Estudos do Bispo Ildo · Reino de Deus e Missão
Missão da Igreja e Evangelismo
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A Escatologia de Wesley e seu impacto social+
Um pouco da história de João Wesley
Veremos agora um exemplo histórico de como uma boa escatologia pode gerar bons frutos em termos da missão integral da Igreja. Estaremos examinando como a teologia de João Wesley fez com que ele desenvolve-se um ministério integral de grande impacto social. Sua teologia só pôde impactar a sociedade, porque, em primeiro lugar havia impactado sua própria vida. Wesley procurava fazer com que sua vida e a vida dos metodistas de seu tempo servisse de exemplo de sua mensagem. Ele revelava um forte comprometimento com o Reino de Deus, através de seu estilo de vida simples, caracterizado pelas boas obras, vida abundante, frutos do Espírito, santidade, disciplina e evangelização, dando muita prioridade aos pobres. Além disto, temos a grande contribuição de Wesley para a eclesiologia, que foi a dinâmica, revolucionária para a época, de seu ministério, que proporcionou uma abertura para a participação dos leigos no ministério da Igreja, e com o seu sistema de grupos pequenos para edificação de comunidades de crentes maduros que pudessem cumprir a missão de serem sal da terra e luz do mundo. Estamos seguros de que, como todo exemplo humano, este também não está isento de erros, mas é um dos melhores que podemos encontrar em toda a história da Igreja, podendo servir de referência para aqueles que procuram fidelidade a Palavra de Deus e a Missão da Igreja.
João Wesley nasceu no dia 17 de junho de 1703 na cidade de Epworth. Seu pai se chamava Samuel Wesley e sua mãe Suzana Wesley. Teve 18 irmãos. João Wesley estudou na tradicional Universidade de Oxford, onde estudaram seu bisavô Bartolomeu Wesley, seu pai Samuel e o seu irmão mais velho, Samuel Filho. Todos se preparam para o sagrado ministério teológico pastoral. Em Oxford, João Wesley criou um grupo de estudantes, que ficou conhecido como ‘Clube Santo’. Os demais alunos, notando que os membros do grupo tinham horário e método para tudo que faziam, os taxaram como ‘metodistas’. Após os estudos, Wesley iniciou seu ministério pastoral na Igreja Anglicana, como assistente de seu pai. Aos 32 anos de idade, ele vai para os Estados Unidos como missionário, acompanhado de seu irmão Carlos Wesley. Esta experiência missionária durou quase três anos e não foi muito bem sucedida. Mas serviu para conscientizar Wesley de sua frieza espiritual, conduzindo-o a sua experiência de avivamento, que o levou a experimentar uma vida de santificação através da plenitude do Espírito Santo. Já na viagem de ida para os Estados Unidos, seu navio enfrentou uma terrível tempestade. Wesley ficou super abalado, sentindo medo de morrer. Mas existia ali, um grupo de Moravianos, que expressavam muita confiança e paz em Deus mesmo diante da perspectiva iminente da morte. O contraste foi evidente. Wesley começou a buscar o segredo para viver uma vida assim tão abundante e segura. Vemos aqui o fundamental papel do Espírito Santo que sacudiu Wesley em alto mar e o avivou e capacitou para a Missão. Já de volta a Inglaterra, em 24 de maio de 1738, Wesley foi para uma reunião dos moravianos em Aldersgate, onde teve sua experiência de avivamento quando ele sentiu o seu coração sendo estranhamente aquecido. Podemos dizer com segurança que tal experiência de plenitude do Espírito Santo, foi um divisor de águas, que impactou sua vida e começou a impactar o mundo ao seu redor.
Como não havia muitas oportunidades na Igreja Anglicana, Wesley pregava aos operários em praças e salões, algo muito incomum na época – muito embora ele não gostasse de pregar fora da Igreja! Mas vendo a necessidade de uma sociedade bíblica, João Wesley pregava a toda hora, 4 vezes por dia, aos mineiros e pobres, a todas as pessoas, em todos os lugares nas ruas, nos campos, nas casas e até em teatros. Havia protestos daqueles que diziam que estes não eram terrenos consagrados, mas Wesley respondia dizendo Jesus consagrou cada metro quadrado desta terra ao vir neste mundo! E tornou-se conhecidíssima sua frase que diz: “o mundo é a minha paróquia”. Os novos convertidos e interessados eram convidados a fazer parte de uma classe de mais ou menos 12 pessoas com estudos que enfatizavam a formação do caráter cristão. Wesley criou uma nova fórmula de Igreja, introduzindo um sistema de grupos pequenos, denominado classes, que eram liderados por leigos.
Wesley parecia incansável em sua missão. Calcula-se que, em 50 anos, Wesley tenha percorrido 175 mil quilômetros e pregado 40 mil sermões, com uma média de 800 sermões por ano. A informalidade e o dinamismo do movimento wesleyano fez com que a nova Igreja Metodista crescesse nos Estados Unidos de 15.000 em 1780 para 2.675.035 em 1898. Segundo Mateo Lelièvre, “mais de 25.000.000 dos habitantes do globo terrestre achavam-se em 1898 debaixo da influência religiosa dos discípulos de Wesley”i. E pensar que Wesley tinha experimentado um verdadeiro fracasso em sua primeira viagem missionária aos Estados Unidos! O que o poder de Deus não é capaz de fazer!
Em 1738, Wesley enfrentava um período com as seguintes características: revolução industrial, urbanização, êxodo rural, povo pobre e marginalizado nas grandes cidades e que não eram muito bem-vindos nas igrejas anglicanas, que estavam elitizadas, racionalista, distante dos pobres e de suas necessidades, com grande disparidade entre clero e povo. O clero fazia parte da elite da sociedade. O puritanismo já havia se desvanecido e o que prevalecia era o cristianismo nominal. Havia muita embriagues, principalmente entre os pobres. Pessoas eram enforcadas publicamente por crimes banais. E havia ainda o grave problema da escravidão e do tráfico e comércio de escravos. A situação era tão difícil, que Voltaire anunciava e profetizava a ruína do Cristianismo, dizendo: “Na Inglaterra, estão tão cansados da religião que, caso se apresentasse uma nova, ou até mesmo uma antiga, renovada, fracassaria por completo.”ii Wesley não como uma nova religião, mas com uma religião renovada vai desmentir Voltaire. A seguir, veremos como a teologia e, em especial, a escatologia de Wesley, contribuíram para que Wesley não se conformasse diante dos desafios e dos problemas de seu tempo e agisse para mudança. i Lelièvre, Mateo. João Wesley, sua vida e sua obra. Tradução de Gordon Chown. São Paulo: Editora Vida. 1997. P. 371. ii Lelièvre, Mateo. João Wesley, sua vida e sua obra. Tradução de Gordon Chown. São Paulo: Editora Vida. 1997. P. 17.
João Wesley era pós-milenista
A maioria dos wesleyanos desconhece o fato de que João Wesley era pós-milenista e que tal visão escatológica exerceu um papel preponderante em sua confiança na supremacia da graça sobre os efeitos do pecado tanto no que diz respeito a santificação individual como também social. Por conta deste otimismo foi que ele se levantou contra a escravidão e toda a gama de injustiças sociais de seus dias. Entendo que existe uma série de preconceitos contra a posição pós-milenista e também contra a amilenista no contexto evangélico brasileiro. Muitos desconhecem a exatidão hermenêutica e a força dos argumentos pós-milenistas. Mais abaixo, palestra a respeito.
Um dos textos que revelam que Wesley era pós-milenista:
“Foi então que os fundamentos do inferno se abalaram e o Reino de Deus foi-se alargando progressivamente. Por toda parte havia pecadores ‘voltando-se das trevas para a luz e do poder de Satanás para Deus’… Assim se espalhou o Cristianismo sobre a face da terra. Ele havia ‘edificado sua igreja sobre a rocha e as portas do inferno não prevalecerão contra ela’(Mat. XVI:18). Veremos, porventura, maiores coisas do que estas? Sim, maiores do que as tem havido desde o começo do mundo. Pode Satanás fazer naufragar a verdade de Deus ou invalidar suas promessas? Se não, tempo virá em que o Cristianismo prevalecerá sobre todas as coisas e cobrirá a terra… O mundo cristianizado… Tendo, pois, considerado, ainda que brevemente, o cristianismo em seu começo, em seu crescimento e cobrindo, afinal, a terra.” (Wesley, John. Sermões de Wesley. Tradução Nicodemus Nunes. Imprensa Metodista. 3a. Edição – 1985. Volume 1, p. 90-91 e 93).
Wesley, boa escatologia e transformação social
Wesley era otimista em relação à suficiência do poder da graça de Jesus não apenas para perdoar os pecados, mas para purificar-nos de toda injustiça e transformar as pessoas em novas criaturas (2 Co 5.17), que se tornam capazes de imitar a Deus como filhos amados (Ef 5.1), que não se conformam com este mundo, mas que experimentam a transformação através da renovação da mente, para o desfrute daquela que é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12.1-2); tornam-se também capazes de andarem no Espírito com vistas a não satisfazerem as concupiscências da carne (Gl 5.16), e de andarem na luz (1 Jo 1.7) e de serem sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13-16). Este otimismo não deve se restringir à transformação do indivíduo, mas deve também se estender a transformação da sociedade como um todo. Para Wesley a santificação do crente tem também o objetivo de promover a santificação do mundo.
Concordo com Runyon quando ele diz que a maior força da doutrina wesleyana da perfeição talvez esteja em sua habilidade de mobilizar os crentes a buscarem um futuro mais perfeito que supere o presente. Pois, mesmo estando consciente das forças do mal, Wesley não as considera conseqüências inevitáveis do pecado original, mas exatamente aquilo que pode ser vencido. Sendo assim, sua teologia busca o poder criativo e transformador na vida neste mundo. Busca transformação no aqui-e-agora (Hb 6.1).i Wesley disse, certa vez, o seguinte: “dê-me cem homens que não amem nada exceto Deus, que não odeiam nada exceto o pecado, e eu sacudirei o mundo para Deus; não importa se clérigos ou leigos, homens assim abaterão o reino de Satanás e construirão o Reino de Deus na Terra”. Howard Snyder declarou que Wesley via a graça de Deus atuando de maneira tão plena e abundante que ninguém deveria estabelecer limites para a ação do poder de Deus através da Igreja na era presente, vendo a Igreja como um poderoso instrumento de transformação e redenção pessoal e social, como um sério agente da graça divina no Mundo. Mas ressalvou que tal ênfase otimista era combinada e contrabalançada por Wesley com textos que apontam para a realidade do mal e que advertem para o juízo final. Pois, realismo bíblico requer que se mantenham juntos tanto a esperança quanto a expectativa de juízo e da ira vindoura que fazem parte do pacote escatológico. Snyder mostrou que Wesley procurava também combinar e sintetizar de maneira balanceada os aspectos presentes e futuros da salvação e as dimensões evangelísticas e proféticas do Evangelho do Reino.ii Para Wesley salvação inclui santificação, que, por sua vez, inclui boas obras. Salvos pela graça para as boas obras (Ef 2.8-10). A fé sem obras é morta (Tg 2.26). A fé que importa é fé que atua pelo amor (Gl 5.6). E o amor se expressa e se prova com as obras. A Bíblia também diz que devemos desenvolver a nossa salvação com temor e tremor (Fp 2.12). Pela graça e capacitação de Deus, homens e mulheres cristãs se tornam colaboradores de Deus. Snyder afirma que Wesley via a presente era como uma guerra entre o reino das trevas e o Reino de Deus, onde os cristão não seriam salvos da guerra, mas salvos para a batalha, salvos para lutarem o bom combate da guerra espiritual contra os principados e as potestades da maldade e da injustiça que operam neste mundo. Portanto, para Wesley, a vida cristã deve ser vivida á luz da eternidade, mas de maneira ativa e não passiva. Wesley vivia o presente à luz da eternidade no sentido de procurava fazer a obra do Reino de Deus aqui e agora impulsionado pela visão do futuro de Deus, enquanto se preparava também para a eternidade.iii Wesley era um pós-milenista realista, pois sua confiança no trabalho da graça de Deus lhe conferia uma dinâmica e um otimismo em relação ao que Deus poderia realizar através do seu povo no tempo presente. Embora fosse realista devido a sua consciência da realidade e da natureza do pecado humano, Wesley mantinha viva uma esperança otimista baseado em sua confiança no poder regenerador da graça de Deus. Wesley aprendeu com Jesus a não usar nem a mais razoável das desculpas para justificar acomodação diante da “realidade” da natureza das coisas. O realismo não deve sufocar nossa confiança que está baseada no poder e na providência divina. Nós devemos crer em milagres! No poder de Deus para transformar a realidade e para restaurar o propósito original da natureza das coisas. Veja que é esta a lição que Jesus está tentando ensinar aos seus discípulos em João 4.35: “Não dizeis vós que ainda há quatro meses até à ceifa? Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa”. De fato, faltavam quatro meses ainda para o período da colheita. A desculpa é bem razoável. Mas Jesus convida os discípulos a erguerem os olhos para enxergarem uma outra realidade, a de que os campos já estão prontos para a ceifa. Quando os discípulos levantam os olhos, o que é que eles enxergam? Uma multidão de samaritanos vindo para o encontro com Jesus, para serem evangelizados por ele. Não havia tarefa mais impossível para um cristão judeu do que tentar evangelizar um samaritano. Imagine hoje o que seria para um judeu tentar converter um palestino, por exemplo. Com Jesus o imponderável se torna realidade. A Igreja não deve se render e nem se conformar numa atitude de acomodação ao mundo e seu sistema, mas deve ser reativa e positiva no sentido de transformar-se a si mesma para tornar-se um instrumento de transformação nas mãos de Deus. A escatologia de Wesley também não lhe permita ficar parado numa atitude de mera contemplação. “Por que vocês estão olhando para as alturas?” Perguntaram os anjos aos discípulos em Atos 1.10. Sua escatologia também não lhe permitia ver a Igreja precipitadamente arrebatada para fora do cenário mundial. i Runyon, Theodore. A Nova Criação: a teologia de João Wesley hoje. Tradução de Cristina Paixão Lopes. São Bernardo do Campo-SP: Editeo, 2002, 316 p. ii Snyder, Howard A. The Radical Wesley and Patterns fo Church Renewal. Eugene, OR: Wipf and Stock Publishers, 1998, p. 146 e 152. iii Ibid. p. 83 e 84.
Vida simples em favor da caridade
O ministério de compaixão de Wesley não era uma isca para a evangelização, como se costuma ver hoje em dia, mas, sim, uma ação natural daqueles que foram chamados das trevas com a missão de serem a luz do mundo. Interessante notar que boa parte dos que foram curados por Jesus, não regressaram sequer para agrade-lo. O que demonstra que o ministério de ação social tem valor em si mesmo, por derivar a sua ação da própria natureza do Reino de Deus, que é amor, justiça e paz. Algumas das mais célebres frases de Wesley revelam sua consciência social, “… o cristianismo é essencialmente uma religião social; e reduzi-la tão somente a uma expressão solitária é destruí-la”. “Faça todo o bem possível, por todos os meios possíveis, de todos os modos possíveis, em todos os lugares possíveis, em todas as ocasiões possíveis, a todas as pessoas possíveis, tanto quanto for possível.” E, “a excelência da sociedade para a Reforma dos costumes é…primeiro, mover campanha aberta contra toda a impiedade e injustiça, que cobrem a terra como num dilúvio, e isto é um dos meios mais nobres de confessar a Cristo.” Snyder menciona trechos de sermões de Wesley que mostram que ele via que o mundo havia melhorado por causa da ação do cristianismo. E, falando mais especificamente sobre as transformações sociais promovidas pelo movimento wesleyano, que cresceu tremendamente em número, através de uma missão que se realizava através de palavras e obras, ele destacou o crescimento de todas as obras de benevolência e caridade, com a construção de muitos hospitais, enfermarias e outros locais públicos para a prática de ajuda humanitária.i Wesley trabalhava de maneira incessante em favor de uma mais vital, mais agressiva, mais amável e mais autentica e visível manifestação da Igreja como a comunidade do povo de Deus, a comunidade escatológica que existe para servir aqui e agora como agente do Reino de Deus.ii Pois, para Wesley, as boas obras são a maneira pela qual a Igreja cumpre o seu papel de ser luz do mundo: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.16). “Havia em Jope uma discípula por nome Tabita, nome este que, traduzido, quer dizer Dorcas; era ela notável pelas boas obras e esmolas que fazia” (At 9.36). “Seja recomendada pelo testemunho de boas obras, tenha criado filhos, exercitado hospitalidade, lavado os pés aos santos, socorrido a atribulados, se viveu na prática zelosa de toda boa obra” (1 Tm 5.10). “Torna-te, pessoalmente, padrão de boas obras. No ensino, mostra integridade, reverência” (Tt 2.7). “Fiel é esta palavra, e quero que, no tocante a estas coisas, faças afirmação, confiadamente, para que os que têm crido em Deus sejam solícitos na prática de boas obras. Estas coisas são excelentes e proveitosas aos homens” (Tt 3.8). “Agora, quanto aos nossos, que aprendam também a distinguir-se nas boas obras a favor dos necessitados, para não se tornarem infrutíferos” (Tt 3.14).
João Wesley viveu um estilo de vida simples, ainda que recebesse um bom dinheiro como fruto de seu trabalho em diversas áreas como ensino, publicação literária e ministério pastoral, ele vivia apenas com vinte e oito libras por ano, muito pouco, suficiente apenas para as necessidades básicas, dando todo o excedente para os pobres e para a causa do Reino de Deus. Num ano, por exemplo, Wesley deu noventa e dois libras, 3 vezes mais do que reteve para sua subsistência! Uma vez, já com uma idade avançada, Wesley foi capaz de andar várias milhas com a intenção de economizar o dinheiro da carruagem com vistas a dar o dinheiro para os pobres.iii Pois para Wesley a graça de dar é a evidência final da vida cheia do Espírito Santo. Porque a graça recebida que não se transforma em graça livremente distribuída está sujeita a ser cancelada pelo Rei. Para ser plenamente operante, a graça gratuitamente recebida das mãos do Rei precisa se transformar em graça livremente distribuída e estendida ao próximo.iv Precisamos conhecer a alegria tanto da graça de receber quando de dar livremente para a glória de Deus. Como Paulo exortava: “pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir” (1 Tm 6.18). Wesley, em termos quase poéticos, falou que compartilhar as graças recebidas está na própria natureza do crente e faz parte da essência da missão cristã:
“Vossa própria natureza é dar sabor a tudo quanto vos rodeia. É da natureza do divino sabor que existe em vós expandir-se em tudo quanto tocardes, difundir-se por todos os lados, atingindo a todos aqueles em cujo meio estiverdes. Esta é a grande razão pela qual a Providência de Deus vos misturou com os outros homens, de modo que as graças, quaisquer que sejam, que de Deus houverdes recebido, possam ser comunicadas através de vós ao demais homens.” v Alcorn registra em seu livro o evento que mudou completamente a perspectiva de Wesley a respeito de como viver uma vida simples com intuito de praticar a caridade. Este episódio, que relataremos a seguir, aconteceu em 1731, enquanto ele ainda estudava em Oxford, e influenciou ininterrupta e poderosamente a sua vida por 60 anos, até a sua morte em 1791. Wesley tinha acabado de comprar uns quadros para o seu quarto, quando uma arrumadeira se aproximou de sua porta. Era um dia de inverno e ele notou que ela tinha apenas um fino vestido de linho que era muito inadequado para enfrentar o inverno inglês. Comovido, ele mete a mão no bolso com intuito de dar para ela comprar um casaco, mas descobre que tinha restado pouco dinheiro após as compras dos quadros. Naquele momento, ele sentiu que Deus não tinha se agradado da maneira como ele havia gastado o seu dinheiro. Ele perguntou para si mesmo: “Estaria o Senhor me dizendo: ‘Muito bem, servo bom e fiel?’ Você adornou a sua parede com o dinheiro que poderia ter aquecido e protegido esta pobre criatura do frio! Ó justiça! Ó compaixão! Não são estes quadros o sangue desta pobre arrumadeira?”
Alcorn nos conta que após este incidente, Wesley começou a estabelecer limites as suas despesas de modo a separar mais dinheiro para dar aos pobres. Wesley registrou que em um ano, os seus rendimentos foram da ordem de 30 libras e que ele gastou 28 libras e deu 2 aos pobres. No próximo ano, seus rendimentos dobraram, mas ele permaneceu vivendo com 28 libras e deu 32. No terceiro ano, seus rendimentos saltaram para 90 libras, e, de novo, ele continuou vivendo com 28, e fez caridade com 62 libras. No quarto ano, ele ganhou 120 libras e continuou vivendo com 28, para poder dar 92 aos pobres. Num ano, ele chegou a ganhar mais de 1.400 libras, separou 30 libras para as suas necessidades básicas e deu todo restante, pois ele tinha medo de juntar tesouros na terra, de maneira que o dinheiro ia para caridade, tão rápido quanto chegava!
Alcorn registra ainda que os direitos autorais dos livros publicados de Wesley deram a ele numa certa ocasião o que equivalente hoje a US$ 160,000. Mesmo assim ele continuou vivendo com o mesmo que de costume, o equivaleria hoje a aproximadamente US$ 20,000.vi Certa vez, uma mulher rica, ao morrer, deixou a Wesley uma herança equivalente a 25.000 dólares. Mas o dinheiro não permaneceu por muito tempo nas mãos de Wesley, que logo repartiu o dinheiro com os pobres, dizendo: Sou administrador de Deus para servir aos pobres”.vii Quando Wesley faleceu, o único dinheiro que constava em seu testamento eram umas poucas moedas que foram encontradas no seu bolso e em uma de das gavetas de seu armário.viii Wesley viveu de modo radical. Sua vida foi e é uma inspiração para aqueles que almejam viver um cristianismo autêntico, comprometido com o Reino de Deus. Um estilo de vida assim pode impactar esta sociedade de consumo.
Wesley não apenas viveu de modo simples para poder solidarizar-se com os pobres e praticar caridade, como também priorizou os pobres no quesito pregação do Evangelho. Wesley disse que “o maior milagre na Igreja é pregar o evangelho aos pobres”. Outro milagre é a quebra de barreiras na unidade de pessoas de diferentes raças e classes sociais, com o intuito de demonstrar visivelmente a reconciliação de todas as coisas em Cristo (Ef 1-4). Veremos a seguir como Wesley enfrentou os grandes desafios sociais de seus dias. i Ibid. p. 82 e 83. ii Ibid. p. 89. iii McKenna, David L. What a Time to be Wesleyan! Proclaiming the Holiness Message with passion and purpose. Kansas, Missouri: Beacon Hill Press, 1999, p. 41 e Snyder, Howard A. The Radical Wesley and Patterns fo Church Renewal. Eugene, OR: Wipf and Stock Publishers, 1998, p. 19. iv McKenna, David L. What a Time to be Wesleyan! Proclaiming the Holiness Message with passion and purpose. Kansas, Missouri: Beacon Hill Press, 1999, p. 40. v Wesley, João. Sermões de Wesley. Volume 1. São Bernardo do Campo, SP: Imprensa Metodista. 3a. Edição. 1985. Sermão XXIV – Sobre o Sermão do Monte – Discurso IV. P. 505. vi Alcorn, Randy C. “Money, possessions, and eternity”. Illinois: Tydale House Publishers, 2003. P. XV, Introdução. P. 298-299. vii Lelièvre, Mateo. João Wesley, sua vida e sua obra. Tradução de Gordon Chown. São Paulo: Editora Vida. 1997. P. 230 e 231. viii Alcorn, Randy C. “Money, possessions, and eternity”. Illinois: Tydale House Publishers, 2003. P. XV, Introdução. P. 299.
Wesley combateu a escravidão
Wesley e os metodistas primitivos não entravam em pânico quando se deparavam diante de fortes crises morais, pois criam que o status quo não tem a última palavra. Ele ousou acreditar que o mundo poderia ser transformado pelo poder da graça de Deus. Imagine o que seria ter vivido nos dias de Wesley e decidir trabalhar duro para mudar um problema social tão grande como a escravidão, que estava enraizado na sociedade mundial há milhares de anos? Utopia? A última carta que Wesley escreveu antes de morrer foi endereçada a William Wilberforce, um membro do parlamento inglês que havia se convertido no ministério de Wesley e que inspirado por ele, estava agora lutando contra a escravidão. A carta de Wesley expressava sua oposição à escravidão e encorajava Wilberforce a continuar firme na luta por mudança. O parlamento, após mais de 20 anos de ações políticas e sociais encabeçadas por Wilberforce, no ano de 1807 proibiu a participação inglesa no tráfico negreiro. A Inglaterra foi o primeiro país a abolir a escravidão, e, a partir daí, muitos outros foram inspirados e pressionados a fazerem o mesmo.
Wesley formou sociedades antiescravocratas, grupos para reforma de prisões, casas de abrigo e agências de assistência aos pobres, numerosas sociedade missionárias, hospitais e escolas se multiplicaram. Wesley lutou contra o trabalho infantil e em favor de direitos civis. Concentrou seu ministério entre os pobres. O Metodismo foi indiretamente responsável pelo crescimento da autoconfiança e capacidade de organização de trabalho do povo inglês. Em 1928, o Arcebispo Davidson escreveu dizendo que Wesley praticamente mudou a perspectiva e o próprio caráter da nação inglesa. E, alguns historiadores têm mantido que o avivamento wesleyano alterou o curso da história o que livrou a Inglaterra de uma revolução sangrenta. Leliévre afirma que “todos os historiadores concordam que, embora o século XVIII fosse para a Europa continental uma época de dissolução, para a Inglaterra, pelo contrário, foi o momento de uma benéfica mudança, que regenerou a vida de uma nação e iniciou uma era inteiramente nova”.i Edmundo Scherer referiu-se ao metodismo como o movimento que transformou a face da Inglaterra e, Cornélio de Witt disse que, se a Inglaterra de seus dias não se parecia mais com a Inglaterra do início do século XVIII, este fato devia-se principalmente a Wesley.ii Lelièvre comenta ainda que “o nível moral da nação elevou-se de tal modo, que necessariamente se impôs na própria aristocracia, livrando-a da corrupção.iii Seria possível sonhar que o mesmo acontecesse no Brasil?
