Estudos do Bispo Ildo · Heresias e Apologética
Maldição Hereditária e Cura Interior
4 estudos
← Voltar a Heresias e Apologética
Clique no título para abrir o texto completo.
Maldição Hereditária+
Por Bispo José Ildo Swartele de Mello “Que tendes vós, vós que dizeis esta parábola acerca da terra de Israel, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, a os dentes dos filhos se embotaram? Vivo eu, diz o Senhor Jeová, que nunca mais direis este provérbio em Israel”. (Ez. 18.2 a 3).
Introdução
Alguns acreditam e ensinam que até os cristãos podem estar sujeitos à maldição de seus ancestrais. Existem livros e seminários que se prestam ao ensino de como quebrar as cadeias da maldição hereditária. Eles se baseiam principalmente em Êxodo 20.5 e Deuteronômio 5.9. Aliás, por causa de uma má interpretação destes textos, surgiu um ditado que se tornou muito popular em Israel “Os pais comeram uvas verdes, a os dentes dos filhos é que se embotaram”.Vemos esta idéia em Lamentações 5.7: ‘Nossos pais pecaram, e já não existem; nós é que levamos o castigo das suas iniqüidades.” Bem, Jeremias já havia previsto um dia em que este provérbio não mais seria proferido: “Naqueles dias já não dirão: Os pais comeram uvas verdes, a os dentes dos filhos é que se embotaram”. (Jr. 31.29). Mas Ezequiel afirma que este dia já chegou: “Que tendes vós, vós que, acerca de Israel, proferis este provérbio, dizendo: os pais comeram uvas verdes, a os dentes dos filhos é que embotaram? Tão certo como Eu vivo, diz o Senhor Deus, jamais direis este provérbio em Israel” (Ez. 18.2 e 3). Para uma compreensão melhor desta passagem é aconselhável a leitura e o estudo de todo capítulo 18 de Ezequiel. Ambos os profetas eram contra esta perniciosa doutrina, que descambava em irresponsabilidade a fatalismo, pois é muito conveniente para alguns desviar a culpa de si mesmos e transferi-la para gerações anteriores, ou então, culpar o destino a as forças ocultas por nossos fracassos, pecados, vícios e misérias; chegando a acusar a Deus de injustiça, como em Ez. 18.25: “No entanto dizeis: o caminho do Senhor não é direito…”“.Em outras palavras, Ezequiel nos ensina que, em vez de voltarmos nossos olhos para trás em busca de resposta para os infortúnios do presente, em vez de culparmos nossos antepassados, ou os demônios, ou o destino, deveríamos olhar para nós mesmos a pedir a Deus que venha sondar os nossos corações, vendo se há em nós caminho mal, a fim de nos guiar pelos Seus caminhos. (Sl. 139). O pecado, sim, é que traz maldição: “… pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará”.(Gl 6.7). “A maldição sem causa não se cumpre” (Pv. 26.2); “Amou a maldição: ela o apanhe; não quis a benção: aparte se dele”.(Sl. 109.17); “Eis que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição” (Deut. 11.26), repare que bênção e maldição estão diante e não atrás das pessoas; tudo dependendo da nossa atitude para com Deus.
Influência pagã
Diversas religiões, como feitiçaria e macumba, sempre atribuíram poderes extraordinários aos pronunciamentos de benção e maldição, pois crêem que uma vez proferida uma maldição, ela passa a ter vida própria, não sossegando até o cumprimento de seu desígnio. E, para se ver livre de tal encanto, um homem precisaria recorrer a um feitiço ainda maior. Perceba que, assim, tudo fica no campo da magia. Tal idéia é dualista, gnóstica e antropocêntrica e implica numa negação da soberania de Deus, por colocar o destino das pessoas nas mãos ou palavras de outros seres humanos.
A infiltração do misticismo e da superstição nas igrejas evangélicas do Brasil é algo assustador. Muitos evangélicos substituíram as “três batidinhas na madeira” por uma nova forma de esconjuro, usando em todo o tempo a expressão “TÁ AMARRADO!”, procurando, assim, quebrar o poder de uma palavra negativa, exorcizando um mal. E, por causa de tal influência pagã, muitos crentes sinceros estão ficando obcecados por “Batalha Espiritual”, chegando a desenvolver uma grande sensibilidade e uma percepção muito forte da presença do maligno. Por mais que tentem, não conseguem disfarçar seu nervosismo e inquietude que são frutos de desconfiança e temor. Ficam arrepiados e atribuem isto a um pretenso discernimento espiritual.
