Estudos do Bispo Ildo · Antigo e Novo Testamentos
Antigo Testamento
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Livro de Êxodo com Dr. John Oswalt – Vídeo da Terceira Palestra e transcrição das 3 palestras+
Transcrição da Primeira Palestra do Dr. John Oswalt: "Êxodo – A Libertação" Podemos nos perguntar por que estudamos um livro do Antigo Testamento. Afinal, somos cristãos, não somos? Mas o fato é que a Bíblia é um único livro. Não são dois livros, como se fosse um precursor judaico. Não, não é assim. Não é como se tivéssemos o Antigo Testamento, e depois o Novo Testamento, que seria o verdadeiro livro cristão. Não é isso. Toda a Bíblia é a palavra de Deus, e o Deus do Antigo Testamento é o mesmo Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. O que o Antigo Testamento faz é nos dar as perguntas que o Novo Testamento responde. Por exemplo, Jesus é a resposta, mas qual é a pergunta? Muitos diriam que a pergunta é: “Como meus pecados podem ser perdoados e eu ir para o céu?” Mas essa não é a pergunta que o Antigo Testamento está fazendo. A pergunta do Antigo Testamento é: “Como um ser humano pecador pode viver com um Deus santo?” E Jesus responde a essa pergunta. Jesus nos mostra como podemos ser como Deus, carregando o seu caráter. Portanto, precisamos do Antigo Testamento para entender quem Deus é e qual é o seu propósito para nós.
Isso responde à pergunta de por que devemos estudar o Antigo Testamento. Mas por que o livro de Êxodo? Gênesis nos conta a história dos começos. Gênesis nos diz o que Deus pretendia e depois qual foi o problema que surgiu. Gênesis também delineia a solução para esse problema, e Êxodo preenche o quadro da solução, nos dando uma teologia da salvação. Se compreendermos corretamente a salvação aqui, a entenderemos corretamente no Novo Testamento. Mas, se errarmos aqui, podemos errar também no Novo Testamento.
O título do livro em grego é “Êxodo”, que significa “o caminho para fora”. Mas o caminho para fora do Egito já está concluído no capítulo 15. Então, o que mais encontramos depois do capítulo 15? Há uma revelação do caráter e da natureza de Deus. Eles não conheciam realmente quem era esse Deus que os libertou, e essa revelação vem na forma de uma aliança. Mas a aliança é concluída no capítulo 24. Então, se o problema deles não era o cativeiro, e se o problema deles não era a ignorância teológica, qual era o problema? Isso é o que vemos nos últimos 16 capítulos do livro. O problema é a alienação de Deus. Então, nosso problema como seres humanos envolve cativeiro ao pecado? Sim. Envolve não saber quem Deus é? Sim. Mas o problema real da humanidade é que estamos separados da fonte da vida.
No restante desta palestra, então, queremos falar sobre esse primeiro problema: a libertação do cativeiro. Isso está nos capítulos 1 a 15. Podemos delinear esses capítulos da seguinte forma, e você vê o delineamento na tela diante de você: primeiro, no capítulo 1, temos a necessidade de libertação. Depois, nos capítulos 2 a 4, a preparação do libertador. E, no restante do capítulo 4 e nos capítulos 5 e 6, a oferta de libertação. Depois, os meios de libertação aparecem nos capítulos 7 a 11, que são as pragas, se você se lembra. Finalmente, então, nos capítulos 12 a 15, temos os eventos de libertação.
Então, começamos olhando para a necessidade de libertação. Quando olhamos para o primeiro capítulo, vemos que estão retomando a história de Gênesis. Estes são os descendentes de um homem chamado Jacó. Quem é este homem? Ele é um homem a quem Deus fez grandes promessas. Foi sobre isso que o livro de Gênesis tratou: a promessa de uma terra e de um povo. Deus tem um problema: Ele pode cumprir suas promessas? Então, esse é o “quem” – Jacó e Deus. A segunda questão é “o que”. Qual é exatamente o problema? Há um problema de opressão, mas ainda mais sério que isso é o problema do genocídio. O faraó está tentando destruir essas pessoas. Então, aqui está o problema: Deus pode cumprir suas promessas a essas pessoas, dar-lhes uma terra e fazer deles um povo? Vemos uma pequena dica de sua capacidade de fazer isso nas parteiras. Deus trabalhará através de pessoas fiéis para salvar o mundo.
Então, vemos nos capítulos 2 a 4 a preparação do libertador, e isso começa com a providência de Deus. Como esse bebê sobrevive? Através de uma combinação da fidelidade de sua mãe e da ousadia de acreditar que Deus, de alguma forma, realizará um milagre. Esta criança é criada e treinada pelo inimigo. Deus é muito econômico; Ele usará qualquer meio possível para alcançar seu objetivo. Mas então vemos o fracasso de Moisés. Moisés viu o que estava acontecendo com seu povo e foi movido de compaixão por eles, então ele pensou que os salvaria um de cada vez, sem nenhum custo para si mesmo. Isso nunca é possível. Moisés não perguntou a Deus como Ele planejava salvar seu povo; ele desenvolveu seus próprios meios para fazer isso, e isso nunca funciona. Então, ele foge, e parece que a cuidadosa preparação de Deus foi em vão. Mas isso não leva em conta o caráter de Deus. Se você tiver uma Bíblia aí, por favor, vire para os versículos 23 a 25 do capítulo 2. Você poderia lê-los, por favor? Sim. Deus ouviu seus gemidos, lembrou-se de sua aliança, olhou para eles e os conheceu. Este é o Deus vivo que ouve e se lembra. Ele olha e conhece.
Portanto, mesmo que o libertador aparentemente tenha falhado, o caráter de Deus exige que, de alguma forma, essa libertação ocorra. O inimigo lhe dirá que Deus não se importa com sua situação. Ele sabe, e Ele se importa, e Ele manterá suas promessas. Então, o que precisa acontecer? Deus precisa chamar a atenção de Moisés e levá-lo a tentar novamente, mas agora do jeito de Deus. Acho que a sarça ardente estava diretamente relacionada ao que Moisés estava pensando. Moisés estava ouvindo o inimigo. Acho que ele pensava: “Se você se entregar a Deus, Ele vai consumi-lo, e você não será nada além de cinzas.” Mas Moisés viu essa sarça, que estava em chamas para Deus, mas não era consumida. E então Deus disse a ele: “Estou muito preocupado com meu povo, então vou enviar você.” E Moisés levantou uma série de objeções, todas focadas em sua inadequação, ignorância, fraqueza e incapacidade. E Deus respondeu a cada uma dessas objeções referindo-se a si mesmo: não é a inadequação de Moisés, mas a presença de Deus; não é a ignorância de Moisés, mas a pessoa de Deus.
Moisés disse: “Eu não conheço o seu nome.” E o que Deus revelou a ele foi muito mais do que apenas um rótulo; foi o caráter de quem existe antes de todas as coisas e através de todas as coisas. Moisés disse: “Bem, eu não posso convencê-los, eles não acreditarão em mim.” E Deus mostrou seu poder novamente, com a ilustração poderosa do que está na sua mão. “Oh, isso é meu cajado de pastor.” E Deus disse: “Não, é uma serpente.” Há todo um sermão aí: se você segurar o que está na sua mão, isso pode destruí-lo. Da mesma forma, o sinal da lepra: “Oh, Deus, eu não posso ir ao Egito, eu tenho lepra.” E Deus disse: “Coloque sua mão de volta em seu manto, e ela está limpa.” Se você tocar as pessoas com seu próprio poder, você as contaminará, mas o poder de Deus pode nos tornar limpos. Finalmente, Moisés, desesperado, disse: “Bem, eu não sei falar muito bem.” E Deus, um pouco exasperado, disse: “Já chamei seu irmão Arão, e ambos sabemos que ele não tem problema para falar.” E assim, finalmente, Moisés aceitou.
É muito interessante para mim que não temos uma grande rendição emocional aqui. A questão não é se você tem uma grande reação emocional; a questão é se você vai obedecer a Deus. E assim, Moisés disse a seu sogro: “Eu preciso voltar ao Egito.” Moisés e Arão foram e mostraram os milagres de Deus, e o povo respondeu muito positivamente: “Isso é maravilhoso! Deus vai nos libertar! Ele é um Deus que faz milagres!” Mas então o faraó disse: “Quem é Yahweh? Eu não o conheço.” Esse é o verdadeiro problema que está surgindo aqui: quem é este Yahweh afinal? E, como o faraó não acredita que exista tal Deus, então o povo deve ter inventado isso para tentar sair do trabalho. Muitas vezes isso acontece no mundo. Um mundo que não conhece e não reconhece Deus criará desculpas. Assim, vemos os supervisores hebreus indo até o faraó, querendo que ele alivie suas cargas, e ele, é claro, recusa. Eles encontram Moisés e Arão na saída e dizem: “Vocês nos fizeram feder ao faraó!” Então, Moisés e Arão voltam ao povo e dizem: “Vai ficar tudo bem, continuem acreditando”, mas o povo não quer mais ouvir.
Então, o problema da salvação é de duas faces: o povo tem um problema, mas Deus também tem um problema. A questão da salvação é: quem é Deus? Ele tem o poder? Ele tem a vontade? E isso é o que vai ser demonstrado para nós nos capítulos 7 a 11. Eu costumava me perguntar por que há tantas pragas. Se o objetivo é tirar o povo do Egito, uma grande praga certamente teria feito o trabalho. Mas, em vez disso, temos todas essas pragas. Por quê? Porque o verdadeiro propósito aqui é demonstrar quem Deus é, em contraste com os deuses egípcios. Temos que lembrar que, por 400 anos, o povo hebreu viveu em um ambiente totalmente pagão. Tudo o que aprenderam sobre a realidade está errado, e é baseado em um erro fundamental, que é característico da religião falsa em todo o mundo: a ideia de que este mundo é divino. Todos os outros erros do paganismo derivam dessa ideia. Se este mundo é divino, então todas as forças nele são divinas, e há muitos deuses. Se este mundo é Deus, eu posso manipular este mundo, e, ao fazer isso, influenciar os deuses. Qual é o objetivo da vida? É manipular este mundo para suprir minhas necessidades. Isso é o que a idolatria é, em essência. Você não precisa ter uma pequena estátua para ser um idólatra. Se você está adorando as forças deste mundo, tentando satisfazer suas necessidades através delas, você é um idólatra. E Deus precisava mostrar ao povo hebreu e aos egípcios que isso não é verdade. Eles precisavam saber: “Eu sou.”
O que esse nome nos diz? Ele é um ser que existe em si mesmo, sem depender de nada mais. Ele não é parte deste mundo, e isso é o que Deus está tentando mostrar através das pragas. Ele conhece nossas necessidades melhor do que nós, e quer supri-las. Ele o fará se confiarmos nele, acreditarmos nele e obedecermos a ele. É isso que deu errado no Jardim do Éden. Adão e Eva não confiaram em Deus, então não acreditaram nele quando ele disse que morreriam. E assim, eles não o obedeceram quando ele disse: “Não comam daquela árvore.” Deus diz várias vezes nestes capítulos: “Então vocês saberão que eu sou Yahweh.” E é isso que Deus quer para você e para mim. Ele quer que saibamos quem ele é, mas ele também quer que o conheçamos pessoalmente.
Essas pragas são um ataque aos deuses do Egito. Os egípcios pensavam que esses vários elementos poderiam dar vida. Deus diz: “Qualquer coisa em que você confie, em vez de mim, para lhe dar vida, na verdade trará morte.” Não é por acaso que a primeira praga é sobre o Nilo, porque os egípcios adoravam a Mãe Nilo, que lhes dava um novo nascimento todos os anos. E Deus mostra a eles que o Nilo, em si mesmo, é sangue. Os egípcios adoravam rãs porque as rãs tinham a capacidade de viver em dois mundos. Eles estavam muito preocupados com isso, porque a vida no Egito era maravilhosa, e eles tinham medo de que a vida no próximo mundo não fosse tão boa. Essa é a mesma razão pela qual adoravam moscas, porque as moscas podiam trazer vida a partir de coisas mortas. Assim por diante, adoravam animais por causa do poder do touro e do carneiro. E Deus mostra a eles que, em si mesmos, nenhum desses seres tem vida; eles são morte. E finalmente há o sol em si. Todos os dias do ano, o sol nascia e cruzava majestosamente o céu, dando vida. E Deus diz: “Eu posso apagar o sol. Ele é sujeito à minha voz.” E finalmente, é claro, há a vida em si. Mesmo a vida em si não é vida sem a mão de Deus.
É interessante que o povo judeu continuava pedindo sinais a Jesus. Esse é o termo usado para as pragas: sinais. E Jesus fez sinais. De fato, ele inverteu tudo. As coisas que este mundo pensa que trazem morte, Jesus mostrou que ele tem o poder de transformar em vida. A natureza fora de controle, ele pode trazer vida. Mesmo o demoníaco, ele pode usar para trazer vida. E, claro, no final, ele pode transformar a morte em vida.
Então, a pergunta é: quem é Deus? Finalmente, o faraó não admite que Yahweh é Deus, mas ele admite que foi derrotado. O deus deste mundo não admitirá quem Deus é, mas ele pode ser derrotado.
Então, chegamos aos eventos da libertação. Há duas partes principais aqui. A primeira é a celebração da Páscoa, e a segunda é a travessia do Mar Vermelho. Mais uma vez, se o objetivo é apenas tirar o povo do Egito, por que dedicar dois capítulos à celebração da Páscoa? E acho que a resposta é que estamos apontando para o futuro. A questão real aqui não é o cativeiro no Egito; a questão real é o anjo da morte, porque é isso que a Páscoa realmente trata: a vitória sobre a morte.
Desde o Jardim do Éden, a morte reinou. Agora, Deus não pode simplesmente ignorar isso e fingir que podemos esquecer. Este é um mundo de causa e efeito que Deus criou, e a Bíblia diz: “A alma que pecar, essa morrerá.” É como dizer: “Se você pegar um fio elétrico vivo, você morrerá.” Não podemos dizer: “Oh, bem, eu não entendi realmente o que estava acontecendo, então vamos esquecer isso.” Isso não funciona. O que deve ser feito sobre o reinado da morte no mundo? Algo ou alguém terá que morrer no lugar dos demais. E é isso que a celebração da Páscoa está apontando. Não é coincidência que a última ceia tenha ocorrido em conexão com a Páscoa. Ao mesmo tempo, a cerimônia da Páscoa levanta questões: pode um cordeiro morrer pelos meus pecados? O profeta Miquéias diria: “Poderia meu próprio filho morrer pelos meus pecados?” E a resposta é obviamente não. Então, ano após ano, o povo de Deus estava dizendo: “Alguém tem que morrer, mas quem é?” E a tragédia é que, quando ele veio, eles não o reconheceram.
Agora, a jornada do Egito a Canaã ao longo da estrada costeira leva cerca de 11 dias. E, pelo texto bíblico, parece que começaram a ir por esse caminho, mas Deus os fez dar a volta e os levou por um caminho mais longo. Por que ele faria isso? Eles poderiam ter evitado o Mar Vermelho se tivessem seguido pela estrada costeira. Mas Deus os leva a uma situação em que se deparam com uma água intransponível. Alguma vez Deus já levou você pelo caminho mais longo? Ele já me levou. E ele faz isso para demonstrar a nós, como fez aos hebreus, o seu poder. Se você teve sucesso a vida inteira por suas próprias forças, é digno de pena. É quando chegamos ao fim de nós mesmos e reconhecemos que não podemos fazer isso sem Deus, que descobrimos a maior verdade de todas.
Parece que pelo menos uma pessoa aprendeu as lições das pragas. Aqui estão eles, com o maior exército de carros do mundo naquela época, vindo em sua direção, e suas costas estão voltadas para uma água que não podem cruzar. E as pessoas começam a fazer o que farão bem pelos próximos 40 anos: dizer: “Você nos trouxe aqui para nos matar!” E Moisés diz: “Fiquem quietos e vejam o que Deus vai fazer.” Agora, é interessante para mim que não há evidências de que Deus tenha dito a Moisés o que ele vai fazer. Olhando da perspectiva humana, esta é uma situação desesperadora. Mas Moisés aprendeu algo sobre quem Yahweh é, e Yahweh não precisa dizer a Moisés o que ele está planejando fazer para que Moisés acredite de qualquer maneira.
Agora, muitos estudiosos bíblicos dirão: “Oh, isso realmente não aconteceu. É apenas uma bela história para ilustrar a fé em Deus.” Mas isso não entende um ponto essencial da revelação bíblica. Na Bíblia, Deus se revela em eventos únicos no tempo e no espaço. Nos mitos, os deuses são revelados nos grandes ciclos recorrentes da natureza. Mas o Deus da Bíblia está fora deste mundo, e ele intervém nos eventos de tempo e espaço que nunca aconteceram antes e nunca acontecerão novamente para revelar quem ele é. Lembre-se do que Paulo, o apóstolo, diz quando ele diz: “Se Cristo não ressuscitou, somos de todos os homens os mais dignos de pena.” Porque acreditamos em uma mentira. Como sabemos que Deus derrotou a morte? Porque o túmulo está vazio. A verdade espiritual é ensinada nas realidades da história. A ressurreição de Cristo não é algo novo. Este é o tipo de coisa que Deus tem feito o tempo todo. Este é o grande clímax.
Agora, os cineastas às vezes retratam as pessoas caminhando entre paredes de água com cem metros de altura. Não sei se aconteceu assim, mas sei disso: uma água que era profunda demais para qualquer um cruzar, de alguma forma se dividiu, e eles atravessaram a seco.
Isso nos traz ao fim dessa primeira divisão: a libertação do cativeiro. Quero falar com vocês sobre o que aprendemos sobre a salvação até agora. Qual é a necessidade de salvação? Precisamos ser salvos, mas Deus também precisa nos salvar para cumprir suas promessas e provar seu caráter. E qual é a causa da salvação? A causa da salvação é a auto-revelação de Deus. Deus nos mostra quem ele é e, ao nos mostrar, nos salva. E qual é o propósito da salvação? Lembre-se do que eu disse no começo: é muito fácil para nós dizer: “Ah, a salvação é para que meus pecados possam ser perdoados e eu possa ir para o céu.” Mas o propósito da salvação é que possamos conhecê-lo, conhecê-lo pessoalmente. Não apenas saber sobre ele, mas ter esse reconhecimento pessoal, como vimos no exemplo de Moisés.
Agora, então, você vê pontos de interrogação na expressão da salvação e no objetivo dela. Vamos responder a essas questões nas próximas palestras.
Transcrição da Segunda Palestra do Dr. John Oswalt: Êxodo da escuridão Teológica.
É um grande privilégio estar com vocês novamente nesta noite. É um privilégio estarmos reunidos em torno da Palavra de Deus, pois é através dela que conhecemos a Deus e ao Senhor Jesus Cristo.
Se você esteve conosco na noite passada, sabe que estamos estudando o livro de Êxodo. A palavra "êxodo" vem do grego e significa "caminho para fora". Podemos pensar que se refere apenas ao êxodo do Egito, ou seja, ao caminho para fora do cativeiro. No entanto, ao chegarmos ao capítulo 15, o povo já está fora do cativeiro. Isso nos sugere que havia outro problema do qual eles precisavam ser libertados.
Eles haviam aprendido sobre a singularidade e o poder de Deus, mas ainda não O conheciam tão bem quanto precisavam. Ao observarmos os materiais entre os capítulos 16 e 24, percebemos que eles tinham um problema de ignorância teológica, e é isso que vamos abordar esta noite.
Eles aprenderam que Deus é absolutamente outro, ou seja, Ele é santo. Eles também aprenderam que Ele está imediatamente presente. Embora seja absolutamente outro, Ele está imediatamente presente. Eles aprenderam que Ele é a fonte e o fim de todo ser, mas ainda não sabiam se Ele realmente se importava com suas necessidades humanas.
Sim, o coração de Deus havia sido tocado pelo cativeiro deles, mas e quanto às necessidades diárias? A serpente no jardim havia dito que Deus não se importava, e podemos ver que o povo realmente acreditava nessa mentira. Se olharmos para o capítulo 15, versículo 24; capítulo 16, versículo 2; e capítulo 17, versículo 3, aprendemos algo sobre essas pessoas.
Vemos um povo temeroso que, por causa do medo, está sempre olhando para trás, com uma disposição cínica e duvidosa. Eles não queriam um relacionamento com Deus; apenas queriam Suas bênçãos. E vemos que essas características serão repetidas ao longo da jornada.
Eles realmente não acreditavam que Deus se importava com eles. Com esse pano de fundo, vamos observar o esboço desta passagem. Primeiro, vemos o deserto e a providência de Deus. Em seguida, vemos a aliança e os princípios de Deus. A seção sobre a aliança pode ser dividida em três partes: a preparação no capítulo 19, a apresentação nos capítulos 20 a 23, e a participação no capítulo 24.
Voltando ao deserto e à providência de Deus, o que vemos nesses capítulos é uma revelação de que Deus realmente se importa. Em primeiro lugar, vemos exemplos de Sua paciência. Repetidamente, à medida que o povo reclamava e murmurava sobre sua situação, Deus foi paciente com eles. E isso, claro, será uma característica de Deus ao longo do restante do Antigo Testamento. Realisticamente, Deus deveria tê-los abandonado muitas vezes, mas, mesmo no final, quando os enviou para o exílio, Ele ainda não os abandonou.
Muitas pessoas que descobrem que ensino o Antigo Testamento costumam dizer: "Oh, o Deus do Antigo Testamento é tão irado". E minha reação é: "O que é surpreendente nisso? Por que Ele não estaria irado com essas pessoas que, ao longo dos séculos, rejeitam Sua graça e amor?".
Além de Sua paciência, vemos a plenitude de Sua provisão. Duas vezes Ele provê água para eles. Ele fornece alimento. Deus se importa? Sim, Ele se importa. E novamente, no meio das reclamações e murmurações, Deus supre suas necessidades. E acho que podemos nos ver refletidos no povo hebreu. Nós também tendemos a não confiar Nele. Ele supre nossas necessidades repetidamente, e ainda assim, quando enfrentamos dificuldades, reclamamos que Ele não está cuidando de nós.
Nessas provisões, Deus está ensinando certas lições. Uma das coisas que Ele está ensinando é Seu poder abençoado. Ele é capaz de tudo o que esse povo está enfrentando. E quando as coisas parecem impossíveis, Ele é capaz de triunfar. Eles encontram água amarga, e Deus é capaz de torná-la doce. Eles chegam a um lugar onde não há água, e Deus faz a água jorrar da rocha. Não há comida, e Deus faz o alimento descer dos céus.
Eles estão no deserto e, de repente, uma grande revoada de aves aparece, permitindo que sejam facilmente capturadas. E depois disso, Ele fornece outro tipo de alimento, cujo nome hebraico significa "o que é isso?" – Ma-ná. Nós, claro, nos referimos a isso como maná, mas na verdade significa "o que é isso?", um alimento muito estranho. Havia o suficiente para cada família para cada dia, mas não havia o suficiente para dois dias de uma vez. Eles tinham que depender de Deus para o alimento diário. Eles tiveram que aprender a ser continuamente dependentes Dele, uma lição muito difícil para nós aprendermos. Não queremos depender de Deus; preferimos depender de nós mesmos.
Agora, claro, isso não é uma sugestão de que devemos ser descuidados ou imprevidentes, mas sim uma atitude que devemos continuamente desenvolver em nossos corações: embora tenhamos pão suficiente em nossos armários para uma semana, ainda lembramos que ele foi provido por Deus para nossas necessidades. Ele providenciou água, alimento e também proteção.
Os hebreus estavam na parte sul da península do Sinai, mas havia uma tribo guerreira na parte norte da península chamada amalequitas. Há cerca de 120 milhas entre o lar dos amalequitas e onde os hebreus estavam, mas aparentemente os amalequitas ouviram falar dessas pessoas indefesas que haviam trazido grandes quantidades de ouro e prata do Egito, e decidiram que iriam se apossar disso. E assim, vieram atacar os hebreus, mas Deus os protegeu.
Agora, é interessante ver a combinação de providência divina e habilidade humana. Os hebreus estavam armados e eram liderados por Josué, mas só prevaleciam quando Moisés levantava as mãos, simbolizando a bênção de Deus. Ele ficava cansado, e suas mãos caíam; então, os hebreus não prevaleciam. Dois homens, reconhecendo isso, correram para sustentar as mãos de Moisés.
Deus usa habilidades humanas, mas essas habilidades só são eficazes quando usadas sob a bênção de Deus. Isso é um grande perigo para nós, pregadores. Aprendemos a fazer a tarefa, a falar de maneiras que obtenham resposta, a falar de maneiras santas, a aprender os segredos do sucesso pastoral, e não percebemos mais o quanto precisamos de Deus. Para aqueles de nós que estão no ministério há muito tempo, isso se torna uma memória cada vez mais necessária. Como o profeta disse a Zorobabel: "Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito". Deus usa nossas habilidades, mas elas só são eficazes quando Sua bênção repousa sobre elas; caso contrário, são mortais.
Assim, Deus está ensinando-lhes não apenas que Ele se importa, não apenas que Ele é poderoso, mas que eles são totalmente dependentes Dele.