Quem poderia dizer o que seria se o movimento metodista tivesse ido ainda mais a fundo em questões sociais e se tivesse feito uma melhor crítica do sistema capitalista de livre iniciativa, e se também não tivesse entrado em declínio anos depois da morte de Wesley? Será que seria ingênuo de nossa parte supor que Marx não teria tido tanta inspiração assim para dizer que a religião é o ópio do povo? Sabemos que um século após, Karl Marx irá fazer uma crítica ao capitalismo, mas só que com uma base não muito cristã. Tem sido dito que o avivamento wesleyano salvou a Inglaterra de uma revolução política. Seria possível que uma ainda mais radical ética social no Metodismo poderia ter salvado o mundo de uma revolução comunista, por fazê-la simplesmente desnecessária?iv Vimos aqui alguns fatores que contribuíram para o poderoso ministério de Wesley: sua experiência de avivamento espiritual, sua consagração à missão da Igreja, o dinamismo de seu ministério que concedia participação aos leigos, num sistema de discipulado em grupos pequenos, com uma teologia que cria no poder da graça para transformação de indivíduos, famílias, bairros, cidades e da sociedade como um todo. Trataremos a seguir, com mais detalhes, da importância do sistema de classes no movimento wesleyano para a edificação de comunidades cristãs que tinham como propósito viver e expressar os valores do Reino de Deus. i Lelièvre, Mateo. João Wesley, sua vida e sua obra. Tradução de Gordon Chown. São Paulo: Editora Vida. 1997. P. 371. ii Ibdem, p. 372. citando: La Societé francaise e la société anglaise au XVIII siècle, p. 237. iii Lelièvre, Mateo. João Wesley, sua vida e sua obra. Tradução de Gordon Chown. São Paulo: Editora Vida. 1997. P. 373. iv Snyder, Howard A. The Radical Wesley and Patterns fo Church Renewal. Eugene, OR: Wipf and Stock Publishers, 1998, p. 158.
Os grupos pequenos como modelo cultural do Reino
Wesley preocupou-se com estruturas, buscou estruturas para envangelizar as massas e também para discipulado. Wesley pesquisou entre moravianos e pietistas. A questão chave para a edificação de uma Igreja com uma comunhão saudável que vive, nutre e reflete os valores do Reino de Deus foi, no movimento Wesleyano, o sistema de classes ou pequenos grupos de discipulado e santificação. O pequeno grupo é importante, pois transmite fé e não apenas conhecimento. Aprendemos muito mais através do convívio do que através da leitura. O poder da cultura é maior do que a força de nossa cosmovisão. O que significa que não adianta mudar nossa consciência, pois sozinha a consciência tende a sucumbir à cultura.
Um cristão pode até estar influenciado pelo ensino bíblico a mudar o seu estilo de vida, mas quando se depara com outros cristãos que estão vivendo em pecado assim como ele, acaba concluindo que não há nada de errado com ele.
Portanto, precisamos desenvolver a cultura cristã em comunidades que nutram os valores cristãos, onde seja possível experimentar na vivência comunitária os princípios do Reino de Deus. Por exemplo, para reverter a maré do materialismo na comunidade cristã, nós precisamos desesperadamente de modelos vivos. Por esta razão, as boas obras de caridade não devem permanecer em segredo. “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.16).
Snyder concorda com Richard Lovelace, que vê uma íntima relação entre o declínio do grande movimento metodista com o desprezo com que, com o passar do tempo, começou a ser tratada a estrutura das classes.i Não se deve desprezar o valor precioso papel destes pequenos grupos de apoio e cuidados mútuos, que promovem um ambiente acolhedor, solidário e favorável, para o desenvolvimento da cultura e dos valores do Reino de Deus, através também de uma série e salutar ordem disciplinar, com exortação em amor, oração em favor uns dos outros e estímulos mútuos para o desenvolvimento do caráter cristão pessoal e comunitário. Snyder chama a atenção para a necessidade que estes pequenos grupos tem de algo que vá além da mera comunhão, estudo e oração. Ele lembra que o sistema metodista implantado por Wesley demonstra o valor imprescindível de estruturas normativas para disciplina e missão, algo como um pacto de membros e supervisão dentro do grupo e de disciplina e supervisão do grupo e seus líderes ao grupo mais amplo da Igreja, etc.ii Uma revolução pode acontecer através de uma viva e efetiva luta em favor de justiça social, que começa com a edificação de uma comunidade de fé bíblica formada por discípulos cristãos.iii Estes pequenos núcleos são como sementes do Reino de Deus que germinam e impactam o mundo ao seu redor. Podemos pensar em algo como uma revolução espiritual de caráter contracultural que através da radicalização de suas ações e palavras, de modo que estejam comprometidas com os valores do Evangelho do Reino, a Igreja possa, com autoridade, desafiar o espírito de pecado e injustiça que tem dominado a sociedade em geral.
As classes caíram em desuso pelas seguintes razões: por causa da prosperidade dos metodistas, urbanização, mudança das reuniões das casas para igrejas; porque não se respeitou o número em torno de 12 pessoas (o número cresceu); e também por causa da profissionalização do ministério, que tornou o ministério algo um tanto elitista.
Agora, outra característica do movimento wesleyano, que merece destaque por sua tremenda contribuição ao desenvolvimento de comunidades cristãs que cumprissem sua missão de ser sal da terra e luz do mundo, foi a efetiva participação dos leigos. Leia a respeito em: Wesley e a participação dos leigos na expansão do Reino. i Snyder, Howard A. The Radical Wesley and Patterns fo Church Renewal. Eugene, OR: Wipf and Stock Publishers, 1998, p. 149. ii Snyder, Howard A. The Radical Wesley and Patterns fo Church Renewal. Eugene, OR: Wipf and Stock Publishers, 1998, p. 162. iii Snyder, Howard A. The Radical Wesley and Patterns fo Church Renewal. Eugene, OR: Wipf and Stock Publishers, 1998, p. 165.
A participação dos leigos na missão
A Reforma protestante ergueu a bandeira em defesa do sacerdócio universal de todos os crentes, mas foi no movimento wesleyano que vimos isto se dar na prática. Wesley, durante seu ministério, chegou à conclusão de que os leigos poderiam e deveriam exercer o ministério sacerdotal. Isto foi fundamental para o crescimento quantitativo e qualitativo do movimento wesleyano e para o sucesso de sua missão. Pois, para que a Igreja possa exercer sua missão de modo integral, é indispensável que a missão seja entendida como ministério de cada crente e não fique restrita a uma elite de obreiros ordenados. Vejamos como foi que Wesley procedeu na designação de líderes para agir como pastores seculares, chegando a ponto de ordenar os pregadores comissionados.
O processo de criação de novas lideranças de Wesley era assim: Cada líder de classe possuía um assistente. Os que eram treinados tornavam-se pregadores leigos, e, sendo bem sucedidos, conquistavam o reconhecimento e o direito de serem ordenados pastores. Suzana, mãe de João Wesley, disse a ele, apontando para um leigo: “aquele leigo pode pregar tão bem quanto você! Deixe-o pregar!” Três meses como membro de uma classe para se tornar membro de uma sociedade, mas, mesmo assim, continuavam freqüentando as classes. Os líderes de uma classe, também participavam de uma outra classe com cristãos mais maduros que ele e assim por diante. Lelièvre ressalta que Wesley tinha muito interesse no desenvolvimento intelectual de seus assistentes leigos, exortando-os sempre para que se dedicassem aos estudos e, sempre que possível, ele se reunia com um grupo para lhes transmitir conhecimentos. Certa vez, Wesley comentou: “estudei, em companhia de alguns jovens, um compêndio de retórica e outro de ética. Não vejo por que um homem de inteligência mediana não possa aprender em seis meses melhor filosofia do que aquela que se aprende em Oxford em quatro ou até mesmo sete anos.”i A missão da Igreja, portanto, não deve ser encarada como privilégio de um pequeno grupo de ministros ordenados ou como algo destinado para aqueles que recebem um chamado para o campo missionário no exterior. O cristão é missionário por excelência, onde quer que esteja, e não um cliente dos produtos da fé. Todos os membros da Igreja, sem exceção, por terem sido integrados no corpo, receberam dons e ministérios. A função dos líderes maduros da Igreja é equipar homens e mulheres para a missão da Igreja no mundo. Pois a Igreja não existe como um fim em si mesma, mas existe para servir a Deus no mundo na proclamação e expansão do Evangelho do Reino de Deus, por palavras e boas obras, o que implica a participação ativa e construtiva de cada cristão, homens e mulheres, jovens e idosos, cultos e incultos, pobres e ricos… Por falar em mulheres, Wesley, contrariando a opinião geral de seu tempo, autorizou que as mulheres pregassem, o que abriu portas para que a Igreja Metodista viesse a ordenar mulheres ao ministério pastoral.ii Portanto, concluímos que, se quisermos servir a comunidade, teremos contar com a participação da Igreja como um todo, de cada membro, com os seus dons e talentos. Dons 1 Co 12, Rm 12, Ef 4, 1 Pe 5.10-11. Capacidades, dons e ministérios que Deus dá ao seu povo para servir. Problema é não dar ênfase em dons como o de serviço ou de socorro. Importante tomar consciência do sacerdócio universal de todos os crentes. Há uma relação entre o sacerdócio e os dons, que são essenciais para o exercício de seu ministério. As pessoas precisam ser ajudadas a descobrirem os seus dons, e os pastores e líderes precisam também ajudar os crentes a afirmar seus dons e desenvolver seus dons, com o intuito de beneficiar os outros. A Igreja é uma comunidade de dons, uma comunidade de ministério. O problema é quando o pastor monopoliza os dons. Uma Igreja pastorcentrica acaba deixando de ser Cristocêntrica. Mas Cristo reparte dons, promovendo a democratização do ministério. Afirmar o sacerdócio universal da Igreja não é o mesmo que dizer que todos são pastores, pois existem alguns com dons e chamados para esta função em especial, assim como existem outros dons e ministérios. O pastor deve reconhecer suas limitações, pois não tem todas os dons, nem todas as respostas. Precisamos uns dos outros. Um bom lema para equipe pastoral está em 1 Pedro 5.1-4, onde Pedro diz que é presbítero com eles, apela para uma ação não autoritária e não por interesse financeiro. Conceito colegial de pastorado com a descrição de suas tarefas.
O crente deve exercer a sua missão a semelhança de Cristo que se encarnou e habitou entre nós. Isto implica na necessidade da presença do povo de Deus na comunidade e de identificação com a comunidade em termos de serviço e compreensão e participação nos sofrimentos. Transmitindo as bênçãos do Evangelho através das boas obras e do ensino da Palavra, com vistas à transformação de indivíduos e da própria comunidade onde está inserido.
O crescimento numérico não deve ser o propósito número um da Igreja, mas sim o crescimento natural que se dá através da preocupação com a sua saúde, assim como uma árvore que, em boas condições, cresce até certa dimensão normal para o seu tipo. Não se espera que cresça mais que isto. Ou seja, não é um crescimento ilimitado em si mesma. O importante é que existam muitas árvores, um bosque ou uma floresta. Multiplicação em diferentes lugares da cidade, vivendo o testemunho do Evangelho. Isto sim é muito mais importante do que mega igrejas, que costumam gerar pouca oportunidade de participação para os membros, o que produz muitos crentes de arquibancada, que só assistem. Mega igrejas têm a ver com ambições financeiras e preocupação com fama e reputação baseada em números. Por isto, como já vimos neste trabalho, temos a necessidade de promover estruturas que facilitem o crescimento integral da Igreja. Grupos pequenos, caseiros. Os templos são prescindíveis. Consciência de que ingressar na Igreja não é entrar dentro de um templo e também não significa em entrar num clube religioso, mas, sim, num grupo de missão para servir a sociedade.
Todos os membros da Igreja deveriam participar de cursos bíblicos e teológicos. Desenvolver capacidade de refletir sobre a fé e relacioná-la com a vida prática. Mas, hoje, estão até acabando com a Escola Dominical, alegando a necessidade de mais espaço para adoração e estão cada vez mais reduzindo o período de pregação e estudo. Mas o púlpito deve ser uma cátedra, um lugar de ensino. Não deve ser monopólio do pastor, outros devem ser treinados para fazer o mesmo. Exposição de todo o conselho de Deus. A leitura é um meio de graça. O povo precisa aprender a ler. Tomar gosto pela leitura. Isto facilita o trabalho pastoral. Lêem um livro e depois conversam sobre suas impressões e lições. Estamos conscientes da necessidade da docência, não apenas formal, mas informal, e através do exemplo ao estilo de Jesus, na vida prática. Tal ensino marca a vida das pessoas. Outro tipo de docência que tem ainda maior alcance é aquela dirigida para fora da Igreja e que está vinculada à tarefa profética. Como conseguir que a Igreja se pronuncie a respeito de assuntos éticos relevantes a sociedade? Uma Igreja que se põe a serviço do bairro. A Igreja existe para servir e faz isto para a glória de Deus. A Igreja precisa estar presente no bairro num sentido construtivo onde a evangelização se dá no contexto do convívio em meio ao serviço. i Lelièvre, Mateo. João Wesley, sua vida e sua obra. Tradução de Gordon Chown. São Paulo: Editora Vida. 1997. P. 165. Citando Diário de Wesley, 4 de março de 1747. ii Lelièvre, Mateo. João Wesley, sua vida e sua obra. Tradução de Gordon Chown. São Paulo: Editora Vida. 1997. P. 230.
Ouça esta palestra sobre o tremendo impacto social do ministério de João Wesley:
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A Escatologia de Wesley by José Ildo Swartele de Mello on Scribd Recomendo que assista a palestra que dei sobre o cumprimento histórico da impressionante profecia de Daniel 2:
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Impressionante Cumprimento Da Profecia de Daniel by José Ildo Swartele de Mello
João 3.14-16: O Centro do Evangelho e Paradigma de Missão+
O texto e a ocasião
Amados irmãos e irmãs, convido-os a refletirmos juntos sobre a passagem do evangelho de João, capítulo 3, versículos 14 a 16. Este texto poderoso encapsula a essência do evangelho, mostrando-nos o amor inigualável de Deus e o chamado à missão.
“Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3.14-16).
Estamos recebendo a visita de um grupo bonito de irmãos e irmãs, jovens e adultos, que estão partindo para uma missão de curto prazo em Cachoeiro do Itapemirim. Eles estão deixando suas casas para servir a Deus, seguindo o modelo missionário que encontramos em João 3.16. Este versículo é um evangelho em miniatura, revelando cinco pontos cruciais sobre a missão da igreja.
1. Deus como aquele que envia
Primeiro, Deus como aquele que envia Deus, como o grande Enviador, planejou e enviou Jesus para cumprir a missão mais importante da história. Ele deu o seu Filho unigênito, demonstrando seu amor inigualável e sacrifício incomparável. A responsabilidade da igreja é seguir esse exemplo divino, enviando e apoiando missionários para que a mensagem do evangelho alcance todos os cantos do mundo.
Um exemplo bíblico disso é o envio de Paulo e Barnabé, conforme registrado em Atos 13.2-3. A igreja em Antioquia, após um período de oração e jejum, separou e enviou esses dois grandes missionários. A igreja reconheceu a importância de enviar seus melhores para a obra missionária, seguindo o modelo dado por Deus.
Aplicando isso em nossa vida hoje, devemos encorajar a igreja a participar ativamente no envio e suporte de missionários. Isso inclui orar por eles, fornecer apoio financeiro e estar dispostos a enviar os melhores dentre nós. Como pais, muitas vezes desejamos carreiras de sucesso mundano para nossos filhos, mas devemos considerar o privilégio e a honra de vê-los servindo como missionários e sacerdotes de Deus, seguindo o exemplo do Pai que enviou o melhor que tinha, seu próprio Filho.
Vocês já ouviram a expressão “tiguera”? Alguém aqui sabe o que significa? Pouquíssimas pessoas conhecem essa palavra. Na roça, tiguera é o restolho, e quando se fala de animais, o termo é usado para descrever aquele animal fraquinho, miudinho, que come pouco e não se desenvolveu muito. Certa vez, um roceiro crente decidiu ofertar ao Senhor um dos seus porquinhos. Muitos porquinhos haviam nascido, e ele olhou para eles e disse: “Um destes será do Senhor.” E qual ele escolheu? O tiguera, o mais miudinho de todos, aquele que não prometia muito. “Esse vai ser do Senhor.” O que aconteceu? Esse tiguera impressionou, superou os outros, tornou-se um porco gordo, grande, forte e bonito. E então, ele se arrependeu de ter ofertado aquele porquinho e quis escolher um outro que não tinha se desenvolvido tanto. É triste, não é? Quando separamos para Deus o que não é o melhor, quando o que projetamos para Deus é o que sobra, são os tigueras da vida, da nossa existência, algo que nós mesmos desprezamos. Mas Deus não fez isso. Deus deu o que Ele tinha de melhor, o Seu único Filho, e o entregou por nós.
2. O Filho como aquele que é enviado
Segundo, O Filho como Aquele que é Enviado Jesus, o Filho unigênito de Deus, aceitou a missão mais extraordinária que alguém poderia assumir. Ele deixou a glória do céu e encarnou-se como humano, tornando-se vulnerável e sujeito às mesmas limitações e dores que nós. Este ato de encarnação não foi apenas um gesto de condescendência divina, mas uma demonstração profunda de amor e compromisso com a salvação da humanidade.
Jesus não apenas desceu dos céus, mas também se enculturou, vivendo entre nós e adaptando-se à nossa cultura e realidade. Ele caminhou em nossas ruas, comeu de nossas mesas, compreendeu nossas dores e alegrias. Esta enculturação foi essencial para que Ele pudesse comunicar o amor de Deus de forma efetiva e relacional. Ele tornou-se um de nós para que pudéssemos compreender plenamente o plano de redenção.
A Bíblia nos oferece um exemplo poderoso desta encarnação em Filipenses 2.5-8: “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz.” Nesta passagem, vemos como Jesus esvaziou-se de Sua glória divina e tornou-se servo, obediente até a morte na cruz. Ele assumiu a forma de um servo para que, por meio de Sua humildade e sacrifício, pudéssemos ser salvos.
Missionários cristãos devem seguir o exemplo de Jesus. A missão não é apenas sobre ensinar ou pregar, mas sobre viver entre aqueles que buscamos alcançar, compreendendo suas realidades e demonstrando o amor de Cristo através de nossas ações e presença. Assim como Jesus se enculturou para servir eficazmente, devemos aprender a nos adaptar, respeitar e integrar às culturas diferentes das nossas. Este processo pode ser desafiador, mas é essencial para que nossa mensagem seja autêntica e ressoe profundamente com aqueles a quem servimos.
Portanto, ao refletirmos sobre a missão de Jesus como o Enviado, que deixemos ser inspirados por Sua humildade, sacrifício e amor incondicional. Que sejamos missionários dedicados, dispostos a seguir os passos de nosso Salvador, adaptando-nos e servindo com todo o nosso coração, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
3. A motivação da missão
O terceiro ponto é a motivação que levou Deus a fazer o que fez.
Qual é a motivação da missão? Vocês estão acompanhando? Podem verificar, podem ler. Qual é a motivação? O amor. Mas não é qualquer amor. Observem a expressão: “de tal maneira.” “De tal maneira” é muito forte, significando que Deus deu o que tinha de melhor em sacrifício.
Este é o nosso Deus, que nos ama de uma forma tão sacrificial, capaz de fazer um sacrifício tão absoluto, tão pleno, tão total. Que amor é esse? Nós só compreendemos esse amor de Deus olhando para a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, para aquele Filho que foi dado. É ali que conhecemos o amor de Deus. É um amor muito grande, “de tal maneira”, de tal magnitude, extraordinário, surpreendente, chocante, que nos constrange. Às vezes, parece até bom demais para ser verdade. É assim que Deus nos ama.
Vamos agora para o quarto ponto. Recapitulando: primeiro, quem é que envia? Deus é o modelo para a igreja enviar e para cada um de nós consagrarmos a Deus o que há de melhor. Quem foi enviado? O que havia de melhor: o Filho. Ele é o modelo. O que motivou Deus a tomar essa atitude de grandeza e sacrifício? Seu amor. Amor por quem?
4. O público-alvo do amor e da missão
Agora, o quarto ponto: quem é o público-alvo desse amor e dessa missão?
Quem? O mundo. Quando lemos o capítulo 1 de João, entendemos melhor que mundo é esse. É o mundo que estava em trevas e que verá essa grande luz. Veja aqui, vamos para o capítulo 1, versículo 10, para entender melhor que mundo é esse: “O Verbo, que estava no princípio com Deus, o Verbo que era Deus, por meio de quem tudo foi feito. Ele, que era luz, veio e se tornou a luz do mundo. O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por meio dele, mas o mundo não o conheceu.” O mundo aqui é o mundo rebelde, o mundo dos perdidos, o mundo dos pecadores. É um mundo completo, cheio de pessoas de todas as espécies, um mundo que volta as costas para Deus, que foi feito por Cristo, mas que não o reconheceu. É um mundo que está em trevas, que segue o príncipe deste mundo, um mundo de pessoas alheias a Deus, obscurecidas em entendimento. São essas pessoas. Não é um grupo seleto que Deus ama por isso ou aquilo. Não, é o mundo todo, composto por gente de todos os tipos, de todos os povos, tribos, línguas e nações, que é rebelde e que não o conheceu. É este mundo, é neste contexto de mundo que Deus ama. Esse é o alvo do amor de Deus. São esses que Deus amou de tal maneira a ponto de dar o seu Filho.
Uma boa notícia para mim e para você é que, se o mundo é entendido como todos os pecadores, todos os perdidos, todos os inimigos, todas as pessoas alheias a Deus, se o mundo é todo ser humano, então significa que esse amor de Deus de tal maneira é também por você. Você faz parte, você também é alvo desse grande amor de Deus, desse sacrifício de Cristo. Ele te ama, mas ele não te ama de qualquer maneira. Não é um amor qualquer. É um amor sacrificial, um amor capaz de dar a própria vida para te salvar. Esse é o grande amor de Deus. Ninguém ama mais do que este, que deu a sua própria vida por amor a você. Portanto, o público-alvo é o mundo inteiro, e isso inclui você.
5. O meio da salvação
Quinto, E qual é o meio da salvação?
Como é que se dá? Esse é o quinto ponto. Como é que se dá a salvação? Através da fé, não é? Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna. A vida eterna é a bênção que Deus tem mediante a fé. Repare bem, uma única coisa exigida, uma única ação. Deus requer dos seres humanos uma única coisa: a fé.
A serpente levantada no deserto (Jo 3.14-15)
Até agora, discutimos apenas o versículo 16. Vamos agora examinar os versículos 14 e 15 para entender melhor o contexto. Nicodemos, um sacerdote que procurou Jesus, queria conhecer mais sobre Ele e o caminho da salvação, bem como sobre como fazer parte do reino de Deus. Jesus, ao conversar com Nicodemos, usa um paradigma da cruz que era bem conhecido por ele.
Nicodemos conhecia bem a história registrada em Números, capítulo 21, quando o povo de Israel pecou contra Deus repetidamente. Eles se rebelaram contra Deus e Moisés, murmurando: “Por que o Senhor nos tirou da terra do Egito? Lá tínhamos comida saborosa, e aqui estamos passando privações e sede. Ah, que saudade do Egito! O Senhor nos trouxe aqui para morrermos. Por que o Senhor fez isso?”
Deus ficou irado com essas murmurações e seu justo juízo se abateu sobre o povo. Como resultado da sua rebelião, inúmeras serpentes apareceram no deserto, brotando da areia e picando os israelitas. Eles começaram a morrer um a um, vítimas dessa praga de serpentes. Assustados com a tragédia e as consequências do pecado, vendo-se à mercê da morte, clamaram por misericórdia, se arrependeram e pediram perdão. Moisés orou a Deus e veio um livramento.
A salvação que Deus ofereceu foi algo muito inusitado. Deus instruiu Moisés a fazer uma serpente de bronze e pendurá-la sobre uma estaca, elevando-a bem alto para que todos pudessem ver. Quem olhasse para ela seria salvo. As pessoas, picadas e à beira da morte, olharam para aquela provisão de salvação de Deus e foram curadas da sua ferida mortal, que é a ferida do pecado.
Esse olhar é o olhar de um moribundo, de um perdido. É o olhar que deposita sua esperança no remédio que Deus propicia, na solução da graça divina. Vamos observar o paralelo aqui. Voltemos ao versículo 14: “Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna, tenha a cura da maldição do pecado.” Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu único Filho. O Filho do Homem, no versículo anterior, é agora retratado como o único Filho de Deus. Esse único Filho de Deus foi dado porque Deus amou a humanidade de tal maneira que Ele deu seu Filho para que Ele fosse feito maldição em nosso lugar.
Estava registrado nas páginas do Antigo Testamento que maldito seriam todos os que fossem crucificados, e Ele foi crucificado. Jesus se fez maldição, assumiu nossa maldição, se fez pecado por nós. O justo, que nunca pecou, assumiu nossa condição, nossa maldição, nossos pecados. Ele carregou sobre si nossas feridas, nossas chagas, nossa maldição, nosso pecado. Tudo que era contra nós, Ele carregou sobre si. Ele foi crucificado, sacrificado e morto. Ele foi levantado para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna.
