Estudos do Bispo Ildo · Wesley e Metodismo
Metodista Livre e Conexão
8 estudos
Clique no título para abrir o texto completo.
Identidade Metodista Livre+
Mensagem do Bispo Ildo ao Concílio Noroeste em 19 de Novembro de 2010 Estas são as características distintas do movimento metodista:
Todos precisam ser salvos; Todos podem ser salvos; Todos podem saber que são salvos; Todos podem ser salvos completamente.
Como Wesleyanos cremos que…
1. Todos precisam ser salvos
Porque “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23)
Porque “o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23)
Porque não somos capazes de salvar-nos a nós mesmos (Ef 2.1-9)
Porque “ninguém será justificado diante de Deus pelas obras da lei” (Rm 3.20)
Porque não podemos subsistir diante de Deus baseados em nossa própria justiça (Rm 3.10-12)
Porque o próprio profeta Isaías diante da majestade de Deus, clamou por misericórdia, dizendo: “Ai de mim que vou perecendo” (Is 6.5).
Porque “pela graça sois salvos, mediante a fé” (Ef 2.8).
Porque Jesus é o único caminho de salvação para Deus (Jo 14.6)
"Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho ao seu tempo" (1Tm 2.5-6)
Porque “não há salvação em nenhum outro, pois não há outro nome debaixo do céu, que tenha sido dado entre os homens, pelo qual tenhamos de ser salvos." (At 4.12).
2. Todos podem ser salvos
Porque "Deus não faz acepção de pessoas” (Rm 2.11).
Porque Jesus “é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” (1 Jo 2.2).
Porque "Cristo morreu pelos nossos pecados" (1 Co 15.3) e a eficácia do Seu sangue é poderosa para salvar todos os homens”(1Jo 2.2), mas só eficiente para lavar os que n'Ele crêem. "Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo" (At 16.31).
“Porque: “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; a saber: aos que crêem no seu nome” (Jo 1.12).
Porque: “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rm 10.13).
Porque Jesus disse as multidões: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz e siga-me" (Mc 8.34).
"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3.16).
“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos no presente século, sensata, justa e piedosamente” (Tt 2.11-12).
Porque Deus não tem prazer na morte do ímpio, pois seu desejo é que se converta e viva (Ez 18.23).
Porque Deus “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm 2.4), Porque Deus “não quer que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se” (2Pe 3.9)
3. Todos podem saber que são salvos
Porque “o próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.” (Rm 8.16)
Porque “Nisto conhecemos que estamos nele, e ele, em nós: em que nos deu o seu Espírito” (1Jo 4.13)
Porque “foram selados com o Espírito Santo da promessa, que é a garantia da nossa herança até a redenção daqueles que pertencem a Deus” (Ef 1.13-14).
Porque o “Espírito nos convence do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16.8).
Porque pelo Espírito, o coração do crente é compungido por aquela convicção de pecado e por “aquela tristeza que é segundo Deus e que nos leva ao arrependimento” (2Co 7.10), a semelhança do que aconteceu àquela multidão de convertidos diante do Sermão de Pedro em Pentecostes, conforme registrado em At 2.37: “Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?”
Porque recebemos o Espírito de adoção pelo qual clamamos de coração: Aba Pai (Rm 8.15), bem como, pelo mesmo Espírito somos capazes de confessar que Jesus é o Senhor (1Co 12.3). Tais convicções são produtos da revelação do Espírito Santo, porque o Espírito testifica de Cristo (Jo 15.26), conforme observa-se também na famosa declaração de Jesus a Pedro: “Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus” (Mt 16.17).
Porque “todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8.14)
Porque "sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos nossos irmãos" (1Jo 3,14).
Porque Jesus disse: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama” (Jo 14.21).
“Porque o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo” (Rm 5.5).
Porque “pelos seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis" (Mt 7.16-20). De modo que crentes sem frutos não encontram base para segurança da sua salvação (Jo 15.2; Gl 5.19-23; Hb 6.4-8; 10.23-31; Ap 3.5 e 16; Ex 32.33).
Porque desfrutamos da “paz de Deus que excede a todo entendimento e que guarda as nossas mentes e os nossos corações em Jesus” (Fp 4.7).
Porque sabemos o que significa ser consolados pelo Espírito de Deus (Jo 14.16; At 9.31; 2Co 1.2-7).
Porque experimentamos uma alegria que o mundo não pode nos tirar (Jo 16.22). Porque a alegria do Senhor é a nossa força (Ne 8.10). “Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação” (Hc 3.17-18).
Porque “o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (Gl 5.22).
“Porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais nem inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele a quem estas coisas não estão presentes é cego, vendo só o que está perto, esquecido da purificação dos seus pecados de outrora. Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum. Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe 1.8-11).
4. Todos podem ser salvos completamente
"Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo" (Rm 5.17).
"Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos" (Rm 5.19).
Porque Jesus não apenas perdoa pecados, mas também transforma vidas (Rm 5.8).
Porque Jesus não apenas justifica, mas também regenera (2Co 5.17; Tt 3.5-6).
Porque Jesus não apenas disse a mulher pega em adultério: “eu não te condeno”, mas também lhe disse: “vai e não peques mais” (Jo 8.10.11)!
Porque Jesus não apenas nos declara santos, mas também nos torna santos (Jo 15.3, Tt 3.5).
Porque Jesus não apenas nos livra da condenação do pecado, mas também nos livra do domínio do pecado (Rm 6.14).
Porque Jesus não apenas é Salvador, mas também é Senhor (Rm 10.9; Fl 2.10-11; 1Tm 6.15; Tg 4.7).
Porque não apenas nos convida a crer, mas também nos conclama ao arrependimento (Mt 3.8; 4.17; Mc 1.15; Lc 13.3).
Porque não basta apenas crer, é necessário obedecer (Ef 5.6; 6.6; 1Jo 3.6, 24).
Porque não basta ser crente, é necessário ser discípulo (Mc 8.34; Lc 9.23; Mt 28.19).
Porque não basta receber o amor, é necessário amar (1Jo 3.16, 23; Ef 3.14-21).
Porque não basta apenas receber o perdão, é necessário perdoar (Mt 6.14-15; 18.23-34).
Porque “Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus” (I Jo 3.9).
Porque “Já estou crucificado com Cristo; eu não vivo mais, mas Cristo é que vive em mim” (Gl 2.20).
Porque "quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo." (1Jo 3.8).
Porque fomos ensinados a orar para que a vontade de Deus se faça na Terra assim como ela é feita no céu (Mt 6.11).
Porque devemos buscar primeiramente o Reino Deus e a sua Justiça (Mt 6.33).
Porque Deus "nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor" (Cl 1.13).
Porque “somos transformados em sua imagem com maior glória de sempre, que vem do Senhor, que é o Espírito” (2Co 3.18).
Porque não devemos nos conformar com este mundo, mas devemos renovar a nossa mente para experimentarmos a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12.1-2).
"Porque esta é a vontade de Deus, a saber, a vossa santificação" (1Ts 4.3).
“Porque Deus não nos chamou para a imundícia, mas para a santificação” (1Ts 4.7).
Porque "sem santificação ninguém verá o Senhor" (Hb 12.13).
Porque bem-aventurado são os limpos de coração, pois estes é que verão a Deus (Mt 5.8).
Porque devemos desenvolver a nossa salvação com temor e tremor (Fp 2.13; 2Co 7.1; Ef 4.1).
Porque devemos ser aperfeiçoados “até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4.12-16).
Porque devemos nos “despir do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano” e nos “revestir do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (Ef 4.22-24).
Porque “Deus nos concedeu todas as condições necessárias para a vida e a piedade” (2Pe 1.3); para vivermos como filhos de Deus, e para “escaparmos da corrupção deste mundo” (2 Pe 1.4).
Porque Jesus não apenas nos exorta a sermos santos (Mt 5.48), mas também nos capacita, concedendo-nos: o dom do Espírito (At 1.8) um novo coração (Ez 36.26), a mente de Cristo (1Co 2.16) o amor de Deus (Rm 5.5) participar da natureza divina (2Pe 1.4) e toda a armadura de Deus (Ef 6.10-13; 2 Co 10.4)
Além destas características distintas, ressaltamos também:
A importância de valorizar o conhecimento intelectual e a piedade; possuir uma mente sagaz e um coração de anjo; A importância da liderança compartilhada (leiga e clériga) na vida e missão da igreja; A importância do comprometimento pessoal e da responsabilidade social; pois entendemos que o propósito da conversão cristã não é somente para tornar a alma de alguém pronta para o céu, mas também provar o primeiro fruto do céu através de uma vida de justiça, amor e misericórdia neste mundo; A importância de cantar hinos de louvor e ensinar a verdade cristã; A importância da pregação, do testemunho e da celebração dos sacramentos: A Ceia do Senhor e o Batismo; A importância de expressar gratidão pela graça de Deus, prestando serviço amoroso; A importância do desenvolvimento de congregações em grupos menores para instrução, cuidado pastoral e adoração; A importância do ardor e da ordem no que diz respeito à fé e prática; A importância de um sistema de interligação entre as congregações locais com os concílios regionais, Igreja Nacional e toda a comunidade mundial.
Bispo José Ildo Swartele de Mello metodistalivre.org.br/ imeldemirandopolis.blogspot.com escatologiacrista.blogspot.com scribd.com/ildomello twitter.com/ildomello Link para ouvir esta mensagem em MP3: divshare.com/download/12472628-291 Link para vídeo desta mensagem Youtube: youtube.com/view_play_list?p=06BFB5C2A868B9C1 Para ler o texto no Scribd: scribd.com/full/36950628?access_key=key-2ao3hbx4cgcfpn2sfc7t Leia também texto sobre o que significa ser wesleyano: metodistalivre.org.br/%E2%80%8BArtigos/%E2%80%8Bartigos.info.asp?tp=174&sg=0&form_search=&pg=1&id=613
Conheça a Igreja Metodista Livre+
Nossa Identidade, Visão, Missão e Propósito
Introdução
A Igreja Metodista Livre surgiu em 1860 como um movimento de Deus para alcançar e transformar o mundo fazendo discípulos e multiplicando líderes. Não pregamos apenas a salvação das almas, mas também a transformação dos indivíduos e da sociedade.
