Estudos do Bispo Ildo · Wesley e Metodismo

João Wesley

30 estudos

← Voltar a Wesley e Metodismo

Clique no título para abrir o texto completo.

OS PRINCÍPIOS DE UM METODISTA+

Por Bispo Ildo Mello, baseado na obra de John Wesley The Principles of a Methodist Farther Explained (1746).

1. A ESSÊNCIA DA RELIGIÃO METODISTA: AMOR E FÉ

A verdadeira religião não é um conjunto de regras exteriores, mas amor a Deus e ao próximo.

Esse amor só nasce pela fé: uma confiança viva e experimental em Deus.

Sem essa fé, o amor verdadeiro não pode existir.

“A fé é a vereda direta que conduz à religião do amor.” (§5)

2. O QUE É FÉ SEGUNDO WESLEY?

Não é apenas crer em doutrinas.

É experiência espiritual real que dá:

Visão espiritual: "vemos o invisível" (Hb 11.27).

Audição espiritual: ouvimos a voz de Deus (Jo 5.25).

Sabor espiritual: provamos a bondade de Deus (Sl 34.8).

Sensibilidade espiritual: sentimos a presença constante de Deus (At 17.28).

Essa fé transforma o interior, gera paz, alegria e santificação.

“A fé é a sensibilidade espiritual implantada em toda alma nascida de Deus.” (§6-7)

3. A FÉ É DOM GRATUITO DE DEUS

A fé não vem do esforço humano, mas da graça soberana de Deus.

É concedida aos pecadores, aos que reconhecem sua miséria e clamam por misericórdia.

Não há mérito prévio — é dom livre, imerecido e preveniente.

“É dom de Deus.” (Ef 2.8; §9-11)

4. A RELIGIÃO É RAZOÁVEL

Wesley defende que o evangelho é racional porque:

Está de acordo com a natureza de Deus (amor, justiça, santidade).

Leva o homem ao seu fim próprio: comunhão com Deus.

A verdadeira fé não contradiz a razão, mas a aperfeiçoa e a ilumina.

“A religião que pregamos é conforme à razão eterna.” (§28)

5. GRAÇA PREVENIENTE, OPERANTE E SANTIFICADORA

Deus atua:

Antes: preveniente.

Durante: operante.

Depois: perseverante.

Toda boa obra depende dessa ação de Deus no coração.

“Negar isso seria negar a própria experiência de miríades.” (§32)

6. O OBJETIVO: RESTAURAÇÃO DA IMAGEM DE DEUS

A fé visa restaurar no homem:

Conhecimento, amor e obediência a Deus.

A imagem moral de Deus em santidade prática.

O amor cumpre toda a Lei (Rm 13.10).

“Fazer o homem novamente à semelhança de Deus.” (§30)

7. RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL: FAZER PROVA DA FÉ

Cada um deve examinar-se:

Não seguir opiniões alheias.

Experimentar a fé viva por si mesmo.

“Provai e vede.” (§35)

8. POR QUE TANTOS REJEITAM ESSA FÉ?

O orgulho humano resiste:

Ao negar o mérito próprio.

À humilhação diante da cruz de Cristo.

Ao custo de abandonar o pecado.

“A cruz é tropeço e loucura para muitos.” (1Co 1.23; §39)

9. O PERIGO DO FORMALISMO RELIGIOSO

Muitos têm:

Forma de piedade, mas sem poder.

Profissão de fé sem verdadeira conversão.

Vida cristã apenas exterior.

“Não digais paz enquanto o coração estiver vazio de amor.” (§47)

10. UNIDADE PASTORAL E MISSIONÁRIA

Os ministros devem:

Pregar com autoridade e amor.

Trabalhar unidos pela salvação de todos.

Alegrar-se onde Cristo é pregado, por quem for.

“Que importa quem lança a rede, desde que o Senhor encha o barco?” (§45)

11. RESUMO FINAL DE UM METODISTA

Fé que opera pelo amor.

Esperança firmada na promessa.

Amor que se derrama em serviço.

“Não temos outra religião, nem desejamos outra.” (§48)

12. A ORAÇÃO DE ENCERRAMENTO DE WESLEY

Wesley conclui rogando:

Que Deus aperfeiçoe, firme e fortaleça o seu povo.

Que todos cheguem à maturidade de Cristo (Ef 4.13-15).

Que a graça de Cristo esteja com todos.

PRINCÍPIOS DE UM METODISTA — MAIS EXPLICADOS Ocasionado pela Segunda Carta do Rev. Sr. Church a Mr. Wesley Redigido em forma de Segunda Carta àquele Cavalheiro Quando li sua carta anterior, já esperava receber outra, e tal expectativa não me desagradava. Julgava que uma nova correspondência me daria oportunidade de reexaminar convicções talvez abraçadas com excessiva leveza, bem como atitudes que eu, porventura, não considerara de modo suficiente. Nessa perspectiva, não o tenho por inimigo, mas antes por amigo – e, em certos aspectos, mais apto a prestar‑me verdadeiro serviço do que aqueles a quem o mundo chama amigos, mas que, por nutrirem simpatia exagerada, deixam de notar o que merece repreensão ou de usar a franqueza necessária para convencer‑me disso.

É, ao menos em igual medida, para aprender eu mesmo quanto para expor aos outros aquilo que julgo ser a verdade que registro algumas reflexões sobre passagens do escrito que recentemente publicou. Digo algumas passagens, pois não tenciono responder a cada frase – nem aqui, nem em sua carta anterior. Omito muitas coisas porque as considero corretas; outras, por julgá‑las de pouca relevância; e várias, porque estou resolvido a não entrar numa controvérsia inútil, se não perniciosa.

Um dos motivos que me levam a evitar tal controvérsia é o temor – não de meu oponente, mas de mim mesmo. Receio o meu próprio espírito, não vá eu "cair onde muitos, bem mais poderosos, já foram vencidos". Raras vezes vi alguém envolver‑se em polêmica com espírito verdadeiramente cristão. Todo debatedor parece crer, como soldado em campo de batalha, que pode – e deve – ferir o adversário o quanto lhe seja possível; que, contanto não distorça propositadamente os fatos, precisa expô‑lo ao ridículo, se quiser defender da melhor forma sua própria causa. Julga suficiente não demonstrar abertamente ira ou paixão; mas abster‑se de menosprezar o rival, ou de induzir os demais a fazê‑lo, parece‑lhe obra de supererogação.

Contudo, deveriam as coisas ser assim? (Falo no âmbito do cristianismo.) Não nos ordena o mandamento amar o próximo como a nós mesmos? E deixa o homem de ser nosso próximo por abraçar opinião diversa – e mesmo por declará‑lo abertamente? Não devemos proceder para com ele como desejaríamos que procedessem conosco? Ora, agradar‑nos‑ia ser retratados sob a pior luz possível? Gostaríamos de receber tratamento de desprezo? Se não, por que tratar outrem dessa maneira? Todavia, quem hesita em fazê‑lo? Quem, em debate, deixa de explorar cada falha – ainda que alheia ao mérito da questão? Quem cobre, com o manto do amor, a nudez de seu irmão em plena controvérsia?

Esta religião — amor que transborda em obras de paz e bem‑aventurança — temos nós perseguido por longos anos; muitos o sabem, se quiserem testificar. Durante todo esse tempo, contudo, buscávamos sabedoria e não a achávamos; gastávamos nossas forças em vão. Convictos disto, declaramo‑lo a todos: não desejamos que outros se desviem do caminho como nós nos desviamos. Antes, rogamos que se aproveitem de nossa perda e sigam (ainda que nós não o fizéssemos, por carecermos então de quem nos guiasse) a vereda direta que conduz à religião do amor — a vereda da fé.

Ora, a fé, pressupostas as Escrituras como Palavra de Deus, é "a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem" (Hb 11.1)1— a evidência sobrenatural de realidades invisíveis aos sentidos naturais. Pela fé o homem espiritual discerne Deus e as coisas de Deus; com respeito ao mundo espiritual, ela é aquilo que o sentido é para o mundo natural — a própria sensibilidade espiritual implantada em toda alma nascida de Deus.

Talvez nunca a tenhas considerado dessa forma; permita‑me, pois, explanar um pouco mais. A fé, segundo a Escritura, é o olho da alma regenerada: mediante ela "vemos aquele que é invisível" (Hb 11.27). Em especial depois que vida e imortalidade foram trazidas à luz pelo evangelho, contemplamos "a luz da glória de Deus na face de Jesus Cristo" (2 Co 4.6) e exclamamos, maravilhados, que amor é esse que o Pai nos concedeu, "a ponto de sermos chamados filhos de Deus" (1 Jo 3.1). — É o ouvido da alma, pelo qual o pecador escuta a voz do Filho de Deus e vive (Jo 5.25). — É o paladar da alma: assim o crente "saboreia a boa palavra e os poderes do mundo vindouro" (Hb 6.5), provando e vendo que o Senhor é bom (Sl 34.8). — É o tato da alma, pelo qual sentimos, sob a sombra do Altíssimo, não só a existência mas a presença constante daquele em quem vivemos, nos movemos e existimos (At 17.28); e, em particular, experimentamos "o amor de Deus derramado em nossos corações" (Rm 5.5).

Por essa fé somos salvos de toda inquietação da mente: da angústia de espírito, do descontentamento, do medo e da tristeza, bem como daquela indizível apatia e cansaço — do mundo e de nós mesmos — que por tantos anos nos oprimiram, sobretudo nos momentos de silêncio e reflexão. Nela encontramos o amor de Deus e do próximo que buscáramos em vão noutras partes. Isto conhecemos e sentimos: que tal fé liberta quem a recebe de todo pecado e miséria, e de todo temperamento infeliz e impuro.

"Suave paz ela traz onde chega; Constrói nosso sossego ao moldar nossa vida; Aplainando as sendas ásperas da natureza irascível, Abre em cada peito um pequeno céu."2 Se alguém perguntar: “Por que, então, todos não possuem essa fé? Ao menos aqueles que reconhecem quão feliz ela é? Por que não creem imediatamente?” Respondemos — partindo da hipótese bíblica — que “ela é dom de Deus”. Ninguém pode produzi-la em si mesmo: trata-se de uma obra de onipotência. Não requer menos poder vivificar uma alma morta do que levantar um corpo sepultado. É uma nova criação; e ninguém pode recriar uma alma senão Aquele que, no princípio, criou os céus e a terra.

A própria experiência não lhe confirma isso? Consegue você conceder-se essa fé? Está em seu poder ver, ouvir, provar ou sentir Deus? Já possui, ou pode gerar em si, alguma percepção do Criador ou do mundo invisível? Duvido que negue a existência desse mundo; nem atribuirá ao “preconceito cristão” as palavras do velho Hesíodo:

“Milhões de seres espirituais percorrem a terra, Invisíveis, quer vigiemos, quer durmamos.”

Há em sua alma alguma força capaz de discernir tais seres — ou Aquele que os fez? Pode toda a sua sabedoria abrir interlocução com o reino dos espíritos? Está em seu poder rasgar o véu que cobre o coração e deixar entrar a luz da eternidade? Você sabe que não. Não apenas não o faz, mas não pode fazê-lo pela própria força; e quanto mais se esforçar, tanto mais se convencerá de que “é dom de Deus.”

É um dom gratuito, concedido não aos dignos de favor, nem aos já santos, como se fossem merecedores das bênçãos divinas; mas aos ímpios e profanos, a quantos, até aquele momento, estavam aptos apenas para a perdição eterna — homens em quem não havia bem algum e cujo único clamor era: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador!” Nenhum mérito antecede o amor perdoador de Deus. A sua misericórdia pressupõe apenas o reconhecimento de pura miséria. E a todos os que veem e sentem suas carências — e sua total incapacidade de supri-las — Deus concede livremente a fé por causa daquele em quem Ele sempre “tem todo o seu prazer.”

Eis, em traços largos e simples, a doutrina que ensinamos. Estes são os nossos princípios fundamentais, nos quais empenhamos a vida para confirmar outros — e para viver de maneira coerente com eles. Se você é homem ponderado, ainda que negue ser o cristianismo de origem divina, ponha a mão no peito e considere: que há aqui a condenar? Que mal lhe fizemos para que se junte ao clamor popular contra nós? Por que dizer: “Fora com tais homens da terra; não convém que vivam?”…

É verdade que o vosso juízo não concorda com o nosso. Nós cremos que as Escrituras provêm de Deus; vós o negais. E como vos defendeis dos que vos acusam de incredulidade? Não respondeis que “cada um deve julgar segundo a luz que possui” e que, “se for fiel a essa luz, não pode ser condenado”? Pois bem, aplicai o mesmo critério a nós. Não devemos também julgar segundo a luz que temos? Não podeis condenar‑nos sem vos incluirdes na mesma condenação. De acordo com a luz que possuímos, não podemos senão crer que a Escritura é divina; e, enquanto assim cremos, não ousamos desviar‑nos dela, nem para a direita nem para a esquerda.

Consideremos um pouco mais. Vós credes que há um Deus, e o testemunho disso está no vosso íntimo; talvez, por vezes, tremais diante dele. Credes igualmente que há bem e mal, diferença moral entre ambos; logo, deveis admitir a existência de consciência — isto é, que todo ser capaz de reflexão sabe, ao examinar seus atos, se foram bons ou maus. Necessariamente também admitis que cada um deve ser guiado pela própria consciência, não pela de outrem. Até aqui, podeis avançar sem vos tornar “voluntário na fé”.

Ora, se existe um Deus justo e bom — atributos inseparáveis da ideia de Deus — que “recompensa os que o buscam diligentemente”, não devemos fazer tudo quanto cremos ser‑lhe agradável? Notai: se cremos, se estamos plenamente persuadidos disto, não devemos buscá‑lo com todo empenho? Caso contrário, como esperar qualquer recompensa de suas mãos?

Ainda: não devemos praticar o que julgamos moralmente bom e abster‑nos do que reputamos mau? Por bom entendo tudo quanto promove o bem‑estar humano, fomenta a paz e a boa‑vontade entre os homens; por mau, o contrário disso. Como, pois, poderíeis condenar nosso esforço — dentro de nossas forças — de tornar a humanidade mais feliz (refiro‑me apenas a esta vida presente), diminuir suas dores e ensinar a todos, em qualquer estado, a estarem contentes?

Mais uma vez: seremos guiados por nossa própria consciência ou pela de outrem? Certamente não direis que a consciência de alguém possa suplantar a minha. Vós mesmos não pleiteareis que nos roubem aquilo que reivindicais para vós: o direito inalienável de julgamento privado. Sabeis bem que, se não seguirmos fielmente os ditames de nossa mente, não poderemos ter consciência sem ofensa diante de Deus e dos homens.

Portanto, segundo os vossos próprios princípios, deveis, ao menos, considerar‑nos inocentes. Tendes dificuldade nisso? Falais tanto de preconceito; acautelai‑vos para que não estejais enredados nele! Não estais predispostos contra nós precisamente porque cremos — e defendemos com vigor — aquilo que combateis? Não nos considerais vossos inimigos por presumirdes que o sejamos? Deus me livre! Recordo‑me de ter visto certa vez um homem, outrora próspero, reduzido à extrema miséria. Jazia enfermo, em dores lancinantes, sem alimento conveniente nem um amigo que o consolasse; de modo que, quando o senhorio, para completar o infortúnio, enviou alguém para lhe tomar a cama, não me surpreendeu que ele tentasse pôr fim a tão miserável existência. Ao contemplá‑lo banhado em sangue, poderia eu irar‑me contra ele? Decerto que não — tampouco contra vós. Não posso odiar‑vos; só posso erguer o coração a Deus por vós, como fiz por ele, e, com lágrimas silenciosas, suplicar ao Pai das misericórdias que vos olhe em vosso sangue e vos diga: “Vive!”.

“Senhor” — disse‑me aquele infeliz em nosso primeiro encontro — “desprezo enganar‑vos ou a qualquer outro. Não me faleis de vossa Bíblia; não creio numa só palavra dela. Sei que há um Deus e creio que ele é tudo em tudo, o Anima mundi, Totam Mens agitans molem, et magno se corpore miscens.

Nada além disso creio: tudo é treva; meu pensamento perde‑se. Mas ouvi dizer que pregais a grandes multidões todas as manhãs e noites. O que pretendeis fazer com elas? Para onde quereis conduzi‑las? Que religião pregais? Para que serve?” Respondi: “Pregarei, sim, a todos quantos desejem ouvir. Perguntais o que pretendo: torná‑los virtuosos e felizes, tranquilos em si mesmos e úteis aos outros. Para onde os conduzo? Ao céu, a Deus, justo e amoroso, e a Jesus, Mediador da nova aliança. Que religião prego? A religião do amor, a lei da bondade revelada pelo evangelho. Para que serve? Para fazer todos os que a recebem desfrutarem de Deus e de si mesmos; para torná‑los semelhantes a Deus — amantes de todos —, satisfeitos na vida e capazes de bradar, na morte, em serena certeza: ‘Onde está, ó morte, a tua vitória? Graças a Deus, que me dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo!’”

Opor‑se‑ão, acaso, a tal religião alegando que não é razoável? Não é razoável amar a Deus? Não foi ele quem vos deu vida, respiração e todas as coisas? Não continua demonstrando amor, enchendo vosso coração de alimento e alegria? Que possuís que dele não tenhais recebido? E o amor não exige retribuição de amor? Quer o ameis ou não, não podeis negar que é razoável fazê‑lo — e, sendo ele a fonte de todo bem, amá‑lo com todo o coração.

Não é igualmente razoável amar o nosso próximo – todo ser humano que Deus criou? Acaso não somos irmãos, filhos de um mesmo Pai? Devemos, pois, amar‑nos mutuamente. E havemos de amar apenas quem nos ama? Seria isso imitar nosso Pai que está nos céus? Ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e envia chuva sobre justos e injustos. E haverá regra mais equitativa do que esta: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19.18)? Vós certamente defenderíeis a razoabilidade disso, bem como daquela regra áurea — único padrão adequado do amor fraternal em todas as nossas palavras e ações: “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei‑lhes vós também” (Mt 7.12).