Olhe para Ele
Olhe para Ele. Este olhar é o ato que Deus espera de você. Não é um ato de uma pessoa grandiosa, não é um ato de uma pessoa poderosa, nem uma grande realização humana. A grande realização foi a de Cristo Jesus na cruz. Ele é o Salvador, Ele pagou o preço, carregou sobre si nossos pecados, morreu, derramou o Seu sangue. E pelas Suas chagas, pelas Suas feridas, nós, moribundos, perdidos, fracos e miseráveis, somos sarados. Porque, em nossa condição de perdidos, de pessoas condenadas e feridas, clamamos por misericórdia e olhamos para Ele.
Repare bem, olhe para a cruz, olhe para Jesus. Ele é o Salvador. E você, nesse ato de olhar, não está realizando uma obra; é a obra Dele que está em ação. Não é a sua grandeza, mas a grandeza Dele. É você, na sua pequenez, na sua miserabilidade, completamente maltrapilho, miserável, pobre, cego, nu e perdido, como o cego de Jericó, clamando: “Jesus, Filho de Davi, tenha misericórdia de mim.” E então, a graça se manifesta, salvadora. Ela sara o ferido e, à medida que os caídos, os pecadores, os perdidos, os miseráveis, clamam, a maldição é removida.
Quando Deus mandou levantar a serpente, isso apontava para Cristo, e aqueles que olhavam eram sarados. Todo aquele que olhar para Cristo, este ato de olhar é um ato de humildade, um reconhecimento da própria pecaminosidade e miserabilidade. Olhar para Ele é também um ato de arrependimento, de contrição, e de ver a graça, o amor, a misericórdia e a providência divina.
Cristo é a providência divina para o perdão dos nossos pecados (1 João 2.2). Ele é o único mediador entre Deus e os homens (1 Timóteo 2.5), o único nome pelo qual importa que sejamos salvos (Atos 4.12). Olhe firmemente para Cristo e encontre Nele o perdão. Reconheça que foi pelos seus pecados que Ele precisou pagar esse preço, e Ele não economizou na demonstração de amor. Seu afeto não foi superficial; foi profundo e tremendo (Romanos 5.8).
O meio de salvação é esse olhar para a obra de Cristo na cruz (João 3.14-15). Amém? Deus, o Pai, enviou o que tinha de melhor, o próprio Filho, por amor (João 3.16). Ele o fez. Um amor sem igual, extravagante e sacrificial (1 João 4.9-10). Deus e o Filho por nós. E, mediante a fé, esse olhar nos concede vida eterna (João 3.36). Vida eterna aqui não é apenas vida infinita. Isso é pouco para definir vida eterna. Vida eterna você pode ter aqui e agora. Quem crê tem a vida eterna (João 5.24). Já passou da morte para a vida eterna, para essa vida com Deus. Deus habita em todos aqueles que creem Nele (Efésios 3.17). Você tem a vida eterna. Essa é a ideia da vida eterna. Você tem Deus, você tem comunhão, você foi reconectado com o Criador, você tem a vida de Deus. E não sou mais eu quem vive, mas Cristo vive em mim (Gálatas 2.20). E a vida que vivo, vivo pela fé no Filho de Deus, que a Si mesmo se entregou por mim. Isso é vida eterna, e você pode experimentá-la e deve experimentá-la aqui e agora. Basta olhar para Ele. E olhando para Ele, você nasce de novo (João 3.3). Você nasce da água, como alguém vai ser batizado agora, mas você nasce do Espírito (João 3.5-6). Você recebe o Espírito de Deus, você é uma nova criatura (2 Coríntios 5.17). Cristo vive em você. Você já está com Cristo, já passou da morte para a vida, e por isso nada pode separar você do amor de Deus que está em Cristo Jesus (Romanos 8.38-39), nem mesmo a morte. Louvado seja Deus. Este é o plano redentor de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. É o plano do Pai, é o plano do Filho, é o plano do Espírito Santo (Mateus 28.19). E que toda essa passagem bendita e maravilhosa, todos esses princípios possam ter encontrado guarida no coração de cada um de vocês. Que vocês saibam que grande amor é esse, que grande salvação Ele providenciou para nós. E a melhor coisa que podemos fazer é dizer: “Senhor, eis-me aqui, envia-me a mim” (Isaías 6.8). Eu quero ser como Jesus. E, se eu sou um pai, uma mãe, eu quero para os meus filhos aquilo que o Senhor quis para o Seu Filho. E todos nós podemos ser missionários, a começar pela nossa Jerusalém, pela nossa casa (Atos 1.8).
Lembro do endemoniado gadareno. Quando ele recebeu tamanha libertação de Jesus (Marcos 5.1-20), desejou seguir a Jesus. No entanto, Jesus lhe disse: “Olha, você vai me seguir de outro jeito. Volte para a sua casa e seja um testemunho lá para seus parentes e para todo o povo, para toda a sua vizinhança.” Assim como o gadareno, você está tendo um encontro com Deus aqui, entendendo o evangelho, olhando para Jesus e encontrando a salvação em Cristo. Após abençoar Abraão, Deus o incumbiu de ser uma bênção (Gênesis 12.2). Da mesma forma, Deus abençoa você e o envia. Jesus disse: “Assim como o Pai me enviou, eu envio vocês” (João 20.21). Vá para a sua casa, para os seus vizinhos e amigos, e seja uma bênção para todos ao seu redor (Mateus 5.14-16).
Comecemos por nossa Jerusalém, estendendo-se para a Judeia, depois para a Samaria e até os confins da Terra (Atos 1.8). Sejam uma bênção, sejam boca de Deus, sejam pessoas cheias do Espírito Santo (Efésios 5.18). Que a graça de Deus esteja sobre vocês, inunde seus corações, e que vocês sejam uma tremenda bênção aqui e agora. Amém.
Bispo Ildo Mello
O Rei Jesus, seu Reino e a Missão da Igreja+
Profecias do Antigo Testamento se cumprindo em Cristo Concordo com Howard Snyder quando ele afirma que o tema do Reino de Deus é uma categoria central que serve como uma chave que abrange, liga e mantêm unidos em harmonia todos os demais temas da revelação bíblica. i O Primeiro sermão de Jesus foi sobre o Reino de Deus (Mc 1.14). Jesus veio como o Messias proclamando o Reino e provocando um verdadeiro alvoroço. Durante seu ministério terreno, ele falou mais sobre o Reino do que sobre qualquer outro tema, mas seus discípulos tiveram muita dificuldade em entender a natureza deste reino. Jesus disse que o Reino era a chave para que os discípulos pudessem compreender os seus ensinos (Lc 8.10). E, no Sermão do Monte, Jesus disse que o Reino era a primeira coisa que os discípulos deveriam buscar (M6 6.33). E, na oração do “Pai Nosso” a primeira coisa que Jesus ensinou que devíamos pedir era: “venha o teu Reino” (Mt 6.10). Após sua ressurreição, antes de ascender aos céus, Jesus passou 6 semanas com os discípulos concentrando-se no ensino do Reino (At 1.3). Jesus abriu os olhos dos discípulos para como sua vida e ministério estavam cumprindo as Escrituras do Antigo Testamento (Lc 24.44-47). A Bíblia está repleta de ensinamentos sobre o Reino de Deus, mas a Igreja, de um modo em geral, tem se esquecido disto. Precisamos resgatar a consciência cristã do Reino de Deus. É errado dizer que Paulo não fala sobre o tema do Reino de Deus. Pois Paulo fala do Reino de Deus em termos do plano soberano de Deus realizado em Cristo Jesus (Ef 1.10) e fala também em termos de “estar em Cristo” assentados nos lugares celestiais (Ef 2.6), onde Cristo está assentado à direta da Majestade, “acima de todo principado e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro. E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à Igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.” (Ef 1.20-23). Snyder observa neste texto que “Deus optou por colocar a Igreja com Cristo bem no centro de seu plano de reconciliar o mundo consigo”. ii E Paulo também fala do Reino de Deus toda vez que toca no tema do senhorio de Cristo. Concordo com Hermann Ridderbos que, em seu clássico:
“Paul: An Outline of His Theology”, afirma que o aspecto fundamental da pregação do apóstolo Paulo que nos habilita a entender todos os demais aspectos de sua teologia é o ensino escatológico sobre a história da redenção. iii Pois Paulo tinha a consciência de que Deus estava, em seus dias, cumprindo as antigas promessas dos profetas de Israel. Lucas encerra o Livro de Atos contando-nos que Paulo estava “pregando o reino de Deus, e, com toda a intrepidez, sem impedimento algum, ensinava as coisas referentes ao Senhor Jesus Cristo (At 28.31).
Precisamos descobrir, como recomenda Snyder, que é possível aprendermos mais sobre o Reino de Deus quando nós vemos as Escrituras como a história do plano de Deus para restaurar a criação caída, trazendo tudo o que Deus fez, mulheres e homens e totalidade de seu meio ambiente, o que inclui toda a criação, para o cumprimento de seu propósito de colocar todas as coisas debaixo de seu soberano reinado. iv Snyder apresenta sete temas que perpassam toda a Bíblia e que lançam luz sobre o Reino de Deus. São eles a paz, a terra, a casa (templo), cidade, justiça, sábado e o ano do Jubileu. Ele trata de cada um destes temas começando pelo pano de fundo do Antigo Testamento e mostrando seu desenvolvimento no Novo Testamento. Poderia apresentar aqui um resumo de como Snyder trata cada um destes temas, mas, creio que é suficiente para este trabalho, com intuito de demonstração, tocar em apenas um destes sete temas, que é o tema da paz.
Shalom é usualmente traduzida por paz. A raiz significa plenitude de vida, segurança e bem estar. Significa mais do que ausência de conflito e mais do que mero sentimento de paz interior, pois não se trata de algo meramente abstrato ou espiritual, mas, sim, a algo concreto, material e físico. Implica num senso de harmonia advindo de uma correta relação com Deus, num apropriado funcionamento de todos os elementos do meio ambiente. Deus é a fonte desta paz. O plano de Deus é trazer completa paz para a sua criação, promovendo a reconciliação do homem com Deus, com seu próximo e com todo o restante da criação. Este tema da paz estava ligado a pessoa do Messias no Antigo Testamento. Isaías falou do Messias como o Príncipe da Paz que aumentaria o seu governo de paz sem fim (Is 9.6-7). Observe como Jeremias relaciona a paz à cura: “eis que lhe trarei a ela saúde e cura e os sararei; e lhes revelarei abundância de paz e segurança” (Jr 33.6). Pois, ao trazer paz, Deus está trazendo cura e restauração em todas as dimensões, tanto físicas, quanto espirituais. No Novo Testamento, Paulo, por exemplo, afirma com instância que o Reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14.17). Vemos que o tema da paz está ali, bem no coração do Reino de Deus. O Novo Testamento conecta o tema da Paz diretamente a pessoa do Rei Jesus Cristo. Quando os anjos anunciaram o nascimento de Jesus, eles disseram: “Paz na terra!” como um resultado do nascimento do Messias (Lc 2.14), pois Jesus é o Príncipe da Paz (Is 9.6). Jesus é a nossa paz. Através dele, nós fomos reconciliados com Deus e com o próximo. As barreiras da inimizade foram derribadas em Cristo. Paulo declara isto com todas as letras em Ef 2.14-17: “Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos {ambos: judeus e gentios} fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade, aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade. E, vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto”.
Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo (2 Co 5.19 e Ef 1.10). Reconciliação significa fazer as pazes (Cl 1.19-20). A paz é relacional: “paz com” e “paz entre”. Deus nos conferiu o ministério da reconciliação (2 Co 5.18). Jesus disse: “Bem-aventurados os pacificadores” (Mt 5.9). Os cristãos, como povo do Reino, não abenas são objetos da paz de Deus, mas tornam-se também instrumentos de sua paz. Neste sentido, vemos que a Igreja herda a mesma missão de Cristo. Jesus disse aos seus discípulos: “Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20.21). Voltando a falar da natureza paradoxal do Reino de Deus decorrente da tensão entre o já e o ainda não, temos esta interessante frase de Jesus aos seus discípulos: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33). A poderosa Paz que o Senhor Jesus traz ainda não significa ausência de aflições, isto só acontecerá quando da Segunda Vinda. Jesus quer que seus discípulos sejam realistas quando as aflições deste mundo. Mas tal realismo deve ser contrabalançado pela poderosa realidade de que Cristo venceu o mundo! A vitória de Cristo sobre o mundo concede aos discípulos um bom ânimo e paz. Vemos aqui que a realidade do mundo não pode sufocar o otimismo proveniente da confiança naquele que venceu o mundo e que é Senhor da história.
A Paz de Deus se estende aos conflitos existentes entre as nações. Gênesis, no relato de Babel, (capítulo 11), mostra a confusão de línguas promovendo a formação e a separação das nações. No capítulo 12, Deus começa a agir para cura deste mal, chamando da região de Babel, a Abrão com a missão dele se tornar bênção para todas as famílias da terra (Gn 12.3; 28.14). O Livro de Gênesis mostra como José, neto de Abraão, é usado por Deus para abençoar o Egito e diversas outras nações vizinhas (50.19-10). Mas, de um modo em geral, Israel não foi fiel ao seu chamado de ser bênção para as outras nações, chegando a ser maldição em lugar de bênção (Zc 8.13; Jr 4.4). No entanto, Deus é fiel, e a promessa e a missão dadas a Abrão serão cumpridas em um seu descendente muito especial (Gl 3.7, 16; Rm 4.10-18), que veio como o Príncipe da Paz (Is 9), desfazendo as barreiras da separação e da inimizade (Ef 2), formando uma nova humanidade (1 Pe 2.4-10), onde não há mais lugar para distinções nacionais, tribais, ou de qualquer outra espécie como disse Paulo: “Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3.28). A Igreja recebe missão semelhante à de Abraão, devendo levar a bênção do Evangelho do Reino a todas as nações até os confins da terra (Mt 29.19-20 e At 1.8). O mesmo Senhor que diz “vinde a mim”(Mt 11.28), diz também “ide” por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura (Mc 16.15), e ora ao Pai para que sua Igreja não seja tirada do mundo (Jo 17.15), pois sabe que ela tem uma importante missão a cumprir aqui na Terra antes da manifestação gloriosa do Filho de Deus. A Igreja experimenta, no dia de Pentecoste, através da plenitude do Espírito Santo, um fenômeno de línguas que se contrapõe ao fenômeno de Babel. Pois, enquanto em Babel temos a confusão de línguas, que separam as nações, em Pentecostes, temos uma “língua universal” que pode ser compreendida por pessoas representantes de distintas nações da Terra, o que gerou conversão e unidade num efeito reverso ao de Babel, que havia promovido dispersão e desunião. Jesus promete que sua Igreja será bem sucedida em sua missão de pregar o Evangelho a todas as nações (Mt 24.14; Mc 13.10; cf Mt 16.18; Hc 2.14). O Livro de Apocalipse mostra como Cristo e sua Igreja serão bem sucedidos em sua missão de formar um grande povo com convertidos de todas as nações, povos, tribos, línguas e raças (Ap 7.9), e diz ainda que Jesus será conclamado “Rei das Nações” (Ap 15.3), e será adorado por todas as nações (15.4), como o Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap 19.16. cf 1 Tm 6.15).
Portanto, a promessa da Paz que encontramos no Antigo Testamento se cumpre em Cristo, que é o “sim” e o “amém” de Deus pronunciado sobre cada uma das promessas registradas no Antigo Testamento: “Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio” (2 Co 1.20). A Igreja, como corpo de Cristo e comunidade do Rei, recebeu o ministério da reconciliação e é continuadora da missão de Cristo. Para que seja eficaz em seu ministério a Igreja precisa servir de modelo do Reino de Deus que é justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Se não, como poderá uma Igreja pregar a paz a um mundo onde há tantas inimizades e guerras, quando ela mesmo está fragmentada e quando os seus próprios membros não conseguem viver em paz e em unidade uns com os outros, e quando há ainda tanta inimizades, discriminação, racismo, preconceitos sociais, falta de perdão, ciúmes, contendas, fofocas e divisões no seio da Igreja?
Como já dissemos, esta abordagem da paz, serve como exemplo do que se pode ver também com outros elementos pertencentes ao Reino de Deus que permeiam todas as Escrituras, e que encontram o seu cumprimento em Cristo.
Juan Stam v também defende a integridade das Escrituras, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, salientando a interrelação dos temas bíblicos e sua continuidade desde Gênesis até o livro de Apocalipse. Apresenta cinco temas que envolvem toda a mensagem da Bíblia: criação, a promessa a Abraão, o Êxodo, Davi e a promessa do Reino e finalmente o Messias em quem se cumprem todas as promessas e expectativas bíblicas. Por exemplo, a criação marca a Bíblia da primeira a última página, onde conseguimos ver nitidamente a preocupação e o propósito de Deus em relação à natureza. A obra redentora de Jesus engloba toda criação, que, atualmente, geme, sofrendo as conseqüências do pecado humano, aspirando ser renovada e redimida. A promessa é de novos céus e nova terra onde reinam o amor e a justiça. Nós os cristãos já somos novas criaturas, primícias da nova criação; "sal" e "luz" para o mundo, "semente" e "fermento" do Reino de Deus. Somos herdeiros da promessa e responsabilidade de Abraão de sermos bênção para todas as nações. Myers faz uma observação interessante quando diz que o Êxodo é o relato da passagem da escravidão para a liberdade, da injustiça para um sociedade justa (pelo menos este foi o propósito), e da dependência para independência, da opressão na terra alheia para a liberdade na própria terra, que foi distribuída com justiça para que todos pudessem ter condições de desfrutar do fruto do seu próprio trabalho. vi E Juan Stam conclui seu argumento afirmando que o Êxodo é a chave para a compreensão de toda a Bíblia. E passa demonstrar os paralelos entre o Êxodo de Israel e a obra redentora de Cristo, falando sobre as implicações sociais do Êxodo, como, por exemplo, o "Ano da Remissão" e o "Ano do Jubileu", que nunca foram cumpridas devidamente em Israel, tem seu cumprimento em Cristo, o ungido de Deus. No sermão inaugural de seu ministério, Cristo afirmou ser o cumprimento da promessa de Isaías 61. O dom do Espírito Santo também é derramado sobre a Igreja e é muito interessante observarmos os desdobramentos sociais que lembram o "Ano do Jubileu" vii (ver também Gl 2.10; At 11.27-29; 1 Co 16.14; Rm 15.25s; At 20.22s, 21.814; 2 Co 8.14; 9.9 cf. Mt 6.1).
Veremos a seguir a questão do Mistério do Reino de Deus que se revela em Cristo de modo a surpreender as expectativas do Antigo Testamento. i Snyder, Howard A. Kingdom, Church, and World: Biblical themes for today. Wipf and Stock Publishers. Eugene, Oregon, 2001, 132 p. P. 11, 12. ii Snyder, Howard A. A Comunidade do Rei: Uma reflexão sobre a Igreja que Deus quer.
Tradução: Lucy Yamakami. São Paulo: ABU, 2004, P. 70. iii Herman Ridderbos, Paul: An Outline of His Theology (Grand Rapids: Eerdmans, 1975) iv Snyder, Howard A. Kingdom, Church, and World: Biblical themes for today. Wipf and Stock Publishers.
Eugene, Oregon, 2001, 132 p. P.17. v Steuernagel, Valdir Raul, org.
A Missão da Igreja. Belo Horizonte, 1994, parte A1. o primeiro capítulo: "A HISTÓRIA DA SALVAÇÃO E A MISSÃO DA IGREJA", escrito por Juan Stam. vi Myers, Bryant L.
Caminar con Los Pobres.
Manual teórico-prático de desarrollo transformador. Buenos Aires: Kairós. 2002. P.33. vii Steuernagel, Valdir Raul, org.
A Missão da Igreja. Belo Horizonte, 1994, parte A1. o primeiro capítulo: "A HISTÓRIA DA SALVAÇÃO E A MISSÃO DA IGREJA", escrito por Juan Stam.
Estilo de vida simples por amor a justiça do Reino+
A mensagem da cruz que mortifica a ganância e o individualismo e nos capacita a vivermos o ideal de uma vida simples, como Jesus, os apóstolos e Wesley, dentre tantos, a fim de que possamos praticar mais caridade, como ensinava o Wesley: “Faça todo o bem possível, por todos os meios possíveis, de todos os modos possíveis, em todos os lugares possíveis, em todas as ocasiões possíveis, a todas as pessoas possíveis, tanto quanto for possível". i E Dietrich Bonhoefer disse: “Bens materiais são dados para serem usados e não para serem acumulados. Avareza é idolatria”. ii Satanás é o deus do materialismo. Paulo deixou claro que “o amor do dinheiro é razão de todos os males” (1 Tm 6.10b). Randy Alcorn, em seu livro “Money Possessions and Eternity”, que é um verdadeiro clássico sobre cristianismo e finanças, é categórico ao afirmar que o que nós fazemos com o nosso dinheiro expressa de maneira clara a que Reino nós pertencemos. iii Toda vez que usamos os nossos recursos de maneira egoísta e descuidada nós satisfazemos as metas de Satanás e frustramos as metas de Deus. “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt 6.24). O que acumula bens acha que está sendo sábio, mas Jesus disse que tal pessoa é tudo menos sábia. Pois o acumulador de bens está tentando cobrir completamente todas as suas necessidades matérias do futuro, de modo a tornar Deus desnecessário. Quer atingir o que se chama de independência financeira. Independência de quem? Será que além da independência da família e do governo, não estaria aí também um desejo consciente ou não de conquistar uma independência de Deus? O acumulo de bens não estaria minando nossa confiança em Deus? Não ensinava Deus o povo a apanhar apenas o Maná de cada dia? Certo que na sexta-feira, se podia pegar uma reserva para o sábado, mas não mais do que isto. Mas, quando o povo de Israel, desconfiado da providência divina, decidia acumular mais do que o suficiente, Deus fazia apodrecer com vermes (Ex 16.16-20). “Quem confia nas suas riquezas cairá, mas os justos reverdecerão como a folhagem” (Pv 11.28; Tg 5.1-6).
E, no Novo Testamento, Não nos ensinou Jesus a buscar também tão simplesmente o pão de cada dia (Mt 6.11)? Jesus nos advertiu contra a ansiedade em relação ao futuro, nos exortando a buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça (Mt 6.25-33). Buscando a justiça em primeiro lugar, devemos fazer o seguinte com abundâncias de bens que porventura possuirmos, como indicou Paulo: “suprindo a vossa abundância, no presente, a falta daqueles, de modo que a abundância daqueles venha a suprir a vossa falta, e, assim, haja igualdade” (2 Co 8.14).
Alcorn fala ainda contra as desculpas que os cristãos dão para não contribuir como deveriam. Não podemos deixar de dar alegando estarmos preocupados com nosso futuro. Aqui, ele faz uma séria crítica a volumosa quantidade de dinheiro que tem sido aplicada em fundos de pensão, previdência privada e seguros, em especial no contexto americano. Ele afirma que se apenas um quarto dos gastos com fundo de previdência privada fossem aplicados na Igreja e em seus ministérios, a Missão da Igreja teria um impulso sem precedentes. iv E ainda sobre esta questão, em outra parte, ele questiona em que sentido a preocupação em garantir uma farta aposentadoria é diferente da atitude daquele rico que acumulava bens para desfrutar no final de sua vida e que Jesus chamou de louco por ter sido rico para consigo mesmo e pobre para com o Reino de Deus (Lc 12.16-21)? O medo que muitos cristãos tem a respeito do que lhes pode ocorrer no futuro tem roubado fundos da causa da justiça e do Evangelho do Reino de Deus, fundos estes que o próprio Deus tem providenciado para a causa do Reino.
Estaríamos nós obedecendo ao mandamento de amar o próximo como a nós mesmos quando nós acumulamos bens com vistas a uma aposentadoria gorda, quando nossos contemporâneos estão vivendo hoje em pobreza. v Se nós não podemos confiar em Deus para questões temporais e materiais, como teremos coragem de confiar nele para questões espirituais que dizem respeito ao destino eterno de nossas almas? Por que deveríamos buscar outra base para a nossa segurança futura, sendo que está que temos em Cristo já é tão plena e suficiente? Se nós cremos que Deus pôde ter nos criado, nos remido, e que irá nos ressuscitar no futuro para vivermos a eternidade ao seu lado nos céus, como é que não podemos confiar em sua palavra que diz que ele cuidará de nossas necessidades materiais?
A mensagem do Profeta Ageu é muito relevante para o tema em questão. Pois o povo estava dando desculpas para não ofertar, dizendo que o tempo para reconstruir a casa de Deus ainda não havia chegado. Deus ficou indignado com a atitude deles, pois viu que eles invertiam a ordem de prioridade. Não estavam buscando o Reino de Deus em primeiro lugar, mas estavam colocando a edificação da própria casa ou, poderíamos até dizer, do próprio reino, em primeiro lugar. Enquanto diziam que não era tempo para a casa de Deus, entendiam que era sempre tempo para suas próprias casas, que estavam sendo edificadas com muito emprenho e capricho. Deus, então, mostra que os insucessos de seus projetos estavam relacionados ao desprezo com que tratavam as coisas de Deus (Ag 1.2-11). Deixar de dar, deixar de ajudar, quando temos recursos e condições para tanto, alegando que não é tempo, é o mesmo que adiar a obediência. E, adiar a obediência é o mesmo que desobedecer. Se Deus nos chama hoje a compartilhar de nossos recursos com outro, nós não podemos responder: “Não podemos, porque não sabemos se iremos ter uma fonte de renda no futuro e não sabemos se iremos ou não precisar destes recursos no futuro”. Não podemos dizer isto, pois, como cristãos, nós bem sabemos de onde virão os recursos de nosso sustento futuro. Podemos não saber de que maneira estes recursos virão a nós, mas nós conhecemos a fonte de todas as bênçãos! Como a viúva pobre que, após ofertar, ficou sem nenhuma reserva, nós sabemos que Deus cuidará de nós, mesmo não havendo recursos visíveis. vi Por mais paradoxal que possa parecer, a cruz gera felicidade e paz, pois a cruz traz libertação das ansiedades e temores, decorrentes da confiança advinda da resignação e entrega total de si mesmo aos propósitos do Deus soberano e amoroso que sabe como conduzir as nossas vidas. O morto descansa em Deus, sabe que sua vida e futuro estão nas boas mãos de Deus. Sabe também que nada pode separá-lo do amor de Deus que está em Cristo (Rm 8); “porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus” (Cl 3.3) Quanta vida pode ser encontrada na cruz!
