Estudos do Bispo Ildo · Santificação e Vida Cristã

Santidade e Santificação

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Disciplina Eclesiástica+

Introdução

A disciplina na igreja tem como propósito repreender e restaurar os membros que caem em pecado. Visa também preservar a sã doutrina, a unidade, a santidade e a boa reputação da igreja para a glória do nome de Deus e para o sucesso da missão e do testemunho da Igreja no mundo.

A Disciplina Eclesiástica é Necessária Pois a santidade é o alvo da Igreja "… como Cristo amou a igreja e entregou-se por ela para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra, e para apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável" (Ef 5.25-27).

"pois está escrito: “Sejam santos, porque eu sou santo”. Uma vez que vocês chamam Pai aquele que julga imparcialmente as obras de cada um, portem-se com temor durante a jornada terrena de vocês" (1Pe 1.16,17).

Para recuperação e cura a fim de não sermos condenados com o mundo "Quando, porém, somos julgados pelo Senhor, estamos sendo disciplinados para que não sejamos condenados com o mundo" (1Co 11.32).

"A punição que lhe foi imposta pela maioria é suficiente.  Agora, ao contrário, vocês devem perdoar-lhe e consolá-lo, para que ele não seja dominado por excessiva tristeza. Portanto, eu lhes recomendo que reafirmem o amor que têm por ele. Eu lhes escrevi com o propósito de saber se vocês seriam aprovados, isto é, se seriam obedientes em tudo" (2Co 5.6-9).

"Irmãos, se alguém for surpreendido em algum pecado, vocês, que são espirituais, deverão restaurá-lo com mansidão. Cuide- se, porém, cada um para que também não seja tentado" (Gl 6.1).

“Vocês se esqueceram da palavra de ânimo que ele lhes dirige como a filhos: 'Meu filho, não despreze a disciplina do Senhor, nem se magoe com a sua repreensão, pois o Senhor disciplina a quem ama, e castiga todo aquele a quem aceita como filho'. Suportem as dificuldades, recebendo- as como disciplina; Deus os trata como filhos. Ora, qual o filho que não é disciplinado por seu pai?  Se vocês não são disciplinados, e a disciplina é para todos os filhos, então vocês não são filhos legítimos, mas sim ilegítimos.  Além disso, tínhamos pais humanos que nos disciplinavam, e nós os respeitávamos. Quanto mais devemos submeter- nos ao Pai dos espíritos, para assim vivermos!  Nossos pais nos disciplinavam por curto período, segundo lhes parecia melhor; mas Deus nos disciplina para o nosso bem, para que participemos da sua santidade.  Nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria no momento, mas sim de tristeza. Mais tarde, porém, produz fruto de justiça e paz para aqueles que por ela foram exercitados. Portanto, fortaleçam as mãos enfraquecidas e os joelhos vacilantes.  “Façam caminhos retos para os seus pés”, para que o manco não se desvie, antes, seja curado" (Hb 12.5-13).

Para promoção de verdadeiro arrependimento “Agora, me alegro não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus… Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte" (2Co 7.9-10).

"Deem fruto que mostre o arrependimento!" (Mt 3.8)

"Mas Zaqueu levantou-se e disse ao Senhor: "Olha, Senhor! Estou dando a metade dos meus bens aos pobres; e se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais" (Lc 19.8).

Para a preservação da sã doutrina "Conheço as suas obras, o seu trabalho árduo e a sua perseverança. Sei que você não pode tolerar homens maus, que pôs à prova os que dizem ser apóstolos mas não são, e descobriu que eles eram impostores" (Ap 2.2).

"Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo" (1Jo 4.1).

“Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus… Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más" (2Jo 9-11).

"e apegue-se firmemente à mensagem fiel, da maneira como foi ensinada, para que seja capaz de encorajar outros pela sã doutrina e de refutar os que se opõem a ela. Pois há muitos insubordinados, que não passam de faladores e enganadores, especialmente os do grupo da circuncisão. É necessário que eles sejam silenciados, pois estão arruinando famílias inteiras, ensinando coisas que não devem, e tudo por ganância. Um dos seus próprios profetas chegou a dizer: "Cretenses, sempre mentirosos, feras malignas, glutões preguiçosos". Tal testemunho é verdadeiro. Portanto, repreenda-os severamente, para que sejam sadios na fé" (Tt 1.9-13).

"Recomendo-lhes, irmãos, que tomem cuidado com aqueles que causam divisões e colocam obstáculos ao ensino que vocês têm recebido. Afastem-se deles" (Rm 16.17).

"No entanto, tenho contra você algumas coisas: você tem aí pessoas que se apegam aos ensinos de Balaão, que ensinou Balaque a armar ciladas contra os israelitas, induzindo-os a comer alimentos sacrificados a ídolos e a praticar imoralidade sexual" (Ap 2.14).

“Evita o homem faccioso, depois de admoestá-lo primeira e segunda vez, pois sabes que tal pessoa está pervertida, e vive pecando, e por si mesma está condenada" (Tt 3.10-11).

“Meus irmãos, se algum entre vós se desviar da verdade, e alguém o converter, sabei que aquele que converte o pecador do seu caminho errado salvará da morte a alma dele e cobrirá multidão de pecados" (Tg 5.19-20).

Para combater o fermento do pecado "… um pouco de fermento faz toda a massa ficar fermentada?" (1Co 5.5 cf. Ec 9.18).

Para inibir o mal através do temor do Senhor "Os que pecarem deverão ser repreendidos em público, para que os demais também temam" (1Tm 5.20).

"E grande temor apoderou-se de toda a igreja e de todos os que ouviram falar desses acontecimentos" (At 5.11).

"Então todo o Israel saberá disso; todos temerão e ninguém tornará a cometer uma maldade dessas" (Dt 13.11).

"Assim, todo o povo temerá e não ousará mais agir com rebeldia" (Dt 17.13).

Pois sem disciplina há ruína e morte “As maldades do ímpio o prendem; ele se torna prisioneiro das cordas do seu pecado. Certamente morrerá por falta de disciplina; andará cambaleando por causa da sua insensatez” (Pv 5.22-23).

"Quem despreza a disciplina cai na pobreza e na vergonha, mas quem acolhe a repreensão recebe tratamento honroso" (Pv 13.18).

Para que o nome de Deus não seja blasfemado "Pois, como está escrito: “O nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vocês” (Rm 2.24).

"afaste-se da iniquidade todo aquele que confessa o nome do Senhor" (2Tm 2.19).

Para que a Igreja brilhe para Glória de Deus "Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus" (Mt 5.16)

Para que não nos tornemos cúmplices “E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as” (Ef 5.11).

Para que não incorramos no juízo de Deus “No entanto, tenho contra você algumas coisas: você tem aí pessoas que se apegam aos ensinos de Balaão, que ensinou Balaque a armar ciladas contra os israelitas, induzindo- os a comer alimentos sacrificados a ídolos e a praticar imoralidade sexual.  De igual modo você tem também os que se apegam aos ensinos dos nicolaítas.  Portanto, arrependa- se! Se não, virei em breve até você e lutarei" (Ap 2.15-16 cf Js 7.1-13).

Pois o Juízo começa pela casa de Deus "Pois chegou a hora de começar o julgamento pela casa de Deus; e, se começa primeiro conosco, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?" (1Pe 4.17 cf. Ap 2.2,14,15,20).

Pois é nosso dever como Igreja "Pois, como haveria eu de julgar os de fora da igreja? Não devem vocês julgar os que estão dentro? Deus julgará os de fora. “Expulsem esse perverso do meio de vocês” (1Co 5.12-13).

"Se algum de vocês tem queixa contra outro irmão, como ousa apresentar a causa para ser julgada pelos ímpios, em vez de levá-la aos santos?  Vocês não sabem que os santos hão de julgar o mundo? Se vocês hão de julgar o mundo, acaso não são capazes de julgar as causas de menor importância?  Vocês não sabem que haveremos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas desta vida!  Portanto, se vocês têm questões relativas às coisas desta vida, designem para juízes os que são da igreja, mesmo que sejam os menos importantes" (1Co 6.1-4).

"Se ele se recusar a ouvi-los, conte à igreja; e se ele se recusar a ouvir também a igreja, trate-o como pagão ou publicano" (Mt 18.17).

“Exortamo-vos, também, irmãos, a que admoesteis os in- submissos…” (1Ts 5.14).

“Quanto aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os demais temam" (1Tm 5.20).

Processo Disciplinar Deve ser conduzido com humildade, amor e temor.

"Saibam, pois, em seu coração que, assim como um homem disciplina o seu filho, da mesma forma o Senhor, o seu Deus, os disciplina" (Dt 8.5).

"Irmãos, se alguém for surpreendido em algum pecado, vocês, que são espirituais, deverão restaurá-lo com mansidão. Cuide-se, porém, cada um para que também não seja tentado" (Gl 6.1).

“Como é feliz o homem a quem Deus corrige; portanto, não despreze a disciplina do Todo-poderoso. Pois ele fere, mas trata do ferido; ele machuca, mas suas mãos também curam" (Jó 5.17-18).

"Pois eu lhes escrevi com grande aflição e angústia de coração, e com muitas lágrimas, não para entristecê-los, mas para que soubessem como é profundo o meu amor por vocês" (2Co 2.4).

"Se alguém desobedecer ao que dizemos nesta carta, marquem-no e não se associem com ele, para que se sinta envergonhado; contudo, não o considerem como inimigo, mas chamem a atenção dele como irmão" (2Ts 3.14-15).

Com justiça e imparcialidade Devemos ser imparciais. Tratando a todos os membros da mesma forma  e com os mesmos critérios, à despeito de laços de parentesco, afinidade, condição social, política e étnicas. Tais critérios precisam ser o mais claros e objetivos possíveis. Nada de dois pesos e duas medidas. Sejamos justos!

“O Senhor repudia balanças desonestas, mas os pesos exatos lhe dão prazer” (Pv 11.1).

“Meus irmãos, como crentes em nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, não façam diferença entre as pessoas, tratando- as com parcialidade.  Suponham que na reunião de vocês entre um homem com anel de ouro e roupas finas, e também entre um pobre com roupas velhas e sujas. Se vocês derem atenção especial ao homem que está vestido com roupas finas e disserem: “Aqui está um lugar apropriado para o senhor”, mas disserem ao pobre: “Você, fique em pé ali”, ou: “Sente- se no chão, junto ao estrado onde ponho os meus pés”,  não estarão fazendo discriminação, fazendo julgamentos com critérios errados? Ouçam, meus amados irmãos: Não escolheu Deus os que são pobres aos olhos do mundo para serem ricos em fé e herdarem o Reino que ele prometeu aos que o amam? 6 Mas vocês têm desprezado o pobre. Não são os ricos que oprimem vocês? Não são eles os que os arrastam para os tribunais?  Não são eles que difamam o bom nome que sobre vocês foi invocado? Se vocês de fato obedecerem à lei do Reino encontrada na Escritura que diz: “Ame o seu próximo como a si mesmo”, estarão agindo corretamente.  Mas se tratarem os outros com parcialidade, estarão cometendo pecado e serão condenados pela Lei como transgressores” (Tg 2.1-8).

“Deus não faz acepção de pessoas” (Rm 2.11)

“Nessa nova vida já não há diferença entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, bárbaro e cita, escravo e livre, mas Cristo é tudo e está em todos” (Cl 3.11)

Ações Preliminares Princípios Bíblicos para Resolução de Conflitos Antes de tudo, devemos observar cuidadosamente os seguinte princípios para resolução de conflitos e cura da maledicência ordenados por Jesus em Mateus 18.15-17:

Devemos buscar reconciliação:

1) o mais rápido possível 2) com o menor número de pessoas possível 3) na menor instância possível Quanto mais rápido, mais chances de sucesso na resolução de um conflito, pois daremos a ele menos chances de se desenvolver. Não devemos deixar o sol se por sobre a nossa ira.

Devemos também buscar reconciliação envolvendo o menor número de pessoas possíveis. Não leve o assunto precipitadamente ao conhecimento dos outros. O pastor deve ser discreto. Empreenda esforços para resolver a situação de modo pessoal, particular e privado.

Tente resolver as questões na menor instância possível sem envolver toda a Igreja. Até mesmo alguns atos disciplinares podem ser aplicados de modo discreto pelo pastor sem que outros venham a saber. Um exemplo, um pastor pode tomar ciência de um caso de adultério que não se tornou de conhecimento público, onde o ofensor arrependido já recebeu o perdão do cônjuge. O Pastor não precisa levar o caso para os oficiais da igreja, ele pode manter sigilo, instruindo o pecador arrependido que espontaneamente peça afastamento dos cargos durante determinado período sem necessariamente ter de explicar os reais motivos para tal afastamento.

Atos Disciplinares Atos disciplinares se farão por vezes necessários com fins pedagógicos e restauradores como parte de um processo de cura.  A exclusão só deve acontecer quando não houver arrependimento após os devidos esforços da Igreja neste sentido.

Havendo arrependimento, a suspensão temporária de cargos de liderança pode ser indicada em determinados casos, tendo em vista a gravidade dos fatos, quando se percebe que o próprio envolvido carecerá de tempo para se reestruturar; e também quando se fizer necessário o restabelecimento da confiança para que volte a exercer liderança na igreja. Pois os líderes devem ser modelos para todo o rebanho (1Tm 4.12; 1Ts 1.7). Sejamos cuidados neste ponto para a saúde de toda a Igreja.

“Quem acolhe a disciplina mostra o caminho da vida, mas quem ignora a repreensão desencaminha outros” (Pv 10.17)

Pecadores arrependidos não devem ser suspensos da Ceia do Senhor Pois, suspender da Ceia é como suspender do Corpo de Cristo.

“Se confessarmos os nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a iniquidade” (1Jo 1.9).

Outros Cuidados:

"Cuidado, irmãos, para que nenhum de vocês tenha coração perverso e incrédulo, que se afaste do Deus vivo. Pelo contrário, encorajem-se uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama "hoje", de modo que nenhum de vocês seja endurecido pelo engano do pecado, pois passamos a ser participantes de Cristo, desde que, de fato, nos apeguemos até o fim à confiança que tivemos no princípio. Por isso é que se diz: 'Se hoje vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração, como na rebelião'" (Hb 3.12-15).

Além dos conselhos bíblicos, é importante também conhecer a legislação do país para proceder de maneira adequada, evitando, na medida do possível, processos judiciais.

Vejamos o que diz o Manual Metodista Livre a respeito da Disciplina Eclesiástica:

Disciplina Eclesiástica – Capítulo 7 do Manual Metodista Livre 2012-2015 Preâmbulo §7000 A visão da Igreja Metodista Livre começa com um chamado e compromisso para ser uma comunidade bíblica saudável de pessoas santas (§6010.B). Nosso propósito é seguir a instrução de Paulo à Igreja dos  Gálatas, “ Porque em Cristo Jesus nem circuncisão nem incircuncisão têm efeito algum, mas sim a fé que atua pelo amor ”

(Gálatas 5.6). Tiago 3.17-18 nos informa:

“ Mas a sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; depois, pacífica, amável, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sincera. O fruto da justiça semeia-se em paz para os pacificadores ”. Então nós fazemos nossa parte para viver em paz com todos naquilo que depender de nós (Romanos 12.18).

Comunidade Bíblica Saudável §7100 Conforme aprendemos na Palavra de Deus, ao encorajar um ao outro na fé e vida, praticar uma responsabilidade saudável e servir juntos na causa de Cristo, nós contribuímos para saúde de cada pessoa e ajudamos a mantê-los longe da queda do amor a Deus e aos outros. Estes princípios e práticas apoiarão e nutrirão uma ordem saudável na Igreja.

A ordem na Igreja é melhor percebida quando nós “ sujeitamo-nos uns aos outros, por temor a Cristo ”

(Efésios 5.21), honramos nossa Aliança de Membro e votos de ordenação e nos engajamos na missão da Igreja. A Igreja tem uma responsabilidade de discipular cada crente. Isto é melhor realizado em comunidades que se utilizam do trabalho em grupos pequenos ou células (§6060.6) cujo propósito é edificar todo crente e testemunhar àqueles que não conhecem a Deus.

Princípios Bíblicos §7110 A Bíblia descreve comportamentos específicos que nos guiam na criação e manutenção de uma comunidade bíblica saudável. Estes comportamentos incluem:

A. Nós insistimos com todos que vivam vidas dignas do chamado que recebemos. Nós nos esforçamos para ser humildes e gentis, pacientes, suportando uns aos outros em amor. Em todas nossas ações nos esforçamos para manter a unidade do Espírito no vínculo da paz (Efésios 4.1-3).

B. Nós insistimos com todos que mantenham uma vida de oração e o espírito de Cristo em todo tempo, buscando zelosamente discernir, buscar e seguir a mente de Cristo (Gálatas 6.1-2; Filipenses 2.1-5; 1ª Coríntios 13.4-7).

C. Nós insistimos com todos que demonstrem a sabedoria do alto: pura, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sem fingimento (Tiago 3.17).

D. Nós insistimos com todos os envolvidos na restauração de um irmão ou irmã que orem para que todas as ações produzam o fruto pacífico de retidão (Hebreus 12.11), promovam santidade de coração e vida (Tito 2.11-14), preservem a unidade do Espírito no vínculo da paz (Efésios 4.3), sirvam como advertência para o vulnerável e descuidado (1ª Timóteo 5.20) e salvem os que estão em perigo de morte espiritual (2ª Tessalonicenses 2.10).

E. Nós insistimos com todos que sejam submissos (Efésios 5.21). Esta submissão deve ser mútua, tanto de quem está debaixo de autoridade como de quem exerce autoridade (1ª Tessalonicenses 5.11-13). Disputa, ciúme, explosão de ira, divisão, difamação, fofoca, arrogância e desordem não são atitudes compatíveis com pessoas bíblicas e saudáveis (2ª Coríntios 12.20).

F. Nós insistimos com todos que evitem os padrões do inimigo, que caracterizam sociedades não redimidas (Mateus 5.23-25). Nós nos consideramos como embaixadores de Cristo que se esforçam para ter paz um com o outro, enquanto compartilhamos o ministério de reconciliação (2ª Coríntios 5.16-21).

G. Nós insistimos com todos que falem a verdade em amor e cresçamos na semelhança de Cristo. Esta unidade madura em Cristo nos unirá ao fazermos nossa parte para criar uma vida de comunidade saudável (Efésios 4.15-16).

H. Nós não aceitamos acusação contra presbíteros a menos que seja substanciada por testemunho verificável e/ou evidência (1ª Timóteo 5.19).

I. Quando uma pessoa é surpreendida em pecado, é nossa responsabilidade restabelecê-la com toda a humildade e mansidão, lembrando que nós também podemos ser tentados (Gálatas 6.1-3).

Propósito e Metas §7120 Se uma acusação se mostra ser a expressão da verdade, o processo de ação da Igreja tem como alvo conduzir ao arrependimento, perdão e retorno para a comunhão com Deus e com a Igreja. A Igreja assume a responsabilidade de seguir os padrões de Jesus, exercitando graça e verdade continuamente, para restabelecer um membro em pecado a relacionamentos saudáveis com a ajuda de Cristo. Onde há pessoas que são prejudicadas por um membro em pecado, a Igreja oferecerá auxílio a eles, na proteção de uma comunidade transformadora e pelo amor e cuidado de alguém espiritualmente maduro.

Situações Passíveis de Disciplina §7130 Superiores, Comissões de Treinamento e Orientação Ministerial (COTOM) e Comissões de Cuidado de Membros (CCM) não podem ignorar o pecado na Igreja. Quando está claro que a relação de um membro com Cristo ou com outra pessoa está comprometida ou prejudicada por causa de pecado, uma ação apropriada será falar a verdade em amor e restabelecer a saúde na Igreja e na(s) pessoa(s) envolvida(s).

A. Questões que requerem atenção podem incluir:

1. um padrão de comportamento em falar e reagir com ambição egoísta (Filipenses 2.3); 2. uma comunicação com ira que causa divisões (2ª Coríntios 12.20); 3. uma falta de competência e/ou de sabedoria que traga questionamentos sobre a efetividade da liderança e/ou do ministério; 4. hábitos pessoais insalubres que claramente contribuem para uma falta de frutificação na vida e no ministério; 5. ensinos contrários aos nossos Artigos de Religião e/ou nossa Aliança de Membro; 6. um padrão de falta de submissão ao superior, Presbítero(a) ou junta da Igreja, ou quando há um padrão por parte do superior, Presbítero(a) ou junta da Igreja com relação a pessoas sob seu cuidado que revela uma falta de reverência a Cristo (Efésios 5.21); 7. acusação e evidência de uma prática pecaminosa na vida de um Presbítero/membro; 8. acusação e evidência de um padrão de vida em violação dos Princípios Não-Negociáveis da Igreja Metodista Livre (§6050) ou do Código de Ética para Ministros da Igreja Metodista Livre.

B. Conselho Particular:

Normalmente, o primeiro passo para restabelecer a ordem começa com conselho particular confidencial. O(A) superior indicará o problema e chamará a pessoa para lidar verdadeiramente com a questão e seguir a Jesus de todo o coração, incluindo o arrependimento sincero.

C. Conselho da COTOM/CCM: Quando uma pessoa é descoberta no pecado através de outros, ou em situações quando o conselho particular não foi efetivo em parar o pecado, a COTOM/CCM ou o(a) superior e representantes da respectiva Comissão, indicará o problema e chamará a pessoa para lidar verdadeiramente com a questão e seguir a Jesus de todo o coração, incluindo arrependimento sincero.

D. Compromisso de Restauração: Se o conselho particular foi rejeitado ou ineficaz, ou o conselho da COTOM/CCM foi necessário devido à descoberta de pecado na vida do(a) Presbítero(a)/membro, a COTOM/CCM estabelecerá um “ Compromisso de Restauração ”, que defina as expectativas e responsabilidades de todas as partes envolvidas no processo de restauração.

E. Suspensão do/a Ministério/Membresia: A COTOM/CCM pode suspender uma pessoa da designação pastoral e/ou membresia quando ela não cumpre o Compromisso de Restauração.

F. Suspensão imediata do Ministério: Quando um(a) superior se der conta dos seguintes casos, ele(a) suspenderá um(a) Presbítero(a)/membro imediatamente até que a COTOM/CCM possa se reunir:

1) Quando o(a) Presbítero(a)/membro é acusado de pecado por pelo menos duas testemunhas ou confessa um pecado que revela uma violação existente há muito em sua vida e relacionamentos de tal gravidade que exija um processo curativo para a Igreja, todas as pessoas envolvidas e as suas famílias.

2) Quando um(a) Presbítero(a)/membro ensina doutrina contrária aos nossos Artigos de Religião.

Processos de Queixas, Acusações e/ou Admissão de Pecado §7140 Superiores, COTOMs e CCMs devem abrir um processo para todas as queixas, acusações e/ou admissões de pecado que não possam ser resolvidos através de conselho particular. Toda vez que a membresia de um(a) Presbítero(a) for suspensa, tal ação deverá ser revista por uma Comissão Regional de Revisão.

Comissões de Revisão §7150 A. Membros do Concílio (presbíteros). A cada Concílio Geral, uma Comissão Regional de Revisão composta de quatro pessoas será eleita. Candidatos serão indicados pela Comissão de Chapas do Concílio Geral. A Comissão Regional de Revisão será composta de dois leigos e dois pastores, pelo menos um dos quais será um(a) superintendente e incluirá pelo menos um homem e uma mulher. Na ação de uma COTOM suspender ou excluir um(a) Presbítero(a), a Comissão Regional de Revisão deverá:

1. examinar as Atas da COTOM e revisar o procedimento do(a) superior/COTOM.

2. requerer do(a) Presbítero(a) acusado uma prestação de contas das ações estabelecidas no Compromisso de Restauração.

3. preparar um relatório à COTOM do Concílio Regional em questão, incluindo qualquer recomendação.

4. se, na opinião da Comissão Regional de Revisão ou do(a) Presbítero(a) acusado(a), houve injustiça, a Comissão Regional de Revisão convocará uma reunião da COTOM com o(a) Presbítero(a) acusado(a). O(A) Presbítero(a) acusado(a) terá o direito a ser acompanhado(a) nesta reunião por outro(a) membro da IMeL e/ou seu cônjuge. A Comissão Regional de Revisão ouvirá ambas as pastes, fará perguntas que julgar necessárias e, na ausência de ambas as partes, deliberará e tomará uma decisão. Qualquer das partes pode apresentar informações adicionais, principalmente se novas informações ajudam na descoberta da verdade. A ação da Comissão Regional de Revisão pode receber recurso (§228, §7200).

B. Membros da Igreja Local. A COTOM do Concílio Regional será a Comissão Conciliar de Revisão. Sempre que uma CCM da Igreja local entra em ação para suspender ou excluir alguém do ministério e/ou da membresia, a Comissão Conciliar de Revisão deve:

1. examinar as Atas da CCM.

2. pedir do(a) membro acusado(a) uma prestação de contas das ações estabelecidas no Compromisso de Restauração.

3. preparar um relatório à CCM local e incluir qualquer recomendação.

4. se, na opinião da Comissão Conciliar de Revisão ou do(a) membro acusado(a), houve injustiça, a Comissão Conciliar de Revisão se reunirá com a CCM e o(a) membro acusado(a). O(A) membro acusado(a) terá o direito a ser acompanhado(a) por um membro da IMeL e/ou seu cônjuge. A Comissão Regional de Revisão ouvirá ambas as pastes, fará perguntas que julgar necessárias e, na ausência de ambas as partes, deliberará e tomará uma decisão. Qualquer das partes pode apresentar informações adicionais, principalmente se novas informações ajudam na descoberta da verdade. A ação da Comissão Conciliar de Revisão pode receber recurso (§228, §7200).

Confidência §7160 O cuidado com informações pessoais confidenciais é um aspecto necessário do cuidado espiritual e da vida congregacional. A responsabilidade para tratar informação pessoal confidencialmente não se estende só a presbíteros(as), mas também a todas as pessoas que trabalham dentro da vida organizacional e institucional da Igreja. A necessidade de sigilo existe em duas áreas gerais: cuidado espiritual e assuntos pessoais.

Confidência no Cuidado Espiritual §7170 Ao providenciar cuidado espiritual, nossos(as) presbíteros(as) e membros mantêm uma relação de confiança e confidência, mantendo em sigilo toda informação revelada a eles, seja formal ou informalmente compartilhada. Se uma pessoa dá expresso consentimento para revelar informações confidenciais, nossos(as) presbíteros(as) e membros podem, mas não devem, revelar esta informação.

A. Os(As) presbíteros(as) têm a responsabilidade de manter invioladas as confidências confessionais, só quebrando esta confidência se o risco de iminente dano corporal para qualquer pessoa estiver presente. A exceção para este sigilo confessional inclui qualquer confissão de abuso sexual de uma criança ou qualquer outra conduta que a Lei Federal ou Estadual exija ser informada.

B. A confissão de um(a) Presbítero(a) a outro(a) é uma confidência inviolável, a menos que a conduta seja contínua e impenitente. Uma conduta por qualquer Presbítero(a) que continua tirando vantagem de qualquer pessoa debaixo de seu cuidado é um abuso de posição. Neste caso, a confissão não é confidencial, mas deve ser entendida como um pedido de ajuda para parar este abuso e fugir das tentações e responsabilidades de sua posição até que o arrependimento e a cura aconteçam.

Confidência em Assuntos Pessoais §7180 Com respeito à privacidade dos(as) oficiais da Igreja, exige-se confidência em assuntos pessoais. Esta confidência estende-se não só às discussões requeridas em entrevista, aprovação, designação, supervisão, disciplina e demissão de oficiais, mas também para todos os registros que pertencem a estes assuntos (exceto nos casos previstos no §7190).

A. A exigência de que todos os registros financeiros sejam públicos inclui todos os salários e indenizações pagos a oficiais e funcionários(as) da Igreja.

B. O recurso de um(a) oficial quanto a uma decisão de um comitê ou junta que tem esta responsabilidade não é confidencial. A decisão de apelar da decisão exige que informações, através das quais as decisões foram tomadas, se tornem públicas. Todas as informações sobre tal recurso vêm à luz numa sessão aberta.

Comunicação à Igreja §7190 Paulo escreveu a Timóteo, dizendo:

“ Repreenda publicamente os presbíteros que cometem pecados, para que os outros também temam ”

(1ª Timóteo 5.20). Ele está falando aqui dos que continuam pecando mesmo depois de a Igreja fazer o que pode, advertindo e tentando restabelecer o(a) faltoso(a). Assim, se o arrependimento se manifesta por uma mudança de comportamento, a comunicação para a Igreja toda será evitada. Embora cada caso deva ser examinado cuidadosamente, estas instruções gerais devem ser seguidas:

A. Se um(a) Presbítero(a) suspenso(a) ou excluído(a) buscar colocação em outro Concílio Regional ou denominação, o(a) superintendente e/ou o(a) bispo/episcopisa assumirá a responsabilidade de tornar conhecido para as pessoas adequadas naquele Concílio ou denominação, a situação do(a) Presbítero(a) e as razões que causaram a suspensão ou exclusão do(a) mesmo(a).

B. Se um(a) Presbítero(a) é suspenso(a) ou excluído(a), depois da revisão da Comissão Regional de Revisão, deve-se enviar uma comunicação escrita a cada superintendente e ao(à) bispo/episcopisa destacando a decisão tomada e a razão que a justifica.

C. O(A) bispo/episcopisa ou seu(sua) substituto(a) lerá para o Concílio durante a leitura dos Relacionamentos Especiais uma carta da Comissão Regional de Revisão esclarecendo sua ação de revisão e a decisão tomada.

D. No Relatório da COTOM/CODE, constará o nome do(a) faltoso(a) em uma destas formas, de acordo com o caso:

Sob revisão Suspenso(a)

Compromisso de Restauração Retirou-se sob queixa Excluído(a)

Procedimento em Recursos §7200 Um Tribunal de Recursos será constituído e dará atenção a todo e qualquer recurso a ele encaminhado. Um Tribunal de Recursos de membros é desqualificado se tiver qualquer envolvimento no assunto ou estiver em uma posição de conflito de interesse.

A. Um(a) Presbítero(a) cuja suspensão ou exclusão for confirmada pela Comissão Regional de Revisão ou um(a) membro de Igreja local cuja suspensão ou exclusão for confirmada pela Comissão Conciliar de Revisão tem o direito de recorrer ao Tribunal de Recursos (veja 4320.M.1, 7150.A.4, 7150.B.4).

1. Uma notificação por escrito da intenção de recorrer e os motivos para o recurso deve ser entregue ao(à) secretário(a) da Junta Administrativa dentro de 30 dias após a decisão da Comissão Regional de Revisão, no caso de presbíteros(as), ou da Comissão Conciliar de Revisão, no caso de membro de Igreja local.

2. Em não menos de 30 dias antes da apreciação do recurso, o(a) Presbítero(a) ou membro solicitante tem que providenciar por escrito para o(a) secretário(a) da Junta Administrativa uma declaração das razões por que a decisão da Comissão de Revisão (Regional/Conciliar) não deve ser confirmada. A declaração conterá toda a informação relevante que seja pertinente ao motivo do recurso e não pode exceder a dez páginas, usando-se espaço duplo entre as linhas.

3. Em não menos de 14 dias antes da apreciação do recurso, um(a) representante da COTOM/CCM arquivará com o(a) secretário(a) da Junta Administrativa uma réplica em refutação à declaração do(a) Presbítero(a) ou membro.

4. Em não menos de 7 dias antes da apreciação do recurso, o(a) Presbítero(a) ou membro pode arquivar com o(a) secretário da Junta Administrativa uma tréplica à resposta da COTOM/CCM. A resposta do(a) Presbítero(a) ou do(a) membro é limitada aos assuntos levantados na refutação da COTOM/CCM e não se referindo de novo ao conteúdo da declaração original.

B. O Tribunal de Recursos revisará todos os documentos da Comissão Regional/Conciliar de Revisão, escutará ambas as partes, fará as perguntas que julgar necessárias e, na ausência de ambas as partes, deliberará e emitirá uma decisão.

1. Se a decisão da Comissão Regional/Conciliar de Revisão for confirmada, a decisão do Tribunal de Recursos é final.

2. Se a decisão da Comissão Regional/Conciliar de Revisão não for confirmada, uma nova revisão acontecerá com o Tribunal de Recursos atuando como a Comissão de Revisão.

3. A ação do Tribunal de Recursos atuando como Comissão de Revisão será final.

Restauração de Presbítero(a)

§7300 A. A restauração ao ministério pastoral requer:

1. arrependimento e pedido de perdão; 2. manifestação de contrição; 3. confissão pública quando aconselhável; 4. restituição quando cabível; 5. aconselhamento quando recomendado; 6. prestação pessoal de contas, conforme designada; 7. cura de relacionamentos rompidos quando possível; e 8. restabelecimento da credibilidade.

B. Enquanto o candidato à restauração estiver seguindo o caminho prescrito, um(a) supervisor designado definirá e supervisionará quaisquer deveres ministeriais que possam preparar o candidato para reassumir uma posição de liderança ministerial.

A Restauração de Credenciais e Nova Designação §7310 A. A Igreja Metodista Livre local em que o(a) Presbítero(a) suspenso(a) tem freqüentado e servido, recomendará, através da sua Junta Administrativa Local, que a COTOM reestude o caso.

B. A COTOM avaliará o progresso do(a) Presbítero(a) suspenso(a) quanto à sua maturidade espiritual, sua confiabilidade, sua integridade moral e sua eficácia ministerial, conforme testemunhado pelo(a) supervisor(a) designado(a), conselheiro(a) e por outras pessoas familiarizadas com o caso. O(a) Presbítero(a) suspenso(a) será convocado(a) para uma entrevista pessoal com a Comissão.