Ora, não é igualmente razoável que, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos — não apenas aos amigos, mas também aos inimigos; não só aos dignos, mas igualmente aos maus e ingratos? Não seria correto que toda a nossa vida fosse um contínuo labor de amor? Se um dia se passa sem fazermos o bem, não poderíamos, com o imperador Tito, exclamar:

Amici, diem perdidi!

E será bastante apenas alimentar o faminto, vestir o nu, visitar o enfermo ou o preso? Não teríamos compaixão daqueles Que gemem sob a mancha horrenda da culpa, Pior cativeiro, corrente mais pesada?

Devemos fechar o coração para os mais miseráveis dos homens só porque são desventurados por culpa própria? Se encontramos um remédio até para tal enfermidade, não devemos, tendo recebido de graça, dá‑lo de graça? Não devemos arrancá‑los como tições tirados do fogo — fogo de luxúria, ira, malícia, vingança? No íntimo de vosso ser respondeis: “Sim, isso deve ser feito; é razoabilíssimo.”

Este é, pois, o resumo de nossa pregação e de nossa vida, como os próprios adversários reconhecem. Se, portanto, julgais razoável amar a Deus, amar o ser humano e fazer o bem a todos, não podeis negar que a religião que pregamos e vivemos concorda plenamente com a mais elevada razão.

Talvez suporteis tudo isto. É tolerável; e, se falássemos apenas em ser salvos pelo amor, não teríeis grande objeção. Mas não compreendeis o que dizemos acerca de ser salvos pela fé. Bem sei que não compreendeis. Não tendes a mínima ideia do que queremos dizer com tal expressão. Sede pacientes, pois, e vo‑lo explicarei novamente. Pelas palavras “somos salvos pela fé” entendemos que, no exato momento em que alguém recebe a fé anteriormente descrita, é salvo da dúvida, do medo e da tristeza do coração — mediante uma paz que excede todo entendimento; é salvo do peso de um espírito contrito — mediante um gozo indizível; e é salvo de seus pecados, quaisquer que fossem, dos desejos viciosos tanto quanto das palavras e ações, pelo amor de Deus e de toda a humanidade agora derramado em seu coração.

Concedemos que nada parece mais irracional do que supor que efeitos tão grandiosos possam ser produzidos por aquela coisa pobre, vazia e insignificante que o mundo chama fé — e vós entre eles. Mas, admitindo que exista na terra tal fé como a de que fala o Apóstolo, esse intercâmbio entre Deus e a alma — o que seria impossível a tal fé? Vós mesmos podeis conceber que “tudo é possível ao que crê” (Mc 9.23); ao que “anda com Deus”, sendo já cidadão do céu, habitante da eternidade. Portanto, se quereis contender conosco, precisais mudar o terreno de ataque: devereis negar categoricamente que exista fé sobre a terra — o que talvez vos pareça passo demasiado largo. Não o podeis fazer sem condenação secreta no peito. Ah! que clameis a Deus por esse dom celeste, por meio do qual somente essa religião verdadeiramente razoável — esse amor benfazejo a Deus e ao próximo — pode ser plantado em vosso coração.

Direis: “Mas os que professam tal fé são os mais irracionais dos homens.” Pergunto: Quem são esses que professam assim? Talvez não conheçais pessoalmente um só no mundo. Quem se atreve a dizer possuir esta “evidência das coisas que se não veem” (Hb 11.1); a declarar que “vê o Invisível”, que ouve a voz de Deus e tem o Espírito continuamente “testemunhando com o seu espírito que é filho de Deus” (Rm 8.16)? Temo que encontrareis poucos — mesmo entre os incontáveis chamados crentes — que cheguem a professar tal fé.

“Contudo”, dizeis, “há cristãos em demasia.” Sim, Deus o sabe — demasiados que desmentem suas vãs profissões com todo o teor de vida. Concedo‑vos tudo o que disserdes — e talvez mais. Há alguns anos, fui inadvertidamente envolvido numa conversa com uma senhora de forte raciocínio que, a princípio, alegava a maldade dos índios americanos como obstáculo à esperança de convertê‑los ao cristianismo. Quando, porém, mencionei sua temperança, justiça e veracidade (segundo relatos que então possuía), ela replicou: “Ora, se esses pagãos são tais homens, o que ganhariam tornando‑se cristãos? Que proveito teriam em ser cristãos como os que vemos ao nosso redor?” Não pude negar que, com um cristianismo desses, perderiam mais do que ganhariam. Então ela perguntou: “Mas o que entendeis por cristianismo?” Respondi francamente: “Que considerais mais valioso que bom senso, boa índole e boas maneiras? Tudo isso se encontra, no mais alto grau, no que chamo cristianismo. Bom senso é apenas pálida sombra do que chamamos fé; boa índole é débil reflexo da caridade cristã; boas maneiras, ainda que perfeitas pelas artes humanas, não passam de retrato morto daquela santidade de vida que é a imagem de Deus visível.” — “Senhor”, disse ela atônita, “se isso é cristianismo, nunca vi um cristão em toda minha vida.”

Talvez seja também o vosso caso. Se assim for, lastimo‑vos, e só posso desejar que, até que vejais uma prova viva disto, não digais que vedes um cristão. Pois isto é o cristianismo bíblico, e somente isto. Sempre que, portanto, vedes um homem irracional, vedes alguém que talvez se chame por esse nome, mas que não é mais cristão do que é anjo. Na medida em que se afasta da reta razão, afasta‑se do cristianismo. Não digais que isto é mera afirmação não provada: está irrefutavelmente provado pela carta magna do cristianismo, a Palavra escrita. Se o temperamento, as palavras ou ações de alguém contradizem a reta razão, é demonstrável que contradizem a Escritura. Logo, a vida dos que se dizem cristãos não constitui objeção válida ao cristianismo.

Juntamo‑nos, pois, a vós no desejo de uma religião fundada na razão e em tudo conforme a ela. Resta, contudo, uma questão: o que entendeis por razão? Suponho que entendais a razão eterna, ou a natureza das coisas — a natureza de Deus e a natureza do homem, com as relações que necessariamente subsistem entre ambos. Pois bem, essa é precisamente a religião que pregamos: uma religião evidentemente fundada e em tudo consentânea à razão eterna, à natureza essencial das coisas. Seu fundamento ergue‑se sobre a própria natureza de Deus e do homem, juntamente com suas relações necessárias.

Pois se Deus é Espírito infinito, eterno, imutável, sumamente sábio, justo, santo e bom; e se o homem foi criado à sua imagem — um espírito inteligente, capaz de conhecer, amar e obedecer ao seu Criador — segue‑se necessariamente que não pode haver religião adequada ao homem a não ser aquela que reflita tais perfeições divinas e restaure aquela imagem perdida. Qualquer sistema que não tenha por alvo reconduzir o ser humano a esse conhecimento, amor e obediência, será tão irracional quanto inútil.

Ora, esta é precisamente a finalidade da religião que proclamamos. Seu único desígnio é substituir, no coração humano, a ignorância pela verdade, o pecado pela santidade, a miséria pela felicidade — em suma, fazer o homem novamente à semelhança de Deus. E o meio estabelecido para tal restauração é a fé, que opera pelo amor, amor esse que cumpre toda a lei moral. Assim a lei — reflexo da razão eterna — encontra plena satisfação: “O cumprimento da lei é o amor” (Rm 13.10).

Afastai, pois, todo preconceito e considerai imparcialmente: que pode haver mais racional do que aderir a uma doutrina que declara ser Deus a fonte de toda perfeição e nos conclama a aspirar àquela perfeição? Que pode haver mais conforme à natureza das coisas do que admitir que o Ser perfeitíssimo merece supremo amor e incondicional obediência? E que cada criatura moral é tanto mais feliz quanto mais se aproxima dessa ordem?

“Mas — direis — o método que propugnais para atingir tal fim carece de solidez filosófica.” Ao contrário, replicamos: nenhum outro método o possui. Pois se é certo que o homem, por si mesmo, perdeu toda capacidade de cumprir plenamente a lei divina, será mera quimera supor que possa, por suas forças, recuperar o que perdeu. Necessita, portanto, de graça que anteceda, acompanhe e siga cada movimento da alma, a fim de que queira e possa voltar‑se para Deus. Esse influxo divino é oferecido a todos; e quem o aceita mediante fé recebe poder real para amar e obedecer. Negar isso seria negar a própria experiência de miríades em cada geração. Seria inverter toda a história da religião, que não é senão o relato vivo da ação de Deus em corações humanos.

Perguntareis ainda: “Por que, então, tão poucos parecem alcançar esse teor de vida?” Respondo: porque tão poucos querem ser plenamente curados. A maioria dos doentes rejeita o remédio: uns zombam dele, outros o adiam, muitos o diluem até torná‑lo ineficaz. Quantos se aproximam da fonte de águas vivas, mas logo preferem cisternas rotas que não retêm água (Jr 2.13)! Não admira que permaneçam sedentos.

Contudo, não cesseis de buscar porque poucos encontram; antes, sede do número desses poucos. Se buscásseis um tesouro terreno, não desfaleceríeis à primeira dificuldade. Quanto mais quando se trata de um bem incorruptível! Pedi, e dar‑se‑vos‑á; buscai, e achareis; batei, e abrir‑se‑vos‑á (Mt 7.7). Deus não mente nem engana: a promessa é infalível. Se a condição — pedir, buscar, bater — for sinceramente cumprida, o dom será infalivelmente concedido.

Ó vós que amais a razão, sede razoáveis ao extremo: não desprezeis tão grande salvação. Longe esteja de vós aceitar, sem exame, as censuras vulgares contra o evangelho de Cristo. Ponde de parte impugnações levianas; examinai‑o por vós mesmos. Fazei experiência da doutrina que proclamamos. Não confieis no juízo alheio — favorável ou contrário. Provai e vede. Se, após experiência honesta, não reconhecerdes que “esta doutrina é de Deus”, rejeitai‑a; mas não a rejeiteis antes de prová‑la, sob pena de incorrer num erro tanto contrário à razão quanto prejudicial à bem‑aventurança eterna.

Perguntareis, por fim: “Se essas coisas são assim, por que tantos que as ouvem permanecem como estavam — frios, insensíveis, indiferentes?” Respondo que a razão está em seu próprio coração. Conheceis a parábola: parte da semente cai à beira do caminho, parte em pedregais, parte entre espinhos (Mt 13.4‑7). O mal‑igno arrebata a palavra antes que penetre; tribulação ou perseguição faz murchar o primeiro broto; cuidados, riquezas e deleites deste mundo sufocam o restante. Mas a semente que cai em boa terra frutifica a trinta, sessenta e a cem por um. É o mesmo evangelho para todos; o efeito varia conforme o solo.

Direis que tudo isso é alegoria. Concedo; mas alegoria fundada em fato, reconhecido por toda experiência humana. Não vedes diariamente homens que, tão logo sentem a flecha da verdade, procuram extirpá‑la por qualquer distração? Outros recebem a palavra com alegria, mas logo tropeçam quando a fé exige preço elevado. Mais numerosos são aqueles cujo coração está repleto de negócios, projetos, prazeres: não resta espaço para as “coisas excelentes”. É de admirar, então, que a multidão continue na mesmice? O espelho de bronze não transforma quem se recusa a encará‑lo.

“Mas que diremos” — continuais — “dos que professaram essa fé e depois voltaram atrás? Não é prova de que o método falha?” Não, é prova de que o método não foi seguido até o fim. A fé viva deve ser mantida pela mesma graça que a gerou. Quem, após começar no Espírito, pretende aperfeiçoar‑se na carne (Gl 3.3) rapidamente naufragará. Bem diverso é o caso de quem, dia a dia, retoma a cruz e permanece na videira; este dá fruto que permanece. Assim, a recaída de alguns não invalida a perseverança dos outros: antes confirma a necessidade de vigilância contínua.

Talvez pergunteis ainda: “Se essa doutrina é tão benigna, por que desperta oposição e escárnio?” Porque lança por terra a altivez humana. Ela exclui o mérito próprio, destrona o ego e proclama que toda glória pertence a Deus. Nada é tão odioso ao coração natural quanto renunciar à vanglória. Por essa razão, a cruz foi, é e será tropeço e loucura para muitos (1 Co 1.23). Contudo, para os chamados, é poder e sabedoria de Deus — e a única esperança de um mundo culpado.

Não ousamos, porém, impor‑vos esta esperança. Conclamamos‑vos apenas a examiná‑la honestamente. Sabei que a fé cristã não exige violência contra a razão, mas sublima‑a. Faz com que enxergue o que antes não via, ame o que antes não amava, escolha o que antes desprezava. E se, ao cabo, reconhecerdes que ela é de fato luz celeste, não trateis de abrigar‑vos nas trevas, antes acolhei‑a e vivei.

E quando a luz despontar no vosso coração, reconhecereis que toda virtude verdadeira procede de Deus, e que o pecado nada mais é que afastar‑se dele. Havereis de clamar como Agostinho: Fizeste‑nos para ti, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em ti. Então compreendereis por que insistimos em ser “salvos pela fé”: porque somente a fé nos une à Fonte de todo bem.

Que fareis, pois? Persistireis em opor‑vos a um remédio antes de prová‑lo? ou chamareis “doce” o que ainda não provastes? Não é isto contra toda razão? Atentai: a vida é breve, a eternidade, longa. Se esta mensagem for verdadeira, perder‑la é perder tudo. Se for falsa, nada perde quem a experimentar, pois o próprio evangelho vos convida a provar tudo e reter o bem (1 Ts 5.21). Sede então homens de coração sincero; lançai‑vos à prova. E que o Deus de amor vos conduza “ao caminho mais excelente”, amém.

Se, depois de tudo, ainda hesitais, peço‑vos um favor justo: suspendei o juízo enquanto perdurar a dúvida. Não rejeiteis às pressas o que não examinastes a fundo; não blasfemeis do que pode vir a ser vosso tesouro. Lembrai‑vos do conselho de Gamaliel: “Se este plano ou esta obra vem dos homens, será destruída; mas, se vem de Deus, não podereis destruí‑la — e correis o risco de vos achar lutando contra o próprio Deus” (At 5.38‑39). Assim, não façais guerra a vós mesmos; deixai que o Senhor opere segundo o seu beneplácito.

E a vós, que sois ministros do evangelho, imploro com amor fraterno: considerai se não tendes negligenciado os dons que vos foram confiados. Foi‑vos concedida a dispensação do mistério de Cristo. Ai de nós, se não pregarmos como quem tem autoridade! Ai de nós, se buscarmos agradar aos homens mais do que a Deus! Se o Filho de Deus veio “buscar e salvar o perdido” (Lc 19.10), como poderemos descansar enquanto houver ignorantes a instruir, aflitos a consolar, pecadores a reconciliar?

Deponhamos, pois, todo preconceito. Não nos irritemos por ver outros trabalhar onde fomos omissos. Antes, unamo‑nos no mesmo labor: anunciar a todos a remissão dos pecados, a renovação do coração e o amor perfeito. Se Cristo é pregado — por nós ou por outrem —, nisto nos regozijemos, sim, e nos regozijaremos (Fp 1.18). Que importa quem lança a rede, desde que o Senhor encha o barco?

Quanto a nós, não temos coisa alguma que não tenhamos recebido. Somos o que somos pela graça de Deus, e sua graça para conosco não foi vã. Ainda assim, professamos nada saber “senão a Jesus Cristo, e este crucificado” (1 Co 2.2). Em sua cruz gloriamos‑nos; dela procede todo o nosso bem. E se pregamos salvação pela fé, é porque a Escritura não conhece outro caminho. Se exortamos à santidade, é porque “sem santidade ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). Se insistimos no amor, é porque “o maior de todos é o amor” (1 Co 13.13).

Amigos e irmãos, “examinai‑vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai‑vos” (2 Co 13.5). Não vos contenteis com forma de piedade sem o poder. Não digais paz enquanto o coração estiver vazio de amor. Buscai alta medida de graça — até que tenhais “mente que houve em Cristo Jesus” (Fp 2.5) e possais andar como ele andou. Então vossa vida será luz para os que jazem em trevas; e, pela fragrância de vossas boas obras, muitos glorificarão a nosso Pai que está nos céus.

Eis, em suma, os princípios de um metodista: fé que opera pelo amor; esperança que se firma na promessa; amor que se derrama em serviço. Não temos outra religião, não desejamos outra. Se vós encontrais melhor, abraçai‑a; se não, não nos invejeis esta. Somos vossos servos por amor de Jesus — contanto que nos permitais servi‑lo livremente.

Oro, pois, para que Aquele que é “o Deus de toda graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória”, depois de breve padecermos, “aperfeiçoe, firme, fortaleça e fundamente” a nós e a vós (1 Pe 5.10). Que ele derrame sobre todo o seu povo “o espírito de sabedoria e de revelação” (Ef 1.17), até que todos cheguemos “à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus” (Ef 4.13), crescendo “em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Ef 4.15).

Com este desejo, encerro. Se em algo errei, Deus mo perdoe; se falei verdade, que ele a faça prosperar. E a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus Pai e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós. Amém.

Notas de fim Hb 11.1 — citação literal da versão NAA.

Versos adaptados do poema The Christian Poet de Alexander Pope.

Versos de Virgílio, Eneida VI.726‑727: “Uma Mente, espírito que anima o total da massa, mistura‑se a esse imenso corpo.”

Anima mundi — expressão latina (“alma do mundo”) usada por filósofos estoicos e neoplatônicos para indicar o princípio divino impessoal que anima o universo.

Amici, diem perdidi! — “Amigos, perdi um dia!” Exclamação atribuída ao imperador Tito (séc. I d.C.), que lamentava qualquer dia passado sem realizar um ato de bondade.

