Quando a posição muda, o meu caráter continua o mesmo diante de Deus?
“Não fiquem tristes, porque a alegria do Senhor é a força de vocês.”Neemias 8.10 (NAA)
Para começar
O muro está de pé. Mas a obra de Deus não para na pedra. Guarde três perguntas.
Quando a posição muda, o meu caráter continua o mesmo diante de Deus?
Estou lutando pela minha família, ou deixei brechas abertas em casa?
A Palavra de Deus tem o primeiro lugar na minha vida, ou virei um cristão apenas nominal?
A reconstrução dos muros trouxe dignidade, proteção e paz para a cidade de Jerusalém. Mas o trabalho não parou por aí, pois o mais lindo foi que Neemias colaborou para o povo de Deus voltar a dar ouvidos às Escrituras Sagradas (Ne 8).
O caráter no poder
Neemias mostrou-se íntegro mesmo após assumir a posição de governador (Ne 5.14-18). Neemias não foi para Jerusalém porque intencionava o posto de governador; sua missão foi motivada por pura compaixão (Ne 1.3-4).
No entanto, como ele foi fiel no pouco, sobre muito foi colocado, mas, mesmo assim, seguiu sendo leal a Deus e aos seus princípios éticos (Mt 25.23). O capítulo 5 mostra, em detalhes, como era essa integridade no exercício do poder.
“Muito bem, servo bom e fiel; você foi fiel no pouco, sobre o muito o colocarei; venha participar da alegria do seu senhor.”Mateus 25.23 (NAA)
Guarde isto
Copeiro ou governador, Neemias era o mesmo homem diante de Deus. A oração dele no fim do capítulo resume a motivação: “Lembra-te de mim para meu bem, ó meu Deus, e de tudo o que fiz por este povo” (Ne 5.19). Ele não buscava a lembrança dos homens, mas a de Deus.
Ne 5.14-19; Mt 25.23
A obra começa em casa
Neemias nos conclama a lutar em favor da família! “Lutem pelos seus irmãos, seus filhos, suas filhas, pelas mulheres e pela casa de vocês” (Ne 4.14).
Notar também o que está registrado em Neemias 3.28: os sacerdotes fizeram os reparos “cada um em frente da sua casa”. Precisamos fechar as brechas da muralha para nos protegermos contra os ataques inimigos (Ne 4.7). Devemos também lutar contra todos os inimigos que pretendem destruir a família, lembrando que nossa luta não é contra carne e sangue, mas, sim, contra os exércitos espirituais que semeiam a corrupção e que atuam sobre os filhos da desobediência (Ef 6.12; 2.1-2).
A família atravessa o livro inteiro de Neemias. Quando veio a ameaça de ataque, ele “pôs o povo, por famílias” atrás da muralha, com espadas, lanças e arcos (Ne 4.13): a família era a unidade de defesa. Quando a Lei foi lida, a congregação era “composta por homens, mulheres e todos os que eram capazes de entender o que ouviam” (Ne 8.2): a família era a unidade de ensino. Quando o pacto foi firmado, o povo aderiu “com as suas mulheres, os seus filhos e as suas filhas” (Ne 10.28): a família era a unidade de compromisso. E na dedicação do muro, “também as mulheres e as crianças se alegraram” (Ne 12.43): a família era a unidade de celebração.
“Sejam fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Vistam-se com toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo. Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais.”Efésios 6.10-12 (NAA)
Guarde isto
A reconstrução do povo começou na porta de cada lar. Antes de reformar o mundo, cuide da sua casa (Ne 3.28). Um muro só é forte se cada trecho estiver firme; uma igreja só é forte se cada família estiver de pé.
Ne 3.28; 4.13-14
O mais lindo veio depois
A Palavra de Deus produziu um grande avivamento espiritual! Repare como tudo aconteceu no capítulo 8: não foi uma campanha, foi uma leitura.
Princípio
Não foi a emoção que moveu o povo, mas as Escrituras lidas, explicadas e compreendidas. Onde a Palavra recupera o primeiro lugar, Deus reaviva (Ne 8.8). Foi assim em Jerusalém, foi assim na Reforma, foi assim no avivamento metodista do século XVIII, e continua sendo assim.
