista que estamos perante um dos temas mais profundos das escrituras e um dos que mais se aproximam dos fundamentos dos propósitos Divinos. Pensamos que poucas coisas terão sido idealizadas por Deus antes da eleição e que esta é mesmo um dos fundamentos dos Seus desígnios eternos.
Como tudo o que se relaciona com os desígnios de Deus, entendemos que é essencial à compreensão deste assunto dominar e saber aplicar o plano dispensacional. Cremos mesmo que muita da confusão que hoje existe à volta deste assunto, e de muitos outros, deriva directamente da incompreensão, e muitas vezes desprezo, pelos desígnios de Deus com as sua épocas, “os tempos e estações” (1Ts 5.1), tal como encontramos nas Escrituras Sagradas. Só a distinção clara do plano de Deus para Israel e para a Igreja Corpo de Cristo nos abrirá o horizonte relativamente a este assunto. Não ignoramos no entanto a sua profundidade, conscientes de que ao analisá-lo estamos a nos abeirar dos desígnios eternos de Deus pensados na eternidade passada.
1- O que é a eleição?
A eleição consiste no acto soberano de Deus em escolher aqueles que entendeu necessários para concretizar os seus planos. Os eleitos possuem características próprias de acordo com o propósito para que foram eleitos.
O acto da eleição deu-se “antes da fundação” do mundo ou seja antes do primeiro instante da criação (a palavra “fundação” refere-se, comparativamente, ao momento em que se dá a fecundação do óvulo no ventre materno).
A eleição é a resposta de Deus aos desastres das Suas criaturas. Pela eleição Deus preveniu-se contra o pecado sendo os eleitos revestidos de características capazes de contrariar o progresso do pecado e da derrocada da criação. E mais que isso viabilizar o progresso dos propósitos divinos pela eternidade futura.
A eleição é um dos maiores hinos à graça de Deus; ela exemplifica a misericórdia de Deus para com os homens.
A eleição é também um desígnio soberano de Deus e não uma permissão. Por isso a vocação dos eleitos não depende da sua conduta mas da vontade de Deus. Todo o crente da Graça é diante de Deus “santo, irrepreensível e inculpável” quer o seja ou não na sua vida prática. Aliás a predestinação celestial da Igreja não permitiria menos do que isso.
Queremos ainda dizer que quando a escritura diz que fomos “eleitos antes da fundação do mundo” isso não quer dizer que existiu um momento em que fomos eleitos mas que a eleição pertence à eternidade. Os propósitos de Deus são eternos (Ef. 3.11). Não queremos dizer com isto que a idealização por parte de Deus dos Seus planos não tenha acontecido sob determinada forma e ordem mas que não podemos quantificar os métodos de Deus sob parâmetros humanos como por exemplo o tempo ou o espaço.
2- Quem são os Eleitos?
Ao contrário do que é frequente ouvirmos não reconhecemos nas escrituras a eleição de pessoas salvas em detrimento dos perdidos. Convém lembrar que a eleição remonta à eternidade passada e que nada tem a ver com a salvação das almas pois quanto a isso a vontade de Deus é muito clara.
O que pensamos ser claro nas escrituras é a eleição de dois povos, ao que chamamos de eleição corporativa. De facto o que o Senhor elegeu foi Israel como povo com uma vocação terrena para dar resposta ao problema do pecado na terra, e um povo com uma vocação celestial para dar resposta ao problema do pecado no céu.
Israel: Todos reconhecem a chamada enquanto povo da nação terrena do Senhor. Em 1 Reis 3.8 lemos através do rei Salomão acerca do “povo que elegestes”. O apostolo Paulo reafirma o mesmo em Ro 11.28.
Não sabemos quando foi decretada a eleição de Israel mas não custará a crer que aconteceu junto com os demais desígnios Divinos, tanto mais que em Ef. 3.11 estes são chamados no singular como “eterno propósito”.
No entanto é de referir que tudo quanto diz respeito a Israel tem como referencia a “fundação do mundo”. Certamente que isto está relacionado com a vocação terrena do povo, cuja existência é temporária e limitada a este mundo. Quando Abraão foi chamado, Deus disse-lhe que faria dele uma grande nação, e que daria a terra de Canaã à sua semente. Depois quando olhamos um pouco mais para aquilo que Deus deu a Israel, vemos que todas as bênçãos que eles receberam eram exclusivamente em relação à terra. Eles seriam felizes na terra, livres dos seus inimigos, abençoados com uma boa colheita, abençoados no seu amaçar do pão, o seu gado, as suas vinhas, os seus ventres. Tudo de bom que Deus podia dar ao homem na terra Ele prometeu a Israel, desde que atentassem para as Suas palavras. Tudo está relacionado com esta vida e com este mundo e não com o céu.
A Igreja: Ao contrário de Israel a eleição da Igreja está claramente referenciada à eternidade passada “… elegeu nele antes da fundação do mundo” e diz respeito a uma vocação exclusivamente celestial. Esta tal com o próprio céu de Deus permanecerá eternamente. No entanto se quanto a Israel ninguém tem dúvidas a respeito da sua eleição enquanto povo, a respeito da Igreja da presente dispensação muitos se levantam esquecendo as palavras do apóstolo a Tito 2.14 “…povo especial, zeloso de boas obras” ou ainda 2Co 6.16 “E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.”, ou até Ro 9.25 “Como também diz em Oséias: Chamarei meu povo ao que não era meu povo; E amada à que não era amada”, para falar de uma eleição individual em detrimento de outros. De facto Deus nunca elegeu ninguém em detrimento de outros mas mais uma vez elegeu um povo, mas este ao contrário de Israel com vocação para o céu, para a presença de Deus.
Tal como em Israel, a vocação da Igreja nada tem a ver com a salvação das almas. Estes povos foram eleitos ou escolhidos “para” cumprirem com “a vocação para que foram chamados”. Assim a vocação celestial da Igreja implica que sejamos dotados de características celestiais e não terrenas. Desde a vida do crente à sua relação com Deus, passando pela sua esperança e herança, tudo aponta para as regiões celestiais. A eleição da Igreja, também chamada de “eleição da graça”, tem também uma componente prática e o apóstolo dos gentios, corroborado por Pedro, associa a nossa vida prática ao carácter da nossa eleição (celestial) – Col 3.12; 2Pe 1.10. No entanto podemos questionar: não são os crentes chamados de eleitos? Sim, e muito naturalmente, no entanto isso não é um adjectivo do crente mas um título (Ap. 17.14). É o mesmo que um membro do povo de Portugal ter o título de português. Um membro de um povo eleito é um eleito não porque Deus o tenha escolhido de uma forma individual mas porque pertence ao povo eleito.
3- A Vocação da Igreja Convém começar por salientar que este assunto da vocação da igreja é vastíssimo sendo em si mesmo o tema que o apóstolo Paulo desenvolve ao longo das suas epístolas. Entendemos no entanto que é importante abordá-lo neste momento, ainda que abreviadamente.
A vocação da Igreja da presente dispensação, ao contrario do que possa parecer à primeira vista, é um assunto com uma vertente prática muito clara. Nós não fomos chamados apenas para conhecer a nossa vocação mas para andar de acordo com ela: “que andeis como é digno da vocação com que foste chamados” (Ef. 4.1). Deus está interessado em fazer uma obra gloriosa de santificação no Seu povo, no entanto não uma santificação qualquer mas de acordo com a presente vocação: “Por isso também rogamos sempre por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação, e cumpra todo o desejo da sua bondade, e a obra da fé com poder” (2Tim 1.11).
A vocação da Igreja Corpo de Cristo, tal como tudo o que lhe diz respeito, é celestial e espiritual: “Por isso, irmãos santos, participantes da vocação celestial…” (Heb 3.1). Tudo o que diz respeito à igreja diz respeito ao céu e ao plano de Deus para ele. Hoje os crentes devem viver com o seu olhar fixo nele, andando e buscando as coisas próprias do céu e não as da vocação terrena: “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima” – celestiais – “onde Cristo está assentado à destra de Deus” (Col. 3.1). É por causa disto que as bênçãos, por exemplo, ao dispor dos crentes hoje são por natureza celestiais e espirituais: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo;” (Ef. 1.3) – as coisas terrenas como os bens materiais, saúde, e outras, ainda que lícitas quando vividas com acção de graças, nem sequer devem ser chamadas de bênçãos, pelo menos no sentido que a palavra de Deus lhes chama hoje.
Todos os aspectos da vida prática dos crentes devem ser caracterizados pela natureza da nossa vocação, sendo que muitos dos desvios verificados na vida de crentes sinceros advêm da incompreensão da sua vocação, vivendo de acordo com práticas e comportamentos pertencentes à vocação terrena de Israel. Isto é tanto mais importante quanto afecta não só o nosso dia a dia como também a forma como nos relacionamos com Deus pela oração e adoração. É frequente vermos crentes a orarem segundo os modelos que encontramos nos evangelhos com petições que só a acção do Espírito para as aperfeiçoar é que poderá fazer com que façam algum sentido aos ouvidos de Deus. Até mesmo a forma como nos reunimos para cultuar o Senhor depende da compreensão e prática da nossa vocação, caso contrário adorá-lO-emos não com “salmos, hinos e cânticos espirituais” mas com manifestações físicas como acontecia no tempo do povo terreno do Senhor.
Notemos ainda que, tal como verificamos com a eleição, também a Vocação dos povos eleitos é, nas suas particularidades, um acto soberano de Deus não dependente o êxito ou fracasso humano: “Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” (Fil. 3.14). “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos;” (2Tito 1.9).
Analisemos as particularidades da nossa vocação:
A Essência da Vocação Cristo é a “plenitude daquele que cumpre tudo em todos” e o fundamento, “a principal pedra de esquina”, do “propósito eterno de Deus”. Ele é essência de tudo e também da Vocação celestial da Igreja. Principalmente sobre a perspectiva da Cruz, elemento fundamental dos ensinos da Graça, Cristo manifesta Deus sob aspectos nunca antes conhecidos. Seja a intimidade de Deus nas Suas pessoas Divinas, seja a Sua Graça, riquíssima misericórdia ou multiforme sabedoria (Ef. 2.4-9; 3:10). A Igreja Corpo de Cristo é o instrumento por meio do qual Cristo Se revela aos homens.
Por isso compreendemos a pretensão de Deus na chamada de Igreja: “Para louvor e glória da Sua graça” (Ef. 1.6). A igreja é um povo essencialmente de adoradores que exercerão essa função de modo particular no céu; mas já neste mundo o Senhor espera vidas de adoração em cada crente. Fomos salvos para ser o “louvor e glória da Sua graça” e não devemos esperar pela eternidade antes devemos procurar viver desde este mundo uma vida que soe ao Senhor como um louvor verdadeiro e sincero.
O Carácter: “santos e irrepreensíveis”
Este é o carácter da igreja aos olhos de Deus, um carácter digno do céu. Para a Sua presença o Senhor não espera menos do que isto: “santos e irrepreensíveis”. O povo celestial de Deus, a Igreja Corpo de Cristo, destina-se a viver no céu pelo que o seu carácter tem que estar de acordo com a presença do Senhor. Notemos que esta particularidade, exclusiva da Igreja, não está dependente da vida terrena dos crentes mas da deliberação soberana de Deus: “Prossigo para o alvo, pelo prémio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” (Fil. 3.14). Foi Deus quem decidiu e que materializará esta obra, no céu. Hoje todo o crente está, posicionalmente, sentado à “destra de Deus” e nesse lugar somos “santos e irrepreensíveis”, embora na prática vivamos quase sempre longe deste elevado estatuto. Mas “ausente do corpo, presente com o Senhor” o crente entra no gozo pleno da sua vocação sendo tudo aquilo que o Senhor determinou para ele, no céu.
No entanto somos exortados a viver já neste mundo segundo esta vocação pelo que devemos procurar viver de forma santa e irrepreensível – isto é não dando azo a que sejamos repreendidos e nos culpem por alguma “obra má” que pratiquemos.
A filiação Uma das novidades introduzidas pela nova vocação da Igreja foi a alteração dos laços que relacionam os crentes com Deus. Nunca como agora os crentes tiveram uma relação tão estreita com o Senhor. Na antiga Vocação os crentes nunca foram chamados de filhos de Deus, antes esse titulo era geralmente atribuído aos anjos. (Gn 6.4; Job 1.6, 2:1). No entanto na presente vocação os crentes têm um novo estatuto: “E nos predestinou para filhos por adopção por Cristo Jesus, para Si mesmo, segundo o beneplácito da Sua vontade,” (Ef. 1.5). Numa manifestação clara da graça de Deus O Senhor fez de nós filhos de Deus, “não se envergonhando de nos chamar irmãos” (Heb. 2.11). Deus assume agora uma nova relação com os crentes, de “Deus e Pai”, abrindo-nos portas para uma vida prática de íntima comunhão com Ele.
Mas mais que isso. Os crentes da vocação celestial aos serem feitos, por decreto soberano de Deus, “filhos por adopção” são ainda integrados na “Família de Deus” (Ef. 2.19). Deus abriu definitivamente as portas da Sua casa celestial permitindo que homens pecadores mas salvos pela Sua graça sejam aceites como membros da Sua família, não numa relação de parentes afastados mas na relação mais estreita da família: filhos. E ainda que sejamos “filhos por adopção” não perdemos por isso qualquer privilégio, devido ao facto de nossa filiação ser baseada no sangue derramado pelo Senhor Jesus Cristo na cruz. Podemos mesmo dizer, com toda a reverencia, que temos verdadeira uma relação de sangue com Deus.
Como podemos ver isto é a graça superabundante de Deus que se compadeceu de homens miseráveis como nós para nos transformar no que de mais sublime pudéssemos imaginar.
O Corpo Não menos surpreendente é o papel que o corpo físico dos crentes tem na presente vocação da Igreja. Obviamente a vocação celestial da Igreja, e dos seus membros, pouco tem a ver com o carácter físico do homem. Tornou-se por isso necessário que Deus trabalhasse no corpo. Este trabalho, também exclusivo da dispensação da graça, tem dois aspectos distintos: a) No tempo presente o corpo do crente é a “morada de Deus em Espírito” (Ef. 2.20), “o templo de Deus” (1Co. 6.19). Nessa condição o Espirito de Deus sela o crente e garante a sua herança (Ef. 1.13-14). A nossa vida prática deve ter em conta a presença do Espírito permanentemente em nós. b) No futuro o corpo do crente será transformado por forma a se adequar às realidades próprias do céu: “Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o eficaz poder de sujeitar a si também todas as coisas” (Fil. 3.21). “A carne e o sangue”, leia-se: esta carne e este sangue, “não podem herdar o reino de Deus”, pelo que o Senhor determinou o surgimento de uma nova natureza inicializada com o “Homem do céu”, o Senhor Jesus Cristo. Os crentes receberão corpos gloriosos “semelhantes” ao Seu, para viver no céu.
Estamos em crer que o futuro será uma surpresa maravilhosa para todos.
A Cidadania A vocação da Igreja é caracterizada por um conjunto de aspectos que a tornam completamente distinta da vocação terrena de Israel. Um dos mais contrastantes é o que diz respeito à cidadania do povo “eleito antes da fundação do mundo”. Enquanto Israel tinha uma cidadania terrena a qual fazia depender todos os demais aspectos da sua vocação, a Igreja Corpo de Cristo tem uma cidadania totalmente celestial: “… a nossa cidade está no céu de onde esperamos o Salvador, O nosso Senhor Jesus Cristo” (Fil. 3.20). Daí que toda a nossa vida deva estar voltada para o céu, para as coisas que são de cima e não das que são da terra – ou da vocação terrena. A política que nos deve interessar deve ser a política celestial, as bênçãos que devemos almejar devem ser as do céu, no qual está todo o nosso futuro. Isto deve ter uma influência decisiva sobre a nossa vida, conforme demonstra o contexto de Fil. 3.20: o contraste da vida “cujo Deus é o ventre” (Fil. 3.19) – o materialismo – é o céu “de onde esperamos o Salvador, O nosso Senhor Jesus Cristo”. A vida de acordo com os valores celestiais é o modelo correcto para os dias em que vivemos, não somente por ser a melhor forma de contrariarmos o desenfreamento deste mundo, mas porque essa é a nossa vocação, independentemente do estado de degradação da humanidade. Somos exortados a buscar os valores celestiais, os assuntos celestiais, a esperança celestial, a política celestial, em detrimento dos antigos modelos da vocação terrena de Israel.
Vivendo desta forma certamente seremos “estrangeiros e peregrinos na terra” (Heb. 11.13) e “peregrinos e forasteiros” (1Pe 2.11).
Notemos ainda o significado e a clareza de Heb. 11.14-16: “Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria. E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar. Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.”
Esta “cidade está no céu” – é a nossa pátria relativa à qual somos “concidadãos dos santos e da família de Deus”.
A Herança Poucas coisas nos deverão espantar mais do que a graça de Deus para connosco relativa à herança que nos está reservada no céu: “Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós” (1Pe 1.4). Temos uma herança incontaminavel e incorruptivel enquanto povo, não dependente do resultado do que individualmente obtirvermos no “tribunal de Cristo”. Nesta condição somos “herdeiros de Deus e coherdeiros de Cristo,” (Rom. 8.17). Sublime verdade. Quanto ultrapassa o nosso entendimento o amor de Deus revelado em Cristo relativamente à vocação da Sua Igreja. Como podemos nós, seres pecadores, depois de uma vida caracterizada por mais ou menos pecados neste mundo, sermos abençoados com uma herança, nos céus, riquíssima, sendo-nos atribuido tudo o que por direito próprio pertencia somente ao Senhor Jesus Cristo. “Herdeiros de Deus e coherdeiros de Cristo”. Nunca se tinha visto nada que se compare a isto.
O crente da “presente verdade” tem todos os motivos para ter esperança, para viver esperançoso tanto no que se refere à sua vida com Deus ainda neste mundo como, e particularmente, quanto à eternidade. Precisamos abrir os olhos do nosso entendimento para ver e crer nestas verdades: “Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança de sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos” (Ef. 1.18). Ninguém é mais rico que o crente da presente dispensação, nem mesmo aqueles a quem foi prometido por herança a Terra. O céu com o Senhor Jesus Crsito é muito mais sublime, muito mais nobre e deleitável.
Por isso a esperança dos crentes devia ser uma só (Ef. 4.4), e não como frequentemente acontece, crendo cada qual no que entender, esperando cada um coisas diferentes.
Futuro da Vocação Depois do que temos visto até este momento entendemos que dificilmente alguém deixará de notar uma clara diferença dos propósitos de Deus para a Igreja relativamente ao que anteriormente era conhecido. As diferenças são imensas ao ponto de podermos mesmo dizer que a Igreja está tão distante de Israel quanto o céu está da terra. Quase tudo o que diz respeito à Igreja é único, desde a sua eleição “antes da fundação do mundo” até ao próprio futuro.
Se nunca se tinha visto nada semelhante à Igreja Corpo de Cristo no que se refere ao passado e presente, ainda maiores vão ser as diferenças no que respeita ao futuro da vocação.
Primeiramente, “os principados e as potestades” assistirão perplexos ao momento inigualável da partida da Igreja para “encontrar o Senhor nos ares” (1Co 15; 1Ts 4). O arrebatamento de um povo inteiro para o levar para o céu será um momento não somente único como também transcendente, tanto para o homem como para os seres celestiais. Humanamente ainda existem muitos crentes que não compreendem a verdade do nosso arrebatamento confundindo a vinda do Senhor para a Igreja aos ares com a Sua vinda à terra para o reino milenar, não compreendendo que este evento acontecerá como último momento da “dispensação da graça de Deus” e como verdadeiro clímax da “vocação celestial” da Igreja, antes por isso do início da grande tribulação; ignoram a ordem da partida: “os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro, depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor” (1Ts 4.16-17). Só o estudo atento da Palavra de Deus com um espírito aberto, reconhecendo a sabedoria que o Senhor tem dado aos seus servos para compreenderem e ensinarem estes assuntos é que nos poderá abrir e renovar o entendimento das particularidades da vocação terrena para o deleite e vida prática da vocação celestial para que fomos chamados.
No entanto o arrebatamento da Igreja é apenas o começo do futuro que nos está reservado. De facto depois de retirados deste mundo partiremos para o céu, para a nossa verdadeira pátria. Uma vez em casa seremos tudo quanto o nosso Deus projectou para nós, entraremos na posse da nossa posição e seremos na prática tudo o que hoje somos na posição em Cristo, à mão direita de Deus. Como temos dito o céu é o nosso destino e está lá o nosso futuro. O verdadeiro crente encontrará tudo o que busca no céu onde cumprirá uma função importantíssima como adorador de Deus: “Para louvor e glória da Sua graça” (Ef. 1.6). Seremos plenamente o “louvor e glória da Sua graça” e a expressão física da “multiforme sabedoria de Deus”.
Louvado seja o nosso bendito Senhor pela Sua graça para connosco.
Terminamos este capítulo lembrando as palavras de Pedro: “Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis. (2Pe 1.10).
4- A Eleição e a Salvação Um dos motivos mais controversos da doutrina da eleição diz respeito particularmente à possibilidade colocada por muitos de Deus ter escolhido uns para serem salvos deixando outros, por exclusão de partes irremediavelmente condenados. Isto contraria tudo o que nós encontramos nas escrituras acerca da graça de Deus. Podemos inventar as desculpas que quisermos para fazermos passar esta versão errónea da eleição, mas isso nunca a tornará coerente nem biblicamente lógica. Se há muitos que estão irremediavelmente perdidos então porque morreu o Senhor “por todos os Homens”? Porque é oferecida a salvação a “todos os homens”? O nosso bendito Deus, para além de todas as Suas elevadíssimas virtudes, é um Deus extremamente coerente nunca se pondo em causa ou contradizendo-se. Como dissemos anteriormente a eleição é uma das maiores demonstrações da Graça ilimitada de Deus que idealizou todo o seu plano soberano pensando na salvação de “todos os homens”. Por isso também a morte sacrificial do Senhor Jesus Cristo foi conhecida desde antes da “fundação do mundo” (1Pe 1.20). Diga-se mesmo que o Senhor conta com todos os homens para executar os Seus planos. Tanto com Israel como na Igreja da presente época todos os homens tiveram a possibilidade de se tornar membros do povo eleito, sem que ninguém estivesse eliminado à partida. A salvação sempre foi oferecida a todos, mesmo aos não Judeus que tinham a possibilidade de se tornarem prosélitos:
Israel:
Eze 18.32 “Porque não tenho prazer na morte do que morre, diz o Senhor DEUS; convertei-vos, pois, e vivei.”
No entanto esta vontade de Deus em salvar o pecador incluía o próprio judeu porque se corporativamente eram eleitos individualmente estavam perdidos pelo que tinham necessidade de se converterem – “porque nem todos os que são de Israel são Israelitas” (Ro 9.6):
Eze 33.11 “Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que razão morrereis, ó casa de Israel?”
Isto tornou-se ainda mais claro depois da rejeição do Messias, porquanto lemos:
Ro 11.28: “Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós (Igreja); mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais (Israel).”
Igreja:
1Tim 2.3-6: “Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade. Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo.”
Ac 17.30 “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam;”
Tit 2.11 “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens”
Custa a entender como é possível que perante a clareza destes textos ainda exista quem pense que o nosso amado Senhor tenha escolhido uns para serem salvos deixando outros para a perdição. Que mais é que o Senhor nos terá de dizer para compreendermos que o Seu desejo mais ardente é salvar “todos os homens”?
A eleição nunca contemplou a salvação porque Deus não salva povos mas almas (a própria conversão de Israel ao Messias passava pelo arrependimento e baptismo na água de cada Israelita individualmente). São duas coisas completamente distintas. Um eleito para o ser tem de se converter primeiro, e todos o podem fazer. Isto é a Graça de Deus na verdadeira acepção da palavra. O nosso Deus é um Deus de graça É muito claro na palavra de Deus o Seu ardente desejo em salvar almas, as quais para Ele valem mais que o mundo inteiro: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” ( Mt 16.26). No entanto este desejo de salvação em nada belisca os Seus planos eternos nem estes estorvam à Sua vontade em salvar almas.
Conforme podemos ver pelo texto de Efésios 1 existem um conjunto de aspectos que fazem parte, por decreto Divino, da vocação da Igreja e consequentemente da nossa eleição (por ex.: a essência, o carácter, filiação, herança, pátria celestial, …) mas não encontramos qualquer referência à salvação.
É contudo usual citar-se 2 Ts 2.13 para afirmar que Deus também nos elegeu para a salvação: “Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade;”. De facto embora apareça aqui a palavra “salvação” o facto é que ela não diz respeito à nossa alma mas ao assunto tratado em todo o capítulo 2 desta epístola: a Grande Tribulação. O que ali diz é que na Sua bendita graça o Senhor nos elegeu para nos salvar, à Igreja Corpo de Cristo, desse período terrível que vai ser a Grande Tribulação. De facto este é também um dos factos soberanos da eleição do povo celestial – que este não passaria pela Grande Tribulação. Não é por mérito nosso ou como recompensa pelos serviços da Igreja enquanto povo mas porque Deus assim decretou e definiu como um dos aspectos para que fomos eleitos. Refira-se aliás que já em 1 Ts 5 quando o apóstolo trata o mesmo assunto ele tem o cuidado de ressalvar esta verdade embora dito de outra forma: “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo, ( 1 Ts 5.9).
5- A Eleição e a Presciência de Deus 1Pe 1.2 “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.”
Ninguém pode negar a importância do atributo da presciência de Deus para o plano da eleição, no entanto este não foi usado no sentido que tradicionalmente se entende de que o Senhor sabendo antecipadamente os que se haviam de salvar, os terá escolhido para determinado fim. Não que o Senhor não conheça antecipadamente o coração do homem, pois só Deus conhece os intentos do coração humano, mas o facto é que Deus não escolheu ninguém para ser salvo ou perdido. Pensamos que esta verdade exalta ainda mais a graça de Deus que não obstante a Sua presciência relativamente a quem se salva e a quem se perde, continua a oferecer a salvação a todos sem excepção e mais que isso permitiu que o Seu Filho amado morresse por todos inclusive pelos que Deus sabia que se iam perder. Talvez isto nos ajude a compreender um pouco melhor a dureza do castigo eterno sobre os que rejeitarem o Senhor e a Sua salvação.
A presciência de Deus, de que nos fala Pedro, relativamente à eleição consiste no facto de que Deus na eternidade passada ter previsto o pecado na Sua criação celestial e terrena e ter idealizado um “propósito … segundo a eleição” por meio do qual reconciliaria toda a criação consigo mesmo: “De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra;” (Ef. 1.10). De facto o pecado não apanhou Deus desprevenido, antes com um plano para lhe dar resposta e isto graças ao atributo da Sua presciência.
6- A Eleição e a Soberania de Deus Se por um lado a eleição, conforme dissemos anteriormente, é um hino à graça infinita de Deus, por outro não o é menos em relação à Sua soberania. Todo o propósito da eleição está revestido da soberania de Deus, ou seja no acto de Deus concretizar os Seus planos sem os fazer depender da boa ou má conduta de anjos ou homens. Deus ao eleger dois povos fê-lo segundo “o beneplácito da Sua vontade”, dotando-os de um conjunto de propriedades independentemente do que seja a prática destes. Por exemplo no caso da Igreja Deus propôs em Si mesmo dotá-la com uma herança celestial valiosíssima tornando-nos “co-herdeiros com Cristo”. Fizemos alguma coisa para o merecer? Ou deixaremos de o ser por algum motivo? Não, foi Deus quem o determinou soberanamente sem que isto tenha a ver com “a vontade do varão”. Por isso lemos naquele belo cântico de Ro. 8 “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.” (vers. 33).
Mas perguntará alguém: não é Deus soberano para escolher uns para a salvação em detrimento de outros? A nossa resposta é NÃO. Deus é soberano mas também é coerente e a coerência de Deus é o limite da Sua soberania. Podemos mesmo dizer que Deus nunca passa por cima de Si mesmo. O Seu ardente desejo em salvar almas impede-o de rejeitar à partida seja quem for. Corroboramos esta verdade com um exemplo: Deus não é soberano para deixar de cumprir com as Suas promessas quando nós lhe somos infiéis (o que até seria justo)? A palavra de Deus dá-nos a resposta: “Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo.” (2Ti 2.13). Nem a soberania Divina o pode fazer “negar-se a Si mesmo”. Escolher uns para serem salvos em detrimento de outros seria “negar-se a Si mesmo”, ou negar o Seu próprio desejo declarado em salvar almas.
Não queremos deixar de fazer um breve comentário ao capítulo 9 da epístola aos Romanos. De facto uma leitura menos cuidada daquele texto pode-nos deixar a ideia de que o nosso amado Senhor usa a Sua soberania de uma forma tirana. ‘ Compadecesse de quem quer, endurece a quem quer, sem que a coisa formada possa dizer ao que a formou: porque me fizeste assim ’. Mas a verdade é que o estudo atento do texto leva-nos exactamente à conclusão que acima salientamos. De facto Deus nunca deveu nada ao homem para que este O questione – o homem só tem que se queixar de si mesmo. Mas Deus é misericordioso mesmo para com os rebeldes pelo que lemos: “Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia”. Mesmo em relação aos “vasos da ira” lemos: “E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição;”. Preparados por quem? Por Deus? Não, por eles próprios. Deus nunca contou com a perdição do homem pelo que os que se perdem não terão um destino especifico para eles mas o “fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos;” (Mt 25.41). É verdade porém que Deus já endureceu os corações de muitos. mas nunca condenou nem endureceu santos nem pessoas que o desejavam conhecer como seu salvador, apenas homens ímpios cujos corações já à muito tinha dito não a Deus. Atentemos para os dois exemplos citados naquele capítulo: Esaú, de quem falaremos mais adiante, e Faraó. Homens perversos que tinham rejeitado o valor das coisas eterna a favor das temporais. Que dizer então se depois de estes e muitos outros homens terem rejeitado totalmente o Senhor, Ele os endurecer e usar para melhor se revelar e concretizar os Seus planos? Por isso podemos compreender melhor o versículo que diz: “Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas?”
7- Um Outro Tipo de Eleição É frequente ainda confundir-se o assunto que estamos a tratar com determinados casos que encontramos nas escrituras acerca de escolhas pontuais, mas soberanas, de Deus. No entanto isto é um assunto completamente distinto do que tratamos até aqui. De facto o Senhor tem um propósito para cada crente e para cada igreja local podendo por isso levantar homens salvos pela Sua graça para executar determinada tarefa. Podemos encontrar alguns exemplos nas escrituras: a escolha de Judá: “Antes elegeu a tribo de Judá; o monte Sião, que ele amava.” (Sl 78.68); a escolha de David: “Também elegeu a David seu servo, e o tirou dos apriscos das ovelhas;” (Sl 78.70); a escolha de Pedro: “E, havendo grande contenda, levantou-se Pedro e disse-lhes: Homens irmãos, bem sabeis que já há muito tempo Deus me elegeu dentre nós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho, e cressem.” (Ac 15.7). Ora isto nada tem haver com o propósito eterno da eleição, são escolhas ou chamadas pontuais sem que isso implique demérito ou perda para os não chamados, é apenas a ordem de Deus que Ele estabelece, note-se, soberanamente.
O mesmo se passa com aquele texto das escrituras, tantas vezes incompreendido, de Ro. 9.11:
“Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), Foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor.
Como está escrito: Amei a Jacó, e aborreci a Esaú. Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma.”
O que este texto diz é que Deus na Sua soberania escolheu Jacó e não Esaú para ser o patriarca das doze tribos de Israel. Esaú não estava condenado por causa desta decisão de Deus, o que o condenou foi a vida profana que ele sempre viveu. Pela sua vida compreendemos o porquê desta decisão de Deus: Esaú como patriarca fazia perigar os planos de Deus relativos, aqui sim, à eleição de Israel:
“(para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama)”. Note-se que tanto na chamada de Jacó, David, Pedro e da tribo de Judá o que sempre determinou a escolha foi sempre a vontade soberana de Deus de acordo com o que o Senhor entendeu ser o melhor para levar até ao fim os Seus planos. E nisto não há injustiça porque se os que não são chamados souberem com humildade se sujeitar à vontade de Deus por certo que também poderão ser usados para a gloria de Deus noutras áreas. É o que acontece num igreja local que está ordenada segundo Deus: quando o Senhor chama, ou elege, um crente para ancião por exemplo, os não chamados não deixarão de ser abençoados por causa disso, a menos que como Esaú se ensoberbeçam e se tornem profanos. Aí sim “Amei a Jacó,- o escolhido – e aborreci a Esaú – o soberbo”
Conclusão:
Pensamos ser claro na palavra de Deus que a eleição é corporativa (povos) e não individual, deixando sempre a possibilidade de todos os homens pertencerem ao povo eleito. A salvação das almas em nada é afectada pela eleição nem vice-versa.
O importante agora é conhecermos a vocação de nossa eleição como povo que é a Igreja Corpo de Cristo de modo a vivermos de acordo com a “vocação – celestial – com que fomos chamados” Ef. 4.1 Que o Senhor nos dê graça para analisarmos estas coisas pela palavra de Deus de modo compreendermos melhor o Seu “propósito eterno” para O louvarmos e por Ele vivermos para a Sua gloria.
A.L.
Tudo que está entre colchetes [] é comentário de Hélio de Menezes Silva Todas as citações bíblicas são da ACF (Almeida Corrigida Fiel, da SBTB). As ACF e ARC (ARC idealmente até 1894, no máximo até a edição IBB-1948, não a SBB-1995) são as únicas Bíblias impressas que o crente deve usar, pois são boas herdeiras da Bíblia da Reforma (Almeida 1681/1753), fielmente traduzida somente da Palavra de Deus infalivelmente preservada (e finalmente impressa, na Reforma, como o Textus Receptus).
(Copie e distribua ampla mas gratuitamente, mantendo o nome do autor e pondo link para esta página de http://solascriptura-tt.org)
Textos bíblicos sobre o risco da apostasia+
Êxodo 32.32
32 Agora, pois, perdoa-lhe o pecado; ou, se não, risca-me, peço-te, do livro que escreveste.
Êxodo 32.33
33 Então, disse o Senhor a Moisés: Riscarei do meu livro todo aquele que pecar contra mim.
Levítico 18.28–29 (RA)
Não suceda que a terra vos vomite, havendo-a vós contaminado, como vomitou o povo que nela estava antes de vós. 29 Todo que fizer alguma destas abominações, sim, aqueles que as cometerem serão eliminados do seu povo.
Deuteronômio 8.19
Se te esqueceres do Senhor, teu Deus, e andares após outros deuses, e os servires, e os adorares, protesto, hoje, contra vós outros que perecereis.
Deuteronômio 11.26–28
Eis que, hoje, eu ponho diante de vós a bênção e a maldição: 27 a bênção, quando cumprirdes os mandamentos do Senhor, vosso Deus, que hoje vos ordeno; 28 a maldição, se não cumprirdes os mandamentos do Senhor, vosso Deus, mas vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes.
Deuteronômio 13.12–18
Quando em alguma das tuas cidades que o SENHOR, teu Deus, te dá, para ali habitares, ouvires dizer 13 que homens malignos saíram do meio de ti e incitaram os moradores da sua cidade, dizendo: Vamos e sirvamos a outros deuses, que não conheceste, 14 então, inquirirás, investigarás e, com diligência, perguntarás; e eis que, se for verdade e certo que tal abominação se cometeu no meio de ti, 15 então, certamente, ferirás a fio de espada os moradores daquela cidade, destruindo-a completamente e tudo o que nela houver, até os animais. 16 Ajuntarás todo o seu despojo no meio da sua praça e a cidade e todo o seu despojo queimarás por oferta total ao SENHOR, teu Deus, e será montão perpétuo de ruínas; nunca mais se edificará. 17 Também nada do que for condenado deverá ficar em tua mão, para que o SENHOR se aparte do ardor da sua ira, e te faça misericórdia, e tenha piedade de ti, e te multiplique, como jurou a teus pais, 18 se ouvires a voz do SENHOR, teu Deus, e guardares todos os seus mandamentos que hoje te ordeno, para fazeres o que é reto aos olhos do SENHOR, teu Deus.
Juízes 2.23
Assim, o SENHOR deixou ficar aquelas nações e não as expulsou logo, nem as entregou na mão de Josué.
1Samuel 15.35
Nunca mais viu Samuel a Saul até ao dia da sua morte; porém tinha pena de Saul. O Senhor se arrependeu de haver constituído Saul rei sobre Israel.
1Reis 11.9
Pelo que o SENHOR se indignou contra Salomão, pois desviara o seu coração do SENHOR, Deus de Israel, que duas vezes lhe aparecera.
Neemias 9.26
Ainda assim foram desobedientes e se revoltaram contra ti; viraram as costas à tua lei e mataram os teus profetas, que protestavam contra eles, para os fazerem voltar a ti; e cometeram grandes blasfêmias.
Salmo 69.28
Sejam riscados do Livro dos Vivos e não tenham registro com os justos.
Isaías 5.1–7
5 1 Agora, cantarei ao meu amado o cântico do meu amado a respeito da sua vinha. O meu amado teve uma vinha num outeiro fertilíssimo. 2 Sachou-a, limpou-a das pedras e a plantou de vides escolhidas; edificou no meio dela uma torre e também abriu um lagar. Ele esperava que desse uvas boas, mas deu uvas bravas. 3 Agora, pois, ó moradores de Jerusalém e homens de Judá, julgai, vos peço, entre mim e a minha vinha. 4 Que mais se podia fazer ainda à minha vinha, que eu lhe não tenha feito? E como, esperando eu que desse uvas boas, veio a produzir uvas bravas? 5 Agora, pois, vos farei saber o que pretendo fazer à minha vinha: tirarei a sua sebe, para que a vinha sirva de pasto; derribarei o seu muro, para que seja pisada; 6 torná-la-ei em deserto. Não será podada, nem sachada, mas crescerão nela espinheiros e abrolhos; às nuvens darei ordem que não derramem chuva sobre ela. 7 Porque a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta dileta do Senhor; este desejou que exercessem juízo, e eis aí quebrantamento da lei; justiça, e eis aí clamor.
Jeremias 2.5–8
5 Assim diz o SENHOR: Que injustiça acharam vossos pais em mim, para de mim se afastarem, indo após a nulidade dos ídolos e se tornando nulos eles mesmos, 6 e sem perguntarem: Onde está o SENHOR, que nos fez subir da terra do Egito? Que nos guiou através do deserto, por uma terra de ermos e de covas, por uma terra de sequidão e sombra de morte, por uma terra em que ninguém transitava e na qual não morava homem algum? 7 Eu vos introduzi numa terra fértil, para que comêsseis o seu fruto e o seu bem; mas, depois de terdes entrado nela, vós a contaminastes e da minha herança fizestes abominação. 8 Os sacerdotes não disseram: Onde está o SENHOR? E os que tratavam da lei não me conheceram, os pastores prevaricaram contra mim, os profetas profetizaram por Baal e andaram atrás de coisas de nenhum proveito.
Jeremias 2.19
A tua malícia te castigará, e as tuas infidelidades te repreenderão; sabe, pois, e vê que mau e quão amargo é deixares o SENHOR, teu Deus, e não teres temor de mim, diz o Senhor, o SENHOR dos Exércitos.
Jeremias 3.6–10
6 Disse mais o SENHOR nos dias do rei Josias: Viste o que fez a pérfida Israel? Foi a todo monte alto e debaixo de toda árvore frondosa e se deu ali a toda prostituição. 7 E, depois de ela ter feito tudo isso, eu pensei que ela voltaria para mim, mas não voltou. A sua pérfida irmã Judá viu isto. 8 Quando, por causa de tudo isto, por ter cometido adultério, eu despedi a pérfida Israel e lhe dei carta de divórcio, vi que a falsa Judá, sua irmã, não temeu; mas ela mesma se foi e se deu à prostituição. 9 Sucedeu que, pelo ruidoso da sua prostituição, poluiu ela a terra; porque adulterou, adorando pedras e árvores. 10 Apesar de tudo isso, não voltou de todo o coração para mim a sua falsa irmã Judá, mas fingidamente, diz o SENHOR.
Jeremias 3.14–23
14 Convertei-vos, ó filhos rebeldes, diz o SENHOR; porque eu sou o vosso esposo e vos tomarei, um de cada cidade e dois de cada família, e vos levarei a Sião. 15 Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência. 16 Sucederá que, quando vos multiplicardes e vos tornardes fecundos na terra, então, diz o SENHOR, nunca mais se exclamará: A arca da Aliança do SENHOR! Ela não lhes virá à mente, não se lembrarão dela nem dela sentirão falta; e não se fará outra. 17 Naquele tempo, chamarão a Jerusalém de Trono do SENHOR; nela se reunirão todas as nações em nome do SENHOR e já não andarão segundo a dureza do seu coração maligno. 18 Naqueles dias, andará a casa de Judá com a casa de Israel, e virão juntas da terra do Norte para a terra que dei em herança a vossos pais.
19 Mas eu a mim me perguntava: como te porei entre os filhos e te darei a terra desejável, a mais formosa herança das nações? E respondi: Pai me chamarás e de mim não te desviarás. 20 Deveras, como a mulher se aparta perfidamente do seu marido, assim com perfídia te houveste comigo, ó casa de Israel, diz o SENHOR. 21 Nos lugares altos, se ouviu uma voz, pranto e súplicas dos filhos de Israel; porquanto perverteram o seu caminho e se esqueceram do SENHOR, seu Deus.
22 Voltai, ó filhos rebeldes, eu curarei as vossas rebeliões. Eis-nos aqui, vimos ter contigo; porque tu és o SENHOR, nosso Deus. 23 Na verdade, os outeiros não passam de ilusão, nem as orgias das montanhas; com efeito, no SENHOR, nosso Deus, está a salvação de Israel.
Jeremias 3.20
20 Deveras, como a mulher se aparta perfidamente do seu marido, assim com perfídia te houveste comigo, ó casa de Israel, diz o Senhor.
Jeremias 5.3–5
3 Ah! SENHOR, não é para a fidelidade que atentam os teus olhos? Tu os feriste, e não lhes doeu; consumiste-os, e não quiseram receber a disciplina; endureceram o rosto mais do que uma rocha; não quiseram voltar. 4 Mas eu pensei: são apenas os pobres que são insensatos, pois não sabem o caminho do SENHOR, o direito do seu Deus. 5 Irei aos grandes e falarei com eles; porque eles sabem o caminho do SENHOR, o direito do seu Deus; mas estes, de comum acordo, quebraram o jugo e romperam as algemas.
Jeremias 8.5
5 Por que, pois, este povo de Jerusalém se desvia, apostatando continuamente? Persiste no engano e não quer voltar.
Jeremias 18.10
10 se ele fizer o que é mau perante mim e não der ouvidos à minha voz, então, me arrependerei do bem que houvera dito lhe faria.
Ezequiel 2.3–7
3 Ele me disse: Filho do homem, eu te envio aos filhos de Israel, às nações rebeldes que se insurgiram contra mim; eles e seus pais prevaricaram contra mim, até precisamente ao dia de hoje. 4 Os filhos são de duro semblante e obstinados de coração; eu te envio a eles, e lhes dirás: Assim diz o SENHOR Deus. 5 Eles, quer ouçam quer deixem de ouvir, porque são casa rebelde, hão de saber que esteve no meio deles um profeta. 6 Tu, ó filho do homem, não os temas, nem temas as suas palavras, ainda que haja sarças e espinhos para contigo, e tu habites com escorpiões; não temas as suas palavras, nem te assustes com o rosto deles, porque são casa rebelde. 7 Mas tu lhes dirás as minhas palavras, quer ouçam quer deixem de ouvir, pois são rebeldes.
Ezequiel 3.18
18 Quando eu disser ao perverso: Certamente, morrerás, e tu não o avisares e nada disseres para o advertir do seu mau caminho, para lhe salvar a vida, esse perverso morrerá na sua iniquidade, mas o seu sangue da tua mão o requererei.
Ezequiel 12.1–2
12 1 Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2 Filho do homem, tu habitas no meio da casa rebelde, que tem olhos para ver e não vê, tem ouvidos para ouvir e não ouve, porque é casa rebelde.
Ezequiel 18.30–31
30 Portanto, eu vos julgarei, a cada um segundo os seus caminhos, ó casa de Israel, diz o Senhor Deus. Convertei-vos e desviai-vos de todas as vossas transgressões; e a iniquidade não vos servirá de tropeço. 31 Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes e criai em vós coração novo e espírito novo; pois, por que morreríeis, ó casa de Israel?
Ezequiel 33.13
13 Quando eu disser ao justo que, certamente, viverá, e ele, confiando na sua justiça, praticar iniquidade, não me virão à memória todas as suas justiças, mas na sua iniquidade, que pratica, ele morrerá.
Hosea 11.7
7 Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; se é concitado a dirigir-se acima, ninguém o faz.
Mateus 5.13
13 Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens.
Mateus 23.37
37 Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!
Mateus 24.10–12
Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; 11 levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. 12 E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos.
Mateus 24.45–51
Quem é, pois, o servo fiel e prudente, a quem o senhor confiou os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo? 46 Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim. 47 Em verdade vos digo que lhe confiará todos os seus bens. 48 Mas, se aquele servo, sendo mau, disser consigo mesmo: Meu senhor demora-se, 49 e passar a espancar os seus companheiros e a comer e beber com ébrios, 50 virá o senhor daquele servo em dia em que não o espera e em hora que não sabe 51 e castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes.
Mateus 25.1–13
Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo. 2 Cinco dentre elas eram néscias, e cinco, prudentes. 3 As néscias, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo; 4 no entanto, as prudentes, além das lâmpadas, levaram azeite nas vasilhas. 5 E, tardando o noivo, foram todas tomadas de sono e adormeceram. 6 Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro! 7 Então, se levantaram todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas. 8 E as néscias disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão-se apagando. 9 Mas as prudentes responderam: Não, para que não nos falte a nós e a vós outras! Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o. 10 E, saindo elas para comprar, chegou o noivo, e as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas; e fechou-se a porta. 11 Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: Senhor, senhor, abre-nos a porta! 12 Mas ele respondeu: Em verdade vos digo que não vos conheço. 13 Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.
Mateus 25.14–30
Pois será como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens. 15 A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro, um, a cada um segundo a sua própria capacidade; e, então, partiu. 16 O que recebera cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco. 17 Do mesmo modo, o que recebera dois ganhou outros dois. 18 Mas o que recebera um, saindo, abriu uma cova e escondeu o dinheiro do seu senhor. 19 Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles. 20 Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo: Senhor, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei. 21 Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. 22 E, aproximando-se também o que recebera dois talentos, disse: Senhor, dois talentos me confiaste; aqui tens outros dois que ganhei. 23 Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. 24 Chegando, por fim, o que recebera um talento, disse: Senhor, sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste, 25 receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu. 26 Respondeu-lhe, porém, o senhor: Servo mau e negligente, sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? 27 Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu. 28 Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez. 29 Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. 30 E o servo inútil, lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes.
Mateus 25.31–46
Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; 32 e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; 33 e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda; 34 então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. 35 Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; 36 estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. 37 Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? 38 E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? 39 E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? 40 O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. 41 Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. 42 Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; 43 sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me. 44 E eles lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos? 45 Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer. 46 E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna.
Marcos 13.13
13 Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo.
Lucas 12.35–48
35 Cingido esteja o vosso corpo, e acesas, as vossas candeias. 36 Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu senhor, ao voltar ele das festas de casamento; para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram. 37 Bem-aventurados aqueles servos a quem o senhor, quando vier, os encontre vigilantes; em verdade vos afirmo que ele há de cingir-se, dar-lhes lugar à mesa e, aproximando-se, os servirá. 38 Quer ele venha na segunda vigília, quer na terceira, bem-aventurados serão eles, se assim os achar. 39 Sabei, porém, isto: se o pai de família soubesse a que hora havia de vir o ladrão, [vigiaria e] não deixaria arrombar a sua casa. 40 Ficai também vós apercebidos, porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá. 41 Então, Pedro perguntou: Senhor, proferes esta parábola para nós ou também para todos? 42 Disse o Senhor: Quem é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor confiará os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo? 43 Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim. 44 Verdadeiramente, vos digo que lhe confiará todos os seus bens. 45 Mas, se aquele servo disser consigo mesmo: Meu senhor tarda em vir, e passar a espancar os criados e as criadas, a comer, a beber e a embriagar-se, 46 virá o senhor daquele servo, em dia em que não o espera e em hora que não sabe, e castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os infiéis. 47 Aquele servo, porém, que conheceu a vontade de seu senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade será punido com muitos açoites. 48 Aquele, porém, que não soube a vontade do seu senhor e fez coisas dignas de reprovação levará poucos açoites. Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão.