Se Deus encontrar nossas vidas aceitáveis a Ele, Ele vai nos ungir para um ministério frutífero!
A Palavra de Deus é nosso guia e modelo. Através da unção do Espírito Santo e da sabedoria resultante da busca a Deus, surge uma visão clara e um entendimento da função. É através da confirmação do povo de Deus que a visão pode se tornar realidade e que as orações dos santos podem resultar em grandes movimentos de Deus em nosso mundo.
O chamado para se tornar um movimento de Deus nos campos de colheita do mundo, significa:
Uma igreja focada na mensagem da cruz, na ressurreição e no Reino de Deus; Uma igreja com doutrina saudável, que integra fé e prática; Uma igreja com uma paixão santa, entregue aos propósitos de Deus; Uma igreja que se expande e se multiplica, cruzando todas as barreiras religiosas, étnicas ou nacionais; Uma igreja que reflete Jesus.
Cremos que a igreja local é o instrumento de Deus para transformar a sociedade. Cremos que os líderes locais devem receber tanto o privilégio quanto a responsabilidade de viver nossos Valores Essenciais. Isto, em resumo, representa a base teológica e prática para as propostas que se seguem.
A Cultura de nossa Comunidade Somos uma igreja conectiva e não um conjunto de igrejas independentes. Somos tremendamente fortalecidos por nossos relacionamentos baseados na verdade e na graça. O Produto número um da igreja é o relacionamento com Deus e com o próximo. Somos uma igreja bem estruturada, segundo o modelo bíblico, para o cumprimento de nossa missão. Temos um sistema hierárquico de submissão e prestação de contas, onde os membros prestam contas e se submetem às orientações de seus pastores, que por sua vez, se submetem aos superintendentes, que se submetem aos bispos, que se submetem uns aos outros. A prestação de contas é mútua, pois os líderes também devem prestar contas não apenas as seus superiores como também aos seus liderados. E todos devem ser igualmente submissos a Deus e às Escrituras.
Cremos que nossa missão dirige tudo que fazemos.
Proclamamos que a salvação é gratuita. Jesus disse que o ministério autêntico é aquele que prega o evangelho aos pobres. Conseqüentemente, os destituídos e marginalizados do mundo merecem nosso cuidado especial.
Nós nos esforçamos para tornar a mensagem do evangelho pertinente à nossa cultura, permanecendo fiel a Deus enquanto mostramos amor e sensibilidade para com o mundo.
Aceitamos todos que vêm a nós, crendo que o pecador mais desesperado tem o potencial de se tornar um seguidor de Jesus íntegro e dedicado.
Vemos os grupos pequenos como o melhor ambiente para o nascimento, discipulado, encorajamento e cuidado dos novos crentes.
Vemos nossas igrejas locais como a linha de frente da nossa missão. Nossos pastores não são apenas designados à uma congregação, mas para a evangelização de comunidades inteiras, bairros e cidades.
Somos pessoas enviadas, encarregadas com a tarefa de alcançar novos territórios e novos povos com o evangelho.
Somos wesleyanos em nossa doutrina e em nossa prática. Valorizamos a direção das Escrituras e o consenso da Igreja ao longo de sua história.
Devemos ser pessoas santas. Nossa conduta e nosso ensino devem refletir a santidade e o amor a Deus. Não buscamos nada menos que a cura de mente, corpo e alma de todos que estão debaixo de nosso cuidado.
Nossos Valores Essenciais Como um povo de confissão armínio-wesleyana, enfocamos o viver vidas santas para a glória de Deus e buscamos:
"Amar o Senhor nosso Deus com todo nosso coração, alma, mente e força, e amar os outros a nós mesmos". (Marcos 12.30-31)
“ Ir às pessoas de todas as nações, fazendo discípulos de Jesus ". (Mateus 28.19)
Nosso Propósito Conhecer a Deus e glorificá-Lo, fazendo-O conhecido.
Nossa Prioridade Estratégica A prioridade estratégica da Igreja Metodista Livre é multiplicar líderes ungidos e competentes. Portanto, devemos atuar:
Investindo na multiplicação de líderes ungidos e competentes que possam aconselhar e equipar outros; Formar e nutrir redes Metodistas Livres eficazes, que auxiliem no cumprimento de nossos Valores Essenciais; Promover a visão de que cada igreja seja uma igreja saudável com liderança cheia do Espírito Santo, implementando uma estratégia para alcançar os Resultados Esperados.
Nossos Resultados Esperados Toda igreja uma comunidade de adoração; Toda igreja uma congregação envolvente, produzindo discipulado, crescimento e pessoas santas; Toda igreja uma congregação que se reproduz; Toda igreja alcançando regularmente os perdidos para Cristo; Toda igreja envolvida em nosso movimento missionário mundial; Toda igreja buscando a justiça e mostrando misericórdia aos pobres e marginalizados; Toda igreja organizando-se para melhor cumprir seu propósito e missão; Toda igreja caracterizada por oração de intercessão.
Nossos Princípios Inegociáveis Não podemos violar as Escrituras.
Não podemos violar os Artigos de Religião, a Constituição, o Compromisso de Membro ou a Missão da Igreja Metodista Livre.
Nossos pastores não podem violar seus votos de ordenação.
Nossos líderes não podem conduzir a igreja de maneira a distraí-la ou desviá-la de nossa missão.
Nossas Iniciativas de Liderança Colocando a missão à frente dos métodos, nossos pastores e igrejas têm liberdade para criar estratégias e ministrar de forma a alcançar os Resultados Esperados.
Nossa Visão Para A Igreja Local Cada igreja, uma igreja saudável, com uma liderança cheia do Espírito, trabalhando estrategicamente para alcançar nossos Resultados Esperados.
A Igreja Metodista Livre é:
Uma comunidade bíblica e saudável. Um povo santo. Multiplicadora de discípulos, líderes, grupos e igrejas.
"Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz." (1 Pedro 2.9)
O "livre" no nome da Igreja Metodista Livre enfatiza certas liberdades básicas encontradas nas Escrituras:
Liberdade humana, garantindo o direito de cada pessoa ser livre, negando o direito de quem quer que seja de manter escravos; Liberdade e simplicidade no culto; Livre de preconceitos sociais. Assentos gratuitos na igreja, assim os pobres não seriam mantidos fora nem seriam discriminados; Livre de votos de segredos de modo que a verdade possa ser sempre falada livremente; Livre do clericalismo, concedendo liberdade para os leigos serem plenamente envolvidos em todos os níveis de decisão; Livre do materialismo de modo a poder socorrer os pobres.
As Marcas de um Metodista De modo algum, queremos nos distinguir dos cristãos reais, qualquer que seja sua denominação, como também daqueles que, sinceramente, buscam aquilo que reconhecem ainda não possuir. Pois quem quer que faça a vontade de meu Pai, que está no céu, este é meu irmão, irmão ou mãe.
E assim rogo, meus irmãos, pelas misericórdias de Deus, que não sejais divididos entre vós. É o teu coração reto para comigo, assim como o meu o é para contigo? Eu nada mais pergunto. Se assim o for, dá-me tua mão. Não destruamos a obra de Deus por causa de simples termos e opiniões. Tu serves e amas a Deus? Isto é o bastante. Estendo-te a minha mão direita em sinal de comunhão. Se há qualquer consolação em Cristo, se há qualquer conforto no amor, se há comunhão no Espírito, lutemos juntos pela fé evangélica, andando de maneira digna da vocação a que fomos chamados, com toda humildade e mansidão, assim também com longanimidade. Suportemo-nos uns aos outros em amor e esforcemo-nos por manter a unidade do Espírito, no vínculo da paz, lembrando sempre que há um só corpo como também um só Espírito, pois nossa vocação está apenas em uma esperança: um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que está sobre todos, age por meio de todos e está em todos.
John Wesley (Pioneiro do Metodismo)
Para conhecer mais sobre a história, estrutura, missão e doutrina da Igreja Metodista Livre, visite o Site: www.metodistalivre.org.br
Biografia de Benjamin Titus Roberts – Fundador da Igreja Metodista Livre+
A Igreja Metodista Livre foi fundada em 1860, quando Benjamin Titus Roberts, um pastor da Igreja Metodista Episcopal, não pôde mais servir em conformidade com suas práticas. B.T. Roberts observou que nenhuma igreja deveria apoiar a escravidão, cobrar por assentos, impedir que as mulheres servissem plenamente e sufocar o movimento do Espírito Santo no culto público. Portanto, ele promoveu a liberdade para todas as pessoas, com a abolição da escravidão, assentos gratuitos em todas as casas de adoração, a plena participação das mulheres em todos os papéis na igreja, incluindo o ministério pastoral, e a liberdade para o Espírito Santo agir no culto público, segundo as diretrizes estabelecidas pelo Apóstolo Paulo em 1 Coríntios 14, para que tudo seja feito com ordem e decência, visando a glória de Deus e a edificação espiritual da igreja.
Infância e formação
Benjamin Titus Roberts nasceu em 25 de julho de 1823, em Cattaraugus, Nova York, em uma família de cristãos devotos. Desde cedo, Roberts demonstrou uma capacidade notável para os estudos. Com apenas 16 anos, já era professor enquanto estudava Direito.
