Curso do Espírito SantoAula 3

O Espírito Santo na Trindade

“Porque, por meio dele, ambos temos acesso ao Pai, em um Espírito.”Efésios 2.18 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Mt 28.19; 2Co 13.13; Jo 15.26; Rm 8.9-11

Para começar

As perguntas que nos guiam

Vimos que o Espírito é Deus (Aula 1) e Pessoa (Aula 2). Agora, a pergunta seguinte: como ele se relaciona com o Pai e o Filho?

1

Como três são um?

Um só Deus em três Pessoas — mistério a adorar ou contradição a resolver?

2

Qual é o “papel” do Espírito?

O Pai, o Filho e o Espírito fazem coisas separadas — ou agem sempre juntos?

3

A Trindade é abstração ou relação?

O que essa doutrina tem a ver com a minha oração e a minha comunhão com Deus?

Tese da aula: o Espírito Santo é a terceira Pessoa da Trindade — coessencial, coeterno e coigual ao Pai e ao Filho. Toda a obra de Deus procede do Pai, por meio do Filho, pelo Espírito (Ef 2.18; Rm 11.36). Na história da salvação, o Espírito aplica e completa o que o Pai concebe e o Filho realiza. E, no seio da própria Trindade, ele é o vínculo de amor entre o Pai e o Filho — amor que é derramado em nós.

A confissão da Igreja

Um só Deus, três Pessoas

“Um é o Deus verdadeiro… Pai e Filho e Espírito Santo: três Pessoas, na verdade, mas uma só essência, substância ou natureza.” (Concílio de Latrão IV, 1215)

A fé cristã não é politeísmo nem é uma matemática impossível. Confessamos um só Deus em três Pessoas distintas, que partilham a mesma e única essência divina. O Espírito não é um deus menor, nem uma parte de Deus, nem uma força emanada: é plenamente Deus, coessencial, coeterno e coigual ao Pai e ao Filho. “O Pai gera, o Filho nasce, o Espírito procede” — distinções eternas dentro do único Deus.

Ef 2.18 · Rm 11.36

Do Pai, por meio do Filho, no Espírito

“Porque, por meio dele, ambos temos acesso ao Pai, em um Espírito.” (Ef 2.18)

Há uma gramática trinitária que atravessa toda a Escritura. Paulo a resume numa doxologia: “dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas” (Rm 11.36). E a nossa própria salvação tem essa forma: o acesso ao Pai se dá por meio do Filho, no Espírito (Ef 2.18). O Espírito não trabalha por conta própria, num canto isolado; ele é o modo como o único Deus alcança e completa a sua obra em nós.

A ordem da salvação

O Espírito aplica a obra do Pai e do Filho

Na história da redenção, as três Pessoas atuam numa ordem harmoniosa.

1

O Pai concebe o plano da salvação e envia o Filho pelo poder do Espírito.

2

O Filho encarna e realiza a obra redentora e expiatória para salvar a humanidade.

3

O Espírito aplica os benefícios da redenção e capacita a missão e a salvação real dos fiéis.

Repare no lugar do Espírito: sem ele, a obra do Filho ficaria “do lado de fora”. É o Espírito que torna minha a salvação conquistada na cruz — regenerando, habitando, santificando. Ele leva a Deus o que Deus mesmo ofereceu.

Obras indivisas

Um só Deus, nunca três partes separadas

Atribuímos a criação principalmente ao Pai, a justificação principalmente ao Filho e a santificação principalmente ao Espírito — mas nunca exclusivamente. As obras de Deus são indivisas: as três Pessoas agem juntas em cada uma. O Pai “cria todas as coisas pela Palavra, no Espírito”; e na cruz, “Cristo, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu a Deus” (Hb 9.14) — Pai, Filho e Espírito na mesma obra. As Pessoas se distinguem; jamais se separam.

A Trindade é relacional

O Espírito, vínculo de amor

Os antigos, com Agostinho, contemplaram o Espírito como o “vínculo de amor” entre o Pai e o Filho — o laço eterno de comunhão dentro de Deus. Isso revela algo lindo: Deus, em si mesmo, é comunhão de amor; ele não amava por precisar de alguém, pois o amor já circulava entre as três Pessoas desde a eternidade.

