Estudos do Bispo Ildo · Igreja e Ministério

Pastoreio e Liderança

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Como Enfrentar os Desafios Contemporâneos do Ministério Pastoral+

Introdução

Pastorear o rebanho de Deus nunca foi uma tarefa fácil. Hoje, então, nem se fala! Desde 1986, quando plantei minha primeira igreja ao lado do meu amigo Nilson, ainda no segundo ano de seminário, aprendi na prática que o ministério pastoral é uma jornada de altos e baixos, marcada por sacrifício, amor à missão e confiança absoluta em Deus. Deixamos para trás ambições terrenas e carreiras promissoras para abraçar um chamado genuíno, conscientes de que o contexto para pastores de tempo integral era de privações. Nosso amor a Deus e à Sua igreja superou nossos medos e preocupações, e nosso coração permaneceu fixado na missão de fazer discípulos, independentemente das circunstâncias.

No decorrer dos anos, enfrentei desafios de toda espécie. Mais recentemente, tenho observado que o ministério pastoral no contexto contemporâneo é especialmente complexo, com pressões que ameaçam não apenas a saúde emocional e espiritual dos líderes, mas também a própria missão e unidade da igreja. Entre os desafios enfrentados pelo ministério pastoral na atualidade, um aspecto que merece atenção especial é o impacto do aumento de escândalos e da proliferação de falsos profetas. Esses fatores têm gerado uma crise de confiança que afeta diretamente a relação entre pastores e suas congregações, promovendo dois extremos igualmente prejudiciais.

De um lado, o desprestígio e o desrespeito à liderança pastoral minam a autoridade espiritual necessária para guiar o povo de Deus. Quando a figura do pastor é constantemente questionada ou desvalorizada, torna-se difícil conduzir a igreja com eficácia, implementar disciplina espiritual e edificar a comunidade de fé.

Por outro lado, há o perigo do abuso de autoridade por parte de líderes que, esquecendo seu chamado para servir, tornam-se dominadores do rebanho. Esse tipo de liderança autoritária, longe de refletir o exemplo de Cristo, fere profundamente os membros da igreja, causando desconfiança, traumas espirituais e, muitas vezes, o afastamento das pessoas da fé.

Esses extremos criam um ciclo destrutivo: o desprestígio da liderança pastoral enfraquece a confiança nas instituições eclesiásticas, enquanto o abuso de autoridade alimenta a percepção de que pastores são manipuladores ou insensíveis. Para superar esse cenário, é imprescindível resgatar o modelo bíblico de liderança servidora, onde a autoridade pastoral é exercida com humildade, amor e responsabilidade, conforme o exemplo do Supremo Pastor, Jesus Cristo.

Além disso, convivemos com outros dilemas igualmente preocupantes: a frustração gerada por expectativas irreais, o isolamento pastoral, a tentação de basear a identidade no desempenho e nos resultados, e os extremos do ativismo desenfreado em busca de sucesso ou do comodismo e da falta de empenho.

Essas pressões representam uma tentação perigosa para o pastor: a de “trocar seu direito de primogenitura por um prato de lentilhas”. Assim como Esaú, que por um momento de fome e desejo imediato desprezou sua herança valiosa (Gênesis 25.29-34), alguns líderes podem ser seduzidos a sacrificar a sã doutrina e comprometer seus princípios em troca de resultados rápidos, reconhecimento ou sucesso aparente.

A ambição desmedida pode levar pastores a adotarem métodos e práticas estranhas ao evangelho, permitindo que o desejo por aprovação e crescimento numérico comprometa seu caráter e integridade. Nesse processo, a mensagem pura do evangelho é diluída, e o pastor corre o risco de perder o foco de seu verdadeiro chamado. O apóstolo Paulo alertou sobre esse perigo:

“Pois nós não somos, como tantos, mercadores da palavra de Deus; antes, em Cristo falamos na presença de Deus com sinceridade, como pessoas enviadas por Deus.” ( 2 Co 2.17)

Essa troca insensata de valores eternos por benefícios temporários não apenas prejudica o líder, mas também compromete a comunidade que ele serve. Quando a ambição supera a missão, o pastor deixa de ser um servo fiel para se tornar um mercador da fé, colocando em risco a saúde espiritual da igreja. É imprescindível que os pastores resistam a essa tentação, permanecendo firmes na sã doutrina e praticando um ministério íntegro. Afinal, no Dia do Juízo, que não sejam surpreendidos ao ouvir do Justo Juiz:

” Apartem-se de mim, vocês que praticam o mal, pois eu não os conheço” (Mt 7.23), mas sim as palavras tão desejadas: “Muito bem, servo bom e fiel; você foi fiel no pouco, eu o colocarei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor” (Mt 25.21).

A exortação bíblica é clara: “Retenha com fé e amor em Cristo Jesus o modelo da sã doutrina que você ouviu de mim. Guarde o bom depósito com a ajuda do Espírito Santo que habita em nós.” ( 2 Tm 1.13-14)

Ao lembrar-se de seu chamado e da importância de permanecer fiel à Palavra de Deus, o pastor evita cair na armadilha de sacrificar o que é precioso em troca de gratificações imediatas. É necessário colocar a ambição sob a submissão de Cristo, permitindo que Ele direcione o ministério conforme Sua vontade e propósito.

Dessa forma, o líder mantém sua integridade, honra a Deus e serve ao rebanho com amor e verdade, evitando os perigos de comprometer seu caráter por causa de ambições pessoais. O chamado pastoral é nobre e exige uma dedicação que não pode ser vendida ou trocada por nenhum ganho terreno.

Cada um desses desafios compromete não apenas a saúde espiritual e emocional dos pastores, mas também a vitalidade da igreja, exigindo uma abordagem equilibrada e centrada na Palavra de Deus.

Pesquisas mostram que apenas um terço dos líderes cristãos concluem suas carreiras ministeriais de maneira satisfatória. Essa estatística reflete a necessidade urgente de cuidar da saúde integral — corpo, alma e espírito — para perseverar e terminar bem. Na história bíblica, vemos um exemplo claro disso: dos três primeiros reis de Israel, apenas Davi conseguiu concluir seu reinado de forma íntegra, mantendo sua fidelidade a Deus.

A negligência no cuidado com o corpo, a alma e o espírito é um risco sério para pastores e líderes cristãos. O apóstolo Paulo nos adverte: “Que o mesmo Deus da paz os santifique em tudo. E que o espírito, a alma e o corpo de vocês sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.” ( 1 Ts 5.23)

Caleb, aos 85 anos, é um exemplo inspirador de vitalidade e perseverança. Ele declara com confiança: “Estou tão forte hoje como no dia em que Moisés me enviou.” ( Js 14.10-11). Seu vigor físico e espiritual testemunha que é possível viver uma vida longa e frutífera com dedicação e confiança em Deus. O ministério pastoral não é uma corrida de velocidade, mas uma maratona que exige sabedoria para dosar esforços e manter a resistência ao longo do tempo. “A sabedoria grita nas ruas; nas praças, levanta a sua voz.” ( Pv 1.20)

Este estudo não é apenas uma reflexão teórica; ele nasce do fruto de décadas de ministério pastoral. Meu objetivo é explorar os desafios e perigos que rondam a vocação pastoral, oferecendo um caminho para fortalecer uma teologia de ministério bíblica e saudável. Meu desejo é encorajar pastores, líderes e a própria igreja a resgatar o valor do chamado pastoral e construir um ministério mais fiel, frutífero e comprometido com a missão, a glória de Deus e o amor pelo Seu rebanho. Que possamos, juntos, refletir o coração do Supremo Pastor, Jesus Cristo.

1. Enfrentando o Desprestígio do Pastor e Desrespeito à Liderança Pastoral Nos tempos atuais, o desprestígio e o desrespeito à liderança pastoral têm se tornado questões alarmantes dentro da igreja. Diversos fatores contribuem para esse quadro, como o aumento de escândalos envolvendo líderes religiosos, o que reforça preconceitos já existentes e leva à generalização negativa. Além disso, vivemos em uma geração que frequentemente desrespeita autoridades em todas as esferas (2Tm 3.1-2). Essa conjuntura cria um ambiente de desconfiança e dificuldade para os pastores exercerem sua vocação com a devida autoridade espiritual. O desrespeito à liderança pastoral promove divisões e facções, enfraquecendo a unidade da igreja e comprometendo sua capacidade de cumprir sua missão no mundo (1Co 1.10-11). Além disso, a desvalorização dos pastores pode levar ao desânimo e ao esgotamento, prejudicando não apenas o bem-estar do líder, mas também a eficácia de seu ministério (Gl 6.9).

1.1. Fundamentação Bíblica A liderança pastoral é um chamado divino que requer reconhecimento, respeito e cooperação por parte da congregação. A Bíblia enfatiza a importância do pastor como líder espiritual e a responsabilidade da igreja de honrar sua liderança.

Hebreus 13.17:

“Obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles. Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas.” Esse versículo destaca tanto a responsabilidade do pastor em cuidar do rebanho quanto o dever da igreja de respeitar e cooperar com sua liderança.

1 Tessalonicenses 5.12-13:

“Agora lhes pedimos, irmãos, que tenham consideração para com os que se esforçam no trabalho entre vocês, que os lideram no Senhor e os aconselham. Tenham-nos na mais alta estima, com amor, por causa do trabalho deles.” Paulo exorta a igreja a reconhecer e valorizar o trabalho dos pastores.

1 Timóteo 5.17:

“Os presbíteros que lideram bem a igreja são dignos de dupla honra, especialmente aqueles cujo trabalho é a pregação e o ensino.” Aqui, vemos o valor da dedicação pastoral, especialmente na pregação e no ensino.

1.2. Respostas Práticas Para reverter esse quadro, são necessárias estratégias que promovam uma compreensão bíblica da liderança pastoral e restaurem a confiança e o respeito no relacionamento entre pastor e igreja. a. Educação Bíblica Ensinar a congregação sobre o papel bíblico do pastor ajuda a alinhar as expectativas com os padrões das Escrituras.

Efésios 4.11-12:

“E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado.” b. Cultura de Honra Promover uma cultura de honra e respeito mútuo fortalece os relacionamentos dentro da igreja.

Romanos 12.10:

“Amem-se cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-se em honra uns aos outros.” 1 Pedro 5.5:

“Revistam-se todos de humildade no relacionamento mútuo, porque Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes.” c. Comunicação Aberta Diálogos transparentes entre pastores e congregação sobre expectativas, desafios e realidades ministeriais promovem cooperação e entendimento.

Provérbios 15.22:

“Sem conselhos os planos fracassam, mas com muitos conselheiros há sucesso.” Colossenses 4.6:

“O falar de vocês seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um.” d. Restabelecer a Confiança Os pastores devem demonstrar integridade, humildade e transparência, reconstruindo a confiança por meio de uma liderança piedosa e exemplar.

1 Pedro 5.3:

“Não como dominadores dos que lhes foram confiados, mas como exemplos para o rebanho.” 1 Timóteo 4.12:

“Seja um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza.”

2. Enfrentando o Abuso da Liderança Pastoral

2.1. Fundamentação Bíblica O abuso de autoridade pastoral é veementemente condenado nas Escrituras. A liderança no Reino de Deus é baseada em humildade, serviço e amor ao próximo.

1Pe 5.2-3: “Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Não façam isso por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer; não por ganância, mas com o desejo de servir; não como dominadores dos que lhes foram confiados, mas como exemplos para o rebanho.” Mt 20.25-28: “Quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo; como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” Esses textos revelam o modelo de liderança servidora de Cristo, que deve ser o padrão para todos os líderes espirituais.

2.2. Consequências do Abuso de Autoridade a. Feridas Espirituais O abuso pastoral pode deixar cicatrizes profundas, afastando membros da fé e gerando desconfiança na igreja.

Ez 34.4: “Vocês não fortaleceram as fracas, não curaram as doentes, não enfaixaram as feridas, não trouxeram de volta as desgarradas nem procuraram as perdidas. Vocês têm dominado sobre elas com dureza e brutalidade.” Deus condena severamente líderes que exercem autoridade com dureza. b. Clima de Medo Um ambiente de opressão impede o crescimento espiritual e sufoca a liberdade no corpo de Cristo.

2Tm 1.7: “Pois Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio.” c. Perda de Credibilidade Quando líderes abusam de sua autoridade, eles perdem a confiança do rebanho, comprometendo sua eficácia no ministério.

2.3. Respostas Práticas a. Estabelecimento de Prestação de Contas Pv 27.17: “Assim como o ferro afia o ferro, o homem afia o seu companheiro.” A criação de estruturas de supervisão e prestação de contas é essencial para evitar abusos. Pastores devem ser acompanhados por conselhos espirituais e mentores que os ajudem a manter sua conduta alinhada aos princípios bíblicos. b. Promoção de Formação Espiritual Contínua 2Pe 3.18: “Cresçam, porém, na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” Capacitar líderes com treinamento teológico e discipulado contínuo promove humildade e serviço sincero, reduzindo a probabilidade de abusos. c. Encorajamento à Participação Ativa Ef 4.15-16: “Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo. Dele todo o corpo… cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na medida em que cada parte realiza a sua função.” Envolver a igreja em processos de decisão e serviço reduz o desequilíbrio de poder e aumenta a transparência, fortalecendo a comunidade como um todo. d. Implementação de uma Liderança Servidora Jo 13.14-15: “Se eu, sendo Senhor e Mestre, lavei os pés de vocês, vocês também devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz.” O treinamento pastoral deve enfatizar a liderança servidora de Cristo, cultivando corações dispostos a servir ao invés de dominar. e. Adoção de uma Cultura de Transparência e Confiança Pv 11.14: “Sem diretrizes a nação cai; o que a salva é ter muitos conselheiros.” Estabelecer canais claros de comunicação e abertura para denúncias ou feedbacks protege o rebanho contra abusos e fortalece a confiança na liderança. f. Implementação de Sistemas de Prestação de Contas e Governança Coletiva Um sistema robusto de governança coletiva é uma ferramenta eficaz para prevenir abusos de autoridade pastoral. A Igreja Metodista Livre oferece um exemplo claro de como a estrutura organizacional pode proteger o rebanho e assegurar uma liderança equilibrada, servidora e transparente.

Na Igreja Metodista Livre:

Governança Democrática Local: O pastor não governa sozinho. Ele preside uma junta administrativa, composta por membros democraticamente eleitos pela assembleia da igreja local, que inclui todos os membros. Todas as decisões são tomadas coletivamente, garantindo um equilíbrio de poder.

Prestação de Contas Multinível: Pastores não apenas prestam contas à diretoria e à assembleia local, mas também ao concílio regional, do qual fazem parte. Esse concílio é liderado por um superintendente, que também não governa sozinho, mas em parceria com comissões e diretorias compostas por clérigos e leigos em igual número.

Supervisão Regional e Nacional: Os concílios regionais prestam contas ao Bispo e à diretoria do concílio geral. Estes líderes são eleitos democraticamente pela assembleia geral, composta por pastores e delegados leigos de todas as igrejas locais.

Conexão Internacional: O concílio geral está sujeito à supervisão do Concílio Mundial, que assegura fidelidade doutrinária, normas éticas e conformidade estrutural para o cumprimento da missão global da igreja.

Manual de Governo: Todo o sistema opera sob um Manual de Governo, que fornece diretrizes claras para a conduta pastoral, o funcionamento das igrejas e os processos de decisão.

Benefícios deste Sistema Transparência e Confiança: A supervisão em várias camadas e a governança coletiva reduzem significativamente o risco de concentração de poder e abuso de autoridade.

Equilíbrio de Poder: Comissões compostas por leigos e clérigos asseguram que nenhuma pessoa ou grupo exerça domínio indevido sobre a comunidade de fé.

Fidelidade Doutrinária e Ética: A prestação de contas à igreja local, concílios regionais e ao Concílio Mundial promove a manutenção da integridade teológica e ética.

Participação Democrática: O envolvimento de membros leigos em todos os níveis fortalece o vínculo entre a liderança e a congregação.

Referência Bíblica:

Atos 15.6-29

: O Concílio de Jerusalém exemplifica um modelo de governança coletiva, onde líderes se reuniram para debater e decidir questões doutrinárias em comunidade.

Pv 11.14: “Sem diretrizes a nação cai; o que a salva é ter muitos conselheiros.” Ef 4.11-12: “E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado.” Ao adotar estruturas de governança semelhantes, a igreja pode minimizar abusos de autoridade pastoral e cultivar uma liderança que reflete os princípios de humildade, serviço e transparência encontrados na Palavra de Deus.

3. O Impacto do Desrespeito e Insubmissão nos Pastores

3.1. Efeitos Emocionais e Espirituais a. Sentimentos de Rejeição e Isolamento

Salmo 55.12-14

: O salmista expressa a dor da traição:

“Se um inimigo me insultasse, eu poderia suportar… Mas logo você, meu igual, meu companheiro, meu amigo chegado…” Pastores podem sentir profunda dor quando enfrentam desrespeito. b. Estresse e Ansiedade

Filipenses 4.6-7:

“Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas… a paz de Deus… guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus.” O desrespeito pode aumentar a ansiedade pastoral. c. Esgotamento Espiritual e Desânimo

1 Reis 19.4

: Elias, após enfrentar oposição, desejou a morte:

“Já tive o bastante, Senhor. Tira a minha vida…” Pastores podem chegar a extremos de desânimo.

3.2. Estratégias para o Autocuidado Pastoral a. Cultivar Vida Espiritual Saudável

Marcos 1.35:

“De madrugada, ainda bem escuro, Jesus levantou-se, saiu de casa e foi a um lugar deserto, onde ficou orando.” Seguir o exemplo de Jesus na busca por renovação espiritual. b. Desenvolver Apoio Relacional

Provérbios 17.17:

“O amigo ama em todos os momentos; é um irmão na adversidade.” Pastores precisam de amigos e mentores que ofereçam apoio. c. Estabelecer Limites Saudáveis

Êxodo 18.17-18

: Jetro aconselha Moisés a delegar:

“O que você está fazendo não é bom. Você e o seu povo ficarão esgotados…” Delegar responsabilidades é essencial. d. Buscar Crescimento Pessoal

Provérbios 9.9:

“Instrua o sábio, e ele será ainda mais sábio; ensine o justo, e ele aumentará o seu saber.” Aprender com as experiências e críticas promove crescimento. e. Aconselhamento Profissional

Provérbios 11.14:

“Sem diretrizes a nação cai; o que a salva é ter muitos conselheiros.” Buscar aconselhamento e ajuda profissional é sábio e necessário.

4. O Perigo do Isolamento Pastoral

4.1. Causas do Isolamento a. Expectativas Irrealistas e Pressões Internas

2 Coríntios 11.28

: Paulo fala sobre a pressão diária de preocupação com as igrejas:

“Além disso, enfrento diariamente a pressão de minha preocupação por todas as igrejas.” A carga ministerial pode levar ao isolamento. b. Desconfiança e Críticas Constantes

Neemias 6.9:

“Estavam todos tentando intimidar-nos… Por isso, eu orei: ‘Agora, fortalece as minhas mãos!'” A oposição pode levar o líder a se isolar.

4.2. Consequências do Isolamento a. Esgotamento Emocional e Espiritual

Provérbios 18.1:

“Quem se isola busca interesses egoístas e se rebela contra a sensatez.” O isolamento pode levar ao esgotamento e decisões insensatas. b. Vulnerabilidade a Tentação e Desânimo

Eclesiastes 4.10:

“Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não tem quem o ajude a levantar-se!” A falta de apoio aumenta a vulnerabilidade.

4.3. Combate ao Isolamento a. Cultivar Relacionamentos Saudáveis

Hebreus 10.24-25:

“E consideremos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de nos reunir…” A comunhão é vital. b. Delegar Responsabilidades

Atos 6.2-4

: Os apóstolos delegam tarefas:

“Não é certo negligenciarmos o ministério da palavra de Deus a fim de servir às mesas…” Compartilhar responsabilidades é bíblico. c. Participar de Comunidades Pastorais

Gálatas 6.2:

“Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo.” Pastores precisam carregar os fardos uns dos outros. d. Priorizar o Autocuidado

Marcos 6.31

: Jesus disse aos discípulos:

“Venham comigo para um lugar deserto e descansem um pouco.” O descanso é essencial para a saúde.

5. Frustrações do Ministério e a Visão Romântica

5.1. Expectativas Irrealistas a. Visão Romântica do Ministério

Jeremias 20.7-8

: Jeremias expressa sua frustração:

“Tu me iludiste, Senhor, e eu me deixei iludir… A palavra do Senhor trouxe-me insulto e censura o tempo todo.” Mesmo profetas enfrentaram frustrações. b. Comparações com Outros Ministérios

2 Coríntios 10.12:

“Não nos atrevemos a nos igualar ou comparar com alguns que se recomendam a si mesmos…” Comparações são insensatas.

5.2. A Parábola do Semeador como Referência

Mateus 13.3-9,18-23

: A parábola do semeador mostra que nem todas as sementes produzem fruto. Jesus explica que diferentes solos representam diferentes respostas à palavra.

5.3. Estratégias para Lidar com Frustrações a. Ajustar Expectativas

Isaías 55.8-9:

“Pois os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês… assim são os meus caminhos mais altos do que os seus caminhos…” Reconhecer que os planos de Deus são superiores. b. Focar na Fidelidade, Não nos Resultados

1 Coríntios 4.2:

“O que se requer destes encarregados é que sejam fiéis.” A fidelidade é o requisito fundamental. c. Celebrar Pequenos Frutos

Zacarias 4.10:

“Pois aqueles que desprezaram o dia das pequenas coisas terão grande alegria…” Valorizar cada progresso. d. Buscar Força em Deus e na Comunidade

Salmo 37.5:

“Entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá.” Confiar em Deus traz renovação.

6. Pressões das Redes Sociais e Comparações

6.1. Impacto das Redes Sociais a. Idealização de Ministérios As redes sociais frequentemente mostram apenas os aspectos positivos, criando uma ilusão de perfeição. b. Competitividade e Perda de Membros

1 Coríntios 3.4-7

: Paulo repreende a competição:

“Pois quando alguém diz: ‘Eu sou de Paulo’, e outro: ‘Eu sou de Apolo’, não estão sendo mundanos?” O foco deve estar em Deus, que dá o crescimento.

6.2. Respostas Saudáveis a. Reconhecer a Parcialidade das Redes Sociais

Provérbios 14.15:

“O inexperiente acredita em qualquer coisa, mas o homem prudente vê bem onde pisa.” Ser crítico em relação ao que se vê. b. Focar na Missão Local

Atos 20.28:

“Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho…” A responsabilidade primeira é com o rebanho local. c. Redefinir Sucesso

Miquéias 6.8:

“Ele mostrou a você, ó homem, o que é bom e o que o Senhor exige: pratique a justiça, ame a misericórdia e ande humildemente com o seu Deus.” O sucesso é medido pela obediência a Deus. d. Usar as Redes com Sabedoria

Efésios 5.15-16:

“Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade…” Usar as redes para edificação.

7. Identidade Pastoral Baseada no Desempenho e Resultados

7.1. Riscos Associados a. Crise Vocacional

Jeremias 1.5-8

: Deus afirma o chamado de Jeremias, independentemente de resultados:

“Antes de formá-lo no ventre eu o escolhi…” b. Esgotamento Emocional e Espiritual

Mateus 11.28-30:

“Venham a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso…” Jesus oferece alívio do fardo pesado. c. Perda do Foco Espiritual

Apocalipse 2.2-4:

“Conheço as suas obras… Contudo, tenho contra você o fato de que você abandonou o seu primeiro amor.” É possível trabalhar intensamente e perder o foco no amor a Deus.

7.2. Estratégias para Prevenir o Esgotamento a. Fundamentar a Identidade em Cristo

Gálatas 2.20:

“Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.” A identidade está em Cristo. b. Redefinir Sucesso

João 15.5:

“Eu sou a videira; vocês são os ramos… sem mim vocês não podem fazer coisa alguma.” O fruto vem de permanecer em Cristo. c. Cultivar Resiliência e Paciência

Tiago 1.4:

“E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem que falte a vocês coisa alguma.” A maturidade vem com o tempo e a perseverança. d. Desenvolver Relacionamentos Saudáveis

2 Timóteo 2.22:

“Fuja dos desejos malignos da juventude e siga a justiça… juntamente com os que, de coração puro, invocam o Senhor.” Buscar comunhão com outros fiéis. e. Priorizar a Saúde Espiritual

Salmo 23.3:

“Restaura-me o vigor. Guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome.” Deixar-se restaurar por Deus.

8. O Espírito Competitivo da Época e o Esgotamento dos Jovens A sociedade atual está profundamente marcada por uma cultura de competitividade e busca incessante por reconhecimento. Essa mentalidade, amplificada pelas redes sociais, não apenas molda a forma como os jovens se veem, mas também influencia seu desempenho e expectativas no ministério. No contexto pastoral, tais pressões podem levar ao esgotamento emocional e espiritual, comprometendo a saúde integral e o impacto do ministério.

8.1. Pressões Culturais a. Competitividade e Busca por Resultados Rápidos A competição desenfreada é uma marca de nossa época. Em um mundo onde o sucesso é frequentemente medido pela velocidade e pelo volume de realizações, muitos jovens se veem pressionados a alcançar resultados rápidos, muitas vezes sacrificando qualidade, reflexão e equilíbrio espiritual. Essa busca constante pode ser fútil e insatisfatória, como o sábio autor de Eclesiastes reconheceu:

“Descobri que todo trabalho e toda realização surgem da competição que existe entre as pessoas. Mas isso também é inútil, é correr atrás do vento” (Ec 4.4).

Essa mentalidade afeta o ministério de diversas formas:

Pastores jovens podem medir seu valor com base em números, como o crescimento da igreja ou o alcance de suas pregações nas redes sociais, ignorando que o sucesso no Reino de Deus é medido pela fidelidade e obediência.

A comparação com outros líderes pode gerar inveja e sentimentos de inadequação, desviando o foco da missão e da dependência em Deus. b. Sociedade dos “Likes” e Validação Externa As redes sociais introduziram uma nova forma de validação externa. O número de “curtidas,” “compartilhamentos” e “seguidores” passou a ser visto como uma métrica de sucesso, gerando ansiedade e insatisfação, especialmente entre os jovens. O apóstolo Paulo alerta contra essa busca por aprovação humana:

“Acaso busco eu agora a aprovação dos homens ou a de Deus? Ou estou tentando agradar aos homens? Se eu ainda estivesse tentando agradar aos homens, não seria servo de Cristo” (Gl 1.10).

Esse desejo por reconhecimento imediato e público pode levar ao desgaste e à perda do foco espiritual:

Muitos acabam adaptando sua mensagem para agradar o público, diluindo a verdade do Evangelho.

A constante necessidade de validação pode criar uma dependência emocional prejudicial, minando a confiança em sua identidade em Cristo.

8.2. Impacto na Saúde Espiritual, Emocional e Física a. Esgotamento Espiritual e Emocional A pressão por resultados rápidos e validação externa frequentemente leva ao esgotamento. Líderes jovens, sobrecarregados pelas expectativas culturais, podem sentir que nunca são bons o suficiente, desenvolvendo sentimentos de ansiedade e frustração.

“Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso” (Mt 11.28). b. Crise de Identidade e Comparações A comparação constante com outros líderes e ministérios pode gerar uma crise de identidade. Ao perder de vista seu chamado único, muitos jovens pastores podem começar a se questionar, enfraquecendo sua confiança em Deus e em si mesmos.

“Não nos atrevemos a nos igualar ou a nos comparar com alguns que se recomendam a si mesmos. Quando se medem e se comparam consigo mesmos, agem sem entendimento” (2Co 10.12).

8.3. Respostas Bíblicas e Estratégias Práticas a. Redefinir Sucesso O sucesso no Reino de Deus não é medido por números, mas pela fidelidade ao chamado divino. “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas” (Mt 6.33). b. Desenvolver Ritmos Saudáveis Criar um equilíbrio entre trabalho, descanso e comunhão com Deus é essencial para evitar o esgotamento. “Será inútil levantar cedo e dormir tarde, trabalhando arduamente por alimento. O Senhor concede o sono àqueles a quem ele ama” (Sl 127.2). c. Cultivar Identidade em Cristo A verdadeira identidade está enraizada em Cristo, e não em métricas externas ou comparações. “Pois somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos” (Ef 2.10). d. Promover a Comunidade e o Discipulado A comunidade é uma fonte de apoio essencial para os jovens enfrentarem as pressões culturais. “Consideremo-nos também uns aos outros, para nos incentivarmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de reunir-nos como igreja” (Hb 10.24-25). e. Encorajar Perseverança Lembrar que o crescimento e os frutos pertencem a Deus traz paz e confiança ao jovem pastor. “E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo certo colheremos, se não desistirmos” (Gl 6.9).

8.4. Conclusão O espírito competitivo da época é uma armadilha perigosa que pode desviar os jovens pastores de sua verdadeira missão e identidade em Cristo. No entanto, ao priorizar a fidelidade, o descanso em Deus e a comunhão, é possível superar essas pressões e viver um ministério equilibrado e frutífero. Que o exemplo de Cristo inspire cada pastor a liderar com humildade e paz, rejeitando os padrões do mundo e abraçando a sabedoria divina. “ Ora, além disso, o que se requer destes encarregados é que cada um deles seja encontrado fiel. ” (1Co 4.2).

9. A Saúde Integral do Pastor: Corpo, Alma e Espírito

Como o apóstolo Paulo exortou Timóteo, o pastor deve ser exemplo em todas as áreas de sua vida, servindo como modelo para o rebanho seguir: “Torna-te padrão para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza.” ( 1 Tm 4.12).

Esse padrão de conduta abrange todas as dimensões da vida pastoral: o estilo de vida, as relações interpessoais, o amor, a compaixão, a honestidade, a bondade, a humildade, a paz, a alegria, o domínio próprio, a temperança, a paciência, a sabedoria, a prudência (1 Tm 4.12; Cl 3.12; Fp 4.4; Rm 12.18; Gl 5.22-23; Tg 3.13), e o constante crescimento na graça e no conhecimento do Senhor ( 2 Pe 3.18). Além disso, envolve um cuidado integral com o corpo, a mente e o espírito, que juntos refletem o compromisso de honrar a Deus e conduzir o rebanho com fidelidade e equilíbrio.

O cuidado espiritual é o alicerce do ministério pastoral, mas o corpo e a mente também têm um papel crucial. Como Paulo aconselhou a Timóteo:

“Cuide de você mesmo e da doutrina. Persevere nessas coisas, pois, agindo assim, você salvará tanto a si mesmo como aos que o ouvem.” ( 1 Tm 4.16).

O pastor é chamado a viver uma vida de mordomia integral, cuidando de todas as áreas de sua existência para glorificar a Deus e servir ao rebanho com eficácia. Esse cuidado começa com o espírito, avança para a alma e reflete no corpo, formando um ministério equilibrado e sustentável. “Que o mesmo Deus da paz os santifique em tudo. E que o espírito, a alma e o corpo de vocês sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.” ( 1 Ts 5.23).

A saúde integral não é um luxo ou secundária ao chamado pastoral; é um pré-requisito para perseverar e terminar bem a corrida ministerial. Esta seção abordará como cuidar dessas três dimensões, começando pelo corpo, passando pela alma e chegando ao espírito.

9.3. O Cuidado com o Espírito: Nutrir a Conexão com Deus A dimensão espiritual é a base do ministério pastoral. Pastores são chamados a liderar pela comunhão com Deus, mas muitas vezes se veem sobrecarregados e negligenciam práticas espirituais essenciais.

“Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim vocês também não podem dar fruto, se não permanecerem em mim.” (Jo 15.4).

A desconexão espiritual pode levar ao vazio ministerial, quando atividades substituem a devoção genuína. Pastores precisam priorizar os meios de graça para alimentar sua vida espiritual.

A verdadeira paz, ou shalom, segundo o conceito bíblico, vai além da ausência de conflitos. Ela implica solidez, integridade e bem-estar total, abrangendo todas as áreas da vida. No contexto do pastorado, a saúde espiritual inclui os seguintes aspectos:

Paz e Integração A saúde espiritual é marcada por quatro dimensões de paz que promovem integração e equilíbrio na vida do pastor:

Paz com Deus A reconciliação com Deus por meio de Cristo é a base de toda paz. O pastor, como líder espiritual, deve cultivar continuamente essa paz em sua comunhão diária com o Senhor.

“Justificados pela fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.” (Rm 5.1).

Paz consigo mesmo A saúde espiritual também envolve aceitação pessoal e descanso na identidade em Cristo, evitando a ansiedade e a comparação.

“Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele cuida de vocês.” (1 Pe 5.7).

Paz com o próximo Viver em paz com outros é fundamental para um testemunho fiel e para a construção da unidade na igreja.

“Se possível, no que depender de vocês, vivam em paz com todos.” (Rm 12.18).

Paz com a criação O cuidado com o mundo criado reflete o mandato cultural dado por Deus, um aspecto muitas vezes esquecido da saúde espiritual.

“O Senhor Deus tomou o homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e guardar.” (Gn 2.15).

Meios de Graça para a Saúde Espiritual Os meios de graça são práticas divinamente estabelecidas para sustentar e fortalecer a saúde espiritual. Elas são indispensáveis para manter a comunhão com Deus e a vitalidade no ministério pastoral.

Obras de Piedade Essas práticas espirituais promovem a devoção pessoal e a conexão com Deus:

Estudo da Bíblia:

Nutre a mente e o coração com a verdade de Deus.

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça.” (2 Tm 3.16).

Oração:

Mantém o diálogo contínuo com Deus.

“Orem continuamente.” (

1 Tss 5.17

). Adoração:

Reafirma a centralidade de Deus na vida.

“Adorem o Senhor na beleza da sua santidade; tremam diante dele, todos os povos.” (Sl 96.9).

Jejum:

Fortalece a dependência de Deus.

“Quando jejuarem, não mostrem uma aparência triste…” (Mt 6.16).

Congregação:

Fortalece a comunhão e o crescimento espiritual.

“Não deixemos de reunir-nos como igreja…” (Hb 10.25).

Ceia do Senhor:

Reafirma a graça de Cristo e a comunhão com o corpo.

“Não é fato que o cálice da bênção que abençoamos é a comunhão do sangue de Cristo? E não é fato que o pão que partimos é a comunhão do corpo de Cristo?” (1Co 10.16)

Obras de Misericórdia As obras de misericórdia são manifestações práticas do amor de Deus em ação. Por meio delas, expressamos compaixão e cuidado para com os outros, refletindo o caráter de Cristo. É impressionante como fazemos bem a nós mesmos ao buscar o bem dos outros, obedecendo ao chamado de amar ao próximo como a nós mesmos. ( Mc 12.31).

“Quem pratica a bondade faz bem a si mesmo, mas o homem cruel causa o seu próprio mal.” (Pv 11.17).

Obras de Misericórdia incluem:

Praticar boas obras:

Refletem o caráter de Cristo.

“Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras…” (Mt 5.16).

Visitar doentes e encarcerados:

Demonstram compaixão em ação.

“Estive enfermo e vocês cuidaram de mim; estive preso e vocês me visitaram.” (Mt 25.36).

Alimentar os famintos:

Atendem às necessidades básicas com generosidade.

“Quem tem dois casacos dê um a quem não tem nenhum; e quem tem comida faça o mesmo.” (Lc 3.11).

Dar generosamente:

Reflete um coração livre da avareza.

“Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria.” (

2 Coríntios 9.7

). Buscar justiça:

Promove o caráter de Deus no mundo.

“Busquem o bem, e não o mal, para que tenham vida.” (Am 5.14).

Fazer discípulos:

Cumpre o chamado supremo de Cristo.

“Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações…” (Mt 28.19).

O Resultado de uma Saúde Espiritual Robusta Uma vida espiritual saudável resulta em paz, força e propósito renovados, capacitando o pastor a liderar com integridade e alegria. Além disso, essa saúde reflete o próprio caráter de Cristo, atraindo outros a seguirem o exemplo do pastor.

“Vocês guardarão em perfeita paz aquele cujo propósito está firme, porque em você confia.” (Is 26.3).

O pastor que cuida de sua saúde espiritual, utilizando os meios de graça, encontra forças para enfrentar as pressões do ministério e para perseverar até o fim, glorificando a Deus e edificando o Seu povo.

9.2. O Cuidado com a Alma: Estabilidade Emocional e Resiliência A saúde emocional é frequentemente colocada em segundo plano no ministério, mas feridas não tratadas e pressões acumuladas podem levar ao esgotamento e ao burnout.

“Até os jovens se cansam e ficam exaustos, e os moços tropeçam e caem; mas aqueles que esperam no Senhor renovam as suas forças.” ( Is 40.30-31).

O esgotamento emocional compromete a resiliência e a estabilidade mental, tornando o pastor vulnerável a crises de identidade e a desconexões no relacionamento com Deus e o próximo.

Estratégias para Saúde Emocional:

Descubra Necessidades Básicas:

Identifique áreas emocionais negligenciadas e enfrente questões não resolvidas.

Fortaleça a Resiliência:

Desenvolva a capacidade de se recuperar de desafios emocionais e espirituais.

Evite Comparações:

A comparação é insensata e prejudica a autoestima.

“Quando eles se medem a si mesmos e se comparam consigo mesmos, agem sem entendimento.” (2 Co 10.12).

Busque Comunhão e Apoio:

Relacionamentos significativos fortalecem a saúde emocional. Se necessário, não se acanhe em buscar auxilio profissional.

“Encorajem-se uns aos outros todos os dias…” (Hb 3.13).

9.3. O Cuidado com o Corpo: Honrando o Templo do Espírito Santo O cuidado com o corpo é frequentemente negligenciado no ministério, mas as Escrituras nos ensinam que o corpo é templo do Espírito Santo e deve ser cuidado, honrado e respeitado: “Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo, que habita em vocês, e que lhes foi dado por Deus? Vocês não são de si mesmos; vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o corpo de vocês.” ( 1 Co 6.19-20).

Negligenciar o corpo pode levar ao esgotamento físico, que afeta diretamente a capacidade de ministrar com vigor e alegria. Exemplos bíblicos, como o de Moisés aconselhado por Jetro a evitar sobrecarga ( Êx 18.17-18), mostram a importância de delegar responsabilidades e evitar colapsos.

Pastores que não cuidam do corpo podem inadvertidamente comunicar uma mensagem de descuido ou desrespeito à criação de Deus. Isso compromete sua influência como exemplos de mordomia integral.

Práticas para uma Saúde Física Equilibrada:

Estilo de Vida Saudável:

Planeje uma rotina que inclua descanso, alimentação balanceada e atividade física.

“Ele lhes disse: ‘Venham comigo para um lugar deserto e descansem um pouco.'” (Mc 6.31).

Sono de Qualidade:

O descanso é essencial para restaurar o corpo.

“Inútil será levantar cedo e dormir tarde, trabalhando arduamente por alimento. O Senhor concede o sono àqueles a quem ama.” (Sl 127.2).

Conclusão

O cuidado com o corpo, a alma e o espírito é um chamado à mordomia integral. Quando pastores cuidam de todas essas áreas, eles não apenas honram a Deus, mas também se tornam mais eficazes no cumprimento de seu chamado. O apóstolo Paulo resume bem essa realidade: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.” ( 2 Tm 4.7).

Que cada pastor, confiando na graça de Deus, persevere em sua vocação com integridade, equilíbrio e dedicação. Assim, seu ministério refletirá a plenitude da vida em Cristo, para a glória de Deus e o bem do rebanho.

10. O Problema de uma Igreja que Não Quer um Pastor, mas um Funcionário 11.1. Distinção entre Pastor e Funcionário a. Papel Bíblico do Pastor

Efésios 4.11-12:

“E ele designou alguns para… pastores e mestres, com o fim de preparar os santos…” O pastor é dado por Deus para equipar a igreja. b. Visão de Funcionário Essa visão reduz o pastor a um mero empregado, desconsiderando o chamado divino.