Biblicamente falando, o pecado é que traz maldição, pois o pecado separa o homem de Deus. Deus é a única fonte de bênçãos. Bênção é o oposto de maldição. Maldição seria, então, estar distante de Deus.
Contra Jacó não valem encantamentos
A Bíblia ensina exaustivamente que os servos do Senhor não estão sujeitos à maldição, a não ser que se desviem do caminho do Senhor.
Balaão não pôde amaldiçoar o povo de Israel. Deus não o permitiu! Disse Balaão a Balaque: “Como posso amaldiçoar a quem o Senhor não amaldiçoou?” (Nm 23.8) e “Ele abençoou, não o posso revogar… O Senhor seu Deus está com ele… pois contra Jacó não vale encantamento”.(Nm 23.20, 21 a 23). Sabendo, pois, Balaão, que não se amaldiçoa o povo de Deus com feitiços ou rogando pragas, ensinou Balaão a Balaque como se poderia atingir o povo de Israel, ou seja, seduzindo o povo ao pecado, afastando os de Deus, que é a única fonte de bênção, levando o povo ao juízo e condenação: (Apocalipse 2.14; Nm 25.1 18 a Nm 31.8 a 16).
As palavras não possuem tanto poder como querem alguns, conforme concluímos das seguintes passagens: Tg. 2.15 16 e I Jo 3.18.
Salmo 109.17 “Amaldiçoem eles, mas Tu, abençoa; sejam confundidos os que contra mim se levantam; alegre se, porém, o teu servo”. E em Neemias 13.2 lemos: “Deus converte a maldição em bênção”; e, além disso, o ímpio não sai impune do seu intento de nos prejudicar: “amaldiçoarei os que to amaldiçoarem” (Gn 12.3). Ver também: Cl 2.14 15 a Pv. 3.26, 33.
O Salmo 91 nos deixa a seguinte promessa: “O Senhor te livrará do laço do passarinheiro e da peste perniciosa. Sob suas asas estarás seguro… praga nenhuma chegará a tua tenda…” E o Salmo 31.4 diz: “Tirar me ás do laço que, às ocultas, me armaram, pois Tu és a minha fortaleza” (Ver também: Sl 118.13; Sl 84; Sl 146.5, 7; Sl 147.13; Sl 139.1 16; Sl 133.3; Sl 121.3 8; Sl 46.1, 5, 7; Sl 33.18 22; Sl 32.7; Sl 28; 7 9; Sl 29.11; Sl 27.1 6; Sl 23.6; Sl 21.11; Sl 18.1 3, 27 50; Sl 16.5 8, 11).
Cristo nos resgatou da maldição
“Cristo se fez maldição em nosso lugar”. Foi crucificado como se fosse um maldito para nos resgatar da maldição da lei, para que a benção chegasse até nós. (Gl. 3.13, 14). “Os da fé” não estão debaixo de nenhuma maldição, mas “são abençoados com o crente Abraão”. (Gl. 3.9).
“Quem está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas já passaram, tudo novo se tornou”.(2 Cor. 5.17). Não precisamos nos preocupar em desenhar nossa árvore genealógica, regredindo até a terceira a quarta geração quebrando as cadeias. Em primeiro lugar, porque pactos e alianças feitos pelos ancestrais não se transmitem automaticamente aos filhos. Favor não confundir conseqüências dos pecados dos pais com maldição. Pois é óbvio que os pais exercem forte influência sobre os filhos, ou para o bem ou para o mal. Mas isto não é o mesmo que dizer que eles estejam debaixo de uma maldição, de um feitiço, ou sob algum encantamento, que necessariamente precisa ser quebrado para livrá los de tal destino. Não devemos nos esquivar de nossas responsabilidades pessoais. E também, quando nos convertemos, o sangue precioso de Jesus nos purificou de todo o pecado (1Jo 1.7).
Não é necessário regredir pare nascer de novo, (Jo. 3). Um crente que volta atrás para quebrar cadeias de maldições hereditárias está pondo em dúvida a sua fé e a sua salvação. Está diminuindo o que Cristo fez por ele. Não está crendo que é nova criatura e que as coisas velhas já passaram. Não está descansando no poder de Deus a nem confiando no poder purificador e libertador do sangue de Jesus. (Cl. 2.14-15; Ap 1.5; Rm. 5.9; Ef. 1.7, Hb 9.12, 14; 1Pe 1.18-19).