Lucas 13.6–9
6 Então, Jesus proferiu a seguinte parábola: Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e, vindo procurar fruto nela, não achou. 7 Pelo que disse ao viticultor: Há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não acho; podes cortá-la; para que está ela ainda ocupando inutilmente a terra? 8 Ele, porém, respondeu: Senhor, deixa-a ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e lhe ponha estrume. 9 Se vier a dar fruto, bem está; se não, mandarás cortá-la.
Lucas 21.19
19 É na vossa perseverança que ganhareis a vossa alma.
João 6.66-67
66 À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele. 67 Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos?
João 8.31
31 Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos;
João 15.1–10
15 1 Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. 2 Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda. 3 Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado; 4 permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim. 5 Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6 Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam. 7 Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito. 8 Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos. 9 Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor. 10 Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço.
Romanos 2.7
7 a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, procuram glória, honra e incorruptibilidade;
Romanos 6.12–13
12 Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões; 13 nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniquidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça.
Romanos 11.20–24
20 Bem! Pela sua incredulidade, foram quebrados; tu, porém, mediante a fé, estás firme. Não te ensoberbeças, mas teme. 21 Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, também não te poupará. 22 Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para contigo, a bondade de Deus, se nela permaneceres; doutra sorte, também tu serás cortado. 23 Eles também, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; pois Deus é poderoso para os enxertar de novo. 24 Pois, se foste cortado da que, por natureza, era oliveira brava e, contra a natureza, enxertado em boa oliveira, quanto mais não serão enxertados na sua própria oliveira aqueles que são ramos naturais!
Romanos 15.4
4 Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.
1Coríntios 9.24-25
24 Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis.
25 Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível.
1Coríntios 9.27
27 Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado.
1Coríntios 10.1–6
10 1 Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar, 2 tendo sido todos batizados, assim na nuvem como no mar, com respeito a Moisés. 3 Todos eles comeram de um só manjar espiritual 4 e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo. 5 Entretanto, Deus não se agradou da maioria deles, razão por que ficaram prostrados no deserto. 6 Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram.
1Coríntios 10.12
12 Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia.
1Coríntios 15.2
2 por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão.
1Coríntios 16.13
13 Sede vigilantes, permanecei firmes na fé, portai-vos varonilmente, fortalecei-vos.
2Coríntios 11.3
3 Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo.
Filipenses 2.12
12 Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor;
Colossenses 1.22–23
22 agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis, 23 se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvistes e que foi pregado a toda criatura debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, me tornei ministro.
2Tessalonicenses 2.3
3 Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição,
1Timóteo 1.19–20
19 mantendo fé e boa consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé. 20 E dentre esses se contam Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para serem castigados, a fim de não mais blasfemarem.
1Timóteo 4.1
4 1 Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios,
1Timóteo 5.15
15 Pois, com efeito, já algumas se desviaram, seguindo a Satanás.
1Timóteo 6.12
12 Combate o bom combate da fé. Toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado e de que fizeste a boa confissão perante muitas testemunhas.
2Timóteo 2.4–12
4 Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou. 5 Igualmente, o atleta não é coroado se não lutar segundo as normas. 6 O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a participar dos frutos. 7 Pondera o que acabo de dizer, porque o Senhor te dará compreensão em todas as coisas. 8 Lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado de entre os mortos, descendente de Davi, segundo o meu evangelho; 9 pelo qual estou sofrendo até algemas, como malfeitor; contudo, a palavra de Deus não está algemada. 10 Por esta razão, tudo suporto por causa dos eleitos, para que também eles obtenham a salvação que está em Cristo Jesus, com eterna glória. 11 Fiel é esta palavra:
Se já morremos com ele, também viveremos com ele; 12 se perseveramos, também com ele reinaremos; se o negamos, ele, por sua vez, nos negará;
2Timóteo 4.10
10 Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica; Crescente foi para a Galácia, Tito, para a Dalmácia.
Hebreus 2.3
3 como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram;
Hebreus 3.12–15
12 Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; 13 pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado. 14 Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos. 15 Enquanto se diz:
Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração, como foi na provocação.
Hebreus 6.4–6
4 É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, 5 e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, 6 e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia.
Hebreus 6.7–8
7 Porque a terra que absorve a chuva que frequentemente cai sobre ela e produz erva útil para aqueles por quem é também cultivada recebe bênção da parte de Deus; 8 mas, se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada e perto está da maldição; e o seu fim é ser queimada.
Hebreus 10.26–31
26 Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; 27 pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários. 28 Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de Moisés. 29 De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça? 30 Ora, nós conhecemos aquele que disse:
A mim pertence a vingança; eu retribuirei.
E outra vez:
O Senhor julgará o seu povo. 31 Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo.
Hebreus 10.36–39
36 Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa.
37 Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará; 38 todavia, o meu justo viverá pela fé; e:
Se retroceder, nele não se compraz a minha alma.
39 Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma.
Hebreus 12.1
12 1 Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta,
Hebreus 12.14–15
14 Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, 15 atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados;
2Pedro 1.3
3 Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude,
2Pedro 2.2
2 E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade;
2Pedro 2.20
20 Portanto, se, depois de terem escapado das contaminações do mundo mediante o conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, se deixam enredar de novo e são vencidos, tornou-se o seu último estado pior que o primeiro.
1João 2.28
28 Filhinhos, agora, pois, permanecei nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e dele não nos afastemos envergonhados na sua vinda.
1João 4.16
16 E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele.
1João 5.16
16 Se alguém vir a seu irmão cometer pecado não para morte, pedirá, e Deus lhe dará vida, aos que não pecam para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que rogue.
1João 5.21
21 Filhinhos, guardai-vos dos ídolos.
Apocalipse 2.10
10 Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.
Apocalipse 2.21
21 Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição.
Apocalipse 2.26
26 Ao vencedor, que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações,
Apocalipse 3.5
5 O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.
Apocalipse 3.10
10 Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra.
Apocalipse 3.16
16 Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca;
Apocalipse 22.19
19 e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro.
Lembra Senhor – Uma Crítica a Canção+
A canção e o que ela sugere
Nos velhos tempos da minha mocidade, havia um alegre “corinho” que dizia: “tropeça aqui, ôôô… cai acolá, mas de novo levanta e começa a cantar!” Quem é da velha guarda deve lembrar bem. Sabe, a gente cantava este cântico com muita naturalidade sem perceber suas implicações, até que um pastor nos chamou à atenção para a maligna sugestão embutida no verso, que nos induzia a tratar a questão do pecado de maneira leviana e inconsequente.
Sugestão semelhante aparece no refrão de uma canção atual que é muito popular entre os evangélicos do Brasil:
Lembra Senhor, juraste o teu amor E nada pode mudar o que sentes por mim Nem os meus pecados Lembra Senhor e faz mais uma vez Os teus sinais e saberão que ainda és o mesmo Deus Banda Toque no Altar Segundo esta canção, Deus jurou amor incondicional de modo que nada pode mudar o que Deus sente pelos seus filhos, nem mesmo o pecado. Será que é assim mesmo? As promessas e o amor de Deus são incondicionais? Os pecados não afetam a relação entre Deus e os homens? Os pecados dos homens não afetam os sentimentos de Deus?
Se isto fosse verdade, teríamos base para concluir que toda a humanidade seria salva no final das contas, pois Jesus declarou o amor de Deus por todo mundo (Jo 3.16). Se for verdade que nem os pecados podem mudar o que Deus sente por seus amados, então a humanidade pode ficar sossegada em seus pecados, descansando no amor incondicional de Deus. Se o amor de Deus é incondicional, então não há lugar para o castigo eterno.
O que pretendo demonstrar pelas Escrituras
Procurarei demonstrar pelas Escrituras Sagradas que o pecado é coisa séria, que afasta os homens de Deus; E que existe, sim, o risco dos salvos desviarem-se do caminho da salvação, pois as Alianças do Antigo e do Novo Testamento são condicionais, bem como as promessas e o amor de Deus.
As advertências dos profetas e de Paulo
Há inúmeras exortações bíblicas sobre o perigo da apostasia, o risco de cair, sobre a necessidade de perseverança e santidade.
Isaías profetizou:
“Mas as suas maldades separaram vocês do seu Deus; os seus pecados esconderam de vocês o rosto dele, e por isso ele não os ouvirá” (Is 59.2).
Paulo mesmo fala sobre o risco dos fiéis desviarem-se da fé:
“Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará” (2 Tm 2.12); “Do que, desviando-se alguns, se entregaram a vãs contendas (1 Tm 1.6); “Porque já algumas se desviaram, indo após Satanás (1 Timóteo 5.15); “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores (1 Tm 6.10); “Que entesourem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a vida eterna. Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado, tendo horror aos clamores vãos e profanos e ás oposições da falsamente chamada ciência, a qual, professando-a alguns, se desviaram da fé…” (1 Tm 6.19-21); “Se alguém pensa que é profeta ou espiritual, reconheça que o que lhes estou escrevendo é mandamento do Senhor. Se ignorar isso, ele mesmo será ignorado” (1 Co 14.37-38); “Os quais se desviaram da verdade…” (2 Tm 2.18).
Quando Paulo, em Romanos 8.35-39, diz que nada pode separar-nos do amor de Deus que está em Cristo Jesus, certamente não está se referindo ao pecado, pois jamais seria capaz de contradizer as Escrituras Sagradas que claramente ensinam que o pecado faz separação entre Deus e os homens. O que Paulo quer dizer é que nenhum ser por mais poderoso que pareça ser e nenhuma tribulação por mais dura que seja tem poder em si para nos afastar do amor de Deus. Isto não significa o mesmo que dizer que o crente não corre o risco de afastar-se deliberadamente do amor de Deus por apego ao pecado.
O Apóstolo Paulo fala dos cuidados que ele mesmo tinha que tomar para não vir a ser reprovado:
“Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado” (1 Cor 9.27).
Paulo menciona a apostasia de Demas:
“Porque Demas me desamparou, amando o presente século… (2 Tm 4.10), que até então havia sido um fiel cooperador (Filemon 1.24 e Co 4.14).
Paulo exorta a perseverança:
“E, despedida a sinagoga, muitos dos judeus e dos prosélitos religiosos seguiram Paulo e Barnabé; os quais, falando-lhes, os exortavam a que permanecessem na graça de Deus” (At 13.43); “… e exortou a todos a que permanecessem no Senhor, com propósito de coração” (At 11.23); “Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus” (At 14.22).
“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo… para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes” (Ef 6.11-13); “Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra” (Tt 1.16)
“Examinem-se para ver se vocês estão na fé; provem-se a si mesmos. Não percebem que Cristo Jesus está em vocês? A não ser que tenham sido reprovados” (2Co 13.5).
Paulo chama a atenção dos crentes para que eles não incorram nos erros daqueles que caíram em pecado e perderam a salvação. Tudo o que está escrito na Bíblia serve para nosso ensino e advertência.
“Porque não quero, irmãos, que vocês ignorem o fato de que todos os nossos antepassados estiveram sob a nuvem e todos passaram pelo mar.
Em Moisés, todos eles foram batizados na nuvem e no mar. Todos comeram do mesmo alimento espiritual e beberam da mesma bebida espiritual; pois bebiam da rocha espiritual que os acompanhava, e essa rocha era Cristo. Contudo, Deus não se agradou da maioria deles; por isso os seus corpos ficaram espalhados no deserto. Essas coisas ocorreram como exemplos para nós, para que não cobicemos coisas más, como eles fizeram. Não sejam idólatras, como alguns deles foram, conforme está escrito: “O povo se assentou para comer e beber, e levantou-se para se entregar à farra”. Não pratiquemos imoralidade, como alguns deles fizeram — e num só dia morreram vinte e três mil. Não devemos pôr o Senhor à prova, como alguns deles fizeram — e foram mortos por serpentes. E não se queixem, como alguns deles se queixaram — e foram mortos pelo anjo destruidor. Essas coisas aconteceram a eles como exemplos e foram escritas como advertência para nós, sobre quem tem chegado o fim dos tempos. Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!” (1 Co 10.1-12).
“Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá. Quem semeia para a sua carne, da carne colherá destruição; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos” (Gl 6.7-9).
As advertências de Pedro, de Hebreus, de João e de Tiago
Pedro também fala sobre o perigo da apostasia:
“Os quais, deixando o caminho direito, erraram seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça” (2 Pe 2.15).
“Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, foram outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviaram-se do santo mandamento que lhes fora dado. Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao lamaçal” (2 Pe 2.20-22).
“Portanto, amados, sabendo disso, guardem-se para que não sejam levados pelo erro dos que não têm princípios morais, nem percam a sua firmeza e caiam. Cresçam, porém, na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, agora e para sempre! Amém.” (2 Pe 3.17 e 18)
O autor de Hebreus também adverte para o risco de se perder a salvação e da necessidade da perseverança para se alcançar a promessa:
“Portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas. Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda a transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição, como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação…” (Hb 2.1-3).
“Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo. E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério. Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus; Mas a que produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada. Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores, e coisas que acompanham a salvação, ainda que assim falamos. Porque Deus não é injusto para se esquecer da vossa obra, e do trabalho do amor que para com o seu nome mostrastes, enquanto servistes aos santos; e ainda servis. Mas desejamos que cada um de vós mostre o mesmo cuidado até ao fim, para completa certeza da esperança” (Hb 6.4-11).
“Vede que não rejeiteis ao que fala; porque, se não escaparam aqueles que rejeitaram o que na terra os advertia, muito menos nós, se nos desviarmos daquele que é dos céus;” (Hb 12.25).
“Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa” (Hb 10.36).
João escreveu seu livro para levar certeza para os salvos, afirmando que existem frutos como evidência para a salvação:
“Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos aos irmãos. Quem não ama permanece na morte” (1Jo 3.14)
Tiago diz que cristãos infrutíferos não podem estar seguros de sua salvação “fé sem obras é morta” (Tg 2.26; cp. Jo 15.2)
As advertências de João Batista e de Jesus
João Batista advertia para o perigo de uma vida destituída dos frutos dignos de arrependimento, afirmando que a promessa de Deus é condicional ao genuíno arrependimento:
“Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão. E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo” (Mt 3.8-10).
Jesus é enfático sobre a necessidade de perseverança e frutos:
“Mas aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24.13).
“Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo” (Mt 7.19); “Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto” (Jo 15.2).
“E ao que vencer, e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações” (Ap 2.26).
“Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus” (Ap 2.7); “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe” (Ap 2.17); “Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono” (Ap 3.21); “O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos” (Ap 3.5); “A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome” (Ap 3.12).
“Arrepende-te, pois, quando não em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da minha boca” (Ap 2.16); “Lembre-se, portanto, do que você recebeu e ouviu; obedeça e arrependa-se. Mas se você não estiver atento, virei como um ladrão e você não saberá a que hora virei contra você” (Ap 3.3); “Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio. Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do seu lugar” (Ap 2.5).
Esta é a mesma lição que Jesus dá nas parábolas do Talentos (Mt 25.14-30), dos Lavradores Maus (M 21.17-44), Servo Infiel (Mt 24.45-51; Lc 12.35-48), Dez Virgens (Mt 25.1-13), Julgamento das Nações (Mt 25.31-46), Parábola da Figueira infrutífera (Lc 13.6-9). O ensino é claro, quem não multiplica o talento, os lavradores maus, os servos infiéis, as virgens imprudentes, os mau feitores, a figueira infrutífera, o que não está dignamente trajado (Mt 22), o que é morno em sua conduta e devoção cristã (Ap 2.15-16), todos estão sujeitos à condenação no juízo final. O ramo, mesmo estando ligado a Videira Verdadeira, se não der fruto, está pronto para ser cortado e lançado fora (Jo 15.2), assim também o sal que se tornar insípido e imprestável é jogado fora (Mt 5.13), e aquele que é morno em sua conduta cristã está prestes a ser vomitado por Deus (Ap 2.15-16).
As alianças não são incondicionais
As Alianças do Antigo e do Novo Testamento não foram estabelecidas de modo incondicional. Promessas são feitas de modo condicional. Estão repletas da condicional “se”:
“Agora, se me obedecerem fielmente e guardarem a minha aliança, vocês serão o meu tesouro pessoal dentre todas as nações” (Ex 19.5); “Mas terão maldição, se desobedecerem aos mandamentos do Senhor, o seu Deus, e se afastarem do caminho que hoje lhes ordeno, para seguir deuses desconhecidos” (Dt 11.28); “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra” (2 Cr 7.14); “Se o homem não se arrepende, Deus afia a sua espada, arma o seu arco e o aponta” (Sl 7.12); “E se ele fizer o que eu reprovo e não me obedecer, então me arrependerei do bem que eu pretendia fazer em favor dele” (Jr 18.10); “Agora, corrijam a sua conduta e as suas ações e obedeçam ao Senhor, ao seu Deus. Então o Senhor se arrependerá da desgraça que pronunciou contra vocês (Jr 26.13); “Ouça, meu povo, as minhas advertências; se tão-somente você me escutasse, ó Israel! Não tenha deus estrangeiro no seu meio; não se incline perante nenhum deus estranho. Eu sou o Senhor, o seu Deus, que o tirei da terra do Egito. Abra a sua boca, e eu o alimentarei. “Mas o meu povo não quis ouvir-me; Israel não quis obedecer-me. Por isso os entreguei ao seu coração obstinado, para seguirem os seus próprios planos. “Se o meu povo apenas me ouvisse, se Israel seguisse os meus caminhos, com rapidez eu subjugaria os seus inimigos e voltaria a minha mão contra os seus adversários! Os que odeiam o Senhor se renderiam diante dele, e receberiam um castigo perpétuo. Mas eu sustentaria Israel com o melhor trigo, e com o mel da rocha eu o satisfaria” (Sl 81.8-16).
“Se alguém quiser ser meu discípulo, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará. Pois que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? (Mt 16.24-26).
“Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio. Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do seu lugar” (Ap 2.5).
“Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).
Fé e obediência são inseparáveis. Paulo escreveu a Tito a respeito daqueles que professam conhecer a Deus, mas que por sua desobediência provam sua falta de fé (Tt 1.16). Para ser salvo a pessoa precisa confessar o senhorio de Cristo (Mt 7.21-23; Lc 6.46-49, Rm 10.9, 13, 1 Co 12.3). É necessário renunciar ao ego, como exortou Jesus “Se alguém quiser ser meu discípulo, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará. Pois que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? (Mt 16.24-26). Jesus não pode ser Salvador sem Ser Senhor. É necessário tê-lo como Senhor e não apenas Salvador, arrependimento e não apenas fé, ser discípulo e não apenas crente, segui-Lo e não apenas encontrá-Lo, obedecê-lo e não apenas amá-lo da boca pra fora, tornar-se uma bênção, e não apenas receber as bênçãos, dar e não apenas receber, amar e não apenas ser amado, perdoar e não apenas ser perdoado, esforçar-se e não apenas esperar em Deus, multiplicar o talento e não apenas preservá-lo, buscar o Reino e não apenas aguardar, permanecer e não apenas iniciar o caminho, vencer e não apenas apenas contemplar a vitória de Cristo e dos heróis da fé, tudo isto com a capacitação do Espírito gracioso de Cristo.
A graça e a misericórdia também não são incondicionais
Pela graça e misericórdia de Deus, nós recebemos o perdão dos pecados: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1.9). Mas o que busca o perdão, deve também estar disposto a perdoar. Uma vez, um irmão na fé, me fez uma pergunta estranha. Ele queria saber se eu orava toda a oração do “Pai Nosso”. Eu disse que sim. Então, meu amigo finalmente abriu o jogo, quando perguntou: “Mas mesmo aquele trecho que diz: ‘assim como nós perdoamos aos nossos devedores'”? Assim como este meu amigo, tem muito cristão com sérias dificuldades diante deste trecho da oração. Mas é óbvio que deixar de orar este trecho não muda o fato de que o Senhor espera que o perdão recebido se transforme em perdão repartido, senão… Lembremos do ensino da parábola do credor incompassivo que tendo recebido perdão de sua imensa dívida, na sequência, não perdoou aquele lhe devia bem menos, e, no final das contas, acabou sendo questionado por este ato incongruente, vindo a ter o seu perdão cancelado, pois foi tratado do mesmo modo incompassivo com que tratou ao que lhe devia (Mt 18.23-35). Como bem ensinou Jesus no Sermão do Monte: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia” (Mt 5.7) e “…perdoai e sereis perdoados… porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também” (Lc 6.37,38). “Porque o juízo será sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia; a misericórdia triunfa sobre o juízo”(Tg 2.13).
Chegará o dia em que prestaremos conta de todos os talentos e graças recebidos (Mt 25). “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito…” (2 Co 5.10). Devemos ser frutíferos, senão seremos cortados da Videira Verdadeira (Jo 15.2). Como também disse Pedro: “Porque, se essas qualidades existirem e estiverem crescendo em suas vidas, elas impedirão que vocês, no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo, sejam inoperantes e improdutivos. Todavia, se alguém não as tem, está cego, só vê o que está perto, esquecendo-se da purificação dos seus antigos pecados. Portanto, irmãos, empenhem-se ainda mais para consolidar o chamado e a eleição de vocês, pois se agirem dessa forma, jamais tropeçarão, e assim vocês estarão ricamente providos quando entrarem no Reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pe 2.8-11).
Precisamos tomar cuidado para confirmar o nosso chamado e eleição, precisamos cuidar para não tropeçar, pois é desta maneira que nos será amplamente suprida a entrada no reino eterno. Por esta razão é que Pedro também adverte nesta mesma carta: “Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, foram outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviaram-se do santo mandamento que lhes fora dado. Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao lamaçal” (2 Pe 2.20-22).
O autor de Hebreus também adverte para o risco de se perder a salvação e da necessidade da perseverança para se alcançar a promessa (Hb 6.4-8, 12; 10.26-38). O autor de Hebreus apresenta uma boa ilustração sobre o relacionamento da graça de Deus e as boas ações humanas, demonstrando que aqueles que recebem a graça devem produzir os respectivos e esperados frutos: “Porque a terra que absorve a chuva que frequentemente cai sobre ela e produz erva útil para aqueles por quem é também cultivada recebe bênção da parte de Deus, mas, se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada e perto está da maldição; e o seu fim é ser queimada” (Hb 6.7-8).
E as promessas feitas a Israel?
As promessas de Deus a Israel eram incondicionais?
No A.T. existem dois tipos de promessas feitas a Israel: 1) Promessas naturais (que foram ou cumpridas ou canceladas devido a desobediência); e, 2) Promessas espirituais (que têm seu cumprimento na Igreja, o Israel de Deus, composta de judeus e gentios crentes em Cristo). As promessas feitas a Israel são condicionais (Mt 3.7-12; Jo 8.31-47).
Os genuínos descendentes de Abraão são os que fazem as obras de Abraão. (Jo 8.37; comparar Gn 15.6 com Jo 8.39, 40, 42,47) Filhos naturais de Abraão são chamados de filhos de Satã.
Podemos encontrar passagens paralelas para quase todos os textos usados pelos como contendo promessas incondicionais (Ex. Comparar II Sm 7 com 1 Rs 9.4-9) e mesmo quando as condições não estão explícitas, elas estão implícitas (Js 8.34). Sabemos que a profecia de Jonas era condicional, mesmo que tenha sido apresentada de forma incondicional: “Em 40 dias Nínive será destruída”. (Ver também Dt 28.1-15).
A fé de Abraão era uma condição implícita no que diz respeito a promessa (Gn 15.6). A circuncisão também era uma condição (Gn 17.14). Obediência é condição (Gn 22.1-12; 26.5 comparar com Hb 11.8).
PROMESSAS CONDIÇÕES Gn 12.2 Gn 12.1 Gn 15.5 Gn 15.6 Gn 17.4 Gn 17.9 Gn 14.2-8 Gn 17.9 Gn 17.10,11 Gn 17.14; Ex 13.4,5 Dt 28.1-14 Dt 28.15 Dt 30.15,16 Dt 30.17-19; Js 8.34; 24.20 2 Sm 7 1 Rs 2.3,4; 9.4-9; 11.11; 21.8; 1 Cr 28.7 2 Cr 7.16-18 2 Cr 7.19-23 As promessas feitas a Israel no A.T. eram condicionais e Israel não observou tais condições, o que gerou a necessidade de Deus estabelecer uma Nova Aliança (Jr 31.31,32; Hb 8.6,7,13). A “Nova Aliança” com a “Casa de Israel” (Jr 31.31-34) teve seu cumprimento em Cristo na Igreja (Hb 10.15-20), que inclui o remanescente de Israel e os gentios que são filhos de Abraão pela fé (Ef 2.14 e Gl 3.6-9).
O amor de Deus não é incondicional Deus ama os pecadores, mas este amor é condicional O pecado afasta o homem de Deus e provoca a ira de Deus, seu justo juízo que pode levar a condenação eterna. Os que primeiramente eram objetos do amor de Deus, podem vir a se tornar objetos de sua ira. Portanto, a ideia de que o amor de Deus é incondicional não encontra respaldo bíblico e desemboca em universalismo, que é a ideia de que Deus salvará a todos. pois amor incondicional não combina com Juízo Final e castigo eterno.
Basta refletir sobre o significado da palavra: “incondicional”, ou seja, que não impõe condições, para concluirmos que ela é inadequada, pois sabemos muito bem que Deus impõe condições para o seu relacionamento amoroso com os homens. Deus exige ser amado sobre todas as coisas (Mc 12.30). Deus estabelece também algumas condições para a salvação, como arrependimento e fé (Mc 1.15). Deus é paciente, disciplina a todo filho a quem ama, mas se o filho persistir em seu erro, acabará acumulando ira para o dia da ira (Rm 2.15; Mt 23.31-32). Ou seja, até a paciência de Deus tem limite. Dura coisa é cair nas mãos do Deus vivo (Hb 10.31). Em seu amor, Deus concede oportunidade para o arrependimento, mas as oportunidades não são infinitas. Jesus espera que as pessoas aproveitem o tempo sobremodo oportuno de arrependimento, pois, senão… “E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição; e não se arrependeu…Então, darei a cada um de vós segundo as vossas obras” (Ap 2.21-23). Atente para o que está escrito em Josué 24.20: “Se deixardes o Senhor e servirdes a deuses estranhos, então, se voltará, e vos fará mal, e vos consumirá, depois de vos ter feito bem”.
No mais belo texto das Escrituras Sagradas, Jesus declara o amor de Deus por toda a humanidade, mas estabelece a fé como uma condição para o usufruto deste amor: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Deus ama e espera ser amado e espera ser obedecido. “Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro” (I Jo 4.19). “E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5.15).
Deus ama os pecadores (Rm 5.8), mas exige arrependimento e fé (Mc 1.15) e também exige ser retribuído em amor (Mc 12.33). Seu mandamento é que o amemos sobre todas as coisas e que sejamos santos como ele é santo (Dt 11.13 e Lv 20.7 e 1 Pe 1.16). Por esta mesma razão é que Paulo veementemente afirma: “Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus (1 Co 6.9-10) e, igualmente, fala aos Gálatas: “Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti, que os que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus” (Gl 5.19-22).
O Apóstolo João diz que “Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (1 Jo 4.8) e “Sabemos que já passamos da morte para a vida porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte” (1 Jo 3.14). “Aquele que diz: Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade. Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nisto sabemos que estamos nele: aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou.” 1Jo 2.4-6 Sei que é difícil imaginar Deus deixando de amar, ou pelo menos, deixando de demonstrar amor, mas é ainda mais complicado imaginar que ele segue amando ou demonstrando amor de maneira incondicional aqueles que serão condenados ao castigo eterno. Enquanto amor e castigo pedagógico combinam, o mesmo não pode ser dito de amor e castigo eterno. Deus precisa estar bem aborrecido para condenar alguém ao inferno, dizendo: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mt 25.41). E Jesus precisa estar muito enojado de alguém para vomitá-lo como diz que estava prestes a fazer com alguns da Igreja de Laodiceia (Ap 3.16). Podemos concluir que a paciencia, a misericordia e o amor de Deus possuem limites. Tais limites tem a ver com a sua justiça.
Além disto, vemos na Bíblia que o amor de Deus é bastante exigente. Deus deseja ser correspondido em seu amor.
“Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim” (Mt 10.37).
Deus ama os pecadores, mas este amor tem suas expectativas, de modo que o ser amado corre o risco de não desfrutar das benesses do amor de Deus caso não corresponda positivamente ao amor recebido.
Assim como o perdão recebido é cancelado quando não se converte em perdão repartido, assim também acontece com o amor que recebemos de Deus.
Se o amor de Deus fosse realmente incondicional, então, não haveria necessidade de nenhuma advertencia, porque não haveria nenhum risco de condenação, pois não haveria como separar Deus de seus amados. Se o amor de Deus fosse realmente incondicional, então Deus continuaria infindamente amando Satanás. Creio que não é este o caso.
A Bíblia fala muito sobre a ira de Deus, que é um reflexo de seu caráter justo. Precisamos coadunar bem o amor e a justiça para não desenvolvermos uma ideia adocicada e distorcida de Deus que acabe desembocando no universalismo que assevera a salvação final de todos.
Portanto, é errado afirmar que os pecados não afetam o relacionamento do crente com Deus. Está bem equivocado aquele que pensa que o amor, a graça, as Alianças e as promessas de Deus são incondicionais. Não se deixe enganar!
Concluo lembrando as seguintes palavras de nosso Senhor Jesus Cristo:
“Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama. Aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me revelarei a ele” (Jo 14.21)
Em amor, Bispo Ildo Mello http://santidadeeunidade.blogspot.com http://escatologiacrista.blogspot.com https://metodistalivre.org.br
O risco da apostasia+
Introdução
Uma vez salvo, salvo para sempre? O salvo certamente perseverará ou deve perseverar na fé para alcançar definitivamente a salvação? Se um verdadeiro cristão não corresse o risco de abandonar o Caminho, por que é que haveria uma série de advertências sobre o perigo da apostasia?
A salvação está em Cristo. Abraçamos a Salvação quando cremos nEle, desenvolvemos a salvação enquanto permanecemos e vivemos em Cristo e, finalmente, alcançaremos a salvação quando chegarmos ao céu. Portanto, é necessário permanecer em Cristo, combater o bom combate, completar a carreira e guardar a fé (2Tm 4.7). Cônscio disto foi que o Apóstolo Paulo fez a seguinte declaração: “. . . mas esmurro o meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser reprovado. . . ” (1Co 9.27). No capítulo seguinte, ele diz que a incredulidade do povo de Israel no deserto, a idolatria e os pecados morais que os israelitas cometeram, acabaram atraindo o juízo de Deus, de modo que a maioria dos israelitas foram reprovados e ficaram prostrados no deserto (1Co 10.1-5). Paulo adverte que essas coisas servem de exemplo para nós que fazemos parte da Igreja (1Co 10.6). E adverte: “Essas coisas lhes sobrevieram como exemplos, e foram escritas para advertência nossa. . .” e “Aquele, pois, que pensa estar em pé, cuide para que não caia” (1Co 10.12). E conclui com a seguinte exortação: “Amados, fugi da idolatria” (1Co 10.14), deixando clara a sua preocupação de que a Igreja de Corinto agisse tal como os israelitas e, conseqüentemente, fosse reprovada.
Na carta aos Romanos, Paulo diz que os cristãos já morreram para o pecado (6.2) e, libertos do pecado, se tornaram escravos da justiça (Rm 6.18). No entanto, Paulo os adverte quanto ao risco de retornarem ao domínio do pecado: "Portanto, não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais, fazendo que vocês obedeçam aos seus desejos. Não ofereçam os membros dos seus corpos ao pecado, como instrumentos de injustiça; antes ofereçam-se a Deus como quem voltou da morte para a vida; e ofereçam os membros dos seus corpos a ele, como instrumentos de justiça." (Rm 6.12-13). Tal advertência seria desnecessária se não existisse o perigo de um escravo da justiça que já morreu para o pecado não pudesse de fato voltar a oferecer os membro do corpo ao pecado como instrumentos de injustiça. Paulo concluí esta questão dizendo que a vida de santidade como fruto do Espírito é que nos dará a posse definitiva da vida eterna: "Mas agora que vocês foram libertados do pecado e se tornaram escravos de Deus, o fruto que colhem leva à santidade, e o seu fim é a vida eterna".
Quando Paulo discorre sobre como a salvação se processa na vida dos indivíduos, ele sempre diz que se dá por intermédio da fé (Rm 9.30-31 cp. Rm 10.11-17). Ele deixa claro que os ramos naturais, que foram cortados por sua incredulidade, podem voltar a ser enxertados se vierem a crer, e os que, atualmente, creem podem vir a ser cortados se derem lugar a incredulidade (Rm 11.20-24). O que reforça a tese de que não existem indivíduos definitivamente eleitos para salvação, a não ser da perspectiva da presciência divina (Rm 8.29). A eleição individual está condicionada a fé em Cristo. Embora, Deus conheça os indivíduos que farão definitivamente parte do povo escolhido, estes tais, também denominados de escolhidos, ou predestinados segundo a presciência de Deus, não são assim denominados devido a uma eleição incondicional, mas porque acolheram com fé o Evangelho.
A expressão: “Deus nos escolheu em Cristo” (Ef 1.3a) diz respeito a eleição corporativa da Igreja em Cristo. A Igreja foi escolhida em Cristo antes mesmo da fundação do mundo. A Igreja estava inclusa na escolha de Abraão: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). A promessa foi feita a Abraão e ao seu descendente que é Cristo, O Eleito por excelência, do qual toda a eleição é derivada e dependente. Os da fé é que são verdadeiramente filhos de Abraão. Cristo é o Messias de Israel, os que são de Cristo pertencem ao verdadeiro Israel.
Portanto, a eleição de indivíduos para a salvação está condicionada a sua associação e permanência no Corpo Eleito de Cristo que é a Igreja. Deus conhece os que irão crer e perseverar em sua fé. Neste pré-conhecimento é que se baseia a predestinação individual. Em Romanos 9, é dito que Deus endurece os homens, mas nunca que Ele os predestinou deste a eternidade para a dureza de coração, e nem também que tal endurecimento é total e definitivo, pois Paulo disse: “veio o endurecimento em parte a Israel, até que…” (Rm 11.25); É dito também que Deus tem o direito de fazer vasos de ira, mas jamais que Ele predestinou pessoas para serem vasos de ira, pois, como já dissemos anteriormente, por vasos de ira, Paulo se refere aos judeus incrédulos, que, segundo ele mesmo afirmou, podem vir a se converter em vasos de honra, abandonando a incredulidade e abraçando a fé (Rm 11.23).
Para Paulo, a fé é que ocupa o papel determinante na salvação ou perdição dos indivíduos: “Bem! Pela sua incredulidade, foram quebrados; tu, porém, mediante a fé, estás firme. Não te ensoberbeças, mas teme. Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, também não te poupará. Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para contigo, a bondade de Deus, se nela permaneceres; doutra sorte, também tu serás cortado. Eles também, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; pois Deus é poderoso para os enxertar de novo” (Rm 11.20-23).
O destino da Igreja é certo, pois sabemos que “as portas do inferno não prevalecerão contra a ela” (Mt 16.18), e seu futuro glorioso também já foi contemplado na visão Apocalíptica de João (Ap 7.9-17; 14.1-5), e Paulo diz que ela será apresentada diante de Cristo, “como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável” (Ef 5.27); mas o destino dos indivíduos não está definido, pois aos membros da Igreja, Paulo exorta: “Mas agora ele os reconciliou pelo corpo físico de Cristo, mediante a morte, para apresentá-los diante dele santos, inculpáveis e livres de qualquer acusação, desde que continuem alicerçados e firmes na fé, sem se afastarem da esperança do evangelho, que vocês ouviram e que tem sido proclamado a todos os que estão debaixo do céu. Esse é o evangelho do qual eu, Paulo, me tornei ministro” (Cl 1.22-23). Enquanto é garantido que a Igreja será apresentada santa e inculpável diante de Deus, os membros precisam continuar alicerçados e firmes, sem se afastarem da esperança do evangelho, para poderem garantir sua participação no destino glorioso da Igreja.
Apostasia no Antigo Testamento:
A crença: "uma vez salvo, salvo para sempre" não encontra apoio algum no Antigo Testamento.
"Prestem atenção! Hoje estou pondo diante de vocês a bênção e a maldição. Vocês terão bênção, se obedecerem aos mandamentos do Senhor, o seu Deus, que hoje lhes estou dando; mas terão maldição, se desobedecerem aos mandamentos do Senhor, o seu Deus, e se afastarem do caminho que hoje lhes ordeno, para seguir deuses desconhecidos."(Dt 11.26-28).
"Respondeu o Senhor a Moisés: 'Riscarei do meu livro todo aquele que pecar contra mim'". (Ex 32.33).
"Sejam eles tirados do livro da vida e não sejam incluídos no rol dos justos." (Sl 69.28).
"Mas agora, eu te rogo, perdoa-lhes o pecado; se não, risca-me do teu livro que escreveste". (Ex 32.32).
"Se eu garantir ao justo que ele vai viver, mas ele, confiando em sua justiça, fizer o mal, nada de justo que fez será lembrado; ele morrerá por causa do mal que fez." (Ez 33.13).
"Quando eu disser a um ímpio que ele vai morrer, e você não o advertir nem lhe falar para dissuadi-lo dos seus maus caminhos para salvar a vida dele, aquele ímpio morrerá por sua iniqüidade; mas para mim você será responsável pela morte dele." (Ez 3.18).
"Portanto, ó nação de Israel, eu os julgarei, a cada um de acordo com os seus caminhos; palavra do Soberano Senhor. Arrependam-se! Desviem-se de todos os seus males, para que o pecado não cause a queda de vocês. Livrem-se de todos os males que vocês cometeram, e busquem um coração novo e um espírito novo. Por que deveriam morrer, ó nação de Israel?" (Ez 18.30-31).
"… o Senhor arrependeu-se de ter estabelecido Saul como rei de Israel." (1Sm 15.35).
"E se ele fizer o que eu reprovo e não me obedecer, então me arrependerei do bem que eu pretendia fazer em favor dele." (Jr 18.10).
"Eu mesmo disse: "Com que alegria eu a trataria como se tratam filhos e lhe daria uma terra aprazível, a mais bela herança entre as nações. Pensei que você me chamaria de ‘Pai’ e que não deixaria de seguir-me. Mas, como a mulher que trai o marido, assim vocês têm sido infiéis comigo, ó comunidade de Israel", declara o Senhor." (Jr 3.19-20).
Salomão apostatou-se da fé, tornou-se um idólatra no final de sua vida.
Salomão foi escolhido por Deus para ser filho de Deus e também para reinar: "Teu filho Salomão é quem edificará a minha casa e os meus átrios, porque o escolhi para filho e eu lhe serei por pai" (1 Cr 28.6).
"Tendo Salomão acabado de orar, desceu fogo do céu e consumiu o holocausto e os sacrifícios; e a glória do SENHOR encheu a casa".(2 Cr 7.1).
"Amou Salomão muitas mulheres estrangeiras, mulheres das nações de que havia o SENHOR dito aos filhos de Israel:Não caseis com elas, pois vos perverteriam o coração, para seguirdes os seus deuses. A estas se apegou Salomão pelo amor. Tinha setecentas mulheres, princesas e trezentas concubinas; e suas mulheres lhe perverteram o coração. Sendo já velho, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses; e o seu coração não era de todo fiel para com o SENHOR, seu Deus, como fora o de Davi, seu pai." (1 Rs 11.1-4).
"Pelo que o SENHOR se indignou contra Salomão, pois desviara o seu coração do SENHOR… Visto que assim procedeste e não guardaste a minha aliança, nem os meus estatutos que te mandei, tirarei de ti este reino e o darei a teu servo." (1 Rs 11.9-11)
"Será, porém, que, se de qualquer modo te esqueceres do SENHOR teu Deus, e se ouvires outros deuses, e os servires, e te inclinares perante eles, hoje eu testifico contra vós que certamente perecereis." (Dt 8.19).
Paulo disse que, embora os hebreus tenham sido batizados em Moisés, no mar e na nuvem, a maioria deles pereceu no deserto devido a incredulidade, imoralidade e idolatria (1 Co 10.1-5). Paulo adverte que essas coisas servem de exemplo para nós que fazemos parte da Igreja (1Co 10.6). E arremata dando a seguinte mensagem de alerta aos cristãos: “Aquele, pois, que pensa estar em pé, cuide para que não caia” (1 Co 10.12). Portanto, a apostasia dos judeus serve de sinal de alerta para os cristãos. Vejamos a seguir como a apostasia é um perigo real para os membros da Igreja.
A apostasia é também possível para um cristão:
Apostasia (em grego antigo απόστασις [apóstasis], "estar longe de") significa um afastamento definitivo e deliberado de Cristo, uma renúncia de sua fé e da sã doutrina. Um cristão ou igreja são apóstatas quando deixam de seguir os fundamentos da Palavra de Deus, desviando-se da verdadeira fé e voltando-se para uma vida de escravidão ao pecado.
"O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios." (1Tm 4.1).
"Cuidado, irmãos, para que nenhum de vocês tenha coração perverso e incrédulo, que se afaste do Deus vivo." (Hb 3.12).
"Não deixem que ninguém os engane de modo algum. Antes daquele dia virá a apostasia e, então, será revelado o homem do pecado, o filho da perdição." (2Ts 2.3).
"Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida." (Ap 2.10)
"Mas o meu justo viverá pela fé. E, se retroceder, não me agradarei dele" (Hb 10.38).
"desde que continuem alicerçados e firmes na fé, sem se afastarem da esperança do evangelho (Cl 1.23).
"Se alguém não permanecer em mim, será como o ramo que é jogado fora e seca. Tais ramos são apanhados, lançados ao fogo e queimados". (Jo 15.6).
"Por meio deste evangelho vocês são salvos, desde que se apeguem firmemente à palavra que lhes preguei; caso contrário, vocês têm crido em vão." (1Co15.2).
"Se alguém tirar alguma palavra deste livro de profecia, Deus tirará dele a sua parte na árvore da vida e na cidade santa, que são descritas neste livro." (Ap 22.19).
"Dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua imoralidade sexual, mas ela não quer se arrepender". (Ap 2.21).
Só ao vencedor é prometido que não será o seu nome apagado do livro da vida: "O vencedor será igualmente vestido de branco. Jamais apagarei o seu nome do livro da vida, mas o reconhecerei diante do meu Pai e dos seus anjos." (Ap 3.5).
"Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé. E entre esses foram Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar." (1Tm 1.19-20).
"Porque já algumas se desviaram, indo após Satanás." (1Tm 5.15).
"Porque DEMAS me desamparou, amando o presente século" (2Tm 4.10).
"Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?…" (Hb 2.3).
"Se continuarmos a pecar deliberadamente depois que recebemos o conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados, mas tão-somente uma terrível expectativa de juízo e de fogo intenso que consumirá os inimigos de Deus. (Hb 10.26-27).
"Assim, porque você é morno, nem frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca." (Ap 3.16).
"Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo… que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado. Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos… não endureçais o vosso coração…" (Hb 3.12-15).
"Se, tendo escapado das contaminações do mundo por meio do conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, encontram-se novamente nelas enredados e por elas dominados, estão em pior estado do que no princípio." (2Pe 2.20).
Advertências por conta do perigo da apostasia:
Por que razão haveriam tantas advertências se a apostasia não fosse um risco real para os membros do Corpo de Cristo? Por que os crentes deveriam tomar cuidado para não cair, se não estão, em hipótese alguma, sujeitos à queda?
"Estejam vigilantes, mantenham-se firmes na fé, sejam homens de coragem, sejam fortes". (1Co 16.13).
"Não Extingais o Espírito" (1 Ts 5.19).
“Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” (Fp 2.12), pois “…de Deus somos cooperadores” (1Co 3.9).
"Empenhem-se para serem encontrados por ele em paz, imaculados e inculpáveis" (2 Pe 3.14).
"Não sabeis que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? correi de tal maneira que o alcanceis" (1Co 9.24,25).
"Combata o bom combate da fé. Tome posse da vida eterna, para a qual você foi chamado e fez a boa confissão na presença de muitas testemunhas". (1Tm 6.12).
"Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus" (Hb 12.14-15).
Precisamos tomar cuidado para confirmar o nosso chamado e eleição, precisamos cuidar para não tropeçar (2 Pe 1.10), pois é desta maneira que nos será amplamente suprida a entrada no reino eterno (2 Pe 1.11).
"É perseverando que vocês obterão a vida" (Lc 21.19).
“Aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mc 13.13; Jo 8.31), “ao vencedor, que guardar até o fim as minhas obras…” (Ap 2.26).
"Nenhum soldado se deixa envolver pelos negócios da vida civil, já que deseja agradar aquele que o alistou. Semelhantemente, nenhum atleta é coroado como vencedor, se não competir de acordo com as regras… Por isso, tudo suporto por causa dos eleitos, para que também eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus, com glória eterna. Esta palavra é digna de confiança: Se morremos com ele, com ele também viveremos; se perseveramos, com ele também reinaremos. Se o negamos, ele também nos negará" (2Tm 2.4-12).
Pedro adverte: “Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, foram outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviaram-se do santo mandamento que lhes fora dado. Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao lamaçal” (2 Pe 2.20-22).
O autor de Hebreus também adverte para o risco de se perder a salvação e da necessidade da perseverança para se alcançar a promessa: "Ora para aqueles que uma vez foram iluminados, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo, experimentaram a bondade da palavra de Deus e os poderes da era que há de vir, e caíram, é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento; pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública. (Hb 6.4-6).
O autor de Hebreus apresenta uma boa ilustração sobre o relacionamento da graça de Deus e as boas ações humanas, demonstrando que aqueles que recebem a graça devem produzir os respectivos e esperados frutos: "Porque a terra que absorve a chuva que frequentemente cai sobre ela e produz erva útil para aqueles por quem é também cultivada recebe bênção da parte de Deus, mas, se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada e perto está da maldição; e o seu fim é ser queimada" (Hb 6.7-8).
Esta é a mesma lição que Jesus dá nas parábolas do Talentos (Mt 25.14-30), dos Lavradores Maus (M 21.17-44), Servo Infiel (Mt 24.45-51; Lc 12.35-48), Dez Virgens (Mt 25.1-13), Julgamento das Nações (Mt 25.31-46), Parábola da Figueira infrutífera (Lc 13.6-9). O ensino é claro, quem não multiplica o talento, os lavradores maus, os servos infiéis, as virgens imprudentes, os mau feitores, a figueira infrutífera, todos são réus no juízo final. O ramo, mesmo estando ligado a Videira Verdadeira, se não der fruto, está pronto para ser cortado e lançado fora (Jo 15.2), assim também o sal que se tornar insípido e imprestável é jogado fora (Mt 5.13).
"Filhinhos, guardai-vos dos ídolos." (1Jo 5.21).
"Sejam sóbrios e vigiem. O diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar". (1 Pe 5.8).
"Felizes os servos cujo senhor os encontrar vigiando, quando voltar. Eu lhes afirmo que ele se vestirá para servir, fará que se reclinem à mesa, e virá servi-los." (Lc 12.37).
"Ele dará vida eterna aos que, persistindo em fazer o bem, buscam glória, honra e imortalidade." (Rm 2.7).
"Pois tudo o que foi escrito no passado, foi escrito para nos ensinar, de forma que, por meio da perseverança e do bom ânimo procedentes das Escrituras, mantenhamos a nossa esperança". (Rm 15.4).