10.2. Consequências dessa Mentalidade a. Perda de Direção Espiritual da Igreja

Provérbios 29.18:

“Onde não há revelação divina, o povo se desvia…” Sem liderança espiritual, a igreja se perde. b. Desgaste e Desânimo do Pastor

Hebreus 13.17:

“Obedeçam aos seus líderes… para que o trabalho deles seja uma alegria, não um peso…” Tratar o pastor como funcionário torna seu trabalho pesado.

10.3. Respostas para Reverter a Situação a. Educação sobre o Papel Pastoral

1 Tessalonicenses 5.12-13

: Ensinar a igreja a reconhecer o trabalho pastoral. b. Estabelecimento de Relacionamentos Saudáveis

Romanos 12.4-5:

“Assim também em Cristo nós, que somos muitos, formamos um corpo…” Valorizar o papel de cada membro, incluindo o pastor. c. Modelo de Servidão Mútua

Gálatas 5.13:

“Sirvam uns aos outros mediante o amor.” Todos são chamados a servir. d. Adotar uma Cultura de Respeito e Apoio

Hebreus 13.7:

“Lembrem-se dos seus líderes, que lhes falaram a palavra de Deus…” A lembrança e o respeito pelos líderes são bíblicos.

11. O Isolamento como Problema Recorrente do Pastor

O isolamento pastoral é um problema recorrente e perigoso no ministério. Embora os pastores sejam chamados a liderar e a cuidar do rebanho, muitas vezes eles negligenciam o próprio cuidado pessoal, ficando vulneráveis às pressões, ao desânimo e à solidão. A Bíblia apresenta tanto as causas como as consequências do isolamento e oferece estratégias para enfrentá-lo.

11.1. Causas do Isolamento O isolamento pastoral pode surgir de diversas fontes, muitas das quais estão relacionadas às expectativas que pastores enfrentam e às demandas do ministério.

Expectativas Irrealistas e Pressões Externas Pastores muitas vezes carregam o peso de expectativas irreais impostas por suas congregações, que esperam deles perfeição em todas as áreas. Essas demandas podem levar ao esgotamento e ao afastamento.

“Além disso, enfrento diariamente a pressão de minha preocupação por todas as igrejas.” (2 Co 11.28).

Falta de Apoio e Compreensão A liderança pastoral pode ser solitária, especialmente quando não há suporte adequado por parte da igreja ou de colegas no ministério.

“Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor recompensa pelo trabalho. Pois, se um cair, o outro levanta o seu companheiro.” (Ec 4.9-10).

Medo de Vulnerabilidade Os pastores podem hesitar em compartilhar suas lutas, temendo julgamentos ou falta de confidencialidade. Isso os leva a esconder suas dificuldades, agravando o isolamento.

“Confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados.” (Tg 5.16).

11.2. Consequências do Isolamento Esgotamento Emocional e Espiritual A solidão prolongada pode levar ao esgotamento, diminuindo a capacidade do pastor de liderar e ministrar.

“Quem se isola busca interesses egoístas e se rebela contra a sensatez.” (Pv 18.1).

Desânimo e Vulnerabilidade Espiritual O isolamento frequentemente resulta em sentimentos de inutilidade, desânimo e maior suscetibilidade a tentações.

“Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está tão perturbada dentro de mim? Ponha a sua esperança em Deus.” (Sl 42.11).

Comprometimento do Ministério Pastores isolados podem perder a conexão com seu chamado e se tornar menos eficazes em sua liderança.

“Se alguém não sabe governar bem a sua própria família, como poderá cuidar da igreja de Deus?” (1 Tm 3.5).

11.3. Estratégias para Combater o Isolamento Reconhecer a Necessidade de Comunhão O pastor deve priorizar a comunhão com Deus e com outros líderes, reconhecendo que o ministério não foi projetado para ser exercido sozinho.

“Consideremos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de reunir-nos como igreja.” (Hb 10.24-25).

Buscar Relacionamentos Autênticos É essencial que pastores construam amizades significativas com outros líderes ou mentores, pessoas em quem possam confiar plenamente.

“O amigo ama em todos os momentos; é um irmão na adversidade.” (Pv 17.17).

Delegar Responsabilidades e Compartilhar Cargas Delegar tarefas não é apenas prático, mas bíblico, permitindo ao pastor evitar sobrecarga e investir em relacionamentos.

“O que você está fazendo não é bom… Escolha homens capazes… e delegue a eles tarefas específicas.” (Êx 18.17-21).

Participar de Redes de Apoio Ministerial Organizações, conferências e grupos de apoio pastoral ajudam a criar espaços de encorajamento e troca de experiências.

“Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo.” (Gl 6.2).

Cultivar Intimidade com Deus A comunhão contínua com Deus renova forças e realinha o coração do pastor ao seu chamado.

“Ele fortalece o cansado e dá grande vigor ao que está sem forças.” (Is 40.29).

12. Dois Extremos: Ativismo Desenfreado e Comodismo

12.1. O Equilíbrio Bíblico entre Trabalho Diligente e Descanso em Deus As Escrituras nos chamam a trabalhar diligentemente para o Reino de Deus, mas também alertam contra o ativismo exagerado, que leva ao esgotamento e à autossuficiência. Por outro lado, a Bíblia adverte contra a preguiça e o comodismo, que resultam em negligência das responsabilidades dadas por Deus. a. Ativismo Desenfreado em Busca de Resultados Fundamentação Bíblica:

“Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Será inútil levantar cedo e dormir tarde, trabalhando arduamente por alimento. O SENHOR concede o sono àqueles a quem ama” (Sl 127.1-2).

“Ele lhes disse: ‘Venham comigo para um lugar deserto e descansem um pouco’. Pois tantos eram os que iam e vinham que eles não tinham nem chance de comer” (Mc 6.31).

Consequências do Ativismo Excessivo:

Esgotamento Físico e Espiritual:

Falta de descanso adequado leva ao colapso.

Dependência das Próprias Forças:

Confiar nos próprios esforços em vez de depender do poder de Deus.

Negligência de Relações Importantes:

Família e relacionamentos são prejudicados. b. Comodismo e Falta de Empenho Fundamentação Bíblica:

“Observe a formiga, preguiçoso; reflita nos caminhos dela e seja sábio! Ela não tem chefe, nem supervisor, nem governante, e ainda assim armazena as suas provisões no verão e na época da colheita ajunta o seu alimento. Até quando você vai ficar deitado, preguiçoso? Quando se levantará do seu sono? Um cochilo aqui, um cochilo ali, cruzar os braços e descansar mais um pouco; e a pobreza o atacará como um assaltante, e a miséria, como um homem armado” (Pv 6.6-11).

“Servo mau e preguiçoso! Você sabia que colho onde não plantei e junto onde não semeei? Então, você devia ter confiado o meu dinheiro aos banqueiros, para que quando eu voltasse o recebesse de volta com juros” (Mt 25.26-27).

Consequências do Comodismo:

Estagnação Espiritual e Ministerial:

A falta de empenho impede o crescimento pessoal e da igreja.

Desobediência ao Chamado de Deus:

Negligenciar os dons e responsabilidades dados por Deus.

Mau Testemunho:

A preguiça descredibiliza a seriedade da fé.

12.2. O Caminho do Equilíbrio a. Identidade Estabelecida em Cristo Nossa identidade deve estar fundamentada em quem somos em Cristo, não no que fazemos ou deixamos de fazer.

“Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos” (Ef 2.8-10).

“Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma” (Jo 15.5). b. Evitando Comparações, Competitividade e Inveja “Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito. Não sejamos presunçosos, provocando uns aos outros e tendo inveja uns dos outros” (Gl 5.25-26).

“Mas, se vocês abrigam no coração inveja amarga e ambição egoísta, não se gloriem disso nem neguem a verdade. Esse tipo de ‘sabedoria’ não vem dos céus, mas é terrena, não é espiritual, é demoníaca. Pois onde há inveja e ambição egoísta, aí há confusão e toda espécie de males” (Tg 3.14-16). c. Trabalhar Diligentemente Dependendo de Deus “Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens, sabendo que receberão do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servindo” (Cl 3.23-24).

“Pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele” (Fp 2.13). d. Descansar e Confiar em Deus “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11.28-30).

“Assim, ainda resta um descanso sabático para o povo de Deus; pois todo aquele que entra no descanso de Deus também descansa das suas obras, como Deus descansou das suas. Portanto, esforcemo-nos para entrar nesse descanso, para que ninguém venha a cair, seguindo aquele exemplo de desobediência” (Hb 4.9-11).

12.3. Aplicações Práticas a. Avaliação Pessoal e Ministerial Examinar Motivações:

Avalie se suas atividades estão sendo realizadas para a glória de Deus ou para satisfação pessoal.

Equilibrar Trabalho e Descanso:

Planeje um ritmo saudável que inclua tempo para descanso, família e renovação espiritual. b. Cultivar Contentamento em Cristo “Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação… Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.11-13).

“Conservem-se livres do amor ao dinheiro e contentem-se com o que vocês têm, porque Deus disse: ‘Nunca o deixarei, nunca o abandonarei'” (Hb 13.5). c. Promover Cooperação em vez de Competitividade “Assim como cada um de nós tem um corpo com muitos membros e esses membros não exercem todos a mesma função, assim também em Cristo nós, que somos muitos, formamos um corpo, e cada membro está ligado a todos os outros” (Rm 12.4-5).

“Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fez crescer. De modo que nem o que planta nem o que rega são alguma coisa, mas unicamente Deus, que efetua o crescimento… Pois nós somos cooperadores de Deus; vocês são lavoura de Deus e edifício de Deus” (1 Co 3.6-9). d. Evitar Comparações e Inveja “Não nos atrevemos a nos igualar ou a nos comparar com alguns que se louvam a si mesmos. Quando se medem e se comparam consigo mesmos, agem sem entendimento” (2 Co 10.12).

“Livrem-se, portanto, de toda maldade e de todo engano, hipocrisia, inveja e toda espécie de maledicência” (1 Pe 2.1).

12.4. Conclusão O equilíbrio entre diligência e descanso é essencial para um ministério saudável e eficaz. Evitar os extremos do ativismo desenfreado e do comodismo exige dependência de Deus, reconhecimento de nossa identidade em Cristo e compromisso em servir sem cair em comparações, competitividade ou inveja. Ao vivermos e ministrarmos assim, refletimos o caráter de Cristo e promovemos uma cultura de saúde espiritual na igreja.

13. O Desafio da Plantação, Crescimento e Expansão da Igreja

A plantação, o crescimento e a expansão da igreja são ministérios essenciais no Reino de Deus. Embora muitas vezes idealizados como empreendimentos vibrantes e frutíferos, esses esforços são trabalhos árduos, frequentemente marcados por desafios, frustrações e crescimento lento. Além disso, a cultura imediatista contemporânea intensifica as pressões, especialmente entre os mais jovens, que frequentemente buscam resultados rápidos, negligenciando o preparo necessário e os fundamentos bíblicos para essa obra exigente.

13.1. A Realidade do Trabalho na Igreja A Bíblia apresenta a plantação, o crescimento e a expansão da igreja como uma obra espiritual que exige esforço contínuo, paciência, fé e dependência de Deus. Esses esforços participam dos planos eternos do Senhor, realizados em obediência à Grande Comissão.

“Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fez crescer. De modo que nem o que planta nem o que rega são alguma coisa, mas unicamente Deus, que efetua o crescimento” (1Co 3.6-7).

Plantar e expandir igrejas é uma resposta direta ao mandamento de Cristo:

“Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei” (Mt 28.19-20).

Essa missão exige esforço e perseverança, pois o crescimento visível nem sempre é imediato. No entanto, é um trabalho vital, alinhado com o propósito eterno de Deus: trazer glória ao Seu nome e salvação às nações.

13.2. Motivação Correta Mais importante do que o que fazemos é por que fazemos. A motivação correta é essencial para perseverar em meio às dificuldades e honrar a Deus no cumprimento da missão. a. Amor a Cristo e Obediência ao Seu Mandamento A plantação, o crescimento e a expansão da igreja refletem nossa obediência a Cristo. Esses esforços não são opcionais, mas uma ordem direta de nosso Senhor.

“Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos” (Jo 14.15).

“Vocês receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra” (At 1.8). b. O Valor da Igreja nos Planos de Deus A motivação deve incluir uma compreensão do valor da igreja como instituição divina, comprada pelo sangue de Cristo, e destinada a ser Sua presença viva no mundo.

“Mediante a igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torna conhecida dos poderes e autoridades nas regiões celestiais” (Ef 3.10).

“Sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la” (Mt 16.18). c. Amar a Igreja como Cristo Amou Cristo demonstrou amor sacrificial pela igreja, e esse amor deve nos motivar a servi-la com dedicação.

“Cristo amou a igreja e entregou-se por ela” (Ef 5.25).

“Pastoreiem a igreja de Deus, que ele comprou com o seu próprio sangue” (At 20.28). d. Glorificar a Deus e Amar os Perdidos Todo esforço deve ter como objetivo glorificar a Deus e alcançar os perdidos.

“Façam tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31).

“O Filho do Homem veio buscar e salvar o que estava perdido” (Lc 19.10).

13.3. Desafios e Perigos a. Imediatismo e Superficialidade O imediatismo cultural pode levar a uma formação superficial e expectativas irreais.

“Não é bom ter zelo sem conhecimento, nem ser apressado e errar o caminho” (Pv 19.2). b. Comparações e Competitividade Comparar ministérios desvia o foco do chamado específico de Deus.

“Quando se medem e se comparam consigo mesmos, agem sem entendimento” (2Co 10.12).

13.4. Trabalhando com Propósito e Dependência A obra deve ser realizada com fidelidade e dependência total de Deus, reconhecendo que todo crescimento vem do Senhor. a. Trabalhando com Fidelidade “Não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos” (Gl 6.9). b. Trabalhando com Dependência de Deus “Eu sou a videira; vocês são os ramos… sem mim vocês não podem fazer coisa alguma” (Jo 15.5). c. Focando na Glória de Deus “Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre!” (Rm 11.36).

13.5. Renovação das Forças no Senhor A obra pode ser exaustiva, mas o Senhor renova as forças daqueles que esperam n’Ele.

“Até os jovens se cansam e ficam exaustos… mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças” (Is 40.30-31).

“Espere no Senhor. Seja forte! Coragem! Espere no Senhor” (Sl 27.14).

13.6. O Crescimento da Igreja Além da plantação, o crescimento e a expansão envolvem:

Discipulado contínuo:

“Ensinem-nos a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei” (Mt 28.20).

Unidade e cooperação:

“Assim como cada um de nós tem um corpo com muitos membros… formamos um corpo” (Rm 12.4-5).

Missão global:

“Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações” (Mt 28.19).

13.7. Conclusão A plantação, o crescimento e a expansão da igreja são trabalhos árduos, mas gloriosos. Devem ser realizados com motivação correta, dependência de Deus e perseverança. Que possamos trabalhar com fidelidade, lembrando que “sabemos que no Senhor, o trabalho de vocês não é vão” (1Co 15.58).

Conclusão Geral Os desafios enfrentados pelos pastores no contexto contemporâneo são complexos, mas não insuperáveis. Com uma teologia sólida do ministério pastoral, fundamentada nas Escrituras, é possível enfrentar esses desafios de maneira que glorifique a Deus e edifique a igreja. Restaurar a visão bíblica do pastor como líder espiritual, promover relacionamentos saudáveis, redefinir o sucesso à luz da fidelidade a Deus e enfrentar as pressões culturais com sabedoria são passos essenciais.

Ao abordar os extremos do ativismo desenfreado e do comodismo, reafirmamos a importância de uma identidade estabelecida em Cristo, livre de comparações, competitividade e inveja. O chamado pastoral é um chamado à fidelidade, ao serviço e ao amor, seguindo o exemplo de Cristo, o Supremo Pastor.

Espero que esteja seja um recurso útil para pastores, líderes e igrejas que desejam aprofundar sua compreensão do ministério pastoral à luz da Palavra de Deus. Que Deus fortaleça e encoraje todos os que estão envolvidos no serviço do Reino, seguros de que aquele que começou boa obra em vocês há de completá-la até o dia de Cristo Jesus.” (Fp 1.6), porque “Aquele que os chama é fiel, e fará isso” (1 Ts 5.24).

Amém!

Bispo Ildo Mello

O Dever Especial dos Pastores de Igrejas+

Acabei de ler o excelente livro PASTORES & DIÁCONOS BÍBLICOS de NEHEMIAH COXE & JOHN OWEN. 1ª Edição. Francisco Morato, SP. O Estandarte de Cristo. Segue resumo do capítulo intitulado "O Dever Especial dos Pastores de Igrejas" de autoria de John Owen, que aborda as responsabilidades centrais do ofício pastoral:

1. Alimentar o Rebanho por Meio da Pregação Diligente da Palavra Owen enfatiza que o dever primordial de um pastor é alimentar o rebanho através do ensino contínuo da Palavra de Deus, conforme Jeremias 3.15:

"Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentarão com conhecimento e inteligência." Ele afirma que este é o meio pelo qual Deus sustenta a igreja. A pregação é o centro do ofício pastoral; pastores que não ensinam ou negligenciam essa responsabilidade não estão cumprindo seu dever. Pedro, em João 21.15-17, recebeu o mandato de "apascentar as ovelhas", e esse dever foi transmitido a todos os pastores. Os apóstolos, conforme Atos 6.1-4, afastaram-se de outras responsabilidades para se dedicarem exclusivamente à pregação e à oração, orientação também válida para os líderes da igreja. Owen cita 1 Timóteo 5.17, que instrui que os pastores que governam bem, especialmente os que se dedicam à pregação e ao ensino, são dignos de dupla honra.

Ele destaca a importância de "trabalhar na palavra e na doutrina" (1 Tm 5.17) e ressalta a responsabilidade do pastor sobre o rebanho que o Espírito Santo o constituiu bispo (At 20.28). Owen enfatiza que os pastores devem se dedicar à pregação com a máxima diligência, deixando de lado outras atividades, lícitas ou não, que possam desviar sua atenção desse chamado principal. A incapacidade ou negligência nesse dever é vista como uma transgressão grave.

O Chamado para Alimentar o Rebanho (Jeremias 3.15)

Uma das passagens principais que Owen utiliza é Jeremias 3.15:

"Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentarão com conhecimento e inteligência." Este versículo expressa a promessa de Deus de enviar pastores que apascentarão o povo com conhecimento e entendimento. Aqui, "apascentar" equivale a ensinar. A responsabilidade dos pastores não é apenas supervisionar a congregação, mas também instruí-la com sabedoria e compreensão da Palavra de Deus. A pregação é o meio pelo qual Deus provê sustento espiritual para o Seu povo.

O Mandato de Jesus a Pedro (João 21.15-17)

Owen também faz referência à conversa entre Jesus e Pedro em João 21.15-17, onde Jesus instrui Pedro a cuidar de Suas ovelhas:

"Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. […] Pela terceira vez lhe perguntou: Simão, filho de João, tu me amas? Pedro ficou triste por ter lhe dito pela terceira vez: Amas-me? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que te amo. Jesus lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas." Jesus comissiona Pedro a apascentar Suas ovelhas, implicando alimentar o rebanho espiritualmente através do ensino e cuidado pastoral. Esse mandato a Pedro é visto como uma comissão não só para ele, mas para todos os pastores, que devem continuar o trabalho de Cristo, nutrindo o povo de Deus pela Palavra.

A Prioridade da Palavra e da Oração (Atos 6.1-4)

Atos 6.1-4 ilustra como os apóstolos, reconhecendo a importância de suas responsabilidades espirituais, decidiram separar-se de outras tarefas para se dedicar à pregação e à oração:

"Então, os Doze convocaram todos os discípulos e disseram: 'Não é certo negligenciarmos o ministério da palavra de Deus a fim de servir às mesas. […] Quanto a nós, nos dedicaremos à oração e ao ministério da palavra.'" Os apóstolos demonstram que o ministério da Palavra era tão importante que não podia ser negligenciado. Eles escolheram diáconos para cuidar de outras necessidades da igreja, para que pudessem concentrar-se exclusivamente na pregação e na oração. Owen destaca que essa é a orientação para todos os pastores: nada deve desviar a atenção do pastor de seu chamado principal, que é pregar a Palavra e orar pela congregação.

O Trabalho na Palavra e na Doutrina (1 Timóteo 5.17)

Paulo instrui Timóteo sobre o respeito e a honra devida aos pastores que se dedicam à pregação em 1 Timóteo 5.17:

"Os presbíteros que lideram bem a igreja são dignos de dupla honra, especialmente aqueles cujo trabalho é pregar e ensinar." Esta passagem realça que os pastores que trabalham diligentemente na palavra e no ensino são dignos de dupla honra. Isso significa que aqueles que se dedicam ao ensino contínuo e sério das Escrituras devem ser reconhecidos e apoiados pela igreja. Owen usa esse versículo para argumentar que o ensino diligente da Palavra é o centro do ministério pastoral e que essa responsabilidade deve ser tratada com extrema seriedade.

A Responsabilidade de Apascentar o Rebanho (Atos 20.28)

Em Atos 20.28, Paulo dá uma advertência solene aos presbíteros da igreja em Éfeso:

"Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a igreja de Deus, que ele comprou com o seu próprio sangue." O termo "pastorear" neste contexto inclui a responsabilidade de alimentar o rebanho com a Palavra de Deus. Owen vê essa exortação como um lembrete de que os pastores devem dedicar-se ao ensino, pois o rebanho é de grande valor — foi comprado com o sangue de Cristo. O pastor, portanto, tem um papel vital em nutrir a igreja espiritualmente por meio da pregação.

Diligência na Pregação (2 Timóteo 4.2)

Outra passagem importante é 2 Timóteo 4.2, onde Paulo exorta Timóteo a pregar a Palavra:

"Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, corrija, repreenda e encoraje com paciência e doutrina." Paulo destaca que a pregação deve ser feita com diligência e constância, independentemente das circunstâncias. O pastor deve estar sempre preparado para ensinar, corrigir e exortar o rebanho. Owen argumenta que a pregação é a principal ferramenta que Deus usa para corrigir e edificar a igreja, e por isso os pastores não devem ser negligentes nesse dever.

Advertência contra a Negligência (1 Coríntios 9.16)

Em 1 Coríntios 9.16, Paulo expressa o peso da responsabilidade de pregar:

"Pois, se prego o evangelho, não tenho de que me orgulhar, porque me é imposta essa obrigação; e ai de mim se não pregar o evangelho!" Esse versículo reflete o senso de urgência e responsabilidade que os pastores devem sentir em relação à pregação. Para Owen, pastores que não pregam ou que negligenciam esse dever estão falhando em cumprir sua obrigação diante de Deus. A pregação não é opcional, mas uma responsabilidade inescapável e essencial.

O Papel da Pregação na Edificação da Igreja (Efésios 4.11-12)

Efésios 4.11-12 fala sobre os dons que Cristo deu à igreja, incluindo pastores e mestres:

"E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado." O papel de pastores e mestres é fundamental para o aperfeiçoamento dos santos e a edificação da igreja. A pregação da Palavra é o meio pelo qual os crentes são equipados para o serviço e crescimento espiritual. Sem pregação diligente, a igreja não pode ser devidamente edificada.

Conclusão: Alimentar o Rebanho pela Pregação da Palavra Para John Owen, a pregação diligente da Palavra de Deus é o centro do ofício pastoral. Ele ressalta que pastores que não ensinam a Palavra não estão cumprindo seu dever. Textos como Jeremias 3.15, João 21.15-17, Atos 6.1-4, 1 Timóteo 5.17 e Atos 20.28 mostram que o principal chamado de um pastor é alimentar o rebanho com a Palavra de Deus. Isso exige dedicação, oração e um foco constante em ensinar a verdade das Escrituras.

Owen adverte que qualquer desvio ou negligência desse dever compromete o ministério pastoral e pode prejudicar a saúde espiritual da igreja. Portanto, pastores devem ser diligentes e fiéis no ensino, cumprindo sua chamada de nutrir o povo de Deus com conhecimento e sabedoria por meio da Palavra.

2. Orar Continuamente pelo Rebanho

O segundo dever do pastor, de acordo com Owen, é a oração fervorosa e constante pelo rebanho, como se vê em Atos 6.4:

"E nós nos dedicaremos à oração e ao ministério da palavra." Sem oração, nenhum pastor pode pregar adequadamente ou cumprir qualquer outro dever pastoral. A oração é essencial para o sucesso da Palavra, incluindo a edificação espiritual dos membros, o fortalecimento de suas graças e o direcionamento em seus deveres.

O pastor deve orar pela igreja em meio às tentações que enfrenta, que variam conforme as circunstâncias (perseguição, aflição, etc.). Ele deve orar pelas condições espirituais específicas de cada membro e pela presença de Cristo nas reuniões da igreja, por meio do Espírito Santo. Owen cita Mateus 18.20, referindo-se à presença de Cristo onde dois ou três estão reunidos em Seu nome, e insiste que os pastores devem orar pela eficácia das ordenanças divinas nas vidas dos crentes.

Perseverar na Oração e no Ministério da Palavra (Atos 6.4)

Owen baseia-se em Atos 6.4, onde os apóstolos afirmam a necessidade de se dedicar à oração e à pregação da Palavra:

"Mas nós nos dedicaremos à oração e ao ministério da palavra." Esse versículo enfatiza a importância da oração como uma das tarefas fundamentais dos líderes da igreja. Owen entende que, assim como os apóstolos priorizavam a oração e o ensino, os pastores devem fazer o mesmo. A oração contínua e focada é necessária para que o ministério pastoral seja eficaz, e sem ela, os pastores não podem verdadeiramente cumprir seus deveres, especialmente o da pregação.

A Oração como Base para o Sucesso da Palavra Owen acredita que a oração é essencial para o sucesso da pregação da Palavra e para a edificação espiritual dos membros da igreja. Sem oração, a pregação não pode ser eficaz. Por meio da oração, o pastor pede a Deus que fortaleça as graças espirituais dos crentes, guie-os em seus deveres e edifique suas vidas espirituais. A oração é o meio pelo qual a Palavra de Deus se torna viva e eficaz na vida dos ouvintes.

Orar pelas Tentações que o Rebanho Enfrenta Os pastores devem orar especialmente por seu rebanho em meio às tentações e desafios que enfrentam. Owen reconhece que as tentações variam de acordo com as circunstâncias, como perseguição, aflição ou tempos de paz. Cada fase traz desafios espirituais específicos, e o pastor deve estar atento a essas necessidades ao interceder pelo rebanho.

O exemplo clássico é o de Jesus, que orou por Pedro em Lucas 22.31-32:

"Simão, Simão, Satanás pediu vocês para peneirá-los como trigo. Mas eu orei por você, para que a sua fé não desfaleça. E quando você se converter, fortaleça seus irmãos." Assim como Jesus intercedeu por Pedro, sabendo da tentação que ele enfrentaria, Owen ensina que os pastores devem orar continuamente para que a fé dos crentes não desfaleça diante das provações e tentações.

Orar pelas Condições Espirituais de Cada Membro Além das orações gerais pela igreja, Owen destaca a importância de orar pelas condições espirituais específicas de cada membro. Isso inclui orar por aqueles que estão doentes, enfrentando provações, espiritualmente fracos ou distantes, e por aqueles que precisam de direção e crescimento espiritual. Os pastores devem ser cuidadosos em suas orações para que Deus fortaleça, cure e guie cada membro conforme suas necessidades.

Paulo, em Colossenses 1.9-10, oferece um exemplo de oração pelos crentes:

"Por essa razão, desde o dia em que ouvimos, não deixamos de orar por vocês e de pedir que sejam cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus, com toda a sabedoria e entendimento espiritual. E isso para que vocês vivam de maneira digna do Senhor, agradando-o em tudo, frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus." Assim, o pastor deve orar especificamente e continuamente para que os membros da igreja cresçam no conhecimento de Deus e em maturidade espiritual.

Orar pela Presença de Cristo nas Reuniões da Igreja (Mateus 18.20)

Owen afirma que os pastores devem orar pela presença de Cristo em todas as reuniões da igreja. Ele cita Mateus 18.20, onde Jesus promete Sua presença onde os crentes se reúnem:

"Pois onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles." Owen enfatiza que a oração pela presença de Cristo é crucial para que as ordenanças e reuniões da igreja sejam espiritualmente eficazes. Sem a presença de Cristo, os rituais e as ordenanças são apenas formas vazias. A oração pela presença do Espírito Santo garante que as reuniões da igreja sejam marcadas pela graça e poder de Deus, operando nos corações dos crentes.

Orar pela Eficácia das Ordenanças Divinas Outra área de intercessão pastoral mencionada por Owen é a oração pela eficácia das ordenanças divinas — especialmente o batismo e a Ceia do Senhor. As ordenanças são meios de graça, e Owen enfatiza que os pastores devem orar para que esses sacramentos sejam eficazes na vida espiritual dos crentes, confirmando e selando as promessas do Evangelho.

Ele destaca que, sem a oração contínua pela eficácia dessas ordenanças, elas podem se tornar meros rituais, sem impacto verdadeiro na vida dos crentes. Portanto, a oração pelo poder do Espírito Santo é essencial para que os sacramentos alcancem seu propósito de fortalecer a fé e a comunhão dos crentes com Cristo.

Conclusão: A Oração Contínua como Dever Pastoral John Owen ensina que a oração contínua e fervorosa é uma parte essencial do ministério pastoral. A oração não apenas sustenta o pastor em seu trabalho, mas também é fundamental para o sucesso da pregação da Palavra e para a edificação espiritual dos membros da igreja. Pastores devem orar regularmente pelas tentações e provações que os membros enfrentam, intercedendo por suas condições espirituais específicas e pedindo a presença de Cristo nas reuniões da igreja.

A oração pela eficácia das ordenanças divinas é igualmente importante, garantindo que o batismo e a Ceia do Senhor fortaleçam espiritualmente os crentes e confirmem as promessas do Evangelho. Seguindo o exemplo de Atos 6.4, os pastores devem perseverar na oração e na pregação da Palavra, sabendo que a oração é a base de todo o ministério pastoral bem-sucedido.

3. Administrar os Selos da Aliança (Sacramentos)

Owen afirma que administrar os sacramentos — batismo e Ceia do Senhor — é parte vital do dever pastoral, conforme Atos 20.28. Eles são selos visíveis da Palavra e devem ser administrados de acordo com as instruções de Cristo, sem acréscimos ou modificações. Ele adverte contra a introdução de ritos não instituídos por Cristo, que levam à idolatria, e cita 1 Coríntios 11.23, onde Paulo relembra a igreja de que ele recebeu do Senhor o que também ensinou sobre a Ceia.

Os pastores também devem assegurar que os sacramentos sejam administrados apenas aos que são dignos, conforme a regra do Evangelho. Não devem ser forçados a dar os sacramentos de forma indiscriminada.

A Fidelidade na Administração dos Sacramentos (1 Coríntios 11.23)

Paulo, em 1 Coríntios 11.23, enfatiza a importância de seguir as instruções de Cristo na administração da Ceia do Senhor:

"Pois recebi do Senhor o que também lhes entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão…" Owen destaca que os sacramentos devem ser administrados exatamente como Cristo ordenou, sem adições humanas. A fidelidade às instruções de Cristo garante que os sacramentos permaneçam puros e eficazes como meios de graça.

Cuidado com a Idolatria e Inovações (Deuteronômio 12.32)

Ele adverte contra a introdução de práticas não instituídas por Cristo, citando o princípio de Deuteronômio 12.32:

"Veja que você faça tudo o que eu ordeno; nada acrescente nem retire." Owen alerta que acrescentar ou modificar os sacramentos pode levar à idolatria e afastar a igreja da verdadeira adoração.

Administração Responsável dos Sacramentos (Mateus 7.6)

Os pastores devem administrar os sacramentos com discernimento, conforme Mateus 7.6:

"Não deem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos." Isso significa que os sacramentos devem ser oferecidos àqueles que estão preparados e em comunhão com a igreja, evitando sua profanação.

4. Preservar a Verdade do Evangelho

Pastores são os guardiões da doutrina do Evangelho na igreja, devendo preservá-la e defendê-la contra toda oposição. Eles são chamados a proteger a fé que uma vez foi dada aos santos, conforme Judas 1.3, e são advertidos contra a negligência, que pode resultar em heresias e erros dentro da igreja. Owen menciona Atos 20.30, onde Paulo alerta sobre falsos mestres que surgiriam de dentro da própria igreja, levando muitos ao erro.

Ele cita 1 Timóteo 1.11 e 2 Timóteo 4.7 como lembretes do dever de guardar e preservar o Evangelho. Também menciona 1 Timóteo 3.15, que descreve a igreja como "a coluna e fundamento da verdade", destacando a responsabilidade dos pastores nessa preservação.

Defender a Fé que Foi Dada aos Santos (Judas 1.3)

Judas 1.3 fala da responsabilidade dos pastores (e de todos os crentes) de lutar pela fé:

"Amados, embora estivesse muito ansioso para escrever-lhes acerca da salvação que compartilhamos, senti que era necessário escrever-lhes insistindo que batalhassem pela fé uma vez por todas confiada aos santos." Este versículo exorta os crentes a lutar pela fé e defender a verdade do Evangelho contra qualquer ataque ou distorção. Owen entende que os pastores, como líderes da igreja, têm uma responsabilidade particular de proteger a doutrina e manter a fé intacta.

A Ameaça dos Falsos Mestres (Atos 20.30)

Em Atos 20.30, Paulo faz um alerta aos presbíteros de Éfeso:

"E dentre vocês mesmos se levantarão homens que torcerão a verdade, a fim de atrair discípulos." Paulo adverte que falsos mestres surgiriam de dentro da própria igreja, distorcendo a verdade e levando muitos ao erro. Owen sublinha que os pastores precisam estar atentos a essa ameaça e devem ser capazes de identificar e confrontar falsos ensinamentos antes que causem danos à fé dos crentes.

A Igreja como Coluna e Firmeza da Verdade (1 Timóteo 3.15)

1 Timóteo 3.15 descreve a igreja como a coluna e fundamento da verdade:

"Mas, se tardar, para que saibas como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade." A igreja é chamada a ser um baluarte da verdade de Deus, e os pastores desempenham um papel central nisso. Como líderes espirituais, têm a responsabilidade de preservar a pureza da doutrina e garantir que a igreja permaneça firme na verdade do Evangelho.

Guardar o Depósito do Evangelho (1 Timóteo 1.11)

1 Timóteo 1.11 lembra os pastores da importância de guardar o depósito que lhes foi confiado:

"Conforme o evangelho da glória do Deus bendito, que me foi confiado." Paulo descreve o Evangelho como algo valioso e glorioso confiado aos pastores. Owen destaca que o Evangelho não pode ser alterado ou distorcido; deve ser preservado tal como foi entregue pelos apóstolos.

Combater o Bom Combate da Fé (2 Timóteo 4.7)

Em 2 Timóteo 4.7, Paulo declara:

"Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé." Paulo, ao final de sua vida, orgulha-se de ter guardado a fé. Owen vê este texto como um exemplo para os pastores, que devem ser vigilantes na defesa da fé e firmes em sua responsabilidade de preservar a verdade do Evangelho durante todo o seu ministério.

Conclusão: Preservar a Verdade do Evangelho Preservar a verdade do Evangelho é uma tarefa central para os pastores, como ensina John Owen. As Escrituras deixam claro que essa responsabilidade inclui defender a fé (Jd 1.3), proteger contra falsos mestres (At 20.30), ensinar a sã doutrina (Tt 1.9) e guardar o Evangelho (1 Tm 1.11). A igreja é a coluna e fundamento da verdade (1 Tm 3.15), e cabe aos pastores garantir que essa verdade seja mantida pura e intacta.

Owen alerta contra a negligência, que pode resultar em heresias e erros que ameaçam a saúde espiritual da igreja. Os pastores devem ser vigilantes, tanto em ensinar a verdade quanto em refutar os erros. Isso exige conhecimento profundo das Escrituras, discernimento espiritual e um compromisso firme com a verdade de Deus.

5. Trabalhar Diligentemente para a Conversão de Almas

Owen vê a conversão de almas como parte essencial do ministério pastoral. A pregação da Palavra é o meio primário para chamar pecadores ao arrependimento e fé. Ele menciona Romanos 1.16, que afirma que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todos os que creem.

Embora pastores tenham a responsabilidade de ensinar e edificar os crentes, também têm o dever de buscar a conversão dos não crentes. Owen enfatiza que isso deve ser feito não apenas nos cultos regulares da igreja, mas também em outras oportunidades providenciais. Ele reforça que a pregação pública é um dever contínuo e essencial para trazer almas a Cristo, conforme a Grande Comissão de Jesus em Mateus 28.19-20.

O Evangelho como Poder de Deus para a Salvação (Romanos 1.16)

Owen menciona Romanos 1.16:

"Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, depois do grego." Este versículo ressalta que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todos os que creem. Owen argumenta que a pregação do Evangelho é o meio primário pelo qual Deus chama pecadores ao arrependimento. Portanto, os pastores devem pregar com a convicção de que o poder transformador do Evangelho é capaz de converter qualquer pecador.

A Responsabilidade de Buscar a Conversão (1 Coríntios 9.16)

Em 1 Coríntios 9.16, Paulo expressa o peso da responsabilidade de pregar o Evangelho:

"Porque, se prego o evangelho, não tenho de que me orgulhar, pois me é imposta essa obrigação; ai de mim se não pregar o evangelho!" Paulo reconhece que a pregação do Evangelho não é uma escolha opcional, mas uma obrigação imposta por Deus. Owen destaca que os pastores têm o mesmo dever de buscar ativamente a conversão dos não crentes.

A Grande Comissão: Fazer Discípulos de Todas as Nações (Mateus 28.19-20)

Mateus 28.19-20 é fundamental para o entendimento da missão de evangelização dos pastores:

"Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos." Jesus comissiona os discípulos a fazer discípulos de todas as nações. Owen interpreta essa comissão como um chamado claro para os pastores trabalharem diligentemente na conversão de almas.

A Urgência da Pregação Pública (2 Timóteo 4.2)

Owen enfatiza a necessidade da pregação pública como um meio contínuo de alcançar os perdidos. Ele se apoia em 2 Timóteo 4.2:

"Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, corrija, repreenda e encoraje com toda a paciência e doutrina." Os pastores devem aproveitar todas as circunstâncias para pregar o Evangelho, buscando a conversão dos ouvintes.

Conclusão: Trabalhar para a Conversão de Almas John Owen enfatiza que a conversão de almas é um aspecto central do ministério pastoral. A pregação diligente da Palavra é o meio principal pelo qual Deus chama pecadores ao arrependimento e à fé. Além de edificar os crentes, os pastores têm o dever de buscar ativamente a conversão dos não crentes, seguindo o exemplo de Paulo e cumprindo a Grande Comissão de Jesus.

Owen destaca que isso deve ser feito não apenas nos cultos regulares, mas em todas as oportunidades providenciais. O pastor deve pregar o Evangelho com urgência e fidelidade, aproveitando todas as ocasiões para chamar os perdidos à fé. A conversão de almas é motivo de grande alegria no céu, e os pastores devem trabalhar continuamente para ver esse fruto em seu ministério.

6. Confortar e Revigorar os Aflitos e Tentados

Os pastores devem estar preparados para confortar aqueles que estão aflitos, tentados ou desanimados. Owen destaca Isaías 50.4, que menciona a língua instruída que sabe "sustentar com uma palavra o que está cansado". O pastor precisa ter sabedoria e experiência espiritual para lidar com diversas situações, como tentações, aflições ou provações severas que os membros enfrentam.

A Sabedoria para Falar ao Cansado (Isaías 50.4)

Owen cita Isaías 50.4:

"O Soberano Senhor deu-me uma língua instruída, para conhecer a palavra que sustém o exausto." Esse versículo expressa a necessidade de uma sabedoria espiritual para oferecer uma palavra adequada de consolo no momento certo. Owen destaca que os pastores devem buscar de Deus a habilidade de dizer palavras que tragam alívio e esperança aos que estão cansados e desanimados.