C. Sob recomendação da COTOM, o Concílio Regional tomará a decisão final. Somente em casos excepcionais as credenciais serão restauradas antes de decorridos dois anos da ação disciplinar inicial e somente depois do processo de restauração ser concluído de acordo com o §7230. A restauração de credenciais não garante uma nova designação pastoral.

Restauração de Membros Leigos(as)

Restauração à Liderança §7320 Um abrandamento progressivo das restrições impostas por uma suspensão, poderá ser recomendado pela Comissão de Cuidado dos Membros, como parte do processo de restauração.

Restauração da Membresia §7330 A. Uma pessoa suspensa de acordo com o §7130.B.4, poderá, no final da suspensão, ser restaurada à condição de membro, sob recomendação da Comissão de Cuidado dos Membros, por escrutínio secreto da Junta Administrativa local.

B. Se um(a) membro demonstrar por evidência posterior, ter sido acusado(a) falsamente, ele(a) será absolvido(a) e a sua condição de membro restaurada imediatamente pela Junta Administrativa local.

C. Qualquer pessoa cuja condição de membro tiver sido encerrada por qualquer razão e que venha a demonstrar arrependimento e correção de vida, poderá pleitear, por escrito, sua readmissão. Sob recomendação da Comissão de Cuidado dos Membros, após reestudo e devida análise, a Junta Administrativa local poderá conceder o pedido via votação por escrutínio secreto.

Julgamentos Eclesiásticos Princípios §7400 A. O(A) acusado(a) tem direito a um julgamento rápido, uma vez solicitado(a), a menos que a queixa exija outra disposição. Tanto o(a) acusador(a) como o(a) acusado(a) terão direito à assistência de conselheiros(as) que poderão escolher entre os(as) membros leigos(as) ou pastores(as) da Igreja. O(A) acusador(a) assumirá as despesas dos(as) seus(suas) próprios(as) conselheiros(as), a menos que estes(as) também estejam representando a Igreja local ou o Concílio. O órgão ao qual o(a) acusado(a) pertencer pagará as despesas que lhe caibam no processo.

B. Na reunião para a escolha da comissão julgadora do caso, ambas as partes, acusado(a) e acusador(a), terão direito de recusar a escolha de qualquer um dos selecionados, cabendo ao(à) oficial que presidir a reunião, designado(a) pelo órgão ao qual pertence o(a) acusado(a), julgar a validade da recusa.

C. Um caso poderá ser julgado sem uma comissão, sempre que atender aos interesses da Igreja, for conveniente para as testemunhas e for requerido pelas partes envolvidas. Nesse caso, a Comissão de Cuidado dos Membros ou a Junta Administrativa local poderá encaminhar o assunto a uma pessoa designada pelo(a) oficial que a preside (pastor/a, superintendente ou bispo/episcopisa), para julgamento sem uma comissão. Quando assim encaminhada, a decisão terá o mesmo efeito que teria a de uma comissão de julgamento e será sujeita ao mesmo direito de recurso.

D. Pessoas excluídas após julgamento não terão privilégios de membros da Igreja ou do Concílio, ou de participar dos sacramentos na Igreja, a menos que demonstrem arrependimento, confissão e correção de vida satisfatória à Igreja ou Concílio de que foram excluídas.

Notificação de Hora e Local §7410 Qualquer membro, leigo(a) ou ministerial, levado a julgamento, receberá uma cópia das acusações e uma notificação da hora e local do julgamento. Isso será providenciado pelo(a) oficial que presidir o órgão diante do qual o(a) acusado(a) responderá pelas acusações. Pelo menos dez (10) dias antes da eleição da comissão de julgamento, o(a) acusado(a) será notificado do local e hora dessa eleição.

Eleição da Comissão de Julgamento §7420 A. O(A) ministro(a) – pastor(a), superintendente ou bispo/episcopisa – que presidir um julgamento eclesiástico, convocará uma reunião do órgão que tenha jurisdição sobre o caso (Junta Administrativa local, Concílio Regional ou Concílio Geral), o qual selecionará uma comissão de no mínimo cinco (5) e não mais que nove (9) membros.

B. No caso do julgamento de um(a) membro leigo(a), a comissão será composta de membros leigos(as) que congregarem em Igrejas do mesmo Concílio Regional. Nenhum(a) pastor(a) membro do Concílio Regional, seja candidato(a) ao ministério ou membro pleno(a), será qualificado(a) para integrar a comissão.

C. No caso de julgamento de um(a) pastor(a), a comissão será composta de pastores(as) e leigos(as) em igual número, à medida do possível, todos do mesmo Concílio Regional.

D. Se o órgão que tiver jurisdição para tratar do caso (Junta Administrativa local ou Concílio Regional) se recusar a designar essa comissão, o órgão imediatamente superior (Concílio Regional ou Concílio Geral) irá designar a comissão para julgar o caso. Se, depois da decisão, o(a) membro recorrer, nenhum(a) membro dessa comissão será elegível para atuar no segundo julgamento do caso.

Formulário para Procedimento §7430 O Formulário de uma carta de Acusação Formal deve conter:

A. Acusação Formal (especificar a ofensa).

B. Dados específicos (os atos, as ocasiões e os locais).

Ordem da Condução dos Julgamentos Eclesiásticos §7440 A ordem da condução de um julgamento eclesiástico deverá consistir de:

A. Devocional.

B. Leitura da ação da Junta Administrativa Local ou do concílio pela qual a comissão para julgar o caso foi formada e os nomes dos(as) componentes da comissão.

C. Designação de um(a) secretário(a).

D. Leitura das acusações e dos dados específicos pelo(a) secretário(a).

E. Resposta às acusações pelo(a) acusado(a) em pessoa ou seu(sua) conselheiro(a).

F. Apresentação do caso e linha de evidência pela acusação.

G. As evidências apresentadas pela acusação e argüição pela defesa.

H. Apresentação do caso e linha de defesa, pela defesa.

I. As evidências da defesa e argüição pela acusação.

J. Réplica pela acusação.

K. Réplica pela defesa.

L. Resumo final do caso pela acusação.

M. Resumo final do caso pela defesa.

N. Se for necessário dar à acusação a oportunidade de réplica, a defesa terá a oportunidade da tréplica.

O. Instruções, por parte do(a) oficial que preside, quanto à forma de apresentação do veredicto.

P. O veredicto; e Q. Anúncio do veredicto e da pena estabelecida pela comissão de julgamento.

Intimação de Igreja Local ou Concílio Regional Para Prestar Esclarecimentos §7500 A. A Junta Administrativa do Concílio Geral tem poderes para intimar uma Igreja local, ou um Concílio Regional para esclarecer as razões pelas quais devam ser julgadas improcedentes informações confiáveis que chegarem a essa Junta, de que o órgão acusado é insubordinado e desobediente. A ordem de prestar esclarecimentos incluirá uma descrição clara e específica dos fatos que constituam o estado de insubordinação, para que o órgão acusado seja adequadamente informado quanto às bases da acusação. A ordem será apresentada ao(à) secretário(a) do órgão acusado. Se o julgar culpado, por processo ou confissão, a Junta poderá suspendê-lo de todos os direitos e do seu reconhecimento como órgão da Igreja Metodista Livre, até o próximo Concílio Geral o qual dará a disposição final do caso.

B. Se o órgão culpado se corrigir, garantir a sua lealdade à Igreja e ao Manual da Igreja e demonstrar arrependimento quanto à sua insubordinação, a Junta Administrativa poderá restabelecê-lo.

Insolvências e Resolução de Contendas §7600 A. Numa disputa entre dois ou mais membros leigos com respeito ao pagamento de dívidas ou outras questões que não envolvam o caráter da pessoa, que não possa ser resolvida pelas pessoas envolvidas, o(a) pastor(a) da Igreja indagará quanto às circunstâncias e recomendará uma comissão de arbitragem formada por uma pessoa escolhida pelo(a) acusador(a), outra escolhida pelo(a) acusado(a), e uma terceira escolhida pelas duas primeiras, todas as três sendo membros da Igreja.

B. Se uma das partes ficar insatisfeita com o julgamento final, ela poderá recorrer ao próximo Concílio Regional, que poderá, dada razão suficiente, conceder uma segunda arbitragem na qual cada parte escolherá dois(duas) árbitros(as) e os(as) quatro árbitros(as) escolherão um(a) quinto(a) e a decisão da maioria será final. Qualquer pessoa que recusar seguir aquela decisão será excluída da Igreja.

C. Qualquer membro da Igreja que recusar, em caso de dívida ou de outra contenda, encaminhar a questão para arbitragem, quando recomendada pelo(a) pastor(a), ou entrar em litígio judicial com o(a) outro(a) antes de tomar essa medida, será excluído num julgamento comum de acordo com o Manual da Igreja, a não ser que o caso seja do tipo que requer ou justifica um processo legal.

D. Quando uma queixa é feita contra qualquer membro da Igreja pelo não pagamento de dívidas e quando as contas são ajustadas e o valor calculado, o(a) pastor(a) da Igreja chamará o(a) devedor(a) diante de uma comissão de no mínimo três pessoas, para explicar por que o pagamento não foi efetuado. A comissão determina um novo prazo para o pagamento ser efetuado e, se o(a) devedor se recusar a obedecer, será excluído(a). Mas nesse caso, um recurso poderá ser apresentado ao Concílio Regional, cuja decisão será definitiva. Se o(a) credor(a) reclamar que foi injustiçado, a queixa poderá ser apresentada diante do Concílio Regional e sua decisão será definitiva. Se o(a) credor(a) rejeitar a determinação, será excluído(a). No caso do(a) devedor(a) se recusar a pagar ou negligenciar a decisão da comissão ou do Concílio Regional, o(a) credor(a) poderá recorrer às cortes civis sem afetar a sua condição de membro da Igreja.

E. Para evitar escândalo, no caso de qualquer membro da Igreja entrar em falência no seu negócio ou contrair dívidas impagáveis, dois(duas) ou três membros da Igreja ponderados(as) devem inspecionar as contas, os contratos e as circunstâncias do(a) suposto(a) falido(a). Se o(a) membro agiu desonestamente, ou tomou emprestado dinheiro sem a possibilidade de restituí-lo, será excluído(as). O órgão oficial ao qual o(a) membro responde indicará a comissão de inspeção.

Manual da Igreja Metodista Livre – 2012-2015 – Capítulo 7 Bispo Ildo Mello Igreja Metodista Livre: metodistalivre.org.br/ Blog: escatologiacrista. blogspot.com Igreja: imeldemirandopolis. blogspot.com Vídeos: youtube.com/ildomello Estudos: scribd.com/ildomello Siga-me: twitter.com/ildomello

Santidade no Século XXI+

Palestra do Bispo Ildo na Semana Wesleyana da Faculdade de Teologia Metodista de Rudge Ramos no ano de 2011.

Resumo:

Agostinho superenfatizou o pecado original, promovendo pessimismo em relação ao alcance da graça, entendida como restrita à justificação. Wesley enfatizou a supremacia da graça sobre o pecado, promovendo otimismo a respeito do que a graça pode produzir aqui e agora. Não apenas perdão de pecados, mas transformação de individuos e de comunidades inteiras.

O Sermão do Monte revela a ética do Reino de Deus que deve ser vivida pelos nascidos do Espírito, que foram regenerados para um novo viver.

Os efeitos da obra do Segundo Adão sobrepuja as do Primeiro.

"Jovens, sois fortes!" Evitar o extremo do legalismo e do elitismo espiritual, cujo foco reside na performance e no cumprimento de regras, gerando hipocrisia e julgamentos temerários.

O caminho da santidade é relacionamento com Deus. Fomos chamados primeiramente para estar com Jesus.

Santidade é amor, é relacionamento com Deus e com o próximo. Quando focamos no que devemos evitar, acabamos caminhando na direção do que devemos evitar. Nossos olhos devem estar fixos no autor e consumador de nossa fé. Buscar proximidade de Cristo. Fazemos a curva olhando para a margem interna da curva. Não olhando para o pecado para nos afastarmos dele, mas olhando para Cristo para nos aproximarmos dele.

Hoje, os pastores estão buscando muito mais o método do que a mensagem. Técnicas humanas, marketing substituindo o poder do Evangelho. Mas não há metodo que fabrique avivamento.

Superficialidade é uma característica marcante desta geração. Precisamos de algo substancial, que alcança e transforma o coração e o carater humano.

Conversões superficiais, mera aceitação. Onde está a mensagem do arrependimento e da cruz? Onde está a mensagem da regeneração?

Jesus veio desfazer as obras de Satanás! O Reino de Deus já foi inaugurado! Satanás já foi amarrado! Todo o poder já foi dado a Cristo! Estamos assentados com Cristo sobre toda potestade! Poder nos foi dado para subjugar os demonios, para dominar a carne, para vencer o mal.

Introdução

Este artigo tem como propósito demonstrar que a santidade é tão relevante hoje como o foi nos dias de Wesley. O avivamento metodista produziu muitos frutos, com significativas transformações sociais de modo a nos servir de modelo e inspiração. O problema é que com o passar do tempo, a mensagem de santidade foi-se diluindo. Falaremos um pouco sobre os principais fatores do enfraquecimento desta mensagem. Propomos um retorno as nossas raízes, pois, ser verdadeiramente wesleyano é pregar e viver a mensagem mais relevante para o contexto atual brasileiro. O que implica em caminhar na contramão do seguimento maior das igrejas evangélicas, que são adeptas do neopentecostalismo e da teologia da prosperidade e que buscam crescimento, dinheiro e sucesso a todo custo, de modo a deixarem de pregar o que as pessoas precisam ouvir para se concentrarem apenas naquilo que elas querem ouvir a fim de agradarem a clientela, aumentando assim sua freguesia. O quadro é confuso e caótico, com muita competição, desunião e escândalos de toda espécie. No entanto, líderes wesleyanos decidiram se unir para resgatar o legado wesleyano da mensagem de santidade, que é a crença na supremacia da Graça de Deus sobre os efeitos do pecado, tanto no nível pessoal como social. No Brasil, o movimento se denomina, Fraternidade Wesleyana de Santidade, que busca um avivamento genuíno, à moda wesleyana, que promova a transformação de indivíduos e de comunidades inteiras. Pois santidade é cura, restauração, verdade, vida, justiça e paz. É de santidade que o Brasil e o mundo mais precisam no tempo presente. Desejamos que o que aconteceu na Igreja Primitiva e também nos dias de Wesley volte a acontecer nos dias de hoje.

A mensagem de Santidade nos dias de Wesley A Londres do princípio do ministério pastoral de João Wesley não era tão distinta assim dos grandes centros urbanos do século XXI, e, em alguns aspectos, era ainda pior, devido à escravidão que imperava há milênios. Além disto, boa parte dos políticos eram descaradamente corruptos. A violência campeava solta. As condições nas ruas à noite eram tão selvagens que as pessoas não ousavam se arriscar fora de suas casas. A imoralidade sexual era flagrante e se alastrava. Os jogos de azar eram um vício crescente. Quase metade das crianças nascia fora do matrimônio. O trabalho infantil começava na tenra idade de três anos e meio. O alcoolismo era um grande mal social que se espalhava, mesmo entre crianças. Os pobres forneciam mão-de-obra barata. O campo sofria a drenagem de trabalhadores e as áreas urbanas ficavam infestadas com hordas de desempregados empobrecidos. Arrancadas de suas raízes culturais e familiares, as pessoas se tornaram presa fácil tanto dos implacáveis capitães da indústria quanto dos vícios morais das tentações urbanas. Os ricos desfrutavam de um estilo de vida aprazível e confortável, alheios à triste situação dos pobres ao seu redor. E até mesmo os membros do clero haviam sucumbido ao egoísmo e materialismo daqueles tempos e estavam curvados diante de Mamom.

Mas, Wesley e os metodistas primitivos não entravam em pânico quando se deparavam diante de fortes crises morais, pois criam que o status quo não tem a última palavra. Ele ousou acreditar que o mundo poderia ser transformado pelo poder da graça de Deus. Para Wesley a santificação do crente tem também o objetivo de promover a santificação do mundo.

Wesley era otimista em relação à suficiência do poder da graça de Jesus não apenas para perdoar os pecados, mas também para uma real transformação de indivíduos e da sociedade como um todo. Para Wesley a santificação do crente tem também o objetivo de promover a santificação do mundo.

Howard Snyder declarou que Wesley via a graça de Deus atuando de maneira tão plena e abundante que ninguém deveria estabelecer limites para a ação do poder de Deus através da Igreja na era presente, vendo a Igreja como um poderoso instrumento de transformação e redenção pessoal e social, como um sério agente da graça divina no Mundo. Mas ressalvou que tal ênfase otimista era combinada e contrabalançada por Wesley com textos que apontam para a realidade do mal e que advertem para o juízo final. Pois, realismo bíblico requer que se mantenham juntos tanto a esperança quanto a expectativa de juízo e da ira vindoura que fazem parte do pacote escatológico. Snyder mostrou que Wesley procurava também combinar e sintetizar de maneira balanceada os aspectos presentes e futuros da salvação e as dimensões evangelísticas e proféticas do Evangelho do Reino.# Para Wesley salvação inclui santificação, que, por sua vez, inclui boas obras. Salvos pela graça para as boas obras (Ef 2.8-10). A fé sem obras é morta (Tg 2.26). A fé que importa é fé que atua pelo amor (Gl 5.6). E o amor se expressa e se prova com as obras. A Bíblia também diz que devemos desenvolver a nossa salvação com temor e tremor (Fp 2.12). Pela graça e capacitação de Deus, homens e mulheres cristãs se tornam colaboradores de Deus.  Snyder afirma que Wesley via a presente era como uma guerra entre o reino das trevas e o Reino de Deus, onde os cristão não seriam salvos da guerra, mas salvos para a batalha, salvos para lutarem o bom combate da guerra espiritual contra os principados e as potestades da maldade e da injustiça que operam neste mundo. Portanto, para Wesley, a vida cristã deve ser vivida á luz da eternidade, mas de maneira ativa e não passiva. Wesley vivia o presente à luz da eternidade no sentido de procurava fazer a obra do Reino de Deus aqui e agora impulsionado pela visão do futuro de Deus, enquanto se preparava também para a eternidade.# A confiança de Wesley no trabalho da graça de Deus lhe conferia uma dinâmica e um otimismo em relação ao que Deus poderia realizar através do seu povo no tempo presente. Embora fosse realista devido a sua consciência da natureza do pecado humano, Wesley mantinha viva uma esperança otimista baseado em sua confiança no poder regenerador da graça de Deus. Wesley aprendeu com Jesus a não usar nem a mais razoável das desculpas para justificar acomodação diante da “realidade” da natureza das coisas. O realismo não deve sufocar nossa confiança que está baseada no poder e na providência divina. Nós devemos crer em milagres! No poder de Deus para transformar a realidade e para restaurar o propósito original da natureza das coisas.

A escatologia de Wesley também não lhe permita ficar parado numa atitude de mera contemplação. “Por que vocês estão olhando para as alturas?” Perguntaram os anjos aos discípulos em Atos 1.10. Sua escatologia também não era nem um pouco escapista e, portanto, não lhe permitia ver a Igreja precipitadamente arrebatada para fora do cenário mundial antes do cumprimento de sua missão na terra.

Concordo com Runyon quando ele diz que a maior força da doutrina wesleyana da perfeição talvez esteja em sua habilidade de mobilizar os crentes a buscarem um futuro mais perfeito que supere o presente. Pois, mesmo estando consciente das forças do mal, Wesley não as considerava conseqüências inevitáveis do pecado original, mas exatamente aquilo que pode ser vencido. Sendo assim, sua teologia busca o poder criativo e transformador na vida neste mundo. Busca transformação no aqui-e-agora (Hb 6.1).# Imagine o que seria ter vivido nos dias de Wesley e decidir trabalhar duro para mudar um problema social tão grande como a escravidão, que estava enraizado na sociedade mundial há milhares de anos? Utopia? A última carta que Wesley escreveu antes de morrer foi endereçada a William Wilberforce, um membro do parlamento inglês que havia se convertido no ministério de Wesley e que inspirado por ele, estava agora lutando contra a escravidão. A carta de Wesley expressava sua oposição à escravidão e encorajava Wilberforce  a continuar firme na luta por mudança. O parlamento, após mais de 20 anos de ações políticas e sociais encabeçadas por Wilberforce, no ano de 1807 proibiu a participação inglesa no tráfico negreiro. A Inglaterra foi o primeiro país a abolir a escravidão, e, a partir daí, muitos outros foram inspirados e pressionados a fazerem o mesmo.

Wesley formou sociedades antiescravocratas, grupos para reforma de prisões, casas de abrigo e agências de assistência aos pobres, numerosas sociedade missionárias, hospitais e escolas se multiplicaram. Wesley lutou contra o trabalho infantil e em favor de direitos civis. Concentrou seu ministério entre os pobres. O Metodismo foi indiretamente responsável pelo crescimento da autoconfiança e capacidade de organização de trabalho do povo inglês. Em 1928, o Arcebispo Davidson escreveu dizendo que Wesley praticamente mudou a perspectiva e o próprio caráter da nação inglesa. E, alguns historiadores têm mantido que o avivamento wesleyano alterou o curso da história o que livrou a Inglaterra de uma revolução sangrenta. Na Inglaterra a revolução foi totalmente oposta: foi tranquila, ordeira e de natureza espiritual. Não foi liderada por rebeldes armados mas por reavivalistas metodistas. Foi a revolução Wesleyana. A transformação social ocorreu através de uma ênfase espiritual tanto em santidade pessoal quanto social. Leliévre afirma que “todos os historiadores concordam que, embora o século XVIII fosse para a Europa continental uma época de dissolução, para a Inglaterra, pelo contrário, foi o momento de uma benéfica mudança, que regenerou a vida de uma nação e iniciou uma era inteiramente nova”.#  Edmundo Scherer referiu-se ao metodismo como o movimento que transformou a face da Inglaterra e, Cornélio de Witt disse que, se a Inglaterra de seus dias não se parecia mais com a Inglaterra do início do século XVIII , este fato devia-se principalmente a Wesley.# Lelièvre comenta ainda que “o nível moral da nação elevou-se de tal modo, que necessariamente se impôs na própria aristocracia, livrando-a da corrupção.# Seria possível sonhar que o mesmo acontecesse no Brasil?

Quem poderia dizer o que seria se o movimento metodista tivesse ido ainda mais a fundo em questões sociais e se tivesse feito uma melhor crítica do sistema capitalista de livre iniciativa, e se também não tivesse entrado em declínio anos depois da morte de Wesley? Será que seria ingênuo de nossa parte supor que Marx não teria tido tanta inspiração assim para dizer que a religião é o ópio do povo? Sabemos que um século após, Karl Marx irá fazer uma crítica ao capitalismo, mas só que com uma base não muito cristã. Tem sido dito que o avivamento wesleyano salvou a Inglaterra de uma revolução política. Seria possível que uma ainda mais radical ética social no Metodismo poderia ter salvado o mundo de uma revolução comunista, por fazê-la simplesmente desnecessária?# Mas a mensagem de santidade ensinada e vivida na igreja primitiva e reavivada nos dias de Wesley, com o passar do tempo, foi sendo diluída internamente e deturpada externamente. Por um lado, em meados do século 20, a santidade era cada vez mais definida em termos de performance, geralmente em termos daquilo que as pessoas não devem fazer. Isso levou a uma ênfase exagerada sobre regras de comportamento, o que acabou descambando em legalismo. Por outro lado, na segunda metade do Século XX, devido a uma ênfase exagerada em crescimento da Igreja, tivemos um aumento do número de cristãos nominais, que não manifestam frutos dignos de arrependimento. Juntos, esses fatores ameaçavam ofuscar a mensagem do amor e da transformação do coração e da vida que são a herança do movimento de santidade.

Nos últimos 10 anos, igrejas de linha de santidade se tornaram cada vez mais conscientes do seu patrimônio único e de seu potencial para ministrar com relevância às necessidades desta sociedade pós-moderna. Com ênfase na graça de Deus, transformação, e vida íntegra e autêntica diante de Deus e de outras pessoas, a mensagem de santidade é cada vez mais atraente para uma ampla gama de pessoas de todas as tradições religiosas.

Este movimento contemporâneo de santidade deseja promover um rearticulação da mensagem de santidade de modo a fazer jus ao seu legado histórico, a medida que também busca evitar as armadilhas de dois extremos: legalismo, de um lado, e evangélicos genéricos sem transformação de vida, de outro.

Se João Wesley ousou com sucesso propagar a santidade bíblica naquele pântano cultural e religioso que caracterizava a Inglaterra, nós podemos e devemos fazer o mesmo diante dos desafios contemporâneos.  Principalmente diante de tantos escândalos que não apenas afetam o meio político, mas que infelizmente infestam o meio evangélico, que está cada dia mais desacreditado. Há muito joio no meio do trigo. Pedras de tropeço estão por toda parte. Os iscariotes se multiplicaram. Cristo está sendo traído e vendido como nunca antes. Mas ainda existem os pedros, tiagos e joãos. Estes não devem se intimidar, mas, unidos, precisam exalar o bom perfume de Cristo, testemunhando fielmente do Senhor Jesus, como sal da terra e luz do mundo.

Como Wesley, devemos trabalhar de maneira incessante em favor de uma mais vital, mais agressiva, mais amável e mais autentica e visível manifestação da Igreja como a comunidade do povo de Deus, a comunidade escatológica que existe para servir aqui e agora como agente do Reino de Deus.# Pois, com Jesus o imponderável se torna realidade. A Igreja não deve se render e nem se conformar numa atitude de acomodação ao mundo e seu sistema, mas deve ser ativa e positiva no sentido de transformar-se a si mesma para tornar-se um instrumento de transformação nas mãos de Deus.

Santificação é salvação como cura, como reconciliação total, que vence as tentações do elitismo espiritual, do dualismo entre o espírito e a matéria, do pessimismo soterológico, eclesiológico e escatológico de grande parte da igreja e do racionalismo individualista. Tendo como alvo final um novo céu e uma nova terra, de modo que os reinos deste mundo se tornem de nosso Senhor e Rei (Ap 11.15; Fp 2.10-11). Ser santo é pertencer a Deus; Ser santo é estar debaixo da autoridade de Deus; Ser santo é estar em conformidade com a vontade e o plano de Deus para as nossas vidas (Lc 19.41, 42).

Mas, as cidades tem sido uma visível expressão da rejeição que as pessoas tem da autoridade divina, onde os indivíduos buscam encontrar realização, segurança, poder, propósito e significado a parte de Deus. Aí, o individualismo e o egoísmo prevalecem, a cobiça e a ambição dão as cartas, a injustiça e a violência se espalham, a vida humana é desprezada nesta sociedade hedonista e utilitarista, de modo que o aborto torna-se uma prática corriqueira, a eutanásia é encarada com naturalidade, prostituição é vista como uma profissão, pornografia se torna uma praga nesta sociedade que erotiza quase tudo. Os lares são desfeitos com a maior naturalidade, e a ausência dos pais na criação dos filhos é também um sinal de que o homem abandonou o plano de Deus para as famílias. Milhões estão escravizados pelos vícios do jogo, da pornografia, do álcool e de outras drogas opressoras. A corrupção corre solta na política, no sistema financeiro, nos negócios em geral, nos meios de comunicação, nos sistemas públicos de educação, saúde e segurança e nas igrejas que, de um modo em geral, em vez de fazerem diferença, estão fazendo coro com este estado de coisas. Seduzidos pelo "príncipe deste mundo" que fomenta o egoísmo, a rivalidade, a desigualdade, o ódio, a violência, a soberba, a ganância e o hedonismo, muitos cristãos deixaram de refletir a luz de Cristo por estarem confortavelmente acomodados aos valores dominantes deste século.

Jesus chorou quando avistou Jerusalém e deve estar chorando agora diante do vê em nossas cidades (Lc 19.46).  A primeira ação de Jesus ao entrar em Jerusalém foi a purificação do templo. Pois a derrota do povo está atrelada ao pecado do sarcedotes. É só lembrar do que aconteceu ao povo de Isarel nos dias dos sacerdotes Ofni e Finéias. “O meu povo está morrendo por que lhe falta conhecimento” (Oséias).

Mas, diante de um mundo em trevas, Jesus não apenas chora, mas age como luz do mundo, como aquele que veio para desfazer as obras do diabo. Além disto, Jesus, confiante, volta os olhos para os seus fiéis seguidores com uma mensagem convocatória, que os conclama a assumirem o seu papel de sal da terra e luz do mundo.

Os verdadeiros discípulos devem se apresentar a sociedade não para obtenção de glória para si mesmos, mas, pelo contrário, suas ações devem visar a glória de Deus. Nossas boas obras são frutos do Espírito e devem apontar para o autor e consumador da nossa fé.

Tanto o sal como a luz estão a serviço da terra e do mundo. São agentes do Reino de Deus. Costumam ser discretos, mas jamais são agentes secretos. O sal se entrega totalmente a sua causa. Ele desgasta-se e dissolve-se para o bem de toda a comida. Sua ação é sacrificial! A luz despende também muita energia num ato constante de dissipar as trevas. Tanto um como o outro chegam mesmo a passar desapercebidos, pois não são exibicionistas. Ninguém diz "Que sal gostoso!", mas, sim, "Que comida saborosa!" e também não se ouve: "Que luz linda", mas, sim, que "paisagem linda"! Embora saibamos muito bem que a paisagem somente pode ser apreciada devido a presença da preciosa luz! Agora, tire o sal da comida e a luz do ambiente para ver o que acontece!

Jesus diz que os seus discípulos exercem a missão de iluminar o mundo através de atos concretos, ou seja, através das boas obras. No Sermão do Monte, Jesus prescreve aos seus discípulos uma série de ações que devem caracterizar o comportamento dos verdadeiros cristãos. Estas boas obras não são um caminho para a salvação, mas são um caminho para os salvos. Somos salvos pela graça para as boas obras que o Pai preparou de antemão para que andássemos nelas (Ef 2.8-10).

Ouça o chamado o Senhor Jesus. Obedeça ao seu comando. Não fique acomodado e conformado com o jeito de ser deste mundo (Rm 12.1-2). Assuma o seu papel de ser diferente e de fazer diferença neste mundo (Mt 6.8). Seja a sua vida como sal que confere sabor, preserva a vida e desperta sede de Deus, e atue também como a luz que dissipa as trevas. Tudo isto para o bem da Terra, para a salvação de muitos e, acima de tudo, para a glória de Deus!

Portanto, devemos buscar um avivamento de santidade que traga a presença de Deus para perto das pessoas de nossos dias. Este clamor por santidade não apenas reafirma nossos valores históricos, mas também aumenta nossa responsabilidade de confrontarmos abertamente o pecado contemporâneo.

Como wesleyanos nós temos o chamado de visitar cada área próxima de nós. Para buscar primeiro os pobres, os prisioneiros, os cegos e os oprimidos; aqueles a quem o próprio Jesus disse que foi especialmente enviado para alcançar. Jesus disse que quando amamos essas pessoas, é como se estivéssemos amando a Ele. E quando recusamos dar amor a elas, é como se estivéssemos recusando amá-Lo.

Os wesleyanos de hoje precisam continuar a acompanhar a mudança de camadas de nossa população para as violentas e decadentes fronteiras urbanas.

Qual é o significado de nossas igrejas nas comunidades em que estão inseridas? A sua comunidade lamentaria se a sua igreja ficasse fechada e trancada? Alguém perceberia se você fosse embora? Deus está usando a sua igreja para transformar as pessoas próximas e as áreas próximas? Você pode imaginar as pessoas das redondezas de sua igreja comentando como é bom ter a sua igreja na região por causa do testemunho palpável oferecido a elas do amor de Deus? Você pode imaginar um grande número de membros de sua igreja ativamente comprometidos, e apaixonadamente dedicados, a serviço da comunidade, usando seus dons e talentos de maneiras e em níveis que jamais poderiam pensar que fosse possível? Você pode imaginar a comunidade realmente mudando por causa do impacto do envolvimento da sua igreja? Você pode imaginar muitas pessoas em sua cidade, que antes eram cínicas e hostis em relação ao Evangelho, realmente louvando a Deus pela sua igreja e pela contribuição positiva que seus membros oferecem em nome de Jesus? Você pode imaginar a colheita espiritual que naturalmente poderia acontecer se tudo isso fosse verdade?

O chamado não é para fazermos igreja, mas é para sermos igreja, enquanto vivemos em comunidade bíblica saudável como povo santo. Este chamado não é apenas para contar a história, mas é preferencialmente para nos tornarmos parte da história da graça e da verdade de Deus alcançando as vidas de pessoas e áreas próximas a nós. Pois, o evangelho libera o poder de transformação do mundo ao nosso redor.

Mas, as igrejas tem sido inundadas por líderes que se tornaram prisioneiros de uma mentalidade de sucesso numérico, portanto precisamos urgentemente resgatar a mensagem autêntica e clara de santidade que substituirá o “santo graal” de métodos como o foco da missão. Pois, nossa mensagem é nossa missão! Deus não se impressiona com a nossa capacidade de fazer uma igreja crescer. Deus quer que você seja como Ele. Ele quer que você O conheça. Ele quer que você se sustente Nele. Deus quer desfrutar e aprofundar diariamente a amizade com você. Deus quer preencher a sua vida com a presença Dele, tornando você livre para realizar o propósito Dele para a sua vida. E quando vivemos a vida que se tornou livre preenchida com Sua santa presença, nossas vidas começam a transformar as vidas daqueles que estão ao nosso redor. Pois, como bem ressaltou Wesley: “Vossa própria natureza é dar sabor a tudo quanto vos rodeia. É da natureza do divino sabor que existe em vós expandir-se em tudo quanto tocardes, difundir-se por todos os lados, atingindo a todos aqueles em cujo meio estiverdes. Esta é a grande razão pela qual a Providência de Deus vos misturou com os outros homens, de modo que as graças, quaisquer que sejam, que de Deus houverdes recebido, possam ser comunicadas através de vós ao demais homens.”# Santidade e Unidade Vivemos numa sociedade que privilegia o individualismo, mas o Espírito nos conclama a unidade e a buscarmos a justiça do Reino de Deus. Jesus orou para que fossemos um assim como ele e o Pai são um. Deus é amor. Pai, Filho e Espírito Santo em perfeita comunhão gerada por este amor. O amor é relacional. O amor busca o outro. O amor não busca os seus próprios interesses.  Oramos por participar de um movimento do Espírito que vai na contramão das tendências individualistas, hedonistas e utilitaristas que caracterizam nossa sociedade.