"Vocês precisam perseverar, de modo que, quando tiverem feito a vontade de Deus, recebam o que ele prometeu; pois em breve, muito em breve "Aquele que vem virá, e não demorará. Mas o meu justo viverá pela fé. E, se retroceder, não me agradarei dele". Nós, porém, não somos dos que retrocedem e são destruídos, mas dos que crêem e são salvos. (Hb 10.36-39).
"Visto que você guardou a minha palavra de exortação à perseverança, eu também o guardarei da hora da provação que está para vir sobre todo o mundo, para pôr à prova os que habitam na terra." (Ap 3.10).
"Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta", (Hb 12.1)
E quanto aos principais textos utilizados em defesa da tese contrária e outras objeções?
"Eles saíram do nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos, pois, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; o fato de terem saído mostra que nenhum deles era dos nossos." (1Jo 2.19).
Devemos observar aqui que João está escrevendo depois da apostasia deste grupo contrastando-os com aqueles que permaneceram firmes na sã doutrina. É evidente, agora, que não se tratam de cristãos genuínos. Desviaram-se do santo caminho por terem abraçado doutrinas destruidoras. Não quer dizer que nunca tenham sido cristãos ou que jamais tenham professado a sã doutrina. João sugere que o pecado deles é do tipo imperdoável (1Jo 5.16). A gravidade de tal pecado a ponto de torná-lo imperdoável parece mesmo apontar para o pecado da apostasia de verdadeiros cristãos, pois o afastamento daqueles que nunca foram crentes não poderia incorrer em tão grave juízo. O autor de Hebreus também fala deste pecado imperdoável que é o desvio da fé por parte daqueles que, de fato, foram um dia verdadeiros cristãos: "Ora para aqueles que uma vez foram iluminados, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo, experimentaram a bondade da palavra de Deus e os poderes da era que há de vir, e caíram, é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento; pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública." (Hb 6.4-6); E "Quão mais severo castigo, julgam vocês, merece aquele que pisou aos pés o Filho de Deus, que profanou o sangue da aliança pelo qual ele foi santificado, e insultou o Espírito da graça?" (Hb 10.29).
A apostasia destes que se tornaram hereges segue sendo uma ameaça para o grupo dos "nossos", denominados de "filhinhos" e que no momento presente possuem a "unção" do Espírito, tanto que João os adverte no final deste capítulo, dizendo-lhes: "Filhinhos, agora permaneçam nele para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não sejamos envergonhados diante dele na sua vinda." (1Jo 2.28). Tal exortação seria totalmente desproposital se não houvesse real perigo de apostasia para os verdadeiros cristãos. Estes mesmos "filhinhos", "nascidos de Deus" e que "tem vencido o maligno", precisam cuidar para não se desviarem após falsos deuses: "Filhinhos, guardem-se dos ídolos." (1Jo 5.21).
"Enquanto estava com eles, eu os protegi e os guardei pelo nome que me deste. Nenhum deles se perdeu, a não ser aquele que estava destinado à perdição, para que se cumprisse a Escritura." (Jo 17.12).
Em João 17.12, Jesus está se referindo aos 12 apóstolos e não a comunidade geral de cristãos. Dos doze, apenas um se perdeu. Deus na sua onisciência sabia quais perseverariam até o fim, e, baseado nisto, os entregou a Cristo para comporem o colégio apostólico.
"Nada pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus" (Rm 8.35).
"Todo o que o Pai me der virá a mim, e quem vier a mim eu jamais rejeitarei". (Jo 6.37)
Nada exterior, no entanto, existe o perigo de nós mesmos nos afastarmos do amor de Deus, negligenciando a esta tão grande salvação (Hb 2.3), dando lugar a um coração incrédulo e perverso que nos afasta do Deus vivo (Hb 3.12). O amor de Deus por nós é firme, mas o nosso por Ele pode acabar esfriando: "Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará" (Mt 24.12). Só pode esfriar o que um dia foi quente.
Por isso é necessário permanecer neste amor: "Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele." ( 1Jo 4.16). Caso contrário, corremos o risco de chegar ao ponto de negar o Senhor que nos resgatou (2Pe 2.2).
O que se achega a Cristo com fé jamais é rejeitado por Cristo, mas sabemos que os discípulos tem recebido de Cristo a liberdade para se afastarem se assim o desejarem: "Quereis vós também retirar-vos?" (Jo 6.67).
Se a salvação do crente depende de sua perseverança, então, já não é por graça e sim por mérito próprio.
De maneira alguma! Somos salvos pela graça e é por meio desta mesma graça que conseguimos forças para perseverar até o fim. Nós o amamos, porque primeiramente Ele nos amou. O ramo que está na Videira Verdadeira, recebe dela tudo o que é necessário para produzir o devidos frutos, mas se não o faz, está prestes a ser cortado e lançado fora (João 15). "Se alguém não permanece em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem.” (Jo 15.2,6). Lição semelhante encontramos em Isaías 5, que conta que Deus plantou uma vinha, dando a ela todas as condições necessárias para produzir uvas boas, mas… " "Agora, habitantes de Jerusalém e homens de Judá, julguem entre mim e a minha vinha. Que mais se poderia fazer por ela que eu não tenha feito? Então, por que só produziu uvas azedas, quando eu esperava uvas boas? Pois, eu lhes digo o que vou fazer com a minha vinha: Derrubarei sua cerca para que ela seja tranformada em pasto; derrubarei o seu muro para que seja pisoteada. (Isaías 5.3-5). Portanto, o ramo ou a vinha nada podem produzir sem a graça de Deus, mas tendo recebido a graça, possuem agora o dever de produzirem os respectivos frutos, se não… Os frutos cristão são frutos do Espírito! Assim como nascemos do Espírito, devemos também andar em Espírito!
Se um verdadeiro crente pode renunciar à fé, então, Cristo já não pode mais ser o autor e consumador da fé.
Jesus é o autor e consumador da fé no sentido de que a fé vem pelo ouvir a mensagem do Evangelho e também é sustentada pela graça e obra do Espírito de Cristo em nós. Sem Cristo nada podemos fazer! Mas, com sua graça, devemos nos esforçar para desenvolver a nossa salvação com temor e tremor, permanecendo firmes na fé. Devemos produzir os devidos frutos do Espírito, se não, corremos o risco de sermos cortados e lançados fora (Jo 15). Certamente, o Senhor nos socorrerá em nossas fraquezas. Recebemos muita graça para poder vencer, mas devemos ser vigilantes, pois o perigo da apostasia é real: "Cuidado, irmãos, para que nenhum de vocês tenha coração perverso e incrédulo, que se afaste do Deus vivo." (Hb 3.12). "Porque a terra que absorve a chuva que frequentemente cai sobre ela e produz erva útil para aqueles por quem é também cultivada recebe bênção da parte de Deus, mas, se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada e perto está da maldição; e o seu fim é ser queimada" (Hb 6.7-8).
Considerações finais:
Não se perde a salvação a cada pecado. Isso é um caso extremo quando a pessoa escolhe apostatar:
"Ora para aqueles que uma vez foram iluminados, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo, experimentaram a bondade da palavra de Deus e os poderes da era que há de vir, e caíram, é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento; pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública." (Hb 6.4-6).
"Se continuarmos a pecar deliberadamente depois que recebemos o conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados, mas tão-somente uma terrível expectativa de juízo e de fogo intenso que consumirá os inimigos de Deus. Quem rejeitava a lei de Moisés morria sem misericórdia pelo depoimento de duas ou três testemunhas. Quão mais severo castigo, julgam vocês, merece aquele que pisou aos pés o Filho de Deus, que profanou o sangue da aliança pelo qual ele foi santificado, e insultou o Espírito da graça? Pois conhecemos aquele que disse: "A mim pertence a vingança; eu retribuirei"; e outra vez: "O Senhor julgará o seu povo". Terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo!" (Hb 10.26-31).
Alguns se desviam por abraçar heresias de perdição:
"E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição". (2Pe 2.2).
O cristão não está abandonado a si mesmo.
Temos recebido de Deus todas as condições para perseverarmos até o fim (2Pe 1.3). O Senhor cuida de nós! Nada pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus (Rm 8.35). Nada exterior, no entanto, existe o perigo de nós mesmos virmos a negligenciar a esta tão grande salvação (Hb 2.3), esfriando nosso próprio amor por Deus (Mt 24.12), a ponto de negar o Senhor que nos resgatou (2Pe 2.2). Deus não quer filhos contrariados dentro de sua casa. O Filho Pródigo teve liberdade de abandonar o lar paterno. E Jesus, após o abandono de muitos seguidores, voltou-se para os Doze e perguntou-lhes: "Quereis vós também retirar-vos?" (Jo 6.67).
Domínio próprio, que é um fruto do Espírito, significa que uma pessoa recebe do Espírito Santo a capacidade de controlar-se a si mesma. Não se trata aí de estar debaixo do controle de outro, nem mesmo de Deus. Deus não quis por cabresto no homem, pois não trata o ser humano como se fosse uma mula (Sl 32.9). Ele não quer que o ser humano tome decisões debaixo de qualquer força coerciva (Zc 4.6), mas de livre e espontânea vontade (Jr 29.13; Mt 16.24; 23.37 e Ap 22.17). Ele quer ser adorado em espírito e em verdade; deseja ser amado de fato! Neste complexo mundo em que vivemos, Deus busca verdadeiros adoradores (Jo 4.23)!
Portanto, devemos fazer a nossa parte para o bom desenvolvimento de nossa salvação (Fp 2.12), para vencermos o bom combate, perseverando na fé e na sã doutrina (Mc 13.13; 1Tm 4.1). As advertências são inúmeras devido ao perigo de nos afastarmos da fé. Devemos vigiar sem perder a confiança! Nossa segurança está em Cristo. Distante Dele não há salvação. Por isto a exortação de nosso Senhor: "Permaneçam no meu amor"! (Jo 15.9).
Bispo Ildo Mello A apostasia do Rei Salomão https://www.youtube.com/watch?v=7Sxpg_PJVJE Palestra: "Deus não trata o ser humano como mula" http://youtu.be/U3BUAkLDPr0
A Doutrina do Livre Arbítrio+
Baseado no artigo do Dr. Leighton Flowers https://soteriology101.com/2016/07/20/the-doctrine-of-free-will/ Livre arbítrio é a capacidade de fazer escolhas sem coerção externa. Existem debates sobre até que ponto esse livre arbítrio deve ser entendido em relação às pessoas. Duas visões principais são o compatibilismo e o libertarianismo.
O que o compatibilismo defende
A visão compatibilista defende que a liberdade de uma pessoa é restrita por sua natureza. Ela só pode escolher de acordo com sua natureza, seja pecaminosa ou regenerada. Versículos como 1 Coríntios 2.14; Romanos 3.10-12; Romanos 6.14-20 são usados para demonstrar que o incrédulo é incapaz de escolher a Deus por sua própria vontade, pois não pode receber as coisas espirituais, não consegue responder com fé e arrependimento à pregação do Evangelho e estaria restrito a fazer escolhas pecaminosas.
A partir dessa perspectiva, concluem que qualquer pessoa que crê em Deus (João 3.16; 3.36) o faz porque Deus lhe concedeu essa fé (Filipenses 1.29), o fez nascer de novo (1 Pedro 1.3) e o escolheu para a salvação (2 Tessalonicenses 2.13).
As questões do compatibilismo à luz das Escrituras
Vejamos as questões do compatibilismo à luz das Escrituras:
Embora concordemos que a liberdade de escolha da humanidade está restrita aos limites de sua natureza, discordamos sobre quais são esses limites em relação à humanidade pecadora. Por exemplo, um homem não é livre para bater os braços e voar pelo mundo, não importa o quanto ele queira fazê-lo. Ele está confinado por suas habilidades físicas. Da mesma forma, existem limites morais nas habilidades da vontade do homem pecador.
Concordamos que a humanidade nasce incapaz de cumprir voluntariamente todas as exigências da lei para merecer a salvação. E também concordamos que a humanidade está escravizada ao pecado. No entanto, discordamos que um homem nasce incapaz de admitir voluntariamente que está em cativeiro e precisa de ajuda – especialmente à luz da revelação graciosa, inspirada pelo Espírito Santo e clara de Deus – por meio da lei (um tutor) e do evangelho com seu poderoso apelo à reconciliação.
Podemos supor que um homem nasceu em uma cela de prisão e nunca lhe disseram que ele estava em uma cela. Ele simplesmente desconhecia qualquer coisa fora das paredes de seu mundo. Todos concordamos que o homem nasce em cativeiro e incapaz até mesmo de reconhecer sua posição. No entanto, suponha que alguém entrasse em sua cela e lhe contasse sobre o mundo fora das paredes. O fato de ter nascido em cativeiro prova que ele é incapaz de ouvir o mensageiro e acreditar em sua mensagem? Claro que não. Podemos reconhecer a escravidão do homem desde o nascimento sem assumir que ele também nasceu incapaz de acreditar no testemunho dos mensageiros enviados com o propósito de ajudá-lo a se libertar.
A crença de que um homem nasce em uma cela de prisão é distinta da crença de que o homem é incapaz de reconhecer que está em uma cela de prisão e aceitar ajuda para escapar quando ela é claramente oferecida. Os calvinistas apontaram para passagens que provam que a humanidade nasceu na cela, enquanto assumem que a humanidade é incapaz de admitir humildemente que está em uma cela e confiar em Cristo para libertá-la.
Nenhuma passagem em todas as escrituras sugere que os homens caídos são incapazes de responder voluntariamente ao próprio apelo de Deus para serem reconciliados com Ele e libertos de sua condição caída.
Os textos usados para provar a incapacidade total
Versos como 1 Coríntios 2.14; 3.10-12; Romanos 6.14-20 são utilizados para demonstrar que o incrédulo é incapaz de escolher a Deus por sua própria vontade, pois não pode compreender as coisas espirituais, nem praticar o bem, pois é escravo do pecado. Vamos examinar cada um desses textos para entender exatamente o que eles ensinam:
1 Coríntios 2.14 – “O homem sem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus, pois lhe são loucura; e não é capaz de entendê-las, porque elas são discernidas espiritualmente.” Neste verso, fica claro que o homem sem o Espírito Santo não pode compreender as coisas espirituais por si só. Ele precisa do auxílio do Espírito para discernir essas verdades. Mas isso não significa que ele é incapaz de receber ajuda ou instrução por meio de outras pessoas que têm o Espírito. Paulo está escrevendo aos crentes carnais em Corinto, e a própria epístola é um meio de auxílio para seu discernimento espiritual. No entanto, ele critica esses “irmãos” da igreja de Corinto por ainda serem imaturos em sua fé e não conseguirem compreender verdades mais profundas (1 Coríntios 3.1-3). Assim, esse texto não pode ser usado para ensinar que os não regenerados são incapazes de compreender e responder com fé e arrependimento ao apelo do Evangelho. As Sagradas Escrituras, explicadas pelos Apóstolos, são um meio capaz de produzir o devido discernimento aos ouvintes e leitores (Efésios 3.4).
Vamos examinar o restante dos textos em outra resposta, para garantir uma melhor compreensão e análise de cada um deles.
Romanos 3.10-18 – “Como está escrito: Não há justo, nem um sequer; não há quem entenda, não há quem busque a Deus. Todos eles se desviaram, juntos se tornaram inúteis; não há quem faça o bem, não, nem um sequer. A garganta deles é um sepulcro aberto; com suas línguas usaram de engano; o veneno da víbora está sob seus lábios. Cuja boca está cheia de maldição e amargura; seus pés são rápidos para derramar sangue; destruição e miséria estão em seus caminhos; e o caminho da paz eles não conheceram; não há temor de Deus diante de seus olhos.” Esse trecho de Romanos 3.10-18 enfatiza que ninguém é justo segundo as obras da lei e que todos estão afastados de Deus por causa do pecado. Ele mostra que, por nossos próprios esforços, somos incapazes de alcançar a justiça e a salvação. No entanto, esse fato não implica automaticamente que somos incapazes de alcançar a justiça pela graça por meio da fé. O próprio apóstolo Paulo apresenta, no versículo 21 deste mesmo capítulo, os meios pelos quais o ser humano pode alcançar a justiça pela fé e não por meio da lei.
Os calvinistas podem interpretar que a prova de nossa incapacidade de ganhar justiça por meio de nossas próprias obras também indica nossa incapacidade de confiar na justiça imputada de Cristo. No entanto, essa interpretação pode ser questionada, pois provar que os perdidos não podem buscar a Deus não necessariamente prova que eles são incapazes de responder a um Deus que busca ativamente salvar os perdidos.
Um exemplo para esclarecer essa questão é: provar que não posso ligar para o presidente não prova que não posso atender o telefone se o presidente decidir me ligar. Da mesma forma, a nossa inabilidade de buscar a Deus por nossos próprios méritos não necessariamente implica que somos incapazes de responder positivamente ao chamado de Deus para a salvação, por meio de Sua graça e misericórdia.
Em suma, os versículos de Romanos 3.10-18 destacam a incapacidade humana de alcançar justiça pelas obras da lei, mas não invalidam a possibilidade de resposta positiva à graça de Deus, que busca ativamente salvar os perdidos. A graça de Deus pode agir sobre aqueles que são incapazes de buscar a Deus por si mesmos, oferecendo-lhes a oportunidade de crer e serem salvos.
Romanos 6.14-20 (NVI) – “Pois o pecado não os dominará, porque vocês não estão debaixo da lei, mas debaixo da graça. O que então? Devemos pecar porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De maneira nenhuma! Vocês não sabem que, quando se oferecem a alguém para lhe obedecer como escravos, são escravos daquele a quem obedecem: seja do pecado, que leva à morte, ou da obediência, que leva à justiça? Mas graças a Deus porque, embora vocês fossem escravos do pecado, passaram a obedecer de coração à forma de ensino que lhes foi transmitida. Vocês foram libertados do pecado e tornaram-se escravos da justiça. Falo como humano, por causa da fraqueza de vocês. Assim como vocês ofereceram os membros dos seus corpos em escravidão à impureza e à maldade que leva à maldade, ofereçam-nos agora em escravidão à justiça que leva à santidade. Quando vocês eram escravos do pecado, estavam livres da justiça.” Embora Paulo certamente afirme que o ser humano costumava ser escravo do pecado, ele nunca remotamente sugere que seja incapaz de admitir esse fato à luz da revelação de Deus por meio da lei (um tutor enviado para revelar nossa necessidade) e do poderoso apelo do evangelho (a dádiva de Deus para suprir essa necessidade por meio da fé). Paulo descreve a maneira pela qual alguém sai de sua escravidão na passagem acima. Ele escreve: “vocês passaram a obedecer de coração à forma de ensino que lhes foi transmitida. Vocês foram libertados do pecado e tornaram-se escravos da justiça”. Ele fala da obediência ao ensino que ele e os outros apóstolos trouxeram. Além disso, Paulo fala da escolha do cristão de “se oferecer como escravo”, sendo responsável por essa escolha. Nada é dito sobre algum trabalho interno eficaz ou irresistível pressuposto pelos calvinistas. Tanto que o cristão corre o risco de voltar a viver segundo a carne (Romanos 8.13).
Nada nas três passagens listadas chega perto de sugerir que a humanidade é incapaz de admitir que precisa de ajuda quando o próprio Deus a oferece. Pelo contrário, a mensagem é sobre a possibilidade de libertação do pecado e da escravidão, bem como a escolha de se oferecer à justiça que conduz à santidade. A graça de Deus é proclamada como o meio para a salvação e a obediência à Sua vontade.
O que é, afinal, o livre-arbítrio
O livre-arbítrio é a capacidade da vontade humana de praticar ou não uma determinada ação moral. No contexto da soteriologia, isso significa a capacidade da humanidade de aceitar ou rejeitar o apelo de Deus para ser reconciliada por meio da fé em Cristo. A Bíblia nos mostra que a humanidade é considerada responsável por como responde a Cristo e Suas palavras (João 12.48). Portanto, não há base bíblica ou teológica para sugerir que a humanidade nasça incapaz de responder às Suas palavras poderosas e vivificadoras (Hebreus 4.12; 2 Timóteo 3.15-16; Romanos 10.17; João 6.63; 20.31).
De fato, muitos textos bíblicos sugerem que a humanidade é capaz de argumentar com Deus e responder livremente à Sua revelação:
“Lavai-vos, limpem-se; remova o mal de suas ações diante de meus olhos; pare de fazer o mal, aprenda a fazer o bem; busque a justiça, corrija a opressão; faça justiça ao órfão, pleiteie a causa da viúva. Venham, vamos raciocinar juntos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; embora sejam vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como a lã. Se você estiver disposto e obediente, você comerá o melhor da terra; mas se você recusar e se rebelar, você será devorado pela espada; porque a boca do Senhor o disse.” (Isaías 1.16-20)
Aqui, vemos que Deus faz um apelo ao Seu povo, convidando-os a abandonar o mal e buscar a justiça. Ele oferece a possibilidade de serem purificados e perdoados, mas também os adverte sobre as consequências da recusa e da rebelião. Essa passagem e muitas outras na Bíblia mostram que a humanidade é capaz de responder às palavras de Deus, escolhendo obedecer ou se afastar.
Portanto, a ideia de que a humanidade nasce incapaz de responder positivamente ao convite de Deus não encontra apoio nas Escrituras. O livre-arbítrio é um dom dado por Deus, que nos capacita a tomar decisões morais e responder às Suas palavras e chamados.
A acusação de que o livre-arbítrio é heresia
Calvinistas alegam erroneamente que todas as seitas ensinam a visão libertária do livre arbítrio, mas isso não é verdade. De fato, o Islã, o ateísmo naturalista e o gnosticismo antigo se apegavam a formas de determinismo, onde a vontade humana é considerada limitada ou mesmo inexistente em suas escolhas.
Os não-calvinistas, por sua vez, defendem que a humanidade é responsável por crer e se arrepender do pecado, mas isso não significa que a salvação está “ao alcance dos pecadores”, como afirmam equivocadamente os calvinistas. Ser capaz de se arrepender e ter fé não implica ser capaz de salvar a si mesmo. É como sugerir que, porque o filho pródigo escolheu voltar para casa, o pai era obrigado a aceitá-lo e restaurá-lo POR CAUSA de sua escolha de voltar. O filho, por si só, foi responsável por sua decisão de retornar, enquanto apenas o pai foi responsável por sua escolha de aceitá-lo e restaurá-lo. A obrigação do pai decorre de sua própria bondade e graça, não por causa da escolha do filho.
Essa analogia simples ilustra que a responsabilidade humana de crer e se arrepender não deve ser confundida com a capacidade de salvar a si mesmo. Da mesma forma, um pecador, mesmo estando em um estado espiritualmente morto, pode “cair em si”, reconhecendo seu estado miserável, mas sua salvação depende totalmente da misericórdia do Pai celestial. Essa mensagem do evangelho é clara e não deve ser obscurecida ao combinar erroneamente duas escolhas distintas. A humanidade tem a responsabilidade de responder ao chamado de Deus, mas é pela graça e misericórdia divina que a salvação é alcançada.
“Inimigos de Deus” significa incapacidade de crer?
Calvinistas apelam para o texto a seguir para afirmar que a incapacidade para mudar a si mesmo é o mesmo que a incapacidade para reconhecer a necessidade de mudança e de auxílio para tanto. Jeremias 13.23 (NVI) diz: “Pode um etíope mudar a sua pele? Pode um leopardo alterar as suas pintas? Então, como vocês, que estão acostumados a fazer o mal, podem praticar o bem?” Essa analogia não nega a capacidade da humanidade de reconhecer suas falhas e necessidade de ajuda diante da clara revelação de Deus. Comparar a incapacidade humana com a possibilidade de admitir sua necessidade de mudança é uma inferência errônea feita pelos calvinistas.
Romanos 5.10 (NVI) diz: “Pois se nós, quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com ele mediante a morte de seu Filho, quanto mais agora, tendo sido reconciliados, seremos salvos por sua vida!” De acordo com 2 Coríntios 5.20, Cristo faz Seu apelo através de nós para que nos reconciliemos com Deus pela fé. O calvinista parece presumir que é preciso estar reconciliado antes de poder responder voluntariamente ao apelo de Cristo à reconciliação, colocando a ordem das coisas de forma equivocada. A verdade é que o chamado de Deus é gracioso e convida a humanidade a se reconciliar com Ele pela fé, independentemente de qualquer condição prévia de reconciliação. A fé precede a regeneração, ela vem pelo ouvir a Palavra de Deus e não pela regeneração. (João 1.12-13; 3.16; 5.40; Atos 16.31; Romanos 10.9; Efésios 2.8-9).
Romanos 8.7 (NVI) diz: “Porque a mentalidade da carne é inimiga de Deus, pois não se submete à lei de Deus, nem pode fazê-lo.” O fato de a humanidade não poder cumprir as exigências da lei não implica que ela seja incapaz de humildemente admitir esse fato à luz dos graciosos apelos de Deus. Não poder merecer a própria salvação pelas obras da lei não significa que a humanidade não possa confiar naquele que cumpriu a lei. A mensagem do evangelho é justamente sobre depender da obra de Cristo e Sua graça para a salvação, reconhecendo a própria incapacidade de salvar-se pelas próprias obras.
Outros textos alegados contra o livre-arbítrio
Outros versículos utilizados pelos calvinistas para questionarem o livre arbítrio dos pecadores:
João 1.13 (NVI) – “os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum ser humano, mas nasceram de Deus.” Claramente, João está se referindo ao novo nascimento espiritual, que não é resultado da linhagem ou dos esforços humanos, mas é um ato de Deus. O contexto indica que alguns israelitas, apesar de serem parte do povo escolhido, e de confiarem em seus próprios esforços em cumprir a Lei, não reconheceram nem receberam Jesus como o Messias. No entanto, aqueles que o receberam e creram em seu nome receberam o direito de se tornarem filhos de Deus. Isso destaca que o caminho da salvação não está na linhagem abraâmica e nem nas obras da lei, mas na responsabilidade humana de responder ao chamado gracioso de Deus e crer em Jesus para a salvação.
Romanos 9.16 (NVI) – “Portanto, não depende do desejo ou do esforço humano, mas da misericórdia de Deus.” Neste contexto, Paulo enfatiza que a salvação não é alcançada por esforços humanos, mas é um ato da misericórdia divina. Isso não nega a responsabilidade humana de crer e responder ao chamado de Deus, mas destaca que a salvação é iniciada pela graça de Deus.
Romanos 9.18 (NVI) – “Portanto, Deus tem misericórdia de quem ele quer e endurece a quem ele quer.” Este versículo aborda a questão da dureza de coração da nação de Israel. Romanos 11 também discute esse tema, mostrando que essa dureza não é definitiva (Romanos 11.26). Apesar de receberem muitos profetas e revelações de Deus, a maioria do povo de Israel resistiu ao Espírito Santo (Atos 7.51) e se recusou a se converter a Deus (Romanos 10.21).
Jesus, ao citar a profecia de Isaías 6.9-10, destacou como o coração do povo de Israel estava endurecido, tapando os ouvidos e fechando os olhos para não se arrependerem.
Por conta da constante rebeldia e teimosia do povo de Israel, Deus os entregou a sua própria dureza de coração. Sua misericórdia agora foi estendida aos gentios. Deus tem o direito de exercer sua misericórdia e endurecer o coração daqueles que resistem a Ele. Isso não nega a responsabilidade humana de responder ao chamado de Deus, mas enfatiza o papel de Deus na obra da salvação.
Filipenses 1.29 (NVI) – “Porque a vocês foi dado o privilégio de não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele.” Neste versículo, Paulo fala sobre a graça concedida aos filipenses de crer em Cristo e compartilhar de Seus sofrimentos. Deus, em Sua graça, concede aos seres humanos a capacidade de crer e suportar tribulações por causa de Cristo. Essa graça capacitadora não anula a liberdade de escolha humana, mas enfatiza a obra divina na salvação, capacitando-os a responder ao Evangelho.
A graça de Deus se manifestou salvadora a todos, e Ele ordena a todas as pessoas em todos os lugares que se arrependam (Atos 17.30). Jesus é a luz que veio ao mundo para iluminar todo homem (João 1.9). Ele veio buscar e salvar os perdidos (Lucas 19.10). Quem quiser pode vir a Ele para ter vida (Apocalipse 22.17). A fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10.17).
O Evangelho é proclamado para que as pessoas possam crer em Jesus e, crendo, ter vida em Seu nome (João 20.31). Portanto, a fé não é uma graça seletiva concedida apenas a alguns, mas Deus oferece a todos a oportunidade de responder com fé e arrependimento. Ele ama o mundo de tal maneira que deu Seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3.16).
A salvação está disponível para todos que invocarem o nome do Senhor (Romanos 10.13), pois o Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Romanos 1.16). Portanto, a graça de Deus capacita a todos para crer e responder ao chamado da salvação. A fé é um presente disponível a todos que desejam se achegar a Deus por meio de Cristo.
Livre-arbítrio não é autonomia diante de Deus
A palavra “autônomo” significa ser independente, empreender ou executar algo sem controle externo. É frequentemente usada para descrever países, regiões ou grupos que têm o direito de se governar. No entanto, é importante esclarecer que o uso tradicionalista do termo não implica que a humanidade seja totalmente independente de Deus. Pelo contrário, Paulo enfatiza que tudo o que temos é recebido de Deus (1 Coríntios 4.7), incluindo nossas habilidades e capacidade de fazer escolhas.
A Bíblia ensina que Deus é soberano e faz o que lhe agrada (Salmos 115.3). No entanto, também reconhece que Deus deu aos seres humanos um certo nível de “autonomia” ou “separação”, pois os mais altos céus pertencem ao Senhor, mas a terra foi dada aos homens (Salmos 115.16). Isso significa que Deus, em Sua soberania, escolheu conceder liberdade limitada ao homem, permitindo-lhes fazer escolhas morais.
AW Tozer esclarece que Deus decretou que o homem deveria ser livre para exercer escolhas morais, e quando o homem escolhe fazer o mal, não está contrariando a vontade soberana de Deus, mas cumprindo-a. O decreto eterno de Deus não decidiu qual escolha o homem faria, mas que ele teria a liberdade para fazê-la.
É importante entender que defender o livre arbítrio não significa minimizar a soberania de Deus. Pelo contrário, reconhecemos que é por Sua soberania que Deus concedeu liberdade moral às Suas criaturas. Essa compreensão bíblica da autonomia humana nos permite enfatizar a soberania, o amor e a santidade de Deus, reconhecendo que Ele nos deu a capacidade de fazer escolhas e responder a Ele. http://www.heavendwellers.com/hdt_chapter_22_koh.htm Voltemos nossa atenção agora para o atributo da Santidade de Deus. A citação de Tozer em seu livro “O Conhecimento do Sagrado” defende a Santidade de Deus e não tem a intenção de minar outros atributos igualmente importantes do nosso Deus bom.
Santidade de Deus e liberdade humana
A definição de Santidade muitas vezes envolve a ideia de separação ou ser apartado do comum. Coisas e pessoas podem ser consideradas sagradas quando são distintas do mundo e dedicadas a Deus. No entanto, ao aplicarmos essa definição ao próprio Deus, surge uma questão: do que podemos separar Deus para torná-lo santo? A própria divindade de Deus significa que Ele está separado de tudo o que não é Deus. Nesse sentido, Ele é totalmente santo.
Alguns calvinistas falham em perceber que a defesa tradicionalista da autonomia humana não nega a soberania de Deus, mas enfatiza a Santidade de Deus como separado de tudo o que não é Ele. No entanto, outros argumentam que Deus é soberano inclusive sobre as intenções pecaminosas dos seres humanos.
Ao falarmos da Santidade de Deus como separação, precisamos entender que Ele não pode ser separado de Si mesmo ou de Suas próprias escolhas. A Santidade perde seu significado em uma visão determinista onde tudo é meticulosamente determinado por Deus, pois não há nada que possa ser considerado como verdadeiramente separado Dele.
Devemos compreender que a Santidade de Deus não nega a liberdade de escolha humana, mas destaca Sua soberania e separação de tudo o que não é Deus. Nossa compreensão da autonomia humana não busca minar a soberania divina, mas antes ressalta a obra graciosa de Deus capacitando a resposta do homem ao Seu chamado.
Falar da Santidade de Deus como separação perde o sentido caso não haja algo externo a Deus do qual Ele se separe. Deus não pode ser separado de Si mesmo ou de Suas próprias escolhas. Se alguém insiste que Deus determina imutavelmente todas as inclinações pecaminosas da criatura para glorificar a Si mesmo, então como pode também afirmar que Deus é totalmente separado desses mesmos meios pecaminosos, mas auto-glorificantes? Isso equivaleria a afirmar que A não é A (Deus é separado, mas não separado).
Ouça bem, ou Deus está implicado no mal moral ou não está. Ele é santo ou não é. Ele é separado (uma afirmação tanto da santidade divina quanto da autonomia humana) ou não é (uma negação tanto da santidade divina quanto da autonomia humana).
A compreensão da Santidade de Deus como separação pressupõe a existência de algo que está fora de Deus e do qual Ele se distancia, sendo completamente diferente de tudo o que é impuro e pecaminoso. Se alguém acredita que Deus está soberanamente controlando todas as inclinações pecaminosas do homem para glorificar a Si mesmo, então não se pode afirmar que Ele é completamente separado dessas ações pecaminosas.
Nesse ponto, é necessário estabelecer claramente se Deus é Santo, separado de toda impureza e maldade, ou se Ele está de alguma forma implicado no mal moral. A afirmação da santidade divina e da autonomia humana é fundamental para entender a natureza de Deus e a responsabilidade humana diante Dele. Se negarmos a autonomia humana, isso terá implicações diretas na compreensão da Santidade de Deus. Portanto, é vital reconhecer que Deus é verdadeiramente separado de tudo o que é mau, e que Ele concede liberdade de escolha aos seres humanos, possibilitando a resposta genuína ao Seu chamado e revelando Sua santidade. (1 João 1.5; Isaías 6.1-3; 1 Pedro 1.15-16).
Baseado no artigo do Dr. Leighton Flowers publicado no link abaixo, fiz uma tradução livre, com algumas adaptações e desenvolvimento, mas procurando preservar todos os seus principais argumentos. https://soteriology101.com/2016/07/20/the-doctrine-of-free-will/ Bispo Ildo Mello
2 Pedro – O que Deus fez por nós e o que ele espera de nós+
Por Bispo José Ildo Swartele de Mello Introdução: a) Apresentação de Pedro:
Pedro introduz a si mesmo, primeiro, como um convertido: “Simão Pedro”, ele usa o nome composto daquele que era seu nome original, como era chamado antes de seu encontro com Cristo juntamente com o seu novo nome que lhe foi dado por Jesus, apresentando-se como um testemunho vivo do Poder Transformador de Deus. Simão tornou-se Pedro!
Depois, introduz a si mesmo como “Servo”. Sinal de que nunca perdeu a humildade e a consciência de sua condição primária de servo de Cristo, que é Rei e Senhor.
Por fim, apresenta-se também como “Apóstolo”, reivindicando a autoridade proveniente do fato de ter sido testemunha ocular e discípulo direto de Cristo para combater os hereges que estão deturpando a Verdade e desviando os crentes do reto caminho. b) A importância da Verdade (o conteúdo e objeto da fé)
Pedro afirma que boa parte de seu ministério consiste em relembrar os cristãos daquilo que eles já sabem (1.12). Ele sente a urgência em repetir continuamente as mesmas verdades (2.13 e 15; 3.1,2 e 8). Às vezes, não nos sentimos inspirados a falar sobre temas que consideramos batidos, muitos chegam a sentir a tentação em sair a caça por novidades místicas e esotéricas que possam atrair multidões. Mas não devemos nos desviar da verdade. Os ensinos cristãos merecem e precisam ser repetidos. Pregadores fiéis e competentes aprendem a ensinar coisas antigas de modo novo e interessante.
Verdade baseada em fatos históricos e testemunhas oculares e não em lendas ou especulação filosófica (1.16)
Pedro quer que as pessoas creiam e ajam não simplesmente porque tais ensinos fazem parte de nossa confissão e herança religiosa, ou porque contém coisas boas e sábias, mas, sim, porque são verdadeiros!
Verdade baseada em revelação bíblica: “Porque nunca jamais qualquer profecia bíblica foi dada por vontade humana, entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.”
Precisamos nos dedicar ao estudo da Bíblia e da teologia para melhor poder ensinar. Toda prática, experiência e ensino devem estar firmemente calcados na Palavra da Verdade! Para nós, como cristãos, não importa se funciona, se dá resultado, se promove o crescimento da igreja, pois, o que importa mesmo é se está de acordo com a Verdade revelada nas Sagradas Escrituras.
Pedro está preocupado com as heresias destruidoras daqueles falsos profetas e mestres que deturpam os ensinos de Paulo e as demais Escrituras(2 Pe 3.15-16), transformando a graça de Deus e a liberdade cristã em libertinagem (2 Pe 2.2, 10, 13-19).
1) O que Deus fez por nós?
Carta endereçada aqueles que “receberam a fé”
“Fé” que significa: o ato de crer propriamente dito e a substância e conteúdo do que é crido “Pela Justiça de Nosso Deus e Salvador” (1.1).
Interessante notar que Pedro atribui a salvação não apenas à misericórdia, mas também à fidelidade e justiça de Deus, que é fiel e justo para perdoar os nossos pecados por causa da obra expiatória de Cristo, o Justo e Justificador, que é a propiciação pelos nossos pecados (1 Jo 1.9; 2.1-2)
Deus chama e capacita.
“Deus nos concedeu todas as condições necessárias para a vida e a piedade” (1.3). Assim como faz cair a chuva, propiciando por sua graça as condições necessárias para que a terra produza os seus frutos (Hb 6.7).
Deus nos chama através de sua glória e virtude. A glória de Deus atrai e conquista. Exemplo: 1) Moisés (Ex 33.19-19 e o cap. 34 mostra Moisés vendo a glória de Deus protegido na rocha); 2) Pedro testemunhou a transfiguração, 3) “Vimos sua glória cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14).
Através de sua glória e virtude, Deus nos deu grandes e preciosas promessas.
Quais são estas promessas?
Não são promessas mundanas, efêmeras e falsas, tais como: “trabalhe duro e você prosperará”; “economize e você terá uma aposentadoria tranquila”, pois, promessas deste tipo, frequentemente, não se cumprem devido a diversos fatores como desemprego, crises econômicas, traição, enfermidades, acidentes, morte precoce. Na melhor das hipóteses, tais conquistas são transitórias. (Não acumuleis tesouros na terra… Louco, hoje, pedirão a tua alma e o que tens preparado para quem será?… De que aproveita ao homem ganhar o mundo todo e perder a alma… Tudo é vaidade!)
As promessas de Deus são preciosas e eternas: Vida Eterna, Ressurreição, Céu, Dom do Espírito, que estaria conosco até o fim, participar da natureza divina, tornar-se filho de Deus.
“Participar da natureza divina” (1.4)
O que não significa tornar-se deus, pois Deus é único, e nem significa ser absorto em Deus numa espécie de panteísmo, mas tem a ver transformação moral, “Deus nos concedeu todas as condições necessárias para uma vida de santidade e piedade “ (1.3), para vivermos como filhos de Deus, e para “escaparmos da corrupção deste mundo” (1.4). O Evangelho é poderoso não apenas para perdoar, mas também para transformar, pois Deus já nos deu tudo de que precisamos para um novo viver.
2) O que devemos fazer, agora?
“Por isso, façam todo o esforço”… (1.5)
O trabalho de Deus a nosso favor e em nós deve ser a base e o incentivo para o nosso próprio esforço para o crescimento espiritual. Deus nos deu graça e todas as condições para a vida e a piedade (1.3), “por isso” devemos nos esforçar para cumprir a nossa parte. Paulo ensinou mesmo a Igreja de Corinto “Caríssimos, já que temos tais promessas, vamos purificar-nos de toda mancha do corpo e do espírito. E levemos a cabo a nossa santificação no temor de Deus” (2 Co 7.1). Assim, compreendemos melhor o que Jesus quis dizer com a frase:
“…o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele”
(Mt 11.12) e também o que está registrado em Lucas 13.23-30 “E alguém lhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos? Respondeu-lhes:
Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão”.
Jesus advertiu seus discípulos dizendo: ” Se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus (Mt 5.20).
“Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” Fl 2.12, pois “…de Deus somos cooperadores” (I Cor 3.9). “Empenhem-se para serem encontrados por ele em paz, imaculados e inculpáveis” (2 Pe 3.14). “Não sabeis que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? correi de tal maneira que o alcanceis” (1Co 9.24,25). “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus” (Hb 12.14-15).
Devido ao fato de Deus já ter nos dado gratuitamente todo o necessário para uma vida piedosa, inclusive preciosas promessas e a participação na natureza divina, devemos agora nos esforçar para fazer nossa parte no aprimoramento das 8 virtudes cristãs aqui mencionadas:
8 Virtudes a serem nutridas e aperfeiçoadas em nós: fé, virtude moral, conhecimento (discernimento moral e espiritual), autocontrole (comida, bebida, sexo, comunicação, temperamento, uso do tempo (2 Tm 1.7), perseverança (na fé, na esperança e no amor em meio as provações), piedade (temor e reverência decorrentes da consciência da presença de Deus em toda a esfera da vida), afeto mútuo e fraterno e, por fim, o amor que é a essência de Deus.
Começamos pela fé e terminamos no amor! “Sem fé é impossível agradar a Deus” e o amor é o Grande Mandamento, a essência de Deus e o sinal do verdadeiro cristão “…Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor… e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele” (Jo 4.8,16).
Não é errado questionar nossa experiência de salvação:
Pois o próprio Paulo exorta: “Examinem-se para ver se vocês estão na fé; provem-se a si mesmos. Não percebem que Cristo Jesus está em vocês? A não ser que tenham sido reprovados” (2Co 13.5). E João escr eveu seu livro para levar certeza para os salvos, afirmando que existem frutos como evidência para a salvação: “Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos aos irmãos. Quem não ama permanece na morte” (1Jo 3.14); A fé salvadora é aquela que opera por meio do amor (Gl 5.6), pois a “fé sem obras é morta” (Tg 2.26); crentes sem frutos não encontram base para segurança da sua salvação (Jo 15.2). Temos que entender que a natureza da salvação não se resume a justificação, mas também inclui regeneração, santificação e, por fim, glorificação.
Fomos chamados para ser e fazer discípulos e não apenas “crentes” Pedro combate a heresia de que é possível aceitar a Jesus apenas como Salvador, mas não necessariamente como Senhor, apenas pela fé, sem que seja necessário o arrependimento, o erro de pensar ser possível ser apenas “crente” sem ser discípulo, ensinando também que não seria necessário tomar cuidados para conservar e desenvolver a salvação. Mas a fórmula correta para a salvação é fé + arrependimento. A razão porque um só destes elementos é citado em alguns textos deve-se ao fato do outro já estar implícito, como no caso da conversão do centurião em Atos 16. Salvação envolve tanto justificação quanto regeneração. Não se pode ter um sem o outro (Tt 3.5-7). Jesus nos enviou para fazer discípulos e não apenas “crentes” ou cristãos nominais, batizando e ensinando a obedecerem tudo o que Jesus ordenou (Mt 28.18-20).
Salvação e discipulado são idênticos.
Responder ao chamado de Cristo é tornar-se Seu discípulo.
O Novo Testamento enfatiza o Senhorio de Cristo e o discipulado. São 664 registros de Jesus como Senhor e 24 como Salvador; e 284 vezes aparece o termo discípulo e 3 vezes o termo cristão. Sendo artificial qualquer distinção entre discípulo e cristão (At 5.14; 6.1). Evangelismo que omite a mensagem de arrependimento e o preço do discipulado não merece ser chamado de Evangelho. Fé e obediência são inseparáveis. Paulo escreveu a Tito a respeito daqueles que professam conhecer a Deus, mas que por sua desobediência provam sua falta de fé (Tt 1.16). Para ser salvo a pessoa precisa confessar o senhorio de Cristo (Mt 7.21-23; Lc 6.46-49, Rm 10.9, 13, 1 Co 12.3). É necessário renunciar ao ego, como exortou Jesus “Se alguém quiser ser meu discípulo, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará. Pois que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? (Mt 16.24-26). Jesus não pode ser Salvador sem Ser Senhor. Ele é Senhor, e aqueles que o rejeitam como Senhor não podem usá-lo como Salvador. É necessário tê-lo como Senhor e não apenas Salvador, arrependimento e não apenas fé, ser discípulo e não apenas crente, segui-Lo e não apenas encontrá-Lo, obedecê-lo e não apenas amá-lo da boca pra fora, tornar-se uma bênção, e não apenas receber as bênçãos, dar e não apenas recceber, amar e não apenas ser amado, perdoar e não apenas ser perdoado, esforçar-se e não apenas esperar em Deus, multiplicar o talento e não apenas preservá-lo, buscar o Reino e não apenas aguardar, permanecer e não apenas iniciar o caminho, vencer e não apenas apenas contemplar a vitória de Cristo e dos heróis da fé, tudo isto com a capacitação do Espírito gracioso de Cristo.
Devemos ser frutíferos, senão…
As 8 virtudes mencionadas por Pedro não são um fim em si mesmas “porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais inativos, inúteis e nem infrutíferos” (v.8). “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.20). “Pois aquele que não possuem estas virtudes é cego e míope e esqueceu da purificação de seus pecados” (v.9).
Precisamos tomar cuidado para confirmar o nosso chamado e eleição, precisamos cuidar para não tropeçar (v.10), pois é desta maneira que nos será amplamente suprida a entrada no reino eterno (v.11). “Aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mc 13.13; Jo 8.31), “ao vencedor, que guardar até o fim as minhas obras…” (Ap 2.26). E Paulo disse: “. . . mas esmurro o meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser reprovado. . . ” (1 Co 9.27). No capítulo seguinte, ele diz que a incredulidade do povo de Israel no deserto, a idolatria e os pecados morais que os israelitas cometeram, acabaram atraindo o juízo de Deus, de modo que a maioria dos israelitas ficaram reprovados e prostrados no deserto (1 Co 10.1-5). Paulo adverte que essas coisas serviram de exemplo para nós que fazemos parte da Igreja (1 Co 10.6). Ele disse em 1 Co 10.14 – “Amados, fugi da idolatria”. Fica claro que Paulo tinha a preocupação de que a Igreja de Corinto agisse tal como os israelitas e, conseqüentemente fosse reprovada. Veja 1 Co 10.11 – “Essas coisas lhes sobrevieram como exemplos, e foram escritas para advertência nossa. . .” e “Aquele, pois, que pensa estar em pé, cuide para que não caia” (1 Co 10.12). “Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará: e o apanham, lançam no fogo e o queimam” (Jo 15.6).
Por esta razão é que Pedro também adverte nesta mesma carta: “Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, foram outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviaram-se do santo mandamento que lhes fora dado. Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao lamaçal” (2 Pe 2.20-22). O autor de Hebreus também adverte para o risco de se perder a salvação e da necessidade da perseverança para se alcançar a promessa (Hb 6.4-8, 12; 10.26-38). O autor de Hebreus apresenta uma boa ilustração sobre o relacionamento da graça de Deus e as boas ações humanas, demonstrando que aqueles que recebem a graça devem produzir os respectivos e esperados frutos: “Porque a terra que absorve a chuva que frequentemente cai sobre ela e produz erva útil para aqueles por quem é também cultivada recebe bênção da parte de Deus, mas, se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada e perto está da maldição; e o seu fim é ser queimada” (Hb 6.7-8). Esta é a mesma lição que Jesus dá nas parábolas do Talentos (Mt 25.14-30), dos Lavradores Maus (M 21.17-44), Servo Infiel (Mt 24.45-51; Lc 12.35-48), Dez Virgens (Mt 25.1-13), Julgamento das Nações (Mt 25.31-46), Parábola da Figueira infrutífera (Lc 13.6-9). O ensino é claro, quem não multiplica o talento, os lavradores maus, os servos infiéis, as virgens imprudentes, os mau feitores, a figueira infrutífera, o que não está dignamente trajado (Mt 22), o que é morno em sua conduta e devoção cristã (Ap 2.15-16), todos estão sujeitos à condenação no juízo final. O ramo, mesmo estando ligado a Videira Verdadeira, se não der fruto, está pronto para ser cortado e lançado fora (Jo 15.2), assim também o sal que se tornar insípido e imprestável é jogado fora (Mt 5.13), e aquele que é morno em sua conduta cristã está prestes a ser vomitado por Deus (Ap 2.15-16).