Ne 8.1-12; 9.1-3
Compromisso por escrito
O povo fez um pacto (Ne 9.38) no sentido de priorizar as coisas de Deus: “Não abandonaremos o templo do nosso Deus” (Ne 10.39).
“Por causa de tudo isso, nós fazemos uma aliança fiel, por escrito” (Ne 9.38). O primeiro a colocar o selo foi Neemias, o governador (Ne 10.1); depois sacerdotes, levitas e chefes do povo, e todo o restante aderiu “com juramento e sob pena de maldição, que andariam na Lei de Deus” (Ne 10.29). O capítulo 10 registra os compromissos concretos:
O povo se comprometeu com a construção das muralhas e agora está também comprometido com a edificação da Casa de Deus! Note a sequência: primeiro a Palavra (Ne 8), depois a confissão (Ne 9), depois o compromisso (Ne 10). Pacto sem Palavra é legalismo; Palavra sem pacto é sentimento passageiro.
A festa do muro
A obra que começou com choro (Ne 1.4) terminou com dois coros cantando sobre a muralha.
Para a dedicação, Neemias buscou os levitas e os cantores de todos os lugares, “a fim de que fizessem a dedicação com alegria, louvores, canto, címbalos, liras e harpas” (Ne 12.27). Sacerdotes e levitas purificaram a si mesmos, depois o povo, os portões e a muralha (Ne 12.30). Então ele formou “dois grandes coros em procissão”: um seguiu para a direita sobre a muralha, o outro para a esquerda, com Neemias atrás, até que os dois se encontraram na Casa de Deus (Ne 12.31-40).
“No mesmo dia, ofereceram grandes sacrifícios e se alegraram, pois Deus os havia enchido de alegria. Também as mulheres e as crianças se alegraram, de modo que a alegria de Jerusalém podia ser ouvida de longe” (Ne 12.43). A mesma cidade cuja ruína se ouvia de longe, lá em Susã, onde Neemias chorou (Ne 1.3-4), agora era ouvida de longe por causa da alegria.
Princípio
O povo não se alegrou porque a vida ficou fácil (os inimigos continuavam ali), mas porque “Deus os havia enchido de alegria” (Ne 12.43). Alegria cristã não é ausência de luta; é a presença de Deus no meio dela. E é contagiosa: ouve-se de longe.
Ne 8.10; 12.43
Zelo pela casa de Deus
Não podemos ser cristãos nominais, não podemos servir a Deus de qualquer maneira. Como Jesus, Neemias purificou o templo! Ele mostrou-se também muito zeloso quanto à necessidade de santidade no ministério sacerdotal (Ne 13.26-30).
O capítulo 13 é duro de ler, porque mostra como o pacto do capítulo 10 foi sendo quebrado ponto por ponto enquanto Neemias estava de volta na Pérsia. Ao retornar, ele encontrou quatro brechas abertas, e fechou uma por uma:
Assim como Jesus, séculos depois, fez um chicote de cordas, expulsou os vendedores e disse “Não façam da casa de meu Pai uma casa de negócio!” (Jo 2.13-17), Neemias corrigiu abusos e restaurou a pureza do culto e do serviço a Deus. O zelo pela casa do Senhor não é intolerância: é amor que não se conforma com o descuido nas coisas santas. Os discípulos lembraram que estava escrito: “O zelo da tua casa me consumirá” (Jo 2.17). Esse mesmo zelo consumia Neemias.
Guarde isto
Três vezes no capítulo 13 Neemias ora: “Lembra-te de mim, ó meu Deus” (Ne 13.14, 22, 31). Ele não fez as reformas para agradar gente, mas diante de Deus. A última frase do livro é a oração de um homem que gastou a vida na obra e só pediu uma coisa: “Lembra-te de mim, ó meu Deus, para o meu bem” (Ne 13.31).
Ne 13.4-31; Jo 2.13-17
Identidade e missão
O povo de Deus é povo do pacto, povo aliançado com Deus, povo comprometido com a Missão!
O mesmo povo que se comprometeu com a construção das muralhas agora se compromete com a edificação da Casa de Deus. E a Casa de Deus, no Novo Testamento, somos nós: “vocês são lavoura de Deus e edifício de Deus” (1Co 3.9). O muro era para proteger; o templo, para adorar; a Palavra, para formar; o pacto, para perseverar. Tire qualquer um desses e a obra fica incompleta.