As pessoas nas igrejas estão cansadas das nossas mesquinhas linhas de demarcação que criam artificialmente compartimentos, denominações e divisões. Estão cansadas de construírem instituições. Anseiam por uma mensagem clara e articulada que transcenda a institucionalização e os conflitos entre os seguidores de Jesus Cristo. Estão envergonhados pela mentalidade corporativista das igrejas que defendem pedaços do evangelho como se a elas pertencessem. Querem conhecer o poder unificador e transformador de Deus. Querem ver a impressionante santidade de Deus, que nos compele à unidade na qual testemunhamos seu poder. As pessoas aceitam o fato de que nem todos nós seremos semelhantes; haverá diversidade. Mas querem ter a certeza que qualquer que seja a igreja ou líder, saibam que somos um – unidos pelo santo caráter de Deus que nos dá toda a vida e amor. Querem uma mensagem que seja unificadora. A única mensagem que pode fazer isto vem da natureza de Deus, que é unidade na diversidade.  Portanto, neste momento crítico, para o bem estar da igreja, nós focalizamos o tema da santidade de uma maneira renovada. Em nosso ponto de vista, este foco é o coração das Escrituras no que diz respeito à existência dos cristãos através dos tempos, e claramente para o nosso tempo.

Deus continua chamando pessoas para serem santas O mundo mudou, mas Deus continua chamando as pessoas para serem santas e o local onde esta mensagem deve encontrar sua máxima expressão é a igreja através de seus membros e sua vida comunitária.   Jesus é nosso modelo, nosso alvo, nossa inspiração de vida. Assim como Ele foi concebido pelo Espírito, nós nascemos do Espírito e devemos viver pelo Espírito. O filho de Deus pelo Espirito se fez homem para que os homens pudessem alcançar a graça de serem feitos filhos de Deus. Para que Cristo seja o primogênito dentre muitos irmãos. Jesus o protótipo de toda a humanidade. O segundo Adão! O homem ideal, o caminho, a verdade e a vida! Assim como Jesus foi enviado ao mundo, assim também somos nós. Não somos enviados para fazermos a nossa própria vontade e nem para agradarmos a nós mesmos, mas para agradarmos a Deus. Devemos nos esvaziar de nós mesmos e carregarmos a cruz para uma profunda inserção comunitária que propicie comunhão e serviço amoroso que promova a glória de Deus e a salvação e a santificação daqueles que nos rodeiam. Somos novas criaturas caminhando sob a sombra da cruz de Cristo e sob a luz da ressurreição, refletindo os valores da nova criação, cujo Rei é o Senhor que já foi exaltado e que tem todo o poder sobre o céu e a terra! O Reino de Deus está no meio de nós. Reinamos com Cristo sobre o pecado e o mal. Já temos as primícias do Espírito e recebemos poder para testemunhar de Cristo. Aguardamos a bendita esperança da Segunda-vinda de Jesus que trará a plenitude do reino, sabendo que santidade é exigida para que possamos contemplar a Deus (Hb 12.13).

Deus nos chama à santidade: "Sede santos porque eu sou santo" (1Pe 1.16); E esta nossa vocação é reiterada pelo Apóstolo Paulo: "Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação" (1Ts 4.3); "Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação" (1Ts 4.7). Paulo afirma que Jesus deu a sua vida para promover não apenas a nossa salvação, mas também a nossa santificação (Ef 5.25-26).

Deus não nos pede algo inalcançável Pelo Espírito Santo se cumpre o que fora impossível pela lei (Ez 11.19-20; Rm 8). “O que é impossível para o homem é possível para Deus”(Mt 19.26). “É Deus quem opera em vós tanto o querer como o realizar” (Fp 2.13).

Jesus não apenas perdoa pecados, mas também transforma vidas (Rm 5.8). Jesus transformou pescadores comuns em pescadores de homens (Mt 4.18-20). Transformou Simão em Pedro, Saulo em Paulo. Pois Jesus não apenas justifica, mas também regenera (2Co 5.17). Não apenas nos declara santos, mas também nos torna santos (Jo 15.3, Tt 3.5). Não apenas nos livra da condenação do pecado, mas também nos livra do domínio do pecado (Rm 6.14). Não apenas é Salvador, mas também é Senhor (Rm 10.9; Fl 2.10-11; 1Tm 6.15; Tg 4.7). Não apenas nos convida a crer, mas também nos conclama ao arrependimento (Mt 3.8; 4.17; Mc 1.15; Lc 13.3). Pois, não basta apenas crer, é necessário obedecer (Ef 5.6; 6.6; 1Jo 3.6, 24). Não basta ser crente, é necessário ser discípulo (Mc 8.34; Lc 9.23; Mt 28.19). Não basta receber o amor, é necessário amar (1Jo 3.16, 23). Porque os que conhecem verdadeiramente a Deus são os que o amam (1Jo 4.8), e os que o amam, verdadeiramente lhe obedecem (Jo 14.21). De modo que não basta apenas receber o perdão, é necessário perdoar (Mt 6.14-15),  pois os que são objetos do seu perdão devem também se tornar perdoadores, sob o risco de terem o perdão de seus pecados cancelados pelo Supremo Credor (Mt 18.23-34).   Então, o crente não deve se conformar com o mundo (Rm 12.1-2), não deve manchar as suas roupas com a imundícia do mundo (Ap 3.4), mas deve ser santo em todo o seu procedimento (1 Pe 1.13-16), deve ser obediente e fiel até a morte (Ap 2.10; 26; Gl 6.9). Pois sem santidade não há salvação (Hb 12.14). Sem vida com Deus aqui, não haverá vida com Deus no céu (1 Ts 4.7-8). Sem santidade na terra não há glória no céu (Ap 3.2-5).   Não basta estar, é preciso permanecer e também frutificar. O ramo que não produz o devido fruto está prestes a ser cortado e lançado fora (Jo 15.2), e o crente morno será vomitado (Ap 3.16), pois de Deus não se zomba, aquilo que o homem plantar, isto mesmo ele irá colher (Gl 6.7). Cuidado para que "ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus" (Hb 12.15). Os apóstolos expressamente advertem que os que cultivam um estilo de vida pecaminoso não herdarão o Reino dos céus (Gl 5.21). O nascido de Deus não pode viver na prática do pecado (1Jo 5.18). "Se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados" (Hb 10.26). Ao povo escolhido, Deus adverte: "Riscarei do meu livro aquele que pecar contra mim" (Ex 32.33). Portanto, somos exortados a mortificarmos os desejos pecaminosos pois eles nos colocam sob a condenação de Deus (Cl 3.5-6). Sendo assim, "purifiquemo-nos de toda imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus" (2Co 7.1), "Agora, libertos do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna" (Rm 6.22).  Por esta mesma razão é que o Apóstolo Paulo exorta: "Examinem-se para ver se vocês estão na fé; provem-se a si mesmos. Não percebem que Cristo Jesus está em vocês? A não ser que tenham sido reprovados" (2Co 13.5). E João escreveu seu livro para levar certeza para os salvos, afirmando que existem frutos como evidência para a salvação: "Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos aos irmãos. Quem não ama permanece na morte" (1Jo 3.14); A fé salvadora é aquela que opera por meio do amor (Gl 5.6), pois a "fé sem obras é morta" (Tg 2.26); crentes sem frutos não encontram base para segurança da sua salvação (Jo 15.2). Temos que entender que a natureza da salvação não se resume a justificação, mas também inclui regeneração, santificação e, por fim, glorificação.

Jesus não apenas chama, mas capacita!

Agora, não temos em Jesus apenas um modelo, contamos também com a graça do seu Espírito regenerador que nos torna participantes da natureza divina e nos capacita para um viver condizente com o sublime nome que carregamos (1 Pe 1.23). “Deus nos concedeu todas as condições necessárias para a vida e a piedade” (2Pe 1.3); para vivermos como filhos de Deus, e para “escaparmos da corrupção deste mundo” (2 Pe 1.4). Jesus não apenas nos exorta a sermos santos (Mt 5.48), mas também nos capacita. Recebemos um novo coração (Ez 36.26), a mente de Cristo (1Co 2.16) e toda a armadura de Deus (Ef 6.10-13) para vencermos o mal (2Co 10.4) e vivermos de modo digno do Evangelho (Fl 1.27). Portanto, assim como faz cair a chuva, propiciando por sua graça as condições necessárias para que a terra produza os seus frutos (Hb 6.7), Deus já nos deu tudo de que precisamos para um novo viver.  Sendo assim, o trabalho de Deus a nosso favor e em nós deve ser a base e o incentivo para o nosso próprio esforço para o crescimento espiritual. Deus nos deu graça e todas as condições para a vida e a piedade (2 Pe 1.3), "por isso" devemos nos esforçar para cumprir a nossa parte (2Pe 1.5). Paulo ensinou o mesmo a Igreja de Corinto, quando lhes disse: "Caríssimos, já que temos tais promessas, vamos purificar-nos de toda mancha do corpo e do espírito. E levemos a cabo a nossa santificação no temor de Deus" (2 Co 7.1).

O Perigo do Legalismo Mas, precisamos tomar cuidado para não cair no legalismo. A santidade não é elitista, não nos faz sentirmos melhores e superiores aos outros. A santidade é amor e deve estar sempre regada com muita humildade, graça e misericórdia. Sem amor, graça e misericórdia a santidade torna-se legalismo que gera elitismo, juízos e condenação, sem falar na hipocrisia.

O caminho da santidade não está no estabelecimento dos limites e regras, pois a tendência humana é a de caminhar na direção para onde os seus olhos estão apontados. Por exemplo, o motorista experiente não fica de olho na margem externa de uma curva acentuada tentando se manter distante dela, mas, sim, fixa os olhos na margem interna procurando manter-se próximo a ela.   Assim também acontece na vida cristã, pois, se fixarmos os olhos naquelas coisas que devemos evitar, vamos acabar sendo atraídos por elas. Mas, se, ao invés disto, nós passarmos a nos preocupar mais em estar mais perto de Cristo, naturalmente estaremos nos afastando do pecado, pois quanto mais perto de Jesus, mais distante nos encontraremos do mal. Eis aí o caminho para uma vida santa! Tendo sempre a Jesus como o alvo, o caminho, a verdade e a vida! Eis aí a mensagem que o contexto brasileiro mais precisa neste momento. A começar pela Igreja.

Conclusão

O avivamento wesleyano produziu transformação de vidas, comunidades, cidades e nações. A mensagem de santidade pregada por Wesley não é algo que pode ser apreciado única e tão somente através de seus escritos, mas também através da história. É uma mensagem bíblica que foi colocada em prática e que pode ser vivida novamente. Com o passar do tempo a mensagem de santidade foi sendo dilacerada pelo legalismo de um lado e por uma ênfase em crescimento da igreja a todo custo e por uma teologia que ensina que superenfatiza a justificação em detrimento da regeneração e santificação. No entanto, os wesleyanos estão se unindo para resgatar a mensagem de santidade a fim de fazer jus ao seu importante legado histórico, buscando viver e ensinar o poder do Evangelho de Cristo sobre o pecado, o diabo e o mundo nesta era presente tanto na esfera pessoal como social.

Bispo José Ildo Swartele de Mello

O que Deus fez por nós e o que Ele espera que façamos+

Baseado na Segunda Epístola de Pedro Por Bispo José Ildo Swartele de Mello Introdução: a) Apresentação de Pedro:

Pedro introduz a si mesmo, primeiro, como um convertido: “Simão Pedro”, ele usa o nome composto daquele que era seu nome original, como era chamado antes de seu encontro com Cristo juntamente com o seu novo nome que lhe foi dado por Jesus, apresentando-se como um testemunho vivo do Poder Transformador de Deus. Simão tornou-se Pedro!

Depois, introduz a si mesmo como “Servo”. Sinal de que nunca perdeu a humildade e a consciência de sua condição primária de servo de Cristo, que é Rei e Senhor.

Por fim, apresenta-se também como “Apóstolo”, reivindicando a autoridade proveniente do fato de ter sido testemunha ocular e discípulo direto de Cristo para combater os hereges que estão deturpando a Verdade e desviando os crentes do reto caminho. b) A importância da Verdade (o conteúdo e objeto da fé)

Pedro afirma que boa parte de seu ministério consiste em relembrar os cristãos daquilo que eles já sabem (1.12). Ele sente a urgência em repetir continuamente as mesmas verdades (2.13 e 15; 3.1,2 e 8). Às vezes, não nos sentimos inspirados a falar sobre temas que consideramos batidos, muitos chegam a sentir a tentação em sair a caça por novidades místicas e esotéricas que possam atrair multidões. Mas não devemos nos desviar da verdade. Os ensinos cristãos merecem e precisam ser repetidos. Pregadores fiéis e competentes aprendem a ensinar coisas antigas de modo novo e interessante.

Verdade baseada em fatos históricos e testemunhas oculares e não em lendas ou especulação filosófica (1.16)

Pedro quer que as pessoas creiam e ajam não simplesmente porque tais ensinos fazem parte de nossa confissão e herança religiosa, ou porque contém coisas boas e sábias, mas, sim, porque são verdadeiros!

Verdade baseada em revelação bíblica: “Porque nunca jamais qualquer profecia bíblica foi dada por vontade humana, entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.”

Precisamos nos dedicar ao estudo da Bíblia e da teologia para melhor poder ensinar. Toda prática, experiência e ensino devem estar firmemente calcados na Palavra da Verdade! Para nós, como cristãos, não importa se funciona, se dá resultado, se promove o crescimento da igreja, pois, o que importa mesmo é se está de acordo com a Verdade revelada nas Sagradas Escrituras.

Pedro está preocupado com as heresias destruidoras daqueles falsos profetas e mestres que deturpam os ensinos de Paulo e as demais Escrituras(2 Pe 3.15-16), transformando a graça de Deus e a liberdade cristã em libertinagem (2 Pe 2.2, 10, 13-19).

1) O que Deus fez por nós?

Carta endereçada aqueles que “receberam a fé”

“Fé” que significa: o ato de crer propriamente dito e a substância e conteúdo do que é crido “Pela Justiça de Nosso Deus e Salvador” (1.1).

Interessante notar que Pedro atribui a salvação não apenas à misericórdia, mas também à fidelidade e justiça de Deus, que é fiel e justo para perdoar os nossos pecados por causa da obra expiatória de Cristo, o Justo e Justificador, que é a propiciação pelos nossos pecados (1 Jo 1.9; 2.1-2)

Deus chama e capacita.

“Deus nos concedeu todas as condições necessárias para a vida e a piedade” (1.3). Assim como faz cair a chuva, propiciando por sua graça as condições necessárias para que a terra produza os seus frutos (Hb 6.7).

Deus nos chama através de sua glória e virtude. A glória de Deus atrai e conquista. Exemplo: 1) Moisés (Ex 33.19-19 e o cap. 34 mostra Moisés vendo a glória de Deus protegido na rocha); 2) Pedro testemunhou a transfiguração, 3) “Vimos sua glória cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14).

Através de sua glória e virtude, Deus nos deu grandes e preciosas promessas.

Quais são estas promessas?

Não são promessas mundanas, efêmeras e falsas, tais como: “trabalhe duro e você prosperará”; “economize e você terá uma aposentadoria tranquila”, pois, promessas deste tipo, frequentemente, não se cumprem devido a diversos fatores como desemprego, crises econômicas, traição, enfermidades, acidentes, morte precoce. Na melhor das hipóteses, tais conquistas são transitórias. (Não acumuleis tesouros na terra… Louco, hoje, pedirão a tua alma e o que tens preparado para quem será?… De que aproveita ao homem ganhar o mundo todo e perder a alma… Tudo é vaidade!)

As promessas de Deus são preciosas e eternas: Vida Eterna, Ressurreição, Céu, Dom do Espírito, que estaria conosco até o fim, participar da natureza divina, tornar-se filho de Deus.

“Participar da natureza divina” (1.4)

O que não significa tornar-se deus, pois Deus é único, e nem significa ser absorto em Deus numa espécie de panteísmo, mas tem a ver transformação moral, “Deus nos concedeu todas as condições necessárias para uma vida de santidade e piedade “ (1.3), para vivermos como filhos de Deus, e para “escaparmos da corrupção deste mundo” (1.4). O Evangelho é poderoso não apenas para perdoar, mas também para transformar, pois Deus já nos deu tudo de que precisamos para um novo viver.

2) O que devemos fazer, agora?

“Por isso, façam todo o esforço”… (1.5)

O trabalho de Deus a nosso favor e em nós deve ser a base e o incentivo para o nosso próprio esforço para o crescimento espiritual. Deus nos deu graça e todas as condições para a vida e a piedade (1.3), “por isso” devemos nos esforçar para cumprir a nossa parte. Paulo ensinou mesmo a Igreja de Corinto “Caríssimos, já que temos tais promessas, vamos purificar-nos de toda mancha do corpo e do espírito. E levemos a cabo a nossa santificação no temor de Deus” (2 Co 7.1). Assim, compreendemos melhor o que Jesus quis dizer com a frase:

“…o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele”

(Mt 11.12) e também o que está registrado em Lucas 13.23-30 “E alguém lhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos? Respondeu-lhes:

Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão”.

Jesus advertiu seus discípulos dizendo: ” Se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus (Mt 5.20).

“Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” Fl 2.12, pois “…de Deus somos cooperadores” (I Cor 3.9). “Empenhem-se para serem encontrados por ele em paz, imaculados e inculpáveis” (2 Pe 3.14). “Não sabeis que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? correi de tal maneira que o alcanceis” (1Co 9.24,25). “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus” (Hb 12.14-15).

Devido ao fato de Deus já ter nos dado gratuitamente todo o necessário para uma vida piedosa, inclusive preciosas promessas e a participação na natureza divina, devemos agora nos esforçar para fazer nossa parte no aprimoramento das 8 virtudes cristãs aqui mencionadas:

8 Virtudes a serem nutridas e aperfeiçoadas em nós: fé, virtude moral, conhecimento (discernimento moral e espiritual), autocontrole (comida, bebida, sexo, comunicação, temperamento, uso do tempo (2 Tm 1.7), perseverança (na fé, na esperança e no amor em meio as provações), piedade (temor e reverência decorrentes da consciência da presença de Deus em toda a esfera da vida), afeto mútuo e fraterno e, por fim, o amor que é a essência de Deus.

Começamos pela fé e terminamos no amor! “Sem fé é impossível agradar a Deus” e o amor é o Grande Mandamento, a essência de Deus e o sinal do verdadeiro cristão “…Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor… e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele” (Jo 4.8,16).

Não é errado questionar nossa experiência de salvação:

Pois o próprio Paulo exorta: “Examinem-se para ver se vocês estão na fé; provem-se a si mesmos. Não percebem que Cristo Jesus está em vocês? A não ser que tenham sido reprovados” (2Co 13.5). E João escr eveu seu livro para levar certeza para os salvos, afirmando que existem frutos como evidência para a salvação: “Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos aos irmãos. Quem não ama permanece na morte” (1Jo 3.14); A fé salvadora é aquela que opera por meio do amor (Gl 5.6), pois a “fé sem obras é morta” (Tg 2.26); crentes sem frutos não encontram base para segurança da sua salvação (Jo 15.2). Temos que entender que a natureza da salvação não se resume a justificação, mas também inclui regeneração, santificação e, por fim, glorificação.

Fomos chamados para ser e fazer discípulos e não apenas “crentes” Pedro combate a heresia de que é possível aceitar a Jesus apenas como Salvador, mas não necessariamente como Senhor, apenas pela fé, sem que seja necessário o arrependimento, o erro de pensar ser possível ser apenas “crente” sem ser discípulo, ensinando também que não seria necessário tomar cuidados para conservar e desenvolver a salvação. Mas a fórmula correta para a salvação é fé + arrependimento. A razão porque um só destes elementos é citado em alguns textos deve-se ao fato do outro já estar implícito, como no caso da conversão do centurião em Atos 16. Salvação envolve tanto justificação quanto regeneração. Não se pode ter um sem o outro (Tt 3.5-7). Jesus nos enviou para fazer discípulos e não apenas “crentes” ou cristãos nominais, batizando e ensinando a obedecerem tudo o que Jesus ordenou (Mt 28.18-20).

Salvação e discipulado são idênticos.

Responder ao chamado de Cristo é tornar-se Seu discípulo.

O Novo Testamento enfatiza o Senhorio de Cristo e o discipulado. São 664 registros de Jesus como Senhor e 24 como Salvador; e 284 vezes aparece o termo discípulo e 3 vezes o termo cristão. Sendo artificial qualquer distinção entre discípulo e cristão (At 5.14; 6.1). Evangelismo que omite a mensagem de arrependimento e o preço do discipulado não merece ser chamado de Evangelho. Fé e obediência são inseparáveis. Paulo escreveu a Tito a respeito daqueles que professam conhecer a Deus, mas que por sua desobediência provam sua falta de fé (Tt 1.16). Para ser salvo a pessoa precisa confessar o senhorio de Cristo (Mt 7.21-23; Lc 6.46-49, Rm 10.9, 13, 1 Co 12.3). É necessário renunciar ao ego, como exortou Jesus “Se alguém quiser ser meu discípulo, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará. Pois que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? (Mt 16.24-26). Jesus não pode ser Salvador sem Ser Senhor. Ele é Senhor, e aqueles que o rejeitam como Senhor não podem usá-lo como Salvador. É necessário tê-lo como Senhor e não apenas Salvador, arrependimento e não apenas fé, ser discípulo e não apenas crente, segui-Lo e não apenas encontrá-Lo, obedecê-lo e não apenas amá-lo da boca pra fora, tornar-se uma bênção, e não apenas receber as bênçãos, dar e não apenas recceber, amar e não apenas ser amado, perdoar e não apenas ser perdoado, esforçar-se e não apenas esperar em Deus, multiplicar o talento e não apenas preservá-lo, buscar o Reino e não apenas aguardar, permanecer e não apenas iniciar o caminho, vencer e não apenas apenas contemplar a vitória de Cristo e dos heróis da fé, tudo isto com a capacitação do Espírito gracioso de Cristo.

Devemos ser frutíferos, senão…

As 8 virtudes mencionadas por Pedro não são um fim em si mesmas “porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais inativos, inúteis e nem infrutíferos” (v.8). “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.20). “Pois aquele que não possuem estas virtudes é cego e míope e esqueceu da purificação de seus pecados” (v.9).

Precisamos tomar cuidado para confirmar o nosso chamado e eleição, precisamos cuidar para não tropeçar (v.10), pois é desta maneira que nos será amplamente suprida a entrada no reino eterno (v.11). “Aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mc 13.13; Jo 8.31), “ao vencedor, que guardar até o fim as minhas obras…” (Ap 2.26). E Paulo disse: “. . . mas esmurro o meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser reprovado. . . ” (1 Co 9.27). No capítulo seguinte, ele diz que a incredulidade do povo de Israel no deserto, a idolatria e os pecados morais que os israelitas cometeram, acabaram atraindo o juízo de Deus, de modo que a maioria dos israelitas ficaram reprovados e prostrados no deserto (1 Co 10.1-5). Paulo adverte que essas coisas serviram de exemplo para nós que fazemos parte da Igreja (1 Co 10.6). Ele disse em 1 Co 10.14 – “Amados, fugi da idolatria”. Fica claro que Paulo tinha a preocupação de que a Igreja de Corinto agisse tal como os israelitas e, conseqüentemente fosse reprovada. Veja 1 Co 10.11 – “Essas coisas lhes sobrevieram como exemplos, e foram escritas para advertência nossa. . .” e “Aquele, pois, que pensa estar em pé, cuide para que não caia” (1 Co 10.12). “Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará: e o apanham, lançam no fogo e o queimam” (Jo 15.6).

Por esta razão é que Pedro também adverte nesta mesma carta: “Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, foram outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviaram-se do santo mandamento que lhes fora dado. Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao lamaçal” (2 Pe 2.20-22). O autor de Hebreus também adverte para o risco de se perder a salvação e da necessidade da perseverança para se alcançar a promessa (Hb 6.4-8, 12; 10.26-38). O autor de Hebreus apresenta uma boa ilustração sobre o relacionamento da graça de Deus e as boas ações humanas, demonstrando que aqueles que recebem a graça devem produzir os respectivos e esperados frutos: “Porque a terra que absorve a chuva que frequentemente cai sobre ela e produz erva útil para aqueles por quem é também cultivada recebe bênção da parte de Deus, mas, se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada e perto está da maldição; e o seu fim é ser queimada” (Hb 6.7-8). Esta é a mesma lição que Jesus dá nas parábolas do Talentos (Mt 25.14-30), dos Lavradores Maus (M 21.17-44), Servo Infiel (Mt 24.45-51; Lc 12.35-48), Dez Virgens (Mt 25.1-13), Julgamento das Nações (Mt 25.31-46), Parábola da Figueira infrutífera (Lc 13.6-9). O ensino é claro, quem não multiplica o talento, os lavradores maus, os servos infiéis, as virgens imprudentes, os mau feitores, a figueira infrutífera, o que não está dignamente trajado (Mt 22), o que é morno em sua conduta e devoção cristã (Ap 2.15-16), todos estão sujeitos à condenação no juízo final. O ramo, mesmo estando ligado a Videira Verdadeira, se não der fruto, está pronto para ser cortado e lançado fora (Jo 15.2), assim também o sal que se tornar insípido e imprestável é jogado fora (Mt 5.13), e aquele que é morno em sua conduta cristã está prestes a ser vomitado por Deus (Ap 2.15-16).

Onde foi parar o Temor do Senhor?

A Bíblia dá muita ênfase ao temor do Senhor tanto no Antigo como também no Novo Testamento. Foi a primeira coisa que Deus exigiu de Israel quando o chamou para ser seu povo e andar condignamente (Dt 10.12,13). Devemos temê-lo pois Deus é Santo, reto, justo, imenso, todo poderoso, majestoso e esplendidamente belo e incomparável: “Quem entre os deuses é semelhante a ti, Senhor? Quem é semelhante a ti? Majestoso em santidade, terrível em feitos gloriosos, autor de maravilhas?!” (Ex 15.11). Pedro está lidando com esta falta de temor a Deus: “Em primeiro lugar, vocês devem saber que nos últimos dias aparecerão pessoas que zombaram de tudo e se comportarão ao sabor de seus próprios desejos” (2 Pe 3.3). Quando não há o devido temor a Deus, as pessoas sentem-se livres para pecar. Deus é santo, mas as pessoas não estão dando a devida atenção a questão do pecado, que é algo tão contrário a natureza divina. Não há mais temor do Juízo Final. Mas Pedro adverte: “O dia do Senhor chegará como um ladrão, e então os céus se dissolveram com estrondo, os elementos se derreteram, devorados pelas chamas, e a terra desaparecerá com tudo o que nela se faz. Em vista dessa desintegração universal, qual não deve ser a santidade de vida e piedade de vocês, enquanto esperam e apressam a vinda do Dia de Deus? Nesse dia, ardendo em chamas, os céus se dissolverão, e os elementos se fundirão consumidos pelo fogo.” (2Pe 3.10-11). É de arrepiar também a descrição do grande dia da Ira de Deus, quando os impenitentes clamaram aos montes e as pedras, dizendo: “desmoronem por cima de nós, e nos escondam da Face daquele que está no trono, e da ira do Cordeiro. Pois chegou o grande Dia da sua ira. E quem poderá ficar de pé?” (Ap 6.12-17).

Hoje em dia, há uma falta de temor tão grande, que tem até muito crente falando como se fosse divertido encontrar o olhar do Deus Todo Poderoso. Quanta irreverência! É melhor pensarem com mais seriedade. Deus não é brincadeira. Onde foi parar a percepção da sublime majestade de Deus? Como bem observou Pratney em seu livro A Natureza e o Caráter de Deus (Editora Vida, 2004, p.290): “Estão tratando Deus como se ele fosse uma amigo informal e mortal, aproximando-se dele de forma superficial, com a irreverência de um tapinha nas costas. As pessoas pensam pouco ou nada ao blasfemar seu nome repetidamente em uma conversa comum, os comediantes zombam dele publicamente numa toada profana, e a mídia lida com questões de vida ou morte como se o julgamento e a eternidade fossem mitos populares e simples entretenimento ameno. Não há senso apropriado algum de deferência e honra, nenhuma sensibilidade à dignidade e à glória de Deus.” No entanto, o profeta Isaías diante de uma visão de Deus, gritou: “Ai de mim!” (Is 6.1-5); o Apóstolo João, apavorado, caiu como se estivesse morto ao contemplar o fulgor glorioso da face de Cristo (Ap 1.16,17); e os que foram para prender Jesus, recuaram e caíram por terra quando ele disse: “Eu sou” (Jo 18.6); os anciãos se prostraram cinco vezes diante daquele que está assentado no trono (Ap 4.10), a voz do Senhor é poderosa e majestosa como trovão e faz tremer o deserto (Sl 29.3-8) e é também sublime a ponto de fazer arder os corações dos discípulos no caminho de Emaús! (Lc 24.32).

Pedro está procurando em sua carta restaurar o temor do Senhor, sabendo que este temor afasta os homens do mal. Ele chama atenção para o juízo de Deus que é certo sobre os perversos (2 Pe 2.3-22 e ver também 1 Pe 4.17). Paulo, semelhantemente adverte: “Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá. Quem semeia para a sua carne, da carne colherá destruição; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos” (Gl 6.7-9). O temor do Senhor ainda é o princípio da Sabedoria e o conhecimento do Santo ainda é entendimento! (Pv 9.10).

Conclusão:

Tendo Deus nos concedido tudo o que necessitamos para a vida cristã, portanto o cristão precisa fazer a sua parte, começando pela fé que é a porta de entrada para o desenvolvimento das virtudes morais que, nutridas em nós, confirmam nosso chamado e nos garantem a entrada nos céus. Podemos dizer que a salvação é dádiva de Deus, recebida por fé e mantida e desenvolvida com cuidado, dedicação, empenho e perseverança pessoal possibilitados pela capacitação do Espírito Santo. Como disse Andrew Murray “Em primeiro lugar, preciso aceitar, confiar e regozijar-me na obediência de Cristo para cobrir, engolir e aniquilar terminantemente toda minha desobediência. Essa precisa ser a base inabalável, invariável, jamais esquecida, da minha aceitação por Deus. E, depois, a obediência dele torna-se o poder de vida da nova natureza em mim – assim como a desobediência de Adão era o poder que me governava até então. A minha sujeição à obediência é a única maneira que posso manter a minha relação com Deus e com a justiça. A obediência de Cristo à justiça é o único começo de vida para mim; minha obediência à justiça é sua única continuação. Tão certamente como a desobediência e a morte foram a lei para Adão e sua semente, a obediência e a vida o são para Cristo e sua descendência.”

“Portanto, amados, sabendo disso, guardem-se para que não sejam levados pelo erro dos que não têm princípios morais, nem percam a sua firmeza e caiam. Cresçam, porém, na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, agora e para sempre! Amém.” (2 Pe 3.17 e 18)

Mensagem do Bispo José Ildo Swartele de Mello Bibliografia:

Carson, D. A. Becoming conversant with the emergin church.

Pratney, W. A.

A Natureza e o Caráter de Deus: A magnífica doutrina da salvação ao alcance de todos. Tradução Marson Gudes. São Paulo, Editora Vida, 2004.

A Doutrina da Inteira Santificação em John Wesley+

Introdução

A doutrina da Inteira Santificação, frequentemente denominada por John Wesley como "Perfeição Cristã", constitui o eixo central da teologia metodista e do movimento de santidade. Para compreender essa doutrina, é essencial analisar como Wesley a definiu, utilizando um método de distinção clara entre o que ela não é (para evitar fanatismo e presunção) e o que ela é (para estabelecer a esperança bíblica). Este artigo examina essas definições com base nos escritos de Wesley – especialmente Uma Explicação Clara da Perfeição Cristã (A Plain Account of Christian Perfection) e seus sermões – verificando se estão condizentes com o ensino original de Wesley e aprimorando o conteúdo quando necessário.

I. O que a Inteira Santificação não é Wesley foi extremamente cauteloso ao delimitar a perfeição cristã, sempre distinguindo a perfeição humana (relativa) da perfeição divina (absoluta). Segundo seus escritos, a inteira santificação não significa:

1. Perfeição Absoluta ou Divina: A perfeição cristã não torna o ser humano igual a Deus. Wesley afirma enfaticamente que não existe perfeição absoluta na terra – a perfeição absoluta pertence somente ao Criador[1]. A perfeição humana, mesmo no estado de santificação, é sempre limitada, dependente e finita em contraste com a perfeição infinita de Deus. Em suas palavras, “não há perfeição absoluta na terra”[2]. Também não torna ninguém infalível: os cristãos inteiramente santificados ainda estão sujeitos a erros e falhas humanas e “não devemos esperar que qualquer ser humano vivo seja infalível, assim como não esperamos que seja onisciente”[3]. Em suma, Wesley nunca ensinou uma perfeição no sentido divino; a perfeição cristã é relativa à condição humana e depende inteiramente da graça de Deus.