Onde foi parar o Temor do Senhor?
A Bíblia dá muita ênfase ao temor do Senhor tanto no Antigo como também no Novo Testamento. Foi a primeira coisa que Deus exigiu de Israel quando o chamou para ser seu povo e andar condignamente (Dt 10.12,13). Devemos temê-lo pois Deus é Santo, reto, justo, imenso, todo poderoso, majestoso e esplendidamente belo e incomparável: “Quem entre os deuses é semelhante a ti, Senhor? Quem é semelhante a ti? Majestoso em santidade, terrível em feitos gloriosos, autor de maravilhas?!” (Ex 15.11). Pedro está lidando com esta falta de temor a Deus: “Em primeiro lugar, vocês devem saber que nos últimos dias aparecerão pessoas que zombaram de tudo e se comportarão ao sabor de seus próprios desejos” (2 Pe 3.3). Quando não há o devido temor a Deus, as pessoas sentem-se livres para pecar. Deus é santo, mas as pessoas não estão dando a devida atenção a questão do pecado, que é algo tão contrário a natureza divina. Não há mais temor do Juízo Final. Mas Pedro adverte: “O dia do Senhor chegará como um ladrão, e então os céus se dissolveram com estrondo, os elementos se derreteram, devorados pelas chamas, e a terra desaparecerá com tudo o que nela se faz. Em vista dessa desintegração universal, qual não deve ser a santidade de vida e piedade de vocês, enquanto esperam e apressam a vinda do Dia de Deus? Nesse dia, ardendo em chamas, os céus se dissolverão, e os elementos se fundirão consumidos pelo fogo.” (2Pe 3.10-11). É de arrepiar também a descrição do grande dia da Ira de Deus, quando os impenitentes clamaram aos montes e as pedras, dizendo: “desmoronem por cima de nós, e nos escondam da Face daquele que está no trono, e da ira do Cordeiro. Pois chegou o grande Dia da sua ira. E quem poderá ficar de pé?” (Ap 6.12-17).
Hoje em dia, há uma falta de temor tão grande, que tem até muito crente falando como se fosse divertido encontrar o olhar do Deus Todo Poderoso. Quanta irreverência! É melhor pensarem com mais seriedade. Deus não é brincadeira. Onde foi parar a percepção da sublime majestade de Deus? Como bem observou Pratney em seu livro A Natureza e o Caráter de Deus (Editora Vida, 2004, p.290): “Estão tratando Deus como se ele fosse uma amigo informal e mortal, aproximando-se dele de forma superficial, com a irreverência de um tapinha nas costas. As pessoas pensam pouco ou nada ao blasfemar seu nome repetidamente em uma conversa comum, os comediantes zombam dele publicamente numa toada profana, e a mídia lida com questões de vida ou morte como se o julgamento e a eternidade fossem mitos populares e simples entretenimento ameno. Não há senso apropriado algum de deferência e honra, nenhuma sensibilidade à dignidade e à glória de Deus.” No entanto, o profeta Isaías diante de uma visão de Deus, gritou: “Ai de mim!” (Is 6.1-5); o Apóstolo João, apavorado, caiu como se estivesse morto ao contemplar o fulgor glorioso da face de Cristo (Ap 1.16,17); e os que foram para prender Jesus, recuaram e caíram por terra quando ele disse: “Eu sou” (Jo 18.6); os anciãos se prostraram cinco vezes diante daquele que está assentado no trono (Ap 4.10), a voz do Senhor é poderosa e majestosa como trovão e faz tremer o deserto (Sl 29.3-8) e é também sublime a ponto de fazer arder os corações dos discípulos no caminho de Emaús! (Lc 24.32).
Pedro está procurando em sua carta restaurar o temor do Senhor, sabendo que este temor afasta os homens do mal. Ele chama atenção para o juízo de Deus que é certo sobre os perversos (2 Pe 2.3-22 e ver também 1 Pe 4.17). Paulo, semelhantemente adverte: “Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá. Quem semeia para a sua carne, da carne colherá destruição; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos” (Gl 6.7-9). O temor do Senhor ainda é o princípio da Sabedoria e o conhecimento do Santo ainda é entendimento! (Pv 9.10).
Conclusão:
Tendo Deus nos concedido tudo o que necessitamos para a vida cristã, portanto o cristão precisa fazer a sua parte, começando pela fé que é a porta de entrada para o desenvolvimento das virtudes morais que, nutridas em nós, confirmam nosso chamado e nos garantem a entrada nos céus. Podemos dizer que a salvação é dádiva de Deus, recebida por fé e mantida e desenvolvida com cuidado, dedicação, empenho e perseverança pessoal possibilitados pela capacitação do Espírito Santo. Como disse Andrew Murray “Em primeiro lugar, preciso aceitar, confiar e regozijar-me na obediência de Cristo para cobrir, engolir e aniquilar terminantemente toda minha desobediência. Essa precisa ser a base inabalável, invariável, jamais esquecida, da minha aceitação por Deus. E, depois, a obediência dele torna-se o poder de vida da nova natureza em mim – assim como a desobediência de Adão era o poder que me governava até então. A minha sujeição à obediência é a única maneira que posso manter a minha relação com Deus e com a justiça. A obediência de Cristo à justiça é o único começo de vida para mim; minha obediência à justiça é sua única continuação. Tão certamente como a desobediência e a morte foram a lei para Adão e sua semente, a obediência e a vida o são para Cristo e sua descendência.”
“Portanto, amados, sabendo disso, guardem-se para que não sejam levados pelo erro dos que não têm princípios morais, nem percam a sua firmeza e caiam. Cresçam, porém, na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, agora e para sempre! Amém.” (2 Pe 3.17 e 18)
Mensagem do Bispo José Ildo Swartele de Mello Bibliografia:
Carson, D. A. Becoming conversant with the emergin church.
Pratney, W. A.
A Natureza e o Caráter de Deus: A magnífica doutrina da salvação ao alcance de todos. Tradução Marson Gudes. São Paulo, Editora Vida, 2004.
Será mesmo que Deus quis assim?+
José Ildo Swartele de Mello Reflexão sobre soberania de Deus e a liberdade humana.
Em favor de uma ação proativa regada por muita dependência de Deus e que nos livre da acomodação e do fatalismo de um lado e da autossuficiência presunçosa de outro.
As frases que a gente ouve por aí
É muito comum hoje me dia, mas muito comum mesmo, você ouvir uma pessoa falando para a outra, coisas desse tipo: não se preocupa não, a vontade de Deus vai acontecer; foi Deus que quis assim – quando algo já aconteceu. Não podíamos evitar? O que fazer agora, a não ser nos rendermos aos desígnios de Deus? Já estava escrito!
Não é muito comum frases dessa natureza?
A vontade de Deus se cumpre automaticamente?
A questão que a gente levanta agora é: será que estas frases se aplicam a todos os casos? Será que tudo, absolutamente tudo que acontece é vontade de Deus?
Será que a vontade de Deus se cumpre automaticamente nas nossas vidas? Na nossa história, de modo que, não importa o que aconteceu, não importa o que vai acontecer – tudo é vontade de Deus. Será? – E aí? Pára pra pensar.
Quanta gente, mas quanta gente mesmo não está acomodada, não está se escondendo, escondendo o seu medo, escondendo a sua preguiça atrás da celebre frase: “Deus quis assim”! Mas pense bem, será que poderia ter sido diferente?
Por que é que Jesus Cristo nos ensinou a orar: “venha a nós o teu Reino, seja feita a tua vontade aqui na terra, assim como ela é feita no céu”? Se a vontade de Deus fosse algo que se estabelecesse, que acontecesse de maneira automática, por que é que nós precisaríamos orar, pedindo a Deus que sua vontade se realize? Por que razão teria Jesus ensinado seus discípulos a pedirem que o Reino de Deus viesse a eles se tudo o que acontece, fosse, afinal de contas, fruto, produto da vontade de Deus?
Por que é que teríamos que buscar em primeiro lugar o Reino de Deus? E por que se faria necessário inúmeras exortações para que façamos a vontade de Deus? Para que tantos discursos convocando e conclamando o povo ao arrependimento, a obediência, a busca da vontade de Deus, se a vontade de Deus fosse uma coisa que acontecesse sempre? A gente não precisaria nem buscar! A gente não precisaria nem se preocupar com essas coisas! Pois toda a vontade divina estaria predeterminada a acontecer de um jeito ou de outro. Neste caso, nós não passaríamos de marionetes nas mãos do Criador ou atores a desempenhar um papel previamente escrito. Mas, se Jesus nos ensinou a orar pedindo, clamando e buscando a vontade de Deus, é porque, se não o fizermos, o resultado será diferente. Ou seja nossa ação é bastante relevante neste processo de construção do futuro.
O que a história bíblica mostra
Era a vontade de Deus ou não era de que Adão e Eva morassem num paraíso? Mas, por desobediência, Adão e Eva foram expulsos do paraíso. – Foram expulsos por que Deus quis assim? Foi este o plano original de Deus? Foi para isto que Deus criou Adão e Eva? Os criou para pecarem? Os criou para a desobediência? Os criou para um dia os expulsarem do paraíso? Reflita sobre isto. Poderia ter sido diferente! – Mas foi? – Não! Era vontade de Deus que uma coisa acontecesse – que eles vivessem no paraíso em obediência a Deus, desfrutando da comunhão com Deus e com toda a criação. Mas, entrou o pecado, entrou a rebelião.
Não era da vontade de Deus, também, que povo hebreu, que foi liberto, milagrosamente do Egito, entrasse em Canaã e possuísse a Terra Prometida?
Era ou não era a vontade de Deus? E o povo entrou? – Com exceção de Josué e Calebe, todo o povo pereceu no deserto por causa do pecado.
Não era a vontade de Deus que Moisés entrasse na Terra Prometida? – Era, mas, Moisés também cometeu um pecado, que o impediu de entrar.
Era vontade de Deus, que o Templo fosse destruído, que Jerusalém fosse queimada e que milhares morressem e outros tantos fossem escravizados? Ah, jamais foi vontade de Deus algo horrendo assim. Mas isso aconteceu em decorrência das decisões humanas, contrariando a vontade de Deus.
Foi vontade de Deus a Primeira e Segunda Guerras Mundiais? As mortes, os assassinatos? É vontade de Deus que alguém repita de ano? É vontade de Deus que alguém passe miséria? É vontade de Deus que alguém se prostitua? É a vontade de Deus que as pessoas estejam nas drogas? É a vontade de Deus que as pessoas estejam distantes, cada dia mais distantes de Deus?
Professamos que Deus existe, mas vivemos como se não
Muitas vezes professamos: Deus existe! Mas vivemos como se ele não existisse. Ignorando a sua palavra, ignorando as Escrituras Sagradas.
Por falar nas Escrituras, é vontade de Deus que você leia a Bíblia ou não? É vontade de Deus que você conheça e maneje bem a palavra da verdade ou não? Mas, quantos de nós conhecemos a Bíblia como a palma de nossa mão? Quantos de nós valorizamos as Escrituras Sagradas? Então, aquilo que muitas vezes é vontade e propósito de Deus para as nossas vidas, encontra em nós mesmos impedimento e obstáculo para se cumprir. A vontade de Deus, e nós sabemos muito bem, não se realiza instantânea e automaticamente no mundo. Nem mesmo nas nossas vidas.
Dois perigos: autossuficiência e acomodação
Dois perigos: A autossuficiência de um lado; acomodação do outro. Os crentes vivem sempre correndo o risco de cair em um desses pecados.
Tem um texto maravilhoso que diz: “(…) se o SENHOR não guardar, em vão vigiam as sentinelas” (Sl 127.1). Esse texto é muito equilibrado, de modo a ajudar a gente a ficar longe do perigo da autossuficiência, achando que tudo depende de nós, ou seja, que agora é tudo por nossa conta e risco. Que nós não precisamos de Deus. Que nós não dependemos de Deus, mas somente de nossa capacidade, instrução, esperteza, sabedoria, habilidade, experiência, contatos, recursos e bens materiais. De tudo aquilo que amealhamos em termos de cultura, de saber, de relacionamentos.
Mas, na verdade, não dependemos destas coisas e nem de nós mesmos. “Nossa suficiência vem de Deus!”. Precisamos ser humildes para reconhecer que não estamos com esta bola toda, tipo, “eu faço e aconteço” e que não somos senhores do nosso próprio destino. Então, tem muita arrogância, muita petulância, muita autossuficiência. Muita gente se achando. Muita gente desprezando a ajuda do Senhor. Muita gente está estribada no seu próprio conhecimento, no seu saber, nos seus recursos e em tudo o que domina. Esse é um perigo. E para esse perigo tem um versículo: “se o Senhor”, sim, “se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os operários. Se o Senhor não guardar, em vão vigiam as sentinelas”. E, depois diz: não adianta acordar de manhã cedo. Deitar tarde. Trabalhar, dar um duro danado.
Nada do esforço humano redundará em algum fruto se não houver a benção de Deus.
Isso é uma rasteira na nossa autossuficiência. Dependemos da ajuda de Deus:
“Se não fora o Senhor que esteve ao nosso lado, ora diga Israel!” (Sl 124).
O perigo da acomodação fatalista
Agora, tem um outro perigo é o da acomodação oriunda de um conceito fatalista, que atribui tudo aos desígnios de Deus. A gente diz assim: “Ah, a gente depende mesmo é da proteção do Senhor. Não é mesmo? Então, nem vou trancar a porta de casa.
Nem vamos ter de vigiar. E nem precisamos de guarda na rua”. Esse não seria o outro extremo? O extremo da acomodação. – Ah, deixa tudo por conta de Deus! A vontade de Deus vai se cumprir automaticamente. O Senhor guarda automaticamente. Tem gente que pensa assim. – Eu não preciso fazer nada, Deus vai fazer tudo por mim!
Os preguiçosos e acomodados costumam se deleitar com o texto que diz que aqueles que são de Deus, que são amados por Deus, recebem bênçãos mesmo quando estão dormindo (Sl 127.2) Aí, os acomodados abrem aquele sorriso e falam assim:
“não preciso nem trabalhar. O negocio é dormir, pois quanto mais eu durmo, mas Deus me abençoa”. Este é um grande equívoco, mas tem gente que lê a Bíblia muito mal. Tem gente que é analfabeto em Bíblia. Aliás, tem gente que lê a Bíblia de maneira seletiva, como uma caixinha de promessas – “vamos ver o que Deus tem pra falar comigo hoje”. Então, abre em qualquer lugar, começa a ler e diz – “não, isso não pode ser”. E segue procurando até achar alguma coisa que julga interessante para si; – “Oh! Senhor, obrigado!… Agora sim, o Senhor está falando comigo! Esta, sim, é palavra de Deus para mim. Já, aquela lá era Palavra de Deus para o meu vizinho chato”.- “Aqui está uma Palavra de Deus boa para a irmã Maria ou para o irmão João, sim, eles é quem precisavam ouvir isto”. Então, essa maneira de ler a Bíblia é muito complicada.
Precisamos entender o que o texto bíblico quer nos comunicar. O Salmo 127 não é um convite a preguiça. A questão é a seguinte: tem gente que não guarda o dia do Senhor. Tem gente que trabalha de domingo a domingo. Tem gente que não tem parada. Tem gente que é workaholic, ou seja, um viciado em trabalho. Tem gente que acha que tudo depende dele, como certo pai de família que diz: “Ah, vocês ficam orando aí, mas quem traz o pão pra dentro de casa sou eu”. Muito arrogante achar que Deus não tem participação nenhuma no processo.
Este espírito petulante de autossuficiência acaba distanciando o homem de Deus e leva ao estresse e ao esgotamento físico e emocional.
Deus vai abençoar a gente até no dia do nosso descanso, porque a vida do cristão precisa ser uma vida equilibrada, com pausa para descanso semanal. A cada sete dias um é de descanso. Um é consagrado especialmente ao Criador. Um é dedicado para adorar a Deus. Um dia para eu declarar que não dependo única e exclusivamente do meu esforço, do meu trabalho da minha competência, eu dependo de Deus, eu honro a Deus nesse dia. E não preciso sacrificar minha hora de descanso para ser bem sucedido. Posso dormir adequadamente confiando na providência divina.
Eu descanso no Senhor. Deus está abençoando a gente de noite. Já está cuidando dos nossos negócios. Já está indo à frente. Como diz o Salmo 46, o Senhor se antecipa, providenciando socorro para os desafios do dia mesmo antes do sol nascer.
“Se o Senhor não guardar, em vão vigiam as sentinelas”, mas a sentinelas precisam estar em seus postos fazendo a sua parte. Nossa própria ação de plantar e edificar se dá na certeza de que nosso trabalho não é vão no Senhor, pois ainda colheremos os frutos do nosso penoso trabalho. Deus não abençoa e não recompensa o preguiçoso. Jamais. “Vai ter com a formiga, oh preguiçoso”, diz o Senhor. Que estória é essa de não estudar e querer passar de ano, de não trabalhar e querer prosperar?
Meus amados irmãos, o vigia tem que estar acordado na hora do seu turno. Tem que estar em pé, fazendo o seu trabalho, contando com a cooperação de Deus.
“Os planos de Deus não podem ser frustrados”
Os planos de Deus não podem ser frustrados – Diz Jó 42.8. – Mas e aí, como é que fica? Se os planos de Deus não podem ser frustrados, então, tudo vai ser como Deus quer que seja?! – Não, não é bem por aí. Pois, devemos considerar o seguinte:
Não era plano de Deus que o povo de Israel um dia possuísse a Terra Prometida? – Era plano de Deus! – Aquela geração, por desobediência não herdou. Mas somente Josué e Calebe e os descendentes daquela geração herdarão a promessa. Podemos entender que o plano geral de Deus se cumpriu, embora os instrumentos e os meios possam variar. Outra coisa, quando Deus libertou o povo do Egito, o caminho e a trajetória até Canaã era uma trajetória relativamente curta, mesmo com uma multidão de mais de um milhão de pessoas, eles poderiam fazer isso facilmente, andando vagarosamente, dando muita pausa, no máximo em dois anos. Mas, devido a incredulidade e desobediência, o povo levou quarenta anos para pisar em Canaã. O propósito de Deus, os planos de Deus não são frustrados, mas os prazos podem ser alterados. Os personagens podem mudar. Você está entendendo o que eu quero dizer com isso?
Então, há muita coisa em jogo, e a gente tem de parar de ser passivo ou meramente reativo. A gente tem de começar a ser proativo. Deus gosta de gente que toma iniciativa, que toma posição. Que decide, que escolhe. Que busca.
“buscar-me-eis”, diz o Senhor, Isaías capítulo 55 e Jr 29.11, “e me achareis, quando me buscardes de todo o coração”. Está reparando? – Você já buscou a Deus de todo o coração? – Você sabe o que é buscar a Deus de todo o coração? – Você acha que vai ser abençoado automaticamente? Diz a Palavra de Deus: “buscar-me-eis e me achareis”, ou seja, Deus se esconde e se revela a quem ele quer, e ele está colocando uma condição para ser encontrado.
Quando ele vir que as suas criaturas estão o buscando de todo o coração, ele se manifestará a elas. A bênção de Deus não se derrama no coração do homem de maneira instantânea, de maneira automática. Há muita diferença entre quem obedece e quem não obedece, entre quem busca e quem não busca. Entre Pedro e Judas.
Somos chamados a ser cooperadores de Deus
Diz a Palavra de Deus, que é vontade de Deus que nós sejamos cooperadores com ele (1 Co 3.9). Cooperar com Deus é entrar numa parceria com sua vontade. Ele quer que nós façamos determinadas coisas. Ela quer que o vigia, vigie. Ele quer que o trabalhador da obra, trabalhe. Deus não vai construir a casa sozinho, porque Ele, há muito, decidiu que não deveria ser assim! Porque Deus escolheu realizar muitas coisas contando com a cooperação dos homens.
Quando Deus quer agir através de seu povo, ele busca alguém que se coloque na brecha. Ele busca alguém que seja obediente, alguém que atente para a sua palavra.
Se queremos ver algo construído, não podemos esperar que esse algo aconteça por um milagre de Deus, instantaneamente, quando Deus nos deu dons e talentos para tanto. Quando recebemos da parte de Deus, inteligência.
Quando recebemos da parte de Deus, sabedoria. Técnica. Quando recebemos da parte de Deus, mãos, pernas, boca, olhos. Deus quer que façamos bom uso dos talentos que ele nos concedeu. Deus pedirá conta de cada um dos talentos concedidos as suas criaturas. Quer você goste disso ou não, quer que você creia nisso ou não, você foi criado por Deus, você é criatura de Deus, e recebeu de Deus muita coisa, e Deus vai pedir contas do uso que você tem feito de todas essas ferramentas que ele bondosamente lhe conferiu. Deus quer que façamos render o nosso talento. Deus quer que nós façamos bom uso dele de modo que venham a se multiplicar em muitos frutos. Não podemos esperar que Deus faça tudo por nós. Deus não quer que seja assim, Deus espera muito de nós. Deus pede muito de nós. Deus conta conosco para muita coisa. O apóstolo Paulo disse, inclusive em relação à pregação do Evangelho: “todo o que invocar o nome do Senhor, será salvo, mas como invocarão o nome de alguém de quem eles não têm o menor conhecimento; como creram, se não há quem pregue? E como pregarão se não forem enviados?” (Rm 10).
O desejo de Deus é que as pessoas sejam salvas, mas muitas pessoas não são salvas porque nós somos negligentes. Porque a nossa boca está calada. Porque o nosso testemunho é fraco. Porque estamos esperando que as pessoas se convertam automaticamente – como se isso fosse um problema exclusivo de Deus? – Não, isso é problema nosso! – nós somos colocados nesse mundo como testemunhas de Cristo, e se nós testemunharmos para alguém – podemos salvar a vida desse alguém. Pode ser que esse alguém, mesmo diante de nosso testemunho, venha a fechar o seu coração. Aí o problema não é mais nosso, é problema dele com Deus, pois nossa parte foi feita. Mas, ai de nós se não fizermos a nossa parte. Ai de nós se pecarmos por negligência, porque Deus não vai vir do céu para converter quem quer que seja, ele enviou a cada um de nós como suas testemunhas. Está entendendo? – Somos cooperadores de Deus. Isto implica numa sinergia, em uma participação conjunta.
Será mesmo que tudo foi vontade de Deus?
Será mesmo que tudo o que aconteceu com a gente foi vontade de Deus? Quando a gente para, para olhar com mais cuidado, talvez a gente reconheça que poderia ter sido diferente se a nossa atitude tivesse sido outra. Talvez olhando assim, com mais cuidado, a gente possa aprender lições para não incorrermos em erros que venham a detonar o nosso futuro. Tem gente que pensa assim: meu negócio é apenas esperar em Deus. Este precisam ouvir o que diz o profeta Isaías a respeito do que realmente significa esperar no Senhor, algo que nada tem a ver com passividade, pois envolve ação de nossa parte, como andar, correr e até voar: “os que esperam no SENHOR renovarão as forças” (Is 40.31). A gente pensa que espera no Senhor é ficar de braços cruzados. A gente às vezes pensa que esperar no senhor é ficar lá dormindo. Tem uns que pensam que esperar no senhor é ficar parado, estático, esperando que Deus faça tudo sozinho; quando ele quer formar uma parceria conosco. Quando ele conta com a nossa cooperação. Quando a Palavra de deus diz que nós somos cooperadores de Deus.
Diz o profeta Isaías que esperar no Senhor é tudo, menos passividade. É tudo, menos inatividade. É tudo, menos preguiça, menos acomodação. Sabe o que ele diz que fazem os que esperam no Senhor? Os que esperam no Senhor voam, sim, voam! Sabe o que é voar? Voar implica em movimento. Os que esperam no Senhor voam como águia! Correm como jovens e não se cansam. Andam e não se cansam. Andam, correm e voam! Não estão parados.
Devemos fazer a nossa parte, o que está ao nosso alcance. A sentinela deve estar a postos para vigiar contando com a proteção divina. Deus não vai fazer aquilo que nós mesmos podemos fazer, ele espera que nós façamos, que nós tenhamos atitude, que nós tenhamos coragem, que nós tenhamos confiança, que nós nos esforcemos, confiados no seu cuidado, esperando na sua provisão, como alguém que planta com dificuldade, arando e cultivando a terra, na esperança de que a chuva virá, de que as condições climáticas serão favoráveis para que chegue o dia da grande colheita porque sem a bênção de Deus, em vão será todo aquele sacrifício.
Há uma esperança. Há um esperar em Deus que nos leva a ação. Eu ser bem sucedido nesta área profissional, por isso me esmero, por isso eu me preparo, por isso eu vou adiante. Eu espero, mas eu não espero sentado, eu não espero dormindo, eu espero andando, eu espero correndo, contando com a graça de Deus. Eu espero que o meu lar seja uma bênção, mas no que depender de mim, eu vou agir para que seja. Eu não vou esperar que a pessoa ao meu lado mude, eu vou ver seu eu posso mudar antes, se alguma coisa em mim pode ser mudada. Eu não vou esperar que meus filhos mudem, quando eu preciso olhar pra mim, para ver se eu posso mudar em alguma coisa para o bem do desenvolvimento deles. Eu não vou esperar que o mundo mude ao meu redor, quando as mudanças que eu posso produzir, as maiores, são aquelas que começam em mim mesmo.
Tem a teologia do Zeca Pagodinho que diz “deixa a vida me levar, vida leva eu”, mas, eu gosto mais da do Geraldo Vandré, que canta “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”! E Deus gosta dessa atitude, sabia? Está olhando pra você. Coragem! “Sê forte e corajoso!” Levanta! faça a obra de um evangelista! Seja uma bênção na tua casa!
O seu futuro não está escrito, você pode escrever com Deus uma linda história. Você não é uma tabula rasa, não é um mero produto do meio e nem um objeto passivo das determinações divinas, Deus deseja que você interaja com ele para a construção de seu futuro e para a transformação do mundo ao seu redor. Você com a ajuda do Senhor pode edificar algo bonito, “porque de Deus somos cooperadores” (1 Co 3.9).
______ http://www.youtube.com/watch?v=1NS5qcdHT9s
O que é eleição do ponto de vista bíblico?+
Conflito entre calvinismo e arminianismo
O que significa “eleição”? Significa predestinação radical? Fatalismo? Significa que alguns já estão eleitos e predestinados para o céu, enquanto que outros já nasceram sem nenhuma chance de salvação, ou seja, predestinados a condenação do inferno? Qual é a base da eleição? O apóstolo Pedro responde estas questões quando diz: “eleitos, segundo a presciência de Deus Pai…” (1Pe 1.2). Deus elege alguém baseado em sua presciência, no seu conhecimento antecipado dos fatos que estão por vir. Não podemos confundir predestinação com presciência. O conhecimento prévio que Deus tem das coisas não é o que as tornam assim existentes, antes, porque elas serão desta ou daquela maneira, Deus as conhece antecipadamente. Deus conhece as pessoas mesmo antes delas nascerem. Ele sabe como elas reagiriam diante das variadas circunstâncias da vida. Deus as escolhe baseado em sua presciência. Isto não nega o livre arbítrio do homem, pelo contrário, o reafirma ainda mais. Pois uma eleição baseada na presciência divina leva em consideração a autonomia dos seres humanos. Deus é soberano, e em sua soberania, determinou que o homem fosse um ser dotado da capacidade de escolher, sendo, portanto, responsável por seus atos, de modo a estar sujeito ao dia do acerto de contas no Juízo Final. Seria completamente sem cabimento existir um dia de juízo final se as pessoas não tivessem tido a mínima possibilidade escolha, se cada um tivesse apenas cumprido o papel teatral que lhe foi prescrito, como um fantoche nas mãos do inevitável destino.
O que é preciso endossar para aceitar o calvinismo
Para aceitar o calvinismo é preciso endossar uma série de noções teológicas incompatíveis com o caráter generoso e relacional de Deus, que desembocam em um abismo em que Deus passaria a ser o responsável pelo mal que há no mundo. Teríamos que concluir também que Deus está mentindo quando dá entender que o homem é responsável por suas ações e que a oração de súplica é uma farsa perversa, visto que o futuro é imutável e Deus não pode ser persuadido a mudar de ideia. Além de tudo isto, perceberíamos que de nada adianta pregar o Evangelho, visto que os eleitos acabarão encontrando a salvação de um modo ou de outro.
Como John Wesley bem explicou, enquanto os calvinistas acreditam em predestinação absoluta, os arminianos defendem que a predestinação é condicional. Enquanto os calvinistas professam que Deus absolutamente decretou, desde toda a eternidade, salvar tais e tais pessoas, e não outras, e que Cristo morreu apenas em favor de tais escolhidos, os arminianos defendem que Deus amou ao Mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito para que todo aquele que nele não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). De modo que Deus não tem prazer na morte do homem, antes deseja que todos venha a ser salvos (1Tm 2.4 e 2Pe 3.9). A morte de Cristo foi em favor de todos os homens. Sua obra de expiação é suficiente para salvar a todos, mas eficiente apenas para aqueles que depositarem sua confiança no Salvador. “Aquele que crer será salvo: aquele que não crer será condenado” (Jo 3.18) E para isso, Cristo morreu por todos os ímpios (Rm 5.6), todos os que estavam mortos em delitos e pecados (Ef 2.1).
Graça irresistível e perseverança infalível
Os calvinistas defendem que a graça salvadora de Deus é absolutamente irresistível e que ninguém é capaz de resisti-la assim como a um golpe de um relâmpago. Já os arminianos defendem que, embora possa haver alguns momentos em que a graça de Deus aja irresistivelmente, todavia, em geral, qualquer homem pode resistir a graça salvífica, e isso para sua eterna ruína. “Ele veio para os que eram seus, mas os seus não o receberam, mas a tantos quanto o receberem, Deus deu-lhes o poder de serem chamados filhos de Deus” (Jo 1.11). Jesus chorou sobre Jerusalém por que eles não reconheceram aquele que lhes trazia a paz (Lc 19.41).
Os calvinistas também advogam que um verdadeiro crente em Cristo não pode perder a salvação. Os arminianos defendem que um verdadeiro crente pode “apostatar-se da fé”, que ele pode cair, não apenas de modo vil, mas finalmente, de modo a perecer para sempre (Hb 6.4-1; 10.25-30).
Estes dois conceitos calvinistas, a graça irresistível e a perseverança infalível, são uma consequência natural da crença no decreto incondicional. Pois se Deus eterna e absolutamente decretou salvar tais e tais pessoas, segue-se, tanto que elas não podem resistir a sua graça salvadora e nem tão pouco vir a perder a salvação. De modo que as estas questões se resumem em se a predestinação é absoluta ou condicional. Os arminianos acreditam que ela seja condicional, enquanto os calvinistas afirmam que é absoluta.
A depravação humana é total ou parcial?
Se a depravação humana foi total ou parcial é algo difícil de definir biblicamente falando. Minha percepção é que ela não foi tão completa como muitos afirmam. Pois observo muitos sinais de bondade e justiça em muitas pessoas que ainda não experimentaram o novo nascimento. E, mesmo que a tal depravação fosse total, teríamos que considerar a graça preveniente conforme ensinada por John Wesley.
A este respeito, li um interessante texto do Dr. Adrian Rogers, em que ele começa observando que um cego precisa mais do que de luz para ser capaz de enxergar. E, que, quando jovem, costumava pensar que o seu papel como pregador era apenas o de ensinar o caminho da salvação para as pessoas. Mas logo percebeu que para uma pessoa cega a quantidade de luz é indiferente. Portanto, assim como é preciso mais do que luz para que um cego possa ver, assim também é necessário mais do que a pregação para que as pessoas possam ser salvas, pois somente o Espírito Santo pode convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo. Por esta razão a igreja deve orar sem cessar em favor da conversão de almas, sabedora da dependência que temos da unção do Senhor para abrir os olhos dos cegos para a realidade do Evangelho de Cristo.
Ele arremata dizendo que o homem caído é cego espiritualmente e, portanto, carece de visão. Como ouvimos que não há quem busque a Deus, aprendemos das Escrituras que Deus toma a iniciativa de procurar o homem, que é exatamente o que os Evangelhos mostram Jesus fazendo quando o descreve buscando (Lucas 19.10), chamando (João 12.32) e batendo a porta do coração do perdido (Apocalipse 3.20). Sendo assim, é o Espírito Santo quem convence o homem (João 16.8), dando pontadas no coração (At 26.14), compungido o coração (Atos 2.37), e promovendo a abertura do coração para que este possa ser capaz de responder positivamente ao Evangelho (Atos 16.14).
A graça preveniente não é a regeneração
Esta é a iluminação da Graça Preveniente, que não deve ser confundida com a regeneração. Porque a Iluminação lida com o velho coração, enquanto a regeneração tem a ver com o novo coração. Em João 1.9 lemos que Jesus é a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina a todo homem. Paulo afirma que o Evangelho é a Luz através da qual o Espírito Santo abre os olhos dos homens (Rm 10.17). Um homem é iluminado a fim de receber o Evangelho. Um homem é regenerado depois de ter sido selado em Cristo (Ef 1.13). A regeneração se dá através do lavar renovador do Espírito Santo (Tt 3.5), momento em que nos tornamos “novas criaturas” em Cristo (2 Co 5.17), nascidas de novo, com um “coração novo” e um “espírito novo” (Ez 36.26). O calvinismo, ao contrário, ignora o claro ensino de Efésios 1.13, para ensinar erroneamente que os homens são previamente escolhidos por Deus para a salvação, de modo que o chamado e a graça sejam irresistíveis para o grupo dos predestinados. Assim, fica manifesta a clara diferença entre a graça preveniente do arminianismo e graça irresistível do calvinismo.
Eleição: antes ou depois da fé?
O calvinismo ensina que antes de crer e ser salvo é preciso ser previamente escolhido e estar preliminarmente posicionado em Cristo. Seria, então, possível estar em Cristo antes de ser salvo? Bem, para o arminiano, a ordem dos eventos está claramente apresentada em Efésios 1.13, que ensina que primeiro é preciso ouvir o Evangelho, que é uma condição para se poder crer, que, por sua vez, é uma condição para receber o selo regenerador do Espírito. A fé vem através de ouvir a Palavra do Evangelho (Rm10.17). Assim, o arminiano quer saber como o calvinista pode ensinar ser possível alguém estar em Cristo antes mesmo de crer e ser selado pelo Espírito?
O Apóstolo Paulo, em Romanos 8.1, diz que não há nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus e sabemos também que os que não creem estão debaixo da condenação (Jo 3.18). Sendo assim, seria contraditório afirmar que um incrédulo estaria em Cristo antes mesmo de sua conversão.
Se a graça fosse irresistível, como Saulo de Tarso teria sido capaz de recalcitrar contra os aguilhões (At 26.14)? E se a graça fosse irresistível, como poderia ser possível a queda e a perdição de que cristãos verdadeiros que tiveram os seus olhos iluminados para verem e experimentarem o dom celestial de modo a terem se tornado participantes do Espírito Santo, e de terem também provado a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro (Hb 6.4-6)?
Santidade e perseverança são necessárias para evitar a remoção do candelabro (Ap 2.5), para garantir o acesso ao fruto da árvore da vida (Ap 2.7), para receber a coroa (Ap 2.10), para escapar da segunda morte (Ap 2.11) do juízo da espada (Ap 2.16), do risco de ser vomitado (Ap 3.16) e de ter seu nome riscado (Ap 3.5). E o que dizer também de textos como Hb 6.4-8; 10.26-31; 12.14-15; 1Co 9.27; 2Pe 1; 3.17-18 e Jo 15.6?
“Portanto, amados, sabendo disso, guardem-se para que não sejam levados pelo erro dos que não têm princípios morais, nem percam a sua firmeza e caiam. Cresçam, porém, na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, agora e para sempre! Amém” (2Pe 3.17 e 18).
A liberdade que Deus quis conceder
Gosto muito de C.S. Lewis. Eu costumo usar argumentos semelhantes aos dele para defesa do livre-arbítrio:
Deus poderia ter criado todas as coisas programadas para darem certo. Poderia ter criado os anjos e os homens como robôs, programados para obedecerem, incapazes de se rebelarem. Mas as expressões de amor, louvor, devoção e serviço destes seres seriam artificiais e “sem graça” e sem significado real. Deus, em sua soberania, resolve criar seres angelicais e humanos com o atributo do livre-arbítrio, mesmo ciente das consequências: surgimento do pecado, crimes, doenças, guerras, fome, tristeza, etc.… Ninguém pode ser livre só para obedecer. Liberdade implica em opção e escolha. Neste mundo temos muitas opções, somos livres para escolher, portanto, quando amamos a Deus e respondemos positivamente ao seu chamado, isto é cheio de significado. Este relacionamento entre Deus e o homem é cheio de afeto. É algo tremendo! Deus criou tudo perfeito, o mal no universo existe como uma perversão dos seres angelicais e humanos, e que só pode ser entendido dentro do propósito último de Deus.
Na sua soberania, Deus decidiu nos conceder liberdade, para que nosso relacionamento com ele pudesse se revestir de especial significado porque construído na base da livre escolha e não na base de predeterminações arbitrárias e unilaterais. Não negamos nem a graça e nem a soberania. Sem Deus estaríamos mortos em nossos delitos e pecados. Por nós mesmos não podemos encontrar a salvação. A salvação é iniciativa da livre graça de Deus. O amor e a graça se manifestaram em Cristo. Deus nos amou primeiro, para que possamos responder livremente ao seu amor manifesto de modo especial na Cruz de Cristo. Arrependimento, fé e entrega são respostas adequadas ao chamado do amor divino. Alguns respondem com fé e amor enquanto outros com incredulidade, indiferença e até com ódio, por amarem mais as trevas do que a luz. A doutrina do juízo final contribui muito para fortalecer o ponto de vista de que o homem, como um ser livre, responderá pelos seus atos.
Se a salvação das pessoas fosse única e exclusivamente dependente da escolha de Deus, então, todos deveriam ser salvos, pois as Escrituras afirmam que Deus deseja que todos sejam salvos. Este é um dilema para o calvinista, mas não para um arminiano, pois, Deus não quer que o filho se perca, mas ao mesmo tempo, Deus quer que o filho seja livre para tomar suas próprias decisões. Isto explica tudo! Não é a vontade do pai manter o filho amarrado em casa, acorrentado a si. O pai concede liberdade para o filho pródigo sair de casa e está de braços abertos para acolhê-lo novamente quando este se arrepende e volta para o Pai (Lc 15).
Deus deseja que todos sejam salvos
Deus deseja que todos sejam salvos, mas nem todos cumprem as condições da graça que implicam em fé e arrependimento. Ou seja, a salvação não é algo que diz respeito a escolha unilateral de Deus, pois existe a necessidade de uma correspondência humana. Ele veio para os que eram seus, mas os seus não receberam, mas a tantos quantos o receberem, receberam o poder de serem chamados filhos de Deus (Jo 1.11-12)! Jesus disse que não veio julgar, mas, sim, salvar o mundo (Jo 3.18). Ele concluiu dizendo que o “julgamento é este, que os homens amaram mais as trevas do que a luz” (Jo 3.19). Deus ama o mundo inteiro e veio para salvar a todos (Jo 3.16), ainda que sua vontade seja a salvação de todos, esta vontade esbarra em uma outra vontade sua que é a de ter filhos livres que façam bom uso de sua liberdade para corresponderem ao seu amor. “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me”(Mt 16.24). Vemos aí um sinergismo, onde a salvação é oferecida e o chamado é feito por Cristo, e o homem reponde de acordo com a sua livre vontade. A salvação não é compulsória e a graça não é irresistível. Ele não arromba a porta com uma batida irresistível, mas bate educadamente a porta dos corações humanos e aguarda por uma resposta positiva que possa propiciar um relacionamento de amizade e amor genuíno.
“Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo”(Ap 3.10).
Bispo José Ildo Swartele de Mello
Bases da Conversão Cristã e Discipulado+
O que é uma pessoa cristã?
É a pessoa que acredita que o Deus vivo é revelado em e através de Jesus Cristo, que aceita Jesus Cristo como Senhor e Salvador, que vive obediente em comunhão com Deus, através do poder do Espírito Santo e que assume seu lugar na comunidade da Igreja cristã.
Atos 11.26 João 1.1-5, 14-18 João 14.8-11 Hebreus 1.1-3
Quem é Jesus Cristo?
A palavra Cristo vem da palavra grega que significa ungido e é comparável à palavra hebraica Messiah. Jesus é o Cristo porque em Cristo “aprouve a Deus que nele residisse toda a plenitude”, e através de Cristo “Deus reconciliou consigo mesmo todas as coisas” (Colossenses 1.19-20). O povo de Deus no Antigo Testamento esperava por um Messias prometido que estabeleceria um reino de justiça, amor e paz para o mundo inteiro. Jesus é esse Messias.
Atos 3.13-19 Atos 10.36-43 Atos 4.11-12 Colossenses 1.15-20 João 1.1-5, 14-18 João 14.8-11
Quem é o Espírito Santo?
O Espírito Santo procede de Deus e é um ser com o Pai e com o Filho, Jesus Cristo. O Espírito Santo convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo. O Espírito guia os seres humanos à sincera resposta ao evangelho e à comunhão com a Igreja. O Espírito conforta, sustém, dá poder aos crentes e os guia em sua busca pela verdade.
João 3.1-10 Romanos 8.1-17 João 4.1-30 Atos 1.6-8; 2.1-13, 32-39 João 14.14-29 1 Coríntios 3.16; 12.13 João 15.26-27 1 Tessalonicenses 5.19 João 16.12-15 João 20.19-23 (Nota: Vários nomes são usados para o Espírito Santo. Eis alguns:: Advogado, Consolador, Espírito de Verdade, Espírito de Deus, Espírito de Cristo).
O que é o convite ao discipulado cristão?
Todas as pessoas são convidadas por Deus a se arrepender, a confiar e seguir a Jesus, a aprender de suas palavras e atos e a compartilhar em sua missão, pelo poder do Espírito Santo e na companhia de outros cristãos.
Marcos 1.16-20; 3.13-15 João 20.21-22 Atos 1.8
Qual é a missão de Jesus Cristo?
Proclamar as boas novas do Reino de Deus, chamar pessoas para “ver” o reino, se arrepender, “entrar” no reino e viver obedientemente nesse reino.
Marcos 1.14-15 João 3.1-21
O que é o Reino de Deus?
Reino de Deus é Deus reinando ativa e soberanamente sobre toda a criação, sobre tudo que fez. É uma nova ordem das coisas onde antagonismos entre os povos, nações, sexos, raças e gerações são superados e um novo ambiente de justiça, amor, liberdade e paz prevalece. Apenas aquelas pessoas que se arrependem de seus pecados e aceitam a Jesus Cristo como Salvador e Senhor podem completamente “ver” e “entrar” no reino de Deus. No final, o reinado de Deus vai ser reconhecido por todos, quando Jesus Cristo retornar sobre as nuvens dos céus para julgar toda a humanidade.
1 Coríntios 15.24-28 Apocalipse 4.11 Marcos 1.14-15 Mateus 25.31-46 Filipenses 2.5-11
O que é pecado?
Pecado é a condição de alienação de Deus que afeta a raça humana inteira e resulta em rebelião contra Deus e contra o Reino de Deus. Essa rebelião leva à escravidão. Pecados são atos específicos, palavras ou pensamentos, que se originam de nossa condição pecaminosa e negam a presença e propósito do Reino de Deus.
Romanos 3.9-18, 23 Romanos 7.13-20 Salmo 51.1-5 (Nota: Várias palavras são usadas na Bíblia para “pecado”.Eis algumas: ofensa, injustiça, fracasso, infidelidade, erro e palavras semelhantes).
Quais são os efeitos do pecado?
O pecado corrompe nosso relacionamento com Deus, uns com os outros, conosco mesmos e com toda a criação. O resultado principal do pecado é a escravidão. Assim, pecado é mais que transgressão: ele é escravidão. Ele na somente nos desvia de Deus, mas também leva-nos à prisão. É mais do que um ato exterior ou hábito: é uma condição interna e profunda. Não é somente uma “doença contagiosa”, mas é um processo cumulativo relacionado às dimensões sociais e cósmicas do mundo. Ele polui não somente a nós mesmos, mas também todo e qualquer aspecto de nossa existência e contamina as estruturas da vida humana e também da sociedade.
Marcos 7.21-23 Tiago 4.1-3 Romanos 6.23 1 João 1.8; 3.4; 5.17
O que são as Boas Novas (Evangelho)?
As boas novas são que Deus agiu única e decisivamente em Jesus Cristo para tratar de nossa condição pecaminosa. Deus agiu para nos salvar, oferecendo-nos amor, graça, perdão, aceitação e a nova vida em Cristo.
João 3.16-17 Atos 10.36-43 2 Coríntios 5.17
O que é graça?
Graça é o favor sem mérito nosso e o amor supremo de Deus para todos nós. Vem da parte de Deus e é livremente dada a pessoas não merecedoras e impiedosas.
Mateus 11.28-30 Romanos 5.6-8 Lucas 15 Efésios 2.4-9 João 3.16-17
O que é salvação?
Salvação é o perdão dos nossos pecados, libertação da escravidão e o dom da nova vida em Cristo. É um processo que se inicia agora, dá a vitória sobre o pecado e morte e se completa com Deus, no céu.
Marcos 2.1-4; 10.28-31, 45 Romanos 5.15-21 2 Coríntios 5.18-21
O que é conversão cristã?
É a mudança que Deus opera em nós quando respondemos à graça de Deus em arrependimento e fé. Arrependimento e fé são as respostas que tem de ser dadas para Jesus e sua mensagem do reino. Através do arrependimento e fé, a iniciativa salvadora de Deus é traduzida em experiência humana.
Atos 26.18; 9.1-21 Efésios 4.22-24
O que é arrependimento?
Arrependimento é voltar-se do pecado em direção a Deus. É a mudança radical de vida para obedecer a vontade de Deus. É uma resposta à graça salvadora e iniciativa amorosa de Deus.
Salmo 51.1-14 Lucas 3.1-14; 15.17-20
O que é fé cristã?
Fé cristã é uma resposta a Deus, centrada e pessoal, que envolve confiança e obediência. Fé em Jesus Cristo é a confiança de que, somente através dele, Deus nos dá vida eterna.
Atos 16.29-31 Efésios 2.4-10 Tiago 2.14-26
O que fez Jesus para tornar a salvação possível?
Jesus veio para revelar Deus aos homens e para oferecer a graça de Deus. Para alcançar isso, Jesus compartilhou nossa vida e morte. Ele, sendo sendo justo, agiu em favor dos injustos, assumindo o seu castigo, morrendo numa cruz cruel, mas Deus o trouxe de volta à vida, assim derrotando morte e pecado e abrindo o Reino de Deus a todos que se arrependerem e crerem.
João 3.16-17 Colossenses 2.11-15 Romanos 5.19; 8.31-39 Filipenses 2.5 Isaías 53 1 Coríntios 15.22 2 Coríntios 5.14-18; 8.9
O que é o novo nascimento?
Novo nascimento, regeneração e conversão são termos usados para descrever o processo, tanto no aspecto instantâneo como no gradual, pelo qual somos trazidos por Deus de um estado de pecado para uma nova vida em Jesus Cristo e no qual crescemos através da inspiração e obra do Espírito Santo dentro de nós. Nascer de novo é ver e entrar no reino de Deus.
João 3.1-8; 14-17 Efésios 2.1-5
Como somos reconciliados com Deus?
Nós somos reconciliados (isto é, justificados) quando aceitamos o perdão de Deus para nossos pecados em Cristo Jesus e quando nós, através da graça de Deus, nos tornamos filhos e filhas de Deus. Deus nos restaura para um novo relacionamento. Deus faz isso por causa do que Jesus fez por nós com sua morte e ressurreição e por causa da nossa fé. Somos reconciliados quando Deus perdoa nossos pecados, nos aceita e nos declara filhos de Deus.
