Curso do Espírito SantoAula 8

O fruto do Espírito e a santidade

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.”Gálatas 5.22-23 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Gl 5.16-26; Rm 8.1-14; 2Co 3.18; 1Co 13

Para começar

As perguntas que nos guiam

Chegamos ao coração da espiritualidade wesleyana. Se o Espírito é Deus habitando em nós, qual é a maior coisa que ele quer fazer?

1

Qual é a maior obra do Espírito?

Milagres e dons — ou a transformação do caráter?

2

Fruto ou dons?

Como Deus mede a maturidade espiritual de uma pessoa?

3

A santidade é possível?

O que Wesley queria dizer com “perfeição cristã” — e o que ele não queria dizer?

Tese da aula: a maior obra do Espírito é a santificação — recriar o caráter de Cristo em nós. Essa obra aparece como fruto do Espírito (Gl 5.22-23), com o amor no centro; nasce do andar no Espírito em vez de na carne (Gl 5.16-25); vale mais que qualquer dom (1Co 13); e tem como alvo a plena santidade — o amor enchendo o coração —, sempre pela graça.

A primazia da santidade

A maior obra do Espírito

Wesley não era cessacionista: ele cria que o Espírito ainda pode operar dons e maravilhas. Mas ele fazia uma distinção decisiva: a maior obra do Espírito não é suspender as leis da natureza, e sim transformar o coração humano. Um milagre muda uma circunstância; a santidade recria a pessoa à imagem de Deus (2Co 3.18). Por isso ele valorizava “infinitamente mais” a obra que forma o caráter do que a que impressiona os olhos.

Gl 5.22-23

O fruto do Espírito

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.” (Gl 5.22-23)

Repare que Paulo diz “o fruto”, no singular — não “os frutos”. Não é um cardápio do qual escolhemos alguns itens; é um só fruto com nove faces, que amadurecem juntas. E na frente de todas está o amor: as demais são, no fundo, formas do amor em ação — o amor que se alegra, que pacifica, que suporta, que é fiel, que se domina. Onde o Espírito habita e reina, esse fruto brota naturalmente, como a árvore boa dá bom fruto (Mt 7.17). Não é produto do esforço da carne; é vida de Cristo fluindo em nós.

Gl 5.16-25 · Rm 8.13

Andar no Espírito, não na carne

Gl 5.16

“Andem no Espírito, e jamais satisfarão os desejos da carne.” A vitória não é reprimir a carne por força própria, mas andar sob outra direção.

Rm 8.13

“Se, pelo Espírito, fizerem morrer os feitos do corpo, viverão.” A santidade envolve cooperação: mortificar o pecado, habilitados pela graça.

Gl 5.25

“Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito.” A vida recebida deve virar caminhada diária.

Santidade não é passividade (“Deus faz tudo, eu não faço nada”) nem ativismo (“eu me esforço, Deus ajuda”). É cooperação com a graça: o Espírito capacita, e nós, habilitados por ele, dizemos não à carne e sim a Deus, dia após dia.

Mt 7.20 · 1Co 13

O fruto vale mais que os dons

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos… e não tivesse amor, seria como o bronze que soa ou o címbalo que retine.” (1Co 13.1)

É pelo fruto, não pelos dons, que se conhece uma pessoa: “pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.20). Paulo é enfático: sem amor, os dons mais extraordinários “nada são” e “de nada aproveitam” (1Co 13.2-3). E Wesley alertava, com realismo, que alguém pode ter dons milagrosos e ainda “ser miserável agora e na eternidade” se lhe faltar amor e retidão. Os dons impressionam; o fruto revela. A pergunta que amadurece a fé não é “que dom eu tenho?”, mas “que tipo de gente eu estou me tornando?”.

A perfeição cristã

O alvo: o amor enchendo o coração

Wesley chamava o alvo da vida cristã de perfeição cristã ou plena santificação. A expressão assusta, mas o sentido é preciso: é o amor enchendo o coração — amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a si mesmo (Mt 22.37-39), de modo que o amor, e não o pecado, governe a vida.