Em vez de retroceder, prosseguir
Em vez de retrocedermos devemos fazer como o apóstolo Paulo: “… mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. (Fp 3.13b)”. O Senhor ainda diz ao seu povo:
“Não vos lembreis das coisas passadas e nem considereis as antigas” (Is 43.18). Deus tem um caminho no meio da tormenta (Naum 1.3). Não duvide do amor de Deus. “Deus não nos deixou à deriva no mar da hereditariedade” (Max Lucado) e não estamos largados à própria sorte e nem somos joguetes nas mãos dos homens ou de espíritos malignos. Procure focalizar os aspectos positivos, “quero trazer a memória o que me pode dar esperança…” (Lm 3.21) e busque discernir a boa mão de Deus em sua vida, histórico familiar e hereditariedade, pois foi o próprio Deus quem nos formou com carinho e com bons propósitos que vão além da nossa compreensão:
“Pois tu formaste o meu interior tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem”; (Sl 139.13, 14) e “Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança”. (Jr 29.11).
Não há mais condenação para os que estão em Cristo
Não há mais maldição e nem condenação para os que estão em Cristo (Rm 8.1). “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8.31). Tendo em mente a definição bíblica de maldição: separado de Deus, ouçamos o que o apóstolo Paulo ainda tem a dizer em Romanos 8.33 39: “quem intentará acusação contra os eleitos de Deus?… quem os condenará?… quem nos separará do amor de Cristo?… Pois eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor”.
“Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou pare o Reino do Filho do Seu amor, no qual temos a remissão dos pecados, a redenção” (Co 1.13, 14, ver também Co 2.12 15; 3.1 3 10; Ef 1.3 14, 18 20).
Firme-se na Palavra de Deus
Firme-se na Palavra de Deus e não se deixe levar por todo vento de doutrina e não se deixe enganar por aqueles que distorcem as Escrituras com intuito de atrairem discípulos para sí. A ignorância e a superstição escravizam, mas a verdade liberta. (Jo. 8.32). Só como curiosidade: a última palavra do Antigo Testamento é “maldição”; já o primeiro e mais importante sermão do Senhor Jesus Cristo registrado no Novo Testamento inicia-se com o termo: “BEM AVENTURADO”!
Ainda sobre este assunto leia o estudo sobre Batalha Espiritual:
Bibliografia
Gondin, Ricardo O Evangelho da Nova Era Abba Press São Paulo SP 1993 Romeiro, Paulo Super Crentes Mundo Cristão São Paulo SP 1993.
Artigo especial da revista “Vos Scripturae 3.2 (setembro de 1993) pág.131 a 150. Artigo de Alan B. Pierrat, intitulado:” O Segredo da Espiritualidade da Prosperidade.” Lucado, Max. “Superando sua hereditariedade” http://www.irmaos.com/maxlucado/?id=1306
Nota de Esclarecimento e Repúdio Quanto a Suposta Maldição sobre Negros e Africanos+
A Aliança Evangélica vem a público para repudiar o uso inadequado das Escrituras Sagradas, a Bíblia, juntamente com as interpretações e afirmações daí decorrentes, especificamente as feitas quanto a supostas maldições existentes sobre africanos e negros.
Afirmações desta natureza são fruto de leitura mal feita de parágrafos bíblicos, tomados fora do seu contexto literário e teológico, que acabam por colaborar com os interesses de justificar pensamentos e práticas abusivas, contrárias ao espírito da Palavra de Deus, cujo foco está na Justiça, na Libertação e na promoção da Vida e Dignidade Humana.
O texto em questão, que tem servido de pretexto para declarações insustentáveis, tanto em púlpitos, redes sociais, na tribuna do Parlamento e até protocoladas junto à Justiça Federal, sob o manto da imunidade parlamentar, versa sobre o significado da passagem bíblica encontrada no Livro de Gênesis capítulo 9, versos 20 a 27.
Nessa passagem Noé, embriagado, despe-se e assim é surpreendido por seu filho Cam que, ao invés de manter a discrição e o respeito devidos ao pai, o anuncia aos seus irmãos; estes se recusam a ver o pai nesse estado e, sem olhar para ele, cobrem-no com uma manta. Desperto Noé, ao saber da postura de seu filho Cam, amaldiçoa seu neto Canaã, filho de Cam, destinando-lhe a servidão.