Romanos 5.1-2; 8.1 1 Coríntios 1.26-31 (Nota: Veja também as passagens nas questões 15 e 16).
Como nos tornamos o povo santo de Deus?
Nós nos tornamos o povo santo de Deus (isto é, somos santificados) através do poder e obra do Espírito Santo em nossas vidas. Somos feitos novos em nosso interior, somos transformados pelo amor paciente de Deus para nos assemelharmos a Cristo. Recebemos o poder para realizar a vontade de Deus e, portanto, crescermos na maturidade cristã, tanto individual como comunitariamente.
Romanos 12.1-21 Efésios 3.14-21; 4.12-16 1 Pedro 2.9-10
Como podemos saber que somos salvos?
A certeza da salvação nos é dada na Bíblia pelo testemunho íntimo do Espírito Santo, pela evidência em nossas palavras e ações e através da inspiração, ajuda e encorajamento de nossos irmãos e irmãs na comunhão da igreja.
João 10.27-30 2 Timóteo 2.11-13 Romanos 8.14-17, 31-39 Hebreus 10.23-25 Gálatas 5.19-23 1 João 1.5 – 2.6 (Nota: A Bíblia não nos encoraja a confiarmos somente em nossos sentimentos).
Quais são as marcas das pessoas que são justificadas por Deus?
Elas mostram o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, mansidão, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade e domínio próprio.
João 13.25 1 Coríntios 12.31 – 13.13 Gálatas 5.22-26
O que é a Igreja de Jesus Cristo?
A Igreja de Jesus Cristo é a comunidade mundial daqueles que foram chamados por Deus e que vivem sob o senhorio de Jesus Cristo. É uma comunidade redimida e que redime, na qual o evangelho é proclamado e os sacramentos são oferecidos. Sob a orientação do Espírito Santo, a Igreja procura prover oportunidades para adoração, crescimento na fé e testemunho para o mundo. Os metodistas livres compartilham de uma herança comum com todos os cristãos em todos os lugares que têm Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Toda igreja é um posto avançado da comunidade mundial de crentes.
Mateus 16.13-20 Romanos 1.6 João 17.18-23 1 Coríntios 1.9; 12.12-31
O que é uma igreja metodista livre?
Igreja é uma comunidade de pessoas que aceitaram a Jesus Cristo como Senhor de suas vidas. É um lugar onde o evangelho é pregado e onde os sacramentos são celebrados. A função da igreja local, sob a direção do Espírito Santo e de acordo com as Escrituras, é ajudar as pessoas a conhecer a Jesus pessoalmente como Senhor e Salvador e a viver diariamente à luz de seu relacionamento com Deus. Congregações locais metodistas livres têm a responsabilidade de evangelizar, nutrir, servir e testemunhar para sua comunidade, sua vizinhança e o mundo inteiro.
A Igreja Metodista Livre surgiu em 1860 como um movimento de Deus para alcançar e transformar o mundo fazendo discípulos e multiplicando líderes. Não pregamos apenas a salvação das almas, mas também a transformação dos indivíduos e da sociedade. A Palavra de Deus é nosso guia e modelo.
O chamado para se tornar um movimento de Deus nos campos de colheitamundo, significa:
Uma igreja focada na mensagem da cruz, na ressurreição e no Reino de Deus; Uma igreja com doutrina saudável, que integra fé e prática; Uma igreja com uma paixão santa, entregue aos propósitos de Deus; Uma igreja que se expande e se multiplica, cruzando todas as barreiras religiosas, étnicas e nacionais; Uma igreja que reflete Jesus.
Cremos que a igreja local é o instrumento de Deus para transformar a sociedade.
Mateus 26.26-30; 28.16-20 Atos 1.6-8 Marcos 14.22-26 1 Coríntios 11.17-26 Lucas 22.14-23 Efésios 4.7-16
Quais são as características distintas do movimento metodista?
Sua mensagem é resumida como:
Todos precisam ser salvos.
Todos podem ser salvos.
Todos podem saber que são salvos.
Todos podem ser salvos completamente.
Além destas características distintas, ressaltamos também:
A importância de valorizar o conhecimento intelectual e a piedade; possuir uma mente sagaz e um coração de anjo; A importância da liderança compartilhada (leiga e clériga) na vida e missão da igreja; A importância do comprometimento pessoal e da responsabilidade social; os metodistas livres sempre entenderam que o propósito da conversão cristã não é somente para tornar a alma de alguém pronta para o céu, mas também provar o primeiro fruto do céu através de uma vida de justiça, amor e misericórdia neste mundo; A importância de cantar hinos de louvor e ensinar a verdade cristã; A importância da pregação, do testemunho e da celebração dos sacramentos: A Ceia do Senhor e o Batismo; A importância de expressar gratidão pela graça de Deus, prestando serviço amoroso; A importância do desenvolvimento de congregações em grupos menores para instrução, cuidado pastoral e adoração; A importância do ardor e da ordem no que diz respeito à fé e prática; A importância de um sistema de interligação entre as congregações locais com os concílios regionais, Igreja Nacional e toda a comunidade mundial.
Quem é bem-vindo para ser membro da Igreja Metodista Livre ou outras congregações da tradição wesleyana?
Todas as pessoas que confessarem a Jesus Cristo como Senhor e Salvador e que aceitarem o desafio de servi-Lo na vida da igreja e do mundo, são bem-vindas como membros. Se ainda não tiverem sido batizados, serão batizados antes de serem recebidos como membros.
Para saber mais a nosso respeito e também para ler estudos bíblicos e para conhecer o endereço de nossas igrejas visite os sites: metodistalivre.org.br/ e imel.org.br Todos são muito bem-vindos!
Debate entre calvinismo e arminianismo (áudio do Programa Vejam Só)+
Debate sobre o primeiro dos cinco pontos do calvinismo no Programa Vejam Só tendo como representante do calvinismo o Chanceler do Mackenzie Dr. Davi Charles e como representante do arminianismo o Bispo José Ildo Swartele de Mello da Igreja Metodista Livre. Como já era de se esperar, quanto a este tópico, não houve muita discussão. A posição do Dr. Davi foi bastante razoável a respeito e houve concordância. Passamos, então a discutir questões relacionadas ao livre-arbítrio, graça-preveniente, graça irresistível, expiação ilimitada ou limitada, determinismo etc.
Neste curto debate, procurei falar a verdade em amor. Tomei cuidado para não atentar contra a unidade do Corpo de Cristo. Lembrando das palavras de Wesley: “se o teu coração é igual ao meu, dá-me a mão e meu irmão será!” O tom do debate foi muito respeitoso!
Seguem as 6 perguntas que preparei para este debate, mas só 3 foram feitas devido a limitação de tempo. Por falar nisto, até me surpreendi quando o Eber disse que o programa chegara ao fim, pois, como ele havia dito que cada um de nós faria 6 perguntas e que cada um teria 3 minutos responder a cada uma, e porque também, no final, eu só havia feito e respondido 3 perguntas, nem atentei para o relógio, e fiquei com a nítida impressão de que estávamos na metade do debate e que eu ainda teria bastante tempo para argumentar. O tempo é cruel. Só deu para arranhar o assunto!
As seis perguntas que preparei
Pergunta 1
Se os calvinistas estão certos em afirmar que o homem é totalmente incapaz de responder a Deus com arrependimento e fé, então, como interpretar os inúmeros textos bíblicos que ordenam que todos os homens se arrependam e tenham fé em Deus? tais como:
“Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam” (At 17.30).
“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente” (Tt 2.11-12).
Vinde a mim, todos os que estai cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei (Mt 11.28).
Ora, no seu último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim e beba (Jo 7.37).
Pergunta 2
Estaria Deus blefando todas as vezes que disse aos homens que eles tinham reais opções e poder de decisão? E olha que não são poucos os textos neste sentido. Um exemplo bem claro, e que aconteceu exatamente depois da Queda, é este: O Senhor disse a Caim:
“Por que você está furioso? Por que se transtornou o seu rosto? Se você fizer o bem, não será aceito? Mas se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo”. (Gênesis 4.6-8).
Pergunta 3
Como você interpreta o fato de Jesus culpar as cidades de Corazim e Betsaida por sua falta de fé e arrependimento, pois receberam milagres e manifestações da graça suficientemente fortes para crerem e se arrependerem, mas mesmo assim não creram? Sinais estes que seriam suficientes para a conversão de Tiro Sidom e Sodoma conforme as seguintes palavras de Jesus:
Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido, com saco e com cinza. Por isso eu vos digo que haverá menos rigor para Tiro e Sidom, no dia do juízo, do que para vós. E tu, Cafarnaum, que te ergues até aos céus, serás abatida até aos infernos; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje. Eu vos digo, porém, que haverá menos rigor para os de Sodoma, no dia do juízo, do que para ti (Mateus 11.21-24).
E você concorda com Jesus que o destino de Sodoma poderia ter sido completamente outro caso presenciassem os milagres que Jesus fez em Corazim, assim como aconteceu com os ninivitas que se converteram em vista do sinal de Jonas?
O rigor para Corazin será maior do que para Sodoma porque receberam mais sinais, mais graças, tiveram mais chances, mais possibilidades reais, mas, em vez de abraçarem a fé e o arrependimento, decidiram fechar os olhos, escolheram permanecer nos seus pecados.
Não fica evidente aqui que eles resistiram a graça e por isto se tornaram ainda mais culpáveis? Não é óbvio também que sua sentença está sendo agravada porque poderiam ter agido diferente diante de tantas evidências, mas, assim mesmo, resistiram a graça e não se converteram? Não fica claro aqui também que até Sodoma teria se convertido se tivesse tido a mesma oportunidade? Não é patente o fato de que Jesus está impressionado com a falta de fé dos habitantes de Corazim e Betsaida, pois tinham todas as condições para crerem e se arrependerem e mesmo assim decidiram permanecer nos seus pecados?
Pergunta 4
Em 2 Coríntios 5.11 e 20, Paulo diz: Uma vez que conhecemos o temor ao Senhor, procuramos persuadir os homens… Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus. Como você também responde ao argumento de que se Paulo fosse um calvinista ele não teria escrito isto porque saberia que os eleitos não precisam ser persuadidos e os não eleitos não podem ser persuadidos. E, ainda neste mesmo sentido, também pergunto, se, como dizem os calvinistas, já está predeterminado quem irá para o céu e quem irá para o inferno, de que vale orar em favor da conversão dos não alcançados e de que vale o esforço missionário se a minha oração e a minha pregação não produzirá nenhum mudança no quadro dos eleitos? E Por que Paulo batalharia tanto em favor da conversão de judeus e gentios? Como ele mesmo disse ter feito: “Tornei-me judeu para os judeus, a fim de ganhar os judeus. Para os que estão debaixo da lei, tornei-me como se estivesse sujeito à lei, a fim de ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, tornei-me como sem lei, a fim de ganhar os que não têm a lei. Para com os fracos tornei-me fraco, para ganhar os fracos. Tornei-me tudo para com todos, para de alguma forma salvar alguns”. (1 Coríntios 9.19-22). Se a eleição fosse incondicional e a graça e a salvação irressistivelmente oferecida, tal esforço de Paulo não faria o menor sentido. Pois, como os esforços de Paulo poderiam “ganhar mais” almas como ele diz ter ganho?
Pergunta 5
Hebreus 3.12-14 diz: Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. 13 Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado; 14-Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim.” (Hb 3.12-14 ACF) – Como poderia o soberanamente eleito, o irresistivelmente atraído eleito, se afastar de Deus? E como poderia o não eleito fazer algo que não seja se afastar de Deus? Como os calvinistas ensinam que a graça é irresistível quando há tantos textos que mostram o contrário: OS JUDEUS RESISTIRAM AO ESPÍRITO SANTO — “Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais.” (At 7.51 ACF). JESUS QUERIA, MAS ISRAEL NÃO QUIS E NÃO ACONTECEU — “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” (Mt 23.37 ACF). DEUS ESTENDEU SUA MÃO PARA ISRAEL, MAS ISRAEL O REJEITOU — “Mas para Israel diz: Todo o dia estendi as minhas mãos a um povo rebelde e contradizente.” (Rm 10.21 ACF). “De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?” (Hb 10.29 ACF)
Pergunta 6
O texto de Lucas 7.9 diz: “E, ouvindo isto Jesus, maravilhou-se dele, e voltando-se, disse à multidão que o seguia: Digo-vos que nem ainda em Israel tenho achado tanta fé.” (Lc 7.9) – Os calvinistas dizem que o homem perdeu totalmente a capacidade de ter fé em Deus. Não podendo, portanto, responder ao Evangelho com fé, a não ser que Deus lhe conceda esta fé de maneira soberana e irresistível. Mas se fosse este o caso, como explicar a admiração de Jesus em face da fé do centurião? Por que Jesus elogiou a “grande fé” do homem se fosse algo meramente dado soberanamente por Deus?
Estaria Jesus sendo honesto ao dirigir-se a uma multidão dizendo: “Quem quiser pode vir a mim para receber a vida eterna”, se fosse o caso de muitos ali estarem totalmente incapacitados a atender positivamente o seu chamado por não pertencerem ao grupo dos escolhidos?
Por que o diabo teria o trabalho de roubar a semente da Palavra de Deus de quem não tem a menor possibilidade de crer e se arrepender? O texto que lerei a seguir não indica que tanto da perspectiva de Jesus como também da do diabo, o homem possui sim capacidade para crer no Evangelho?
Os que estão à beira do caminho são os que ouvem; mas logo vem o Diabo e tira-lhe do coração a palavra, para que não suceda que, crendo, sejam salvos (Lc 8.12).
Para pensar
A graça e o amor de Deus para um calvinista são restritos e limitados aos que Deus predeterminou para a salvação antes da criação do mundo, os demais são desprezados, de modo que, por eles, Jesus jamais morreu. Ou seja, eles nunca foram objetos da graça e da compaixão de Deus e nunca tiveram a menor chance de salvação.
Ao meu ver, isto é incocebível com o caráter amoroso de Deus revelado em Cristo Jesus. Deus é amor! Deus amou o mundo de tal maneira! Deus não tem prazer na morte do ímpio, antes deseja que o ímpio se arrependa. Deus quer que todos sejam salvos! Somente que, quis Deus em sua soberania, que esta vontade não se impusesse pela força: “nem por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos”.
Por isto, Jesus escolheu o caminho de atrair e salvar os homens por intermédio da cruz (lembrando que foi Ele mesmo quem criou os homens dotados do dom do livre-arbítrio em alguma certa medida, e tudo o que Deus faz tem uma razão de ser). Jesus veio ao mundo de modo humilde, nasceu em uma estrebaria em Belem, entrou em Jerusalém como um Rei manso e humilde, montado em um jumentinho, ou seja, manifestando-se de modo frágil e resistível.
Mesmo após a sua ressurreição, Ele segue se apresentando de modo gentil, batendo a porta. Ele oferece salvação e luz, mas muitos não o recebem, amando mais as trevas do que a luz. Ele chora em vista da rejeição de Israel e segue chorando em vista de tantos que seguem resistindo a sua graça. Mas, a tantos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus!
E agora, estes que o receberam, precisam permanecer nesta luz. Pois se andarmos na luz como Ele está na luz, temos comunhão uns com os outros e o sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado. Portanto, Deus amou o mundo inteiro e está conclamando todas as pessoas em todos os lugares para que venham a Cristo para experimentarem o perdão e a reconciliação. Pois, Cristo fez expiação em favor dos pecados do mundo inteiro. Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo! Portanto, se hoje você ouvir a voz do Espírito Santo, não endureça o seu coração. Podemos dizer com certeza a qualquer ser humano: Arrependa-se e creia no Evangelho!
Esta é uma boa notícia para todas as pessoas! Deus não faz acepção de pessoas! Jesus veio buscar e salvar aquele que estava perdido! Deus ama você!
Um grande abraço a todos, Bispo José Ildo Swartele de Mello
Curso de Discipulado Cristão: Lição 2 – Imago Dei e Livre-Arbítrio+
LIÇÃO 2: IMAGO DEI, LIVRE-ARBÍTRIO E A MISERICÓRDIA DIVINA APÓS A QUEDA Objetivo da Lição:
Explorar a Imago Dei (a imagem de Deus), o livre-arbítrio humano e a misericórdia divina após a Queda, à luz das Escrituras, para compreender o relacionamento contínuo entre Deus e a humanidade.
Textos bíblicos para cada dia da semana · Segunda-feira:
Gênesis 1 (Criação e a Imago Dei)
· Terça-feira:
Gênesis 9.6 e Tiago 3.9 (Imago Dei após a Queda)
· Quarta-feira:
Gênesis 4 (História de Caim – livre-arbítrio humano)
· Quinta-feira:
Romanos 10 (misericórdia divina e livre-arbítrio humano)
· Sexta-feira:
Lucas 15 (A Parábola do Filho Pródigo – arrependimento e misericórdia)
· Sábado:
Atos 7.51; Romanos 10.21 e Hebreus 3.7-8 (resistência humana ao Espírito Santo)
· Domingo:
Atos 17.30, 2 Pedro 3.9, 1 Timóteo 2.3-4, João 3.16, Romanos 10.13 e Atos 2.21 (A possibilidade de arrependimento e salvação está aberta a todos).
I. A Criação e a Imago Dei • Versículos-chave:
Gênesis 1.26-27 – "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança… Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou." • Deus criou a humanidade à Sua imagem e semelhança, conferindo-lhe singularidade e responsabilidade sobre a criação.
• A Queda, narrada em Gênesis 3, trouxe uma ruptura nesse relacionamento primordial.
II. Imago Dei Após a Queda • Versículo-chave:
Gênesis 9.6 – "Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem à sua imagem." • A Imago Dei permanece, mesmo após a Queda, destacando a sacralidade da vida humana.
• A centelha divina persiste, mesmo em meio à imperfeição.
• Tiago 3.9 reforça a importância de tratar os outros com dignidade, lembrando-nos de que todas as pessoas foram criadas à semelhança de Deus.
III. Livre-Arbítrio Humano • Versículo-chave:
Gênesis 4 (História de Caim)
• A história de Caim revela que o livre-arbítrio humano não foi eliminado pela Queda.
• A capacidade de fazer escolhas justas e dominar o pecado é preservada pela graça de Deus.
• O episódio de Caim e Abel em Gênesis 4 mostra que, mesmo após a Queda, Deus continua a se envolver com a humanidade, buscando orientar e corrigir. Vemos aqui a atitude graciosa de Deus em se dirigir a Caim para exortá-lo a agir de maneira apropriada.
IV. Misericórdia Divina e Livre-Arbítrio • Versículos-chave:
Romanos 10.21, Lucas 13.34 (Desejo de Jesus por Jerusalém), Atos 7.51 (Estêvão confrontando os líderes judeus).
• Deus não rejeita arbitrariamente, mas respeita o livre-arbítrio humano.
• A graça divina não age de maneira irresistível; a decisão de aceitar ou rejeitar a graça de Deus é um ato de livre-arbítrio.
• A rejeição de Israel, conforme descrito em Romanos 10.21, demonstra que Deus não rejeita arbitrariamente. A graça de Deus continua a se estender, mas, em Sua soberania, Ele respeita o livre-arbítrio humano. De acordo com as Escrituras, a graça divina não opera de maneira irresistível. Um exemplo notável disso é evidenciado quando Jesus, em Sua compaixão, desejava ardentemente a salvação de Jerusalém, conforme registrado em Lucas 13.34: "Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e vós não o quisestes!" • No mesmo espírito, Estêvão, um dos primeiros mártires cristãos, ao confrontar os líderes judeus com um coração cheio do Espírito Santo, expressou a mesma verdade. Em Atos 7.51, ele os repreendeu com palavras impactantes: "Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais." • Essas passagens bíblicas ilustram a relação dinâmica entre a graça divina e a resposta humana. Embora a graça seja oferecida com amor, a capacidade de escolha permanece um atributo fundamental da humanidade. Assim, a decisão de aceitar ou rejeitar a graça de Deus é, em última instância, um ato de livre-arbítrio humano.
V. Fé, Arrependimento e Misericórdia • Versículos-chave:
Efésios 2.1, Lucas 15.11-32, Lucas 5.31-32, Atos 17.30, Romanos 1.16, João 6.40, Atos 2.38.
• A expressão "mortos em delitos e pecados", encontrada em
Efésios 2.1
, é uma poderosa metáfora para a separação espiritual da humanidade em relação a Deus, e não uma descrição de incapacidade literal. A própria Bíblia nos ensina a interpretar essa linguagem figurada ao nos dar exemplos claros.
• O mais notável é a Parábola do Filho Pródigo, em
Lucas 15
. Ao receber o filho de volta, o pai declara: "…este meu filho estava morto e reviveu…" (
Lucas 15.24
). Obviamente, o filho não era um cadáver; ele estava "morto" no sentido de estar perdido e separado. Mesmo nesse estado, ele reteve a capacidade de "cair em si" (
Lucas 15.17
), reconhecer sua condição e tomar a decisão de voltar para o pai.
• De forma análoga, as Escrituras afirmam que o cristão está "morto para o pecado" (
Romanos 6.2
). Em
Romanos 6.11
, Paulo nos instrui: "Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus". No entanto, mesmo estando "morto" para o pecado, o crente ainda precisa vigiar e fazer escolhas diárias para não pecar. Se a "morte para o pecado" não elimina a possibilidade de pecar, a "morte em pecado" também não elimina a capacidade de se arrepender quando confrontado pela graça de Deus. Em ambos os casos, a "morte" simboliza uma separação radical, mas não a anulação da vontade.
• Os seres humanos não redimidos não são como "zumbis" ou "mortos-vivos", é importante destacar que essa analogia não é apropriada, pois retira a responsabilidade pessoal.
• A Bíblia exorta a todos, mesmo em seu estado pecaminoso, a se arrependerem e buscarem a Deus (Atos 17.30).
• Jesus frequentemente se referia àqueles que ainda não haviam sido salvos como "doentes", "enfermos" ou "perdidos" em Suas palavras registradas na Bíblia. Esses termos são utilizados como analogias para ilustrar a mesma realidade espiritual: a condição humana que carece da salvação.
• Por exemplo, em Lucas 5.31-32, Jesus disse: "Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim para chamar justos, mas pecadores ao arrependimento." • Essas analogias ressaltam a necessidade universal de redenção e a oferta de misericórdia e salvação para todos que reconhecem sua necessidade e se voltam para Ele. A fé e o arrependimento são respostas possíveis ao chamado poderoso do Evangelho. A responsabilidade da humanidade é acolher a graça de Deus.
Conclusão
Portanto, a Imago Dei, embora tenha sido afetada pela Queda, permanece presente. Além disso, o livre-arbítrio humano é preservado até certo ponto, permitindo que, embora o ser humano não seja capaz de salvar a si mesmo, ele ainda seja capaz de responder humildemente com arrependimento e fé ao chamado gracioso do Evangelho (Romanos 10.17).
Deus não abandonou a humanidade após a Queda, mas, em Sua infindável graça e misericórdia, continuou a demonstrar Seu amor, como ilustrado em João 3.16. Portanto, é nossa responsabilidade, como seres criados à Sua imagem, acolher a graça salvadora de Deus que se estende a todos os seres humanos, como afirmado em Tito 2.11.
QUESTÕES 1) O que significa ser criado à imagem e semelhança de Deus? Como isso nos diferencia de toda a criação?
2) Como a Queda afetou o relacionamento original entre Deus e a humanidade?
Como a Imago Dei persiste após a Queda?
3) Por que o livre-arbítrio humano é preservado mesmo após a Queda? Qual é a importância desse atributo na relação entre Deus e a humanidade?
4) Como as passagens bíblicas destacadas (Romanos 10.21, Lucas 13.34, Atos 7.51) ilustram a relação entre a misericórdia divina e o livre-arbítrio humano?
5) Por que a analogia de "mortos em delitos e pecados" (Efésios 2.1) não deve ser interpretada literalmente?
Qual é o significado simbólico dessa expressão?
6) Como a parábola do filho pródigo (Lucas 15.11-32) nos ensina sobre o arrependimento e o retorno à comunhão com o Pai?
7) Como podemos reconciliar a soberania de Deus com o livre-arbítrio humano na busca da salvação? Qual é o equilíbrio entre a iniciativa divina e a resposta humana?
8) Qual é a importância da fé e do arrependimento na busca pela graça de Deus? Como podemos encorajar outros a responderem ao chamado do Evangelho?
9) Qual é o papel da Imago Dei em nosso relacionamento com Deus e com o próximo? Como podemos viver de maneira que reflita essa imagem divina?
10) Como a atitude de Deus ao se dirigir a Caim reflete Sua graça e Seu desejo de orientar e corrigir as escolhas humanas? Como podemos aplicar essa graça divina em nossos próprios relacionamentos, especialmente quando confrontamos escolhas erradas de outras pessoas?
11) O que significa "Imago Dei"? a) Um termo teológico para a imagem dos anjos b) A representação literal da forma de Deus c) A ideia de que os seres humanos foram criados à imagem de Deus d) A descrição da forma divina de Deus 12) Qual é o versículo-chave que destaca a criação da humanidade à imagem de Deus? a) Gênesis 3.9 b) Gênesis 1.26-27 c) Gênesis 2.15 d) Gênesis 4.1 13) Como a Queda afetou o relacionamento original entre Deus e a humanidade? a) Fortaleceu esse relacionamento b) Não teve impacto no relacionamento c) Trouxe uma ruptura nesse relacionamento d) Aumentou a proximidade entre Deus e a humanidade 14) Qual é o versículo-chave que destaca a persistência da Imago Dei após a Queda? a) Gênesis 9.6 b) Gênesis 2.7 c) Gênesis 6.3 d) Gênesis 4.1 15) O que a história de Caim revela sobre o livre-arbítrio humano? a) Que o livre-arbítrio humano foi eliminado pela Queda b) Que o livre-arbítrio humano foi fortalecido pela Queda c) Que o livre-arbítrio humano não foi eliminado pela Queda d) Que o livre-arbítrio humano é uma invenção humana 16) Qual é a importância da metáfora da "morte espiritual" em Efésios 2.1? a) Representa que todos estão Fisicamente mortos b) uma separação espiritual causada pelo pecado, c) Simboliza a vida eterna para todos d) Indica que a humanidade é eternamente perdida.
17) Na parábola do filho pródigo, o filho pródigo representa qual situação espiritual? a) Alguém que, mesmo morto espiritualmente, ainda é capaz de se arrepender. b) Perdido e sem esperança c) Vida eterna garantida a despeito do arrependimento. d) Alguém que merece a misericórdia do pai.
18) Qual é a relação entre a soberania de Deus e o livre-arbítrio humano na busca da salvação? a) O livre-arbítrio humano não desempenha nenhum papel na salvação b) A soberania de Deus exclui o livre-arbítrio humano c) Ambos coexistem, com o livre-arbítrio humano respondendo à iniciativa divina d) A escolha humana é totalmente independente da graça de Deus 19) O que é necessário para acolher a graça salvadora de Deus? a) Ter um bom caráter moral b) Alcançar a perfeição c) Reconhecer a necessidade de salvação e responder com fé e arrependimento d) Realizar boas obras de caridade 20) Qual versículo destaca que Deus não rejeita arbitrariamente, mas respeita o livre-arbítrio humano? a) a) Atos 2.21 b) b) Romanos 9.6 c) c) Lucas 5.31 d) d) Lucas 13.34 Exercícios on-line: https://forms.gle/wPsj9ZrC1WpoWP3e8
Curso de Discipulado, Aula 1: A Origem do Mal+
Lição 1: Compreendendo a Existência do Mal em um Universo Criado por um Deus Onipotente e Bom Objetivo da Lição:
Compreender por que o mal existe no mundo, à luz das Escrituras, e reconhecer o papel do livre-arbítrio humano nesse contexto.
Textos bíblicos para cada dia da semana Segunda-feira:
Leitura Bíblica:
Leia Gênesis 1.31.
Questão:
De acordo com Gênesis 1.31, o que Deus viu após criar tudo? a) Que tudo estava errado. b) Que tudo estava perfeito. c) Que tudo estava caótico. d) Que tudo estava sombrio.
Terça-feira:
Leitura Bíblica:
Leia Eclesiastes 7.29.
Questão:
Conforme Eclesiastes 7.29, como Deus criou o ser humano? a) Como um ser reto, mas sem livre-arbítrio. b) Como um ser incapaz de escolher entre o bem e o mal. c) Como um ser sem responsabilidade moral. d) Como um ser reto, mas com o livre-arbítrio.
Quarta-feira:
Leitura Bíblica:
Leia Jeremias 13.11.
Questão:
De acordo com Jeremias 13.11, o que Deus desejou que o povo fizesse? a) Seguir Seus mandamentos estritamente. b) Se apegar a Ele, mas eles escolheram não ouvir. c) Ser semelhante a Ele em todas as ações. d) Ignorar completamente as escolhas morais.
Quinta-feira:
Leitura Bíblica:
Leia Mateus 23.37.
Questão:
De acordo com Mateus 23.37, como Jesus expressa Seu desejo em relação ao povo? a) Ele quer puni-los por seus erros. b) Ele quer forçá-los a segui-Lo. c) Ele quer reunir as pessoas como a galinha reúne seus pintinhos, mas elas não quiseram. d) Ele quer ignorar o livre-arbítrio das pessoas.
Sexta-feira:
Leitura Bíblica:
Leia 1 João 1.5.
Questão:
De acordo com 1 João 1.5, como Deus é descrito? a) Ele é descrito como uma entidade misteriosa. b) Ele é descrito como trevas. c) Ele é descrito como luz, e nele não há treva alguma. d) Ele é descrito como uma figura impessoal.
Sábado:
Leitura Bíblica:
Leia Mateus 22.37.
Questão:
De acordo com Mateus 22.37, qual é o grande mandamento? a) Amar ao próximo como a si mesmo. b) Amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento. c) Abster-se de todo pecado. d) Ser obediente a todas as leis religiosas.
Domingo:
Leitura Bíblica:
Leia Tiago 1.13.
Questão:
De acordo com Tiago 1.13, o que Tiago esclarece sobre Deus? a) Deus é a fonte de tentações e do mal. b) Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. c) Deus é indiferente às ações humanas. d) Deus é o autor direto do mal moral.
Será que Deus é o criador do mal? Se não, por que Ele não interrompe sua ocorrência?
Introdução
A questão da existência do mal no mundo, diante da presença de um Deus onipotente e bom, levanta indagações profundas. Será que Deus é o criador do mal? Se não, por que Ele não interrompe sua ocorrência? Diversas perspectivas filosóficas e teológicas, como a visão de ateus que argumentam que a existência do mal torna a presença de Deus incompatível e os deterministas, que afirmam que Deus é o autor do mal, pois determinou a origem de tudo o que existe e o desenrolar de todos os acontecimentos. No entanto, qual é a perspectiva da Bíblia sobre essa importante questão?
Perspectiva Bíblica sobre o Mal O Apóstolo João enfatiza que "Deus é luz, e nele não há treva alguma" (1 João 1.5), ressaltando a natureza luminosa, amorosa e perfeita de Deus, que é inconciliável com o mal moral. Tiago 1.13 também esclarece que Deus não é a origem das tentações e do mal.
Ao contemplarmos Gênesis 1.31, nos deparamos com a afirmação de que, após a criação, "Deus viu tudo quanto havia feito, e eis que era muito bom." Portanto, se Deus, sendo todo-poderoso e bom, criou um mundo intrinsecamente bom, não é plausível considerar o mal como uma de Suas criações.
Origem do Mal e Livre-Arbítrio Então, como o mal surgiu se não foi criado por Deus? As Escrituras nos indicam que o mal é consequência das escolhas dos seres criados à imagem e semelhança de Deus. Eclesiastes 7.29 nos lembra que Deus criou o ser humano reto, mas, por meio do livre-arbítrio, o ser humano se envolveu em más ações.
Deus tinha a capacidade de criar seres angelicais e humanos incapazes de desobedecer, mas isso resultaria em um universo habitado por seres automatizados, programados para obedecer. Embora tudo parecesse harmonioso, os gestos de amor e adoração seriam apenas superficiais e sem autenticidade. Em Sua soberania, Deus escolheu conceder livre-arbítrio tanto aos seres humanos quanto aos seres angelicais, mesmo cientes das possíveis consequências, incluindo a presença do pecado e suas ramificações. Essas consequências representam o preço necessário para que Deus encontre adoradores verdadeiros, genuínos em sua devoção, que O buscam de forma espontânea e sincera.
Livre-Arbítrio e o Valor do Amor Deus permite a existência do mal em razão da valorização da liberdade humana, conforme narrado em Gênesis 2.16-17 e Gênesis 3.6-7. Se Ele interrompesse todas as ações prejudiciais, nos transformaríamos em seres radicalmente distintos daqueles criados à Sua imagem e semelhança (Gênesis 1.27). O livre-arbítrio está profundamente vinculado ao amor, o qual representa a mais elevada ética, pois, como nos ensinam Deuteronômio 30.19-20, 1 Coríntios 13.13 e 1 João 4.8, Deus é amor!
O maior mandamento é amar a Deus sobre todas as coisas (Mateus 22.37-39). Deus procura adoradores verdadeiros, que O adorem em espírito e verdade, como destacou Nosso Senhor Jesus Cristo em João 4.23. Se nossa vontade fosse controlada, não seríamos capazes de expressar um amor genuíno, tornando todas as formas de adoração artificiais.
A analogia presente em Salmos 32.9 nos lembra que o ser humano não é como o cavalo ou o burro que precisam ser controlados por cabrestos. Logo, os resultados das escolhas humanas, incluindo o mal, representam o preço necessário para preservar o valor supremo do amor, que só é possível por meio do livre-arbítrio.
Exemplos Bíblicos e Reflexões Assim como Abraão foi testado em sua fidelidade e amor por Deus, oferecendo seu filho Isaque como sacrifício, e Jó enfrentou provações profundas, mantendo sua devoção mesmo em meio à adversidade (Gênesis 22; Jó 1-2), todos nós encaramos desafios semelhantes em expressar nosso amor e devoção ao Criador.
Esses exemplos bíblicos nos levam a refletir: Será que amamos a Deus acima de tudo? Estamos entre aqueles que O adoram verdadeiramente, como aqueles que o Pai procura (João 4.23-24)? Como minhas escolhas refletem meu amor por Deus? Onde posso melhorar na expressão do amor genuíno? De que maneira posso fortalecer minha devoção a Deus mesmo em situações desafiadoras? Esses relatos de Abraão e Jó nos inspiram a buscar uma devoção e fidelidade genuínas, mesmo diante das provações, como exemplos de amor e lealdade a Deus.
Conclusão
Com base nas passagens bíblicas analisadas, é evidente que a Bíblia reforça a natureza divina como boa, justa, amorosa e perfeita. A presença do mal no mundo surge das escolhas feitas por seres angelicais e humanos. Deus nos concedeu o livre-arbítrio, incluindo a liberdade de escolher amá-Lo de maneira voluntária. As consequências do mal são uma parte intrínseca desse processo, mas não refletem a essência de Deus.
Deus, com Sua sabedoria incomparável, orienta o curso da história para um desfecho desejado, como nos são prometidos em Jeremias 29.11, Naum 1.3, Romanos 8.28, Apocalipse 21.3-4 e 22.3. Essas passagens bíblicas revelam a promessa de um propósito final conduzido pela soberana vontade de Deus, onde o bem prevalecerá sobre o mal e Seu plano redentor se cumprirá para a humanidade e toda a Criação.
QUESTÕES 1. O que significa dizer que Deus é "bom, justo, amoroso e perfeito"? Como essas características de Deus se relacionam com a questão do mal no mundo?
2. Qual é o papel do livre-arbítrio humano na existência do mal? Como o livre-arbítrio permite escolher entre o bem e o mal?
3. Como a história de Jó nos ajuda a entender o propósito por trás das provações e do sofrimento? O que podemos aprender com sua experiência?
4. Por que é importante reconhecer que o mal não é uma criação de Deus, mas uma consequência das escolhas humanas? Como essa compreensão afeta nossa visão de Deus e do mal?
5. O que as passagens bíblicas que destacam a natureza de Deus como luz, amor e bondade nos ensinam sobre a incompatibilidade entre Deus e o mal moral?
6. O que você acha da relação entre justiça e livre-arbítrio? Como Gálatas 6.7 nos ajuda a entender a justiça de Deus em relação às ações humanas?
7. Como você acha que podemos aplicar esses princípios em nossa vida diária? Como podemos enfrentar o mal no mundo enquanto mantemos nossa fé em Deus?
8. Você já teve experiências pessoais que o levaram a questionar por que o mal existe no mundo? Como essa lição o ajuda a lidar com essas questões?
9. Como podemos ajudar os outros a entenderem a relação entre Deus, o mal e o livre-arbítrio? Quais são algumas maneiras de compartilhar essa mensagem de esperança com aqueles que têm dúvidas?
10. Como você pode aplicar o grande mandamento de amar a Deus acima de tudo em sua própria vida, especialmente quando enfrenta desafios e situações que envolvem o mal?
Exercícios on-line: https://forms.gle/UyZmubqgasq3383v6
Consequencias do Pecado Original e a Redenção em Cristo (Gn 3)+
Por Bispo Ildo Mello
Por que há tanta maldade, injustiça e desgraça no mundo? Qual é a causa de tanta angustia, sofrimento e miséria? O capítulo 3 de Gênesis nos ajuda a entender o drama atual, pois descreve o pecado original e suas terríveis conseqüências para toda a criação. Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, mas o homem pecou e decaiu deste estado de retidão e gerou filhos à sua imagem e semelhança, agora maculada pelo pecado. Portanto, nascemos com a imagem de Deus corrompida em nós, como verdadeiros escravos do pecado, em um estado de rebelião contra Deus, que trouxe alienação, vergonha, culpa, medo e morte física, espiritual e eterna. Mas, o mesmo texto também diz que Deus foi ao encontro do homem não apenas em juízo, mas também em misericórdia, cobrindo a vergonha e profetizando a redenção!
Consequências do pecado
Satanás promete vida, divinização, poder e glória através do pecado (Gn 3.4,5), mas o pecado conduz ao afastamento de Deus e à morte (Gn 2.17; 3.19, 22-24).
Satanás promete prazer (Gn 3.6), mas o pecado produz vergonha, pesar, medo, maldição, alienação, angustia, sofrimento e dor (Gn 3.8, 10, 14-19).
Satanás promete conhecimento (Gn 3.6), mas o conhecimento que produz é o da malícia, vergonha e o da consciência pesada (Gn 3.7, 10).
Reações humanas ao pecado
Tentaram fugir (Gn 3.8-10)
Tentaram fugir de Deus, buscando também fugir das consequências do pecado. Mas não é possível fugir de Deus: “Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também.” (Salmos 139.7,8). Também não é possível fugir das consequências do pecado: “estai certos de que o vosso pecado vos há de atingir” (Nm 32.23). “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.” (Gl 6.7).
Tentaram encobrir o pecado (Gn 3.7)
Adão e Eva tentaram encobrir sua vergonha, mascarando a situação. Algo como empurrar a sujeira para debaixo do tapete, buscando salvar a imagem pública e aparente. Religiosidade exterior e hipócrita, que gera sepulcros caiados.
Tentaram transferir a culpa
Adão quis colocar a culpa em Eva e até mesmo em Deus (v 12), E Eva tentou se eximir-se da responsabilidade, botando a culpa na serpente (v 13).
Ação redentora de Deus
Deus cobre a vergonha de Adão e Eva
Deus não entregou os homens a sua própria sorte ou azar. Deus não apenas distribuiu as devidas punições, mas também demonstrou compaixão, agindo de modo redentor.
Enquanto Adão e Eva tentaram precariamente encobrir sua vergonha, Deus providenciou vestimentas adequadas. Só que para tanto, uma animal inocente precisou ser sacrificado para oferecer sua pele como cobertura para os pecadores. Tal ação aponta para o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo! “Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados.” (Is 53.5). “Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo” (Rm 13.14a, cp. Ef 2.22-24). É necessário que recebamos as “vestes brancas” (Ap 3.18), as “vestes de salvação” (Is 61.10), as vestes nupciais oferecidas pelo Senhor conforme aprendemos na Parábola das Bodas (Mt 22). E, na Parábola do Filho Pródigo, vemos o Pai providenciando roupas apropriadas para o filho arruinados que vestia farrapos. Quão bondoso e misericordioso é o nosso Deus!
Adão e Eva abandonaram as vestes confeccionadas por eles mesmos e se vestiram daquela providenciada por Deus. Assim também devemos proceder! Abandonemos as pretensas soluções humanas e abracemos com fé a salvação que vem das mãos do próprio Deus.
Uma promessa redentora
“Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Gn 3.15).
Eis aí o primeiro anúncio do Evangelho! Ótima notícia para os filhos de Adão e péssima para Satanás. O triunfo de Satanás no Éden não foi definitivo! Deus está dizendo a Satanás: “Pode ir tirando este sorriso dos lábios e o cavalinho da chuva, e pode ir botando a tua barba de molho, pois a tua hora vai chegar! Pois há de nascer um homem capaz de te enfrentar e te vencer!”
Por amor, Deus promete intervir na história humana, promovendo redenção (Jo 3.16).
Assim como o pecado e a maldição entraram no mundo pela derrota de Adão, a redenção humana viria através do triunfo de um segundo Adão, Jesus Cristo, que pisaria a cabeça da serpente. Assim como o pecado de Adão foi transmitido a todos os seus descendentes, assim também a justiça do Segundo Adão seria comunicada a todos por meio da fé (Rm 5.12-21).
Neste processo redentor, seu “calcanhar” seria ferido, como aconteceu na cruz, pois, ferido de morte, ressuscitou para pisar a cabeça da serpente. Jesus enfrenta a antiga Serpente, que é Satanás, e vence todas as suas tentações (Mc 1.13 e Hb 4.14.15). O único homem verdadeiramente santo e justo, assume a culpa dos pecadores e a sentença de morte que era certa sobre eles (2 Co 5.21; 1 Jo 3.5 e Is 53.4-12).
Restauração plena
O capítulo 3 termina com a descrição da expulsão do homem do Éden e consequentemente da presença de Deus. “E, havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida.” (Gn 3.24).
O propósito de Deus é restaurar sua presença entre os homens como era no Éden. O intento de Satanás de separar a humanidade de Deus foi frustrado, pois Jesus se manifestou para desfazer as obras do Diabo (1Jo 3.8). O véu do templo, que tinha a estampa de dois querubins com espadas nas mãos, e que servia para separar o homem de Deus, rasgou-se de alto a baixo por ocasião da morte de Jesus Cristo (Mc 15.38). O homem que fora expulso do Paraíso por causa do pecado, tem acesso a Deus por um novo e vivo Caminho que Ele nos descortinou por intermédio do véu, isto é, do seu próprio corpo (Hb 10.20). Deus, através de Cristo, está reconciliando consigo o mundo! (2 Co 5.19; Rm 5.1).
Neste texto, aprendemos que Deus andava com o homem no Éden (Gn 3.8). Mas o Pecado causou separação e fez o homem fugir e se afastar de Deus (Gn 3.10). No entanto, Deus buscou o homem, cobriu sua vergonha (Gn 3.21) e prometeu redenção (Gn 3.15), e, mais adiante, prometeu também restauração da plena comunhão: “andarei entre vocês e serei o seu Deus…” (Lv 26.12). “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de EMANUEL. (EMANUEL traduzido é: Deus conosco).” (Mt 1.23). Os que creem em Cristo já desfrutam de comunhão com Deus nesta era presente (Jo 14.16-23). Jesus prometeu que estaria conosco até a consumação dos séculos (Mt 28.20). E temos a promessa de um dia viver com Deus eternamente como foi no Edén. ”Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá… o próprio Deus estará com eles…” (Ap 21.3)
John Wesley criticando a doutrina da predestinação incondicional+
"Calvinistas, que negam que a salvação possa ser perdida, raciocinam sobre este assunto de uma maneira admirável. Eles nos dizem, que nenhuma das lâmpadas das virgens pode se apagar (Mt 25.8); nenhuma colheita prometida pode ser estrangulada pelos espinhos (Mt 13.22); nenhum ramo em Cristo pode ser sequer cortado pela esterilidade (Jo 15.16); ninguém pode sequer "receber a graça de Deus em vão" (2 Co 6.1); ou "enterrar seus talentos" (Mt 25.18); ou "negligenciar tão grande salvação" (Hb 2.3); ou desprezar "o dia da graça" (Mt 23.37; Hb 10.29; 1 Ts 4.8); "olhar para trás" após por suas mãos no arado do Evangelho (Lc 9.62); ninguém pode "entristecer o Espírito" (Ef 4.30) até Ele ser "extinto" (1 Ts 5.19), e não ser capaz de "negar o Senhor que os comprou" (2 Pe 2.1); nem "trazer sobre si mesmos repentina destruição" (2 Pe 2.1). Ninguém, ou nenhum grupo de crentes, pode sequer ficar morno ao ponto de Jesus vomitá-lo de Sua boca (Ap 3.16).
Eles usam resmas de papel para argumentar que se alguém se perde ele nunca foi achado (Jo 17.12; 2 Tm 4.10 e 2 Pe 2.15-22); que se alguém caiu, ele nunca esteve em pé (1 Co 10.12; Rm 11.16-22 e Hb 6.4-6); se alguém foi jogado fora, ele nunca esteve dentro (Jo 15.6), e "se qualquer um sequer murchou", ele nunca foi verde (Hb 10.38,39); e se qualquer um caiu em trevas espirituais, jamais foi iluminado (Hb 6.4-6); que se você "novamente se entregou às corrupções deste mundo", você nunca escapou (2 Pe 2.20); que se você jogou fora a salvação, você nunca a teve para jogar fora (1 Tm 4.1), e que se você naufragou na fé, não havia nenhuma fé ali (1 Tm 1.19)! Em resumo dizem eles: se você tem, nunca perderá; e se perdeu, nunca a teve.
Deus nos salve de aceitar uma doutrina que precisa ser defendida por tão falacioso raciocínio!
John Wesley (Texto traduzido por José Ildo Swartele de Mello que tomou a liberdade de incluir referências bíblicas – texto original em Inglês: http://www.examiningcalvinism.com/files/RollCall/Wesley.html)
Textos Bíblicos
Mateus 25.8
As insensatas disseram às prudentes: ‘Dêem-nos um pouco do seu óleo, pois as nossas candeias estão se apagando’.
Mateus 13.22
Quanto ao que foi semeado entre os espinhos, este é aquele que ouve a palavra, mas a preocupação desta vida e o engano das riquezas a sufocam, tornando-a infrutífera.
João 15.16
Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça, a fim de que o Pai lhes conceda o que pedirem em meu nome.
2 Coríntios 6.1
Como cooperadores de Deus, insistimos com vocês para não receberem em vão a graça de Deus.
Mateus 25.18
Mas o que tinha recebido um talento saiu, cavou um buraco no chão e escondeu o dinheiro do seu senhor.
Mateus 23.37
“Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram.
Hebreus 10.29
Quão mais severo castigo, julgam vocês, merece aquele que pisou aos pés o Filho de Deus, profanou o sangue da aliança pelo qual ele foi santificado, e insultou o Espírito da graça?
1 Tessalonicenses 4.8
Portanto, aquele que rejeita estas coisas não está rejeitando o homem, mas a Deus, que lhes dá o seu Espírito Santo.
Lucas 9.62
Jesus respondeu: “Ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus”.
Efésios 4.30
Não entristeçam o Espírito Santo de Deus, com o qual vocês foram selados para o dia da redenção.
1 Tessalonicenses 5.19
Não apaguem o Espírito.
2 Pedro 2.1
No passado surgiram falsos profetas no meio do povo, como também surgirão entre vocês falsos mestres. Estes introduzirão secretamente heresias destruidoras, chegando a negar o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.
Apocalipse 3.16
Assim, porque você é morno, não é frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca.