O que ela NÃO é

Não é isenção de erros, de ignorância, de tentação ou de fraqueza humana; não é um estado estático de quem “chegou”, nem motivo de orgulho — pois a perfeição que se gaba já se negou a si mesma.

1Jo 1.8; Fp 3.12-14

Portanto, a santidade wesleyana não é elitismo espiritual nem perfeccionismo ansioso: é a humildade de quem se deixa transformar, confiando que o Espírito completará a boa obra que começou (Fp 1.6).

Da doutrina à vida

Aplicações pastorais

1

Meça pelo fruto, não pelo espetáculo

Não avalie a si mesmo nem aos outros pelos dons, mas pelo fruto do Espírito (Mt 7.20). Pergunte: “que gente estou me tornando?”

2

Ande no Espírito, dia após dia

Coopere com a graça: diga não à carne e sim a Deus, habilitado pelo Espírito (Gl 5.16; Rm 8.13). É caminhada, não mágica.

3

Busque o amor acima de tudo

Sem amor, nada aproveita (1Co 13). Faça do amor a Deus e ao próximo o alvo consciente da sua vida.

4

Almeje a santidade sem ansiedade

Deseje o coração cheio de amor (perfeição cristã), sem orgulho nem desespero. O Espírito completará a obra (Fp 1.6).

A pergunta desta aula vai ao centro: eu tenho buscado dons que impressionam — ou o fruto do amor, que é a maior obra do Espírito?

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

Wesley dizia que a maior obra do Espírito não é suspender as leis da natureza (milagres), mas transformar o caráter humano (santidade). Por que ele dava tanta primazia à santificação — e o que isso corrige em nós?Ver resposta sugerida
Ele dava primazia à santificação porque é aí que o evangelho de fato cura a raiz do nosso problema. Um milagre resolve uma circunstância; a santidade recria a pessoa à imagem de Deus. Wesley notava, com realismo, que alguém pode ter dons extraordinários e ainda assim “ser miserável agora e na eternidade” se lhe faltar amor e retidão. Ou seja: dons impressionam, mas não salvam nem provam nada por si sós. Isso corrige em nós a tentação constante de medir a espiritualidade pelo espetacular — quem cura, quem profetiza, quem tem experiências intensas — quando a Escritura mede pelo fruto: “pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.20). A pergunta que amadurece a fé não é “que dom eu tenho?”, mas “que tipo de gente eu estou me tornando?”. A obra mais gloriosa do Espírito é justamente a mais silenciosa: um coração que aos poucos aprende a amar como Cristo amou.
A “perfeição cristã” de Wesley soa a muitos como exagero ou orgulho. O que ela realmente significa — e o que ela não significa?Ver resposta sugerida
Ela significa muito, mas não significa o que muitos temem. A perfeição cristã, para Wesley, é o amor enchendo o coração — amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a si mesmo (Mt 22.37-39), de modo que o amor, e não o pecado, passe a governar a vida. É o alvo da vida cristã, e Deus o oferece pela graça. Mas ela não significa isenção de erros, de ignorância, de tentação ou de fraqueza humana — Wesley era cuidadoso nisso: o cristão maduro ainda erra, ainda cresce, ainda depende inteiramente da graça a cada instante. Não é uma perfeição que se gaba (isso já seria a negação dela), nem um estado estático de quem “chegou”, e sim um coração cada vez mais tomado pelo amor. Portanto, não é orgulho — é o oposto: é a humildade de quem se deixa transformar. E não é para uma elite espiritual: é o que o Espírito quer operar em todo filho de Deus, tornando real em nós o amor que a Lei apenas ordenava.

Para casa e próxima aula

Tarefas

Ler Gálatas 5.16-26 e 1Coríntios 13 e fazer um “autoexame do fruto”: em quais das nove faces do fruto do Espírito você tem crescido e em quais precisa crescer; depois, escolher uma delas e pedir diariamente ao Espírito, nesta semana, que a amadureça em você.

Aula seguinte

Os dons do Espírito: para que servem, se cessaram ou não, e por que o amor é “o caminho sobremodo excelente” — um panorama de 1Coríntios 12 a 14. Ir para a Aula 9 →

Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA), salvo indicação em contrário. · Bispo Ildo Mello