2. Perfeição Angélica ou Adâmica: O crente santificado não retorna ao estado de Adão antes da Queda, nem alcança a perfeição dos anjos. Wesley esclarece que Adão (antes do pecado) e os anjos possuíam entendimento claro e corpos que não os limitavam, mas após a Queda o ser humano passou a habitar um corpo corruptível que “serve de obstáculo” à alma[4]. Devido a essa limitação física e mental, “nenhum filho de homem pode, em todo tempo, compreender tudo claramente ou julgar perfeitamente”, e “é tão natural ao homem equivocar-se como respirar”[4]. Portanto, durante esta vida mortal nenhum ser humano pode atingir uma perfeição equivalente à de Adão em inocência ou à dos anjos. O próprio Wesley afirma que Deus não exige de nós a perfeição angélica/adâmica, mas substituiu essa exigência pela lei do amor – isto é, agora “fé operando por meio do amor” é o que Deus requer, em vez de uma perfeição isenta de quaisquer limitações humanas[5].

3. Isenção de Ignorância e Erro: A inteira santificação não livra o crente de todo erro de entendimento ou julgamento, nem o torna onisciente ou incapaz de equivocar-se. Wesley ensinava claramente que mesmo o mais santo dos cristãos permanece sujeito à ignorância e a cometer enganos involuntários[3][6]. Ele declara: “não há homem vivo livre de ignorância, nem de erro” e “um homem pode estar cheio de amor puro e ainda assim cometer erros”[6]. Tais erros intelectuais ou equívocos de julgamento não são, para Wesley, “pecados” em sentido estrito (isto é, não são transgressões voluntárias da lei conhecida de Deus), mas falhas inevitáveis decorrentes de nossas limitações como criaturas mortais[7][6]. Ainda assim, elas “não podem suportar o rigor da justiça de Deus, e portanto necessitam do sangue expiatório de Cristo”[8]. Ou seja, mesmo os crentes inteiramente santificados precisam continuamente da mediação e perdão de Cristo pelas suas falhas involuntárias. Wesley resume: “não esperamos ser livres de erros reais nesta vida… portanto, a **‘perfeição sem pecado’ é uma frase que nunca uso”[6], justamente para não dar a entender que o cristão perfeito não precise mais do perdão de Cristo.

4. “Perfeição Sem Pecado” no sentido de nunca mais precisar de perdão: Wesley evitava usar a expressão “sinless perfection” (perfeição sem pecado) sem explicação, pois ela pode levar a mal-entendidos[6]. Embora ensinasse que o crente pode e deve viver sem cometer pecado voluntário (ver ponto II.4), Wesley reconhecia que mesmo os perfeitos em amor ainda cometem transgressões involuntárias, decorrentes de fraquezas, omissões ou equívocos[6]. Assim, ele distingue entre “pecado propriamente dito” (uma transgressão voluntária de uma lei conhecida de Deus) e “pecado impropriamente dito” (falhas ou transgressões involuntárias resultantes da nossa fraqueza humana)[6]. Os inteiramente santificados continuam sujeitos a essas falhas involuntárias e, portanto, devem orar continuamente, mesmo por si mesmos: “Perdoa-nos as nossas dívidas [ofensas]”[9]. Wesley e seus colegas concordaram que “os mais perfeitos têm necessidade contínua dos méritos de Cristo, mesmo por suas transgressões atuais, e podem dizer por si mesmos… ‘Perdoa-nos as nossas transgressões’”[9]. Ele adverte: “nenhum homem, por mais santo, pode permanecer diante da justiça infinita de Deus sem um Mediador”[10][11]. Portanto, inteira santificação não significa que o crente não precise mais do perdão ou da intercessão de Cristo; pelo contrário, “ninguém sente tão profundamente sua necessidade de Cristo quanto estes [os santificados]”[12].

5. Liberdade de Tentação: A perfeição cristã não implica estar isento de tentações. Wesley argumentava que se o próprio Senhor Jesus, apesar de perfeito, foi tentado pelo diabo no deserto, “o servo não é maior que seu Senhor”[2]. Logo, ser inteiramente santificado não significa deixar de enfrentar lutas ou seduções do pecado. Wesley afirma que, enquanto estivermos neste corpo, não podemos esperar estar totalmente livres de tentações, pois isso só ocorrerá quando “o espírito retornar a Deus” após a morte[13]. A diferença é que, no estado de inteira santificação, o crente – sustentado pela graça – recebe poder para resistir à tentação sem pecar, assim como Cristo resistiu. Em suma, a doutrina não ensina uma vida sem tentações, mas sim a possibilidade de, pelo poder do Espírito, não ceder a elas.

6. Um Estado Impossível de se Perder: A inteira santificação não é um estado irrevogável ou inamovível, do qual o crente não possa cair. Wesley inicialmente mostrou-se inseguro quanto a esse ponto, mas posteriormente concluiu que é possível cair mesmo após ter alcançado a santificação plena. “Antigamente pensávamos que alguém salvo do pecado não poderia cair; agora sabemos o contrário” confessou Wesley, após testemunhar casos de pessoas que experimentaram a perfeição em amor e depois a perderam[14]. Assim, não há nível de graça nesta vida do qual seja impossível decair. Wesley declara: “não existe altura ou força de santidade da qual seja impossível cair; os santificados, sim, podem cair e perecer”[15]. Por isso, a vigilância e dependência contínua de Deus são indispensáveis. Ele exortava até os “pais em Cristo” a não esmorecerem, pois mesmo eles precisam atender às advertências bíblicas de não amar o mundo e de não apagar o Espírito[16]. Em seu catecismo, Wesley responde claramente: “Podem [os inteiramente santificados] cair desse estado? Estou plenamente seguro de que podem…”[14]. E à pergunta seguinte – “podem aqueles que caíram recuperar esse estado?” – ele anima dizendo que sim, é possível ser restaurado, embora “não seja incomum que pessoas o percam mais de uma vez antes de serem estabelecidas”[17]. Portanto, a inteira santificação exige perseverança: não é um ponto de chegada definitivo, mas um estado da graça que precisa ser mantido pela fé e obediência contínuas.

II. O que a Inteira Santificação é De forma positiva, Wesley definia a inteira santificação como a plenitude do amor de Deus reinando no coração humano, capacitada pela fé. É o ápice da obra da graça na vida do crente. Especificamente, a inteira santificação, de acordo com Wesley, é:

1. Amor Perfeito (Pureza de Intenção): A melhor definição bíblica para perfeição cristã, segundo Wesley, é: “amar a Deus de todo o coração, de toda a alma, de todo o entendimento e de todas as forças, e ao próximo como a si mesmo”[18]. Em outras palavras, trata-se de possuir um amor a Deus plenamente integrado e dominante, que direciona toda a vida. Wesley descreve a perfeição cristã como “amar a Deus de todo o nosso ser… Isso implica que nenhuma disposição errada, nada contrário ao amor, permanece na alma; e que todos os pensamentos, palavras e ações são governados pelo amor puro”[18]. É uma pureza de intenção tão completa que Deus é o único alvo de tudo, e cada afeto, pensamento, palavra e ato se subordina a esse propósito supremo de glorificar a Deus pelo amor[19][20]. Wesley também chamou isso de ter “o coração purificado de todo afeto contrário ao amor” – um coração onde “nenhum mal humor, nenhuma ira ou orgulho permanecem, mas somente o amor divino”. Em suma, inteira santificação é ter o coração cheio do amor perfeito de Deus, o amor que lança fora todo pecado. É aquela condição em que “o amor é o cumprimento da lei” e “o amor de Deus reina sem rival no coração”[21].

2. Restauração da Imagem de Deus: Wesley via a salvação como um processo de restaurar no ser humano a imagem moral de Deus, perdida pela Queda de Adão. Portanto, a inteira santificação é, em última análise, a renovação da imagem de Deus na alma do crente[22]. O que Adão perdeu em termos de justiça e santidade é plenamente recuperado em Cristo quando nossos corações são purificados. Wesley pregou que a “circuncisão do coração” (um sinônimo que ele usa para santificação) “implica ser limpo de todo pecado… e ser renovado no espírito da mente segundo a semelhança Daquele que nos criou, até ser perfeito como nosso Pai celeste é perfeito”[22]. Assim, quando o amor de Deus enche plenamente o coração, a imagem de Deus (em justiça, santidade e amor) é refeita em nós. A pessoa inteira santificada reflete o caráter de Cristo – passa a pensar, sentir e agir cada vez mais como Deus deseja, porque Sua imagem está gravada novamente no interior do ser. Em resumo, é a “total renovação do homem na justiça e verdadeira santidade”, cumprindo Efésios 4.23-24.

3. Ter a Mente de Cristo: Ser inteiramente santificado é “possuir em si a mesma disposição (mentalidade) que houve em Cristo Jesus”, o que leva a “andar como Ele andou”[23]. Wesley insistia que o alvo do evangelho é formar em nós a mente de Cristo, ou seja, um coração humilde, obediente e cheio de amor como o dEle. No cristão perfeito, “Deus reina sozinho; tudo o que há na alma é ‘santidade ao Senhor’”, e “não há um movimento no coração que não seja conforme a vontade divina”[21]. Wesley chama isso de “a circuncisão do coração”, isto é, a marca interna do povo de Deus. Essa circuncisão espiritual significa remover toda impureza interior e exterior e dedicar inteiramente o coração a Deus[22]. Quando nossos motivos mais profundos são purificados, nosso interior é libertado da soberba, da auto-exaltação e de todo ídolo, de modo que pensamos e desejamos o que Cristo pensa e deseja. A mente de Cristo no crente resulta em obediência amorosa: passamos a odiar o pecado e amar a justiça, reagindo às situações como Jesus reagiria. Em termos práticos, o crente santificado procura imitar a Cristo em tudo, vivendo a realidade de Gálatas 2.20 – “já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”. Toda a inclinação do coração se alinha com a de Cristo.

4. Libertação do Pecado (Voluntário): Na inteira santificação, o crente experimenta libertação plena do poder do pecado – especialmente do pecado voluntário. Wesley ensinava que, no novo nascimento (justificação e regeneração), Deus perdoa os pecados passados e quebra o poder do pecado; mas é na santificação completa que Ele remove o “ser do pecado” ou a inclinação pecaminosa raiz[24]. Assim, enquanto a justificação nos livra da culpa do pecado, a santificação inteira nos livra do poder do pecado em nossas vidas e também purifica o coração da natureza pecaminosa residual[24]. Wesley descreve este estado como “uma salvação plena de todos os nossos pecados, do orgulho, da vontade própria, da ira, da incredulidade”[25] – conforme o apóstolo ora: “o próprio Deus da paz vos santifique completamente… e vos guarde irrepreensíveis” (1Ts 5.23). Ele define perfeição cristã justamente como “perfeito amor”: um amor que “exclui o pecado; o amor enchendo o coração, tomando toda a capacidade da alma”[25]. Desse modo, onde o amor perfeito reina, o pecado não encontra espaço. Wesley insiste, apoiando-se em 1 João 3.9, que “aquele que é nascido de Deus não peca”, isto é, não comete pecado voluntário contra a lei conhecida de Deus[26][27]. Todas as tendências deliberadas para desobedecer a Deus são vencidas pelo amor que o Espírito derrama no coração. Importante ressaltar: isso não significa que o crente não possa pecar (pois ainda é livre e sujeito à tentação), mas sim que não precisa mais ceder ao pecado. Se andar vigilante na fé, pode viver em vitória constante sobre o pecado consciente pela graça de Deus. Em suma, na inteira santificação o coração é purificado de raízes amargas como o orgulho, a inveja e a auto-vontade, e o crente é capacitado a viver numa santa obediência, amando a Deus integralmente e não mais deliberando rebelar-se contra Ele[25].

5. Recebida pela Fé: Assim como a justificação, a inteira santificação não é alcançada por esforços ou obras humanas, mas unicamente recebida pela fé. Wesley enfatizava que essa graça é um dom gratuito de Deus, a ser apropriado pela confiança no sangue de Cristo e não pelos méritos do homem. Certa vez ele exortou os crentes: “Se vós a buscais pela fé, podeis esperá-la tal como estais; e, tal como estais, esperai-a agora”[28]. Em outras palavras, não é necessário esperar um longo tempo ou alcançar um certo padrão de desempenho para receber a santificação completa – deve-se buscá-la agora mesmo, crendo na promessa de Deus. Wesley ensinava uma “conexão inseparável” entre três pontos: buscá-la pela fé, esperá-la como estamos, e esperá-la agora[28]. Negar qualquer um destes era, para ele, negar o próprio caminho da fé. Portanto, a santificação inteira acontece num coração que crê plenamente que Jesus pode e quer purificá-lo agora. Essa fé total em Cristo como santificador é o meio pelo qual o Espírito Santo realiza a obra. Não que as obras e os meios de graça (oração, Escrituras, ceia, etc.) não tenham lugar – eles nos preparam e acompanham – mas o momento em si da purificação do coração é dado gratuitamente por Deus quando o coração se rende em fé. Wesley deixa claro: “não pelas nossas obras, mas pela fé somos santificados e salvos do pecado, exatamente como fomos justificados”. Assim, o crente deve erguer o olhar para Cristo e confiar na Sua promessa agora, cantando interiormente: “Eu creio, Senhor, que Tu podes me santificar completamente!”. Essa atitude de fé imediata é crucial, pois quem duvida ou adia dificilmente entra nessa bênção[28].

6. Obra Instantânea e Gradual: Wesley ensinava que a inteira santificação envolve um aspecto gradual e um aspecto instantâneo, sem contradição. Por um lado, há um crescimento gradual em graça e conhecimento que precede e também segue o momento da santificação plena[29]. Desde a conversão, o Espírito vai mortificando aos poucos as inclinações pecaminosas e produzindo aumento de amor, fé e outras virtudes (processo de crescimento progressivo em santidade). Contudo, a obra de purificar o coração do pecado interior – de crucificar de vez a “raiz do pecado” – ocorre num momento específico, instantaneamente, pela operação do Espírito Santo[29]. Wesley afirma que Deus geralmente concede um “momento” de graça em que a alma é plenamente renovada em amor: “Ele pode ‘encurtar o processo’, fazendo a obra de muitos anos num só momento”[30]. De fato, houve casos em que crentes foram aperfeiçoados em amor em questão de dias ou mesmo horas após a conversão, se lançando inteiramente pela fé[31]. Em outros casos, o processo levou anos. Mas o ponto central é: existe um instante (um “segundo momento de crise”) em que Deus limpa o coração e enche de amor perfeito – esse ato é instantâneo, semelhante à conversão, embora nem sempre percebido emocionalmente de forma dramática. Após esse instante de inteira santificação, o crescimento continua – e na verdade, Wesley dizia, prossegue por toda a vida e pela eternidade: mesmo os crentes aperfeiçoados devem seguir crescendo em graça, aprofundando-se ainda mais no amor e no conhecimento de Deus para sempre[32]. Ou seja, a capacidade de amar a Deus se expande continuamente; a perfeição no amor não é estática. Wesley resume essa dinâmica dizendo que “não há contradição em afirmar que a obra é ao mesmo tempo gradual e instantânea”[29]. Gradual, no sentido de que Deus prepara o coração e o amadurece ao longo do tempo, e também continua a fortalecê-lo após a experiência; e instantânea, no sentido de que há um “segundo evento definidor” em que o pecado é erradicado do coração em um ato divino instantâneo. Assim, a inteira santificação é simultaneamente um ponto (crise) e um processo (desenvolvimento contínuo).

Conclusão

Para John Wesley, a inteira santificação não era um estado de infalibilidade humana ou de divinização do crente, mas um estado de amor puro e constante a Deus acima de todas as coisas. Em vez de significar que o cristão não tem mais fraquezas ou que não precisa mais de Cristo, representava que “o amor perfeito lança fora o temor” e governa completamente o coração. Era, nas palavras paulinas, “a fé que atua pelo amor”, capacitando o crente a viver sem cometer pecado voluntário e a dedicar todo o seu ser – espírito, alma e corpo – como um sacrifício vivo a Deus[33]. Wesley considerava esta doutrina da perfeição em amor como o “grande depósito” confiado aos metodistas por Deus, não para orgulho ou vanglória espiritual, mas para testemunhar ao mundo o poder transformador da graça de Cristo. Assim, a Inteira Santificação, longe de ser uma curiosidade teológica, é o objetivo natural da salvação: um coração totalmente entregue a Deus, onde reina somente o amor. Wesley nos desafia a não contentarmos com nada menos do que essa promessa bíblica – “sigamos rumo à perfeição” –, buscando de Deus, pela fé, o cumprimento completo de Sua obra de santificar o Seu povo.

Referências Bibliográficas Utilizadas:

1. Wesley, John. A Plain Account of Christian Perfection – (Trabalho completo disponível no Wesley Center Online)[3][6][14][30].

2. Wesley, John. Sermão “Christian Perfection” (1741) – Trechos citados conforme compilados em A Plain Account[3][1].

3. Wesley, John. Sermão “The Circumcision of the Heart” (1733) – citado em A Plain Account[22][23].

4. Wesley, John. Sermão “Scripture Way of Salvation” (1765) – definição de inteira santificação como “full salvation from all sin…”[25][24].

5. Watson, Kevin. “What Is Entire Sanctification?” – Seedbed (artigo de 10/06/2021) com comentários e citações de Wesley sobre perfeição cristã[25][24].

6. Coletânea de Textos de João Wesley (Tradução para o português) – citação da exortação de buscar a santificação pela fé agora[28].

7. Wesley Foundation at GSU – Citação de definição de perfeição cristã por Wesley (“loving God with all our heart… no wrong temper… pure love”)[18].

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Curso de Discipulado: Lição 6 – Santificação+

Lição 6: Santificação Textos bíblicos para cada dia da semana Segunda-feira – A Natureza da Santificação · 1 Tessalonicenses 4.3-8:

Viver de acordo com os ensinamentos de Cristo e a santificação.

· Gálatas 5.6:

A fé que atua pelo amor, elemento chave na santificação.

· Mateus 22.37-39:

O amor a Deus e ao próximo.

Terça-feira – Abrangência da Santificação · Mateus 5.13-16:

Referência ao crente como sal da terra e luz do mundo, influenciando o ambiente ao redor.

· 1 Pedro 2.9:

Destaque sobre a identidade do crente e seu papel no mundo.

Quarta-feira – Buscando a Perfeição em Cristo · Romanos 8.29; Efésios 1.4:

Versículos que falam sobre a conformação à imagem de Cristo.

· 2 Coríntios 3.18:

Transformação progressiva em conformidade com a imagem de Cristo.

· Efésios 4.24:

Sobre a criação para ser semelhante a Deus.

Quinta-feira – Limites da Santificação na Vida Presente · 1 João 1.8-10:

Fala sobre a realidade do pecado na vida dos crentes e a necessidade contínua do perdão de Deus e purificação.

· Filipenses 3.12-14:

Sobre prosseguir para o alvo, deixando o passado para trás.

· Mateus 19.26:

A impossibilidade humana e a possibilidade com Deus.

Sexta-feira – Alcançando a Santidade · Efésios 4:

O alvo de atingir a estatura da plenitude de Cristo.

· Filipenses 3.12-14:

Prosseguir para o alvo, deixando o passado para trás.

· João 4.17; Lucas 1.69-75; 1 Tessalonicenses 5.23:

Enfatizam a santificação como meta cristã e a invocação pela santificação integral.

Sábado – Papel do Espírito Santo na Santificação · 1 Tessalonicenses 4.7-8; 2 Coríntios 3.18:

O trabalho do Espírito Santo na santificação e na transformação contínua do crente.

· 1 Pedro 1.3-4; 1 Tessalonicenses 5.22-24; Filipenses 2.12-13:

Enfatizam a participação humana em colaboração com o Espírito Santo.

Domingo – Resultados da Santificação e Impacto Social · 1 Coríntios 3.16-17; Marcos 12.30-31:

Efeitos da santificação, amor a Deus e ao próximo.

· Colossenses 3.17; Efésios 5.8-10:

Sobre a coerência entre fé e prática, impactando o testemunho cristão.

· Romanos 12.2; Gálatas 5.13; Tiago 1.27:

Passagens que discutem a transformação da sociedade, serviço ao próximo e testemunho coerente.

Na prática, o que significa ser santificado?

A santificação, na prática, refere-se ao processo contínuo de transformação divina na vida do crente, capacitando-o a viver em conformidade com os ensinamentos de Cristo e a amar a Deus e ao próximo (1 Tessalonicenses 4.3). É um estado onde a fé, atua pelo amor (Gálatas 5.6), manifestando-se em todas as dimensões da vida cristã: no amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a nós mesmos, no puro amor que preenche o coração e guia todas as palavras e ações (Mateus 22.37-39).

Essa transformação vai além do âmbito pessoal, abraçando tanto a dimensão individual quanto a social (Mateus 5.13-16; 1 Pedro 2.9). Ela nos molda à imagem do Criador, renovando-nos para refletir Sua essência (Colossenses 3.10). É um caminho de ser conformado à imagem de Cristo, pois, como membros do Corpo de Cristo, fomos predestinados para isso (Romanos 8.29; Efésios 1.4). Conforme buscamos viver essa realidade, somos transformados de glória em glória segundo Sua imagem (2 Coríntios 3.18), pois fomos criados como novas criaturas para sermos semelhantes a Deus (Efésios 4.24).

O que não é • A santificação não implica na total ausência dos efeitos ou da presença do pecado nesta vida terrena, algo que apenas alcançaremos na eternidade (John Wesley Works 11.395, 417).

• Imperfeições mesmo para os mais íntimos com Deus:

Mesmo aqueles que desfrutam de um relacionamento íntimo com Deus ainda possuem muitas imperfeições decorrentes da Queda original. Diariamente, dependemos dos méritos do sangue de Cristo e devemos sinceramente buscar o perdão por nossos pecados. Nem mesmo o amor e a unção do Espírito nos tornam infalíveis (John Wesley Works 11.395, 415).

• Não há um nível de perfeição que não admita um contínuo crescimento.

A busca pela perfeição cristã implica um processo de constante amadurecimento e desenvolvimento espiritual (Sermão de Wesley A Perfeição Cristã. 6.5-6).

Que grau de Santificação podemos alcançar?

Paulo diz que o alvo é “que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de pessoa madura, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Efésios 4.13). Portanto, o objetivo é a conformidade à imagem de Cristo, o que envolve amar a Deus e ao próximo, expressando esse amor em todas as áreas da vida.

O padrão máximo de santidade é Cristo, a perfeita expressão do Pai (Hebreus 1.3). Devemos imitar a Deus, seguir o exemplo de Cristo, andar como Ele andou (Efésios 5.1, João 13.14-15, 1 João 2.6, 1 Coríntios 11.1).

Alcançando a Santificação na Vida Presente A santificação, um objetivo alcançável nesta vida, é explicitamente instruída na Bíblia, orientando os crentes a serem santos como Deus (1 Pedro 1.15-16). Nas passagens de Efésios 4, encontramos um chamado à dignidade na caminhada cristã, instando os fiéis a viverem de maneira digna de sua vocação (v.1). O texto exorta à diligência na busca pela unidade e crescimento dos santos (v.3, 12), visando atingir a plenitude de Cristo (v.13).

Filipenses 3.12-14 também reforça essa ideia, enfatizando a importância de não se deter no passado, mas avançar para o alvo diante de nós.

1 João 4.17 destaca a perfeição do amor como uma meta cristã, promovendo confiança diante do juízo. Lucas 1.69-75 ressalta o propósito da salvação: servir sem medo, em santidade e justiça, todos os dias. 1 Tessalonicenses 5.23 invoca a santificação integral do espírito, alma e corpo dos crentes para a vinda de Jesus Cristo.

A falta de fé é o principal obstáculo à santidade, mas a mensagem é de esperança: o que é impossível para os homens é possível para Deus! (Mateus 19.26).

Como se dá a Santificação?

A jornada de santificação começa na regeneração, quando o crente aceita Cristo, e continua ao longo de sua vida cristã, culminando na conformidade à imagem de Cristo (2 Coríntios 3.18).

Papel do Espírito Santo na Santificação O Espírito Santo é o agente primordial da santificação, capacitando os crentes a viverem em obediência e amor a Deus (1 Tessalonicenses 4.7-8). Sua obra é uma transformação instantânea, purificando-nos do pecado, e um processo contínuo de crescimento e amadurecimento espiritual, à medida que cooperamos com Ele (2 Coríntios 3.18). A participação humana, com consagração e entrega a Deus, é essencial nesse processo.

Participação Humana na Santificação A obra de Deus em nós nos capacita a realizar nossa obra em Deus. Somos chamados e capacitados por Deus para uma vida de santidade (2 Pedro 1.3-4). Isso possibilita e demanda esforço e dedicação da nossa parte (2 Pedro 1.5, 10), evidenciando a santificação como uma obra de Deus que requer a apropriada participação humana (1 Tessalonicenses 5.22-24; Filipenses 2.12-13).

Consagração e Rendição a Deus A consagração total a Deus pela fé é essencial para que Deus realize Sua obra em nós (Colossenses 3.5-17; Gálatas 2.20; Romanos 6.11). Implica em morrer para nós mesmos e entregar-nos completamente a Ele.

Renovação da Mente e Entrega Interior Essa entrega resulta na renovação da nossa mente. Ao nos entregarmos a Deus, somos curados interiormente, redirecionando nossos corações a Ele e capacitando-nos a servir e agradá-Lo no dia a dia (Romanos 12.1-2).

Promessa de Deus Cumprida em Pentecostes No Antigo Testamento, Deus prometeu dar um coração fiel, capacitando a amá-Lo completamente e viver segundo Suas leis, livrando do domínio do pecado (Deuteronômio 30.6 e Ezequiel 36.27, 29). Isto se cumpriu através do Novo Nascimento em Cristo. (2 Coríntios 5.17; Tito 3.5-6; Romanos 6.4; Efésios 4.23-24).

Resultados da Santificação A santificação nos conduz ao amor a Deus e ao próximo, purifica-nos do pecado e nos liberta da autoidolatria (1 Coríntios 3.16-17, Marcos 12.30-31).

Propósito e Importância da Santificação para a Missão Cristã A santificação desempenha um papel crucial na missão cristã, visando tornar os crentes cada vez mais semelhantes a Cristo (2 Coríntios 3.18). Esse processo não se limita a palavras, mas implica agir, amar e servir como Cristo fez (1 João 2.6).

Uma vida santificada é um testemunho poderoso, refletindo a luz de Cristo no mundo (Mateus 5.16). Ao viverem de maneira santa e amorosa, os crentes atraem outros para a fé, influenciando positivamente seu ambiente.

Jesus ilustrou isso ao chamar os crentes de "sal da terra" e "luz do mundo" (Mateus 5.13-14). A santificação permite que exerçam uma influência positiva, preservando os valores do Reino e irradiando a verdade e o amor de Cristo.

Além disso, uma vida santificada fortalece a credibilidade do testemunho cristão (Colossenses 4.5-6). Torna-o mais atraente e autêntico aos olhos daqueles fora da fé, impactando positivamente a missão evangelística.

Santificação e Impacto Social · Transformação da Sociedade:

A vida santificada não é apenas para benefício pessoal, mas também para o bem da sociedade. Ao viverem os princípios do Reino, os crentes influenciam positivamente o ambiente ao seu redor (Romanos 12.2; Mateus 5.13-16).

· Serviço e Amor ao Próximo:

A santificação capacita os crentes a amar e servir de maneira altruísta, atendendo às necessidades dos outros e promovendo a justiça e a compaixão (Gálatas 5.13; Tiago 1.27; Lucas 10.25-37).

· Testemunho Coerente:

Uma vida santificada não se restringe ao âmbito espiritual, mas permeia todas as áreas da existência, demonstrando coerência entre fé e prática, fortalecendo assim o testemunho cristão (1 Pedro 2.12; Colossenses 3.17; Efésios 5.8-10).

O Estímulo da Nuvem de Testemunhas A inspiração proveniente da Grande Nuvem de Testemunhas, referida na galeria de heróis da fé em Hebreus 11, motiva-nos a buscar a santidade, conforme expresso em Hebreus 12.1: 'Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta.' Esses exemplos de fé evidenciam que é possível vencer o mal com o auxílio de Deus.

Refletindo sobre isso, recordo-me do tempo em que aprendi a andar de bicicleta. Houve quedas dolorosas, especialmente quando meu dedão do pé se prendia na corrente da antiga bicicleta, causando bastante sofrimento. Contudo, a presença de uma "nuvem grande" de amigos, crianças como eu, que já dominavam a arte de pedalar, foi um estímulo constante. Eles me encorajaram a não desistir, mostrando que era possível superar as dificuldades e persistir. Da mesma forma, a galeria de heróis da fé de Hebreus 11, e a vida de tantos outros heróis da fé ao longo da história da Igreja, nos motiva a nos libertarmos do pecado para vivermos à altura do nosso chamado cristão.

Conclusão

A santificação é um processo contínuo de transformação divina na vida do crente, capacitando-o a viver em conformidade com os ensinamentos de Cristo e a amar a Deus e ao próximo. Este processo vai além do âmbito pessoal, abraçando a dimensão individual e social. Embora não implique na ausência total do pecado nesta vida, a santificação busca a conformidade à imagem de Cristo.

O objetivo máximo é alcançar a unidade da fé e a plenitude de Cristo, refletindo Seu amor em todas as áreas da vida. A santificação é possível na vida presente, evidenciada nas instruções bíblicas e no chamado à dignidade na caminhada cristã.

O papel do Espírito Santo é crucial nesse processo, capacitando os crentes e transformando-os para viverem em obediência e amor a Deus. A participação humana é fundamental, exigindo esforço, consagração e rendição total a Deus. A renovação da mente e a promessa cumprida em Pentecostes revelam a profundidade e a amplitude da santificação na vida do crente.

A santificação não se limita à espiritualidade individual, mas influencia a sociedade, promovendo transformação e serviço altruísta. Além disso, uma vida santificada fortalece o testemunho cristão, tornando-o mais atraente e autêntico aos olhos dos que estão fora da fé, promovendo a glória de Deus e a salvação de muitos.

Questões:

Qual é a definição mais precisa de santificação? a) Um estado de ausência total do pecado na vida do crente. b) Um processo contínuo de transformação divina capacitando o crente a viver em conformidade com os ensinamentos de Cristo. c) Uma experiência única de purificação instantânea. d) Uma condição reservada apenas para líderes religiosos.

Qual é o propósito da santificação, de acordo com a lição? a) Atingir a perfeição absoluta. b) Moldar os crentes à imagem de Cristo e refletir Seu amor em todas as áreas da vida. c) Garantir que os crentes sejam imunes ao pecado. d) Manter um padrão de comportamento aceitável perante a sociedade.

O que significa a expressão "fé que atua pelo amor"? a) A fé é uma emoção desvinculada das ações. b) A fé é um conceito teórico sem aplicação prática. c) A fé é exclusivamente uma experiência emocional. d) A fé é expressa por obras e amor em ações concretas.

Como a santificação impacta a vida social, de acordo com a lição? a) Não tem influência na vida social dos crentes. b) A santificação fortalece o testemunho cristão, influenciando positivamente a sociedade. c) A santificação isola os crentes da sociedade. d) A santificação não tem relação com o testemunho cristão.

Qual é o papel primordial do Espírito Santo na santificação? a) O Espírito Santo não está envolvido na santificação. b) Levar os crentes a viverem sujeitos às regras rígidas da Lei Mosaica. c) Capacitar os crentes a amarem a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmos. d) Condenar os crentes por suas falhas.

Por que a santificação é considerada um processo contínuo? a) Porque é um processo rápido e instantâneo. b) Porque os crentes não têm a capacidade de se santificar. c) Porque os crentes precisam crescer e amadurecer espiritualmente ao longo da vida. d) Porque a santificação é uma experiência exclusiva dos líderes religiosos.

Qual é a principal influência da "Grande Nuvem de Testemunhas" mencionada em Hebreus 12.1? a) A influência de amigos próximos na vida diária dos crentes. b) A inspiração e estímulo dos exemplos de fé dos heróis mencionados em Hebreus 11. c) A influência dos líderes religiosos contemporâneos. d) A influência da cultura popular na vida dos crentes.

Como a santificação afeta o testemunho cristão? a) Não tem impacto significativo no testemunho cristão. b) Fortalece a credibilidade do testemunho cristão, tornando-o mais atraente e autêntico. c) Melhora a aparência sem alterar a essência. d) Isola os crentes do restante da sociedade para que não sejam contaminados pelo mundo.

Qual é o papel do crente na santificação? a) O crente não tem nenhum papel na santificação, pois se trata de uma obra exclusiva de Deus. b) O crente deve cooperar com o Espírito Santo, consagrando-se e rendendo-se a Deus. c) O crente deve confiar inteiramente em sua própria capacidade para se santificar. d) O crente deve depender apenas dos líderes religiosos para ser santificado.

10. Qual das seguintes passagens ressalta a importância da santificação integral do espírito, alma e corpo dos crentes para a vinda de Jesus Cristo? a) 1 João 4.17 b) Lucas 1.69-75 c) Mateus 19.26 d) 1 Tessalonicenses 5.23 Exercícios on-line https://forms.gle/1zmi4PUEsYY8GNeFA

Inteira Santificação: Um alvo alcançável nesta vida+

Na prática, o que significa ser santificado?

A santificação, na prática, refere-se ao processo contínuo de transformação divina na vida do crente, capacitando-o a viver em conformidade com os ensinamentos de Cristo e a amar a Deus e ao próximo (1 Tessalonicenses 4.3). É um estado onde a fé, atua pelo amor (Gálatas 5.6), manifestando-se em todas as dimensões da vida cristã: no amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a nós mesmos, no puro amor que preenche o coração e guia todas as palavras e ações (Mateus 22.37-39).

Essa transformação vai além do âmbito pessoal, abraçando tanto a dimensão individual quanto a social (Mateus 5.13-16; 1 Pedro 2.9). Ela nos molda à imagem do Criador, renovando-nos para refletir Sua essência (Colossenses 3.10). É um caminho de ser conformado à imagem de Cristo, pois, como membros do Corpo de Cristo, fomos predestinados para isso (Romanos 8.29; Efésios 1.4). Conforme buscamos viver essa realidade, somos transformados de glória em glória segundo Sua imagem (2 Coríntios 3.18), pois fomos criados como novas criaturas para sermos semelhantes a Deus (Efésios 4.24).