João 17.12
Enquanto estava com eles, eu os protegi e os guardei no nome que me deste. Nenhum deles se perdeu, a não ser aquele que estava destinado à perdição[a], para que se cumprisse a Escritura.
2 Timóteo 4.10
pois Demas, amando este mundo, abandonou-me e foi para Tessalônica. Crescente foi para a Galácia, e Tito, para a Dalmática.
2 Pedro 2.15-22
Eles abandonaram o caminho reto e se desviaram, seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o salário da injustiça… Se, tendo escapado das contaminações do mundo por meio do conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, encontram-se novamente nelas enredados e por elas dominados, estão em pior estado do que no princípio. Teria sido melhor que não tivessem conhecido o caminho da justiça, do que, depois de o terem conhecido, voltarem as costas para o santo mandamento que lhes foi transmitido. Confirma-se neles que é verdadeiro o provérbio: "O cão voltou ao seu vômito" e ainda: "A porca lavada voltou a revolver-se na lama".
1 Coríntios 10.12
Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!
João 15.6
Se alguém não permanecer em mim, será como o ramo que é jogado fora e seca. Tais ramos são apanhados, lançados ao fogo e queimados.
Hebreus 10.38
Mas o meu justo viverá pela fé. E, se retroceder, não me agradarei dele
Hebreus 10.39
Nós, porém, não somos dos que retrocedem e são destruídos, mas dos que crêem e são salvos.[a]
Hebreus 6.4-6
Ora, para aqueles que uma vez foram iluminados, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo, experimentaram a bondade da palavra de Deus e os poderes da era que há de vir, e caíram, é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento;[a] pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública.
2 Pedro 2.20
Se, tendo escapado das contaminações do mundo por meio do conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, encontram-se novamente nelas enredados e por elas dominados, estão em pior estado do que no princípio.
1 Timóteo 4.1
O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios.
1 Timóteo 1.19
mantendo a fé e a boa consciência que alguns rejeitaram e, por isso, naufragaram na fé.
A apostasia do Rei Salomão+
Como é que um escolhido de Deus pôde ter se afastado tanto assim de Deus.
Salomão foi um homem de Deus
Um escolhido
Teu filho Salomão é quem edificará a minha casa e os meus átrios, porque o escolhi para filho e eu lhe serei por pai (1 Crônicas 28.6).
Possuía o dom da sabedoria
Todos os reis do mundo procuravam ir ter com ele para ouvir a sabedoria que Deus lhe pusera no coração. (2Cr 9.23).
Cheio do Espírito, escreveu textos bíblicos
Provérbios Esclesiastes Cantares Alguns Salmos Salomão adorava a Deus E disse: Ó SENHOR, Deus de Israel, não há Deus como tu, em cima nos céus nem embaixo na terra, como tu que guardas a aliança e a misericórdia a teus servos que de todo o coração andam diante de ti; (1 Reis 8.23).
Salomão orou e o fogo desceu!
Tendo Salomão acabado de orar, desceu fogo do céu e consumiu o holocausto e os sacrifícios; e a glória do SENHOR encheu a casa.(2 Crônicas 7.1)
Mas…
Desobedeceu os mandamentos de Deus
Tampouco para si multiplicará mulheres, para que o seu coração se não desvie; nem multiplicará muito para si prata ou ouro. (Deuteronômio 17.17)
Tornou-se um idólatra
Amou Salomão muitas mulheres estrangeiras, mulheres das nações de que havia o SENHOR dito aos filhos de Israel:Não caseis com elas, pois vos perverteriam o coração, para seguirdes os seus deuses. A estas se apegou Salomão pelo amor. Tinha setecentas mulheres, princesas e trezentas concubinas; e suas mulheres lhe perverteram o coração. Sendo já velho, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses; e o seu coração não era de todo fiel para com o SENHOR, seu Deus, como fora o de Davi, seu pai. (1 Reis 11.1-4).
Trouxe maldição sobre sua casa
Pelo que o SENHOR se indignou contra Salomão, pois desviara o seu coração do SENHOR… Visto que assim procedeste e não guardaste a minha aliança, nem os meus estatutos que te mandei, tirarei de ti este reino e o darei a teu servo. (1 Reis 11.9-11)
O perigo da apostasia
Será, porém, que, se de qualquer modo te esqueceres do SENHOR teu Deus, e se ouvires outros deuses, e os servires, e te inclinares perante eles, hoje eu testifico contra vós que certamente perecereis. (Deuteronômio 8.19); O Espírito de Deus veio sobre Azarias, filho de Odede. Ele saiu para encontrar-se com Asa e lhe disse: “Escutem-me, Asa e todo o povo de Judá e de Benjamim. O Senhor está com vocês quando vocês estão com ele. Se o buscarem, ele deixará que o encontrem, mas, se o abandonarem, ele os abandonará.” (2 Crônicas 15.1-2); Não Extingais o Espírito (1 Ts 5.19); Mas aquele que perseverar até o fim será salvo (Mateus 24.13); Firmarei para sempre o reino dele, se ele continuar a obedecer os meus mandamentos e as minhas ordenanças, como faz agora (1 Crônicas 28.7); Àquele que vencer e fizer a minha vontade até o fim darei autoridade sobre as nações (Apocalipse 2.26); Paulo disse: “… mas esmurro o meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser reprovado… ” (1 Co 9.27). No capítulo seguinte, ele diz que a incredulidade do povo de Israel no deserto, a idolatria e os pecados morais que os israelitas cometeram, acabaram atraindo o juízo de Deus, de modo que a maioria dos israelitas ficaram reprovados e prostrados no deserto (1 Co 10.1-5). Paulo adverte que essas coisas serviram de exemplo para nós que fazemos parte da Igreja (1 Co 10.6). Ele disse em 1 Co 10.14 – “Amados, fugi da idolatria”. Fica claro que Paulo tinha a preocupação de que a Igreja de Corinto agisse tal como os israelitas e, conseqüentemente fosse reprovada. Veja 1 Co 10.11 – “Essas coisas lhes sobrevieram como exemplos, e foram escritas para advertência nossa…” e “Aquele, pois, que pensa estar em pé, cuide para que não caia” (1 Co 10.12); Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará: e o apanham, lançam no fogo e o queimam (Jo 15.6); Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, foram outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviaram-se do santo mandamento que lhes fora dado. Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao lamaçal (2 Pe 2.20-22); O autor de Hebreus também adverte para o risco de se perder a salvação e da necessidade da perseverança para se alcançar a promessa (Hb 6.4-8, 12; 10.26-38). E apresenta uma boa ilustração sobre o relacionamento da graça de Deus e as boas ações humanas, demonstrando que aqueles que recebem a graça devem produzir os respectivos e esperados frutos: “Porque a terra que absorve a chuva que frequentemente cai sobre ela e produz erva útil para aqueles por quem é também cultivada recebe bênção da parte de Deus, mas, se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada e perto está da maldição; e o seu fim é ser queimada” (Hb 6.7-8).
Advertências
- Foge das paixões da mocidade (2Tm 2.22)
- Não vos ponhais em jugo desigual com incrédulos e idólatras (2Co 6.14)
- E não vos embriagueis com vinho (Ef 5.18)
- Filhinhos, guardai- vos dos ídolos (1Jo 5.21)
Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo… que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado. Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos… não endureçais o vosso coração… (Hebreus 3.12-15). by José Ildo Swartele de Mello
Três Ideias Cruciais que Diferenciam o Arminianismo do Calvinismo+
A discussão entre arminianismo e calvinismo é fundamental para entender diferentes visões sobre a bondade de Deus, o problema do mal e a questão do livre-arbítrio na salvação. Baseado na resposta à décima nona pergunta do livro “Arminianismo: Perguntas Frequentes” de Roger Olson, vamos explorar três ideias cruciais que distinguem essas duas perspectivas teológicas.
A Bondade de Deus:
Arminianismo: Deus é completamente bom e justo de uma maneira que podemos entender. Sua bondade não contradiz nosso entendimento básico do que é bom e justo. Se sabemos que amar ao próximo é bom, Deus age dessa mesma forma. Ele não faz nada que viole nossa compreensão de amor e justiça. Por exemplo:
1 João 4.8: “Deus é amor.” Mateus 7.11: “Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas dádivas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem!” Tiago 1.17: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes.” Calvinismo: Deus é visto como bom, mas às vezes Suas ações podem parecer severas e difíceis de entender. A ideia de que Deus predestina algumas pessoas para a salvação e outras para a condenação eterna, sem considerar suas ações ou escolhas, leva à percepção de que Deus é arbitrário e injusto, o que contradiz nosso senso básico de justiça e bondade. Isso é problemático à luz de passagens como:
1 Timóteo 2.4: “Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.” Vontade de Deus e o Mal no Mundo:
Arminianismo: Deus permite que as pessoas façam escolhas livres, incluindo escolhas más. Ele sabia que os humanos poderiam escolher o mal (como aconteceu com a queda de Adão e Eva), mas Ele não força ninguém a pecar. Deus poderia ter criado seres programados para sempre fazer o bem, mas isso tornaria suas expressões de amor, louvor e serviço artificiais e sem significado real. Em Sua soberania, Deus decidiu criar seres angelicais e humanos com livre-arbítrio, mesmo sabendo das possíveis consequências: pecado, crimes, doenças, guerras, fome e tristeza. É um preço alto, mas permite que muitos possam escolher amar a Deus livremente. Liberdade verdadeira implica a possibilidade de escolher o mal. Deus permite que o mal aconteça, mas Ele não o causa. Isso significa que Deus não é responsável pelo mal, mesmo permitindo que ele ocorra. Deus criou tudo perfeito; o mal é uma perversão causada pelas escolhas de seres livres. Exemplos bíblicos incluem:
Tiago 1.13: “Quando alguém for tentado, jamais deverá dizer: ‘Estou sendo tentado por Deus.’ Pois Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta.” Deuteronômio 30.19: “Escolham a vida, para que vocês e os seus filhos vivam.” Calvinismo: Deus planeja e controla tudo o que acontece, incluindo o mal. Isso significa que, de acordo com essa visão, Deus preordena todas as ações, incluindo os pecados das pessoas. Isso leva a implicações complicadas, pois faz de Deus o autor indireto do mal e da condenação, o que coloca em dúvida Sua bondade e justiça. Esta visão é difícil de conciliar com passagens como:
1 João 1.5: “Deus é luz; nele não há treva alguma.” Salvação e Livre-Arbítrio:
Arminianismo: Deus oferece a salvação a todas as pessoas e dá a todos a oportunidade de aceitá-la ou rejeitá-la. Ele proporciona os meios para a salvação (como a expiação de Jesus e a graça preveniente que nos capacita a crer), mas cada pessoa deve decidir se aceita ou não. A salvação é um presente de Deus, e a aceitação desse presente é uma escolha livre do indivíduo. Passagens que ilustram isso incluem:
2 Pedro 3.9: “O Senhor… não quer que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento.” João 3.16: “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” Calvinismo: Deus decide unilateralmente quem será salvo e quem será condenado, sem considerar a resposta das pessoas. Isso implica que Deus cria algumas pessoas com o propósito de condená-las eternamente, o que levanta questões sobre a justiça e o amor de Deus. Se a salvação não depende de uma resposta humana, então a responsabilidade pessoal e o livre-arbítrio são anulados. Isso é problemático à luz de passagens como:
Ezequiel 18.23: “Acaso tenho eu prazer na morte do ímpio? — diz o Senhor Deus; não desejo eu, antes, que ele se converta dos seus caminhos e viva?” Jeremias 13.11: “Assim como um cinto se apega à cintura de um homem, da mesma forma fiz com que toda a comunidade de Israel e toda a comunidade de Judá se apegasse a mim, para que fosse o meu povo para o meu renome, louvor e honra. Mas eles não me ouviram.” Mateus 23.37: “… Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram.” Essas três ideias mostram claramente como, no arminianismo, Deus respeita a liberdade humana e age de maneira justa e boa, oferecendo a salvação a todos sem forçar a decisão de ninguém.
Essas diferenças teológicas não são meramente acadêmicas; elas têm implicações profundas para nossa compreensão do caráter de Deus e nossa responsabilidade como seres humanos. O arminianismo apresenta um Deus cujo amor e justiça são compreensíveis e acessíveis, que oferece a salvação a todos e respeita a liberdade humana.
Um breve comentário de Romanos 9 – 11+
Para uma boa interpretação de Romanos 9-11, se faz necessário entender o propósito deste capítulo. Lembrando que, no começo desta carta (Rm 1.16 e 17) Paulo afirmou que o Evangelho era o poder de Deus para salvação de judeus e gentios. Mas os judeus, como nação, rejeitaram a Cristo. Os ramos naturais foram cortados e em seu lugar foram enxertados os ramos da oliveira brava, uma referência aos gentios, ou seja, a todos os demais povos.
A acusação contra Paulo
Mas muitos, indignados, estão acusando Paulo de renegar o seu próprio povo e de ensinar que as promessas de Deus feitas ao seu povo Israel não são verdadeiras, firmes e confiáveis. Paulo, portanto, está aqui neste capítulo 9, respondendo a estas falsas acusações, deixando claro que a promessa não é para os filhos carnais de Abraão, mas para os herdeiros da fé de Abraão. Veja também o que Paulo diz a este respeito em Gálatas 3.
Para reforçar a tese que a promessa nada tem a ver com a descendência carnal de Abraão, Paulo lembra que Esaú, foi rejeitado como povo herdeiro da promessa ainda que fosse o preferido de seu pai, Isaque. Deus tem os seus motivos e enxerga bem melhor do que Isaque. Deus é livre para escolher e decidir como e através de que povo ou povos se dará o cumprimento de suas promessas.
Eleição corporativa, não individual
Observe que o tema da eleição individual não está na mente de Paulo, mas, sim, o da eleição dos judeus para ser o povo escolhido, sua posterior rejeição, e a escolha dos gentios em seu lugar. Esaú e Jacó são os representantes de dois povos: Israel e Edom. Paulo deixa claro aqui que o conceito de povo de Deus é algo que transcende a etnia hebraica. Não basta ser descendente físico de Abraão, é preciso ser descendente espiritual. Não importa se você é judeu ou gentio. Os verdadeiros herdeiros da promessa de Abraão são os que exercem fé no Messias que é sobre todos, Deus Bendito Eternamente!
Portanto, as promessas de Deus feitas a Abraão estão, sim, sendo cumpridas no Israel de Deus, que é composto por judeus e gentios que crêem em Cristo. Deus tem direito de rejeitar qualquer povo, mesmo os judeus, por sua incredulidade, e eleger qualquer outro que ele quiser em seu lugar. Deus tem misericordia e favorece os povos que Ele julgar por bem fazê-lo sem que isto implique qualquer injustiça de sua parte, pois Ele tem suas razões que muitas vezes desconhecemos.
O endurecimento do coração
Deus também pode endurecer o coração de quem Ele quiser sem que isto seja uma atitude injusta e meramente arbitrária. Lembremos que antes do relato do Êxodo dizer que Deus endureceu o coração de faraó, por 5 vezes é dito que foi o próprio faraó é quem foi endurecendo o seu próprio coração (Ex 7.13; 7.22; 8.15; 8.32; 9.7). Paulo sabe que os judeus aceitam com facilidade o fato do endurecimento do coração de faraó, mas que não reconhecem que a mesma incredulidade que levou a rejeição de faraó também está levando a rejeição dos judeus como povo de Deus. O povo uma vez favorecido e liberto das garras de faraó, deixa de ser favorecido quando se desvia da fé de Abraão e segue o erro, a obstinação e a incredulidade de faraó. Deus endurece a quem quer. E Ele quer endurecer aqueles que endurecem a si mesmos. Sem fé é impossível agradar a Deus. A verdadeira circuncisão é a do coração e os verdadeiros filhos de Abraão são os da fé.
Portanto, nestes três capítulos, Paulo não está tratando da eleição de indivíduos, mas sobre a expansão da graça de Deus para abarcar os gentios no povo de Deus juntamente como os remanescentes de Israel. O mesmo princípio gracioso que promoveu a eleição de Israel está agora operando para incluir os gentios que antes não faziam parte do povo de Deus, mas que agora podem também pertencer a ele através da fé em Jesus Cristo. Predestinação de indivíduos está completamente fora de cogitação aqui, pelo contrário: “Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado. E também eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os tornar a enxertar” (Rm 11.22-23).
Conclusão
Espero que este breve comentário ajude você a compreender melhor este importante capítulo.
Um grande abraço!
Bispo Ildo Mello
De volta pro meu aconchego!+
Baseado na Parábola do Filho Pródigo em Lucas 15 Gosto da música que diz "estou de volta pro meu aconchego", pois expressa toda sensação de alívio, conforto, amparo e felicidade que se costuma encontrar no retorno ao lar. Entendo que o Filho Pródigo também deve ter experimentado está mesma sensação de alívio e amparo naquele aconchegante abraço que ele recebeu de seu Pai. Ele havia passado muito tempo longe de casa. Iludido pelo fascínio do novo e do distante, acabou desprezando o velho e bom convívio do lar, e, virando as costas para o pai, partiu em busca da satisfação tresloucada dos desejos carnais. Deu muitas cabeçadas na vida e acabou quebrando a cara, experimentando, assim, muita dor e desapontamento.
Abandonado e desprezado por todos, num estado de ruína e humilhação, teve fome. Sua fome era mais do que uma fome de pão, pois estava também com fome de felicidade, com fome de paz, com fome de vida, com fome do aconchego do lar. Ele teve saudades de casa. Saudades do Pai! Ele caiu em si. Reconheceu o seu erro e quis voltar.
Mas, ele nem podia imaginar que, depois de tudo, o Pai ainda o estaria esperando de braços abertos e que, ao vê-lo chegando, sairia correndo ao seu encontro e lhe receberia com tanto amor e alegria dando-lhe aquele abraço e aquele beijo tão especialmente carinhoso, perdoador e sanador. Ele deve ter pensado como é que ele pode ter desprezado assim a um Pai tão maravilhoso. Mas, agora, ele estava de volta! Que alívio! Que aconchego! Uma festa, roupas novas, anel no dedo, sandalhas nos pés, tudo restituído ainda que nada merecesse! Como é bom ser amado e que bom é quando a gente se encontra com a pessoa amada! Que bom é estar onde se deve estar!
Esta parábola de Jesus fala do amor do Pai por suas criaturas. Jesus veio buscar e salvar os filhos que estão perdidos. Jesus chegou a usar a figura da galinha que ampara os seus pintinhos debaixo da suas asas para expressar o aconchego que ele gostaria de proporcionar a todas as suas criaturas. Ele lamenta o fato delas, por vezes, o rejeitarem. Mas, mesmo assim, ele não as força a permanecer em casa, pois as ama de mais a ponto de não querer vê-las contrariadas, ainda que tivesse poder para tanto.
É interessante notar que Jesus veio a nós na condição humilde de homem pobre e sofredor. Ele é um Rei diferente, um Rei que não quer se impor pela força e que entra em Jerusalém montado em um jumentinho procurando conquistar adeptos pela via do amor e pelo caminho da cruz.
Na cruz, ele está de braços abertos a nos buscar. Na cruz encontramos perdão, aceitação, restauração e aconchego. Creio também que cada um de nós, seres humanos criados a imagem e semelhança de Deus, criados por Jesus e para Jesus, de alguma maneira que eu não sei bem explicar, sente saudade do Criador; saudade esta, que se revela na sensação de vazio e de desconforto oriunda do seu estado de alienação e distância de Deus. Temos uma vocação para Deus, um elo com o Eterno, de modo que as coisas efêmeras desta vida não podem nos dar aquilo que só podemos encontrar em nosso Criador: a paz e a felicidade que excedem a todo o entendimento humano a guardar a nossa mente e o nosso coração, ou seja: o absoluto aconchego do abraço do Pai!
Jesus disse que suas ovelhas seriam capazes de reconhecer a sua voz. Há um testificar do Espírito de Deus com o nosso espírito, coisa que nós não sabemos explicar direito. O filho voltou ao lar e teve um reencontro com Deus. Assim também acontece conosco, mesmo que estejamos conhecendo a Cristo pela primeira vez, sentimos como se já o conhecêssemos há muito tempo. Sua voz não nos é tão estranha assim! Existe uma comunicação íntima, profunda e espiritual que nos assegura que estamos em território conhecido. Podemos experimentar, então, o aconchego do retorno ao lar.
Bispo José Ildo Swartele de Mello
Seria Deus o autor do mal?+
O calvinista afirma que Deus decretou tudo o que acontece no universo, de modo que cada ato de estupro, incesto, pedofilia, roubo, violência, assassinato, adultério e injustiça teria sido meticulosamente planejado e ordenado por Deus desde a eternidade para serem estritamente executados por seres humanos que não passariam de marionetes em suas mãos.
No entanto, enquanto um calvinista tem a coragem de ensinar que Deus teria planejado e ordenado os atos bárbaros dos hebreus que foram capazes de sacrificar seus filhos no altar de Baal, o próprio Deus, por sua vez, defendendo-se desta insana acusação, diz que estes tais “construíram nos montes os altares dedicados a Baal, para queimarem os seus filhos como holocaustos oferecidos a Baal, coisa que não ordenei, da qual nunca falei nem jamais me veio à mente”. (Jeremias 19.5 NVI).
"Esta é a mensagem que dele ouvimos e transmitimos a vocês: Deus é luz; nele não há treva alguma." (1 Jo 1.5).
A questão do mal no mundo é difícil de ser compreendida. Muitos perguntam: “Se Deus é Onipotente, santo e bom, por que existe o mal no mundo?” Bem, sabemos que Deus não é o criador do mal. Tudo o que Deus fez era bom como nos ensina Gênesis 1.31 “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia”. E Eclesiastes 7.29 diz: “Eis o que tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias.”
Deus poderia ter criado todas as coisas programadas para darem certo. Poderia ter criado os anjos e os homens como robôs, programados para obedecerem, incapazes de se rebelarem. Mas as expressões de amor, louvor, devoção e serviço destes seres seriam artificiais e “sem graça”, ou seja, sem significado real. Deus, em sua soberania, resolve criar seres angelicais e humanos com o atributo do livre-arbítrio, mesmo ciente das conseqüências: surgimento do pecado, crimes, doenças, guerras, fome, tristeza, etc… É um preço alto a se pagar, mas vale a pena a fim de que muitos dentre todos os homens livres possam, no decorrer da História humana, ser resgatados por terem acolhido a promessa e amado a Deus sobre todas as coisas. Ninguém pode ser livre só para obedecer. Liberdade implica em opção e escolha.
Que Deus respeita o livre-arbítrio humano é claramente visto em Jeremias 13.11: "Assim como um cinto se apega à cintura de um homem, da mesma forma fiz com que toda a comunidade de Israel e toda a comunidade de Judá se apegasse a mim, para que fosse o meu povo para o meu renome, louvor e honra. Mas eles não me ouviram”; E também em Mateus 23.37: "… Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram".
Neste mundo, assim como Jó, todos nós estamos sendo provados e experimentados na questão do grande mandamento: “Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento” (Mateus 22.37). Observe que a grande questão do livro de Jó está relacionada a pureza e a lealdade do amor de Jó por Deus, como vemos na dúvida lançada por Satanás: “Então, respondeu Satanás ao SENHOR: Porventura, Jó debalde teme a Deus? Acaso, não o cercaste com sebe, a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste, e os seus bens se multiplicaram na terra. Estende, porém, a mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face” (Jó 1.9-11). Temos muitas opções, somos livres para escolher, portanto, quando amamos a Deus e respondemos positivamente ao seu chamado, isto é cheio de significado. Este relacionamento entre Deus e o homem é cheio de afeto. É algo tremendo!
Portanto, Deus criou tudo perfeito, o mal no universo existe como uma perversão dos seres angelicais e humanos, e que só pode ser entendido dentro do propósito último de Deus.
Bispo José Ildo Mello
Da Vinha Infértil à Videira Fiel: Reflexões sobre a Graça de Deus e a Responsabilidade Humana+
A Parábola da Vinha, narrada em Isaías 5, exemplifica como Deus providenciou todas as condições necessárias para que Israel, comparado a uma vinha, produzisse bons frutos. No entanto, o resultado foi decepcionante, e a condenação ocorreu como consequência. Deus expressa sua decepção e perplexidade no versículo 4: "Que mais se podia fazer à minha vinha, que eu não lhe tenha feito? Por que, esperando eu que desse uvas boas, veio a produzir uvas bravas?" (Isaías 5.4, NAA).
Essa parábola destaca que a graça irresistível defendida pelo calvinismo não se faz presente, pois Israel, mesmo recebendo toda a graça e as condições necessárias para prosperar, falhou em produzir bons frutos. Deus não coagiu o livre-arbítrio de Israel, permitindo que a nação tomasse suas próprias decisões e, portanto, tornando-se indesculpável. Essa ideia é reforçada por Estevão quando disse aos líderes religiosos judeus: "Vós sempre resistis ao Espírito Santo, assim vós sois como vossos pais" (Atos 7.51, NAA).
Em resumo, a Parábola da Vinha em Isaías 5 mostra que a graça de Deus foi estendida a Israel, proporcionando todas as condições necessárias para produzir bons frutos. Todavia, mesmo diante dessa graça abundante, Israel escolheu resistir e falhar em sua missão. Isso nos leva a refletir sobre o ensinamento bíblico acerca da graça de Deus e da responsabilidade humana.
Paulo, em sua carta a Tito, afirma que "a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens" (Tito 2.11). Além disso, em Romanos 1.20, ele argumenta que todas as pessoas são indesculpáveis por não crerem em Deus, uma vez que têm conhecimento de Deus disponível a todos por meio da criação. Essas passagens bíblicas destacam que Deus oferece a graça e as condições necessárias para a fé, e que a responsabilidade de crer e agir de acordo com essa graça recai sobre o ser humano.
A Bíblia também ensina que cada indivíduo será julgado com base na luz que recebeu (Lucas 12.48). Aqueles que receberam mais conhecimento e oportunidades serão responsabilizados em maior medida: "A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido" (Lucas 12.48, NAA).
Enquanto Israel negligenciou a graça e falhou como vinha de Deus, Jesus se apresentou como a Videira Verdadeira, sendo Deus, o Pai, o agricultor. Jesus disse que seus discípulos são os ramos dessa Videira, recebendo naturalmente todas as condições para produzirem bons frutos, tornando-se indesculpáveis caso venham a falhar, assim como aconteceu com Israel. Se não produzirem frutos, também serão cortados e lançados fora (João 15.1-6). Como afirmou o autor de Hebreus: "Como escaparemos nós se não atentarmos para tão grande salvação?" (Hebreus 2.3, NAA).
Portanto, ao analisar a Parábola da Vinha e outras passagens bíblicas, podemos concluir que a graça de Deus é estendida a todos, e a responsabilidade de responder a essa graça, crer e produzir frutos recai sobre o ser humano. A doutrina da predestinação e eleição incondicional, como defendida pelo calvinismo, não se alinha com esses ensinamentos bíblicos, uma vez que ensina que a graça e a fé são dons irresistíveis concedidos apenas a alguns, enquanto outros são excluídos. A Bíblia, por outro lado, enfatiza a responsabilidade humana e a necessidade de responder livremente à graça de Deus por meio da fé.
Assim, a mensagem central das Escrituras é que Deus, em sua misericórdia, oferece a graça e as condições necessárias para a salvação e o crescimento espiritual, mas cabe ao ser humano responder com fé e obediência, produzindo frutos que glorifiquem a Deus. A vida de Israel como vinha infiel nos alerta sobre a importância de não resistirmos ao Espírito Santo e de valorizarmos a graça que nos é oferecida.
Que possamos, como discípulos de Jesus, permanecer na Videira Verdadeira, respondendo com fé, obediência e produzindo os frutos do Espírito em nossas vidas. Que possamos reconhecer a responsabilidade que nos foi confiada e buscar viver em conformidade com a vontade de Deus, para que, ao final, possamos ouvir as palavras do Mestre: "Bem está, servo bom e fiel!" (Mateus 25.21, NAA). https://youtu.be/_ciTvRkYWHs
Eleição Condicional e a necessidade de perseverança+
"O Espírito de Deus veio sobre Azarias, filho de Odede.
Ele saiu para encontrar-se com Asa e lhe disse: "Escutem-me, Asa e todo o povo de Judá e de Benjamim. O Senhor está com vocês quando vocês estão com ele. Se o buscarem, ele deixará que o encontrem, mas, se o abandonarem, ele os abandonará." (2 Crônicas 15.1-2)
Este texto ensina que a eleição é condicional, pois Deus está se dirigindo a Judá, povo escolhido de Deus, que tem livre arbítrio para permanecer com Deus ou para abandoná-lo se assim o desejar. O discurso de Josué segue o mesmo raciocínio: "Se, porém, não lhes agrada servir ao Senhor, escolham hoje a quem irão servir, se aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo. Mas, eu e a minha família serviremos ao Senhor" (Josué 24.15).
Sabemos que o Cristo veio para os que eram seus, mas os seus não o quiseram receber. Jesus lamentou este fato, dizendo: "Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedrejas os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram!" (Lucas 13.34). Jesus disse aos judeus: "contudo, vocês não querem vir a mim para terem vida" (João 5.40). O Filho Pródigo teve liberdade para decidir abandonar a casa paterna e também para regressar. Os discípulos de Jesus sempre foram livres para abandoná-lo: "Vocês também não querem ir?" (João 6.67).
Paulo ensinou que a expiação de Cristo foi em favor de todos os homens: "o qual se entregou a si mesmo como resgate por todos" (1 Timóteo 2.6), e neste mesmo contexto ele afirmou que Deus deseja que todos os homens sejam salvos: "Isso é bom e agradável perante Deus, nosso Salvador, que deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade" (1 Timóteo 2.3-4). Isto concorda com o ensino de Jesus de que Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3.16).
Portanto, Deus deseja que todos sejam salvos, por isto oferece perdão em Cristo para todas as pessoas, mas não de maneira compulsória, pois não quer filhos contrariados dentro de casa. O filho tem liberdade de escolha para receber o Dom Gratuito de Deus ou para rejeitá-lo. E, mesmo depois de aceitá-lo, ainda tem a liberdade de abandoná-lo. Por esta razão é que temos tantas exortações na Bíblia sobre a necessidade de perseverança: "Mas aquele que perseverar até o fim será salvo" (Mateus 24.13). "Firmarei para sempre o reino dele, se ele continuar a obedecer os meus mandamentos e as minhas ordenanças, como faz agora’" (1 Crônicas 28.7). "Àquele que vencer e fizer a minha vontade até o fim darei autoridade sobre as nações" (Apocalipse 2.26).
Estamos seguros enquanto estivermos em Cristo. Neste sentido, nenhuma ameaça exterior pode nos fastar do amor de Deus que está em Cristo Jesus. Mas, como adverte o autor de Hebreus: "cuidado, irmãos, para que nenhum de vocês tenha coração perverso e incrédulo, que se afaste do Deus vivo" (Hebreus 3.12).
No amor do Senhor, José Ildo Swartele de Mello
A salvação não é baseada em predestinação+
"A salvação não é baseada em predestinação. Em vez disso, a predestinação é baseada em salvação.
Muitas pessoas torcem as coisas neste momento. Alguns cristãos vêem a predestinação como a chave para a salvação. Crêem que a salvação se dá por causa de uma decisão irrevogável ou "decreto" que o Deus Soberano fez antes da criação do mundo.
Mas o que a Bíblia diz? Ela não ensina que somos salvos por causa de um decreto eterno de Deus. Essa é uma maneira distorcida de compreender a predestinação.
Pelo contrário, somos salvos pela graciosa provisão de salvação que Deus ofereceu em favor de todas as pessoas. Sabemos que Jesus Cristo "morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que morreu e ressuscitou por eles" (2 Coríntios. 5.15).
Biblicamente, a predestinação significa que aqueles que confiam totalmente em Jesus Cristo para a salvação são "pré-destinados" para serem conformes à sua imagem enquanto andarem na luz. "Para aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos" (Rm 8.29).
Em outras palavras, a predestinação é a pré-determinação do destino para o qual a salvação conduz. Salvação significa a restauração da imagem de Deus em nós, e em última análise, isso implica também na "restauração universal, que Deus anunciou há muito tempo através de seus santos profetas" (Atos 3.21).
Biblicamente, a predestinação não se refere a uma particular vontade de Deus para a salvação de determinadas pessoas em particular, mas sim a certeza de que o soberano e gracioso plano de salvação de Deus na história, em que a salvação é oferecida a todos, finalmente e plenamente se cumprirá em justiça, juízo e misericórdia (…)
O amor e a graça de Deus vêm primeiro – A vontade de Deus é que todos sejam salvos. A predestinação garante o destino final para todos os que aceitam e permanecem caminhando fielmente na graça de Deus. "Se andarmos na luz…" (1 João 1.7).
Graças a Deus que, por intermédio de Jesus Cristo e pelo auxílio do Espírito Santo, somos capazes de saber o destino para o qual nosso fiel Salvador nos está conduzindo. E graças a Deus estamos sendo transformados mais e mais à imagem de Jesus Cristo enquanto seguimos firmes neste caminho de esperança que resultará finalmente em novos céu e terra, ou seja, na cura e restauração completa de toda a criação.
"Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e inescrutáveis os seus caminhos! 'Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense?' Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém." (Romanos 11.33-36)
Extraído parcialmente do excelente artigo do Dr. Howard Snyder que pode ser lido na íntegra em inglês em: http://howardsnyder.seedbed.com/2013/04/18/predestination-second-love-first Traduzido por José Ildo Swartele de Mello
A Graça é como a luz do sol+
A graça se manifestou como a luz que, vinda ao mundo, ilumina todas as pessoas que, até então, viviam em plena escuridão. Esta graça habilita todo ser humano a enxergar a luz e a responder ao chamado da Luz com fé.
Como Luz do Mundo (Jo 8.12), Jesus atrai todos a si (Jo 12.32), mas não de modo irresistível e compulsório (Jo 1.11; 3.19; Lc 13.34 ; At 7.51 e Hb 3.7-8).
Segue uma série de versículos bíblicos que mostram a graça atuando em favor de todos os seres humanos, como a luz do sol que brilha sobre todos indistintamente, mas, infelizmente, muitos são os que optam pela escuridão por amarem mais as trevas do que a luz “O povo que caminhava em trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz.” (Is 9.2 NVI)
“Jesus disse: Eu sou a luz do mundo.” (Jo 8.12 NVI).
“Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram… para testificar acerca da luz, a fim de que por meio dele todos os homens cressem… Estava chegando ao mundo a verdadeira luz, que ilumina todos os homens.” (Jo 1.4-9 NVI).
“por causa das ternas misericórdias de nosso Deus, pelas quais do alto nos visitará o sol nascente, para brilhar sobre aqueles que estão vivendo nas trevas e na sombra da morte, e guiar nossos pés no caminho da paz.” (Lc 1.78-79 NVI).
“uma luz para mostrar o teu caminho a todos os que não são judeus e para dar glória ao teu povo de Israel”. (Lc 2.32 NTLH).
“Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens.” (Tt 2.11 NVI).
“Disse-lhes então Jesus: ‘Por mais um pouco de tempo a luz estará entre vocês. Andem enquanto vocês têm a luz, para que as trevas não os surpreendam, pois aquele que anda nas trevas não sabe para onde está indo. Creiam na luz enquanto vocês a têm, para que se tornem filhos da luz.’” (Jo 12.35-36 NVI).
“… Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. Se alguém ouve as minhas palavras, e não lhes obedece, eu não o julgo. Pois não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo. Há um juiz para quem me rejeita e não aceita as minhas palavras; a própria palavra que proferi o condenará no último dia.” (Jo 12.46-48 NVI).
“Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus. Este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram as trevas, e não a luz, porque as suas obras eram más.” (Jo 3.17 -19 NVI).
Como respondi às seguintes objeções calvinistas:+
1) Se a extensão da expiação é universal, logo o sangue de Cristo é derramado em vão por aqueles que não são salvos.
O sangue de Jesus foi derramado em favor da humanidade oferecendo salvação a todos por meio da fé. Seu sacrifício não foi em vão, não apenas por conta dos que se convertem, mas também dos demais, visto que através de tal sacrifício, Deus demonstrou seu amor por eles também. Isto contribui para o incremento da honra e da glória do seu bendito nome. Tributamos louvores ao seu amor e a sua graça que se manifestou salvadora a todos os seres humanos (Tt 2.11). Deus não faz acepção de pessoas (Rm 2.11 e At 10.34). Deus amou o mundo! (Jo 3.16).
2) Se Cristo morreu por alguém e essa pessoa não for salva, logo, seu pecado será pago duas vezes, uma na cruz e outra no inferno.
Tal objeção faria sentido se nossa dívida fosse do tipo pecuniária, mas, não é este o caso. Trata-se de uma dívida judicial, cujo pagamento não resolve a questão automaticamente, pois depende da aceitação dos termos e condições. A não aceitação dos termos, faz com que o devedor permaneça na obrigação de pagar a sua dívida. A Parábola do Credor Incompassível demonstra o risco do perdão concedido por Deus poder vir a ser retirado em caso de subsequente falta de misericórdia por parte do que que recebeu o perdão (Mt 18.22–35).
3) No Arminianismo, a graça simplesmente possibilita o homem a se salvar. Aliás, Cristo veio para salvar ou para tornar a salvação possível?
Tal objeção seria válida se o propósito de Cristo fosse salvar a humanidade de modo incondicional, mas a Bíblia ensina que Deus deu seu Filho ao mundo para a salvação mediante a fé (Jo 1.12 e 3.16). “Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, o e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más.” (Jo 3.17–19). Que Jesus se manifestou como salvador não de modo incondicional, mas condicional também se vê na questão de Israel. Jesus veio como Salvador para os que eram seus, mas os seus não o receberam (Jo 1.11). Ele quis salvá-los como a galinha ampara seus pintinhos debaixo de suas asas, mas, infelizmente, eles não quiseram (Mt 23.37). O sacrifício do cordeiro pascal propicia salvação a todos desde que seu sangue seja devidamente aplicado aos umbrais das portas. Cristo é o Cordeiro de Deus cujo sacrifício é suficiente para tirar o pecado de toda a raça humana, mas eficiente apenas para aqueles que dele se apropriam pela fé.
Ildo Mello
ROMANOS 9.20-21 NÃO É BASE PARA A DOUTRINA DA PREDESTINAÇÃO+
Romanos 9.20-21 não pode ser usado para defender predestinação incondicional, pois refere-se a passagens do Antigo Testamento que ensinam exatamente o contrário (Jr 18.1-10 e Is 29.16). Tais textos mostram que esse vaso de barro, Israel, tem vontade própria, e, por isto mesmo, foi que acabou se quebrando na mão do oleiro. De outro modo, se estivesse totalmente sujeito ao controle das mãos do grande e perito Oleiro, este vaso jamais se quebraria. Mas, mesmo quebrado, ainda pode ser refeito assim como o ramo cortado pode ser enxertado novamente na Oliveira através do arrependimento e fé (Rm 11.23-32). Pois qualquer nação pode escapar do decreto de condenação de Deus se vier a se converter da sua perversidade: “Se em algum momento eu decretar que uma nação ou um reino seja arrancado, despedaçado e arruinado, e se essa nação que eu adverti converter-se da sua perversidade, então eu me arrependerei e não trarei sobre ela a desgraça que eu tinha planejado.” (Jr 18.6-7).
Confira:
“Mas quem é você, ó homem, para questionar a Deus? “Acaso aquilo que é formado pode dizer ao que o formou: ‘Por que me fizeste assim?’” O oleiro não tem direito de fazer do mesmo barro um vaso para fins nobres e outro para uso desonroso?” (Rm 9.20-21 NVI).
“Esta é a palavra que veio a Jeremias da parte do Senhor: “Vá à casa do oleiro, e ali você ouvirá a minha mensagem”. Então fui à casa do oleiro, e o vi trabalhando com a roda. Mas o vaso de barro que ele estava formando estragou-se em suas mãos; e ele o refez, moldando outro vaso de acordo com a sua vontade. Então o Senhor dirigiu-me a palavra: “Ó comunidade de Israel, será que eu não posso agir com vocês como fez o oleiro?”, pergunta o Senhor. “Como barro nas mãos do oleiro, assim são vocês nas minhas mãos, ó comunidade de Israel. Se em algum momento eu decretar que uma nação ou um reino seja arrancado, despedaçado e arruinado, e se essa nação que eu adverti converter-se da sua perversidade, então eu me arrependerei e não trarei sobre ela a desgraça que eu tinha planejado. E, se noutra ocasião eu decretar que uma nação ou um reino seja edificado e plantado, e se ele fizer o que eu reprovo e não me obedecer, então me arrependerei do bem que eu pretendia fazer em favor dele.” (Jr 18.1-10 NVI)
Paulo se refere a textos do Antigo Testamento em que Israel, como barro, estava agindo, deliberadamente, de modo perverso e arrogante, insurgindo-se contra o Oleiro: “Vocês viram as coisas pelo avesso! Como se fosse possível imaginar que o oleiro é igual ao barro! Acaso o objeto formado pode dizer àquele que o formou: “Ele não me fez”? E o vaso poderá dizer do oleiro: “Ele nada sabe”? (Is 29.16 NVI).
O conceito de Brunner sobre a eleição não soa armínio-wesleyano?+
Ele diz:
É Seu livre propósito que coloca-nos pecadores, por meio da fé, na realidade do Filho do Seu Amor, como é Seu propósito enviar-nos Seu Filho, revelar-nos a nós e partilhar a Si mesmo conosco (…). Em si mesmo, o Filho significa Eleição. Onde o Filho está há eleição. Mas onde o Filho não está não há eleição. Mas o Filho só está presente onde há fé, por isso no Novo Testamento os eleitos e apenas eles são aqueles que crêem. Por esta causa só a fé é decisão na qual o prêmio é a salvação ou a ruína. Não é uma decisão falsa onde tudo já foi decidido de antemão. As conseqüências podem ser sérias, se a fim de escapar da doutrina da dupla predestinação tomarmos o caminho errado e acabarmos no Universalismo [1].
Alguém de fato lê na Bíblia como um todo, como também em Paulo, muito acerca daqueles a quem Deus rejeita ou rejeitou (por ex. Rm 11.15), mas nunca sobre aqueles aos quais Ele rejeitou desde a eternidade. Alguém encontra que Deus endurece os homens (Rm 9.18),mas nunca que Ele os predestinou desde a eternidade para a dureza do coração. Está escrito na Epístola aos Romanos que Deus tem o direito de fazer com sua criatura o que desejar – e se desejar, pode também fazer vasos de ira (Rm 9.22), mas não diz que Ele predestinou homens desde a eternidade para serem vasos de ira e os tenha criado como tais. Pelo contrário, é precisamente aqueles a quem Paulo descreve no nono capítulo como vasos de ira (9.22) de quem ele diz, no décimo primeiro capítulo que já estão salvos(11.23ss) (…) por um lado, ninguém se aproxima tão intimamente do pensamento de um “duplo decreto da predestinação, um para a salvação e outro para a perdição” como o nono capítulo da Epístola aos Romanos. Por outro lado, ninguém se aproxima mais da doutrina da salvação universal como o final do capítulo onze. (…). Se perguntarmos a razão disso, então estes são justamente os capítulos que nos fornecem uma resposta: apenas o fiel pode saber a respeito da eleição. A fé, porém, embora sendo dom de Deus é requerida de nossa parte. Nós também devemos crer (1 Co 16.13; Cl 2.7; Ef 6.16), A Palavra de Cristo está sendo proclamada em todas as nações, com a exigência da obediência (Rm 15.18). O que mais importa é a decisão da fé (Rm 11.20) [2].
[1] BRUNNER Emil. Dogmática I, p. 412.
[2] BRUNNER Emil. Romanos, p.257-258.
A Parábola das Bodas+
A Parábola das Bodas áudio aprimorado by Ildo Mello on Mixcloud Eleição do ponto de vista de Jesus.
Quais lições podemos extrair da Parábola das Bodas? Qual e o significado das vestes nupciais? Qual é o conceito de Cristo sobre eleitos ou escolhidos?
Na Parábola das Bodas (Mt 22) Jesus trata do tema da eleição. Temos ali o ensino de que os judeus, que recusaram o convite, receberam mais que uma oportunidade, tal era o desejo do Rei de que eles participassem da festa (Mt 22.4). Tal recusa não foi por predestinação, falta de oportunidade ou incapacidade, mas, simplesmente, porque "não quiseram" (Mt 22.3). Este tema é recorrente na Bíblia. João disse que Jesus “veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus" (Jo 1.11-12). Jesus chorou sobre Jerusalém e lamentou o fato de seus moradores terem rejeitado a oferta de salvação (Lc 13.34).
E as Palavras de Paulo aos judeus que rejeitaram o Evangelho estão em perfeita sintonia com está Parábola, que diz que, então, o convite foi extensivo a todos indistintamente: "Então Paulo e Barnabé lhes responderam corajosamente: 'Era necessário anunciar primeiro a vocês a palavra de Deus; uma vez que a rejeitam e não se julgam dignos da vida eterna, agora nos voltamos para os gentios'" (At 13.46).
Jesus conclui a parábola com a seguinte declaração: “Muitos são chamados, mas poucos os escolhidos”. Todos foram chamados. O desejo do Rei era contar com a participação de cada um deles. Ninguém precisava ter ficado de fora! Todos foram chamados, mas, no final, escolhidos foram apenas os que atenderam de bom grado o convite. Estes não agiram assim por terem sido previamente escolhidos, mas foram escolhidos por terem exercido fé a ponto de atenderem apropriadamente ao convite nos termos estabelecidos pelo Rei. Portanto, Jesus está enfatizando que a eleição possui um caráter condicional. Por esta razão é que Pedro diz que somos “eleitos segundo a presciência de Deus Pai” (1Pe 1.2).
A fé de cada indivíduo não é uma decisão falsa onde tudo já teria sido decidido de antemão pelo ser supremo (Mt 22.3; Rm 9.33; 10.4,8,11,16-21).
Segue link para o vídeo da pregação desta mensagem: https://youtu.be/eYNGAeMHpyM Bispo Ildo Mello
Você tem desenvolvido a sua salvação?+
Por Ildo Mello O cristão não pode pura e simplesmente descansar na graça da salvação. Vivificado pelo Espírito, precisa agora dedicar-se a produção dos frutos do Espírito. Paulo exorta os crentes a desenvolverem sua salvação com temor e tremor (Fp 2.12), e Pedro faz o mesmo no início de sua última carta às Igrejas.
O Apóstolo Pedro, primeiramente, ressalta o que Cristo fez por nós (2Pe 1.4):
(1) Suas preciosas e mui grandes promessas; (2) Participação da natureza divina; (3) Libertação da corrupção das paixões que há no mundo.
Os crentes, que foram feitos participantes da natureza divina e foram libertados da corrupção do pecado, ainda vivem em um mundo real repleto de conflitos, tentações e desafios. A vigilância contínua e o empenho para viver de modo digno do Evangelho se fazem necessários para a manutenção da fé e para o crescimento na graça.
A vida e o crescimento cristãos são uma experiência cooperativa, onde Deus faz para o homem o que ele não pode fazer por si mesmo, cabendo ao homem, agora, capacitado pelo Espírito, empenhar-se no desenvolvimento de sua salvação, completando sua fé com a prática destas sete virtudes do Espírito mencionadas pelo Apóstolo Pedro:
(1) virtude de caráter moral; (2) conhecimento, discernimento espiritual e prático; (3) domínio próprio para agir com moderação e resistir as tentações; (4) paciência diante das provações; (5) piedade, vida devocional, nutrindo um bom relacionamento com Deus; (6) bondade fraterna, as boas relações com os irmãos; (7) amor, a maior de todas as virtudes cristãs.
Pedro diz que somente assim é que o cristão poderá evitar o grande risco de se tornar infrutífero e cego espiritualmente e de cair da fé (2Pe 1.8-9; 2.20-22; 3.17; Jo 15.1-6). Em vista desta trágica possibilidade, Pedro conclui este parágrafo com uma forte exortação: “Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum. Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. (2Pe 1.10–11).