Examinemos as Palavras de Paulo e de Jesus sobre a alegria e a paz que encontramos em Cristo. Repare que alegria e paz de que eles falam não é deste mundo. O mundo desconhece e não compreende tais coisas, pois só concebe alegria e paz advindas das condições favoráveis e das realizações e conquistas terrenas. Paulo testemunhou ter aprendido a estar contente em toda e qualquer circunstância, tanto na fartura como na pobreza (Fp 4.11). Ele dava graças a Deus por tudo (1 Ts 5.18), pois sabia que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8.28). Sabemos que Paulo estava preso quando escreveu a carta aos Filipenses (Fp 1.7, 13, 14) e mesmo assim a tônica de sua mensagem era a alegria (Fp 3.1, 4.4, 10,11). Ele era odiado por muitos, havia sido açoitado muitas vezes, e passou por muita dor e sofrimento na vida, e que também foi abandonado por alguns de seus amigos mais chegados (2 Co 6.5; 11.27; 2 Tm 4.10). Além disto tudo, sabemos que ele era um homem doente e que vivia uma vida de solteiro (Gl 4.13, 14; 2 Co 12.7, 1 Co 9.5). Digo isto a propósito, pois existe muita gente vivendo infeliz por não ter encontrado a pessoa amada, portanto, esta poderia ser mais uma razão para Paulo se lamentar, mas, pelo contrário, diante de tantos dissabores, ele fala de alegria, paz e contentamento. Isto era possível, pois ele bem sabia que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8.28), e que mesmo tendo que passar por tantos infortúnios, nós, como cristãos, somos mais do que vencedores em todas estas adversidades (Rm 8.37). A alegria de Paulo vinha direto do Senhor e de seu amor e cuidado. Ele conseguia discernir a boa mão de Deus em todos os episódios de sua existência. Ele podia desfrutar sempre da boa companhia do Senhor. Este é o segredo que lhe permitiu cantar de alegria louvores a Deus, mesmo estando amarrado a um tronco, após ter sido açoitado (At 16.25). Um homem assim é mesmo indestrutível, pois ele não é escravo do sistema deste mundo, ele não ama ao mundo, pois para ele o viver é Cristo e o morrer é lucro (Fp 1.21; 3.7-10). Ele dizia, “se vivemos para o Senhor vivemos, se morremos para o Senhor morremos, quer pois vivamos ou morramos, somos do Senhor” (Rm 14.8). Ele aprendeu com Cristo que nos ensinou a aprender com a natureza, com os pássaros e com os vegetais. Parece que os índios, neste aspecto, tiraram lições preciosas da natureza para viverem vidas mais alegres, confiantes, despreocupadas e tranqüilas que os "civilizados". Veja que interessante registro de um diálogo entre um português e um velho e sábio índio brasileiro, registrado por Darcy Ribeiro em seu Livro “O Povo Brasileiro”:
"Os nossos tupinambás muito se admiram dos franceses e outros estrangeiros se darem ao trabalho de ir buscar os seus arabutan. Uma vez um velho perguntou-me: Porque vindes vós outros, maírs e pêros (franceses e portugueses) buscar lenha de tão longe para vos aquecer? Não tendes madeira em vossa terra? Respondi que tínhamos muita, mas não daquela qualidade, e que não a queimávamos, como ele o supunha, mas dela extraíamos tinta para tingir, tal qual o faziam eles com os seus cordões de algodão e sua plumas. Retrucou o velho imediatamente: e porventura precisais de muito? – sim, respondi-lhe, pois no nosso país existem negociantes que possuem mais panos, facas, tesouras, espelhos e outras mercadorias do que podeis imaginar e um só deles compra todo o pau-brasil com que muitos navios voltam carregados. – Ah! Retrucou o selvagem, tu me contas maravilhas, acrescentando depois de bem compreender o que eu lhe dissera: Mas esse homem tão rico de que me falas não morre? – Sim, disse eu, morre como os outros. Mas os selvagens são grandes discursadores e costumam ir em qualquer assunto até o fim, por isso perguntou-me de novo: e quando morrem para quem fica o que deixam? – Para seus filhos se os têm, respondi; na falta destes para os irmãos ou parentes mais próximos. – Na verdade, continuou o velho, que, como vereis, não era nenhum tolo, agora vejo que vós outros maírs sois grandes loucos, pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos, como dizeis quando aqui chegais, e trabalhais tanto para amontoar riquezas para os vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos pais, mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que depois da nossa morte a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso descansamos sem maiores cuidados." vii Se os índios, assim como as aves do céu e os lírios dos campos, podem viver despreocupadamente na confiança que tem na "terra que os nutre", nós bem podemos, como cristãos, viver vidas simples, sem ansiedade e sem ganância, a exemplo de Cristo, seus apóstolos e a exemplo de Wesley, como veremos mais adiante viii, vivendo em paz e alegria descansados nos cuidados do Pai celestial que nos ama e nos conduz (Mt 6.25s; Lc 12.22s; Fp 4.6). Podemos assim experimentar um estilo de vida que é libertador e inspirador, que emprestará credibilidade e autoridade a nossa mensagem, ao mesmo tempo, que nos concede muito mais consagração à busca do Reino de Deus e de sua justiça, dando ao Reino a devida primazia na busca solidária do bem comum. i Alcorn, Randy C. “ Money, possessions, and eternity”.
Illinois: Tydale House Publishers, 2003. P. XV, Introdução. P. 326. ii Ibid. iii Ibid. iv Ibid. P. 337. v Ibid. P. 334. vi Ibid. P. 350. vii Ribeiro, Darcy. O povo brasileiro; a formação e o sentido do Brasil. 2.reimp. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. 476 páginas. P. 46. viii Veja o capítulo 4.9.2. que trata de Wesley como exemplo de um viver de modo simples com o intuito de praticar a caridade aos pobres na promoção da justiça do Reino de Deus.
EVANGELIZAÇÃO INCONTESTÁVEL: UM ESTILO DE VIDA+
Atos 2.37-45
37 Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?
38 Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.
39 Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar.
40 Com muitas outras palavras deu testemunho e exortava-os, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa.
41 Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas.
42 E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.
43 Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos.
44 Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum.
45 Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade.
46 Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, 47 louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.
“Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos”
Enquanto isso o que? O que acontecia “enquanto isso” e o Senhor lhes acrescentava os que iam sendo salvos? Qual é o método que o Espírito Santo estava usando naquela época? Vamos aprender com o Espírito Santo, sem limitar o poder dele. O Espírito Santo é bem mais criativo, e está acima das questões de métodos e técnicas. Quando nós permitimos, ele age de maneira poderosa através de nós.
Isto não nos isenta de conhecermos os princípios pelos quais o Espírito Santo age. Assim como nosso corpo precisa de um esqueleto para se manter em pé, muito embora nós não vemos o esqueleto, mas o corpo, assim também precisamos do esqueleto dos princípios, onde a vida vai se manifestar (os nervos, a carne).
Temos portanto os princípios, leis, mas devemos saber que o Espírito Santo é criativo na aplicação destes princípios de maneira individual com cada igreja.
Em atos, o princípio básico que a igreja estava desenvolvendo era a COMUNHÃO e a UNIDADE.
A comunhão fala de relacionamentos. As pessoas se convertem na igreja, mas encontram na igreja pessoas guerreando umas contra as outras. O que vai acontecer é que os novos vão se perder, se ferir, morrer. Temos que entender que depois da unção do Espírito Santo, a igreja primitiva recebeu também a graça de entender que não poderiam viver um sem o outro. Eles entenderam que a unção não bastava, mas que ela veio para capacitar cada um a viver uma vida de relacionamento em família. Esta vida em família, de comunhão, trouxe um grande impacto missionário e evangelístico para Jerusalém.
Eles também ganharam a capacidade de colocar os pés sobre a base sólida da Palavra de Deus – a doutrina dos apóstolos.
Eles priorizaram os relacionamentos, e a palavra de Deus ganhou em seus corações força e visão de uma estrutura sólida. Nada sólido e firme pode ser construído fora da rocha da palavra.
Também havia temor.
Eles levavam Deus a sério. Eles não brincavam com o evangelho, e levavam a sério a grande comissão de ganhar almas. Quem leva Deus a sério abre-se para as operações de seu poder. Quando há temor há operação sobrenatural de Deus. Esperamos o sobrenatural em nosso meio, mas não temos temor de Deus, e portanto ele não tem liberdade para manifestar o seu poder entre nós.
Eles estavam também juntos e tinham tudo em comum.
Priorizavam os relacionamentos. Todos os dias estavam atentando para as necessidades e carências uns dos outros, e não apenas para tomar café uns com os outros. Eles tinham a preocupação de abençoar uns aos outros, edificar uns aos outros. A visão que Deus quer colocar em nosso coração é que somos instrumentos úteis para produzir edificação no coração das pessoas. Toda vez que vamos à casa de alguém, devemos saber que estamos lá para edificá-lo. Isto não significa que devemos abrir a Bíblia e ter um sermão para o dia. A edificação vem através das atitudes, ações e reações, que vão produzir na vida do seu irmão crescimento.
Imagine o que acontece quando visitamos alguém e nesta visita somos grosseiros, comemos desbragadamente, abrimos a geladeira do irmão.
Para edificarmos a vida de nosso irmão não precisamos a cada dia de um belo sermão, mas de um estilo de vida coerente. Edificamos uns aos outros quando também conversamos sobre outros assuntos, por exemplo, a educação dos filhos, os acontecimentos da nação. Claro que podemos ser bíblicos e usar textos e princípios bíblicos, mas nossas conversas devem ser práticas e levar para a edificação, para o crescimento.
Dentro desta visão de edificar uns aos outros é que o povo da igreja em Jerusalém vivia continuamente. Eles compartilhavam sua vida, não se sentiam donos de nada, eram realmente servos uns dos outros.
O grande segredo de evangelizarmos as pessoas é mostrarmos para elas que viemos para servi-las e cuidar delas, cuidar de suas feridas, necessidades, mostrar para elas que são importantes e manifestar o amor prático de Deus.
O segredo do método de evangelização da igreja primitiva era esse: um estilo de vida de amor, edificação e serviço uns aos outros.
Muitas vezes temos bons métodos de evangelização, mas somos egoístas e não temos o estilo de vida coerente com nossa mensagem.
Atos 2.47
nos fala que os cristãos tinham a simpatia de todo o povo. Jerusalém tinha naqueles dias cerca de 17.000 habitantes (talvez somente os homens). Se considerarmos que tínhamos por volta de 500 irmãos que haviam se convertido, estes começaram a influenciar os outros com seu estilo de vida. Em Atos 2.41, no primeiro sermão de Pedro, 3.000 almas se converteram. Numa cidade com 17.000, isto significa aproximadamente 20%. Imagine se pudéssemos ganhar 20% de nossa cidade!
Será que a igreja primitiva tinha um método estruturado? Uma cartilha com todos os detalhes impressos? Não, mas eles tinham uma cartilha ainda mais poderosa: um estilo de vida de amor, de serviço, de abundante graça. Não era possível contestar o estilo de vida deles. Por isto todo o povo gostava deles, não apenas alguns do povo. Deus acrescentava, devido ao estilo de vida deles, dia a dia, os que iam sendo salvos.
Deus acrescentava dia a dia, porque aos poucos eles iam sendo integrados neste estilo de vida contagiante da igreja de Jerusalém. Estes que iam sendo salvos se tornavam em testemunhas para os outros que estavam na igreja, e viviam de maneira prática os princípios da Palavra de Deus que encantava as pessoas.
Eles não ficavam preocupados se eles iam ser rejeitados, se iam ouvi-los, se iam ser contestados ou não. Mas ninguém contesta a honra e o temor a Deus, o respeito às pessoas, como eles acertávamos problemas que tinham entre eles. As pessoas que chegam até nós, estão interessadas em como vivemos, e menos interessadas nos argumentos que temos para convencê-las a seguir a Cristo.
A maneira mais atuante e impactante de evangelizar não se concentra na metodologia que desenvolvemos, mas o nível de unidade e comunhão, de vida prática de amor e serviço. Isto é que faz realmente a diferença. O que impressiona é o estilo de vida de relacionamento que evangeliza, e não o método que evangeliza.
De que nos adianta sermos exímios evangelistas, cheio de técnicas e estratégias, mas o testemunho da vida, o estilo de vida nega a prática evangelística: grosseria em casa, problemas com a mulher e os filhos, falta de acerto, tristeza, etc.
Sabe como fechamos as portas de saída da igreja? Não é o sistema perfeito de retenção de frutos, de novos convertidos! Mas é o cuidado pessoal com cada nova ovelha.
Jamais o impacto do amor pode ser substituído por qualquer sistema ou método de evangelização.
Jamais o impacto do amor pode ser substituído por qualquer sistema ou método de evangelização.
O que as pessoas precisam saber e conhecer é o nosso estilo de vida de amor. Não significa que desprezamos os métodos de evangelismo. Mas prefiro andar no meu passo, talvez mais lento, mas prefiro andar lento e chegar, a correr e quebrar a perna pelo caminho.
Abra as portas da sua casa. Em vez de somente procurar ir à casa das pessoas, em São Paulo, onde o medo da violência é constante, convide as pessoas para ir à sua casa. Leve-as à sua casa, para tomar um café com você. Todos nós temos contato com pessoas não cristãs. Mesmo sendo cristãos há muito tempo, todos nós temos um ponto de contato com pessoas diariamente que não conhecem a Deus.
Não podemos nos ater somente ao legalismo da letra. O Espírito é quem vivifica esta letra, aplicando-a de maneira prática para produzir o resultado desejado. (Exemplo pessoal do pastor de como ele está organizando seu grupo em Atibaia, fazendo contatos com as pessoas, estabelecendo relacionamentos, mesmo durante a caminhada que faz).
O que nos falta mesmo é AMOR PELO PERDIDO, e não mais técnicas de evangelismo e relacionamento. De que adiantam as técnicas para abordar pessoas sem o AMOR POR ELAS. As pessoas querem ver Cristo em nós, e não somente ouvir de nós sobre Cristo.
O problema é que queremos antes as técnicas do que a vida. Queremos que tudo esteja formado e estruturado, e depois a vida. Mas na verdade primeiro o óvulo e espermatozóide se juntam, sem forma, mas ali já existe vida.
Os contatos vão surgindo. Quem não tem vizinhos? Faça um bolinho, e leve para eles. Se não sabe fazer bolo, compre na padaria. Ou então um vidro de compota, ou doce de abóbora. O problema todo é que não estamos dispostos a desenvolver relacionamentos, a sermos amigos das pessoas, a gastar o nosso tempo com elas.
A metodologia mais eficaz ainda é o amor. Temos que ter em mente, contudo, alguns segredos e dicas:
· Se ele rejeita você, ame-o, mas não o rejeite também.
· Se ele contesta os seus argumentos, não conteste você a ele, ame-o.
· Não condene as pessoas por suas práticas não cristãs que você não aceita ou não pratica mais.
· Fale sempre do amor de Deus. Demonstre o amor de Deus de forma prática. Não entre em discussões religiosas, de coisas que podem e não podem.
· Nunca se coloque acima da pessoa. Fale “nós somos pecadores não é mesmo”? E você gostaria de ficar livre do poder do pecado. Eu experimentei isso em Jesus, sabe como? E então podemos contar resumidamente nosso testemunho.
· O argumento do amor jamais será contestado!
(Exemplo da senhora que estava usando uma fitinha do Senhor do Bonfim. Ela usa porque alguém a amou, se lembrou dela e trouxe a fitinha. Quando alguém cristão a amar também, e se interessar por ela, ela vai tirar a fita do bomfim e receber deste cristão a Jesus e todas as demais coisas.)
Desfruto do companheirismo da pessoa mais importante de minha vida, que me diz: “se ninguém estiver com você, saiba que eu estarei sempre com você”. Esta pessoa é minha esposa. Não poderia estar a frente de uma igreja deste tamanho, sem o apoio, a oração, a intercessão e o companheirismo de minha esposa. E você, esposa, tem apoiado o seu marido? Ou você pensa que o ministério é somente dele?
Conselho prático: nunca comecem nada fora do horário. Se dermos um mau testemunho de algo pequeno, como começar no horário, não poderemos ser fiéis nas coisas grandes. Quando chegamos atrasado num compromisso, estamos dizendo que as outras pessoas não são importantes para nós.
Método de evangelismo: um estilo de vida de amor, edificação e serviço.
Pr. Carlos Alberto Q. Bezerra Comunidade da Graça
VOCAÇÃO UNIVERSAL DA IGREJA – O Legado de Abraão+
VOCAÇÃO UNIVERSAL DA IGREJA – “CHAMADOS PARA FORA”
Por Bispo José Ildo Swartele de Mello Certa vez, alguém me fez a seguinte pergunta: "Por que foi que Deus escolheu um povo em detrimento dos demais?" Respondi dizendo que Deus ao escolher Israel, não o fez em detrimento, mas, sim, em favor de todas as demais nações da terra. As raízes da formação do povo hebreu são descentralizadoras e missionárias, pois nasceu recebendo o apelo missionário de beneficiar a todos os demais povos com a mesma bênção com que foi contemplado por Deus. Abraão foi abençoado por Deus para se tornar uma bênção para todas as demais famílias da Terra (Gn 12.3). Ele não deveria represar a bênção em si mesmo ou em sua própria família. Deus é criador de todos, ama a todos e oferece graça e bênçãos a todos os povos, línguas e nações.
O livro de Gênesis mostra isto com clareza. Observasse o seguinte padrão nas narrativas registradas nos onze primeiros capítulos de Gênesis. Cada uma das quatro narrativas principais (1) Queda de Adão e Eva, 2) Crime de Caim, 3) Dilúvio e 4) Babel) possuem estes quatro elementos essenciais:
Descrição do pecado, Discurso de Deus, Castigo e Manifestação da Graça.
Este padrão está bem explícito nas três primeiras narrativas. No entanto, no episódio de Babel, vemos a descrição do pecado, ouvimos o discurso de Deus e também percebemos o consequente castigo que culminou em distanciamento, estranhamento e inimizades entre as nações, mas, onde está o quarto elemento? Onde está a Graça de Deus? Cadê a cura para as nações? O autor de Gênesis parece mesmo estar despertando a nossa curiosidade e atenção para este importante aspecto. Não é à toa que a narrativa de Babel termine com uma lista genealógica que desemboca no personagem Abraão. Aí está a manifestação da graça divina em favor das nações! O chamado de Abraão é um chamado missionário que visa o bem-estar e a salvação de todos os povos: "Em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gn 12.3)! Com Abraão se inaugura a história da salvação. Até então, o que parecia prevalecer era o pecado e a maldade humana como vistos nos episódios da Queda, de Caim, do Dilúvio e de Babel, trazendo muita maldição (3.14,17; 4.11; 5.29; 8.21; 9.25). Mas, agora, com Abraão, esboça-se um período de bênção, graça e redenção. Curioso notar que, em Gênesis, a história da desgraça humana culmina com o episódio da “Torre de Babel”, e que, de Babel, Deus chama Abraão para dar início a história da salvação!
E é também interessante o contraste que podemos estabelecer entre Babel e Abraão:
Em Babel, homens pretendem alcançar os céus, de baixo para cima, por méritos próprios, enquanto que, no chamado de Abraão, é Deus quem desce até ele; Em Babel, temos a soberba daqueles que pretendem dominar o mundo através de seu poder e conhecimento tecnológico (11.3), enquanto que, Abraão, em sua fraqueza, ousa acreditar na promessa que seria pai; Enquanto os homens de Babel estão dizendo: "tornemos célebre o nosso nome" (11.4), no episódio de Abraão, é Deus que lhe fala: "te engrandecerei o nome" (12.2); e, por fim, enquanto a Torre de Babel divide as nações, Deus chama a Abraão para formar uma nação cuja missão principal é tornar-se um canal de bênção para todas as demais nações (12.3)
O restante do livro de Gênesis relata como isto começa a se cumprir através de Abraão e sua descendência.
Abraão é descrito abençoando Ló, que formará uma nação, e também libertando cinco cidades das mãos de seus opressores (Gn 13, 14).
Não podemos esquecer de que Abraão intercedeu em favor de Sodoma e Gomorra (Gn 18); E, Deus diz o seguinte a Abimeleque a respeito de Abraão: “ele é profeta e intercederá por ti, e viverás” (20.7); E Labão confessa a Jacó: “tenho experimentado que o Senhor me abençoou por amor de ti” (30.27); E bem sabemos que os últimos capítulos de Gênesis são destinados a contar a história de José que se tornou grande e poderoso a ponto de abençoar o Egito e muitas outras nações vizinhas.
Eis aí a grande vocação do povo de Deus. Mas, não podemos nos esquecer de que tal privilégio traz consigo uma enorme responsabilidade, quando Israel deixa de ser bênção, Deus denuncia: “foste maldição entre as nações” (Zc 8.13; Jr 4.4). As Escrituras do Antigo e Novo Testamentos revelam que os descendentes de Abraão, de um modo geral, acabaram negligenciando a sua missão. Mas, Deus sempre cumpre as suas promessas. Já nos primórdios, Deus havia prometido a Adão e a Eva que nasceria um homem que pisaria a cabeça da serpente. Isto tem a ver com a promessa de que em Abraão haveria benção para todas as famílias da terra, pois o Cristo é um descendente de Abraão e nasceu para desfazer as obras de Satanás e para iluminar o mundo inteiro. Israel, de um modo geral, não reconheceu a Jesus como o Messias prometido (Jo 1.10-12); Então, os gentios recebem o Cristo e são enxertados na Oliveira (Rm 11.17-24). Repare que não existem duas oliveiras mais somente uma. Jesus disse: “Eu sou a videira verdadeira”. Sabemos que tanto videira, como oliveira são símbolos de Israel. Jesus está afirmando ser o Israel verdadeiro. Por esta razão Paulo diz aos gentios cristãos: “naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. Mas agora em Cristo Jesus, vós que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um, e tendo derrubado a parede de separação que estava no meio, a inimizade… para que dos dois criasse em si mesmo um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo… Assim já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois família de Deus… os gentios são co-herdeiros, membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho.” (Ef 2.12-3.6). “Dessarte, não pode haver judeu nem grego… porque todos vós sois um em Cristo. E se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão, e herdeiros segundo a promessa.” (Gl 3.28-29). Por tudo isto Paulo pode declarar ousadamente: “Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão… Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente que é Cristo” (Gl 3.7, 16. Ver também Rm 4.10-18). Jesus é “a pedra principal”, os que estiverem firmes nesta pedra, quer judeus, quer gentios, pois “Deus não faz acepção de pessoas” (Rm 2.11), é que, agora são chamados de “raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus…” (1 Pe 2.4-10). Interessante notar que, neste trecho, Pedro está citando uma promessa de Deus dirigida ao povo de Israel, registrada em Êxodo 19.5-6: “… então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos… vós me sereis reino e sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel”. Pedro estava convicto de que era através da Igreja que tal profecia havia tido o seu cumprimento, e por isso ousou dirigir tais palavras à Igreja. “Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus.”(Rm 2.28-29). Não é à toa que Jesus escolhe o número de 12 apóstolos, fazendo alusão as doze tribos de Israel; bem como o Céu é descrito em termos de “Nova Jerusalém”, bem apropriado para o Novo Israel de Deus. Jesus Cristo é o “sim” e o “amém” pronunciado sobre cada uma das promessas de Deus registradas no Antigo Testamento: “Porque quantas são as promessas de Deus tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para a glória de Deus.” Jesus é o Messias prometido; e, verdadeiro israelita é aquele que possui o Messias. A esperança do povo judeu é crer no Messias, ingressando na Sua Igreja. Quando Israel rejeitou o Messias foi cortado fora da “Oliveira” e os gentios foram enxertados nesta mesma árvore. Não existem, portanto, duas árvores; não existem, portanto, dois povos de Deus. O que não quer dizer que Deus tenha se esquecido e abandonado Israel. A esperança e promessa em relação a Israel é de que venha ser enxertado de volta na mesma árvore, onde agora estão os gentios.
A Igreja é este “mistério de Deus” (Ef 5.32), que engloba todos os povos, formando um “só corpo”, com “um só Senhor” (Ef 4.4 e 5). Percebemos nitidamente o elemento de continuidade no que diz respeito a missão de Israel (Gn 12.3) e a missão da Igreja: “Ide, fazei discípulos de todas as nações” (Mt 28.18-20), “E ser-me-eis testemunhas em Jerusalém, Judéia, Samaria e até nos confins da terra” (At 1.8).