Um momento crucial em sua vida ocorreu quando sentiu o chamado de Cristo e decidiu render-se incondicionalmente. Esse compromisso trouxe paz e perdão à sua alma, inspirando-o a se preparar para o ministério. Roberts ingressou na Universidade Wesleyana em Middletown, Connecticut, onde experimentou um avivamento espiritual que solidificou ainda mais sua fé e vocação pastoral. Após se formar em 1848, ele conheceu Ellen Lots Stowe e os dois se casaram em maio de 1849, em uma cerimônia que contou com a presença de quatro bispos, refletindo a importância do evento.
Início do ministério
Roberts começou seu ministério em Caryville, Nova York, onde, em seu primeiro ano, recebeu 40 novos membros na igreja. Seu primeiro sermão tinha como tema a pureza de coração, baseado em Mateus 5.8, e abordava a necessidade e possibilidade de se alcançar tal pureza. O sermão refletia sua convicção de que a pureza de coração era essencial para ver a Deus e motivava sua congregação a buscar essa pureza.
A visão dos dois caminhos
Ao longo de sua carreira, Roberts foi designado para várias igrejas. Em Pike, enfrentou uma congregação em declínio, mas perseverou e viu renovo ao final do ano. Durante um acampamento espiritual, ele teve uma visão clara de dois caminhos: um de popularidade e outro de pregação da verdade, mesmo com aflição e perseguição. Escolheu o último, reafirmando seu compromisso com a verdade. Em Rushford, um grande avivamento ocorreu sob sua liderança, revigorando a congregação.
A Igreja Niagara Street e os assentos livres
Roberts foi ordenado presbítero e transferido para a Igreja Niagara Street em Buffalo, onde enfrentou desafios devido à apatia e carnalidade dos membros. Ele propôs eliminar as dívidas da igreja se os assentos fossem livres para todos, mas a congregação recusou, e o templo foi eventualmente vendido. Em Brockport, mais um avivamento ocorreu sob sua liderança.
O conflito com o Concílio de Genesee
Durante seu pastorado em Albion, Roberts publicou um artigo defendendo reformas na igreja, criticando um grupo de ministros do Concílio de Genesee por enfraquecer os padrões metodistas de conduta, espiritualidade e doutrina. Isso resultou em sua denúncia oficial e, eventualmente, sua expulsão do ministério em 1858, após um artigo republicado sem seu consentimento. Apesar do apoio de leigos e do bispo Janes, que via em Roberts um futuro brilhante, ele não foi reintegrado. Em resposta, Roberts fundou uma “igreja livre” em Buffalo.
A organização da Igreja Metodista Livre
Em 23 de agosto de 1860, Roberts e outros líderes decidiram organizar a Igreja Metodista Livre durante uma convenção em Pekin, Nova York. A nova denominação cresceu rapidamente, e Roberts, como superintendente geral, guiou a igreja com fervor e compromisso. Ele também era um escritor prolífico, editando a revista The Earnest Christian por 33 anos, utilizando-a para promover suas convicções e guiar seus seguidores.
A defesa da abolição da escravatura e da igualdade racial
Roberts se destacou por sua defesa da abolição da escravatura e igualdade racial, utilizando sua influência para promover justiça social. A Igreja Metodista Livre proibiu seus membros de comprar ou vender escravos, e Roberts publicamente protestou contra a falta de educação e oportunidades para os ex-escravos. Durante a Guerra Civil, ele usou sua revista para apoiar e confortar os soldados, sendo a igreja um espaço de avanço social, como visto na resolução do Concílio de Illinois de 1865, que defendia direitos civis iguais para todos.
A prioridade dada à educação
Roberts também priorizou a educação, doando sua casa para fundar o Seminário Chili, que mais tarde se tornaria a Faculdade Roberts Wesleyan. Ele incentivou a formação intelectual dos pregadores, acreditando que era dever do cristão trabalhar e orar, destacando a importância de uma vida equilibrada entre fé e ação.
A ordenação de mulheres e a doutrina da santidade
Ele foi um líder visionário, defendendo a ordenação de mulheres pastoras, tornando a Igreja Metodista Livre pioneira nesse aspecto. Na sua abordagem à doutrina da santidade e à vida cristã, seguiu a tradição de John Wesley, enfatizando que, embora imperfeito em conhecimento e realizações, o cristão pode ser perfeito no amor. A vida e o trabalho de Roberts refletiram essa crença profundamente.
O legado dos 33 anos de liderança
Durante os 33 anos de liderança de Roberts, de 1860 a 1893, foram organizadas 29 concílios anuais metodistas livres, e sua influência perdurou por gerações. Em 1910, o Concílio de Genesee reconheceu a injustiça cometida contra Roberts, restaurando os pergaminhos de ordenação ao seu filho, Benson H. Roberts, 17 anos após a morte de seu pai.
Os últimos dias
Em 1893, aos 69 anos, Benjamin Titus Roberts sofreu um ataque cardíaco e faleceu, deixando um legado de fé, justiça social e compromisso com a verdade. Suas últimas palavras foram: “Louvado seja o Senhor! Amém!” Sua vida e obra continuam a inspirar a Igreja Metodista Livre e seus membros.
Referências
• Baker, Lethea H. Benjamin Titus Roberts: Founder of the Free Methodist Church. Indianapolis, IN: Light and Life Press, 1955.
• McNeal, L. Raymond. The Life and Works of Benjamin Titus Roberts. Winona Lake, IN: The Free Methodist Publishing House, 1955.
• Allen, Ray D. A Century of the Genesee Annual Conference of the Methodist Episcopal Church. Rochester, N.Y.: By the author, 1911.
• Marston, Leslie R. From Age to Age a Living Witness: A Historical Interpretation of Free Methodism’s First Century. Winona Lake, IN: The Free Methodist Publishing House, 1960.
• Roberts, Benjamin Titus. Why Another Sect. Chicago, IL: Free Methodist Publishing House, 1879.
• Wellman, Judith A. Grassroots Reform in the Burned-over District of Upstate New York: Religion, Abolitionism, and Democracy. New York: Garland Publishing, 2000.
• Roberts, Benjamin Titus. Fishers of Men. Rochester, NY: Earnest Christian Publishing House, 1878.
• Watson, Philip S. Let the Church be the Church: The Twenty-Five Year Story of Free Methodism in Latin America.
Winona Lake, IN: The Free Methodist Publishing House, 1960.
ATRIBUIÇÕES DOS ECÔNOMOS NA IGREJA METODISTA LIVRE+
Natureza do Ministério O ecônomo é um líder leigo investido de responsabilidade espiritual e administrativa, chamado ao ministério da mordomia cristã. Serve em cooperação com o pastor e o Conselho local, promovendo ordem, reverência, acolhimento e cuidado social, conforme o Manual da Igreja Metodista Livre. Deve ser membro em plena comunhão, dizimista fiel (quando possuir renda), íntegro, maduro espiritualmente, conhecedor do Manual e comprometido com vida devocional e responsabilidade nos assuntos temporais e sociais da igreja.
Princípio norteador:
O ecônomo facilita a missão, garantindo que recursos temporais sirvam a propósitos eternos.
1. Cooperação e representação pastoral
1.1. Auxiliar o pastor na organização prática da vida da igreja.
1.2. Servir como elo entre liderança e congregação, promovendo unidade.
1.3. Informar ao pastor situações que demandem cuidado pastoral (enfermos, afastados, crises).
1.5. Manter bom testemunho, vida de oração e estudo bíblico.
2. Logística e organização do culto
2.1. Garantir prontidão do templo (limpeza, iluminação, ventilação e som).
2.2. Organizar mobiliário e materiais litúrgicos (púlpito, mesa, assentos, Bíblias e boletins).
2.3. Apoiar a logística de eventos e cultos especiais (batismos, vigílias e celebrações).
2.4. Zelar por pontualidade e boa fluidez das atividades.
3. Santa Ceia
3.1. Preparar elementos e utensílios com reverência e higiene.
3.2. Organizar a mesa de forma digna e adequada ao memorial.
3.3. Auxiliar na distribuição, quando solicitado.
3.4. Limpar e guardar utensílios após a celebração.
4. Recepção, hospitalidade e ordem
4.1. Supervisionar a recepção de membros e visitantes.
4.2. Auxiliar na acomodação de pregadores visitantes e apoiar a equipe de louvor.
4.3. Zelar por reverência nos momentos de oração e pregação.
4.4. Agir com prudência em situações de desordem ou emergências.
5. Mordomia financeira e social
5.1. Supervisionar coleta, contagem e registro de dízimos e ofertas, em colaboração com a tesouraria e conforme normas locais. O ecônomo não substitui a tesouraria nem a auditoria; coopera com elas conforme a organização aprovada pela igreja local.
5.2. Manter sigilo, retidão e responsabilidade no manuseio de valores.
5.3. Apoiar a assistência social: identificar necessidades e auxiliar na distribuição de recursos com critério, justiça e discrição.
5.4. Cooperar com iniciativas sociais viáveis e com instituições/agências comunitárias aprovadas no atendimento às necessidades humanas, mantendo o propósito cristão desse serviço.
6. Visitação e cuidado comunitário
6.1. Visitar enfermos, idosos e enlutados, representando a igreja.
6.2. Oferecer apoio bíblico e oração com discrição e ética.
6.3. Identificar ausentes e buscar contato para encorajamento.
7. Preservação do patrimônio
7.1. Zelar pela conservação da estrutura e equipamentos.
7.2. Informar necessidades de reparos ou melhorias.
7.3. Apoiar logística externa quando designado (estacionamento, segurança e acessos).
Disposição final O ecônomo exerce seu ministério em espírito de serviço (diaconia), com amor, ordem e responsabilidade, contribuindo para que a igreja adore a Deus e faça discípulos.