A Responsabilidade de Confortar os Desanimados (1 Tessalonicenses 5.14)

1 Tessalonicenses 5.14 destaca o dever de confortar os desanimados:

"Exortamos vocês, irmãos, a que advirtam os ociosos, confortem os desanimados, auxiliem os fracos, sejam pacientes para com todos." Os pastores têm a responsabilidade de confortar aqueles que estão desanimados e aflitos, oferecendo encorajamento e apoio emocional e espiritual.

Consolar com o Conforto de Cristo (2 Coríntios 1.3-4)

2 Coríntios 1.3-4 fala sobre o conforto de Deus que nos capacita a confortar os outros:

"Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação, que nos consola em todas as nossas tribulações, para que com a consolação que recebemos de Deus possamos consolar os que estão passando por tribulações." Este texto destaca que o conforto que os pastores devem oferecer aos membros aflitos vem diretamente de Deus, o Deus de toda consolação.

Conclusão: Confortar e Revigorar os Aflitos e Tentados John Owen destaca que confortar e revigorar os aflitos e tentados é um aspecto central do ministério pastoral. Os pastores precisam de sabedoria espiritual e experiência prática para saber como confortar os membros da igreja que enfrentam tentações, aflições e provações severas. Textos como Isaías 50.4 e 2 Coríntios 1.3-4 mostram a importância de oferecer palavras de consolo no tempo certo e com base na verdade bíblica.

7. Simpatizar Compassivamente com os Membros da Igreja em suas Tribulações Owen menciona que é dever do pastor mostrar compaixão em todas as provações dos membros da igreja, internas ou externas, e cita 2 Coríntios 11.29, onde Paulo pergunta:

"Quem está fraco que eu não me sinta fraco? Quem se escandaliza que eu não me inflame?" A compaixão pelos membros sofredores é uma característica essencial do ministério pastoral.

Compartilhar das Fraquezas do Rebanho (2 Coríntios 11.29)

Paulo expressa sua profunda identificação com os sofrimentos dos membros da igreja, mostrando que o pastor deve sentir com seus membros, compartilhar de suas dores e oferecer apoio emocional e espiritual em meio às tribulações.

Carregar as Cargas Uns dos Outros (Gálatas 6.2)

"Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo." Os pastores têm uma responsabilidade especial de carregar as cargas dos membros da igreja, ajudando-os em suas dificuldades e sofrimentos.

8. Cuidar dos Pobres e Visitar os Doentes

O cuidado com os necessitados e a visitação dos doentes são deveres pastorais comuns, mas muitas vezes negligenciados. Owen destaca a importância de atender às necessidades práticas e espirituais dos membros da igreja.

Tiago 1.27

– "A religião que Deus, o nosso Pai, aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo."

Mateus 25.35-36

– "Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e me deram de beber; fui estrangeiro, e me acolheram; necessitei de roupas, e me vestiram; estive enfermo, e cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram."

Tiago 5.14-15

– "Está alguém entre vocês doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor." Esses textos enfatizam a responsabilidade dos líderes da igreja em cuidar dos necessitados e doentes, tanto física quanto espiritualmente.

9. Governar a Igreja

O governo da igreja também é uma responsabilidade do pastor, conforme Atos 20.28:

"Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a igreja de Deus, que ele comprou com o seu próprio sangue." Os pastores não apenas alimentam o rebanho com a Palavra, mas também têm a responsabilidade de supervisionar, proteger e conduzir a igreja. Eles devem exercer essa autoridade com amor, humildade e diligência, sempre visando o bem espiritual do rebanho.

10. Manter a Comunhão entre as Igrejas

Os pastores também têm o dever de manter a comunhão entre igrejas que compartilham a mesma fé. Isso pode ser feito por meio de cartas, reuniões ou sínodos para discutir questões de interesse comum, como descrito em Atos 15, onde os apóstolos e presbíteros se reuniram para resolver disputas doutrinárias.

A comunhão entre as igrejas é fundamental para o crescimento saudável do Reino de Deus e para a preservação da verdade doutrinária, podendo ser expressa por meio de colaboração, comunicação e apoio mútuo.

11. Demonstrar uma Vida Santa e Exemplar

Por fim, Owen destaca que, sem uma vida santa e exemplar, todo o resto do ministério é inútil. Ele se baseia em passagens como 1 Timóteo 3.1-7 e Tito 1.5-9, que delineiam as qualificações de um presbítero ou bispo, enfatizando a importância de uma vida moralmente irrepreensível.

A Importância da Vida Irrepreensível (1 Timóteo 3.1-7)

"É verdadeira esta palavra: Se alguém aspira ao cargo de bispo, deseja uma nobre função. É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível…" Este texto enfatiza que a vida do pastor deve ser irrepreensível, servindo como exemplo em todas as áreas. O comportamento moral e ético do pastor é um reflexo de sua capacidade de liderar.

Qualificações Espirituais e Morais (Tito 1.5-9)

"Por esta causa o deixei em Creta, para que… constituísse presbíteros… alguém que seja irrepreensível…" Novamente, o apóstolo Paulo sublinha a irrepreensibilidade do caráter pastoral, enfatizando qualidades como domínio próprio, justiça e piedade.

Conclusão: A Vida Santa como Pilar do Ministério John Owen destaca que, sem uma vida santa e exemplar, todo o trabalho de um pastor é em vão. As Escrituras deixam claro que a integridade moral e espiritual de um pastor é fundamental para seu sucesso no ministério. A santidade pessoal é a base sobre a qual todo o ministério pastoral é construído. Portanto, demonstrar uma vida santa e exemplar é uma das maiores responsabilidades do pastor, servindo como modelo vivo do caráter de Cristo.

Esses são os principais deveres pastorais detalhados por John Owen, com base nas Escrituras, que visam não apenas à edificação da igreja local, mas também à preservação da verdade e à expansão do Reino de Deus.

Quebrando Barreiras: O Chamado Pastoral de Mulheres na Igreja+

ESTUDO EM DEFESA DO MINISTÉRIO FEMININO Por Bispo Ildo Mello

1. INTRODUÇÃO

A questão do ministério feminino provoca debates intensos em diferentes tradições cristãs. Alguns enxergam em certas passagens bíblicas limitações ao papel de liderança para as mulheres, enquanto outros afirmam que as próprias Escrituras fornecem exemplos vigorosos de mulheres exercendo autoridade, serviço e ensino de forma legítima.

Este estudo demonstra, com base em uma ampla gama de evidências bíblicas, exegéticas, históricas e teológicas, que o ministério feminino é biblicamente válido e reflete os princípios do Reino de Deus — destacando “sujeitar-vos uns aos outros” (Ef 5.21), “o maior é o que serve” (Mc 10.43-45) e o resgate da mulher da maldição da Queda por meio da Cruz de Cristo.

ESTRUTURA DO ESTUDO:

1. Introdução 2. O fundamento da igualdade de gênero na criação o 2.1. Homem e mulher criados à imagem de Deus o 2.2. O mandato cultural conjunto o 2.3. A Queda, a maldição e a esperança na Cruz o 2.4. A “auxiliadora idônea” em Gênesis 2 3. O contexto cultural na leitura da Bíblia 4. Liderança feminina no Antigo Testamento 5. O exemplo de Jesus e as mulheres no Novo Testamento 6. Mulheres na Igreja Primitiva 7. Romanos 16.7 (Júnia) e o debate exegético 8. A interpretação das chamadas “passagens restritivas” o 8.1. 1 Timóteo 2.11-12 o 8.2. 1 Coríntios 14.34-35 9. Perspectivas patrísticas e históricas (incluindo exemplos extra-bíblicos)

10. Implicações teológicas e pastorais • 10.1. Quebrando toda maldição na Cruz: Servindo em igualdade • 10.2. O sacerdócio universal de todos os crentes • 10.3. A nova criação em Cristo • 10.4. Aplicações práticas e desafios atuais • 10.5. Conclusão

2. O FUNDAMENTO DA IGUALDADE DE GÊNERO NA CRIAÇÃO

2.1. HOMEM E MULHER CRIADOS À IMAGEM DE DEUS “Criou Deus, pois, o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.”

(Gênesis 1.27)

A base de toda discussão sobre o ministério feminino encontra-se na concepção bíblica de que tanto homem quanto mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus. Não há qualquer indício de hierarquia de valor ou dignidade. Esse fundamento de igualdade ontológica estabelece a paridade essencial entre os sexos.

2.2. O MANDATO CULTURAL CONJUNTO “Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos… dominai…”

(Gênesis 1.28)

A ordem de “dominar” e cuidar da criação é confiada a ambos, em parceria e corresponsabilidade. Não há divisão de papéis que sugira que a mulher deva ter um papel secundário.

2.3. A QUEDA, A MALDIÇÃO E A ESPERANÇA NA CRUZ “…o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará.” (Gênesis 3.16)

A submissão da mulher ao homem surge como consequência pós-Queda, não como plano original da criação. A Queda introduz distorções nos relacionamentos. Entretanto, na Cruz, Cristo levou sobre si toda maldição (Gl 3.13), abrindo caminho para a restauração da relação homem-mulher ao ideal de igualdade e parceria.

2.4. A “AUXILIADORA IDÔNEA” EM GÊNESIS 2 “Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.” (Gênesis 2.18)

A expressão “auxiliadora idônea” (ezer kenegdo em hebraico) não sugere subordinação. Em vários textos do Antigo Testamento, o termo ezer descreve o próprio Deus vindo em socorro de Israel (Sl 33.20; 115:9). Portanto, a ideia é de “socorro poderoso”, não de alguém inferior. Mulher e homem foram criados para uma parceria complementar, não para uma hierarquia de poder.

3. O CONTEXTO CULTURAL NA LEITURA DA BÍBLIA

Compreender o contexto histórico e cultural é essencial. No mundo do Novo Testamento, as mulheres sofriam restrições severas nos âmbitos social, civil e religioso. As instruções apostólicas que parecem limitar o ministério feminino (1Co 14.34-35; 1Tm 2.11-12) devem ser lidas dentro desses usos e costumes, a fim de se evitar o escândalo e a desordem. Contudo, a Bíblia semeia princípios (Gl 3.28; Ef 5.21) que gradativamente libertam a mulher de tais amarras históricas.

4. LIDERANÇA FEMININA NO ANTIGO TESTAMENTO

1. Miriã (Êx 15.20-21)

Profetisa, liderou o povo no cântico após a travessia do Mar Vermelho.

2. Débora (Jz 4.4-5)

Juíza e profetisa, exerceu autoridade sobre Israel, orientou decisões militares e julgava contendas.

3. Hulda (2Rs 22.14-20)

Profetisa consultada pelo rei Josias, cujas palavras foram determinantes nas reformas do reino.

Deus levantou mulheres mesmo em uma cultura fortemente patriarcal, mostrando que Ele não as restringe a papéis de menor relevância.

5. O EXEMPLO DE JESUS E AS MULHERES NO NOVO TESTAMENTO

1. Jesus recebe discípulas “…Certa mulher, por nome Marta, o hospedou… Maria… assentada aos pés do Senhor, ouvia a sua palavra.” (Lucas 10.38-39)

Sentar-se aos pés de um rabi era postura de discípulo. Ao receber Maria nessa condição, Jesus rompe padrões culturais.

2. Mulheres que serviam a Jesus “Estavam também ali, olhando de longe, muitas mulheres que o haviam seguido desde a Galileia, servindo-o.” (Mateus 27.55)

Mulheres apoiavam Jesus financeiramente e na logística de seu ministério.

3. Testemunhas da ressurreição Jesus confere a Maria Madalena a missão de anunciar a ressurreição aos discípulos (Jo 20.17-18), sendo ela a primeira a levar a notícia mais importante do Evangelho.

6. MULHERES NA IGREJA PRIMITIVA

1. Profetisas “Tinha este quatro filhas donzelas, que profetizavam.” (Atos 21.9)

Profetizar implica falar publicamente, exercendo autoridade espiritual.

2. Priscila (At 18.26; Rm 16.3-4)

Ao lado de Áquila, ensinou Apolo, pregador eloquente. Paulo a menciona antes de seu marido em Romanos 16, sinal de sua relevância.

3. Febe (Rm 16.1-2)

Apresentada como diaconisa (diákonos) da igreja em Cencréia e “protetora [prostátis] de muitos, inclusive de mim mesmo”, indicando papel de liderança e sustento.

4. Evódia e Síntique (Fp 4.2-3)

Colaboraram “lado a lado” com Paulo na propagação do Evangelho.

5. Igrejas nas casas Ninfa (Cl 4.15) e Lídia (At 16.14-15) hospedavam a igreja em seus lares, exercendo influência e liderança em suas comunidades.

7. ROMANOS 16.7 (JÚNIA) E O DEBATE EXEGÉTICO

Um ponto-chave na defesa do ministério feminino é Romanos 16.7, onde Paulo saúda Andrônico e Júnia, “notáveis entre os apóstolos”. Discutem-se dois pontos:

1. O gênero do nome: manuscritos gregos antigos trazem Iounian, que pode ser feminino (Júnia) ou masculino (Júnias). A evidência esmagadora — gramática, registros históricos, manuscritos e testemunho patrístico — indica que se trata de uma mulher chamada Júnia.

2. A expressão “episēmoi en tois apostolois”: a maioria dos especialistas em grego sustenta que significa “proeminentes entre os apóstolos”. Pais da Igreja, como João Crisóstomo, assim a entendiam, chegando a exclamar: “Oh! Que grande elogio é este, que ela [Júnia] seja contada entre os apóstolos!” (Homilia 31 de Romanos).

Os defensores do ministério feminino enfatizam que, se Paulo chama Júnia de “apóstola” e elogia seu papel, então não há base para excluir as mulheres de posições de autoridade e liderança espiritual. Ela seria um exemplo histórico de mulher exercendo ministério de ponta na igreja do primeiro século.

8. A INTERPRETAÇÃO DAS CHAMADAS “PASSAGENS RESTRITIVAS”

8.1. 1 Timóteo 2.11-12 “Não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade sobre o homem…”

• Em 1Tm 2.8-10, Paulo também restringe o uso de joias e tranças e diz que os homens devem orar “levantando mãos santas em todo lugar”. Se interpretado literalmente e sem contexto, praticamente ninguém cumpre todas essas instruções de forma absoluta.

• Muitas leituras situam 1Tm 2.12 no contexto de Éfeso, onde falsos mestres exerciam influência nas mulheres despreparadas que estariam difundindo heresias (1Tm 5.13-15; 2Tm 3.6-7).

• A argumentação de Paulo não anula o fato de que, em outras passagens, ele valida e saúda mulheres em ministérios de liderança (Rm 16; Fp 4.2-3).

• Uma vez que Paulo nomeia Júnia como “apóstola”, Febe como “diácono” e Priscila como mestra, fica claro que 1Tm 2.12 não pode ser uma regra universal de proibição total.

8.2. 1 Coríntios 14.34-35 “As mulheres estejam caladas nas igrejas… pois é vergonhoso que a mulher fale na igreja.”

1. Coerência com o contexto imediato Em 1Coríntios 11.5, Paulo reconhece que as mulheres oravam e profetizavam publicamente na congregação. Logo, não pode haver contradição absoluta entre 1Coríntios 11.5 e 14.34-35.

O termo “calar-se”, então, não se refere a um silêncio total ou permanente, mas a uma interrupção indisciplinada do culto ou a perguntas e discussões que poderiam ser tratadas em outro momento, evitando tumulto.

2. Regulação de abusos pontuais O capítulo 14 de 1Coríntios lida com a ordem no culto, corrigindo excessos envolvendo línguas, profecia e outras manifestações espirituais (1Co 14.26-33).

Assim como Paulo instrui àqueles que falam em línguas sem intérprete a “ficar calados” (1Co 14.28), ele também orienta as mulheres a não causarem desordem ou distração ao culto.

Essa correção pontual, portanto, não revoga o dom de profetizar, ensinar ou orar concedido às mulheres (1Co 12.7-11; 1Co 11.5), mas garante que tudo seja feito “com decência e ordem” (1Co 14.40).

3. Questões de decoro e costumes culturais A palavra “vergonhoso” (grego aischron) tinha conotações fortes em relação ao decoro público no contexto greco-romano do primeiro século.

Era malvisto que as mulheres ficassem chamando a atenção ou questionando publicamente seus maridos ou os líderes durante a reunião. Daí a orientação de que “perguntem em casa” (1Co 14.35), visando evitar escândalo e manter o bom testemunho. Em nosso contexto atual aqui no ocidente, vergonhoso seria proibir as mulheres de falarem na igreja.

4. Não se trata de proibição universal Se interpretado como proibição absoluta, haveria clara contradição com outros textos em que mulheres aparecem falando publicamente (At 21.9; 1Co 11.5) e exercendo liderança (Rm 16.1-7).

Logo, muitos estudiosos entendem que Paulo se dirige especificamente às esposas que, naquele contexto, interrompiam o fluxo do culto com perguntas inoportunas, devendo receber instrução posteriormente, em ambiente adequado.

5. Hermenêutica equilibrada Qualquer aplicação contemporânea dessa passagem precisa levar em conta o princípio maior de ordem e edificação (1Co 14.26,40), sem impor sobre as mulheres um silêncio absoluto que o próprio Paulo não exigia em outros contextos.

A ênfase está na contenção de abusos e na manutenção da dignidade do culto, não em restringir permanentemente a voz e o ministério das mulheres na igreja.

Em síntese, 1Coríntios 14.34-35 não é um mandamento universal para impedir mulheres de falar ou ministrar, mas uma instrução disciplinar, endereçada a circunstâncias concretas de desordem no culto. A leitura em harmonia com todo o ensino paulino (1Co 11.5; Rm 16.1-7; Fp 4.2-3) confirma que Paulo não proíbe a mulher de orar, profetizar, ensinar ou exercer liderança, mas orienta para que o façam com decência, ordem e respeito pelas normas comunitárias.

9. PERSPECTIVAS PATRÍSTICAS E HISTÓRICAS (INCLUINDO EXEMPLOS EXTRA-BÍBLICOS)

1. Pais da Igreja João Crisóstomo (séc. IV) saudava Júnia como “apóstola”.

Orígenes (séc. III) considerava Andrônico e Júnia possivelmente parte dos 70 discípulos de Jesus.

2. Exemplos de mulheres destacadas na história Macrina, a Jovem (irmã de Basílio de Cesareia e Gregório de Nissa) exerceu enorme influência teológica e ascética no século IV, sendo considerada “professora” de seus irmãos que se tornaram grandes bispos e teólogos.

Monica, mãe de Agostinho (séc. IV), teve participação decisiva na conversão e formação espiritual de um dos maiores teólogos do Ocidente.

As “Mães do Deserto” (sécs. IV–V), como Sinclética de Alexandria, viveram em comunidades monásticas e eram procuradas por conselhos espirituais, exercendo papel de orientação pastoral.

3. Influência pós-Constantino Depois do século IV, ao adotar práticas sacerdotais inspiradas no Antigo Testamento, a Igreja restringiu gradualmente a liderança feminina.

Entretanto, em diferentes contextos (movimentos monásticos, clandestinos, ou luteranos/anglicanos/pietistas), mulheres emergiram como lideranças espirituais.

4. Movimento wesleyano e protestante John Wesley não só lutou contra a escravidão, mas também encorajou pregadoras leigas em certos contextos.

A Igreja Metodista Livre e outras denominações wesleyanas reconheceram cedo o valor do ministério feminino, abrindo espaço para a ordenação de mulheres.

10. IMPLICAÇÕES TEOLÓGICAS E PASTORAIS

10.1. QUEBRANDO TODA MALDIÇÃO NA CRUZ: SERVINDO EM IGUALDADE • O domínio do homem sobre a mulher (Gn 3.16) é resultado da Queda, não da criação. Se Cristo removeu a maldição (Gl 3.13), não há razão para perpetuar a subjugação feminina.

• O modelo de liderança no Reino de Deus é o serviço humilde: “o maior será servo” (Mc 10.43-45). Não há espaço para autoritarismo de gênero entre crentes.

10.2. O SACERDÓCIO UNIVERSAL DE TODOS OS CRENTES “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus…”

(1 Pedro 2.9)

A igreja é composta de homens e mulheres igualmente chamados para o serviço sacerdotal, sem distinções de casta ou gênero. Se toda a comunidade cristã é um “sacerdócio real”, não cabe limitar o exercício de ministérios a um grupo baseado em gênero.

10.3. A NOVA CRIAÇÃO EM CRISTO “E, assim, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.”

(2 Coríntios 5.17)

A obra de Cristo inaugura uma realidade em que divisões humanas (como as de gênero, classe e etnia) se tornam secundárias frente à unidade em Cristo (Gl 3.28). Se somos todos nova criação, estruturas de dominação e discriminação não se harmonizam com o Evangelho.

10.4. APLICAÇÕES PRÁTICAS E DESAFIOS ATUAIS • Reconhecimento de dons: Mulheres compõem grande parte da membresia das igrejas no mundo todo. Não reconhecer seu potencial de ensino, liderança e pastoreio é restringir o próprio Corpo de Cristo.

• Fortalecimento missionário: Em muitos contextos, mulheres acessam espaços que homens não poderiam. Elas são essenciais na evangelização e discipulado.

• Cultivo de uma cultura de mútua sujeição: Efésios 5.21 prega que todos se sujeitem uns aos outros, anulando qualquer forma de autoritarismo.

• Respeito às diferenças culturais: Algumas culturas ainda resistem fortemente ao ministério feminino. É preciso prudência e sabedoria missionária, sem abrir mão da verdade bíblica de que Deus chama quem Ele quer.

10.5. CONCLUSÃO A defesa do ministério feminino baseia-se:

• Na igualdade ontológica de homem e mulher (Gn 1.27).

• No caráter pós-queda da submissão feminina, superada na Cruz (Gn 3.16; Gl 3.13).

• No testemunho amplo de mulheres em posições de proeminência na Bíblia (Miriã, Débora, Hulda, Priscila, Febe, Júnia).

• Na hermenêutica contextual das passagens tidas como restritivas (1Co 14.34-35; 1Tm 2.11-12).

• Na prática e no elogio apostólico às mulheres cooperadoras e líderes (Evódia, Síntique, Ninfa, etc.).

• No sacerdócio universal (1Pe 2.9) e na nova criação (2Co 5.17), que apontam para a derrubada de barreiras sociais e de gênero (Gl 3.28).

Portanto, impedir mulheres de falar, ensinar ou liderar é ignorar tanto a renovação operada por Cristo quanto o derramamento do Espírito, que distribui dons livremente (Jl 2.28-29; At 2.17-18; 1Co 12.4-7). Que a Igreja abrace o exemplo de Cristo — em humildade, liberdade e serviço — reconhecendo que homens e mulheres são chamados a trabalhar lado a lado, edificando o corpo de Cristo para a glória de Deus e o avanço do Evangelho.

“Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres!” (João 8.36)

REFERÊNCIAS BÍBLICAS ESSENCIAIS (EM ORDEM DE CITAÇÃO)

• Gênesis 1.26-28; 2:18; 3:16 • Êxodo 15.20-21; Juízes 4.4-5; 2 Reis 22.14-20 • Lucas 10.38-42; Mateus 27.55; 28:7-10; João 20.17-18 • Atos 16.14-15; 18:26; 21:9; Romanos 16.1-7 • Filipenses 4.2-3; Colossenses 4.15 • 1 Coríntios 11.5; 12:7-11; 14:34-35 •

1 Timóteo 2.9-12

• Gálatas 3.13,28; Efésios 5.21 • Marcos 10.43-45; 2 Coríntios 5.17 •

1 Pedro 2.9

Pastoreando com Paixão e Fé: Lições das Parábolas do Reino+

Carta aos pastores

É um privilégio sem igual servir como semeadores do Evangelho do Reino. Ao longo da história, Deus poderia ter escolhido diversas carreiras para o Seu Único Filho, mas Ele optou por tê-Lo como um missionário pregador do Evangelho e Pastor de Ovelhas neste Mundo, que é o Campo do Senhor (João 3.16; João 10.15). Não há carreira mais elevada! Mesmo que o mundo muitas vezes subestime o chamado pastoral, saiba que, aos olhos de Deus, não existe função mais importante e prestigiada.

A vocação pastoral é verdadeiramente sublime. Devemos honrar esse chamado ao seguir os passos e o ministério de Cristo com a dedicação que ele merece, regada de amor devoto e alegria entusiasmada.

Fomos chamados para semear e para cuidar para que a lavoura produza muitos frutos. Jesus nos designou para dar frutos e quer que esses frutos sejam permanentes (João 15.16).

As Parábolas do Reino mostram que a boa semente do Reino germina, cresce e produz muitos frutos. No entanto, existem os inimigos da lavoura simbolizados pelos pássaros, joio, terra seca, sol, espinhos e outras condições inóspitas. Mesmo diante das adversidades, a vocação da semente é a de frutificar. A lavoura triunfará! “Aquele que semeia com lágrimas, colherá com alegria” (Salmo 126.5). As portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja! (Mateus 16.19). Pois o Pai é o Agricultor (João 15.1)! Nós fomos chamados por Ele para trabalhar em sua lavoura santa!

O inimigo trabalha tanto externa como internamente. Ele age como o pássaro que rouba a semente (Mateus 13.4), e também semeia o joio em meio ao trigo para provocar confusão (Mateus 13.25), para sugar as energias do trigo e prejudicar seu desenvolvimento. Ele atua também promovendo outros interesses para gerar distração e sufocar a semente da Palavra através “dos cuidados deste mundo e a sedução das riquezas” (Mateus 13.22). Ele é astuto e não tem um único modo de agir.

Certamente o adversário investe contra a liderança por questões estratégicas. Precisamos, portanto, questionarmos a nós mesmos em caso de um período longo de improdutividade. Não podemos encarar isto como algo normal. Não podemos tão simplesmente nos cercarmos de desculpas. Precisamos olhar para dentro de nós mesmos para ver se não há alguma erva daninha ali em nossa mente e coração plantadas pelo inimigo da lavoura de Deus. Às vezes, nós mesmos é que somos o maior obstáculo para o crescimento da igreja. A falta de fé, confiança, entusiasmo, consagração e devoção a Cristo e à sua causa podem ser fatais, principalmente devido à influente posição que ocupamos.

Por falar em entusiasmo, observamos que Jesus cumpria o seu ministério com muito gosto e paixão, tanto que sua comida e bebida eram fazer a vontade do Pai (João 4.34). Ele possuía um grande apetite pela obra da evangelização e discipulado! Como diz o antigo hino: “No serviço do meu Rei eu sou feliz”! Quando estamos entusiasmados com algo, chegamos até a nos esquecer da comida e nem fazemos caso do cansaço! Veja Jesus atravessando o mar, enfrentando a tempestade, mesmo no final de um dia estafante de trabalho quando a maioria só pensa em cair na cama! E tudo para alcançar um único ser humano, o endemoniado e marginalizado Gadareno, visto que Jesus tinha consciência de que o restante do povo daquela região o rejeitaria (Marcos 4 e 5).

Precisamos crer mais em Deus e no poder do Evangelho (Romanos 1.16), valorizando, assim, a nossa vocação para dedicarmo-nos mais e mais, com entusiasmo, visão e confiança, à grande missão de evangelizarmos o Mundo (Marcos 16.15).

Não devemos ter medo de fracassar. Bem sabemos que haverá muita frustração, pois 3/4 das sementes não chegam a produzir os devidos frutos, conforme ensino da Parábola do Semeador (Mateus 13.3-23). Mas vale a pena plantar por conta da porção que vingará e dará uma boa colheita (Mateus 13.8)!

A gente deve ser mais arrojado para semear com fé por toda parte, “sem medo de ser feliz”! Devemos acreditar que haverá conversões como resultado de nossas pregações e testemunhos, além da geração de líderes, igrejas saudáveis (Isaías 55.11). Pois, não fomos chamados para um trabalho de mera manutenção. Nosso Técnico não quer que o time jogue na retranca! Lembrar do que aconteceu com aquele servo que preocupou-se apenas com a manutenção do talento de seu Senhor, não ousando investi-lo por medo de eventuais prejuízos (Mateus 25.24). Existem riscos, sim; sempre existiram e existirão. Mas onde está a nossa fé?! E cadê a nossa confiança naquele que nos convocou?! Sabe, parece mesmo que quanto mais tememos e nos retraímos, assumindo uma postura defensiva, mais estamos sujeitos ao ataque dos adversários, e acabamos por perder até o pouco que temos. “Porque àquele que tem se dará, e terá em abundância; mas aquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado” (Mateus 13.12).

Precisamos multiplicar os nossos talentos! (Mateus 25). Ao ataque! Não vamos deixar de plantar porque os pássaros roubam a semente ou porque, quando a árvore cresce, eles se aproximam buscando sua sombra. Não vamos deixar de plantar o trigo por conta do inimigo que planta o joio. E nem vamos deixar de pescar porque a rede vem cheia de peixes de toda espécie, não somente bons, mas também maus. Um zelo extremado para combater o joio pode levar à destruição do trigo e pode comprometer ainda mais o desenvolvimento da lavoura.

Haverá muita decepção e frustração em nossa carreira, mas não vamos desanimar de forma alguma. Vale muito a pena correr o risco de seguir adiante semeando com confiança no Senhor da lavoura.

A igreja precisa aprender também que sua vocação é crescer e se multiplicar (Atos 9.31). Crescimento é algo que está em seu DNA! Todas as parábolas do Reino falam de seu crescimento: A semente produz o seu fruto, o trigo cresce, o grão de mostarda transforma-se na maior das hortaliças, o fermento faz a massa levedar, a rede vem cheia de peixes e o baú está cheio de coisas!

A igreja não existe para si mesma. Sua essência é missionária (Mateus 28.19-20; João 15.5; Atos 1.8)! Ela não pode os seus próprios interesses (Filipenses 2.21). Não deve jamais desviar-se de seu propósito elementar, que é o de fazer discípulos de todas as nações. Seus recursos não devem estar concentrados em sua própria manutenção. Ela não tem o direito de ser egocêntrica, visto que nasceu do coração daquele que deu sua própria vida em favor dos outros (Mateus 20.28).

Uma igreja com visão missionária agrada a Deus e conta com as provisões divinas. Como disse Hudson Taylor: “A obra de Deus, feita do modo de Deus, conta com o suporte de Deus!”. Precisamos de uma visão do Reino.

É crucial que aprimoremos nossa visão do Reino de Deus, expandindo nossos horizontes e alocando mais recursos para o estabelecimento de novas igrejas, tanto em nossa comunidade local, como também em regiões mais distantes (Mateus 28.19; Atos 1.8).

Um desafio que os pastores podem enfrentar está relacionado ao processo de discipulado e à formação de novos líderes. Em algumas situações, pode surgir a insegurança diante de líderes jovens que demonstram um grande potencial. Essa insegurança pode levar o pastor a restringir oportunidades, criando obstáculos adicionais para o progresso espiritual e o desenvolvimento dos dons e talentos dos discípulos. Às vezes, podemos interpretar erroneamente o entusiasmo de um jovem em servir, confundindo-o com arrogância ou ambição desmedida por poder, quando, na realidade, pode ser um sinal de alguém com um sincero desejo de servir e fazer a diferença na vida das pessoas e no mundo (1 Timóteo 4.12).

Entretanto, não é tarefa fácil chegar ao ponto de proclamar, como João Batista: “É necessário que Ele cresça e que eu diminua” (João 3.30). Os pastores foram chamados para promover o crescimento dos outros, e isso é essencial para o avanço e o futuro da Igreja. Não devemos nos sentir ameaçados por jovens promissores que, em muitos aspectos, demonstram mais talento e inteligência do que nós. Podemos aprender valiosas lições com Barnabé, que soube identificar o propósito de Deus em Paulo e investiu tempo e esforço em seu treinamento. Esse investimento não apenas beneficiou Paulo, mas também fortaleceu a Igreja como um todo (Atos 9.26-30).

Paulo, por sua vez, seguiu o exemplo de Barnabé, multiplicando discípulos que se tornaram líderes, pastores e bispos em diversas cidades onde o Evangelho foi plantado. Essa é a vontade de Deus – formar líderes que possam levar adiante a mensagem do Evangelho e pastorear o rebanho de Cristo (2 Timóteo 2.2).

Como nos lembra Efésios 4.11-12, “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo.” Assim, como pastores e líderes, devemos abraçar a responsabilidade de fazer discípulos, os melhores que pudermos, com fé, confiança, amor, entusiasmo e ousadia. Nosso trabalho no Senhor é de grande importância, e, embora não saibamos quando ele será concluído, temos a urgência de nos dedicar à formação de pastores e líderes sólidos, sem medo de perder nosso lugar, seguindo o exemplo de Barnabé, que nunca perdeu seu papel fundamental na expansão do Reino de Deus.

No amor do Senhor,
Bispo José Ildo Swartele de Mello

Tópicos com versículos de apoio

Aqui estão os tópicos com os versículos correspondentes:

A Sublimidade da Vocação Pastoral

“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3.16, NAA)

“Jesus lhe disse: — Apascente as minhas ovelhas.” (João 21.17, NAA)

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” (Mateus 28.19, NAA)

“Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi e os designei para irem e darem fruto, fruto que permaneça, a fim de que o Pai lhes conceda o que pedirem em meu nome.” (João 15.16, NVI)

Enfrentando os Desafios da Vocação Pastoral

“Aquele que semeia com lágrimas, colherá com alegria.” (Salmo 126.5, NAA)

“São servos de Cristo? (Estou falando como se estivesse fora de mim.) Eu, com muito mais labores, muito mais prisões, muito mais açoites, inúmeras vezes em perigo de morte.” (2 Coríntios 11.23, NAA)

“Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos.” (2 Coríntios 4.9-9, NAA)

“fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a perseverarem na fé, e dizendo que por muitas tribulações nos importa entrar no Reino de Deus.” (Atos 14.22, NAA)

“Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? Como está escrito: ‘Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas, somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou.” (Romanos 8.35-37, NAA)

As Táticas do Inimigo Contra a Obra do Pastor

“Mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se.” (Mateus 13.25, NAA)

“O que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas as preocupações deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e ela fica infrutífera.” (Mateus 13.22, NAA)

“O inimigo que o semeou é o Diabo; a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos.” (Mateus 13.39, NAA)

A Paixão e Entusiasmo no Ministério

“Mas ele lhes disse: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra.” (João 4.34, NAA)

A Importância de Enfrentar os Desafios com Fé e Ousadia

“Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê…” (Romanos 1.16, NAA)

“Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” (Marcos 16.15, NAA)

“Assim será a palavra que sair da minha boca: ela não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei.” (Isaías 55.11, NAA)

Multiplicando os Talentos e Mantendo a Visão Missionária

“Porque àquele que tem se dará, e terá em abundância; mas aquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.” (Mateus 13.12, NAA)

“Eu sou a videira, vós as varas; quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (João 15.5, NAA)

“E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo.” (Efésios 4.11-12, NAA)

A Essência Missionária da Igreja

“Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” (Mateus 28.19, NAA)

“Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra.” (Atos 1.8, NAA)

“Os pastores e mestres são dados com o propósito de equipar os santos para a obra do ministério, para edificar o corpo de Cristo.” (Efésios 4.12, NAA)

Desenvolvendo Líderes e Superando a Insegurança Pastoral

“É necessário que Ele cresça e que eu diminua.” (João 3.30, NAA)

“Quando chegou a Jerusalém, tentou ajuntar-se aos discípulos, mas todos o temiam, não acreditando que fosse discípulo. Então, por intermédio de Barnabé, levado-o aos apóstolos, contou-lhes como no caminho vira o Senhor e como este lhe falara, e como em Damasco pregara, corajosamente, em nome de Jesus. Desde então, Paulo andava com eles em Jerusalém, entrando e saindo e pregando ousadamente em nome do Senhor. Ele também falava e discutia com os helenistas, mas estes procuravam matá-lo. Quando os irmãos souberam disso, eles o levaram para Cesareia e o enviaram para Tarso.” (Atos 9.26-30, NAA).

“E o que de minha parte ouviste, através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para ensinar outros.” (2 Timóteo 2.2, NAA).

“Ninguém o despreze pelo fato de você ser jovem, mas seja um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza.” (1 Timóteo 4.12, NAA).

“E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo.” (Efésios 4.11-12, NAA).

ESTUDO EM DEFESA DO MINISTÉRIO FEMININO+

1. INTRODUÇÃO

A questão do ministério feminino provoca debates intensos em diferentes tradições cristãs. Alguns enxergam em certas passagens bíblicas limitações ao papel de liderança para as mulheres, enquanto outros afirmam que as próprias Escrituras fornecem exemplos vigorosos de mulheres exercendo autoridade, serviço e ensino de forma legítima.

Este estudo demonstra, com base em uma ampla gama de evidências bíblicas, exegéticas, históricas e teológicas, que o ministério feminino é biblicamente válido e reflete os princípios do Reino de Deus — destacando “sujeitar-vos uns aos outros” (Ef 5.21), “o maior é o que serve” (Mc 10.43-45) e o resgate da mulher da maldição da Queda por meio da Cruz de Cristo.

2. O FUNDAMENTO DA IGUALDADE DE GÊNERO NA CRIAÇÃO

2.1. HOMEM E MULHER CRIADOS À IMAGEM DE DEUS “Criou Deus, pois, o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.”

(Gênesis 1.27)

A base de toda discussão sobre o ministério feminino encontra-se na concepção bíblica de que tanto homem quanto mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus. Não há qualquer indício de hierarquia de valor ou dignidade. Esse fundamento de igualdade ontológica estabelece a paridade essencial entre os sexos.

2.2. O MANDATO CULTURAL CONJUNTO “Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos… dominai…” (Gênesis 1.28)

A ordem de “dominar” e cuidar da criação é confiada a ambos, em parceria e corresponsabilidade. Não há divisão de papéis que sugira que a mulher deva ter um papel secundário.

2.3. A QUEDA, A MALDIÇÃO E A ESPERANÇA NA CRUZ “…o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará.” (Gênesis 3.16)

A submissão da mulher ao homem surge como consequência pós-Queda, não como plano original da criação. A Queda introduz distorções nos relacionamentos. Entretanto, na Cruz, Cristo levou sobre si toda maldição (Gl 3.13), abrindo caminho para a restauração da relação homem-mulher ao ideal de igualdade e parceria.

2.4. A “AUXILIADORA IDÔNEA” EM GÊNESIS 2 “Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.” (Gênesis 2.18)

A expressão “auxiliadora idônea” (ezer kenegdo em hebraico) não sugere subordinação. Em vários textos do Antigo Testamento, o termo ezer descreve o próprio Deus vindo em socorro de Israel (Sl 33.20; 115:9). Portanto, a ideia é de “socorro poderoso”, não de alguém inferior. Mulher e homem foram criados para uma parceria complementar, não para uma hierarquia de poder.

3. O CONTEXTO CULTURAL NA LEITURA DA BÍBLIA

Compreender o contexto histórico e cultural é essencial. No mundo do Novo Testamento, as mulheres sofriam restrições severas nos âmbitos social, civil e religioso. As instruções apostólicas que parecem limitar o ministério feminino (1Co 14.34-35; 1Tm 2.11-12) devem ser lidas dentro desses usos e costumes, a fim de se evitar o escândalo e a desordem. Contudo, a Bíblia semeia princípios (Gl 3.28; Ef 5.21) que gradativamente libertam a mulher de tais amarras históricas.

4. LIDERANÇA FEMININA NO ANTIGO TESTAMENTO

1. Miriã (Êx 15.20-21)

Profetisa, liderou o povo no cântico após a travessia do Mar Vermelho.

2. Débora (Jz 4.4-5)

Juíza e profetisa, exerceu autoridade sobre Israel, orientou decisões militares e julgava contendas.

3. Hulda (2Rs 22.14-20)

Profetisa consultada pelo rei Josias, cujas palavras foram determinantes nas reformas do reino.

Deus levantou mulheres mesmo em uma cultura fortemente patriarcal, mostrando que Ele não as restringe a papéis de menor relevância.