Quando a promessa do Espírito foi derramada sobre a Igreja no dia de Pentecostes, um fenômeno extraordinário envolvendo línguas e nações aconteceu com efeito reverso aquele de Babel! Enquanto em Babel tivemos a confusão das línguas e a divisão das nações, em Pentecostes, através da Igreja, temos uma língua compreendida por todos os povos, promovendo conversões e a unidade dos povos debaixo do senhorio do descendente de Abraão que de fato é Filho de Deus e o legítimo Rei de Todas as Nações! Apocalipse usa a palavra “nação” ou "nações" mais de 20 vezes. Redimidos de todas as nações adoraram ao Senhor (5.9; 7.9) com o cântico “Rei das nações” (Ap 15.3,4). “É necessário que o Evangelho seja primeiramente pregado para todas as nações, só então virá o fim” (Mt 24.14). Nós apressamos o retorno de Jesus através do cumprindo nossa missão (At 1.8; Mt 28.19,20, 2 Pe 3)
Vimos, portanto, que desde os tempos do Antigo Testamento, observasse a grande preocupação de Deus com todos os povos. E o mesmo que nos disse: “vinde a mim”, também nos disse: “ide por todo mundo”. Jesus orou ao Pai para que não fossemos tirados do mundo, pois ele tem um plano para nós aqui, uma grande missão. Não devemos ser crentes de arquibancada, nos portando como meros espectadores dos eventos históricos e escatológicos, pois não foi para isto que fomos chamados. Devemos assumir o nosso papel na história, devemos atuar como protagonistas, precisamos entrar em campo, e pelo auxílio do Espírito Santo, contribuir para a concretização dos propósitos de Deus (Mt 5.14-16).
Banda Aos Romanos se apresentando no 75o. Aniversário da Metodista de Vila Mariana
João 3.16–19 — O coração missionário de Deus+
Introdução
Quando pensamos em missão, quase sempre pensamos na igreja: o que fazer, para onde ir, como agir. Mas
João 3.16–17
coloca tudo no lugar certo: missão não começa com a igreja; missão começa com Deus (Jo 3.16–17).
Antes de haver enviados, houve um Deus que amou.
Antes de haver evangelização, houve um Filho que foi dado.
Antes de nossas orações missionárias, houve um coração divino pulsando em direção ao mundo (Jo 3.16–17).
Por isso, antes de falarmos sobre “ir”, precisamos contemplar o coração missionário de Deus.
1) A fonte e a origem da missão: “Deus”
(Jo 3.16)
A missão nasce do próprio Deus: Ele é quem toma a iniciativa.
Deus foi ao encontro do ser humano caído, que se escondeu após pecar (Gn 3.9).
Deus chamou Abraão para que, por meio dele, todas as famílias da terra fossem abençoadas (Gn 12.1–3).
Deus perseguiu Jonas com sua graça e o enviou para que Nínive fosse alcançada (Jn 1.1–2; 3.1–3; 4.11).
Missão, portanto, não é um projeto humano tentando chegar a Deus. É Deus indo ao encontro do mundo.
2) A motivação da missão: “amor”
(Jo 3.16)
O motor da missão não é culpa, nem pressão, nem estratégia religiosa. É amor.
“Deus prova o seu amor” ao entregar Cristo por nós quando ainda éramos pecadores (Rm 5.8).
Nós amamos porque Ele nos amou primeiro (1Jo 4.19).
Quando a igreja perde essa motivação, missão vira ativismo. Quando o amor governa, missão vira testemunho vivo e espontâneo.
3) A medida do amor: “de tal maneira”
(Jo 3.16)
O texto não diz que Deus amou “de qualquer maneira”, mas “de tal maneira”: amor com peso, com profundidade, com entrega. Amor sacrificial.
E isso nos ensina: a missão não é movida por conveniência; é movida por consagração.
4) O alvo e o alcance da missão: “o mundo”
(Jo 3.16–17)
O alvo do amor de Deus é o mundo — a humanidade caída, sem distinção de raça, cultura, classe ou nação (Jo 3.16–17).
O Novo Testamento reforça esse alcance:
Cristo é “propiciação” não somente pelos nossos pecados, mas pelos do “mundo inteiro”
(1Jo 2.2).
Jesus é o “Cordeiro de Deus” que tira o pecado do mundo (Jo 1.29).
A graça de Deus “se manifestou salvadora a todos”
(Tt 2.11).
Deus “ordena” que todos, em todo lugar, se arrependam (At 17.30).
Cristo é a “luz” que, vindo ao mundo, ilumina todo ser humano (Jo 1.9).
Deus não se afastou do mundo por causa do pecado; Ele se aproximou do mundo por causa do amor (Jo 3.16–17). E a igreja não pode escolher amar só “os nossos”.
5) O custo da missão: “deu o seu Filho”
(Jo 3.16)
Deus não enviou um anjo, nem uma carta. Deus deu o Filho.
O amor de Deus não ficou no campo do sentimento; tornou-se envio e sacrifício (Jo 3.16–17). Amar, nas Escrituras, é agir.
Esse “dar” envolve: encarnação (Jo 1.14), humilhação e obediência até a cruz (Fp 2.6–8), pobreza voluntária por amor (2Co 8.9).
E isso nos confronta:
Deus não enviou o que sobrava. Deus enviou o que tinha de melhor (Jo 3.16).
Aqui cabe uma pergunta pastoral e direta: quantos pais cristãos, de fato, desejam que seus filhos sirvam no centro da vontade de Deus — inclusive na obra missionária? Às vezes celebramos missão no discurso, mas hesitamos quando a missão nos custa pessoas, tempo, conforto e recursos.
Lembro daquela história do fazendeiro que resolveu ofertar ao Senhor o porquinho mais mirradinho — o “tiguera”. Só que o tempo passou, o tiguera cresceu, ficou gordo… e o coração do fazendeiro mudou. Ele já não queria ofertar o melhor.
Que o Senhor nos livre desse espírito mesquinho: uma consagração que promete muito quando o custo parece pequeno, mas recua quando percebe o valor do que será entregue. Missão não é lugar de resto; missão é lugar de primícias (cf. Pv 3.9).
6) O modelo da missão: “enviou”
(Jo 3.17)
Missão é movimento: sair, aproximar-se, cruzar barreiras. E Jesus viveu isso de modo encarnado:
Ele tocou o impuro e restaurou o excluído (Mc 1.40–42).
Ele sentou-se à mesa com pessoas desprezadas e as chamou ao arrependimento (Lc 5.29–32).
Ele entrou em casas, alcançou famílias, transformou histórias (Lc 19.1–10).
Ele chorou com os que choram (Jo 11.33–35).
Ele não nos amou de longe. Ele se identificou conosco e entrou na nossa história (Jo 1.14).
E então vem a transição decisiva: o Filho enviado faz discípulos e, aos discípulos, entrega a mesma incumbência:
“Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês.”
(Jo 20.21)
Portanto, missão não é atividade opcional; é vocação. Não é departamento; é identidade. Não é propaganda; é testemunho de vida, palavra e amor (cf. Mt 28.18–20; At 1.8).
7) A condição e o anúncio: “todo o que nele crê”
(Jo 3.16,18)
A missão anuncia um dom que se recebe pela fé — não por mérito (Ef 2.8–9).
E isso define o tom da igreja: nós não vendemos salvação; nós proclamamos o Cristo que salva.
8) A intenção do envio: não condenar, mas salvar (Jo 3.17)
O texto é cristalino: o propósito do Filho é salvar (Jo 3.17). A missão da igreja, portanto, não é anunciar condenação como se esse fosse o centro da mensagem. A condenação é fruto do pecado; a missão de Cristo é oferecer vida (Jo 3.16–17).
Isso molda profundamente o estilo da nossa missão: não arrogante, não agressivo, não condenatório, mas redentor, compassivo e esperançoso (cf. Jo 3.17; 2Co 5.18–20).
👉 A igreja existe não para julgar o mundo, mas para testemunhar ao mundo o amor salvador de Deus (Jo 3.16–17).
9) O juízo e a decisão diante da luz (Jo 3.18–19)
Há seriedade no texto:
“Quem não crê já está condenado”
(Jo 3.18).
“A luz veio ao mundo… mas os homens amaram mais as trevas”
(Jo 3.19).
Evangelizar é conduzir pessoas ao ponto de decisão: vir para a luz ou permanecer nas trevas (Jo 3.19–21). A resposta à luz revela o coração e define o destino eterno.
Aplicações práticas O que Jo 3.16–19 exige de nós hoje?
Voltar ao coração de Deus: amor que busca, amor que se doa, amor que salva (Jo 3.16–17; Rm 5.8).
Oferecer a Deus o melhor: recursos, dons, tempo, agenda e disposição (cf. Pv 3.9; 2Co 9.6–8).
Seguir o modelo de Jesus: proximidade, compaixão, verdade e fidelidade até o fim (Jo 1.14; Mc 1.40–42; Jo 11.35).
Assumir que missão é responsabilidade de toda a igreja: todo discípulo enviado (Jo 20.21; Mt 28.18–20; At 1.8).
E, acima de tudo, caminhar com esta convicção:
Deus amou — Deus deu — para que todo o que crê viva (Jo 3.16). Se Deus fez isso por nós, como tratar missão como algo secundário?
Igreja missionária é igreja que entende que amar custa: tempo, recursos, reputação e conforto (cf. Lc 9.23–24).
Apelo Deixe-me perguntar, com mansidão e sinceridade:
O seu coração está em sintonia com o coração de Deus (Jo 3.16)
?
Seu amor tem se traduzido em ações concretas em favor da humanidade caída (1Jo 3.16–18)
?
Você tem se movido na direção dos perdidos: em oração, em testemunho, em convite, em generosidade (Cl 4.2–6; Mt 5.14–16; 2Co 9.6–8)
?
Se Deus amou e enviou, nós não podemos amar e ficar parados (Jo 3.16–17; Jo 20.21).
Conclusão
João 3.16–19
nos mostra que: o amor de Deus é a fonte da missão (Jo 3.16; Rm 5.8); o envio do Filho é o modelo da missão (Jo 3.17; Jo 20.21); a salvação é o propósito da missão (Jo 3.16–17); a resposta à luz revela o coração e aponta o destino (Jo 3.18–19).
A pergunta final não é se Deus ama o mundo — Ele já deixou isso claro (Jo 3.16).
A pergunta é: nós refletiremos esse amor?
Que Deus nos desperte para uma fé que ama, uma igreja que vai e uma missão que glorifica a Cristo, para que o mundo não apenas ouça — mas veja — o amor de Deus em ação (Mt 5.14–16).
Oração final Pai, que não sejamos apenas receptores do teu amor, mas canais. Reacende em nós o teu coração missionário. Dá-nos coragem para oferecer o melhor, graça para amar com verdade e compaixão, e fidelidade para viver como enviados de Cristo. Em nome de Jesus, amém.
(Jo 20.21)
Boas Obras para edificação do Reino+
Missão da Igreja e as boas obras para edificação do Reino A Igreja é um agente de transformação da vida humana em todas as suas dimensões. A evangelização deve se dar no contexto do cotidiano, de serviço e na relação social com o povo. A Igreja deve estar presente na comunidade para viver o Evangelho, realizando ações que sinalizem o Reino. O Evangelho deve estar encarnado no viver diário da Igreja e de cada crente.
No entanto, desde o período da Reforma, para enfatizar a verdade de que a salvação se dá somente pela fé, a Igreja, no geral, acabou evitando o tema das boas obras, considerando que isto é coisa de católicos ou espíritas que crêem que a salvação é pelas obras. Mas, a Bíblia ensina muito sobre a importância das boas obras. Paulo, em Ef 2.8-10, ensina o verdadeiro lugar e papel das boas obras, dizendo que a salvação não é pelas obras, mas para as obras. Salvos pela fé, fomos criados em Cristo Jesus para as boas obras. As boas obras não são optativas, pois são o propósito mesmo de nossa criação. E Paulo diz que o propósito da redenção é produzir um povo zeloso de boas obras: “o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras” (Tt 2.14).
A Bíblia não ensina apenas de uma justiça que nos é imputada (Rm 4.11), mas fala também da necessidade da conversão dos desobedientes à prudência dos justos (Lc 1.17), e, como exortou Paulo, “oferecei, agora, os vossos membros para servirem à justiça para a santificação” (Rm 6.19). Diz também que os cristãos devem viver de modo digno do Evangelho (Fp 1.27). Uma vez que fomos feitos dignos pela graça, devemos nos tornar dignos (2 Ts 1.5, Lc 3.8). Do mesmo modo, não é ensinado apenas uma santidade posicional, mas também uma santidade vivencial (1 Pe 1.16; 1 Jo 3.10), como também ensina Paulo, quando diz: “Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna” (Rm 6.22). Paulo está também mostrando que existe uma relação entre a santificação e a vida eterna. O autor de Hebreus estabelece esta relação de modo ainda mais contundente na exortação: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição” (1 Ts 4.3). Tornar-se filho de Deus implica também em se tornar co-participante da natureza divina (2 Pe 1.4). Devemos, portanto, ser imitadores de Deus como filhos amados que somos (Ef 5.1). A questão obras é tão séria a ponto de estar em evidência no dia do Juízo “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2 Co 5.10). Jesus deixa claro que as obras estarão revelando quem é quem no dia do Juízo Final (Mt 25.31-46). Pois pelos frutos são conhecidos os verdadeiros cristãos (Mt 7.16), tanto que, no dia do juízo final, muitos dos que se dizem cristãos ouvirão para sua perdição: “Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade” (Mt 7.23). Toda árvore que não produzir bom fruto será cortada e lançada no fogo (Mt 7.19), assim como também será cortado e lançado fora, o ramo, que estando na Videira Verdadeira, não der o respectivo fruto (Jo 15.2). “Ora, se invocais como Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um, portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação” (1 Pe 1.17).
Jesus disse que as boas obras são o modo pelo qual a Igreja cumpre a sua missão de ser luz do mundo (Mt 5.16). Jesus disse ser a luz do mundo, e aqui está dizendo que os discípulos também devem ser luz do mundo através da prática de boas obras, que devem ser feitas publicamente, pois a luz não foi feita para ser colocada debaixo da cama, mas, sim, para ser posta num lugar em que possa iluminar a todos. Agora, como conciliar isto com texto que diz que o que nossa mão direita fizer, a esquerda não deve ficar sabendo? Simples, pois o ensino de Jesus, em Mateus 6.4ss diz respeito à discrição que deve acompanhar à prática de boas ações e outras práticas religiosas com o intuito de evitar a exaltação pessoal, pois as boas obras devem ser feitas para a glória de Deus e não para a nossa. Se houver tentação de obter dividendos do reconhecimento público, as boas ações devem se manter ocultas, mas, devemos vencer a tentação através da crucificação de nosso ego, com intuito de podermos realizar boas obras publicamente para que o nome do Senhor seja glorificado. João afirma que os filhos de Deus são manifestos através das boas obras de justiça (1 Jo 3.10). A fé sozinha é morta (Tg 2.26), portanto como disse Paulo, o que importa é a fé que atua pelo amor (Gl 5.6).
O tema da adoração e louvor está muito em voga hoje em dia no meio evangélico. Mas, a adoração a Deus não pode ser reduzida ao culto ou as expressões religiosas do canto, da dança e da oração. A adoração a Deus é uma questão que envolve todas as esferas da vida cristã. É uma questão de atitude cotidiana, tanto diante dos corriqueiros como também diante dos grandes desafios da vida, tanto só, quanto diante dos familiares, vizinhos, colegas de escola e de trabalho. Adoramos ainda melhor quando, através de nossas boas obras, contribuímos para que outros venham a glorificar o nome de Deus. O capítulo 58 de Isaías mostra como Deus estava insatisfeito com o jejum dos que se diziam seu povo, pois o que era para ser a expressão máxima de sua devoção religiosa, estava dissociada das boas ações e da caridade na vivência diária. Tal desarmonia entre culto e vida diária revela hipocrisia, que, em vez, de produzir bênção, traz juízo. Como Marcos Adoniram Monteiro bem adverte: “A liturgia é a celebração da vida da Igreja. Hoje em dia, porém, ela se tornou a própria vida da Igreja… quando ‘Deus’, ‘comunhão’, ‘missão’, ‘amor’ tornam-se meras palavras, símbolos ou canções, o culto deixa de existir de fato, tornando-se peça teatral de boa ou má qualidade”. i O Jejum, a adoração e as expressões religiosas que agradam a Deus que trazem bênção são aquelas acompanhadas de boas obras como vemos em Isaías 58.6-11: “Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo? Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante? Então, romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença, a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do Senhor será a tua retaguarda; então, clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás por socorro, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o dedo que ameaça, o falar injurioso; se abrires a tua alma ao faminto e fartares a alma aflita, então, a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia. O Senhor te guiará continuamente, fartará a tua alma até em lugares áridos e fortificará os teus ossos; serás como um jardim regado e como um manancial cujas águas jamais faltam”. A Igreja cumpre a sua missão pregando e vivendo e celebrando o Evangelho do Reino. ii Veremos, ao estudarmos um pouco da vida e do ministério de João Wesley, um bom exemplo de uma boa teologia que reconhece o devido papel das boas obras para o cumprimento da Missão Integral da Igreja que tem a ver com o conceito do Reino de Deus aqui na terra na era presente. i STEUERNAGEL, Valdir R. (organizador). A Missão Da Igreja – Belo Horizonte, Mg – Missão Editora. P. 175. ii Bonino, Jose Miguez: “Rostos do Protestantismo Latino-americano” (São Leopoldo: Sinodal, 2002, P. 100.
Seja um Evangelista — Missão, Fundamentos e Prática+
Por Bispo Ildo Mello 1) Jesus: o maior evangelista e nosso modelo Quem foi o maior evangelista de todos os tempos? Jesus. Ele mesmo declarou: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me para proclamar libertação aos cativos, restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos” (Lc 4.18).
Antes de subir aos céus, disse aos seus discípulos: “Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês” (Jo 20.21). E então ordenou: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estarei com vocês todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt 28.18–20).
Evangelizar, portanto, não é uma ideia humana: é a extensão da missão de Cristo no mundo, realizada através da Igreja.
2) O que é evangelizar?
Evangelizar é anunciar as boas-novas — a mensagem de que Deus oferece perdão, reconciliação e vida eterna por meio da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo (1Co 15.1–4; Jo 3.16).
Evangelizar é chamar pessoas ao arrependimento e à fé: “Deus manda que todos, em todos os lugares, se arrependam” (At 17.30; Mc 1.15; At 2.38).
Evangelizar é cooperar com o Espírito Santo, que convence o ser humano do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8). Nós falamos — Ele convence (At 1.8).
3) Minhas primeiras experiências de evangelismo Quando tive meu despertamento espiritual, aos 16 anos, senti fortemente no coração o desejo de compartilhar a fé com meus amigos. Comecei a orar todos os dias por colegas de escola e do bairro.
Nos acampamentos da igreja, comecei a convidá-los: no primeiro, levei quatro ou cinco amigos; no segundo, vinte. Muitos deles se converteram ali mesmo, impactados pela Palavra e pelo convívio cristão.
No último ano do colegial, reuni meus colegas cristãos — de diferentes denominações — e li com eles: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16).
Propus que evangelizássemos a escola juntos, no intervalo das aulas. Quando sugeri que alguém pregasse, ninguém se apresentou — foi como na cena dos Três Patetas: todos deram um passo atrás. Então criamos uma escala de testemunho, até para quem havia se convertido havia apenas um mês!
Cantávamos louvores no pátio, compartilhávamos mensagens e testemunhos, e logo uma multidão de estudantes nos cercava. Dessa iniciativa, surgiram seis pastores. Ver isso acontecer me ensinou uma verdade simples e poderosa: Deus usa pessoas comuns, quando se dispõem.
4) Por que evangelizar? (quatro fundamentos inegociáveis)
Necessidade universal — Todos pecaram e estão separados de Deus (Rm 3.23; Is 59.2).
Só Cristo salva — “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6; At 4.12).
Urgência existencial — “Está ordenado aos homens morrerem uma só vez, vindo depois disso o juízo” (Hb 9.27; 2Co 6.2).
Obediência amorosa — Se amamos a Cristo, obedecemos seus mandamentos (Jo 14.15; Mt 28.18–20).
5) Evangelismo no cotidiano — exemplos reais Mais tarde, no ambiente de trabalho, experimentei como o testemunho silencioso e coerente também evangeliza. Lembro-me de dois colegas que, no início, não sabiam absolutamente nada sobre o que significava ser evangélico. Quando descobriram que eu era seminarista, ficaram curiosos. Não aceitei discussões forçadas, mas vivi de modo íntegro.
Um deles, após um ano e meio, enfrentou uma crise pessoal profunda e, humildemente, se aproximou pedindo oração. Aquilo me marcou: percebi que o bom testemunho abre portas que palavras sozinhas não abririam (Mt 5.16; 1Pe 3.15).
6) O que fundamenta nossa proclamação (argumentos fortes)
6.1 Base bíblica sólida Grande Comissão — O imperativo central é “fazei discípulos”; “indo, batizando e ensinando” são os meios para cumpri-lo (Mt 28.18–20).
Valor humano — Cada pessoa foi criada à imagem de Deus (Gn 1.26–27). Evangelizar é amar o próximo.
Amor que constrange — “O amor de Cristo nos constrange” (2Co 5.14–15).
Palavra da reconciliação — “Deus nos confiou a palavra da reconciliação” (2Co 5.18–20).
6.2 Evidências centrais do Evangelho Ressurreição de Cristo como fato histórico (1Co 15.3–8; Mt 28.6).
Transformação de vidas na Igreja Primitiva (At 2.42–47).
A mensagem cristã responde à culpa, ao poder do pecado e ao sentido da vida (Rm 5.1; Rm 6.11–14; Rm 8.18–25).
7) Um alerta — como não evangelizar Certa vez, dentro de um ônibus, presenciei uma cena triste: uma senhora gritava versículos para um rapaz que não queria ouvi-la. Irritada, ela o acusava e condenava em voz alta. No final, brigou com cobrador, motorista e passageiros, saiu gritando “vocês vão para o inferno”.
A cena causou escárnio, e ninguém ouviu a mensagem. Aquilo me ensinou algo importante: evangelizar não é agredir nem impor, mas conquistar corações com graça, mansidão e respeito (1Pe 3.15–16).
8) Perseverança no lar — o caso do meu irmão Silvio Durante anos, compartilhei o Evangelho com meu irmão Silvio. Ele sempre dizia que iria à igreja, mas adiava semana após semana. Eu não desisti. Chegou o Domingo de Páscoa de 1986 — eu era o pregador do culto. Fui buscá-lo em casa e disse: “Se você não for, eu também não irei”.
Dessa vez, ele foi. Naquela noite, ele entregou sua vida a Jesus. Pouco tempo depois, foi batizado. Evangelizar é também amar com perseverança aqueles que estão mais próximos de nós (At 16.31).
9) O exemplo do Eli Orsi Havia um irmão chamado Eli Orsi — um dos maiores evangelistas que conheci. Todas as manhãs, orava: “Senhor, a quem devo falar hoje? Coloca as pessoas certas no meu caminho”.
Ele evangelizava no mercadinho, na padaria, nas ruas. Tinha até um ministério com gestantes: orava por grávidas e entregava folhetos, dizendo que Jesus cuidaria delas e de seus bebês. A evangelização era seu estilo de vida — não um evento isolado.
10) Respondendo a objeções comuns “Evangelizar é impor.” → Não, é propor com amor (2Tm 2.24–25; 1Pe 3.15).
“Todas as religiões levam a Deus.” → Jesus é o único caminho (Jo 14.6; At 4.12).
“Sou pecador demais.” → Cristo veio para pecadores (Mc 2.17; Rm 5.20).
“Não sei falar.” → O Espírito ajuda; comece com seu testemunho (Mt 10.19–20; At 22.3–21).
11) Caminhos práticos para evangelizar Ore nomes — Liste pessoas e ore diariamente por elas (Cl 4.2–4).
Sirva necessidades — Amor abre corações (Gl 6.10; Mt 5.16).
Convide com sabedoria — “Vem e vê” (Jo 1.46).
Conecte-se com a cultura — Como Jesus com a samaritana (Jo 4.7–14).
Use suas redes — Deus age através de lares e relacionamentos (At 16.31–34; At 10.24, 44–48).
12) Alegria da colheita “Há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc 15.10).
Ver amigos, familiares ou colegas sendo alcançados por Cristo é uma alegria que transforma nossa fé. Eu vi isso no colégio, no bairro, no trabalho e na minha família.
Alguns semeiam, outros regam, mas Deus dá o crescimento (1Co 3.6–7).
13) Conclusão Evangelizar é obedecer a Cristo e cooperar com o Espírito Santo. É amar pessoas reais, com histórias reais — assim como alguém um dia amou e anunciou Cristo a você.
“Como são belos os pés dos que anunciam boas-novas!” (Rm 10.15; Is 52.7).
“Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz” (Ef 6.15).
“Recebereis poder… e sereis minhas testemunhas” (At 1.8).
👉 Seja um evangelista: na sua casa, na escola, no trabalho, no bairro e onde Deus o enviar.
👉 Você não precisa ser eloquente — precisa estar disponível.
📜 Referências Bíblicas Lc 4.18; Jo 20.21; Mt 28.18–20; 1Co 15.1–4; Jo 3.16; At 17.30; Mc 1.15; At 2.38; Jo 16.8; At 1.8; Rm 1.16; Rm 3.23; Is 59.2; Jo 14.6; At 4.12; Hb 9.27; 2Co 6.2; Jo 14.15; Gn 1.26–27; 2Co 5.14–15; 2Co 5.18–20; Mt 28.6; 1Co 15.3–8; At 2.42–47; Mt 5.16; 1Pe 3.15–16; Cl 4.2–4; Gl 6.10; Jo 1.46; Jo 4.7–14; At 16.31–34; At 10.24, 44–48; 2Tm 2.24–25; Mc 2.17; Rm 5.20; Mt 10.19–20; At 22.3–21; Lc 15.10; 1Co 3.6–7; Rm 10.15; Is 52.7; Ef 6.15; At 1.8.