Aparentemente, Moisés havia enviado sua família – esposa e dois filhos – de volta para o sogro durante a grande tensão e estresse das pragas. Agora, seu sogro traz a esposa e os filhos de Moisés para encontrá-lo, e podemos imaginar Moisés, muito animado, contando ao sogro sobre as maravilhas que aconteceram.
Lemos sobre isso no versículo 8 do capítulo 18. Se você tiver sua Bíblia, por favor, leia esse versículo.
Observe o que ele disse: contou o que o Senhor havia feito a Faraó e como o Senhor havia salvo Israel. Jetro, então, responde nos versículos 10 e 11.
Essa passagem é muito significativa. O povo hebreu sabia algo sobre o poder e a graça de Deus porque experimentaram isso em primeira mão. Jetro, por outro lado, não experimentou o que o povo hebreu experimentou; ele ouviu um testemunho sobre isso, e é com base nesse testemunho que ele agora conhece a Deus.
Jesus fala sobre algo muito semelhante no capítulo 17 de João. Ele ora pelos discípulos que estão com Ele, mas também ora por aqueles discípulos no futuro que acreditarão no testemunho dos discípulos. Jetro é a primeira pessoa na história a ser precursor de todos nós que acreditamos por causa do testemunho da história.
Falamos sobre isso um pouco na noite passada. Esta é a importância da história. Essa teologia é verdadeira porque se baseia na realidade histórica. Por que Jetro acredita? Ele não acredita por causa da eloquência de Moisés, ou por causa da sinceridade de Moisés; ele acredita por causa da integridade de Moisés, que fielmente relatou o que Deus fez no tempo e no espaço. E é assim para você e para mim. As pessoas não devem acreditar em Jesus por causa da nossa eloquência ou entusiasmo, mas pela integridade do que estamos testemunhando.
Jetro compreende que a obra de Deus mostrou que Ele é maior que todos os deuses. Finalmente, Jetro dá a Moisés alguns conselhos muito sábios. Até esse ponto, Deus havia providenciado para as necessidades do povo de maneiras milagrosas. Agora, Ele providencia de maneiras mais normais. Moisés está tentando aconselhar todo o povo, e claro que ele está falhando. Está se desgastando e não consegue lidar com todas as preocupações do povo. Então, Jetro diz a Moisés que divida o grupo e coloque homens fiéis sobre cada um dos grupos menores. Parece que Moisés estava tentando liderar como a sociedade egípcia era organizada sob o Faraó, e Jetro lhe diz que esse método não funcionaria ali.
Assim, vemos nos capítulos 16 a 18 um Deus que se importa com nossas necessidades humanas diárias.
Mas qual é o caráter desse Deus? Que tipo de pessoa Ele é? Eles ainda têm alguma ignorância teológica. Como disse na noite passada, Deus tinha um problema muito sério. Tudo o que o povo hebreu havia aprendido sobre religião nos últimos 400 anos estava errado. Eles haviam aprendido que havia muitos deuses. Isso não é verdade; há apenas um Deus. Eles haviam aprendido que os deuses podiam ser manipulados manipulando-se este mundo. Eles haviam aprendido que não havia um padrão único de ética; o que era certo para um deus era errado para outro deus. O que era bom para um deus era ruim para outro. Mas, na verdade, existe um padrão único de ética, o padrão do Criador. O outro ponto de vista não acredita que existe um Criador, e assim, não há propósito ou significado para a criação. Eles também haviam aprendido que a sexualidade é a força vital do mundo.
Agora, você pode ver de onde vieram essas ideias. As pessoas olhavam para este mundo visível e diziam: a realidade invisível deve ser assim. Os deuses são simplesmente seres humanos ampliados. Às vezes, eles são melhores que os humanos, mas muitas vezes são piores. Às vezes, eles são mais gentis que os humanos, mas outras vezes são mais cruéis. E, como somos obcecados por sexualidade, os deuses também são obcecados por sexualidade. Porque essa é a maneira pela qual criamos vida, deve ser assim que os deuses criam vida. Mas isso está errado.
Então, o que Deus deve fazer? Deve Ele dar um livro de filosofia para essas pessoas? Deve Ele lhes dar um livro de teologia? Esses são escravos, a maioria dos quais não sabe nem ler. Então, o que Ele faz? Ele os convida a entrar em uma aliança com Ele.
Agora, a ideia de aliança era bem conhecida no mundo naquela época. Grandes reis vinham, conquistavam um povo submisso e lhes ofereciam uma aliança. Essa aliança envolvia compromissos mútuos, mas exigia um compromisso absoluto do povo. A aliança estava em um formato padrão. Começava com uma introdução, que identificava o rei e o povo submisso. Em seguida, havia um prólogo histórico, dando um resumo do que havia acontecido para trazer esse arranjo. Depois, havia uma declaração dos termos: o que o povo estava concordando em fazer e o que o rei estava concordando em fazer. É interessante que o que o rei exigia muitas vezes refletia seus próprios desejos e natureza pessoais, e esses requisitos eram geralmente declarados em termos absolutos: "Você fará isso; você não fará aquilo". E o rei podia fazer uma exigência assim porque, para o povo, ele era o único rei. Depois dos termos, havia uma declaração sobre onde uma cópia da aliança deveria ser mantida, geralmente no templo principal do povo. E finalmente, havia declarações de bênçãos e maldições: se o povo quebrasse essa aliança, aqui estavam as maldições; mas se cumprissem a aliança, aqui estavam as bênçãos.
Então, Deus toma essa forma bem conhecida e a adapta para Seu uso com esse povo. Eles aprenderão a natureza e o caráter de Deus fazendo coisas que refletem a natureza e o caráter Dele. Eles aprenderão fazendo.
A aliança bíblica começa no capítulo 19, e todo esse capítulo é dedicado à preparação. Este é um momento incrivelmente importante na história da revelação. Deus estava trazendo cuidadosamente o povo até esse ponto. Ele começou com uma aliança com Noé, na qual Ele se comprometeu a nunca destruir o mundo com água. Depois, Ele fez uma aliança com Abraão. Mais uma vez, é completamente unilateral: Deus está se comprometendo na aliança e não está pedindo nada de Abraão. Deus jura que dará a Abraão mais filhos do que as estrelas do céu.
No capítulo 15 de Gênesis, vemos uma série de ações muito estranhas. Abraão é instruído a dividir ao meio certos animais e aves. Então, Abraão cai em um sono profundo e vê um pote de incenso e uma tocha flamejante passando entre essas duas metades sangrentas. O que está acontecendo aqui? Uma aliança era selada quando as duas partes da aliança passavam entre as metades de um animal sacrificado. Animais sacrificiais não gostavam de cerimônias de aliança. E enquanto as duas partes ficavam lá, diziam uma à outra: "Que Deus faça comigo o mesmo se eu alguma vez quebrar nossa aliança". E o autor de Hebreus nos diz que, naquele momento, Deus estava jurando por Si mesmo, porque não havia ninguém maior. Se Deus algum dia quebrar Sua promessa, que Deus mesmo seja morto. Mais uma vez, isso é completamente unilateral: é Deus se comprometendo.
Dois capítulos depois, Deus pede o primeiro sinal de compromisso de Abraão. Ele pede que Abraão marque seu corpo, uma marca que demonstra que Abraão aceitou o acordo da aliança com Deus.
Agora, finalmente, chegamos à conclusão de toda essa longa preparação: a aliança do Sinai, quando o povo se unirá em aliança com Deus. Suponha que eles cheguem a esse ponto e digam "não, acho que não faremos isso". Todo o trabalho de Deus para trazê-los até aqui teria falhado. E assim, vemos o capítulo 19 inteiro dedicado à preparação. É uma preparação que lida com cada parte do ser humano. Há preparação intelectual, quando Deus os lembra de que os libertou do Egito. Ele não os venceu como um rei conquistador, mas veio a eles como um libertador glorioso. Isso está no passado. Para o futuro, Ele diz que, se aceitarem a aliança, Ele os transformará em um reino de sacerdotes, uma nação santa.
Há não apenas preparação intelectual, mas também preparação volitiva ou ativa. Eles recebem três ações a serem tomadas para se preparar: lavar suas roupas, abster-se de relações sexuais e colocar uma cerca ao redor da base da montanha. Finalmente, há preparação afetiva ou emocional. A montanha treme, fogo cai sobre ela, e uma trombeta invisível é tocada.
Eles estão, portanto, preparados para este momento de revelação da aliança de Deus, que serão chamados a aceitar.
A aliança em si envolve, primeiro, uma introdução, quando lemos: "Eu sou o Senhor, que te tirei do Egito". Em seguida, vêm os termos, que começam com o que eu chamaria de fundamentos. Falamos deles como os Dez Mandamentos. Eles são requisitos absolutos. Serão seguidos, no capítulo 21 até 23.19, com exemplos, mas esses exemplos são construídos sobre os princípios fundamentais que encontramos nos Dez Mandamentos. Mais uma vez, vemos Deus ensinando através da prática.
Não há uma grande discussão filosófica ou teológica sobre monoteísmo. Deus simplesmente diz: "Se você quer estar em aliança comigo, não pode reconhecer outros deuses". Novamente, veja como isso é significativo. Não é uma questão de se há outros deuses ou se esses outros deuses são reais. É simplesmente que, se você vai estar em aliança comigo, há apenas um Deus para você.
Da mesma forma, como você ensina a essas pessoas, que acreditaram a vida toda que este mundo é deus, que Deus não faz parte deste mundo? Deus simplesmente diz: "Você não pode me fazer na forma de qualquer coisa neste mundo". Eles estão aprendendo fazendo. E eu gostaria de lembrar que, hoje, há apenas três religiões monoteístas no mundo: Cristianismo, Judaísmo e Islamismo, e todas elas derivam seu monoteísmo de uma única fonte.
O mesmo é verdade para a idolatria. Há apenas três religiões no mundo que ensinam que você não pode fazer ídolos, e todas derivam isso de uma única fonte. Deus está ensinando essas verdades através das ações do povo.
E quanto à magia? É isso que o terceiro mandamento está tratando. Você não pode usar o nome de Deus de forma vazia, ou seja, usar o nome de Deus em um ritual ou de forma mágica para tentar obter algo Dele. Novamente, Deus não entra em uma grande discussão sobre por que a magia está errada ou por que ela falha. Ele simplesmente diz: "Se você vai estar em aliança comigo, você não pode fazer isso".
E o que Ele está dizendo com o mandamento do sábado? Ele está dizendo que todo o seu tempo pertence a mim, e você mostrará isso pelo que faz com um sétimo dele.
Assim, tivemos quatro mandamentos relacionados a Deus. Agora, lembre-se, esta é uma aliança com Deus; é algo religioso. E os próximos seis mandamentos? Todos eles dizem respeito a como tratamos outras pessoas. O que Deus tem a ver com isso? Esse Deus se importa profundamente com isso. Ao tratar outras pessoas de acordo com Seus mandamentos, estamos descobrindo algo sobre Seu caráter e natureza. Ele não mente em uma imagem, Ele não quebra Suas promessas, Ele não assassina, e assim por diante.
Aqui estão os fundamentos, as coisas que aqueles que estão em aliança com Deus fazem para expressar sua aliança com Ele.
Finalmente, então, temos no capítulo 24 a participação na aliança. Moisés pergunta ao povo se eles guardarão essa aliança, e eles dizem "Claro". Agora, eles não estão sendo insinceros. Não há nada cruel sobre esses mandamentos; eles fazem muito sentido. Então, claro que eles vão cumpri-los. Mas eles não se conhecem, não é?
E isso é regularmente verdadeiro para o novo convertido. Perguntamos a eles se vão servir ao Salvador, e eles dizem: "Claro". Não vamos dizer "Ah, você não sabe", mas é só depois que uma pessoa realmente tenta viver para Jesus que ela descobre que há uma rocha rebelde em seu coração. Foi isso que o povo no Sinai não compreendeu.
Assim, Moisés escreveu a aliança em um livro e a leu para eles, e eles disseram: "Sim, vamos fazer isso". Então, Moisés pegou o sangue de doze bois – muito sangue – e fez algo significativo. Ele tomou metade do sangue e o aspergiu sobre o altar, e a outra metade ele aspergiu sobre o povo. Você entende o que está acontecendo ali? Deus e o povo estão passando pelas metades sangrentas e jurando guardar essa aliança.
Agora, antes de deixá-los, deixe-me falar sobre a importância de colocar o código de leis no contexto da aliança. Outros povos no mundo antigo tinham códigos de leis, e, de fato, quando investigamos, descobrimos que algumas das leis são as mesmas das da Bíblia. Mas esses códigos de leis eram todos impostos por reis humanos, e não têm leis absolutas; são todas condicionais: "Se isso acontecer, então aquilo será feito". E todas são aplicadas através da coerção: "Você fará isso ou eu, o rei, o matarei".
Agora, o que aconteceu com o código de leis hebraico? Ele se tornou os termos da aliança. Por que você guarda essas leis? Porque elas são uma expressão do seu relacionamento com Deus. Você não as obedece por coerção, mas por gratidão a quem o libertou da escravidão no Egito.
Assim, os hebreus não se referem a esses mandamentos como leis; eles se referem a eles como "Torá", que significa instruções. Esses mandamentos são as instruções de Deus para a vida em relação a Ele. A aliança não é o caminho para Deus, mas sim o caminho com Deus.
Muitos de nós fomos ensinados que os judeus se aproximavam de Deus guardando a lei. Isso não é verdade. Os judeus se aproximavam de Deus pela graça, não apenas pela graça oferecida a Abraão, mas pela graça oferecida a eles no Egito. O que Deus disse a eles através de Moisés? Moisés chegou com um livro da lei e disse a eles que, se o guardassem perfeitamente, Deus os libertaria? Eles ainda estariam no Egito, não estariam? Não, Ele disse a eles: "Arrumem suas malas". E eles perguntaram: "Por quê?". E Moisés respondeu: "Porque vocês vão sair". Eles perguntaram: "Por que estamos saindo?". E Moisés respondeu: "Porque Deus vai libertá-los". Eles perguntaram: "Por quê?". E Moisés disse: "Porque Ele os ama". E eles disseram: "Por quê?". E Moisés respondeu: "Eu não faço ideia". Eles foram libertados pela graça gratuita, assim como qualquer outra pessoa no mundo que se aproxima de Deus – é pela graça.
Agora, três meses depois, eles estão ao pé do Sinai, e Deus diz a eles: "Vocês gostariam de ser meu povo?". E eles respondem: "Oh, sim, vimos o que aconteceu no Egito, sim". E Deus diz: "Isso é bom, porque quero ser o seu Deus. Quero que andemos juntos, mas não podemos andar juntos a menos que estejamos de acordo. Vocês concordam em andar como Eu ando?". E eles respondem com sinceridade, mas em ignorância: "Oh, sim, vamos andar contigo". É isso que a Torá trata. Ela não é o caminho para Deus, mas sim o caminho com Deus.
Quero encerrar pedindo que olhemos para o livro de Efésios, no capítulo 2, versículos 8 a 10.
Muitos de nós memorizaram Efésios 2.8 e 9. Mas por que Deus nos salvou pela graça? O versículo 10 nos diz: "Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas". Fomos criados por Deus para fazer boas obras, ou seja, para viver a vida de Deus. E é isso que o êxodo do Egito e a aliança do Sinai realmente representam – salvos pela graça para viver a vida de Deus. Muito obrigado.
Estamos sendo abençoados por uma maravilhosa exposição da Palavra de Deus. Obrigado, Dr. Oswalt. É fascinante ouvir como você aborda o texto, dialoga com ele e responde às perguntas dentro do próprio texto. Acredito que é isso que todos nós precisamos fazer. É o que ensinamos em nosso seminário, para que possamos ter uma conversa com o texto.
Gostaria de fazer uma pergunta, embora não tenha certeza se haverá tempo para a resposta. Em todo esse ensinamento sobre sair da ignorância teológica, a maneira como você nos fala e explica as coisas é tão profunda, quase como uma devoção. Parece claro para nós que você mantém um relacionamento íntimo com Deus. Poderia compartilhar conosco um pouco sobre sua vida devocional e como cultiva essa intimidade com Deus, para que, como você, possamos falar com tanta graça e certeza sobre o que estamos falando?
Bem, obrigado por essas palavras. Estou tentado a dar uma resposta longa. Tudo remonta a quando eu tinha 18 anos, no meu segundo ano de faculdade. Senti-me chamado ao ministério quando tinha 13 anos. Naquela época, com 13 anos, isso era bom, mas quando tinha 16 anos, não era mais bom. Fui para a faculdade sabendo apenas o que eu nunca faria: eu nunca me tornaria um pregador. Sou grato por ter frequentado uma faculdade cristã, e no início de cada semestre, havia uma semana de pregações. No outono do meu segundo ano, houve uma dessas semanas.
Enquanto o pregador descrevia a vida cristã, eu disse a um amigo: "Acho que nem sou cristão", porque a imagem que ele pintava era tão atraente e poderosa. Fui conversar com ele, e enquanto eu lhe contava minha história – cresci em um lar cristão, aceitei Cristo quando era criança – ele disse: "Seu problema não é que você não seja cristão; seu problema é que você está no trono da sua vida". Eu sabia que ele estava certo. Ele então perguntou: "Você gostaria que Cristo estivesse no trono da sua vida? Você nunca terá paz até que isso aconteça". E eu disse: "Sim". Ele se aproximou de mim e disse: "John, o que há que você não faria?". E eu simplesmente soltei: "Eu não serei um pregador". Ele disse: "Então, é o fim da nossa discussão". Eu respondi: "Não, eu quero que Ele seja o rei da minha vida". Ele disse: "Como Ele pode ser o rei da sua vida se há algo que Ele quer que você faça e você não está disposto?". Naquele momento, eu disse: "Eu farei". Isso mudou tudo.
Alguns anos depois, ele foi meu professor no seminário. Eu estava me preparando para estudos de doutorado, e ele me disse: "John, se você mantiver sua vida devocional viva, eu não estou preocupado com você. O cristianismo é muito resiliente. Você pode manter sua fé viva enquanto aceita posições sobre a Bíblia que são realmente contrárias à fé, mas seus alunos serão mais lógicos do que você". Eu soube então que não era apenas sobre mim manter minha fé, mas também sobre manter uma fé nas Escrituras que fomentaria a fé de cada aluno que eu ensinasse. O peso dessa responsabilidade tem sido pesado para mim toda a minha vida: "Deus, faça tal obra em mim que eu não leve meus alunos ao erro".
Minha prática agora – e devo dizer que na minha velhice sou muito mais fiel do que era antes – é que, todos os dias, eu me levanto cedo, o que não é natural para mim. Eu sou o que chamam de "coruja"; se fosse deixado por mim, eu me levantaria por volta das 9h e iria para a cama por volta da 1h. Mas descobri cedo que precisava ter meu tempo com Deus cedo no dia. Sigo a prática há muitos anos: começo meu tempo com um hinário. Tenho um livro de hinos, há um em inglês chamado "One Year Book of Hymns", com 325 hinos. Eu sinto a necessidade desse tipo de adoração para começar o dia. Depois leio um capítulo. Descobri que, para mim, ler a Bíblia em um ano não é bom; é muito rápido, e eu estou apenas passando pela superfície.
Tenho um caderno no qual escrevo em uma página à esquerda uma passagem daquele capítulo que é para mim naquele dia. Isso me força a não apenas estudá-la, mas também a lê-la de forma devocional: "O que Deus está me dizendo hoje a partir deste capítulo?". Na página da direita, se algo chamou minha atenção que seria mais um estudo, faço uma anotação ali. E novamente, é fascinante o que todos nós já ouvimos e dissemos: você pode ler a Bíblia por 70 ou 80 anos e ainda descobrir coisas novas e dizer: "Eu não sabia que isso estava lá".
Em meu tempo de oração, usei listas ao longo dos anos, e às vezes isso foi útil; outras vezes, tornou-se muito mecânico, e eu tive que abandoná-las. Sempre oro por Karen, sempre oro por meus filhos e netos; não preciso de uma lista para isso. E tenho em mente pessoas pelas quais oro regularmente. O irmão Dan sabe que tenho um pequeno grupo de homens com quem me reúno, e oro por eles regularmente. Então, tento manter um ritmo de escuta de Deus e de simplesmente estar em silêncio na presença Dele, e tudo isso tem sido útil ao longo dos anos.
Terceira Palestra do Dr. John N. Oswalt sobre o Livro do Êxodo Êxodo da alienação É novamente um privilégio estar com vocês. Sou muito grato pelo trabalho que Deus está fazendo no Brasil e estou feliz por ter uma pequena parte nesse trabalho. Como vocês sabem, se estiveram conosco nas últimas duas noites, estamos falando sobre o livro de Êxodo. O significado desse nome é "a saída". Pensamos nisso como a saída do Egito para a terra de Canaã, e isso certamente é uma parte importante da jornada, sim, mas, ao olharmos para a estrutura do livro, descobrimos que eles já estão fora do Egito no capítulo 15. O que mais eles precisam ser libertos?
Vimos ontem à noite que eles precisavam ser libertos da ignorância teológica. Isso acontece na vida cristã: precisamos ser libertos do cativeiro do pecado e, depois, precisamos aprender quem realmente é o nosso Libertador. Mas para que servem essas duas libertações? Vemos a resposta na última seção do livro, nos capítulos 26 a 40. Esses capítulos são dedicados à discussão sobre o Tabernáculo, e a descrição não é dada uma vez, mas duas. Primeiro, recebemos as instruções para o Tabernáculo e, depois, temos um relato de como o Tabernáculo foi construído. Essa repetição de detalhes pode ser, de fato, um tanto enfadonha. Então, o que está acontecendo aqui?
Aqui vemos o verdadeiro objetivo da libertação. Talvez se lembrem que, no capítulo 19, versículo 5, Deus disse: "Eu os trouxe a mim sobre asas de águia." Por que Deus os libertou? E por que Ele nos liberta? Ele quer nos trazer para o relacionamento com Ele. Canaã não era o verdadeiro objetivo; o relacionamento com Deus era o objetivo. Deus não queria permanecer no monte. Ele queria vir e viver no meio do acampamento. Ele queria viajar com eles, e que eles viajassem com Ele. Desde o Jardim do Éden, Deus tem procurado uma maneira de voltar para casa. Se Adão e Eva choraram ao deixar o jardim, Deus também chorou. Se eles O perderam, Ele também os perdeu. Então, Deus não está satisfeito apenas em viver no meio do acampamento. Ele quer voltar para os nossos corações.
Esses capítulos nos mostram o verdadeiro clímax da libertação. Nosso problema não é apenas o cativeiro, nem apenas a ignorância. Nosso problema é que o pecado nos alienou da fonte da vida. E, até que Ele volte para casa, não estamos verdadeiramente libertos.
A estrutura da seção é bastante simples. Há três partes. A primeira são as instruções para a construção do Tabernáculo (capítulos 25 a 31). A terceira parte é o relato de como o Tabernáculo foi construído (capítulos 35 a 40). Mas o que temos no meio, entre essas duas seções? A história da criação do bezerro de ouro. Aqui temos a crise do livro. E veremos como isso se desenvolve conforme avançamos na exposição. Podemos nos perguntar: por que essa duplicação que mencionamos antes? Acho que há duas explicações para isso. Uma é o quanto esse material é importante para Deus. Nós nos repetimos quando estamos tentando enfatizar algo. De certa forma, penso nisso como um casal jovem olhando os planos de sua primeira casa. Eles simplesmente não conseguem olhar para esses planos vezes o suficiente. Acho que, de certa forma, isso é o que está acontecendo com Deus aqui. Ele está olhando para esses planos para Sua própria casa e está empolgado com isso. Ele olha para o seu coração e para o meu coração, e Ele está entusiasmado com a ideia de habitar ali.
Mas acho que há uma segunda razão para essa duplicação, que é a questão: como supriremos nossas necessidades? Da maneira de Deus ou da nossa maneira? De muitas formas, este é o tema de todo o Pentateuco: quem supre minhas necessidades? É Deus ou sou eu? Em Gênesis, capítulo 3, Eva e Adão decidiram que precisavam suprir suas próprias necessidades, e todos os problemas no mundo surgiram dessa decisão equivocada. A pergunta para nós é: permitiremos que Deus, primeiro, defina nossas necessidades? Podemos pensar que sabemos o que precisamos, mas Deus sabe melhor. E, se permitirmos que Ele defina nossas necessidades, permitiremos que Ele as supra à Sua maneira?
Essa é a grande questão dessa seção. Deus sabe que o povo tem necessidades. Quais são as suas necessidades? Primeiro, eles precisam de evidências tangíveis da presença de Deus. Como somos corpo e espírito, precisamos de evidências físicas das verdades espirituais. Deus sabia que eles precisavam disso. Por isso Ele chamou Moisés ao monte. Ele sabe que eles precisam de participação no culto, precisam se envolver na adoração a Ele. Eles precisam de orientação, e a coluna de nuvem e fogo associada ao Tabernáculo suprirá essa orientação. Eles também precisam de segurança, e novamente a coluna de nuvem e fogo lhes dará essa segurança. E há outra necessidade que podemos ignorar, mas que, ao pensarmos no Tabernáculo, entendemos: precisamos de beleza. E a beleza do Tabernáculo foi projetada para atender a essa necessidade.