O equívoco em questão dá a entender que a maldição proferida pelo patriarca bíblico contra Canaã, seu neto e filho de Cam, atinge os seres humanos de tez negra que habitaram, originariamente, o continente africano, o que explicaria os vários infortúnios em sua história passada e presente, culminando no longo período em que foram feitos escravos no Ocidente; e que o ato de Cam em ver a nudez de seu pai, mais do que um desrespeito, indica um ato de violação sexual por parte de Cam.
Queremos salientar enfática e categoricamente:
Primeiro, Cam teve outros filhos: Cuxe, Mizraim e Pute, e somente Canaã foi amaldiçoado.
Segundo, embora o comportamento inadequado descrito no texto bíblico tenha sido o de Cam, filho de Noé, o objeto específico da maldição foi Canaã, o neto de Noé. [Segundo Orígines, um dos pais da Igreja, do sec. III, Canaã foi quem avisou seu pai sobre a situação do seu avô, publicando o que deveria ter mantido sob reserva]. Amaldiçoar, no senso bíblico, não determina a história, mas descreve a consequência da quebra dum princípio estabelecido pelo ato desrespeitoso; portanto, significa a percepção de efeitos e desdobramentos de um comportamento específico. Ou seja, a postura de Cam e de seu filho Canaã estabelece um padrão comportamental que resultaria numa situação de inversão paradoxal, onde alguns dentre os descendentes de Canaã se tornariam dominados e serviçais dos seus irmãos.
Terceiro, Canaã, neto de Noé, foi habitar e estabeleceu-se na região a oeste do rio Jordão, até a costa do Mediterrâneo (sudoeste da Mesopotâmia), onde os descendentes de Canaã desenvolveram práticas absurdas, inclusive o sacrifício de crianças, e não no continente africano!
Quarto, é de entendimento entre os teólogos especialistas no Velho Testamento que a maldição profética de Noé sobre Canaã foi cumprida quando da conquista da região povoada pelos descendentes de Canaã, os cananeus, por parte dos filhos de Jacó, sob o comando de Josué há mais de três milênios.
Quinto, a maldição proferida sobre Canaã pelo seu avô Noé significou uma percepção e discernimento sobre uma tendência comportamental de um grupo humano, antevendo o resultado de uma corrupção cultural e civilizatória específica e localizada, e em consequente servidão, e de modo nenhum faz referência à cor da sua pele.
Sexto, não há nada, absolutamente nada, nem neste texto bíblico em foco nem na Escritura como um todo, que indique qualquer maldição sobre negros e africanos, e muito menos algo que justifique a escravidão.
Sétimo, o texto bíblico precisa ser lido em seu contexto imediato e considerado à luz da totalidade da Escritura, como saudáveis práticas de interpretação bíblica nos ensinam. De acordo com o próprio capítulo 9 de Gênesis, verso 1 e seguintes, é indicado que o desejo de Deus e sua promessa visam abençoar, dar vida, alimento e todo o necessário para o desenvolvimento de todos os descendentes de Noé, seus filhos e de toda a família humana. A declaração divina de abençoar a Noé e seus descendentes é firme e abrangente, e não pode ser contestada ou reduzida pela declaração relativa e descritiva de Noé a respeito de seu neto.
Oitavo, Deus reafirma o desejo de abençoar a toda a humanidade, a todas as famílias da terra, raças e etnias no episódio descrito na sequência da narrativa bíblica, quando da vocação de Abrão (Genesis 12), intenção que tem seu ápice e culminância na pessoa, vida e ministério de Jesus e continuado em curso na Igreja. Em Cristo, toda maldição é destruída e uma Nova Criação é estabelecida, sendo chamados a participar deste novo concerto todas as nações, etnias, raças, povos e famílias de todas as terras e da Terra toda, sendo revogadas assim todas as maldições e oferecida salvação a todas as pessoas.
Nono, a alegada violação sexual de Cam a Noé não é sustentada pelo texto. A citação do texto da lei de Moisés que chama a violação de descobrir a nudez não dá suporte a tal alegação, uma vez que os verbos usados são diferentes na raiz e no significado: no primeiro caso, trata-se de observação a distância; e, no segundo caso, trata-se de ato deliberado contra outrem.