5. O EXEMPLO DE JESUS E AS MULHERES NO NOVO TESTAMENTO

1. Jesus recebe discípulas

“…Certa mulher, por nome Marta, o hospedou… Maria… assentada aos pés do Senhor, ouvia a sua palavra.” (Lucas 10.38-39)

Sentar-se aos pés de um rabi era postura de discípulo. Ao receber Maria nessa condição, Jesus rompe padrões culturais.

2. Mulheres que serviam a Jesus

“Estavam também ali, olhando de longe, muitas mulheres que o haviam seguido desde a Galileia, servindo-o.” (Mateus 27.55)

Mulheres apoiavam Jesus financeiramente e na logística de seu ministério.

3. Testemunhas da ressurreição

Jesus confere a Maria Madalena a missão de anunciar a ressurreição aos discípulos (Jo 20.17-18), sendo ela a primeira a levar a notícia mais importante do Evangelho.

6. MULHERES NA IGREJA PRIMITIVA

1. Profetisas

“Tinha este quatro filhas donzelas, que profetizavam.” (Atos 21.9)

Profetizar implica falar publicamente, exercendo autoridade espiritual.

2. Priscila (At 18.26; Rm 16.3-4)

Ao lado de Áquila, ensinou Apolo, pregador eloquente. Paulo a menciona antes de seu marido em Romanos 16, sinal de sua relevância.

3. Febe (Rm 16.1-2)

Apresentada como diaconisa (diákonos) da igreja em Cencréia e “protetora [prostátis] de muitos, inclusive de mim mesmo”, indicando papel de liderança e sustento.

4. Evódia e Síntique (Fp 4.2-3)

Colaboraram “lado a lado” com Paulo na propagação do Evangelho.

5. Igrejas nas casas

Ninfa (Cl 4.15) e Lídia (At 16.14-15) hospedavam a igreja em seus lares, exercendo influência e liderança em suas comunidades.

7. ROMANOS 16.7 (JÚNIA) E O DEBATE EXEGÉTICO

Um ponto-chave na defesa do ministério feminino é Romanos 16.7, onde Paulo saúda Andrônico e Júnia, “notáveis entre os apóstolos”. Discutem-se dois pontos:

1. O gênero do nome: manuscritos gregos antigos trazem Iounian, que pode ser feminino (Júnia) ou masculino (Júnias). A evidência esmagadora — gramática, registros históricos, manuscritos e testemunho patrístico — indica que se trata de uma mulher chamada Júnia.

2. A expressão “episēmoi en tois apostolois”: a maioria dos especialistas em grego sustenta que significa “proeminentes entre os apóstolos”. Pais da Igreja, como João Crisóstomo, assim a entendiam, chegando a exclamar: “Oh! Que grande elogio é este, que ela [Júnia] seja contada entre os apóstolos!” (Homilia 31 de Romanos).

Os defensores do ministério feminino enfatizam que, se Paulo chama Júnia de “apóstola” e elogia seu papel, então não há base para excluir as mulheres de posições de autoridade e liderança espiritual. Ela seria um exemplo histórico de mulher exercendo ministério de ponta na igreja do primeiro século.

8. A INTERPRETAÇÃO DAS CHAMADAS “PASSAGENS RESTRITIVAS”

8.1. 1 Timóteo 2.11-12 “Não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade sobre o homem…”

• Em 1Tm 2.8-10, Paulo também restringe o uso de joias e tranças e diz que os homens devem orar “levantando mãos santas em todo lugar”. Se interpretado literalmente e sem contexto, praticamente ninguém cumpre todas essas instruções de forma absoluta.

• Muitas leituras situam 1Tm 2.12 no contexto de Éfeso, onde falsos mestres exerciam influência nas mulheres despreparadas que estariam difundindo heresias (1Tm 5.13-15; 2Tm 3.6-7).

• A argumentação de Paulo não anula o fato de que, em outras passagens, ele valida e saúda mulheres em ministérios de liderança (Rm 16; Fp 4.2-3).

• Uma vez que Paulo nomeia Júnia como “apóstola”, Febe como “diácono” e Priscila como mestra, fica claro que 1Tm 2.12 não pode ser uma regra universal de proibição total.

8.2. 1 Coríntios 14.34-35 “As mulheres estejam caladas nas igrejas… pois é vergonhoso que a mulher fale na igreja.”

1. Coerência com o contexto imediato

Em 1Coríntios 11.5, Paulo reconhece que as mulheres oravam e profetizavam publicamente na congregação. Logo, não pode haver contradição absoluta entre 1Coríntios 11.5 e 14.34-35.

O termo “calar-se”, então, não se refere a um silêncio total ou permanente, mas a uma interrupção indisciplinada do culto ou a perguntas e discussões que poderiam ser tratadas em outro momento, evitando tumulto.

2. Regulação de abusos pontuais

O capítulo 14 de 1Coríntios lida com a ordem no culto, corrigindo excessos envolvendo línguas, profecia e outras manifestações espirituais (1Co 14.26-33).

Assim como Paulo instrui àqueles que falam em línguas sem intérprete a “ficar calados” (1Co 14.28), ele também orienta as mulheres a não causarem desordem ou distração ao culto.

Essa correção pontual, portanto, não revoga o dom de profetizar, ensinar ou orar concedido às mulheres (1Co 12.7-11; 1Co 11.5), mas garante que tudo seja feito “com decência e ordem” (1Co 14.40).

3. Questões de decoro e costumes culturais

A palavra “vergonhoso” (grego aischron) tinha conotações fortes em relação ao decoro público no contexto greco-romano do primeiro século.

Era malvisto que as mulheres ficassem chamando a atenção ou questionando publicamente seus maridos ou os líderes durante a reunião. Daí a orientação de que “perguntem em casa” (1Co 14.35), visando evitar escândalo e manter o bom testemunho. Em nosso contexto atual aqui no ocidente, vergonhoso seria proibir as mulheres de falarem na igreja.

4. Não se trata de proibição universal

Se interpretado como proibição absoluta, haveria clara contradição com outros textos em que mulheres aparecem falando publicamente (At 21.9; 1Co 11.5) e exercendo liderança (Rm 16.1-7).

Logo, muitos estudiosos entendem que Paulo se dirige especificamente às esposas que, naquele contexto, interrompiam o fluxo do culto com perguntas inoportunas, devendo receber instrução posteriormente, em ambiente adequado.

5. Hermenêutica equilibrada

Qualquer aplicação contemporânea dessa passagem precisa levar em conta o princípio maior de ordem e edificação (1Co 14.26,40), sem impor sobre as mulheres um silêncio absoluto que o próprio Paulo não exigia em outros contextos.

A ênfase está na contenção de abusos e na manutenção da dignidade do culto, não em restringir permanentemente a voz e o ministério das mulheres na igreja.

Em síntese, 1Coríntios 14.34-35 não é um mandamento universal para impedir mulheres de falar ou ministrar, mas uma instrução disciplinar, endereçada a circunstâncias concretas de desordem no culto. A leitura em harmonia com todo o ensino paulino (1Co 11.5; Rm 16.1-7; Fp 4.2-3) confirma que Paulo não proíbe a mulher de orar, profetizar, ensinar ou exercer liderança, mas orienta para que o façam com decência, ordem e respeito pelas normas comunitárias.

9. PERSPECTIVAS PATRÍSTICAS E HISTÓRICAS (INCLUINDO EXEMPLOS EXTRA-BÍBLICOS)

1. Pais da Igreja

João Crisóstomo (séc. IV) saudava Júnia como “apóstola”.

Orígenes (séc. III) considerava Andrônico e Júnia possivelmente parte dos 70 discípulos de Jesus.

2. Exemplos de mulheres destacadas na história

Macrina, a Jovem (irmã de Basílio de Cesareia e Gregório de Nissa) exerceu enorme influência teológica e ascética no século IV, sendo considerada “professora” de seus irmãos que se tornaram grandes bispos e teólogos.

Monica, mãe de Agostinho (séc. IV), teve participação decisiva na conversão e formação espiritual de um dos maiores teólogos do Ocidente.

As “Mães do Deserto” (sécs. IV–V), como Sinclética de Alexandria, viveram em comunidades monásticas e eram procuradas por conselhos espirituais, exercendo papel de orientação pastoral.

3. Influência pós-Constantino

Depois do século IV, ao adotar práticas sacerdotais inspiradas no Antigo Testamento, a Igreja restringiu gradualmente a liderança feminina.

Entretanto, em diferentes contextos (movimentos monásticos, clandestinos, ou luteranos/anglicanos/pietistas), mulheres emergiram como lideranças espirituais.

4. Movimento wesleyano e protestante

John Wesley não só lutou contra a escravidão, mas também encorajou pregadoras leigas em certos contextos.

A Igreja Metodista Livre e outras denominações wesleyanas reconheceram cedo o valor do ministério feminino, abrindo espaço para a ordenação de mulheres.

10. IMPLICAÇÕES TEOLÓGICAS E PASTORAIS

10.1. QUEBRANDO TODA MALDIÇÃO NA CRUZ: SERVINDO EM IGUALDADE • O domínio do homem sobre a mulher (Gn 3.16) é resultado da Queda, não da criação. Se Cristo removeu a maldição (Gl 3.13), não há razão para perpetuar a subjugação feminina.

• O modelo de liderança no Reino de Deus é o serviço humilde: “o maior será servo” (Mc 10.43-45). Não há espaço para autoritarismo de gênero entre crentes.

10.2. O SACERDÓCIO UNIVERSAL DE TODOS OS CRENTES “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus…”

(1 Pedro 2.9)

A igreja é composta de homens e mulheres igualmente chamados para o serviço sacerdotal, sem distinções de casta ou gênero. Se toda a comunidade cristã é um “sacerdócio real”, não cabe limitar o exercício de ministérios a um grupo baseado em gênero.

10.3. A NOVA CRIAÇÃO EM CRISTO “E, assim, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.”

(2 Coríntios 5.17)

A obra de Cristo inaugura uma realidade em que divisões humanas (como as de gênero, classe e etnia) se tornam secundárias frente à unidade em Cristo (Gl 3.28). Se somos todos nova criação, estruturas de dominação e discriminação não se harmonizam com o Evangelho.

10.4. APLICAÇÕES PRÁTICAS E DESAFIOS ATUAIS • Reconhecimento de dons: Mulheres compõem grande parte da membresia das igrejas no mundo todo. Não reconhecer seu potencial de ensino, liderança e pastoreio é restringir o próprio Corpo de Cristo.

• Fortalecimento missionário: Em muitos contextos, mulheres acessam espaços que homens não poderiam. Elas são essenciais na evangelização e discipulado.

• Cultivo de uma cultura de mútua sujeição: Efésios 5.21 prega que todos se sujeitem uns aos outros, anulando qualquer forma de autoritarismo.

• Respeito às diferenças culturais: Algumas culturas ainda resistem fortemente ao ministério feminino. É preciso prudência e sabedoria missionária, sem abrir mão da verdade bíblica de que Deus chama quem Ele quer.

10.5. CONCLUSÃO A defesa do ministério feminino baseia-se:

• Na igualdade ontológica de homem e mulher (Gn 1.27).

• No caráter pós-queda da submissão feminina, superada na Cruz (Gn 3.16; Gl 3.13).

• No testemunho amplo de mulheres em posições de proeminência na Bíblia (Miriã, Débora, Hulda, Priscila, Febe, Júnia).

• Na hermenêutica contextual das passagens tidas como restritivas (1Co 14.34-35; 1Tm 2.11-12).

• Na prática e no elogio apostólico às mulheres cooperadoras e líderes (Evódia, Síntique, Ninfa, etc.).

• No sacerdócio universal (1Pe 2.9) e na nova criação (2Co 5.17), que apontam para a derrubada de barreiras sociais e de gênero (Gl 3.28).

Portanto, impedir mulheres de falar, ensinar ou liderar é ignorar tanto a renovação operada por Cristo quanto o derramamento do Espírito, que distribui dons livremente (Jl 2.28-29; At 2.17-18; 1Co 12.4-7). Que a Igreja abrace o exemplo de Cristo — em humildade, liberdade e serviço — reconhecendo que homens e mulheres são chamados a trabalhar lado a lado, edificando o corpo de Cristo para a glória de Deus e o avanço do Evangelho.

“Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres!” (João 8.36)

REFERÊNCIAS BÍBLICAS ESSENCIAIS (EM ORDEM DE CITAÇÃO)

• Gênesis 1.26-28; 2:18; 3:16 • Êxodo 15.20-21; Juízes 4.4-5; 2 Reis 22.14-20 • Lucas 10.38-42; Mateus 27.55; 28:7-10; João 20.17-18 • Atos 16.14-15; 18:26; 21:9; Romanos 16.1-7 • Filipenses 4.2-3; Colossenses 4.15 • 1 Coríntios 11.5; 12:7-11; 14:34-35 • 1 Timóteo 2.9-12 • Gálatas 3.13,28; Efésios 5.21 • Marcos 10.43-45; 2 Coríntios 5.17 • 1 Pedro 2.9

Uma Palavra em prol do Ministério Feminino+

Interpretar a Bíblia levando em conta o contexto

Não se pode interpretar a Bíblia sem levar em conta o contexto social e cultural da época em que o texto foi escrito. O Mundo Antigo era extremamente machista, as mulheres eram desprezadas, tratadas como seres inferiores, que não tinham direito à voz, à educação e nem sequer eram contadas quando se queria saber quanta “gente” havia. Atentando para o contexto, podemos apreciar melhor a revolução que Jesus Cristo estava iniciando em relação a condição da mulher.

Só assim será possível compreender adequadamente porque os apóstolos, em alguns momentos, parecem referendar a discriminação das mulheres, pois, não seria prudente para a obra de evangelização da igreja erguer tão prontamente uma bandeira em favor dos direitos das mulheres, porque isto provocaria uma resistência intransponível por parte de uma geração que não estava minimamente preparada para aceitar tamanha revolução. Além do mais, tal atitude não produziria o efeito desejado, pelo contrário, suscitaria ainda mais perseguição a uma igreja que ainda estava aprendendo a dar os primeiros passos e que tinha que lutar contra tanta oposição.

O mesmo se aplica a questão da escravidão que não foi abertamente confrontada pelos apóstolos. No entanto, os princípios que servem de semente para a libertação das mulheres e dos escravos foram firmemente estabelecidos nos escritos do Novo Testamento, como por exemplo, o texto que diz: “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3.28).

O uso de 1Timóteo 2

Os que se valem de 1 Timóteo 2 para impedir que as mulheres exerçam o ministério pastoral, deveriam também, de acordo com o mesmo texto, impedí-las de usar aliança e outros objetos de ouro, vestidos caros, tranças no cabelo, e até mesmo deveriam proíbí-las de fazer perguntas durante um estudo bíblico, pois o texto também diz que as mulheres devem aprender em silêncio. Para serem coerentes com seu método interpretativo, deveriam também ensinar que a salvação da mulher se processa através da sua missão de mãe, o que complicaria a vida das estéreis e de todas aquelas que, por uma razão ou outra, jamais terão filhos. Consequentemente, deveriam exigir que os homens orassem em todos os lugares com as mãos erguidas (v.8). Porventura, os homens que condenam o ministério pastoral feminino oram sempre de mãos erguidas em todos os lugares? Se não, que hermenêutica seletiva e convencional é esta que encara parte do texto que está no mesmo contexto como Palavra de Deus aplicável a todos os contextos e gerações e outra como sendo algo cultural que tem a ver apenas com aquele contexto?

Os que advogam que a mulher deve ser submissa e que, por esta razão também não estaria apta a liderar uma igreja, que é comumente composta tanto por mulheres como por homens, estão esquecidos de que a mesma Bíblia ensina que deve haver mútua sujeição (Ef 5.21) e que o maior é aquele que serve! O próprio Cristo atuou como servo, lavou os pés dos discípulos e chamou-os de amigos, dando-nos, assim, o exemplo que deveria nortear nossos relacionamentos. No Reino de Deus não há lugar para autoritarismo. É bom também lembrar que a mulher foi criada em condições de igualdade com o homem e ambos viviam em uma excelente relação de companheirismo antes da Queda, e que foi somente depois do pecado que é dito a ela que se submeterá ao homem como um castigo ou maldição. Cristo veio para desfazer as obras do diabo e restaurar o ser-humano à sua condição original.

O Espírito e o ministério profético das mulheres

O Espírito Santo também atuou e continua a atuar no sentido da promoção das mulheres à uma condição de igualdade de direitos com os homens. Observe que elas também receberam o dom de profetizar. E, como não era possível profetizar de boca fechada, elas receberam autoridade espiritual para proclamar a Palavra de Deus na Igreja. “E acontecerá depois que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias.” (Jl 2.28 e 29). Mulheres profetizas na Bíblia: Miriã (Ex 15.20), Débora (Jz 4.4), Hulda (II Rs 22.14), Ana (Lc 2.36-38), As 4 filhas de Felipe (At 21.9), Evódia e Síntique (Fl 4.2-3).

Além do ministério profético, as mulheres exerceram outras funções de liderança e de destaque na Bíblia: Débora atuou como juíza instituída por Deus em Israel (Jz 4.4), Priscila ensinava com destaque, tanto que teve o nome citado à frente do de seu próprio marido, algo muito incomum naquela época: “Ele começou a falar com coragem na sinagoga. Priscila e o seu marido Áquila o ouviram falar; então o levaram para a casa deles e lhe explicaram melhor o Caminho de Deus.” (At 18.26), “Mando saudações a Priscila e ao seu marido Áquila, meus companheiros no serviço de Cristo Jesus” (Rm 16.3); Febe, a diaconisa: “Eu recomendo a vocês a nossa irmã Febe, que é diaconisa da igreja de Cencréia” (Rm 16.1,2). A Mulher Samaritana como Evangelista: “Naquele momento chegaram os seus discípulos e ficaram admirados, pois ele estava conversando com uma mulher… Em seguida, a mulher deixou ali o seu pote, voltou até a cidade e disse a todas as pessoas: —Venham ver o homem que disse tudo o que eu tenho feito. Será que ele é o Messias?” (Jo 4. 27-29) e duas outras irmãs que também eram evangelistas: “E a você, meu fiel companheiro de trabalho, peço que ajude essas duas irmãs. Pois elas, junto com Clemente e todos os outros meus companheiros, trabalharam muito para espalhar o evangelho” (Fp 4.3).

E não foi por acaso que a primeira pessoa a testemunhar e a proclamar a ressurreição de Jesus tenha sido uma mulher: Maria Madalena! Já, em Atos 12.12-17, nota-se que o nome da mulher da casa onde a igreja se reunia é mencionado, uma vez que poderia simplesmente ser chamada de mãe de João Marcos, que era uma figura notória por ser o autor do Evangelho que leva o seu nome. Isto mostra a importância da liderança desta mulher naquela casa. Nas cartas paulinas, as mulheres são consideradas “colaboradoras” de Paulo. Paulo exorta a comunidade a reconhecer a liderança de diversas mulheres (Em 1 Co 16.16s). Em Romanos 16.6,12, ele recomenda Maria, Trifena, Trifosa e Pérside por terem “labutado” muito! Termo este empregado por Paulo para caracterizar o seu próprio trabalho de evangelizar e ensinar. Paulo menciona que Evódia e Síntique trabalhavam como ele, lado a lado (Fp 4.2-3); a liderança delas era tão fundamental que Paulo temeu que o conflito surgido entre elas pudesse prejudicar a missão cristã na comunidade de Filipos. Andrônico e Júnia, que, assim como Priscila e Áquila, são chamados de apóstolos (Rm 16.7), parceiros missionários, convertidos antes do apóstolo Paulo, muito provavelmente pertencentes ao círculo dos apóstolos em Jerusalém (Cf. 1 Co 15.7). Interessante observar que nem Priscila nem Júnia são definidas como esposas, pois o que se quis ressaltar foi a parceria delas na obra missionária!

Sabe-se que um fator decisivo para a expansão da igreja primitiva eram os cultos caseiros. Os cultos domésticos eram o lugar onde o cristianismo primitivo celebrava a ceia do Senhor, onde se estudava o Evangelho e a fé era nutrida. Estas igrejas contaram com a importante contribuição das mulheres. Que bom que não havia altar e nem púlpito elitista. Que bom que o ambiente era informal, o que favorecia a participação de todos. Na Carta aos Colossenses, Paulo menciona a “igreja na casa” de Ninfa (Cl 4.15). Nas origens da fundação da comunidade em Filipos está Lídia, que se converteu e ofereceu sua casa para a missão cristã (At 16.15). Das vinte e cinco pessoas citadas por Paulo em Romanos 16, aproximadamente um terço são mulheres. A liderança de Febe chega a ser caracterizada como diaconisa e prostátis, termos usados para designar pessoas na qualidade de mestres, missionárias, profetas, pessoas cheias do Espírito de Sabedoria.

Dons e chamados segundo Efésios

Paulo afirma em sua carta aos Efésios que Deus chamou uns para apóstolos, outros para profetas e outros para mestres. Em momento algum, ele fala que Deus chamou homens ou mulheres para este ou aquele ministério exclusivo. Assim como Pedro argumentou que não poderia negar o batismo para aqueles que haviam recebido o Dom do Espírito, também podemos argumentar que não devemos negar a ordenação para as mulheres que evidenciam o dom do Espírito para o ministério pastoral. Como dito anteriormente, o critério de “sujeitar-se” é válido para todos, independentemente da posição que cada qual ocupa (Ef 5.21-31). No quarto século, a Igreja Católica, adotou o modelo do Antigo Testamento, fechando assim as portas para a ordenação de sacerdotes do sexo feminino. Outro argumento com base na tradição levítica foi o uso da pureza como critério para seleção para o ofício sacerdotal. Neste quesito, nova desvantagem feminina, pois, sob o ponto de vista da lei mosaica, as mulheres eram consideradas impuras nos períodos menstruais, o que as tornava inaptas para o sacerdócio. Impedida de alcançar o sacerdócio, restou à mulher resignar-se com as atividades subsidiárias ao serviço eclesiástico, algo que o protestantismo, pelo menos em seu nascedouro, não fez questão de modificar.

A Igreja conviveu com a escravidão — e mudou

Constatamos com tristeza o registro de que a Igreja conviveu, tolerou e sancionou por séculos diversas injustiças sociais como a escravidão e a discriminação da mulher. No entanto, os princípios bíblicos de igualdade e liberdade germinaram, contribuindo para a libertação dos escravos e, agora, cooperam para a libertação da mulher.

O movimento wesleyano foi pioneiro na luta contra a escravidão e foi também 0 primeiro a reconhecer o ministério feminino. Não é de hoje que a Igreja Metodista Livre reconhece o valor das mulheres! Veja o que diz o seu Manual: “Os Metodistas Livres reconhecem que Deus concede dons espirituais de serviço e liderança tanto a homens como a mulheres. Visto que homem e mulher são ambos criados à imagem de Deus, tal imagem é mais plenamente refletida quando ambos, mulheres e homens, trabalham em união em todos os níveis da Igreja. Portanto, todas as posições na Igreja são acessíveis a todos que Deus chamar”.

As mulheres na Igreja de hoje

As mulheres representam hoje a maioria da membresia ativa da Igreja e não devem ser caladas e nem serem restringidas à um papel secundário. Devem ser reconhecidas e valorizadas como iguais, para serem enconrajadas a assumirem seu posto e vocação lado a lado com os homens em condições de igualdade. Isto não é liberalismo, mas, sim, libertação. “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres!“ Bispo Ildo Mello

Ministério Feminino+

Não se pode interpretar a Bíblia sem levar em conta o contexto social e cultural da época em que o texto foi escrito. O Mundo Antigo era extremamente machista, as mulheres eram desprezadas, tratadas como seres inferiores, que não tinham direito à voz, à educação e nem sequer eram contadas quando se queria saber quanta “gente” havia. Atentando para o contexto, podemos apreciar melhor a revolução que Jesus Cristo estava iniciando em relação a condição da mulher.

Assim também podemos compreender melhor porque os apóstolos, em alguns momentos, parecem referendar a discriminação das mulheres, pois, não seria prudente para a obra de evangelização da igreja erguer tão prontamente uma bandeira em favor dos direitos das mulheres, pois isto provocaria uma resistência intransponível por parte de uma geração que não estava minimamente preparada para aceitar tamanha revolução. Além do mais, tal atitude não produziria o efeito desejado, pelo contrário, suscitaria ainda mais perseguição a uma igreja que ainda estava aprendendo a dar os primeiros passos e que tinha que lutar contra tanta oposição.

O mesmo se aplica a questão da escravidão que não foi abertamente confrontada pelos apóstolos. No entanto, os princípios que servem de semente para a libertação das mulheres e dos escravos foram firmemente estabelecidos nos escritos do Novo Testamento, como por exemplo, o texto que diz: “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3.28).

Os que se valem de 1 Timóteo 2 para impedir que as mulheres exerçam o ministério pastoral, deveriam também, de acordo com o mesmo texto, impedí-las de usar aliança e outros objetos de ouro, vestidos caros, tranças no cabelo, e até mesmo deveriam proíbí-las de fazer perguntas durante um estudo bíblico, pois o texto também diz que as mulheres devem aprender em silêncio. Para serem coerentes com seu método interpretativo, deveriam também ensinar que a salvação da mulher se processa através da sua missão de mãe, o que complicaria a vida das estéreis e de todas aquelas que, por uma razão ou outra, jamais terão filhos. Consequentemente, deveriam exigir que os homens orassem em todos os lugares com as mãos erguidas (v.8). Porventura, os homens que condenam o ministério pastoral feminino oram sempre de mãos erguidas em todos os lugares? Se não, que hermenêutica seletiva e convencional é esta que encara parte do texto que está no mesmo contexto como Palavra de Deus aplicável a todos os contextos e gerações e outra como sendo algo cultural que tem a ver apenas com aquele contexto?

Os que advogam que a mulher deve ser submissa e que, por esta razão também não estaria apta a liderar uma igreja, que é comumente composta tanto por mulheres como por homens, estão esquecidos de que a mesma Bíblia ensina que deve haver mútua sujeição (Ef 5.21) e que o maior é aquele que serve! O próprio Cristo atuou como servo, lavou os pés dos discípulos e chamou-os de amigos, dando-nos, assim, o exemplo que deveria nortear nossos relacionamentos. No Reino de Deus não há lugar para autoritarismo.

O Espírito Santo também atuou e continua a atuar no sentido da promoção das mulheres à uma condição de igualdade de direitos com os homens. Observe que elas também receberam o dom de profetizar. E, como não era possível profetizar de boca fechada, elas receberam autoridade espiritual para proclamar a Palavra de Deus na Igreja. “E acontecerá depois que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias.” (Jl 2.28 e 29). Mulheres profetizas na Bíblia: Miriã (Ex 15.20), Débora (Jz 4.4), Hulda (II Rs 22.14), Ana (Lc 2.36-38), As 4 filhas de Felipe (At 21.9), Evódia e Síntique (Fl 4.2-3).

Além do ministério profético, as mulheres exerceram outras funções de liderança e de destaque na Bíblia: Débora atuou como juíza instituída por Deus em Israel (Jz 4.4), Priscila ensinava com destaque, tanto que teve o nome citado à frente do de seu próprio marido, algo muito incomum naquela época: “Ele começou a falar com coragem na sinagoga. Priscila e o seu marido Áquila o ouviram falar; então o levaram para a casa deles e lhe explicaram melhor o Caminho de Deus.” (At 18.26), “Mando saudações a Priscila e ao seu marido Áquila, meus companheiros no serviço de Cristo Jesus” (Rm 16.3); Febe, a diaconisa: “Eu recomendo a vocês a nossa irmã Febe, que é diaconisa da igreja de Cencréia” (Rm 16.1,2). A Mulher Samaritana como Evangelista: “Naquele momento chegaram os seus discípulos e ficaram admirados, pois ele estava conversando com uma mulher… Em seguida, a mulher deixou ali o seu pote, voltou até a cidade e disse a todas as pessoas: —Venham ver o homem que disse tudo o que eu tenho feito. Será que ele é o Messias?” (Jo 4. 27-29) e duas outras irmãs que também eram evangelistas: “E a você, meu fiel companheiro de trabalho, peço que ajude essas duas irmãs. Pois elas, junto com Clemente e todos os outros meus companheiros, trabalharam muito para espalhar o evangelho” (Fp 4.3).

Não podemos nos esquecer que não foi por acaso que a primeira pessoa a testemunhar e a proclamar a ressurreição de Jesus foi uma mulher: Maria Madalena! Já, em Atos 12.12-17, nota-se que o nome da mulher da casa onde a igreja se reunia é mencionado, uma vez que poderia simplesmente ser chamada de mãe de João Marcos, que era uma figura notória por ser o autor do Evangelho que leva o seu nome. Isto mostra a importância da liderança desta mulher naquela casa. Nas cartas paulinas, as mulheres são consideradas “colaboradoras” de Paulo. Paulo exorta a comunidade a reconhecer a liderança de diversas mulheres (Em 1 Co 16.16s). Em Romanos 16.6,12, ele recomenda Maria, Trifena, Trifosa e Pérside por terem “labutado” muito! Termo este empregado por Paulo para caracterizar o seu próprio trabalho de evangelizar e ensinar. Paulo menciona que Evódia e Síntique trabalhavam como ele, lado a lado (Fp 4.2-3); a liderança delas era tão fundamental que Paulo temeu que o conflito surgido entre elas pudesse prejudicar a missão cristã na comunidade de Filipos. Andrônico e Júnia, que, assim como Priscila e Áquila, são chamados de apóstolos (Rm 16.7), parceiros missionários, convertidos antes do apóstolo Paulo, muito provavelmente pertencentes ao círculo dos apóstolos em Jerusalém (Cf. 1 Co 15.7). Interessante observar que nem Priscila nem Júnia são definidas como esposas, pois o que se quis ressaltar foi a parceria delas na obra missionária!

Sabe-se que um fator decisivo para a expansão da igreja primitiva eram os cultos caseiros. Os cultos domésticos eram o lugar onde o cristianismo primitivo celebrava a ceia do Senhor, onde se estudava o Evangelho e a fé era nutrida. Estas igrejas contaram com a importante contribuição das mulheres. Que bom que não havia altar e nem púlpito elitista. Que bom que o ambiente era informal, o que favorecia a participação de todos. Na Carta aos Colossenses, Paulo menciona a “igreja na casa” de Ninfa (Cl 4.15). Nas origens da fundação da comunidade em Filipos está Lídia, que se converteu e ofereceu sua casa para a missão cristã (At 16.15). Das vinte e cinco pessoas citadas por Paulo em Romanos 16, aproximadamente um terço são mulheres. A liderança de Febe chega a ser caracterizada como diaconisa e prostátis, termos usados para designar pessoas na qualidade de mestres, missionárias, profetas, pessoas cheias do Espírito de Sabedoria.

Paulo afirma em sua carta aos Efésios que Deus chamou uns para apóstolos, outros para profetas e outros para mestres. Em momento algum, ele fala que Deus chamou homens ou mulheres para este ou aquele ministério exclusivo. Assim como Pedro argumentou que não poderia negar o batismo para aqueles que haviam recebido o Dom do Espírito, também podemos argumentar que não devemos negar a ordenação para as mulheres que evidenciam o dom do Espírito para o ministério pastoral. Como dito anteriormente, o critério de “sujeitar-se” é válido para todos, independentemente da posição que cada qual ocupa (Ef 5.21-31). No quarto século, a Igreja Católica, adotou o modelo do Antigo Testamento, fechando assim as portas para a ordenação de sacerdotes do sexo feminino. Outro argumento com base na tradição levítica foi o uso da pureza como critério para seleção para o ofício sacerdotal. Neste quesito, nova desvantagem feminina, pois, sob o ponto de vista da lei mosaica, as mulheres eram consideradas impuras nos períodos menstruais, o que as tornava inaptas para o sacerdócio. Impedida de alcançar o sacerdócio, restou à mulher resignar-se com as atividades subsidiárias ao serviço eclesiástico, algo que o protestantismo, pelo menos em seu nascedouro, não fez questão de modificar.

Constatamos com tristeza o registro de que a Igreja conviveu, tolerou e sancionou por séculos diversas injustiças sociais como a escravidão e a discriminação da mulher. No entanto, os princípios bíblicos de igualdade e liberdade germinaram, contribuindo para a libertação dos escravos e, agora, cooperam para a libertação da mulher.

O movimento wesleyano foi pioneiro na luta contra a escravidão e foi também 0 primeiro a reconhecer o ministério feminino. Não é de hoje que a Igreja Metodista Livre reconhece o valor das mulheres! Veja o que diz o seu Manual: "Os Metodistas Livres reconhecem que Deus concede dons espirituais de serviço e liderança tanto a homens como a mulheres. Visto que homem e mulher são ambos criados à imagem de Deus, tal imagem é mais plenamente refletida quando ambos, mulheres e homens, trabalham em união em todos os níveis da Igreja. Portanto, todas as posições na Igreja são acessíveis a todos que Deus chamar".

As mulheres representam hoje a maioria da membresia ativa da Igreja e não devem ser caladas e nem serem restringidas à um papel secundário. Devem ser reconhecidas e valorizadas como iguais, para serem enconrajadas a assumirem seu posto e vocação lado a lado com os homens em condições de igualdade. Isto não é liberalismo, mas, sim, libertação. “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres!“ Bispo Ildo Mello

Mensagem aos Pastores+

Baseada nas Parábolas do Reino de Mateus 13

Primeiramente, gostaria de falar do alto privilégio que temos de servir como semeadores do Evangelho do Reino. Deus poderia ter escolhido qualquer outra carreira para o seu Único Filho, mas quis que ele fosse um missionário pregador do Evangelho e Pastor de Ovelhas neste Mundo que é o Campo do Senhor (Jo 3.16; 10 e15). Não há carreira mais elevada! Ainda que o mundo a menospreze, saiba sempre que, aos olhos de Deus, não há função mais importante e prestigiada!

A vocação pastoral é algo sublime! Honremos este chamado para seguir os passos e o ministério de Cristo com a gana que é lhe é devido. Façamos isto com devotado amor e entusiasmada alegria!

Semear e cuidar da lavoura

Fomos chamados para semear e para cuidar para que a lavoura produza muitos frutos. Jesus nos designou para dar frutos e quer que estes frutos sejam permanentes (Jo 15.16). As Parábolas do Reino mostram que a boa semente do Reino germina, cresce e produz muitos frutos. Mas existem os inimigos da lavoura simbolizados pelos pássaros, joio, terra seca e outras condições inóspitas. Mas, mesmo diante das adversidades, a vocação da semente é a de frutificar. A lavoura triunfará! “Aquele que semeia com lágrimas, colherá com alegria” (Sl 126.5). As portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja! Pois o Pai é o Agricultor (Jo 15.1)! Nós fomos chamados por ele para trabalhar em sua lavoura santa!

O inimigo age por fora e por dentro

O inimigo trabalha tanto externa como internamente. Ele age como o pássaro que rouba a semente, e também semeia o joio em meio ao trigo para provocar confusão, para sugar as energias do trigo e prejudicar seu desenvolvimento. Ele atua também promovendo outros interesses para gerar distração e sufocar a semente da Palavra: “os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas” (Mt 13.22). Ele é astuto e não tem um único modo de agir. Certamente o adversário investe contra a liderança por questões estratégicas. Precisamos, portanto, questionarmos a nós mesmos em caso de um período longo de improdutividade. Não podemos encarar isto como algo normal. Não podemos tão simplesmente nos cercarmos de desculpas. Precisamos olhar para dentro de nós mesmos para ver se não há alguma erva daninha ali em nossa mente e coração plantadas pelo inimigo da lavoura de Deus. Às vezes, nós mesmos é que somos o maior obstáculo para o crescimento da igreja. A falta de fé, confiança, entusiasmo, consagração e devoção a Cristo e à sua causa podem ser fatais, principalmente devido a influente posição que ocupamos.

Por falar em entusiasmo, observamos que Jesus cumpria o seu ministério com muito gosto e paixão, tanto que sua comida e bebida eram fazer a vontade do Pai (Jo 4.34). Ele possuía um grande apetite pela obra da evangelização e discipulado! Como diz o antigo hino: “No serviço do meu Rei eu sou feliz”! Quando estamos entusiasmados com algo, chegamos até a nos esquecer da comida e nem fazemos caso do cansaço! Veja Jesus atravessando o mar, enfrentando a tempestade, mesmo no final de um dia estafante de trabalho quando a maioria só pensa em cair na cama! E tudo para alcançar um único ser humano, o endemoniado e marginalizado Gadareno, visto que Jesus tinha consciência de que o restante do povo daquela região o rejeitaria (Mc 4 e 5). Precisamos crer mais em Deus e no poder do Evangelho, valorizando, assim, a nossa vocação para dedicarmo-nos mais e mais, com entusiasmo, visão e confiança, à grande missão de evangelizarmos o Mundo.

Não ter medo de fracassar

Não devemos ter medo de fracassar. Bem sabemos que haverá muita frustração, pois 3/4 das sementes não chegam a produzir os devidos frutos conforme ensino da Parábola do Semeador (Mt 13). Mas vale a pena plantar por conta da porção que vingará e dará uma boa colheita (Mt 13.8)! A gente deve ser mais arrojado para semear com fé por toda parte, “sem medo de ser feliz”! Devemos acreditar que haverá conversões em todos os cultos, batismos a cada mês, lideranças sendo formadas periodicamente, igrejas sendo plantadas todos os anos e missionários sendo enviados sempre! Pois, não fomos chamados para um trabalho de mera manutenção. Nosso Técnico não quer que o time jogue na retranca! Lembrar do que aconteceu com aquele servo que preocupou-se apenas com a manutenção do talento de seu Senhor, não ousando investi-lo por medo de eventuais prejuízos (Mt 25.24). Existem riscos, sim; sempre existiram e existirão. Mas onde está a nossa fé?! E cadê a nossa confiança naquele que nos convocou?! Sabe, parece mesmo que quanto mais tememos e nos retraímos, assumindo uma postura defensiva, mais estamos sujeitos ao ataque dos adversários, e acabamos por perder até o pouco que temos. “Porque àquele que tem se dará, e terá em abundância; mas aquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado” (Mt 13.12). Precisamos multiplicar os nossos talentos! Ao ataque! Não vamos deixar de plantar porque os pássaros roubam a semente ou porque, quando a árvore cresce, eles se aproximam buscando sua sombra. Não vamos deixar de plantar o trigo por conta do inimigo que planta o joio. E nem vamos deixar de pescar porque a rede vem cheia de peixes de toda espécie, não somente bons, mas também maus. Um zelo extremado para combater o joio pode levar a destruição do trigo e pode comprometer ainda mais o desenvolvimento da lavoura. Haverá muita decepção e frustração em nossa carreira, mas não vamos desanimar de forma alguma. Vale muito a pena correr o risco de seguir adiante semeando com confiança no Senhor da lavoura.

A vocação de crescer e multiplicar

A igreja precisa aprender também que sua vocação é crescer e se multiplicar (At 9.31). Crescimento é algo que está em seu DNA! Todas as parábolas do Reino falam de seu crescimento: A semente produz o seu fruto, o trigo cresce, o grão de mostarda transforma-se na maior das hortaliças, o fermento faz a massa levedar, a rede vem cheia de peixes e o baú está cheio de coisas! A igreja não existe para si mesma. Sua essência é missionária (Mt 28.19-20; Jo 15.5; At 1.8)! Ela não pode os seus próprios interesses (Fl 2.21). Não deve jamais desviar-se de seu propósito elementar, que é o de fazer discípulos de todas as nações. Seus recursos não devem estar concentrados em sua própria manutenção. Ela não tem o direito de ser egocêntrica, visto que nasceu do coração daquele que deu sua própria vida em favor dos outros (Mt 20.28). Uma igreja com visão missionária agrada a Deus e conta com as provisões divinas. Como disse Hudson Taylor: “A obra de Deus, feita do modo de Deus, conta com o suporte de Deus!”. Precisamos de uma visão do Reino. Necessitamos investir recursos pessoais e financeiros na abertura de novas igrejas tanto na nossa Jerusalém, como também em regiões mais distantes, chegando ao ponto de atingirmos os confins da Terra. O que requer muito sacrifício! Precisamos nos perguntar: “Quanto estamos investindo na plantação de novas igrejas? Nossa igreja está envolvida na plantação de quantas novas congregações? E quantos missionários estamos apoiando? Onde está o nosso coração e o coração de nosso povo?