Então, Deus conhece as suas necessidades e chamou Moisés ao monte para supri-las. E eu repito: essa é a grande questão para nós. Podemos realmente acreditar que Deus conhece nossas necessidades melhor do que nós? Podemos facilmente responder "sim, claro", mas, quando se trata das decisões reais, é muito difícil para nós acreditarmos que Deus realmente conhece nossas necessidades melhor do que nós. Então, o que o Tabernáculo representa para nós? Ele representa o caráter de Deus e o fundamento de nossa entrada em Sua presença. A bela cortina, logo na entrada do Tabernáculo, fala tanto da grandeza de Deus quanto de Sua alteridade. Quando passamos por essa cortina, qual é a primeira coisa que vemos? O altar. Não podemos nos aproximar de Deus na condição em que estamos sem a morte. Se formos entrar na presença de Deus, será apenas através do sangue de uma vítima.
Então, avançamos para a bacia. O que o pecado faz conosco? Ele nos torna impuros. Somos imundos na presença do absolutamente puro. O que o sangue faz? Ele nos limpa. É um meio de nos lavar. E a bacia representa essa função do sangue. Somos cercados por essas belas cortinas de linho branco, simbolizando o que é verdadeiramente puro. Oh, ser puro na presença daquele que é absolutamente puro!
Cresci numa fazenda. Tinha uma mãe, duas irmãs, além do meu pai. Algumas noites, chegava do trabalho na fazenda e ia me sentar à mesa, e minhas irmãs enrugavam o nariz e diziam: "Você sente um cheiro estranho?" Sim, eu não estava limpo. Ah, como era bom pegar um pouco daquele sabão com areia e me lavar! É isso que nosso Senhor Jesus Cristo fez por nós. Ele nos tornou limpos.
Agora, estamos diante de outra cortina bela. Todas as cores lindas estão tecidas nela: ouro, prata, vermelho, azul e púrpura. Passamos por essa cortina de novo. Que privilégio ser convidado para nos aproximarmos ainda mais da presença de Deus! Quando entramos no Santo Lugar, vemos três objetos. Diretamente à nossa frente, está o altar de incenso. Talvez tenha havido uma pequena interrupção de internet, mas agora está consertado.
O altar de incenso estava sempre queimando incenso perfumado. Em Apocalipse, lemos que as orações dos santos são o incenso perfumado. Então, porque o sangue nos limpou, porque comemos de Cristo e andamos em Sua luz, temos o privilégio da oração, dia e noite.
E agora chegamos a outra cortina bela, a terceira. Este é o véu que separa o Lugar Santíssimo. É possível que uma criatura entre na presença do Criador? A resposta, através de Cristo, é sim.
Por que tivemos que esperar até a encarnação para ter essa experiência? Precisamos entender quem é aquele que nos convida à Sua presença. Como já disse várias vezes, isso é como um grande forno ardente convidando uma palha a se aproximar. Precisamos entender quem é esse que nos convida. É o Santo, cuja própria presença nos destruiria. Este não é um ídolo pequeno que vive no nosso armário, com quem estamos tendo comunhão. Este é Aquele que está além das estrelas. Este é Aquele que pode segurar os sóis ardentes em Suas mãos. Este é Aquele cuja retidão é tão pura que devoraria qualquer coisa com o menor toque de impureza. Este é Aquele que diz: "Entrem, meus amigos." Durante todos os anos do Tabernáculo, e depois do Templo, o sacerdote só podia entrar nesse lugar uma vez por ano. E ele tinha uma corda amarrada no tornozelo, que se estendia para além da cortina, para que, se ele morresse lá dentro, seu corpo pudesse ser arrastado para fora, sem que alguém precisasse entrar e ser morto ao tentar resgatá-lo. Este é o Deus que nos convida a nos encontrarmos com Ele, que nos convida a contar-Lhe nossos medos e ansiedades mais profundos e o que achamos que são nossas maiores necessidades. Este é o Deus que nos convida ao relacionamento.
E o que há no Lugar Santíssimo? Para os pagãos, haveria um ídolo. Este seria, de certo modo, o quarto do deus. Aqui não é assim. Aqui há uma arca, uma bela arca guardada por seres angelicais, mas é uma arca. O que há dentro da arca? As tábuas da aliança. Qual é o ponto disso? Um ídolo estaria lá para que você pudesse pensar que poderia manipular o deus para fazer o que você quisesse. Que ideia tola, a de que podemos manipular o Deus Todo-Poderoso! Não, essa arca contém um lembrete. Nos lembra que Deus entrou em nossa história e se vinculou a nós, e nos convidou a nos vincularmos a Ele. E, nessa relação, podemos desfrutar da vida eterna e abundante.
Porém, como disse, a aliança também nos ensina que temos um problema. E falaremos sobre isso em um momento. Além de como o Tabernáculo deveria ser construído, também é falado sobre quem deveria construí-lo.
Deixe-me chamar sua atenção para isso: é muito importante. A primeira pessoa na Bíblia que é dita ser cheia do Espírito Santo é o artesão Bezalel, que projetou e construiu o Tabernáculo. Você reconhece a importância disso? Não há comunhão com Deus sem a atuação do Espírito Santo.
Mas, lentamente, ao longo dos anos, eles começaram a perceber que somente quando o Espírito de Deus habita em nossa esperança, em nossa casa, podemos viver a vida de Deus. E assim começaram a dizer: “Ó Deus, vimos o Teu Espírito Santo em alguns poucos selecionados, será que poderias dá-lo a todos nós?” E Deus disse: “Pensei que nunca iriam pedir, porque esse era o Meu plano desde o início.” Tudo remonta a Números, capítulo 11, quando Moisés reconheceu isso ao dizer: “Ah, que Deus desse o Seu Espírito a todos nós.” E isso é o que aconteceu por meio de Jesus Cristo. O Espírito de Deus agora está disponível a todo ser humano. Quando aceitamos Cristo, também aceitamos o Espírito Santo.
Mas, como disse ontem à noite, o novo convertido não está ciente do problema. Somente quando tentamos viver para Cristo é que nos tornamos conscientes desse espírito de rebelião. E é nesse momento que devemos clamar: “Ó Espírito Santo, enche-me e expulsa o espírito rebelde.” Sim, por isso é muito significativo que o projetista e o construtor do Tabernáculo seja um homem cheio do Espírito Santo.
Mas e o povo? Moisés está no monte por 40 dias. Não há água lá em cima no topo da montanha. Fogo está caindo do céu sobre ela. Ele provavelmente está morto. E nós estamos aqui, no meio deste deserto. Nenhum de nós foi à Terra Santa. Não sabemos para onde estamos indo. Eles não esperariam. Eles não esperariam porque estavam com medo.
Quanto mais tempo vivi, mais cheguei à conclusão de que, na maioria dos casos, o pecado é resultado do medo. Você notou que a parte mais longa do Sermão do Monte é Jesus falando contra a preocupação? E a preocupação é uma expressão de medo. Mas por que Deus nos faz esperar?
Eu gostava de dizer aos meus alunos que, em hebraico, as palavras “esperar” e “confiar” são sinônimos. Se eu não estiver disposto a esperar que Deus faça as coisas à Sua maneira, é porque eu não confio Nele. E Deus diz: “Espere.” Ele diz isso não apenas para cultivar confiança Nele, mas também para nos levar ao fim de nós mesmos, até chegarmos ao fim de nossa crença de que podemos resolver nossos próprios problemas. Se estou verdadeiramente disposto a esperar por Sua direção, por Seu poder, então realmente confio Nele e não em mim mesmo.
Esse foi o primeiro grande fracasso de Saul. Ele não queria ir para a batalha sem ter oferecido um sacrifício a Deus, então chamou Samuel para vir e oferecer o sacrifício. Agora, em Israel, um rei era proibido de desempenhar o papel de sumo sacerdote, porque o rei de hoje que também é sacerdote pode querer ser considerado um deus amanhã. E o rei não é Deus. Então Samuel disse: “Sim, virei em sete dias.” Mas, ao final do sétimo dia, ele ainda não tinha chegado, e os soldados começaram a se dispersar. Então, Saul ofereceu o sacrifício. Ele mal havia acendido o fogo quando Samuel chegou.
O último momento que você pode esperar é o próximo antes de Deus agir. Acho que muitos de nós que tentamos viver para Deus aprendemos essa lição. Quando você acha que não pode esperar mais um segundo para que Deus aja, espere mais um segundo.
Então, o que acontece quando buscamos suprir nossas necessidades com nossa própria força e à nossa maneira? Primeiro de tudo, qual foi o ídolo que Arão fez? A Bíblia o chama de bezerro. Acho que isso é uma forma de zombaria. Acho que ele construiu um touro muito impressionante, mas a Bíblia diz: “Você está adorando um bezerro.” Por que o touro? Ah, o poder da criação, a beleza da criação, a capacidade de dar vida da criação. Quando não esperamos por Deus, a criatura é exaltada. Quando não esperamos por Deus, Seus dons são mal utilizados.
Por que Deus deu-lhes aqueles brincos de ouro? Para serem usados na adoração a Ele. Mas, em vez disso, foram usados na adoração ao mundo. Quando não esperamos por Deus, a participação é forçada. Arão disse: “Quebrem esses brincos e deem-nos a mim.” Quando não esperamos por Deus, a criatura é exaltada, nossos dons e habilidades são mal utilizados, a participação é forçada, e os profissionais são exaltados. Basicamente, Arão disse: “Agora sentem-se e assistam enquanto um profissional, treinado no Egito, faz isso.”
E, como está baseado em uma mentira, promove a mentira. Quando Moisés chegou, disse: “Arão, o que eles fizeram para que você fizesse essa coisa terrível?” E Arão respondeu: “Eu apenas coloquei o ouro no forno e saiu este bezerro.” Eu já vi isso nos meus filhos: “O que você fez?” “Eu não sei, não fiz nada.”
E a maior tragédia de todas é que, quando fazemos as coisas por nós mesmos, só fortalecemos ainda mais nossa alienação de Deus. Deus diz a Moisés: “Seu povo, que você tirou do Egito, corrompeu o seu caminho.” E, se você se afastar, eu descerei e lhes darei o que a aliança quebrada exige.
Isso não é um deus furioso cuja honra foi ofendida. Este é o Senhor da aliança, e essas pessoas quebraram a aliança que juraram manter com sangue. Sim, Deus teria sido perfeitamente justo ao varrê-los da face da terra. Em vez disso, Ele convida Moisés a interceder. “Se você se afastar, darei a eles o que merecem. Você quer se afastar, Moisés?” E Moisés responde: “Oh, não. Eu aprendi que Tu não és apenas justo. Eu aprendi que és um Deus de graça e misericórdia.”
Mas há algo mais que acontece aqui, que acho muito interessante. Deus disse: “Eu os destruirei e farei de você uma grande nação.” Esse é um teste para Moisés. Não gostaria, Moisés, que eles fossem chamados de filhos de Moisés, em vez de filhos de Jacó? E Moisés passa esse teste com louvor. Se ninguém mais aprendeu as lições do Êxodo, Moisés aprendeu. Ele diz: “Deus, eles não são meu povo. Eles são Teu povo.”
E então Deus diz: “Você está certo, Moisés. Melhor descer e falar com eles.”
Agora vemos a ira. Agora vemos a raiva. Você se lembra quem foi a primeira pessoa a quebrar os Dez Mandamentos? Foi Moisés. Ele estava segurando as tábuas e, ao ver o que o povo estava fazendo, as quebrou. Ele correu, pegou uma marreta e esmagou o ídolo até virar pó. Depois, pegou o pó, jogou na água e fez o povo beber. Aquele ouro nunca seria usado para fazer outro ídolo.
Por que ele estava tão bravo? Bem, poderia ser pessoal. Afinal de contas que ele investiu neles, eles fizeram isso. Mas eu acredito que é mais do que isso. De muitas maneiras, o destino do mundo está em jogo nesse momento. Deus revelou que Ele não é deste mundo, e você não pode representá-Lo com nada deste mundo. Aqui está essa cosmovisão radicalmente diferente, pela qual o mundo pode ser salvo, e aqui está essa outra cosmovisão à qual eles voltaram. Se continuarem nesse caminho, a esperança do mundo estará perdida. E por isso ele está com raiva.
Mas então ele diz: “Tudo bem, voltarei ao monte e verei se consigo fazer expiação por vocês.” E Moisés diz: “Deus, se vais destruí-los, terás que me destruir também.” Isso não é expiação. Isso é uma tentativa de torcer o braço de Deus. Nenhum ser humano pode fazer expiação pelos pecados de outro. Basicamente, Deus responde: “Acalme-se. Aqueles que pecaram serão punidos, e os que não pecaram, não serão.”
E então Deus diz: “Vou manter Minha promessa. Eu lhes darei a terra prometida, mas terá que ser o Meu anjo que os levará até lá. Você entende, Moisés, que não posso ir com esse povo, ou eu os destruirei.”
E aqui está um dos momentos mais brilhantes de Moisés. Ele diz: “Deus, se não fores conosco, não vamos.” Melhor o deserto com a presença de Deus do que Canaã sem Ele. Que momento! Você já percebeu isso? Melhor Jesus sem nada do que tudo sem Jesus. Dizemos que Jesus é suficiente, mas temo que, muitas vezes, não acreditamos realmente nisso. “Ah, sim, Jesus com conforto. Jesus com um pouco de dinheiro. Jesus com comida para comer, sim.” Mas Moisés diz: “Se não fores conosco, não sairemos deste lugar terrível.” E Deus diz: “Eu irei.”
A intercessão de um pode fazer toda a diferença. Moisés, então, diz: “Deus, eu gostaria de ter uma experiência religiosa. Mostra-me a Tua glória.” E Deus responde: “Eu te mostrarei a Minha bondade. Mostrarei quem realmente sou.” Moisés tem essa experiência de ver a presença de Deus passar por ele. Ele só pode ver as costas de Deus, mas sim, ele teve uma experiência. No entanto, o que nos é dito não é como as costas de Deus eram, mas o que Moisés ouviu: “O Senhor, o Senhor Deus, cheio de ternura e compaixão, lento para a ira, abundante em amor e fidelidade.” Esse trecho, Êxodo 34.5-6, é o mais citado no restante do Antigo Testamento. Ele é diretamente citado seis vezes e aludido outras doze. O que isso diz? Diz que, quando você pergunta aos hebreus como é o seu Deus, é nisso que eles pensam: o Santo, o qual é um fogo consumidor, aquele cuja presença não podemos suportar, Ele é ternura, compaixão, paciência e amor.
E o terceiro elemento é o amor constante e fiel. Assim, no restante do capítulo 34, Deus restabelece unilateralmente a aliança. A aliança original está irreparavelmente quebrada, então Deus estabelece um duplicado, por assim dizer, mas apenas a partir de Seu próprio ponto de vista. Moisés desce do monte com um rosto tão brilhante que as pessoas não conseguem olhar para ele. Ele esteve com Deus, e a presença de Deus na vida de Moisés está mudando sua aparência.
Então, o povo decide: "Bem, vamos fazer do jeito de Deus, em vez do nosso jeito." E o que acontece quando fazemos isso? Todos têm algo a contribuir, seja em bens ou em esforço. A participação é voluntária, não é coagida. Todos que queriam doar conforme guiados pelo Espírito foram livres para fazê-lo. Eles são motivados pelo Espírito e capacitados pelo Espírito. E assim, o trabalho foi feito como Deus ordenou. Não foi "saiu este bezerro". E, no fim, o povo teve que ser impedido de doar, pois já tinham contribuído em excesso.
Todo pastor que já esteve em uma campanha financeira anseia por esse dia. Desculpe, eles anseiam pelo dia em que o povo terá de ser informado: "Parem de dar, já temos o suficiente!" Convido vocês a refletirem sobre essas diferenças: o que acontece quando fazemos do nosso jeito e o que acontece quando fazemos do jeito de Deus. E, claro, o resultado final é que a glória de Deus encheu o Tabernáculo. Esse é o objetivo.
E agora convido vocês a abrirem suas Bíblias no terceiro capítulo de Efésios. Vou pedir à minha irmã que leia os versículos 14 a 19.
[Após a leitura]
Amém. Vocês veem a imagem que Paulo está pintando para nós? Ele está orando para que Cristo viva em nossos corações pela fé, e está orando para que compreendamos um pouco das dimensões dessa casa na qual Cristo habita. E o objetivo de tudo isso é experimentar o Seu amor. Esse é o objetivo de Deus para nós.
Então, ao chegarmos ao fim, o que podemos dizer sobre a teologia da salvação em Êxodo? Qual é a necessidade de salvação? É um problema divino tanto quanto um problema humano. Deus não está meramente olhando para nós e dizendo: "Ah, esses seres humanos têm um problema." Deus diz: "Não, Eu criei essas criaturas para um propósito — o propósito de ter comunhão comigo. E isso não é possível por causa do pecado deles." Qual é a causa da salvação? É uma auto-revelação de Deus. Não teria sido justo se, de alguma forma, Deus simplesmente morresse em nosso lugar. Ele teve que entrar em nosso mundo e assumir nossos pecados sobre Si mesmo, revelando quem Ele era no processo.
Qual é o propósito da salvação? É conhecer a Deus. E vimos isso novamente no trecho de Efésios. Paulo está orando para que possamos conhecer a Cristo e Seu amor.
Já falamos sobre esses três pontos anteriormente, mas agora quero chamar a atenção para os dois últimos. Qual é a expressão da salvação? É a adoração e a obediência. Deus os libertou do Egito e os trouxe ao pé do Sinai. Todos nós, que somos cristãos, seguimos um caminho semelhante. Ele nos salva para que possamos refletir Seu caráter e Sua vida.
E qual é o objetivo de tudo isso? Que tenhamos comunhão íntima com Deus, que Deus, em Cristo, possa habitar em nossos corações.
Deus abençoe a todos vocês.
ÊXODO – A LIBERTAÇÃO [MM1]
ESBOÇO John N. Oswalt Introdução:
Nós somos cristãos – por que estudar esse livro antigo?
1. Porque, na realidade, a Bíblia é um único livro
a. Não é porque o Antigo Testamento (AT) é o precursor judaico e o Novo Testamento (NT) é o livro cristão b. O Deus do AT é o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus 2. Se não conhecermos o AT, não conheceremos quais as perguntas que o NT responde a. Jesus é a resposta, mas qual é a pergunta? b. Muitos respondem de forma incorreta porque não conhecem o AT c. A pergunta é: Como um ser humano pecaminoso pode compartilhar o caráter de um Deus santo?
Mas por que o livro de Êxodo?
1. Como Gênesis explica o problema humano e descreve a solução 2. Êxodo esclarece a descrição e nos dá a doutrina da salvação a. Se nós estivermos certos aqui b. Nós estaremos certos no NT 3. Qual é o problema de que precisamos de libertação (uma saída)? a. Cativeiro dos deuses deste mundo? (15) b. Ignorância teológica? (24) c. Alienação de Deus? (40)
I. A libertação do Cativeiro (1-15)
A. Esboço
1. A necessidade da libertação (1)
2. A preparação do libertador (2-4)
3. A oferta da libertação (4-6)
4. Os meios da libertação (7-11)
5. Os eventos da libertação (12-15)
B. A necessidade da libertação (1)
1. Quem (1-7)
a. Descendentes de Jacó b. Gênesis é sobre as promessas de Deus c. Deus tem um problema a resolver [MM2]
2 Quais (8-22) a. Opressões (8-14) b. Genocídio (15-22) c. Deus pode manter suas promessas? ( Parteiras [MM3]
!)
C. A preparação do libertador (2-4)
1. A providência de Deus (2:1-10)
2. A falha de Moisés (2:11-22)
3. O caráter de Deus (2:23-25)
4. O chamado
a. A imperfeição de Moisés – A presença de Deus b. A ignorância de Moisés – A pessoa de Deus c. A fraqueza de Moisés – O poder de Deus d. A inabilidade de Moisés – A providência de Deus D. A oferta da libertação (4-6)
1. Traz o real problema para o foco – Quem é Deus?
2. O povo recebe
3. Faraó rejeita
4. O povo rejeita
E. Os meios da libertação – Pragas (7-11)
1. O propósito das pragas
a. Tirar o povo do Egito? Uma praga seria o suficiente! b. Revelar quem Deus é 2. Os hebreus foram totalmente convencidos de um entendimento errado da realidade a. Esse mundo é um deus – a vida é sobre manipular as forças deste mundo para suprir minhas necessidades b. Nenhum de nós está distante desta concepção 3. Eles precisam conhecer o EU SOU – o único ser autoexistente no universo a. Ele é completamente diferente (o Outro [MM4]) da sua criação c. Ele quer suprir nossas necessidades se confiarmos e crermos nele e o obedecermo [MM5] s (5:2) 6:7; 7:5, 17; 8:10, 22; 9:14, 29; 10:2; 11:7; 14:4
4. As pragas são ataques aos deuses do Egito
a. Quais as fontes da vida?
Nilo, sapos, insetos, animais, plantas, sol, a própria vida humana [MM6]
? b. Jesus reverteu isso – o que destrói a vida?
Doença, natureza fora de controle, o domínio demoníaco [MM7], a morte F. Os eventos da libertação 12.1 – 15:21
1. Páscoa (12-13)
a. Por que a cerimônia especial para ela?
1) O confronto atual [MM8] do inimigo real – morte 2) Desde o Jardim a morte reina 3) Deus não pode apenas ignorá-la e minimizá-la b. A Páscoa não pode derrotar a morte, mas pode apontar o caminho para aquele que pode fazer isso 1) O Cordeiro perfeito, sangue 2) Ervas amargar, sem fermento 3) Coma de tudo 2 Cruzamento do Mar Vermelho (14-15) a. O longo caminho ao redor? b. A natureza do milagre 1) O como não é importante 2) O tempo para a resposta da previsão é o que importa c. Tem importância se isso aconteceu ou não?