Rm 13.10 — “O amor é o cumprimento da lei.” (NAA)

Mt 13.4‑7 — parábola do semeador.

Gl 3.3 — “Tendo começado pelo Espírito, estais agora vos aperfeiçoando na carne?”

1 Co 1.23 — “nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios.”

Agostinho, Confissões, I.1.

At 5.38‑39 — conselho de Gamaliel.

Lc 19.10 — “o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.”

Fp 1.18 — “o importante é que Cristo seja proclamado.”

1 Co 2.2; 13.13 — centralidade da cruz e primazia do amor.

Hb 12.14 — necessidade de santidade.

2 Co 13.5 — autoexame.

1 Pe 5.10; Ef 1.17; 4.13‑15 — oração conclusiva.

O Sermão de John Wesley: “A Natureza do Entusiasmo” e Suas Lições para os Dias Atuais+

Introdução

No século XVIII, a Grã-Bretanha estava passando por um período de intensa transformação social, cultural e religiosa. Foi nesse contexto que John Wesley, um dos fundadores do metodismo, pregou seu sermão intitulado "A Natureza do Entusiasmo" (Sermão 37). Este sermão se tornou uma peça fundamental para entender as preocupações de Wesley com relação ao fanatismo religioso, bem como seu compromisso em defender o metodismo das acusações de ser um movimento fanático. Neste artigo, exploraremos o contexto da época, o significado do termo "entusiasmo", os propósitos de Wesley ao abordar esse tema e como suas lições podem ser aplicadas aos dias de hoje.

Contexto Histórico

O século XVIII na Grã-Bretanha foi marcado por mudanças profundas. A Revolução Industrial estava em curso, transformando a sociedade e a economia. Ao mesmo tempo, havia uma crescente diversidade de opiniões religiosas e uma multiplicidade de movimentos religiosos surgindo. Entre esses movimentos, o metodismo liderado por John Wesley ganhava destaque.

O metodismo era uma resposta ao formalismo religioso da época, buscando uma religião mais vibrante e experiencial. No entanto, essa busca por uma fé mais profunda levou a acusações de fanatismo por parte de muitos opositores. Nesse contexto, Wesley sentiu a necessidade de abordar o tema do "entusiasmo" religioso, esclarecendo o que ele considerava a verdadeira natureza do fanatismo e defendendo o metodismo dessas acusações.

O Significado do Termo "Entusiasmo" Nos dias de John Wesley, o termo "entusiasmo" tinha uma conotação mais negativa do que costuma ter hoje em dia. Na época de Wesley, o entusiasmo religioso era frequentemente associado a uma forma de religiosidade exagerada, extremista ou fanática, que ele via como prejudicial para a fé e a vida cristã.

Wesley estava preocupado com pessoas que acreditavam ter experiências religiosas sobrenaturais, como visões, revelações especiais ou dons milagrosos, sem uma base sólida nas Escrituras ou sem um discernimento cuidadoso. Ele também estava preocupado com aqueles que buscavam uma religião baseada principalmente em emoções e sentimentos momentâneos, em vez de uma fé fundamentada nas verdades bíblicas.

Portanto, quando Wesley falava sobre "entusiasmo" em seus sermões e escritos, muitas vezes ele estava alertando contra práticas religiosas que ele considerava desequilibradas, irreverentes ou que negligenciavam as Escrituras e a razão em favor de experiências pessoais intensas.

Hoje em dia, o termo "entusiasmo" geralmente tem uma conotação mais positiva, associada ao fervor, ao interesse e à paixão por algo. No entanto, é importante lembrar que, nos escritos e ensinamentos de John Wesley, o "entusiasmo" se referia principalmente a essas preocupações específicas relacionadas à religião e à espiritualidade.

Os Propósitos de Wesley Wesley tinha dois propósitos principais ao pregar o sermão "A Natureza do Entusiasmo". Primeiramente, ele queria defender o metodismo das acusações de ser um movimento fanático. Muitos opositores rotulavam os metodistas como entusiastas religiosos, e Wesley desejava esclarecer que o metodismo estava fundamentado nas Escrituras e buscava uma fé equilibrada e sólida.

Em segundo lugar, Wesley estava atacando o que ele considerava fanatismo religioso. Ele estava preocupado com aqueles que buscavam experiências religiosas intensas sem uma base sólida nas Escrituras ou que negligenciavam os meios ordinários de graça, como a oração, a leitura da Bíblia e a comunhão com outros cristãos. Ele via esse tipo de fanatismo como prejudicial à fé e à vida cristã.

Abordagem de Wesley No sermão, Wesley identifica três tipos de fanatismo religioso:

1. Aqueles que acreditam ter graça quando não a têm, resultando em conversões superficiais. Isso ocorre com aqueles que pensam terem sido redimidos por Cristo e perdoados de seus pecados, mas carecem de um arrependimento profundo e uma convicção sincera. Wesley compara esse tipo de entusiasmo a uma forma de loucura, onde as pessoas iludem a si mesmas, imaginando ter algo que na realidade não possuem, resultando em uma fé superficial baseada em emoções passageiras. Ele também menciona pessoas que seguem rituais religiosos e mantêm uma moralidade superficial, mas nunca experimentaram o verdadeiro amor de Deus ou uma transformação interior. Embora se considerem cristãs, muitas vezes olham com superioridade para outros. Wesley adverte essas pessoas a reconhecerem sua condição de entusiastas, a confrontarem sua falsa religiosidade e a buscar uma fé genuína em Deus. Em suma, ele destaca a importância da autenticidade na fé e alerta contra a ilusão do entusiasmo religioso superficial.

2. Aqueles que imaginam possuir dons sobrenaturais que na verdade não possuem, como o poder de operar milagres ou receber direções especiais de Deus de maneiras não bíblicas. Ele não nega a possibilidade de dons espirituais, como o dom de profecia. Em vez disso, ele adverte contra a possibilidade de algumas pessoas se considerarem possuidoras de dons especiais quando, na realidade, não os têm. Ele enfatiza a importância de discernir se esses dons são reais e se estão sendo usados de acordo com os princípios bíblicos.

3. Aqueles que esperam alcançar objetivos sem usar os meios apropriados. Neste trecho, John Wesley fala sobre pessoas que pensam que podem alcançar seus objetivos diretamente com a ajuda imediata de Deus, sem fazer esforços ou usar os meios disponíveis. Ele explica que, em casos excepcionais de intervenção sobrenatural de Deus, isso pode ser aceitável. No entanto, ele critica quando as pessoas têm os meios adequados à disposição, como estudar a Bíblia ou se preparar para falar em público, mas optam por ignorá-los, esperando um milagre. Wesley enfatiza que é importante usar os meios disponíveis com sabedoria, reconhecendo que Deus muitas vezes age por meio deles para alcançar Seus propósitos, em vez de contar apenas com intervenções divinas diretas. Em resumo, ele nos lembra da importância de combinar fé com ação e não negligenciar os meios enquanto buscamos nossos objetivos.

Wesley adverte sobre os perigos do fanatismo, que incluem orgulho, confiança obstinada e desprezo pelos outros. Ele aconselha as pessoas a evitarem o entusiasmo do fanatismo, incluindo aqueles que se consideram cristãos apenas por suas ações externas e aqueles que buscam dons sobrenaturais enquanto ignoram os meios apropriados.

Quando Wesley diz que alguns consideram a crença em uma providência particular como fanatismo, ele está abordando a ideia de que algumas pessoas podem considerar exagerado ou irracional acreditar que Deus está envolvido em detalhes minuciosos da vida cotidiana. No entanto, Wesley argumenta que essa crença é fundamentada na garantia bíblica, ou seja, tem base nas Escrituras Sagradas.

Wesley defende que a Providência de Deus é tanto geral como particular, universal como específica. Ele argumenta que a Bíblia oferece garantias dessa crença, mostrando que Deus não apenas criou o mundo, mas também se importa com a vida individual das pessoas. Ele destaca que Jesus ensinou que Deus conhece até mesmo os cabelos da cabeça de cada pessoa (Lucas 12.7), indicando um nível de detalhe na preocupação divina.

Portanto, a mensagem de Wesley é que a crença na Providência particular de Deus não é fanatismo, mas sim uma compreensão fundamentada nas Escrituras de que Deus está envolvido em todos os aspectos de nossas vidas. Ele está enfatizando a importância de manter um equilíbrio entre a busca por uma fé experiente e emocional (que ele critica como fanatismo quando negligencia as Escrituras) e uma confiança sólida na Providência Divina, que abrange tanto os aspectos gerais como os específicos da vida.

Essa mensagem também tem implicações práticas para os dias de hoje, incentivando os crentes a manterem uma fé que busca a Deus em todas as áreas da vida, confiando em Sua orientação e cuidado tanto nos grandes eventos como nos detalhes cotidianos.

No trecho final do sermão, John Wesley adverte contra diversas formas de entusiasmo religioso e oferece conselhos práticos para evitá-lo. Ele enfatiza a necessidade de compreender claramente o termo "entusiasmo" antes de rotular alguém como tal e destaca a importância de não julgar sem evidências sólidas. Wesley encoraja a autoavaliação e humildade espiritual, exorta a não usar a força para impor a fé e a não imitar cegamente entusiastas. Ele também adverte contra a imaginação de possuir dons divinos que não se têm e incentiva o uso diligente dos meios estabelecidos por Deus para alcançar objetivos espirituais. Em essência, Wesley oferece diretrizes para evitar o fanatismo religioso e manter uma fé equilibrada, fundamentada na razão, nas Escrituras e na humildade.

Lições para os Dias de Hoje Embora o contexto tenha mudado desde os dias de Wesley, as lições de seu sermão ainda são relevantes para os dias atuais:

Equilíbrio na Fé: Assim como no século XVIII, muitas pessoas hoje buscam experiências religiosas intensas. A lição de Wesley é que a fé deve ser equilibrada, fundamentada nas Escrituras e combinada com uma busca diligente pelos meios de graça.

Discernimento Espiritual: É crucial discernir entre experiências genuínas e ilusões espirituais. Hoje, isso se aplica à busca de direção divina, dons espirituais e experiências religiosas.

Evitar o Julgamento Precipitado: Assim como Wesley alertou contra o julgamento precipitado dos outros, devemos evitar rotular apressadamente aqueles com crenças religiosas diferentes das nossas.

Buscar a Verdade: A busca pela verdade e pela vontade de Deus deve ser baseada nas Escrituras, na razão e na experiência. Devemos evitar práticas que negligenciam esses fundamentos.

Humildade Espiritual: O orgulho espiritual é um perigo atemporal. Devemos manter a humildade em nossa jornada espiritual.

Conclusão

O sermão de John Wesley, "A Natureza do Entusiasmo", oferece insights valiosos sobre a busca de uma fé equilibrada e uma compreensão saudável da espiritualidade. Embora tenha sido pregado há séculos, suas lições ressoam nos dias de hoje, recordando-nos da importância de discernir, buscar a verdade e manter a humildade em nossa jornada de fé.

Questões:

Qual é a origem e o significado da palavra "entusiasmo" nos dias de Wesley, e como essa compreensão difere da maneira como a palavra é usada hoje?

Quais são as diferentes categorias de entusiasmo que Wesley identifica e como ele as descreve? Você acha que essas categorias ainda se aplicam às práticas religiosas contemporâneas?

Como Wesley aborda a questão do discernimento da vontade de Deus? Quais são os meios apropriados que ele enfatiza para buscar orientação espiritual? Como esses princípios podem ser aplicados na vida cotidiana?

Qual é a importância da humildade e da autoavaliação na abordagem de Wesley ao fanatismo religioso? Por que ele adverte contra o orgulho espiritual?

De que maneira a recomendação de Wesley de evitar o uso da força para impor a fé se relacionado os desafios contemporâneos de tolerância religiosa e coexistência pacífica?

Como podemos aplicar os princípios de Wesley sobre o uso de meios apropriados para alcançar objetivos espirituais em nossa busca por uma fé genuína e prática religiosa nos dias de hoje?

Como podemos equilibrar a busca por experiências espirituais profundas com a necessidade de manter uma base sólida nas Escrituras e na razão, conforme enfatizado por Wesley?

Em sua opinião, quais são os perigos mais urgentes do fanatismo religioso nos dias de hoje e como podemos abordá-los à luz das lições apresentadas por Wesley em seu sermão?

Link para o Sermão 37 de John Wesley, intitulado A Natureza do Entusiasmo: http://www.metodistavilaisabel.org.br/docs/SERMAO_37.pdf

Wesley, exemplo de vida simples e de caridade+

O ministério de compaixão de Wesley não era uma isca para a evangelização, como se costuma ver hoje em dia, mas, sim, uma ação natural daqueles que foram chamados das trevas com a missão de serem a luz do mundo. Interessante notar que boa parte dos que foram curados por Jesus, não regressaram sequer para agrade-lo. O que demonstra que o ministério de ação social tem valor em si mesmo, por derivar a sua ação da própria natureza do Reino de Deus, que é amor, justiça e paz. Algumas das mais célebres frases de Wesley revelam sua consciência social, "… o cristianismo é essencialmente uma religião social; e reduzi-la tão somente a uma expressão solitária é destruí-la”. “Faça todo o bem possível, por todos os meios possíveis, de todos os modos possíveis, em todos os lugares possíveis, em todas as ocasiões possíveis, a todas as pessoas possíveis, tanto quanto for possível." E, "a excelência da sociedade para a Reforma dos costumes é…primeiro, mover campanha aberta contra toda a impiedade e injustiça, que cobrem a terra como num dilúvio, e isto é um dos meios mais nobres de confessar a Cristo." Snyder menciona trechos de sermões de Wesley que mostram que ele via que o mundo havia melhorado por causa da ação do cristianismo. E, falando mais especificamente sobre as transformações sociais promovidas pelo movimento wesleyano, que cresceu tremendamente em número, através de uma missão que se realizava através de palavras e obras, ele destacou o crescimento de todas as obras de benevolência e caridade, com a construção de muitos hospitais, enfermarias e outros locais públicos para a prática de ajuda humanitária. i Wesley trabalhava de maneira incessante em favor de uma mais vital, mais agressiva, mais amável e mais autentica e visível manifestação da Igreja como a comunidade do povo de Deus, a comunidade escatológica que existe para servir aqui e agora como agente do Reino de Deus. ii Pois, para Wesley, as boas obras são a maneira pela qual a Igreja cumpre o seu papel de ser luz do mundo: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.16). “Havia em Jope uma discípula por nome Tabita, nome este que, traduzido, quer dizer Dorcas; era ela notável pelas boas obras e esmolas que fazia” (At 9.36). “Seja recomendada pelo testemunho de boas obras, tenha criado filhos, exercitado hospitalidade, lavado os pés aos santos, socorrido a atribulados, se viveu na prática zelosa de toda boa obra” (1 Tm 5.10). “Torna-te, pessoalmente, padrão de boas obras. No ensino, mostra integridade, reverência” (Tt 2.7). “Fiel é esta palavra, e quero que, no tocante a estas coisas, faças afirmação, confiadamente, para que os que têm crido em Deus sejam solícitos na prática de boas obras. Estas coisas são excelentes e proveitosas aos homens” (Tt 3.8). “Agora, quanto aos nossos, que aprendam também a distinguir-se nas boas obras a favor dos necessitados, para não se tornarem infrutíferos” (Tt 3.14).

João Wesley viveu um estilo de vida simples, ainda que recebesse um bom dinheiro como fruto de seu trabalho em diversas áreas como ensino, publicação literária e ministério pastoral, ele vivia apenas com vinte e oito libras por ano, muito pouco, suficiente apenas para as necessidades básicas, dando todo o excedente para os pobres e para a causa do Reino de Deus. Num ano, por exemplo, Wesley deu noventa e dois libras, 3 vezes mais do que reteve para sua subsistência! Uma vez, já com uma idade avançada, Wesley foi capaz de andar várias milhas com a intenção de economizar o dinheiro da carruagem com vistas a dar o dinheiro para os pobres. iii Pois para Wesley a graça de dar é a evidência final da vida cheia do Espírito Santo. Porque a graça recebida que não se transforma em graça livremente distribuída está sujeita a ser cancelada pelo Rei. Para ser plenamente operante, a graça gratuitamente recebida das mãos do Rei precisa se transformar em graça livremente distribuída e estendida ao próximo. iv Precisamos conhecer a alegria tanto da graça de receber quando de dar livremente para a glória de Deus. Como Paulo exortava: “pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir” (1 Tm 6.18). Wesley, em termos quase poéticos, falou que compartilhar as graças recebidas está na própria natureza do crente e faz parte da essência da missão cristã:

“ Vossa própria natureza é dar sabor a tudo quanto vos rodeia. É da natureza do divino sabor que existe em vós expandir-se em tudo quanto tocardes, difundir-se por todos os lados, atingindo a todos aqueles em cujo meio estiverdes. Esta é a grande razão pela qual a Providência de Deus vos misturou com os outros homens, de modo que as graças, quaisquer que sejam, que de Deus houverdes recebido, possam ser comunicadas através de vós ao demais homens.” v Alcorn registra em seu livro o evento que mudou completamente a perspectiva de Wesley a respeito de como viver uma vida simples com intuito de praticar a caridade. Este episódio, que relataremos a seguir, aconteceu em 1731, enquanto ele ainda estudava em Oxford, e influenciou ininterrupta e poderosamente a sua vida por 60 anos, até a sua morte em 1791. Wesley tinha acabado de comprar uns quadros para o seu quarto, quando uma arrumadeira se aproximou de sua porta. Era um dia de inverno e ele notou que ela tinha apenas um fino vestido de linho que era muito inadequado para enfrentar o inverno inglês. Comovido, ele mete a mão no bolso com intuito de dar para ela comprar um casaco, mas descobre que tinha restado pouco dinheiro após as compras dos quadros. Naquele momento, ele sentiu que Deus não tinha se agradado da maneira como ele havia gastado o seu dinheiro. Ele perguntou para si mesmo: “Estaria o Senhor me dizendo: ‘Muito bem, servo bom e fiel?’ Você adornou a sua parede com o dinheiro que poderia ter aquecido e protegido esta pobre criatura do frio! Ó justiça! Ó compaixão! Não são estes quadros o sangue desta pobre arrumadeira?” Alcorn nos conta que após este incidente, Wesley começou a estabelecer limites as suas despesas de modo a separar mais dinheiro para dar aos pobres. Wesley registrou que em um ano, os seus rendimentos foram da ordem de 30 libras e que ele gastou 28 libras e deu 2 aos pobres. No próximo ano, seus rendimentos dobraram, mas ele permaneceu vivendo com 28 libras e deu 32. No terceiro ano, seus rendimentos saltaram para 90 libras, e, de novo, ele continuou vivendo com 28, e fez caridade com 62 libras. No quarto ano, ele ganhou 120 libras e continuou vivendo com 28, para poder dar 92 aos pobres. Num ano, ele chegou a ganhar mais de 1.400 libras, separou 30 libras para as suas necessidades básicas e deu todo restante, pois ele tinha medo de juntar tesouros na terra, de maneira que o dinheiro ia para caridade, tão rápido quanto chegava! Alcorn registra ainda que os direitos autorais dos livros publicados de Wesley deram a ele numa certa ocasião o que equivalente hoje a US$ 160,000. Mesmo assim ele continuou vivendo com o mesmo que de costume, o equivaleria hoje a aproximadamente US$ 20,000. vi Certa vez, uma mulher rica, ao morrer, deixou a Wesley uma herança equivalente a 25.000 dólares. Mas o dinheiro não permaneceu por muito tempo nas mãos de Wesley, que logo repartiu o dinheiro com os pobres, dizendo: Sou administrador de Deus para servir aos pobres”. vii Quando Wesley faleceu, o único dinheiro que constava em seu testamento eram umas poucas moedas que foram encontradas no seu bolso e em uma de das gavetas de seu armário. viii Wesley viveu de modo radical. Sua vida foi e é uma inspiração para aqueles que almejam viver um cristianismo autêntico, comprometido com o Reino de Deus. Um estilo de vida assim pode impactar esta sociedade de consumo.