Liberdade em Ação: A Jornada Inspiradora da Igreja Metodista Livre+
A Igreja Metodista Livre tem suas raízes no movimento metodista do século XIX, que buscava um retorno aos princípios mais puros do Cristianismo. No contexto dos Estados Unidos, onde a discriminação racial e a escravidão eram questões candentes, muitos metodistas sentiram a necessidade de se posicionar de forma mais enfática contra essas injustiças.
Liderados por Benjamim Titus Roberts, um ministro metodista, e outros visionários, emergiu a convicção de que a igreja deveria adotar uma postura inflexível contra a escravidão e as iniquidades sociais da época.
A centralidade dada à liberdade individual, igualdade e à participação dos leigos nas decisões eclesiásticas moldou de maneira intrínseca a identidade da Igreja Metodista Livre. Além disso, a congregação se esforçou para manter um culto simples e mais participativo, bem como estabelecer relações transparentes, em nítido contraste com as práticas mais restritivas de outras denominações.
Em sua essência, a Igreja Metodista Livre surgiu como uma reação aos desafios sociais e espirituais daquela era, com a intenção clara de fomentar justiça, igualdade e liberdade, tanto no contexto religioso quanto na sociedade em geral.
Fundada em 1860 como um protesto contra a discriminação dos menos privilegiados e a cruel instituição da escravidão, a Igreja Metodista Livre incorpora em sua nomenclatura o termo “livre” para enfatizar as liberdades essenciais do Evangelho. Esse nome ressalta:
• A liberdade humana, rechaçando a sujeição de seres humanos à escravidão e advogando pelos direitos individuais; • A busca pela liberdade e simplicidade no culto; • A disposição de oferecer assentos livres e gratuitos na igreja, com o intuito de incluir os menos favorecidos e impedir a discriminação (em oposição à prática nefasta de alocação de assentos privilegiados para os mais abastados); • O cultivo de relacionamentos abertos e verídicos, livres e isentos de segredos de sociedades secretas; • O empoderamento dos leigos, permitindo sua plena participação nas decisões; • A liberdade face ao materialismo, viabilizando a assistência aos necessitados.
Sabe aquela igreja chamada Metodista Livre?+
Ela é feita por pessoas comuns que amam muito a Jesus e querem viver como ele ensinou. Essa igreja começou em 1860, em Pekin, Nova York, com um líder muito corajoso e legal chamado Benjamin Titus Roberts. Ele gostava muito de justiça social e achava que todo mundo devia ser tratado igualmente, especialmente as mulheres e os pobres.
Esses Metodistas Livres acreditam que ninguém deve ser escravizado e que a honestidade e a transparência são muito importantes. Eles também querem que todo mundo possa ajudar a tomar decisões, e não só algumas pessoas. Eles não gostam de ser materialistas para poderem ajudar os pobres.
Eles têm as mesmas crenças dos outros cristãos evangélicos e protestantes, mas com uma atenção especial para a purificação interior e o poder de Deus na vida das pessoas. Eles não são fãs de rituais complicados e gostam de ter cultos mais simples e livres.
Para os Metodistas Livres, é muito importante seguir Jesus todos os dias e ajudar as pessoas que precisam na comunidade. Eles acham que Deus dá dons para todo mundo, homens e mulheres, e querem que todo mundo trabalhe junto na igreja, inclusive em todas as esferas de liderança.
Eles levam muito a sério os valores de modéstia e simplicidade, porque querem que as pessoas prestem atenção em Jesus, não neles mesmos. Eles querem mostrar o amor e a graça salvadora de Jesus para o mundo, principalmente para as pessoas mais carentes.
Resumindo, os Metodistas Livres são um grupo de pessoas que amam Jesus e querem viver como ele ensinou. Eles são legais porque querem que todo mundo seja tratado igualmente, não gostam de ser egoístas e procuram ajudar as pessoas que precisam. Eles querem mostrar o amor e a graça de Deus para todo mundo!
Vida e Ministério do Principal Fundador da Igreja Metodista Livre+
BENJAMIN TITUS ROBERTS
(1823–1893)
Vida e Ministério do Principal Fundador da Igreja Metodista Livre
Uma biografia baseada nas principais fontes históricas
Por
Bispo José Ildo Swartele de Mello
Introdução
O que leva um pastor promissor, formado em universidade, dotado de talento jurídico e apreciado pelo povo, a ser expulso de sua denominação aos 35 anos de idade? E o que faz com que esse mesmo homem, em vez de amargurar-se, funda um movimento que hoje alcança dezenas de países? Que combinação de santidade pessoal, coragem profética e sensibilidade social explica a vida de Benjamin Titus Roberts?
Estas perguntas orientam esta biografia. B. T. Roberts, como era conhecido, ou simplesmente BTR nos círculos metodistas livres, viveu quase setenta anos que atravessaram as grandes revoluções políticas, sociais e tecnológicas do século XIX americano, incluindo a Guerra Civil. Sua vida entrelaça três correntes que marcaram profundamente o cristianismo norte-americano daquele século: o avivalismo, o abolicionismo e o perfeccionismo wesleyano (a busca da santidade). Howard Snyder, seu principal biógrafo, chamou B. T. e sua esposa Ellen de “santos populistas” — populistas no sentido mais nobre do termo: um cristianismo de e para o povo, todo o povo, especialmente os pobres e oprimidos.
A história que segue foi construída a partir das fontes primárias e secundárias mais confiáveis: a biografia escrita por seu filho Benson H. Roberts (1900), a biografia dupla de Esther M. Roberts, O Bispo e sua Esposa (1962), e a monumental obra de Howard A. Snyder, Populist Saints (2006), além dos escritos do próprio Roberts.
1. Raízes e conversão (1823–1845)
Benjamin Titus Roberts nasceu em 25 de julho de 1823, no oeste do Estado de Nova York. Seus pais, Titus e Sally Roberts, eram cristãos ativos e dedicados. A família viveu primeiro perto de Forestville, no norte do condado de Chautauqua, e mudou-se depois para Gowanda, pequena cidade aninhada no vale formado pelo riacho Cattaraugus, que serpenteia rumo ao lago Erie. Era a região que os historiadores chamariam de “distrito queimado” (burned-over district), assim apelidada pela intensidade dos avivamentos que a varreram repetidamente na primeira metade do século XIX.
Desde cedo, o menino demonstrou capacidade intelectual notável. Aos 16 anos já lecionava enquanto estudava Direito. Por volta dos 15, estudou latim com o pastor presbiteriano local, John Preston, que se ofereceu para custear sua formação para o ministério. A resposta do adolescente é reveladora de sua honestidade: “Não posso aceitar, pois ainda não me converti.” Como observa Snyder, o jovem Roberts já havia se convertido à causa antiescravagista — mas ainda não a Jesus.
Roberts fez um estágio de dois anos com um advogado em Little Falls, Nova York, sustentando-se como professor, e voltou para casa em 1844 para preparar-se para o exame da ordem. Concordava intelectualmente com o cristianismo, mas nunca havia se entregado a Cristo. Por volta de seu vigésimo primeiro aniversário, amigos o convidaram para uma reunião de oração num domingo à tarde. No meio do culto, um tanoeiro analfabeto levantou-se e, com lábios gaguejantes, contou como Deus o havia transformado. A humildade simples daquele operário tocou profundamente o jovem advogado. Ele se viu como pecador perdido, necessitado da graça de Deus (Rm 3.23–24). Seguiu-se uma luta interior: Roberts estava disposto a ser cristão, desde que pudesse continuar sua carreira jurídica. Mas a questão se pôs, afinal, como uma escolha entre a advocacia e Deus. Ele mesmo resumiu o desfecho:
“Cristo exigiu uma rendição incondicional. Eu a fiz. As alegrias do perdão e da paz fluíram para a minha alma. Meu cálice transbordou; minha felicidade era indizível.”
A conversão redirecionou tudo. O futuro advogado começou imediatamente a preparar-se para o ministério metodista.
2. Formação: do seminário à Universidade Wesleyana (1845–1848)
O primeiro passo foi o Seminário Wesleyano de Genesee, perto de Rochester, onde ingressou em abril de 1845 para preparar-se para a universidade. Dali seguiu para a Universidade Wesleyana, em Middletown, Connecticut — instituição metodista onde completou uma rigorosa formação de quatro anos em artes liberais. Para sustentar-se, lecionou em escolas distritais, chegando a participar do sistema de “hospedagem ambulante”, em que o professor morava por rodízio na casa das famílias dos alunos. No último ano, uma bolsa de estudos permitiu-lhe dedicar-se integralmente aos estudos.
Três influências daquele período merecem destaque. Primeiro, o Dr. Stephen Olin, reitor da universidade, cujo conselho manteve Roberts no rumo do pastorado: convidado a dirigir o Seminário Wyoming, na Pensilvânia, Roberts consultou Olin, que respondeu: “Há mais gente para ensinar do que para pregar.” Roberts recusou o convite. Segundo, o evangelista John Wesley Redfield, sob cujo ministério houve um poderoso avivamento na universidade — ocasião em que Roberts experimentou uma obra mais profunda da graça em sua vida espiritual. Ao presenciar aquele mover, exclamou: “Isto é o metodismo!” Terceiro, amizades duradouras, especialmente com William C. Kendall, que mais tarde compartilharia com ele os trabalhos e as lutas do Concílio de Genesee.
Roberts graduou-se em 1848. E foi exatamente ali, no verão da formatura, que sua história ganhou um capítulo decisivo — e romântico.