1) A teologia se baseia em fatos 2) Um paralelo com a ressurreição G. A natureza da libertação
1. Necessidade: um problema divino-humano
2. Causa: autorrevelação divina
3. Propósito: Conhecê-lo
4. Expressão: ?
5. Objetivo: ?
II. A libertação da ignorância teológica A. Introdução 1. O propósito da libertação/salvação é conhecer Deus, o EU SOU a. O totalmente OUTRO – Santo b. Que é intimamente presente c. A Fonte e a Finalidade de todo o que existe 2. Os hebreus aprenderam que só Javé é Deus e que Ele é todo-poderoso a. Mas Ele realmente se importa conosco? A serpente diz que não b. Claramente as pessoas creem na mentira 15.24; 16:2; 17:3 1) Constante preocupação 2) Sempre olhando para trás 3) Cínico, disposição de dúvida 4) Querendo bênção sem relacionamento B. Esboço
1. Deserto – a Providência de Deus (15:22 – 18:27)
2. A Aliança – os princípios de Deus (19:1 – 24:13)
a. Preparação (19) b. Apresentação (20-23) c. Participação (24:1-13)
C. Deserto – a Providência de Deus (15:22 – 18;27)
1. A provisão de Deus – mais revelação
a. Sua paciência b. A totalidade de sua provisão 1) Água (duas vezes), alimento, proteção, organização 2) Lições importantes: seu abençoado poder; necessidade de contínua dependência, seu poder, não nosso
2. A resposta de Jetro (18)
a. Agora eu sei b. Perguntas sobre adoração c. Protótipo de todo o restante de nós que cremos na base do testemunho histórico d. Sábio conselho D. A Aliança: os princípios de Deus (20:1 – 24:11)
1. Lembre-se do problema de Deus – tudo que eles aprenderam sobre a realidade era errado – as pragas mostraram que era errado a. Muitos deuses b. Deus pode ser manipulado ao manipular este mundo c. Sem qualquer padrão para ética d. A sexualidade é a força da vida e. O mundo não tem propósito nem objetivo – tudo veio do nada e vai para o nada
2. Como ensinar o que é correto?
a. Aliança 1) Padrão para um tratado entre um rei vitorioso e um povo 2) Compromisso mútuo – mas requer fidelidade exclusiva do povo 3) O comportamento requerido do povo reflete a natureza do rei 4) As demandas são absolutas porque ele é seu único rei 5) A forma inteira é muito bem adaptada aos propósitos de Deus b. É, desta forma, uma forma de ensino. Eles aprendem a natureza de Deus e a natureza da realidade através de certas ações realizadas 3. Preparação (19) – o cuidado extremo mostra quão importante era a aceitação da aliança a. Lembrança e promessa (cognitivo) (3-9) b. Tarefas para realizar (volitivo) (10-15) c. Experiências poderosas (afetivo) (16-20)
4. Apresentação (20-23)
a. Introdução e prólogo histórico (20:1-2) b. Termos do acordo (20:3 – 23:33)
1) Termos do povo (20:3 – 23:19) a) Fundamentos (20:3 – 26) b) Exemplos (21:1 – 23:19)
2) Termos de Deus (23:20-33)
5. Participação (24:1-11)
a. Afirmação (1-3) b. Juramento (4-8) c. Refeição (9-11)
6. A importância de tornar a Lei os termos de um aliança
a. Outros povos têm leis 1) Muitos com leis similares às leis de Israel 2) Foram impostas por um rei humano 3) Foram impostas por coerção 4) Sem leis absolutas b. O contexto diferente da Lei de Israel muda todas as coisas 1) Não um conquistador humano, mas um libertador divino 2) Não obedecido por coerção, mas sim por meio de gratidão 3) Não “lei”, mas Torah (instrução)
4) Fundado sob absolutos c. A Aliança não é o CAMINHO para Deus, mas o CAMINHAR com ele E. Quais os meios para nosso entendimento de salvação
1. Ser convertido é como cruzar o Mar Vermelho
2. Mas isso é apenas o começo
a. Por que ele nos tirou? b. Sinai! Para andar com ele em um relacionamento exclusivo Sinai! c. Para começar a compartilhar seu caráter 3. Efésios 2.8-10 III. A libertação da alienação de Deus (24:12 – 40:38)
A. Introdução 1. Esta seção demonstra que o propósito de Êxodo não era, antes de tudo, levar o povo a Canaã 2. 19.4 “Eu trouxe vocês para mim mesmo nas assas de águias”
3. Nosso problema não é o cativeiro nem ignorância teológica, mas sim alienação de Deus 4. Desde o Eden Deus tem buscado de volta ao lar o coração humano – para permanecer em nós 5. Mas a seção também nos mostra o problema fundamental que nós humanos temos como tal ideia B. Esboço
1. Instruções para o Tabernáculo (25-31)
2. O Bezerro de Ouro (32-34)
3. Relatório da construção do Tabernáculo (35-40)
C. Primeira questão – Por que a duplicação?
1. Mostra quão importante é para Deus Shows
2. De que maneira resolveremos nossos problemas – o caminho de Deus ou nosso caminho?
D. Do que o povo necessitava?
1. Evidência tangível da presença de Deus
2. Envolvimento na adoração
3. Direção
4. Segurança
5. Beleza
E. Deus sabe das necessidades deles e estava se preparando para se encontrar com eles 1. O Tabernáculo era a representação do caráter de Deus e a base para um relacionamento com Ele a. Altar b. Pia c. Mesa d. Candelabro e. Altar de incenso f. Arca g Coluna de nuvem e fogo h. Variedade de cores, texturas e matérias
2. Artesãos – “cheios do Espírito de Deus”
F. Eles recusam esperar
1. Por quê?
a. Medo b. Falta de vontade de se submeter a Deus
2. Por que Deus nos faz esperar?
a. Para nos levar ao esgotamento de nós mesmos b. Para nos levar à confiança verdadeira nele 1) Reconhecemos que não há esperança em nós 2) Na verdade, esperar prova que nós confiamos – não apenas só palavras
3. Até quando? O tempo que for preciso!
G. Atender nossas necessidades do nosso jeito sempre resulta em maldição 1. Exalta a criatura – produtividade física, fertilidade e beleza
2. Mal uso dos dons e habilidades
3. Participação coercitiva
4. Profissionais valorizados
5. Devido a ser baseado em uma mentira, promove mentira
6. Alienação de Deus
H. Resultados da desobediência (32:7 – 34:35)
1. A destruição teria sido justa (32:7-14)
a. Mas Deus convida Moisés para interceder b. Moisés demonstra um entendimento do caráter de Deus
2. A raiva de Moisés (32:14-29)
a. Ele conhece o que está em jogo b. O total conceito de transcendência 3. Deus não irá conosco? Então nós não vamos! (32:30 – 34:4)
I. A esplêndida revelação de Javé e de seu caráter – Êxodo 34.5-7
1. Javé unilateralmente renova a Aliança (34:10-28)
2. A face resplandecente de Moisés (34:29-35)
J. Atender nossas necessidades no caminho de Deus resulta em bênção (35-40)
1. Todos têm algo a contribuir em bens ou esforço
2. Participação é algo voluntário, e não coercitivo
3. Dar é algo capacitado e motivado pelo Espírito
4. A obra é “como Deus ordenou” e não algo como “um bezerro”
5. O povo teve de ser contido
6. “E a glória de Javé encheu o Tabernáculo”
K. A natureza da salvação
1. Necessidade? Um problema divino-humano
2. Causa: a autorrevelação divina
3. Propósito: conhecer a Deus
4. Expressão: adoração e obediência
5. Objetivo: relacionamento íntimo com Deus
Link dos vídeos das 3 palestras
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Livro de Êxodo com Dr. John Oswalt – Palestra 1 sobre Libertação+
Transcrição da Primeira Palestra do Dr. John Oswalt: "Êxodo – A Libertação" Podemos nos perguntar por que estudamos um livro do Antigo Testamento. Afinal, somos cristãos, não somos? Mas o fato é que a Bíblia é um único livro. Não são dois livros, como se fosse um precursor judaico. Não, não é assim. Não é como se tivéssemos o Antigo Testamento, e depois o Novo Testamento, que seria o verdadeiro livro cristão. Não é isso. Toda a Bíblia é a palavra de Deus, e o Deus do Antigo Testamento é o mesmo Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. O que o Antigo Testamento faz é nos dar as perguntas que o Novo Testamento responde. Por exemplo, Jesus é a resposta, mas qual é a pergunta? Muitos diriam que a pergunta é: “Como meus pecados podem ser perdoados e eu ir para o céu?” Mas essa não é a pergunta que o Antigo Testamento está fazendo. A pergunta do Antigo Testamento é: “Como um ser humano pecador pode viver com um Deus santo?” E Jesus responde a essa pergunta. Jesus nos mostra como podemos ser como Deus, carregando o seu caráter. Portanto, precisamos do Antigo Testamento para entender quem Deus é e qual é o seu propósito para nós.
Isso responde à pergunta de por que devemos estudar o Antigo Testamento. Mas por que o livro de Êxodo? Gênesis nos conta a história dos começos. Gênesis nos diz o que Deus pretendia e depois qual foi o problema que surgiu. Gênesis também delineia a solução para esse problema, e Êxodo preenche o quadro da solução, nos dando uma teologia da salvação. Se compreendermos corretamente a salvação aqui, a entenderemos corretamente no Novo Testamento. Mas, se errarmos aqui, podemos errar também no Novo Testamento.
O título do livro em grego é “Êxodo”, que significa “o caminho para fora”. Mas o caminho para fora do Egito já está concluído no capítulo 15. Então, o que mais encontramos depois do capítulo 15? Há uma revelação do caráter e da natureza de Deus. Eles não conheciam realmente quem era esse Deus que os libertou, e essa revelação vem na forma de uma aliança. Mas a aliança é concluída no capítulo 24. Então, se o problema deles não era o cativeiro, e se o problema deles não era a ignorância teológica, qual era o problema? Isso é o que vemos nos últimos 16 capítulos do livro. O problema é a alienação de Deus. Então, nosso problema como seres humanos envolve cativeiro ao pecado? Sim. Envolve não saber quem Deus é? Sim. Mas o problema real da humanidade é que estamos separados da fonte da vida.
No restante desta palestra, então, queremos falar sobre esse primeiro problema: a libertação do cativeiro. Isso está nos capítulos 1 a 15. Podemos delinear esses capítulos da seguinte forma, e você vê o delineamento na tela diante de você: primeiro, no capítulo 1, temos a necessidade de libertação. Depois, nos capítulos 2 a 4, a preparação do libertador. E, no restante do capítulo 4 e nos capítulos 5 e 6, a oferta de libertação. Depois, os meios de libertação aparecem nos capítulos 7 a 11, que são as pragas, se você se lembra. Finalmente, então, nos capítulos 12 a 15, temos os eventos de libertação.
Então, começamos olhando para a necessidade de libertação. Quando olhamos para o primeiro capítulo, vemos que estão retomando a história de Gênesis. Estes são os descendentes de um homem chamado Jacó. Quem é este homem? Ele é um homem a quem Deus fez grandes promessas. Foi sobre isso que o livro de Gênesis tratou: a promessa de uma terra e de um povo. Deus tem um problema: Ele pode cumprir suas promessas? Então, esse é o “quem” – Jacó e Deus. A segunda questão é “o que”. Qual é exatamente o problema? Há um problema de opressão, mas ainda mais sério que isso é o problema do genocídio. O faraó está tentando destruir essas pessoas. Então, aqui está o problema: Deus pode cumprir suas promessas a essas pessoas, dar-lhes uma terra e fazer deles um povo? Vemos uma pequena dica de sua capacidade de fazer isso nas parteiras. Deus trabalhará através de pessoas fiéis para salvar o mundo.
Então, vemos nos capítulos 2 a 4 a preparação do libertador, e isso começa com a providência de Deus. Como esse bebê sobrevive? Através de uma combinação da fidelidade de sua mãe e da ousadia de acreditar que Deus, de alguma forma, realizará um milagre. Esta criança é criada e treinada pelo inimigo. Deus é muito econômico; Ele usará qualquer meio possível para alcançar seu objetivo. Mas então vemos o fracasso de Moisés. Moisés viu o que estava acontecendo com seu povo e foi movido de compaixão por eles, então ele pensou que os salvaria um de cada vez, sem nenhum custo para si mesmo. Isso nunca é possível. Moisés não perguntou a Deus como Ele planejava salvar seu povo; ele desenvolveu seus próprios meios para fazer isso, e isso nunca funciona. Então, ele foge, e parece que a cuidadosa preparação de Deus foi em vão. Mas isso não leva em conta o caráter de Deus. Se você tiver uma Bíblia aí, por favor, vire para os versículos 23 a 25 do capítulo 2. Você poderia lê-los, por favor? Sim. Deus ouviu seus gemidos, lembrou-se de sua aliança, olhou para eles e os conheceu. Este é o Deus vivo que ouve e se lembra. Ele olha e conhece.
Portanto, mesmo que o libertador aparentemente tenha falhado, o caráter de Deus exige que, de alguma forma, essa libertação ocorra. O inimigo lhe dirá que Deus não se importa com sua situação. Ele sabe, e Ele se importa, e Ele manterá suas promessas. Então, o que precisa acontecer? Deus precisa chamar a atenção de Moisés e levá-lo a tentar novamente, mas agora do jeito de Deus. Acho que a sarça ardente estava diretamente relacionada ao que Moisés estava pensando. Moisés estava ouvindo o inimigo. Acho que ele pensava: “Se você se entregar a Deus, Ele vai consumi-lo, e você não será nada além de cinzas.” Mas Moisés viu essa sarça, que estava em chamas para Deus, mas não era consumida. E então Deus disse a ele: “Estou muito preocupado com meu povo, então vou enviar você.” E Moisés levantou uma série de objeções, todas focadas em sua inadequação, ignorância, fraqueza e incapacidade. E Deus respondeu a cada uma dessas objeções referindo-se a si mesmo: não é a inadequação de Moisés, mas a presença de Deus; não é a ignorância de Moisés, mas a pessoa de Deus.
Moisés disse: “Eu não conheço o seu nome.” E o que Deus revelou a ele foi muito mais do que apenas um rótulo; foi o caráter de quem existe antes de todas as coisas e através de todas as coisas. Moisés disse: “Bem, eu não posso convencê-los, eles não acreditarão em mim.” E Deus mostrou seu poder novamente, com a ilustração poderosa do que está na sua mão. “Oh, isso é meu cajado de pastor.” E Deus disse: “Não, é uma serpente.” Há todo um sermão aí: se você segurar o que está na sua mão, isso pode destruí-lo. Da mesma forma, o sinal da lepra: “Oh, Deus, eu não posso ir ao Egito, eu tenho lepra.” E Deus disse: “Coloque sua mão de volta em seu manto, e ela está limpa.” Se você tocar as pessoas com seu próprio poder, você as contaminará, mas o poder de Deus pode nos tornar limpos. Finalmente, Moisés, desesperado, disse: “Bem, eu não sei falar muito bem.” E Deus, um pouco exasperado, disse: “Já chamei seu irmão Arão, e ambos sabemos que ele não tem problema para falar.” E assim, finalmente, Moisés aceitou.
É muito interessante para mim que não temos uma grande rendição emocional aqui. A questão não é se você tem uma grande reação emocional; a questão é se você vai obedecer a Deus. E assim, Moisés disse a seu sogro: “Eu preciso voltar ao Egito.” Moisés e Arão foram e mostraram os milagres de Deus, e o povo respondeu muito positivamente: “Isso é maravilhoso! Deus vai nos libertar! Ele é um Deus que faz milagres!” Mas então o faraó disse: “Quem é Yahweh? Eu não o conheço.” Esse é o verdadeiro problema que está surgindo aqui: quem é este Yahweh afinal? E, como o faraó não acredita que exista tal Deus, então o povo deve ter inventado isso para tentar sair do trabalho. Muitas vezes isso acontece no mundo. Um mundo que não conhece e não reconhece Deus criará desculpas. Assim, vemos os supervisores hebreus indo até o faraó, querendo que ele alivie suas cargas, e ele, é claro, recusa. Eles encontram Moisés e Arão na saída e dizem: “Vocês nos fizeram feder ao faraó!” Então, Moisés e Arão voltam ao povo e dizem: “Vai ficar tudo bem, continuem acreditando”, mas o povo não quer mais ouvir.
Então, o problema da salvação é de duas faces: o povo tem um problema, mas Deus também tem um problema. A questão da salvação é: quem é Deus? Ele tem o poder? Ele tem a vontade? E isso é o que vai ser demonstrado para nós nos capítulos 7 a 11. Eu costumava me perguntar por que há tantas pragas. Se o objetivo é tirar o povo do Egito, uma grande praga certamente teria feito o trabalho. Mas, em vez disso, temos todas essas pragas. Por quê? Porque o verdadeiro propósito aqui é demonstrar quem Deus é, em contraste com os deuses egípcios. Temos que lembrar que, por 400 anos, o povo hebreu viveu em um ambiente totalmente pagão. Tudo o que aprenderam sobre a realidade está errado, e é baseado em um erro fundamental, que é característico da religião falsa em todo o mundo: a ideia de que este mundo é divino. Todos os outros erros do paganismo derivam dessa ideia. Se este mundo é divino, então todas as forças nele são divinas, e há muitos deuses. Se este mundo é Deus, eu posso manipular este mundo, e, ao fazer isso, influenciar os deuses. Qual é o objetivo da vida? É manipular este mundo para suprir minhas necessidades. Isso é o que a idolatria é, em essência. Você não precisa ter uma pequena estátua para ser um idólatra. Se você está adorando as forças deste mundo, tentando satisfazer suas necessidades através delas, você é um idólatra. E Deus precisava mostrar ao povo hebreu e aos egípcios que isso não é verdade. Eles precisavam saber: “Eu sou.”
O que esse nome nos diz? Ele é um ser que existe em si mesmo, sem depender de nada mais. Ele não é parte deste mundo, e isso é o que Deus está tentando mostrar através das pragas. Ele conhece nossas necessidades melhor do que nós, e quer supri-las. Ele o fará se confiarmos nele, acreditarmos nele e obedecermos a ele. É isso que deu errado no Jardim do Éden. Adão e Eva não confiaram em Deus, então não acreditaram nele quando ele disse que morreriam. E assim, eles não o obedeceram quando ele disse: “Não comam daquela árvore.” Deus diz várias vezes nestes capítulos: “Então vocês saberão que eu sou Yahweh.” E é isso que Deus quer para você e para mim. Ele quer que saibamos quem ele é, mas ele também quer que o conheçamos pessoalmente.
Essas pragas são um ataque aos deuses do Egito. Os egípcios pensavam que esses vários elementos poderiam dar vida. Deus diz: “Qualquer coisa em que você confie, em vez de mim, para lhe dar vida, na verdade trará morte.” Não é por acaso que a primeira praga é sobre o Nilo, porque os egípcios adoravam a Mãe Nilo, que lhes dava um novo nascimento todos os anos. E Deus mostra a eles que o Nilo, em si mesmo, é sangue. Os egípcios adoravam rãs porque as rãs tinham a capacidade de viver em dois mundos. Eles estavam muito preocupados com isso, porque a vida no Egito era maravilhosa, e eles tinham medo de que a vida no próximo mundo não fosse tão boa. Essa é a mesma razão pela qual adoravam moscas, porque as moscas podiam trazer vida a partir de coisas mortas. Assim por diante, adoravam animais por causa do poder do touro e do carneiro. E Deus mostra a eles que, em si mesmos, nenhum desses seres tem vida; eles são morte. E finalmente há o sol em si. Todos os dias do ano, o sol nascia e cruzava majestosamente o céu, dando vida. E Deus diz: “Eu posso apagar o sol. Ele é sujeito à minha voz.” E finalmente, é claro, há a vida em si. Mesmo a vida em si não é vida sem a mão de Deus.
É interessante que o povo judeu continuava pedindo sinais a Jesus. Esse é o termo usado para as pragas: sinais. E Jesus fez sinais. De fato, ele inverteu tudo. As coisas que este mundo pensa que trazem morte, Jesus mostrou que ele tem o poder de transformar em vida. A natureza fora de controle, ele pode trazer vida. Mesmo o demoníaco, ele pode usar para trazer vida. E, claro, no final, ele pode transformar a morte em vida.
Então, a pergunta é: quem é Deus? Finalmente, o faraó não admite que Yahweh é Deus, mas ele admite que foi derrotado. O deus deste mundo não admitirá quem Deus é, mas ele pode ser derrotado.
Então, chegamos aos eventos da libertação. Há duas partes principais aqui. A primeira é a celebração da Páscoa, e a segunda é a travessia do Mar Vermelho. Mais uma vez, se o objetivo é apenas tirar o povo do Egito, por que dedicar dois capítulos à celebração da Páscoa? E acho que a resposta é que estamos apontando para o futuro. A questão real aqui não é o cativeiro no Egito; a questão real é o anjo da morte, porque é isso que a Páscoa realmente trata: a vitória sobre a morte.
Desde o Jardim do Éden, a morte reinou. Agora, Deus não pode simplesmente ignorar isso e fingir que podemos esquecer. Este é um mundo de causa e efeito que Deus criou, e a Bíblia diz: “A alma que pecar, essa morrerá.” É como dizer: “Se você pegar um fio elétrico vivo, você morrerá.” Não podemos dizer: “Oh, bem, eu não entendi realmente o que estava acontecendo, então vamos esquecer isso.” Isso não funciona. O que deve ser feito sobre o reinado da morte no mundo? Algo ou alguém terá que morrer no lugar dos demais. E é isso que a celebração da Páscoa está apontando. Não é coincidência que a última ceia tenha ocorrido em conexão com a Páscoa. Ao mesmo tempo, a cerimônia da Páscoa levanta questões: pode um cordeiro morrer pelos meus pecados? O profeta Miquéias diria: “Poderia meu próprio filho morrer pelos meus pecados?” E a resposta é obviamente não. Então, ano após ano, o povo de Deus estava dizendo: “Alguém tem que morrer, mas quem é?” E a tragédia é que, quando ele veio, eles não o reconheceram.
Agora, a jornada do Egito a Canaã ao longo da estrada costeira leva cerca de 11 dias. E, pelo texto bíblico, parece que começaram a ir por esse caminho, mas Deus os fez dar a volta e os levou por um caminho mais longo. Por que ele faria isso? Eles poderiam ter evitado o Mar Vermelho se tivessem seguido pela estrada costeira. Mas Deus os leva a uma situação em que se deparam com uma água intransponível. Alguma vez Deus já levou você pelo caminho mais longo? Ele já me levou. E ele faz isso para demonstrar a nós, como fez aos hebreus, o seu poder. Se você teve sucesso a vida inteira por suas próprias forças, é digno de pena. É quando chegamos ao fim de nós mesmos e reconhecemos que não podemos fazer isso sem Deus, que descobrimos a maior verdade de todas.
Parece que pelo menos uma pessoa aprendeu as lições das pragas. Aqui estão eles, com o maior exército de carros do mundo naquela época, vindo em sua direção, e suas costas estão voltadas para uma água que não podem cruzar. E as pessoas começam a fazer o que farão bem pelos próximos 40 anos: dizer: “Você nos trouxe aqui para nos matar!” E Moisés diz: “Fiquem quietos e vejam o que Deus vai fazer.” Agora, é interessante para mim que não há evidências de que Deus tenha dito a Moisés o que ele vai fazer. Olhando da perspectiva humana, esta é uma situação desesperadora. Mas Moisés aprendeu algo sobre quem Yahweh é, e Yahweh não precisa dizer a Moisés o que ele está planejando fazer para que Moisés acredite de qualquer maneira.
Agora, muitos estudiosos bíblicos dirão: “Oh, isso realmente não aconteceu. É apenas uma bela história para ilustrar a fé em Deus.” Mas isso não entende um ponto essencial da revelação bíblica. Na Bíblia, Deus se revela em eventos únicos no tempo e no espaço. Nos mitos, os deuses são revelados nos grandes ciclos recorrentes da natureza. Mas o Deus da Bíblia está fora deste mundo, e ele intervém nos eventos de tempo e espaço que nunca aconteceram antes e nunca acontecerão novamente para revelar quem ele é. Lembre-se do que Paulo, o apóstolo, diz quando ele diz: “Se Cristo não ressuscitou, somos de todos os homens os mais dignos de pena.” Porque acreditamos em uma mentira. Como sabemos que Deus derrotou a morte? Porque o túmulo está vazio. A verdade espiritual é ensinada nas realidades da história. A ressurreição de Cristo não é algo novo. Este é o tipo de coisa que Deus tem feito o tempo todo. Este é o grande clímax.
Agora, os cineastas às vezes retratam as pessoas caminhando entre paredes de água com cem metros de altura. Não sei se aconteceu assim, mas sei disso: uma água que era profunda demais para qualquer um cruzar, de alguma forma se dividiu, e eles atravessaram a seco.
Isso nos traz ao fim dessa primeira divisão: a libertação do cativeiro. Quero falar com vocês sobre o que aprendemos sobre a salvação até agora. Qual é a necessidade de salvação? Precisamos ser salvos, mas Deus também precisa nos salvar para cumprir suas promessas e provar seu caráter. E qual é a causa da salvação? A causa da salvação é a auto-revelação de Deus. Deus nos mostra quem ele é e, ao nos mostrar, nos salva. E qual é o propósito da salvação? Lembre-se do que eu disse no começo: é muito fácil para nós dizer: “Ah, a salvação é para que meus pecados possam ser perdoados e eu possa ir para o céu.” Mas o propósito da salvação é que possamos conhecê-lo, conhecê-lo pessoalmente. Não apenas saber sobre ele, mas ter esse reconhecimento pessoal, como vimos no exemplo de Moisés.
Agora, então, você vê pontos de interrogação na expressão da salvação e no objetivo dela. Vamos responder a essas questões nas próximas palestras.
Como saber se sou salvo?+
Como saber se já nasci de novo? Você já teve um encontro com Deus?
Muitos professam terem tido um encontro com Deus, mas seguem vivendo como antes. Mas um verdadeiro encontro com Deus deixa marcas! Abrão torna-se Abraão, Jacó transforma-se em Israel, Simão em Pedro, Levi em Mateus e Saulo em Paulo. Isaías exclamou: “ai de mim”! Zaqueu deixou de ser um corrupto ganancioso e passou a ser justo e caridoso. Ou seja, um verdadeiro encontro com Deus é impactante e transformador.
Alguém pode dizer: “eu creio, então, estou salvo”. O problema desta afirmação é que “a fé sem obras é morta” (Tg 2.18), pois a verdadeira fé em Cristo é também transformadora. Quem reconhece que Jesus é o Senhor, deve também sujeitar-se ao seu senhorio. É fácil perceber que a grande maioria das pessoas ao nosso redor professa uma fé cristã, mas Jesus disse: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade (Mt 7.21-23).
Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus ( Jo 3.3). Nascer de novo implica em mudança de vida, pois a nova criatura não pode permanecer a mesma, mas deve viver em novidade de vida (Rm 6.4).
Jesus também ensinou que o caminho da salvação era estreito e apertado. Como saber, então, se estamos no Caminho? Jesus mesmo responde a esta pergunta com a seguinte frase: “pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.20).
Se queremos conhecer que espécie de árvore somos devemos examinar os frutos, pois eles são realmente reveladores. Paulo exorta os cristãos dizendo: “Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” (2 Co 13.5).
João escreveu um livro para ajudar os cristãos a discernirem a autenticidade de seus relacionamentos com Cristo. “Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna” (1 Jo 5.13). Ele usa expressões descritivas das características dos salvos em Cristo que garantem aos possuidores delas a convicção de sua salvação. Tais expressões costumam conter os seguintes termos: “sabemos que” , “assim sabemos”, “deste modo sabemos”, “desta forma sabemos”, “conhecemos”, “assim conhecemos”, “nisto conhecemos”, “dessa forma reconhecemos”, “se alguém”, “dessa forma”, “quem não”, “todo aquele”, “todo aquele que é nascido de Deus”, “todo aquele que ama”, “todo aquele que crê”, “aquele que é”…
De acordo com João, aquele que é nascido de Deus apresenta as seguintes características:
1) Tem comunhão com Deus 2) Tem comunhão com a Igreja 3) Tem comunhão com a Verdade 4) Tem o testemunho do Espírito Santo 5) Tem respostas para as suas orações 6) Tem vitória sobre o pecado, o diabo e o mundo 1) Tem comunhão com Deus · Tem comunhão com o Pai e com o Filho: o “Nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo” (1 Jo 1.3).