O Espírito Santo, o Reino de Deus e a Missão da Igreja+
A relação da Grande Comissão com o Espírito de Deus é explícita. Não apenas em Atos 1 e 2, mas também vemos isto em outras passagens como, por exemplo, em João 20.19.23, onde Jesus diz “recebam o Espírito Santo” e em seguida comunica a missão. O mesmo se pode ver em Lc 24.47-49. O capítulo primeiro de Atos introduz o tema do Espírito Santo em estreita relação com tudo que vai acontecer no decorrer da história da Igreja. O Espírito Santo é a coluna vertebral de todo o Livro de Atos.
Sabemos que Lucas é o autor tanto do Evangelho de Lucas como também do Livro de Atos. Ele começa o livro de Atos dizendo: “Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar até ao dia em que, depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado às alturas” (At 1.1-2). Ao dizer “começou”, Lucas certamente quer comunicar que existe agora uma continuidade da obra de Cristo na missão da Igreja pelo poder do Espírito Santo. A intenção de Deus é de que tudo o que a Igreja venha a fazer seja a continuação da obra de Jesus e isto só é possível através da capacitação do Espírito. É uma promessa mais que um mandamento, quando vier o Espírito Santo, vocês receberão poder (At 1.8). Poder para ir as nações e poder transformador que atua na história. Missão do Espírito e da Igreja se dá nesta era que vai da primeira a Segunda Vinda de Cristo.
Ainda no capítulo primeiro de Atos, temos a questão a respeito de quando se daria a restauração do Reino da Israel. Falar em reino é também falar em poder. Observe, então, que a resposta de Jesus aponta para o fato de que eles receberiam poder por obra do Espírito Santo e que assim que se daria a manifestação do Reino de Deus, que não apenas se restringiria a nação de Israel, mas que teria um alcance muito mais amplo, envolvendo todas as nações. Pois Jesus não veio para ser apenas o Rei de Israel, mas para ser o Rei de todas as nações (Jr 10.7; Ap 15.3). Vemos o propósito universal do Reino de Deus e da missão da Igreja também no dia de Pentecostes, no fato da ação do Espírito promover a conversão de uma multidão proveniente de várias partes do mundo. Tem algo muito interessante no fato do fenômeno que se deu, a reverso de Babel, quando ali, pessoas de distintas nacionalidades, estavam podendo entender a mensagem do Evangelho cada um em sua própria língua materna. O que foi um claro sinal dos tempos, pois se em Babel, houve a confusão de línguas e a dispersão dos povos, em Pentecostes, por meio do Espírito, se dá o contrário, pessoas de distintas nações estão sendo unidas e batizadas na Igreja, formando um só povo que se submete ao senhorio do Rei das Nações (At 2.1s).
O derramamento do Espírito em Pentecoste ocorreu imediatamente após a ascensão de Cristo e é inseparável dela. Jesus foi entronizado como Senhor e Messias (At 2.36), como o Rei de todo o Universo, e é desta posição que ele enviou o seu Espírito para capacitar a sua Igreja a cumprir sua missão de fazer discípulos de todas as nações. i O Espírito Santo é a fonte da Missão da Igreja. Em Pentecostes, vemos como o Espírito conduz os discípulos para fora do cenáculo para proclamação do Evangelho. O início da evangelização dos gentios é de total iniciativa do Espírito Santo tanto no caso do Etíope (At 8.29) como no de Cornélio (At 10.19s). Os primeiros versos do capítulo 8 de Atos mostram como a grande perseguição sofrida pela Igreja em Jerusalém tornou possível a difusão do Evangelho. E, em Atos 11.19-21, temos o registro de como os discípulos alcançaram outros lugares do mundo, chegando o Evangelho até os gentios em Antioquia. E Rm 15.24-28 revela os planos de Paulo de levar o Evangelho até os confins do mundo conhecido por ele, a saber, a Espanha. Em Atos 16.6-13, vemos os discípulos são impedidos pelo Espírito a pregarem a Palavra na Ásia, e depois são conduzidos por uma visão do Espírito para a Macedônia. Vemos aí que o Espírito Santo não dava apenas poder para a missão, mas dava também a direção. Em At 13, vemos que tanto o envio para missão como também a escolha dos líderes era obra do Espírito Santo. E, em At 15, temos o registro do maior problema teológico da Igreja primitiva que foi aquele que dizia respeito ao relacionamento dos judeus com gentios. O próprio Pedro custou a entender que os gentios estavam incluídos no propósito de Deus como vimos no episódio da evangelização de Cornélio e sua família. Assim, vimos que foi o Espírito Santo quem iniciou a Missão (At 13.2), guiou a Missão (8.29, 16.9) e é quem trabalha nos corações preparando-os para a recepção do Evangelho (At 16.14; Jo 16.8). E os próprias virtudes, realizações, dons, sinais e maravilhas são todos obras do Santo Espírito de Deus na vida do crente e da Igreja (Gl 5, 1 Co 12-14, At 2), a fim de que possamos ser uma ilustração viva da realidade do Reino de Deus, que tem o Jesus como Rei, Senhor e Cabeça.
Até mesmo em coisas corriqueiras, como, por exemplo, a dificuldade administrativa na distribuição diária de alimentos para os necessitados (At 6.1s.). Como resposta a este problema, foram eleitos 7 diáconos que precisavam, para isto, possuir mais do que aptidões técnicas, necessitavam ser cheios do Espírito Santo (6.3).
Como já vimos no estudo que fizemos sobre a natureza do Reino de Deus na era presente. Jesus exerce o seu senhorio através da ação do Espírito Santo. Como Deus disse em Zacarias 4.6: “Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito”. Não é a soberania de um monarca arbitrário, mas a de um Messias ou Rei crucificado. É pelo Espírito de Deus que as pessoas recebem a revelação de que Jesus é o Senhor (1 Co 12.2), assim como foi por revelação do Espírito que Pedro foi capaz de confessar: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo” (Mt 16.16, Rm 8.16). Cristo significa o Rei Ungido de Deus, o Messias que fora prometido a Israel, que viria com a incumbência de trazer o Reino de Deus (Jo 11.27).
Existe um paralelo entre o fruto do Espírito Santo registrado em Gálatas 5 com as bem-aventuranças descritas por Jesus em seu Sermão do Monte, pois ambos são uma descrição do caráter de Cristo, que devem também modelar o caráter cristão. A maior obra do Espírito é transformar cada cristão na imagem de Cristo, para que sirvam ao propósito de refletir a glória de Deus na sociedade. O Espírito de Deus está ativo para criar uma Igreja que reflete os valores do reino. A Igreja não cumpre sua missão apenas pelo que diz, mas pelo que faz, como decorrência natural do que ela é e de sua relação com o Senhor. Pelo poder e graça do Espírito Santo a Igreja é capacitada a cumprir sua missão de ser testemunha do Rei Jesus e de ser sal da terra e luz do mundo, fermento que leveda a massa. i Padilla, René C. y Yamamori, Tetsunao, editores.
La iglesia local como agente de transformación. Uma eclesiologia para la missión integral. Buenos Aires: Kairós. 2003. P. 36.
A igreja e os desigrejados+
“A igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade.” (1Tm 3.15)
É possível ser cristão sem fazer parte da Igreja?
• Cresce o número de cristãos que desprezam a Igreja e dela se afastam principalmente por causa de abuso do poder, escândalos e heresias.
• Mas não é possível ser cristão sem Igreja, assim como não há vida para um membro fora do corpo.
• Você não pode estar ligado a “Cabeça” se não fizer parte do “Corpo”.
• Em vez de deixar de congregar, o cristão deve se esforçar em favor da edificação de uma igreja saudável ou procurar uma igreja local que esteja mais de acordo com os padrões bíblicos.
As diretrizes bíblicas pressupõem certa estrutura organizacional
• Jesus instituiu apóstolos, que, por sua vez, instituíram presbíteros e diáconos.
• A Igreja recebeu a missão de pregar, fazer discípulos, batizar, ensinar, celebrar a Ceia do Senhor, congregar, cultuar, promover a unidade e até excluir os hereges e malfeitores impenitentes.
• Os apóstolos se reuniram no primeiro concílio em Jerusalém para deliberar sobre questões doutrinárias (Atos 15).
Jesus advertiu: “É inevitável que venham escândalos”
• Cuidado com as generalizações.
• Tem muitos traíras por aí, como o Judas Iscariotes, mas há também muitos pedros, tiagos e joãos que não se dobraram diante de Baal.
• As portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja. (Mt 16.18).
• “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns” (Hb 10.25).
• Batalhemos pela fé que nos foi entregue pelos Apóstolos (Jd 1.3).
Metáforas da igreja: sua natureza e seu valor
A igreja é • o povo de Deus • o corpo de Cristo • o templo de Deus • um sacerdócio real • o rebanho de Deus • a noiva de Cristo A igreja é o povo de Deus • “Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo” (2 Cor 6.16).
• “povo de propriedade exclusiva de Deus” (1Pe 2.9).
• O apóstolo Tiago descreveu o propósito de Deus nesta época como tirando dentre os gentios “um povo para o seu nome” (Atos 15.14).
• “Israel de Deus” (Gl 6.16)
• naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa… Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um” (Ef 2.12–16).
A igreja é o corpo de Cristo
• “Somos um só corpo em Cristo” (Rm 12.5).
• “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo” (1Co 12.13).
• “Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo.” (1Co 12.27).
• “para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.”(Ef 1.22–23).
• “Ele é a cabeça do corpo, da igreja.” (Cl 1.18).
• “fostes chamados em um só corpo” (Cl 3.15).
• Implica em união orgânica, sujeição a Cabeça e interdependência dos membros.
A igreja é o templo de Deus
• O templo era o local da glória de Deus na terra e o lugar onde Deus se encontraria com seu povo.
• “sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mt 16.18).
• “edifício de Deus sois vós.” (1Co 3.9).
• “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?… porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado.” (1Co 3.16–17).
• Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. ”(2Co 6.16).
• “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito.” (Ef 2.20–22).
• A igreja deve viver em santidade e unidade porque o Espírito de Deus habita e une “pedras vivas” para construir uma “casa espiritual” (1Pe 2.4–8).
A igreja é um sacerdócio real
• Israel deveria ser um “reino de sacerdotes” (Ex 19.6).
• Pedro aplica essa imagem diretamente à igreja (1Pe 2.5, 9).
• João diz que Cristo “nos fez reis e sacerdotes para seu Deus e Pai” (Ap 1.6; 5:10).
• A igreja é um sacerdócio real que glorifica a Deus através do louvor sacrificial (Hb 13.15), do culto racional (Rm 12.1-2), da intercessão que ministra cura e perdão (Tg 5.14) e da proclamação sacerdotal (1Pe 2.9).
A igreja é o rebanho de Deus
• No AT, Israel é descrito como “ovelha” e Deus como seu “pastor” (Sl 23; 74; 78; 79; 80; 95; 100).
• Jesus se refere à igreja como sua “ovelha” (João 10.16–27; 21:15–18).
• “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue”(At 20.28).
• Jesus é o “grande pastor das ovelhas” (Hb 13.20) e o “supremo pastor” da igreja (1Pe 5.4).
• retrata a vulnerabilidade e carência das ovelhas que precisam ser pastoreadas.
A igreja é a noiva de Cristo
• Israel foi retratado como a “esposa” de Deus (Is 54), • “vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo.”
• Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25–27).
• “são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou” (Ap 19.7).
• “Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro” (Ap 21.9).
• “O Espírito e a noiva dizem: Vem!” (Ap 22.17).
• Essa metáfora comunica a pureza, a exclusividade, a submissão, a devoção mútua, o amor sacrificial e a intimidade relacional que dever existir entre Cristo e sua igreja.
Jesus e a Igreja
• Jesus instituiu a Igreja • Jesus amou a Igreja • Jesus deu a sua vida em favor da Igreja • Jesus orou pela unidade da Igreja • Jesus é o Cabeça da Igreja • Jesus é o Supremo pastor da Igreja • Jesus derramou o Espírito Santo sobre a Igreja • Jesus deu uma missão a Igreja • Jesus virá buscar a sua noiva que é a Igreja.
Portanto
• Não despreze e nem abandone a Igreja, pois ela foi instituída por Cristo, é o povo de Deus, o corpo de Cristo, o templo de Deus, o sacerdócio real, o rebanho de Deus e a noiva de Cristo.
• A Igreja é imperfeita, mas Cristo a amou a ponto de sacrificar-se por ela para aperfeiçoá-la (Ef 5.25-27). Devemos igualmente amá-la e nos dedicarmos ao aperfeiçoamento dela.
• Se sua igreja local está distante de Cristo, virou um balcão de negócios e prega heresias, e você não vê mais o que possa ser feito para reformá-la, então, procure uma igreja que esteja mais de acordo com os padrões bíblicos.
• Como ovelhas, carecemos de cuidados pastorais fornecidos pelo Supremos pastor que distribuiu dons e ministérios a Igreja.
• Como membros precisamos estar ligados ao corpo, precisamos uns dos outros.
• “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns” (Hb 10.25). by José Ildo Swartele de Mello on Scribd
Reino de Deus e a Missão da Igreja+
Temos demonstrado como a natureza do Reino de Deus se revela na Trindade, em especial, na pessoa e obra de Cristo e do Santo Espírito. A Igreja deriva sua missão da própria missão de Cristo. A Igreja, como corpo de Cristo e comunidade do Rei, é continuadora da missão de Cristo pelo poder do Espírito Santo. É por obra e graça do Espírito de Deus que a Igreja se torna capaz de cooperar com Deus como testemunha do Rei e como embaixadora e agência do Reino. A Igreja não existe para si mesma, mas vive para servir como agente do Reino de Deus neste mundo com vistas à glória de Deus. Para que seja eficaz em seu ministério, a Igreja precisa servir de modelo do Reino de Deus.
Vimos como Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo revelaram sua sensibilidade para com os gemidos da humanidade e de toda a criação e como, por compaixão, foram movidos a ação. A mesma motivação deve mover também a Igreja. A Igreja deve igualmente estar sensível aos gemidos e as necessidades humanas e também deve estar sensível a questões ecológicas. As boas obras não devem ser feitas como isca para evangelização, mas devem ser a expressão sincera de amor e solidariedade.
Vimos anteriormente como o ministério de Cristo foi exercido de modo encarnacional, e veremos, um pouco mais adiante, quais as implicações disto para a Missão da Igreja. Neste mesmo sentido, falaremos também sobre as implicações da cruz de Cristo e de sua ressurreição. O que nos leva direto para a natureza paradoxal do Reino de Deus, neste período de seu processo de desenvolvimento, que se situa entre a primeira Vinda de Cristo, quando da inauguração do Reino, até a Segunda Vinda, quando se dará a manifestação plena do Reino. Em Cristo encontramos o Rei, coroado com espinhos, que vem humilde sobre um jumentinho, que é ao mesmo tempo o Filho do Homem e o Servo Sofredor, que é aquele que tem todo o poder no céu e na terra e que se posta como ovelha muda diante de seus tosquiadores; que sendo Senhor, age como servo. Que ensina que os últimos serão os primeiros e que aqueles que quiserem ser os primeiros no Reino precisam assumir a condição de servo de todos. A Igreja também deve aprender com Jesus, no sentido de fazer primeiro para depois ensinar.
Procuramos, demonstrar que a missão da Igreja tem tudo a ver com a Escatologia, como bem colocou Juan Stam ao dizer que as expressões “Até o fim dos tempos” e “até os confins da terra” resumem a missão da Igreja i. Pois a Grande Comissão de pregar o Evangelho do Reino a todas as nações até o fim dos tempos (Mt 24.13; 28.19s), mostrando a relação íntima entre o futuro de Deus e a caminhada presente da Igreja, pois quanto mais o espaço se alarga, mais o fim se aproxima. Espaço e tempo estão conjugados, atrelados um ao outro, numa relação de interdependência. Existe, portanto um relacionamento estreito entre Escatologia, Espírito Santo e a Missão da Igreja. Sabemos que a promessa do Espírito é dom escatológico por excelência (At 2.16-21; cf.. Jl 2.28-32), sendo também amostra do futuro de Deus (Rm 8.19-23), sendo, mais do que adiantamento, parte do cumprimento. Sabemos ainda que quando os discípulos fazem uma pergunta escatológica (At 1.6) a resposta de Cristo inclui o dom do Espírito Santo equipando para a obra de evangelização mundial (At 1.8). De modo que o período antes do fim não é um tempo de espera infrutífera, mas é época da missão do Espírito e da Missão da Igreja. Jesus prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam contra o avançar da missão da Igreja e prometeu também que “este Evangelho do Reino seria pregado para testemunho a todos as nações antes do fim”. E o Apóstolo Pedro justificou a aparente demora do retorno de Cristo dizendo que isto se devia a longanimidade de Deus que não quer que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao conhecimento da verdade e segue adiante afirmando que como cristãos, nós não devemos apenas esperar, mas também devemos apressar a Vinda de Cristo. Portanto, a Igreja não deve adotar uma postura passiva e acomodada, os cristãos não devem ser crentes de arquibancada, que se tornam meros espectadores dos eventos escatológicos ou meros prognosticadores e agoureiros do fim, pois a escatologia não existe para satisfazer a curiosidade, mas sim para nos dar visão da vontade de Deus e nos encher o coração de esperança e para nos mover a ação. Cheios do Espírito Santo, cumpramos nossa missão, e, como agentes escatológicos, apressemos a vinda do Senhor, o Grande Dia da manifestação do Filho de Deus, através do cumprimento de nossa missão integral como comunidade do Rei Jesus, que é o cabeça da Igreja, Rei dos reis e Senhor dos senhores.
Exploraremos e aprofundaremos um pouco mais as implicações da Escatologia, da natureza do Reino de Deus, da Missão de Cristo e do Espírito para a Missão da Igreja. E por fim veremos um exemplo histórico de como uma boa escatologia pode levar a Igreja a cumprir sua missão com grande impacto social.
O apóstolo Paulo ensina que o cristão, como cidadão do Reino, precisa se esforçar por viver a altura de sua nova cidadania (Ef 4.1; Fp 1.27; Co 1.10; 3 Jo 1.6). Precisa refletir a ética do Reino de Deus (Ef 3.10; 5.1 e 1 Pe 4.10). É como se um plebeu fosse conclamado rei. Precisará ser educado para viver de modo condizente, de maneira digna de sua nova posição. Deverá ser lembrado, ou ter sempre em mente, quem ele agora é, ou seja, qual é a sua nova condição, pois é certo que haverá conflito com seus antigos hábitos e estilo de vida anterior. Talvez esta ilustração ajude a entender o que o apóstolo Paulo deseja comunicar com as seguintes expressões que ele emprega em Colossenses: “tendo sido sepultados” (2.12), “Se morrestes com Cristo” (2.20), “porque morrestes” (3.2), seguidas por: “fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena” (3.5). Alguns poderiam objetar: “se morremos, por que é que temos que fazer, pois, morrer…?”. Pois enquanto estamos neste mundo, sofremos muitas tentações e precisamos nos desembaraçar de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, para então correr, com perseverança a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o autor e consumador da fé, Jesus (Hb 12.1,2); o autor de Hebreus ainda fala que o cristão está travando uma grande luta contra o pecado (12.4). Paulo diz, em Rm 8.13: “Porque, se viverdes segundo a carne, caminhas para a morte; mas, se pelo Espírito mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis”. Vemos aí, em Romanos, algo bastante parecido com o que temos em Colossenses, pois, em 6.1-6, Paulo ensina que estamos mortos para o pecado, etc… e, aqui, diz que devemos, pelo Espírito, mortificar os feitos do corpo. É interessante também notar que, em 6.11, ele diz aos que crucificaram o velho homem: “assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus”; e, ainda, sente ser necessário exortar: “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões”. i Stam, Juan B. Profecia Bíblica e Missão da Igreja. Tradução de Roseli Giese – São Leopoldo, RS: Sinodal, 2003. 107. A este respeito, veja a interessante apresentação à edição brasileira, p. 3.
Sobre o dever de salgar Terra e iluminar o Mundo+
Sal da Terra e Luz do Mundo (Mt 5.13-16)
Após descrever as características dos bem-aventurados, num mundo injusto e de trevas em que os cristãos são perseguidos, Jesus volta-se para os seus discípulos incumbindo-os de uma grande e poderosa missão, que é a de salgar a terra e iluminar o mundo.
O sal serve para três importantes coisas: temperar, preservar e provocar sede.
Não é preciso muito sal para temperar um prato. Verdadeiros cristãos, ainda que em menor número, podem e devem exercer uma preciosa influência na sociedade. Neste sentido, a ação do sal não é a de chamar a atenção para si. O sal não é exibicionista. Tem um tom discreto, embora seus efeitos sejam significativos. Tire o sal da comida e se ouvirá uma chiadeira geral.
O sal é usado para preservar os alimentos, mantendo-os purificados das bactérias, evitando assim a sua deterioração. Este uso do sal é muito comum hoje em dia, mas foi ainda muito mais importante nos tempos antigos quando não existia aparelhos refrigeradores. Aplicava-se sal a carne para que ela pudesse manter-se saudável por um longo período.
Uma outra característica conhecida do sal é a de provocar sede. Na antigüidade, para evitar a desidratação, as pessoas carregavam consigo um pacote de sal durante as longas viagem. De modo que, de quando em quando, elas experimentavam um pouco de sal puro ou misturado a comida para terem sede, pois, do contrário, correriam o risco de não estarem apercebidas da sua necessidade de água, não possuindo sede que as levassem a beberem água o suficiente para evitarem a desidratação. De modo semelhante, observamos pessoas indiferentes a sua necessidade de Deus. Muitos vivem com a ilusão de que as coisas deste mundo nos bastam. Como a Mulher Samaritana, estão bebendo das águas provenientes dos poços desta terra sem se darem conta de uma sede muito maior. Assim como Jesus despertou a consciência daquela mulher para a sua mais profunda sede, para a sua maior e vital necessidade, para a sede de alma, para a sede de uma água viva que realmente possa satisfazer o espírito humano que tem potencial para o eterno por ter sido criado à imagem e semelhança de Deus. Assim devemos nós colaborarmos também com todos que os estão ao nosso redor carecendo de beber desta mesma bendita fonte de vida abundante e eterna!
A igreja existe para dar sabor, para purificar e preservar a Terra e também para despertar sede da única água que pode realmente satisfazer a alma humana.
Os discípulos de Jesus devem se manifestar neste mundo não apenas como sal, mas também como luz. A nossa luz vem de Cristo. Somos como os planetas e a lua que não possuem luz própria, mas que brilham por refletirem a luz do sol. Jesus é como o grande Sol e nós devemos refletir a sua luz neste Mundo.
A sociedade está corrompida pelo pecado. O individualismo e o egoísmo tem prevalecido. A família está em decomposição. A corrupção corre solta na política, no sistema financeiro, nos negócios em geral, nos meios de comunicação, nos sistemas públicos de educação, saúde e segurança e nas igrejas que, de um modo em geral, em vez de fazerem diferença, estão fazendo coro com este estado de coisas. Seduzidos pelo "príncipe deste mundo" que fomenta o egoísmo, a rivalidade, a desigualdade, o ódio, a violência, a soberba, a ganância e o hedonismo, muitos cristãos deixaram de refletir a luz de Cristo por estarem confortavelmente acomodados aos valores dominantes deste mundo tenebroso.
Outros tantos, estão tímidos; sim, estão acovardados diante das perseguições e dos preconceitos. São tantos os escândalos que denigrem a imagem da igreja, que eles preferem ficar na miúda, por estarem com vergonha de se identificar. O nome de Cristo tem sido ridicularizado por conta do procedimento dos muitos "judas", de modo que os "pedros", os "tiagos" e os "joãos" sentem-se um tanto intimidados.
Mas, diante deste quadro conturbado, de podridão, confusão e trevas, Jesus, esperançoso, volta os olhos para os seus fiéis seguidores com uma mensagem convocatória, que os conclama a assumirem o seu papel de sal da terra e luz do mundo. Eles não devem se encolher. O sal precisa sair do saleiro direto para a panela e a lâmpada deve ser posta num lugar destacado para encher todo o ambiente de luz.
Os verdadeiros discípulos devem se apresentar a sociedade não para obtenção de glória para si mesmos, mas, pelo contrário, suas ações devem visar a glória de Deus. Nossas boas obras são frutos do Espírito e devem apontar para o autor e consumador da nossa fé.
Tanto o sal como a luz estão a serviço da terra e do mundo. São agentes do Reino de Deus. Costumam ser discretos, mas jamais são agentes secretos. O sal se entrega totalmente a sua causa. Ele desgasta-se e dissolve-se para o bem de toda a comida. Sua ação é sacrificial! A luz despende também muita energia num ato constante de dissipar as trevas. Tanto um como o outro chegam mesmo a passar desapercebidos, pois não são exibicionistas. Ninguém diz "Que sal gostoso!", mas, sim, "Que comida saborosa!" e também não se ouve: "Que luz linda", mas, sim, que "paisagem linda"! Embora saibamos muito bem que a paisagem somente pode ser apreciada devido a presença da preciosa luz! Agora, tire o sal da comida e a luz do ambiente para ver o que acontece!
Jesus diz que os seus discípulos exercem a missão de iluminar o mundo através de atos concretos, ou seja, através das boas obras. No Sermão do Monte, Jesus prescreve aos seus discípulos uma série de ações que devem caracterizar o comportamento dos verdadeiros cristãos. Estas boas obras não são um caminho para a salvação, mas são um caminho para os salvos. Somos salvos pela graça para as boas obras que o Pai preparou de antemão para que andássemos nelas (Ef 2.8-10).