O que não é A santificação não implica na total ausência dos efeitos ou da presença do pecado nesta vida terrena, algo que apenas alcançaremos na eternidade (John Wesley Works 11.395, 417).

Imperfeições mesmo para os mais íntimos com Deus:

Mesmo aqueles que desfrutam de um relacionamento íntimo com Deus ainda possuem muitas imperfeições decorrentes da Queda original. Diariamente, dependemos dos méritos do sangue de Cristo e devemos sinceramente buscar o perdão por nossos pecados. Nem mesmo o amor e a unção do Espírito nos tornam infalíveis (John Wesley Works 11.395, 415).

Não há um nível de perfeição que não admita um contínuo crescimento.

A busca pela perfeição cristã implica um processo de constante amadurecimento e desenvolvimento espiritual (Sermão de Wesley A Perfeição Cristã. 6.5-6).

Que grau de Santificação podemos alcançar?

Paulo diz que o alvo é “ que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de pessoa madura, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Efésios 4.13).

Portanto, o objetivo é a conformidade à imagem de Cristo, o que envolve amar a Deus e ao próximo, expressando esse amor em todas as áreas da vida.

O padrão máximo de santidade é Cristo, a perfeita expressão do Pai (Hebreus 1.3). Devemos imitar a Deus, seguir o exemplo de Cristo, andar como Ele andou (Efésios 5.1, João 13.14-15, 1 João 2.6, 1 Coríntios 11.1).

Alcançando a Santificação na Vida Presente A santificação, um objetivo alcançável nesta vida, é explicitamente instruída na Bíblia, orientando os crentes a serem santos como Deus (1 Pedro 1.15-16). Nas passagens de Efésios 4, encontramos um chamado à dignidade na caminhada cristã, instando os fiéis a viverem de maneira digna de sua vocação (v.1). O texto exorta à diligência na busca pela unidade e crescimento dos santos (v.3, 12), visando atingir a plenitude de Cristo (v.13).

Filipenses 3.12-14 também reforça essa ideia, enfatizando a importância de não se deter no passado, mas avançar para o alvo diante de nós.

1 João 4.17 destaca a perfeição do amor como uma meta cristã, promovendo confiança diante do juízo. Lucas 1.69-75 ressalta o propósito da salvação: servir sem medo, em santidade e justiça, todos os dias. 1 Tessalonicenses 5.23 invoca a santificação integral do espírito, alma e corpo dos crentes para a vinda de Jesus Cristo.

A falta de fé é o principal obstáculo à santidade, mas a mensagem é de esperança: o que é impossível para os homens é possível para Deus! (Mateus 19.26).

Como se dá a Santificação?

A jornada de santificação começa na regeneração, quando o crente aceita Cristo, e continua ao longo de sua vida cristã, culminando na conformidade à imagem de Cristo (2 Coríntios 3.18).

Papel do Espírito Santo na Santificação O Espírito Santo é o agente primordial da santificação, capacitando os crentes a viverem em obediência e amor a Deus (1 Tessalonicenses 4.7-8). Sua obra é uma transformação instantânea, purificando-nos do pecado, e um processo contínuo de crescimento e amadurecimento espiritual, à medida que cooperamos com Ele (2 Coríntios 3.18). A participação humana, com consagração e entrega a Deus, é essencial nesse processo.

Participação Humana na Santificação A obra de Deus em nós nos capacita a realizar nossa obra em Deus. Somos chamados e capacitados por Deus para uma vida de santidade (2 Pedro 1.3-4). Isso possibilita e demanda esforço e dedicação da nossa parte (2 Pedro 1.5, 10), evidenciando a santificação como uma obra de Deus que requer a apropriada participação humana (1 Tessalonicenses 5.22-24; Filipenses 2.12-13).

Consagração e Rendição a Deus A consagração total a Deus pela fé é essencial para que Deus realize Sua obra em nós (Colossenses 3.5-17; Gálatas 2.20; Romanos 6.11). Implica em morrer para nós mesmos e entregar-nos completamente a Ele.

Renovação da Mente e Entrega Interior Essa entrega resulta na renovação da nossa mente. Ao nos entregarmos a Deus, somos curados interiormente, redirecionando nossos corações a Ele e capacitando-nos a servir e agradá-Lo no dia a dia (Romanos 12.1-2).

Promessa de Deus Cumprida em Pentecostes No Antigo Testamento, Deus prometeu dar um coração fiel, capacitando a amá-Lo completamente e viver segundo Suas leis, livrando do domínio do pecado (Deuteronômio 30.6 e Ezequiel 36.27, 29). Isto se cumpriu através do Novo Nascimento em Cristo. (2 Coríntios 5.17; Tito 3.5-6; Romanos 6.4; Efésios 4.23-24).

Resultados da Santificação A santificação nos conduz ao amor a Deus e ao próximo, purifica-nos do pecado e nos liberta da autoidolatria (1 Coríntios 3.16-17, Marcos 12.30-31).

Propósito e Importância da Santificação para a Missão Cristã A santificação desempenha um papel crucial na missão cristã, visando tornar os crentes cada vez mais semelhantes a Cristo (2 Coríntios 3.18). Esse processo não se limita a palavras, mas implica agir, amar e servir como Cristo fez (1 João 2.6).

Uma vida santificada é um testemunho poderoso, refletindo a luz de Cristo no mundo (Mateus 5.16). Ao viverem de maneira santa e amorosa, os crentes atraem outros para a fé, influenciando positivamente seu ambiente.

Jesus ilustrou isso ao chamar os crentes de "sal da terra" e "luz do mundo" (Mateus 5.13-14). A santificação permite que exerçam uma influência positiva, preservando os valores do Reino e irradiando a verdade e o amor de Cristo.

Além disso, uma vida santificada fortalece a credibilidade do testemunho cristão (Colossenses 4.5-6). Torna-o mais atraente e autêntico aos olhos daqueles fora da fé, impactando positivamente a missão evangelística.

Santificação e Impacto Social • Transformação da Sociedade: A vida santificada não é apenas para benefício pessoal, mas também para o bem da sociedade. Ao viverem os princípios do Reino, os crentes influenciam positivamente o ambiente ao seu redor (Romanos 12.2; Mateus 5.13-16).

• Serviço e Amor ao Próximo: A santificação capacita os crentes a amar e servir de maneira altruísta, atendendo às necessidades dos outros e promovendo a justiça e a compaixão (Gálatas 5.13; Tiago 1.27; Lucas 10.25-37).

• Testemunho Coerente: Uma vida santificada não se restringe ao âmbito espiritual, mas permeia todas as áreas da existência, demonstrando coerência entre fé e prática, fortalecendo assim o testemunho cristão (1 Pedro 2.12; Colossenses 3.17; Efésios 5.8-10).

O Estímulo da Nuvem de Testemunhas A inspiração proveniente da Grande Nuvem de Testemunhas, referida na galeria de heróis da fé em Hebreus 11, motiva-nos a buscar a santidade, conforme expresso em Hebreus 12.1: 'Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta.' Esses exemplos de fé evidenciam que é possível vencer o mal com o auxílio de Deus.

Refletindo sobre isso, recordo-me do tempo em que aprendi a andar de bicicleta. Houve quedas dolorosas, especialmente quando meu dedão do pé se prendia na corrente da antiga bicicleta, causando bastante sofrimento. Contudo, a presença de uma "nuvem grande" de amigos, crianças como eu, que já dominavam a arte de pedalar, foi um estímulo constante. Eles me encorajaram a não desistir, mostrando que era possível superar as dificuldades e persistir. Da mesma forma, a galeria de heróis da fé de Hebreus 11, e a vida de tantos outros heróis da fé ao longo da história da Igreja, nos motiva a nos libertarmos do pecado para vivermos à altura do nosso chamado cristão.

Conclusão

A santificação é um processo contínuo de transformação divina na vida do crente, capacitando-o a viver em conformidade com os ensinamentos de Cristo e a amar a Deus e ao próximo. Este processo vai além do âmbito pessoal, abraçando a dimensão individual e social. Embora não implique na ausência total do pecado nesta vida, a santificação busca a conformidade à imagem de Cristo.

O objetivo máximo é alcançar a unidade da fé e a plenitude de Cristo, refletindo Seu amor em todas as áreas da vida. A santificação é possível na vida presente, evidenciada nas instruções bíblicas e no chamado à dignidade na caminhada cristã.

O papel do Espírito Santo é crucial nesse processo, capacitando os crentes e transformando-os para viverem em obediência e amor a Deus. A participação humana é fundamental, exigindo esforço, consagração e rendição total a Deus. A renovação da mente e a promessa cumprida em Pentecostes revelam a profundidade e a amplitude da santificação na vida do crente.

A santificação não se limita à espiritualidade individual, mas influencia a sociedade, promovendo transformação e serviço altruísta. Além disso, uma vida santificada fortalece o testemunho cristão, tornando-o mais atraente e autêntico aos olhos dos que estão fora da fé, promovendo a glória de Deus e a salvação de muitos.

Questões:

Qual é a definição mais precisa de santificação? a) Um estado de ausência total do pecado na vida do crente. b) Um processo contínuo de transformação divina capacitando o crente a viver em conformidade com os ensinamentos de Cristo. c) Uma experiência única de purificação instantânea. d) Uma condição reservada apenas para líderes religiosos.

Qual é o propósito da santificação, de acordo com a lição? a) Atingir a perfeição absoluta. b) Moldar os crentes à imagem de Cristo e refletir Seu amor em todas as áreas da vida. c) Garantir que os crentes sejam imunes ao pecado. d) Manter um padrão de comportamento aceitável perante a sociedade.

O que significa a expressão "fé que atua pelo amor"? a) A fé é uma emoção desvinculada das ações. b) A fé é expressa por obras e amor em ações concretas. c) A fé é um conceito teórico sem aplicação prática. d) A fé é exclusivamente uma experiência emocional.

Como a santificação impacta a vida social, de acordo com a lição? a) Não tem influência na vida social dos crentes. b) A santificação fortalece o testemunho cristão, influenciando positivamente a sociedade. c) A santificação isola os crentes da sociedade. d) A santificação não tem relação com o testemunho cristão.

Qual é o papel primordial do Espírito Santo na santificação? a) O Espírito Santo não está envolvido na santificação. b) Capacitar os crentes a viverem em desobediência a Deus. c) Capacitar os crentes a viverem em obediência e amor a Deus. d) Condenar os crentes por suas falhas.

Por que a santificação é considerada um processo contínuo? a) Porque é um processo rápido e instantâneo. b) Porque os crentes não têm a capacidade de se santificar. c) Porque os crentes precisam crescer e amadurecer espiritualmente ao longo da vida. d) Porque a santificação é uma experiência exclusiva dos líderes religiosos.

Qual é a principal influência da "Grande Nuvem de Testemunhas" mencionada em Hebreus 12.1? a) A influência de amigos próximos na vida diária dos crentes. b) A inspiração e estímulo dos exemplos de fé dos heróis mencionados em Hebreus 11. c) A influência dos líderes religiosos contemporâneos. d) A influência da cultura popular na vida dos crentes.

Qual é o objetivo principal da santificação, de acordo com a lição? a) Alcançar a perfeição humana. b) Moldar os crentes à imagem de Cristo e refletir Seu amor em todas as áreas da vida. c) Isolar os crentes do mundo. d) Garantir que os crentes tenham uma posição elevada na sociedade.

Como a santificação afeta o testemunho cristão? a) Não tem impacto no testemunho cristão. b) Fortalece a credibilidade do testemunho cristão, tornando-o mais atraente e autêntico. c) Reduz a credibilidade do testemunho cristão. d) Isola os crentes do restante da sociedade.

Qual é o papel do crente na santificação? a) O crente não tem nenhum papel na santificação. b) O crente deve cooperar com o Espírito Santo, consagrando-se e rendendo-se a Deus. c) O crente deve confiar inteiramente em sua própria capacidade para se santificar. d) O crente deve depender apenas dos líderes religiosos para ser santificado.

A cidadania e a missão na vida de santificação+

Leia: Mateus 25. 31-46.

Introdução

Antes de entrarmos em consideração quanto ao texto bíblico básico, precisamos situar o livro de Josué, para não perdermos a dimensão do todo, onde cada versículo ou capítulo ou livro precisa ter presente a mensagem central da Bíblia Sagrada: o Projeto de Deus para a salvação da humanidade. Precisamos evitar as leituras isoladas que fragmentam o texto bíblico, despistando a compreensão global da Palavra de Deus. Neste sentido é importante buscar a finalidade do texto no original: contexto, diversas re-leituras [1] já feitas e onde estamos nós hoje.

Portanto, há necessidade que o sentido do texto possa ECOAR no clamor dos que não tem seus direitos de cidadania garantidos (os sem vez e sem voz – à eles são cobrados somente os seus deveres), encontrando em nós respostas encarnadas em nossos gestos e atitudes, para que a Palavra do Deus Javé possa tornar-se humanizada e trazer a esperança do Cristo Ressuscitado, e aí então a santidade bíblica exercerá a função que lhe é própria: reformar a nação e particularmente a Igreja.

Santidade Bíblica, um questão missionária encarnada Iniciemos então percebendo como é o livro de Josué dentro do contexto da Bíblia. Ele é parte para alguns biblistas do Hexateuco, onde o processo de promessa e cumprimento da libertação definitiva ganha o clímax na conquista da terra prometida.

Para outros biblistas o livro de Josué faz parte da Obra Histórica Deuteronomista (HDta), onde vários elementos editoriais dão unidade e coesão como:

– presença ativa de profetas em momentos chave da história: Samuel e Natã – início da monarquia; Gad – origens do templo; Aías de Silo e o profeta anônimo de I Rs 13 – no momento do cisma; profeta anônimo de I Rs 20 e  Miquéias, filho de Jemla – presença do perigo arameu; e, outros: Elias, Isaías e a profetiza Hulda.

– Associação dos diferentes momentos históricos, temas e instituições, com personagens chave: a lei com Moisés; a conquista com Josué; a monarquia com Davi; e, outros.

– Além de outros elementos, podemos verificar o recurso editorial bastante repetido, que é o esquema promessa e cumprimento norteando os acontecimentos da história como a realização das promessas e predições feitas no passado [2].

Nestes aspectos que começamos a considerar o texto em foco: Josué 3. 1-7, cujo versículo chave para o nosso estudo é o verso sete, que tem como desafio: “Santificai-vos, pois amanhã o Senhor fará maravilhas no meio de nós”

[3], há perguntas que nos inquietam.

Qual o contexto que precisamos responder HOJE como Igreja? Qual a promessa que nos desafia à levar ao povo para que ele tome posse? Como podemos enquanto Igreja sermos instrumento para que o cumprimento em nossas realidades de Brasil se faça concreto como realização da Palavra de Deus?

É importante verificarmos o sentido de SANTIDADE para nós, Igreja Metodista, em nossa vocação histórica. No Plano para a Vida e Missão da Igreja – PVM, na parte que fala da Herança Wesleyana, ou seja, nos Elementos Fundamentais da Unidade Metodista, diz que “a santificação do cristão e da Igreja em direção à perfeição cristã é proclamada pelos metodistas em termos de amor a Deus e ao próximo (cf. Lc 11.25-28), e se concretiza tanto em atos de piedade (participação da Ceia do Senhor, leitura devocional da Bíblia, prática da oração, do jejum, participação nos cultos, etc… –  cf. At 2.42-47), como em atos de misericórdia (solidariedade ativa junto aos empobrecidos/ as, necessitados/ as e marginalizados/ as sociais – cf. At 2.42-47)

[4] ”.

Mas ainda fica uma pergunta: Como falar de SANTIDADE BÍBLICA, tendo como conseqüência o REFORMAR A NAÇÃO e PARTICULARMENTE A IGREJA, SE nós enquanto povos latino americanos, somos espoliados em nossos direitos básicos de existência: comida, casa, educação, roupa, … temos em nosso meio milhões de pessoas em nossos países que vivem abaixo da miséria, e os países enriquecidos, ditos agora G8, dentre eles QUATRO são considerados protestantes e dois católicos? Como falar e viver a SANTIDADE BÍBLICA, onde um dos governantes desses países enriquecidos não cumpre com um tratado de diminuição da poluição de nosso planeta terra?

QUESTÃO: Precisamos re – estabelecer uma relação nova entre MISSÃO, SANTIDADE e CIDADANIA, onde a presença do Deus Javé (cf. Js 3. 3-4) não seja somente simbólica mas real. Precisamos estabelecer em nossos Projetos de Atividades Missionárias através dos vários ministérios de nossa Igreja, a plena encarnação do Cristo Ressuscitado, ou seja, que a Palavra possa gerar vida (cf. Gn 1.3-25; Jo 1.4).

Mas então, como encarnar o Evangelho de Jesus, “pedra rejeitada que se tornou a pedra angular” (cf. At 4.11), na construção de uma nova sociedade, como sinal da presença encarnada do Reino de Deus (cf. Lc 4.18-20; Is 32. 17), para que o direito à CIDADANIA possa ser expressão de nossa santidade, que possibilite a realização da conquista de nossos direitos (cf. Js 3.7), ou seja, numa terra onde a vida pode realizar-se plenamente?

No PVM diz que:

“para que haja vida, são necessários comunhão e reconciliação com Deus e o próximo, direito à terra, habitação, alimentação, valorização da família e dos marginalizados da família, saúde, educação, lazer, participação na vida comunitária, política e artística, e preservação da natureza (cf. At 2.42; 2 Co 5. 18-20; Jo 10.10; I Jo 1.7)

[5] ”.

Já no Credo Social, outro documento importante da Igreja Metodista, destaco três dimensões que julgo significativo considerá-los em nosso estudo [6]:

1 a A reconciliação do mundo em Jesus Cristo é a fonte da justiça, da paz e da liberdade entre as nações; todas as estruturas e poderes da sociedade são chamados a participar desta nova ordem. A Igreja é a comunidade que exemplifica essas relações novas do perdão, da justiça, e da liberdade, recomendando-as aos governos e nações como caminho para uma política responsável de cooperação e paz.

2 a A reconciliação do homem e da mulher em Jesus Cristo torna claro que a pobreza escravizadora em um mundo de abundância é uma grave violação da ordem de Deus; a identificação de Jesus Cristo com os necessitados/as e os oprimidos/as, bem como a prioridade da justiça nas Escrituras proclamam que a causa dos empobrecidos/as do mundo é a causa dos seus discípulos/as.

3 a Para que uma sociedade traduza o sentido cristão de humanidade é necessário que, a par com a mudança das estruturas sociais, se processe uma transformação da mentalidade humana. O sentido cristão de humanidade só pode ser alcançado em uma sociedade na qual as pessoas tenham vida comunitária, consciência de solidariedade humana e de responsabilidade social.

E por último queremos considerar o entendimento da Igreja Metodista sobre Missão, deixando como ressalva, que precisamos no exercício de nossa participação na Missão que é de Deus, faze-la como estilo de vida.

No PVM diz que a Missão é de Deus, e o Seu Projeto no mundo é estabelecer o seu Reino. A Igreja então, fiel a Jesus Cristo, é sinal e testemunha do Reino de Deus. Para tanto, ela precisa sair de si mesma e se envolver no trabalho de Deus, na construção do novo ser humano, de uma nova sociedade e do Reino de Deus (cf. Mt 12.28). O DESAFIO da Igreja é realizar a sua tarefa de evangelização e de ação social, duas características fim da Igreja de Jesus (cf. Hb 2. 18; Lc 4. 18-20; 10. 1-12, 17-20, 25-37)

[7].

Após considerarmos o modo pelo qual a Igreja Metodista conceitua a relação entre MISSÃO, SANTIDADE e CIDADANIA, precisamos voltar ao texto de Josué 3.1-7, para verificarmos como o povo de Deus estabeleceu o processo da posse da terra.

Antes da entrada na terra prometida, o povo foi orientado para que ao assumir esta nova vida, precisavam guardar as orientações citadas em Dt 6.4-9, para que a vida então pudesse ser sempre uma resposta de amor à Deus, que se expressa em todas as relações humanas.

Os versículos de 1 à 4, nos mostram que Josué criou uma estratégia (v. 1), uma metodologia para assumir efetivamente a concretização da promessa da TERRA PROMETIDA. Existiam pessoas designadas para executarem cada tarefa – poder descentralizado, no tempo próprio (v. 2). O sentido da presença de Deus é algo marcante na vida do povo e tem toda uma espiritualidade comprometida e encarnada, que diz como o agir de suas vidas precisa acontecer (v. 4).

Conclusão

Há então um imperativo a ser seguido, sem o qual não há o compromisso da ação de Deus, encontrando em nós enquanto parceiros na promoção da vida. Por isso a relação promessa e cumprimento (cf. Gn 17.1-2) está relacionada com obediência e fidelidade, que tem como direção a memória da ação do Deus Javé através da história do Povo de Deus. Pensemos como podemos então responder hoje este imperativo: “Santificai-vos, pois amanhã o Senhor fará maravilhas no meio de nós” na dimensão de “Reformar a nação, particularmente a Igreja e espalhar a santidade bíblica”

[8].

Existem vários trabalhos que você pode fazer. Santidade é sair e envolver-se concretamente com as pessoas e a sociedade. É encarnar-se.

Colocando em prática: Procure em seu bairro se existem iniciativas de trabalho junto aos/ as excluídos/ as – sopão solidário; cooperativa com papel, latas, plásticos reciclados; envolvimento com trabalho de preservação ambiental; participação nos Conselhos Municipais ou Estaduais da Saúde, de Crianças, e outros; a comunidade ser um espaço de discussão de combate à violência; Teatro para criança e adolescente com mensagem que busque trabalhar a consciência libertadora do Cristo Encarnado e Ressurreto; Palestras nas escolas sobre drogas…; e outras iniciativas que demonstre o agir encarnado do Deus JAVÉ.

Objetivo:

Entender a dimensão da espiritualidade metodista na prática da cidadania, á luz da doutrina da santificação.

Leituras Bíblicas:      2 a feira – Lucas 10.25-37; 3 a feira – Isaias 58; 4 a feira – Salmo 146; 5 a feira – Levítico 25. 8-17; 6 a feira – Levítico 25.23-31; Sábado – Levítico 25. 35-43; e, Domingo – Mateus 25. 31-46.

Sugestões Bibiográficas:

1. BONINO, José Miguez e outros, Luta pela vida e Evangelização, São Paulo/ Piracicaba: Edições Paulinas/ UNIMEP, 1985.

2. COLÉGIO EPISCOPAL, Como criar e desenvolver o Ministério de Ação Social na Igreja Local, Rio de Janeiro: Reproarte, 2000 3. COLÉGIO EPISCOPAL, “Credo Social” in Cânones da Igreja Metodista, São Paulo: Editora Cedro, pp.

45-57, 2001.

4. COLÉGIO EPISCOPAL, “Plano para a Vida e Missão da Igreja” in Cânones da Igreja Metodista, São Paulo: Editora Cedro, pp. 71-109, 2001.

5. DOBBERAHN, Friedrich E., Os Marginalizados, Estudos Bíblicos no. 27, São Bernardo do Campo/ São Leopoldo/ Petrópolis: Imprensa Metodista/ Editora Sinodal/ Vozes, 1990.

6. SILVEIRA NETO, Heitor Amílcar (Editor Executivo) – Declaração Universal dos Direitos Humanos, 50 anos, Piracicaba: Editora UNIMEP, 1998.

Sugestões Metodológicas 1. Procurar em sua cidade, se há algum vídeo sobre trabalhos comunitários. Ex. Trabalhos de Cooperativas Comunitárias, Filme Mudança de Hábito 1 e outros.

2. Antes de iniciar o seu estudo, peça aos seus alunos ou alunas, que escrevam numa folha que você deve distribuir, quais são as suas ações concretas em seu dia-a-dia, que possam demonstrar o amor de Deus através de sua vida. Compartilhem os seus escritos.

3. Peça aos seus alunos e alunas que desenhem situações em que haja um clamor para que a vida de Jesus seja atuante através de sua Igreja. Depois partilhe o sentimento que levou vocês a desenhar tal situação.

4. Peça os seus alunos e alunas que façam destaque do textos bíblicos lido durante a semana, e que através deles apresentem propostas de ações que eles possam realizar para que a Santidade Bíblica seja concreta, na dimensão de Reformar a Nação e Particularmente a Igreja.

[1]

Várias leituras que já foram feitas do texto, a partir de vários métodos: histórico-crítico, leitura popular da bíblia, sociológica e outras, especialmente as que são feitas em nossa América Latina.

[2]

LAMADRID, Antonio González, As tradições históricas de Israel, Petrópolis: Editora Vozes, 2001, pp. 19-20.

[3]

CALACHE, Gabriel C. (Editor) – Bíblia Tradução Ecumênica, 2 a edição, São Paulo, Edições Loyola, 1995.

[4]

COLÉGIO EPISCOPAL, Cânones da Igreja Metodista, São Paulo: Editora Cedro, pp. 74-75.

[5]

COLÉGIO EPISCOPAL, idem, idem, p. 86.

[6]

COLÉGIO EPISCOPAL, idem, idem, pp. 49-50, 53.

[7]

COLÉGIO EPISCOPAL, idem, idem, pp. 78, 80.

[8]

Afirmação de João Wesley – COLÉGIO EPISCOPAL, idem, idem, p. 76.

Jesus, modelo e fonte da santidade (texto ampliado)+

Por Bispo Ildo Mello

Chamados à santidade

Jesus iniciou o seu ministério conclamando os homens ao arrependimento (Mt 3.8). Em seu primeiro, maior e mais famoso discurso, Jesus ensina os elevados padrões de santidade que devem nortear a conduta cristã (Mt 5-7). Temos ali, muitas exortações, entre elas: “Não vos assemelheis a eles” (Mt 6.8)… mas, “Sede, pois, perfeitos como é perfeito o vosso Pai Celeste” (Mt 5.48).

Esta chamada à santidade é algo muito claro, forte e recorrente na Escrituras Sagradas: “Sede santos porque eu sou santo” (1Pe 1.16); E esta nossa vocação é reiterada pelo Apóstolo Paulo: “Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1Ts 4,3); “Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação” (1Ts 4.7). Paulo afirma que Jesus deu a sua vida para promover não apenas a nossa salvação, mas também a nossa santificação (Ef 5.25-26).

Então, o crente não deve se conformar com o mundo (Rm 12.1-2), não deve manchar as suas roupas com a imundícia do pecado (Ap 3.4), mas deve ser santo em todo o seu procedimento (1 Pe 1.13-16), deve ser obediente e fiel até a morte (Ap 2.10; 26; Gl 6.9). Pois sem santidade não há salvação (Hb 12.14). Sem vida com Deus aqui, não haverá vida com Deus no céu (1 Ts 4.7-8). Sem santidade na terra não há glória no céu (Ap 3.2-5).

Não basta estar, é preciso permanecer e também frutificar. O ramo que não produz o devido fruto está prestes a ser cortado e lançado fora (Jo 15.2), e o crente morno corre o risco de ser vomitado (Ap 3.16), pois de Deus não se zomba, aquilo que o homem plantar, isto mesmo ele irá colher (Gl 6.7). Cuidado para que “ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus” (Hb 12.15). Os apóstolos expressamente advertem que os que cultivam um estilo de vida pecaminoso não herdarão o Reino dos céus (Gl 5.21). O nascido de Deus não pode viver na prática do pecado (1Jo 5.18). “Se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados” (Hb 10.26). Ao povo escolhido, Deus adverte: “Riscarei do meu livro aquele que pecar contra mim” (Ex 32.33). Portanto, somos exortados a mortificarmos os desejos pecaminosos pois eles nos colocam sob a condenação de Deus (Cl 3.5-6). Sendo assim, “purifiquemo-nos de toda imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus” (2Co 7.1), “Agora, libertos do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna” (Rm 6.22).

Por esta mesma razão é que o Apóstolo Paulo exorta: “Examinem-se para ver se vocês estão na fé; provem-se a si mesmos. Não percebem que Cristo Jesus está em vocês? A não ser que tenham sido reprovados” (2Co 13.5). E João escreveu seu livro para levar certeza para os salvos, afirmando existirem frutos como evidência da salvação: “Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos aos irmãos. Quem não ama permanece na morte” (1Jo 3.14); A fé salvadora é aquela que opera por meio do amor (Gl 5.6), pois a “fé sem obras é morta” (Tg 2.26); crentes sem frutos não encontram base para segurança da sua salvação (Jo 15.2). Temos que entender que a natureza da salvação não se resume a justificação, mas também inclui regeneração, santificação e, por fim, glorificação.

Jesus, modelo de santidade

O chamado para partilhar da comunhão e da amizade com Deus é o fundamento para uma vida de santidade. Pois somos naturalmente influenciados por aqueles com quem passamos a conviver. O texto de Marcos 3.14 nos ensina que, em primeiro lugar, os discípulos foram chamados para estarem com Jesus e não para fazerem qualquer outra coisa.

Os discípulos admiravam a Jesus e naturalmente queriam ser parecidos com ele. Não devemos subestimar o poder de tal estímulo e identificação. Se o convívio com pessoas admiráveis realmente causa um grande impacto na vida do admirador, o que dizer, então, do poder de atração do carisma do Deus encarnado?

É natural do ser humano a busca de ídolos com quem possa se identificar. Isto começa na infância e costuma seguir por toda a vida. Enquanto, heróis humanos acabam desapontando com o passar do tempo, Jesus, ao contrário, jamais decepciona. Jesus é o protótipo do verdadeiro homem. Nele, podemos e devemos nos inspirar.

Jesus, fonte de santidade

Ser como Cristo é uma tarefa humanamente impossível. Mas, “o que é impossível para os homem é possível para Deus” (Mc 10.27)! Jesus não apenas é modelo de santidade, como também é a própria fonte dela (Ez 36.26-27). Ele é ao mesmo tempo o alvo e o caminho (Jo 14.6)! Santidade não é uma obra da carne, mas do Espírito (Gl 5.16)!

A santificação é obra de Deus em nós

Jesus não apenas nos chama à uma vida de santidade, mas também nos capacita (Ez 36.26-27). “Porque Deus é quem opera em nós tanto o querer como o realizar” (Fp 2.13). Jesus não apenas realizou uma obra a favor de nós, mas também opera uma obra dentro de nós (Tt 3.5)! Jesus não apenas perdoa pecados, mas também transforma vidas (Rm 5.8). Jesus transformou pescadores comuns em pescadores de homens (Mt 4.18-20). Transformou Simão em Pedro, Saulo em Paulo. Pois Jesus não apenas justifica, mas também regenera (2Co 5.17). Não apenas nos declara santos, mas também nos torna santos (Jo 15.3). Não apenas nos livra da condenação do pecado, mas também nos livra do domínio do pecado (Rm 6.14). Não apenas é Salvador, mas também é Senhor (Rm 10.9; Fl 2.10-11; 1Tm 6.15; Tg 4.7). Não apenas nos convida a crer, mas também nos conclama ao arrependimento (Mt 3.8; 4.17; Mc 1.15; Lc 13.3). Pois, não basta apenas crer, é necessário obedecer (Ef 5.6; 6.6; 1Jo 3.6, 24). Não basta ser crente, é necessário ser discípulo (Mc 8.34; Lc 9.23; Mt 28.19). Não basta receber o amor, é necessário amar (1Jo 3.16, 23). Porque os que conhecem verdadeiramente a Deus são os que o amam (1Jo 4.8), e os que o amam, verdadeiramente lhe obedecem (Jo 14.21). De modo que não basta apenas receber o perdão, é necessário perdoar (Mt 6.14-15), pois os que são objetos do seu perdão devem também se tornar perdoadores, sob o risco de terem o perdão de seus pecados cancelados pelo Supremo Credor (Mt 18.23-34).

Contamos também com a graça do seu Espírito regenerador que nos torna participantes da natureza divina e nos capacita para um viver condizente com o sublime nome que carregamos (1 Pe 1.23). “Deus nos concedeu todas as condições necessárias para a vida e a piedade” (2Pe 1.3); para vivermos como filhos de Deus, e para “escaparmos da corrupção deste mundo” (2 Pe 1.4). Jesus não apenas nos exorta a sermos santos (Mt 5.48), mas também nos capacita. Recebemos um novo coração (Ez 36.26), a mente de Cristo (1Co 2.16) e toda a armadura de Deus (Ef 6.10-13) para vencermos o mal (2Co 10.4) e vivermos de modo digno do Evangelho (Fl 1.27). Portanto, assim como faz cair a chuva, propiciando por sua graça as condições necessárias para que a terra produza os seus frutos (Hb 6.7), Deus já nos deu tudo de que precisamos para um novo viver.

Sendo assim, o trabalho de Deus a nosso favor e em nós deve ser a base e o incentivo para o nosso próprio esforço para o crescimento espiritual. Deus nos deu graça e todas as condições para a vida e a piedade (2 Pe 1.3), “por isso” devemos nos esforçar para cumprir a nossa parte (2Pe 1.5). Paulo ensinou o mesmo a Igreja de Corinto, quando lhes disse: “Caríssimos, já que temos tais promessas, vamos purificar-nos de toda mancha do corpo e do espírito. E levemos a cabo a nossa santificação no temor de Deus” (2 Co 7.1).

Assim, compreendemos melhor o que Jesus quis dizer com a frase: “…o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele” (Mt 11.12) e também o que está registrado em Lucas 13.23-30 “E alguém lhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos? Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão”. Jesus advertiu a seus discípulos dizendo: “Se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus (Mt 5.20). “Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” (Fl 2.12), pois “…de Deus somos cooperadores” (1Co 3.9). “Empenhem-se para serem encontrados por ele em paz, imaculados e inculpáveis” (2Pe 3.14). “Não sabeis que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? correi de tal maneira que o alcanceis” (1Co 9.24,25).