Outro ponto importante em que o pastor pode falhar é no processo de discipulado e formação de novos líderes. Alguns podem sentir uma certa insegurança diante de líderes jovens quem demonstrem grande potencial. Tal sentimento pode levar o pastor a restringir as oportunidades, criando dificuldades extras para o progresso espiritual e o desenvolvimento dos dons e talentos do discípulo. Podemos interpretar mal o afã de um jovem em servir, pensando tratar-se de um arrogante pretensioso com desejo de poder, quando, ao contrário, pode muito bem ser o caso de alguém que tem um puro e sincero desejo de servir e ser usado por Deus para fazer diferença na vida das pessoas e de impactar Mundo. Não é nada fácil chegar ao ponto de dizer como João Batista: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30)! Os pastores foram chamados para promover o crescimento dos outros! Isto é algo extremamente necessário para o progresso e futuro da Igreja. Não devemos nos sentir ameaçados diante de pessoas que, em certa medida, parecem mesmo ser potencialmente mais talentosas e inteligentes que nós. Imagine se Barnabé agisse assim com Paulo, que prejuízo não seria para toda a Igreja! Mas, graças a Deus, Barnabé foi um pastor espetacular, capaz de identificar um escolhido de Deus e investir seu tempo para dedicar-se a formação e treinamento daquele que viria a ser o maior de todos os Apóstolos! Missão cumprida com Paulo, Barnabé passa a fazer o mesmo com João Marcos! Que pastor! Que homem de visão! Louvado seja Deus pelos Barnabés! Vemos que Paulo aprendeu com ele e seguiu este mesmo modelo de ministério, fazendo discípulos que se tornaram líderes, pastores e bispos por todas as cidades onde plantou a semente do Evangelho. Façamos o mesmo, pois este é o plano de Deus! Os pais querem que seus filhos cresçam e se tornem maiores e melhores do que eles! Amamos a Deus e a Igreja que Ele com amor instituiu. Queremos que a Igreja continue forte depois de nossa partida. E nem sabemos quando isto será! Para o bem do futuro da igreja precisamos nos dedicar à formação de pastores e líderes fortes sem medo de perdermos nosso lugar. Barnabé jamais perdeu o seu lugar! O nosso lugar é fazer discípulos; os melhores que pudermos! Façamos isto revestidos de fé, confiança, amor, entusiasmo e ousadia!

No amor do Senhor, Bispo José Ildo Swartele de Mello Igreja Metodista Livre do Brasil: www.metodistalivre.org.br Meu Blogs: http://escatologiacrista.blogspot.com/ http://imeldemirandopolis.blogspot.com Obs:

Mensagem do Bispo Ildo aos pastores metodistas livres, pregada no dia 7 de Fevereiro de 2009

A casa caiu, mas não foi o fim!+

A derrocada de uma importante família sacerdotal da história de Israel tem muito a nos ensinar a respeito da importância da santidade no ministério pastoral e na vida do povo de Deus. (1Sm 2 a 7). “Tenham cuidado, irmãos, para que nenhum de vocês tenha um coração mau e descrente, que se afaste do Deus vivo.” (Hb 3.12, NAA).

Eli havia sido especialmente escolhido por Deus para ser Sacerdote e juiz em Israel (1Sm 2.28). Mas, infelizmente, não foi fiel em sua missão. Ele já havia demonstrado falta de discernimento quando julgou que Ana estivesse embriagada quando ela, de fato, apenas orava em seu coração, mexendo os lábios. (1Sm 1.12-14). Sua falta de visão irá se agravar mais e mais devido ao seu distanciamento de Deus. As visões de Deus se tornaram cada vez menos frequentes (1Sm 3.1) e ele terminará sua carreira completamente cego (1Sm 3.2). Eli acabou também fazendo vistas grossas aos pecados dos filhos, Hofni e Fineias, que se tornaram sacerdotes sem as qualificações morais necessárias. Seus filhos “eram homens malignos e não se importavam com o Senhor” (1Sm 2.12). Não se contentando com o seu salário, tomavam para si aquilo que pertencia a Deus, desonrando assim seu ofício sacerdotal (1Sm 2.12-17). Além disto, sem pudor algum, eles tomavam partido de sua liderança para assediarem e praticarem sexo com diversas mulheres que serviam à porta do Santuário (1Sm 2.22).

Eli até chegou a chamar à atenção deles, mas estes não lhe deram ouvidos, pois eram filhos rebeldes (1Sm 2.23-25). Acontece que Eli não foi suficientemente enérgico e acabou permitindo que seus filhos seguissem sem mudança de atitude no ministério sacerdotal.

Então, a ira de Deus recaiu sobre Eli e filhos: “Por que tratam com desprezo os meus sacrifícios? … E, você, por que honra seus filhos mais do que a mim?”. (2.29). Em seguida, Deus pronuncia um castigo de morte e destruição sobre a casa de Eli (1Sm 2.30-34). “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo.” (Hb 10.31, NAA).

Os sacerdotes incorrem na condenação de Deus quando perdem o temor do Senhor, quando se tornam mercenários, quando se entregam à luxúria e quando amam os filhos, ou cônjuges, ou o próprio status de líder mais do que a Deus.

Os pecados destes sacerdotes levaram o povo a também afastar-se de Deus (1Sm 2.24). Deus retirou sua bênção e o povo foi derrotado em uma batalha contra os filisteus (4.2). “Não se enganem: de Deus não se zomba. Pois aquilo que a pessoa semear, isso também colherá” (Gl 6.7, NAA).

O povo achava que a Arca da Aliança os salvaria, e pediram que fosse trazida antes da próxima batalha. Quando Hofni e Fineias chegaram ao acampamento carregando a Arca da Aliança, “os israelitas gritam tão alto que o chão tremeu” Fizeram um culto fervoroso de confissão positiva, confiados na possessão da Arca. Mas tal fervor impressionou até os filisteus (1Sm 4.6), mas não a Deus. “Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.” (Mt 15.8, NAA). Deus abomina cultos hipócritas: “Não posso suportar iniquidade associada à reunião solene.” (Is 1.13, NAA). De nada adianta a Arca da Aliança quando não estamos sendo fiéis a Aliança. Deus diz: “Obediência quero e não sacrifícios” (1Sm 15.22-23).

“Fizeram muito barulho, mas Deus não os atendeu (1Sm 4.10). Trinta mil homens morreram na batalha que se seguiu, entre eles, Hofni e Finéias (1Sm 4.10-11).

A Arca foi parar nas mãos dos filisteus (1Sm 4.11). Eli, abalado com a notícia, caiu da cadeira, quebrou o pescoço e morreu (1Sm 4.18). A mulher de Fineias, que estava grávida, prematuramente, deu à luz um menino, e, arrasada com todas estas notícias, deu a seu filho o nome de Icabô, que significa, foi-se embora a glória de Israel. (1Sm 4.21). Com Icabô encerra-se de forma dramática a era sacerdotal da casa de Eli.

Enquanto, Eli e seus filhos trouxeram derrota e vergonha ao povo de Deus, o Senhor agia para vindicar a glória de Seu nome que estava sendo blasfemado entre os filisteus, que, para tripudiar e humilhar, colocaram a Arca da Aliança diante da estátua de seu deus, Dagom (1Sm 5.2). No entanto, de forma assombrosa, a estátua de Dagom amanheceu caída com o rosto em terra, diante da Arca do Senhor (1Sm 5.3)! Associado a isto, uma praga acometeu a saúde do povo daquela cidade (1Sm 5.6), de modo que um temor se abateu sobre os filisteus, a ponto de decidirem devolver a Arca ao povo hebreu (1Sm 5.11 e 1Sm 6.1-21). O temor de Deus que faltou aos sacerdotes de Israel agora era visto entre os pagãos!

É notável que, mesmo antes da morte de Eli, Deus já havia escolhido um sucessor: o menino Samuel, cujo nascimento já tinha se dado através de uma intervenção milagrosa de Deus (1Sm 1.1-2.11). Mesmo tendo sido criado em um contexto de tantos maus exemplos, Samuel, manteve-se íntegro, não deixando-se levar pela correnteza, antes, ele “crescia em estatura e no favor do Senhor e dos homens”(1Sm 2.26).

É dito que a palavra de Deus e as visões se tornaram muito raras nos dias do sacerdócio da casa de Eli (1Sm 3.1). Mas “antes que a lâmpada de Deus se apagasse” (1Sm 3.3), a Palavra de Deus se manifestou a Samuel (1Sm 3.4), que acolheu a voz de Deus, dizendo: “Fala Senhor porque teu servo ouve” (1Sm 3.10). Enquanto os olhos de Eli se escureciam (1Sm 3.2), Deus dava visões a Samuel (1Sm 3.11-19). Devido a sua prontidão em obedecer ao Senhor, Deus fez de Samuel um verdadeiro profeta (1Sm 3.19 ), que, após a morte de Eli, Hofni e Fineias, tornou-se naturalmente o líder de Israel.

7 Sinais da decadência da visão espiritual do Sacerdote Eli:

1. Demonstrou falta de discernimento quando julgou que Ana estivesse embriagada quando ela, de fato, apenas orava em seu coração, mexendo os lábios. (1Sm 1.12-14).

2. Fez vistas grossas aos pecados dos filhos. (1Sm 2).

3. As visões de Deus se tornaram cada vez menos frequentes (1Sm 3.1)

4. Terminou sua carreira completamente cego fisicamente, o que, dentro deste contexto, parece também indicar sua cegueira espiritual (1Sm 3.2).

5. Observe a seguinte sequencia: Palavra e visões de Deus eram raras (v.1), a luz dos olhos de Eli se escurecendo (v2) e é dito também que a luz da lâmpada de Deus também estava se apagando no santuário (v. 3 e 4). “Antes que a lâmpada de Deus se apagasse, o SENHOR chamou o menino” (1Sm 3.3–4).

6. Deus não fala mais com Eli, mas apenas com Samuel. (1Sm 3)

7. Um exemplo de sua falta de visão foi ter permitido que a Arca da Aliança fosse levada como objeto de idolatria, sendo que ele deveria saber que o que faltava não era a Arca, mas o arrependimento dele, de seus filhos e de todo o povo, pois todos haviam se apartado de Deus. (1Sm 4).

Ao contrário de Eli, Samuel foi sensível a voz de Deus e obediente a visão celestial. Ele promoveu um despertamento espiritual em Israel! Ele conclamou o povo ao arrependimento (1Sm 7.3). O povo confessou os seus pecados (1Sm 7.6), abandonou os seus ídolos (1Sm 7.4) e voltou-se para Deus com humildade, jejum e oração (1Sm 7.6). Diante de uma nova ameaça de guerra por parte dos filisteus, o povo solicitou a Samuel que intercedesse por eles diante de Deus (1Sm 7.8). O Senhor respondeu dos altos céus (1Sm 7.9), trovejando sobre os filisteus (1Sm 7.10), que acabou sendo derrotado nesta guerra (1Sm 7.10).

Que contraste vemos aqui em relação à atitude triunfalista e arrogante do povo liderado por Hofni e Fineias que festejava com brados de vitória o fato de possuírem a Arca (1Sm 4.5). Suas palavras de confissão positiva não lhes garantiram a vitória (1Sm 4.10). Entretanto, as palavras de confissão de pecados produziram uma resposta retumbante dos altos céus! Não é o barulho na terra que produz barulho no céu, mas, sim, corações humildes e contritos diante do Criador! “Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.” (Jo 4.24, NAA). Não adianta ter o carisma da Arca e do Sacerdócio, é preciso ter o caráter de servo que reconhece sua dependência de Deus, pois nada substitui a humilde obediência.

A vida e ministério da casa de Eli terminam com o emblemático termo: “Icabô” (foi-se a glória de Israel), já o início do ministério de Samuel começa com um grande triunfo expresso pelo termo Ebenézer (1Sm 7.12), que significa: “Até aqui nos ajudou o Senhor!”. A promessa se cumpriu em Samuel: ““Então suscitarei para mim um sacerdote fiel, que fará segundo o que tenho no coração e na mente. Eu lhe edificarei uma casa estável, e ele andará diante do meu ungido para sempre.” (1Sm 2.35, NAA).

Como vimos, Deus não se deixa escarnecer nem por pagãos filisteus e nem, muito menos, por sacerdotes do seu próprio povo. porque juízo começa pela casa de Deus (1Pe 4.17). E àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido (Lc 12.48, NAA). Portanto, “afaste-se da iniqüidade todo aquele que confessa o nome do Senhor”. (2Tm 2.19, NVI). “Ora, além disso, o que se requer destes encarregados é que cada um deles seja encontrado fiel.” (1Co 4.2, NAA). Sigamos, portanto, o exemplo de Samuel para que nossas vidas jamais terminem em Icabô, mas, sejam sempre caracterizadas por um bendito Ebenézer!

Bispo José Ildo Swartele de Mello https://youtube.com/watch?v=h33RCxwn5FM&feature=share

Liderança e Legado: Construindo um Impacto que Transcende o Tempo+

Que legado iremos deixar para a próxima geração?

Eu nunca desejei ser líder de nada, mas, curiosamente, acabei assumindo essa posição em minha vida. Sempre fui muito tímido, muito mais do que sou hoje. Apesar de nunca querer liderar, eu sempre quis me enturmar, participar e apoiar. Queria ver as coisas acontecerem, mas preferia estar nos bastidores, ajudando os outros.

Na adolescência, gostávamos muito de jogar futebol na Vila Império, no alto do morro de Cidade Adhemar. E um amigo, chamado Miguel, era o líder nato do grupo. Ele comprava bolas, organizava campeonatos e desafiava as outras vilas. Eu estava sempre ao lado dele, ajudando a chamar pessoas e colaborando como seu auxiliar.

Certa vez, Miguel teve que se mudar para a Bahia. Antes de partir, ele comprou uma bola de futsal novinha e, ao se despedir, me entregou dizendo: ‘Agora é com você. Não deixe isso morrer.’ Ele temia que as atividades que ele tanto incentivava se perdessem com sua partida. Assim, ele literalmente ‘passou a bola’ para mim, confiando que eu continuaria com o que podemos chamar de seu legado.

Legado e herança não são a mesma coisa

Legado e herança são conceitos frequentemente confundidos, mas possuem diferenças fundamentais. Enquanto a herança refere-se aos bens materiais passados de geração em geração, o legado transcende o material, sendo o último desejo de uma pessoa, algo que pode ser dado a qualquer indivíduo, mesmo que não seja da família. Legado é a transmissão de valores, princípios e ensinamentos que moldam a identidade e o caráter das futuras gerações.

O pedido do sambista

No contexto da música popular brasileira, uma famosa canção de samba ilustra bem essa preocupação com o legado. O sambista, ao cantar sobre o futuro do samba, expressa um profundo senso de responsabilidade pela continuidade de sua arte, que ele considera essencial para a cultura do morro e para sua própria identidade. Eis os versos:

Quando eu não puder Pisar mais na avenida Quando as minhas pernas Não puderem aguentar Levar meu corpo Junto com meu samba O meu anel de bamba Entrego a quem mereça usar Deixo ao sambista mais novo O meu pedido final Não deixe o samba morrer Não deixe o samba acabar Essas palavras revelam a preocupação do sambista ao perceber que está perto do fim de sua carreira. Ele reconhece o valor do samba para sua vida e cultura, e deseja que seu estilo de vida e seus valores não desapareçam com ele, mas sim que se perpetuem. O sambista entende que o samba é essencial para o morro, para a comunidade, e, por isso, ele transfere a responsabilidade para a nova geração. O anel de bamba, símbolo de sua excelência e destaque, deve ser passado a quem possa continuar seu legado, mantendo viva a chama do samba.

O legado que Cristo deixou aos seus discípulos

Sem entrar em juízo de valores sobre o conteúdo da música, essa preocupação do sambista em transferir seus valores para as futuras gerações nos oferece um paralelo interessante com o legado deixado por Cristo aos seus discípulos. Ao final de seu ministério, Jesus, como o sambista, estava ciente de que seu tempo na Terra estava se encerrando. Suas últimas palavras, conhecidas como a Grande Comissão (Mateus 28.18-20), são um reflexo claro de sua preocupação em assegurar a continuidade de sua obra:

“Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos.” Jesus cumpriu sua missão com fidelidade e paixão, e deixou aos seus discípulos a responsabilidade de dar continuidade à sua obra. Ele não apenas deixou um legado de ensinamentos, mas também de exemplo, de um estilo de vida baseado no amor, na justiça e na verdade. Ao delegar sua missão aos seus discípulos, Jesus lhes conferiu um papel crucial na preservação e propagação do Evangelho.

Assim como o sambista desejava que o samba continuasse vivo, Jesus deseja que sua mensagem de salvação, esperança e transformação continue a ser proclamada. A pergunta que devemos fazer é: qual valor temos dado à missão de Cristo? Estamos nós, como cristãos, cumprindo e transmitindo com fidelidade o legado que recebemos?

Um exemplo pessoal

Aqui, compartilho um exemplo pessoal que ilustra como o valor que damos ao legado que recebemos pode moldar nossa jornada de liderança. Eu era uma pessoa tímida, que evitava posições de destaque e liderança. Em nossa igreja, tínhamos uma mocidade muito ativa, cuja liderança organizava encontros semanais, retiros e passeios que eram tanto divertidos quanto edificantes. Essas atividades tiveram um impacto muito significativo na minha vida.

No entanto, quando eu tinha 18 anos, uma crise abalou nossa mocidade. Os líderes se desentenderam, e, um a um, renunciaram aos seus cargos. As programações, que antes eram vibrantes e constantes, pararam de acontecer de uma hora para outra. Fiquei muito triste com a situação e, numa tentativa de animar a turma a retornar aos seus postos, liguei para cada um dos líderes e também para os demais jovens da igreja, pedindo que fossem à reunião do próximo sábado como de costume. Esse acabou sendo meu primeiro ato como líder na igreja, ainda que eu não tivesse a mínima intenção de liderar nada. Porém, ninguém apareceu na reunião.

Apesar desse fracasso inicial, não desisti. Liguei novamente para todos e marcamos uma nova reunião, desta vez na casa de um dos membros da mocidade, para garantir pelo menos a presença dos anfitriões. Contudo, a mãe desse jovem, sem entender que se tratava de uma reunião da diretoria da mocidade, pensou que seria um culto e convidou 10 vizinhos não crentes. Quando cheguei, ela, toda alegre, informou que os vizinhos já estavam sentados na sala. Concluí que precisávamos mudar os planos e aproveitar a oportunidade para realizar um culto com pregação do Evangelho.

Perguntei ao ex-presidente da mocidade se ele poderia pregar, mas ele disse que não estava preparado. O mesmo aconteceu com o ex-diretor espiritual. Me vi diante de um desafio enorme para mim, que sempre tive paúra de falar em público. Mas, seguro de que o Evangelho precisava ser pregado, fui tomado por uma coragem que não possuía naturalmente e preguei pela primeira vez em minha vida. Para minha surpresa, preguei com uma desenvoltura que até me espantou. Cinco das pessoas presentes se converteram.

Uma dessas pessoas, chorando, conversou comigo após o culto e perguntou se eu aceitaria pregar a mesma mensagem para seus familiares e amigos em uma reunião semelhante na casa dela na semana seguinte. Relutante, mas sentindo o peso da responsabilidade, concordei. Mais pessoas se converteram, e novas reuniões em casas foram marcadas. As reuniões de sábado da mocidade foram reativadas sob minha liderança, já que nenhum dos antigos líderes quis voltar aos seus cargos. Houve uma renovação espiritual, e, só naquele ano, realizamos três retiros de jovens.

Esse início na liderança teve muito a ver com o valor que eu dava às atividades da mocidade e e meu amor pela igreja. Eu havia recebido isto como um legado que não queria que morresse. Outra coisa, foi o valor que eu dava ao Evangelho e seu impacto na minha vida. Não podia simplesmente ficar calado diante das pessoas que necessitavam ouvir as boas novas de salvação em Cristo. Entendo que meu desejo de ver essas programações continuarem e minha convicção sobre a importância do Evangelho foram os fatores que me levaram a assumir a liderança, mesmo que de forma inesperada.

O maior legado são os valores eternos do Evangelho

O maior legado que podemos deixar para a próxima geração não são os bens materiais, mas os valores eternos do Evangelho. Nosso legado deve ser a obra de Cristo, a razão principal de nossa existência. Que sejamos fiéis em transmitir esse legado, fazendo discípulos que sigam os passos de Jesus, garantindo que a missão de Cristo continue viva e ativa nas futuras gerações.

Que legado iremos deixar? O que estamos fazendo hoje que será lembrado e continuado amanhã? Assim como o sambista deseja ver o samba perdurar, devemos desejar ver o Evangelho avançar, transformando vidas e comunidades. Essa é a marca de uma liderança comprometida com os valores eternos.

Questões para reflexão

  1. Qual é o propósito central de sua liderança?
  2. Que legado você deseja deixar para a próxima geração?
  3. Como suas ações atuais estão contribuindo para a construção desse legado?
  4. Como você está preparando outros para dar continuidade ao trabalho que você começou?
  5. Como você está buscando superar seus pontos fracos e transformar desafios em oportunidades de crescimento?
  6. Como você entende a relação entre liderança e serviço?
  7. De que forma sua liderança reflete a atitude de serviço que Jesus demonstrou?
  8. Como você pode melhorar sua liderança para que ela seja mais centrada no serviço ao próximo?
Qualquer pessoa pode ministrar a Santa Ceia?+

Introdução

A pergunta “qualquer pessoa pode ministrar a Santa Ceia?” não é apenas de caráter prático, mas profundamente teológica, eclesiológica e pastoral.

Instituída por Cristo e confiada primeiramente aos apóstolos, a Ceia é sacramento, sinal visível da graça invisível, meio de comunhão com o Senhor e expressão da unidade da Igreja.

Trata-se de um tema que exige:

Exame das Escrituras (fundamento normativo da fé).

Leitura da tradição da Igreja (como o povo de Deus entendeu e praticou).

Discernimento pastoral (como aplicar com fidelidade e sabedoria hoje).

A sacralidade da Santa Ceia A Santa Ceia é um dos momentos mais sagrados da vida cristã. Instituída pelo próprio Cristo na noite em que foi traído (1Co 11.23–25), ela não é uma refeição comum, mas um sacramento em que o pão e o vinho, sinais visíveis, comunicam realidades invisíveis. À mesa do Senhor, os fiéis são chamados a recordar o sacrifício redentor de Cristo, a proclamar sua morte até que Ele venha e, sobretudo, a participar de sua presença viva (1Co 10.16–17).

Desde os primórdios da Igreja, os cristãos compreenderam que a Ceia do Senhor envolve mais do que simples memória. Nos Atos dos Apóstolos, vemos a comunidade primitiva “perseverando… no partir do pão” (At 2.42,46), sinal de comunhão com Cristo ressuscitado e entre os irmãos. Os Pais da Igreja, como Inácio de Antioquia e Justino Mártir, ressaltaram que a Eucaristia é comunhão real com Cristo, celebrada sob a presidência daqueles a quem o Senhor confiou a guarda da doutrina e dos sacramentos.

No decorrer da história, diferentes tradições buscaram explicar esse mistério: o catolicismo romano formulou a doutrina da transubstanciação, Lutero falou em união sacramental, Zwinglio reduziu-a a memorial simbólico. Já João Calvino e John Wesley, cada um à sua maneira, ressaltaram a presença real e espiritual de Cristo, entendida como mistério operado pelo Espírito Santo e recebida pela fé.

Para Wesley, a Santa Ceia é antes de tudo um meio de graça: um canal pelo qual Deus comunica perdão, santificação e vida nova. Ele a recomendava como prática constante, afirmando que “é dever de todo cristão participar com a maior frequência possível” (

Sermão 101

). Na sua experiência, o pão e o vinho não são apenas sinais externos, mas instrumentos através dos quais Cristo se dá a conhecer e a Igreja é fortalecida em unidade e missão.

Assim, à luz das Escrituras, da tradição histórica e da herança wesleyana, a Ceia do Senhor deve ser recebida com profunda reverência e fé. Nela, confessamos que o memorial e a presença se encontram: recordamos a cruz de Cristo, mas também nos unimos ao seu corpo e sangue de maneira misteriosa, espiritual e real. Trata-se de um ato de obediência, de comunhão e de antecipação do banquete escatológico no Reino de Deus.

1. O que a Bíblia diz?

a) Instituição da Ceia Jesus instituiu a Ceia no contexto da Páscoa, reunido com os apóstolos (Mt 26.26–29; 1Co 11.23–26). A entrega do pão e do cálice se deu dentro da comunidade apostólica, núcleo da futura liderança da Igreja. b) Caráter santo e comunitário Paulo enfatiza que a Ceia não é refeição privada, mas ato da comunidade de fé. Nela se manifesta a unidade do corpo de Cristo:

1 Coríntios 10.16–17

“O cálice da bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão.” c) Ordem e discernimento A celebração exige reverência e discernimento espiritual (1Co 11.27–29). A repreensão de Paulo mostra que a Ceia precisa ser guardada de abusos, preservando sua dignidade. d) Responsabilidade pastoral O NT apresenta os apóstolos, presbíteros e bispos como responsáveis pelo cuidado doutrinário e pelo ensino (At 2.42; 20.28; 1Tm 3.1–7; Tt 1.5–9; 1Pe 5.1–3). A eles cabe pastorear, guardar e administrar os “mistérios de Deus” (1Co 4.1).

Conclusão bíblica: a Ceia é um ato da comunidade cristã, instituído por Cristo, que deve ser celebrado sob liderança espiritual reconhecida, em ordem e discernimento.

2. O papel do ministério ordenado

No NT, não há manual detalhado dizendo “quem pode” ministrar a Ceia. Contudo:

Os apóstolos e presbíteros exercem autoridade sobre o ensino e a prática comunitária.

A igreja primitiva entendeu que atos centrais da fé deveriam estar sob guarda dos ministros reconhecidos pelo Espírito e pela comunidade.

Historicamente, esse entendimento foi consolidado: a Ceia é celebrada sob responsabilidade de pastores e presbíteros ordenados, a fim de preservar:

A unidade da fé.

A pureza da doutrina.

A reverência no culto.

3. A questão prática

Pode qualquer cristão repartir pão e vinho?

Tecnicamente, sim. Mas a pergunta correta é: deve?

A Ceia não é ato individual, mas expressão da comunhão da Igreja.

A tradição cristã (inclusive metodista e wesleyana) ensina que deve ser presidida por ministros ordenados.

Outros podem ajudar a servir (diáconos, líderes, irmãos), mas a presidência cabe ao pastor/presbítero.

Exceções autorizadas com ordem e decência: Embora a presidência da Santa Ceia pertença ordinariamente aos ministros ordenados, a própria história metodista e a prática da Igreja Metodista Livre reconhecem que, em determinadas circunstâncias, um ministro ordenado pode autorizar líderes leigos licenciados a presidir os sacramentos. Tal autorização não retira a sacralidade da Ceia, pois é concedida em nome da Igreja, preservando a comunhão e a unidade do Corpo de Cristo. Isso demonstra que a questão não é de mero formalismo clerical, mas de ordem eclesial, para que tudo seja feito “com decência e ordem” (1Co 14.40), de modo que a comunidade continue sendo edificada na graça.

4. Testemunho dos Pais da Igreja

Desde cedo, a Igreja foi clara sobre a presidência da Ceia:

Inácio de Antioquia ( Aos Esmirnenses 8): “Seja tida por válida a Eucaristia que é celebrada pelo bispo, ou por quem ele tiver autorizado.”

Justino Mártir ( Apologia I 65–67): descreve o culto dominical e o papel de quem preside, responsável pelas orações e distribuição.

Tertuliano ( De Corona 3): “Recebemos o sacramento da Eucaristia… das mãos somente dos que presidem.”

Hipólito de Roma ( Tradição Apostólica): apresenta o bispo presidindo, com presbíteros e diáconos em funções específicas.

Cipriano de Cartago (

Epístola 63

): reforça que a correta celebração depende de bispos/presbíteros.

Constituições Apostólicas (séc. IV): normatizam a presidência episcopal/presbiteral sobre os sacramentos.

Síntese patrística: desde o século II, há consenso de que a Eucaristia só é válida quando presidida pelo bispo ou por alguém autorizado por ele. Isso mostra que, desde os primeiros séculos, a validade da Ceia esteve ligada à comunhão e à autoridade ministerial, nunca a iniciativas privadas ou individuais.

5. Argumentos históricos e teológicos

Tradição constante: A Ceia sempre foi celebrada sob ministros ordenados, como sinal de unidade e fidelidade ao ensino apostólico.

Proteção contra heresias: Centralizar a presidência nos ministros preservou a integridade do sacramento contra desvios.

Natureza sacramental: A Ceia é meio de graça, não ato comum. Sendo “mistério de Deus”, deve ser administrada por “despenseiros” fiéis (1Co 4.1).

Unidade da Igreja: Se cada grupo celebrasse de forma autônoma, a Ceia perderia seu caráter de comunhão.

6. Argumentos pastorais

Disciplina e zelo: Evita banalização e abusos (1Co 11.27–29).

Autoridade espiritual: Pastores/presbíteros são guardiões da sã doutrina e do culto (At 20.28; Hb 13.17).

Segurança contra abusos: A presidência pastoral garante reverência e fidelidade bíblica.

7. Conclusão e aplicação pastoral

Diante da Bíblia, da tradição histórica e dos argumentos teológicos e pastorais, a resposta é clara:

Não é apropriado que qualquer pessoa ministre a Santa Ceia.

Este é um ato sagrado, ligado ao pastoreio e à doutrina da Igreja, que deve estar sob o cuidado daqueles que foram ordenados e receberam autoridade para esse serviço.

Ao mesmo tempo, todos os membros são chamados a participar dignamente, examinando-se e reconhecendo no pão e no cálice a comunhão com Cristo e com o corpo (1Co 11.28–29).

Assim, celebramos a Ceia sob a presidência de ministros ordenados, em reverência e unidade, até o dia em que estaremos reunidos no grande banquete do Reino com o próprio Cristo (Ap 19.9).

Portanto, a Santa Ceia é um sacramento instituído por Cristo para a sua Igreja. Por isso, não deve ser ministrada por qualquer pessoa, mas sob a presidência de ministros ordenados, que receberam autoridade da Igreja para esse fim. Assim garantimos que a Ceia seja celebrada com reverência, ordem e unidade, conforme as Escrituras orientam (1Co 11.23–29).

Atribuições dos Ecônomos+

Por Bispo José Ildo Swartele de Mello

Ministério de Visitação

Visitar enfermos, encarcerados e necessitados.

Visitando enfermos

Recomendações

Preparar-se antes de fazer a visita: Orar, separar literatura e a Bíblia, assear-se (sem perfumes fortes) e vestir-se discreta e respeitosamente.

Obtenha a devida autorização para fazer a visita, não tente enganar ninguém.

Seja breve: Lembre-se que você está visitando um paciente em recuperação e não fazendo uma festa. Não recomendo que a visita dure mais que 30 minutos. Lembre-se que o paciente precisa de descanso para sua boa recuperação.

Fale ao paciente sobre o amor e o cuidado de Deus.

Ore de maneira serena e comedida e se comprometa com o paciente que continuará orando por ele.

Incentive o paciente a cumprir as recomendações médicas.

Ajude na preparação dele espiritual e emocionalmente antes de cirurgias.

No caso de doente terminal, ajude-o e aos seu familiares a enfrentar esta situação levando a eles a esperança e o conforto da vida eterna.

Evitar

Fazer visitas quando você mesmo estiver doente.

Visitar no horário de refeições, de curativos ou de asseio pessoal.

Falar alto ou em tom não amigável.

Falar sobre suas próprias doenças ou de outros.

Não tente dizer o que o paciente deveria ou não deveria fazer ou tomar. Não interessa se você teve experiência semelhante ou não, pois cada caso é um caso, e só o médico pode saber o que fazer. Afinal, ele estudou anos para isso. o choro.

Prometer que Deus irá curar o paciente se você não foi autorizado por Ele. (Às vezes Deus permite que a doença continue e até mesmo leve à morte).

Sentar-se, apoiar, mover a posição ou sacudir a cama (para isto chame o enfermeiro).

Cochichar com os familiares ou profissionais na frente do paciente.

Ficar perguntando ou falando ao paciente sobre detalhes de sua doença.

Criticar outras pessoas (parentes, profissionais do hospital ou o próprio hospital).

Levar alimentos e objetos não permitidos ao paciente.

Ajudar o paciente a enganar nos procedimentos e uso correto da medicação recomendada.

Conversar com o paciente, parentes ou outros pacientes sobre o diagnóstico que por ventura tenha sabido.

Monopolizar a atenção só dos parentes ou só do paciente em horário de visitas.

Assistência Social

Socorrer os necessitados: estabelecer critérios objetivos de seleção e triagem para socorrer os que realmente precisam e aqueles que estão em maior necessidade; eleger as prioridades; elaborar metas e planos; mobilizar a igreja no sentido de levantar os recursos necessários.

Coordenar todas as doações, cuidando tanto do recebimento, quanto da distribuição, mantendo cuidadoso registro de tudo.

Estudar os princípios bíblicos que dizem respeito à assistência social, visando aprimorar o discernimento, a fim de, em tudo, ser amoroso, justo e discreto na prática da caridade.

Ajudar na promoção de atividades e movimentos sociais que visem melhorar o bem estar da pessoa e da coletividade.

Recepcionistas

Glorificar a Deus atendendo amorosa, atenciosa, respeitosa e eficientemente aos visitantes da Igreja Metodista Livre.

A recepção é a “fachada da igreja”, e dependendo como um amigo ou visitante é recebido, ele formará sua primeira opinião sobre a congregação; portanto é um ministério que tem uma grande responsabilidade e que tem sido exercido com amor e desprendimento por todos os voluntários.

ATRIBUIÇÕES DOS RECEPCIONISTAS Certificar-se com a pessoa responsável pela escala ou no boletim dominical, os dias que estará de serviço. Caso não possa estar presente avisar com antecedência, evitando transtornos de última hora; Chegar pelo menos 30 minutos antes do início dos cultos, Escola Dominical e demais programações e verificar o ambiente e material a ser utilizado no trabalho (ficha de comunicação, tomando nota do nome, telefone e email, para encaminhar ao pastor, boletins, literaturas, etc); distribuir boletins, literatura e CDs de mensagens aos visitantes gratuitamente e também os hinários, lembrando que estes são apenas por empréstimo durante o período do culto; Expressar o caráter de Cristo no contato com os visitantes.

Servir aos visitantes de nossos cultos, de modo eficiente e eficaz, com qualidade máxima.

Colher informações dos visitantes para o banco de dados da Imel. Uma lista contendo o nome dos visitantes pode ser encaminhada ao pastor durante o culto para que este possa dar-lhes uma saudação especial e possa também orar por eles.

Recepcionar com cordialidade e solicitude, proporcionando um clima agradável e acolhedor a todos os visitantes e membros da igreja. Ajudando a manter a reverência dentro e fora do santuário, orientando para que não haja movimento nem permanência de pessoas no hall de entrada durante os cultos.

Sorriso e simpatia são fundamentais.

Orientar as mães que chegam com bebês que possuímos um excelente berçário e conduzí-las até lá.

Estar atento (a) ao culto. Algumas solicitações podem ser feitas aos recepcionistas; Somente comunicar-se com o Pastor ou com o dirigente do culto em casos de emergência.

Atuar sempre com discrição, principalmente em casos imprevistos: problemas de saúde, presença de pessoas suspeitas, etc; É expressamente proibido entrar no santuário comendo, com latas de refrigerantes, etc; Deficientes físicos, grávidas, idosos, crianças e visitantes, terão prioridade máxima na recepção; Saber manejar o elevador. Cuidar para que os portões de acesso ao elevador estejam sempre abertos, identificar pessoas com dificuldades para subir a escada e oferecer o serviço do elevador conduzindo-as com cuidado em todo processo.

A igreja deve ter grandes guarda-chuvas para acudir os desprevenidos auxiliando as pessoas tanto na chegada quanto na saída.

Evitar a aglomeração de pessoas na entrada; É interessante que o grupo de recepcionistas inclua adultos e jovens, mulheres e homens.

Os recepcionistas deverão se vestir de modo discreto e respeitável.

Observar membros faltantes por mais de um domingo e comunicar ao pastor.

Ordem nos cultos, Ceia do Senhor e demais atribuições

Cuidar para que haja ordem nos cultos e na Escola Dominical; Promovendo reverência e devida atenção a liturgia. Cuidar para que haja um ambiente de alegria, mas também de respeito, buscando prevenir e corrigir com amor, respeito e firmeza as atitudes inadequadas que venham a perturbar a atenção da congregação, tais como conversas paralelas, barulhos diversos, movimentação desnecessária, e eventuais distúrbios provocados por bêbados, drogados ou pessoas perturbadas ou possuídas por espíritos malignos, nestes casos, que elas sejam cuidadosa e respeitosamente encaminhadas para uma sala à parte onde poderão receber oração, ministração da Palavra e a atenção devida para o seu caso em particular, enquanto que as demais pessoas da igreja seguirão no culto ao Senhor. Pastores que não estiverem ministrando poderão ser chamados para acudir nestes casos.

Orientar as pessoas a sentarem-se de tal maneira que facilite o complemento das cadeiras e evite que a entrada dos retardatários cause distrações.

Chegar 30 minutos antes da Escola Dominical e do Culto, para abrir a igreja, verificar se tudo está em ordem, como por exemplo, limpeza do templo, das salas de aula, dos banheiros, e demais dependências; ver se não falta água, copos, papel higiênico, toalhas, etc. Abrir as portas das salas onde teremos aulas. E, após a programação, verificar se ficou tudo em ordem, se todas as lâmpadas foram apagadas, etc. Fechar as salas, ativar o alarme e fechar a porta e o portão de entrada da igreja.

Manter o material da Ceia do Senhor; elaborar escala dos que se responsabilizarão por preparar e ajudar a servir a Ceia. Instruí-los sobre como se trajar e se comportar durante a cerimônia da Ceia.

Cuidar das roupas de batismo para que estejam sempre em bom estado para as cerimônias, verificando se serão suficientes para o número de batizandos. Cuidando também para que sejam lavadas e passadas após o uso.

Cuidar para que o batistério esteja adequadamente preparado para as cerimônias de batismo com água limpa e aquecida na temperatura ideal.

Cuidar dos ornamentos do templo para os cultos, dias especiais, etc.

Manter o armário de limpeza e higiene, e remédios para casos de emergência, bem como vela, lampião, fósforo, etc.

Controlar o quadro de avisos, fazendo triagem de tudo que for exposto no quadro, em caso de dúvida, consultar ao pastor. Este serviço pode ser delegado a secretária da igreja.

Responsabilizar-se pela ordem das reuniões e cultos, elaborando escala de recepcionistas, visando que as pessoas recebam uma calorosa acolhida, ao mesmo tempo, que as encaminha para o lugar onde poderão estar bem acomodadas.

Cuidar do estacionamento dos carros. Elaborar uma escala daqueles que estarão se revezando neste sentido, facilitando a vida de quem busca uma vaga para estacionar seu carro, como também vigiar os carros durante as programações visando dar mais segurança aos membros e visitantes da igreja.