Ouça o chamado o Senhor Jesus. Obedeça ao seu comando. Não fique acomodado e conformado com o jeito de ser deste mundo (Rm 12.1-2). Assuma o seu papel de ser diferente e de fazer diferença neste mundo (Mt 6.8). Seja a sua vida como sal que confere sabor, preserva a vida e desperta sede de Deus, e atue também como a luz que dissipa as trevas. Tudo isto para o bem da Terra, para a salvação de muitos e, acima de tudo, para a glória de Deus!
Bispo Ildo Mello
UNIDOS PARA ALCANÇAR ESTA GERAÇÃO+
“Que todos sejam um… para que o mundo creia” (João 17.21)
Jesus é nosso modelo em tudo, inclusive na oração. A grande oração de Jesus em favor de Sua Igreja foi registrada no capítulo 17 do Evangelho de João. Jesus costumava subir ao monte para dedicar-se a oração (Mt 14.23; Mc 6.46; Lc 6.12; 9.28). Não que isto fosse uma regra, mas o ato de subir tem tudo a ver com oração, pois orar é também subir! Quando oramos estamos agindo de modo parecido a um foguete que precisa vencer a força da gravidade para sair da atmosfera terrena. Pois, quando oramos, nós também estamos deixando para trás as coisas puramente humanas, para elevarmos os nossos olhos para o céu em busca das coisas que são de cima e a procura de uma comunhão mais profunda e pessoal com o Pai Celeste (Jo 17.1 e Cl 3.1). Assim como o Mestre elevou os olhos para o céu (Jo 17.1), os que esperam no Senhor são exortados a levantar os seus olhos parra as alturas (Is 40.26), de modo a aprenderem a subir com asas como águias (Is 40.31). Pois estar em Cristo é já estar nas alturas (Ef 2.6), mesmo que nossos pés ainda estejam na terra! Orar não é um fardo, mas, sim, um grande privilégio que nos garante o desfrute da plenitude da alegria de Jesus (v. 13)!
Oração é entrega, é relacionamento, é declaração de amor, é gratidão, é confissão de dependência, é submissão, é confissão de pecados, é clamor em busca de socorro, misericórdia e graça em ocasião oportuna. E é por meio da meditação e oração que o caráter de Deus vai sendo impresso em nossas vidas.
Vemos aqui também a importância da oração do líder em favor de seus liderados. Jesus se santifica em favor da santificação de seus discípulos. Jesus ora para que seus seguidores sejam protegidos de modo a serem unidos à semelhança da unidade que há entre Jesus e o Pai Celestial (Jo 17.11). Interessante observar que nossa proteção está relacionada a unidade. Sem unidade, estamos desprotegidos. Até mesmo no reino animal, os bichos usam a estratégia da unidade para se protegerem do ataque de seus predadores. Os que vivem isolados ou ficam, negligente e distraidamente, para trás do rebanho, acabam se tornando presas fáceis.
Jesus segue pedindo ao Pai que proteja seus discípulos dos ataques do Maligno (v. 15). Jesus destaca, repetidas vezes, o papel primordial da Palavra de Deus como meio de proteção e santificação (v. 6, 8, 13, 14, 17 e 19). A verdade protege e liberta (Jo 8.32). O Espírito Santo é também chamado de o “Espírito de Verdade” (Jo 14.17). E sabemos que um dos grandes sinais da plenitude do Espírito Santo no dia de Pentecostes foi que os que receberam de bom grado a Palavra passaram a perseverar na doutrina dos apóstolos (At 2.41 e 42)!
Portanto, a oração e a Palavra da Verdade nos aproximam de Deus ao mesmo tempo que nos protegem do mal. Eis aí o caminho da santificação que tem como grande fruto a unidade, que é a reconciliação do homem com Deus e com seu semelhante. E tal unidade possui poder impactante sobre o mundo que vive dilacerado e carente de amor genuíno.
Jesus roga insistentemente em favor da unidade (v. 11, 21, 22, 23, 26). Jesus quer que seus discípulos alcancem a plena unidade a fim de que o mundo creia (v. 23). Esta é uma oração missionária! “Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo”(v. 18). Nossa santificação e unidade não são um fim em si mesmas, pois tem como alvo maior a evangelização do Mundo. Por isto é que o pedido de Cristo não é para que seus discípulos sejam tirados do mundo (v. 15), mas para que sejam protegidos do mal (v. 15) e para que sejam santificados na verdade (v. 17) a fim de serem enviados ao mundo do mesmo modo como Jesus foi também enviado ao mundo (v. 19). Isto é tão vital, que Jesus repete duas vezes o mesmo pedido em favor da unidade cristã com o propósito de alcançar o mundo (v. 21 e 23).
O cumprimento de nossa missão passa pela unidade da Igreja. Sem santificação e unidade, nossa missão está comprometida. Sem santificação e unidade corremos o risco de nos tornamos em pedra de tropeço em vez de instrumentos de salvação para a humanidade.
A unidade entre Jesus e o Pai deve servir de exemplo para todos nós. Jesus não tem ciúmes do Pai, eles não entram em disputa um com o outro, Jesus não teme perder sua posição. Jesus não se sentia diminuído quando se submetia às ordens do Pai. Jesus não se sentia diminuído nem mesmo quando lavava os pés dos seus discípulos. Jesus ensinou que servir é um ato de incalculável nobreza!
Deus é amor. Os amados de Deus não são meros objetos do amor divino, mas passam também a participar deste amor, participando assim da natureza divina (2 Pe 1.4). Jesus conclui sua oração, rogando que o amor do Pai passe a fazer parte da essência dos seus discípulos (v. 26). Cristo passa a viver em nós (v. 26 e Gl 2.20). Recebemos o Espírito de Cristo e devemos manifestar os frutos deste mesmo Espírito (Gl 5.22). É pela capacitação do Espírito Santo que nos é possível ser fiéis testemunhas de Cristo até os confins do mundo (At 1.8). Evangelização sem um bom testemunho, evangelização sem os frutos do Espírito e evangelização sem unidade chegam a ser um desserviço ao Reino de Deus.
Quantas não são as exortações bíblicas para que os cristãos vivam em amor e santidade? Temos textos e mais textos dedicados ao modo como os cristãos devem viver e se comportar. Fazer discípulos não é ensinar teoria, mas, sim, ensinar a obediência (Mt 28.20)! Que as aspirações de Cristo para seus seguidores se cumpram em nós, e que pela oração e pela Palavra sejamos santificados a fim de vivermos em amor e união, de modo que o mundo possa convencer-se de que Jesus é realmente o Filho enviado de Deus.
Em Cristo, Bispo Ildo Mello
42,3 milhões de Evangélicos no Brasil, mas, e daí?+
O IBGE acaba de divulgar o Censo Demográfico 2010 que destaca o grande crescimento dos evangélicos no Brasil, que passou de 15,4% em 2000 para 22,2% em 2010. Um aumento de cerca de 16 milhões de pessoas (de 26,2 milhões para 42,3 milhões). Em 1991, este percentual era de 9,0% e em 1980, 6,6%.
Dos que se declararam evangélicos, 60,0% eram de origem pentecostal, 18,5%, evangélicos de missão e 21,8 %, evangélicos não determinados.
Então, hoje, somos 42,3 milhões de evangélicos no país, mas e daí? Onde é que está o positivo impacto desta multidão de evangélicos no cenário nacional? Destes 42,3 milhões de evangélicos, quantos são realmente nascidos de Deus?
Muitos professam terem tido um encontro com Deus, mas seguem vivendo como antes. Muitos buscam a Deus apenas pensando em receber bênçãos materiais. Tem muita gente nas igrejas, mas poucos convertidos. E boa parte da culpa se deve aos pregadores que estão pregando uma mensagem distorcida do Evangelho, dizendo o que o povo gosta de ouvir, escondendo o preço do discipulado.
No entanto, um verdadeiro encontro com Deus deixa marcas! Abrão torna-se Abraão, Jacó transforma-se em Israel, Simão em Pedro, Levi em Mateus e Saulo em Paulo. Isaías exclamou: “ai de mim”! Zaqueu deixou de ser um corrupto ganancioso e passou a ser justo e caridoso. Ou seja, um verdadeiro encontro com Deus é impactante e transformador.
Alguém pode dizer: “eu creio, então, estou salvo”. O problema desta afirmação é que “a fé sem obras é morta” ( Tg 2.18), pois a verdadeira fé em Cristo é também transformadora. Quem reconhece que Jesus é o Senhor, deve também sujeitar-se ao seu senhorio.
É fácil perceber que a grande maioria das pessoas ao nosso redor professa uma fé cristã, mas Jesus disse: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade ( Mt 7.21-23).
Jesus disse que "aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" ( Jo 3.3). Nascer de novo implica em mudança de vida, pois a nova criatura não pode permanecer a mesma, mas deve viver em novidade de vida ( Rm 6.4).
Jesus também ensinou que o caminho da salvação era estreito e apertado ( Mt 7.14), o que não condiz com a idéia de que basta crer. "Até o diabo crê e treme" ( Tg 2.19). Como saber, então, se estamos no Caminho? Jesus mesmo responde a esta pergunta com a seguinte frase: “pelos seus frutos os conhecereis” ( Mt 7.20).
Se queremos conhecer que espécie de árvore somos nós, devemos examinar os frutos, pois eles são realmente reveladores. Paulo exorta os cristãos dizendo: “Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” ( 2 Co 13.5).
João escreveu um livro para ajudar os cristãos a discernirem a autenticidade de seus relacionamentos com Cristo. “Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna” ( 1 Jo 5.13). Ele usa expressões descritivas das características dos salvos em Cristo que garantem aos possuidores delas a convicção de sua salvação. Tais expressões costumam conter os seguintes termos: “sabemos que”, “assim sabemos”, “deste modo sabemos”, “desta forma sabemos”, “conhecemos”, “assim conhecemos”, “nisto conhecemos”, “dessa forma reconhecemos”, “se alguém”, “dessa forma”, “quem não”, “todo aquele”, “todo aquele que é nascido de Deus”, “todo aquele que ama”, “todo aquele que crê”, “aquele que é”…
De acordo com João, aquele que é nascido de Deus apresenta as seguintes características:
Tem comunhão com Deus e lhe obedece (1 Jo 1.3,5,7; 1 Jo 2.3,5,14,24,28; 1 Jo 3.16,24; 1 Jo 4.16; 1 Jo 5.2,20)
Tem comunhão com a Igreja e não somente com Deus (1Jo 1.3,7; 1 Jo 5.2; 1 Jo 3.10,14; 1Jo 2.9,10,19; Hb 10.25).
Tem comunhão com a Verdade (1Jo 2.14,20,22,24; 1Jo 3.19; 1Jo 4.1-6; 1 Jo 5.6,10,20,21; 2 Jo 1.7 Tem o testemunho do Espírito Santo (1Jo 2.27; cf Rm 8.14-16; 1Jo 3.24; 1Jo 4.13; 1Jo 5.6,10 Tem respostas para as suas orações (1 Jo 3.2 2 cf.
Tg 5.16; Jo 15.7; 1Jo 5.15)
Tem vitória sobre o pecado, o diabo e o mundo (1Jo 2.14-15; 1 Jo 3.4-9; 1 Jo 5.4,5,18).
Portanto, crentes sem frutos não encontram base para segurança de sua salvação ( Jo 15.2). O verdadeiro cristão não pode amoldar-se a forma deste mundo ( Rm 12.1-2).
A quantidade numérica não impressiona a Deus. Qualidade é mais importante que quantidade. Foi com apenas 300 soldados que Gideão venceu a guerra ( Jz 7.7)! Sabendo disto, João Wesley orava assim: “Senhor, dá-me cem homens que não temam outra coisa senão o pecado, não amem outra pessoa senão a Deus, e eu abalarei o mundo. Não me importo se eles são pastores ou leigos, com eles eu devastarei o reino de Satanás e edificarei o Reino de Deus na Terra”. E o avivamento Wesleyano impactou a Inglaterra no século XIX!
Quem dera pudéssemos ter no Brasil 42,3 milhões de nascidos de Deus!
Bispo Ildo Mello http://escatologiacrista.blogspot.com.br Fonte: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=2170&id_pagina=1
Missão da Igreja e envolvimento político+
–> Alguns fazem objeção à participação política da Igreja alegando a afirmação de Jesus de que seu reino não é deste mundo (Jo 18.36), mas Jesus disse isto não porque ele não tenha nada a ver com o mundo, mas porque o seu Reino não se amolda à política dos homens. É um reino com sua própria política, uma política marcada pelo sacrifício. Jesus é um rei que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (Mc 10.45). O serviço até o sacrifício pertence à própria essência de sua missão. E esta tem que ser a marca distintiva da comunidade que o confessa como rei. Por esta razão, é que Jesus denunciou a ambição de poder e a disputa pelos primeiros lugares, proclamando uma alternativa que se baseia no amor, no serviço, na auto-entrega aos demais. “Mas Jesus, chamando-os para junto de si, disse-lhes: Sabeis que os que são considerados governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os seus maiorais exercem autoridade. Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos. Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10.42-45).
A Grande Comissão é uma chamada para converter não somente indivíduos, mas as nações em discípulos “ensinando a obedecer tudo o que Jesus ordenou” (Mt 28.20). i A Missão da Igreja, como agente do Reino de Deus, tem alcance social e político.Isto não quer dizer que a Igreja deve ambicionar o poder, mas sim que sua influência deve se fazer sentir em todas as esferas da vida, o que inclui a política. O envolvimento político da Igreja não deve ser encarado como uma defesa dos seus próprios interesses. Pois, como vimos, a natureza da Igreja e de sua missão é existir para servir aos interesses do Reino. A Igreja não existe para si mesma, mas existe para os outros. Seria muito interessante que tivéssemos um dia, deputados evangélicos, por exemplo, sendo eleitos por uma ampla maioria de não evangélicos, que estão reconhecendo neles pessoas íntegras na luta de interesses de justiça social e não como aqueles que se concentram na defesa de interesses da Igreja. E, por falar nisto, quais deveriam ser os interesses da Igreja? Não deveria a Igreja deixar sua mentalidade de gueto para ampliar os seus horizontes na busca do Reino de Deus e da sua justiça? Não deveria ela ter fome e sede de justiça? Não deveria também estar solidarizada com a causa do desvalido, do fraco, do pobre e do oprimido? A pobreza, por exemplo, tem a ver com relações que não funcionam, promovendo exclusão, abandono e desvalorização. Já, a transformação tem que ver com a restauração das relações, na promoção de relações justas e corretas em todas as dimensões, a começar pela cura da relação do homem para com Deus, seguida pela cura da relação do homem consigo mesmo, se encaminhando para a cura da relação do homem para com o outro e também da cura das relações do homem com o seu meio ambiente. ii A Igreja em sua participação política não deve chamar atenção para si. Mas, seguindo a própria natureza do Reino de Deus, a Igreja deve exercer sua influência de maneira discreta, mas eficaz, como sal, fermento e luz. O mais importante não é ter sua participação reconhecida ou evidenciada, mas sim ter sua participação efetiva de modo a transformar a realidade. Neste sentido a Igreja deve fazer coro com todos que esposam os valores do Reino e deve também agir de modo a influenciar para bem aqueles que estão indiferentes ou contrários a causa da justiça do Reino de Deus. A participação da Igreja deve ser apartidária, ao mesmo tempo em que toma partido ao lado daqueles que defendem a causa da justiça e os valores do Reino.
A ação política deve tanto radical como conservadora. Stanley Jones disse que o Reino de Deus é ao mesmo tempo radical e conservador. Radical para transformar o que está errado e conservador na preservação das coisas que estão boas. iii Veremos a seguir, um exemplo histórico de como uma boa escatologia produz uma boa consciência da missão integral da Igreja e de como a Igreja pode se envolver com questões sociais e políticas de maneira a cumprir sua missão de ser sal da terra e luz do mundo. i Myers, Bryant L. Caminar con Los Pobres. Manual teórico-prático de desarrollo transformador. Buenos Aires: Kairós. 2002. P. 56. ii Myers, Bryant L. Caminar con Los Pobres. Manual teórico-prático de desarrollo transformador. Buenos Aires: Kairós. 2002. P. 38. iii Myers, Bryant L.
Caminar con Los Pobres.
Manual teórico-prático de desarrollo transformador. Buenos Aires: Kairós. 2002. P.51.
Aprendendo a Evangelizar – Algumas Dicas+
Amor, que leva a amizade e a identificar-se com simpatia, mostrando verdadeiro interesse, é a chave para a evangelização. Às vezes, somos apressados demais em falar do evangelho para pessoas que ainda não estão prontas para nos ouvir. Presenciei uma cena, um tanto grotesca, da tentativa de uma irmã de evangelizar um jovem dentro de um ônibus. A senhora falava em alto e bom som para um jovem que se mostrava profundamente incomodado e constrangido com aquela conversa, tanto que ele havia se voltado para a janela dando as costas para a mulher que, insensível a ele, continuava disparando frases destrambelhadamente, num ataque de pura verborragia em sua descuidada tentativa de cumprir a sua parte na Grande Comissão.
Não basta falar, é preciso primeiro conquistar a atenção. É preciso cativar com amor e simpatia, assim como Jesus fez, pois Ele não pregou o Evangelho lá dos altos céus, mas seu amor o levou a descer a Terra para se identificar conosco e estar próximo, mostrando verdadeiro amor e conquistando nossa amizade e confiança. Aprendemos muito sobre evangelização quando observamos como foi que Jesus abordou a mulher samaritana (Jo 4). Repare, que Ele não chegou despejando um caminhão de boas novas, pois Ele bem sabia que a mulher tinha muitos preconceitos devido aos conflitos dos judeus com os samaritanos. A atitude de Jesus foi, em primeiro lugar, uma atitude simpática e surpreendente na direção da quebra de tais barreiras e preconceitos. Isto mostra que Jesus sabia se comunicar com sensibilidade. Você nunca vai ver um exemplo de Jesus falando à pessoas desinteressadas. Ele "não joga pérolas aos porcos" (Mt 7.6), ou seja, Ele não desperdiça as preciosas palavras do Evangelho.
Antes de comunicar é preciso primeiro cativar a atenção. E é preciso lidar com sensibilidade e sabedoria com as barreiras e preconceitos entre o comunicador e a pessoa que está sendo evangelizada. Paulo, em Atenas (At 17), mostra também muita sabedoria e sensibilidade em sua tentativa de evangelizar os gregos. Estando no Areópago repleto de ídolos pagãos, ele anuncia o Evangelho a todos, chamando a atenção para um altar que ali se encontrava ao "Deus Desconhecido", passando a falar em nome deste tal Deus Desconhecido do panteão grego, apresentando-o como Jesus Cristo. É interessante notar também que Paulo chega a mencionar uma frase de um filósofo grego. Ele sabia estabelecer pontes do conhecido para o desconhecido, como fez Jesus também falando a partir da água conhecida para uma água que a mulher samaritana não conhecia. Paulo, também, à semelhança de Jesus, era sensível à audiência, pois, quando percebeu que os gregos já não mostravam mais interesse na mensagem, não ficou insistindo como quem gosta de "dar murro em ponta de faca".
Amor, amizade, sensibilidade e respeito são fundamentais para o evangelista. Ansiedade e nervosismo só fazem é atrapalhar. A Evangelização é como uma plantação que se dá por etapas: primeiro é preciso preparar o terreno, depois se planta a semente, e o serviço não para por aí, pois regar é também muito fundamental e ter paciência para colher apenas quando estiver maduro.
Alguém pode objetar dizendo que tem experiência de ter sido bem sucedido num ato de evangelização praticamente instantânea, ao que eu responderia que poderia bem ser o caso de que este alguém, que fora tão rapidamente evangelizado, já ter sido abordado num estágio maduro, estando pronto para a fase da colheita. Alguém deve ter preparado a terra anteriormente, talvez outro foi o que plantou a semente e outros tantos os que estiveram regando com cuidado para que alguém pudesse chegar, por fim, a ter a alegria de colher para o Reino de Deus. Daí, a grande importância de se evangelizar com sabedoria e sensibilidade para que se possa discernir em que fase do processo uma pessoa está.
Agora, existe também o perigo do outro extremo, ou seja, de, em nome do respeito pelo outro e da sensibilidade, o sujeito cristão sentir-se intimidado, permanecendo imóvel e calado na sua ação evangelizadora. Pois, "o cristão que não tentar cristianizar o seu ambiente é fajuto". É certo que mesmo usando de sabedoria e sensibilidade nem sempre seremos bem sucedidos, como vimos no exemplo de Paulo no Areópago. Mas não devemos temer tal rejeição e nem ficarmos paralisados em nossa missão. Não devemos também permitir que o temor da rejeição esteja em nossa mente na hora de evangelizarmos alguém. Devemos agir com mais confiança e esperança de sucesso assim como aquele que planta espera um dia colher. Nossa ação evangelizadora precisa ser feita com alegre e paciente esperança sem afobamentos, ansiedades, temores e nervosismo oriundo de um coração inseguro. Devemos saber que esta obra não de nossa única e exclusiva responsabilidade, pois Paulo plantou, Apolo regou e acima de tudo e de todos, é preciso sempre lembrar, que é Deus quem dá o crescimento! (1 Coríntios 3:6)
Bispo José Ildo Swartele de Mello
A Urgência e o Amor na Evangelização: O chamado para uma fé que transborda!+
A gente vive num tempo onde o silêncio… o silêncio de muitos que conhecem a Verdade, chega a ser ensurdecedor.
Para pra pensar um pouco. A gente olha pro mundo ao nosso redor: nossos vizinhos, o pessoal do trabalho, a nossa própria família… E, muitas vezes, a gente esquece da realidade espiritual que envolve essas pessoas.
Olha, deixa eu te dizer uma coisa: evangelizar não é tarefa só de “especialistas”. Não é um programa da igreja pra aumentar número de membros. Não. A evangelização é o transbordar natural de uma vida que foi resgatada pela graça!
Se o amor de Deus está em nós… ele precisa fluir através de nós.
Eu quero conversar com você sobre quatro pontos rápidos, mas fundamentais.
1. A urgência da realidade eterna
A primeira coisa que a gente precisa recuperar é a visão da eternidade.
Se a gente crê na Bíblia, a gente sabe que a condição humana longe de Cristo é desesperadora. O pecado não é só um erro de comportamento ou uma falha de caráter. Pecado é separação de Deus. E, se nada mudar… essa separação se torna uma eternidade sem esperança.
Nós não podemos viver como se céu e inferno fossem apenas figuras de linguagem, metáforas bonitas. A cada minuto, pessoas entram na eternidade sem nunca terem conhecido verdadeiramente o Salvador.
Pensa comigo agora: se você tivesse a cura garantida pra uma doença mortal… você não correria pra entregar essa cura a quem estivesse doente?
Quanto mais nós, que recebemos de Deus a mensagem da vida eterna!
A verdade é simples e dura: a indiferença diante do destino eterno do próximo… não combina com o amor cristão.
Quem ama, avisa. Quem ama, aponta o Caminho.
2. A dependência do Espírito
Eu sei que muita gente trava na hora de falar de Jesus porque só enxerga a própria incapacidade.
A pessoa pensa assim: “Ah, mas eu não sei responder todas as perguntas…”, ou “Eu não tenho facilidade com as palavras…”.
Mas entenda: a evangelização não é uma obra meramente humana. Ela é uma parceria com Deus.
É o Espírito Santo quem convence o coração do pecado, da justiça e do juízo. Sem Ele, as nossas palavras são vazias. Mas com Ele? Com Ele, até um testemunho simples, uma frase sincera, pode quebrar um coração de pedra.
Deus não está pedindo de nós uma “sabedoria de palavras” impressionante. Ele quer vasos disponíveis. O nosso papel é sermos canais fiéis; o papel de convencer… é de Deus.
Por isso, guarda isso: antes de falar com as pessoas sobre Deus, fale com Deus sobre as pessoas.
Apresente nomes diante do Senhor. A evangelização começa de joelhos.
3. Mais do que decisões: fazer discípulos
Jesus não nos chamou apenas pra conseguir “decisões” rápidas, sabe? Levantar a mão num culto e pronto. Ele nos chamou para fazer discípulos.
O alvo não é só um momento de emoção, mas uma vida inteira de transformação.
Então, a gente precisa abandonar aquela mentalidade de tiro curto: “Preguei, a pessoa aceitou, agora pronto, acabou meu papel”. Não.
Evangelizar inclui caminhar junto. É ensinar a guardar tudo o que Jesus ordenou. É vida na vida.
E tem mais: o nosso caráter precisa confirmar a nossa mensagem.
O mundo tá cansado de discursos bonitos. O mundo tá cansado de ouvir sermões. O mundo precisa ver o Evangelho encarnado em nós… no nosso jeito de viver, de tratar as pessoas, de perdoar.
4. O amor é a chave que abre portas
Doutrina correta é importante, claro. Mas uma ortodoxia fria nunca ganhou ninguém pra Cristo. A verdade precisa ser dita em amor.
As pessoas não se importam com o quanto nós sabemos… até perceberem o quanto nós nos importamos com elas.
Jesus tocava os intocáveis. Ele comia com os pecadores. Ele construía pontes, e não muros.
Às vezes, um ato de bondade, um ouvido atento, ou uma mão estendida… falam muito mais alto do que um tratado teológico inteiro.
A nossa missão é amar as pessoas até a cruz. Conduzi-las, com paciência, até Jesus.
Conclusão
Não espere um “sentimento extraordinário” pra começar a obedecer. Na vida cristã, muitas vezes a obediência vem antes do sentimento.