Portanto, a santificação é um processo contínuo (Fp 3.12) que começa na regeneração (Tt3.5) e é incrementada através de outras experiências marcantes com o Espírito de Deus como também por experiências cotidianas de renovada consagração e plenitude do Espírito (Ef 5.18), até que todos cheguemos à medida da estatura completa de Cristo (Ef 4.13).

Somente revestidos de toda a armadura de Deus é que somos capazes de vencer as tentações do maligno (Ef 6.11-13). ” Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo” (2 Co 10.4-5). Portanto, é possível andarmos no Espírito de modo a jamais satisfazermos as concupiscências da carne (Gl 5.16). Ciente desta verdade é que o Apóstolo João afirma: ” Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca” (1 Jo 5.18). E o Apóstolo Paulo afirma o mesmo quando diz: ” Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscência” (Rm 6.12).

Portanto, as exortações de Cristo e de seus apóstolos são para que vivamos uma vida de vitória sobre o pecado. O pecado não deve ser a norma do cristão, embora possa vir a acontecer excepcionalmente: ” Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 Jo 2.1). A graça de Jesus continua operando tanto para o perdão dos pecados como também para a purificação dos corações dos filhos de Deus! (1 Jo 1.9).

Cuidado com o legalismo

Mas, precisamos tomar cuidado para não cair no legalismo que leva ao orgulho espiritual e produz apenas santidade exterior, cristãos de fachada, sepulcros caiados. A santidade é produto da graça, é fruto do Espírito, de modo que não temos do que nos gabar. A santidade é humilde e misericordiosa, é mansa e pacífica, é compassiva e sofredora como bem ensinou Jesus no início do Sermão do Monte (Mt 5.1-12). A santidade não nos coloca acima dos fracos, mas a serviço deles. Não nos faz sentir superiores, mas servos. A santidade não é elitista, pois é solidária. Ela não nos afasta das pessoas, mas nos aproxima delas. Não é cheia de condenação, antes, é repleta de compaixão. A santidade é amor!

O caminho da santidade não está no estabelecimento dos limites e regras, pois a tendência humana é a de caminhar na direção para onde os seus olhos estão apontados. Por exemplo, o motorista experiente não fica de olho na margem externa de uma curva acentuada tentando se manter distante dela, mas, sim, fixa os olhos na margem interna procurando manter-se próximo a ela.

Assim também acontece na vida cristã, pois, se fixarmos os olhos naquelas coisas que devemos evitar, vamos acabar sendo atraídos por elas. Mas, se, ao invés disto, nós passarmos a nos preocupar mais em estar mais perto de Cristo, naturalmente estaremos nos afastando do pecado, pois quanto mais perto de Jesus, mais distante nos encontraremos do mal. Eis aí o caminho para uma vida santa! Tendo sempre a Jesus como o alvo, o caminho, a verdade e a vida!

Bispo Ildo Mello

A Doutrina da Santificação+

Por José Ildo Swartele de Mello

Chamados à santidade

Deus nos chama à santidade: “Sede santos porque eu sou santo” (1Pe 1.16); E esta nossa vocação é reiterada pelo Apóstolo Paulo: “Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1Ts 4,3); “Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação” (1Ts 4.7). Paulo afirma que Jesus deu a sua vida para promover não apenas a nossa salvação, mas também a nossa santificação (Ef 5,25-26).

Jesus não apenas perdoa pecados, mas também transforma vidas (Rm 5.8). Jesus transformou pescadores comuns e m pescadores de homens (Mt 4.18-20). Transformou Simão em Pedro, Saulo em Paulo. Pois Jesus não apenas justifica, mas também regenera (2Co 5.17). Não apenas nos declara santos, mas também nos torna santos (Jo 15.3, Tt 3.5). Não apenas nos livra da condenação do pecado, mas também nos livra do domínio do pecado (Rm 6.14). Não apenas é Salvador, mas também é Senhor (Rm 10.9; Fl 2.10-11; 1Tm 6.15; Tg 4.7). Não basta ter fé, é necessário o arrependimento (Mt 3.8; 4.17; Mc 1.15; Lc 13.3). Não basta apenas crer, é necessário obedecer (Ef 5.6; 6.6; 1Jo 3.6, 24). Não basta ser crente, é necessário ser discípulo (Mc 8.34; Lc 9.23; Mt 28.19). Não basta receber o amor, é necessário amar (1Jo 3.16, 23). Não basta apenas receber o perdão, é necessário perdoar ( Mt 6.14-15). Pois os que conhecem verdadeiramente a Deus são os que o amam (1Jo 4.8), e os que o amam, verdadeiramente lhe obedecem (Jo 14.21), pois os que são objetos do seu perdão devem se tornar perdoadores, sob o risco de terem o perdão de seus pecados cancelados pelo Supremo Credor (Mt 18.23-34).

Então, o crente não deve se conformar com o mundo (Rm 12.1-2), não deve manchar as suas roupas com a imundícia do mundo (Ap 3.4), mas deve ser santo em todo o seu procedimento (1 Pe 1.13-16), deve ser obediente e fiel até a morte (Ap 2.10; 26; Gl 6.9). Pois sem santidade não há salvação (Hb 12.14). Sem vida com Deus aqui, não haverá vida com Deus no céu (1 Ts 4.7-8). Sem santidade na terra não há glória no céu (Ap 3.2-5). Não basta estar, é preciso permanecer e também frutificar. O ramo que não produz o devido fruto está prestes a ser cortado e lançado fora (Jo 15.2), e o crente morno será vomitado (Ap 3.16), pois de Deus não se zomba, aquilo que o homem plantar, isto mesmo ele irá colher (Gl 6.7). Cuidado para que “ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus” (Hb 12.15). Os apóstolos expressamente advertem que os cultivam um estilo de vida pecaminoso não herdarão o Reino dos céus (Gl 5.21). O nascido de Deus não pode viver na prática do pecado (1Jo 5.18). “Se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados” (Hb 10.26). Ao povo escolhido, Deus adverte: “Riscarei do meu livro aquele que pecar contra mim” (Ex 32.33). Portanto, somos exortados a mortificarmos os desejos pecaminosos pois eles nos colocam sob a condenação de Deus (Cl 3.5-6). Sendo assim, “purifiquemo-nos de toda imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus” (2Co 7.1), “Agora, libertos do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna” (Rm 6.22).

Por esta mesma razão é que o Apósto Paulo exorta: “Examinem-se para ver se vocês estão na fé; provem-se a si mesmos. Não percebem que Cristo Jesus está em vocês? A não ser que tenham sido reprovados” (2Co 13.5). E João escreveu seu livro para levar certeza para os salvos, afirmando que existem frutos como evidência para a salvação: “Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos aos irmãos. Quem não ama permanece na morte” (1Jo 3.14); A fé salvadora é aquela que opera por meio do amor (Gl 5.6), pois a “fé sem obras é morta” (Tg 2.26); crentes sem frutos não encontram base para segurança da sua salvação (Jo 15.2). Temos que entender que a natureza da salvação não se resume a justificação, mas também inclui regeneração, santificação e, por fim, glorificação.

Capacitados à santidade

O Espírito Santo nos regenera para um novo viver (1Pe 1.23; Tt 3.5). Jesus não apenas nos exorta a sermos santos (Mt 5.48), mas também nos capacita. Temos recebido da parte de Deus todas as condições necessárias para vivermos em santidade (2Pe 1.3; Ef 1.3). Recebemos um novo coração (Ez 36.26), a mente de Cristo (1Co 2.16) e toda a armadura de Deus (Ef 6.10-13) para vencermos o mal (2Co 10.4) e vivermos de modo digno do Evangelho (Fl 1.27).

Portanto, o trabalho de Deus a nosso favor e em nós deve ser a base e o incentivo para o nosso próprio esforço para o crescimento espiritual. Deus nos deu graça e todas as condições para a vida e a piedade (2 Pe 1.3), “por isso” devemos nos esforçar para cumprir a nossa parte (2Pe 1.5). Paulo ensinou mesmo a Igreja de Corinto “Caríssimos, já que temos tais promessas, vamos purificar-nos de toda mancha do corpo e do espírito. E levemos a cabo a nossa santificação no temor de Deus” (2 Co 7.1). Assim, compreendemos melhor o que Jesus quis dizer com a frase: “…o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele” (Mt 11.12) e também o que está registrado em Lucas 13.23-30 “E alguém lhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos? Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão”. Jesus advertiu seus discípulos dizendo: “Se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus (Mt 5.20). “Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” (Fl 2.12), pois “…de Deus somos cooperadores” (1Co 3.9). “Empenhem-se para serem encontrados por ele em paz, imaculados e inculpáveis” (2Pe 3.14). “Não sabeis que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? correi de tal maneira que o alcanceis” (1Co 9.24,25).

As dimensões da santidade

Tradução de José Ildo Mello, a partir do original em inglês publicado em holinessandunity.org.

A santidade tem várias dimensões. Dentro de cada dimensão existem realidades contrastantes. É importante abraçar os dois elementos de cada lado, a fim de experimentar e praticar a santidade na sua plenitude.

Individual e corporativa: Nós somos chamados a ser pessoas santas individualmente e para ser um povo santo corporativamente. O aspecto social da santidade, que é proeminente nas Escrituras, precisa ser novamente  enfatizado nos dias de hoje.

Centrada em Cristo e centrada no Espírito Santo: o trabalho do Espírito Santo em nós leva a conformidade com a pessoa de Jesus Cristo. Um não deve ser expresso sem o outro.

Desenvolvimento e Fim: O ensino sobre o desenvolvimento da vida cristã deve ter como propósito final levar o cristão a ser semelhante a Cristo.

Crise e Processo: Uma obra definitiva da graça de Deus em nossos corações e a nossa constante cooperação com sua graça devem ser igualmente enfatizados.

Bênçãos e Sofrimentos: A plena união com Jesus Cristo traz muitas bênçãos, mas também nos torna participantes de seus sofrimentos.

Separação e Encarnação: Os santos de Deus estão, mas não são do mundo. Santidade requer tanto  separação e redenção, reconciliação e engajamento restaurador.

Forma e Essência: Santidade sempre se expressa em formas específicas, que são as maneiras pelas quais ela é traduzida em vida e ação. Mas as formas não devem ser confundidas com a essência da própria santidade.

A essência da santidade

A essência da santidade é que Deus é santo e nos chama a ser um povo santo. O desafio é refletir Jesus Cristo de uma forma relevante e contextual que transcenda as barreiras sociais e as diversidades culturais. Habitado e fortalecido pelo Espírito Santo, o povo santo deve viver e amar como Jesus Cristo. Andando intimamente com ele, devemos transbordar em compaixão em defesa daqueles a quem Deus ama.

Santidade convida à unidade

Embora as diferenças têm levado a uma fragmentação nas igrejas, santidade convida à unidade. Deus quer nos curar, promovendo integração do indivíduo, da família, da igreja e de toda a sociedade. O impacto da santidade ultrapassa as fronteiras da tradição, da teologia, do gênero, das etnias e do tempo, afetando positivamente as pessoas e as estruturas institucionais. A cura resultante une todos os cristãos plenamente, que podem testemunhar assim de seu crescimento na semelhança de Cristo. A mensagem de santidade envolve conversação e envolvimento com os outros.

Santidade e cultura

O povo santo deve transmitir a mensagem de santidade dentro de várias culturas. Cultura afeta a mensagem de santidade e de igrejas porque somos seres humanos que vivemos em sociedade. A cultura nos desafia a mediar a santidade de maneira relevante, mas sem perder a integridade da mensagem.

Santidade e comunidade

Santidade individual e corporativa exige que as comunidades de fé desenvolvam estruturas organizacionais, processos e conteúdos que promovam a obediência radical a Jesus Cristo. A Santidade não se desenvolve através do distanciamento de outros crentes e comunidades de fé, precisamos uns dos outros.

Santidade e preocupação social

O compromisso social é uma expressão essencial da encarnação da santidade pessoal e social. Inclui ministério entre os pobres e marginalizados. Santidade requer uma resposta às necessidades mais profundas e urgentes do mundo. O engajamento social é a continuidade do trabalho de Jesus Cristo, através da Igreja pelo Espírito Santo para o mundo.

Como ensinar a santidade

Os cristãos vivem em ambientes de mudança de linguagem. Eles devem comunicar uma mensagem de santidade de maneira clara, relevante e cativante. A mensagem de santidade, muitas vezes, foi comunicada com os termos e paradigmas que não são compreendidos hoje.

O caminho para uma vida santa+

O caminho para uma vida santa

O chamado para partilhar da comunhão e da amizade com Deus é o fundamento para uma vida de santidade. Pois somos naturalmente influenciados por aqueles com quem passamos a conviver. O texto de Marcos 3.14 nos ensina que, em primeiro lugar, os discípulos foram chamados para estarem com Jesus e não para fazerem qualquer outra coisa.

O caminho da santidade não está no estabelecimento dos limites e regras, pois a tendência humana é a de caminhar na direção para onde os seus olhos estão apontados. Por exemplo, o motorista experiente não fica de olho na margem externa de uma curva acentuada tentando se manter distante dela, mas, sim, fixa os olhos na margem interna procurando manter-se próximo a ela.

Assim também acontece na vida cristã, pois, se fixarmos os olhos naquelas coisas que devemos evitar, vamos acabar sendo atraídos por elas. Mas, se, ao invés disto, nós passarmos a nos preocupar mais em estar mais perto de Cristo, naturalmente estaremos nos afastando do pecado, pois quanto mais perto de Jesus, mais distante nos encontraremos do mal. Eis aí o caminho para uma vida santa!

Por Bispo Ildo Mello, baseado na palestra que Dr. Kevin Manoia deu aos pastores metodistas livres no dia 27 de Maio de 06. Ele foi um dos principais líderes do Projeto de Estudo de Santidade que envolveu várias denominações evangélicas. Este projeto buscou articular uma declaração contemporánea sobre a santidade para a missão futura da igreja, produzindo assim um “Manifesto de Santidade”

Manifesto de Santidade

Projeto de Estudo Wesleyano e de Santidade, Azusa, Califórnia, Fevereiro de 2006.

A crise que enfrentamos

Nunca houve um tempo com maior necessidade por uma articulação autêntica e motivadora da mensagem da santidade. Pastores e líderes em todos os níveis eclesiásticos chegaram a um impasse em sua procura por formas de revitalizar suas congregações e denominações. O que fazemos não dá resultados. A membresia das igrejas de todas as tradições estabilizou-se. Em muitos casos as igrejas têm sua membresia em queda. Não temos sequer atingido o crescimento vegetativo, ao comparar com o crescimento vegetativo da população dos Estados Unidos da América. O zelo e a energia das igrejas tem sido empregados na busca incessante por um método melhor, uma moda passageira, uma visão mais recente e melhor para desencadear o crescimento. Nesse processo para descobrir um método mágico para termos igrejas vibrantes, saudáveis e crescentes, nosso povo tornou-se altamente ineficaz e cativo de um cristianismo genérico que resultou em congregações que não se distinguem da cultura que as circundam. As igrejas precisam de uma mensagem autêntica e clara que substituirá o “santo graal” de métodos como o foco de nossa missão. Nossa mensagem é nossa missão!

Além do mais temos sido inundados por líderes que se tornaram prisioneiros de uma mentalidade de sucesso numérico e influência programática. Eles se tornaram tão preocupados sobre “como” eles administram a igreja que negligenciaram um aspecto mais importante de “o que” a igreja declara. Nós inundamos o “mercado” com esforços metodológicos para fazer a igreja crescer. Neste processo, nossos líderes perderam a capacidade de liderar. Eles não conseguem liderar porque não tem nenhuma mensagem autêntica para transmitir, nem uma visão autêntica de Deus, nem uma compreensão transformadora da alteridade de Deus. Eles sabem disto e desejam encontrar o poder centralizador de uma mensagem que faça a diferença. Mais que nunca desejam banhar-se em uma profunda compreensão do chamado de Deus pela santidade – vida transformada. Estão cansados de confiarem em métodos. Querem uma missão. Querem uma mensagem!

As pessoas hoje estão buscando um futuro sem terem uma memória espiritual. Eles suplicam por uma palavra generosa e integrativa de cristãos que faça sentido e faça a diferença. Se Deus será relevante para as pessoas, temos a responsabilidade de tornar isso claro a eles. Nós temos de nos livrarmos de nossa obsessão por uma linguagem verborrágica, expectativas embaraçosas e padrões intransigentes. Qual o âmago, o centro, a essência do chamado de Deus? Esta é nossa mensagem e esta é nossa missão!

As pessoas nas igrejas estão cansadas das nossas mesquinhas linhas de demarcação que criam artificialmente compartimentos, denominações e divisões. Estão cansadas de construírem instituições. Anseiam por uma mensagem clara e articulada que transcenda a institucionalização e os conflitos entre os seguidores de Jesus Cristo. Estão embaraçadas pela mentalidade corporativista das igrejas que defendem pedaços do evangelho como se a elas pertencessem. Querem conhecer o poder unificador e transformador de Deus. Querem ver a impressionante santidade de Deus, que nos compele à unidade na qual testemunhamos seu poder. As pessoas aceitam o fato de que nem todos nós seremos semelhantes; haverá diversidade. Mas querem ter a certeza que qualquer que seja a igreja ou líder, saibam que somos um – unidos pelo santo caráter de Deus que nos dá toda a vida e amor. Querem uma mensagem que seja unificadora. A única mensagem que pode fazer isto vem da natureza de Deus, que é unidade na diversidade.

Portanto, neste momento crítico, emitimos este novo foco na santidade tendo em vista o bem estar da Igreja. Em nosso ponto de vista, este foco é o coração das Escrituras no que diz respeito à existência dos cristãos através dos tempos – e claramente para o nosso tempo.

A mensagem que temos

Deus é santo e nos chama a sermos um povo santo.

Deus, que é santo, tem um amor abundante e fiel por nós. O santo amor de Deus nos é revelado na vida e ensinamentos, morte e ressurreição de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Deus continua a agir, dando vida, esperança e salvação através da habitação do Santo Espírito, conduzindo-nos à vida santa e amorosa de Deus. Deus nos transforma, livrando-nos do pecado, idolatria, servidão e egoísmo para amarmos e servirmos a Deus, aos outros e para sermos mantenedores da criação. Portanto, nós somos renovados à imagem de Deus como revelada em Jesus Cristo.

Separado de Deus, ninguém é santo. Os santos são separados para o propósito de Deus no mundo. Capacitados pelo Espírito Santo, os santos vivem e amam como Jesus Cristo. A santidade é tanto um dom quanto uma resposta renovadora e transformadora, pessoal, comunitária, ética e missionária. Os santos de Deus seguem a Jesus Cristo ao engajarem-se nas culturas do mundo e trazerem os povos a Deus.

Os santos não são legalistas ou julgadores. Não buscam um estado privado e exclusivo de serem melhores que os outros. Santidade não é ausência de falha, mas o preenchimento com a vontade de Deus para nós. A busca pela santidade não deve cessar nunca, pois o amor de Deus não se extingue.

Deus quer que sejamos, pensemos, falemos e agimos no mundo à maneira de Cristo. Convidamos a todos a abraçarem o chamado de Deus a:

Ser preenchido pela completude de Deus em Jesus Cristo – Espírito Santo, colaboradores consagrados pelo Reino de Deus; Viver uma vida devota, pura e reconciliada, sendo desta forma agentes transformadores de Jesus Cristo no mundo; Viver como um povo fiel da aliança, construindo comunidades responsáveis, crescendo em Jesus Cristo, corporificando o Espírito das leis de Deus em uma vida santa; Exercitar, para o bem comum, uma gama eficaz de ministérios e chamados, de acordo com a diversidade de dons do Espírito Santo; Praticar a compaixão através dos ministérios, a solidariedade com o pobre, advogar a causa da igualdade, justiça, reconciliação e paz; e Cuidar da terra, o dom de Deus confiado a nós, trabalhando com fé, esperança e confiança pela cura e cuidado por toda a criação.

Pela graça de Deus, comprometamo-nos juntos a sermos um povo santo.

As ações que tomamos

Que este chamado nos impulsione a levantarmos a visão bíblica da missão cristã:

  • Preguemos a mensagem transformadora da santidade
  • Ensinemos os princípios do amor e do perdão de Cristo
  • Vivamos vidas que reflitam a Jesus Cristo
  • Lideremos um engajamento com as culturas do mundo
  • e Partilhemos com outros para multiplicarmos seu efeito pela reconciliação de todas as coisas

Para isso vivemos e trabalhamos pela glória de Deus.

Quem assina o manifesto

Comitê Diretivo David Bundy—Pentecostal Lisa Dorsey—Escudo da Fé Donald Thorsen—Metodista Livre Bill Kostlevy—Secretary—Metodista Unido Kevin Mannoia—Chair—Metodista Livre Participantes do Projeto Henry Alexander—Escudo da Fé Perry Engle—Irmãos em Cristo Jesse Middendorf — Nazareno Thomas Noble — Nazareno Diane Leclerc — Nazareno Jonathon Raymond—Exército de Salvação George McKinney—Igreja de Deus em Cristo Greg Dixon—Igreja de Deus (Anderson)

Lyell Rader—Exército de Salvação Roger Green-Exército de Salvação David Kendall—Metodista Livre Doug Cullum-Metodista Livre Howard Snyder-Metodista Livre James Leggett—Internacional Pentecostal de Santidade Lynn Thrush—Irmãos em Cristo Ron Duncan—Igreja de Deus (Anderson)

Tim Erdel—Igreja Missionária Barry Callen—Igreja de Deus (Anderson)

David Winn—Igreja de Deus (Anderson)

Doretha O’Quinn — Evangelho Quadrangular John Hatcher — Evangelho Quadrangular Steve Schell — Evangelho Quadrangular David Shrout—Igreja de Deus (Anderson)

Jim Adams — Evangelho Quadrangular Doug O’Brien—Exército de Salvação Brian Hartley—Metodista Livre Ric Gilbertson—Aliança Cristã e Missionária Bernie Van De Walle—Aliança Cristã e Missionária Franklin Pyles—Aliança Cristã e MissionáriaDoug Beacham—Internacional Pentecostal de Santidade John Huntzinger — Evangelho Quadrangular Donald Dayton — WesleyanaCraig Keen — Nazareno Copyright © 2006 Christianity Today.

A Palavra e o Avivamento – A Igreja Precisa de Uma Nova Reforma!+

“A Palavra de Deus é viva e eficaz!”(Hb 4.12).

A Palavra de Deus cria a vida

Tudo o que existe foi criado por meio da Palavra de Deus. Antes de cada etapa da criação temos a expressão “Disse Deus” (Gn 1). “Pela palavra do SENHOR foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da sua boca” (Sl 33.6).

A Palavra de Deus renova a vida

A vida surge da Palavra e também é renovada a partir da mesma Palavra de Deus. “Vivifica-me Segundo a tua Palavra!” (Sl 119.25). Os avivamentos genuínos são produtos de um retorno às Escrituras Sagradas.

A Palavra comunica o Espírito Santo

O Espírito Santo é o Espírito da Palavra de Deus: “recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?” (Gl 3.2). “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa”(Ef 1.13).

A Palavra é a Espada do Espírito

“Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus”(Ef 6.17)

A Palavra produz plenitude do Espírito

Para o Apóstolo Paulo, plenitude do Espírito é sinônimo de plenitude da Palavra. Em textos paralelos, ele substitui a expressão “Enchei-vos do Espírito”(Ef 5.18) pela que diz: “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente” (Co 3.16). Reparar que o restante do contexto permanece basicamente o mesmo em ambos os textos.

A palavra de Deus transmite fé

A fé também vem pela Palavra. “De sorte que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10.17). “A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos” (Rm 10.8).

A Palavra de Deus salva

“recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar as vossas almas”(Tg 1.21). “E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus” (2 Tm 3.15). “Porque não me envergonho do Evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego” (Rm 1.16). O diabo sabe do poder salvador da Palavra, de modo que vive procurando tirá-la do coração humano: “E os que estão junto do caminho, estes são os que ouvem; depois vem o diabo, e tira-lhes do coração a palavra, para que não se salvem, crendo” (Lc 8.12).

A Palavra de Deus regenera

”ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas”(Tg 1.18); e “ sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre” (1 Pe 1.23).

A Palavra de Deus santifica

“vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado”(Jo 15.3); e “Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra,”(Ef 5.26).

A Palavra de Deus é libertadora

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8.32).

A Palavra de Deus produz avivamentos

Os avivamentos nasceram da Palavra

Os avivamentos registrados na Bíblia se deram a partir da Palavra de Deus:

A fé de Elias foi avivada pelo cumprimento em seus dias (1 Rs 16.34) de uma Palavra Bíblica registrada em Josué 6.26. É meditando nas Escrituras que ele encontra discernimento e coragem para se apresentar diante do Rei Acabe para dizer: “tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos” (1 Rs 17.1). A confiança de Elias está pautada nas Escrituras de Deuteronômio 11.16-17. Elias orou com instância para que não chovesse (Tg 5.17), pois, de acordo com a profecia de Moises, a idolatria promovida por Acabe não poderia ficar impune (Dt 11.16-17). A oração de Elia foi a do tipo “Faze Senhor como prometeste!”(2 Sm 7.25). Vemos, portanto, que o segredo da imensa fé e do ministério profético de Elias residem em sua confiança na Palavra de Deus.

Nos dias do Rei Josias houve um grande avivamento espiritual cujo estopim foi o achado das Escrituras Sagradas (2 Cr 34.14). E o avivamento nos dias de Esdras e Neemias se deu ao redor da Palavra que era lida e explicada todas as manhãs, produzindo arrependimento e despertamento espiritual (Ne 8 – 9).

A Reforma Protestante também aconteceu através de uma redescoberta da verdade do Evangelho. Foi através da leitura das Escrituras que o Padre Lutero teve os seus olhos abertos para o fato da Salvação se ministrada gratuitamente através da fé, o que contrariava a prática católica de cobrar para conceder o perdão dos pecados. Lutero traduziu as Escrituras para a língua do seu povo. A Palavra de Deus produziu uma grande revolução mundial!

O grande avivamento wesleyano que impactou a Inglaterra e pôs fim a escravidão teve seu início com Wesley que estava escutando uma exposição de um trecho de Romanos quando sentiu o seu coração estranhamente aquecido! Wesley disse: “Eu sou homem de um livro só”!

A Igreja brasileira precisa de uma nova reforma

A Igreja brasileira precisa de uma urgente reforma, pois a Igreja tem se desviado da Palavra. Se é verdade que a Palavra vivifica, é certo também que o distanciamento dela provoca morte e destruição. “O meu povo está morrendo por falta de conhecimento” (Os 4.6). A Igreja tem sido contaminada pela teologia da prosperidade, pelo neopentecostalismo, pelo emocionalismo, por práticas bizarras, por fogo estranho no altar de Deus, pelo comércio da fé, pela vaidade humana, pelo estrelismo e culto a personalidade, pelos incontáveis escândalos de toda espécie, pelo relativismo moral, por um cristianismo meramente nominal, por conversões espúrias, sem transformação de vida, por um crescimento sem qualidade, sem santificação, por mania de grandeza, por ambições políticas, por amor ao sucesso, por uma mentalidade materialista, secularista e pragmática, que dá lugar a uma busca desenfreada por métodos, onde os fins justificam os meios, onde a ação do Espírito é deixada de lado em favor de métodos humanos. Sim, a Igreja precisa de uma urgente reforma por estar cada vez mais divorciada da Palavra de Deus.

Precisamos de um genuíno avivamento à moda antiga que se dê através de um retorno à Palavra de Deus e que produza frutos da semente desta bendita Palavra (Mc 4.20), os frutos do Espírito (Gl 5.22 e Ef 5.9) e os “frutos dignos do arrependimento” (Mt 3.8).

“Vivifica-me Segundo a tua Palavra!” (Sl 119.25)

Bispo Ildo Mello Fraternidade Wesleyana de Santidade http://www.santidadeeunidade.blogspot.com http://www.santidadeeunidade.org

O Poder da Santidade na Vida do Discípulo de Jesus+

1. Introdução: Por que falar em santidade?

O que distingue um discípulo de Jesus neste mundo?

Será apenas a fé confessada com os lábios ou a transformação concreta da vida?

A Bíblia responde claramente: sem santidade, ninguém verá o Senhor (Hb 12.14). A santidade não é opcional, mas parte essencial da vida cristã.

A grande questão é: qual é o poder que a santidade exerce na vida do discípulo de Cristo? Como ela molda o caráter, transforma relacionamentos e fortalece o testemunho no mundo?

2. O Fundamento da Santidade: Ação da Graça

A santidade não nasce de esforço humano isolado, mas da graça de Deus operando em nós.

• Graça preveniente: desperta nossa consciência para o pecado e nos atrai a Cristo (Jo 6.44).

• Graça justificadora: nos declara justos diante de Deus por meio da fé em Jesus (Rm 5.1).

• Graça santificadora: age em nós para nos conformar à imagem do Filho (Rm 8.29).

João Wesley afirmava que a santidade é a “salvação até as últimas consequências”: não apenas perdão, mas transformação. É o amor de Deus derramado em nossos corações (Rm 5.5).

3. O Poder Libertador da Santidade

O pecado escraviza (Jo 8.34), mas a santidade liberta.

• O discípulo santificado é liberto da tirania dos desejos carnais (Gl 5.16).

• Encontra forças para dizer “não” ao pecado e “sim” à vontade de Deus (Tt 2.11-12).

• Não vive mais sob o domínio da lei do pecado, mas na liberdade do Espírito (Rm 8.2).

A santidade nos dá poder sobre tentações que antes nos dominavam. É a vitória da graça sobre a carne.

4. O Poder Transformador da Santidade

A santidade não é apenas abstinência de pecados, mas vida positiva no Espírito.

• Ela molda o caráter segundo Cristo: humildade, mansidão, paciência, amor (Cl 3.12-14).

• Transforma nossos relacionamentos: perdoamos, servimos, buscamos a paz (Ef 4.32; Rm 12.18).

• Renova nossa mente, dando discernimento espiritual para não nos conformarmos ao mundo (Rm 12.2).

O discípulo torna-se uma nova criação (2Co 5.17). A santidade é a assinatura do Espírito em cada área da vida.

5. O Poder Testemunhal da Santidade

Um cristão santo é uma luz que não pode ser escondida (Mt 5.14-16).

• Sua vida desperta confiança, respeito e até temor nos que o cercam (At 5.13-14).

• Seu caráter íntegro se torna um argumento vivo a favor do Evangelho (1Pe 2.12).

• A santidade torna o testemunho mais forte do que palavras, revelando a beleza da vida com Deus.

O poder da santidade está em mostrar ao mundo que a graça de Cristo é real e transformadora.

6. O Poder Escatológico da Santidade

A santidade não se limita ao presente. Ela projeta o discípulo para a eternidade.

• Somos santificados porque fomos chamados para a herança dos santos na luz (Cl 1.12).

• A santidade é o selo da nossa preparação para o encontro com o Senhor (1Ts 5.23).

• Ela é o reflexo do estado final, quando seremos plenamente semelhantes a Cristo (1Jo 3.2-3).

Quem vive em santidade já antecipa, no presente, a vida do mundo por vir.

7. Aplicações Práticas

1. Cultive disciplinas espirituais: oração, leitura da Palavra, jejum e vida comunitária são meios de graça para crescer em santidade.

2. Vigie suas escolhas: santidade se expressa em decisões diárias – o que vemos, falamos e fazemos.

3. Busque o amor perfeito: a santidade se resume em amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo (Mt 22.37-39).

4. Confie na obra contínua do Espírito: santificação é processo. Deus não nos deixa inacabados.

8. Conclusão

O poder da santidade está em libertar, transformar, testemunhar e preparar o discípulo de Jesus para a eternidade. Santidade é vida plena no Espírito, é viver já no presente a realidade do Reino de Deus.

Como disse Wesley:

“A santidade de coração e de vida é a marca do verdadeiro cristão”.

Quem é discípulo de Cristo não apenas fala de fé, mas vive o poder transformador da santidade.