3. Ellen Lois Stowe: um amor e uma parceria de ministério
Pouco antes da formatura, Roberts conheceu Ellen Lois Stowe, uma jovem de Nova York que visitava o campus. Ellen anotou em seu diário: “Gostei do tom da mente dele.” No dia seguinte à formatura, os dois caminharam até o bosque de Pameacha; Roberts subiu num galho de árvore e recitou “alguns belos versos” de poesia. Despediram-se — e Ellen temeu nunca mais vê-lo. Mas uma densa neblina forçou o vapor em que ele viajava a retornar ao porto, e na manhã seguinte ele estava de novo à sua porta, pedindo permissão para escrever-lhe. Ela disse sim.
Ellen nascera em 4 de março de 1825, em Windsor, Nova York, filha de Stoddard Stow e Dorcas Lane. Passou dez anos em Manhattan, na casa dos tios George e Lydia Lane — George Lane era o publicador oficial da Igreja Metodista. Estudou no Rutgers Female Institute e cresceu espiritualmente sob influências notáveis: morava perto de Phoebe Palmer, figura central do nascente movimento de santidade, e via na tia Lydia um modelo de piedade e de serviço aos pobres da cidade. “Como ela orava! Ela trazia o céu para baixo”, escreveu Ellen sobre a tia.
Separados por cerca de 650 quilômetros — ele iniciando seu pastorado no extremo oeste de Nova York, ela em Manhattan —, os dois cultivaram o relacionamento por cartas. Só voltaram a se ver no dia do casamento, em maio de 1849, celebrado na casa do tio de Ellen, em Manhattan. Foi um casamento notavelmente feliz e igualitário para os padrões da época: Roberts afirmava que o casamento devia ser uma parceria de iguais, e ambos procuraram viver assim. Já no fim da vida, ele comentava sorrindo com a esposa: “Ainda não tivemos a primeira briga, não é mesmo?” Ellen seria intercessora, conselheira, administradora e colaboradora indispensável em tudo o que ele construiu — a ponto de a história de um não poder ser contada sem a do outro.
4. Dez anos como pastor metodista episcopal (1848–1858)
Roberts começou a pregar em 1848, num momento de grande transição do metodismo americano, que se tornava a maior denominação protestante do país. A figura do pregador itinerante de circuito dava lugar ao pastor profissional estabelecido; igrejas metodistas prósperas nas grandes cidades contrastavam com o metodismo pobre da fronteira — e esse contraste alimentava disputas sobre a própria identidade do movimento. Como os pastores metodistas só podiam servir dois anos em cada igreja, Roberts serviu sete igrejas em dez anos, todas no Concílio (Conferência) de Genesee, oeste de Nova York.
4.1. Caryville, Pike e Rushford
Sua primeira nomeação foi Caryville, a noroeste de Batavia. No primeiro domingo, 17 de setembro de 1848, pregou de manhã e à tarde e dirigiu uma reunião de oração à noite; percebeu “um estado geral de frieza e torpor” entre os membros, mas não desanimou. Seu primeiro sermão tratou da pureza de coração, a partir de Mateus 5.8 — “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus” (Mt 5.8) —, tema que se tornaria a nota dominante de toda a sua pregação: a necessidade e a possibilidade da santidade de coração e vida (Hb 12.14). Naquele primeiro ano, cerca de 40 novos membros foram recebidos na igreja. Em Pike, encontrou uma congregação em declínio, mas perseverou e viu renovação. Foi nesse período, durante um acampamento, que teve uma visão espiritual decisiva: diante dele se abriam dois caminhos — um de popularidade e facilidade, outro de fidelidade à verdade com aflição e perseguição. Escolheu conscientemente o segundo. Em Rushford, um grande avivamento floresceu sob seu ministério.
4.2. Buffalo, Brockport e a primeira grande dor
Ordenado presbítero, Roberts foi enviado em 1852 à Igreja da Rua Niagara, em Buffalo — uma congregação urbana marcada, em sua avaliação, pela apatia espiritual e pelo apego às convenções sociais. Ali enfrentou de perto o sistema de aluguel e venda de bancos (pews), que reservava os melhores lugares do templo a quem pudesse pagar. Propôs eliminar as dívidas da igreja sob a condição de que os assentos se tornassem livres para todos; a congregação recusou, e o templo acabou sendo vendido. Em Brockport (1853–1855), cidade do canal Erie, o ministério foi frutífero: Roberts liderou um avivamento vigoroso e fundou o acampamento de Bergen, que se tornaria tradicional. Mas ali também o casal provou sua maior dor: a única filha, Sarah Georgiana, nascida em janeiro de 1855, adoeceu e morreu em agosto do mesmo ano. “Às vezes parece que meu coração vai partir”, escreveu Ellen. Sustentados pela graça, prosseguiram (2Co 1.3–4).
4.3. Albion e os artigos sobre “Igrejas Livres”
Em Albion (1855–1857), Roberts começou a publicar na imprensa metodista. Em abril e maio de 1856, publicou três artigos no Northern Christian Advocate sob o título “Igrejas Livres” (Free Churches), argumentando em bases bíblicas, teológicas e práticas contra o aluguel e a venda de bancos — expediente popular de arrecadação, especialmente nas igrejas urbanas que erguiam templos imponentes de pedra e tijolo. “Que cada um contribua como nos dias apostólicos, segundo as suas posses, e a Igreja poderá sustentar-se com muito mais facilidade do que sob o sistema de bancos”, escreveu. Para Roberts, tratava-se de uma questão evangélica elementar: um sistema que humilha o pobre à porta do templo nega o evangelho que Jesus anunciou aos pobres (Lc 4.18; Tg 2.1–9). Os artigos, porém, indignaram o grupo influente de pastores mais velhos que controlava os negócios do Concílio de Genesee — um grupo em boa parte ligado a sociedades secretas e ao establishment eclesiástico. As nuvens se acumulavam.
5. O conflito: “Metodismo da Nova Escola”, dois julgamentos e a expulsão (1857–1858)
Seis dias antes do Concílio Anual de Genesee de 1857, Roberts publicou um artigo em duas partes intitulado “Metodismo da Nova Escola” (New School Methodism) — o estopim direto de sua expulsão. Sem citar nomes, o artigo denunciava o aluguel de bancos e os desvios teológicos em relação ao metodismo histórico: afirmava que um grupo de cerca de trinta pregadores difundia no Concílio uma “nova teoria de religião”, que colocava as boas obras no lugar da fé em Cristo e confundia justificação com santificação — algo “muito diferente do ensino dos pais do metodismo”. O texto contrariava o “pedido afetuoso” do Concílio de 1856 de que os pregadores não publicassem artigos implicando membros da conferência.
No Concílio daquele ano, líderes poderosos apresentaram acusações formais contra Roberts: “conduta não cristã e imoral” — por causa de um artigo de opinião. Instaurou-se um julgamento eclesiástico completo, presidido pelo bispo Osman Baker. Roberts usou suas habilidades de advogado para refutar as acusações, mas foi condenado por 52 votos a 43 e sentenciado a receber uma repreensão do bispo. Aceitou a repreensão, mas não a sua justiça, e anunciou que apelaria ao Concílio Geral de 1860.
O caso poderia ter morrido ali. Mas leigos indignados espalharam a notícia, e um homem do Concílio, George Estes, sem o conhecimento de Roberts, republicou e distribuiu amplamente o artigo “Metodismo da Nova Escola”, prefaciado por um relato inflamado do julgamento, com os nomes dos que votaram contra Roberts. Isso levou ao segundo julgamento, em 1858. Enquanto isso, Roberts pastoreava Pekin, congregação de 160 membros, onde conduziu um poderoso avivamento com o evangelista John Wesley Redfield — “de dez a vinte pessoas ao altar cada noite”, registrou.
O segundo julgamento foi longo e complexo, e seu desfecho, praticamente predeterminado. Acusado de ter participado da republicação do artigo — o que não era verdade —, Roberts defendeu-se habilmente, mas foi condenado por 62 votos a 32 e, em seguida, expulso do ministério e da denominação por 54 votos a 33. Como observa Snyder, o julgamento tratava, na verdade, da direção que o metodismo estava tomando e da audácia de Roberts em desafiar a estrutura de poder do Concílio. Quando a conferência se encerrou, em 22 de outubro de 1858, Roberts viu-se sem igreja, sem denominação, sem nomeação e sem casa pastoral. Ellen reagiu com serenidade surpreendente: sentia vontade de rir — “o riso de uma criança inocente que não tem preocupação alguma”. No domingo seguinte, o casal assentou-se humildemente entre o povo na igreja de Pekin, agora conduzida por um pregador local.
Vale registrar: leigos de todo o Concílio apoiaram Roberts, e até o bispo Janes via nele um futuro brilhante. Outro pastor, Joseph McCreery, foi expulso no mesmo movimento. As chamadas Convenções de Leigos (Laymen’s Conventions) organizaram-se para sustentar financeiramente os dois e pleitear sua reintegração.
6. Entre a expulsão e a nova igreja (1858–1860)
Os dois anos seguintes foram um tempo liminar, de espera e discernimento. Roberts fixou residência em Buffalo — providencialmente, ele e Ellen haviam comprado uma casa ali cinco anos antes — e passou a viajar extensamente, pregando onde era convidado. Muitos metodistas, descontentes com os rumos da denominação e com a expulsão de Roberts, deixaram suas igrejas e iniciaram reuniões independentes; algumas congregações locais desligaram-se por completo e começaram a se chamar “metodistas livres”.
Dois acontecimentos desse período foram decisivos. Primeiro, em janeiro de 1860, Roberts fundou a revista The Earnest Christian (“O Cristão Zeloso”), que circulou amplamente pelo nordeste dos Estados Unidos, pelo Canadá e além; durante a Guerra Civil, chegou às mãos de soldados da União nos acampamentos e campanhas. Roberts a editaria por 33 anos, até a morte, fazendo dela o principal veículo de suas convicções: santidade bíblica, evangelho aos pobres, justiça social.