· Conhece a Deus. o “Sabemos que o conhecemos, se obedecemos aos seus mandamentos” ( 1 Jo 2.3). o “conheceis o pai” e “conheceis aquele que existe desde o princípio” (1 Jo 2.14).
· Ama a Deus. o “Amando a Deus e obedecendo aos seus mandamentos” ( 1 Jo 5.2). o “Assim conhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos nesse amor. Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele” ( 1 Jo 4.16).
· Está em Cristo: o “Sabemos também que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento, para que conheçamos aquele que é o Verdadeiro. E nós estamos naquele que é o Verdadeiro, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” ( 1 Jo 5.20). o “Mas, se alguém obedece à sua palavra, nele verdadeiramente o amor de Deus está aperfeiçoado. Desta forma sabemos que estamos nele” ( 1 Jo 2.5). o “Os que obedecem aos seus mandamentos permanecem nele, e ele neles. Deste modo sabemos que ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu” ( 1 Jo 3.24).
· Permanece em Cristo o “Permanecei nele” e “dele não nos afastemos” (1 Jo 2.28). o “Permaneça em vós o que ouvistes desde o princípio. Se em vós permanecer o que desde o principio ouvistes, também permanecereis vós no Filho e no Pai.” (1 Jo 2.24).
· Anda na luz, pois Deus é luz o “Deus é luz; nele não há treva alguma” ( 1 Jo 1.5). o “Se, porém, andamos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” ( 1 Jo 1.7).
2) Tem comunhão com a Igreja Os salvos mantem comunhão com a igreja e não somente com Deus (1.3). Deve ter comunhão com Deus (1.6) e também uns com os outros (1.7). Segundo João, os verdadeiros cristãos são os que:
· Amam os irmãos o “Assim sabemos que amamos os filhos de Deus: amando a Deus e obedecendo aos seus mandamentos” ( 1 Jo 5.2). o “Sabemos que já passamos da morte para a vida porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte” ( 1 Jo 3.14). o “Desta forma sabemos quem são os filhos de Deus e quem são os filhos do diabo: quem não pratica a justiça não procede de Deus; e também quem não ama seu irmão” ( 1 Jo 3.10). o “Quem afirma estar na luz mas odeia seu irmão, continua nas trevas” ( 1 Jo 2.9). o “Quem ama seu irmão permanece na luz, e nele não há causa de tropeço” ( 1 Jo 2.10).
· Não abandonam a Igreja o “Eles saíram do nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos, pois, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; o fato de terem saído mostra que nenhum deles era dos nossos” ( 1 Jo 2.19). o “Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia” ( Hb 10.25). o “Se, porém, andamos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” ( 1 Jo 1.7).
· Reconhecem o valor da Igreja: o “Nós viemos de Deus, e todo aquele que conhece a Deus nos ouve; mas quem não vem de Deus não nos ouve. Dessa forma reconhecemos o Espírito da verdade e o espírito do erro” (
1 João 4.6
). · Seguem o exemplo de Jesus que deu sua vida em favor da Igreja para apresenta-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável (Ef 5.26-27). Devemos amar como Jesus amou: o “Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos” (1 Jo 3.16).
3) Tem comunhão com a Verdade Crê que Jesus é o Verdadeiro Deus encarnado e a vida eterna: o “Sabemos também que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento, para que conheçamos aquele que é o Verdadeiro. E nós estamos naquele que é o Verdadeiro, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” ( 1 Jo 5.20). o “Vocês podem reconhecer o Espírito de Deus deste modo: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne procede de Deus” ( 1 Jo 4.2). o “Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo: aquele que nega o Pai e o Filho” ( 1 Jo 2.22). o “Quem crê no Filho de Deus tem em si mesmo esse testemunho. Quem não crê em Deus o faz mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus dá acerca de seu Filho” ( 1 Jo 5.10). o “De fato, muitos enganadores têm saído pelo mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em corpo. Tal é o enganador e o anticristo” ( 2 Jo 1.7).
Dá ouvidos a sã doutrina apostólica: o “Nós viemos de Deus, e todo aquele que conhece a Deus nos ouve; mas quem não vem de Deus não nos ouve. Dessa forma reconhecemos o Espírito da verdade e o espírito do erro” ( 1 Jo 4.6; cf. Ef 2.20, At 2.42; 3 Jo 13, 4, 8 e 12). o “Permaneça em vós o que ouvistes desde o princípio. Se em vós permanecer o que desde o principio ouvistes, também permanecereis vós no Filho e no Pai.” (1 Jo 2.24).
Obedece a Palavra de Cristo: o “Mas, se alguém obedece à sua palavra, nele verdadeiramente o amor de Deus está aperfeiçoado. Desta forma sabemos que estamos nele” ( 1 Jo 2.5).
Está firmado e seguro na Verdade: o “Assim saberemos que somos da verdade; e tranquilizaremos o nosso coração diante dele” ( 1 Jo 3.19; 2 Jo 1.1-4 e 3 Jo 13, 4, 8 e 12). o “A Palavra de Deus permanece em vós” (1 Jo 2.14). o “Nisto conheceremos que somos da verdade” (1 Jo 3.19).
Não dá ouvidos aos falsos profetas o 1 Jo 2.18-27 o 1 Jo 4.1-6 o “Filhinhos, vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo”(1 Jo 4.4) o “Nisto reconheceremos o espírito da verdade e o espírito do erro” (1 Jo 4.4 e 5) o “Guardai-vos dos ídolos” (1 Jo 5.21).
“Mentira alguma jamais procede da verdade” o 1 Jo 2.21 Se tem comunhão com Deus tem comunhão com a Verdade, pois: o “O Espírito é a Verdade” (1 Jo 5.6) o “Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida”(Jo 14.6). o “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”(Jo 8.32). o “A Palavra de Deus é a Verdade” (Jo 17.17). o “Também sabemos que o Filho de Deus é vindo e nos tem dado entendimento para reconhecermos o verdadeiro; e estamos no verdadeiro, em seu Filho, Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1 Jo 5.20).
4) Testemunho do Espírito Podemos saber que somos salvos pelo Espírito Santo que testifica com o nosso próprio espírito que somos filhos de Deus (Rm 8.16). O Espírito nos convence do pecado, da justiça e do juízo. Pelo Espírito somos levados a convicção que Jesus é Senhor (1 Co 12.3) e também é por Ele que clamamos “Aba, Pai” (Rm 8.15; Gl 4.6). O Espirito derrama amor em nossos corações (Rm 5.5). O Espírito nos ensina (1 Co 2.13 e 1 Jo 2.27). o Espírito Santo nos guia, “porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8.14).
João, portanto, ensina que todo aquele que verdadeiramente é filho de Deus possui o testemunho do Espírito Santo como podemos ver nos textos abaixo:
· “E nisto conhecemos que ele permanece em nós, pelo Espírito que nos deu” ( 1 Jo 3.24).
· “Nisto conhecemos que permanecemos nele, e ele, em nós: em que nos deu do seu Espírito” (1 Jo 4.13).
· “E o Espírito é o que dá testemunho” (1 Jo 5.6).
· “Aquele que crê no Filho de Deus tem, em si, o testemunho” (1 Jo 5.10, cp. Rm 8.16; Ef 1.13-14)
· “A sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas” (1 Jo 2.27 e 1 Co 2.13).
5) Tem respostas para as suas orações · Podemos saber que somos salvos por que o Senhor tem respondido as nossas orações:
· “E aquilo que pedimos, dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o que lhe é agradável” (1 Jo 3.22 cf. Tg 5.16; Jo 15.7)
· “E se sabemos que ele nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que temos o que dele pedimos” ( 1 Jo 5.15).
6) Tem vitória sobre o pecado. O Diabo e o mundo João ensina que o cristão pode saber que é salvo porque está vivendo uma vida de vitória sobre o pecado, o diabo e o mundo:
Vitória sobre o pecado:
“Sabeis também que Ele se manifestou para tirar os pecados, e nele não existe pecado. Todo aquele que permanece nele não vive pecando, todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu.” (1 Jo 3.4-6).
“Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus” (1 Jo 3.8,9).
Vitória sobre o diabo “Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno (1 Jo 2.14).
Vitória sobre o Mundo “Não ameis o Mundo” (1 Jo 2.15)
“Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o Mundo: a nossa fé. Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?” (1 Jo 5.4, 5).
“Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado” (1 Jo 5.18).
O Cristão já foi liberto do domínio do pecado (Rm 6.14), já morreu para o pecado e não deve continuar vivendo nele (Rm 6.2). Isto não significa que esteja imune a possibilidade de pecar (1 Jo 1.8). O crente precisa vigiar, pois ainda está suscetível a cair em tentação (Lc 22.46). O Cristão já é uma nova criatura, cujo velho homem foi crucificado com Cristo (Gl 2.20; 5.24). Mas isto não significa o mesmo que estar automaticamente blindado contra o pecado. Ainda há uma longa batalha a ser travada contra o pecado, o diabo e as paixões mundanas. Há uma grande luta interior. Uma batalha difícil entre o espírito e a carne (Gl 5.17). Por isto é que encontramos inúmeras exortações para andarmos em espírito a fim de não darmos ocasião a carne (Gl 5.16-25; Co 3.8; Ef 4.22; Rm 8.13). O cristão não pode mais viver segundo a vontade da carne, mas deve ser guiado pelo Espírito de Deus, “porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”(Rm 8.14).
João afirma que sua carta tem como propósito conduzir os cristãos à uma vida de vitória sobre o pecado: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis” (1 Jo 2.1). Os filhos da Luz, não devem andar nas trevas (1 Jo 1.6), mas se tropeçarem em sua caminhada, não devem permanecer prostrados, pois tem em Cristo um grande advogado para interceder em seu favor a fim de alcançarem perdão e purificação para seguirem firmes em seu propósito de viverem para Deus (1 Jo 1.8 e 2.1-2).
Ainda que o pecado seja uma realidade na vida do cristão, uma grande diferença entre os que são filhos de Deus e os que não são é que o verdadeiro cristão não vive praticando o pecado, pois não é mais escavo do pecado e sabemos que “todo aquele que vive pecando é escravo do pecado” ( Jo 8.34). Por isto é que João afirma: “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; aquele que nasceu de Deus o protege, e o Maligno não o atinge.” ( 1 Jo 5.18).
A diferença é que são de Deus não estão sob o poder do Maligno: “Sabemos que somos de Deus e que o mundo todo está sob o poder do Maligno” ( 1 Jo 5.19).
Sabemos que somos novas criaturas porque recebemos um novo coração (Ez 11.19; 36.26) e um novo Espírito (Ez 36.27) que nos capacita a guardar os mandamentos de Cristo (1 Jo 2.3-7; 3.22; 5.2). Como exclamou Jesus: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, este é o que me ama” (Jo 14.21). Isto significa uma vida de vitória sobre o pecado! Uma vida de santidade possibilitada pelo Espírito Santo de Deus! “Seu divino poder nos deu todas as coisas de que necessitamos para a vida e para a piedade, por meio do pleno conhecimento daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude” ( 2 Pe 1.3). Sim, fomos chamados para participar de sua virtude. Pedro arremata dizendo: “para que vocês se tornassem participantes da natureza divina e fugissem da corrupção que há no mundo, causada pela cobiça” (2 Pe 1.4). Por isto é que o cristão não pode amoldar-se a forma deste mundo (Rm 12.1-2), pois foi escolhido para ser santo, conforme a imagem de Jesus (Rm 8.29; Ef 1.4).
De acordo com João, o filho de Deus deve andar na luz, porque Deus é luz (1 Jo 1.7), deve amar, porque Deus é amor (1 Jo 4.8), deve praticar a justiça, porque Deus é justo (1 Jo 2.29; 3.7,10), deve ser verdadeiro porque Deus é a Verdade (2.21, 27), deve ser puro porque Deus é puro (1 Jo 3.3-9). Em suma, deve andar assim como Ele andou (1 Jo 2.6).
Sabemos que somos salvos porque estamos em Cristo, porque estamos seguindo os seus passos, porque estamos no Caminho! Tropeços acontecem, mas estamos no Caminho da Luz. Encontramos perdão neste caminhar e força para prosseguir. Nossa caminhada não é solitária. O Senhor nos guia e desfrutamos da presença constante do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Também encontramos irmãos e irmãs que seguem a este mesmo Senhor Verdadeiro, Justo, Puro e Amoroso. Nosso Senhor é nossa Luz e Salvação. Nosso Senhor é nosso alvo e motivação. Nosso Senhor é a nossa força para vencer o pecado, o Diabo e o Mundo.
Bispo José Ildo Swartele de Mello http://escatologiacrista.blogspot.com
O triunfo de Deus sobre os deuses do Egito através das dez pragas.+
Neste poderoso sermão, exploramos como Deus demonstrou Sua soberania absoluta sobre os deuses do Egito por meio das dez pragas narradas no livro de Êxodo. Cada praga não foi apenas um ato de julgamento, mas também um confronto direto com as divindades egípcias, revelando a superioridade do Deus de Israel.
Transcrição do sermão
Você sabe como o povo de Israel foi parar no Egito? (Gênesis 46.1-7)
José do Egito tornou-se governador após interpretar os sonhos do faraó (Gênesis 41.39-41). Uma grande fome abateu sobre toda a terra, e toda a sua família acabou sendo acolhida e salva naquele período de muita escassez e fome (Gênesis 47.11-12).
O problema é que a fome passou, mas as vantagens do Egito continuaram presentes, e eles não regressaram para sua terra de Canaã. O tempo foi passando até que surgiu um novo faraó que nem lembrava mais de quem fora José (Êxodo 1.8). Ele encontrou aquele povo ali, tirou proveito disso e passou a escravizá-los. Foram quatrocentos anos de escravidão no Egito, anos de opressão, exploração e muita angústia (Êxodo 12.40).
Chega o momento em que vemos Deus promovendo a libertação desse povo. Mas era um povo que aprendeu a idolatria do Egito, um povo idólatra. Tanto que, quando são libertos do Egito e Moisés demora no alto do Monte Sinai, o povo apela para seus próprios deuses, num sincretismo religioso, e constrói um bezerro de ouro (Êxodo 32.1-4). Veja a influência e o impacto de toda a cultura, religiosidade e paganismo egípcio sobre aquele grande grupo de judeus.
Deus se manifesta a Moisés. Mas lembre-se de que, quando Moisés nasceu, o faraó, preocupado com a multiplicação do povo hebreu em seu território, temendo que, ao se multiplicarem, viessem a se rebelar e se tornassem mais numerosos e poderosos, podendo insurgir-se contra o faraó, o exército e o Egito, ordenou matar todo recém-nascido do sexo masculino (Êxodo 1.15-16). Não bastava apenas a escravidão, a opressão e a exploração; agora, um genocídio era perpetrado pelo poder máximo, pelo faraó.
Por providência divina, Moisés é preservado. Por ironia do destino, ele é educado exatamente na casa do faraó, com todos os privilégios (Êxodo 2.5-10). Moisés cresce, torna-se adulto, e aos 40 anos presencia um egípcio espancando um escravo hebreu. Ele intervém para defendê-lo e acaba matando o egípcio, tendo que fugir para o deserto, onde permanece por quarenta anos (Êxodo 2.11-15; Atos 7.23-29).
Essa tentativa de Moisés de libertar o escravo, de defender o oprimido, é louvável. Mas repare bem: é uma tentativa humana. Moisés não buscou o conselho de Deus; ele agiu por impulso. E no que resultou isso? Ele teve que fugir. Moisés fracassou em sua primeira tentativa de libertar o povo hebreu.
Quarenta anos depois, quando tem 80 anos de idade, sentindo-se completamente incompetente e fragilizado humanamente, Deus o chama e se manifesta a ele (Êxodo 3.1-4). Deus, esse ser transcendente, todo-poderoso, Criador dos céus e da terra, totalmente santo, se manifesta como um fogo consumidor que Ele é. Mas, para surpresa de Moisés, Deus se manifesta numa sarça que ardia em fogo, mas não se consumia (Êxodo 3.2-3). Um sinal de que Deus dizia: “Pode se aproximar, pode se achegar; você não será consumido”.
Moisés, então, agora se apresenta diante do faraó. Volta ao Egito e diz ao faraó aquilo que Deus lhe ordenou: “Apresente-se lá e diga: ‘Faraó, venho aqui em nome de Deus, e Ele está dando uma ordem para você: deixe o povo de Israel sair do Egito, libertar-se da escravidão, para me servir e me adorar no deserto'” (Êxodo 5.1).
Podemos nos perguntar: por que vieram dez pragas? Uma só não bastaria? Numa só tacada, Deus já não resolveria essa empreitada? Por que foram necessárias dez pragas para que o povo fosse liberto do cativeiro egípcio?
A resposta do faraó foi a seguinte: “Quem é o Senhor, para que eu obedeça à sua voz e deixe Israel ir? Não conheço o Senhor, nem deixarei Israel ir” (Êxodo 5.2). A questão dele é: “Quem é o Senhor?”. Por isso as dez pragas; elas vão revelar quem é o Senhor. Deus irá apresentar-se, confrontando um a um os deuses do Egito.
Primeira praga: O Nilo transformado em sangue (Êxodo 7.14-24)
Havia o deus do Nilo, chamado Hapi. O Nilo era a fonte da vida num lugar muito inóspito e desértico, o rio mais longo de toda a terra, um rio muito fértil que trazia vida. E havia um deus associado a este rio, o deus Hapi, em quem eles confiavam para suprir suas necessidades. Havia uma idolatria, uma confiança depositada no deus do rio e no rio em si como um verdadeiro deus.
Deus se apresenta: “Você não vai deixar o povo ir? Você está me desobedecendo? Eu vou me apresentar. Aqui estão as minhas credenciais. Vocês confiam no rio? É nele que vocês têm confiança, nessa fonte de suprimentos? Vocês pensam que o deus é Hapi? Eu sou Deus, Criador do rio e de tudo que há. Mas vocês não me conhecem, vocês não me tributam honra e glória. Então, vocês vão me conhecer”. E, em vez de sair vida desse rio, o que acontece agora? Ele está ensanguentado, o rio traz a morte; o sinal do sangue, o sinal da morte. Um espanto se abateu sobre o faraó e o Egito. O primeiro confronto resultou nisso.
Segunda praga: Rãs invadem o Egito (Êxodo 8.1-15)
A deusa Hequet, deusa da fertilidade, era representada com cabeça de rã. Eles cultuavam essa deusa porque ela podia reinar em dois mundos distintos: na água e na terra, simbolizando a transcendência e a fertilidade, como se multiplicam as rãs. De repente, os adoradores da rã vão começar a blasfemar contra a deusa, porque haverá uma praga de rãs que virão do rio Nilo, agora transformado em sangue, e invadirão todo o Egito. Cadê a deusa que consegue controlar as rãs? Nem o controle das rãs ela tinha.
Terceira praga: Piolhos surgem do pó (Êxodo 8.16-19)
O pó da terra, de acordo com a palavra de Moisés, transformou-se numa praga de piolhos. As pessoas coçavam a cabeça, e o faraó clamou por misericórdia. Para mostrar que só o Senhor é Deus, numa palavra de Moisés, a praga se extinguiu. Os magos do Egito disseram ao faraó: “Isto é o dedo de Deus”.
Quarta praga: Enxames de moscas (Êxodo 8.20-32)
Havia o deus Khepri, deus dos insetos, representado por um escaravelho. Tanto as moscas como os besouros eram adorados porque conseguiam se alimentar daquilo que estava morto e extrair vida dali. E de repente, a praga das moscas invade o Egito.
O faraó não aguentou nessa quarta praga. Ele chama Moisés para negociar: “Vão e sacrifiquem ao seu Deus aqui mesmo na terra” (Êxodo 8.25). Repare que, quando vem o mandamento de Deus “Deixa o meu povo ir”, ele diz “Não” em absoluto. Depois da quarta praga, ele chama Moisés: “Venham, vamos negociar”. Mas sua proposta é: “Adorem a Deus nesta terra”. Continuem ao meu serviço, continuem escravos, continuem ligados a esta terra servindo aos interesses do Egito. Tudo bem, podem adorar a Deus.
Quantas pessoas caem nesta estratégia maligna! Nunca se libertam da opressão do diabo, do maligno, do pecado. Tentam servir a dois senhores ao mesmo tempo. Tentam fazer um “jeitinho”, e o brasileiro é famoso pelo “jeitinho brasileiro”. “Adorem a Deus nesta terra”.
Claro que a resposta é não. Não foi isso que Deus disse. Então, uma segunda proposta: “Eu os deixarei ir, mas não vão muito longe” (Êxodo 8.28). Olha a estratégia do faraó. O faraó sabe muito bem toda a atração, todo o fascínio que o Egito exerce, toda tentação que o Egito representa. Primeiro, “Fiquem aqui mesmo e adorem a Deus”. Segundo, “Já que insistem em sair, não vão muito longe, fiquem perto”.
Quinta praga: Peste nos animais (Êxodo 9.1-7)
Havia muitos deuses relacionados ao gado: o deus Ápis, que era o deus do gado, representado com cabeça de touro ou boi, e a deusa Hathor, que era a deusa vaca. E o que aconteceu? Mortandade de todo o gado. Esses deuses não conseguiram proteger o gado do Egito.
Sexta praga: Úlceras e tumores (Êxodo 9.8-12)
Uma praga afetou a pele das pessoas: úlceras e tumores surgiram nos homens e nos animais. Eles tinham três deuses muito conhecidos, especialistas em cura e medicina: a deusa Ísis; Imhotep, o deus da medicina, considerado o primeiro médico de toda a história antiga; e Sekhmet, que era a deusa da guerra e também da medicina. Mas esses deuses não conseguiram resolver o problema desta praga.
Sétima praga: Chuva de granizo e fogo (Êxodo 9.13-35)
Havia a deusa do céu, Nut. Dos céus, em vez de vir chuva boa, veio saraiva, chuva de pedras e fogo, uma calamidade. Os animais que não foram mortos pelas pragas anteriores agora foram mortos pelas pedras. Nenhum deus do Egito conseguia controlar a ação e a mão forte de Deus.
Oitava praga: Gafanhotos devastam a terra (Êxodo 10.1-20)
A praga dos gafanhotos veio sobre toda a plantação. Havia o deus Osíris, que era o deus da fertilidade da terra, da colheita, da agricultura. Esse deus, poderosíssimo, não conseguiu proteger as plantações do Egito desse enxame de gafanhotos que tomou conta de tudo.
Nona praga: Trevas cobrem o Egito (Êxodo 10.21-29)
Aqui temos um deus bem conhecido: Amon-Rá, muitas vezes conhecido só como Rá, o deus sol. Deus vai confrontar o deus sol, porque Ele é o Criador do sol, e as pessoas estão adorando o que Deus criou no lugar de adorar o Criador. “Cadê o sol? Cadê o deus sol agora?” Trevas sobre toda a terra; três dias de trevas completas que só acabaram diante do mandamento da voz do servo de Deus.
Antes da décima e última praga, mais uma rodada de negociações. O faraó propõe o seguinte: “Tudo bem, podem ir, até para bem longe, podem ir com todas as pessoas, mas os rebanhos, os bens materiais, ficam aqui no Egito” (Êxodo 10.24). Repare que a última coisa a se converter num homem é o bolso. Jesus disse: “Ninguém pode servir a dois senhores… Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mateus 6.24). O jovem rico, que amava a Deus até onde entendia que amava, descobriu, numa conversa com Jesus, que não amava tanto a Deus como imaginava (Lucas 18.18-23). Não era capaz de abrir mão do seu apego aos bens materiais. De alguma maneira, ali revelou-se a sua idolatria.
A última cartada do faraó: “Os bens ficam. Adorem a Deus sem os bens materiais”. Olhe para o seu coração agora e veja o quanto você está realmente liberto dessa idolatria.
Décima praga: Morte dos primogênitos (Êxodo 11.1-10; 12.29-36)
Por fim, Deus confronta o próprio faraó. Os faraós se autodenominavam deuses, a personificação do deus Amon-Rá. Deus anuncia a morte dos primogênitos, inclusive o filho do faraó, que seria o próximo deus do Egito. Quem é que vai segurar essa onda do anjo da morte?
Somente os que estavam no Egito e obedeceram à instrução divina, os pais que sacrificaram o cordeiro — que apontava profeticamente para Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1.29) — e aspergiram o sangue do cordeiro sobre os umbrais de suas residências, pouparam os seus filhos (Êxodo 12.7,13). Mas o primogênito do faraó foi ceifado.
Esse foi um golpe muito duro para o faraó, e ele deixou todo mundo ir embora. Aí temos o Êxodo, os pães ázimos. Não há tempo agora para esperar a massa de pão fermentar; têm que fugir, porque o faraó é temperamental. Ele deixou ir pelo impacto do acontecido, mas logo mudará de ideia e irá atrás do povo de Israel (Êxodo 14.5-9).
Atravessando o Mar Vermelho (Êxodo 14.10-31)
Haverá uma libertação, sim, uma grande libertação. O exército inimigo do faraó atrás de todo o povo, o Mar Vermelho na frente, e uma grande libertação ocorre. O povo passa, o mar se fecha, os inimigos são tragados. Eles vão para o deserto, e lá praticam idolatria, adorando um bezerro de ouro, num momento quase subsequente (Êxodo 32.1-6). O mal da idolatria é algo terrível.