A ordem de Jesus já foi dada: “Ide”.
O que está faltando não é oportunidade. O que está faltando são trabalhadores dispostos.
Que a sua oração hoje seja simples:
“Senhor, aqui estou. Usa a minha vida. Começa hoje, onde eu estou, com o que eu tenho nas mãos.” Não retenha a Boa Nova. O mundo… inclusive o mundo que começa dentro da sua casa… precisa desesperadamente do que você recebeu do Senhor.
Por que não podemos nos calar?+
Vivemos em tempos onde o silêncio de tantos que conhecem a Verdade é ensurdecedor. Olhamos para o mundo ao nosso redor — nossos vizinhos, colegas de trabalho, familiares — e muitas vezes nos esquecemos da realidade espiritual que os cerca. A evangelização não é uma tarefa reservada a especialistas, nem um programa eclesiástico para aumentar estatísticas; é o transbordar natural de uma vida que foi resgatada pela graça. Se o amor de Deus está em nós, ele precisa fluir através de nós.
1. A Urgência da Realidade Eterna
A primeira coisa que precisamos recuperar é a visão da eternidade. Se cremos nas Escrituras, sabemos que a condição humana longe de Cristo é desesperadora. O pecado não é apenas um erro de conduta; é uma separação de Deus que, sem intervenção, resulta em uma eternidade sem esperança,.
Não podemos nos dar ao luxo de viver como se o céu e o inferno fossem metáforas. A cada minuto, vidas entram na eternidade sem terem conhecido o Salvador. Se tivéssemos a cura para uma doença mortal, não correríamos para entregá-la aos doentes? Quanto mais nós, que temos a mensagem da vida eterna! A apatia diante do destino eterno do próximo é incompatível com o amor cristão. Quem ama, avisa. Quem ama, aponta o Caminho,.
2. A Dependência do Espírito
Muitos de nós travamos na hora de falar de Jesus porque olhamos para nossa própria incapacidade. Achamos que precisamos ter todas as respostas filosóficas ou uma eloquência perfeita. Mas a evangelização não é uma obra humana; é uma parceria divina.
É o Espírito Santo quem convence o coração do pecado, da justiça e do juízo. Sem Ele, nossas palavras são vazias; com Ele, até um testemunho simples pode quebrar corações de pedra,. Não precisamos de "sabedoria de palavras", mas de demonstração de poder do Espírito. Quando nos colocamos à disposição, Ele unge o mensageiro e prepara o ouvinte. O nosso papel é sermos canais fiéis; o papel de convencer é de Deus. Portanto, antes de falar com os homens sobre Deus, fale com Deus sobre os homens.
3. Mais do que Decisões: Fazer Discípulos
Jesus não nos chamou para apenas conseguir "decisões", mas para fazer discípulos. O objetivo não é apenas um momento de emoção, mas uma vida de transformação. O Evangelho que pregamos deve levar à morte do "eu" e ao nascimento de uma nova criatura que, por sua vez, irá gerar outros discípulos,.
Precisamos abandonar a mentalidade de "tiro curto" e abraçar o compromisso de caminhar com as pessoas. Evangelizar é também ensinar a guardar tudo o que Jesus ordenou. É um relacionamento de vida na vida, onde o nosso caráter confirma a nossa mensagem. Se o nosso viver não reflete a santidade e o amor de Cristo, nossas palavras perdem a autoridade. O mundo está cansado de ouvir sermões; ele precisa ver o Evangelho encarnado em nós.
4. Amor: A Chave que Abre Portas
A ortodoxia fria nunca ganhou ninguém. A verdade precisa ser dita em amor. As pessoas não se importam com o quanto nós sabemos até saberem o quanto nós nos importamos. A evangelização eficaz acontece através de relacionamentos, amizade e serviço.
Jesus tocava os intocáveis e comia com os pecadores. Ele construía pontes. Da mesma forma, devemos estar dispostos a sair de nossa zona de conforto eclesiástico para demonstrar compaixão real. Um ato de bondade, um ouvido atento ou uma mão estendida muitas vezes falam mais alto do que um tratado teológico. A nossa missão é amar as pessoas até a cruz.
Conclusão: "Eis-me Aqui" Não espere sentir uma "vontade" extraordinária para começar. A obediência muitas vezes precede o sentimento. A ordem já foi dada: "Ide". O campo é o mundo e a colheita está madura. A única coisa que falta são trabalhadores dispostos a gastar suas vidas por algo que vale a pena.
Que a nossa oração hoje seja de total disponibilidade. Que possamos olhar para Cristo, ver o preço que Ele pagou por nós, e responder com gratidão e coragem. Que cada um de nós possa dizer: "Senhor, usa-me. Começando hoje, onde eu estou, com o que eu tenho".
Não retenha a Boa Nova. O mundo precisa desesperadamente do que você recebeu de graça.
No amor do Senhor, Bispo Ildo Mello
Juntando Tesouros no Céu: A Grande Lição de um Engenheiro+
A Grande Lição de um Engenheiro Havia um engenheiro evangélico que já havia construído muitas pontes, viadutos e edifícios. Obras grandiosas, das quais se orgulhava, porque duravam muito tempo. Ele previa que muitas delas permaneceriam firmes mesmo depois de sua morte. Essa durabilidade lhe dava grande satisfação.
Certo dia, lendo as Escrituras, chegou a um texto que lhe chamou muito a atenção. Ele percebeu que, por mais sólidas e duradouras que fossem suas construções, todas as coisas materiais haveriam de passar. A Bíblia afirma que chegará o dia em que o fogo consumirá tudo, pois haverá novos céus e nova terra, e o primeiro céu e a primeira terra deixarão de existir (2Pe 3.10-13; Ap 21.1).
Isso o fez refletir: apesar de ser crente e temente a Deus, estava investindo demais da sua vida em coisas que seriam consumidas pelo fogo. Ele não pensava em abandonar a profissão de engenheiro, mas compreendeu que precisava dar prioridade a valores eternos — coisas que nem a traça, nem a ferrugem podem destruir (Mt 6.19-20).
Assim, passou a viver de outra forma: continuou engenheiro, mas agora um engenheiro que entendia que sua vocação maior não era apenas construir obras materiais, mas dedicar-se a algo que ultrapassa esta vida. Percebeu que todos os cristãos têm um chamado — não apenas os que são ministros de tempo integral — e que a paixão que deveria conduzir a nossa vida é o evangelho, a vontade de Deus. Afinal, Jesus disse: “Busquem, pois, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas lhes serão acrescentadas” (Mt 6.33).
Podemos ser engenheiros, advogados, pedreiros, costureiras, cozinheiros, eletricistas — não importa a profissão. O essencial é nunca esquecer que, em qualquer lugar, somos testemunhas de Cristo, com uma missão maior do que qualquer cargo ou carreira. As obras humanas serão destruídas, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre (1Jo 2.17).
Esse engenheiro aprendeu a dedicar-se mais à salvação de almas e ao cumprimento do propósito de Deus para sua vida. Continuou sua profissão, mas colocando cada coisa em seu devido lugar. E nós também precisamos viver assim, perguntando: Para que nasci?. A Bíblia lembra: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei. O Senhor o deu, o Senhor o tomou” (Jó 1.21). “Nada trouxemos para este mundo, nem coisa alguma podemos levar dele” (1Tm 6.7).
Muitos pensam que podem viver para curtir tudo o que o mundo oferece e ainda herdar o céu. Mas a Palavra adverte: “Não amem o mundo, nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo — a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a soberba da vida — não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua cobiça; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1Jo 2.15-17).
O livro de Eclesiastes reforça essa verdade. Trinta vezes ele repete a expressão “debaixo do sol”, para mostrar a vida vista apenas na perspectiva terrena, materialista e existencialista. Nesse prisma, tudo se torna vaidade e correr atrás do vento (Ec 1.2,14). Essa visão leva ao desespero e ao hedonismo: “Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos” (1Co 15.32).
Mas a Escritura também mostra que existe outro caminho. Jesus nos chama a acumular tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem (Mt 6.20). Paulo ensina que nossas obras serão provadas pelo fogo do juízo: “A obra de cada um se tornará manifesta, pois aquele Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e o fogo provará qual é a obra de cada um” (1Co 3.13). As obras fúteis se consumirão, mas o que foi feito para Deus permanecerá.
Assim, compreendemos que não basta viver como religiosos ocasionais, sem paixão, sem zelo, sem compaixão pelos perdidos. O nosso cotidiano revela onde está o nosso coração (Mt 6.21). Por isso, precisamos refletir: onde está a nossa paixão? onde está o nosso amor?.
Que não vivamos como quem corre atrás do vento, mas como quem permanece para sempre, fazendo a vontade de Deus.
O que Deus mais quer de nós?+
O que Deus requer de nós?
Será que estamos agradando a Deus?
Quem nunca se frustrou com um presente recebido?
O que Jesus pede de nós?
Quando Marta repreendeu a Maria, Jesus tomou partido de Maria, dizendo que esta escolhera a melhor parte. As duas eram crentes, as duas queriam agradar a Jesus, mas a atitude de uma agradou mais que a atitude da outra (Lc 10.38-42).
As últimas palavras de Jesus aos seus discípulos são reveladoras a respeito desta importante questão, pois ressaltam o que Jesus mais espera de nós. (Mt 28.19)
Fazer discípulos é a grande missão dada aos cristãos. Fazemos discípulos batizando e ensinando o que Jesus nos ordenou. O Espírito Santo nos foi concedido a fim de nos tornarmos testemunhas de Cristo (At 1.8).
Levar alguém a Cristo é a maior de todas as missões humanas, pois uma alma vale mais do que os tesouros do mundo inteiro (Mc 8.36).
O Apóstolo André sempre que é mencionado na Bíblia, está fazendo a mesma coisa. Nenhum milagre dele é mencionado, nenhum ato extraordinário, mas, o que se diz dele é que sempre estava levando alguém a Cristo! A começar pelo seu próprio irmão Pedro. Sabemos também que foi ele quem levou o moço a Jesus com cinco pães e dois peixinhos. Por fim, é mencionado levando alguns gregos a presença de Jesus! (Capítulos 1, 6 e 12 do Evangelho de João).
Evangelizar é a maior façanha cristã! Jesus veio buscar e salvar os perdidos (Lc 19.10). Ele tem mais alegria por uma ovelha perdida que é encontrada do que por noventa e nove que estão seguras no aprisco (Lc 15.3-7). Há uma grande festa no céu quando alguém é salvo da condenação eterna.
Jesus nos delegou a sua missão de pregar o Evangelho que liberta os cativos (Jo 20.21). Bem-aventurados os pés daqueles que proclamam o Evangelho (Rm 10.15)! Jesus nos designou para darmos frutos (Jo 15), pois ele quer ver o grande banquete repleto de convidados (Lc 14.23), ele quer sua casa cheia de filhos! "Multiplicai-vos"… "enchei a terra" (Gn 1.28 e 9.7)! "Fazei discípulos" (Mt 28.19)! A visão apocalíptica mostra uma multidão incontável de salvos procedentes de todas as nações (Ap 7.9).
Deus criou o homem a sua imagem e semelhança. O pecado separou o homem de Deus. A Imago Dei foi corrompida. Mas Deus jamais desistiu de seu propósito inicial. Deus continuou buscando o homem: "Filho meu dá-me o teu coração" (Pv 23.26). Deus amou a humanidade de tal maneira que deu o seu filho unigênito para redenção de todo o que nele crer (Jo 3.16). Jesus veio desfazer as obras do diabo (1 Jo 3.8). "Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo" (Rm 5.17). Pois Jesus veio restaurar o propósito original de Deus que é o de ter muitos filhos à sua imagem e semelhança para que Cristo venha a ser o primogênito dentre muitos irmãos (Rm 8.29).
Portanto, fomos convocados por Deus para testemunhar de Jesus e encher os céus de muitos filhos de Deus, restaurados a imagem e semelhança do criador.
Eis aí a nossa maior razão de ser e existir!
Qual foi a última vez que você levou alguém a Cristo?
Qual é a prioridade da sua vida?
Estamos buscando o Reino de Deus em primeiro lugar?
Nossas ações estão realmente agradando a Deus?
Medite nestas coisas.
Em oração, Bispo Ildo Mello
Onde está a sua sorte?+
Após um culto em família na casa de minha mãe, fomos a praia de Santos admirar o show de fogos que saudava o início de 2010. Uma oportunidade também para contemplar a prodigiosa complexidade étnica, cultural e religiosa do povo brasileiro. Ninguém pode negar que se trata de um povo de fé. Bem, já se podia observar isto horas mais cedo nas imensas filas que se formavam junto às casas lotéricas para a fézinha na Mega Sena acumulada de final de ano. É, isto é um sinal de fé, pois as chances são tão ínfimas que realmente é preciso ter fé para arriscar uma aposta.
Junto ao mar, vislumbrando o lindo espetáculo pirotécnico, estavam pessoas apegadas aos seus amuletos de protecão e sorte. Uma multidão vestida de branco levava oferendas a seus deuses e procurava pular setes ondas no mar para entrar o ano com o pé direito. Alguns, mais "bíblicos", mas não menos supersticiosos, deixam a Biblia aberta no Salmo 91 vinte quatro horas por dia e 365 dias por ano.
Assim, de um lado temos aqueles que buscam ver a sorte no horóscopo ou no tarô, enquanto outros apelam para uma versão evangélica do realejo que é a caixinha de promessa, ou abrem a Bíblia ao acaso para ver qual é a Palavra do Senhor, ou chegam até a enfrentar filas para consultar algum profeta.
Por falar no Salmo 91, gostaria de lembrar que ele não foi escrito para ser usado como alguma espécie de amuleto. Pois a sorte e a proteção que este Salmo pode proporcionar é para aqueles que compreendem e assimilam as suas preciosas lições.
O Salmo 91 ensina que os protegidos são os que habitam no esconderijo do Altíssimo. Habitar é algo bem diferente de passar uma temporada, pois implica em algo bem mais consistente, permanente e íntimo, como deveria sempre ser o nosso relacionamento com o Pai Celeste. Não se trata de superstição, mas de relacionamento profundo e pessoal com o Criador.
Neste Salmo, tem uma frase de Deus que é muito reveladora: "pois que tanto me amou, eu o livrarei" (v.14). Vemos aí que existe uma clara condição para obtenção da tão desejada proteção, visto que o livramento é prometido para aquele que ama a Deus. Sendo assim, de nada adianta ter ter a Bíblia aberta e nem conhecer o Salmo 91 de cor, e nem muito menos a prática de qualquer outra superstição, pois o que protege mesmo é amar a Deus sobre todas as coisas! Portanto, felizardo é aquele que tem um relacionamento íntimo e estável com o único Deus vivo e verdadeiro.
Desejo a você aquela boa sorte que nenhum pé de coelho pode trazer, mas somente Jesus pode dar!
Se tiver um tempinho, assista o vídeo que gravei do Show de Fogos em Santos.
Ildo Mello www.escatologiacrista.blogspot.com
Sustentabilidade e evangelho: alguns pitacos+
Pois sabemos que até agora o Universo todo geme e sofre como uma mulher que está em trabalho de parto.
(Romanos 8.22 ntlh)
Qual a responsabilidade dos cristãos com relação ao desenvolvimento sustentável e preservação do meio ambiente?
No século XX, enquanto os cristãos perdiam tempo discutindo se a ação social é ou não parte da missão da igreja, os comunistas, socialistas e militantes de outros movimentos da esquerda se apossaram da bandeira da justiça social. A igreja ficou na defensiva durante a maior parte do tempo e custou a entender que ser cristão implica combater injustiça, desigualdade, pobreza e ignorância.
Agora novamente corremos o risco de ficar alienados da história em momento crucial, perdendo a bandeira da preservação do universo criado por Deus para os ambientalistas de todas as matizes, que vão dos ecoxiitas ou ecochatos até os que se preocupam com o verde meramente por oportunismo.
Por isso, devemos refletir sobre o ensino da Bíblia acerca do plano de Deus para o homem e a natureza na criação; o impacto da queda sobre o ser humano e o mundo; e o futuro planejado pelo Senhor na história da redenção.
Precisamos reconhecer o dedo de Deus na criação, desfrutá-la de modo responsável e, mais do que isso, identificar e combater o que a degrada.
Precisamos nos entregar inteiramente a Cristo para que ele mude não só alguns costumes, mas toda a nossa mentalidade; precisamos viver e proclamar o evangelho integral, para que nossa mensagem produza fruto não só na vida de indivíduos, como também na sociedade e na natureza, que estão sob o poder do Maligno.
Precisamos desenvolver ação concreta com sabedoria e equilíbrio, motivados pela viva esperança de novos céus e nova terra, evitando tanto a omissão irresponsável dos alienados como o extremismo insensato dos radicais.
Resumindo, nessa questão da sustentabilidade também precisamos fazer tudo, seja em palavra seja em ação, como representantes de Jesus, para glória de Deus Pai.
Norio Y.
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>< Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras?
(Lucas 24.32)
A vida e a missão de Jesus como modelo para a Igreja+
Vimos como a natureza do Reino de Deus é derivada da própria natureza do Rei, que é Jesus. O estilo de vida do Rei Jesus e as características do seu ministério são o modelo para a vida e missão da Igreja. Mateus 9.35ss descreve o ministério de Jesus apresentando um resumo de tudo que envolvia seu ministério, que era uma missão integral. Pois, o texto diz que Jesus ia por toda parte, de aldeia em aldeia, num ministério itinerante, anunciando o Evangelho do Reino, ensinando, curando, com compaixão. Não só pregando, mas ensinando. Não só pregando e ensinando, mas também curando e atendendo as necessidades físicas e mentais dos carentes. Conforme Myers ressalta ao observar que os Evangelhos estão cheios de relatos de pregação, ensino, cura e expulsão de demônios: Palavra, obra e sinal. Concluindo que a missão transformadora da Igreja deve seguir o mesmo modelo. i Myers acrescenta comenta ainda que não se podia esperar que o Deus Trino se convertesse em um salvador solitário. De cara, Jesus escolheu doze pessoas comuns para estarem com ele para depois enviá-las ao mundo para seguirem com a mesma missão de fazer aquilo que Jesus mesmo vinha fazendo: pregar, ensinar, curar e expulsar demônios (Mc 3.13-15, 6.12-13). Pois a Missão é trabalho de uma comunidade. ii Jesus é nosso modelo de Missão Integral, pois ele mesmo disse: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20.21). Assim como vimos que o “ano do Jubileu” (Lv 25.8-17) teve o seu cumprimento em Jesus (Lc 4.21), podemos ver na Igreja a extensão deste cumprimento na sua ação após o derramamento do Espírito Santo. Pois a Igreja, como Corpo de Cristo, recebe a unção do Espírito, sendo capacitada para um ministério semelhante de proclamação das boas novas do Evangelho (At 2.14-42) e da justiça que é praticada em favor dos necessitados (2.43-47). Em Atos 4.32-5.11, vemos a mesma relação entre a ação do Espírito Santo e a Missão integral da Igreja, pois a comunidade recebe o Espírito (4.31) e em seguida pratica caridade para os pobres (4.32-37). i Myers, Bryant L. Caminar con Los Pobres. Manual teórico-prático de desarrollo transformador. Buenos Aires: Kairós. 2002. P. 37. ii Myers, Bryant L. Caminar con Los Pobres.
Manual teórico-prático de desarrollo transformador. Buenos Aires: Kairós. 2002. P. 37.
Missão da Igreja e a conversão+
O Evangelho exige conversão e arrependimento, que implicam numa mudança de atitude, daquele que não se conforma mais com este mundo, mas quer ser transformado e renovado mental e espiritualmente com o intuito de experimentar a boa, perfeita e agradável vontade de Deus em sua vida. Arrependimento e conversão que levam a uma reestruturação de todos os valores e uma reorientação radical da vida como um todo a fim de se adequar à ética do Reino de Deus.
O Evangelho oferece a reconciliação, mas exige que se abandone a atitude de rebelião contra Deus, com o intuito que haja conversão para ele. É preciso negar a si mesmo, morrer para o mundo a fim de viver para Deus, o que implica numa radical mudança de estilo de vida, para que se possa experimentar uma nova vida. O ser humano precisa se libertar da escravidão dos poderes deste mundo para que possa se submeter ao senhorio de Cristo.
Não basta estarmos convictos de nossa realidade em Cristo, precisamos nos converter a ela. Conversão significa devoção, doação, dedicação total “para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5.15). Pois a salvação não significa apenas perdão de pecados, mas também transformação de vida e libertação do império das trevas para ser transportado para o Reino de Deus (Cl 1.13).
A salvação é o retorno do homem a Deus, mas é também o retorno e conversão do homem a seu próximo. Na reconciliação de Zaqueu com Deus vemos também sua reconciliação com o próximo (Lc 19).
A conversão é vital para que a Igreja possa cumprir sua missão profética não apenas através de palavras, mas através de exemplo, como comunidade do Reino de Deus, que deve viver e ser hoje o que Deus quer que a sociedade como um todo viva e seja um dia. Como a Igreja poderá chamar os outros ao arrependimento se ela mesma não estiver produzindo frutos dignos de arrependimento (Lc 3.8)?
Senhorio de Cristo e a Missão da Igreja+
A expressão “Jesus é o Senhor” é a confissão mais antiga e elementar da fé cristã (At 2.36, Rm 12.12, At 1.4). Muitos cristãos perderam a sua vida por causa desta que, para muitos, pode até parecer não passar de uma simples e inofensiva expressão. Portanto, não devemos somente apresentar a Jesus como salvador, mas também como Senhor, o que implica na necessidade de arrependimento para se colocar debaixo domínio de Cristo. Não basta aceitar a Cristo, como alguém que recebe um presente, pois é necessário submissão ao seu senhorio. A Igreja não deve ocultar o preço do discipulado. Pois o candidato a discípulo precisa ser confrontado com a necessidade de negar a si mesmo e carregar a sua cruz (Mt 16.24). A salvação não pode ser reduzida à justificação, pois Jesus não somente oferece perdão de pecados, mas também transformação de vidas. A Igreja deve pregar todo o conselho de Deus e não deve dizer apenas aquilo que os homens querem ouvir. Como adverte Padilla, ao dizer que muitos são aqueles que seduzidos pela secularismo e pelo desejo de sucesso a todo custo, estão transformando o evangelho em uma mercadoria cuja aquisição proporciona o êxito na vida e a felicidade pessoal agora e sempre e isto sem custo algum. “O Deus deste cristianismo é o Deus da ‘graça barata’, o Deus que sempre dá, mas nunca exige nada, o Deus feito para o homem que se rege pela lei do menor esforço, o Deus que se concentra naqueles que não tem possibilidade de negarem-se a eles próprios para dedicarem-se a Deus, porque O necessitam como analgésico”.
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Padilla, C. R. Missão Integral, São Paulo, FTL-B/Temática, 1992. P. 28 e 29.
Temos ou não temos que mostrar nossas boas obras?+
Jesus disse que não devemos exibir nossa justiça diante dos homens (Mt 6:1), mas também disse que devemos deixar nossa luz brilhar diante dos homens através das boas obras (Mt 5:16). E agora? Jesus quer ou não quer que nossas boas obras se tornem notórias? Devemos praticar a caridade de modo privado ou público? Dar esmolas de maneira oculta (6.3) não é o mesmo que esconder a luz debaixo do alqueire (Mt 5.15)? Se a caridade, o jejum e a oração forem sempre praticados em secreto, como serviremos de modelo e inspiração para as demais pessoas?
Quando Jesus diz que devemos esconder nossas boas ações, ele o faz preocupado com a questão do exibicionismo religioso daqueles que buscam glória para si mesmos. Já, quando ele pede para seus discípulos apresentem-se diante do mundo com suas boas ações, ele o faz tendo em mente a timidez que poderia levar os discípulos a agirem de modo retraído, o que seria danoso tanto para a obra de evangelização como também para a glória de Deus. Portanto, não devemos expor nossas boas obras para a satisfação do nosso ego ou para qualquer outro benefício pessoal (Mt 23.5), mas devemos praticar boas ações para a salvação e a edificação de outras pessoas e, principalmente, para a glória de Deus (Mt 5.16 e 1 Pe 2.12). Sendo assim, devemos constantemente fazer um autoexame para saber quais são as nossas reais motivações.
Obstáculos à Evangelização+
A Igreja Primitiva enfrentou inúmeros obstáculos à sua missão de pregar o Evangelho a todas as nações.
Eles sofreram todo tipo de preconceitos: anti-sociais, ateus, depravados, canibais, criminoso crucificado 1) Obstáculos judaicos Cristo como “pedra de tropeço”: Expectativas messiânicas, libertador político; título Cristo; carpinteiro, crucificado: maldição, vergonha e derrota; Senhor = adonai no AT; divindade, trindade, monoteísmo judaico; Discípulos iletrados; A igreja como pedra de tropeço: Eclesiologia, templo: At 7.46; b) leis e cerimônias: circuncisão, sábado, festas, comidas; 2) Obstáculos greco-romanos: acusados de incendiários, criminosos, anti-sociais, foram perseguidos e martirizados; acusados de ateísmo por não cultuarem os deuses comuns o que era considerado crime; incesto e canibalismo; superstição nova e prejudicial (praga); marginalizados; deslealdade política ao senhorio de César (culto ao imperador)
3) Objeções intelectuais: a) coisa nova; b) “ridículo dizer que Deus mostrava sua sabedoria na cruz” (loucura); c) os cristãos em sua maioria não eram cultos, classe social inferior; d) superstição da ralé da sociedade; 4) Pedras de tropeço éticas e sociais: a) santidade, pureza, retidão.
Quais são os obstáculos que a Igreja enfrenta hoje em dia? Como enfrentá-los?