Segundo, a fundação da primeira igreja metodista livre — não em Nova York, mas em St. Louis, Missouri, onde ainda havia escravidão e leilões de escravos. Redfield conduzia ali um avivamento e pediu que Roberts viesse organizar uma “igreja livre”. Chegando no início de 1860, Roberts testemunhou a escravidão de perto, vendo “uma leva de escravos atravessando as ruas, provavelmente a caminho do Sul”. Escreveu: “A praga da escravidão estende-se a tudo. Sentimos sua influência esmagadora até em nossas pequenas reuniões. Deus me ajude a fazer tudo o que puder em favor da pobre humanidade sofredora.” A igreja organizada em St. Louis proibia estritamente a posse de escravos. Ali o termo “livre” ganhou seu sentido mais amplo: não apenas bancos livres e liberdade do Espírito no culto, mas liberdade dos escravos e libertação da própria instituição escravagista (Gl 5.1).
Em maio de 1860, o Concílio Geral da Igreja Metodista Episcopal reuniu-se justamente em Buffalo. B. T. e Ellen assistiram a algumas sessões como observadores, esperando que a expulsão fosse revertida e ele pudesse retomar o ministério como metodista. O Concílio negou o apelo. Estava claro que uma nova denominação teria de nascer.
7. A fundação da Igreja Metodista Livre (1860)
A Igreja Metodista Livre teve, na verdade, uma dupla fundação no verão de 1860. Em 2 de julho, metodistas “livres” de Illinois realizaram uma Convenção de Leigos no condado de DuPage, a oeste de Chicago, junto ao acampamento independente de St. Charles, sob a presidência de Roberts. Essa convenção pôs a nova igreja em operação em Illinois e Missouri, nomeou pregadores para onze campos e elegeu Roberts, por unanimidade, Superintendente Geral, com Redfield como superintendente da região de Illinois. Sete semanas depois, em 23 de agosto de 1860, realizou-se a convenção organizadora do leste, numa fazenda perto de Pekin, Nova York — data tradicionalmente lembrada como a da fundação da denominação. Ali também Roberts foi entusiasticamente eleito Superintendente Geral.
A convenção afirmou “inabalável apego às doutrinas e aos usos próprios da Igreja Metodista Episcopal”: a nova igreja não pretendia inovar doutrinariamente, mas manter o metodismo original. Suas marcas distintivas eram práticas: assentos gratuitos em todas as casas de culto; proibição da posse de escravos; proibição de filiação a sociedades secretas (como a maçonaria); representação igual de ministros e leigos em todos os níveis de governo da igreja; simplicidade no vestir; canto congregacional (naquela época, sem instrumentos); e liberdade para o Espírito Santo agir no culto público — com ordem e decência, segundo a diretriz paulina (1Co 14.40). Anos mais tarde, no livro Why Another Sect (“Por que outra denominação?”, 1879), Roberts defenderia historicamente a legitimidade dessa fundação, respondendo aos que acusavam o movimento de cisma.
Roberts sintetizou a missão da nova igreja numa frase que repetiria a vida inteira e que permanece o lema informal do metodismo livre: “Manter o padrão bíblico do cristianismo e pregar o evangelho aos pobres” (cf. Lc 4.18; Mt 11.5).
O crescimento foi imediato. “De todas as direções chegam pedidos para o estabelecimento de igrejas livres”, relatou Roberts em junho de 1861. As atas de 1864 registram três concílios anuais (Illinois, Genesee e Susquehanna), 3.655 membros e 67 pregadores; seis anos depois, os membros eram 6.556, o número de pregadores quase dobrara e novos concílios haviam sido formados em Michigan e no Kansas. Durante os 33 anos de sua liderança (1860–1893), organizaram-se cerca de trinta concílios anuais.
8. Superintendente geral: viagens, missão urbana e vida familiar
Como superintendente geral, Roberts viajou incansavelmente, aproveitando a rápida expansão das ferrovias: Nova York, Buffalo, Cleveland, Chicago, St. Louis, Filadélfia e, mais tarde, com Ellen, até a Califórnia, o Oregon e Washington. Por muitos anos dependeu de ofertas voluntárias que nem sempre cobriam as despesas de viagem; só tardiamente a igreja votou um salário fixo para os superintendentes gerais e nomeou um auxiliar.
Mesmo em meio às viagens e à edição da revista, B. T. e Ellen mantiveram um ministério urbano em Buffalo. No verão de 1861, com outros obreiros, iniciaram uma missão no bairro de Five Points, o coração do movimentado porto onde o canal Erie encontrava o lago Erie — região em que, dizia Roberts, “quase todo prédio tem um bordel e um bar”. Pregavam nas docas; em junho de 1862, Roberts alugou por dez dólares mensais um salão sobre um bar na Canal Street e ali instalou a obra. “Não precisávamos de sino”, escreveu; “o som do louvor e da oração bastava para atrair uma grande congregação.” Mulheres exploradas pela prostituição convertiam-se, e o casal as acolhia em sua própria família até que pudessem sustentar-se dignamente — e Roberts apelava às “irmãs cristãs” que fizessem o mesmo. Sua conclusão pastoral é preciosa: “Você não pode ir aonde o amor de Deus já não tenha ido antes de você, pelo seu bendito Espírito, para conduzir pecadores a Cristo.”
A vida familiar carregava as marcas dessa agenda. O casal teve sete filhos: Georgiana morreu ainda pequena em Brockport (1855), e outro pequeno faleceu de escarlatina em poucos dias; sobreviveram cinco filhos — George (que se tornou advogado e auxiliou o pai em seus projetos de reforma agrária), Benson (educador e biógrafo do pai), Charles, Samuel e Benjamin. Ellen, além das obrigações de mãe, das responsabilidades com a escola e com a revista, acolheu no lar quatro crianças órfãs. “Creio que fui abençoada um pouco demais com crianças”, escreveu ela, bem-humorada, ao marido. As cartas de Roberts à esposa revelam ternura constante: “Você é mais preciosa do que casas e terras. Deus me deu você, e eu quero cuidar de você o melhor possível.”
9. O reformador social: abolição, igualdade racial e a causa dos fazendeiros
A fé de Roberts nunca foi privatista. Para ele, o evangelho da santidade desembocava necessariamente em justiça (Mq 6.8). Antes mesmo de converter-se a Cristo, já era abolicionista; depois da conversão, fez da oposição à escravidão uma marca de seu ministério e da igreja que fundou. Durante a Guerra Civil, usou a revista para apoiar e consolar os soldados; após a guerra, protestou publicamente contra a falta de educação e de oportunidades para os ex-escravos. O Concílio de Illinois, em 1865, aprovou resolução defendendo direitos civis iguais para todos.
Um episódio dos anos 1870, contado por seu filho Benson, ilustra o homem. Um grupo de jovens negros bem-vestidos embarcou no trem em que Roberts viajava e entrou em seu vagão. Um passageiro, furioso, exigiu que o condutor os transferisse para a segunda classe. “Eles têm bilhetes de primeira classe”, explicou o condutor. Diante da insistência insultuosa do passageiro, Roberts levantou-se e defendeu os jovens, que tomaram seus assentos. Ao chegar ao destino, eles o cercaram, agradeceram-lhe e lhe cantaram “uma belíssima canção”. Eram os famosos Jubilee Singers da Universidade Fisk, o coral que apresentou os spirituals ao mundo. “Ele tomava o partido do oprimido”, resumiu Benson.
A mesma sensibilidade estendeu-se aos agricultores esmagados por monopólios, ferrovias e intermediários. Roberts frequentava o Clube de Fazendeiros do condado de Monroe e proferiu uma palestra intitulada “Uma conspiração contra os fazendeiros”, depois publicada e amplamente distribuída, defendendo a organização política dos agricultores. Foi o principal articulador da Aliança dos Fazendeiros do Estado de Nova York, que serviu de modelo para a Aliança Nacional dos Fazendeiros — movimento de significativo peso político nas décadas de 1880 e 1890. Ainda no campo das reformas, quando uma taverna instalou-se em North Chili, perto de sua escola, Roberts organizou um comício de temperança, levantou cerca de 500 dólares, comprou o estabelecimento e o fechou.
10. O educador: do Seminário Chili à Roberts Wesleyan University
Pouco depois da fundação da igreja, Roberts começou a falar de uma escola “onde meninos e meninas pobres pudessem ser ajudados a obter educação”. Em 1866, ele e Ellen compraram uma fazenda de 145 acres (cerca de 59 hectares) em North Chili, perto de Rochester, onde já florescia uma forte igreja metodista livre, e começaram a escola na própria casa da fazenda: o Seminário Chili (Chili Seminary). Roberts contratou a primeira professora, Delia Jeffries, ensinou ele mesmo algumas classes e formou um conselho de dezesseis curadores.
Ao anunciar a escola na Earnest Christian de maio de 1866, expôs sua filosofia educacional: “As crianças devem ter formação religiosa; o seu bem-estar em ambos os mundos o exige.” A Escritura devia ocupar lugar de destaque, e a educação devia abranger corpo e mente: “As crianças devem também ser treinadas na prática do trabalho, pois o trabalho é bênção, não maldição.” Os alunos trabalhavam de três a cinco horas diárias na escola ou na fazenda — educação integral, piedade e labor (2Ts 3.10; Cl 3.23).