Wesley não apenas viveu de modo simples para poder solidarizar-se com os pobres e praticar caridade, como também priorizou os pobres no quesito pregação do Evangelho. Wesley disse que “o maior milagre na Igreja é pregar o evangelho aos pobres”. Outro milagre é a quebra de barreiras na unidade de pessoas de diferentes raças e classes sociais, com o intuito de demonstrar visivelmente a reconciliação de todas as coisas em Cristo (Ef 1-4). Veremos a seguir como Wesley enfrentou os grandes desafios sociais de seus dias. i Ibid. p. 82 e 83. ii Ibid. p. 89. iii McKenna, David L. What a Time to be Wesleyan! Proclaiming the Holiness Message with passion and purpose. Kansas, Missouri: Beacon Hill Press, 1999, p. 41 e Snyder, Howard A. The Radical Wesley and Patterns fo Church Renewal. Eugene, OR: Wipf and Stock Publishers, 1998, p. 19. iv McKenna, David L. What a Time to be Wesleyan! Proclaiming the Holiness Message with passion and purpose. Kansas, Missouri: Beacon Hill Press, 1999, p. 40. v Wesley, João. Sermões de Wesley. Volume 1. São Bernardo do Campo, SP: Imprensa Metodista. 3a. Edição. 1985. Sermão XXIV – Sobre o Sermão do Monte – Discurso IV. P. 505. vi Alcorn, Randy C. “ Money, possessions, and eternity”.

Illinois: Tydale House Publishers, 2003. P. XV, Introdução.

P. 298-299. vii Lelièvre, Mateo.

João Wesley, sua vida e sua obra.

Tradução de Gordon Chown. São Paulo: Editora Vida. 1997. P. 230 e 231. viii Alcorn, Randy C. “ Money, possessions, and eternity”.

Illinois: Tydale House Publishers, 2003. P. XV, Introdução. P. 299.

Caráter e Princípios de um Metodista Segundo John Wesley+

A teologia fundamental do metodismo segundo John Wesley

Introdução geral

Entre 1742 e 1746, John Wesley publicou três tratados essenciais, que juntos formam o núcleo da espiritualidade e doutrina metodista. São eles:

1. O Caráter de um Metodista (1742)

Nele, Wesley descreve a marca essencial de quem foi transformado pela graça: o amor perfeito a Deus e ao próximo, com santidade prática de vida.

2. Os Princípios de um Metodista (1744)

Aqui, ele apresenta os fundamentos teológicos sobre os quais essa vida cristã se apoia, destacando a ação da graça preveniente, a fé salvadora, a regeneração, a santificação e a esperança gloriosa.

3. Os Princípios de um Metodista — Mais Explicados (1746)

Finalmente, Wesley oferece uma defesa racional dessa fé, respondendo a objeções, esclarecendo mal-entendidos e mostrando que a fé cristã wesleyana é profundamente coerente com a razão e com a Escritura.

Esta fusão une o conteúdo central desses três documentos, formando um retrato completo da fé metodista: sua experiência espiritual, seus fundamentos doutrinários e sua defesa racional.

1. A marca essencial do metodista: o amor

“O metodista é aquele que tem o amor de Deus derramado em seu coração pelo Espírito Santo.”

O metodista não se distingue por:

Opiniões particulares.

Formas exteriores de culto.

Palavras ou expressões específicas.

Costumes cerimoniais ou ritos.

Ele se distingue por:

Amar a Deus com todo o coração, alma, mente e forças.

Amar o próximo como a si mesmo.

Amar inclusive os inimigos, buscando o bem de todos.

“Se há amor no coração, o restante fluirá: obediência, oração, gratidão, alegria, serviço.”

2. O fundamento: a fé salvadora

A fé não é mera crença intelectual, mas um dom sobrenatural:

“A fé é o sentido da alma — o olho, o ouvido, o paladar e o tato espiritual.”

Através da fé:

Vemos o invisível.

Ouvimos a voz de Deus.

Sentimos sua presença.

Provamos sua bondade.

Recebemos paz, alegria e liberdade do pecado.

Essa fé:

É dom gratuito de Deus.

Não pode ser produzida pelo próprio homem.

É oferecida a todo pecador que reconhece sua miséria e clama por misericórdia.

3. A graça preveniente, operante e santificadora

Toda a vida cristã depende inteiramente da graça de Deus:

“Negar isto seria negar a própria experiência de miríades em cada geração.”

Graça preveniente: antecede e capacita o pecador a buscar a Deus.

Graça justificadora: perdoa os pecados mediante a fé em Cristo.

Graça santificadora: transforma o coração e a vida, restaurando a imagem de Deus.

4. O alvo: santidade de coração e vida

A fé verdadeira opera:

Amor que cumpre toda a lei (Rm 13.10).

Santidade prática.

Obediência aos mandamentos de Deus.

Vida de boas obras contínuas.

“A religião cristã tem por fim substituir a ignorância pela verdade, o pecado pela santidade, a miséria pela felicidade — em suma: fazer o homem novamente à semelhança de Deus.”

5. A razão e a fé: plena harmonia

A fé cristã não é irracional:

Está em perfeita conformidade com a natureza de Deus e do homem.

Não contradiz a razão; a ilumina.

Oferece sentido, propósito e verdadeira felicidade.

“A fé não viola a razão, mas a supera.”

Wesley responde aos críticos que o método metodista é profundamente racional, pois conduz o homem ao seu fim próprio: amar e obedecer ao Criador.

6. O perigo do formalismo e da vã religião

Muitos professam o nome cristão sem possuírem a fé viva.

Outros rejeitam o evangelho por orgulho e recusa de abandonar o mérito próprio.

A verdadeira religião não é:

Forma exterior.

Frases piedosas.

Ritos vazios.

Mas sim:

Coração cheio de amor.

Vida santa.

Comunhão com Deus em todo o tempo.

7. O apelo pastoral e o exame pessoal

Wesley conclama:

Examinar a própria fé com honestidade.

Fazer prova da doutrina.

Não rejeitar o evangelho sem experimentá-lo.

“Provai e vede que o Senhor é bom.”

8. A confissão final do metodista

O metodista professa:

Fé que opera pelo amor.

Esperança firmada na promessa.

Amor que se derrama em serviço.

Ele não deseja distinguir-se por nada além do simples e antigo cristianismo bíblico.

QUADRO-RESUMO SEÇÃO ENSINAMENTO CENTRAL FONTE PRINCIPAL A Marca Essencial Amor a Deus e ao próximo como fruto da fé verdadeira O Caráter de um Metodista O Fundamento Doutrinário Fé como dom sobrenatural, que produz amor e santidade Princípios de um Metodista A Natureza da Fé Fé é o “sentido da alma”: visão, audição, tato e paladar espirituais Princípios Mais Explicados A Graça de Deus Graça preveniente, justificadora e santificadora Princípios e Princípios Mais Explicados Objetivo da Fé Restaurar a imagem de Deus, produzir obediência e santidade Princípios de um Metodista Racionalidade da Fé A fé não anula a razão, mas a ilumina e realiza plenamente Princípios Mais Explicados Obstáculos à Fé Orgulho humano, amor ao mundo, méritos próprios Princípios Mais Explicados Prática do Metodista Vida de oração contínua, boas obras, amor ativo e santidade prática Caráter e Princípios Exortação Pastoral Pregação da cruz, zelo missionário, unidade e humildade Princípios Mais Explicados Confissão Final Fé que opera pelo amor, esperança firme, amor em serviço Princípios Mais Explicados CONCLUSÃO GERAL Ao fundir O Caráter de um Metodista (1742), Os Princípios de um Metodista (1744) e Os Princípios de um Metodista – Mais Explicados (1746), temos uma síntese viva e profunda da fé wesleyana, onde doutrina e vida, razão e experiência, graça e responsabilidade se entrelaçam.

O metodismo, como delineado por Wesley, não surgiu para criar uma nova seita, mas para restaurar o cristianismo bíblico primitivo em sua simplicidade, profundidade e poder transformador. Sua essência é:

A fé que opera pelo amor; A graça que conduz à santidade; O amor que se manifesta em serviço prático ao próximo.

O metodista verdadeiro não é distinguido por costumes exteriores, nem por opiniões doutrinárias periféricas, mas por um coração regenerado, transbordante de amor a Deus e ao próximo, que produz uma vida santa, alegre, humilde e útil.

Aplicações práticas para os metodistas hoje

1️⃣ Redescobrir o centro da fé: amor que brota da fé viva Evitar a armadilha de reduzir o metodismo a mero ativismo ou a debates doutrinários periféricos.

Buscar continuamente a renovação interior pela graça de Deus.

Colocar a santidade de coração e vida no centro da identidade pessoal e eclesial.

2️⃣ Permanecer firmados na graça preveniente e santificadora Reconhecer que tudo é dom de Deus: o despertar, a conversão, a santificação.

Depender diariamente da graça, para vencer o pecado e avançar na santidade.

3️⃣ Unir fé e razão na pregação e no discipulado Ensinar que a fé não é irracional: ela ilumina a razão.

Apresentar o evangelho como o caminho mais elevado e plenamente racional de vida.

Equipar os membros a defenderem a fé com mansidão, sabedoria e coerência.

4️⃣ Tornar o amor prático e visível Servir aos pobres, aos doentes, aos pecadores e aos excluídos com compaixão ativa.

Fazer do metodismo um movimento de serviço social e evangelístico relevante.

5️⃣ Buscar a unidade verdadeira Rejeitar divisões inúteis por “termos e opiniões”.

Abraçar todo aquele que ama a Deus e deseja seguir a Cristo, ainda que pertença a outra denominação.

6️⃣ Guardar o espírito missionário Não descansar enquanto houver almas a serem reconciliadas com Deus.

Lembrar que “o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido” (Lc 19.10).

7️⃣ Cultivar uma piedade profunda e constante Viver em oração contínua.

Cultivar alegria no Senhor em todas as circunstâncias.

Submeter a própria vontade à soberania amorosa de Deus.

UM APELO FINAL (ecoando Wesley)

“Se há entre nós um só coração e uma só alma em Cristo, não lutemos por nomes e rótulos.

Se amas a Deus, dá-me tua mão e meu irmão serás.”

A TEOLOGIA WESLEYANA E O AMOR SANTO E GRAÇA RESPONSÁVEL NO CAMINHO CRISTÃO+

“A única religião verdadeira é a religião do amor: o amor a Deus e o amor ao próximo.”

— John Wesley ( Sermão 2 – O Quase Cristão)

INTRODUÇÃO A teologia de John Wesley (1703–1791), fundador do movimento metodista, oferece uma das expressões mais ricas, equilibradas e profundamente pastorais da fé cristã. Ela não nasceu de uma torre acadêmica, mas foi forjada no calor da missão, na evangelização dos pobres e no discipulado cotidiano.

É uma teologia do caminho, prática e relacional, que integra graça e responsabilidade, doutrina e vida, piedade e justiça social.

PARTE 1 — AS COLUNAS FUNDAMENTAIS DA TEOLOGIA WESLEYANA

1. CENTRALIDADE BÍBLICA

A Bíblia ocupa o centro absoluto da teologia wesleyana. Wesley declarava ser o homo unius libri — "homem de um só livro" (2Tm 3.16-17).

"Permita-me ser o homem de um só livro." — John Wesley (Prefácio aos Sermões, p. 22)

As Escrituras são a regra suprema de fé e prática, enquanto as demais fontes — tradição, razão e experiência — atuam como instrumentos auxiliares na sua interpretação.

2. O QUADRILÁTERO WESLEYANO

Albert Outler, grande intérprete de Wesley, sistematizou seu método teológico em quatro fontes interligadas, com a Bíblia no centro:

Escritura (a base); Tradição (interpretação histórica da fé); Razão (discernimento lógico e teológico); Experiência (confirmação interna da graça).

Muitos estudiosos (como Theodore Runyon) acrescentam ainda a Criação como expressão da glória de Deus (Sl 19.1).

3. GRAÇA E SINERGISMO: A COOPERAÇÃO DIVINO-HUMANA

A teologia wesleyana recusa o determinismo calvinista e o humanismo racionalista. Em vez disso, afirma um sinergismo bíblico:

Deus sempre toma a iniciativa pela graça preveniente (Tt 2.11).

O ser humano, capacitado pela graça, coopera pela fé e obediência (Fp 2.12-13).

"Deus não fará nada sem o homem; o homem nada pode fazer sem Deus." — John Wesley (

Sermão 85

) PARTE 2 — AS FONTES E INFLUÊNCIAS DO PENSAMENTO WESLEYANO

4. UMA TEOLOGIA ECUMÊNICA E INTEGRADORA

Wesley não cria novas doutrinas, mas reúne criativamente heranças diversas:

Anglicanismo Reformado: liturgia e tradição eclesiástica; Puritanismo: ênfase na santidade e na vida moral; Pietismo Morávio-Luterano: experiência pessoal de conversão; Catolicismo e Ortodoxia Oriental: espiritualidade devocional e mística; Místicos Cristãos: William Law, Molinos, Gregório López.

“O movimento wesleyano é uma feliz síntese das tendências do protestantismo que passou pelo arminianismo e pelo pietismo, sem negar a tradição católica e oriental.”

— González ( Wesley para América Latina Hoje, p. 45)

5. A INFLUÊNCIA FILOSÓFICA DE JOHN LOCKE (EMPIRISMO MODERADO)

A concepção lockeana de que o conhecimento vem da experiência moldou o método wesleyano:

Não conhecemos Deus por ideias inatas (contra Descartes), mas pela experiência espiritual concreta com o Espírito Santo (Jo 14.21).

Os sentidos espirituais despertados na regeneração nos permitem "ver" e "ouvir" a realidade divina (1Co 2.14).

“Assim como temos sentidos físicos, temos também sentidos espirituais despertados no novo nascimento.”

— Wesley (

Sermão 45

)

6. REJEIÇÃO DO RACIONALISMO DE DESCARTES

Wesley recusa a suficiência da razão humana isolada.

O conhecimento salvífico vem da auto-revelação de Deus na experiência com o Espírito Santo (Rm 8.16).

Sua teologia se opõe tanto ao misticismo puramente subjetivo quanto ao racionalismo árido.

"O coração é iluminado pelo Espírito, não pela razão pura." — Runyon (The New Creation, p. 97)

PARTE 3 — A DOUTRINA DA SALVAÇÃO COMO CAMINHO

7. SALVAÇÃO: UMA VIAGEM PROGRESSIVA

Wesley via a salvação como um caminho processual (via salutis), não como um evento único e estático:

Graça Preveniente (Jo 6.44; Tt 2.11)

Graça Convincente (Jo 16.8)

Justificação e Novo Nascimento (Jo 3.3; Rm 5.1)

Santificação Progressiva (1Ts 4.3)

Perfeição Cristã (Perfeição em Amor)

(Mt 5.48; 1Jo 4.18)

Glorificação (Rm 8.30)

“A vida cristã é um caminho. O arrependimento é o alpendre; a fé, a porta; a santidade, a própria casa.”

— Wesley ( The Principles of a Methodist Father Explained)

8. A DINÂMICA DA GRAÇA RESPONSÁVEL

Deus atua soberanamente, mas o ser humano coopera (Fp 2.12-13).

A graça acompanha o crente em todas as fases da jornada.

Não há espaço para ociosidade espiritual nem perfeccionismo ansioso.

"A salvação não é apenas posição, mas transformação contínua pela graça." — Kenneth Collins (The Theology of John Wesley, p. 172)

PARTE 4 — AS GRANDES DOUTRINAS DA VIDA CRISTÃ EM WESLEY

9. JUSTIFICAÇÃO E NOVO NASCIMENTO

A justificação traz o perdão; o novo nascimento traz a nova vida (Jo 3.3; 2Co 5.17). Para Wesley, ambas são inseparáveis.