Décimo, toda vez, na história, que esse texto foi aventado a partir dessa hipótese vulgar, tratou-se de ato de má fé a serviço de interesses escusos, seja quando usado para justificar a escravidão de ameríndios no Brasil colonial, seja quando usado para justificar a escravidão dos africanos de tez negra, seja quando utilizado para a elaboração de sistemas legais de segregação social como o que ocorreu nos Estados Unidos, seja quando usado para justificar a política nefasta e mundialmente condenada do apartheid.
Tal leitura equivocada da Escritura corre o risco de ser vista como suspeita de esconder outros interesses de natureza política, econômica e de dominação social e religiosa. Não há nenhum apoio bíblico para defender qualquer maldição sobre negros ou africanos, que fazem parte, igualmente e em conjunto, da única família humana.
Lamentamos o equívoco provocado por tal vulgarização do texto bíblico, bem como a banalização quanto ao conteúdo de nossa fé, assim como repudiamos qualquer tentativa, intencional ou não, de uso inadequado do texto para quaisquer fins que não o de promover a vida, a libertação e a justiça, como a própria Escritura expressa muito bem.
Brasil, 07 de abril de 2013 Aliança Cristã Evangélica Brasileira
Como se dá a verdadeira cura interior?+
Cura interior que vem da cruz “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.” (Mt 11.28)
Introdução
Há muitas pessoas na igreja com o coração ferido. Gente que carrega dentro de si lembranças dolorosas, traumas não resolvidos, mágoas profundas e sentimentos de culpa que insistem em ficar. Muitos buscam algum tipo de cura interior, mas às vezes procuram em métodos errados, em experiências emocionais ou em técnicas humanas.
A boa notícia é que Jesus sabe tratar da nossa alma como ninguém. Ele conhece o nosso coração melhor do que nós mesmos. E Ele nos convida a ir até Ele — não apenas para perdão, mas também para descanso, alívio e restauração interior.
1. Jesus conhece profundamente nossa dor
“O Senhor está perto dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido.” (Sl 34.18)
Nada escapa aos olhos do nosso Salvador. Ele conhece o que passamos, o que sentimos, o que tentamos esconder até de nós mesmos. Ele entende a dor que veio da rejeição, do abuso, da solidão, da perda, da culpa.
Jesus mesmo foi desprezado, traído, abandonado, ferido — e por isso, Ele pode nos consolar de verdade. Ele é o Deus que entra no sofrimento conosco, e não apenas o Deus que olha de longe. Não precisamos esconder nossa dor dele. Podemos levar tudo aos seus pés.
2. Cristo reescreve a nossa história
“Assim que, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.”
(2Co 5.17)
Quando cremos em Cristo, Ele nos dá uma nova identidade, um novo nome, um novo começo. Ele não apaga nossa história, mas redime cada parte dela — até mesmo as mais sombrias.
Muitas pessoas vivem presas ao que ouviram no passado: “você não tem valor”, “você nunca vai mudar”, “você é um fracasso”. Mas Jesus reconta nossa história com a verdade do Evangelho:
“Você é meu filho”, “Você é amado”, “Você é perdoado”, “Você tem propósito.” A cura começa quando pararmos de escutar as vozes do passado e começarmos a crer no que Deus diz sobre nós.
3. A cura acontece no caminho da fé
“Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.” (Jo 17.17)
“Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo.” (Gl 6.2)
A cura interior verdadeira não é instantânea, nem vem de uma experiência isolada. Ela acontece no caminho da fé. À medida que caminhamos com Cristo, ouvimos sua Palavra, oramos, participamos da comunhão da igreja e deixamos que Ele transforme nosso modo de pensar e viver.
Isso inclui lidar com pecados não resolvidos, liberar perdão a quem nos feriu, buscar ajuda quando necessário, deixar-se confrontar pela Palavra, aprender a depender de Deus nas fraquezas.
A cura da alma é um processo. Mas é um processo guiado por um Deus amoroso e paciente, que vai moldando nosso coração com sua graça.
Aplicações práticas Leve sua dor a Jesus.
Fale com Ele com sinceridade. Não esconda. Ele não rejeita o coração quebrantado.
Submeta sua história à Palavra.
O que Deus diz sobre você vale mais do que qualquer trauma ou acusação.
Arrependa-se e perdoe.