A escola cresceu: 56 alunos em 1869–70, 102 no ano seguinte. Em 1876, Benson Roberts, recém-formado em Dartmouth, assumiu a direção, e no ano seguinte casou-se com Emma Sellew; os dois serviram como codiretores. Em 1885, um legado de 30 mil dólares do espólio de Abram Merritt Chesbrough deu à escola o nome de A. M. Chesbrough Seminary e um fundo permanente de bolsas para alunos carentes. Em outubro de 1892, meses antes da morte de Roberts, três novos edifícios foram dedicados no mesmo dia — entre eles o Cox Hall e o que hoje se chama Roberts Hall —, com uma vibrante mensagem missionária de A. B. Simpson, fundador da Aliança Cristã e Missionária. A instituição tornou-se, com o tempo, o Roberts Wesleyan College e, hoje, a Roberts Wesleyan University — a primeira instituição norte-americana de ensino superior batizada em honra de B. T. Roberts. Ellen foi alma espiritual do campus: liderava a reunião de classe das terças-feiras à noite e carregou, nas longas ausências do marido, boa parte do peso administrativo e financeiro da escola.
O impulso educacional e missionário multiplicou-se: a denominação formou uma Junta Geral de Missões, e missionários metodistas livres partiram para a Índia (1880), África (1885 — Moçambique, África do Sul e Libéria), República Dominicana (1889) e, depois da morte de Roberts, Japão (1895), Egito (1899) e China (1904). Para Roberts, as missões estrangeiras eram a extensão natural da missão primária da igreja. Seu livro Fishers of Men (“Pescadores de Homens”, 1878) destila sua paixão evangelística.
11. O defensor das mulheres no ministério
Desde cedo Roberts destoou da maioria quanto ao ministério feminino. Já no Concílio de Genesee (ainda metodista episcopal), quando se apresentaram resoluções contra a pregação de mulheres, seu diário registra: “Falei contra elas. Entretanto, foram aprovadas por grande maioria.” Décadas depois, a questão voltou ao Concílio Geral metodista livre de 1890: havia mulheres atuando pastoralmente, sem ordenação, em distritos fortes de quase todos os concílios, e Roberts sustentava que, se faziam o trabalho, deviam receber a mesma ordenação e o mesmo reconhecimento que os homens. Após acalorado debate, o Concílio votou primeiro a favor e, reconsiderando, votou contra. Foi uma das maiores decepções de sua vida: “Não sei se desejo assistir a mais outro Concílio Geral”, desabafou a Ellen.
Sua resposta foi um livro: Ordaining Women (“Ordenando Mulheres”, 1891), uma das defesas mais vigorosas da ordenação feminina produzidas no século XIX, fundamentada em textos como Gl 3.28, At 2.17–18 e Rm 16. Dois parágrafos resumem seu ponto de vista: “A Igreja não tem o direito de proibir o livre exercício da capacidade concedida por Deus de fazer o bem. Fazer tal coisa é usurpação e tirania.” E, com a ironia santa que lhe era própria: “Seria melhor que os homens se ocupassem da edificação do templo de Deus, em vez de gastarem o seu tempo empurrando suas irmãs para fora dos andaimes, sendo elas tão capazes quanto desejosas de trabalhar lado a lado com eles.” A dedicatória do livro revela a raiz existencial da convicção: Ellen, que por 42 anos permanecera fielmente ao seu lado no ministério do evangelho. A Igreja Metodista Livre só concederia a ordenação plena às mulheres décadas mais tarde — mas, quando o fez, colheu o que Roberts semeara.
12. Teologia e espiritualidade: a santidade wesleyana
Que teologia sustentava tudo isso? Roberts foi, do início ao fim, um wesleyano convicto. Sua bandeira doutrinária não era nova: era a doutrina da inteira santificação — o amor perfeito — tal como ensinada por João Wesley. Ele insistia em que, embora imperfeito em conhecimento e realizações, o cristão pode ser perfeito no amor (Mt 5.48; 1Jo 4.17–18); que a santidade é obra da graça, recebida pela fé, e não conquista moral; e que a experiência do novo nascimento deve ser seguida de uma obra mais profunda do Espírito, purificando o coração (At 15.8–9). Sua polêmica contra o “Metodismo da Nova Escola” foi precisamente a defesa da justificação pela fé e da santificação como obras distintas e reais da graça, contra a diluição de ambas em mera respeitabilidade religiosa.
Três acentos caracterizam sua espiritualidade. Primeiro, a simplicidade: culto simples, vestes simples, templos simples, para que o pobre nunca se sentisse estrangeiro na casa de Deus. Segundo, a liberdade do Espírito: cultos fervorosos, testemunhos, oração espontânea — sempre, porém, “com decência e ordem” (1Co 14.40). Terceiro, o evangelho aos pobres como teste de fidelidade da igreja: para Roberts, uma igreja que se organiza para agradar aos ricos já apostatou na prática, ainda que sua doutrina formal permaneça ortodoxa (Tg 2.5–6). Como escreveu a Ellen em 1891, com o otimismo da graça que Wesley lhe legara: “Deus está transtornando, transtornando, e em breve veremos harmonia por toda parte. Amém.”
13. Os últimos anos, a morte e a reparação póstuma
| B. Titus e Ellen Roberts |
O Concílio Geral de 1890 deixou Roberts esgotado — “em tal estado espiritual e físico que sinto que já não sirvo para muita coisa”, confidenciou a um amigo. Ele sabia que seu coração estava seriamente doente e, com serenidade, pôs em ordem contas e negócios. Ainda assim, nos dois anos seguintes organizou o Concílio Anual do Sul da Califórnia e viajou ao Sul e à Nova Inglaterra, embora passasse mais tempo em casa, na “casa da colina” construída em 1880 em frente ao campus da escola.
Na sexta-feira, 24 de fevereiro de 1893, partiu para Cattaraugus, Nova York, a fim de dirigir um concílio distrital. Pernoitou em Gowanda, visitando a mãe, que aos noventa anos ainda gozava de boa saúde. Na manhã seguinte, ao fazer baldeação em Dayton, sofreu um ataque cardíaco. Amigos o acolheram em Cattaraugus e chamaram seu médico; ele não permitiu que avisassem a família, para não a preocupar. Durante dois dias, recitou promessas bíblicas e hinos. Na segunda-feira, 27 de fevereiro de 1893, após uma última crise de dores, exclamou: “Louvado seja o Senhor! Amém!” — e com estas palavras partiu, aos 69 anos. Ellen e Benson, avisados por terceiros, viajavam para encontrá-lo e estavam em Buffalo, à espera do trem, na hora de sua morte. “Que pena que eu não pude estar com ele!”, lamentou Ellen.
O funeral realizou-se na quinta-feira, 2 de março, no auditório do recém-concluído Cox Memorial Hall, no Seminário Chesbrough, com mais de quarenta pastores presentes; os estudantes encerraram a cerimônia junto à sepultura cantando e lançando ramos de sempre-vivas. Por toda a denominação perguntava-se: “Quem poderá preencher o seu lugar?” Edward Payson Hart, seu colega na superintendência geral, escreveu: “Nosso irmão foi manifestamente levantado para liderar um movimento inaugurado para manter o padrão bíblico do cristianismo e pregar o evangelho aos pobres.”
Ellen sobreviveu-lhe quinze anos, mantendo vasta correspondência e profunda vida de oração — “nunca tive tal espírito de oração como nesta noite”, anotou no diário aos 79 anos. Faleceu em paz em 28 de janeiro de 1908, aos 82 anos, na casa da colina. E em 1910 veio a reparação histórica: o Concílio de Genesee da Igreja Metodista Episcopal reconheceu a injustiça cometida contra Roberts e devolveu as credenciais de ordenação (os “pergaminhos”) a seu filho Benson H. Roberts — dezessete anos depois da morte do pai, cinquenta e dois anos depois da expulsão. A história, como tantas vezes, absolveu o profeta que a instituição condenara (cf. Mt 5.10–12).
14. O legado
Seguindo a análise de Howard Snyder, o legado de B. T. e Ellen Roberts pode ser organizado em quatro dimensões. Primeiro, o legado de suas vidas e testemunho: uma paixão integrada por Jesus, pelos pobres, pela igualdade, pela justiça e pela santidade, vivida com coerência no lar, no púlpito e na praça pública — movidos pelo serviço, não pelo status. Segundo, o legado institucional: a Igreja Metodista Livre, hoje presente em dezenas de países (inclusive o Brasil, onde a IMeL chegou em 1928 pela obra missionária japonesa e norte-americana), a Roberts Wesleyan University e a rede de escolas, hospitais, orfanatos e missões urbanas que o movimento gerou. Terceiro, o legado de esperança: o “otimismo da graça” herdado de Wesley, a confiança de que Deus renova a sua igreja e faz avançar o seu Reino. Quarto, o legado de seu “populismo santo”: a convicção de que o evangelho é de e para todo o povo — escravos e ex-escravos, mulheres, agricultores, pobres das cidades — não como ideologia política, mas como aplicação direta das boas-novas do Reino (Lc 4.18–19).
Roberts não foi um homem sem defeitos — tinha, como todos, os seus “pés de barro”. Podia ser polemista duro, e a jovem denominação sofreu com tensões e rigores que ele nem sempre conseguiu moderar (no Concílio de 1890, aliás, ele lutou por moderação e perdeu). Mas a grandeza de sua vida está exatamente na combinação rara que Snyder chamou de “paradoxo gracioso”: um espírito de alma larga unido a um compromisso radical com Jesus e seu Reino.
15. Reflexão pastoral
Que palavra a vida de B. T. Roberts dirige a nós, pastores e igrejas de hoje? Destaco quatro lições.
Primeira: a fidelidade custa, e vale o custo. Roberts viu, ainda jovem, os dois caminhos — popularidade ou verdade com perseguição — e escolheu o segundo. Sua expulsão foi injusta; sua reabilitação, póstuma. Quem serve a Cristo precisa estar pronto para ser justificado apenas pela história — ou apenas pela eternidade (1Co 4.3–5).