“Justificação e novo nascimento são duas obras simultâneas da graça.”

— Wesley (

Sermão 43

)

10. PERFEIÇÃO CRISTÃ: A SANTIDADE EM AMOR

A perfeição cristã não é impecabilidade, mas amadurecimento no amor a Deus e ao próximo (Mt 22.37-39; 1Jo 4.18).

“Santidade não é outra coisa senão amor perfeito.”

— Wesley (

Sermão 40

)

11. TESTEMUNHO DO ESPÍRITO

O crente tem certeza da salvação mediante o testemunho interno do Espírito (Rm 8.16).

"Essa confiança não nasce da razão, mas do Espírito que dá testemunho ao nosso espírito." — Wesley (

Sermão 10

)

12. SOTERIOLOGIA SOCIAL E SANTIDADE SOCIAL

A salvação gera compromisso com justiça social e misericórdia prática (Is 58.6-7; Tg 2.14-17).

Defesa dos pobres e oprimidos; Combate à escravidão e desigualdade; Promoção da educação e da saúde.

“A santidade wesleyana é santidade social: fé operante em amor no contexto histórico concreto.”

— Renders ( Andar Como Cristo Andou, p. 316)

PARTE 5 — A TEOLOGIA WESLEYANA COMO PRÁTICA PASTORAL E PROFÉTICA

13. ESPIRITUALIDADE ENGAJADA E SOCIAL

Cristianismo é "religião essencialmente social" (At 2.42-47; Mt 25.31-46).

Integra culto, comunhão e serviço aos necessitados.

Não admite santidade isolada.

"O evangelho de Cristo não conhece santidade que não seja social." — Wesley (

Sermão 24

)

14. ECUMENICIDADE E MISSÃO CONTEMPORÂNEA

A teologia wesleyana mantém:

Flexibilidade pastoral intercultural; Diálogo com outras tradições cristãs; Foco missionário: espalhar a santidade bíblica por toda a terra.

“No essencial, unidade; no não essencial, liberdade; em tudo, amor”

— (atribuído a Wesley, cf. Jo 17.21)

15. RELEVÂNCIA PARA O SÉCULO XXI

Em face do:

Individualismo religioso, Espiritualidade superficial, Extremismos teológicos, Wesley oferece:

Fé relacional e comunitária; Discipulado integral (mente e coração); Ortodoxia amorosa e equilibrada.

“A teologia de Wesley é o grande testemunho do amor santo que desce e transforma o ser humano.”

— Kenneth Collins ( The Theology of John Wesley, p. 19)

CONCLUSÃO A teologia wesleyana é uma teologia do caminho, profundamente bíblica, pastoral e missionária. Ela nos convida a participar:

Da graça preveniente de Deus, Da jornada de santificação diária, Do testemunho público da fé, Do amor prático ao próximo.

"A salvação não é apenas ser salvo do inferno, mas ser salvo do pecado em todos os dias de nossa vida." — Wesley (

Sermão 43

) BIBLIOGRAFIA CONSULTADA COLLINS, Kenneth J.

The Theology of John Wesley: Holy Love and the Shape of Grace. Abingdon, 2007.

RUNYON, Theodore.

The New Creation: John Wesley's Theology Today. Abingdon, 1998.

RENDERS, Helmut.

Andar Como Cristo Andou: A Salvação Social em John Wesley. São Bernardo: Editeo, 2006.

HINSON, William J.

A Dinâmica do Pensamento de Wesley. Ed. Brasileira.

GONZÁLEZ, Justo L.

Wesley Para América Latina Hoje. Metodista.

WESLEY, John.

Sermões de Wesley. Ed. Helmut Renders et al., Editeo, 2007.

O Avivamento Metodista+

Os irmãos João e Carlos Wesley, pastores anglicanos, embora muito bem intencionados, fracassaram em sua viagem missionária aos Estados Unidos que durou apenas 18 meses. Frustrado e deprimido, João Wesley exclamou: "fui à América evangelizar os índios, mas quem me converterá?".

Durante uma grande tempestade na travessia do Oceano Atlântico, João ficou profundamente impressionado com a confiança e tranquilidade demonstradas por um grupo morávio de cristãos pietistas que alegremente cantavam e louvavam ao nome do Jesus diante da perspectiva da morte. Tal atitude contrastava com os sentimentos de medo da morte e do juízo final. Tais experiências são o início de uma crise que o levará a uma grande descoberta!

O problema é que eles não conheciam a graça de Deus. Quando Carlos Wesley ficou doente a ponto de quase morrer, foi interrogado sobre aquilo em que depositava confiança para a vida eterna. Sua resposta foi: Tenho empregado meus melhores esforços para servir a Deus." Como o amigo que fizera a pergunta parecesse não ficar completamente satisfeito com a resposta, pensou Carlos: "Pois quê? Não são meus esforços razão suficiente para a esperança? Despojar-me-ia de meus esforços? Nada mais tenho em que confiar." (Vida do Rev. Carlos Wesley, de João Whitehead, p. 102).

Embora vivessem uma vida de rigorosa renúncia em busca da santidade que lhes garantisse o favor divino, por esta via, João e Carlos jamais alcançaram a paz e a alegria oriundas da certeza da salvação.

Foi somente no dia 24 de maio de 1738, numa pequena reunião, ouvindo a leitura de um antigo comentário escrito pelo reformador Martinho Lutero sobre a Carta aos Romanos, que Wesley sentiu seu coração aquecer-se de modo sublime, por haver compreendido perfeitamente a essência do Evangelho de Cristo, renunciando toda confiança em suas próprias obras e passando a confiar inteiramente no Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Após esta maravilhosa experiência, Wesley continuou se esforçando para agradar a Deus em tudo, porém não como um meio de se alcançar a salvação, mas como produto da fé e como resultado da graça; não como raiz, mas como fruto da graça santificadora. Nossos frutos são frutos do Espírito que opera graciosamente em nossos corações!

Esta chama acesa no coração de Wesley não foi fogo de palha! Tal experiência produziu uma verdadeira revolução e mudou sua perspectiva do Evangelho e da missão da Igreja. Wesley tornou-se um pregador fervoroso e incansável da justificação pela fé na cruz de Cristo e do poder do Espírito Santo para transformação e santificação de indivíduos e comunidades inteiras. Nos 50 anos que se seguiram, ele pregou em média de três sermões por dia; a maior parte deles ao ar livre. Milhares se converteram e passaram a trilhar o caminho da santidade. Um avivamento se deu de modo a afetar positivamente toda a sociedade, produzindo a abolição dos escravos, reformas educacionais, reformas no sistema prisional, reformas nas questões trabalhistas, de modo que historiadores chegam a atribuir ao movimento metodista o mérito da Inglaterra não ter padecido os horrores de uma revolução sangrenta como a que aconteceu na França.

O metodismo também foi um movimento missionário. Missionários foram enviados para diversos países. João e Carlos haviam fracassado feio em sua pioneira ação missionária nos Estado Unidos. Mas, depois da experiência do Coração Aquecido, o metodismo conquista o coração do povo americano. Em 1776 os metodistas representavam 2,5% da população religiosa nos Estados Unidos. Em 1850 os metodistas já representavam 34,2%! Em outras palavras, enquanto em 1776, 1 em 40 americanos eram metodistas, já, em 1859, eram 1 em cada 3! E nenhuma outra denominação chegava ao menos perto do número de metodistas naquela ocasião. Em segundo lugar vinham os batistas com 20,5%. (The Churching of America, 1776-2005: Winners and Losers in Our Religious Economy, Revised and Expanded Edition; Autores: Roger Finke e Rodney Stark).

A grande família metodista possui hoje cerca de 80 milhões de membros e está presente em 140 países. Nos últimos 10 anos, igrejas de linha de santidade se tornaram cada vez mais conscientes do seu patrimônio único e de seu potencial para ministrar com relevância as necessidades desta sociedade pós-moderna. Com ênfase na graça de Deus, transformação, e vida íntegra e autêntica diante de Deus e de outras pessoas, a mensagem de santidade é cada vez mais atraente para uma ampla gama de pessoas de todas as tradições religiosas. Sentem necessidade de rearticular a mensagem de santidade de modo a fazer jus ao seu legado histórico, a medida que também buscam evitar as armadilhas de dois extremos: legalismo, de um lado, e evangélicos genéricos sem transformação de vida, de outro. Portanto, estão se unindo no propósito de reformar a nação, particularmente a Igreja, a fim de espalhar a santidade bíblica sobre toda a terra.

A mensagem que o mundo mais precisa hoje em dia é exatamente esta mensagem de santidade enfatizada por João Wesley. As igrejas precisam de uma mensagem autêntica e clara que substituirá o “santo graal” de métodos como o foco de sua missão. Nossa mensagem é nossa missão!

Além do mais temos sido inundados por líderes que se tornaram prisioneiros de uma mentalidade de sucesso numérico e influência programática. Eles se tornaram tão preocupados sobre “como” administrar a igreja que negligenciaram o aspecto mais importante que tem a ver com “o que” a igreja declara. Nós inundamos o “mercado” com esforços metodológicos para fazer a igreja crescer. Neste processo, nossos líderes perderam a capacidade de liderar. Eles não conseguem liderar porque não tem nenhuma mensagem autêntica para transmitir, nem uma visão autêntica de Deus, nem uma compreensão transformadora da alteridade de Deus (Deus: o totalmente Outro). Eles sabem disto e desejam encontrar o poder centralizador de uma mensagem que faça a diferença. Mais que nunca desejam banhar-se em uma profunda compreensão do chamado de Deus pela santidade – vida transformada. Estão cansados de confiarem em métodos. Querem uma missão. Querem uma mensagem!

As pessoas hoje estão buscando um futuro sem terem uma memória espiritual. Eles suplicam aos cristãos por uma palavra generosa e integrante que faça sentido e faça a diferença. Temos a obrigação de deixar claro que Deus é relevante para a vida das pessoas. Nós temos de nos livrar de nossa obsessão por uma linguagem verborrágica, de expectativas embaraçosas e de nossos padrões intransigentes. Qual é o âmago, o centro, a essência do chamado de Deus? Eis aí nossa mensagem, eis aí nossa missão!

Aqui no Brasil, líderes de várias denominações de origem wesleyana se uniram para formar a Fraternidade Wesleyana de Santidade, que se reúne mensalmente com o intuito de orar e trabalhar em favor de um reavivamento que reforme a igreja e transforme a nação brasileira.

Fraternidade Wesleyana de Santidade http://santidadeeunidade.org http://santidadeeunidade.blogspot.com

Pronunciamento das Igrejas de origem Wesleyana na Assembléia Legislativa de São Paulo+

PRONUNCIAMENTO DAS IGREJAS DE TRADIÇÃO WESLEYANA NO DIA 21 DE MAIO NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO.

“UNIDOS PELA VIDA”

João Wesley, com seu irmão Carlos Wesley e um grupo de pessoas cristãs, revolucionou o pensamento e a prática cristã na Inglaterra no século XVIII No contexto de um caos religioso, moral, social, econômico, no princípio da industrialização, a partir de uma vital experiência religiosa ocorrida em 24 de maio de1738, surge um “movimento denominado wesleyano” do qual de sua vertente fluem vários grupos denominacionais cristãos, totalizando hoje no mundo o montante de 100.000.000 de fiéis mais seus familiares e seguidores.

Hoje, aqui, estamos com um contingente da Família Wesleyana em momento celebrativo representando as Igrejas Exército de Salvação, Holiness, Metodista, Metodista Livre, Metodista Wesleyana, Igreja do Nazareno , bem como outros segmentos da tradição wesleyana expressando a nossa gratidão a Deus pela visão e estilo de vida surgidas a partir do movimento no século XVIII e as dimensões espirituais, éticas, morais, sociais que ele nos delegou.

A Vocação divina concedida ao Movimento Wesleyano se fundamenta na Graça de Deus, revelada em Jesus Cristo, sob a dinâmica do Espírito Santo contempla a vitalidade de uma espiritualidade profunda de comunhão com Cristo, através de “uma experiência espiritual pessoal” progressiva, contínua guiando-nos ao caminho da “perfeição cristã”, também chamado de “santificação”.

Não é uma visão aparentemente “intimista”, mas tem os seus reflexos pessoal, familiar, social em todos os seus aspectos. Wesley pregou aos “mineiros”, nas prisões, lutou contra a escravidão, à marginalização da mulher, abriu espaços educacionais a uma multidão de crianças abandonas, dando uma dimensão de “piedade” e de “atos de misericórdia” junto da Comunidade.

São muitos os testemunhos históricos que afirmam que “esse movimento” livrou a Inglaterra de uma revolução sangrenta, proporcionando uma profunda reforma na vida da nação.

Cremos em nossa Vocação Cristã numa ação missionária que atinge a vida humana em seus vários segmentos, em particular numa responsabilidade cívica e social.

Nessa perspectiva, reafirmamos nesta Casa Legislativa o nosso compromisso com a vida manifesta em Cristo Jesus em termos de justiça, paz, reconciliação e integridade da criação.

Igualmente, assumimos o compromisso enquanto família wesleyana, em terras brasileiras, de continuar a exercer o ministério profético, de anúncio e edificação dos sinais do Reino de Deus e de denúncia e erradicação de tudo quanto gera injustiça e morte.

Fiéis à direção do Espírito Santo, sentimos que Ele nos leva ao compromisso de anunciar o Evangelho em sua plenitude, a lutar contra a injustiça sendo solidários com os pobres, oprimidos, marginalizados e discriminados pela presente ordem política, econômica, social, moral, ética e espiritual.

Dessa forma, comprometemo-nos a deixar que Deus nos use, como família cristã e wesleyana visando cumprir a nossa vocação histórica que é: “reformar a nação, particularmente a Igreja, e espalhar a santidade bíblica sobre toda a terra” (João Wesley). a. Respeito à liberdade de expressão e ser e à separação entre o Estado e a Igreja, não significando com isso ausência de diálogo e de uma ação profética a favor dos valores maiores do Reino de Deus fincados no amor, na reconciliação, na presença da Justiça, da ética, da paz, do respeito humano, da solidariedade e do respeito. b. Nossa preocupação com a tramitação no Senado Federal da PL 122/2006 (Projeto de Lei número 5003/2001), que criminaliza toda e qualquer manifestação contrária a orientação sexual da homossexualidade.Compreendemos que a PL fere à Constituição Brasileira que sublinha no caput do Art. 5 o: “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”, bem como, desrespeita a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 que no Art. 18 afirma “que todo homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião”, e no Art. 19 o complementa: “que toda a pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão, o que inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios independente de fronteiras. O PL favorece uma minoria em detrimento da grande maioria do povo brasileiro. c. A falta de uma ação mais efetiva que venha preservar o “meio ambiente”, expressando cuidado para com ele através da formação educativa de nossas crianças e jovens e de ações e leis que defendam os “mananciais”, as matas e florestas, os rios, as montanhas e tudo o mais que venha a desequilibrar o harmonia da Criação. d. Uma ação efetiva contra todas as formas de violência presentes no tecido social afetando pessoas, famílias grupos sociais os mais diversos. Nesse sentido, nos postamos a favor do desarmamento, tão necessário em nosso país. e. A cultura de uma ação cidadã responsável, através de uma educação cívica fundada em valores universais básicos para o respeito, o direito e a justiça sociais. f. Preocupação e busca de ação concreta contra a presença do “álcool, da droga, da liberação do sexo irresponsável”, que traz como consequência a deteriorização da Pátria e de seus cidadãos. g. A contraposição aos valores da Pós-modernidade, tais como o “individualismo”, o ”egocentrismo”, a “busca do prazer”, o “domínio da força”, o apogeu do nome, da autoridade, da posição, da busca do poder, do domínio a todo o custo, com os valores do Evangelho do Reino e da Ética Universal, respeitada por todos os que militam no caminho da Justiça e da Paz. h. Preocupa-nos uma “política” que estimula o “consumismo” sob todas as formas como um meio de desenvolvimento econômico, levando uma multidão de concidadãos à dívidas impagáveis, em especial pela cobrança indevida de altos juros nas transações efetuadas. i. Não concordamos com os “meios” que tendo em vista os “fins” a serem atingidos são usados de forma indevida e de forma contraditória em qualquer nível e área do viver, da vida nacional ou Internacional.

Fazemos este pronunciamento com respeito e consideração, orando ao Senhor a favordas nossas autoridades constituídas aqui, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, bem como pela presidência da República, Congresso Nacional e demais autoridades nacionais.

Expressamos o nosso respeito e colocando-nos à disposição através de nossas Igrejas aqui representadas para colaborar em favor de uma sociedade melhor para todos.

São Paulo, 21 de maio de 2011.

Adriel de Souza Maia, Bispo-Presidente 3 a.Região –Igreja Metodista.

Andreson Caleb – Bispo-Presidente 3 a. Região – Igreja Metodista Wesleyana, Eduardo Godoy- Pastor – Igreja Evangélica Holiness do Brasil José Ildo Melo – Bispo-Presidente da Igreja Metodista Livre.

Oscar Saches – Comissário Exército da Salvação.

L. Aguiar Valvassoura – Pastor-Presidente da Igreja do Nazareno.

Wesley, um exemplo histórico+

Wesley, um pouco de sua história Veremos agora um exemplo histórico de como uma boa escatologia pode gerar bons frutos em termos da missão integral da Igreja. Estaremos examinando como a teologia de John Wesley fez com que ele desenvolve-se um ministério integral de grande impacto social. Sua teologia só pôde impactar a sociedade, porque, em primeiro lugar havia impactado sua própria vida. Wesley procurava fazer com que sua vida e a vida dos metodistas de seu tempo servisse de exemplo de sua mensagem. Ele revelava um forte comprometimento com o Reino de Deus, através de seu estilo de vida simples, caracterizado pelas boas obras, vida abundante, frutos do Espírito, santidade, disciplina e evangelização, dando muita prioridade aos pobres. Além disto, temos a grande contribuição de Wesley para a eclesiologia, que foi a dinâmica, revolucionária para a época, de seu ministério, que proporcionou uma abertura para a participação dos leigos no ministério da Igreja, e com o seu sistema de grupos pequenos para edificação de comunidades de crentes maduros que pudessem cumprir a missão de serem sal da terra e luz do mundo. Estamos seguros de que, como todo exemplo humano, este também não está isento de erros, mas é um dos melhores que podemos encontrar em toda a história da Igreja, podendo servir de referência para aqueles que procuram fidelidade a Palavra de Deus e a Missão da Igreja.