Mensagem do Bispo Ildo sobre Mefibosete (2 Sm 9) – 22/11/09+

A tragédia de Mefibosete

Mefibose nasceu num “berço de ouro” de um “palácio real”, pois era neto do Rei Saul, filho do Príncipe Jônatas (2Sam 4.4). Entretanto, uma tragédia se abateu sobre sua vida quando ele tinha apenas 5 anos de idade. Israel foi derrotado em uma sangrenta batalha. A notícia da morte de Saul e de Jônatas chegaram até a casa real; então, a babá de Mefibosete, temendo que o menino também fosse morto, o toma em seus braços e foge correndo, mas, na pressa, acaba tropeçando e deixando o menino cair. Na queda, Mefibosete despedaça os pés e fica aleijado. Agora, ele está órfão de pai e mãe. Perdeu a majestade, perdeu a saúde e vive escondido em um humilde povoado na casa de um bom homem chamado Maquir, que foi quem o amparou, adotando-o como filho.

Tais tragédias são frutos da rebeldia do Rei Saul, que plantou ventos e acabou colhendo tempestades devastadoras para a sua casa e também para todo Reino de Israel. Mas, se por um lado, Mefibosete é afetado pelos erros do avô, ele será futuramente beneficiado pela justiça de seu pai. Tal constatação não serve de base para a afamigerada prática de quebra de maldições hereditárias praticada por muitos pastores e igrejas. Pois o que vemos aqui são as consequências naturais das decisões dos pais respingando sobre os filhos. Acabamos colhendo o que plantamos o que certo grau afetará nossos descendências. Os erros de um Rei não afetam apenas a sua família, mas também acabam afetando todo o seu reino.

Bem diferente de seu pai, o príncipe Jônatas revelou ser um homem justo. Vemos isto na atitude que ele tomou diante do conflito entre seu pai, o Rei Saul, e Davi. Ele não permitiu que os laços familiares e as ambições pessoais interferissem em seu juízo da situação. Ele examinou o conflito com imparcialidade. Jônatas não tomou partido do pai, mas rendeu-se as evidências e saiu em defesa de Davi. Ele também não se deixou dominar pelo ciúme, inveja e ambição pessoal, o que seria de se esperar visto que o aclamado herói nacional Davi era, na época, considerado por muitos como um forte concorrente ao trono de Israel, ao qual, ele, Príncipe Jônatas, era o herdeiro natural. (1 Sm 20.14-16). Tal ato de justiça seria um dia lembrado por Davi, o que beneficiaria seu filho Mefibosete.

Nesta história, existem lições preciosas a serem aprendidas com as atitudes de Davi, Mefibosete e Maquir (2Sm 9).

Lições que aprendemos com Davi

Davi, por um bom tempo, havia se esquecido da promessa que havia feito a Jonatas (1Sm 20.14-16). Mas antes tarde do que nunca! Portanto, é bom, pelo menos, de vez em quando, a gente se perguntar se não temos nos esquecido de alguma promessa feita a alguém ou de algum compromisso previamente assumido. Davi nos ensina a importância de sermos fiéis à nossa palavra de honra e leais aos nossos acordos, alianças e compromissos. Deus é fiel para conosco e devemos ser leais uns para com os outros (Pv 18.24).

Ele buscou uma oportunidade para fazer o bem. Ele não se contenta apenas em fazer justiça a promessa feita, mas ele quer ir além, ele deseja agir com bondade (9.3). Os homens Bons deveriam buscar oportunidades de fazer o bem, como diz as Escrituras: “o nobre faz planos nobres, (Is 32.8). E se Deus nos coloca em posição de ajudar e socorrer, não devemos perder a oportunidade e, mais que isto, devemos buscar oportunidade de exercer atos de bondade. É na adversidade que se conhece quem são os amigos (Jó 6.13-15). A verdadeira amizade é generosa!

Davi não é vingativo, pois Saul havia sido o seu maior inimigo. Ele mostra bondade para com a casa de Saul. Os reis costumavam eliminar os descendentes de uma linhagem real que poderiam reivindicar o Reino (Jz 9.5 e 2 Cr 22.10). Davi ensina a pagar o mal com o bem (Rm 12.21; 1Pe 3.9). Davi tem o cuidado de dizer a Mefibosete: “Não tenha medo” (v.7). Grandes homens, como Davi, não tem prazer em ver alguém numa posição de inferioridade e medo. As palavras e ações de Davi produziram encorajamento, honra e igualdade a ponto de tratar Mefibosete como parte de sua própria família!

Lições que aprendemos com Mefibosete

Ele é um Tipo do Pecador Resgatado. Pertencia originalmente a uma linhagem real (2Sm 4.4), que caiu em desgraça por causa dos pecados do seu antepassado. Saul tinha uma família muito numerosa (1Cr 8.33), mas os atos de desobediência e rebeldia de Saul produziram um resultado devastador, o que levou Davi a perguntar se ainda existia algum sobrevivente da família (2Sm 21.1).

Vivendo em exílio, pobre e deficiente, foi lembrado por causa de uma Aliança (2Sm 9.3,4; 1Sm 20.14,15). Chamado a estar na presença do Rei, foi exaltado por causa dos méritos de outro (2Sm 9.5,7) e recebe uma herança gloriosa (2Sm 9.9).

Mefibosete aceita a bondade com grande humildade. Ele não é daqueles que recebem cada favor como se estivessem recebendo o pagamento de uma dívida. Humildemente, se prostra diante do Rei e não faz nenhuma reivindicação na base de qualquer pretenso direito. Ele não estava clamando: “Restitui, eu quero de volta o que é meu!” Pelo contrário, Mefibosete fica admirado com a demonstração de bondade de Davi para alguém como ele, que se sentia tão insignificante. Ao se comparar com um cachorro morto, Mefibosete nos faz lembrar da atitude daquela mulher que, humildemente, disse para Jesus que os cachorrinhos comiam das migalhas que caíam da mesa dos filhos (Mc 7.28). Lembrar também que, no passado, o próprio Davi havia se prostrado diante de Jonatas (1Sm 20.41). Quando jovem, Davi não se considerava digno sequer de ser genro do rei (1Sm 18.18). “Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado!” (Lc 14.11). “Certamente, ele escarnece dos escarnecedores, mas dá graça aos humildes” (Pv 3.34 e Tg 4.6).

Tem gente que parece ter nascido com o rei na barriga, pois são pretensiosas, orgulhosas e arrogantes. Acreditam que o mundo lhes deve. São do tipo que dizem: “Eu não vou comer esta porcaria de comida!”; “Ninguém merece!”; “Eu não pedi pra nascer!” e tantas outras coisas da mesma natureza. Já, Mefibosete, mesmo tendo nascido em família real, agiu com muita humildade e nada reivindicou na base de um senso de direito. De maneira semelhante, a agraciada Maria, que literalmente carregava o Grande Rei em sua barriga, jamais agiu com presunção. Muita gente, no lugar dela, jamais teria aceitado dar a luz a seu bendito filho num lugar tão inóspito como um curral. Maria não ralhou com José, dizendo: “Como você tem coragem de me oferecer este lugar tão nojento assim para eu dar a luz? Você é um imprestável, mesmo! Onde eu estava com a cabeça quando me casei com você?” Não, mil vezes não! Maria jamais diria isto a José. Ela era humilde, paciente e compreensiva. Recebeu tudo como uma dádiva de Deus numa atitude de ações de graças!

Durante a ausência do Rei Davi, Mefibosete viveu uma vida de abnegação (2 Sm 19.24) e também sofreu perseguição e difamação (2Sm 16.3; 19.27). Ele era humilde e não ambicionava grandes coisas materiais (2Sm 19.30).

Lição que aprendemos com Maquir:

Maquir havia acolhido o pobre Mefibosete em sua própria casa por anos. Davi e o próprio Mefibosete o recompensará por isto. “Não nos cansemos de fazer o bem, pois a seu tempo ceifaremos se não desfalecermos” (Gl 6.9 ver também Ec 11.2 e Pv 11.25)

Por que é necessária a exortação “não nos cansemos”? Por que as palavras perseverança e paciência aparecem repetidas diversas vezes no novo testamento? “Fazer o bem” nem sempre é fácil. As vezes fazemos o bem e recebemos o mal em troca. Algumas vezes, parece que não compensa fazer o bem. Somos tentados a desistir, pensando que isto é coisa de tolos. Por isto a exortação se faz necessária. “A seu tempo ceifaremos” e não necessariamente “no nosso tempo”. São necessárias a paciência e a perseverança para evitar o desânimo, principalmente por vivermos num tempo marcado por muita ansiedade e imediatismo. Maquir foi perseverante em fazer o bem e, muito tempo depois, ele foi imensamente recompensado!

Bispo Ildo Mello

Wesley e a Participação dos Leigos na Missão+

O sacerdócio universal dos crentes

A Reforma protestante ergueu a bandeira em defesa do sacerdócio universal de todos os crentes, mas foi no movimento wesleyano que vimos isto se dar na prática. Wesley, durante seu ministério, chegou à conclusão de que os leigos poderiam e deveriam exercer o ministério sacerdotal. Isto foi fundamental para o crescimento quantitativo e qualitativo do movimento wesleyano e para o sucesso de sua missão. Pois, para que a Igreja possa exercer sua missão de modo integral, é indispensável que a missão seja entendida como ministério de cada crente e não fique restrita a uma elite de obreiros ordenados. Vejamos como foi que Wesley procedeu na designação de líderes para agir como pastores seculares, chegando a ponto de ordenar os pregadores comissionados.

Como Wesley formava novas lideranças

O processo de criação de novas lideranças de Wesley era assim: Cada líder de classe possuía um assistente. Os que eram treinados tornavam-se pregadores leigos, e, sendo bem sucedidos, conquistavam o reconhecimento e o direito de serem ordenados pastores. Suzana, mãe de João Wesley, disse a ele, apontando para um leigo: “aquele leigo pode pregar tão bem quanto você! Deixe-o pregar!” Três meses como membro de uma classe para se tornar membro de uma sociedade, mas, mesmo assim, continuavam freqüentando as classes. Os líderes de uma classe, também participavam de uma outra classe com cristãos mais maduros que ele e assim por diante. Lelièvre ressalta que Wesley tinha muito interesse no desenvolvimento intelectual de seus assistentes leigos, exortando-os sempre para que se dedicassem aos estudos e, sempre que possível, ele se reunia com um grupo para lhes transmitir conhecimentos. Certa vez, Wesley comentou: “estudei, em companhia de alguns jovens, um compêndio de retórica e outro de ética. Não vejo por que um homem de inteligência mediana não possa aprender em seis meses melhor filosofia do que aquela que se aprende em Oxford em quatro ou até mesmo sete anos.” i A missão da Igreja, portanto, não deve ser encarada como privilégio de um pequeno grupo de ministros ordenados ou como algo destinado para aqueles que recebem um chamado para o campo missionário no exterior. O cristão é missionário por excelência, onde quer que esteja, e não um cliente dos produtos da fé. Todos os membros da Igreja, sem exceção, por terem sido integrados no corpo, receberam dons e ministérios. A função dos líderes maduros da Igreja é equipar homens e mulheres para a missão da Igreja no mundo. Pois a Igreja não existe como um fim em si mesma, mas existe para servir a Deus no mundo na proclamação e expansão do Evangelho do Reino de Deus, por palavras e boas obras, o que implica a participação ativa e construtiva de cada cristão, homens e mulheres, jovens e idosos, cultos e incultos, pobres e ricos… Por falar em mulheres, Wesley, contrariando a opinião geral de seu tempo, autorizou que as mulheres pregassem, o que abriu portas para que a Igreja Metodista viesse a ordenar mulheres ao ministério pastoral. ii Portanto, concluímos que, se quisermos servir a comunidade, teremos contar com a participação da Igreja como um todo, de cada membro, com os seus dons e talentos. Dons 1 Co 12, Rm 12, Ef 4, 1 Pe 5.10-11. Capacidades, dons e ministérios que Deus dá ao seu povo para servir. Problema é não dar ênfase em dons como o de serviço ou de socorro. Importante tomar consciência do sacerdócio universal de todos os crentes. Há uma relação entre o sacerdócio e os dons, que são essenciais para o exercício de seu ministério. As pessoas precisam ser ajudadas a descobrirem os seus dons, e os pastores e líderes precisam também ajudar os crentes a afirmar seus dons e desenvolver seus dons, com o intuito de beneficiar os outros. A Igreja é uma comunidade de dons, uma comunidade de ministério. O problema é quando o pastor monopoliza os dons. Uma Igreja pastorcentrica acaba deixando de ser Cristocêntrica. Mas Cristo reparte dons, promovendo a democratização do ministério. Afirmar o sacerdócio universal da Igreja não é o mesmo que dizer que todos são pastores, pois existem alguns com dons e chamados para esta função em especial, assim como existem outros dons e ministérios. O pastor deve reconhecer suas limitações, pois não tem todas os dons, nem todas as respostas. Precisamos uns dos outros. Um bom lema para equipe pastoral está em 1 Pedro 5.1-4, onde Pedro diz que é presbítero com eles, apela para uma ação não autoritária e não por interesse financeiro. Conceito colegial de pastorado com a descrição de suas tarefas.

A missão à semelhança de Cristo

O crente deve exercer a sua missão a semelhança de Cristo que se encarnou e habitou entre nós. Isto implica na necessidade da presença do povo de Deus na comunidade e de identificação com a comunidade em termos de serviço e compreensão e participação nos sofrimentos. Transmitindo as bênçãos do Evangelho através das boas obras e do ensino da Palavra, com vistas à transformação de indivíduos e da própria comunidade onde está inserido.

O crescimento numérico não deve ser o propósito número um da Igreja, mas sim o crescimento natural que se dá através da preocupação com a sua saúde, assim como uma árvore que, em boas condições, cresce até certa dimensão normal para o seu tipo. Não se espera que cresça mais que isto. Ou seja, não é um crescimento ilimitado em si mesma. O importante é que existam muitas árvores, um bosque ou uma floresta. Multiplicação em diferentes lugares da cidade, vivendo o testemunho do Evangelho. Isto sim é muito mais importante do que mega igrejas, que costumam gerar pouca oportunidade de participação para os membros, o que produz muitos crentes de arquibancada, que só assistem. Mega igrejas têm a ver com ambições financeiras e preocupação com fama e reputação baseada em números. Por isto, como já vimos neste trabalho, temos a necessidade de promover estruturas que facilitem o crescimento integral da Igreja. Grupos pequenos, caseiros. Os templos são prescindíveis. Consciência de que ingressar na Igreja não é entrar dentro de um templo e também não significa em entrar num clube religioso, mas, sim, num grupo de missão para servir a sociedade.

Formação bíblica e teológica para todos

Todos os membros da Igreja deveriam participar de cursos bíblicos e teológicos. Desenvolver capacidade de refletir sobre a fé e relacioná-la com a vida prática. Mas, hoje, estão até acabando com a Escola Dominical, alegando a necessidade de mais espaço para adoração e estão cada vez mais reduzindo o período de pregação e estudo. Mas o púlpito deve ser uma cátedra, um lugar de ensino. Não deve ser monopólio do pastor, outros devem ser treinados para fazer o mesmo. Exposição de todo o conselho de Deus. A leitura é um meio de graça. O povo precisa aprender a ler. Tomar gosto pela leitura. Isto facilita o trabalho pastoral. Lêem um livro e depois conversam sobre suas impressões e lições. Estamos conscientes da necessidade da docência, não apenas formal, mas informal, e através do exemplo ao estilo de Jesus, na vida prática. Tal ensino marca a vida das pessoas. Outro tipo de docência que tem ainda maior alcance é aquela dirigida para fora da Igreja e que está vinculada à tarefa profética. Como conseguir que a Igreja se pronuncie a respeito de assuntos éticos relevantes a sociedade? Uma Igreja que se põe a serviço do bairro. A Igreja existe para servir e faz isto para a glória de Deus. A Igreja precisa estar presente no bairro num sentido construtivo onde a evangelização se dá no contexto do convívio em meio ao serviço. i Lelièvre, Mateo.

João Wesley, sua vida e sua obra.

Tradução de Gordon Chown. São Paulo: Editora Vida. 1997. P. 165. Citando Diário de Wesley, 4 de março de 1747. ii Lelièvre, Mateo.

João Wesley, sua vida e sua obra.

Tradução de Gordon Chown. São Paulo: Editora Vida. 1997. P. 230.

Uma exortação para que haja ordem e decência nos cultos+

“Tudo, porém, seja feito com decência e ordem” (I Co 14.40)

O Apóstolo Paulo exorta desta maneira a igreja de Corinto que precisava aprender que a ação do Espírito produz ordem e e decência, e não bagunça e confusão. A liberdade do Espírito não é incompatível com a ordem e a decência deste mesmo Espírito, pois “Deus não é Deus de desordem” (1Co 14.33). Portanto, toda desordem no culto não é de procedência divina. Sabedores disto, cabe aos pastores botarem ordem na casa, não permitindo que o culto seja enrolado e descontrolado. Assim como Paulo estabeleceu regras para o bom andamento do culto, devemos nós fazer o mesmo.

O que devemos evitar no culto

  • O culto deve ser objetivo, enxuto, sem vãs repetições.
  • Cada participante deve possuir uma clara consciência da integridade do culto para não invadirmos a área do outro.
  • Um dirigente de culto e um líder de louvor não devem fazer comentários bíblicos prolongados, visto que já teremos um pregador e nem muito menos devem fazer apelos, isto quebra as pernas do pregador que também pode ter planejado o mesmo. Isto é confusão e não unção! Dirigentes de culto e de louvor devem ser humildes para limitarem-se ao seu papel. Devem obedecer o tempo estipulado para eles.
  • A ação do Espírito é qualitativa e não necessariamente quantitativa no que diz respeito a duração do culto. Não é a quantidade de hinos, oração, minutos de pregação que farão de um culto uma verdadeira bênção, mas, sim, a qualidade destas ações! Um sermão curto é geralmente preferível por produzir melhores resultados, pois não é pelo muito falar que seremos ouvidos, como ensinou Jesus a respeito da oração e que se aplica a pregação e ao louvor: “e, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos” (Mt 6.7). Quão frequentemente desobedecemos este mandamento do Senhor! Quanta vã repetição em nossas orações, em nossos louvores e em nossas pregações! Quanta desordem em nossos cultos! Ouçamos o que diz o Senhor! Ordem e decência é mandamento do Senhor (1Co 14.37).
  • Não sejamos enrolados e repetitivos tornando o culto chato e cansativo. Não vamos permitir também longos testemunhos que só fazem é cansar e irritar o povo. Nós pastores somos responsáveis por controlar cada ato do culto. Algumas de nossas igrejas tem tomado a sábia decisão de solicitar aos membros da igreja que comuniquem por escrito ou pessoalmente o seu testemunho ao pastor que se encarregará de transmitir a congregação de modo bem objetivo e dinâmico!
  • Devemos cuidar também para que não haja lacunas entre um ato e outro do culto. Todos os participantes devem ser devidamente orientados a respeito de quando se dará a sua participação para estarem prontos para fazer isto assim que chegar a hora sem que sequer seja necessário serem anunciados. Cada participante deve se ater a fazer apenas aquilo para o qual foi designado. Por exemplo, alguém que foi chamado para cantar, não deve ler a Bíblia, orar e ficar falando. Cante! Por falta deste cuidado, muitos cultos são chatos e enrolados, pois cada um que participa quer falar além da conta. Falta aí aquele tal de “si mancol” e o pastor é culpado por permitir tais excessos.
  • O dirigente de louvor não deve ter a liberdade de fazer um culto dentro do culto, ou seja, não deve ele ignorar a integridade do culto, devendo ater-se simplesmente ao seu papel como parte de um todo que deve ser harmonioso. Um dirigente não deve ler a Bíblia, pregar, orar, fazer apelo e ficar repetindo desnecessariamente as canções ou partes delas. A menção de um versículo, uma oração curta e um comentário bem objetivo, coisa que caiba dentro da introdução natural das próprias canções é aceitável, mas o que passar disto… Deve tomar também o cuidado para que o período de louvor não seja longo e cansativo. Mais uma vez, a qualidade é mais importante que a quantidade. Cuidados devem ser tomados para que as canções possuam boa teologia e que haja um bom planejamento e ensaio para apresentar o melhor para o Senhor, evitando canções que o povo já está cansado de cantar e aquelas que o povo parece não ter muito apetite para cantar. Sensibilidade e bom-senso se fazem necessários para escolha de um bom e variado repertório. Os músicos e cantores devem saber que a igreja é que tem a prioridade. Eles não estão ali para se apresentarem para a igreja, mas para levarem toda a congregação a adorar em Espírito e em Verdade. Cuidado com o volume dos microfones e instrumentos para que não sufoquem a voz do povo de Deus. A congregação precisa se ouvir cantando!
  • A Ceia do Senhor também precisa ser planejada para que aconteça da forma mais organizada possível, remindo o tempo na hora da distribuição dos elementos. Busque a forma mais prática de fazer isto. Procure conversar com colegas para saber como é que eles estão fazendo em busca de conselhos que possam agilizar o processo. Pense também em pegar uma das canções ou hinos que estariam comumente programadas para acontecer durante o momento de adoração para colocá-la no momento da distribuição da Ceia, buscando aquela que seja adequada para o momento. Além disto, em um culto de Ceia, você pode orientar a congregação a se valer do momento de prelúdio do culto para que façam as suas orações de confissão. Desta forma, a Ceia pode muito bem ser o primeiro ato do culto. Que ninguém se atrase mais para o início do culto!

Pontualidade e qualidade do culto

Por falar nisto, exorto aos pastores que comecem o culto pontualmente, nem um minuto mais nem menos. Jamais nos atrasemos para o nosso encontro com o Senhor como Igreja. Não vamos deixar o Senhor esperando! Isto faz parte da ordem e decência devidas ao culto sagrado! Não sejamos relapsos!

Queremos aprimorar a qualidade de nossos cultos sem perder a unção. Queremos aperfeiçoar nossa pregação, nosso louvor e nosso ensino. Queremos ser uma igreja que prima pela excelência em tudo o que faz. Para isto precisaremos rever o que fazemos para ver como podemos aprimorar.

No amor do Senhor, Bispo José Ildo Swartele de Mello

As 10 Atribuições Pastorais no Cuidado do Rebanho de Deus+

O ministério pastoral é essencial no cuidado e proteção do rebanho de Deus. Suas responsabilidades incluem:

1. Guiar as ovelhas a fontes de águas potáveis e pastos verdejantes Objetivo: Garantir o crescimento espiritual e bem-estar das ovelhas.

Base Bíblica: O Salmo 23 destaca: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. Em verdes pastagens me faz repousar e me conduz a águas tranquilas; restaura o meu vigor” (Salmo 23.1-3, NAA).

Aplicação: Este cuidado visa à saúde, segurança e bem-estar do rebanho, permitindo seu desenvolvimento e multiplicação.

2. Proteger as ovelhas dos lobos e falsos ensinamentos

Objetivo: Defender o rebanho de falsos profetas e doutrinas enganosas.

Base Bíblica: Jesus advertiu: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que vêm até vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores” (Mateus 7.15, NAA). Ele elogiou a igreja de Éfeso por desmascarar falsos apóstolos: “Puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são, e tu os achaste mentirosos” (Apocalipse 2.2, NAA). João também instruiu: “Provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1 João 4.1, NAA). Paulo advertiu os presbíteros de Éfeso sobre os “lobos cruéis” que não poupariam o rebanho (Atos 20.29).

Aplicação: A vara e o cajado mencionados no Salmo 23.4 ("A tua vara e o teu cajado me consolam") simbolizam o cuidado e a proteção que o pastor oferece ao rebanho. O pastor deve, com zelo, seguir o exemplo de Jesus e de seus discípulos, combatendo os falsos profetas e rechaçando seus ensinos. Em um mundo com tantas doutrinas diferentes, é essencial estar atento e firme na verdade revelada nas Escrituras.

3. Orar, vigiar e interceder pelo rebanho

Objetivo: Interceder pelas necessidades espirituais e físicas do rebanho.

Base Bíblica: Jesus orava por seus discípulos (João 17). Em Hebreus 13.17, somos lembrados de que os pastores “velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas.” Pedro e os apóstolos se dedicaram à oração e ao ensino (Atos 6.4).

Aplicação: A oração é uma parte crucial do ministério pastoral, vital para a proteção e crescimento espiritual das ovelhas.

4. Pregar o Evangelho, cumprir a Grande Comissão de fazer discípulos, batizando e ensinando, corrigir, encorajar e aplicar a Palavra de Deus – Objetivo: Ministrar com integridade, corrigindo e encorajando conforme necessário, obedecendo ao mandamento de Jesus de fazer discípulos de todas as nações.

– Base Bíblica: Paulo disse: "Ai de mim, se não anunciar o evangelho!" (1 Coríntios 9.16). Ele também instrui: “Pregue a palavra; esteja preparado a tempo e fora de tempo; corrija, repreenda e encoraje com muita paciência e instrução” (2 Timóteo 4.2, NAA). 1 Coríntios 14.3 menciona as funções da profecia: “edificação, exortação e consolação” (NAA). Jesus ordenou: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei” (Mateus 28.19-20, NAA).

– Aplicação: Pregar o Evangelho é central ao ministério pastoral, sendo necessário ensinar todo o conselho de Deus e aplicar a Palavra de maneira prática e edificante. O pastor deve liderar ativamente na evangelização, batismo e ensino dos novos convertidos, promovendo a multiplicação do rebanho e o crescimento do Reino de Deus.

5. Servir com dedicação e altruísmo

Objetivo: Liderar com o desejo de servir, não por ganância.

Base Bíblica: Pedro ensina: “Pastoreiem o rebanho de Deus… Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir” (1 Pedro 5.2, NAA).

Aplicação: O pastor deve servir ao rebanho com dedicação genuína, priorizando o bem-estar das ovelhas acima de interesses pessoais.

6. Buscar e restaurar as ovelhas desviadas

Objetivo: Trazer de volta ao aprisco as ovelhas perdidas.

Base Bíblica: A parábola da ovelha perdida: “Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se perder, não deixará as noventa e nove nos montes, indo procurar a que se perdeu?” (Mateus 18.12, NAA).

Aplicação: O pastor deve estar atento às ovelhas desviadas, buscando restaurá-las à comunhão e cuidado do rebanho.

7. Aconselhar como pastor que guia e orienta

Objetivo: Orientar as ovelhas em momentos importantes da vida.

Base Bíblica: O Salmo 23 destaca a função de guiar: “Guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome” (Salmo 23.3, NAA). "Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência" (Jeremias 3.15).

Aplicação: O pastor deve estar disponível para aconselhar e orientar as ovelhas, oferecendo apoio e sabedoria nos momentos de necessidade.

8. Ser um modelo para o rebanho

Objetivo: Ser um exemplo de vida cristã.

Base Bíblica: Pedro instrui: “Nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas como exemplos para o rebanho” (1 Pedro 5.3, NAA). Paulo exortou Timóteo: “Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê um exemplo para os fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza” (1 Timóteo 4.12, NAA).

Aplicação: É fundamental que os pastores cuidem de sua saúde espiritual, emocional e física para servirem de referência e poderem cuidar adequadamente do rebanho de Deus (Atos 20.28).

9. Treinar, capacitar e formar líderes

Objetivo: Equipar os santos para a obra do ministério e para a edificação do corpo de Cristo.

Base Bíblica: Efésios 4.11-12 menciona a importância de equipar os santos. Paulo instrui Timóteo a treinar líderes fiéis que possam ensinar a outros (2 Timóteo 2.2).

Aplicação: O pastor deve investir na formação de novos líderes, garantindo a continuidade e expansão do ministério.

10. Conhecer e amar as ovelhas pessoalmente

Objetivo: Desenvolver um relacionamento próximo com as ovelhas.

Base Bíblica: Jesus exemplificou isso em João 10.14: “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem.”

Aplicação: O pastor deve conhecer suas ovelhas pelo nome, cultivando um relacionamento de amor e cuidado.

Conclusão

O pastor deve guiar, alimentar, proteger, restaurar, aconselhar, consolar, exortar e ser um modelo para o rebanho, sempre atento aos perigos dos falsos ensinamentos e buscando o bem-estar espiritual das ovelhas. Todo este cuidado visa à saúde, segurança e bem-estar do rebanho, para que possa se desenvolver e se multiplicar, seguindo o exemplo do Bom Pastor, Jesus Cristo.

Mensagem para Pastores e Líderes sobre o Preparo para o Ministério+

Queridos Pastores e Líderes, Quando terminei a primeira série, lembro-me vividamente de ter dito à minha mãe: “Mãe, não preciso mais estudar, já sei ler e escrever!” Ah, a sabedoria da infância! Naquele momento, me sentia habilitado, maduro, completo e pronto para encarar os desafios da vida. Mal sabia eu que aquele entusiasmo precoce era apenas o começo de uma longa jornada de aprendizado.

Pensar que já sabemos o suficiente

Na nossa jornada ministerial, muitas vezes podemos ser tentados a pensar que já sabemos o suficiente. No entanto, o ministério exige muito mais do que apenas o conhecimento básico. O apóstolo Paulo nos alerta a não sermos neófitos, para que não nos ensoberbeçamos. Paulo orientou Timóteo a ser diligente no estudo das Escrituras, evitar controvérsias tolas e se dedicar ao ensino correto. Embora jovem, Timóteo não era inexperiente na fé. Desde a infância, ele conhecia as Escrituras e sabia manejá-las bem. Ele não manipulava a Palavra de Deus, mas estava preparado para diversas responsabilidades, conforme orientado por Paulo: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Timóteo 2.15).

Paulo forneceu a Timóteo uma lista detalhada de qualidades e responsabilidades que ele deveria cultivar para ser um pastor eficaz. Estas responsabilidades incluem:

Qualidades e responsabilidades que Timóteo deveria cultivar

Responsabilidades no ministério

  • Ensinar: “E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros” (2 Timóteo 2.2).
  • Pregar e redarguir: “Prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e doutrina” (2 Timóteo 4.2).
  • Exortar: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2 Timóteo 3.16).
  • Aconselhar: “O que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros” (2 Timóteo 2.2) – O ensino e a transmissão de sabedoria fazem parte do aconselhamento.
  • Liderar: “Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina” (1 Timóteo 5.17).
  • Pacificar, promover reconciliação e unidade: “E ao servo do Senhor não convém contender, mas, sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, paciente” (2 Timóteo 2.24).
  • Evangelizar: “Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério” (2 Timóteo 4.5).
  • Discipular: “E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros” (2 Timóteo 2.2).
  • Responder a todos: “E ao servo do Senhor não convém contender, mas, sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, paciente” (2 Timóteo 2.24).

Ser o exemplo dos fiéis

  • Dar bom exemplo: “Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza” (1 Timóteo 4.12).
  • Manifestar os frutos do Espírito: “Foge também das paixões da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor” (2 Timóteo 2.22).
  • Não amar o dinheiro: “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (1 Timóteo 6.10).
  • Ser uma pessoa caridosa: “Admoesta-os para que pratiquem o bem, a fim de serem ricos em boas obras, generosos em dar e prontos a repartir” (1 Timóteo 6.18).
  • Ser uma pessoa hospitaleira: “Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar” (1 Timóteo 3.2).
  • Ser uma pessoa modesta, respeitável e que cuide bem da família: “E que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia” (1 Timóteo 3.4).
  • Ser uma pessoa leal e digna de confiança: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido” (2 Timóteo 3.14).
  • Possuir fé, confiança e coragem para aceitar desafios: “Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação” (2 Timóteo 1.7).
  • Passar nas provações: “Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério” (2 Timóteo 4.5).
  • Santidade, fidelidade, constância, perseverança: “Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza” (1 Timóteo 4.12).
  • Guardar a sã doutrina: “Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e na caridade que há em Cristo Jesus” (2 Timóteo 1.13).
  • Evitar discussões inúteis: “Mas evita as conversas vãs e profanas, porque produzirão maior impiedade” (2 Timóteo 2.16).
  • Ser paciente e gentil: “E ao servo do Senhor não convém contender, mas, sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, paciente” (2 Timóteo 2.24).
  • Ser uma pessoa vigilante e sóbria: “Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério” (2 Timóteo 4.5).
  • Possuir uma consciência pura e fé não fingida: “Ora, o propósito da presente admoestação visa ao amor que procede de coração puro, e de consciência boa, e de fé não fingida” (1 Timóteo 1.5).

Um utensílio para honra, preparado para toda boa obra

A Escritura nos ensina que, se alguém se purificar destes erros, será um utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra (2 Timóteo 2.21).

Além disso, 2 Timóteo 3.16-17 nos lembra: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” Que possamos nos dedicar ao nosso preparo contínuo, buscando sempre ser úteis ao Senhor em todas as boas obras, crescendo em santidade e fidelidade.

Em Cristo, Bispo Ildo Mello

Mensagem do Bispo aos pastores+

Que culto abençoado!

Os filhos de Eli, os profanos e o santo (1Sm 2 a 7)

Mensagem sobre a importância vital da santidade no ministério pastoral

Eli havia sido especialmente escolhido por Deus para ser Sacerdote e juiz em Israel (2.28). Mas, infelizmente, Eli não foi fiel em sua missão. Principalmente por conta de seus filhos, Ofni e Finéias que se tornaram sacerdotes sem as qualificações morais. Eles eram profanos, desprezavam as coisas de Deus, fazendo pouco caso do sagrado. Não se contentavam com o seu salário, tomaram para si aquilo que pertencia a Deus, explorando o povo, fazendo comércio das coisas de Deus, desonrando assim seu ofício sacerdotal (2.12-17). Além disto, Ofni e Finéias tomavam partido de sua liderança para assediarem e praticarem sexo com diversas mulheres (2.22). Eli chamou a atenção deles, mas eles não deram ouvidos ao seu pai, pois eram rebeldes (2.23-25). O pecado de Eli foi não ter sido enérgico o suficiente. Ele acabou sendo tolerante e conivente com os pecados dos filhos, permitindo que seus filhos seguissem no ministério sacerdotal. Deus se queixou de Eli, dizendo que ele honrou mais aos filhos do que a Deus. (2.29).

Os pecados de Eli e seus filhos levaram o povo a afastar-se também de Deus (2.24). Deus retirou sua bênção e o povo foi derrotado em uma batalha contra os filisteus (4.2). O povo achava que a Arca da Aliança os salvaria, chegaram até a trazê-la para o campo de batalha. Fizeram um culto fervoroso. Ofni e Finéias estavam segurando a Arca, mas tal fervor não alcançou os céus e não passou de puro entusiasmo humano (4.5). Fizeram muito barulho, mas Deus não os atendeu (4.10). De nada adianta a Arca da Aliança quando não estamos sendo fiéis a Aliança. Deus diz: “Obediência quero e não sacrifícios” (1 Sm 15.22-23). Trinta mil homens morreram naquela batalha, entre eles, Ofni e Finéias. A Arca foi parar nas mãos dos filisteus (4.11). Eli, abalado com a notícia, também acabou morrendo (4.18). A mulher de Finéias, que estava grávida, deu a luz prematuramente e arrasada, colocou em seu filho o nome de Icabô (4.21), que significa, foi-se embora a glória de Israel. Com Icabô encerra-se dramática e emblematicamente a era sacerdotal de Eli e seus filhos.

Enquanto, Eli, Ofni e Finéias trouxeram derrota e vergonha para o povo de Deus, o Senhor estava agindo para vindicar a glória de seu nome que estava sendo blasfemado entre os filisteus, que chegaram à ousadia de tripudiar colocando a Arca da Aliança diante da estátua do deus Dagom (5.2). Um fenômeno aconteceu repetidas vezes, a estátua de Dagom amanheceu caída diante da Arca (5.3)! Associado a isto, uma praga acometeu a saúde do povo daquela cidade (5.6), de modo que um temor se abateu sobre os filisteus, a ponto de eles decidirem devolver a Arca ao povo hebreu (6.1.21)! O temor de Deus que faltou a Ofni e Finéias agora é visto entre os pagãos! Este episódio me faz lembrar-nos de Jesus quando disse: “se estes se calarem, as próprias pedras clamarão” (Lc 19.40)!

Samuel: o sucessor escolhido por Deus

Mesmo antes da morte de Eli, Deus já havia escolhido seu sucessor: o menino Samuel, cujo nascimento já havia se dado através de uma intervenção milagrosa de Deus (1.1-2.11). Devido aos pecados de Eli e seus filhos, a Palavra de Deus era muito rara naqueles dias (3.1). Mas “antes que a lâmpada de Deus se apagasse” (3.3), a Palavra de Deus se manifestou a Samuel (3.4), que ao contrário das atitudes rebeldes de Ofni e Finéias, acolheu a voz de Deus, dizendo: “Fala Senhor porque teu servo ouve” (3.10). Ofni e Finéias não obedeciam ao pai (2.23-25), já Samuel dava ouvidos as instruções de Eli, que para ele era um pai adotivo (3.9-10).

Devido a sua prontidão em obedecer ao Senhor, Deus fez de Samuel um verdadeiro profeta (3.19), que, após a morte de Eli, Ofni e Finéias, tornou-se naturalmente o líder de Israel.

Samuel é usado por Deus para promover uma verdadeira reforma! Um reavivamento espiritual transformou a nação! Ele conclamou o povo ao arrependimento (7.3). O povo confessou os seus pecados (7.6), abandonou os seus ídolos (7.4) e voltou-se para Deus com humildade, jejum e oração (7.6). Diante de uma nova ameaça de guerra contra os filisteus, o povo solicitou a Samuel que intercedesse por eles diante de Deus (7.8). O Senhor respondeu dos altos céus (7.9), trovejando sobre os filisteus (7.10), que acabou sendo derrotado nesta guerra (7.10). Que contraste vemos aqui em relação à atitude triunfalista e arrogante do povo liderado por Ofni e Finéias que festejava com brados de vitória o fato de possuírem a Arca (4.5). Suas palavras de confissão positiva não lhes garantiram a vitória (4.10), no entanto, as palavras de confissão de pecado e culpa, e suas orações humildes reconhecendo sua total dependência de Deus, foi o que produziu uma resposta retumbante dos altos céus! Não é o barulho na terra que produz barulho no céu, mas, sim, corações humildes e contritos diante do Criador! Não adiante ter carisma da Arca e do Sacerdócio, é preciso ter o caráter de servo, pois nada substitui a obediência.

Um contraste que nos ensina

Gostaria de terminar ressaltando o impressionante contraste observado no uso de palavras emblemáticas no final destas duas guerras. A primeira guerra liderada por Ofni e Finéias termina em desgraça retratada pelo termo Icabô (4.21), já a segunda guerra termina em triunfo expresso pelo termo Ebenézer (7.12), que significa: “Até aqui nos ajudou o Senhor!”. Os pecados de Ofni e Finéias e a corrupção do povo produziram um Icabô, já a santidade de Samuel e o arrependimento do povo geraram um Ebenézer. Quanto a nós, com quem é que nos identificamos nesta história? Como é que terminará a nossa própria história de vida se continuarmos no curso em que estamos? Qual será a nossa exclamação final: Icabô ou Ebenézer?

Bispo Ildo Mello

Reafirmando o Valor da Igreja neste Tempo Desafiador+

Introdução:

Em tempos de crescente desencanto com as instituições, nossa responsabilidade como pastores e líderes é reafirmar a importância divina da igreja, resistindo aos ataques que vêm de todas as direções. Em meio a uma cultura que promove o distanciamento das igrejas, precisamos valorizar ainda mais a comunidade de fé que Cristo estabeleceu.

A Igreja em Meio aos Desafios:

Vivemos em uma época marcada pelo aumento do número de desigrejados. É essencial que nós, como pastores, valorizemos a igreja ainda mais, especialmente diante dos ataques que ela enfrenta. Esses ataques vêm de muitas direções: da sociedade secular, de escândalos internos, e até mesmo de ideias equivocadas que comprometem a imagem da igreja e do ministério pastoral.

Natureza Divina da Igreja:

Precisamos esclarecer que a igreja não é uma invenção humana ou uma instituição estabelecida por Constantino, como alguns erroneamente afirmam. Ela é uma instituição divina, estabelecida por Jesus Cristo (Mateus 16.18). A igreja é o corpo de Cristo (1 Coríntios 12.27), a família de Deus (Efésios 2.19), o povo de Deus (1 Pedro 2.9), o rebanho do Senhor (João 10.14-16), e o templo do Espírito Santo (1 Coríntios 3.16). Ela é essa comunidade que Deus deseja ver como uma cidade edificada sobre um monte, cujas boas obras glorificam a Deus (Mateus 5.14-16).