Quantas preciosas lições podemos aprender com este fiel servo de Deus que foi Neemias! Ele chorou pela cidade, orou antes de agir, pediu licença ao rei, inspecionou em silêncio, mobilizou o povo, organizou a obra, enfrentou zombaria, ameaça, calúnia e traição, recusou o salário do cargo, confrontou os poderosos, lutou pela família, devolveu a Palavra ao centro, celebrou com alegria e zelou pela santidade da casa de Deus. Tudo isso sem nunca pedir a fama para si.
Para a vida
Cuide do caráter quando a posição mudar. Fidelidade no pouco é o que sustenta a fidelidade no muito (Ne 5.14-16; Mt 25.23).
Lute pela sua família. Repare o muro diante da sua própria casa e feche as brechas (Ne 3.28; 4.14).
Recoloque a Palavra no centro. Avivamento verdadeiro nasce das Escrituras lidas, explicadas, compreendidas e obedecidas (Ne 8.8).
Transforme convicção em compromisso. O povo escreveu e assinou o que decidiu; faça o mesmo com as suas decisões diante de Deus (Ne 9.38; 10.29).
Celebre. Deus quer ser ouvido de longe também pela alegria do seu povo, não só pelo seu trabalho (Ne 12.43).
Não seja cristão nominal. Tenha zelo pela casa de Deus, pelo dia do Senhor, pelo sustento da obra e pela pureza da sua fé (Ne 13; 10.39).
Fixação
Toque em cada cartão para virar. Comece pelo versículo e siga pelos conceitos da aula.
Avaliação
Cinco perguntas com correção imediata. Ao escolher, você vê na hora o acerto, a alternativa certa e um comentário que ensina.
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Para orar e responder
Que providência concreta preciso tomar em favor da minha família nesta semana: uma conversa, um perdão, um altar em casa, mais tempo, mais oração? E há alguma “câmara de Tobias” na minha vida, algo do inimigo a que eu dei espaço dentro do lugar que pertence a Deus?
Resposta sugerida: escolher uma atitude prática de cuidado com a própria casa e começar hoje, entendendo que a luta é espiritual antes de ser prática (Ne 3.28; 4.14; Ef 6.12). Se houver uma “câmara de Tobias”, esvaziá-la sem demora e devolver aquele espaço ao seu uso santo (Ne 13.8-9).
Alguns esperam avivamento apenas de reuniões emocionantes, ou acham que ele pode ser produzido por método. Como responder com mansidão?
Resposta sugerida: em Neemias, o avivamento nasceu quando o povo voltou a ouvir e a entender a Palavra (Ne 8.8), e se consolidou em confissão (Ne 9) e compromisso (Ne 10). Emoção sem Escritura não sustenta; a alegria do Senhor, fundada na Palavra e no pacto, é que se torna força (Ne 8.10). Ao mesmo tempo, o capítulo 13 nos lembra que até um avivamento genuíno precisa ser guardado: sem vigilância, o pacto se desfaz em poucos anos. A vida cristã se firma pela fé que ouve, obedece e persevera.
Neemias tinha direito a um sustento que não usou, para não pesar sobre o povo (Ne 5.14-18). Que direitos legítimos eu poderia abrir mão, por amor à obra e ao próximo?
Resposta sugerida: a integridade bíblica vai além de não fazer o errado; inclui renunciar ao permitido quando isso serve melhor aos outros. Paulo fez o mesmo ao não usar o direito de ser sustentado (1Co 9.12-15). Identificar um “direito” concreto (tempo, dinheiro, reconhecimento) do qual posso abrir mão nesta semana em favor de alguém.
Neemias foi íntegro no poder, recusou o pão do governador, confrontou os poderosos, lutou pela família e zelou pela casa de Deus. Fiel no pouco, permaneceu fiel no muito (Ne 5.14-19; 13; Mt 25.23).
O ápice não foi o muro, mas o avivamento: a Palavra lida e entendida, o pacto assinado, a alegria ouvida de longe. Que a alegria do Senhor seja a nossa força (Ne 8.8-10; 10.39; 12.43).
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Bispo Ildo Mello — Igreja Metodista Livre do Brasil. Referências na versão Nova Almeida Atualizada (NAA).