Segunda: santidade e justiça são inseparáveis. Roberts não conheceu a dicotomia moderna entre piedade pessoal e compromisso social. O mesmo homem que pregava a pureza de coração (Mt 5.8) comprava tavernas para fechá-las, organizava fazendeiros, defendia negros no trem e escrevia em favor da ordenação de mulheres. A santidade wesleyana é amor perfeito — e o amor não é perfeito enquanto não alcança o próximo oprimido (1Jo 3.17–18).
Terceira: a igreja se mede pelo lugar que dá ao pobre. A questão dos bancos alugados parece distante, mas sua lógica é atualíssima: toda vez que a igreja se estrutura para o conforto dos que podem pagar, ela trai o evangelho que anuncia (Tg 2.1–9). Vale perguntar: quais são os nossos “bancos alugados” de hoje?
Quarta: ninguém constrói sozinho. Sem Ellen — sua intercessora, conselheira e cooperadora — não haveria B. T. Roberts. Sem os leigos que o sustentaram, não haveria Igreja Metodista Livre. O ministério frutífero é sempre parceria: no lar, na igreja, no Reino (Ec 4.9–12; Rm 16.3).
Para nós, da Igreja Metodista Livre do Brasil, conhecer Roberts não é exercício de nostalgia, mas de identidade: somos herdeiros de um movimento que nasceu para manter o padrão bíblico do cristianismo e pregar o evangelho aos pobres. Enquanto formos fiéis a essa dupla vocação, o velho bispo continuará vivo entre nós.
Cronologia essencial
Ano Acontecimento
1823 Nasce em 25 de julho, no oeste do Estado de Nova York (região de Forestville/Gowanda), filho de Titus e Sally Roberts.
c. 1844 Conversão, por volta do 21º aniversário; abandona a carreira jurídica pelo ministério.
1845 Ingressa no Seminário Wesleyano de Genesee; em seguida, na Universidade Wesleyana (Middletown, CT).
1848 Gradua-se; conhece Ellen Lois Stowe; inicia o pastorado em Caryville, NY.
1849 Casa-se com Ellen, em maio, em Manhattan.
1848–1858 Serve sete igrejas do Concílio de Genesee: Caryville, Pike, Rushford, Buffalo (Niagara St.), Brockport, Albion e Pekin.
1855 Morte da filha Sarah Georgiana, em Brockport.
1856 Publica os artigos “Igrejas Livres” contra o aluguel de bancos.
1857 Publica “Metodismo da Nova Escola”; primeiro julgamento; condenado e repreendido.
1858 Segundo julgamento; expulso da Igreja Metodista Episcopal (conferência encerrada em 22 de outubro).
1860 Funda a revista The Earnest Christian (janeiro); organiza igreja livre em St. Louis; apelo negado pelo Concílio Geral (maio); fundação da Igreja Metodista Livre (2 de julho, Illinois; 23 de agosto, Pekin, NY); eleito Superintendente Geral.
1861–62 Missão urbana em Five Points, Buffalo.
1866 Funda o Seminário Chili (futura Roberts Wesleyan University), em North Chili, NY.
Década de 1870 Organiza a Aliança dos Fazendeiros de Nova York; episódio dos Jubilee Singers.
1879 Publica Why Another Sect.
1885 Escola renomeada A. M. Chesbrough Seminary.
1890 Concílio Geral rejeita a ordenação de mulheres.
1891 Publica Ordaining Women.
1893 Morre em 27 de fevereiro, em Cattaraugus, NY, aos 69 anos. Últimas palavras: “Louvado seja o Senhor! Amém!”
1908 Falecimento de Ellen Roberts (28 de janeiro).
1910 O Concílio de Genesee devolve as credenciais de ordenação de Roberts a seu filho Benson: reparação histórica.
Fontes e bibliografia
SNYDER, Howard A. Populist Saints: B. T. and Ellen Roberts and the First Free Methodists. Grand Rapids: Eerdmans, 2006. (A biografia acadêmica definitiva, 976 p.; há versão condensada: B. T. and Ellen Roberts and the First Free Methodists, 248 p.)
SNYDER, Howard A. B. T. Roberts and the Founding of Roberts Wesleyan University. Free Methodist Church USA, 2022. Disponível em: fmcusa.org.
ROBERTS, Benson H. Benjamin Titus Roberts: A Biography. North Chili, NY: The Earnest Christian Office, 1900. (Biografia escrita pelo filho.)
ROBERTS, Esther M. O Bispo e sua Esposa (The Bishop and His Lady). Winona Lake, IN: Light and Life Press, 1962. Tradução portuguesa revisada por Pr. Nilson Campos P. Santos, Guarulhos, 2006.
ROBERTS, B. T. Why Another Sect. Rochester, NY: The Earnest Christian Publishing House, 1879.
ROBERTS, B. T. Ordaining Women. Rochester, NY: Earnest Christian Publishing House, 1891.
ROBERTS, B. T. Fishers of Men. Rochester, NY: Earnest Christian Publishing House, 1878.
ZAHNISER, Clarence H. Earnest Christian: Life and Works of Benjamin Titus Roberts. Circleville, OH, 1957.
MARSTON, Leslie R. From Age to Age a Living Witness: A Historical Interpretation of Free Methodism’s First Century. Winona Lake, IN: Light and Life Press, 1960.
Marston Historical Center / Free Methodist Church USA: historical.fmcusa.org e fmcusa.org/history.
(Autor Bispo José Ildo Swartele de Mello)
Correntes e Afluentes da Igreja no século XXI+
Baseado em Ezequiel 47 Dr. Kevin Mannoia falando aos alunos da Faculdade Metodista Livre de São Paulo O Grande Rio do Reino de Deus que leva vida no deserto deste mundo tem muitos afluentes que levantam o nível d'água deste Rio. Alguns afluentes importantes que estão sendo renovados são:
1) Afluente Reformado – Movimento reformado, experimentando uma renovação na ênfase no evangelho proposicional, que busca sistematizar a teologia.
2) Afluente mais sacramental que está, de maneira renovada, explorando as raízes e o entendimento dos mistérios de Deus, pois reconhece que não podemos conhecer Deus perfeitamente, muito ainda é mistério para nós, tal movimento busca aprofundando na busca de intimidade com Deus.
3) Afluente passado/futuro, renovado interesse em redescobrir práticas antigas da igreja que possam ter relevância para os desafios presentes em busca de um futuro melhor. Redescobrir a força de transformação do passado que possa impactar as novas gerações.
4) Afluente de santidade wesleyana – onde a mensagem de santidade está sendo posta como ponto central para promover unidade e transformação no tempo presente. Mensagem de santidade articulada de maneira contemporânea para alcançar esta geração.
Estes afluentes deságuam no Rio Comum de Deus. Cada afluente acabou edificando estruturas com o propósito de dar vazão ao movimento das águas. Mas, o problema é que as estruturas acabaram crescendo a ponto de ultrapassarem o nível da água, de modo a não servirem mais como canais, mas, sim, como barreiras que represam as águas. As estruturas das igrejas não são mais importantes que o movimento do Rio de Deus. Legalismo e institucionalismo acabam represando as águas. Mas, graças a Deus, muitos estão reconhecendo o problema e estão ajustando as estruturas para permitirem o livre movimento das águas! As denominações não vão acabar, mas devem dar prioridade a grande correnteza do Rio de Deus.
Oito mudanças que estão acontecendo na Igreja na atualidade, principalmente no movimento contemporâneo de santidade:
1) Aumento de pensamento integrado neste período pós-moderno. Missão mais integrada com o contexto de nossas comunidades. E a própria vida pessoal não está mais sendo vista em termos de divisões internas com diversos compartimentos estanques, pois tudo está sendo percebido como estando mais integrado, de modo que o cognitivo transforma o comportamento, que, por sua vez, impacta o emocional, e assim por diante.
2) Estamos vendo uma mudança para uma ênfase prática para o utilitarismo reflexivo. Ou seja, o sentimento utilitário, que é o desejo de ser útil e relevante, busca ações que produzam efeitos palpáveis, mas isto como fruto de reflexão derivada da sensibilidade às necessidades humanas globais. Há muito mais reflexão antes da adoção de uma postura ou método utilitário. Reflexão e prática.
3) Outra coisa que se observa é que os conflitos de geração estão diminuindo. Percebe-se que mais e mais líderes novos estão demonstrando apreço pelas coisas antigas. Eles estão procurando a sabedoria das gerações anteriores.
4) Igrejas estão encarando as estruturas como servos da missão. As estruturas estão começando a se submeter a missão da Igreja.
5) Está crescendo uma cosmovisão mais plena que inclui todos os aspectos da vida humana. Está sendo diluída a dicotomia entre corpo e espírito. Pois estamos percebendo que existe uma espiritualidade do corpo. Ecologia tem implicações espirituais e vice-versa.
6) Há um movimento de afastamento de posições fundamentalistas que promovem escapismo teológico e escatológico, que vem a salvação apenas em termos de uma passagem para o céu e que desconsidera o papel da igreja como principal agente do Reino de Deus que tem como missão salgar e iluminar o mundo.
7) O papel das denominações está mudando para não basear-se puramente em autoridade, mas para tornar-se mais uma rede ministerial com vistas a capacitar pastores e igrejas para o cumprimento de sua missão.
8) Estamos vendo um crescimento da ênfase em transformação holistica. Uma mensagem que transforma o homem para ele venha a refletir a natureza de Deus. De modo que a natureza de Deus seja apropriada através de nossa rendição completa para que experimentemos uma transformação holistica que se torna visível para o mundo e que tenha efeito nas relações sociais, impactando o mundo ao nosso redor. Cristo em nós!
As águas de um rio estão sempre em movimento, se não, deixam de ser rio; E, águas paradas acabam cheirando mal.
Queremos ver pastores e líderes de distintos afluentes abraçando estas mudanças para que o rio de Deus aumente, espalhando vida por toda a terra.
Anotações do Bispo Ildo Mello