Lista de Estudos sobre Santidade e Santificação (Blog escatologiacrista.blogspot.com)

Jesus, modelo e fonte da santidade (texto ampliado) https://escatologiacrista.blogspot.com/2011/03/jesus-modelo-e-fonte-da-santidade-texto.html A Perfeição Cristã https://escatologiacrista.blogspot.com/2011/02/a-perfeicao-crista.html O que é a santificação? https://escatologiacrista.blogspot.com/2020/02/o-que-e-santificacao.html Sem santificação ninguém vai para o céu? https://escatologiacrista.blogspot.com/2020/02/sem-santificacao-ninguem-vai-para-o-ceu.html É válida a adoração sem santidade de vida? https://escatologiacrista.blogspot.com/2020/02/e-valida-adoracao-sem-santidade-de-vida.html Somos santificados pela graça ou por obras? https://escatologiacrista.blogspot.com/2020/02/somos-santificados-pela-graca-ou-por.html A Santificação e o Legalismo https://escatologiacrista.blogspot.com/2020/02/a-santificacao-e-o-legalismo.html Inteira Santificação é o mesmo que impecabilidade? https://escatologiacrista.blogspot.com/2020/02/inteira-santificacao-e-o-mesmo-que.html Como viver em santidade neste mundo atribulado… https://escatologiacrista.blogspot.com/2020/02/como-viver-em-santidade-neste-mundo.html Curso de Discipulado: Lição 6 — Santificação https://escatologiacrista.blogspot.com/2025/09/curso-de-discipulado-licao-6.html Santificação: A Obra do Amor de Deus em Nós https://escatologiacrista.blogspot.com/2025/06/santificacao-obra-do-amor-de-deus-em.html O movimento wesleyano de santidade e seu impacto nas missões, avivamentos e reformas sociais https://escatologiacrista.blogspot.com/2016/05/o-movimento-wesleyano-de-santidade-e.html A Teologia Wesleyana: Amor Santo e Graça https://escatologiacrista.blogspot.com/2025/06/a-teologia-wesleyana-amor-santo-e-graca.html Caráter e Princípios de um Metodista Segundo John Wesley https://escatologiacrista.blogspot.com/2025/06/carater-e-principios-de-um-metodista.html A Pneumatologia de John Wesley e os Dons Espirituais https://escatologiacrista.blogspot.com/2025/06/a-pneumatologia-de-john-wesley-e-os.html John Wesley e os Dons Espirituais: Uma Análise Teológica https://escatologiacrista.blogspot.com/2025/06/john-wesley-e-os-dons-espirituais-uma.html Sermão 5 de Wesley — O Caminho Bíblico da Salvação https://escatologiacrista.blogspot.com/2025/02/sermao-5-de-wesley-o-caminho-biblico-da.html João Wesley era pós-milenista https://escatologiacrista.blogspot.com/2015/01/joao-wesley-era-pos-milenista.html A Escatologia de Wesley e seu impacto social https://escatologiacrista.blogspot.com/2008/02/escatologia-de-wesley-e-transformao.html Lendo a Bíblia para ser transformado https://escatologiacrista.blogspot.com/2020/02/lendo-biblia-para-ser-transformado.html Filipenses 2 — Sigamos o exemplo de Cristo https://escatologiacrista.blogspot.com/2016/11/filipenses-2-sigamos-o-exemplo-de-cristo.html Orientações para o Uso do Dom de Profecia https://escatologiacrista.blogspot.com/2023/09/orientacoes-para-o-uso-do-dom-de.html Os Termos da Salvação https://escatologiacrista.blogspot.com/2011/03/os-termos-da-salvacao.html Página “Estudos Diversos” https://escatologiacrista.blogspot.com/p/estudos-diversos.html

Como enfrentar os traumas do passado e os desafios do presente?+

Um adolescente diante da catástrofe

Daniel era um adolescente de 14 anos de idade quando viu seu povo sendo massacrado, sua cidade destruída, alguns parentes e amigos mortos outros tantos desterrados e ele acabou indo parar como um escravo para servir aos interesses do governo inimigo.

Como um adolescente reagiria a tanta desgraça? Daniel não cantarolava aquela famosa canção da cantora Lilian que dizia “eu sou rebelde porque o mundo quis assim, porque nunca me trataram com amor e as pessoas se fecharam para mim…” Contrariando a máxima que diz que “o homem é produto do meio”, Daniel não tornou-se uma pessoa revoltada, não alimentou ódio e nem desejo de vingança, não entregou-se a devassidão e nem aos vícios, antes, este moço decidiu não contaminar-se com os alimentos sacrificados aos ídolos (Dn 1.8), não se deixou levar pelos “embalos de sábado à noite”, não navegou conforme a maré, escolhendo firmemente agir de acordo com os princípios de sua fé em Deus mesmo em um mundo hostil, provando, assim, que é possível ser fiel a Deus nas condições mais adversas possíveis.

Fiel nas calamidades e nas tentações

Daniel manteve-se fiel a Deus diante das calamidades da vida e também não caiu nas tentações do poder, glória, riquezas e prazeres do império babilônico., onde fizeram de tudo para acultura-lo, ensinaram-lhe os costumes e valores dos caldeus, tentaram força-lo a adorar outros deuses, ofereceram todo tipo de coisas tentadoras, chegaram a mudar o seu nome, mas nada disto adiantou, pois ele manteve-se firme em seu relacionamento com Deus.

Seu caráter foi forjado na fornalha da aflição e mostrou-se íntegro diante das tentações do poder, sucesso, riquezas e luxúria dos dias de prosperidade.

O passado que não sufocou o presente

Daniel jamais permitiu que os dissabores do passado sufocassem o seu presente e assassinassem o seu futuro. Manteve sempre viva sua fé em Deus. Tomou a firme decisão de não se contaminar. Ele decidiu não comer e beber da mesa do Rei, mas não porque fosse vegetariano e abstêmio, mas, sim, por que tratavam de alimentos sacrificados aos ídolos o que era contra os seus princípios religiosos (Salmo 106.28-29). Daniel não se deixou levar pela aparência atrativa daquela mesa, não ficou deslumbrado com os encantos do luxo e glória do palácio real, não foi ingênuo como a Branca de Neve, não incorreu na desobediência de Eva, pois percebeu que a maça estava encantada, bonita por fora, mas bichada por dentro. Daniel mostrou-se sábio e prudente ao perceber que tudo o que o diabo oferece, por melhor que possa aparentar, tem por objetivo final a nossa morte.

Sua decisão não foi fogo de palha. Sempre esteve rodeado pelo mal e teve de enfrentar tentações de toda espécie, mas Daniel não se contaminou e jamais se dobrou diante dos ídolos do império e sempre permaneceu leal a Deus (Dn 6.4), cultivando sua fé, orando 3 vezes por dia, ainda que isto lhe custasse uma sentença de morte na cova dos leões.

Daniel, a semelhança de José do Egito, foi fiel no pouco e sobre o muito foi colocado (Mt 25.21). Deus o exaltou a posição de primeiro ministro da Babilônia. Mas a glória e o poder jamais o corromperam. Daniel manteve-se íntegro em toda a sua longa vida. Ele sobrevive a queda da Babilônia e permanece no alto escalão do reinado medo persa tal era a sua sabedoria e reputação ilibada.

Ousar ser diferente e fazer a diferença

Daniel ousou ser diferente e acabou fazendo a diferença. Seu exemplo é uma inspiração para todos nós que temos também de lidar com os traumas do passado e com os desafios de um presente caracterizado por injustiças, corrupção, violência e imoralidades.

Deus nos livre de uma vida sem propósito para o Reino de Deus, sem princípios cristãos, sem os absolutos das Escrituras Sagradas, sem determinação para o bem. Deus nos livre de uma vida rasteira, de uma espiritualidade rasa, sem profundidade, sujeita às tempestades, aos ventos, as ondas, as tentações, à sedução do príncipe deste mundo, da glória desta terra e dos prazeres dos filhos dos homens. Como bem escreveu o Apóstolo João aos adolescentes e jovens cristãos, dizendo: “Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno. Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1 Jo 2.14-17).

Mantenhamos firmes a nossa fé e confiança em Deus e jamais negociemos nossos princípios e valores. Sejamos fiéis e determinados como Daniel no firme propósito de não nos conformarmos com este mundo para experimentarmos aquela que é a boa, perfeita e agradável vontade de Deus para as nossas vidas (Rm 12.1-2).

Bispo Ildo Mello

Para que Todos Sejam Santos – Samuel Logan Brengle+

Um livro que me acompanha

Um livro raro, não só por estar esgotado e ser achado apenas em alguns sebos, a primeira edição data de 1896. Mas igualmente raro pelo assunto que está praticamente esquecido nos púlpitos das nossas igrejas: O ensino da santidade.

Da primeira vez em que li este livro, me encantei com a simplicidade da exposição da Palavra, ao mesmo tempo tão profunda. Não tem barganhas, se espera alcançar algo de Deus, santifique-se de coração e não de aparência, porque o Senhor vê além!

Meu exemplar está sempre ao alcance, dele extraio lições para EBD, pregações, aconselhamentos.

Palavras de Brengle aos setenta anos

Quando completou 70 anos de idade, Samuel Logan Brengle, assim se expressou: “Ainda que a neve de 70 invernos esteja sobre a minha cabeça, o brilho do sol de 70 verões está no meu coração!” Sobre a falta de tempo para buscar a Deus ele nos fala no capítulo 11 do livro:

“Se o rainha da Inglaterra fosse ao castelo de Windsor, os servos não ficariam indiferentes sem fazer alguma coisa, nem procurariam mostrar-se ocupados em excesso; cada um deles ficaria em seu próprio posto e aguardaria com ansiedade a chegada da rainha. É isso o que quero dizer por esperar em Deus. Você nunca poderá cuidar demais de sua própria alma, nem deixe que alguém o afaste deste intento através de súplicas ou zombarias. Seria bem tolo se um lenhador pensasse que por ter tanta lenha para cortar, não tinha tempo para afiar o seu machado. Seria inútil o criado que, indo à cidade comprar certas coisas para seu patrão devido à pressa, não procurasse saber o que deveria comprar e dele receber o dinheiro necessário. Pior, muito pior, é aquele que procura fazer a obra divina sem a orientação e as forças de Deus.

Arranje tempo. Perca o café da manhã se for necessário, porém busque tempo para esperar em Deus, e quando ele vier e o abençoar, vá então aos infelizes que estão ao seu redor e derrame sobre eles as riquezas de gozo, amor e paz que Deus lhe tem dado.entretanto, não vá a eles antes de estar certo que está indo no poder de Deus.” Samuel Logan Brengle nasceu em Fredericksburg, Indiana, EUA, de William e Rebecca Brengle, 1 de junho de 1860. Quando o rapaz tinha dois anos de idade, seu pai, professor, respondeu ao apelo de seu país para servir no Exército do Norte durante a Guerra Civil Americana. Ferido no cerco de Vicksburg, o soldado corajoso jovem voltou para casa apenas para sucumbir aos ferimentos. A esposa e mãe piedosa, agora encarregadas da criação de seu único filho, fielmente o instruiu nas coisas de Deus. Embora ela tenha se casado novamente, a participação na igreja nunca foi negligenciada.

Quem foi Samuel Logan Brengle

Quando adolescente, foi salvo durante um encontro de avivamento e começou uma vida de dedicação ao Senhor. Após a morte de sua mãe matriculou-se no que é hoje conhecida como Universidade DePauw em Greencastle, Indiana. Lá era um estudioso excepcional e, enquanto um número de oportunidades foram abertas, sentiu que sua vocação era para ser um pregador e assim seguir na universidade, ele se tornou um pregador da Igreja Metodista. Mais tarde, foi encorajado a estudar teologia e assim se matriculou no Seminário Teológico de Boston. Foi nesse seminário que ele foi exposto ao ensino da santidade e, posteriormente, alegou a experiência de sua própria vida.

Depois de sua formatura, ele recebeu ofertas para pastor de algumas das maiores igrejas metodistas os EUA. No entanto, ele recusou, quando se tornou interessado no trabalho do Exército de Salvação. Ele tinha ouvido falar de William Booth, e foi atraído para o seu ministério e missão e que desejava viajar para a Inglaterra para atender seus serviços de voluntariado para o fundador do Exército da Salvação. Ele também conheceu uma jovem salvacionista com o nome de Elizabeth Swift e pediu sua mão em casamento.

Quando ele chegou na Inglaterra e conheceu o Fundador, Booth não tinha certeza se Brengle iria aderir à disciplina da Exército da Salvação. No entanto, ele foi aceito para o treinamento.Uma de suas primeiras tarefas foi escurecer e dar brilho as botas de seus colegas cadetes, um trabalho que foi considerado servil. Ao invés de reclamar, ele lembrou-se do fato de seu Salvador lavar os pés dos discípulos. Ele assumiu todas as tarefas, de vender o grito de guerra para a pregação nas ruas com humildade, igualdade e zelo.

Um ministério que alcançou milhares

Com um ministério que alcançou milhares de vidas, desde os mais nobres aos mais humildes.Brengle finalmente foi promovido à glória, há 75 anos atrás, em St Petersburg, Florida, EUA, em 20 de Maio de 1936, o então líder internacional do Exército de Salvação, General Evangeline Booth, escreveu um tributo que falou eloqüentemente da dívida que o Exército sempre deve a este guerreiro santo de Deus: “Em todas as partes do mundo ele fez luzes para queimar, que nunca irão se extinguir.” Fonte: http://langtlangunau.blogspot.com/2010/02/brengle-institute.html http://www.usc.salvationarmy.org/usc/www_usc_getconnected.nsf/vw-sublinks/B040FF0C6149BC998625748E00599429?openDocument http://www1.salvationarmy.org.uk/uki/www_uki_ihc.nsf/stc-vw-sublinks/DD49C85D1F22F286802574C7003A7676?openDocument http://leituracommusicagospel.blogspot.com.br/2011/03/para-que-todos-sejam-santos-samuel.html

Sermão 5 de Wesley Em Linguagem Contemporânea+

Com o suporte da inteligência artificial do DeepSeek, elaborei esta versão atualizada de um dos sermões mais emblemáticos de John Wesley, "O Caminho Bíblico da Salvação" (1765). Busquei preservar a profundidade teológica e o vigor espiritual do original, adaptando sua linguagem para os desafios e questionamentos do século XXI – sem perder a essência da mensagem que transformou vidas no avivamento metodista.

Sermão 5: O Caminho Bíblico da Salvação Pregado por John Wesley (em linguagem contemporânea)

Irmãos e irmãs em Cristo, paz seja com vocês!

Hoje quero falar sobre algo que está no coração de Deus para cada um de nós: a salvação que não é só um "check-in" no céu, mas uma jornada de transformação. Vocês já ouviram alguém dizer: "Ah, já aceitei Jesus, tá resolvido"? Cuidado! A fé cristã não é um ingresso de cinema que você compra e guarda no bolso. É um relacionamento vivo, que exige crescimento diário.

1. "Fui Aceito por Deus": Isso é Só o Começo!

Justificação é quando Deus, pela graça, nos declara justos, mesmo sendo falhos. É como um pai que abraça o filho pródigo antes mesmo de ele tomar banho (Lucas 15.20). Isso acontece num instante, pela fé em Jesus (Romanos 5.1). Mas santificação é o processo que vem depois: é o Espírito Santo trabalhando em nós para que pareçamos mais com Jesus a cada dia (2 Coríntios 3.18).

Ouçam bem:

A justificação é a porta de entrada; a santificação é a estrada que você percorre.

Não adianta entrar pela porta e ficar parado no corredor!

2. "Crer em Jesus" Não é Só uma Opinião no Facebook Tem gente que diz: "Ah, eu creio em Deus", mas vive como se Ele não existisse. Isso é fé morta! Tiago alerta: "A fé sem obras é morta" (Tiago 2.17).

Imaginem isso:

Alguém posta #DeusÉBom nas redes sociais, mas trata mal os funcionários, ignora o pobre na rua ou mente no trabalho. Isso é hipocrisia! (Amós 5.23-24).

Deus não quer "curtidas" vazias. Ele quer ações que refletem Seu amor!

3. Santificação Plena: Não é Ser Perfeito, é Amar de Verdade Falo muito sobre "perfeição cristã", e alguns torcem o nariz. Calma! Não é sobre nunca errar. É sobre amar a Deus e ao próximo com todo o coração (Mateus 22.37-39). É deixar o egoísmo de lado e permitir que o Espírito Santo mude suas prioridades.

Como chegar lá?Converse com Deus todo dia: "Cheguem perto de Deus, e Ele chegará perto de vocês" (Tiago 4.8).

Ande com gente que te desafia a crescer: Não fique só no culto de domingo! Junte-se a um grupo pequeno, onde você possa ser real e responsável (Hebreus 10.24-25).

Use seu dinheiro e tempo para o bem: Visite quem está só, lute contra injustiças, seja generoso (Tiago 1.27).

4. Cuidado com o "Já Cheguei lá"!

Tem crente que parece estacionado no ano da conversão. Vive de memórias: "Ah, em 2005 eu fui ao acampamento e chorei…". Mas e hoje? Está crescendo? A igreja de Laodiceia pensava que era "top", mas Jesus disse: "Vocês são mornos, e vou vomitá-los!" (Apocalipse 3.16).

E tem outro perigo:

"Deus me perdoa mesmo, então posso pecar à vontade".

Isso é abuso da graça! Paulo responde: "Longe de nós! Como podemos viver no pecado se morremos para ele?" (Romanos 6.1-2).

5. Para Hoje: O Cristianismo é Revolução, Não Rotina!

Se sua fé não está mudando como você trata sua família, como gasta seu dinheiro ou como reage a quem te ofende, algo está errado.

Desafio prático:Pare de julgar e comece a servir: Em vez de criticar o dependente químico, ofereça ajuda.

Transforme sua espiritualidade em ação: Não basta orar pelo faminto; doe comida (1 João 3.17).

Viva em comunidade: Ninguém cresce sozinho. Precisamos uns dos outros!

Conclusão: O Chamado é para Hoje!

"Hoje, se vocês ouvirem a voz de Deus, não endureçam o coração" (Hebreus 3.15). A santificação não é opcional. É a prova de que a graça de Deus está viva em você.

Lembrem-se:

Deus não te salvou só para te levar ao céu. Ele te salvou para transformar a terra através de você!

Ore comigo:

"Senhor, não me deixe estagnado. Que minha fé seja viva, meu amor seja real e minha vida seja um reflexo do Teu caráter. Em nome de Jesus, amém!" Que o Espírito Santo nos guie nessa jornada!

As Tentações do Caminho+

Representadas pelas tentações de quatro lugares terrenos: 1) Harã, 2) Egito, 3) Sodoma e 4) Tessalonica. Vejamos alguns exemplos dos perigos e tentações que podem nos levar a perecer no caminho.

1) O mundo exerce um forte fascínio sobre as pessoas. Até Abraão, que fora chamado por Deus para Canaã, foi tentado a ir para o Egito. Ainda bem que desistiu do Egito e foi para a Terra Prometida, porque, senão, aconteceria com ele o mesmo que sucedeu a seu pai, Tera, que também fora chamado por Deus para deixar Ur dos Caldeus e ir para as terras de Canaã. Por alguma razão que desconhecemos, Terá nunca chegou a Canaã, mas acabou ficando mesmo em Harã. Como disse, certa vez, o meu professor de seminário, Nivaldo Nassif: “as tentações do caminho podem nos fazer morar no caminho sem jamais chegarmos ao nosso destino”. A terra de Harã acabou seduzindo Tera que por lá ficou e morreu. “Tomou Tera a Abrão, seu filho, e a Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai, sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã; foram até Harã, onde ficaram. E, havendo Tera vivido duzentos e cinco anos ao todo, morreu em Harã. (Gênesis 11.31-32)

2) Neste sentido temos ainda a mulher de Ló que, apegada as atrações de Sodoma e Gomorra, olhou para trás, desistindo do caminho de salvação, vindo a tornar-se em uma estátua sem vida de sal. O mundo promete muita vida, mas produz morte no final das contas. Tudo o que o diabo oferece através do mundo visa a nos separar do Deus da vida. “E a mulher de Ló olhou para trás e converteu- se numa estátua de sal. (Gênesis 19.26)

3) Lembremos também dos hebreus que morreram no deserto com saudades do Egito que, apesar do sofrimento da escravidão, também oferecia cebolas! Saíram do Egito, mas o Egito não saiu deles. Viviam olhando para trás com saudades do Egito, dos deuses e prazeres do Egito. Eles também não confiaram em Deus para enfrentar os gigantes de Canaã (Números 13.31-33).

4) E de Demas, que um dia fora um grande líder cristão que trabalhou ao lado do Apóstolo Paulo, apostatou-se da fé. “Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica” (2 Timóteo 4.10)

Conclusão:

Cuidado com as tentações do Caminho Espaçoso: “Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela, porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela” (Mateus 7.13-14). “Porque muitos são chamados, mas poucos os escolhidos” (Mateus 22.14). Cinco das Dez Virgens chegaram atrasadas para o casamento e ficaram do lado de fora (Mateus 25.1-13). “Temamos, pois, que, porventura, deixada a promessa de entrar no seu repouso, pareça que algum de vós fica para trás” (Hebreus 4.1).

Harã, Sodoma, o Egito e Tessalônica possuem seus cativantes atrativos. O povo de Deus foi chamado para uma Canaã Espiritual, mas é constantemente tentado a ficar pelo caminho em Harã, a olhar para trás, a voltar para o Egito e a abandonar o caminho por amar o presente século. Por esta razão é que João nos exorta: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1 João 2.15-17).

Cuidado!

Bispo José Ildo Swartele de Mello

O Divino Hóspede e a Obra do Amor+

Leitura Bíblica: "E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito." (2 Coríntios 3.18)

1.⁠ ⁠Não uma Força, mas um Amigo Divino – Muitas vezes, em nossa caminhada, corremos o risco de buscar o "poder" de Deus como se fosse uma eletricidade espiritual para resolver nossos problemas. Mas as Escrituras nos corrigem gentilmente: o Espírito Santo não é uma energia impessoal, uma "força ativa" ou uma influência abstrata. Ele é uma Pessoa Divina. Ele possui intelecto para nos ensinar, vontade para distribuir dons "como lhe apraz" (1 Coríntios 12.11) e emoções sensíveis — tanto que a Bíblia nos adverte a não O entristecermos (Efésios 4.30).

O privilégio da nossa fé não é apenas crer sobre o Espírito, mas crer nele como o "outro Consolador", aquele que está ao nosso lado e habita em nós. Se no Antigo Testamento Deus estava com o povo (no templo), e nos Evangelhos Deus estava entre nós (em Jesus), agora, através do Espírito, Deus está dentro de nós. Nós nos tornamos o Seu santuário vivo.

2.⁠ ⁠A Obra Prima: Cristo em Nós – Qual é o objetivo deste Hóspede Divino em nossas vidas? João Wesley, com seu "otimismo da graça", nos ensinou que a salvação não é apenas o perdão dos pecados (o que Cristo fez por nós na cruz), mas é também a transformação da nossa natureza (o que o Espírito faz em nós agora).

A obra do Espírito é a restauração da Imago Dei — a imagem de Deus que foi quebrada pelo pecado. Ele é o escultor que trabalha diariamente para nos tornar parecidos com Jesus. Ele não quer apenas nos levar para o céu; Ele quer trazer o céu para dentro de nós, purificando nosso coração de toda rebelião e egoísmo. Como nos lembra o apóstolo Paulo, fomos salvos "mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo" (Tito 3.5).

3.⁠ ⁠Santidade: O Caminho do Amor Perfeito – Talvez a palavra "santificação" soe pesada ou inalcançável. Mas, na perspectiva do Espírito, santidade é, essencialmente, amor. A "Inteira Santificação" é ter o coração liberto de tudo o que é contrário ao amor, para que possamos amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a nós mesmos.

O Espírito Santo é quem derrama esse amor em nossos corações (Romanos 5.5). Ele não se contenta em nos deixar lutando eternamente como "miseráveis homens" (Romanos 7), escravos de velhos vícios. Ele nos convida para a vida no Espírito, onde somos mais que vencedores (Romanos 8).

A graça do Espírito não apenas perdoa; ela cura. Não apenas declara justo; ela torna justo.

Oração: Espírito Santo, Deus vivo e pessoal, perdoa-nos quando Te tratamos apenas como um meio para obter bênçãos, e não como o próprio Deus habitando em nós. Nós Te damos as boas-vindas em cada cômodo do nosso coração. Realiza a Tua obra prima em nós: purifica-nos de toda mancha, restaura a imagem de Cristo em nosso caráter e enche-nos com o Teu perfeito amor. Que a nossa vida não seja apenas uma busca por poder, mas uma demonstração do Teu fruto. Em nome de Jesus, Amém.

Para Reflexão: Se o Espírito Santo é uma Pessoa que habita em você, como isso muda a maneira como você cuida dos seus pensamentos e do seu corpo hoje?

O Filho Pródigo+

De volta pro meu aconchego!

Que expressão sublime! ˜Estou de volta pro meu aconchego”! Hum! Que alívio! Que conforto! Que felicidade e que paz não experimentamos quando retornamos ao lar!

Esta mesma sensação experimentou o Filho Pródigo, sim, o rapaz daquela famosa parábola de Jesus, ao receber aquele aconchegante abraço de seu amoroso pai.

Sabe, aquele moço havia passado muito tempo longe de casa. Iludido pelo fascínio do novo e do distante, ele desprezou o velho e bom convívio do lar, e acabou virando as costas para o pai, e partiu para uma terra distante numa busca desenfreada por aventuras e insaciáveis prazeres.

Desta maneira, ele deu muitas cabeçadas na vida e acabou quebrando a cara, experimentando, assim, muita dor e desapontamento. Abandonado e desprezado por todos, num estado de ruína e humilhação, ele chegou ao ponto de passar fome. Sua fome era mais do que uma fome de pão, pois estava também com fome de felicidade, com fome de paz, com fome de vida… De fato, ele estava com fome e a saudade do aconchego do lar.

Ele teve saudades de casa. Saudades do Pai! Ele caiu em si. Reconheceu o seu erro e quis voltar. Mas, ele nem podia imaginar que, depois de tudo, o Pai ainda o estaria esperando de braços abertos e que, ao vê-lo se aproximar, sairia correndo ao seu encontro e lhe receberia com tanto amor e alegria dando-lhe aquele abraço e aquele beijo tão especialmente carinhoso, misericordioso e restaurador.

Bem, agora, ele estava de volta! Que alívio! Que aconchego! Uma festa, roupas novas, anel no dedo, sandalhas nos pés, tudo restituído ainda que nada merecesse! Como é bom ser amado e que bom é quando a gente se encontra com a pessoa amada! Que bom é estar onde se deve estar!

Jesus veio buscar e salvar os filhos que estão perdidos. Jesus chegou a usar a figura da galinha que ampara os seus pintinhos debaixo da suas asas para expressar o aconchego que ele gostaria de proporcionar a todas as suas criaturas. Ele lamenta o fato delas, por vezes, o rejeitarem. Mas, mesmo assim, ele não as força a permanecer em casa, pois não deseja filhos contrariados em casa.

É interessante notar que Jesus veio a nós na condição humilde de homem pobre e sofredor. Ele é um Rei diferente, um Rei que não quer se impor pela força e que entra em Jerusalém montado em um jumentinho procurando conquistar adeptos pela via do amor que o levou ao sacrifício da própria vida.

Assim como aconteceu com o Filho Pródigo, os que estão distantes também podem atinar para o fato de que não é sábio ficar distante daquele que nos ama e quer tanto bem. Como criaturas de Deus, podem vir a descobrir que o seu vazio existencial é síntoma de uma estranha sensação de saudade do aconchego do seio do Pai Eterno.

Jesus disse que suas ovelhas seriam capazes de reconhecer a sua voz. Há um testificar do espírito de Deus com o nosso espírito, coisa que nós não sabemos explicar direito. Mesmo que estejamos conhecendo a Cristo pela primeira vez, sentimos como se já o conhecêssemos há muito tempo. Sua voz não nos é tão estranha assim! Existe uma comunicação íntima, profunda e espiritual que nos assegura que estamos em território conhecido. Podemos experimentar, então, o aconchego do nosso verdadeiro lar.

Bispo Ildo Mello

Como crianças obedientes+

Como filhos obedientes Por Dr. John Oswalt “Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: ‘Sede santos, porque eu sou santo.’” (1Pe 1.14–16).

"O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará.” (1Ts 5.23–24).

Há três pensamentos que captam minha atenção quando olho para os três versículos de 1 Pedro. Vamos olhar para eles em ordem inversa. Primeiro, "está escrito." Escrito onde? Bem, Pedro está citando o livro de Levíticos do Antigo Testamento, onde o mesmo mandamento aparece nessas palavras em quatro ocasiões distintas (11:44-45; 19:2; 20:7, 26). Javé está falando no contexto da Aliança; Se você estabelece uma aliança com um grande rei, você deve fazer o que ele diz. Mas isso aqui é mais do que simplesmente fazer o que ele diz; É ser o que é e fazer o que faz. Muito chocante.

A segunda coisa que observo aqui é a afirmação "seja santo em tudo o que fizerem". Alguns teólogos cristãos contemporâneos nos dizem que a santidade não é um tipo particular de comportamento, mas apenas uma condição: você pertence a Deus e é separado para seu uso, como um vaso no templo. Mas isso não é o que Pedro diz, não é mesmo? Ele diz que a santidade é uma maneira de agir. Isso corresponde perfeitamente a Levítico 19. O capítulo começa com o mandamento de sermos santos, e o resto do capítulo, começa com um mandamento para honrar nossos pais, é uma série de mandamentos para fazer ou deixar de fazer certas coisas. Curiosamente, os tópicos são todos misturados, sem qualquer organização clara, e eles cobrem toda a gama da existência humana. Seja santo em tudo o que faz.

Agora, vamos a terceira e mais importante observação. Por que Deus tem que nos mandar ser santos? Por que não é algo que fazemos normalmente? Por causa dos “maus desejos." Mas o que são eles? A questão fica clara quando olhamos para os mandamentos de Levítico 19. O que todos eles têm em comum? Todos eles são orientados as outras pessoas. Ser santo é estar focado no bem-estar dos outros, assim como nosso Deus está supremamente focado. Mas, nossos “maus desejos" e os desejos do mundo em que vivemos estão focados diretamente na direção oposta – sobre nós mesmos. Estamos focados para dentro, não para fora. Então Deus quer mudar nossa orientação. Que pensamento! Mas isso não é algo que podemos fazer por nós mesmos. Ela tem que acontecer por meio do poder do Espírito de Cristo que vive em nós. O que temos de fazer, e é aí que entra em cena o mandamento, é dar-lhe permissão para fazer isso (o que não é necessariamente uma decisão fácil a ser tomada), e temos que acreditar que Deus fará isso. Mas se fizermos nossa parte, então, como Paulo diz, Deus é absolutamente fiel para fazer sua parte.

Traduzido por José Ildo Mello, texto original em inglês: http://calledtobeholy.net/2016/10/as-obedient-children-2/

A fé que alcança (Mc 5.24-34)+

Dois personagens se destacam em meio aquela multidão que seguia a Jesus. Um homem e uma mulher. O homem se chama Jairo e a mulher é anônima. Nos doze últimos anos, Jairo desfrutou da alegria do convívio de sua querida filha, enquanto a mulher sofreu nestes mesmos doze anos de uma doença que a privava de dar à luz. Sabe, doze anos são muito tempo em termos de sofrimento e bem pouco em termos de vida.

Sabemos que enquanto Jairo desfrutava de conforto, aquela pobre mulher padecia numa condição de miséria. O homem era líder respeitado de sua comunidade, já a mulher sofria os preconceitos e a exclusão de uma sociedade que a considerava maldita por conta da natureza de sua enfermidade que também a deixara estéril. Jairo aborda a Jesus publicamente, enquanto a mulher o faz discreta e secretamente. Ambos estavam enfrentando dramas terríveis de desilusão após o esgotamento de todos os meios humanos disponíveis com o diagnóstico final dos médicos que disseram que nada mais podia ser feito. Mas, mesmo assim, eles creram que aquilo que era impossível para os homens, era possível para Jesus. Ambos mostraram muita determinação para superar uma multidão a fim de conseguir entrar em contato com Jesus. A fé deles não será em vão!

Uma multtidão mantém contato com Jesus, mas não da mesma forma. Muitos tocavam em Cristo, mas somente a mulher o tocou com fé. Muitos invocaram o seu nome, mas, na ocasião, somente Jairo o fez com fé viva e esperançosa. Jesus conhece e recompensa aqueles que o buscam com fé.

Embora Jairo tenha procurado a Cristo antes da mulher. Enquanto ainda caminhava na direção da casa de Jairo, Jesus pára para dar atenção à ela em primeiro lugar. Pode ser que tal prioridade se deva a compaixão de Cristo pelo estado de fragilidade física e emocial daquela mulher após tantos anos de sofrimento e desprezo. A demora aqui pode ter também algo de proposital à semelhança daquela que culminou na ressurreição de Lázaro, revelando o esplendor da glória do Filho de Deus.  Tal demora certamente aumentou a angústia e a provação da fé de Jairo que sabia que sua filha estava à beira da morte e que cada minuto era de suma importância. Às vezes, somos experimentados até o limite.

Quando, finalmente, eles se aproximam da casa de Jairo, chega a notícia da morte da menina. E todos estavam dizendo que não adiantava mais incomodar o mestre. Podemos imaginar como tal notícia deve ter abalado o coração daquele pai. No entanto, mesmo quando tudo ao nosso redor parece dizer que chegou o fim, ainda podemos ouvir a voz de Cristo nos falando: "Não temas, crê somente"!

Então, Jesus adentra ao aposento onde a garota jazia morta. Ali, ele somente permite a entrada daqueles que demonstravam fé e esperança. Somente os que nele creram, puderam de fato contemplar o milagre da ressurreição da filha de Jairo. Uma grande lição para todos nós que precisamos sempre atentar para as palavras de Jesus proferidas instantes antes da ressurreição de Lázaro: "Se creres, verás a glória de Deus" (Jo 11.40)!

Bispo José Ildo Swartele de Mello

Jesus realmente disse que só a caridade salva?+

Andam dizendo por aí que Jesus teria dito que só a caridade salva. Será? Qual é o ensino bíblico a este respeito? Pemita-me tentar esclarecer esta importante questão.

Primeiramente, é preciso reconhecer que Jesus jamais afirmou que "só a caridade salva". Não há registro disto na Bíblia. Pelo contrário, Jesus afirmou ser Ele o único caminho para a salvação eterna (João 14.6) e na Bíblia ainda lemos: "E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos" (Atos 4.12).

Além disto, precisamos compreender o que é que Jesus entende por caridade. A caridade é muito mais do que a prática de boas ações. Jesus a define como amar a Deus sobre todas as coisas, de todo o coração, com toda a sua alma e com todo o entendimento e ao próximo como a si mesmo (Mateus 22.36-38).

O problema não reside na caridade em si, mas em nós mesmos, por sermos pecadores, de modo que não conseguimos praticar a caridade de modo pleno e devido (Tiago 2.10 e Romanos 3.23; 6.23). Se as pessoas pudessem se salvar através das boas obras, Cristo não precisaria ter morrido na cruz para expiação dos pecados. E não precisaríamos dele como O Cordeiro de Deus para tirar os pecados do mundo (João 1.29).

O Apóstolo Paulo afirmou que a salvação não se dá através das obras de caridade para não fomentar o orgulho humano, mas, sim, por intermédio da fé em Jesus Cristo. E ele conclui, ensinando que as boas obras devem acontecer como alvo da salvação e não como meio de conquistá-la (Efésios 2.8-10). Portanto, devido a nossa natureza pecaminosa, as boas obras de caridade não produzem uma religião pura, mas é a religião pura que produz as boas obras (Tiago 1.27).