O Papel Contra-cultural da Igreja:

A igreja é uma entidade contra-cultural, mas não contra qualquer aspecto da cultura. Ela desafia os aspectos pecaminosos da cultura, defendendo os valores do Reino de Deus (Romanos 12.2). Como luz do mundo e sal da terra (Mateus 5.13-16), a igreja deve se apresentar de maneira íntegra e fiel à sua vocação. Ao examinar a igreja primitiva, vemos que o Espírito Santo foi derramado sobre ela (Atos 2.1-4), conferindo-lhe o privilégio e a responsabilidade de ser a agência do Reino de Deus na terra. Promovendo justiça, paz, reconciliação, libertação, vida e alegria.

Amor e Sacrifício por Cristo e pela Igreja:

O amor de Cristo pela igreja foi tão grande que Ele se sacrificou por ela (Efésios 5.25). Paulo nos exorta a fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para preservar a unidade do corpo de Cristo (Efésios 4.3-4). Esse amor e respeito pela igreja se estendem também à sua liderança. A liderança deve conduzir-se de maneira digna, honrando a responsabilidade que recebeu de Deus.

Unidade e Comunhão na Igreja:

A igreja primitiva perseverava unida e cheia do Espírito Santo (Atos 2.42-47). Aqueles que são cheios do Espírito desejam estar juntos, valorizando a comunhão. O Espírito Santo distribui dons de forma que todos na igreja precisem uns dos outros, formando uma engrenagem perfeita (1 Coríntios 12.4-7). É na unidade do povo de Deus que o Senhor ordena a vida e a bênção (Salmos 133.1-3), tornando a igreja o melhor lugar para se estar, apesar das dificuldades.

Santificação e Prioridade do Reino de Deus:

Nosso papel como pastores é trabalhar pela santificação da igreja, pela qual Cristo pagou o preço máximo (Efésios 5.25-27). Devemos amar a igreja e nos doar por ela, como Cristo o fez, priorizando o Reino de Deus acima de tudo (Mateus 6.33). Em nossa jornada de fé, outras coisas, como família e relacionamentos, devem ser colocadas no devido lugar, pois o Reino de Deus deve ser nossa prioridade. Quando priorizamos as coisas de Deus e amamos a igreja, Deus abençoa todas as outras áreas de nossa vida (Mateus 6.33).

Exemplo em Tudo:

Esse amor pela igreja deve refletir em nossa agenda, em nosso coração, em nosso ensino, em nossa pregação e em nosso exemplo. Devemos ser exemplos em tudo: na contribuição (2 Coríntios 9.7), na pontualidade (Eclesiastes 3.1), na frequência (Hebreus 10.25), na evangelização (Mateus 28.19), na oração (1 Tessalonicenses 5.17), no estudo (2 Timóteo 2.15), e na paixão pela obra de Deus (Romanos 12.11). Tudo isso deve ser feito com amor, pois quando amamos, nosso fardo se torna leve e suave (Mateus 11.28-30).

Comunicação do Valor da Igreja:

Precisamos comunicar essa paixão e esse amor pela igreja a todos ao nosso redor. Nosso amor pela igreja deve transparecer em nosso exemplo, pois somos mordomos da multiforme graça de Deus, e o que se requer desses mordomos é que sejam encontrados fiéis (1 Coríntios 4.2). Devemos cumprir nossa missão com alegria, como fruto do Espírito (Gálatas 5.22-23), e isso será contagiante, inspirando outros.

Conclusão e Chamado à Ação:

Que nossas igrejas brilhem como luzes em meio às trevas, mostrando ao mundo como é bom ser cristão e o impacto transformador que o cristianismo pode ter nas famílias e na sociedade. Que nossa experiência com Cristo seja encantadora e que nossas igrejas sejam lugares de cura, de bênção e de luz para os de fora.

Quando a igreja brilha, o Senhor acrescenta diariamente aqueles que estão sendo salvos (Atos 2.47), e assim o crescimento se dá. Que possamos, como pastores e líderes, reacender nossa paixão pela igreja, reconhecendo-a como o veículo escolhido por Deus para transformar o mundo. Que cada um de nós seja uma chama viva, queimando de amor e zelo pela obra de Deus, inspirando nossas comunidades a refletirem a luz de Cristo. Em nossas pregações, em nosso ensino e em nosso exemplo, sejamos sempre exemplares, para que o Reino de Deus avance e sua glória seja manifesta.

O Pastor Wesleyano: Guardião da Fé, Educador do Povo e Servo de Cristo+

Uma reflexão teológica e pastoral à luz da tradição wesleyana

1. Introdução: O papel pastoral na tradição wesleyana

Ao longo dos séculos, diferentes visões sobre o ministério pastoral moldaram a vida da Igreja. Na tradição wesleyana, entretanto, o pastor é compreendido essencialmente como servo de Cristo e da Igreja, alguém que conduz o povo de Deus à maturidade espiritual por meio da fidelidade à Palavra, da piedade prática e de uma vida pastoral marcada pela graça e pelo serviço. Esta reflexão propõe destacar traços característicos desse ministério, sem necessidade de contrapor explicitamente outras formas de liderança, mas permitindo que o contraste surja naturalmente a partir da clareza do perfil apresentado.

2. Fundamento teológico: Cristo, a Palavra e a Igreja

Na tradição wesleyana, a centralidade de Cristo é inegociável. O pastor não conduz a igreja a si mesmo, mas sempre a Cristo, único Senhor e Cabeça da Igreja (Cl 1.18). Sua autoridade é derivada, não própria. A Palavra de Deus é sua norma e medida (2Tm 3.16–17), e a Igreja, o espaço no qual essa Palavra é ensinada, vivida e compartilhada em comunhão. Assim, a vocação pastoral se configura como um serviço humilde e perseverante à comunidade.

3. O pastor como guardião da fé apostólica

Ser pastor, na perspectiva wesleyana, significa zelar pela fé recebida dos apóstolos. Não se trata de conservar tradições humanas, mas de permanecer firme na verdade revelada (2Ts 2.15). A tarefa de guardar 'o bom depósito' (2Tm 1.14) exige clareza doutrinária, espírito vigilante e coração pastoral. John Wesley compreendia a doutrina como 'religião do coração': não apenas ideias, mas verdades que geram vida. Por isso, ao ensinar, o pastor forma discípulos sólidos, capazes de discernir e permanecer firmes em tempos de confusão.

4. O pastor como educador espiritual do povo de Deus

O movimento metodista nasceu marcado por forte vocação educadora. Wesley percebia que a fé precisava ser nutrida por meio de ensino bíblico consistente e acompanhamento pessoal. Assim, o pastor não é apenas pregador, mas educador espiritual, ajudando o povo a crescer no entendimento e na prática da fé. Por meio da pregação, do discipulado e da formação comunitária, ele promove amadurecimento espiritual (Ef 4.11–16). Não visa dependência, mas maturidade.

5. O pastor como servo-líder

Seguindo o exemplo de Cristo, que 'não veio para ser servido, mas para servir' (Mc 10.45), o pastor wesleyano exerce autoridade com humildade. Sua liderança é marcada mais por exemplo do que por imposição. Ele ouve, orienta e caminha com o rebanho, cultivando relações de confiança e cooperação. Como Wesley afirmava, um líder cristão é servo dos servos de Deus.

6. O pastor como agente de santificação comunitária

A santidade pessoal e comunitária ocupa lugar central no ministério wesleyano. O pastor é chamado a conduzir a igreja na busca da 'santidade sem a qual ninguém verá o Senhor' (Hb 12.14). Isso inclui proclamar com clareza o chamado ao arrependimento, estimular práticas devocionais e promover um ambiente de cuidado mútuo, confissão e oração. A meta não é produzir seguidores, mas formar discípulos que reflitam o caráter de Cristo.

7. O pastor como missionário e mobilizador

Wesley declarou certa vez: 'O mundo é a minha paróquia'. Essa frase revela a convicção de que o pastor não se limita aos que já estão na comunidade de fé, mas lidera o povo de Deus a alcançar os que estão fora dela. Evangelismo, ação social, compaixão e proclamação da esperança são dimensões inseparáveis do seu ministério. Ele inspira outros a viverem como testemunhas, não apenas a participarem de estruturas internas.

8. Conclusão: O perfil pastoral que serve ao Reino

O pastor wesleyano é guardião da fé, educador espiritual, servo-líder, promotor de santidade e mobilizador missionário. Sua autoridade nasce do Evangelho e é exercida em amor. Mais do que aplicar métodos, ele encarna uma forma de ser e servir que conduz o povo a Cristo. Num tempo em que muitos modelos de liderança eclesial competem entre si, o simples testemunho desse perfil pastoral fala por si mesmo.

Notas 1. John Wesley, The Works of John Wesley, ed. Thomas Jackson (Grand Rapids: Baker, 1978), vol. 8.

2. Richard P. Heitzenrater, Wesley and the People Called Methodists (Nashville: Abingdon, 1995).

3. Albert C. Outler, John Wesley (New York: Oxford University Press, 1964).

4. Bíblia Sagrada, versão Nova Almeida Atualizada.

Deveres pastorais+

Um(a) pastor(a) deve ter o caráter de um cristão, a sabedoria de um mestre, a fidelidade de um mordomo, a humildade de um servo e o coração de um pai.

Um(a) pastor(a) deve ter:

1. o caráter de um cristão. Como exortou o Apóstolo Paulo: “torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza.” (1 Tm 4.12). “Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo” (1 Co 11.1).

2. a Sabedoria de um mestre. “E vos darei pastores segundo o meu coração, os quais vos apascentarão com ciência e com inteligência”. (Jr 3.15). Isto exige muito preparo e estudo. “E propôs-lhes também uma parábola: Pode porventura um cego guiar outro cego? não cairão ambos no barranco?” (Lc 6.39). Deve ser capaz de administrar adequadamente os conflitos e as questões da igreja. Deve ser um conselheiro sábio e prudente. Apto para ensinar como alguém que maneja bem a Palavra da Verdade (1 Tm 3.2 e 2 Tm 2.15).

3. a fidelidade de um mordomo: “Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel. (1 Co 4.1-2). O papel do mordomo não é ser famoso nem bem sucedido, mas fiel. Não traz novas revelações, mas dedica-se ao ensino da sã doutrina bíblica, sem mistura (2 Co 4.2; 2 Tm 2.2). Que é organizado e disciplinado, pontual e responsável. Alguém confiável. Fiel na execução de tarefas administrativas, no treinamento de líderes e no cuidado dos membros e no cumprimento da missão que lhe foi delegada pelo Senhor. Com o zelo daquele que vela pelas almas como quem há de prestar contas delas (Hb 13.17).

4. a humildade de um servo: Um pastor não deve se comportar como dominador do rebanho, mas deve guiar, inspirar e influenciar pelo exemplo (1 Pe 5.2-3). Deve lembrar-se do gesto do Senhor que lavou os pés dos discípulos e que disse ter vindo para servir e não para ser servido. E não devem fazer nada por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando os outros superiores a si mesmo, tendo em si o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz (Fp 2.3-8).

5. o coração de um pai: Amoroso, terno e compassivo, que se expressa em cuidado, provisão, socorro, visitação, oração e sacrifício, tudo para garantir a proteção e o bem-estar de seus filhos. (Mt 25.36; Hb 13.17). Que sabe aplicar a disciplina motivado pelo amor cuidador (Hb 12.6). “O que acham vocês? Se alguém possui cem ovelhas, e uma delas se perde, não deixará as noventa e nove nos montes, indo procurar a que se perdeu? E se conseguir encontrá-la, garanto- lhes que ele ficará mais contente com aquela ovelha do que com as noventa e nove que não se perderam. Da mesma forma, o Pai de vocês, que está nos céus, não quer que nenhum destes pequeninos se perca (Mt 18.12-14).

Louvado seja Deus por todos os pastores(as) que tem honrado sua nobre vocação, agindo como fiéis despenseiros daquilo que lhes foi confiado pelo Senhor da Igreja. E que todos os membros da Igreja de Cristo possam honrar devidamente aos seus pastores(as) conforme a Bíblia que diz: “Obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles. Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas. Obedeçam-lhes, para que o trabalho deles seja uma alegria e não um peso, pois isso não seria proveitoso para vocês.” (Hb 13.17).

Bispo Ildo Mello

Fala que teu servo ouve+

Introdução

1) você é salvo?

2) você foi chamado para o ministério?

Se respondeu sim para a primeira deve também ter respondido sim para a segunda Efésios 4 ensina que todos foram chamados para o ministério. O ministério do pastor não é fazer tudo, mas capacitar e treinar os membros para que eles possam desempenhar seus ministérios.

Somos todos chamados para servir ao Senhor. Somos servos por excelência! Diaconia significa serviço.

Ser servo não é algo muito popular.

2) O que aprendemos com o chamado do Profeta Samuel?

1) Deus nos chama pelo nome, mas podemos não discernir a voz de Deus 2) Deus usa lideres espirituais para nos ajudar a discernir sua voz 3) Deus fala aos servos que estão dispostos a obedecer Ouça e obedeça!

3) O exemplo de Cristo: João 13.1-17 Jesus conhecia:

Quem ele era O que ele possuía De onde ele vinha Qual era a Sua posição Sabendo que todo o poder lhe era conferido, Jesus toma a atitude humilde de servir e lavar os pés dos discípulos. Ele sabia quem era, e a posição que possuía, aí temos a palavra: "então" que liga quem ele é com o que ele faz!

Quando nossa identidade realmente está em Cristo, servir é nossa resposta natural.

Jesus disse que devemos seguir o seu exemplo!

"Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as obedeceis!" Wesley: "Nosso dever é tornar Deus visível para as pessoas" Jesus: Grandeza não é sucesso, prestígio, riqueza e poder, mas é servir com humildade e amor. Jesus define grandeza em Mc 10.43. "O maior é o que serve!" Luther King: "todo mundo pode ser grande pois todos podem servir" Madre Tereza: "Nesta vida não podemos realizar grandes coisas. Podemos apenas fazer pequenas coisas com um grande amor!"     "Sou um pequeno lápis nas mãos de Deus com o propósito de enviar cartas de amor ao mundo." 4) Ilustração pessoal:

Em Santo André, fui proibido de pregar, de dar a Ceia e só me permitiram fazer visitas. Me realizei nesta tarefa! Grande ministério o da visitação de enfermos e necessitados. Um dos dias mais felizes do meu ministério foi quando fui visitar uma jovem que havia tentado suicidio, saltano do quinto andar de um prédio. Já havia visitado ela no hospital, mas ela estava frustrada por não ter morrido e mais triste ainda por estar incapacitada de tentar de novo, pois seus braços e pernas estavam engessados. Compartilhei o Evangelho, mas sem aparente sucesso. Fui visitá-la, mas o endereço não estava correto. Entrei na favela e comecei a procurar por ela, perguntando se alguem havia visto uma moça entrando com os braços e pernas engessados. Sem sucesso, mas foi aí que uma senhora me chamou para orar em sua casa, pois me viu com a Bíblia. Ministramos a Palavra, ensinamos um corinho para várias crianças que ali estavam e oramos. Subimos uma rua e fomos convidados por outra família para entrar e orar, e depois, mais acima, por uma outra família. Quando descemos a viela, encontramos as crianças na rua cantando alegremente o corinho que havíamos ensinado. Finalmente encontramos o endereço e a moça toda engessada aceitou a Cristo, pediu para ser batizada e experimentou grande ânimo e alegria em sua vida!

O Apostolo Paulo tinha alegria até mesmo quando era injustamente preso, pois sabia que a Palavra de Deus nunca está aprisionada! Carcereiros se convertiam!  A grandeza das pequenas coisas!

5) Conclusão:

Estamos discernindo a voz e o chamado de Deus?

Estamos dispostos a servir com humildade e alegria?

Qual tem sido a nossa resposta?

Quem gostaria de responder dizendo: …?

"Fala que o teu servo ouve!"

Concílio Geral Brasileiro 2011+

, um álbum no Flickr.

Bispo Ildo foi reeleito na primeira sessão do Concílio Geral Brasileiro na noite da última Sexta-feira, dia 11 de Novembro de 2011, com 119 votos dos 132 válidos.

O Concílio Geral Brasileiro havia convidado o Bispo Cecílio da Republica Domnicana para presidir a primeira sessão, pois a Igreja Metodista Livre tem o costume de convidar um bispo de outro concílio geral para presidir a sessão em que será feita a eleição de bispo visando conferir mais neutralidade, garantindo assim que tudo transcorra de acordo com o Manual Metodista Livre, mas o Bispo Cecílio teve uma dificuldade com seu visto e não pode viajar. Sendo assim, o Bispo Anderson Caleb da Igreja Metodista Wesleyana foi convidado para presidir o Concílio Geral Brasileiro.

Foi uma alegria poder contar com o apoio do Bispo Anderson que presidiu a sessão e também trouxe uma mensagem muito inspiradora sobre a importância da unidade da igreja baseada em Efésios 2, devemos construir pontes de amizade e destruir muros de separação.

Além do Bispo Anderson, a Pra. Yokimi Yuaça da Igreja Holiness, o Pr. Marcelo Takara do Concílio Nikkei e o Pr. Daniel Owsley do Concílio Geral Americano trouxeram uma palavra de saudação em nome de seus respectivos concílios.

O Missionário Roy Kenny que está visitando o Brasil com uma equipe de evangelizadores do Canadá deu um inspirado testemunho que sensibilizou a todos. O Bispo Ildo solicitou a ele que desse impetrasse uma bênção sobre todos os pastores e líderes leigos presentes, por reconhecer a autoridade espiritual dele que chegou ao Brasil ao lado de sua esposa e filhinha de seis meses de visa no ano de 1955 e serviu com amor e devoção a igreja por anos e anos. O coração do Pr. Roy Kenny continua verde e amarelo!

O Bispo Ildo, os cinco superintendentes e o Pr. José Carlos Moura deram seus relatórios a respeito do desenvolvimento das igrejas no Brasil e em Angola. O Bispo Ildo falou sobre o tema: "Unidos para conquistar esta geração" baseado na oração sacerdotal de Jesus registrada em João 17 e apresentou os alvos para o próximo quadriênio, com enfoque na formação e capacitação de líderes, multiplicação de grupos pequenos e plantação de igrejas. Ficou estabelecido o alvo de 15% de crescimento ao ano no número de membros, pastores e igrejas. Queremos também dobrar o número de pastores de tempo integral, ou seja, totalmente consagrados ao ministério.

Visando aprimorar a estrutura para melhor servir a missão da igreja, foram aprovadas diversas propostas de mudanças no Manual da Igreja com ampla maioria de votos, quase todas por unanimidade, o que reflete a união do concílio! Em breve estaremos publicando as propostas aprovadas.

Diversas pessoas testemunharam que este foi um dos melhores concílios de nossa história. Muita adoração, muita Palavra, muita visão, muita direção de Deus, muita oração, tudo numa atmosfera de amor, unção e confiança.

O louvor foi dirigido por uma equipe de membros de diversas igrejas, liderada pelo Tchello. As deliciosas refeições foram preparadas com muito carinho e esmero pelas irmãs da Igreja de Vila Moraes e também de Mirandópolis. Os pastores Isaías, Ana Maria e Leonor auxiliaram em muito o bispo Ildo na organização e planejamento do Concílio.

Foi muito bom ver a participação maciça de pastores e delegados das igrejas de todos os concílios.

Louvamos a Deus pelo apoio dos superintendentes, dos pastores e dos líderes leigos que oraram e participaram com muita disposição e alegria para o sucesso deste concílio.

Estamos "unidos para alcançar esta geração"!

23 de agosto de 1860+

Há 152 anos atrás, no estado de Nova York, deu-se inicio a Igreja Metodista Livre, como um movimento de protesto contra a discriminação racial e social que, infelizmente, acontecia em muitas igrejas daquela época que tinham a prática de reservar bancos para famílias abastadas em detrimento das humildes. Daí veio o nome “Livre”, pois protestávamos que todos os assentos da igreja deveriam ser livres para todas as pessoas independentemente de sua condição social ou da cor de sua pele.

Foi também um movimento do Espírito Santo que buscou resgatar os princípios e valores do metodismo original. Portanto, nós, Metodistas Livres, somos fruto de uma linhagem evangélica cuja herança espiritual tem origem em homens e mulheres de profunda piedade pessoal, que através de todos esses anos têm mostrado que é possível manter a chama do fervor espiritual, combatendo a apostasia, a corrupção e o paganismo que por vezes têm atacado a igreja visível, mantendo-a longe da igreja ideal de Jesus Cristo.

Por esse motivo, cremos que, quando atuamos sob o comando do Senhor da Igreja e inspiração do Espírito Santo, estamos dando continuidade à história da Igreja, iniciada em Atos e que só terminará com a volta do Senhor.

Somos uma Igreja que reconhece que Deus concede dons espirituais de serviço e liderança tanto a homens como a mulheres, que cheios do Espírito devem pregar e testemunhar de Cristo tanto na Igreja quanto no mundo.

Nossos cultos são caracterizados pela simplicidade e liberdade do Espírito, sem se limitar a uma liturgia formal.

Os Metodistas Livres se entregam à tarefa de compreender as necessidades mais importantes das pessoas, instituições e culturas diversas para poderem ministrar significativa e redentivamente a elas. Na oração sumo-sacerdotal de Jesus Cristo, Ele chama os crentes a viverem nesse mundo ativa e inteligentemente, para que o mundo possa ser levado tanto a “conhecer” como a “crer” n’Ele.

Os Metodistas Livres estão cientes das forças demoníacas no mundo, que humilham as pessoas, pervertem o bem e levam pessoas e instituições à ruína. Eles procuram ajudar as pessoas restaurando seu valor pessoal numa época de despersonalização cada vez maior.

Os Metodistas Livres são uma comunidade de cristãos sinceros no propósito de chegar aos céus e comprometidos a trabalhar no mundo pela salvação de todas as pessoas, procurando, assim, continuar a missão do cristianismo do primeiro século, recuperada por John Wesley e os Metodistas primitivos que declaravam existir “para levantar um povo santo”, buscando a santidade em seu sentido mais amplo de amor a Deus com todo seu coração, alma, mente e força, e ao nosso próximo como a nós mesmos. Buscamos uma clara e renovada visão da santidade que traga a presença de Deus para perto das pessoas do nosso tempo.

A missão da Igreja Metodista Livre é fazer conhecido de todas as pessoas, em todo lugar, o chamado de Deus para a perfeição através do perdão e santidade em Jesus Cristo, e convidar à sua membresia e equipar para o ministério a todos que responderem com fé. E visamos ser uma comunidade bíblica saudável de pessoas santas que multiplicam discípulos, líderes, grupos e Igrejas. O caminho para esta visão exige que cada Igreja seja uma Igreja saudável com liderança cheia do Espírito e de compaixão por todos que se encontram distantes de Deus.

Bispo José Ildo Swartele de Mello Texto Baseado do Manual da Igreja Metodista Livre http://www.metodistalivre.org.br

Feliz dia do Pastor!+

Mensagem do bispo emérito metodista Josué Adam Lazier:

Ser pastor é se colocar no caminho dos outros para ser apoio, estímulo, encorajamento e consolo. É ser o outro que se aproxima na caminhada e entra na história das pessoas para mediar novos conhecimentos e novas atitudes. "Jesus se aproximou e ia com eles".

Ser pastor é se aproximar das pessoas e ouvir suas histórias, seus sentimentos e suas aventuras. É perceber os sentimentos que se afloram e as inquietações que adoecem a vida. "O que é isto que vos preocupa?".

Ser pastor é perguntar, é dialogar sobre as questões da vida e sobre os acontecimentos que alcançam a vivência das pessoas. É conversar sobre as coisas mais singelas da vida e ouvir além das palavras. "Quais?".

Ser pastor é ajudar na compreensão acerca dos valores do Evangelho e dos desafios que a vida cristã confere aos que foram alcançados pela graça de Deus. É explicar, contar de novo, rememorar, trazer à memória os ensinamentos que as pessoas já conhecem, mas que ainda não chegaram ao pleno entendimento e prática diária. "Ó néscios e tardos de coração para compreenderem o que os profetas anunciaram".

Ser pastor é perceber a emotividade que marca a vivência do ser humano, é enxergar as mazelas da vida para com ternura e amor promover a superação pela força da fé e da convivência. É sinalizar o amor de Deus que entra na história das pessoas e transforma-as a cada dia, a cada passo, a cada suspiro. "Expunha-lhes o que constava em todas as Escrituras".

Ser pastor é ajudar as pessoas a terem atitudes espontâneas, autônomas, emancipadas, libertas, transformadoras, conscientes e convictas. Ser pastor é colaborar com tolerância e humildade para que as pessoas superem os modelos estereotipados e individualizem-se, não de individualidade, mas de individuar-se. "Fica conosco, pois é tarde…".

Ser pastor é estar com as pessoas em seus ambientes de vida, em suas casas, com seus familiares, no contexto histórico, cultural, social, econômico, político e se inserir nesta realidade para conhecer e ser conhecido. É estar junto, com, numa convivência agregadora de valor e dignidade. "E entrou para ficar com eles".

Ser pastor é partilhar o pão, a fé, a esperança, a justiça, a solidariedade, a novidade que o Evangelho desperta a cada novo dia. É dar graças junto com os outros que estão na mesma caminhada e que, além de receber, também oferecem o que têm. "Tomando ele o pão, abençoou-o…".

Ser pastor é encorajar para o compromisso e o comprometimento. É estimular a ação, a transformação, as atitudes que resgatam o valor da vida e o comportamento ético, moral e cidadão. "Voltaram para Jerusalém".

Ser pastor, neste sentido, é sair da mesmice, da estagnação, do conforto do não comprometimento com as lutas das pessoas, da preguiça de ir ao encontro dos que estão adoecidos e machucados pelas circunstâncias da vida. É olhar para as pessoas e vê-las, percebê-las, olhar em seus olhos e sentir o pulsar da fé e da busca pelo conhecimento de Deus. "Foi por eles reconhecido no partir do pão".

Ser pastor é partilhar, é conviver… Tão somente partilhar e conviver. "Então Jesus lhes disse: eis que estou convosco".

Pastores, cuidado!+

"Serei santificado naqueles que se chegarem a mim, e serei glorificado diante de todo o povo" (Lv 10:3). Isto disse Deus a Arão logo após seus filhos, Nadabe e Abiú, terem sido fulminados por terem oferecido fogo estranho no altar de Deus (Lv 10.1,2). Vemos neste episódio que a santidade e o juízo, dela decorrente, começam pelos sacerdotes da casa de Deus. Pastores e líderes cristãos, à semelhança dos sacerdotes levíticos, precisam ser irrepreensíveis (1 Tm 3.2). Paulo explica que o rigor no exame do caráter para a seleção de um pastor é "para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade (1 Tm 3:15).

O Livro de Levítico ensina que as coisas relacionadas a Deus precisam ser devidamente consagradas e realizadas com todo o zelo em sinal de reverencia a santidade divina. Há uma série de normas relacionadas a santidade do templo, dos sacerdotes e do culto, incluindo cuidadosos rituais de purificação, até mesmo para os utensílios do templo, tudo como um testemunho da natureza santa de Deus (Lv 8.10-15). O povo de Deus precisa aprender a fazer distinção entre o puro e o impuro: "E para fazer diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo, e para ensinar aos filhos de Israel todos os estatutos que o SENHOR lhes tem falado por meio de Moisés" (Lv 10.10-11).

Santidade em Levítico está ancorada no Senhor, que é santo por natureza. Existem diversos níveis de santidade que são proporcionais a proximidade de Deus. Baseado em sua santidade, Deus santifica o seu povo em contraste com as nações pagãs, santifica o tabernáculo em contraste com o resto do acampamento, e o Santo dos Santos em contraste com as demais dependências do tabernáculo (Ex 26.33; Lv 20:8,26; 21:8; 22:9,16,32).

Os crentes devem separar-se de qualquer coisa que contamine o seu coração. Tal pureza de coração se processa fisicamente, através de como eles tratam os seus corpos físicos (2 Co 7.1) e também espiritualmente, através do arrependimento e confissão de pecados (1 Jo 1.9-2.1), da oração, adoração e da meditação na Palavra de Deus (Sl 119.11; Ef 3.14-19; 5.18-21,26 e Co 3.16). Eles devem santificar-se, porque estão relacionados com Deus, que é inerentemente santo, e que os tem chamado para uma santa vocação pela santificação do Espírito, por meio do sangue remidor de Cristo (1 Pe 1.1-2, 3-23; 1 Jo 1.7).

Neste sentido, os pastores devem servir de modelo exemplar para todo o povo de Deus: "sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza".

No temor do Senhor, Bispo Ildo Mello

Principados e Poderes – Endossos!+

Endossos "Todo discipulado cristão, bem como toda a missão cristã, é uma batalha. No entanto, muitas vezes esta batalha permanece mal-entendida. O Bispo Ildo Mello, nesta exploração bíblica e prática, nos ajuda identificar o que realmente é a origem, a natureza, a solução e a vitória nesta batalha que todos nós enfrentamos. O livro será uma ajuda à igreja nestes dias difíceis, mas promissores para a missão da igreja e a vinda do Reino de Deus na sua plenitude." (Howard A. Snyder, Ph.D. in historical theology at the University of Notre Dame, Professor da Tyndale University College and Seminary e do Asbury Theological Seminary, conferencista internacional e autor de dezenas de livros, entre eles: "Vinho Novo Odres Velhos", "A Comunidade do Rei" e "Wesley, a Bíblia, e o Povo")

"Posso afirmar que este livro veio trazer uma grande contribuição para a Igreja de Cristo, nesta época tão conturbada, em que se fala tanto de batalha espiritual, mas que muitos cristãos se dizem envolvidos nela sem terem uma noção do que isso realmente significa. Recomendo que este livro seja lido e relido!" (Elisiário A. dos Santos – Bispo Geral da Igreja Metodista Wesleyana)

"Material muito bom! Prático, atualíssimo e necessário." (Nilson Campos Portugal Santos – Doutor em Ministério, professor de teologia, pastor e superintendente Metodista Livre)

"Líderes cristãos caem como presas fáceis na tentação de analisar aspectos do ministério em demasia, que a simples missão de Deus no mundo é enfraquecida. Neste livro, Ildo Mello nos ajuda a ter uma visão realista do desafio que está diante de nós: o nítido e perene compromisso com a missão. Assim, o autor remove o mistério espiritual da batalha real na qual os cristãos estão engajados e a situa ao alcance de cada pessoa para compreendê-la e internalizá-la. Para aqueles acostumados a discutir as forças espirituais ao nosso redor, este livro será uma leitura reflexiva e fundamentada que irá firmar sua paixão. Para aqueles que geralmente não consideram a realidade das influências espirituais, este livro será uma prova da realidade e um apelo para que você tenha uma visão mais ampla da obra de Deus no mundo. Este livro terá evidente impacto em sua vida e em nossa visão de estarmos unidos nesta batalha." (Kevin W. Mannoia – PhD., serviu como pastor, bispo e foi também presidente da "the National Association of Evangelicals" e como deão de teologia, e é o atual capelão da Azusa Pacific University. Autor de dezenas de livros: "Fator Integridade", "Vida Magistral, "Church Planting: The Next Generation"; "Century 21 Church Planting Manual"; "Church 2k – Leading Forward"; "15 Characteristics of Effective Pastors"; "The Holiness Manifesto")

A vocação cristã para o voto cidadão+

E procurai a paz da cidade… e orai por ela ao Senhor: porque na sua paz vós tereis paz.

(Jr 29.7)

Caros irmãos e irmãs, Aos nos aproximarmos das eleições municipais em outubro queremos celebrar a nossa democracia e o privilégio de contribuir, através do nosso voto, para a construção de uma sociedade mais sólida e participativa. Votar solidifica a democracia e queremos fazer parte deste processo. Reconhecemos que nos últimos anos o Brasil tem mudado muito e para melhor, mas o que preocupa sobretudo, neste novo período eleitoral, é que o nosso sistema político partidário é arcaico e viciado. Não responde às demandas atuais, ignora as possibilidades gerenciais e tecnológicas disponíveis e carece de profundas mudanças sistêmicas, programáticas e éticas. Este sistema precisa mudar e nossos políticos precisam adequar-se às necessidades de uma sociedade mais justa, mais transparente e mais participativa.

Votar é uma forma de contribuirmos, como brasileiros e brasileiras, para a construção da nossa nação. Como cristãos evangélicos, comprometidos com os destinos do país, vamos votar nesta consciência e convidar todos ao nosso redor a fazerem o mesmo.

Como cristãos evangélicos, nos identificamos com a advertência do profeta Jeremias ao seu povo: Procurai a paz da cidade e orai por ela ao Senhor, porque na sua paz vós tereis paz. É por esta razão que, nas eleições que se aproximam, queremos caminhar para as urnas movidos por princípios que consideramos centrais:

– O voto é exercício de cidadania. É secreto e tem de ser responsável. Não está à venda e não pode ser produto de negociações manipuladoras. "Voto de cajado" é voto aviltado e precisa ser denunciado.

– A igreja é de Jesus Cristo e não pode ser identificada com nenhum partido político. O púlpito é sagrado e não pode ser usado como plataforma política de candidato algum.

– Votemos no que consideramos melhor para a cidade e não em busca de favores pessoais ou mesmo de grupos.

– Votemos em candidatos que afirmem e tenham histórias de vida que reflitam os valores do Reino de Deus, entre os quais justiça, liberdade e verdade.

Caminhemos, pois, para o dia 07/10/2012 valorizando o nosso voto e o voto de todos, conscientes de que assim contribuiremos para a construção de uma sociedade democrática que não se esquece do outro, especialmente do pobre e do pequeno, e cujos resultados nos levem a dizer: Soli Deo Gloria!

Graça e paz!

Aliança Cristã Evangélica Brasileira

Caminhando com Integridade em Épocas de Escândalos+

Infelizmente, temos observado um aumento alarmante de escândalos envolvendo pastores e líderes cristãos. Essa realidade deve nos levar a uma profunda reflexão e renovado compromisso com a santidade, pois Jesus já havia advertido: "É inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual eles vêm! Melhor seria que uma pedra de moinho fosse pendurada no pescoço dele, e fosse atirado no mar, do que fazer tropeçar um destes pequeninos" (Lc 17.1–2).

Esses acontecimentos não nos surpreendem, pois são sinais dos últimos dias. Jesus afirmou: "Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros. Muitos falsos profetas se levantarão e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a maldade, o amor de muitos esfriará" (Mt 24.10–12).

O apóstolo Paulo também nos alertou sobre o caráter dos homens nestes tempos difíceis: "Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis, pois os seres humanos serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, profanos, sem amor, implacáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, convencidos, mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus, tendo forma de piedade, mas negando o poder dela. Fique longe também destes"(2Tm 3.1–5).

Pedro também nos adverte sobre falsos mestres que difamam o caminho da verdade: "Assim como surgiram falsos profetas no meio do povo, também haverá falsos mestres entre vocês. Eles introduzirão, às escondidas, heresias destruidoras, negando o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as práticas libertinas desses, e, por causa deles, será difamado o caminho da verdade" (2Pe 2.1–2).

No dia do juízo, muitos tentarão justificar-se diante de Cristo, dizendo: "Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios? Em teu nome não fizemos muitos milagres?" Mas ele lhes dirá: ‘Nunca os conheci. Afastem-se de mim, vocês que praticam o mal’"(Mt 7.22–23).

Por isso, somos chamados a uma vida exemplar, podendo dizer como Paulo: "Não damos motivo de escândalo a ninguém, em circunstância alguma, para que o nosso ministério não caia em descrédito" (2Co 6.3). Aquele que professa o nome do Senhor, aparte-se da iniquidade (2Tm 2.19). A santidade não é uma opção; é uma ordem divina para todo cristão, principalmente para aqueles que lideram o rebanho de Cristo. Que sejamos fiéis no viver e no ensinar, para que o Evangelho seja honrado e o nome de Jesus exaltado.

Com temor e zelo, Bispo Ildo Mello

Teste para Descobrir seu Temperamento e Suas Aptidões Profissionais+

Recomendo o excelente teste para descobrir seu temperamento e suas aptidões profissionais. Você pode optar pelo idioma inglês ou espanhol. Tendo alguma dificuldade com o idioma, consulte o google tradutor. http://www.keirsey.com/ ou http://www.keirsey.com/sorter/instruments2.aspx Depois, você receberá um e-mail com um link para o resultado do seu teste. Abaixo, você encontrará informações em português sobre os 4 grupos básicos de temperamento. Ao todo, são 16 tipos de temperamento, 4 para cada um dos 4 do grupo básico.

Especula-se que a origem da Teoria de Temperamentos tenha sido na Mesopotâmia ou no Egito Antigo, apesar de que foi na Grécia, através do médico Hipócrates (460-370 A.C.), que este conhecimento foi registrado pela primeira vez. Ele acreditava que o humor, as emoções, e os comportamentos das pessoas eram determinados por diferentes fluídos corporais. A dominância do sangue acarretaria nas características psicológicas dos “Sanguíneos”, da bílis amarela nos “Coléricos”, da bílis negra nos “Melancólicos”, e da fleuma (secreção de garganta) nos “Fleumáticos”. As descrições destes quatro grupos de disposições psicológicas foram objeto de análise de diversos pensadores, resumidamente representados na tabela abaixo.

Alguns nomes dados aos 4 Temperamentos através da história David Keirsey era um estudante de pós-graduação e pesquisava estes agrupamentos quando conheceu em 1958 o instrumento psicológico desenvolvido por Isabel Myers e sua mãe, Katherine Briggs, baseado no livro Tipos Psicológicos, de Carl Jung. Ele notou que determinados conjuntos de preferências no modelo da dobradinha mãe e filha resultavam em características muito semelhantes às descritas por Hipócrates até os tempos de Alfred Adler, Erich Adickes, Eduard Spränger, Ernst Kretschmer, e Erich Fromm (os últimos teóricos de Temperamento anteriores a Keirsey). De uma hora para outra, séculos de observações e insights complementares foram incorporados às descrições dos 16 Tipos de Personalidade descritos por Isabel Myers e sua mãe, Katherine Cooks Briggs.

Keirsey descobriu que o temperamento Guardião resultava da combinação da Sensação com o Julgamento (xSJx), o Artesão da combinação da Sensação com a Percepção (xSPx), o Idealista da combinação da Intuição com o Sentimento (xNFx), e o Racional da combinação da Intuição com o Pensamento (xNTx). Veja abaixo um resumo das descrições dos 4 Temperamentos do Modelo de Temperamento de Keirsey:

Descrições dos 4 Temperamentos | Tipos de Personalidade A tabela abaixo contrasta de forma mais detalhada e sistemática as características dos 4 Temperamentos:

Características detalhadas dos 4 Temperamentos

Pregação expositiva+

O falecido Dr. E.K. Bailey, pastor fundador da Igreja de Concord em Dallas, Texas, EUA, escreveu um livreto entitulado, "Dez Razões Pela Pregação Expositiva".

No livreto, Dr. Bailey define a pregação expositiva:

"Um sermão expositivo é a mensagem que focaliza uma porção da Escritura para estabelecer claramente of sentido preciso do texto e motivar criativa e diretamente os ouvintes a ações e atitudes ditados pelo texto no poder do Espírito Santo." Então Bailey dá dez razões pelas quais a igreja precisa desesperadamente de pregação expositiva:

1. A pregação expositiva cria uma congregação que traz a Bíblia aos cultos.

2. A pregação expositva cria uma congregação que ama a  Bíblia.

3. A pregação expositva cria uma congregação que tem consciência da Palavra.

4. A pregação expositva força o pregador a proclamar todo o conselho de Deus.

5. A pregação expositva mune o povo para a batalha  espiritual.

6. A pregação expositva fala às verdadeiras necessidades do povo, que nunca passam pela cabeça do pregador.

7. A pregação expositva gera um interesse tremendo por aquilo que segue no texto bíblico.

8. A pregação expositva desafia a vida espiritual do pregador.

9. A pregação expositva permite as pessoas ouvirem a palavra de Deus e não os pensamentos do pregador.

10. A pregação expositva estabelece a autoridade absoluta da Palavra de Deus frente ao relativismo ético. tradução:  Daniel Owsley

Programa do Dia de Treinamento para pastores e líderes sobre Doutrina de Santidade Bíblica promovido pela Fraternidade Wesleyana de Santidade+

Data: 27 de Fevereiro Horário: das 8 às 14 h Custo:

R$ 20,00.