Onde houver pecado, peça perdão. Onde houver mágoa, libere perdão. Isso abre espaço para a cura.
Permaneça nos caminhos do Senhor.
Continue lendo a Bíblia, orando, congregando, ouvindo a verdade. A cura vem no caminho da obediência.
Procure ajuda na comunhão.
Deus cura por meio de relacionamentos dentro da igreja: discipulado, amizade, aconselhamento.
Conclusão
O convite de Jesus continua ecoando:
“Vinde a mim…” Não importa o tamanho da dor, a profundidade do trauma, o tempo que faz que isso está dentro de você.
Jesus é suficiente.
Nele há perdão, consolo, cura e restauração. Ele não só salva sua alma para a eternidade. Ele cura seu coração no presente.
Se hoje você está cansado e sobrecarregado… vá a Jesus.
A cura que você precisa está na cruz.
Nenhuma maldição há para os que estão em Cristo!+
Tem muita gente ensinando que uma pessoa que já foi justificada, reconciliada, regenerada e redimida por meio da cruz, abençoada com todas as bênçãos e graças espirituais, assentada com Cristo acima de todo principado e potestade, libertada das trevas e transferida para o reino do Filho do seu amor, ainda está sujeita a uma maldição de Deus devido aos pecados de seus antepassados? Isso é impensável! Em Cristo, somos novas criaturas, o passado se foi e tudo se tornou novo. Cristo assumiu nossa maldição e nos fez herdeiros de Deus como filhos amados!
Nas páginas do Novo Testamento, não encontramos nenhum relato em que pessoas convertidas do ocultismo ou do paganismo precisassem realizar a prática de quebra de maldição ou qualquer outro ritual complementar após a conversão. A própria conversão é suficiente e basta para a transformação das suas vidas.
O apóstolo Paulo nos exorta em Romanos 8.15: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai.” É importante ressaltar que no Brasil, muitas pessoas vêm de uma cultura de despachos para aplacar a ira dos deuses, o que pode influenciar a maneira de pensar de muitos crentes e pastores. No entanto, devemos ter cuidado com tais práticas, pois diminuem a salvação em Cristo, colocam culpa, dúvida, medo e maldição, inventando mais e mais dívidas em um ciclo sem fim.
A mensagem da cruz é poderosa e suficiente! Devemos ter cautela com aqueles que menosprezam a salvação em Cristo, enfatizando a necessidade de orações poderosas dos profetas e ministros ungidos para quebrar maldições, insinuando que a regeneração em Cristo não foi capaz de realizar tudo o que é necessário. João 8.36 nos lembra que se o Filho nos libertar, seremos verdadeiramente livres. A conversão em Cristo é tudo o que precisamos para experimentar uma libertação completa em nossas vidas. (Colossenses 1.13). Nenhuma condenação ou maldição há para os que estão em Cristo Jesus! (Romanos 8.1). Não admita que ninguém venha a diminuir a grandeza de sua salvação. (1 Pedro 1.3-5 e Tito 3.5-6). Como escaparemos nós se não atentarmos para a nossa tão grande salvação? (Hebreus 2.3).
Portanto, deixando as coisas que para trás ficam, rumemos para o alvo da nossa soberana vocação como novas criaturas adotadas na família de Deus, cheios do Espírito e do fruto do Espírito que é amor, alegria e paz! (Filipenses 3.13-14; 2 Coríntios 5.17; Gálatas 4.5-7; Gálatas 5.22-23).
Bispo Ildo Mello Referências dos versículos aludidos no texto acima:
1. Justificados, reconciliados e redimidos por meio da cruz:
– Romanos 5.9 – Colossenses 1.20-22 – Efésios 1.7
2. Escrito da dívida cravado na cruz
– Colossenses 2.14
3. Abençoados com toda sorte de bênçãos espirituais
– Efésios 1.3 4. Assentados com Cristo nas alturas sobre principados e potestades:
– Efésios 2.6 5. Libertação do Império das trevas e transferência para o reino do Filho:
– Colossenses 1.13
6. Nova criatura em Cristo
– 2 Coríntios 5.17 7. Cristo levou sobre si nossa maldição e nos fez herdeiros de Deus:
– Gálatas 3.13-14 – Romanos 8.1; 16-17
8. A grandeza da nossa salvação
– 1 Pedro 1.3-5 – Hebreus 2.3 – Tito 3.5-6