João Wesley nasceu no dia 17 de junho de 1703 na cidade de Epworth. Seu pai se chamava Samuel Wesley e sua mãe Suzana Wesley. Teve 18 irmãos. João Wesley estudou na tradicional Universidade de Oxford, onde estudaram seu bisavô Bartolomeu Wesley, seu pai Samuel e o seu irmão mais velho, Samuel Filho. Todos se preparam para o sagrado ministério teológico pastoral. Em Oxford, João Wesley criou um grupo de estudantes, que ficou conhecido como 'Clube Santo'. Os demais alunos, notando que os membros do grupo tinham horário e método para tudo que faziam, os taxaram como 'metodistas'. Após os estudos, Wesley iniciou seu ministério pastoral na Igreja Anglicana, como assistente de seu pai. Aos 32 anos de idade, ele vai para os Estados Unidos como missionário, acompanhado de seu irmão Carlos Wesley. Esta experiência missionária durou quase três anos e não foi muito bem sucedida. Mas serviu para conscientizar Wesley de sua frieza espiritual, conduzindo-o a sua experiência de avivamento, que o levou a experimentar uma vida de santificação através da plenitude do Espírito Santo. Já na viagem de ida para os Estados Unidos, seu navio enfrentou uma terrível tempestade. Wesley ficou super abalado, sentindo medo de morrer. Mas existia ali, um grupo de Moravianos, que expressavam muita confiança e paz em Deus mesmo diante da perspectiva iminente da morte. O contraste foi evidente. Wesley começou a buscar o segredo para viver uma vida assim tão abundante e segura. Vemos aqui o fundamental papel do Espírito Santo que sacudiu Wesley em alto mar e o avivou e capacitou para a Missão. Já de volta a Inglaterra, em 24 de maio de 1738, Wesley foi para uma reunião dos moravianos em Aldersgate, onde teve sua experiência de avivamento quando ele sentiu o seu coração sendo estranhamente aquecido. Podemos dizer com segurança que tal experiência de plenitude do Espírito Santo, foi um divisor de águas, que impactou sua vida e começou a impactar o mundo ao seu redor.

Como não havia muitas oportunidades na Igreja Anglicana, Wesley pregava aos operários em praças e salões, algo muito incomum na época – muito embora ele não gostasse de pregar fora da Igreja! Mas vendo a necessidade de uma sociedade bíblica, João Wesley pregava a toda hora, 4 vezes por dia, aos mineiros e pobres, a todas as pessoas, em todos os lugares nas ruas, nos campos, nas casas e até em teatros. Havia protestos daqueles que diziam que estes não eram terrenos consagrados, mas Wesley respondia dizendo Jesus consagrou cada metro quadrado desta terra ao vir neste mundo! E tornou-se conhecidíssima sua frase que diz: "o mundo é a minha paróquia". Os novos convertidos e interessados eram convidados a fazer parte de uma classe de mais ou menos 12 pessoas com estudos que enfatizavam a formação do caráter cristão. Wesley criou uma nova fórmula de Igreja, introduzindo um sistema de grupos pequenos, denominado classes, que eram liderados por leigos.

Wesley parecia incansável em sua missão. Calcula-se que, em 50 anos, Wesley tenha percorrido 175 mil quilômetros e pregado 40 mil sermões, com uma média de 800 sermões por ano. A informalidade e o dinamismo do movimento wesleyano fez com que a nova Igreja Metodista crescesse nos Estados Unidos de 15.000 em 1780 para 2.675.035 em 1898. Segundo Mateo Lelièvre, “mais de 25.000.000 dos habitantes do globo terrestre achavam-se em 1898 debaixo da influência religiosa dos discípulos de Wesley” i. E pensar que Wesley tinha experimentado um verdadeiro fracasso em sua primeira viagem missionária aos Estados Unidos! O que o poder de Deus não é capaz de fazer!

Em 1738, Wesley enfrentava um período com as seguintes características: revolução industrial, urbanização, êxodo rural, povo pobre e marginalizado nas grandes cidades e que não eram muito bem-vindos nas igrejas anglicanas, que estavam elitizadas, racionalista, distante dos pobres e de suas necessidades, com grande disparidade entre clero e povo. O clero fazia parte da elite da sociedade. O puritanismo já havia se desvanecido e o que prevalecia era o cristianismo nominal. Havia muita embriagues, principalmente entre os pobres. Pessoas eram enforcadas publicamente por crimes banais. E havia ainda o grave problema da escravidão e do tráfico e comércio de escravos. A situação era tão difícil, que Voltaire anunciava e profetizava a ruína do Cristianismo, dizendo: “Na Inglaterra, estão tão cansados da religião que, caso se apresentasse uma nova, ou até mesmo uma antiga, renovada, fracassaria por completo.” ii Wesley não como uma nova religião, mas com uma religião renovada vai desmentir Voltaire. A seguir, veremos como a teologia e, em especial, a escatologia de Wesley, contribuíram para que Wesley não se conformasse diante dos desafios e dos problemas de seu tempo e agisse para mudança. i Lelièvre, Mateo.

João Wesley, sua vida e sua obra.

Tradução de Gordon Chown. São Paulo: Editora Vida. 1997. P. 371. ii Lelièvre, Mateo.

João Wesley, sua vida e sua obra.

Tradução de Gordon Chown. São Paulo: Editora Vida. 1997. P. 17.

Wesley, grupos pequenos como modelos da cultura do Reino+

Wesley preocupou-se com estruturas, buscou estruturas para envangelizar as massas e também para discipulado. Wesley pesquisou entre moravianos e pietistas. A questão chave para a edificação de uma Igreja com uma comunhão saudável que vive, nutre e reflete os valores do Reino de Deus foi, no movimento Wesleyano, o sistema de classes ou pequenos grupos de discipulado e santificação. O pequeno grupo é importante, pois transmite fé e não apenas conhecimento. Aprendemos muito mais através do convívio do que através da leitura. O poder da cultura é maior do que a força de nossa cosmovisão. O que significa que não adianta mudar nossa consciência, pois sozinha a consciência tende a sucumbir à cultura.

Um cristão pode até estar influenciado pelo ensino bíblico a mudar o seu estilo de vida, mas quando se depara com outros cristãos que estão vivendo em pecado assim como ele, acaba concluindo que não há nada de errado com ele.

Portanto, precisamos desenvolver a cultura cristã em comunidades que nutram os valores cristãos, onde seja possível experimentar na vivência comunitária os princípios do Reino de Deus. Por exemplo, para reverter a maré do materialismo na comunidade cristã, nós precisamos desesperadamente de modelos vivos. Por esta razão, as boas obras de caridade não devem permanecer em segredo. “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.16).

Snyder concorda com Richard Lovelace, que vê uma íntima relação entre o declínio do grande movimento metodista com o desprezo com que, com o passar do tempo, começou a ser tratada a estrutura das classes. i Não se deve desprezar o valor precioso papel destes pequenos grupos de apoio e cuidados mútuos, que promovem um ambiente acolhedor, solidário e favorável, para o desenvolvimento da cultura e dos valores do Reino de Deus, através também de uma série e salutar ordem disciplinar, com exortação em amor, oração em favor uns dos outros e estímulos mútuos para o desenvolvimento do caráter cristão pessoal e comunitário. Snyder chama a atenção para a necessidade que estes pequenos grupos tem de algo que vá além da mera comunhão, estudo e oração. Ele lembra que o sistema metodista implantado por Wesley demonstra o valor imprescindível de estruturas normativas para disciplina e missão, algo como um pacto de membros e supervisão dentro do grupo e de disciplina e supervisão do grupo e seus líderes ao grupo mais amplo da Igreja, etc. ii Uma revolução pode acontecer através de uma viva e efetiva luta em favor de justiça social, que começa com a edificação de uma comunidade de fé bíblica formada por discípulos cristãos. iii Estes pequenos núcleos são como sementes do Reino de Deus que germinam e impactam o mundo ao seu redor. Podemos pensar em algo como uma revolução espiritual de caráter contracultural que através da radicalização de suas ações e palavras, de modo que estejam comprometidas com os valores do Evangelho do Reino, a Igreja possa, com autoridade, desafiar o espírito de pecado e injustiça que tem dominado a sociedade em geral.

As classes caíram em desuso pelas seguintes razões: por causa da prosperidade dos metodistas, urbanização, mudança das reuniões das casas para igrejas; porque não se respeitou o número em torno de 12 pessoas (o número cresceu); e também por causa da profissionalização do ministério, que tornou o ministério algo um tanto elitista.

Agora, outra característica do movimento wesleyano, que merece destaque por sua tremenda contribuição ao desenvolvimento de comunidades cristãs que cumprissem sua missão de ser sal da terra e luz do mundo, foi a efetiva participação dos leigos. Leia a respeito em:

Wesley e a participação dos leigos na expansão do Reino. i Snyder, Howard A. The Radical Wesley and Patterns fo Church Renewal. Eugene, OR: Wipf and Stock Publishers, 1998, p. 149. ii Snyder, Howard A. The Radical Wesley and Patterns fo Church Renewal. Eugene, OR: Wipf and Stock Publishers, 1998, p. 162. iii Snyder, Howard A. The Radical Wesley and Patterns fo Church Renewal. Eugene, OR: Wipf and Stock Publishers, 1998, p. 165.

O Parecer dos Bispos Metodistas Livres sobre o G12+

G-12 e outros movimentos O Concílio dos Bispos da Igreja Metodista Livre, reunido em Butuan, Filipinas, 8-10 de outubro de 2009, em resposta às indagações sobre o movimento G-12, apresenta a seguinte declaração:

O Concílio dos Bispos reconhece que muitos movimentos contemporâneos, incluindo o G-12, têm práticas que, aparentemente, contribuem para a evangelização do mundo. Sempre que tais práticas não são contrárias à doutrina Metodista Livre, as igrejas locais podem fazer uso delas para ajudá-las a alcançar o mundo para Cristo. Ao mesmo tempo, no entanto, reconhecemos que estes movimentos, muitas vezes, incluem elementos que são questionáveis e até mesmo incompatíveis com a nossa doutrina e sistema de governo.

Lembramos a igreja que as Escrituras nos chamam para:

-sermos discípulos zelosos de Cristo que fazem discípulos (Mateus 28.19, Lucas 9.23-25); -Nos unirmos com outros para estimularmos uns aos outros ao amor e às boas obras (Hebreus 10.24); -sermos cheios do Espírito Santo, produzindo os frutos do Espírito e servindo no poder do Espírito (Efésios 5.18, Gálatas 5.22-23); -relacionarmos uns com os outros em humildade e mansidão, através da prática da mútua submissão(Efésios 4.2, Romanos 12.10), e; -exercitarmos os dons do Espírito para o cumprimento da missão de Cristo, convidando as pessoas à fé e promovendo a edificação do corpo de Cristo (Efésios 4.11-13). Cientes de que os dons e as manifestações do Espírito não são garantia de bom caráter e nem de autoridade espiritual (Mt 7.15-23).

Não recomendamos a aceitação dos ensinamentos de qualquer movimento em sua totalidade. Pelo contrário, todas as práticas e iniciativas ministeriais devem ser avaliadas pelo ensino claro das Escrituras, que nos instruem a "Examinar tudo e reter apenas o que é bom" (I Tessalonicenses 5.21).

Bispo José Ildo Swartele de Mello Presidente do Concílio de Bispos da Igreja Metodista Livre Algumas fotos do Concílio de Bispos na Filipinas: http://www.facebook.com/album.php?aid=42803&id=1178532609&l=eaa2fc7d99 Segue abaixo o texto original em inglês:

G-12 & other Movements The Council of Bishops of the Free Methodist Church, meeting in Butuan City, the Philippines, October 8-10, 2009, in response to inquiries about the G-12 movement, issues the following statement:

The Council of Bishops recognizes that many contemporary movements, including G-12, have practices that apparently contribute to the evangelization of the world. Where such practices are not contrary to Free Methodist doctrine, local churches may implement them to help them reach the world for Christ. At the same time, however, we recognize that these movements often include elements which are questionable and even incompatible with our doctrine and polity.

We remind the church that the Scriptures call us to:

-be earnest disciples who make disciples (Matthew 28.19, Luke 9.23-25); -join with others to stimulate one another to love and good deeds (Hebrews 10.24); -be filled with the Holy Spirit, bearing the fruit of the Spirit and serving in the power of the Spirit (Ephesians 5.18, Galatians 5.22-23); -relate to one another in humility and gentleness, practicing mutual submission (Ephesians 4.2, Romans 12.10), and; -exercise the gifts of the Spirit to carry out the mission of Christ, inviting people to faith and building up the body of Christ (Ephesians 4.11-13). The gifts and manifestations of the Spirit do not  guarantee one’s spiritual authority or character.

We counsel against the acceptance of any movement’s teachings in their totality. Rather, all practices and ministry initiatives should be evaluated by the clear teaching of Scripture, which instructs us to, “ Test everything. Hold on to the good.“ (I Thessalonians 5.21).

O movimento wesleyano de santidade e seu impacto nas vidas de Finney e Moody+

O grande avivamento wesleyano do Século XVIII continuou produzindo frutos no século seguinte. Veremos aqui dois bons exemplos disto: Finney e Moody.

Um jovem advogado chamado Charles Finney (1792-1875), descobriu o poder santificador e capacitador do Espírito Santo. Ele deu a sua experiência o nome usado em seus dias por alguns metodistas: "recebi um poderoso batismo com o Espírito Santo sem que eu tivesse qualquer expectativa naquele momento … o Espírito Santo desceu sobre mim de uma maneira que parecia passar por mim, atravessando o meu corpo e alma. Não há palavras para expressar o amor maravilhoso que foi derramado em meu coração. chorei alto de alegria … " Finney entrou para o "movimento metodista de santidade" recomendando a experiência para todos os cristãos, principalmente para os pastores e líderes.

A partir daí, houve um grande avivamento na cidade de Rochester, com a conversão de mais de duzentas mil pessoas ali. De acordo com o promotor de Rochester, o avivamento naquela cidade resultou numa diminuição de dois terços no índice de criminalidade, mesmo com a população da cidade triplicando por conta do próprio avivamento. Finney foi instrumental no grande avivamento de 1857 a 1858 dos 'grupos de oração', que espalhou-se por dez mil cidades e municípios, resultando na conversão de pelo menos um milhão de pessoas. Somente entre janeiro e abril de 1858, cem mil pessoas foram salvas nestas reuniões de oração que aconteciam ao meio-dia.

Algumas décadas mais tarde, Dwight L. Moody (1837-1899), participando desta mesma tradição, foi estimulado pelas continuas orações de duas senhoras Metodistas Livres, “Auntie Cook" e "Mrs. Snow," que clamavam a Deus para que ele recebesse o poder através da plenitude do Espírito Santo. A princípio, ele estranhou que elas estivessem orando por ele, tanto que disse a elas: “Por que vocês estão orando em meu favor? Vocês deveriam orar em favor dos não convertidos.” Mas, logo depois, ele passou também a orar com instancia para que fosse revestido pelo poder do Espírito. Então, como relatou R. A. Torrey, Moody recebeu sua resposta, sem aviso prévio, no meio da agitação e pressa da Wall Street em Nova York:

"O poder de Deus caiu sobre ele enquanto caminhava até a rua e ele teve que apressar-se para a casa de um amigo para pedir o favor de entrar e ficar em um aposento reservado, onde passou horas à sós com Deus. E o Santo Santo veio sobre ele, enchendo sua alma com tanta alegria que, finalmente, ele teve que pedir a Deus para reter a sua mão, para que não morresse de tanta alegria˜.

Moody é reconhecido como o maior evangelista do século XIX. Estabeleceu o Instituto Bíblico Moody que tem servido de grande força aos evangélicos e tem preparado pregadores, missionários e líderes que têm trabalhado em todos os continentes do mundo. Moody era homem simples e honesto Não aceitava enriquecer as custas do Evangelho. Destinava os lucros das vendas do hinário de sua autoria ao sustento das escolas de Northfield. Pouco antes de sua morte, relativamente pobre, declarou: "minha esposa e meus filhos simplesmente terão que confiar no mesmo Deus em que tenho confiado".

Pelo seus frutos os conhecereis!

Bispo Ildo Mello Fontes:

Torrey, R. A. Why God Used D. L. Moody: http://www.wholesomewords.org/biography/biomoody6.html CHARLES G. FINNEY AN AUTOBIOGRAPHY (1908 version) http://www.ntslibrary.com/PDF%20Books/Charles%20Finney.pdf http://www.avivamentoja.com/pmwiki.php?n=Passado.Finney http://www.christianitytoday.com/history/2008/august/do-non-charismatics-do-holy-spirit-baptism.html

Grupos Pequenos e a Santidade no Avivamento Wesleyano+

Visando criar melhores condições para a formação do caráter de Cristo em cada discípulo, Wesley organizou os metodistas em pequenos grupos de aproximadamente 12 pessoas que se reuniam semanalmente para estudar a Bíblia, orar e testemunhar sobre o estado de suas almas em busca de perdão e cura.

Wesley publicou uma lista de questões para os líderes das classes ajudarem os membros a se auto-examinarem:

Quais dos pecados conhecidos você cometeu desde nossa última reunião?

Quais tentações você superou?

Como Deus falou com você?

Você teve algum pensamento, palavra ou ato que possa ser pecaminoso?

Após o perdão, o líder pronunciava a seguinte frase de acolhimento: "nós os recebemos com alegria"!