A Parábola das Bodas de Mateus 22+
O conceito de Jesus sobre eleição
Na Parábola das Bodas (Mt 22) Jesus trata do tema da eleição. Temos ali o ensino de que os judeus, que recusaram o convite, receberam mais que uma oportunidade, tal era o desejo do Rei de que eles participassem da festa (Mt 22.4). Tal recusa não foi por predestinação, falta de oportunidade ou incapacidade, mas, simplesmente, porque "não quiseram" (Mt 22.3). Este tema é recorrente na Bíblia. João disse que Jesus “veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus" (Jo 1.11-12). Jesus chorou sobre Jerusalém e lamentou o fato de seus moradores terem rejeitado a oferta de salvação (Lc 13.34).
E as Palavras de Paulo aos judeus que rejeitaram o Evangelho estão em perfeita sintonia com está Parábola, que diz que, então, o convite foi extensivo a todos indistintamente: "Então Paulo e Barnabé lhes responderam corajosamente: 'Era necessário anunciar primeiro a vocês a palavra de Deus; uma vez que a rejeitam e não se julgam dignos da vida eterna, agora nos voltamos para os gentios'" (At 13:46).
Jesus conclui a parábola com a seguinte declaração: “Muitos são chamados, mas poucos os escolhidos”. Todos foram chamados. O desejo do Rei era contar com a participação de cada um deles. Ninguém precisava ter ficado de fora! Todos foram chamados, mas, no final, escolhidos foram apenas os que atenderam de bom grado o convite. Estes não agiram assim por terem sido previamente escolhidos, mas foram escolhidos por terem exercido fé a ponto de atenderem apropriadamente ao convite nos termos estabelecidos pelo Rei. Portanto, Jesus está enfatizando que a eleição possui um caráter condicional. Por esta razão é que Pedro diz que somos “eleitos segundo a presciência de Deus Pai” (1Pe 1.2).
A fé de cada indivíduo não é uma decisão falsa onde tudo já teria sido decidido de antemão pelo ser supremo (Mt 22.3; Rm 9.33; 10.4,8,11,16-21).
Bispo Ildo Mello
“You Needed Me” me fez pensar no amor de Deus!+
Algumas canções têm o poder de tocar profundamente a alma, e "You Needed Me", escrita por Randy Goodrum e imortalizada por Anne Murray em 1978, é uma dessas. Desde então, essa canção tem embalado os corações de muitos casais e se tornado uma das mais belas declarações de amor romântico. Sua mensagem de resgate, gratidão e valorização do outro transcende o tempo, tocando pessoas de diferentes gerações.
Embora escrita como uma declaração de amor humano, é maravilhoso perceber como ela também pode ser uma metáfora poderosa do amor de Deus. Quando ouço versos como "Você me colocou tão alto que eu quase pude ver a eternidade", não consigo deixar de pensar no amor divino que nos eleva, nos restaura e nos dá um propósito eterno.
Deus é aquele que seca nossas lágrimas, clareia nossas mentes confusas, compra de volta nossa alma e resgata nossa dignidade. Ele nos encontra em nossos momentos mais baixos e nos ergue até lugares que jamais imaginamos alcançar.
Essa música me lembra das palavras do Salmo 40.2: "Tirou-me de um poço de destruição, de um atoleiro de lama; pôs os meus pés sobre uma rocha e firmou os meus passos." Assim como na canção, Deus é aquele que nunca desiste de nós. Ele nos dá força para nos levantarmos, nos ensina a caminhar novamente e nos coloca em um lugar de honra.
O que torna este amor tão extraordinário é o fato de que, mesmo sendo o Todo-Poderoso Criador do universo, totalmente pleno e autossuficiente, Deus decidiu “precisar” de nós. Ele nos chama amigos, nos valoriza e nos convida a participar de Sua história de redenção.
Que esta canção inspire não apenas gratidão pelo amor humano, mas também uma profunda reverência pelo amor de Deus, que é maravilhoso, eterno e restaurador. Afinal, o maior amor é aquele que nos faz ver a eternidade!
Atos 13.48 está ensinando a doutrina da predestinação incondicional?+
Os calvinistas, interpretam Atos 13.48, como se estisse ali uma declaração de que só creram os que estavam predestinados a salvação. Mas isto não é correto pelas seguintes razões:
Primeiramente, é de fundamental importância observar que os versículos anteriores falam dos judeus rejeitando voluntariamente a pregação do Evangelho. Sendo assim, agora, neste versículo, Lucas está afirmando que, apesar da oposição e rejeição dos judeus, os propósitos pretendidos por Deus estão sendo cumpridos. Ele está dizendo que, de acordo com o plano de Deus, o evangelho alcançou os gentios nesta região.
Além disso, é bom também frisar que o termo grego tasso é de origem militar, sendo comumente utilizado no sentido de dispor soldados em ordem de acordo com a vontade de um oficial. E, quando combinado com δια, é assim traduzido em 1Coríntios 11.34 da seguinte maneira: “Quanto às demais coisas, ordená-las-ei quando for.”
Portanto, em Atos 13.48, Deus colocou em ordem os gentios a frente dos judeus que até então tinham a prioridade. "Ele veio para os que eram seus, mas os seus não o receberam, mas a tantos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, os que creem no seu nome." (Jo 1.11-12).
Os gentios, que não eram povo, agora foram colocados na ordem do dia da salvação, passando a fazer parte do povo de Deus. Os ramos originais foram cortados e os da oliveira brava foram enxertados na Oliveira Verdadeira! (Rm 11).
Difícil também seria concluir que Lucas estivesse aqui afirmando que todas as pessoas daquela comunidade que estavam predestinadas a salvação creram naquele mesmo dia e que os que não creram estavam predestinados a perdição, de modo que nenhuma pregação mais seria necessária a eles. Com que autoridade Lucas poderia afirmar tal coisa? Teria ele recebido uma revelação super-especial a este respeito?
A falácia do calvinismo+
O calvinismo ensina que o ser humano é totalmente depravado, não sendo capaz de atos de pura bondade e nem de responder a Deus com fé e arrependimento. Mas, neste caso, Deus seria injusto ao exigir fé e arrependimento de seres que são totalmente incapazes de crer e se arrepender, assim como um pai seria injusto se pedisse a seu filho de 5 anos de idade que carregasse nas costas uma geladeira e, por fim, o punisse severamente por não cumprir o seu mandamento. Tal pedido seria absurdo devido a total incapacidade do filho para o cumprimento daquela tarefa. Se o filho é incapaz de cumprir uma tarefa, então, não pode ser culpado por não cumpri-la.
Deus é coerente e justo. Se Deus ordena a todos os homens que se arrependam é por que todos são capacitados para tanto. Sendo assim, são verdadeiramente responsáveis pela forma como responderão a Deus.
Se os inúmeros chamados, ordens e advertências na Bíblia devem ser realmente levados a sério, então o homem deve ter capacidade para responder positivamente para seu benefício e salvação.
"Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam" (At 17.30).
"Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente" (Tt 2.11-12).
"Ora, no seu último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e cla mou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim e beba" (Jo 7.37).
Um grande abraço, Bispo José Ildo Swartele de Mello
Vigiai!+
Santidade e perseverança são necessárias:
Para evitar a remoção do candelabro, pois está escrito: "Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do seu lugar" (Ap 2.5); Para garantir o acesso ao fruto da árvore da vida, pois "Ao vencedor darei o direito de comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus" (Ap 2.7); Para receber a coroa, pois Cristo adverte: "Seja fiel até a morte, e eu lhe darei a coroa da vida (Ap 2.10); Para escapar da segunda morte, pois "o vencedor de modo algum sofrerá a segunda morte (Ap 2.11); Para escapar do juízo da espada, pois está escrito: "Portanto, arrependa-se! Se não, virei em breve até você e lutarei contra eles com a espada da minha boca" (Ap 2.16); Para escapar do risco de ser vomitado: "porque você é morno, nem frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca (Ap 3.16); Para não ter seu nome riscado: "O vencedor será igualmente vestido de branco. Jamais apagarei o seu nome do livro da vida, mas o reconhecerei diante do meu Pai e dos seus anjos (Ap 3.5; cf. Hb 6.4-8; 10.26-31; 12.14-15; 1 Co 9.27; 2 Pe 1; 3.17-18 e Jo 15.6)
"Portanto, amados, sabendo disso, guardem-se para que não sejam levados pelo erro dos que não têm princípios morais, nem percam a sua firmeza e caiam. Cresçam, porém, na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, agora e para sempre! Amém" (2 Pe 3.17 e 18).
No amor do Senhor, Bispo Ildo Mello
Paralelo entre Romanos 9 e a Parábola das Bodas de Mateus 22+
A Parábola das Bodas, encontrada em Mateus 22, e o capítulo 9 de Romanos apresentam semelhanças na temática da rejeição de Israel por sua incredulidade e desprezo. Ambos os textos afirmam que Deus não predestinou quem iria participar definitivamente da festa ou da salvação. O convite para ambos foi insistente, mesmo após a recusa inicial, e foi estendido a todos, sem exceção, porque é um convite da graça de Deus. A fé é apresentada como a condição para estar e permanecer na comunidade escolhida para as Bodas do Filho ou para a salvação, mas essa fé não é uma decisão falsa, onde tudo já teria sido decidido de antemão pelo ser supremo. Em ambos, o destino dos convidados não está previamente definido e Deus usa de misericórdia para com todos. Aqueles que recusaram o convite receberam mais de uma oportunidade e se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados novamente. Ambos os textos falam do severo juízo de Deus sobre os incrédulos que desprezam a sua graça.
Atos 2.39+
Com a frase “para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar” (At 2.39), Pedro não está restringindo, mas ampliando o conceito de eleição, que, até então, era restrito a comunidade judaica. O Espírito está agora sendo derramado sobre toda a carne (At 2.17). Deus não está chamando apenas judeus, mas também gentios ao arrependimento. “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” (At 2.21). “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo; porque, no monte Sião e em Jerusalém, estarão os que forem salvos, como o Senhor prometeu; e, entre os sobreviventes, aqueles que o Senhor chamar.” (Jl 2.32, cp. Rm 10:13). A teologia de Pedro não é ambígua, mas, muito clara a este respeito: “Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento.” (2Pe 3.9–10).
Romanos 9 — Será que a palavra de Deus falhou?+
Quero começar esta palestra fazendo com vocês as perguntas que, imagino, já passaram pela cabeça de todo leitor atento do Novo Testamento. Se Jesus é o Messias prometido a Israel, por que a maior parte de Israel não creu nele? Por que a Igreja, em pouquíssimo tempo, passou a ser formada majoritariamente por gentios? Teria Deus voltado atrás nas promessas que fez ao seu povo? E a pergunta que costuma dominar o debate: Romanos 9 ensina que Deus predestinou cada indivíduo, desde a eternidade, para a salvação ou para a perdição?
Essas perguntas são antigas, e não sou eu quem vai fingir que são fáceis. O próprio apóstolo Pedro, falando das cartas de Paulo, reconheceu que nelas “há alguns pontos difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam” (2Pe 3.16). Se Pedro admite a dificuldade, nós faremos bem em nos aproximar de Romanos 9 com humildade, com método e com muita atenção ao contexto.
Antes de abrir o texto, um dado histórico que poucos conhecem e que nos ajuda a relativizar certezas. Durante os primeiros quatro séculos da igreja, nenhum pai da igreja leu Romanos 9 como ensino de eleição incondicional de indivíduos para salvação ou perdição. O próprio Agostinho, em seus primeiros escritos sobre Romanos, por volta do ano 394, entendia a eleição com base na fé prevista por Deus. A virada aconteceu em 396, na obra Ad Simplicianum — e mesmo ali tratava-se de uma leitura nova, não da herança recebida da igreja. A dupla predestinação explícita, com decreto para a perdição, só aparece com Gottschalk, no século nove, e seria sistematizada por Calvino no século dezesseis. Isso não decide a questão, é claro; quem decide é o texto. Mas nos lembra de que a leitura determinista é a novidade na história da interpretação, não a regra.
Como vamos ler, então? Proponho seis chaves de leitura que vão nos acompanhar do início ao fim. Primeira: identificar a pergunta real que Paulo está respondendo. Segunda: tratar Romanos 9, 10 e 11 como um bloco único — os capítulos 10 e 11 completam o argumento do capítulo 9. Terceira: ler dentro da mensagem central da carta, que os capítulos 1 a 4 estabelecem: a justiça de Deus mediante a fé. Quarta: examinar o contexto original de cada citação que Paulo faz do Antigo Testamento, porque ele assume que seus leitores conheciam essas passagens. Quinta: deixar que os textos claros iluminem os obscuros, e nunca o contrário. Sexta: lembrar que nenhuma leitura pode transformar o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo num condenador arbitrário.
1. A questão real de Romanos 9
1.1 A tristeza de Paulo já é um argumento
Observem como o capítulo começa. Paulo não abre com uma tese fria; abre com lágrimas:
“Sinto grande tristeza e tenho incessante dor no coração. Porque eu mesmo desejaria ser amaldiçoado, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas segundo a carne.” (Rm 9.2-3)
Parem um instante nessa dor. Se a rejeição de Israel fosse fruto de um decreto eterno e imutável, essa “incessante dor” não faria sentido nenhum: Paulo estaria lamentando a perfeita vontade de Deus. Mais que isso: ele ora pela salvação deles — “o desejo do meu coração e a minha súplica a Deus em favor deles é para que sejam salvos” (Rm 10.1). Ninguém suplica contra um decreto irrevogável. E ele ainda trabalha para provocar ciúmes em Israel, “para que alguns deles se salvem” (Rm 11.14) — um esforço inútil se tudo já estivesse decidido desde a eternidade. A dor, a oração e o esforço missionário de Paulo pressupõem portas abertas, não destinos selados.
1.2 O versículo que costuma ser pulado
Agora, o versículo que enuncia o problema do capítulo inteiro — e que, curiosamente, a leitura calvinista costuma atravessar correndo:
“E não pensemos que a palavra de Deus falhou. Porque nem todos os de Israel são, de fato, israelitas.” (Rm 9.6)
Está aí a tese. O problema de Romanos 9 não é “por que alguns indivíduos creem e outros não”. O problema é outro: se Israel, o povo das promessas, está rejeitando o seu Messias, será que a palavra de Deus falhou? Será que Deus prometeu e não cumpriu? A resposta de Paulo é um sonoro não — e a razão é que a promessa nunca foi para a descendência da carne, mas para a descendência da fé.
Percebam como o ponto de partida decide tudo. Quem pergunta ao texto “por que uns creem e outros não?” acaba inevitavelmente na resposta do decreto secreto que separou eleitos e réprobos — e desemboca no determinismo, em que fé e incredulidade viram meros efeitos de uma escolha já feita. Mas quem ouve a pergunta que Paulo de fato responde — “a palavra de Deus falhou com Israel?” — recebe outra resposta: não falhou, porque a salvação nunca foi por etnia nem por obras, mas pela fé (Rm 9.30-32). A mesma Pedra em que Israel tropeça é a que salva quem nela crê (Rm 9.33) — inclusive o judeu que vier a crer (Rm 11.23).
1.3 Eleição corporativa e vocacional
Qual é, então, a tese de Romanos 9? O capítulo trata da eleição da nação de Israel para um papel histórico e missionário: dela vieram a adoção, as alianças, a Lei, o culto, as promessas, os patriarcas e o próprio Cristo segundo a carne (Rm 9.4-5). Deus foi justo no tratamento dado a Israel e tem cumprido suas promessas através do remanescente (Rm 9.27; 11.5). E os indivíduos judeus não têm um caminho de salvação distinto dos gentios: todos são salvos pela fé no mesmo Senhor (Rm 10.12-13).
Paulo demonstra que a exclusão de parte da descendência física de Abraão nunca foi novidade: sempre fez parte da história da promessa. Dos filhos de Abraão, só Isaque herdou a promessa — não Ismael (Rm 9.7). Dos filhos de Isaque, só Jacó — não Esaú (Rm 9.10-13). E dentro do próprio Israel, “nem todos os de Israel são, de fato, israelitas” (Rm 9.6); “o remanescente é que será salvo” (Rm 9.27). A promessa sempre passou por um afunilamento, e o critério desse afunilamento é declarado pelo próprio Paulo: “não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa é que são contados como descendência” (Rm 9.8). Abraão é pai de todos os que creem, quer judeus, quer gentios (Rm 4.11-12, 16). Raabe e Rute, gentias, tornaram-se filhas da promessa pela fé.
Notem que isso não é um assunto novo na carta. Romanos 1 a 4 já havia desmontado tudo aquilo de que o judeu se orgulhava: ser filho natural de Abraão não salva (Mt 3.9), a circuncisão não salva (Rm 2.25-29), as obras da lei não salvam (Rm 3.20). O que salva é a graça de Deus, mediante a fé (Rm 3.24-28), num só caminho para judeus e gentios (Rm 3.29-30). Romanos 9-11 não muda de assunto; aplica essa mesma tese ao caso doloroso de Israel.
2. Os quatro textos difíceis
Vamos agora ao coração da controvérsia. A leitura calvinista de Romanos 9 se apoia essencialmente em quatro versículos: “Amei Jacó, porém desprezei Esaú” (9.13); “Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia” (9.15); “endurece a quem ele quer” (9.18); e “vasos de ira, preparados para a destruição” (9.22). Quero examinar cada um deles com vocês, dentro do contexto — o de Romanos e o do Antigo Testamento de onde Paulo os tirou.
2.1 “Amei Jacó, porém desprezei Esaú” (Rm 9.13)
Primeiro detalhe, e é decisivo: Paulo está citando Malaquias 1.2-3, um texto escrito séculos depois da morte dos dois irmãos. No contexto de Malaquias, “Jacó” e “Esaú” são as nações de Israel e Edom — não dois bebês no ventre de Rebeca. E o oráculo original dado a Rebeca já dizia exatamente isso: “Duas nações há no seu ventre, dois povos… e o mais velho servirá ao mais moço” (Gn 25.23). A leitura nacional não é uma manobra arminiana para escapar do texto; está na própria fonte que Paulo cita. Tanto é assim que o indivíduo Esaú jamais serviu ao indivíduo Jacó — quem serviu a Israel foi a nação de Edom (2Sm 8.14).
Segundo detalhe: o verbo. A Nova Almeida traduz “desprezei”; outras versões trazem “aborreci”. Trata-se do mesmo idiomatismo semítico que Jesus usou: “Se alguém vem a mim e não aborrece pai e mãe… não pode ser meu discípulo” (Lc 14.26). Ninguém entende que Jesus mandou odiar os pais; o sentido é amar menos, preterir. Foi Esaú, aliás, quem desprezou primeiro o seu direito de primogenitura (Gn 25.34; Hb 12.16), perdendo o privilégio de ser o pai da linhagem do Salvador. E o texto bíblico não afirma a perdição eterna de Esaú — mais tarde ele se mostrou generoso com o irmão (Gn 33), um sinal da graça de Deus em sua vida.
E a ira contra Edom? Obadias declara o motivo, e não é um decreto pré-natal: “por causa da violência feita a teu irmão Jacó” (Ob 1.10-14). A reprovação tem causa moral declarada. Isso se encaixa no que a Escritura ensina sobre o fundamento da eleição: “aos que de antemão conheceu, também os predestinou” (Rm 8.29); “eleitos segundo a presciência de Deus Pai” (1Pe 1.2). A presciência vem antes da predestinação. Deus conhece de antemão quem responderá com fé — e o destino gravita em torno dessa resposta, não de um sorteio eterno.
2.2 “Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia” (Rm 9.15-16)
O segundo texto costuma ser lido como se dissesse: Deus tem misericórdia apenas dos eleitos. Mas o ponto de Paulo é outro. Ele está afirmando a liberdade de Deus para definir o modo de conceder misericórdia: pela fé, e não pela etnia ou pelas obras. Deus não deve nada ao pedigree de ninguém. E o próprio bloco termina dizendo que Deus quer “mostrar a sua misericórdia a todos” (Rm 11.32), que o Senhor é “rico para com todos os que o invocam” (Rm 10.12), e o salmista já cantava: “O SENHOR é bom para todos, e as suas misericórdias estão sobre todas as suas obras” (Sl 145.9). Uma misericórdia restrita aos eleitos contradiria os textos claros: “Deus não faz acepção de pessoas” (At 10.34; Rm 2.11) e “Deus amou o mundo” (Jo 3.16).
E o versículo 16? “Assim, pois, isto não depende de quem quer ou de quem corre, mas de Deus, que tem misericórdia” (Rm 9.16). Aqui é preciso ler com cuidado. “Querer e correr” designam o esforço e o privilégio humanos — as obras, a etnia, o zelo religioso que Paulo descreverá em Rm 10.2-3. O versículo exclui o mérito; não exclui a fé. A fé é justamente o modo não meritório que a misericórdia de Deus estabeleceu: “por isso, é pela fé, para que seja segundo a graça” (Rm 4.16). Quem duvidar, espere pela conclusão do próprio Paulo no fim do capítulo — nós chegaremos lá.
Vale lembrar ainda o alcance da cruz, porque a leitura restritiva da misericórdia carrega junto uma expiação limitada. A Escritura fala em outra direção: Cristo “a si mesmo se deu em resgate por todos” (1Tm 2.6), e Deus “deseja que todos sejam salvos” (1Tm 2.4); ele é a propiciação “pelos pecados de todo o mundo” (1Jo 2.2); “provou a morte por todos” (Hb 2.9); é “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29), “o Salvador do mundo” (Jo 4.42). Paulo chega a advertir: “não faças perecer aquele por quem Cristo morreu” (Rm 14.15) — logo, Cristo morreu também por quem pode perecer. E Deus “não quer que ninguém se perca” (2Pe 3.9), pois não tem prazer na morte do ímpio (Ez 18.23).
2.3 “Endurece a quem ele quer” (Rm 9.18)
O terceiro texto nos leva ao Egito. Notem, primeiro, o que o texto não diz: não diz que Deus endureceu Faraó desde a eternidade. Quando lemos Êxodo com atenção, vemos que nas primeiras pragas é Faraó quem endurece o próprio coração (Êx 8.15; 8.32), ou se diz que o seu coração “se endureceu” (Êx 7.13, 22; 9.7) — e só depois o texto passa a dizer que Deus o endureceu (Êx 9.12). O endurecimento divino opera como entrega judicial, aquele mesmo movimento que Paulo descreveu em Romanos 1: “Deus os entregou” aos desejos dos seus corações (Rm 1.24, 26, 28). Faraó converteu cada manifestação da paciência de Deus em mais resistência — e Deus confirmou essa escolha. Deus endurece a quem quer, sim; e Ele quer endurecer os que persistentemente endurecem a si mesmos.
Sei que alguém vai levantar a objeção, e ela é boa: “mas antes de qualquer praga Deus já tinha dito: eu lhe endurecerei o coração” (Êx 4.21; 7.3). Respondo com duas observações. Primeira: anúncio presciente não é causação. Deus, que conhece o coração, declara de antemão como Faraó reagirá — exatamente como Jesus anunciou de antemão a negação de Pedro (Mc 14.30) sem por isso tê-la causado. Segunda: o instrumento do endurecimento são as próprias manifestações de graça e poder. O mesmo sol que derrete a cera endurece o barro. E há uma prova interna de que o endurecimento não é decreto imutável: a exortação “se, hoje, ouvirem a sua voz, não endureçam o coração” (Hb 3.15) não faria o menor sentido se endurecer ou não endurecer não estivesse ao alcance do ouvinte.
Agora, a ironia fina de Paulo: os judeus aceitavam tranquilamente o endurecimento de Faraó — mas não percebiam que estavam fazendo exatamente o mesmo. Estêvão lhes disse na cara: “vós sempre resistis ao Espírito Santo” (At 7.51). E assim como a dureza de Faraó serviu ao Êxodo e à proclamação do nome de Deus em toda a terra (Rm 9.17), a dureza de Israel favoreceu a redenção dos gentios (Rm 11.11). Em ambos os casos, trata-se de papel histórico no plano de Deus — não de destino eterno individual decretado. E fica o aviso: “a quem muito foi dado, muito será exigido” (Lc 12.48). O privilégio de Israel aumentou sua responsabilidade, não sua segurança.
2.4 O oleiro e os vasos (Rm 9.19-23)
Chegamos à imagem do oleiro. “Será que o oleiro não tem direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro para desonra?” (Rm 9.21). Pergunto a vocês: na Escritura, quem é o barro nas mãos do oleiro? Não é a humanidade em geral, nem cada alma individual — é Israel (Is 29.16; 64.8; Jr 18.6). E aqui está um dos achados mais bonitos deste estudo: os textos que Paulo evoca ensinam exatamente o contrário do determinismo.
Abram comigo Jeremias 18. Deus manda o profeta à casa do oleiro e diz: “Como barro nas mãos do oleiro, assim são vocês nas minhas mãos, ó casa de Israel” (Jr 18.6). E na sequência explica as regras: se eu decretar arrancar uma nação, e ela se converter da sua maldade, eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe; e se eu decretar edificar uma nação, e ela fizer o que é mau, me arrependerei do bem que dissera fazer-lhe (Jr 18.7-10). Esse vaso tem vontade própria — o vaso que “se estragou na mão do oleiro” (Jr 18.4) não estava sob controle absoluto. Nínive comprova a regra: o decreto anunciado foi revertido pelo arrependimento (Jn 3.10), para frustração de Jonas e alegria de Deus (Jn 4.11). Até Jerusalém sitiada ainda tinha escolha: render-se e viver, ou resistir e arder (Jr 38.17-18). Paulo assumia que seus leitores judeus conheciam esse contexto e captariam a implicação.
E os “vasos de ira, preparados para a destruição” (Rm 9.22)? Aqui um detalhe do grego muda tudo. Para os vasos de ira, Paulo usa katērtisména — particípio perfeito, “prontos, ajustados” —, e não declara o agente; a voz pode inclusive ser lida como média: “que se prepararam”. Para os vasos de misericórdia, muda completamente a construção: “que de antemão preparou para glória” (Rm 9.23) — proētoímasen, verbo ativo, Deus como sujeito explícito, e só aqui aparece o “de antemão”. O silêncio de Paulo sobre quem prepara os vasos de ira é eloquente: Deus prepara para a glória; para a destruição, o homem se prepara na incredulidade. E notem: Deus “suportou com muita paciência” esses vasos — e a paciência de Deus, ensina o próprio Paulo, visa o arrependimento (Rm 2.4; 2Pe 3.9).
As categorias, além disso, não são gavetas fechadas. Os cristãos de Éfeso eram “por natureza, filhos da ira” — e foram vivificados com Cristo (Ef 2.3-5); passaram de um grupo ao outro. “Se alguém se purificar dessas coisas, será vaso para honra” (2Tm 2.21) — o próprio Paulo trata a categoria como móvel. “Deus não nos destinou para a ira” (1Ts 5.9). E a citação de Oseias, ali mesmo em Romanos 9, prova que as portas se abrem: “Chamarei de meu povo ao que não era meu povo; e de amada à que não era amada” (Rm 9.25, citando Os 2.23). Se “não povo” pode se tornar “meu povo”, as categorias de Romanos 9 são portas que a fé atravessa — foi o que aconteceu com os gentios (Rm 9.24, 30).
E como o próprio Paulo fecha o capítulo? Essa é a pergunta que eu gostaria que vocês nunca mais esquecessem. Ao explicar por que os gentios alcançaram a justiça e Israel não, ele não diz uma só palavra sobre decreto ou reprovação eterna:
“Por quê? Porque não a buscou pela fé, mas como que por obras. Tropeçaram na pedra de tropeço.” (Rm 9.32)
A causa é uma só: fé versus obras. E a promessa segue aberta: “aquele que nela crê não será envergonhado” (Rm 9.33).
3. Romanos 10 confirma: a fé vem pela pregação
Se Romanos 9 ensinasse eleição incondicional, o capítulo 10 seria incompreensível. Vejam como ele abre: Paulo suplica a Deus pela salvação de Israel (Rm 10.1) — e só se ora pela salvação de quem pode ser salvo. O diagnóstico que ele dá é preciso: Israel tem “zelo por Deus, porém não com entendimento” (Rm 10.2); “procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça que vem de Deus” (Rm 10.3). O verbo é de recusa ativa, não de incapacidade decretada. “Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4).
E então a porta se escancara: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rm 10.13). “Não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam” (Rm 10.12). Reparem na linguagem: “todo aquele” é a expressão menos determinista que existe.
Segue-se a lógica missionária: como crerão naquele de quem nada ouviram? Como ouvirão, se não há quem pregue? (Rm 10.14). “E, assim, a fé vem pelo ouvir, e o ouvir, pela palavra de Cristo” (Rm 10.17). A corrente da salvação passa pela pregação, não por um decreto secreto. Se a eleição fosse incondicional, a pregação seria desnecessária para os eleitos e inútil para os demais — e a urgência de Judas, “salvem-nos, arrebatando-os do fogo” (Jd 23), seria descabida. Quando Paulo constata que “nem todos obedeceram ao evangelho” (Rm 10.16), a linguagem é de desobediência responsável, não de exclusão prévia.
E a imagem com que o capítulo termina vale por um tratado: “Todo o dia estendi as mãos a um povo desobediente e rebelde” (Rm 10.21, citando Is 65.2). Não é um Deus de decretos fechados; é um Deus de braços abertos o dia inteiro — rejeitado por quem não quis. É o mesmo lamento de Jesus sobre a cidade santa: “quantas vezes quis eu reunir os seus filhos… e vocês não quiseram!” (Mt 23.37).
4. Romanos 11 confirma: a rejeição não é total nem definitiva
O capítulo 11 abre com a pergunta decisiva e a resposta enfática: “Será que Deus rejeitou o seu povo? De modo nenhum!” (Rm 11.1). A primeira prova é o próprio Paulo, israelita e crente. Como nos dias de Elias, Deus reservou para si os fiéis — “sete mil homens que não dobraram os joelhos diante de Baal” (Rm 11.4) —, e “assim também nos dias de hoje sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça” (Rm 11.5). Notem que os sete mil não são descritos como poupados à revelia, mas pela sua fidelidade: eleição da graça e resposta de fé andam juntas. A rejeição, portanto, não é total.
Também não é definitiva. “Será que tropeçaram para que caíssem? De modo nenhum!” (Rm 11.11). Pela transgressão deles a salvação chegou aos gentios, para provocar ciúmes nos judeus — até a queda é posta a serviço da misericórdia. Paulo glorifica o seu ministério “para ver se… alguns deles se salvem” (Rm 11.14), estratégia absurda sob dupla predestinação, e antevê o “restabelecimento” deles como “vida dentre os mortos” (Rm 11.15).
Na alegoria da oliveira, Paulo nomeia a causa do corte dos ramos naturais, e não é um decreto: “Eles foram quebrados por causa da incredulidade, mas você continua firme mediante a fé” (Rm 11.20). Segue a advertência ao gentio crente: “Não fique orgulhoso, mas tema. Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, também não poupará você” (Rm 11.20-21). E a esperança para os cortados: “se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; pois Deus é poderoso para os enxertar de novo” (Rm 11.23). Corte reversível e enxerto condicional: o contrário exato de destinos selados desde a eternidade.
O versículo 22 merece ser decorado, porque é a condicionalidade explícita dirigida justamente aos “vasos de misericórdia”:
“Considere, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para com você, a bondade de Deus, desde que você permaneça nessa bondade. Do contrário, também você será cortado.” (Rm 11.22)
O “desde que” está no texto. A perseverança na fé é condição real (1Co 9.27; 10.12; Hb 3.14) — mais uma prova de que Romanos 9 não ensinou segurança incondicional de eleitos.
E o desfecho do bloco recolhe tudo. O endurecimento de Israel é “em parte” e dura “até que” entre a plenitude dos gentios (Rm 11.25) — parcial e temporário. “E, assim, todo o Israel será salvo” (Rm 11.26): o destino do povo de Deus está garantido; o de cada indivíduo passa pela fé no Messias, que o insere neste Israel de Deus (Rm 11.23; Gl 6.16). “Quanto à eleição, amados por causa dos patriarcas” (Rm 11.28) — eleição do povo, vocacional, irrevogável (Rm 11.29). E a frase final do argumento: “Deus encerrou todos na desobediência, a fim de mostrar a sua misericórdia a todos” (Rm 11.32). O bloco que começou com vasos de ira termina com misericórdia oferecida a todos — recebida, como toda a carta ensina, mediante a fé.
Se eu tivesse que resumir o bloco numa frase para cada capítulo, diria assim. Romanos 9, o passado: a palavra de Deus não falhou, porque a promessa sempre correu pela linha da fé, não da carne. Romanos 10, o presente: Israel tropeçou por incredulidade, e a fé vem pela pregação — todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Romanos 11, o futuro: rejeição parcial, temporária e reversível; advertência aos enxertados, esperança aos cortados, misericórdia para todos.
5. Romanos 9 e a Parábola das Bodas
Quero encerrar a exposição mostrando a vocês que Jesus contou em parábola o mesmo drama que Paulo explicou em doutrina. Na Parábola das Bodas (Mt 22.1-14), um rei preparou as bodas do seu filho e convidou Israel — e “eles não quiseram vir” (Mt 22.3). A recusa é desprezo, não decreto. O convite foi insistente: “enviou ainda outros servos” (Mt 22.4), como o Deus que “todo o dia” estende as mãos (Rm 10.21). Diante da recusa, o convite foi às encruzilhadas, a “maus e bons” (Mt 22.9-10) — e a sala ficou repleta, imagem da plenitude dos gentios (Rm 11.25; At 13.46) e daquela multidão que ninguém podia contar (Ap 7.9).
Os paralelos são ponto a ponto. Israel rejeita o convite (Mt 22.3-6; Rm 9.31-32; 11.20). A causa é o não querer, a incredulidade: “não quiseram vir” (Mt 22.3) corresponde a “não a buscou pela fé” (Rm 9.32). O convite é insistente e universal (Mt 22.4, 9-10; Rm 10.18, 21; 11.32). A fé é a condição para entrar e permanecer — na parábola, a veste nupcial (Mt 22.11-13); na carta, a fé que justifica e sustenta (Rm 10.11-13; 11.20, 22). Há juízo severo sobre o desprezo (Mt 22.7, 13; Rm 11.10, 20-22). E a sala se enche mesmo assim (Mt 22.10; Rm 11.25).
“Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos” (Mt 22.14). Lido no contexto da parábola, o dito é transparente: os escolhidos são os que responderam ao chamado nos termos do Rei — com a veste nupcial da fé. E aqui é preciso precisão teológica: a fé não é mérito que compra a eleição; é a resposta, capacitada pela graça preveniente, ao convite que a graça já fez. “A graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens” (Tt 2.11); “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome” (Jo 1.12).
Conclusão:
Depois de percorrer os três capítulos, deixo minha posição explícita, como gosto de fazer. Romanos 9 não ensina eleição incondicional de indivíduos para salvação ou perdição; não ensina endurecimento decretado desde a eternidade; não ensina que Deus criou vasos para a destruição; e não oferece segurança incondicional a eleito nenhum — Romanos 11.20-22 adverte exatamente o contrário.
O que o bloco ensina é isto: Deus foi fiel — a promessa sempre correu pela fé, e o remanescente a comprova. A eleição do povo é vocacional e irrevogável (Rm 11.29); a participação de cada indivíduo é condicionada à fé perseverante (Rm 11.22-23; Jo 15.1-6; Mt 24.13). Deus tem misericórdia de todos os que o invocam (Rm 10.12-13) e quer misericórdia para todos (Rm 11.32). Quem crê entra; quem persiste na incredulidade é cortado; quem abandona a incredulidade é reenxertado. É o que chamo de eleição condicional — condicionada não ao mérito, mas à fé que a graça preveniente torna possível.
John Wesley, diante da leitura determinista deste capítulo, disse no sermão Free Grace, de 1739: “Seja lá o que essa Escritura prove, ela jamais poderá provar isso.” Pois tal doutrina faria de Deus um condenador arbitrário — em nada parecido com o Jesus que chorou sobre Jerusalém e disse: “quantas vezes quis eu… e vocês não quiseram!” (Mt 23.37). A salvação é oferecida a todos — e recebida pelos que creem (Jo 1.12).
Aplicações pastorais
Termino com quatro consequências práticas, porque doutrina que não desce ao chão da vida ainda não foi entendida.
• Pregue a todos, com esperança real. A fé vem pelo ouvir (Rm 10.17). Nenhum ouvinte é um caso perdido por decreto — cada pregação é porta aberta.
• Ore pelos endurecidos. Paulo orou pelos que tropeçaram (Rm 10.1). O endurecimento de hoje não é a sentença de amanhã (Rm 11.23).
• Persevere na fé. “Desde que você permaneça” (Rm 11.22). A graça que nos enxertou nos sustenta — mas não dispensa a fé fiel até o fim (Mt 24.13).
• Cultive humildade, não orgulho. “Não se glorie contra os ramos” (Rm 11.18). Diante de Israel e de todo incrédulo, nossa postura é gratidão e temor, nunca soberba.
Para aprofundar
• Jacó Armínio — Análise do capítulo 9 de Romanos.
• John Wesley — Free Grace (1739) e Predestination Calmly Considered (1752).
• Brian J. Abasciano — Paul’s Use of the Old Testament in Romans 9 (3 vols.): a defesa exegética mais completa da eleição corporativa.
• William W. Klein — The New Chosen People: A Corporate View of Election.
• Ben Witherington III — Paul’s Letter to the Romans: A Socio-Rhetorical Commentary.
Bispo Ildo Mello
Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA), salvo indicação.
(Autor Bispo José Ildo Swartele de Mello)
Compreendendo Atos 13.48+
Quando lemos o livro de Atos, deparamo-nos com momentos cruciais da expansão da Igreja. Um desses momentos está registrado em Atos 13.48, que diz: “Quando os gentios ouviram isso, alegraram-se e honraram a palavra do Senhor; e creram todos os que haviam sido designados para a vida eterna.”
À primeira vista, uma leitura apressada deste versículo pode gerar uma dúvida em nossos corações: será que Deus selecionou de forma incondicional e arbitrária algumas pessoas para a salvação antes da fundação do mundo, ignorando completamente a fé ou a resposta humana? Será que Ele simplesmente programou alguns para crerem e outros para a perdição?
Para instruir a nossa igreja com clareza e fidelidade bíblica, precisamos mergulhar na riqueza deste texto. Um texto fora de seu contexto pode facilmente se tornar um pretexto para doutrinas que não refletem o verdadeiro caráter do nosso Senhor. Vamos entender juntos o que essa passagem realmente nos ensina.
1. O Perigo de Ignorar o Contexto
Para entendermos o versículo 48, precisamos obrigatoriamente ler o que acontece poucos versículos antes. Historicamente, parte do povo judeu daquela época havia desenvolvido um coração endurecido para a verdade de Deus. É fundamental entender que essa não era uma condição de nascimento, mas o resultado trágico de uma longa jornada de rebeldia e obstinação contra o Senhor.
No versículo 46 do mesmo capítulo, vemos a reação do apóstolo Paulo à rejeição dos judeus: “Visto que a rejeitais e não vos julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gentios.”
Preste muita atenção nestas palavras: Paulo não diz “vocês não creram porque Deus não os elegeu”. Ele diz claramente que os próprios ouvintes rejeitaram a mensagem e julgaram a si mesmos indignos da vida eterna. A responsabilidade pela rejeição caiu inteiramente sobre eles. Em contraste, os gentios daquela região estavam abertos, dispostos a ouvir e receber a verdade com alegria.
2. O Exemplo de Cornélio: Corações Abertos para Deus
Muitos dos gentios mencionados nessa passagem de Atos 13 não eram pessoas totalmente depravadas que odiavam a Deus e que, de repente, precisaram de uma força irresistível para mudar suas vontades. Na verdade, muitos já eram “tementes a Deus” e O adoravam de forma genuína com o conhecimento que tinham.
A Bíblia nos dá um exemplo perfeito desse perfil em Atos 10, na história do centurião Cornélio. Antes mesmo de ouvir o Evangelho de Jesus Cristo, a Palavra diz que Cornélio era piedoso, temente a Deus, dava esmolas e orava continuamente. Ele não estava “morto” a ponto de não conseguir buscar ao Senhor. Pelo contrário! Deus viu a sua fé sincera e enviou o apóstolo Pedro para lhe pregar o Evangelho.
A designação de Cornélio para a vida eterna não foi um decreto arbitrário e misterioso feito antes da criação, mas a resposta amorosa de Deus à fé e à busca daquele homem. As orações de Cornélio subiram como memorial diante de Deus. Da mesma forma, os gentios em Atos 13 estavam com os corações abertos, diferentemente dos líderes religiosos que haviam se endurecido na própria religiosidade.
3. O Que Realmente Significa ser “Designado”?
O ponto central da confusão muitas vezes está na palavra traduzida como “designados” ou “ordenados”. No idioma original em que o Novo Testamento foi escrito (o grego), a palavra usada aqui é um termo de origem militar que significa “colocar tropas em posição”.
Além disso, a estrutura gramatical dessa palavra no texto (voz média-passiva) carrega o sentido de uma ação em que o sujeito participa. Assim, uma tradução muito fiel e esclarecedora para esse termo seria: “e creram todos os que haviam se posicionado em relação à vida eterna” ou “todos os que estavam abertos à vida eterna”.
Quando entendemos isso, o texto ganha um brilho especial e cria um contraste (um paralelo antitético) perfeito com o versículo 46:
Os Judeus (v. 46): Rejeitaram a Palavra e posicionaram a si mesmos contra a vida eterna.
Os Gentios (v. 48): Alegraram-se com a Palavra e posicionaram a si mesmos a favor (abertos) à vida eterna.
4. O Coração de Deus Revelado em Toda a Escritura
Nenhuma interpretação bíblica pode entrar em contradição com o restante das Escrituras. Se Deus tivesse simplesmente escolhido de forma arbitrária quem iria para o céu e quem iria para o inferno, fechando a porta para os demais, muitas passagens da Bíblia perderiam o sentido.
Vejamos o que a Palavra nos revela sobre o coração de Deus:
Jesus chorou sobre Jerusalém (Lucas 19.41-42), lamentando profundamente porque Ele desejava salvá-los, mas eles não quiseram. Se a rejeição deles fosse um decreto prévio do próprio Deus, o choro de Cristo seria uma encenação.
Deus é paciente e insistente (Romanos 10.21), pois a respeito de Israel Ele diz: “O tempo todo estendi as mãos a um povo desobediente e rebelde”. Um Deus que estende as mãos o dia todo é um Deus que deseja abraçar e salvar.
O desejo de Deus é universal (1 Timóteo 2.4). A Bíblia é categórica ao afirmar que Deus “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade”.
Deus não tem prazer na morte de ninguém (Ezequiel 18.32). O Senhor clama pelo profeta: “Pois não me agrada a morte de ninguém; palavra do Soberano Senhor. Arrependam-se e vivam!”
Conclusão para a Igreja
Irmãos, Atos 13.48 não é um texto sobre um Deus que exclui pessoas de forma arbitrária. Pelo contrário, é o belo relato de como a graça de Deus alcança corações que estão dispostos e abertos à Sua Palavra!
A responsabilidade humana e a soberania de Deus caminham juntas. O Senhor providenciou a salvação através do sacrifício perfeito de Jesus na cruz. A porta está aberta! Quando pregamos o Evangelho, não estamos lançando sementes ao vento torcendo para que atinjam os “poucos sorteados”. Estamos anunciando as boas novas de um Deus de amor que convida todo aquele que crê a receber a vida eterna (João 3.16).
Que possamos, como igreja, ter o coração cheio de alegria e urgência para pregar a Palavra, sabendo que Deus deseja salvar a todos, e que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê! Quando lemos o livro de Atos, deparamo-nos com momentos cruciais da expansão da Igreja. Um desses momentos está registrado em Atos 13.48, que diz: “Quando os gentios ouviram isso, alegraram-se e honraram a palavra do Senhor; e creram todos os que haviam sido designados para a vida eterna.”
À primeira vista, uma leitura apressada deste versículo pode gerar uma dúvida em nossos corações: será que Deus selecionou de forma incondicional e arbitrária algumas pessoas para a salvação antes da fundação do mundo, ignorando completamente a fé ou a resposta humana? Será que Ele simplesmente programou alguns para crerem e outros para a perdição?
Para instruir a nossa igreja com clareza e fidelidade bíblica, precisamos mergulhar na riqueza deste texto. Um texto fora de seu contexto pode facilmente se tornar um pretexto para doutrinas que não refletem o verdadeiro caráter do nosso Senhor. Vamos entender juntos o que essa passagem realmente nos ensina.
1. O Perigo de Ignorar o Contexto
Para entendermos o versículo 48, precisamos obrigatoriamente ler o que acontece poucos versículos antes. Historicamente, parte do povo judeu daquela época havia desenvolvido um coração endurecido para a verdade de Deus. É fundamental entender que essa não era uma condição de nascimento, mas o resultado trágico de uma longa jornada de rebeldia e obstinação contra o Senhor.
No versículo 46 do mesmo capítulo, vemos a reação do apóstolo Paulo à rejeição dos judeus: “Visto que a rejeitais e não vos julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gentios.”
Preste muita atenção nestas palavras: Paulo não diz “vocês não creram porque Deus não os elegeu”. Ele diz claramente que os próprios ouvintes rejeitaram a mensagem e julgaram a si mesmos indignos da vida eterna. A responsabilidade pela rejeição caiu inteiramente sobre eles. Em contraste, os gentios daquela região estavam abertos, dispostos a ouvir e receber a verdade com alegria.
2. O Exemplo de Cornélio: Corações Abertos para Deus
Muitos dos gentios mencionados nessa passagem de Atos 13 não eram pessoas totalmente depravadas que odiavam a Deus e que, de repente, precisaram de uma força irresistível para mudar suas vontades. Na verdade, muitos já eram “tementes a Deus” e O adoravam de forma genuína com o conhecimento que tinham.
A Bíblia nos dá um exemplo perfeito desse perfil em Atos 10, na história do centurião Cornélio. Antes mesmo de ouvir o Evangelho de Jesus Cristo, a Palavra diz que Cornélio era piedoso, temente a Deus, dava esmolas e orava continuamente. Ele não estava “morto” a ponto de não conseguir buscar ao Senhor. Pelo contrário! Deus viu a sua fé sincera e enviou o apóstolo Pedro para lhe pregar o Evangelho.
A designação de Cornélio para a vida eterna não foi um decreto arbitrário e misterioso feito antes da criação, mas a resposta amorosa de Deus à fé e à busca daquele homem. As orações de Cornélio subiram como memorial diante de Deus. Da mesma forma, os gentios em Atos 13 estavam com os corações abertos, diferentemente dos líderes religiosos que haviam se endurecido na própria religiosidade.
3. O Que Realmente Significa ser “Designado”?
O ponto central da confusão muitas vezes está na palavra traduzida como “designados” ou “ordenados”. No idioma original em que o Novo Testamento foi escrito (o grego), a palavra usada aqui é um termo de origem militar que significa “colocar tropas em posição”.
Além disso, a estrutura gramatical dessa palavra no texto (voz média-passiva) carrega o sentido de uma ação em que o sujeito participa. Assim, uma tradução muito fiel e esclarecedora para esse termo seria: “e creram todos os que haviam se posicionado em relação à vida eterna” ou “todos os que estavam abertos à vida eterna”.
Quando entendemos isso, o texto ganha um brilho especial e cria um contraste (um paralelo antitético) perfeito com o versículo 46:
Os Judeus (v. 46): Rejeitaram a Palavra e posicionaram a si mesmos contra a vida eterna.
Os Gentios (v. 48): Alegraram-se com a Palavra e posicionaram a si mesmos a favor (abertos) à vida eterna.
4. O Coração de Deus Revelado em Toda a Escritura
Nenhuma interpretação bíblica pode entrar em contradição com o restante das Escrituras. Se Deus tivesse simplesmente escolhido de forma arbitrária quem iria para o céu e quem iria para o inferno, fechando a porta para os demais, muitas passagens da Bíblia perderiam o sentido.