“…o amor de Deus foi derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi dado.” (Rm 5.5)

E aqui está a graça: esse mesmo Espírito, que é o amor entre o Pai e o Filho, foi derramado em nós. Ele nos introduz na própria vida de amor da Trindade. Ser cristão é ser envolvido nessa comunhão — amados pelo Pai, no Filho, pelo Espírito.

Da doutrina à vida

Aplicações pastorais

1

Ore de forma trinitária

Ore ao Pai, por meio do Filho, no Espírito (Ef 2.18). A oração cristã não grita para longe: é conduzida pelo Espírito à presença do Pai.

2

Não separe as Pessoas

Não escolha “o seu preferido” na Trindade. Onde está o Espírito, estão o Pai e o Filho; a obra é de um só Deus (Jo 14.23).

3

Deixe o Espírito aplicar a cruz

A salvação do Filho se torna sua pelo Espírito. Não confie no seu esforço; renda-se à obra dele em você (Tt 3.5-6).

4

Viva na comunhão do amor

O amor da Trindade foi derramado em você (Rm 5.5). Ame como quem foi primeiro amado, dentro dessa comunhão.

A pergunta desta aula nos leva à adoração: eu tenho tratado o Espírito como coadjuvante — ou o adorado como Deus, ao lado do Pai e do Filho?

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

A doutrina da Trindade costuma parecer abstrata. Como o fato de o Espírito ser o “vínculo de amor” entre o Pai e o Filho pode tocar a sua vida de oração e comunhão hoje?Ver resposta sugerida
Toca porque revela que Deus, em si mesmo, é comunhão de amor — e não uma solidão que precisava de nós para amar. Os antigos, com Agostinho, viram no Espírito o laço de amor que une eternamente o Pai e o Filho. E a boa notícia é que esse mesmo amor foi “derramado em nosso coração pelo Espírito Santo” (Rm 5.5): o Espírito nos introduz na própria vida de amor da Trindade. Por isso a oração cristã tem uma forma trinitária — oramos ao Pai, por meio do Filho, no Espírito (Ef 2.18). Quando eu oro, não estou gritando para um Deus distante; estou sendo levado pelo Espírito, através do Filho, à presença do Pai. Comunhão com Deus não é esforço para alcançar o inalcançável; é o Espírito me conduzindo para dentro de uma relação de amor que já existe desde a eternidade.
Alguém pergunta: “se o Pai cria, o Filho salva e o Espírito santifica, então cada um faz uma coisa separada — não são três deuses com funções diferentes?”. Como você responderia?Ver resposta sugerida
Eu esclareceria que as obras de Deus são indivisas: o único Deus trino opera em tudo, e as três Pessoas agem juntas em cada obra. Atribuímos a criação principalmente ao Pai, a redenção principalmente ao Filho e a santificação principalmente ao Espírito — mas nunca exclusivamente. Veja: o Pai cria “pela Palavra, no Espírito”; e Hebreus diz que “Cristo, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu ao Pai” (Hb 9.14) — as três Pessoas na mesma obra da cruz. Não são três deuses repartindo tarefas; é um só Deus agindo sempre do Pai, por meio do Filho, pelo Espírito (Ef 2.18; Rm 11.36). As Pessoas se distinguem, mas não se separam. É um só Deus, indivisível, que cria, redime e santifica.

Para casa e próxima aula

Tarefas

Ler João 14—16 observando como Jesus relaciona o Pai, o Filho e o Espírito; depois, escrever uma breve oração de forma explicitamente trinitária (ao Pai, por meio do Filho, no Espírito) e usá-la como abertura das suas orações nesta semana.

Aula seguinte

O Espírito na criação e na nova criação: ele pairava sobre as águas (Gn 1.2), age no mundo e não só na Igreja, e conduz a criação que geme rumo a um novo céu e nova terra. Ir para a Aula 4 →

Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA), salvo indicação em contrário. · Bispo Ildo Mello