É preciso confessar os nossos pecados a Deus para recebermos perdão. João escreveu aos cristãos: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1 Jo 1.9).

Devemos também confessar os nossos pecados às pessoas que ofendemos: "Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe. Se, por sete vezes no dia, pecar contra ti e, sete vezes, vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe" (Lc 17.3-4).

Mas, não pára por aí, pois a Bíblia também ensina que precisamos confessar nossos pecados uns aos outros no seio da Igreja para sermos curados espiritualmente e até fisicamente: "Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo" (Tg 5.16). Os grupos pequenos são um ótimo ambiente para isto. Precisamos de amigos maduros na fé em quem possamos confiar. Precisamos muito uns dos outros. A vida cristã não é uma jornada solitária. Não existe cristianismo sem Igreja. A Igreja é o Corpo de Cristo. Paulo escreveu "a fim de que não haja divisão no corpo, mas, sim, que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos outros. Quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele (1 Co 12.25-26).

A Igreja é uma comunidade de cura e misericórdia onde reinam o amor, a justiça e a verdade. De fato, ela se parece mais com um hospital para os enfermos do que com um museu de santos. Lembrando que os doentes procuram o hospital para serem curados! A santidade é a saúde da alma! Não devemos ocultar nossas enfermidades, precisamos ser humildes para reconhecer que precisamos de ajuda e para sermos capazes de confessar nossas fraquezas em busca da cura de nossas almas! De outra forma, sozinhos, acabaremos sucumbindo ao pecado. “Quem esconde os seus pecados nunca prosperará; mas quem os confessa e os abandona será perdoado” (Pv 28.13).

Bispo Ildo Mello Fraternidade Wesleyana de Santidade: santidadeeunidade.org – santidadeeunidade.blogspot.com Igreja Metodista Livre: metodistalivre.org.br/ Blog: escatologiacrista.blogspot.com Igreja: imeldemirandopolis.blogspot.com Vídeos: youtube.com/ildomello Estudos: scribd.com/ildomello Siga-me: twitter.com/ildomello

81 pastores confirmaram presença no Dia de Treinamento na Doutrina de Santidade Bíblica promovido pela Fraternidade Wesleyana de Santidade+

81 pastores confirmaram presença no Dia de Treinamento na Doutrina de Santidade Bíblica promovido pela Fraternidade Wesleyana de Santidade que acontecerá nesta Segunda-feira no Espaço Metodista 24 H, R. Major Diogo, 285, das 8 às 14 h. Vide programação abaixo.

Haverá representantes das seguintes denominações: Metodista Livre, Metodista, Metodista Wesleyana, Holiness, Exército de Salvação, Nazareno, Comunidade da Graça, Anglicana, O Brasil para Cristo e SEPAL.

Metodista Livre Kevin Mannoia Ildo Mello Nelson Marcondes Dionísio Oliveira Nilson Campos Rodrigo Lima Edson Souza Jubal Souza Simei Pereira de Oliveira Sidney Oliveira Marie Oliveira Eduardo Adriano Adriana Paula Katia Okada Daniel Yoshimoto Ester Maeda Jorge Issamu Edenilson Mei Gilberto Sousa Gerson Molina Ademir Rondanin André Iório José Olacyr Odete Ono João Jardim David Souza Rocha Jr Valdir Tavares da Silva Fábio Elton Metodista Bispo Adriel Maia Bispo José Carlos Peres Bispo Stanley da Silva Moraes Bispo Adonias Pereira do Lago Rev. Alcides Alexandre de Lima Barros Rev. Luis Carlos Pr. Alcides Pr.Edvaldo Pr. Lupercio Pra. Josimeyre Pr. Alexander Pra. Meire Timoteo Pr. Miguel Angelo.

Pr. Wesley Teixeira Holiness Eduardo Goya Liana Goya Yokimi Yuaça Tereza Kamiya Minako Suzuki William Maki Suzuki Luiz Hashimoto Noemi Hashimoto Metodista Wesleyana Daniel de Oliveira Carmem de Oliveira Elias Cirilo Ataulfo Monteiro B. Sá Davi Seiberth Arantes Danilo Buccini Douglas Alves Marcone Almir Elias Robson Exército de Salvação Comissário Oscar Sanchez Major Wilson Strasse Major Nara Strasse Capitão Nelson Wakai Major Maria Azevedo Major Marcio Mendes Major Elisana Lemos Major Iolanda Camargo Comunidade da Graça Carlos Alberto Antunes Osmar Misael Dias Valmir Ventura Wagner Fernandes Gilberto Dalmaso Adhemar de Campos Nazareno Pr. Mateus Ramos Igreja Anglicana Rev. Leandro da Igreja Anglicana de Santos O Brasil para Cristo Pr. Arnaldo Sr. Silas Pr. Paulo Freitas SEPAL Douglas Lamp Bárbara Lamp Programação Data: 27 de Fevereiro Horário: das 8 às 14 h Custo:

R$ 20,00. Favor confirmar presença até Sexta-feira, dia 24 Local:

R. Maj. Diogo, 285 – São Paulo, Capital.

Programação:

08h00 – Café da Manhã 09h00 – Louvor e oração 09h15 – Palestra do Dr. Kevin Mannoia 09h45 – Perguntas e debate 10h00 – Painel de líderes (10 minutos para cada): “Fale sobre um ou dois princípios chaves que você percebe como fundamentais na mensagem de Santidade?”

Moderador: Bispo Ildo Mello da Metodista Livre Capitão Nelson Wakai do Exército de Salvação Bispo José Carlos Peres da Metodista Pr. Carlos Alberto da Comunidade da Graça Pr. Eduardo Goya da Holiness Pr. Mateus Andrade Ramos da Igreja do Nazareno Pr. Almir da Metodista Wesleyana 11h15 – Intervalo/Café 11h30 – Palestra com Dr. Kevin Mannoia 12h00 – Discussão em grupos pequenos (5-6) – “Como é que estes princípios causariam uma diferença em meu ministerio?”

12h30 – Breve relatório dos Grupos 12h45 – Encerramento com almoço Bispo Ildo Mello Santidadeeunidade.org Santidadeeunidade.blogspot.com

Um tição tirado do fogo!+

Em 09 de fevereiro de 1709, com cinco anos de idade, John Wesley escapou por pouco da morte em um terrível incêndio que destruiu completamente a sua casa em Epworth. Mais tarde, ele se referiu a si mesmo como "um tição tirado do fogo." (Amós 4.11 e Zacarias 3.2).

Segue um breve relato deste maravilhoso livramento:

O céu, à meia-noite, era iluminado pelo reflexo sombrio das chamas que devoravam vorazmente a casa do pastor Samuel Wesley. Na rua, ouviam-se os gritos: “Fogo! Fogo!” Contudo, a família do pastor continuava a dormir tranqüilamente, até que os escombros ardentes caíram sobre a cama de uma filha, Hetty. A menina acordou sobressaltada e correu para o quarto do pai. Sem poder salvar coisa alguma das chamas, a família foi obrigada a sair casa a fora, vestindo apenas as roupas de dormir, numa temperatura gélida.

A ama, ao ser despertada pelo alarme, arrebatou a criança menor, Carlos, do berço. Chamou os outros meninos, insistindo que a seguissem, e desceu a escada; João, porém, que então contava 5 anos e meio, ficou dormindo.

Três vezes a mãe, Susana Wesley, que se achava doente, tentou, debalde, subir a escada. Duas vezes o pai tentou, em vão, passara pelo meio das chamas, correndo. Sentindo o perigo, ajuntou a família no jardim, onde todos caíram de joelhos e suplicaram em favor da criança presa pelo fogo.

Enquanto a família orava, João acordou e, depois de tentar descer pela escada, subiu numa mala que estava em frente a uma janela, onde um vizinho o viu em pé. O vizinho chamou outras pessoas e, juntos, conceberam o plano de um deles subir nos ombros de um primeiro enquanto um terceiro subia nos ombros do segundo, até alcançarem a criança. Dessa maneira, João foi salvo da casa em chamas, apenas instantes antes de o teto cair com grande fragor.

O menino foi levado, pelos intrépidos homens que o salvaram, para os braços do pai. “Cheguem amigos!”, clamou Samuel Wesley ao receber o filhinho. “Ajoelhemo-nos e agradeçamos a Deus! Ele me restituiu todos os meus filhos. Deixem a casa arder; os meus recursos são suficientes”. Quinze minutos depois, casa, livros, documentos e mobiliário não existiam mais.

Anos mais tarde, em certa publicação, apareceu o retrato de João Wesley e embaixo a representação de uma casa ardendo, com as palavras: “Não é este um tição tirado do fogo?” (Zacarias 3.2).

John Wesley viria a ser o instrumento de Deus para o "Grande Avivamento Metodista" que o historiador Lecky diz ter sido a influência que salvou a Inglaterra de uma revolução igual à que, na mesma época, deixou a França em ruínas.

Reunião de líderes da Fraternidade Wesleyana de Santidade realizada no dia 10 de Maio na Sede Nacional da Igreja Metodista+

Reunião de líderes da Fraternidade Wesleyana de Santidade realizada no dia 10 de Maio na Sede Nacional da Igreja Metodista em São Paulo.

O grupo de Fraternidade Wesleyana de Santidade, que reúne várias igrejas de tradição wesleyana, se encontrou novamente na manhã de ontem (10), nas dependências da Sede Nacional da Igreja Metodista em São Paulo.

O encontro iniciou-se com uma devocional dirigida pelo bispo da Igreja Metodista Livre, bispo Ildo Mello, que abordou o texto bíblico de Atos 9.36-43, seguido do testemunho do Pr. Luciano Gandini sobre a vivência da doutrina da Santidade na Igreja do Nazareno. Houve também um abençoado momento de oração em pequenos grupos de 3 pessoas. Os líderes wesleyanos discutiram uma possível parceria com a Azusa Pacific University visando oferecer cursos especializados em Doutrina Wesleyana aos pastores e líderes leigos de origem metodista.

A segunda metade da reunião foi dedicada a seguinte questão:

"Como articular a doutrina da santidade diante dos desafios contemporâneos que assolam a família?" Form preciosos momentos de ouvir uns aos outros. Ficou decido que o assunto será aprofundado em futuros encontros da Fraternidade Wesleyana de Santidade. O encontro foi finalizado com um saboroso almoço oferecido pela Sede da Igreja Metodista.

Para saber mais sobre o Grupo de Fraternidade Wesleyana e o resultado das últimas reuniões acesse Fraternidade Wesleyana de Santidade ou o Blog da Santidade.

O que é Grupo Fraternidade Wesleyana de Santidade?

Grupo de representantes das Igrejas de Herança Wesleyana busca uma compreensão mais aguçada da obra de santificação que Deus opera em indivíduos e em comunidades inteiras. O objetivo é aprender uns com os outros, buscando encontrar as melhores formas de articular a mensagem de santidade no contexto atual e jus ao nosso legado histórico, a medida que também busca-se evitar as armadilhas do legalismo de um lado, e de uma "graça barata" de outro, que trata o tema da santidade como algo apenas posicional e não vivencial.

Veja o álbum de fotos da reunião que aconteceu na Sede Nacional dia 10 de maio.

Fonte: http://www.metodista.org.br Conteúdos relacionados Entrevista:

Bispo Ildo explica o que é o movimento de santidade Grupo de Fraternidade Wesleyana se reúne novamente Encontro das Igrejas de tradição wesleyana no Rio

Conexão Wesleyana de Santidade reunida em 21 de Outubro de 2010+

Encontro de 21 de Outubro de 10 Foi muito bom o encontro da Fraternidade Wesleyana de Santidade que tivemos esta manhã no Exército de Salvação, que nos recebeu de maneira muito carinhosa, oferecendo-nos deliciosos café e almoço! Na última hora, devido há alguns imprevistos, os pastores Geraldo Nunes, Fernando Cesar, e Alexandre Zanatta não puderam estar conosco como tanto gostariam. A exposição que trariam sobre a teologia e prática da santidade no contexto Nazareno ficou, então, adiada para uma próxima ocasião. Contudo, fomos abrilhantados pela exposição de Nelson Wakai sobre a história da teologia de santidade no contexto do Exército de Salvação e pela inspirada mensagem do Bispo Caleb da Metodista Wesleyana.

A seguir, o Bispo Stanley coordenou um edificante debate sobre os temas levantados pelos dois palestrantes. Concluímos definindo detalhes do próximo encontro e também tratamos animadamente do grande encontro que pretendemos fazer no dia 21 de Maio de 2011 para celebrar o Dia do Coração Aquecido. Queremos reunir mais de 10 mil pessoas! (Clique aqui para saber mais a respeito)

Segue abaixo, vídeos das palestras deste encontro + texto da palestra de Nelson Wakai.

Um grande abraço a todos!

Bispo Ildo Mello Obs:

A Fraternidade Wesleyana de Santidade reúne os principais líderes de todas as denominações de tradição wesleyana para aprender uns com os outros e para orar por um avivamento que promova um mover do Espírito para santificação de vidas, famílias e comunidades inteiras, de modo a transformar o Brasil. Estamos nos unindo em torno de nossa mensagem!  Conheça o Site da Fraternidade Wesleyana de Santidade: http://holinessandunity.org/ Vídeos:

História da teologia de santidade no Exército de Salvação Palestra de Nelson Wakai sobre a história da teologia de santidade no contexto do Exército de Salvação São Paulo, 21 de outubro de 2010 Notas para o encontro da Fraternidade Wesleyana de Santidade no Quartel Nacional do Exército de Salvação. 1) Nosso lugar no Movimento Dentre as onze doutrinas fundamentais [ … ]

Mensagem do Bispo Caleb Mensagem do Bispo Anderson Caleb da Metodista Wesleyana baseada em Atos 4.13, ressaltando que a santidade é derivada da nossa comunhão com Cristo.

Fraternidade Wesleyana de Santidade em 17nov11+

Fraternidade Wesleyana de Santidade reuniu-se em 17nov11 no Quartel do Exército de Salvação em São Paulo. Contamos com a participação de 17 pessoas: Do Exército de Salvação: Oscar, Ana, Márcio, Jurema, Veronica, Nelson e Wilson; Da Metodista Wesleyana: Ataulfo e Davi; Da Metodista: Adriel, Peres, Stanley e Nelson; Da Holiness: Eduardo, Da Metodista Livre: Katia, Shigueru e Ildo.

O Exército de Salvação preparou com muito capricho deliciosos café da manhã e almoço, que foram apreciados por todos.

O Bispo Ildo começou dando um breve relatório de sua participação no encontro de líderes wesleyanos em Chicago e aproveitou para apresentar um resumo dos trabalhos da Fraternidade até o presente momento. Todos louvaram a Deus pelas conquistas em termos de comunhão e realizações em apenas um ano e meio de existência.

A seguir separamos um tempo para oração. Após orarmos, passamos a debater a polêmica questão: "O amor de Deus é incondicional"? A santidade ou o caráter de Deus refletem uma perfeita combinação dos atributos divinos do amor e da justiça. Corremos sempre o risco de enfatizar um em detrimento do outro.

A última parte da reunião foi dedicada a troca de idéias e planejamento das atividades de 2012. Ficou definido que nossos encontros serão bimestrais. Metade deles voltada para os presidentes e principais líderes denominacionais e a outra metade voltada para a capacitação de pastores e líderes.

Decidimos que as Grandes Celebrações do Coração Aquecido deverão acontecer de dois em dois anos.

Propomos que cada denominação monte uma equipe dedicada a promoção da unidade e da santidade para nos ajudar a difundir a visão e a mobilizar todos os nossos pastores e membros.

Planejamos realizar o próximo encontro no mês de Fevereiro na Igreja do Nazareno em Campinas. O Dr. Kevin Mannoia participará deste encontro que desejamos transformar numa conferencia de santidade para pastores e líderes.

Deus tem feito grandes coisas, por isto estamos alegres e animados em relação ao futuro! www.santidadeeunidade.org www.santidadeeunidade.blogspot.com

João Wesley era pós-milenista+

A maioria dos wesleyanos desconhece o fato de que João Wesley era pós-milenista e que tal visão escatológica exerceu um papel preponderante em sua confiança na supremacia da graça sobre os efeitos do pecado tanto no que diz respeito a santificação individual como também social. Por conta deste otimismo foi que ele se levantou contra a escravidão e toda a gama de injustiças sociais de seus dias. Entendo que existe uma série de preconceitos contr a a posição pós-milenista e também contra a amilenista no contexto evangélico brasileiro. Muitos desconhecem a exatidão hermenêutica e a força dos argumentos pós-milenistas. Mais abaixo, palestra a respeito.

Um dos textos que revelam que Wesley era pós-milenista:

“Foi então que os fundamentos do inferno se abalaram e o Reino de Deus foi-se alargando progressivamente. Por toda parte havia pecadores ‘voltando-se das trevas para a luz e do poder de Satanás para Deus’… Assim se espalhou o Cristianismo sobre a face da terra. Ele havia ‘edificado sua igreja sobre a rocha e as portas do inferno não prevalecerão contra ela’(Mat. XVI:18). Veremos, porventura, maiores coisas do que estas? Sim, maiores do que as tem havido desde o começo do mundo. Pode Satanás fazer naufragar a verdade de Deus ou invalidar suas promessas? Se não, tempo virá em que o Cristianismo prevalecerá sobre todas as coisas e cobrirá a terra… O mundo cristianizado… Tendo, pois, considerado, ainda que brevemente, o cristianismo em seu começo, em seu crescimento e cobrindo, afinal, a terra.” (Wesley, John . Sermões de Wesley. Tradução Nicodemus Nunes. Imprensa Metodista. 3a. Edição – 1985. Volume 1, p. 90-91 e 93).