A salvação não é uma construção humana, tipo torre de Babel para ascender aos céus, mas uma dádiva divina que descende do céus (Tito 3.5 e Tiago 1.17). "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3.16).

Somos salvos pelo amor de Deus e não pelo nosso. Certamente, o amor de Deus gera muitos frutos de amor em nós mesmos. Nós amamos porque primeiramente Ele nos amou (1 João 4.19).

Jesus é o Salvador, pois o seu sangue nos purifica de todo o pecado (1 João 1.7). "Se confessarmos os nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça" (1 João 1.9). Jesus não apenas perdoa, mas também nos capacita para a prática da caridade (João 15.5 e Gálatas 5.22). Jesus é o caminho da salvação e a fonte de toda a perfeita caridade, que é a fé que atua pelo amor (Gálatas 5.6).

Espero com isto ter contribuído para o entendimento do devido lugar da caridade na vida cristã, não como um meio de salvação, mas como produto e alvo de nossa salvação em Cristo.

No amor do Senhor, Bispo José Ildo Swartele de Mello

Anotações que fiz da excelente mensagem do General André Cox+

Anotações que fiz da excelente mensagem do General André Cox no Congresso do Exército de Salvação na noite de 29 de Abril na Catedral Metodista de São Paulo.

Somos o povo mais feliz do mundo!

Vivemos em um mundo cheio de incertezas.

Privilégio por dizer: "tudo vai bem pois meu redentor vive." Deus nos chamou para sermos suas testemunhas no mundo!

As pessoas percebem que você segue a Cristo pelo seu testemunho.

Problema: Muitos de nós perseguimos os mesmos objetivos de vida que os pagãos. Qual a diferença?

Não pode ser apenas o fato de irmos aos cultos.

Deus nos transforma através do poder do Espírito que em nós atua.

Nenhum de nós é um produto finalizado. Ainda não recebemos o diploma.

As pessoas devem ver os frutos do Espírito em nós.

Materialismo e secularismo estão invadindo a igreja.

É triste quando os cristãos, em vez de estarem influenciando positivamente o mundo como sal e luz, estão sendo negativamente influenciados pelo mundo.

Infelizmente, muitos cristãos sabem mais sobre o que está passando na TV do que o que está nas Escrituras Sagradas.

Mateus 6.19-30

Lemos a história de Nicodemus, religioso, conhecedor, mas sem transformação de vida.

Nossa transformação vem do alto!

Romanos 8;13-16 "se viverem de acordo com a carne morrerão".

Nicodemus era como muitos cristãos que só conhecem a Deus na teoria e não na pratica.

Como ser avivado se não escutamos as Escrituras?

Novo nascimento assegurado pela fé.

Jesus simplificou: " todo o que ouve e crê passou da morte para a vida” (Joao 5).

O Novo Testamento exige que que viremos as costas para o pecado.

Justificação implica no cancelamento de nossos pecados. Alforria! Foram apagados e esquecidos.

Já ouviu falar de fofoca na igreja quando se assassina a reputação do próximo?

Deus nos chama a estar ao lado dos oprimidos.

Somos um povo que crê em mudança e transformação de vida!

Sejamos um povo de bênção para os outros!

Deus nos capacita a vivermos uma nova vida capaz de impactar e transformar o mundo.

Pena ver tanta gente convencida que julga não ter muito mais a aprender. Estes tais acabam não chegando até o fim.

Será que a nossa vida reflete a graça de Deus?

Nós somos um povo de experiência de salvação, não apenas articuladores teóricos.

Não vamos ao culto que para entreter-nos a nós mesmos, mas para ouvir a Deus e sermos transformados por ele.

Precisamos abrir o coração.

Deus quer que você seja como Cristo.

Este é o seu anelo!

Cântico:

"Ser como Cristo, como Ele anseio ser, Em pensamento e ação, eis minha petição.

Ser como Cristo, com Ele sempre andar, Por Seu Espírito, assim serei."

Como resolver conflitos e acabar com a fofoca na igreja+

Reagir com fofoca e maledicência não é uma atitude cristã, traz condenação e só aumenta a gravidade dos problemas.

“… não deem ao adversário ocasião favorável de maledicência” (1Tm 5.14).

“Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se… Se alguém se considera religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo. Sua religião não tem valor algum!.” (Tg 1.19 e 26).

Jesus advertiu: “Mas eu lhes digo que, no dia do juízo, os homens haverão de dar conta de toda palavra inútil que tiverem falado. Pois por suas palavras você será absolvido, e por suas palavras será condenado". (Mt 12.36,37).

Vejamos as orientações de Nosso Senhor Jesus Cristo ao cristão que se sentir ofendido:

"Se o seu irmão pecar contra você, vá e, a sós com ele, mostre-lhe o erro. Se ele o ouvir, você ganhou seu irmão. Mas se ele não o ouvir, leve consigo mais um ou dois outros, de modo que ‘qualquer acusação seja confirmada pelo depoimento de duas ou três testemunhas’. Se ele se recusar a ouvi-los, conte à igreja; e se ele se recusar a ouvir também a igreja, trate-o como pagão ou publicano.” (Mt 18.15-17).

Destacam-se aí 3 princípios para a resolução de conflitos. Em primeiro lugar, o cristão que foi ofendido por alguém, não deve falar mal do ofensor e nem ficar esperando que este venha até ele para pedir desculpas, (1) mas deve, o mais rápido possível, tomar a iniciativa de procurar o ofensor para (2) uma conversa pessoal a respeito do assunto. (3) Se não houver reconciliação, deve tentar mais uma vez, só que, agora, na companhia de um mediador neutro, alguém que conte com o respeito por ambas as partes envolvidas no conflito, e se, mesmo assim, não houver conserto, o assunto deve ser levado à Igreja para abertura de um processo disciplinar contra o ofensor impenitente.

Resumindo, o cristão ofendido não deve sair falando mal do ofensor, antes, deve tomar a atitude de buscar diálogo com ele:

O mais rápido possível Com o menor número de pessoas possível A partir da menor instância possível Falar um com o outro em vez de falar um sobre o outro, é o melhor jeito de resolver conflitos.

“Põe guarda, Senhor, à minha boca; vigia a porta dos meus lábios.”

(Sl 141.3).

Bispo Ildo Mello

As Quatro Dimensões do Amor de Deus+

Quando vamos a praia e damos aquele mergulho, entramos em contato com as águas do imenso oceano Atlânico. O que os nossos olhos conseguem ver já é algo impressionante, mas trata-se apenas de uma ínfima fração deste vasto mar. Uma viagem de navio ou de avião pode nos ajudar a ter uma idéia melhor do seu tamanho, mas estaríamos apenas tendo um vislumbre da superfície. Com um submarino, poderíamos penetrar em suas profundezas. Mas quanto tempo seria necessário para viajarmos por todo o seu interior? Quem saberia dizer quantos litros d'água tem o oceano Atlântico? Cientistas calculam que a quantidade seja de 354.700.000.000 litros de água! Você sabe o que isto significa? Muita, mas muita água mesmo! Bem, mas o Atlântico nem é o maior dos oceanos. E muito maior do que todos os oceanos juntos é o amor de Deus.

Nós somos banhados pelo amor de Deus, mas costumamos não fazer ideia de sua dimensão. Por isto é que o Apóstolo Paulo ora pedindo a Deus que nos ajude a compreender melhor a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade deste imensurável amor (Ef 3:18), o que servirá de raiz e alicerce para o nosso crescimento e fortalecimento espiritual (Ef 3.17)

Muitos duvidam do amor de Deus ou tem uma ideia deturpada dele. Deus prova o seu amor pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando nós ainda éramos pecadores. O Pai amou seu filho pródigo, acolhendo-o carinhosamente de braços abertos (Lc 15.20). Assim como o profeta Oséias amou sua esposa infiel, perdoando-a e lhe concedendo mais uma oportunidade (Os 3.1 e 11.8), assim Deus também ama a todos os pecadores de maneira tal que enviou seu único filho para morrer no lugar deles para que eles pudessem através da fé alcançar a vida eterna (Jo 3.16).

Deus é amor, mas quando ignoramos isto estamos sujeitos a opressão e derrota, como disse Deus: "O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento" (Os 4.6). O conhecimento de Deus e de sua misericórdia é o maior dever religioso (Os 6.6). "Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor" (Os 6:3a).

Bispo Ildo Mello

O anseio da alma+

Davi estava em um deserto, solitário, carente de água, alimento, conforto e de amigos. Mas, mesmo assim, não estava buscando a Deus por estas coisas. Seu anseio maior e mais urgente era o Senhor: "… A minha alma tem sede de ti. Todo o meu ser anseia por ti…" (Sl 63.1). Revela-se aí a primazia de Deus em sua vida. Seu maior anseio, sua maior ambição, sua maior aspiração, seu maior desejo, e o seu melhor amigo e o seu maior amor!

Este anseio por Deus está cada dia mais raro, mesmo entre aqueles que vão a igreja. Pois, a maioria das pessoas que buscam a Deus, o fazem por coisas desta vida. Deus é tratado como um meio para conseguir boas coisas nesta vida.

Idolatria é colocar qualquer coisa no lugar de Deus. Ocupamos nossas vidas com tantas coisas e atividades para, ainda que inconscientemente, preencher o vazio existencial. Certa vez, conversando no ônibus com um homem que estava embriagado, disse: “Este vazio interior que você tenta preencher com a cachaça, só pode ser verdadeiramente preenchido por Deus.“ Ele respondeu: “Jovem, você disse tudo! Um vazio! Um vazio!" E gemeu de dor, não física, mas emocional e espiritual.

Muitas pessoas tem sede de Deus, mas não se apercebem disto, por estarem entorpecidas por uma série de atividades. As atividades da vida, o trabalho, os estudos, os passeios, os prazeres, os jogos, os vícios e as distrações preenchem nosso tempo e acabam sublimando a nossa maior necessidade e sede.

Você tem amado a Deus sobre todas as coisas? Você tem buscado o Reino de Deus em primeiro lugar? Você tem sede de Deus?

Quando você se sentir abandonado e só, carente e sedento, lembre-se de que somente Deus pode satisfazer os anseios mais profundos da alma humana. Fomos feitos por Deus e para Deus, e, somente nele, a nossa alma pode encontrar plena realização. (Sl 63; Cl 1.16; Ct 1.6-7; Mc 8.36; Jo 7.38 e 10.10).

“O teu amor é melhor do que a vida…” (Sl 63.3). A verdadeira vida só é possível através da experiência e reconhecimento do amor de Deus.

Bispo Ildo Mello

Sem santidade ninguém verá o Senhor+

Sem santidade ninguém verá o Senhor “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.”

(Hb 12.14)

Há frases na Bíblia que são curtas, mas carregam um peso eterno. Esta é uma delas. O autor de Hebreus nos convida a perseguir duas coisas fundamentais: a paz com todos e a santificação. Não se trata de conselhos opcionais para os mais “espirituais”. É uma exigência para todo aquele que deseja ver o Senhor — tanto agora, em comunhão com Ele, quanto na eternidade.

“Santificação” significa ser separado para Deus e viver de forma coerente com essa nova identidade. À medida que o Espírito Santo trabalha em nós, vamos sendo moldados à imagem de Cristo. E esse processo requer resposta e entrega diária da nossa parte.

O texto também fala sobre “seguir a paz com todos”. A santidade não é vivida em isolamento. Não há verdadeira comunhão com Deus quando há inimizade e rancor nos relacionamentos. A fé que nos une ao Senhor também deve nos reconciliar com o próximo. Por isso, quem caminha em santidade busca paz, perdão e restauração.

“Ver o Senhor” tem dois sentidos principais no Novo Testamento:

• Escatológico: Ver Deus face a face na glória eterna (Mt 5.8; 1 Jo 3.2).

• Experiencial: Ter comunhão com Deus no presente (Jo 14.21).

Assim, quem rejeita a santidade não verá a Deus nem na eternidade nem na intimidade diária com Ele. A santidade não é um “extra” da vida cristã — é a condição essencial para desfrutar da presença de Deus agora e por toda a eternidade. É um chamado para viver de modo íntegro diante de Deus e dos homens, permitindo que Sua graça produza em nós um novo modo de ser.

Reflita:

— Você tem buscado santidade de forma intencional ou tem deixado sua vida espiritual seguir no “modo automático”?

— Há relacionamentos que precisam de reconciliação para que a paz e a santidade frutifiquem?

Seria errado recorrer a intercessão de Maria?+

Embora os cristãos tenham uma grande consideração por Maria, por ser a mãe de Jesus Cristo, muitos se perguntam se é correto recorrer à sua intercessão. Neste artigo, abordaremos essa questão com base nas Escrituras.

1. A Bíblia não encoraja, nem menciona crentes pedindo a qualquer um no Céu por suas orações. A Bíblia ensina que há um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem (1 Tm 2:5) e que ele está intercedendo por nós perante o Pai (Hb 7:25). Com Jesus intercedendo por nós, por que precisaríamos de Maria ou dos santos para interceder por nós?

2. A Bíblia menciona cristãos orando uns pelos outros (Ef 1.16; 6.19 e Tg 5.16). No entanto, a Bíblia em nenhum lugar menciona qualquer pessoa pedindo por alguém no Céu para que ore por ela. Além disso, a Bíblia em nenhum lugar descreve qualquer pessoa no Céu orando por quem quer que seja na terra.

3. Maria e os santos não são oniscientes e têm limitações, mesmo estando no Céu. A Bíblia não dá absolutamente nenhuma indicação de que Maria ou os santos possam ouvir nossas orações, mas apenas Deus (Sl 139:4; Jr 17:10). Ninguém no Céu tem acesso maior ao trono de Deus do que nós mesmos, através da oração (Hb 4:16).

4. A Bíblia proíbe a comunicação com os mortos. De acordo com Deuteronômio 18:9-13, consultar os mortos é uma prática abominável ao Senhor. Isaías 8:19 também afirma que é uma prática proibida.

Com base nessas informações, podemos concluir que a Bíblia não encoraja a intercessão de Maria ou dos santos, mas sim a oração direta a Deus, por meio de Jesus Cristo. Além disso, a comunicação com os mortos é proibida pela Bíblia. Portanto, é importante lembrar que podemos ter uma grande consideração por Maria sem recorrer à sua intercessão, e que podemos orar diretamente a Deus em todas as nossas necessidades.

Bênçãos Condicionais+

Existem bênçãos gerais que Deus derrama sobre todas as pessoas indistintamente. O sol nasce para todos e a chuva também cai indiscriminadamente sobre justos e injustos (Mt 5.45). Mas existem bênçãos que só o fiel usufrui. Pois a grande maioria das promessas possuem requerimentos. Orar com fé, por exemplo, é um requerimento importante, pois quem busca, encontra, e quem pede, recebe (Lc 11.9); "pedi e recebereis" (Jo 16.24)! "Você não tem porque não pede" (Tg 4.2,3). Pedir bem também é um requerimento: "você pede e não recebe porque pede mal, para esbanjar nos seus deleites e prazeres" (Tg 4.2,3 cf. Jo 15.7). Devemos pedir de acordo com a vontade de Deus (1Jo 5.14).

Tem planos e promessas de Deus que só se cumprirão em nossas vidas quando nós dermos ouvidos a Palavra de Deus. A felicidade não está em conhecer a vontade de Deus, mas em praticá-la (Jo 13.17). No Salmo 81, Deus revela seus planos de bênçãos para o seu povo, mas lamenta muito a dureza do coração daquele povo que faz pouco caso da Palavra de Deus (v.13). Os braços de Deus estão estendidos para abençoar, mas o pecado acaba separando o homem de Deus e de suas dádivas (Is 59.1,2). "Se tão somente você me escutasse, ó Israel" (Sl 81.8b)! Devido a obstinação do coração humano, Deus entrega os homens a sua própria sorte. O Pai deixa que o Filho Pródigo siga o seu próprio caminho de modo a arcar com as conseqüências de suas escolhas (Lc 15).

Duro castigo este de sermos entregues a nós mesmos (Sl 81.12). Somos muito prejudicados quando não obedecemos a Deus (Sl 81.11). Quanta derrota, quanto sofrimento e quanta frustração poderiam ter sido evitados e quantas bênçãos seriam desfrutadas se tão somente déssemos ouvidos as orientações de nosso amoroso Pai Celestial (Sl 81.13-16).

Bispo Ildo Mello

www.escatologiacrista.blogspot.com.br

Resignação ou indignação?+

Embora o termo resignação não apareça na Bíblia, o seu significado como aceitação e submissão à vontade soberana de Deus se encontra bem presente. Jesus sujeitou sua vontade humana a vontade do Pai e aceitou morrer na cruz. Ele orou: "Não seja feita a minha, mas a Tua vontade" (Lc 22.42).

Os discípulos de Jesus também devem resignar a si mesmos e carregar suas próprias cruzes (Mc 8.34). Tal resignação é diante de Deus e não de Satanás e do mal e injustiça que há no mundo, pois diante das ações malignas nossa atitude deve ser de indignação e inconformismo. Paulo diz que os cristãos não devem se conformar com este mundo (Rm 12.1-2). Nos nos resignamos diante de Deus para resistir ao diabo. Jesus foi enviado para desfazer as obras do diabo (1Jo 3.8), e nós fomos convocados a nos engajarmos nesta batalha, seguros de que as portas do inferno não resistirão a força espiritual do ataque da Igreja (Mt 16.18).

Portanto, não devemos nos resignar diante de tudo e de todos, mas apenas diante da soberana vontade de Deus. Não devemos assumir uma postura passiva, conformista e fatalista diante do mal, pois fomos chamados para desfazer o mal e para transformar o mundo com a luz de Cristo (Mt 5.14).

Precisamos de discernimento. A principio devemos orar e agir no combate a toda espécie de mal. Mas devemos ser sensíveis a voz de Deus que é sábio e poderoso para utilizar uma enfermidade ou tribulação para o nosso próprio bem (Rm 8.28). Paulo reagiu a uma enfermidade, orando três vezes para ser curado, mas, por fim, resignou-se a vontade de Deus que lhe disse: "Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza" (2Co 12.9).

Bispo Ildo Mello

Paulo e algumas considerações sobre a santidade+

Com a frase: "assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus." (Rm 6.11), Paulo ensinou que aquele que já morreu para a velha vida precisa considerar-se realmente morto para o pecado a fim de viver de modo adequado à sua nova realidade de vida em Cristo. Para tanto, precisa continuamente mortificar-se, como ele disse aos Colossenses: "porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus… Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena" (Cl 3.3 e 5). Paulo, mesmo, esmurrava seu corpo e o reduzia a servidão para não ser reprovado (1Co 9.27). Aquele que está em pé deve cuidar para não cair (1Co 10.12). Karl Barth resumiu este conceito na afirmação de que o cristão deve tornar-se quem ele já é em Cristo Jesus!

O mesmo ensino Paulo dá aos Gálatas, quando traz à memória deles o significado do batismo: “os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências.” (Gl 5.24). Mas, ciente de que a carne insiste em desprender-se da cruz para militar contra o Espírito (Gl 5.16–17). Paulo adverte que o cristão não deve sucumbir às obras da carne sob pena de não entrar no reino dos céus (Gl 5.21). Diante deste conflito e de tamanho risco, o apóstolo apresenta a seguinte solução: “andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne” (Gl 5.16).

Ainda em Romanos 6.11, enquanto a morte aponta para um momento específico, algo que se dá em um instante, viver para Deus aponta para um processo continuo de crescimento. Conclui-se daí que a santidade se dá através de crise e processo!

Ildo Mello

A semente da Santidade+

O Pr. Flavio Valvassoura trouxe uma excelente palestra enfatizando o papel primordial da Palavra de Deus no processo de Santificação, baseado em João 17 no encontro da Fraternidade Wesleyana de Santidade realizado no dia 20 de Outubro de 2011 na Igreja Metodista Livre de Mirandópolis, que contou com a participação dos pastores Ataulfo Sá, Eduardo Reis Filho, Douglas Alves Lima da Metodista Wesleyana; pastores Flávio Valvassoura, Daniel Cavalari e Francisco Borges da Igreja do Nazareno; Comissário Oscar Sanchez e Major Wilson Flávio do Exército de Salvação, Pastor Eduardo Goya da Holiness, Bispos Adriel Maia e José Carlos Peres da Igreja Metodista e Bispo Ildo Mello e pastores Dionísio Oliveira, Ana Maria Tafelli e Carlos Shigueru Aoki da Igreja Metodista Livre.

Depois abrimos debate sobre como aprimorar o papel da igreja local, dos concílios e do seminário na formação de pastores cheios do Espírito Santo que articulem bem a Palavra da Verdade e a doutrina da santificação.

A próxima reunião ficou marcada para o dia 17 de Novembro às 9 h no Exército de Salvação na Rua Juá, 264.

Estamos planejando realizar o primeiro encontro do ano que vem no mês de Fevereiro na Igreja do Nazareno em Campinas, contando com a presença do Dr. Kevin Mannoia.

Fotos: http://www.flickr.com/photos/ildomello/sets/72157627814454911 Site: http://santidadeeunidade.org Blog: http://santidadeeunidade.blogspot.com

A Perfeição Cristã+

Romanos 12.1-2

Qual é a boa, perfeita e agradável vontade de Deus para nossas vidas?

"Sede Perfeitos como é perfeito o vosso Pai Celestial" (Mt 5.48)

Renovação da imagem de Deus é o modo preferido de caracterizar a santificação por englobar as dimensões individual e social "Renovados à imagem do Criador" (Co 3.10)

"Predestinados para serem conformes à imagem de seu Filho" (Rm 8.29 e Ef 1.4)

"segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior" (2Co 3.18)

"novo homem, criado para ser semelhante a Deus" (Ef 4.24)

"A fé que atua pelo amor" é o comprimento, a largura, a profundidade e a altura da perfeição cristã". (Wesley)

"amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a nós mesmos".

"Deus nos concedeu todas as condições necessárias para a vida e a piedade" (2 Pe 1.3); para "escaparmos da corrupção deste mundo" (2 Pe 1.4).

"Por isso, façam todo o esforço" (2 Pe 1.5)

1) Recebemos (Rm 5.5; Ez 36.27; At 1.8)

2) Participamos (2 Pe 1.4, 1 Jo 3.9)

3) Refletimos (Mt 5.14; 1 Pe 1.15; Fp 2.15)

Bispo Ildo Mello metodistalivre.org.br/ Perfeição Cristã

Quer ser feliz? Então…+

"Agora que vocês sabem estas coisas, felizes serão se as praticarem.” (João 13.17)

A felicidade não está no conhecimento da Palavra de Deus, mas na obediência e prática do ensino de Cristo. Assim como o Verbo se fez carne e habitou entre nós, assim também devemos encarnar a Palavra de Deus, vivenciando-a em nosso cotidiano (Jo 1.14).

Jesus comparou os que ouvem, mas não obedecem as suas palavras aos que constroem suas casas sobre a areia. Tais projetos de vida estão fadados ao fracasso. Mas, felizes serão todos os que, prudentemente, edificarem suas casas sobre o sólido fundamento da obediência (Mt 724-27). E Tiago igualmente exorta: "Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos" (Tg 1.22).

Quer ser feliz? Então, obedeça a Deus, pois a verdadeira felicidade passa pela obediência.

No amor do Senhor, Bispo Ildo Mello

Você Quer Ver a Deus? Então Ouça Esta Mensagem!+

Há frases na Bíblia que carregam um peso eterno… e Hebreus 12.14 é uma delas:

“Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.”

Nesta mensagem, refletimos sobre o que significa viver em santidade e seguir a paz com todos. Santidade não é um “extra” da vida cristã — é o caminho para desfrutar da presença de Deus agora e por toda a eternidade.

👉 Santificação: ser separado para Deus e viver de forma coerente com essa identidade.

👉 Paz: não há comunhão com Deus enquanto guardamos rancor ou inimizade.

👉 Ver o Senhor: tanto na eternidade quanto no dia a dia.

📌 Reflita:

— Você tem buscado santidade de forma intencional?

— Há relacionamentos que precisam ser restaurados?

Uma Vida Inteiramente Consagrada+

O que faz uma vida ministerial deixar marcas que atravessam gerações? Por que, décadas depois de sua partida, o nome do Rev. José Emílio Emerenciano ainda desperta gratidão e saudade na Igreja Metodista Livre do Brasil? E, sobretudo: o que a sua história tem a dizer aos pastores, líderes e membros de hoje — e aos que ainda virão? Este artigo procura responder a essas perguntas percorrendo a trajetória de um homem cuja única ambição foi servir a Cristo e à Sua Igreja com amor e dedicação integral.

1. De Macau ao mundo: a soberania de Deus na formação de um servo

A história começa longe dos grandes centros: em Macau, pequena cidade salineira do Rio Grande do Norte, onde José Emílio Emerenciano nasceu em 1902. Nada ali sugeria que aquele menino potiguar se tornaria pioneiro de uma denominação nascida do outro lado do mundo. Mas Deus tem um plano para cada criatura (Sl 139.16), e o Senhor foi abrindo portas, uma a uma: os estudos de inglês e francês na infância, a conversão aos vinte anos, o colégio em Alto Jequitibá (MG), o Seminário Presbiteriano de Recife e, por fim, o Mackenzie, em São Paulo.

Foi ali que aconteceu o encontro decisivo. Ouvindo as conferências do bispo japonês Juji Nakada, da Igreja Holiness, o jovem José recebeu um convite surpreendente: concluir seus estudos teológicos no Japão para, de lá, voltar e pastorear os imigrantes japoneses no Brasil, já que o governo brasileiro não permitia a vinda de líderes religiosos do Japão. Antes de responder, José recolheu-se por três dias em Santos, em fervorosa oração, buscando a certeza de estar no centro da vontade de Deus. Essa é a primeira lição da sua vida: grandes decisões se tomam de joelhos. Como Abraão, ele saiu sem saber plenamente para onde ia, obedecendo pela fé (Hb 11.8), e embarcou para o Japão em 1929.

2. Um missionário às avessas: do Japão para o Brasil

A estratégia era inusitada e genial: em vez de missionários estrangeiros vindo evangelizar o Brasil, um brasileiro formado no Oriente para alcançar os orientais radicados em sua própria pátria. Em 1931, o Rev. José voltou ao Brasil credenciado como ministro do Evangelho pela Igreja Holiness do Japão e passou a pregar em português e em japonês — nas casas, nas praças públicas e nas igrejas — em plena época de crise mundial. Em 1935, foi ordenado pastor no 1º Concílio da Igreja Evangélica Holiness do Brasil, com imposição de mãos do bispo Shimekiti Tanaami.

Por cerca de doze anos ele serviu sem salário fixo, vivendo pela fé. Era sustentado por ofertas e doações de roupas — e, sendo mais alto que a maioria dos irmãos japoneses, era comum vê-lo com calças de pernas curtas e camisas de punhos curtos. Ele vestia, literalmente, a provisão de Deus, e aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação (Fp 4.11-13, 19).

3. Fé provada no cadinho das dificuldades

Em 1942, casou-se com a jovem Irene Rompenso, formada na Escola Dominical da Igreja Metodista da Mooca. O pai da noiva, o sério italiano Luiz Rompenso, resistiu ao casamento com uma pergunta que ecoa até hoje: “Como é que pode alguém viver pela fé?”. A resposta veio da própria Providência. Quando a empresa em que José trabalhava atrasou o salário justamente no vencimento da dívida dos primeiros móveis do casal, ele orou e dormiu “um sono tranquilo”; no dia seguinte, o carteiro trouxe uma carta com um cheque — oferta de gratidão de um conferencista norte-americano a quem José servira como intérprete — no valor exato da necessidade. Assim era a sua vida: uma vida de fé (Hb 11.6).

Os anos da Segunda Guerra trouxeram provações ainda mais duras. Por amar e pastorear os japoneses, o Rev. José foi chamado de “quinta-coluna”; a polícia especial invadiu a pensão onde morava e confiscou todos os seus preciosos livros de teologia, que nunca foram devolvidos; e ele, por várias vezes, foi à delegacia socorrer japoneses presos apenas por conversarem em seu idioma nas ruas. Quando a perseguição o afastou temporariamente da colônia japonesa, Deus abriu outra porta: o pastorado da congregação presbiteriana do Bairro do Frigorífico, em Barretos (SP), onde o casal serviu com fruto entre 1942 e 1946. Aprendemos aqui que a adversidade não interrompe o plano de Deus; muitas vezes, é o caminho dele (Rm 8.28).

4. 1946: a cruz da continuidade

O ano de 1946 foi o mais doloroso e o mais decisivo da sua vida. Em abril, faleceu sua mãe, em Fortaleza. Em junho, morreu tragicamente o Rev. Daniel Nishizumi, primeiro missionário metodista livre no Brasil, seu amigo de longa data, que já vinha convidando o casal para a obra. Diante do rebanho sem pastor, os Emerencianos se mudaram às pressas para São Paulo e assumiram a continuidade do trabalho em Mirandópolis — inclusive o internato de filhos de imigrantes. O pioneirismo raramente é planejado em gabinetes; quase sempre nasce de uma cruz assumida por obediência (Lc 9.23).

Sob essa liderança fiel, somada ao trabalho de missionários e de outros pioneiros, a obra cresceu entre japoneses e brasileiros, e em 13 de outubro de 1949 a Igreja Metodista Livre do Brasil adquiriu personalidade jurídica, com sede à Rua das Rosas, em Mirandópolis. A denominação que hoje conhecemos passou, humanamente falando, por aquelas mãos nordestinas que aprenderam a orar em japonês.

5. Plantando igrejas, formando pessoas

Nas décadas seguintes, o Rev. José e D. Irene serviram em várias frentes: Mirandópolis, Lins, Vila Galvão (Guarulhos) e São José do Rio Preto, entre outras. O casal investia em tudo o que edificasse pessoas: Escola Dominical vibrante, classes de alfabetização nos anos 40, acampamentos — inclusive no período de Carnaval, para guardar a juventude —, retiros espirituais, campanhas evangelísticas com folhetos distribuídos até de avião, programas de rádio e as inesquecíveis serenatas em que D. Irene tocava seu órgão portátil, carregado na garupa de uma bicicleta, para levar consolo aos idosos e doentes.

Ele evangelizava declamando poesias, ensinava, acolhia, aconselhava e formava obreiros. Sua casa era extensão do templo, e seu ministério, um ministério de multiplicação: confiava às novas gerações o que recebera, como Paulo orientou a Timóteo (2Tm 2.2). Muitos pastores e líderes da IMeL, e até missionários de sua própria família, que anos depois partiram do Brasil para evangelizar no Japão, invertendo a rota de 1929, são frutos diretos ou indiretos dessa sementeira.

6. O quarto de oração: a fonte secreta

Qual era o segredo de tanta fecundidade? Quem o visitava encontrava a resposta num pequeno escritório: a Bíblia aberta, hinários em português, inglês e japonês, a revista de meditação diária e uma lista, escrita em letras bem grandes, com os nomes das pessoas pelas quais ele orava todos os dias. Já idoso, o Rev. Emerenciano intercedia diariamente por cada um dos pastores da Igreja Metodista Livre e suas famílias, citando os seus nomes, um a um, diante de Deus (cf. Fp 1.3-4; Cl 4.12). Ao lado da estante, um quadro com fotos de missionários, parentes e amigos recebia as mãos estendidas do casal em oração.

Essa foi a sua última trincheira de serviço. Quando as forças físicas se foram, restou-lhe o ministério maior, o da intercessão, até que, em 15 de junho de 1998, aos 96 anos, ele foi promovido à presença do Senhor, tendo combatido o bom combate, completado a carreira e guardado a fé (2Tm 4.7).

7. Lições para esta e para as futuras gerações

Que legado, então, essa vida entrega à Igreja Metodista Livre do Brasil? Destaco sete lições. Primeira: a vocação se obedece sem reservas — quando Deus chama, a resposta se dá de joelhos e com as malas prontas (Is 6.8). Segunda: vive-se pela fé — a provisão de Deus pode vir em cheques inesperados ou em camisas de punhos curtos, mas nunca falta ao servo obediente (Fp 4.19). Terceira: a santidade de coração e vida, ênfase que nos define como metodistas livres, não é teoria de seminário; é um quarto de oração frequentado diariamente (Hb 12.14). Quarta: o amor de Cristo não conhece fronteiras de cultura, raça ou idioma — e paga o preço social de amar os rejeitados (Gl 3.28). Quinta: a adversidade é ocasião de fidelidade, não desculpa para deserção (Tg 1.2-4). Sexta: ministério fecundo é ministério que forma sucessores (2Tm 2.2). Sétima: a intercessão nominal, perseverante e diária é, talvez, o serviço mais duradouro que um pastor pode prestar à sua igreja (1Sm 12.23).

Conclusão: honrar o legado é imitar a fé

Voltemos às perguntas do início. O que faz uma vida atravessar gerações? Não são os títulos, nem os púlpitos ocupados, mas a consagração integral a Cristo. A Escritura nos manda lembrar dos nossos guias, que nos falaram da palavra de Deus, considerar o resultado do seu procedimento e imitar a sua fé (Hb 13.7). Minha posição, portanto, é explícita: a melhor homenagem que esta geração pode prestar ao Rev. José Emílio Emerenciano não é um busto, nem apenas um livro, mas uma igreja que ore como ele orou, creia como ele creu e vá aonde o Senhor mandar, como ele foi.

Como a árvore plantada junto a correntes de águas (Sl 1.3), ele deu fruto no tempo certo, e sua sombra ainda nos abriga. Que os jovens metodistas livres do Brasil, ao lerem essa história, ouçam nela o mesmo chamado que um dia alcançou um menino em Macau, e respondam com a mesma inteireza: “Não importa onde for, seguirei meu Senhor”.

(Autor Bispo José Ildo Swartele de Mello)