A Grande Comissão (Mateus 28.18-20)
A Grande Comissão, o grande mandamento que Jesus deu aos seus seguidores antes de subir aos céus, Ele disse: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Portanto, ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação do século”.
Há três coisas aqui: primeiro, batizando; segundo, ensinando; e terceiro, a comunhão com Deus. No Êxodo, percebemos tudo isso. O povo é batizado nas águas do mar, naquela libertação (1 Coríntios 10.1-2). Isso é graça de Deus; eles foram salvos pela graça, antes da Lei. A Lei ainda não havia chegado, as tábuas da Lei ainda não haviam sido dadas. Deus, por graça e misericórdia, resgatou e salvou o povo de Israel, que era um povo idólatra, teimoso e rebelde. Esse povo não era em nada melhor do que o povo do Egito; em nada melhor. Estavam seguindo as mesmas práticas. Um povo complicado. Mas ali vemos Deus, por misericórdia e graça, vendo a opressão, as injustiças que sofriam, e lembrando-se do Seu pacto com Abraão, Ele vai lá e resgata por graça esse povo.
Agora, é um povo que foi liberto, que escapou do cativeiro, sim. É um povo que passou pelo Mar Vermelho, que simboliza as águas do batismo, sim. O passado de escravidão ficou para trás, sim. Tudo isso é verdade. Mas eles precisavam ser libertos de outra escravidão: a escravidão da ignorância, da idolatria e de tantos costumes, de tanta bagagem de quatrocentos anos debaixo de tanta idolatria e malignidade. É um outro passo, sendo instruídos. Eles vão receber as tábuas da Lei, vão ser instruídos. Mas vai dar trabalho, gente. O trabalho de discipulado não é fácil. As pessoas não são libertas assim, numa tacada, e tudo muda e tudo vira maravilhoso. Há que crescer na graça e no conhecimento, há que se apropriar, ser santificado.
Crescimento espiritual e luta contra a idolatria
A caminhada cristã é assim. Veja só Jesus com os discípulos. Veja só Jesus com Pedro. Jesus vai ter que dizer para Pedro certa vez: “Para trás de mim, Satanás! Você não cogita das coisas de Deus, e sim das dos homens” (Marcos 8.33). Todo o materialismo ainda dentro de nós, sabe? Todos os costumes, tantas coisas das quais precisamos nos libertar.
Idolatria, meus irmãos, é sempre quando confiamos nas forças deste mundo, seja lá no que for, para satisfazer as nossas necessidades, em vez de confiar em Deus. Você pode não ser uma pessoa religiosa, mas ainda assim ser um idólatra. Envolve tratar elementos da criação como se fossem divinos, buscando neles segurança, felicidade ou controle.
Veja os que são adeptos ao horóscopo ou qualquer coisa assim, ou que buscam controle fazendo alguma mandinga, aprendendo algum ritual ou fazendo algum sacrifício para apaziguar divindades. Isso tudo é idolatria. O que você encontra no animismo, encontra em quase todas as religiões pagãs. Não se limita à adoração de imagens, mas inclui qualquer substituição da confiança em Deus por objetos, poderes, recursos ou habilidades deste mundo natural.
Referências bíblicas sobre idolatria
– Jeremias 17.5: “Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, que faz da carne mortal o seu braço, e cujo coração se aparta do Senhor”.
– Provérbios 3.5: “Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento”.
– Romanos 1.25: “Pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, e adoraram e serviram à criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém”.
– Colossenses 3.5: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão, desejos maus e a avareza, que é idolatria”.
– Mateus 6.24: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas”.
Conclusão
Deus, em Êxodo, mostrou que a salvação é mais do que libertação física; é libertação da ignorância, da idolatria, da falsa adoração, para estarem com Deus, para Deus habitar no meio deles. “Eis que estou convosco todos os dias” (Mateus 28.20). É uma libertação para relacionamento. A salvação é relacionamento com Deus. Isso é o que Deus quer: que nós o conheçamos, que o amemos e que desejemos caminhar com Ele, aprender e sermos amigos de Deus.
Ao revelar-se como “Eu Sou”, Ele diz: “Eu Sou o que Sou” (Êxodo 3.14). “Eu Sou antes que tudo fosse; Eu Sou antes da existência de todas as coisas; Aquele que é, que era e que há de vir; o Ser todo-poderoso”. Então, abandonemos toda e qualquer forma de idolatria.
Vemos a idolatria em nosso país. A exaltação de figuras públicas, a idolatria de jogadores de futebol, cantores, artistas, políticos, ideologias ou qualquer coisa. Onde está o nosso coração? Deus nos liberte de toda e qualquer forma de idolatria, para que possamos, libertos, adorar o único e verdadeiro Deus, o único Senhor que é digno de louvor.
Por isso, o primeiro mandamento foi: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20.3). Ele é o único e verdadeiro Deus, o único digno de adoração. Vamos rechaçar todo e qualquer ídolo e vamos adorar e servir ao único e verdadeiro Deus. Amém e amém.
Jesus anda sobre nossas adversidades e nos ensina a confiar Nele+
Introdução:
Em Marcos 6.45-52 encontramos uma narrativa poderosa que ressalta a importância da confiança no poder, no cuidado e na presença constante de Jesus nas adversidades. No episódio em que Jesus caminha sobre as águas e encontra Seus discípulos em um barco em meio a uma tempestade, encontramos valiosas lições que têm relevância profunda para nossa caminhada espiritual sobre toda e qualquer adversidade.
1. “Logo a seguir” (v. 45) – Progressão na Revelação Divina:
Marcos faz questão de ressaltar que que o episódio do encontro dos discípulos com Jesus caminhando sobre as águas ocorre imediatamente após o notável milagre da multiplicação dos pães e peixes. Marcos não somente faz menção a essa conexão, mas também conclui destacando a dificuldade que até mesmo os discípulos mais íntimos de Jesus, que mais tarde se tornariam Seus apóstolos, tiveram em compreender e abraçar plenamente a grandiosidade e divindade de Jesus Cristo (v. 52).
Logo após experimentarem um milagre, eles se deparam com um novo desafio que culminará em um outro tão maravilhoso quanto! Isso nos lembra da maneira como Deus nos conduz em nosso crescimento espiritual, revelando-Se de maneira gradual e contínua. Louvado seja Deus pela maneira paciente e cuidadosa pela qual Ele nos conduz! Deus não apenas se comunica através de milagres espetaculares, mas também por meio de desafios e tribulações que ampliam nossa compreensão e fé. Tal como os discípulos, podemos esperar que, à medida que avançamos, Deus nos guiará de um nível de revelação para outro, nos aproximando progressivamente de uma compreensão mais profunda e íntima do Seu caráter e propósito (Provérbios 4.18; João 16.33; Romanos 5.3-4 e 2 Coríntios 3.18).
Referência Bíblica:
Hebreus 1.1-2 – “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo.” Lucas 17.5 – “Os apóstolos disseram ao Senhor: ‘Aumenta a nossa fé!'” Marcos 9.24 – “Imediatamente o pai do menino exclamou: ‘Eu creio; ajuda-me a vencer a minha incredulidade!'” 2. “Jesus fez com que seus discípulos” (v. 45) – A Orientação de Jesus:
O ato de Jesus conduzir Seus discípulos ao barco destaca Sua orientação constante em nossas vidas. Mesmo quando não compreendemos completamente, Ele nos direciona em Seu caminho.
Referência Bíblica:
Salmos 32.8 – Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com os meus olhos.
3. “O vento lhes era contrário” (v. 48)- Enfrentando Adversidades:
A presença de ventos contrários simboliza as adversidades que enfrentamos. Mesmo sob as ordens de Jesus, podemos encontrar desafios como tempestades (Marcos 4.37) e vales da sombra da morte (Salmos 23.4). No entanto, Ele está sempre conosco nessas lutas (Mateus 28.20).
Referência Bíblica:
Isaías 43.2 – Quando passares pelas águas, estarei contigo; quando passares pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti.
4. “Vendo que os discípulos remavam com dificuldade” (v. 48) – A Providência de Deus nas Dificuldades:
A observação de Jesus sobre a dificuldade dos discípulos reflete Sua atenção às nossas necessidades, mesmo quando Ele parece distante (V. 47). Ele está ciente de nossas lutas e intervém em nosso favor.
Referência Bíblica:
Mateus 6.26 – Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?
João 6.5-6 – Então Jesus, erguendo os olhos e vendo que uma grande multidão se aproximava, disse a Filipe: — Onde compraremos pão para lhes dar de comer? Mas Jesus dizia isto para testá-lo, porque sabia o que estava para fazer.
5. “Jesus foi até onde eles estavam” (v. 48) – A Proximidade de Deus:
O gesto de Jesus em se aproximar dos discípulos demonstra Sua vontade de compartilhar nossas lutas. Ele está sempre presente conosco, mesmo nas situações mais desafiadoras.
Referência Bíblica:
Salmo 145.18 – Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam de verdade.
Salmo 23.4 – Não temerei mal algum porque Tu estás comigo!
Mateus 28.20 – Eis que estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.
6. “Andando sobre o mar” – Domínio sobre as Adversidades:
O ato de Jesus caminhar sobre as águas simboliza Seu domínio sobre as adversidades. Ele nos ensina que é possível superar as dificuldades com Sua presença e poder.
Referência Bíblica:
Salmo 89.9 – Tu dominas o ímpeto do mar; quando as suas ondas se levantam, tu as acalmas.
Marcos 4.41 – Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?
7. “Queria passar adiante deles” – A Manifestação da Glória Divina:
A referência a Jesus passando adiante dos discípulos lembra a manifestação da glória divina. Assim como Deus revelou Sua glória a Moisés, Jesus também se revela a nós em majestade e glória em momentos significativos para nossa compreensão de sua grandeza e divindade.
Referência Bíblica:
Êxodo 33.18-19 – Moisés disse: “Peço-te que me mostres a tua glória.” O Senhor respondeu: “Farei passar toda a minha bondade diante de você e lhe proclamarei o nome do Senhor”.
8. “Pensaram tratar-se de um fantasma” – Superando o Medo e a Dúvida:
A reação dos discípulos ao pensar que Jesus era um fantasma destaca nossa tendência a duvidar diante do desconhecido. Isso nos desafia a identificar os medos que nos assombram e confiar no poder de Deus.
Referência Bíblica:
Isaías 41.10 – Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel.
9. “Sou Eu” – A Revelação do “Eu Sou”:
A frase “Sou Eu” que Jesus proclama revela Sua identidade divina como o “Eu Sou”, o mesmo título que Deus deu a si quando se apresentou a Moisés. Essa afirmação reforça a autoridade e o poder de Jesus sobre todas as circunstâncias.
Referência Bíblica:
Êxodo 3.14 – Deus disse a Moisés: “Eu Sou o que Sou. Diga aos israelitas: ‘Eu Sou me enviou a vocês'”.
João 6.35 – Eu sou o pão da vida.
João 8.12 – Eu sou a luz do mundo.
João 10.7 – Eu sou a porta das ovelhas.
João 10.11 – Eu sou o bom pastor.
João 11.25 – Eu sou a ressurreição e a vida.
João 14.6 – Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
João 15.1 – Eu sou a videira verdadeira.
João 8.58 – antes que Abraão existisse, EU SOU!
10. “Coragem, não tenha medo” – Vencendo o Medo com a Presença de Jesus:
As palavras reconfortantes de Jesus ressaltam Sua capacidade de dissipar o medo. Sua presença nos capacita a enfrentar as adversidades com coragem e confiança.
Referência Bíblica:
Josué 1.9 – Não fui eu que te ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar.
11. “Subiu no barco com eles” (v. 51) – A Unidade com Cristo:
A ação de Jesus de subir no barco com os discípulos representa a união íntima que temos com Ele. Ele não apenas está presente nas dificuldades, mas também compartilha nossa jornada.
Referência Bíblica:
João 15.4-5 – Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês. Nenhum ramo pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Vocês também não podem dar fruto, se não permanecerem em mim. Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma.
12. “O vento cessou” (v. 51) – Jesus acalma a tempestade:
Impressionante poder de Jesus sobre as dificuldades da vida. Ele não apenas acalma as tempestades naturais, mas também pode trazer paz aos nossos corações em meio aos desafios e tribulações da vida. Assim como Ele acalmou o vento e as ondas, Ele também pode acalmar as preocupações e medos que enfrentamos. Sim, Ele tem poder para acalmar os ventos que agitam o mais íntimo de nosso ser!
Referência Bíblica:
Salmo 46.10 – Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre as nações, serei exaltado sobre a terra.
13. “Perplexos” (v. 51) – O Mistério e a Fé:
A perplexidade dos discípulos reflete a tensão entre o mistério divino e nossa fé. Embora não compreendamos completamente, somos chamados a confiar na soberania de Deus.
Referência Bíblica:
Provérbios 3.5-6 – Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas.
14. “Não haviam compreendido o milagre dos pães” (v. 52) – Crescendo na Fé:
A falta de compreensão dos discípulos em relação ao milagre dos pães evidencia a necessidade contínua de crescimento na fé. Os discípulos deram muito trabalho a Jesus, pois eram meio incrédulos e resistentes as revelações de Cristo. Deus nos convida a crescer em nosso entendimento Dele e de Seu poder.
Referência Bíblica:
Lucas 24.25 – “Disse-lhes Jesus: Como vocês custam a entender e como demoram a crer em tudo o que os profetas falaram!” João 20.9 – “Até então, não haviam compreendido a Escritura, que diz que ele precisava ressuscitar dos mortos.” João 12.16 – “Os discípulos de Jesus, porém, não compreenderam essas coisas no princípio. Somente depois que Jesus foi glorificado, lembraram-se de que tais coisas estavam escritas a respeito dele e de que assim lhe haviam feito.” 2 Pedro 3.18 – Cresçam, porém, na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, agora e para sempre! Amém.
15. “O coração deles estava endurecido” (v. 52) – Quebrantando a Dureza do Coração:
A dureza de coração dos discípulos não foi causada por Deus, mas era resultado de sua própria falta de compreensão e resistência. Isso nos faz refletir sobre como podemos fechar nossos corações para a obra de Deus quando não estamos dispostos a nos curvar diante das evidências e aprender e crescer.
Referência Bíblica:
Salmo 51.17 – O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus. Marcos 8.17-18 – “Percebendo isso, Jesus perguntou-lhes: ‘Por que vocês estão discutindo sobre não terem pão? Vocês ainda não percebem nem compreendem? Têm o coração endurecido?” Mateus 17.17 – “Respondeu Jesus: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los? Tragam-me o menino.” Marcos 16.14 – “Por último, apareceu aos Onze enquanto comiam, repreendeu-os por sua incredulidade e dureza de coração, porque não acreditaram nos que o tinham visto ressuscitado.” Salmos 95.8-9 – “Não endureçais os vossos corações, como em Meribá, como no dia de Massá no deserto, quando vossos pais me tentaram, me provaram, e viram a minha obra.” Hebreus 3.13 – “Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado.” Conclusão:
Cada aspecto desse relato oferece lições profundas sobre a orientação divina, a superação do medo, a necessidade de crescimento na fé e a importância de reconhecer a soberania e a glória de Jesus Cristo. Como discípulos de Jesus, somos chamados a confiar Nele, mesmo quando as circunstâncias parecem adversas, e a buscar um relacionamento profundo e íntimo que nos fortaleça em nossa jornada espiritual.
Bispo Ildo Mello
O chamado de Abraão que se cumpre em Cristo e sua Igreja+
Vocação Universal da Igreja from Ildo Mello on Vimeo.
VOCAÇÃO UNIVERSAL DA IGREJA – “CHAMADOS PARA FORA”
Certa vez, alguém me fez a seguinte pergunta: "Por que foi que Deus escolheu um povo em detrimento dos demais?" Respondi dizendo que Deus ao escolher Israel, não o fez em detrimento, mas, sim, em favor de todas as demais nações da terra.
As raízes da formação do povo hebreu são descentralizadoras e missionárias, pois nasceu recebendo o apelo missionário de beneficiar a todos os demais povos com a mesma bênção com que foi contemplado por Deus. Abraão foi abençoado por Deus para se tornar uma bênção para todas as demais famílias da Terra (Gn 12.3). Ele não deveria represar a bênção em si mesmo ou em sua própria família. Deus é criador de todos, ama a todos e oferece graça e bençãos a todos os povos, línguas e nações. O livro de Gênesis mostra isto com clareza.
Observasse o seguinte padrão nas narrativas registradas nos onze primeiros capítulos de Gênesis. Cada uma das quatro narrativas principais (Queda de Adão e Eva, Crime de Caim, Dilúvio e Babel) possuem estes quatro elementos essenciais: 1. Descrição do pecado, 2. Discurso de Deus, 3. Castigo e 4.Manifestação da Graça.
Este padrão está bem explícito nas três primeiras narrativas. No entanto, no episódio de Babel, vemos a descrição do pecado, ouvimos o discurso de Deus e também percebemos o consequente castigo que culminou em distanciamento, estranhamento e inimizades entre as nações, mas, onde está o quarto elemento? Onde está a Graça de Deus? Cadê a cura para as nações?
O autor de Gênesis parece mesmo estar despertando a nossa curiosidade e atenção para este importante aspecto. Não é à toa que a narrativa de Babel termine com uma lista genealógica que desemboca no personagem Abraão. Aí está a manifestação da graça divina em favor das nações! O chamado de Abração é um chamado missionário que visa o bem e a salvação de todos os povos: "Em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gn 12.3)!
Com Abraão se inaugura a história da salvação. Até então, o que parecia prevalecer era o pecado e a maldade humana como vistos nos episódios da Queda, de Caim, do Dilúvio e de Babel, trazendo muita maldição (3.14,17; 4.11; 5.29; 8.21; 9.25). Mas, agora, com Abraão, esboça-se um período de bênção, graça e redenção.
Curioso notar que, em Gênesis, a história da desgraça humana culmina com o episódio da “Torre de Babel”, e que, de Babel, Deus chama Abraão para dar início a história da salvação! E é também interessante o contraste que podemos estabelecer entre Babel e Abraão: 1) Em Babel, homens pretendem alcançar os céus, de baixo para cima, por méritos próprios, enquanto que, no chamado de Abraão, é Deus quem desce até ele; 2) Em Babel, temos a soberba daqueles que pretendem dominar o mundo através de seu poder e conhecimento tecnológico (11.3), enquanto que, Abraão, em sua fraqueza, ousa acreditar na promessa que seria pai; 3) Enquanto os homens de Babel estão dizendo: "tornemos célebre o nosso nome" (11.4), no episódio de Abraão, é Deus que lhe fala: "te engrandecerei o nome" (12.2); e 4), por fim, enquanto a Torre de Babel divide as nações, Deus chama a Abração para formar uma nação cuja missão principal é tornar-se um canal de bênção para todas as demais nações (12.3)
O restante do livro de Gênesis relata como isto começa a se cumprir através de Abraão e sua descendência. Abraão é descrito abençoando Ló, que formará uma nação, e também libertando cinco cidades das mãos de seus opressores (Gn 13, 14). Não podemos esquecer de que Abrão intercedeu em favor de Sodoma e Gomorra (Gn 18); E, Deus diz o seguinte a Abimeleque a respeito de Abraão: “ele é profeta e intercederá por ti, e viverás” (20.7); E Labão confessa a Jacó: “tenho experimentado que o Senhor me abençoou por amor de ti” (30.27); E bem sabemos que os últimos capítulos de Gênesis são destinados a contar a história de José que se tornou grande e poderoso a ponto de abençoar o Egito e muitas outras nações vizinhas.
Eis aí a grande vocação do povo de Deus. Mas, não podemos nos esquecer de que tal privilégio traz consigo uma enorme responsabilidade, quando Israel deixa de ser bênção, Deus denuncia: “foste maldição entre as nações” (Zc 8.13; Jr 4.4).
As Escrituras do Antigo e Novo Testamentos revelam que os descendentes de Abraão, de um modo geral, acabaram negligenciando a sua missão. Mas, Deus sempre cumpre as suas promessas. Já nos primórdios, Deus havia prometido a Adão e a Eva que nasceria um homem que pisaria a cabeça da serpente. Isto tem a ver com a promessa de que em Abraão haveria benção para todas as famílias da terra, pois o Cristo é um descendente de Abraão e nasceu para desfazer as obras de Satanás e para iluminar o mundo inteiro.
Israel, de um modo geral, não reconheceu a Jesus como o Messias prometido (Jo 1.10-12); Então, os gentios recebem o Cristo e são enxertados na Oliveira (Rm 11.17-24). Repare que não existem duas oliveiras mais somente uma. Jesus disse: “Eu sou a videira verdadeira”. Sabemos que tanto videira, como oliveira são símbolos de Israel. Jesus está afirmando ser o Israel verdadeiro. Por esta razão Paulo diz aos gentios cristãos: “naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. Mas agora em Cristo Jesus, vós que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um, e tendo derrubado a parede de separação que estava no meio, a inimizade… para que dos dois criasse em si mesmo um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo… Assim já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois família de Deus… os gentios são co-herdeiros, membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho.” (Ef 2.12-3.6). “Dessarte, não pode haver judeu nem grego… porque todos vós sois um em Cristo. E se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão, e herdeiros segundo a promessa.” (Gl 3.28-29).
Por tudo isto Paulo pode declarar ousadamente: “Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão… Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente que é Cristo” (Gl 3.7, 16. Ver também Rm 4.10-18).
Jesus é “a pedra principal”, os que estiverem firmes nesta pedra, quer judeus, quer gentios, pois “Deus não faz acepção de pessoas” (Rm 2.11), é que, agora são chamados de “raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus…” (1 Pe 2.4-10). Interessante notar que, neste trecho, Pedro está citando uma promessa de Deus dirigida ao povo de Israel, registrada em Êxodo 19.5-6: “… então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos… vós me sereis reino e sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel”. Pedro estava convicto de que era através da Igreja que tal profecia havia tido o seu cumprimento, e por isso ousou dirigir tais palavras à Igreja. “Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus.”(Rm 2.28-29).
Não é à toa que Jesus escolhe o número de 12 apóstolos, fazendo alusão as doze tribos de Israel; bem como o Céu é descrito em termos de “Nova Jerusalém”, bem apropriado para o Novo Israel de Deus.
Jesus Cristo é o “sim” e o “amém” pronunciado sobre cada uma das promessas de Deus registradas no Antigo Testamento: “Porque quantas são as promessas de Deus tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para a glória de Deus.” Jesus é o Messias prometido; e, verdadeiro israelita é aquele que possui o Messias. A esperança do povo judeu é crer no Messias, ingressando na Sua Igreja. Quando Israel rejeitou o Messias foi cortado fora da “Oliveira” e os gentios foram enxertados nesta mesma árvore. Não existem, portanto, duas árvores; não existem, portanto, dois povos de Deus. O que não quer dizer que Deus tenha se esquecido e abandonado Israel. A esperança e promessa em relação a Israel é de que venha ser enxertado de volta na mesma árvore, onde agora estão os gentios. A Igreja é este “mistério de Deus” (Ef 5.32), que engloba todos os povos, formando um “só corpo”, com “um só Senhor” (Ef 4.4 e 5).
Percebemos nitidamente o elemento de continuidade no que diz respeito a missão de Israel (Gn 12.3) e a missão da Igreja: “Ide, fazei discípulos de todas as nações” (Mt 28.18-20), “E serme-eis testemunhas em Jerusalém, Judéia, Samaria e até nos confins da terra” (At 1.8).
Quando a promessa do Espírito foi derramada sobre a Igreja no dia de Pentecostes, um fenômeno extraordinário envolvendo línguas e nações aconteceu com efeito reverso aquele de Babel! Enquanto em Babel tivemos a confusão das línguas e a divisão das nações, em Pentecostes, através da Igreja, temos uma língua compreendida por todos os povos, promovendo conversões e a unidade dos povos debaixo do senhorio do descendente de Abraão que de fato é Filho de Deus e o legítimo Rei de Todas as Nações!
Apocalipse usa a palavra “nação” ou "nações" mais de 20 vezes. Redimidos de todas as nações adoraram ao Senhor (5.9; 7.9) com o cântico “Rei das nações” (Ap 15.3,4). “É necessário que o Evangelho seja primeiramente pregado para todas as nações, só então virá o fim” (Mt 24.14). Nós apressamos o retorno de Jesus através do cumprindo nossa missão (At 1.8; Mt 28.19,20, 2 Pe 3)
Vimos, portanto, que desde os tempos do Antigo Testamento, observasse a grande preocupação de Deus com todos os povos. E o mesmo que nos disse: “vinde a mim”, também nos disse: “ide por todo mundo”. Jesus orou ao Pai para que não fossemos tirados do mundo, pois ele tem um plano para nós aqui, uma grande missão. Não devemos ser crentes de arquibancada, nos portando como meros espectadores dos eventos históricos e escatológicos, pois não foi para isto que fomos chamados. Devemos assumir o nosso papel na história, devemos atuar como protagonistas, precisamos entrar em campo, e pelo auxílio do Espírito Santo, contribuir para a concretização dos propósitos de Deus (Mt 5.14-16).