Recomendo que assistam a palestra que dei sobre o cumprimento histórico da impressionante profecia de Daniel 2:

Veja também a apresentação em PowerPoint em anexo e no link abaixo:

Impressionante Cumprimento Da Profecia de Daniel by José Ildo Swartele de Mello

Consórcio Wesleyano de Santidade+

Grupo de representantes das Igrejas de Herança Wesleyana que tem se reunido para aproximação e possíveis ajudas mútuas entre nossas igrejas. Reunião realizada no dia 13 de Julho na Igreja Metodista do Meier com a presença do Dr Kevin Mannoia. A reunião foi uma grande benção e um momento histórico para nossas Igrejas. Os mais “empolgados” chegaram a registrar quase 500 pessoas que passaram pela nossa programação, embora não tenham ficado todos ao mesmo tempo, realmente vários chegaram no final da tarde, enquanto que outros tiveram que se retirar. Tenho mais de 300 inscrições com bastantes Superintendentes Distritais, além de vários pastores e lideranças leigas das Igrejas Metodista, Metodista Wesleyana, Metodista Livre, Metodista Ortodoxa, Nazareno e Exército de Salvação. Creio que estamos vivendo um momento histórico para o povo de herança Wesleyana.

No dia 15 de Julho de 2010, Dr. Kevin Mannoia esteve reunido com as seguintes líderes: Bispo Adriel Maia, Bispo Nelson Leite, Bispo Stanley Moraes (Igreja Metodista); Pr. Odilon Pereira e Pr. Ataulfo Sá (Metodista Wesleyana); Pr. Key Yuasa, Pr. Eduardo Goya e  Pra. Yokimi Yuaça (Holiness); Capitão Nelson Wakai e Oficial Raquel Elizabete de Sousa (Exército de Salvação); Bispo Ildo Mello, Pr. Nilson Campos, Pr. Dionísio Oliveira, Alberto Kuwano e Jorge Hirakawa (Igreja Metodista Livre). Foi o primeiro passo para a organização de um consórcio wesleyano que visa promover unidade em torno de nossa herança comum, em especial, a mensagem de santidade. Queremos aprender uns com os outros, buscando encontrar as melhores formas de articular a mensagem de santidade no contexto atual de modo a fazer jus ao seu legado histórico, a medida que também buscamos evitar as armadilhas do legalismo de um lado e de uma "graça barata", de outro, que trata o tema da santidade como algo apenas posicional e não vivencial.

Fraternidade Wesleyana de Santidade em 18Abr13+

, Líderes wesleyanos reunidos para orar e refletir sobre a doutrina de santidade e planejar ações conjuntas para espalhar a santidade bíblica pelo Brasil e por toda a terra.

Iniciamos com um delicioso café da manhã oferecido pela Metodista Wesleyana. Oramos em favor da Lucimar, esposa do Bispo Anderson Caleb que está hospitalizada. Os pastores Luiz, Eduardo e Yokimi da Holiness e o Pr. Fernando, superintendente da Concílio Sudeste da Igreja do Nazareno também justificaram suas ausências.

O Bispo Ildo Mello trouxe uma meditação baseada nos primeiros capítulos de seu livro: "Principados e Poderes" que será lançado no dia 22 de Maio na rua da Rosas, 445.

Tivemos um momento de compartilhamento e oração em grupos pequenos.

O Pr. Carlos Alberto Antunes compartilhou com propriedade como é que a doutrina de santidade tem sido articulada no contexto da Comunidade da Graça. Seguido por um debate em torno do assunto.

O Coronel David Bowles do Exército de Salvação falou sobre o projeto de evangelização para o período da Copa do Mundo.

O Bispo Adriel Maia compartilhou sobre os preparativos para a grande vigília do Coração Aquecido que acontecerá no dia 24 de Maio. das 22 às 5 da manhã na Catedral Metodista. Cada Igreja terá de 45 a 60 minutos para conduzir momentos de louvor, mensagem e oração. A ordem será a seguinte: 1) Metodista, 2) Metodista Wesleyana, 3) Exército de Salvação, (intervalo), 4) Holiness, 5) Nazareno e 6) Metodista Livre.

Fomos grandemente abençoados. Louvamos a Deus pela disposição e empenho de cada líder.

Lançamento do Filme “Wesley: um coração transformado para mudar o mundo”+

Depois do reformador Alemão Lutero, ganhar as telas através da produção cinematográfica “Lutero, O Filme”, agora é a vez de outro grande reformador, o Avivalista Inglês John Wesley, ganhar a sua versão em longa metragem.

"Wesley: um coração transformado" é um drama de fé e renovação. Esta verdadeira história é baseada no diário real de John Wesley, fundador do movimento metodista, ao lado de seu irmão, o prolífico compositor musical, Charles Wesley. Este filme está repleto de aventura, romance e desafio. Ao longo desta apresentação dramática, os espectadores vão se identificar com as lutas pessoais desses grandes heróis da fé. Perceberam também como é que foi que o poder transfomador da graça de Deus transformou suas vidas e o mundo ao seu redor.

Este longa metragem, há muito aguardado, foi premiado por seus efeitos especiais, fotografia deslumbrante e autênticos figurinos do século XVIII, o filme “Wesley: A Heart Transformed Can Change the World” (Título em Inglês), será lançado em oficialmente no Brasil na Celebração do Coração Aquecido, dia 21 de Maio no Ginásio do Ibirapuera, ocasião em que a grande família wesleyana estará reunida para celebrar a experiência que transformou a vida de Wesley e impactou seu país e o mundo.  Não Percam!

Conheça o blog Santidade e Unidade que reúne pastores e líderes cristãos no propósito de reformar a nação, particularmente a Igreja, e espalhar a santidade bíblica sobre toda a terra, conforme o legado de Wesley.

Encontro da Fraternidade Wesleyana de Santidade – fotos, vídeo e agenda 2013+

Fraternidade Wesleyana de Santidade, composta por líderes da líderes das Igrejas Metodista, Holiness, Nazareno, O Brasil para Cristo, Metodista Wesleyana, Comunidade da Graça, Exército de Salvação e Metodista Livre, em reunião realizada na Metodista da Luz na manhã de 28 de Novembro de 2012. Abaixo, mensagem do Bispo Caleb, fotos do evento e a agenda que aprovamos para 2013.

Mensagem do Bispo Anderson Caleb:

Fotos: https://www.facebook. com/media/set/?set=a.

4896740214528.191425.

1178532609&type=1&l=d059bbc972 Agenda para 2013:

16/Fevereiro – Sábado – das 9 às 13 h Encontro Geral para todos os pastores Igreja Metodista Wesleyana de Vila Nivi Rua Parambú, 82 – Parque Vitória – São Paulo – SP Tel.:

11 2212-1924 18/Abril – Quinta – das 9 às 13 h Encontro de Líderes da Fraternidade Wesleyana de Santidade Local: Sede da Metodista Wesleyana Rua Ezequiel Freire, 670 – Santana – cep: 02034-002 – São Paulo – SP Fone:

(11) 3297.5757 24/Maio – Sexta – das 23 às 6 h Vigília do Coração Aquecido!

Local pretendido a confirmar: Catedral Metodista de São Paulo Julho Dia de treinamento para pastores Data e local a serem confirmados 26/Setembro – das 9 às 13 h Encontro de Líderes da Fraternidade Wesleyana de Santidade Local a ser confirmado (Exército de Salvação?)

7/Novembro – das 9 às 13 h Encontro de Líderes da Fraternidade Wesleyana de Santidade Local: Igreja Holiness Rua Guiratinga, 980, Bosque da Saúde Fone: 5594-6116 Um grande abraço a todos,

Carta Aberta à Nação+

O Consorcio de Santidade, formado por igrejas e instituições de tradição wesleyana, nesse momento em que nosso país atravessa denúncias de corrupção, turbulências políticas e ameaças às instituições democráticas vem a público expressar solidariedade às famílias dos mais de 530 mil mortos vítimas de COVID-19 e repudiar quaisquer ameaças e/ou tentativas de ruptura democrática.

Manifestamos nosso apoio à Constituição Federal; reafirmamos nosso apreço e defesa dos valores democráticos e nosso compromisso com os grandes princípios constitucionais de liberdade (inclusive religiosa, de organização e de culto), igualdade, justiça e respeito à dignidade da pessoa humana independente de raça, cor, credo, partido político ou orientação sexual e declaramos que somos contrários a todo poder que gera a morte.

Igualmente, nos juntamos a todas as pessoas de bem – civis, militares, religiosos e arreligiosos – e às instituições da sociedade civil na defesa da democracia.

Ao mesmo tempo, apelamos às autoridades constituídas para que exerçam o seu papel constitucional na promoção do bem, na proteção da vida, na busca de soluções para os problemas que assolam nossa nação, no combate à corrupção e na construção de um Brasil melhor para todos.

Em nome da Conexão Wesleyana de Santidade, composta pelas Igrejas Metodista, Metodista Livre, Exército de Salvação, Nazareno, Holiness, Metodista Wesleyana e Comunidade da Graça, Bispo José Ildo Swartele de Mello

São Paulo, 14 de julho de 2021.

Fraternidade Wesleyana de Santidade reunida em 18/07/13+

, um álbum no Flickr.

Fraternidade Wesleyana de Santidade reunida em 18/07/13 na imel de Vila Moraes, que nos recebeu com um delicioso café da manhã e sua equipe de músicos nos conduziu em um momento de adoração a Deus.

O Pr. Fernando, superintendente da Igreja do Nazareno do sudeste paulista, trouxe uma excelente mensagem baseada no texto de Atos 28, estabelecendo um paralelo entre as experiências da dura viagem de Paulo e o ministério pastoral. Link: youtu.be/g4b6O3iTYmg Depois, tivemos um tempo de oração uns pelos outros.

O Dr. Kevin Mannoia falou sobre vocação, não apenas pastoral, mas de toda e qualquer espécie. Tratando do adequado balanço entre paixão e preparo, além de ter deixado claro o que é que atribui valor a nossa vida e vocação. Muita sabedoria de Deus para as nossas vidas! Não deixem de assistir! Link: youtu.be/Arfrg5bYwoM As mensagens deste encontro também estão disponíveis em áudio: http://snd.sc/1dJD104 Pr. Levi, um dos líderes da Fraternidade do Distrito Federal esteve presente ao nosso encontro e deu relatório sobre a unidade e atividades dos líderes weleyanos no coração do Brasil, o que alegrou e animou a todos.

Louvo a Deus pelo mover do Espírito que nos leva a unidade e a missão de espalhar o Evangelho regenerador e restaurador por toda a terra.

Em amor, Bispo Ildo Mello

Vida Devocional na Tradição Wesleyana+

Wesley evitou estes dois extremos: católicos que enfatizavam as tarefas humanas e os luteranos e calvinistas que, por se oporem ao erro católico, acabaram por enfatizar a graça a ponto de negligenciarem as obrigações humanas.

“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos no presente século, sensata, justa e piedosamente” (Tito 2.11-12). Deus nos concede talentos gratuitos que devem ser bem empregados de modo a produzirem os resultados por Deus esperados (Mateus 25). Devemos desenvolver a nossa salvação com temor e tremor. Paulo diz que assim como um atleta treina para ser campeão, devemos nos também ser aplicados nas atividades espirituais visando nosso desenvolvimento espiritual. Nosso crescimento espiritual não se dá a despeito da nossa vontade e dedicação. Devemos crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor.

Wesley dedicava-se com esmero a cinco meios de graça:

1) A Oração 2) A Bíblia 3) A Ceia do Senhor 4) O Jejum 5) Célula onde há edificação espiritual e prestação de contas Além disto, Wesley entendia que havia muito galardão em atos de serviço e misericórdia, principalmente em favor dos pobres e desfavorecidos.

Conclusão

Renovar – importância da vida devocional individual + social Benefícios das práticas Wesleyanas Importância dos meios da graça

Quais são as características distintas do movimento metodista?+

Estas são as características distintas do movimento metodista:

Todos precisam ser salvos; Todos podem ser salvos; Todos podem saber que são salvos; Todos podem ser salvos completamente.

Além destas características distintas, ressaltamos também:

A importância de valorizar o conhecimento intelectual e a piedade; possuir uma mente sagaz e um coração de anjo; A importância da liderança compartilhada (leiga e clériga) na vida e missão da igreja; A importância do comprometimento pessoal e da responsabilidade social; pois entendemos que o propósito da conversão cristã não é somente para tornar a alma de alguém pronta para o céu, mas também provar o primeiro fruto do céu através de uma vida de justiça, amor e misericórdia neste mundo; A importância de cantar hinos de louvor e ensinar a verdade cristã; A importância da pregação, do testemunho e da celebração dos sacramentos: A Ceia do Senhor e o Batismo; A importância de expressar gratidão pela graça de Deus, prestando serviço amoroso; A importância do desenvolvimento de congregações em grupos menores para instrução, cuidado pastoral e adoração; A importância do ardor e da ordem no que diz respeito à fé e prática; A importância de um sistema de interligação entre as congregações locais com os concílios regionais, Igreja Nacional e toda a comunidade mundial.

Palestras do Movimento Contemporâneo de Santidade+

81 líderes de 11 denominações participaram do dia especial de treinamento para pastores na doutrina de santidade bíblica que aconteceu no dia 27 de Fevereiro de 2012 no Espaço Metodista 24 H no centro de São Paulo.

A lista das Instituições ali representadas é a seguinte:

1) Metodista, 2) Nazareno, 3) Exército de Salvação, 4) Comunidade da Graça, 5) Holiness, 6) O Brasil para Cristo, 7) Anglicana, 8) Metodista Wesleyana, 9) Batista Nacional, 10) Metodista Livre e 11) líderes da SEPAL.

Palestras:

Dr. Kevin Mannoia falando sobre o movimento contemporâneo de santidade. Três momentos: 1) primeiramente descrevendo o propósito e discorrendo sobre a história do movimento, 2) depois compartilhando algo sobre a essência do movimento e 3) concluindo com 4 princípios da doutrina de santidade.

Líderes evangélicos discorrendo sobre princípios da doutrina de santidade.

Direção Bispo Ildo Mello da Metodista Livre, Palestrantes: Pr. Carlos Alberto Bezerra da Comunidade da Graça, Bispo José Carlos Peres da Igreja Metodista, Capitão Nelson Wakai do Exército de Salvação, Pr. Eduardo Goya da Holiness, Pr. Mateus Ramos do Nazareno e Pr. Almir da Metodista Wesleyana.

Fotos:

Movimento Contemporâneo de Santidade Fraternidade Wesleyana de Santidade Site: www.santidadeeunidade. org Blog: www.santidadeeunidade. blogspot.com

O quadrilátero Wesleyano e a Ética Cristã.+

Data 8 novembro de 2012 Horário 19h30 às 21h30 Palestrante Dr. Donald Thorsen Don Thorsen é PhD e professor de Teologia na Escola de Pós-Graduação da Azusa Pacific University, na cidade de Azusa, Califórnia (EUA). Presidente do Departamento de Pós- Graduação de Teologia e Ética, Thorsen leciona na área de ministério desde 1985 para o Mestrado e o Doutorado.

Thorsen é autor respeitado com uma vasta literatura: oito livros, dezenas de artigos em revistas acadêmicas e jornais cristãos. Os temas das publicações abrangem Teologia, História da Igreja, Ministério e Espiritualidade Cristã. E em especial, sobre Cristianismo Evangélico, estudos Wesleyanos e a Vida de Santidade.

A vivência e, por consequência, formação multicultural faz com que Thorsen destaque esse aspecto junto aos seus alunos. O professor ensinou em diversos contextos multiculturais, tanto nos EUA quanto em outros países, somando mais de 50 lugares diferentes. Para Thorsen, é importante e necessário o cristão aprender uns com os outros para proclamar o Reino de Deus.

R. dos Jacintos, 377 – Mirandópolis – São Paulo – SP (próximo ao metrô Praça da Árvore)

Mais informações pelo tel.:

(11) 5579-4629 – Horário de atendimento: 13h30 às 20h30 ftml@ftml.com.br – www.ftml.com.br

Livro: “Wesley, a Bíblia e o Povo”+

Este livro apresenta o tema Wesley, a Bíblia e o povo em diversas perspectivas. O conferencista principal, Dr. Howard Snyder, destaca-se pelos seus livros e artigos com ênfase no evangelismo, na missiologia e na renovação da igreja, e interpreta Wesley em busca de inspiração para as igrejas wesleyanas de hoje. Paralelamente, abre-se uma conversa com a Fraternidade Wesleyana de Santidade, aqui representada pelo bispo Dr. Ildo Mello, da Igreja Metodista Livre, e o Capitão Nelson Wakai, do Exército da Salvação, e sua compreensão da santidade. Finalmente, usam Dr. Rui Josgrilberg e Dr. Helmut Renders a oportunidade desses diálogos para rever os caminhos percorridos pelos estudos wesleyanos em busca de contextualizar tendências, destacar avanços e indicar os mais novos desafios.

Os Interessados em adquirir este livro devem entrar em contato com a Secretaria do Concílio Geral Brasileiro através do telefone 011- 21575522 ou com a Faculdade de Teologia Metodista Livre: 011-55794629.

Ser Mãe, a maior de todas as carreiras!+

Mãe, a maior de todas as carreiras from Ildo Mello on Vimeo.

O papel da mãe é de fundamental importância para o desenvolvimento emocional, moral e espiritual de seus filhos. Por conta de uma série de conjunturas da vida moderna e também em razão de uma desvalorização do papel de mãe, vemos, com tristeza, as mães sendo induzidas a se distanciarem de seus filhos, passando pouco tempo na companhia deles, o que é tremendamente prejudicial para eles e acabará resultando em tristeza e frustração para a própria mãe.

Veremos como Suzana Wesley desempenhou seu papel de mãe a ponto de contribuir para a transformação da Inglaterra, o fim da escravidão e a evangelização do Mundo.

Bispo José Ildo Swartele de Mello www.metodistalivre.org.br www.imeldemirandopolis.blogspot.com www.escatologiacrista.blogspot.com http://www.scribd.com/ildomello http://twitter.com/ildomello