Local:

R. Maj. Diogo, 285 São Paulo, 01324-001 Programação:

08h00 – Café da Manhã 09h00 – Louvor e oração 09h15 – Palestra do Dr. Kevin Mannoia 09h45 – Perguntas e debate 10h00 – Painel de líderes (10 minutos para cada): “Fale sobre um ou dois princípios chaves que você percebe como fundamentais na mensagem de Santidade?”

Moderador: Bispo Ildo Mello da Metodista Livre Capitão Nelson Wakai do Exército de Salvação Bispo José Carlos Peres da Metodista Pr. Carlos Alberto da Comunidade da Graça Pr. Eduardo Goya da Holiness Pr. Mateus Andrade Ramos da Igreja do Nazareno Bispo Anderson Caleb da Metodista Wesleyana 11h15 – Intervalo/Café 11h30 – Palestra com Dr. Kevin Mannoia 12h00 – Discussão em grupos pequenos (5-6) – “Como é que estes princípios causariam uma diferença em meu ministerio?”

12h30 – Breve relatório dos Grupos 12h45 – Encerramento com almoço Bispo Ildo Mello Santidadeeunidade.org Santidadeeunidade.blogspot.com

Por que o jugo de Jesus é suave?+

O jugo é usado para compartilhar o peso da carga entre dois animais de modo a tornar mais fácil a jornada. O peso não é tirado, mas aliviado. Jesus não promete uma vida sem cargas e aflições, mas nos oferece poderoso auxílio e vitória (Jo 16.33).

A cruz não é só de Cristo, mas também do discípulo (Lc 9.23). O triunfo de Cristo na cruz nos concede força para carregarmos as cruzes de nossa existência (Cl 2.15). Há um fardo a ser carregado, no entanto, não estamos sós, contamos com o jugo de Cristo que nos alivia a carga e dele aprendemos a humildade e a mansidão que nos traz paz e descanso enquanto ainda estamos à caminho da plena vitória!

Disse Jesus: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve" (Mt 11.28-30).

Bispo Ildo Mello

Sobre fé e autoridade espiritual+

Clique para ouvir "Fé e a elevada posição do cristão" (Ef 1)

Não basta ter fé. O valor da fé não está na fé em si, mas no objeto dela…

Não confundir autoridade espiritual com espetáculos circenses.

Tem pastor fazendo estrepulias e até saindo no braço com o demônio. É triste ver como as pessoas oprimidas viram espetáculo nas mãos de certos pastores e acabam sendo machucadas e sofrendo humilhação pública.

Jesus jamais precisou gritar ou fazer exercício da força física para libertar um endeminiado.

No embate entre Elias e os profetas de Baal, quem se esgoelou de tanto gritar foram aqueles falsos profetas e tudo em vão. Elias, sereno, orou sigelamente e o fogo desceu!

A importância da consciência da riqueza de nossa condição em Cristo. O plano mestre de Deus é o de fazer com que todas as coisas venham a convergir para Cristo, pois todas as coisas foram criadas por ele e para ele. A igreja exerce um papel fundamental neste plano de Deus.

Mensagem que preguei no úlimo domingo na imel de Mirandópolis.

Redação do Dane e Canção do Same na Consagração do Primeiro Bispo do…+

Segue redação escrita por Daniel quando tinha 10 anos de idade, a pedido da professora da quarta série, que solicitou que os alunos escrevessem sobre uma pessoa. Daniel escolheu escrever sobre seu pai:

“Meu pai se chama José Ildo Swartele de Mello.

Ele usa óculos, é magro, é alto, tem olhos pretos, cabelos pretos e curtos, com entradas no cabelo. Tem trinta e cinco anos.

É esperto, joga bem futebol, tem três filhos.

Meu pai é bem alegre, é bem-humorado, é uma pessoa generosa.

Ele reclama demais, ele é mandão e é muito corajoso.

Eu gosto muito do meu pai, porque ele sempre me deu muito carinho.

Meu pai é pastor.

Eu acho que ele gosta muito da sua profissão, porque, na sua profissão, ele está ajudando as outras pessoas que não conhecem a Palavra de Deus.

Meu pai age do mesmo jeito que pensa.

Eu nunca tive surpresas desagradáveis com meu pai.”

Fotos, áudio e vídeos da Vigília do Distrito Alto Tietê!+

Fotos, áudio e vídeos da Vigília do Distrito Metodista Livre do Alto Tietê que reúne as seguintes igrejas: Jundiapeba, Vila Natal, Braz Cubas, Mogi das Cruzes Centro, Jd. Margarida, e Jd. Sta. Inês. Noite de 19 para 20 de Julho de 2013. Quase todos os pastores estiveram presentes, apenas o Pr. Daniel de Vila Natal não pode participar por motivo de viagem. Que bom ver a unidade, o fervor e a visão das igrejas e pastores deste distrito. Foi maravilhoso também ver tanta gente sendo despertada pelo Espírito para o ministério pastoral! Saí da vigília renovado! (Bispo Ildo Mello).

Vídeos:

Áudio de algumas mensagens, infelizmente não consegui gravar todas:

Fotos:

Vigília do Distrito Metodista Livre do Alto Tietê, um álbum no Flickr.

Deus está fazendo grandes coisas em nosso meio, por isto estamos tão alegres!

Bispo Ildo Mello

Sete cuidados que os(as) pastores(as) devem tomar em relação ao trato com pessoas do sexo oposto+

1. Não fique a sós com alguém do sexo oposto na igreja, escritório, carro, casa, restaurante, cinema, etc. No caso de aconselhamento pastoral, se não puder estar acompanhado do cônjuge, que seja feito em horario de boa circulação de pessoas, em uma sala com porta ou janelas de vidro, com cortina aberta.

2. Não elogie a aparência.

3. Não alise os ombros, braços, etc.

4. Na medida do possível, evite abraçar.

5. Não alimente fantasias sexuais ou românticas.

6. Tenha um mentor espiritual com quem possa confessar suas tentações e pecados.

7. Não se esqueça jamais do temor que se deve ao Senhor (2Co 5.11).

“As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu!” (Sl 19.14).

Bispo Ildo Mello

A Importância de uma Boa Teologia para a Formação de uma Comunidade Cristã+

Que tipo de comunidade estamos formando?

Uma igreja que conhece verdadeiramente a Deus ou apenas repete expressões religiosas?

Uma comunidade madura ou facilmente levada por qualquer novo ensino?

Uma igreja santa e missionária ou apenas ocupada com atividades?

Toda igreja possui uma teologia, mesmo quando não a organiza formalmente. Aquilo que ensinamos sobre Deus, salvação, santidade, Igreja e missão acaba moldando a maneira como a comunidade pensa, ora, vive, se relaciona e serve.

Por isso, a questão não é se a igreja terá teologia, mas se terá uma teologia bíblica, cristocêntrica e transformadora.

1️⃣ A boa teologia nos ajuda a conhecer o Deus verdadeiro

📖 João 17.3

“E a vida eterna é esta: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”

A teologia não define quem Deus é. Ela procura compreender e ensinar corretamente aquilo que Deus revelou sobre si mesmo nas Escrituras e, de modo supremo, em Jesus Cristo.

Uma visão errada de Deus produz uma espiritualidade deformada.

Se Deus for apresentado apenas como juiz, a igreja viverá dominada pelo medo.

Se for apresentado apenas como alguém que realiza desejos, a fé se tornará interesseira.

Se sua santidade for ignorada, o pecado será banalizado.

Se seu amor for diminuído, a graça será substituída pela condenação.

A boa teologia nos apresenta o Deus santo e amoroso, justo e misericordioso, que salva, transforma e restaura.

2️⃣ A boa teologia preserva a igreja do erro

📖 2 Timóteo 4.3

“Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina.”

Uma igreja que não conhece bem as Escrituras torna-se vulnerável a:

🔸 modismos religiosos;
🔸 promessas de prosperidade;
🔸 falsas revelações;
🔸 manipulação emocional;
🔸 autoritarismo espiritual;
🔸 ideologias políticas;
🔸 ensinos divulgados sem critério nas redes sociais;
🔸 líderes carismáticos sem prestação de contas.

A sã doutrina não é um conjunto de ideias frias. É o ensino fiel ao evangelho, que conduz à vida piedosa.

📖 Tito 1.9

“Apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, para que seja capaz tanto de exortar pelo reto ensino como de convencer os que contradizem.”

3️⃣ A boa teologia molda a espiritualidade

📖 Romanos 12.2

“Deixem que Deus os transforme pela renovação da mente.”

Não existe espiritualidade sem conteúdo teológico. Toda oração revela alguma compreensão de Deus. Todo culto expressa uma visão da salvação. Toda prática cristã mostra o que acreditamos sobre a graça.

A boa teologia une:

✅ verdade e experiência;
✅ doutrina e devoção;
✅ mente e coração;
✅ graça e obediência;
✅ fé pessoal e vida comunitária.

Na tradição wesleyana, o conhecimento deve conduzir à experiência da graça, ao amor e à santidade.

4️⃣ A boa teologia promove unidade

📖 Atos 2.42

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.”

A unidade cristã não é apenas convivência pacífica. Ela nasce de uma fé compartilhada, de uma vida comum em Cristo e de uma missão vivida em conjunto.

A igreja pode conviver com diferenças culturais, geracionais e de opinião, permanecendo unida nos fundamentos da fé.

Na Igreja Metodista Livre, essa unidade também se expressa na vida conexional. Não somos igrejas isoladas nem ministérios independentes. Caminhamos juntos, prestamos contas uns aos outros e participamos de uma missão comum.

O pastor não deve construir uma comunidade em torno de sua personalidade, mas ajudar a igreja a encontrar sua identidade em Cristo.

5️⃣ A boa teologia orienta a missão da igreja

📖 Mateus 28.19-20

“Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações.”

A missão nasce do coração de Deus.

Uma teologia inadequada pode reduzir a missão a crescimento numérico, promoção institucional, realização de eventos ou expansão da influência de um líder.

A missão bíblica consiste em:

🔹 anunciar o evangelho;
🔹 fazer discípulos;
🔹 ensinar a obedecer a Cristo;
🔹 servir os necessitados;
🔹 promover reconciliação;
🔹 manifestar a santidade e a justiça do Reino de Deus.

A tradição metodista livre une evangelização e transformação social, santidade pessoal e santidade social.

A igreja não existe apenas para cuidar de quem já está dentro. Ela é uma comunidade enviada ao mundo.

6️⃣ A boa teologia sustenta a comunidade nas crises

📖 Mateus 7.24

“Todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha.”

A profundidade da fé aparece quando chegam as crises.

Quando há sofrimento, precisamos compreender a providência de Deus.

Quando há luto, precisamos da esperança da ressurreição.

Quando há pecado, precisamos compreender arrependimento, graça e restauração.

Quando há conflito, precisamos de uma teologia da reconciliação.

Quando há injustiça, precisamos compreender a santidade e a justiça de Deus.

Uma comunidade alimentada apenas por frases motivacionais pode desmoronar diante da dor. Uma comunidade edificada na Palavra encontra força para perseverar.

A igreja precisa ser preparada antes das crises. A verdade aprendida em tempos de tranquilidade torna-se sustentação nos tempos difíceis.

7️⃣ A boa teologia forma discípulos maduros

📖 Efésios 4.13-14

“Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus […] para que não mais sejamos como crianças, levados de um lado para outro por todo vento de doutrina.”

O objetivo da formação teológica não é produzir pessoas orgulhosas de seu conhecimento, mas discípulos semelhantes a Cristo.

Maturidade cristã envolve:

✅ convicções bíblicas;
✅ caráter transformado;
✅ discernimento espiritual;
✅ capacidade de servir;
✅ responsabilidade comunitária;
✅ amor por Deus e pelo próximo;
✅ participação na missão.

A verdadeira maturidade não consiste apenas em conhecer conceitos, mas em viver sob o senhorio de Cristo.

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👥 COMO DEVEM SER PREPARADOS OS PASTORES?

Se a boa teologia é essencial para a saúde da igreja, o preparo pastoral não pode ser superficial, improvisado ou apenas técnico.

O pastor metodista livre não é apenas pregador ou administrador. Ele é ministro da Palavra e dos sacramentos, cuidador do rebanho, formador de discípulos, líder missionário e participante responsável da conexão.

1️⃣ Profundamente enraizado nas Escrituras

📖 2 Timóteo 2.15

“Procure apresentar-se a Deus aprovado […] que maneja corretamente a palavra da verdade.”

O primeiro compromisso do pastor não é com métodos, tendências ou fórmulas de crescimento, mas com a Palavra de Deus.

Ele precisa saber interpretar, ensinar e aplicar fielmente as Escrituras.

2️⃣ Formado em sã doutrina

📖 Tito 1.9

“Apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina.”

O pastor precisa conhecer as principais doutrinas da fé cristã e compreender a tradição teológica da igreja na qual serve.

No contexto metodista livre, isso inclui a compreensão da graça preveniente, do novo nascimento, da justificação, da santificação, da missão da Igreja, dos sacramentos, da ética cristã e da santidade pessoal e social.

A formação denominacional não deve produzir sectarismo, mas identidade e responsabilidade.

3️⃣ Cultivando vida espiritual e santidade

📖 1 Timóteo 4.16

“Cuide de você mesmo e da doutrina.”

Vida e doutrina não podem ser separadas.

O pastor pode defender ideias corretas e, ainda assim, ferir pessoas por falta de caráter. Também pode ser sincero, mas conduzir a igreja ao erro por falta de preparo.

Por isso, precisa cultivar:

🙏 oração;
📖 meditação nas Escrituras;
❤️ humildade;
🛐 participação nos meios de graça;
🤝 prestação de contas;
🏠 cuidado com a família;
🧭 disciplina e domínio próprio.

Na tradição wesleyana, santidade é amor a Deus e ao próximo vivido em todas as áreas da vida.

4️⃣ Possuindo caráter comprovado

📖 1 Timóteo 3.2

“É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível.”

O Novo Testamento dedica mais atenção ao caráter do líder do que às suas habilidades públicas.

Carisma não substitui integridade.

Competência não substitui fidelidade.

Resultados numéricos não justificam práticas abusivas.

A autoridade pastoral não nasce apenas do cargo, mas de uma vida fiel a Cristo.

5️⃣ Equipando todo o povo de Deus

📖 Efésios 4.11-12

“Com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço.”

O pastor não foi chamado para fazer tudo sozinho, mas para preparar todo o povo de Deus para servir.

O bom pastor:

🔹 identifica dons;
🔹 prepara líderes;
🔹 compartilha responsabilidades;
🔹 acompanha pessoas;
🔹 oferece oportunidades de serviço;
🔹 forma sucessores.

Ele não produz dependência. Ele ajuda a igreja a crescer em maturidade e participação.

6️⃣ Desenvolvendo sabedoria pastoral

📖 Provérbios 11.14

“Na multidão de conselheiros há segurança.”

Conhecimento teológico é indispensável, mas não é suficiente. O pastor também precisa aprender a aplicar a verdade em situações humanas complexas.

Sabedoria pastoral é:

✅ ouvir antes de responder;
✅ compreender pessoas e contextos;
✅ corrigir sem humilhar;
✅ exercer autoridade sem autoritarismo;
✅ enfrentar conflitos sem alimentar divisões;
✅ procurar aconselhamento;
✅ reconhecer os próprios limites.

7️⃣ Vivendo em conexão e prestação de contas

Nenhum pastor deve agir como proprietário da igreja.

A eclesiologia metodista livre rejeita o personalismo e o isolamento ministerial.

O pastor está inserido em uma conexão e deve caminhar em cooperação com líderes leigos, juntas administrativas, colegas de ministério, superintendentes e bispos.

A prestação de contas protege o pastor, sua família, a igreja local e o testemunho cristão.

8️⃣ Permanecendo em formação contínua

📖 2 Pedro 3.18

“Cresçam na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.”

A ordenação não encerra a formação pastoral. O pastor precisa continuar crescendo em:

📚 Bíblia e teologia;
🎙️ pregação e ensino;
🤝 cuidado pastoral;
🧭 liderança;
🌍 evangelização e missão;
🧠 saúde emocional;
⚖️ ética ministerial.

Quem deixa de aprender corre o risco de repetir velhas fórmulas para novos problemas ou seguir novidades sem discernimento.

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📌 CINCO DIMENSÕES DA FORMAÇÃO PASTORAL

A formação ministerial precisa integrar:

1. Conhecimento
Escrituras, teologia, história da Igreja e tradição metodista livre.

2. Caráter
Santidade, integridade, humildade e maturidade emocional.

3. Competência
Pregação, ensino, discipulado, cuidado pastoral, liderança e administração.

4. Comunidade
Mentoria, supervisão, vida conexional e prestação de contas.

5. Missão
Evangelização, plantação e revitalização de igrejas, compaixão, justiça e serviço.

Essas áreas não podem ser separadas.

O conhecimento deve produzir caráter.

O caráter deve orientar as competências.

As competências devem servir à comunidade.

E toda a comunidade deve participar da missão de Deus.

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✅ CONCLUSÃO

Uma comunidade cristã saudável não é formada apenas por bons programas, líderes carismáticos ou estratégias eficientes.

Ela é formada pela graça de Deus, por meio da Palavra, do Espírito, dos meios de graça e do ministério de todo o corpo de Cristo.

Pastores bem preparados têm uma responsabilidade decisiva nesse processo. Eles não são donos da igreja nem a única fonte de sua saúde, mas foram chamados para:

📖 guardar o evangelho;
📖 ensinar a verdade;
❤️ cuidar das pessoas;
🤝 equipar os santos;
🌍 conduzir a comunidade na missão.

Investir na formação pastoral é investir:

🔹 na fidelidade doutrinária da igreja;
🔹 na maturidade dos discípulos;
🔹 na santidade da comunidade;
🔹 na qualidade dos relacionamentos;
🔹 na proteção contra abusos e erros;
🔹 no desenvolvimento de novos líderes;
🔹 na continuidade da missão.

📍 EM RESUMO

Boa teologia produz uma visão verdadeira de Deus.

Uma visão verdadeira de Deus forma uma espiritualidade saudável.

Uma espiritualidade saudável produz caráter santo.

Um caráter santo gera relacionamentos de amor e serviço.

E uma comunidade de amor e serviço torna-se testemunha fiel do evangelho no mundo.

“A formação teológica do pastor não termina nele. Ela se transforma na fé, no caráter, na cultura e na missão da comunidade que ele serve.”

(Autor Bispo José Ildo Swartele de Mello)

Cuidado com a linguagem que usamos no ministério+

Aos pastores, pastoras e líderes da Igreja Metodista Livre

Graça e paz, amados irmãos e irmãs.

Escrevo-lhes com apreço, respeito e senso de responsabilidade pastoral a respeito de um tema que merece nossa atenção: o cuidado com a linguagem que usamos no ministério, especialmente quando falamos sobre cura, unção, bênção, multiplicação, autoridade espiritual e ação do Espírito Santo.

Nós cremos no Deus que cura. Cremos no poder do Espírito Santo. Cremos que o Senhor continua agindo em resposta à oração da fé. Cremos que a igreja deve orar pelos enfermos, ungir com óleo quando apropriado e interceder com confiança, conforme a orientação bíblica: “Está alguém entre vocês doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor” (Tg 5.14).

Portanto, o problema não está em orar por cura, nem em crer na ação poderosa de Deus. O ponto que desejo destacar é outro: precisamos cuidar para que nosso modo de falar seja bíblico, cristocêntrico, pastoralmente responsável e coerente com a doutrina e a tradição metodista livre.

Expressões como “vamos liberar unção de cura” ou “vamos liberar unção de multiplicação” podem parecer, à primeira vista, apenas frases de entusiasmo espiritual. Contudo, elas podem transmitir ideias teológicas preocupantes. Podem sugerir que a unção está sob controle humano, como se o pastor ou o líder tivesse poder próprio para liberar uma força espiritual. Podem também deslocar a atenção de Cristo para o ministro, do senhorio de Deus para a performance do líder, da graça para a experiência, da fé bíblica para uma expectativa de resultados imediatos.

A Escritura nos ensina que o Espírito Santo distribui seus dons “como lhe apraz” (1Co 12.11). O ministro não controla o Espírito; submete-se a Ele. O pastor não libera a graça; anuncia a graça. Não manipula a unção; ora em nome do Senhor. Não garante resultados; intercede com fé, humildade e reverência. Não promete aquilo que Deus não prometeu de modo absoluto; conduz o povo a confiar na bondade, na sabedoria e na soberania de Deus.

Também precisamos ter cuidado com a expressão “multiplicação”. Se estamos falando da multiplicação de discípulos, do fruto do Espírito, da generosidade, da santidade, do amor, da missão e do serviço, estamos em terreno profundamente bíblico. Mas, se essa linguagem for associada a promessas de prosperidade material, aumento financeiro garantido ou sucesso automático, ela se aproxima perigosamente de uma teologia estranha à nossa tradição.

A tradição metodista livre sempre valorizou a santidade bíblica, a simplicidade, a generosidade, a missão entre os pobres, a responsabilidade moral, a integridade no uso dos recursos e o compromisso com a transformação de vidas. Nossa herança não é triunfalista. É uma espiritualidade de fé, amor, santidade, serviço e esperança. Cremos que Deus pode curar, mas não ensinamos que toda enfermidade será removida imediatamente. Cremos que Deus supre, mas não reduzimos o evangelho a prosperidade. Cremos que Deus abençoa a obra de nossas mãos, mas não tratamos a bênção como resultado automático de declarações, decretos ou fórmulas espirituais.

Paulo orou para que Deus removesse seu “espinho na carne”, mas ouviu do Senhor: “A minha graça é o que basta para você” (2Co 12.9). Timóteo enfrentava enfermidades frequentes (1Tm 5.23). Trófimo foi deixado doente em Mileto (2Tm 4.20). Esses textos não negam a cura divina; apenas nos ensinam a não transformar a cura em promessa automática nem em sinal obrigatório de espiritualidade superior.

Por isso, peço aos nossos pastores, pastoras e líderes que cultivem uma linguagem mais bíblica, mais reverente e mais alinhada com nossa identidade metodista livre. Em vez de dizer “vamos liberar unção de cura”, digamos: “vamos orar pelos enfermos, pedindo que o Senhor manifeste sua graça, cura, consolo e fortalecimento”. Em vez de dizer “vamos liberar multiplicação”, digamos: “vamos clamar para que Deus frutifique nossa missão, multiplique discípulos, desperte generosidade e supra as necessidades do seu povo”.

Essa mudança não é apenas uma questão de palavras. Linguagem forma mentalidade. Mentalidade forma espiritualidade. Espiritualidade forma a igreja. Se usamos linguagem imprecisa, podemos, ainda que sem intenção, conduzir o povo a uma compreensão equivocada da fé cristã. Mas, se usamos uma linguagem bíblica e pastoralmente cuidadosa, ajudamos a igreja a crescer em maturidade, equilíbrio e santidade.

Como metodistas livres, somos chamados a pregar o evangelho pleno, a anunciar a graça de Deus oferecida a todos, a chamar o povo ao arrependimento, à fé, à nova vida em Cristo e à santidade de coração e vida. Somos chamados a depender do Espírito Santo, mas nunca a tratá-lo como uma força manipulável. Somos chamados a orar com fé, mas também com humildade. Somos chamados a esperar grandes coisas de Deus, mas sem criar expectativas irresponsáveis ou promessas que a Escritura não autoriza.

O povo confiado aos nossos cuidados precisa de pastores que alimentem fé verdadeira, não ilusão; esperança bíblica, não triunfalismo; vida no Espírito, não dependência de experiências emocionais; confiança em Cristo, não fascinação por linguagem de poder.

Assim, exorto amorosamente cada pastor, pastora e líder: cuidemos da nossa linguagem. Cuidemos da doutrina. Cuidemos do rebanho. Que nossas palavras conduzam a igreja para Cristo, para a Palavra, para a oração, para a santidade, para a missão e para a maturidade espiritual.

Nós oramos; Deus cura.
Nós intercedemos; Deus age.
Nós pregamos; Deus salva.
Nós servimos; Deus frutifica.
Nós pastoreamos; Cristo continua sendo o Supremo Pastor da igreja.

Que o Senhor nos dê discernimento, equilíbrio, fidelidade bíblica e renovada dependência do Espírito Santo.

Com apreço pastoral,

Bispo Ildo Mello

(Autor Bispo José Ildo Swartele de Mello)

Orientações Pastorais sobre a Recepção de Fiéis Oriundos da Tradição Católica Romana e a Validade do Batismo Cristão+

No exercício do ministério pastoral, é comum recebermos pessoas oriundas da tradição católica romana que passam a congregar em nossas igrejas e desejam integrar-se formalmente à comunhão da igreja local. Nesse contexto, surge uma questão inevitável: deve-se reconhecer como válido o batismo anteriormente recebido, ou é necessário um novo batismo?

Trata-se de um tema com implicações bíblicas, teológicas, eclesiológicas e pastorais de grande alcance. A forma como lidamos com ele revela nossa compreensão do significado do batismo, da natureza da igreja e da ação da graça de Deus.

À luz das Escrituras, da herança da Reforma e da tradição metodista, entendemos que o batismo cristão administrado com água e em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo deve ser reconhecido como válido, ainda que tenha sido ministrado no contexto da Igreja Católica Romana. Isso vale também quando esse batismo foi administrado na infância, pois, como metodistas livres, reconhecemos a legitimidade do batismo infantil como sinal da graça de Deus e da inserção na comunidade da aliança.

Portanto, a recepção desses fiéis à membresia da igreja não exige rebatismo, mas deve ocorrer por meio de profissão de fé, recepção formal de membros, confirmação pública da fé ou renovação dos votos batismais, conforme o caso.

1. O Batismo como Sacramento da Iniciação Cristã

O batismo é o sacramento da iniciação cristã. É sinal visível da graça invisível de Deus, testemunho da aliança divina e selo da incorporação do crente ao Corpo de Cristo. Não se trata de mera cerimônia externa nem de simples ato de filiação denominacional, mas de um ato sagrado, instituído por Cristo, por meio do qual Deus confirma visivelmente sua promessa.

Na tradição cristã, o batismo sempre ocupou lugar central na vida da igreja. Ele aponta para a união com Cristo, para a participação em sua morte e ressurreição, para a entrada na comunidade da fé e para o chamado a uma vida de discipulado e santidade.

Por isso, qualquer reflexão pastoral sobre a recepção de novos membros deve partir de uma visão elevada do sacramento. O batismo não pertence a uma denominação específica: ele pertence a Cristo e à sua igreja.

2. Fundamentação Bíblica para a Unicidade do Batismo

A compreensão de que o batismo cristão não deve ser repetido está firmemente alicerçada nas Escrituras. Paulo afirma: “há um só Senhor, uma só fé, um só batismo” (Ef 4.5). Essa declaração emerge de um contexto em que o apóstolo exorta a igreja a preservar “a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef 4.3).

O sentido é claro: assim como há um só Senhor e uma só fé, há também um só batismo cristão. O batismo é sinal de unidade, não de fragmentação; de incorporação a Cristo, não de vinculação exclusiva a uma tradição denominacional. Repeti-lo sem necessidade real compromete esse testemunho e obscurece a verdade que o próprio sacramento proclama.

3. A Validade do Batismo Trinitário

Do ponto de vista bíblico e teológico, deve ser reconhecido como batismo cristão válido aquele que foi administrado com água, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, com intenção de ministrar o batismo cristão.

Quando esses elementos essenciais estão presentes, não nos cabe invalidar o ato pelo simples fato de ele ter ocorrido em outra tradição eclesiástica. A validade do sacramento não depende da pureza absoluta da instituição que o administra nem da perfeição espiritual do ministro. Sua eficácia repousa na fidelidade de Deus, que age segundo sua promessa.

Essa compreensão nos guarda de dois erros opostos. O primeiro é o sectarismo, que trata o batismo como patrimônio exclusivo de uma denominação. O segundo é o subjetivismo, que torna a validade do sacramento dependente do grau de consciência ou maturidade espiritual do batizando no momento em que o recebeu. Ambos os desvios empobrecem a teologia sacramental e dificultam o pastoreio fiel.

4. O Testemunho da Reforma: O Exemplo de Lutero

A história da Reforma confirma esse entendimento. Martinho Lutero, embora tenha rompido com Roma em questões doutrinárias profundas, não considerou inválido o batismo que havia recebido na Igreja Católica. Ele não foi rebatizado.

Isso não foi um detalhe irrelevante, mas uma expressão coerente de sua teologia sacramental. Lutero compreendeu que o batismo é dom de Deus, e não propriedade institucional de Roma. Se realizado de modo cristão — com água e sob a invocação do Deus triúno —, não deveria ser repetido.

Esse ponto merece atenção: o reconhecimento do batismo trinitário recebido no catolicismo não é concessão ao romanismo, mas fidelidade a uma convicção reformada histórica. Deus permanece fiel à sua promessa mesmo em contextos eclesiásticos marcados por limitações e erros.

5. A Perspectiva Wesleyana e Metodista

A tradição wesleyana sempre valorizou profundamente o batismo como meio de graça. Sem reduzi-lo a algo mágico ou automático, também não o trata como símbolo vazio. O batismo é sinal da aliança, meio pelo qual Deus comunica graça, chama à fé e introduz a pessoa na comunidade visível do povo de Deus.

Dentro dessa compreensão, não há razão para rebatizar quem já recebeu o batismo cristão trinitário. A graça de Deus não precisa ser refeita, como se tivesse falhado. O que pode ser necessário, em muitos casos, não é um novo batismo, mas uma resposta pessoal mais consciente àquilo que Deus já havia objetivamente assinalado no sacramento.

Essa distinção é fundamental. Uma coisa é reconhecer que alguém só mais tarde compreendeu, pela fé, o valor e as implicações do batismo recebido. Outra, bem diferente, é concluir que o primeiro batismo foi inválido. A primeira afirmação pode ser verdadeira. A segunda, em regra, não é.

6. A Questão do Batismo Infantil

Esse ponto adquire peso particular quando consideramos que, como metodistas livres, praticamos o batismo infantil. Muitos crentes, especialmente influenciados por tradições credobatistas, questionam a eficácia ou a validade do batismo administrado a crianças. Por isso, ao tratar da recepção de fiéis vindos do catolicismo romano, é necessário abordar também essa questão.

Nossa compreensão é que o batismo não é apenas testemunho da fé humana, mas — antes de tudo — sinal da iniciativa da graça de Deus. Deus nos ama antes que o amemos (1Jo 4.19). Deus nos chama antes que saibamos responder plenamente. Deus toma a iniciativa da aliança.

Nesse sentido, o batismo infantil expressa uma verdade profundamente bíblica: a salvação começa na graça de Deus, não na capacidade humana. Assim como, na antiga aliança, as crianças eram incluídas no povo de Deus e recebiam o sinal da aliança (Gn 17.9–14), também na nova aliança os filhos dos crentes são apresentados pelos pais ao Senhor com fé, esperança e responsabilidade espiritual (At 2.38–39; Mc 10.13–16).

É verdade que o Novo Testamento enfatiza a necessidade de fé pessoal, arrependimento e discipulado consciente. E é justamente por isso que, na tradição metodista, o batismo infantil nunca é visto como garantia mecânica de salvação. Ele não suprime a necessidade de fé viva, confirmação pessoal, obediência e perseverança.

A criança batizada deverá, no tempo oportuno, confirmar pessoalmente a fé da igreja e assumir conscientemente os compromissos do Evangelho. Mas essa necessidade posterior de confirmação não invalida o batismo recebido. Antes, revela que o batismo aponta para uma graça que antecede, acompanha e convoca à resposta.

Portanto, o batismo infantil não dispensa a fé pessoal; ele a antecipa em forma de promessa, vocação e responsabilidade. É sinal de uma graça que chama a criança a crescer em Cristo dentro da comunidade da fé.

7. Respondendo à Objeção quanto à “Eficácia” do Batismo Infantil

Muitos objetam que o batismo infantil não pode ser eficaz porque a criança ainda não possui fé consciente. Esse argumento, contudo, parte de uma compreensão reduzida do batismo, como se ele fosse unicamente uma declaração humana de fé.

Na perspectiva wesleyana, o batismo é mais do que isso: é também sinal da ação de Deus. A eficácia do batismo não está em uma operação automática nem na consciência plena do batizando, mas na fidelidade de Deus à sua aliança e na realidade da graça preveniente, que antecede a resposta humana.

Isso não significa que o batismo infantil produza, por si só, regeneração garantida ou salvação consumada. Significa que ele é um verdadeiro meio de graça, um verdadeiro sinal da aliança e uma verdadeira consagração à comunidade pactual — exigindo, posteriormente, fé pessoal, apropriação consciente e perseverança em Cristo.

Negar toda validade ao batismo infantil tende a reduzir o sacramento a mero testemunho subjetivo do indivíduo. A tradição metodista, porém, preserva uma compreensão mais rica e mais bíblica: no batismo, Deus também age, Deus também fala, Deus também sela sua promessa. A resposta humana é indispensável — mas ela vem sempre como resposta à graça que tomou a iniciativa.

8. A Questão Pastoral da Consciência e da Experiência de Conversão

Em muitos casos, o desejo de “ser batizado de novo” não nasce de uma rejeição ao batismo anteriormente recebido, mas da necessidade de testemunhar publicamente uma experiência atual de conversão, renovação espiritual ou reconciliação com Deus. Frequentemente, o que a pessoa busca não é negar o passado, mas dar expressão visível à obra presente da graça em sua vida.

Nesses casos, uma cerimônia de memória e reafirmação do batismo anterior pode constituir uma resposta pastoral sábia, sensível e teologicamente adequada: ela reconhece e celebra a ação atual de Deus sem negar a validade do sacramento já recebido.

O pastor deve lidar com esse desejo com respeito, amor e discernimento. Uma resposta fria, meramente técnica ou autoritária não serve ao cuidado da alma. Por trás desse pedido, frequentemente há uma necessidade espiritual legítima: a pessoa deseja marcar de modo concreto sua entrega a Cristo, sua nova compreensão da fé ou seu retorno sincero à comunhão com Deus.

O papel pastoral é duplo. De um lado, acolher com gratidão o fervor espiritual, a sinceridade e a sede de Deus presentes nessa experiência. De outro, instruir a consciência da pessoa à luz das Escrituras e de uma teologia sã, ajudando-a a compreender que a autenticidade do batismo não depende da maturidade plena do batizando no momento em que o recebeu, mas da fidelidade de Deus, que toma a iniciativa da graça.

O que a pessoa vive no presente pode e deve ser compreendido não como motivo para repetir o sacramento, mas como amadurecimento da fé, apropriação consciente da graça recebida, confirmação pessoal dos compromissos do Evangelho e frutificação daquilo que Deus já havia assinalado sacramentalmente. Assim, a igreja preserva a verdade do batismo único e, ao mesmo tempo, oferece espaço legítimo para que o crente testemunhe, com alegria e reverência, a obra renovadora de Deus em sua vida.

9. Renovação dos Votos Batismais: Alternativa Pastoral Adequada

Quando alguém já foi batizado validamente, mas deseja fazer uma declaração pública de fé e compromisso em razão de sua experiência atual com Cristo, uma prática pastoral especialmente adequada é a renovação dos votos batismais ou a cerimônia de memória do batismo.

Essa celebração permite que a pessoa:

∙ confesse publicamente sua fé;

∙ renove seu compromisso com Cristo e com a igreja;

∙ testemunhe a obra de Deus em sua vida;

∙ reafirme conscientemente o significado do seu batismo.

Dessa forma, a igreja acolhe a experiência espiritual do fiel sem violar a doutrina do único batismo. Essa solução une verdade e sensibilidade, firmeza doutrinária e cuidado pastoral, clareza e acolhimento.

10. Diretrizes Práticas para a Recepção de Membros

À luz dessas considerações, estabelecemos as seguintes diretrizes pastorais:

a) Fiéis vindos da tradição católica romana já batizados de forma trinitária

Quando uma pessoa oriunda do catolicismo foi batizada com água e em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, seu batismo deve ser reconhecido como válido. Sua recepção na igreja pode ocorrer por profissão de fé, recepção formal de membros ou outro procedimento previsto pela disciplina eclesiástica.

b) Fiéis batizados na infância de forma trinitária

Quando alguém recebeu o batismo na infância — seja na tradição católica romana, seja em outra tradição cristã trinitária —, não deve ser rebatizado. O caminho pastoral adequado é a profissão pessoal de fé, a confirmação pública dessa fé e a assunção consciente dos compromissos cristãos.

c) Fiéis que desejam “rebatismo” em razão de uma conversão posterior

Quando houver desejo de novo batismo motivado por uma experiência posterior de conversão ou renovação espiritual, o pastor deve explicar, com amor e clareza, que o caminho mais adequado não é a repetição do sacramento, mas a cerimônia de memória e reafirmação do batismo anterior, acompanhada de profissão pessoal de fé e renovação de compromissos cristãos.

d) Pessoas convertidas que nunca receberam batismo cristão

Nesse caso, deve-se administrar o batismo cristão, em obediência à ordenança de Cristo (Mt 28.19).

e) Casos em que o rito anterior não foi trinitário

Se o rito anteriormente recebido não foi realizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ou não corresponde de fato ao batismo cristão, não se trata de rebatismo, mas da própria administração do batismo cristão pela primeira vez.

11. Implicações Eclesiológicas e Pastorais

Reconhecer o batismo trinitário recebido no catolicismo romano — inclusive quando ministrado na infância — é confessar, na prática, que Deus não está limitado às fronteiras visíveis de nossa denominação. É afirmar que a graça de Deus age de maneira mais ampla do que nossos limites institucionais.

Isso não implica concordância com todos os ensinos e práticas da Igreja Católica Romana. Significa apenas reconhecer que, no tocante ao batismo cristão trinitário, não nos compete anular aquilo que Deus já assinalou.

Essa postura favorece a unidade da igreja (Jo 17.21; Ef 4.3–6), evita escândalos desnecessários, corrige tendências sectárias e fortalece a maturidade doutrinária do povo de Deus. Pastoralmente, também comunica segurança, equilíbrio e reverência diante das coisas sagradas.

Conclusão

A recepção de fiéis oriundos da tradição católica romana sem exigência de rebatismo é uma postura biblicamente responsável, teologicamente sólida, historicamente coerente e pastoralmente sábia. Isso se aplica também aos que receberam batismo infantil trinitário, pois, em nossa compreensão metodista livre, o batismo é sinal da graça de Deus e da inserção na comunidade da aliança — ainda que a fé pessoal deva ser posteriormente confirmada de modo consciente.

Ao reconhecer o batismo anteriormente recebido, afirmamos que o sacramento pertence a Cristo, que a promessa de Deus é fiel e que a graça divina antecede e chama à resposta humana. Ao mesmo tempo, ao oferecer caminhos pastorais como a profissão pessoal de fé, a renovação dos votos batismais e a cerimônia de memória e reafirmação do batismo, a igreja acolhe com sensibilidade aqueles que desejam testemunhar publicamente a obra atual de Deus em sua vida — sem comprometer a convicção bíblica de que “há um só batismo” (Ef 4.5).

Como pastores e líderes, somos chamados a guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz — honrando a verdade do Evangelho e exercendo o pastoreio com graça, firmeza e sabedoria (Ef 4.3).​​​​​​​​​​​​​​​​

(Autor Bispo José Ildo Swartele de Mello)