Bispo José Ildo Swartele de Mello www.metodistalivre.org.br www.imeldemirandopolis.blogspot.com www.escatologiacrista.blogspot.com http://www.scribd.com/ildomello http://twitter.com/ildomello
“Crise de Fé e Sensação de Abandono: Uma Exposição do Salmo 22”+
Sermão do Bispo Ildo à Igreja Metodista Livre de Mirandópolis em 2 de Fevereiro de 2025 Introdução: A dúvida inesperada Eu era candidato ao ministério e estava no início da plantação da primeira igreja. Era um culto de sábado, e eu me preparava para pregar. Tudo corria normalmente até que, poucos minutos antes de subir ao púlpito, fui acometido por uma dúvida terrível que jamais experimentara antes. A pergunta que ressoava em meu coração era:
“Será que tudo isso é verdade mesmo? Será que Deus existe? Será que Jesus é o Salvador?”
Embora eu fosse crente desde a infância e estivesse no seminário, senti-me momentaneamente em pânico. Pensava comigo mesmo:
“Como posso pregar se não tenho certeza? Como posso proclamar a Palavra se meu coração está tomado por essa descrença repentina?”
Porém, algo curioso aconteceu: no meio desse turbilhão, comecei a me preocupar com o que Deus pensaria de mim naquele instante. Foi aí que me dei conta de que, de certa forma, eu ainda cria Nele. Se estava preocupado com a opinião do Senhor, é porque, lá no fundo, sabia que Ele continuava sendo Deus. Isso me levou a clamar por perdão, repetindo a súplica que tantos antes de mim fizeram:
“Senhor, perdoa-me por minha incredulidade e aumenta a minha fé!”
Essa experiência me mostrou que até cristãos firmes podem passar por crises de fé. As circunstâncias podem nos abalar de tal maneira que nossa confiança em Deus fique estremecida.
João Batista e a dúvida em meio à adversidade Um exemplo bíblico marcante é o de João Batista. Ele, que preparou o caminho para o Messias e batizou o próprio Jesus, teve seu momento de fraqueza quando estava na prisão, prestes a ser morto por Herodes. Sentindo-se abandonado, sem ver Jesus aparecer para libertá-lo, João questionou:
“És tu aquele que haveria de vir ou devemos esperar outro?” (Lucas 7.19-20)
Afinal, o que acontecera com o Messias poderoso que ele proclamara? Por que o silêncio de Cristo naquele momento tão crítico? Possivelmente, João ainda nutria uma expectativa de que o Messias estabeleceria um reino físico, mais imediato, que o libertaria das mãos de Herodes. A realidade, porém, mostrou o contrário: Jesus não apareceu para tirá-lo da prisão. Em meio a essa frustração, João experimentou a crise de fé.
Isso nos ensina que, por mais fervorosa que tenha sido nossa fé em outros momentos, as dificuldades podem nos levar a questionamentos profundos.
A frase intrigante de Jesus na cruz Outro episódio ainda mais impactante é o de Jesus na cruz, quando Ele exclamou:
“Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” (Mateus 27.46)
Apenas essa declaração já desperta inúmeros questionamentos. Como pode o próprio Filho de Deus sentir-se desamparado? Como o Pai permitiria que o Filho clamasse assim? Essa sensação de abandono, mesmo em meio a uma fé inabalável, é o que analisamos no Salmo 22, que Jesus estava citando.
Salmo 22: O clamor messiânico O Salmo 22 é conhecido como um “Salmo Messiânico”. Muitos judeus, inclusive, reconhecem seu caráter profético, pois ele descreve em detalhes surpreendentes o sofrimento de alguém que é desprezado, injuriado e tem as mãos e os pés transpassados. Vejamos alguns pontos-chave:
O clamor de abandono (v.1):
“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”
Jesus repete exatamente essas palavras quando está crucificado. É um grito de dor e de aparente solidão.
Zombaria dos inimigos (vv.6-8):
O Salmo mostra que todos que passam balançam a cabeça em sinal de escárnio, dizendo:
“Confiou no Senhor; que ele o livre!”
No evangelho de Mateus 27.39-43, vemos as pessoas zombando de Jesus, dizendo:
“Se és Filho de Deus, desce da cruz!”
Mãos e pés transpassados (v.16):
“Transpassaram-me as mãos e os pés.”
Exatamente o que ocorreu na crucificação.
Vestes repartidas e sorteadas (v.18):
“Repartem entre si as minhas vestes e lançam sortes sobre a minha túnica.”
Nos evangelhos, lemos que os soldados lançaram sortes sobre as vestes de Jesus (Mateus 27.35; João 19.23-24).
No entanto, o Salmo 22 não termina em desespero. Conforme avançamos na leitura, vemos que o salmista, depois de derramar seu lamento, volta-se para a esperança. No versículo 24, declara:
“Pois não desprezou nem abominou a dor do aflito, nem escondeu dele o rosto, mas o ouviu quando lhe pediu socorro.”
Portanto, o grito de abandono não é o ponto final. É o início de uma jornada que culmina em confiança e louvor.
A trilogia messiânica: Salmos 22, 23 e 24 Costuma-se dizer que os Salmos 22, 23 e 24 formam uma espécie de trilogia relacionada ao Messias, o Bom Pastor:
Salmo 22 – Apresenta o Bom Pastor que dá a vida pelas ovelhas. Descreve o sofrimento de Jesus e Sua crucificação.
Salmo 23 – Mostra o Bom Pastor que continua a cuidar das ovelhas. “O Senhor é o meu pastor, nada me faltará” (Salmo 23.1). Jesus prometeu estar conosco todos os dias, providenciando tudo o que precisamos, dando refrigério, consolo e direção.
Salmo 24 – Fala do Bom Pastor glorificado, que virá em triunfo. “Abram-se, ó portais, para que entre o Rei da Glória!” (Salmo 24.7-10). É a volta triunfante de Cristo, o dia em que Ele julgará e reinará em pleno esplendor.
Essa ligação dos três Salmos nos ajuda a entender o papel de Cristo: Ele morreu por nós (Sl 22), vive em nós (Sl 23) e voltará em glória para reinar (Sl 24).
Crises de fé: Por que elas acontecem?
Quando lemos o Salmo 22, notamos que crises e questionamentos podem acontecer mesmo aos mais fiéis. A diferença está em como lidamos com essas crises. O salmista expressa dor, mas não deixa de falar com Deus; pelo contrário, expõe tudo aquilo que sente.
O mesmo se dá conosco. Quando passamos por circunstâncias adversas — doenças, perdas, injustiças —, a reação natural é nos perguntarmos:
“Onde está Deus agora? Por que Ele não intervém?”
É nessa hora que precisamos aprender a ser honestos com o Senhor, pois Ele conhece nosso coração. Não há razão para fingir ou disfarçar a incredulidade. Deus não se ofende com nossas perguntas sinceras, mas convida-nos a trazer nossas angústias a Ele:
“Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” (1 Pedro 5.7)
Meu testemunho pessoal: a cirurgia e o tumor Para ilustrar de forma prática como lidar com a crise de fé, compartilho um episódio que vivi há dois anos. Fui diagnosticado com um tumor no rim e tive de passar por uma cirurgia. O médico, embora excelente, não esperava a anatomia peculiar do meu rim, que tinha três artérias em vez de uma. Durante a operação, houve muita dificuldade em estancar o sangramento, e a cirurgia durou bem mais do que o previsto.
A recuperação foi dolorosa, mas a verdadeira surpresa veio depois, quando o resultado da biópsia mostrou que aquele tecido retirado não era o tumor de fato, ou seja, o problema permanecia. Percebi, então, que teria de enfrentar tudo novamente.
Nesse momento, é fácil cair num desespero e questionar: “Por que, Senhor? Onde está o teu cuidado?”. Mas, pela graça de Deus, veio ao meu coração uma paz indescritível. Percebi que minha vida estava, como sempre estivera, nas mãos do Senhor. Se Ele quisesse me curar, haveria de fazê-lo. Se não quisesse, Ele continuaria sendo Deus, e eu, Seu servo.
Meses depois, surgiu a possibilidade de fazer um procedimento de ablação por cateter, menos invasivo, que queimaria o tumor. Foi um sucesso. Pela misericórdia divina, hoje não há mais vestígio do tumor. Ainda assim, o maior milagre, para mim, foi ter encontrado essa paz de Deus antes mesmo de saber como terminaria a história.
A honestidade diante de Deus A experiência do pai do menino possesso, em Marcos 9.23-24, reforça a importância de sermos transparentes com o Senhor. Jesus pergunta se ele crê, e o homem responde:
“Eu creio, ajuda-me na minha falta de fé!”
Essa é uma oração profunda. A fé daquele pai estava misturada a dúvidas e temores, mas mesmo assim ele se volta para Jesus, confiando que só Ele pode ajudá-lo. Em nossas fraquezas, precisamos orar exatamente assim:
“Senhor, eu creio, mas ajuda-me onde ainda não creio o suficiente!”
Encorajamento final: da angústia à adoração O Salmo 22, que começa com o grito “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”, termina em triunfo, declarando que Deus não desprezou o aflito. A lógica do salmista é a seguinte:
Recordar os feitos de Deus no passado:
“Nossos pais confiaram em ti e os livraste” (Sl 22.4).
Lembrar como Deus já agiu na história — tanto na história bíblica quanto na nossa própria caminhada — fortalece a fé.
Reconhecer o caráter de Deus:
“Tu és santo” (Sl 22.3).
Mesmo em meio à angústia, o salmista louva a santidade e a fidelidade do Senhor.
Persistir em oração:
“Não te distancies de mim, força minha” (Sl 22.11).
O salmista não cessa de clamar. É no diálogo constante com Deus que a paz se estabelece.
Antecipar o louvor e a vitória:
“Proclamarei o teu nome aos meus irmãos; no meio da congregação te louvarei” (Sl 22.22).
Mesmo antes de ver a resposta final, o salmista declara que exaltará o nome de Deus.
Esse padrão se repete na vida de muitos servos ao longo das Escrituras. Jó, por exemplo, ainda no meio de todas as suas dores, afirma:
“Eu sei que o meu Redentor vive” (Jó 19.25).
E Paulo, em Romanos 8.37, assegura:
“Em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.”
Conclusão
A crise de fé pode chegar de modo inesperado, seja nos momentos que antecedem um sermão, seja na dor de uma enfermidade, seja na solidão de uma prisão. Até Jesus, em Sua humanidade, expressou o sentimento de abandono na cruz. Contudo, o testemunho das Escrituras e da nossa própria experiência revela que Deus não nos abandona.
Salmos 22, 23 e 24 nos oferecem um panorama poderoso: Cristo sofreu na cruz para nos salvar (22), continua presente para nos conduzir como Bom Pastor (23) e voltará em glória para reinar (24). Ele não despreza a dor do aflito, mas o convida a continuar confiando e orando.
Se você se encontra numa “crise de fé” ou sente o silêncio de Deus, lembre-se de que a fé não é a ausência de dúvidas, mas a decisão de confiar, mesmo quando as circunstâncias parecem gritar o contrário. Como disse o pai do menino enfermo:
“Eu creio, ajuda-me na minha falta de fé!”
No final, o Salmo 22 nos garante que o Senhor “não desprezou nem repeliu a dor do aflito” e o ouviu quando clamou. Essa é a confiança que temos: Deus escuta nosso clamor e age no tempo certo. Assim, podemos descansar e declarar com segurança:
“Eu sei que o meu Redentor vive!”
Amém!
Morte na Panela! Um grito de alerta.+
A cena: “Há morte na panela!”
Hoje eu quero conversar com você sobre uma cena estranha da Bíblia… Um dia, no meio do povo de Deus, alguém gritou assim:
“Homem de Deus, há morte na panela!”
(2Rs 4.38–41)
Imagine isso acontecendo num almoço da igreja… Todo mundo senta para comer… alguém experimenta… e de repente diz:
“Tem veneno aqui. Se continuar comendo, a gente morre.”
É exatamente essa a imagem espiritual deste texto.
1. Até no lugar santo pode haver veneno
Lá em Gilgal, havia fome na terra (2Rs 4.38): tempo de escassez, de crise, de dificuldade.
Enquanto o povo comia qualquer coisa para sobreviver, os discípulos de Eliseu estavam na escola de profetas, em um ambiente espiritual, recebendo ensino, recebendo “pão do céu”.
Mas perceba: até ali, naquele lugar santo, apareceu morte na panela.
Isso já nos ensina algo muito sério: não é porque estamos na igreja, não é porque temos boa estrutura, boa liderança, bom ensino, que estamos automaticamente protegidos de todo veneno espiritual.
Às vezes, a morte entra justamente onde a gente menos espera.
2. A fome que enfraquece o discernimento
A Bíblia diz que havia fome naquela terra. E a fome é uma prova e, ao mesmo tempo, um perigo.
Quando a fome aperta, o discernimento enfraquece: gente faminta aceita qualquer coisa, e quem está desesperado não escolhe muito o que coloca no prato.
E aqui eu quero falar com você, com muito carinho:
Quem tem alimentado o seu coração?
Em qual “panela espiritual” você tem colocado a sua colher?
Quais mensagens, quais pregadores, quais conteúdos estão formando sua fé, a sua visão de Deus, da vida, do pecado, da graça?
Porque a fome do coração, se não for levada a Cristo, pode nos empurrar para qualquer cozinha, para qualquer panela, até para panela com veneno.
3. Boas intenções não mudam a natureza do alimento
O texto diz que um discípulo saiu ao campo, encontrou uma planta, colheu os frutos daquela trepadeira e jogou tudo na panela, sem saber o que era (2Rs 4.39).
Veja bem: ele não fez por maldade. Queria ajudar, queria contribuir.
Mas juntou três coisas perigosas: fome, pressa e imaturidade. Essa combinação virou veneno na panela.
Boas intenções não mudam a natureza do alimento: se é veneno, continua sendo veneno, mesmo com intenção boa.
Quantas vezes isso acontece hoje na vida espiritual?
• Gente compartilhando mensagens sem examinar nas Escrituras.
• Gente entrando em experiências espirituais só pela emoção, sem discernimento.
• Gente aceitando qualquer “revelação” porque está carente, está com fome.
Aí se cumpre o que Paulo disse: crianças espirituais, levadas por todo vento de doutrina (Ef 4.14).
E tem algo ainda mais sério: a panela estava na escola de profetas, com Eliseu, num ambiente de ensino sólido, de comunhão verdadeira, de liderança ungida. E mesmo assim foi contaminada.
Isso nos lembra que:
• Nem tudo o que aparece com cara de espiritual é de Deus.
• Nem toda “novidade” que entra na igreja é saudável.
• Nem toda coisa “do campo”, da internet, de fora, pode ser simplesmente jogada no meio do povo.
Basta um ingrediente venenoso para estragar toda a panela.
4. O grito que salva: falar não é falta de amor
Mas graças a Deus, alguém provou, sentiu e gritou:
“Há morte na panela!”
(2Rs 4.40)
Esse grito foi um ato de amor. Eles não ficaram calados.
Eles não pensaram: “Ah, deixa pra lá… não vamos causar confusão…”
Eles não disseram: “Quem é você para julgar a comida do irmão?”
Não. Eles entenderam: se a gente se calar, todo mundo morre.
Hoje, muitas vezes, quem levanta a voz contra o veneno espiritual é chamado de crítico, de julgador, de “causador de divisão”.
Mas a Bíblia manda:
“Acautelai-vos dos falsos profetas” (Mt 7.15), “provai os espíritos” (1Jo 4.1), “os outros julguem” (1Co 14.29), “alguns ensinos são doutrinas de demônios” (1Tm 4.1), “entrarão lobos cruéis que não pouparão o rebanho” (At 20.28–30), e a igreja de Éfeso foi elogiada porque pôs à prova falsos apóstolos (Ap 2.2).
Ficar em silêncio diante do veneno não é amor: é covardia.
5. Os venenos do nosso tempo
E que venenos espirituais têm aparecido nas panelas do nosso tempo?
Vou citar alguns tipos de ingrediente perigoso que a Bíblia denuncia:
Outro Jesus
Um Jesus apenas mestre moral, apenas exemplo, apenas criatura.
Quando Ele deixa de ser o Deus verdadeiro, o Salvador suficiente, quando não é mais o único caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6), há veneno na panela.
Outro evangelho
De um lado, o legalismo: salvação por regras, ritos, dias especiais.
Do outro, o libertinismo: graça sem arrependimento, fé sem obediência.
Mas o evangelho bíblico une Ef 2.8–9 com Tg 2.17: somos salvos pela graça, mediante a fé… e essa fé verdadeira produz obras.
Outra autoridade
Quando a Bíblia deixa de ser a única regra de fé e prática.
Quando revelações modernas, livros, líderes, tradições, ganham peso maior do que a Palavra de Deus.
Outra cruz
Quando a mensagem vira autoajuda, prosperidade, sucesso terreno.
Quando a cruz é substituída por coaching espiritual, por “chave” para enriquecer, por promessas que Deus não fez.
Outra fé
Quando objetos viram amuletos.
Águas, correntes, lenços, sal, pontos de contato.
Não é fé em Cristo, é superstição religiosa.
Outro culto
Quando o culto vira espetáculo.
Muito barulho, muita emoção, pouca transformação.
Jesus não disse: “Pelos seus shows os conhecereis”, mas: “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.16).
Outra batalha espiritual
Quando se fala mais de demônios do que de Cristo.
Quando tudo é demônio, tudo é maldição, tudo é encosto… e se esquece da carne, do pecado, da responsabilidade.
Outro caminho
Quando se diz que todas as religiões são iguais, que o pecado não é tão grave, que o juízo não é real, que Cristo é só mais uma opção.
Lembre-se: um ingrediente venenoso estraga toda a panela.
6. “Trazei farinha”: o remédio é a Palavra
Mas graças a Deus, a história não termina em morte.
Quando o povo grita, Eliseu não entra em desespero.
Ele não faz espetáculo, não inventa ritual, não vende campanha.
Ele simplesmente diz:
“Trazei farinha.”
(2Rs 4.41)
Farinha: algo simples, algo comum, mas cheio de significado.
A farinha aponta para a Palavra de Deus e para Cristo, o Pão da Vida (Jo 6.35).
Quando a Palavra entra, o veneno perde o poder.
Quando Cristo é recolocado no centro, o erro é desmascarado, o engano é dissipado, a igreja é curada.
7. Duas responsabilidades: do líder e da igreja
Neste texto, vemos duas responsabilidades muito claras.
Primeiro, a responsabilidade dos líderes, representados por Eliseu: discernir, corrigir, purificar, proteger o rebanho.
Depois, a responsabilidade dos discípulos, da igreja: provar, julgar, examinar, alertar quando houver “morte na panela”.
Uma igreja madura não é uma igreja que engole tudo em silêncio.
É uma igreja bereana, que examina nas Escrituras se as coisas são de fato assim (At 17.11).
8. Aplicações para a sua vida
Então, deixa eu aplicar isso à sua vida hoje.
• Cuidado com a sua alimentação espiritual.
Não coma qualquer coisa.
Não é porque é “gospel”, porque falou de Deus, porque mostrou um milagre, que é saudável para sua fé.
• Cuidado com decisões em tempos de fome.
Coração carente aceita relações tóxicas.
Crente faminto por experiências aceita heresias brilhantes.
Fome + pressa = perigo.
• Cresça no discernimento.
Busque maturidade espiritual (Hb 5.14).
Leia a Bíblia. Estude. Participe dos estudos, da Escola Bíblica.
Não viva de migalhas de internet.
• Cheque tudo na Escritura.
Sola Scriptura não é um slogan bonito.
É proteção para a igreja.
Volte sempre à Palavra.
• Tenha coragem de alertar.
Em amor, mas com firmeza.
Avisar que tem veneno não é falta de amor, é exatamente prova de amor.
Palavra final
Quero terminar dizendo a você:
Talvez, em alguma área da sua vida, você já tenha percebido que entrou veneno na panela.
Talvez você tenha bebido doutrinas que feriram sua fé.
Talvez tenha se envolvido em práticas espirituais confusas.
Talvez tenha sido enganado por promessas vazias.
Hoje, Jesus não está aqui para te condenar, mas para purificar a panela.
Quando a Palavra entra, há vida.
Quando Cristo volta ao centro, o veneno é vencido.
Quando o evangelho verdadeiro é restaurado, o povo volta a viver.
Que o Espírito Santo nos dê discernimento.
Que Ele nos faça uma igreja madura, bereana, centrada em Cristo.
Que nas nossas casas, no nosso púlpito, nos nossos grupos, haja vida na panela.
Em nome de Jesus. Amém.
Se a Tua presença não for conosco, não nos faça subir deste lugar!+
A Presença Divina: O Verdadeiro Tesouro da Salvação Desde o Éden, a narrativa da humanidade tem sido marcada pela busca de Deus em restaurar Sua presença junto ao homem. No princípio, Deus caminhava com o ser humano no jardim (Gn 3.8), mas o pecado causou uma dolorosa separação, levando Adão e Eva a se esconderem de Seu Criador (Gn 3.10). Ainda assim, Deus, em Sua misericórdia, não abandonou o homem. Ele procurou Adão e Eva e, em vez de deixá-los expostos em sua vergonha, providenciou vestes de peles para cobri-los (Gn 3.21). Se Adão e Eva choraram ao serem expulsos do paraíso, podemos imaginar que Deus também partilhou dessa dor, pois Seu desejo sempre foi estar em íntima comunhão com Suas criaturas.
Essa busca divina pela restauração da comunhão continua ao longo de toda a Escritura. Em Levítico, Deus reafirma Seu desejo de proximidade ao declarar: "Andarei entre vocês e serei o seu Deus, e vocês serão o meu povo" (Lv 26.12). No Novo Testamento, ao escolher os doze discípulos, Jesus não os chamou primeiramente para realizar grandes obras, mas "para estarem com Ele" (Mc 3.14). Isso revela a prioridade de Deus: relacionamento. O apóstolo Paulo lembra aos crentes que eles são "templo de Deus" (1 Co 3.16), uma verdade que culminará no futuro, quando a redenção será plenamente consumada e Deus habitará com os homens: "Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá" (Ap 21.3).
A mensagem das Escrituras é clara: Deus não apenas deseja nos salvar do pecado, mas restaurar nossa comunhão com Ele, trazendo-nos de volta à Sua presença.
A Importância da Presença de Deus A presença de Deus é o centro da vida plena e significativa. Em Êxodo 33.15, Moisés faz um pedido que expressa sua compreensão da importância da presença divina: "Se a tua presença não for conosco, não nos faça subir deste lugar." Moisés sabia que, sem a presença de Deus, nenhuma vitória, nenhum território ou promessa cumprida teria valor real. Sua oração é um lembrete poderoso de que a essência da salvação não é meramente ser liberto de algo, mas ser liberto para algo — para uma comunhão contínua e viva com Deus.
Essa mesma verdade é ecoada na oração do apóstolo Paulo em Efésios 3. Ele ora para que os crentes compreendam a "largura, comprimento, altura e profundidade" do amor de Cristo, para que sejam "cheios de toda a plenitude de Deus" (Ef 3.18-19). O objetivo último da salvação é experimentar essa plenitude, essa comunhão profunda e transformadora com Deus.
Mas por que Moisés fez esse clamor desesperado por Deus? Aqui está o contexto: após o pecado do bezerro de ouro em Êxodo 32, Deus disse que não caminharia mais com o povo diretamente. Ele estava irado por sua teimosia e desobediência. Em vez disso, Deus disse a Moisés que enviaria um anjo para guiar o povo à Terra Prometida (Êx 33.2-3). Essa decisão de Deus foi, na verdade, uma expressão de misericórdia. Deus, sabendo da santidade de Sua própria presença, disse que se estivesse com o povo teimoso, Ele poderia destruí-los devido à gravidade de seus pecados.
O envio de um anjo parecia ser uma solução intermediária: o povo ainda alcançaria Canaã, mas sem o risco constante de ser consumido pela santidade de Deus. Entretanto, Moisés, entendendo que a terra, as bênçãos e as conquistas não seriam suficientes sem a presença do próprio Deus, intercedeu. Ele sabia que nada poderia substituir a comunhão pessoal com o Senhor. O anjo, apesar de poderoso, não era suficiente. O verdadeiro tesouro era a presença de Deus.
O Tabernáculo como Símbolo da Presença de Deus Do capítulo 25 até o fim de Êxodo, vemos a construção do tabernáculo. Para muitos, essa descrição detalhada pode parecer repetitiva, mas ela revela a seriedade com que Deus trata o assunto de habitar no meio do Seu povo. O tabernáculo era um símbolo visível da presença de Deus com Israel, algo que transcendia o simples cumprimento das promessas de uma terra. Era o lugar onde o povo poderia encontrar Deus, e Ele poderia habitar entre eles.
Assim como um casal de noivos revisa cuidadosamente cada detalhe de sua futura casa com alegria e expectativa, Deus também se deleita em planejar Sua morada entre o povo. Cada detalhe do tabernáculo era importante, pois representava os meios pelos quais Deus poderia se aproximar de Seu povo sem comprometer Sua santidade.
Como o próprio Deus disse em Êxodo 19.4: "Eu os trouxe para perto de mim." O propósito de Deus não era apenas libertar Israel do Egito, mas trazê-los para a intimidade com Ele. A construção do tabernáculo apontava para esse relacionamento restaurado. Mais tarde, no Novo Testamento, Jesus encarnaria essa verdade de forma plena, sendo o verdadeiro "tabernáculo" de Deus entre os homens (João 1.14).