Vejamos o que a Palavra nos revela sobre o coração de Deus:
Jesus chorou sobre Jerusalém (Lucas 19.41-42), lamentando profundamente porque Ele desejava salvá-los, mas eles não quiseram. Se a rejeição deles fosse um decreto prévio do próprio Deus, o choro de Cristo seria uma encenação.
Deus é paciente e insistente (Romanos 10.21), pois a respeito de Israel Ele diz: “O tempo todo estendi as mãos a um povo desobediente e rebelde”. Um Deus que estende as mãos o dia todo é um Deus que deseja abraçar e salvar.
O desejo de Deus é universal (1 Timóteo 2.4). A Bíblia é categórica ao afirmar que Deus “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade”.
Deus não tem prazer na morte de ninguém (Ezequiel 18.32). O Senhor clama pelo profeta: “Pois não me agrada a morte de ninguém; palavra do Soberano Senhor. Arrependam-se e vivam!”
Conclusão para a Igreja
Irmãos, Atos 13.48 não é um texto sobre um Deus que exclui pessoas de forma arbitrária. Pelo contrário, é o belo relato de como a graça de Deus alcança corações que estão dispostos e abertos à Sua Palavra!
A responsabilidade humana e a soberania de Deus caminham juntas. O Senhor providenciou a salvação através do sacrifício perfeito de Jesus na cruz. A porta está aberta! Quando pregamos o Evangelho, não estamos lançando sementes ao vento torcendo para que atinjam os “poucos sorteados”. Estamos anunciando as boas novas de um Deus de amor que convida todo aquele que crê a receber a vida eterna (João 3.16).
Que possamos, como igreja, ter o coração cheio de alegria e urgência para pregar a Palavra, sabendo que Deus deseja salvar a todos, e que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê!
(Autor Bispo José Ildo Swartele de Mello)
Repensando a “Corrente de Ouro”+
Se existe um capítulo da Bíblia que moldou a imaginação teológica do Ocidente, é Romanos 8. No entanto, por séculos, e de forma mais acentuada desde a Reforma, fomos ensinados a ler este texto através de lentes essencialmente platônicas. Reduzimos a grandiosa visão de Paulo a uma ordo salutis individualista, uma espécie de fluxograma celestial projetado para responder a uma única pergunta: como garantir que vou para o céu quando morrer?
Para responder a isso, lemos Romanos 8.28-30 como um decreto determinístico: Deus escolheu alguns de forma invisível, chamou-os internamente, perdoou seus pecados e, no fim, os glorificará em um estado espiritual desencarnado. Sob essa ótica, a salvação é algo que Deus faz por nós e apesar de nós, enquanto aguardamos a evacuação deste mundo.
Mas Paulo não estava tentando resolver os debates de Agostinho ou Calvino. A sua mente era a de um judeu do primeiro século, saturada pelas Escrituras Hebraicas, testemunhando o clímax da história de Israel e do cosmos no Messias ressurreto. É importante registrar, contudo, uma nuance: Wright não nega o estado intermediário nem a vida após a morte. O que ele recusa é a ideia de que um céu desencarnado seja o destino final. O fim de tudo, para Paulo, não é abandonar a terra, mas os novos céus e a nova terra (Ap 21.1-5).
Quando devolvemos Romanos 8 ao seu contexto original, descobrimos que Paulo não nos ensina como escapar do mundo, mas como Deus está resgatando o seu mundo através do seu povo.
1. O resgate da sinergia: synergei em Romanos 8.28
Para compreendermos a famosa “corrente de ouro” dos versículos 29 e 30, precisamos primeiro examinar com cuidado o versículo 28. Muitas traduções trazem: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”. Isso soa quase estóico, como se o universo fosse um mecanismo que se ajusta magicamente a nosso favor. Outras versões dizem que Deus age em todas as coisas para o bem dos que o amam; melhor, mas ainda nos coloca em posição de total passividade.
A palavra grega que Paulo usa, segundo Wright, é synergei. O prefixo syn- significa “com”, e ergonsignifica “trabalho”. A leitura que ele propõe é: Deus trabalha com aqueles que o amam. Esta é a doutrina da sinergia bíblica.
A teologia ocidental ficou tão temerosa da ideia de “salvação pelas obras” que recuou de qualquer sugestão de cooperação com Deus. Mas Romanos 8.28 não trata de merecer a salvação; trata do modo como Deus opera a redenção no mundo. Veja os versículos anteriores (Rm 8.26-27): a criação geme, nós gememos, não sabemos orar como convém, mas o Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. Quando a Igreja sofre, lamenta e ora pelas dores do mundo corrompido, Deus ouve esse clamor movido pelo Espírito e trabalha em sinergia conosco para trazer a sua nova criação. Desde Gênesis, Deus nunca quis agir sozinho; ele criou a humanidade precisamente para trabalhar em parceria com ela.
2. A imagem do Filho: a restauração da vocação de Gênesis (v. 29)
É com essa mentalidade de sinergia que entramos no versículo 29: “Porque os que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho” (Rm 8.29). Nossa tradição espiritualizou a palavra “imagem”, reduzindo-a a “santidade moral” ou “ser bondoso como Jesus”. A teologia de Paulo, porém, ecoa diretamente Gênesis 1.26-28. Deus criou o ser humano para ser sua imagem na terra: refletir o amor e a justiça do Criador para a criação e elevar os louvores da criação de volta ao Criador.
Para Wright, ser conformado à imagem do Filho é um conceito dinâmico, não estático: trata-se de vocação, e vocação custosa. O pecado foi um colapso vocacional. Ao adorarmos a criação em vez do Criador, perdemos o domínio sábio e entregamos o mundo à corrupção. Jesus, o Messias, é o verdadeiro Humano, a imagem do Deus invisível (Cl 1.15). Ser predestinado a ser conforme à imagem do Filho significa, portanto, a restauração da nossa humanidade original. Deus está recriando a humanidade em torno de Jesus, para que sejamos os parceiros de trabalho de que o mundo precisa.
3. Israel, o Servo e a redefinição da predestinação (vv. 29-30)
O que fazemos, então, com a palavra “predestinou”? É aqui que o paradigma determinista costuma engolir o texto, transformando a predestinação em decreto arbitrário e excludente sobre a vida após a morte de indivíduos específicos.
A leitura de Wright vai noutra direção. O verbo proorizo(predestinar) significa “marcar os limites de antemão”. O que Deus determinou desde o princípio não foi uma lista de bilhetes para o céu, mas a formação de um povo, moldado pelo seu Espírito, para ser instrumento de resgate da sua criação. Aqui é preciso uma observação de honestidade exegética: Wright lê esses versículos sobretudo à luz de Gênesis 1, do Salmo 8 e da vocação de Israel. O tema do Servo Sofredor de Isaías 40–55, embora central em sua teologia da eleição e da cruz, ele o desenvolve com mais detalhe noutros textos paulinos (como Romanos 5) do que num comentário versículo a versículo de Romanos 8. Portanto, é mais exato dizer que a vocação de Israel-como-servo ressoa em Romanos 8 do que afirmar que Paulo tinha Isaías 40–55 diante dos olhos como chave única deste texto.
Feita essa ressalva, o ponto permanece: a vocação do servo, na tradição dos Cânticos do Servo, não era simplesmente desfrutar de um status de salvação exclusiva enquanto as nações pereciam, mas ser agente de Deus na realização da nova criação, luz para o mundo. Jesus cumpriu essa missão; e os que amam a Deus herdam, nele, essa mesma vocação. Fomos predestinados não para sermos evacuados do planeta, mas para que Deus trabalhe o seu Reino através de nós. A predestinação, nessa chave, é vocação para a missão, não evacuação passiva.
4. O veredito e a coroa: justificação e glorificação (v. 30)
Aos que ele marcou de antemão, ele “chamou” e “justificou”. A justificação é linguagem de tribunal e de aliança. O juiz bate o martelo e declara o veredito antecipado: esta pessoa, coberta pelo sangue do Messias e selada pelo Espírito, é membro verdadeiro da família de Deus. Essa era uma mensagem vital para a Igreja de Roma, prestes a enfrentar perseguições brutais: a justificação garantia que pertenciam a Deus, independentemente do que o império fizesse com eles.
E, por fim, ele os “glorificou”. O Ocidente interpretou “glória” como brilhar nas nuvens tocando harpa. Mas, na mente judaica, a glória humana aponta para o Salmo 8: o ser humano feito um pouco menor que os anjos, coroado de glória e honra, com todas as coisas sujeitas debaixo de seus pés. Para Wright, ser glorificado significa, simultaneamente, ser cheio da presença e do poder de Deus pelo Espírito e ser habilitado a exercer a vocação de genuínos portadores da imagem. A glorificação é o momento em que os filhos de Deus são finalmente revelados (Rm 8.19) para assumirem seu papel legítimo de governantes sábios, amorosos e restaurados sobre a nova criação. É por isso que a natureza geme: ela não espera nossa partida, aguarda nossa transformação.
Note ainda o tempo verbal de Paulo: ele usa o passado (“glorificou”). Do ponto de vista divino, firmado na ressurreição física de Jesus, esse futuro é tão inabalavelmente certo que já pode ser declarado como fato consumado.
O desafio pastoral
Meus irmãos, quando ensinamos que a predestinação de Romanos 8 é apenas sobre quem vai ou não para o céu, tornamos as nossas ovelhas passivas. Alimentamos uma fé consumista, que apenas aguarda o resgate.
Mas quando entendemos Paulo em sua própria linguagem, quando abraçamos a sinergia, a imagem de Gênesis, a vocação de Israel e a glória do Salmo 8, despertamos a Igreja. Vocês não estão pastoreando almas à espera de um voo de fuga; estão equipando a vanguarda da nova criação. Fomos marcados de antemão para sermos moldados como Jesus, justificados para pertencer à verdadeira família e chamados, hoje, a gemer, orar e sofrer em esperança, cooperando com o Criador até o dia em que reinaremos com ele na terra renovada. Ensinem o seu povo não apenas a descansar na salvação, mas a se levantar para a sua vocação cósmica.
Referências: N. T. Wright, Into the Heart of Romans (2023); Surpreendido pela Esperança; Paulo para Todos: Romanos; e The Day the Revolution Began (2016).
(Autor Bispo José Ildo Swartele de Mello)
Eleição Corporativa e Cristocêntrica+
Quando Paulo escreve que Deus “nos elegeu nele antes da fundação do mundo” (Ef 1.4), surge uma questão crucial: quem é o objeto primário da eleição: cada indivíduo separadamente, ou Cristo e o povo que está nele? A resposta a essa pergunta muda tudo na forma de ler a doutrina.
1. Cristo: O Eleito por Excelência
O ponto de partida bíblico é que Jesus é o Eleito de Deus antes de ser sobre nós. Isaías já anuncia: “Eis aqui o meu Servo, a quem sustento, o meu Eleito, em quem a minha alma se compraz” (Is 42.1). Pedro retoma isso diretamente: Cristo é “a pedra viva… escolhida e preciosa diante de Deus” (1Pe 2.4).
Isso significa que a eleição não começa com uma lista de indivíduos na mente de Deus; começa com Deus elegendo seu Filho como cabeça de um novo povo. Cristo é o Eleito originário. Todos os demais são eleitos nele, como membros de seu corpo.
Analogia: Quando um rei é ungido, ele não carrega o título sozinho. Seu povo, sua dinastia, seu reino são incluídos nessa unção. A eleição do rei envolve a comunidade que ele representa. Assim é com Cristo: ele é o Rei ungido e, ao ser eleito, traz consigo a comunidade que lhe pertence.
1. O Que Efésios 1 Realmente Diz
Efésios 1.3–14 é o texto central. Observe a estrutura:
* “Nos elegeu nele antes da fundação do mundo” (v.4)
* “Nos predestinou para a adoção de filhos por meio de Jesus Cristo” (v.5)
* “Em quem temos a redenção” (v.7)
* “Em quem também vós, tendo ouvido a palavra da verdade… nele fostes selados com o Espírito Santo” (v.13)
A expressão-chave repetida é en autō: “nele”. A eleição não é descrita como Deus escolhendo indivíduos A, B e C para depois inseri-los em Cristo. A sequência lógica é inversa: Deus escolheu um povo em Cristo, e as pessoas entram nessa eleição ao serem unidas a ele.
O versículo 13 é particularmente revelador: os destinatários ouviram, creram e foram selados nele. A sequência: audição → fé → incorporação → selo, mostra que a participação na eleição passa pela resposta de fé que une a pessoa a Cristo.
1. O Que é “Eleição Corporativa”?
Eleição corporativa não significa que Deus elegeu um grupo anônimo e impessoal. Significa que o objeto primário da eleição é Cristo e o corpo que está nele — a igreja, a noiva, o povo santo — e que indivíduos participam dessa eleição ao serem incorporados a esse corpo.
Há precedente claro no Antigo Testamento: Israel foi eleito como nação (Dt 7.6), mas isso não excluía responsabilidade e fé individuais. Ser filho de Abraão biologicamente não garantia participação na promessa (Jo 8.39; Rm 9.6–8). Da mesma forma, no novo pacto, a eleição recai sobre o verdadeiro Israel — o corpo de Cristo — e os indivíduos entram nessa eleição pela fé.
Exemplo prático: Imagine uma bolsa de estudos criada para “os filhos desta escola”. A bolsa é definida para uma comunidade, não para uma lista prévia de nomes. Quem se matricula e preenche os requisitos participa dela. A bolsa é real, o benefício é concreto, as pessoas contempladas são reais, mas a lógica da seleção é corporativa, não individualista.
1. O Que a Predestinação Descreve?
Dentro dessa leitura, predestinação descreve o destino previamente estabelecido para os que estão em Cristo, não a seleção prévia de quem chegará a estar nele. Efésios 1.5 diz que Deus “nos predestinou para a adoção de filhos”; Romanos 8.29–30 fala em ser “predestinado para ser conforme a imagem de seu Filho”, e a cadeia termina na glorificação.
O destino é:
* Adoção — pertencer à família de Deus (Ef 1.5)
* Santidade — ser “santos e irrepreensíveis” (Ef 1.4)
* Herança — receber a promessa do Espírito como arras (Ef 1.13–14)
* Conformidade ao Filho — ser transformados à imagem de Cristo (Rm 8.29)
* Glória — participar da glória final (Rm 8.30)
Esse destino é certo e glorioso. Mas é o destino do corpo, não o resultado de uma seleção individual irresistível.
1. Isso Não Torna a Eleição Fria ou Impessoal
Aqui está um ponto que precisa ser dito com força: Deus conhece e ama pessoas reais. A eleição corporativa não dissolve o indivíduo numa massa anônima.
Jesus disse: “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas me conhecem” (Jo 10.14). As ovelhas são conhecidas pelo nome (v.3). O Pai “dá” pessoas concretas ao Filho (Jo 6.37). Isso é profundamente pessoal.
A diferença é lógica, não afetiva: Deus não precisou, antes de criar o mundo, selecionar indivíduos específicos para que viessem irresistivelmente a crer. Ele determinou que todos os que cressem em Cristo seriam parte de seu povo eleito. A decisão eterna é sobre o modo de salvar (em Cristo, pela fé), não sobre quem, independentemente de sua resposta, será forçado a crer. Mas os que creem são pessoas reais, amadas pessoalmente, conhecidas pelo nome.
1. Como a Linguagem Plural Inclui Pessoas Concretas
Não basta dizer “corporativa” sem explicar como o plural chega ao singular. Paulo escreve “nos elegeu” — quem é esse “nós”?
Em Efésios 1, Paulo escreve para uma congregação plural, mas logo no versículo 13 distingue: “vós também, depois que ouvistes a palavra da verdade.” Há o “nós” apostólico (judeus crentes) e o “vós” (gentios crentes). Duas comunidades distintas que se tornam um corpo em Cristo (Ef 2.15–16). Isso mostra que a linguagem plural inclui ondas de pessoas reais, de diferentes origens, tempos e lugares, que foram incorporadas ao mesmo corpo eleito.
Exemplo histórico: Quando dizemos “os brasileiros conquistaram a Copa de 1970”, usamos um plural que inclui jogadores, comissão técnica, torcida, geração inteira. Mas cada pessoa concreta daquela geração é real e identificável. O plural não apaga o indivíduo; ele o localiza numa comunidade com identidade e destino compartilhados.
7. Como a Incorporação Ocorre
A pergunta prática é: como alguém entra nessa eleição corporativa? A resposta bíblica é a fé que une a pessoa a Cristo.
* “Todos os que o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de serem chamados filhos de Deus” (Jo 1.12)
* “Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes” (Gl 3.26–27)
* “Nele também vós… fostes selados com o Espírito Santo da promessa” (Ef 1.13)
A incorporação não é automática nem irresistível, é relacional: ouvir, crer, ser unido. E é o Espírito que sela essa união, confirmando que a pessoa agora pertence ao corpo eleito.
8. Conclusão
Esta leitura me parece exegeticamente sólida e teologicamente coerente com a tradição arminiana-wesleyana. Ela leva a sério a soberania de Deus, que elegeu Cristo e determinou em Cristo o destino de seu povo, sem cair no determinismo que torna a fé irrelevante e Deus arbitrário. A eleição é real, pessoal e gloriosa; mas seu centro é Cristo, e a porta de entrada é a fé que nos une a ele.
(Autor Bispo José Ildo Swartele de Mello)
A natureza da escolha: responsabilidade moral num mundo decaído+
De onde vem o mal, e até que ponto somos culpados por aquilo que fazemos? A pergunta é antiga, mas reaparece sempre que alguém, diante do próprio fracasso moral, recorre ao argumento de que “nasceu assim” ou que “a natureza humana é essa mesma”. Por trás dessa fala existe uma tese: se herdamos uma inclinação para o erro, então o pecado seria inevitável, e a conduta humana não passaria do desdobramento automático de uma condição que ninguém escolheu carregar. Examinada de perto, porém, essa tese não se sustenta. Ter uma tendência não é o mesmo que estar condenado a ela, e reconhecer nossa queda não transfere a culpa da criatura para o Criador (Tg 1.13).
1. Tendência não é o mesmo que determinação
Há uma diferença decisiva entre estar predisposto a algo e estar obrigado a fazê-lo. Convivemos o tempo todo com inclinações, sejam de temperamento, de história pessoal ou de formação, e nem por isso perdemos a capacidade de avaliar, ponderar e decidir. Sentir o impulso de revidar uma ofensa não é a mesma coisa que revidar; o intervalo entre o impulso e o ato é justamente o espaço onde mora a responsabilidade.
Se a natureza fosse uma sentença que nos forçasse a agir de um único modo, a própria noção de responsabilidade moral ruiria. Ninguém é justamente culpado por um curso de ação sobre o qual não tinha controle nem alternativa. A culpa moral pressupõe que, no instante da decisão, o agente poderia realmente ter escolhido outro caminho. É essa possibilidade aberta que a Escritura assume quando coloca diante do povo a escolha entre a vida e a morte e ainda o exorta: “escolha, pois, a vida” (Dt 30.19). Uma ordem dessas seria vazia se a decisão já estivesse selada de antemão.
2. A queda de Adão e a raiz da escolha
O caso bíblico mais instrutivo é a queda de Adão, e por uma razão que costuma passar despercebida: a primeira transgressão aconteceu antes de existir qualquer natureza corrompida. Adão não pecou empurrado por uma inclinação herdada, pois não a tinha. Pecou em estado de retidão, com plena capacidade de obedecer (Gn 2.16-17; 3.6).
A conclusão é forte. Se um ser humano íntegro, sem o peso de qualquer predisposição ao mal, ainda assim escolheu desobedecer, então a raiz da escolha está na vontade, e não numa condição biológica ou espiritual anterior. A inclinação ao pecado que todos hoje carregamos é consequência daquela escolha, não a sua causa. Primeiro veio o ato livre; depois, a natureza ferida. Inverter essa ordem, tratando a inclinação como a verdadeira culpada, é absolver a vontade às custas de uma desculpa que o próprio relato do Éden não autoriza.
3. Somos falíveis sem sermos fatalistas
É possível afirmar que todo ser humano peca sem cair no fatalismo. Pense num goleiro ao longo de um campeonato inteiro: dá para prever, com segurança, que ele falhará em algum momento, pois ninguém defende todas as bolas de uma temporada. A falha é praticamente certa no conjunto. Mas nenhum gol específico está decretado de antemão. Em cada lance, ele tem o preparo e a técnica para fazer a defesa certa; quando falha, falha naquele lance, não porque uma força externa moveu suas mãos.
Com o pecado é parecido. Que todos pecamos, a Escritura afirma sem rodeios (Rm 3.23; 1Jo 1.8). Mas disso não se conclui que o próximo pecado esteja marcado no calendário do destino como evento inevitável. No instante da tentação, abre-se diante de nós um leque real de respostas possíveis. A inclinação torna o caminho errado mais atraente, mais cômodo, mais “natural”, porém não fecha a porta da resistência. Tiago descreve bem o processo: a cobiça concebe e dá à luz o pecado (Tg 1.14-15), e há um intervalo entre a concepção e o parto em que a vontade ainda pode dizer não.
Há, contudo, quem aponte que a própria experiência cristã testifica o contrário: mesmo os regenerados tropeçam com frequência, o que sugeriria que a vontade não é tão capaz assim. A resposta certa não é negar o tropieço, mas entendê-lo. O crente que peca após a conversão não peca porque estava determinado a pecar; peca porque, num momento concreto, cedeu ao impulso em vez de recorrer à graça disponível. O fracasso confirma a fraqueza humana, não a ausência de escolha.
4. A graça que devolve a liberdade
Há, porém, uma objeção legítima: se a queda corrompeu a natureza humana a ponto de nos deixar em escravidão à vontade (Jo 8.34; Rm 6.17), como ainda falar em escolha real? A resposta wesleyana é precisa, e vale torná-la explícita. Não defendemos um livre-arbítrio natural, intacto, como se a queda não tivesse ferido nada. Defendemos uma liberdade restaurada pela graça. Aquilo que Deus exige, Ele primeiro capacita: pela graça preveniente, a graça que vai adiante e desperta a consciência antes mesmo de qualquer mérito nosso, o ser humano caído volta a ter condições de responder ao chamado divino (Tt 2.11; Jo 1.9).
Isso muda o quadro inteiro. A responsabilidade moral do homem decaído não repousa numa força que ele teria por si mesmo, mas na capacidade que a graça lhe devolve. Por isso o convite do evangelho é sempre genuíno: quando Cristo diz “vinde a mim” (Mt 11.28), não está zombando de inválidos incapazes de andar; está chamando pessoas a quem a graça já tornou capazes de dar o passo. A escravidão ao pecado é real, mas não é a última palavra, e é exatamente por isso que continuamos respondendo diante de Deus.
5. A justiça pressupõe que somos os autores
Para que o juízo divino sobre nossas ações seja justo, é indispensável que sejamos, de fato, a fonte daquilo que fazemos. Se cada ato estivesse predeterminado por uma natureza inalterável, qualquer julgamento perderia o fundamento: castigar alguém por aquilo que não podia evitar não seria justiça, seria arbitrariedade. E a Escritura é enfática em que Deus julgará cada um segundo as suas obras (Rm 2.6; 2Co 5.10), o que só faz sentido se essas obras forem verdadeiramente nossas.
A dignidade humana está amarrada a essa capacidade: apesar das inclinações, apesar do ambiente, apesar da queda, ainda somos autores das nossas escolhas. Reconhecer-se responsável pelo que faz, mesmo carregando uma tendência ao erro, é o que mantém vivo o valor do arrependimento. Não nos arrependemos de terremotos nem de doenças que nos acometeram sem culpa; arrependemo-nos de escolhas. A liberdade que a graça nos devolve, portanto, não nega a nossa condição decaída. Ela prova que, mesmo em meio às quedas, permanecemos criaturas chamadas a responder diante da verdade e capazes, pela graça, de fazê-lo.
Portanto, sustento que a inclinação herdada explica por que pecamos com facilidade, mas não substitui a vontade como causa de cada pecado concreto. A natureza caída inclina; ela não decreta. E porque a graça preveniente nos restitui a capacidade de responder, a responsabilidade moral permanece de pé, o arrependimento continua fazendo sentido, e o juízo de Deus permanece justo. Tirar a liberdade do ser humano para proteger a soberania de Deus é um preço alto demais e, a meu ver, desnecessário, pois é a própria graça soberana que nos torna livres para responder.
De que maneira a sua compreensão do livre-arbítrio molda o modo como você assume, ou terceiriza, a responsabilidade pelos seus erros do dia a dia?
(Autor Bispo José Ildo Swartele de Mello)
O Caso de Cornélio (Atos 10): A Palavra que Precede a Regeneração+
Como pode um homem ser descrito pelas Escrituras como “piedoso e temente a Deus” antes de ouvir o Evangelho de Cristo e de receber o Espírito Santo? A piedade de Cornélio exige uma regeneração secreta e anterior, como propõe o calvinismo, ou ela é fruto da ação da Palavra de Deus que já estava ao seu alcance? E, afinal, o que vem primeiro: a regeneração ou a fé?
O capítulo 10 de Atos é um dos textos mais incômodos para a soteriologia calvinista, e um dos mais luminosos para quem crê que Deus responde, em graça, àqueles que o buscam. Vamos examinar o caso.
1. O problema: quem era Cornélio antes de Pedro chegar?
Lucas apresenta Cornélio com uma descrição teologicamente carregada: era “piedoso e temente a Deus com toda a sua casa; fazia muitas esmolas ao povo e, de contínuo, orava a Deus” (At 10.2). Tudo isso é dito de Cornélio antes da pregação de Pedro, antes de ele ouvir o nome de Jesus, antes do derramamento do Espírito (At 10.44).
Há mais: um anjo lhe declara que suas orações e esmolas “subiram para memória diante de Deus” (At 10.4). Deus não apenas tolerou a piedade de Cornélio, mas a recebeu como oferta memorial. E o próprio Pedro tira a conclusão teológica do episódio: “Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável” (At 10.34–35).
A pergunta é inevitável: como explicar esse temor de Deus num gentio ainda não evangelizado?
2. A resposta calvinista: regeneração secreta e eleição incondicional
O calvinismo clássico parte da doutrina da Depravação Total: o homem natural está morto em delitos e pecados, é inimigo de Deus e não pode buscá-lo (citam-se Rm 3.11; 8.7–8; 1Co 2.14). Dessa premissa decorre uma cadeia lógica: se ninguém busca a Deus por natureza, e Cornélio claramente buscava, então Cornélio já não era um “homem natural”. Ele teria sido eleito incondicionalmente na eternidade e, em algum momento anterior a Atos 10, regenerado secretamente, ou alcançado por um chamado eficaz e irresistível. Sua piedade seria, portanto, evidência de uma obra interna já consumada, e não uma resposta humana à revelação.
É preciso reconhecer a coerência interna do argumento: dentro do sistema calvinista, ele funciona. A regeneração precede a fé; logo, todo sinal de fé ou temor genuíno denuncia regeneração prévia. O problema é que essa leitura não nasce do texto de Atos 10. Ela é importada para o texto a fim de proteger o sistema. E o texto, lido em seus próprios termos, aponta noutra direção.
3. Primeira refutação: a Palavra de Deus age primeiro
Cornélio não acordou temente a Deus do nada. Ele era um centurião romano estacionado em Cesareia, em contato direto com a sinagoga, com as Escrituras do Antigo Testamento e com a esperança profética de Israel. O próprio Pedro pressupõe esse conhecimento prévio: “Vocês conhecem a palavra que Deus enviou aos filhos de Israel…” (At 10.36–37).
Ora, “a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm 10.17). E a Palavra não é um instrumento inerte que dependa de uma regeneração anterior para operar; ela mesma é o agente que opera: “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4.12).
Aqui está o ponto decisivo. A Escritura nunca diz que o coração precisa ser regenerado para que então a Palavra aja; diz que a Palavra penetra, sonda e discerne o coração. Foi exatamente o que aconteceu com Cornélio. A luz do Antigo Testamento, viva e eficaz, sondou aquele coração gentio e o conduziu ao temor do Senhor. Não há necessidade de postular uma regeneração secreta da qual o texto não diz absolutamente nada. O calvinista é obrigado a inserir em Atos 10 um evento invisível, não narrado e não mencionado, apenas porque seu sistema o exige. A explicação mais simples e mais bíblica está à vista: Deus já estava falando com Cornélio por meio da sua Palavra.
Vale dizer que isso não nega a iniciativa de Deus. Nega apenas que essa iniciativa seja uma regeneração irresistível e seletiva. Na perspectiva wesleyana, a graça de Deus vai adiante de todo homem (graça preveniente), e o meio ordinário dessa graça é precisamente a Palavra. Deus agiu primeiro em Cornélio, sim, mas agiu pela Escritura que Cornélio ouviu, e Cornélio respondeu. A iniciativa divina e a resposta humana não competem entre si; a primeira habilita a segunda sem anulá-la.
4. Segunda refutação: Deus revela a aliança aos que o temem (a ordem cronológica do Salmo 25.14)
O salmista estabelece um princípio que funciona como chave hermenêutica de Atos 10: “A intimidade do SENHOR é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança” (Sl 25.14).
Observe a ordem do texto: primeiro o temor, depois a revelação da aliança. O temor do Senhor aparece como condição; o conhecimento da aliança, como resposta divina a essa condição. Atos 10 é a dramatização histórica desse salmo:
1. Cornélio teme a Deus, respondendo à luz que já possuía, a revelação veterotestamentária (At 10.2).
1. Deus responde a esse temor: “as suas orações e as suas esmolas subiram para memória diante de Deus” (At 10.4, 31).
1. Deus lhe dá a conhecer a aliança, enviando Pedro para anunciar a Nova Aliança em Cristo (At 10.36–43; cf. At 11.14: “ele lhe dirá palavras mediante as quais você será salvo, você e toda a sua casa”).
1. Cornélio crê e recebe o Espírito: a regeneração e o dom do Espírito vêm depois do ouvir e do crer (At 10.43–44).
Essa cronologia é devastadora para a ordem salvífica calvinista. Se a regeneração precedesse a fé, esperaríamos a sequência: regeneração, fé, temor, revelação. Mas o que Lucas narra é o inverso: Palavra (AT), temor, revelação plena (Evangelho), fé, Espírito. O temor de Cornélio precede a revelação final e a salvação; ele é a razão declarada pela qual Deus envia Pedro, e não o efeito de uma salvação já secretamente aplicada. Repare que o anjo não diz a Cornélio “você já está salvo”; diz que Pedro lhe falará palavras pelas quais ele será salvo (At 11.14, no futuro). Um homem regenerado, habitado por uma obra eficaz já consumada, ainda precisaria ser salvo?
Esse mesmo princípio ecoa por toda a Escritura: “vocês me buscarão e me acharão quando me buscarem de todo o coração” (Jr 29.13); “quem se aproxima de Deus deve crer que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6); “cheguem perto de Deus, e ele se aproximará de vocês” (Tg 4.8). Em todos esses textos, a busca humana, habilitada pela graça mas real e condicional, precede uma aproximação maior de Deus. Atos 10 não é exceção; é o exemplo paradigmático.
5. E os textos calvinistas? Uma palavra de equilíbrio
Seria desonesto fingir que o calvinismo não tem textos a seu favor. Romanos 3.11 (“não há quem busque a Deus”) descreve com realismo a condição humana deixada a si mesma. Nisso, arminianos wesleyanos concordam plenamente com calvinistas: não cremos em capacidade natural autônoma. A divergência não está na profundidade da queda, mas no alcance do remédio. O calvinista resolve o problema com regeneração seletiva e irresistível; o wesleyano, com a graça preveniente universal, mediada sobretudo pela Palavra, que restaura em todos a capacidade de responder, sem garantir a resposta. Cornélio não buscou a Deus por força da carne; buscou porque a Palavra viva e eficaz já trabalhava nele. Mas trabalhava de modo resistível: ele poderia ter desprezado a sinagoga, as Escrituras e a oração, como tantos outros centuriões fizeram.
6. Minha posição
Atos 10, lido sem lentes sistemáticas prévias, ensina que: (a) a Palavra de Deus é o instrumento eficaz pelo qual Deus desperta o temor no coração humano, sem necessidade de regeneração anterior à fé; (b) Deus responde positivamente, e a Escritura diz que aceita (At 10.35), aqueles que, à luz da revelação que possuem, o temem e o buscam; (c) a regeneração e o dom do Espírito seguem-se ao ouvir e ao crer, e não os precedem. A hipótese da regeneração secreta de Cornélio é um postulado do sistema, não um dado do texto. Entre o sistema e o texto, fico com o texto.
7. Aplicações práticas e pastorais
Para a pregação:
confie na Palavra. Se ela foi suficiente para conduzir um centurião pagão ao temor do Senhor, é suficiente para sondar o coração mais endurecido do seu auditório. O pregador não precisa esperar sinais de regeneração para anunciar; o anúncio é o meio pelo qual Deus age (Rm 10.14–17).
Para o evangelismo:
há “Cornélios” ao nosso redor, pessoas sinceras, que oram, que buscam, que ainda não ouviram o nome de Jesus com clareza. Deus vê essa busca e, em sua providência, envia “Pedros”. A pergunta pastoral é incômoda: estamos dispostos, como Pedro, a romper nossos preconceitos para ir até elas?
Para a vida devocional:
o Salmo 25.14 é também promessa pessoal. A intimidade com Deus e o conhecimento mais profundo de sua aliança são concedidos aos que o temem. Quem busca, encontra mais; quem responde à luz que tem, recebe mais luz. Que a história de Cornélio nos anime a buscar a Deus de todo o coração, certos de que nenhuma oração e nenhum gesto de piedade sobem aos céus sem se tornar memória diante dele.
(Autor Bispo José Ildo Swartele de Mello)
Considerações sobre o Calvinismo+
Uma resposta aos ensinamentos calvinistas para jovens que querem entender a Bíblia de verdade
Antes de começar: algumas perguntas para você pensar
Imagine que você nasceu e alguém já decidiu, antes mesmo de você existir, que você vai para o inferno. Não importa o que você faça, não importa se você ora, se você chora, se você busca a Deus. A decisão já foi tomada. Você simplesmente não é do grupo dos escolhidos.
Isso parece justo para você?
Ou imagine o contrário: Deus já decidiu que você vai ser salvo, aconteça o que acontecer. Você pode pecar, abandonar a fé, virar as costas para Deus… não tem problema, porque você já foi escolhido e a sua salvação é garantida.
Isso parece coerente com o Deus que você lê na Bíblia?
Se alguma dessas ideias te incomodou, você está no caminho certo. Esse artigo é para explicar o que é o calvinismo, por que essas ideias não combinam com o que a Bíblia ensina, e qual é a visão que faz muito mais sentido bíblico e teológico: o arminianismo wesleyano.
1. O que é o calvinismo, afinal?
O calvinismo é uma teologia desenvolvida principalmente por João Calvino, um reformador do século XVI. Seus seguidores resumiram seus ensinamentos em cinco pontos que ficaram conhecidos pela sigla em inglês TULIP:
• T — Depravação Total: O ser humano está tão corrompido pelo pecado que é completamente incapaz de buscar a Deus ou de responder ao Evangelho por vontade própria.
• U — Eleição Incondicional: Deus escolheu, antes da criação do mundo, quem seria salvo e quem seria condenado. Essa escolha não depende de nada que a pessoa faça ou deixe de fazer.
• L — Expiação Limitada: Jesus morreu apenas pelos eleitos, não por toda a humanidade.
• I — Graça Irresistível: Os eleitos não conseguem resistir à graça de Deus. Quando Deus decide salvar alguém, essa pessoa vai ser salva de qualquer jeito.
• A — Perseverança dos Santos: Uma vez salvo, sempre salvo. Quem foi verdadeiramente eleito jamás perderá a salvação.
Essas ideias parecem muito “organizadas” e até “profundas”. Muita gente acha o calvinismo atraente por isso. Mas quando você coloca esses pontos à luz da Bíblia inteira, começam a surgir problemas sérios.
2. Problema 1 — “Você é totalmente incapaz de buscar a Deus”
O que o calvinismo diz:
O ser humano é tão corrompido que não tem a menor capacidade de responder ao chamado de Deus. Seria como pedir a um morto que se levante por conta própria.
O problema com essa ideia:
Se o ser humano é completamente incapaz de responder a Deus, então por que a Bíblia inteira está cheia de convites, chamados, ordens e advertências? Por que Deus diria “venha” para quem não consegue vir?
Pense assim: seria justo um pai pedir ao filho de 5 anos que carregasse uma geladeira nas costas e, quando ele não conseguisse, puní-lo severamente? Claro que não! Da mesma forma, seria incoerente Deus exigir fé e arrependimento de pessoas completamente incapazes disso.
“Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens, em todo lugar, se arrependam.” (At 17.30)
“Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens.” (Tt 2.11)
“Se alguém tem sede, venha a mim e beba.” (Jo 7.37)
1. “Morto no pecado” não significa “incapaz de responder”
Os calvinistas adoram Efésios 2.1 — “vocês estavam mortos nas suas transgressões” — e concluem: morto não pode fazer nada! Mas “morto espiritualmente” significa separado de Deus, não paralisado. Adão “morreu” espiritualmente no dia em que pecou (Gn 2.17), mas continuou caminhando e respondendo ao chamado de Deus no jardim: “Onde você está?” (Gn 3.9). A morte espiritual é separação — não ausência total de capacidade de resposta.
2. “Não quer” é muito diferente de “não pode”
Os calvinistas confundem incapacidade moral com incapacidade natural. A Bíblia descreve pecadores que não querem vir a Cristo — não que não possam. Jesus disse aos judeus: “Vocês não querem vir a mim para terem vida” (Jo 5.40). Não disse “vocês não conseguem”. O problema do pecador é uma recusa da vontade — e uma recusa implica que a escolha estava disponível.
3. O Evangelho é a provísão que capacita
Deus proveu tudo que era necessário para que qualquer pessoa pudesse ser salva. O próprio Evangelho carrega em si o poder de iluminar e persuadir. Paulo diz que o Evangelho é “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16). O Espírito age através da mensagem — não por uma operação secreta e irresistível feita separadamente no coração de alguns eleitos.
4. Como o Pai atrai? Pela verdade, não por força
Os calvinistas usam muito João 6.44: “Ninguém pode vir a mim se o Pai não o atrair.” Mas logo no versículo seguinte Jesus explica como o Pai atrai: “Está escrito nos profetas: E todos serão ensinados por Deus. Todo aquele que ouviu o Pai e aprendeu com ele vem a mim” (Jo 6.45). O Pai atrai através do ensino e da verdade proclamada — não por uma força irresistível que age em poucos escolhidos. Quem ouve e aprende do Pai vem a Jesus. A atração é pela verdade, acessível a todos.
5. A parábola do semeador derruba o calvinismo
Em Lucas 8, o mesmo semeador lança a mesma semente em quatro tipos de solo. Se o calvinismo estivesse certo, o semeador não deveria preparar o solo de antemão para os eleitos? Mas na parábola, a semente vai para todos os solos. A diferença está no estado do coração de cada pessoa — não em Deus ter pré-escolhido qual solo ia receber a semente. O mesmo Evangelho é pregado a todos; a resposta varia conforme o coração de cada ouvinte.
O que a visão arminiana/wesleyana ensina:
Concordamos que o pecado corrompeu profundamente o ser humano. Mas Deus age preventivamente em todos os corações através do Espírito Santo. John Wesley chamou isso de graça preveniente — uma graça que vem antes da conversão, que Deus oferece a todos os seres humanos, restaurando a capacidade de responder ao Evangelho. O Espírito convence do pecado (Jo 16.8), abre o coração (At 16.14) e bate à porta de cada vida.
“Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa.” (Ap 3.20)
Repare: Deus bate. Mas a pessoa abre. Não é uma invasão. É um relacionamento.
3. Problema 2 — “Deus escolheu quem vai se salvar antes de você nascer”
O que o calvinismo diz:
Deus, antes da criação do mundo, escolheu um grupo para ser salvo (os eleitos) e deixou o restante para a condenação. Essa escolha é absolutamente soberana e unilateral.
O problema com essa ideia:
Se isso fosse verdade, teríamos que aceitar algumas conclusões perturbadoras:
• Deus seria o autor do mal, pois teria criado pessoas com o propósito de destruí-las.
• A evangelização seria uma farsa: os eleitos serão salvos de qualquer jeito, os outros nunca serão.
• O Juízo Final seria injusto: como julgar pessoas por atos que apenas cumpriram o roteiro predeterminado?
• “Deus amou o mundo” (Jo 3.16) não teria significado real — seria só parte dos eleitos.
O que a Bíblia ensina sobre eleição:
“…eleitos, segundo a preciência de Deus Pai.” (1Pe 1.2)
A eleição é baseada na preciência de Deus — no conhecimento antecipado de como cada pessoa vai responder ao chamado. Deus não escolhe de forma cega e arbitrária. Além disso, a Bíblia mostra que a eleição muitas vezes é corporativa: Deus elege um povo para uma missão. Você entra no grupo dos eleitos quando, pela fé, entra em Cristo — e pode sair se voluntariamente se afastar dele.
4. Problema 3 — “Jesus não morreu por todos”
O que o calvinismo diz:
A expiação de Cristo foi “limitada” — Jesus morreu apenas pelos eleitos, não pela humanidade inteira.
O problema com essa ideia:
Isso vai diretamente contra textos bíblicos claros:
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3.16)
“O qual se deu a si mesmo como resgate por todos.” (1Tm 2.6)
“…e ele é a propiciação pelos nossos pecados; e não somente pelos nossos, mas pelos de todo o mundo.” (1Jo 2.2)
Esses versículos não dizem “pelos eleitos”. Dizem “o mundo”, “todos”, “todo o mundo”. O sacrifício de Cristo é suficiente para salvar toda a humanidade, mas eficiente apenas para aqueles que creem nele.
5. Problema 4 — “Você não consegue resistir à graça de Deus”
O que o calvinismo diz:
Quando Deus decide salvar alguém, essa pessoa não consegue resistir. A graça é como um relâmpago que derruba a pessoa — não dá para fugir.
O problema com essa ideia:
A Bíblia mostra claramente que as pessoas podem resistir à graça de Deus:
“Duros de cerviz e incircuncisos de coração e ouvidos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo.” (At 7.51)
“Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram.” (Mt 23.37)
Deus queria. O povo não quis. Isso é resistência à graça. João 1.11-12 é direto: existe uma diferença real entre receber e não receber — e essa diferença é uma escolha humana.
6. Problema 5 — “Uma vez salvo, sempre salvo”
O que o calvinismo diz:
Se você foi verdadeiramente salvo, nunca perderá a salvação. Se alguém abandonou a fé, prova que nunca foi salvo de verdade.
O problema com essa ideia:
A Bíblia, porém, está cheia de avisos sérios para crentes:
“Portanto, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!” (1Co 10.12)
“Cuidado, irmãos, para que nenhum de vocês tenha coração perverso e incrédulo, que se afaste do Deus vivo.” (Hb 3.12)
Hebreus 6.4-6 descreve pessoas que “foram iluminadas, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo” — isso não soa como quem nunca foi salvo.
A visão arminiana:
A salvação é segura enquanto você permanecer em Cristo. Você está seguro como um filho que vive na casa do pai. Mas o pai não prende o filho à força. O filho pode ir embora como o filho pródigo. E o pai o receberá de volta com alegria quando retornar (Lc 15). Por isso a Bíblia nos exorta tanto a perseverar!
“Mas aquele que perseverar até o fim será salvo.” (Mt 24.13)
7. E Romanos 9? Os calvinistas não estão certos sobre esse capítulo?
Romanos 9 é o capítulo favorito dos calvinistas. Eles apontam para versículos como “Amei a Jacó, mas aborreci a Esaú” (Rm 9.13) e “Não tem o oleiro poder sobre o barro?” (Rm 9.21). E concluem: Deus escolhe quem quer, sem depender de ninguém.
Mas espere — o contexto muda tudo.
Paulo não está falando sobre quem vai para o céu ou para o inferno. Ele está falando sobre a missão de Israel e os propósitos históricos de Deus na eleição de um povo para servir à sua obra de redenção.
Quando Paulo fala de Jacó e Esaú, ele está citando a escolha de Jacó como patriarca de Israel — não como garantia de salvação eterna individual. Esaú não estava condenado ao inferno por causa dessa escolha.
A metáfora do oleiro em Jeremias 18:
Quando Paulo usa a imagem do oleiro e do barro (Rm 9.20-21), ele está se referindo a Jeremias 18 — e esse texto diz exatamente o oposto do que os calvinistas pensam:
“Se em algum momento eu decretar que uma nação seja arruinada, e se essa nação converter-se da sua perversidade, então eu me arrependerei e não trarei sobre ela a desgraça que eu tinha planejado.” (Jr 18.7-8)
O barro tem vontade própria! O barro pode se arrepender, e Deus muda seus planos com base nisso! Nada mais distante da ideia calvinista de que tudo está rigidamente predeterminado.
O ponto central de Romanos 9–11:
Paulo está explicando por que os judeus, em grande parte, rejeitaram o Messias. A eleição de Israel era corporativa e de missão — não garantia automática de salvação individual. O clímax de toda a argumentação está em Romanos 10:
“Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” (Rm 10.13)
Todo aquele — sem restrição. Qualquer pessoa que invocar. Não é um grupo fechado de pré-determinados.
8. O que está em jogo nessa discussão
Essa discussão tem consequências práticas sérias:
Se o calvinismo está certo:
• Evangelizar não faz sentido real (os eleitos serão salvos de qualquer jeito).
• Orar pela conversão de pessoas é uma ilusão (o destino já está selado).
• O livre-arbítrio humano é uma ilusão.
• Deus seria o responsável pelo mal.
• Um cristão poderia viver tranquilamente em pecado sem medo de perder a salvação.
Se o arminianismo wesleyano está certo:
• O Evangelho é uma boa notícia real para todas as pessoas.
• Orar pela conversão de pessoas faz sentido de verdade.
• Você é livre, responsável e amado por Deus de forma genuina.
• Deus não é o autor do mal.
• A perseverança importa — e vale a pena permanecer fiel.
9. O Deus que bate à porta e espera
No final das contas, a grande questão é: que tipo de Deus a Bíblia revela?
O calvinismo apresenta um Deus que age como um rei absoluto e arbitrário — que escolhe alguns para amar e outros para destruir, sem que ninguém tenha participação real na decisão.
O arminianismo wesleyano apresenta um Deus que age como o Pai Amoroso da parábola do filho pródigo — que ama todos os filhos, que respeita a liberdade de cada um, e que fica de braços abertos esperando o retorno.
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3.16)
“O Senhor… não quer que nenhum pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento.” (2Pe 3.9)
“Isso é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.” (1Tm 2.3-4)
Deus quer que todos sejam salvos. Não um grupo de eleitos. Todos. E por isso ele bate à porta de todos os corações, convida todos, envia pregadores a todas as nações e aguarda a resposta de cada um.
Você é amado por Deus. Não porque foi escolhido de forma arbitrária antes do mundo existir, mas porque você é filho de Deus e ele te ama com um amor real, genuino e profundo — um amor que respeita a sua liberdade e aguarda a sua resposta.
E essa resposta importa. A pergunta que fica não é “será que fui eleito?”, mas sim:
O que você vai fazer com o chamado de Deus na sua vida hoje?
Para pensar mais:
• Se Deus já decidiu tudo, por que Jesus chorou sobre Jerusalém desejando reunir o povo que não quis ir? (Mt 23.37)
• Se a graça é irresistível, por que Estêvão disse que o povo “sempre” resistia ao Espírito Santo? (At 7.51)
• Se a salvação é garantida para os eleitos, por que a Bíblia está cheia de exortações a perseverar?
• Se Jesus morreu apenas pelos eleitos, o que significa “Deus amou o mundo”? (Jo 3.16)
• Se o futuro está totalmente determinado, por que Deus mudou o destino de Ezequias depois que ele orou? (Is 38.1-5)
Essas perguntas não têm respostas fáceis no calvinismo. No arminianismo wesleyano, elas fazem todo o sentido.
Bispo José Ildo Swartele de Mello
(Autor Bispo José Ildo Swartele de Mello)