A Proximidade com Deus Transforma A verdadeira salvação não se resume a ser liberto do pecado, mas a ser restaurado para a comunhão plena com Deus. Em Gênesis 17.1, Deus ordena a Abraão: "Anda na minha presença e sê perfeito." A transformação para a perfeição não vem de nós mesmos, mas ao andar na presença de Deus. É na comunhão diária e íntima com o Senhor que somos moldados, dia após dia, para refletir a santidade de Deus.
Assim como as ovelhas seguem seu pastor, somos chamados a caminhar com Deus em confiança e obediência. O pastor guia, protege e supre suas ovelhas. Da mesma forma, é na presença de Deus que encontramos orientação, segurança e sustento espiritual.
O apóstolo João reafirma essa verdade quando define a vida eterna como "conhecer a Deus" (João 17.3). Não é apenas uma questão de escapar do inferno ou de ganhar uma terra prometida, mas de restaurar o relacionamento com o Criador. Esse é o verdadeiro propósito da salvação.
A Presença de Deus na Igreja Hoje Hoje, o tabernáculo de Deus não é mais uma tenda física no deserto, mas a própria Igreja, o Corpo de Cristo. Paulo afirma em 1 Coríntios 6.19 que nós, como crentes, somos o templo do Espírito Santo. Deus habita em nós, e onde dois ou três estão reunidos em Seu nome, ali Ele está (Mateus 18.20).
A comunhão dos santos é onde Deus manifesta Sua presença de maneira especial. O Espírito Santo distribui dons entre os crentes para que, juntos, possamos edificar uns aos outros e refletir a plenitude de Cristo. Cada crente tem uma função dentro do Corpo, e só na comunhão uns com os outros podemos experimentar a totalidade da presença de Deus.
Por isso, é fundamental não apenas sermos cristãos individuais, mas participarmos ativamente da comunidade de fé. Não basta apenas assistir cultos online ou estar isolado; é na congregação dos crentes que a ceia do Senhor, a adoração e a manifestação dos dons espirituais ocorrem de maneira completa. Cristo amou a igreja e deu Sua vida por ela, e é na comunhão que experimentamos a plenitude da vida com Deus (Efésios 5.25-27).
Conclusão
A salvação não se trata apenas de sermos libertos do pecado, mas de sermos restaurados para uma comunhão contínua com Deus. Moisés entendeu que a promessa da terra não seria suficiente sem a presença de Deus. O verdadeiro objetivo da nossa jornada espiritual é caminhar com o Senhor e experimentar Sua presença transformadora em nossas vidas.
Somos chamados, como Abraão, a andar na presença de Deus e sermos aperfeiçoados. A igreja, como o tabernáculo moderno, é o lugar onde essa presença se manifesta de maneira especial. Que possamos buscar essa comunhão com Deus, sabendo que Sua presença é o nosso verdadeiro tesouro. Como o apóstolo Paulo orou, que possamos ser "cheios de toda a plenitude de Deus" (Ef 3.19), experimentando diariamente o amor e a graça de nosso Pai Celestial.
Salmo 37 – Enfrentando as tentações derivadas das injustiças sociais+
Salmo 37
from Ildo Mello on Vimeo.
Salmo 37
Como lidar com as tentações derivadas das injustiças sociais Por que pessoas más prosperam enquanto pessoas boas padecem tribulações?
Onde está a justiça de Deus?
O Salmista Davi, no alto de sua longa experiência de vida (v. 25), nos ensina a lidar com as tentações advindas da contemplação da prosperidade do ímpio e do sofrimento do justo. No Salmo 73, outro salmista, Asafe, confessa ter quase tropeçado na inveja e na revolta diante das injustiças da vida (73.2-3). Ele chegou a pensar que obedecer a Deus fosse pura perda de tempo (73.13). Às vezes, parece que Deus não existe ou que Ele não se importa, pois os perversos seguem folgados em seus maus caminhos (73.11). Em seu imediatismo, Asafe quase perdeu sua fé, mas foi renovado quando passou a encarar o presente à luz do futuro e da confiança na justiça divina (73.17).
É provável que você já tenha passado por tentações semelhantes. Talvez isto ainda seja motivo de tropeço para a sua fé. Vejamos o que nos ensina o Rei Davi.
Primeiramente, o salmo nos exorta a evitar uma série de atitudes negativas que costumam manifestar-se diante de situações desta natureza.
Segue uma lista de atitudes e sentimentos que devem ser evitados nestas horas de tentação:
1.Não se irrite e não se revolte (1 e 7)
2.Não tenha inveja (1)
3.Não fique irado (8)
4.Não se impaciente e não seja imediatista (8)
5.Não se deixe vencer pelo mal (27)
6.E não desista nunca de fazer o bem (27)
Davi apresenta também uma série de atitudes positivas para vencer tais tentações:
1.Confie no Senhor (3)
2.Faça o bem (3)
3.Habita na terra, em outras palavra, continue no caminho da fé, firme na promessa (3)
4.alimente-se da verdade, pois “nem só de pão vive o homem” (3)
5.Deleite-se no Senhor (4), pois mais vale o pouco do justo que a abundância de muitos ímpios (16). Reconheça a mão de Deus em sua vida. A alegria do Senhor é a nossa força! Como dizia Wesley: “O bom mesmo é saber que o Senhor está conosco”!
6.Entrega o teu caminho ao Senhor com confiança em seu amor cuidadoso (5)
7.Descansa e sossega na fidelidade de Deus (7)
8.Aprenda a esperar em Deus, pois vale a pena! (7)
9.Seja perseverante na prática do bem, pois a seu tempo você ceifará (21 e 27; Gl 6.9)
10.Espere, mas também ande (34), pois não se trata de uma espera passiva, mas de uma esperança que nos move a plantar na certeza de que o dia da colheita chegará!
Por que devemos seguir tais instruções? Porque Deus, que é justo, retribuirá a cada sua segundo as suas obras. A experiência do Salmista o leva a confiar na justiça divina, que pode até demorar, mas não falha! O futuro dirá!
Vejamos como será o destino dos ímpios:
“Em breve”… (2)
Os maus definharão (2) murcharão (2) pagarão pelos seus pecados e se darão mal (8) serão exterminados, perecerão e serão aniquilados, se desfarão como fumaça e desaparecerá (9, 20, 22 e 36)
“Mais um pouco de tempo”… (2) já não existirá o ímpio (10) perderá o seu lugar, sua posição, suas propriedades, sua glória (10)
O Senhor se rirá deles (13) a espada atravessará os seus corações (15) suas armas e recursos serão despedaçados (15) seus braços serão quebrados, perderão suas forças, ficarão inválidos (17) serão amaldiçoados (22) sua descendência será exterminada (38)
Agora, vejamos como será o destino dos justos:
1.terão satisfeitos os desejos do coração (4)
2.terão supridas suas necessidades (5)
3.serão honrados, pois a sua retidão ficará evidente (6)
4.serão recompensados, pois a justiça prevalecerá no final (6)
5.possuírão a terra prometida (9 e 11)
6.desfrutarão de abundante paz (11)
7.testemunharão que o pouco com Deus é muito melhor que o muito sem Ele (16)
8.serão milagrosamente sustentados pelo Senhor (17)
9.são guardados pelo olhar vigilante de Deus (18)
10.sua herança permanecerá (18)
11.não serão envergonhados no final da história (19)
12.serão fartos (19)
13.são abençoados (22)
14.seus passos são firmados por Deus (23)
15.são motivo de alegria para Deus (23)
16.se vierem a cair, não ficarão prostrados (24)
17.caminhão de mãos dadas com Deus (24)
18.jamais serão desamparados (25 e 28)
19.sua descendência será uma benção (26)
20.sua morada será perpétua (27)
21.serão preservados para sempre (28)
22.herdarão a bendita Terra Prometida por Deus (29)
23.seus passos não vascilarão (31)
24.serão protegidos (33)
25.Não serão condenados no Juízo (33)
26.Serão exaltados (34)
27.prosperarão (37)
28.Encontram refugio em Deus nos momentos de tribulações (40)
29.serão salvos (39 e 40)
Portanto, vale muito a pena servir e confiar no Senhor. Como exemplo disto quero contar um testemunho dos meus tios Almira e Luiz.
Uma jovem, chamada Almira, cursava teologia para melhor servir ao Senhor no Exército de Salvação, mas começou a entrar em crise imaginando que a vida de uma serva de Deus seria entediosa e cheia de privações. Ela almeja a honra do estrelato e estava deixando-se seduzir pela glória deste mundo. Planejava retirar-se do seminário, pois recebera um convite tentador que lhe abriria portas para a concretização de suas ambições.
Quando estava prestes a abandonar o caminho, seu desânimo era tanto em relação ao seminário, que ela chegou até mesmo a dormir sobre a Bíblia em plena hora de estudo. Acordou sobressaltada e notou que dormira debruçada sobre a Bíblia aberta, cujas páginas estavam bem amaçadas. Logo, seus olhos se depararam com um texto em particular que diz: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, que o mais ele fará” (Salmo 37.5). Pelo Espírito, ela entendeu que aquela era uma mensagem direta de Deus para si, de modo que, em prantos, decidiu entregar sua vida e futuro nas mãos de Deus.
Casou-se com Luiz que também possuía um chamado pastoral. Tiveram um ministério frutífero que durou por mais de 50 anos. Certa vez, ainda bem no começo de seu ministério, estavam servindo numa cidade muito pobre, de modo que as coisas chegaram a ficar bem difíceis em termos financeiros, mesmo ao ponto de faltar alimento. Aflitos, dobraram seus joelhos e clamaram ao Senhor por socorro. Estavam ainda orando, quando alguém bateu à sua porta. Tratava-se de um homem mal encarado que logo disse: “sou ateu e não quero que ninguém me fale de Jesus. Só parei porque quando passava em frente desta igreja, senti um estranho impulso de parar e fazer uma doação”. Luiz, maravilhado com o que se passava, então lhe falou: “ainda que você não queira ouvir sobre Jesus, eu não posso deixar de lhe dizer uma coisa. Sabe, quando você passava em frente deste lugar, nós estávamos aqui orando, clamando a Deus por um pedaço de pão. Foi Deus quem tocou em seu coração!”. Bem, o homem se retirou dali um tanto perturbado. Surpreendentemente, o homem retornou para assistir ao culto no domingo, e, no final, de joelhos, entregou sua vida a Deus!
Almira e Luiz têm muitas outras estórias de como Deus cuida daqueles que a Ele se entregam de todo coração. Deus é fiel e bom. “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará”!
Bispo Ildo Mello www.metodistalivre.org.br
As Rivais+
Por Bispo Ildo Mello O Livro de Gênesis mostra a vida como ela é e não maquia a face de seus personagens. Os próprios patriarcas do povo hebreu são descritos como seres humanos normais sujeitos a muitos erros. Conflitos familiares são expostos com riqueza de detalhes, tais como os que envolveram Caim e Abel, Abraão e Ló, Sara e Hagar, Esaú e Jacó, José e seus irmãos. Veremos a seguir um embate muito interessante que aconteceu entre duas irmãs, Lia e Raquel, que, por uma série de circunstâncias, acabaram se tornando esposas de Jacó e passaram a disputar pelo coração de seu amado.
Examinando os capítulos 29 e 30 de Gênesis, vemos o seguinte contraste entre estas duas irmãs o que ajuda a entender os motivos de tanta rivalidade: Lia era mais velha que Raquel (29.16); Lia era feia (29.17) enquanto a Raquel era linda (29.17); De Lia, não ouvimos que ela tivesse ocupação, quanto a Raquel é dito que era pastora (29.9); Lia não recebe a mesma distinção que Raquel, que possuía notoriedade na sociedade (29.6); O texto revela poucos detalhes de Lia (29.16,17), enquanto Raquel é descrita com riqueza de detalhes (29.9- 10; 30.16-18); Para piorar a situação, é dito que Jacó amava a Raquel e que desprezava a Lia (29.18-31), de modo que ele não trabalhou nem uma hora por Lia, mas foi capaz de trabalhar 14 anos para conquistar o direito de se casar com Raquel (29.30). Por fim, observamos que nenhum diálogo é travado entre Jacó e Lia; Lia é totalmente ignorada; nenhuma emoção é externada a ela, nenhum olhar é descrito, em contrapartida, Jacó expressa muito carinho e dá muita atenção a Raquel, pois é dito que ele a viu, a ajudou, a beijou, chorou em sua presença, falou-lhe e a amou (29.10).
Em meio aos altos e baixos desta disputa, é interessante observarmos o uso que as duas irmãs fazem dos termos hebraicos Elohim e Adonai. Embora ambos sejam apropriados para se referir a Deus, nota-se uma curiosa peculiaridade do uso destes termos no livro de Gênesis, a começar pelo capítulo 1, que usa Elohim, que significa Deus, para descrevê-lo como criador do Universo, enquanto o capitulo dois usa o termo Adonai para falar especificamente da criação do ser humano, dando a entender uma noção de maior intimidade e proximidade. Estaria o autor se valendo destes termos para ressaltar os aspectos divinos de transcendência e imanência? Bem, parece que sim, pois o uso destes termos nos relatos do confronto das irmãs Lia e Raquel não é nem um pouco aleatório como veremos a seguir.
No início do conflito, vemos Lia muito abatida e humilhada por ter sido desprezada por Jacó. Quebrantada, Lia busca a proximidade e o auxílio do Senhor, que vem ao seu encontro para socorrê-la. Repare que Adonai é o termo usado (29.31-35). Enquanto isto, Raquel está muito segura de si, de suas habilidades e vantagens naturais. Sentindo-se auto-suficiente, não demonstra carecer tanto assim do auxílio e da presença de Deus. Tal noção de distância é expressa no uso do termo Elohim (30.6).
Mas, a situação vai se inverter. Raquel, quando se vê em apuros por ser estéril, não busca a ajuda de Deus, pois ela prefere confiar em seus próprios planos e soluções. Raquel, invejosa, apela para uma espécie de barriga de aluguel, fazendo uso de sua serva (30.3). E Lia ao ver a estratégia da irmã, não querendo ficar para trás, faz uso do mesmo recurso carnal (30.9) e por fim começa a não sentir tanto a necessidade da presença de Deus, passando, assim, a se referir a ele através do termo Elohim, o que sugere uma noção de distanciamento de Deus (30.18,20).
Então, durante a disputa, ambas se afastam de Deus a medida que passam a agir por conta própria, de acordo com suas próprias agendas. Numa certa altura do campeonato, Raquel cobiça as mandrágoras que Lia recebera de presente de seu filho Ruben. Raquel, supersticiosa, acreditava que tais mandrágoras pudessem curá-la para que ela fosse capaz de engravidar (30.15- 16). Raquel, desesperada, chega a propor um negócio a Lia e acaba se dando muito mal, pois o feitiço voltou-se contra o feiticeira, pois Raquel continuou estéril e Lia acabou dando à luz a mais dois filhos.
Então, no final da história, arrasada e quebrantada, Raquel deixa sua auto-suficiência de lado e busca a proximidade e a ajuda do Senhor, e o termo Adonai é usado para reforçar esta idéia de proximidade (30.24). O Senhor se compadece de Raquel, que concebe e dá à luz ao grande José. “Perto está o Senhor dos que tem o coração quebrantado, e salva os de espírito oprimido.” (Sl 34.18; II Co 12.9-10).
Nesta história, ora Deus está do lado de Lia, ora está do lado de Raquel. Enquanto Jacó preferia Raquel por conta de sua aparência física, Deus está sempre do lado daquele que tem o coração contrito e quebrantado.
Podemos estar muito próximos de Deus, mas as pressões da sociedade nos conduzem à competição, stress, desejo de assumir o controle da própria vida, deixando de lado o Senhor. Nossa percepção dEle é, então, alterada (sentimento de distância). O Quebrantado tende a buscar a proximidade e o auxílio de Deus enquanto que o auto-suficiente confia mais em si e em seus recursos e tende a se manter mais distante de Deus. "Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Sujeitai-vos, pois, a Deus… Chegai-vos a Deus e Ele se chegará a vós outros… Humilhai-vos perante o Senhor e Ele vos exaltará…" (Tg 4.6-10).
Jesus é o Arcanjo Miguel?+
Jesus é o Arcanjo Miguel? Ele é o Criador ou uma criatura? E quanto a adorá-lo – isso seria correto ou deve ser encarado como uma idolatria?
Primeiramente, é importante esclarecer que as Testemunhas de Jeová ensinam que Jesus é o Arcanjo Miguel, ou seja, uma criatura angelical, que embora tenha muito poder e honra, não deve ser adorado como Deus. No entanto, essa interpretação não se alinha com o ensino do Novo Testamento.
A Bíblia nos revela claramente que Jesus é o Criador e não uma criatura. O Evangelho de João começa assim: “No princípio era o Verbo, o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito.” (João 1.1-3). E continua: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós. Vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (João 1.14).
Além disso, em Hebreus 1.5, lemos que Deus nunca disse a nenhum anjo: "Tu és meu Filho, eu hoje te gerei." Isso foi dito apenas a Jesus, que é a exata expressão do Pai.
Nas Escrituras, não encontramos nenhum anjo sendo adorado. De fato, os anjos rejeitam adoração. Em Apocalipse 22.8-9, quando João, impactado por uma grande revelação, começa a adorar um anjo, este o repreende imediatamente: "Não faça isso! Sou servo como você e seus irmãos, os profetas, e como os que guardam as palavras deste livro. Adore a Deus!" A adoração pertence unicamente a Deus, conforme está escrito: “Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto.” (Mateus 4.10). No entanto, Jesus é consistentemente adorado no Novo Testamento. Isso é um claro reconhecimento de que Ele é verdadeiramente Deus. A Bíblia ensina que há apenas um único Deus verdadeiro (Deuteronômio 6.4; Isaías 45.21-22), e a adoração a Jesus revela o mistério da Trindade: um único Deus em três pessoas – Pai, Filho e Espírito Santo (Mateus 28.19; 2 Coríntios 13.14).
Portanto, Jesus não é uma criatura; Ele é o Criador. Ele possui todos os atributos divinos – eternidade, onipotência e onisciência. E, sendo assim, é digno de receber adoração como o único e verdadeiro Deus.
Segue alguns textos bíblicos que descrevem Jesus sendo adorado:
Em Mateus 2.11, os magos do Oriente adoraram a Jesus. O texto diz:
"Ao entrarem na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e prostrando-se, o adoraram. Então abriram os seus tesouros e lhe deram presentes: ouro, incenso e mirra." Os discípulos adoram Jesus após Ele acalmar a tempestade, em Mateus 14.33, lemos:
"Então os que estavam no barco o adoraram, dizendo: 'Verdadeiramente tu és o Filho de Deus!'" O homem cego adora Jesus após ser curado, João 9.38 diz:
"Então o homem disse: 'Senhor, eu creio'. E o adorou." Em Mateus 28.9, lemos que, após a ressurreição de Jesus, as mulheres abraçaram-lhe os pés e o adoraram." Em Mateus 28.17, lemos também que outros discípulos adoram Jesus ao vê-Lo ressuscitado Os discípulos também adoraram a Jesus quando Ele subiu ao céu, conforme Lucas 24.52.
Os anjos são instruídos a adorarem a Jesus, Hebreus 1.6 diz:
"E ainda, quando Deus introduz o Primogênito no mundo, diz: 'Todos os anjos de Deus o adorem'." E no Livro de Apocalipse, temos diversos momentos de adoração a Jesus, começando por João que diz:
"Quando o vi, caí a seus pés como morto. Então ele colocou a mão direita sobre mim e disse: 'Não tenha medo. Eu sou o Primeiro e o Último.'" (Apocalipse 1.17)
Em Apocalipse 5.8-9, vemos os vinte e quatro anciãos e os quatro seres viventes adorando o Cordeiro no céu:
"Quando ele recebeu o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro. Cada um deles tinha uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos, e cantavam um cântico novo: 'Tu és digno de receber o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus gente de toda tribo, língua, povo e nação.'" (Apocalipse 5.8-9)
E, logo a seguir, a Toda criatura no céu, na terra, debaixo da terra e no mar também passa a adorar a Jesus:
"Dizendo em alta voz: 'Digno é o Cordeiro que foi morto, de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor!' Então ouvi todas as criaturas que estão no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e tudo o que neles há, que diziam: 'Àquele que está assentado no trono e ao Cordeiro sejam o louvor, a honra, a glória e o poder, para todo o sempre!' Os quatro seres viventes disseram: 'Amém', e os anciãos prostraram-se e o adoraram." (Apocalipse 5.12-14)
Portanto, a adoração a Jesus no Novo Testamento é um testemunho claro de Sua divindade. Os versículos mencionados demonstram que Jesus é adorado em diferentes contextos, confirmando Sua identidade como Deus Eterno e Criador. A Bíblia afirma que somente Deus deve ser adorado, e Jesus recebe essa adoração, o que revela o mistério da Trindade: um único Deus em três pessoas. Portanto, reconhecer Jesus como digno de adoração é afirmar a verdade bíblica de que Ele é verdadeiramente Deus, coigual ao Pai e ao Espírito Santo.
A profecia de Isaías sobre o Natal+
"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz" (Is 9.6).
“Um menino nos nasceu.
"Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, o seu nome será Emanuel” (Is 7.14).
“Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? porque vimos a sua estrela no oriente, e viemos a adorá-lo” (Mt 2.2).
“E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra” (Mt 2.11).
Um filho se nos deu”:
Isaías profetizou o nascimento do menino Jesus, filho de Deus que, devido ao seu grande amor por toda a humanidade, foi dado para salvação de todos os que nele creem (Jo 3.16).
Filho unigênito e amado do Pai que foi dado a todos como Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29).
"Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?" (Rm 8.32).
"Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça…" (Rm 3.25).
"Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados" (1 Jo 4.10).
"Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo" (1 Jo 2.2).
"… perante Deus, nosso Salvador, que deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, o qual se entregou a si mesmo como resgate por todos…" (1 Tm 2.3-6).
"Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente, enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo. Ele se entregou por nós a fim de nos remir de toda a maldade e purificar para si mesmo um povo particularmente seu, dedicado à prática de boas obras (Tt 2.11-14).
“O principado está sobre os seus ombros”:
Jesus é o Messias prometido; O Rei dos reis e o Senhor dos senhores (Ap 19.16)!
“E se chamará o seu nome”:
Maravilhoso: “E, chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se admiravam, dizendo: De onde lhe vêm estas coisas? e que sabedoria é esta que lhe foi dada? e como se fazem tais maravilhas por suas mãos?” (Mc 6.2).
Conselheiro: O discernimento e sabedoria de Jesus foram amplamente demonstrados nas narrativas dos Evangelhos. Ninguém jamais demonstrou tanto saber e autoridade no que dizia. Jesus não apenas sabe o caminho, ele não apenas conhece a verdade e não é ele apenas um expert sobre as coisas da vida, pois ele próprio é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14.6)!
Deus Forte: Sim, Isaías profetizou o nascimento de um menino que seria chamado de “Deus Forte”. Deus se fez carne e habitou entre nós na pessoa de Jesus e os apóstolos viram a sua glória como a do Unigênito do Pai, cheio de Graça e de Verdade (Jo 1.1-18), pois ele é a exata expressão de Deus Pai (Hb 1.3). Nele reside toda a plenitude da divindade (Cl 1.19). Jesus demonstrou seu poder acalmando tempestades, multiplicando pães e peixes, ressuscitando mortos e curando todo tipo de enfermidades. Além disto, ele mesmo ressuscitou da morte e antes de subir para os céus, proclamou possuir todo o poder sobre o céu e a terra! Que bom que este Deus forte e único é também Deus conosco, Emanuel!
Pai da Eternidade: "Senhor, para quem iremos nós? Só tu tens as palavras da vida eterna" (Jo 6.68). “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna” (Jo 6.47). " Príncipe da Paz: Os anjos proclamaram o nascimento de Jesus, dizendo: "Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens a quem Ele quer bem" (Lc 2.14). Jesus disse: “Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbem os seus corações, nem tenham medo” (Jo 14.27). Sua palavras continuam ecoando através dos séculos, chegando até nós: "Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso (Mt 11.28)!
Feliz Natal!
Bispo José Ildo Swartele de Mello
Não Depende de Nós+
"Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia". (Romanos 9.16)
"Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem". (Salmo 127.1-2)
Que lições podemos tirar para a nossa vida do texto acima? Podemos concluir que é inútil edificar, trabalhar, vigiar, levantar de madrugada, repousar tarde e comer o pão que penosamente granjeamos? Ou, por outro lado, seria certo deduzirmos que o negócio da vida é dormir, porque enquanto dormimos Deus nos abençoa? Certamente estas seriam conclusões bem equivocadas.
O texto não é um desestimulo a ação ou um convite à preguiça. Notar que as ações de edificar, trabalhar, vigiar, levantar de madrugada, repousar tarde e comer o pão que penosamente granjeamos somente são inúteis SE o Senhor não edificar, guardar, etc. Portanto, a questão da vaidade de qualquer ação humana passa pela condicional SE, que no caso está relacionada à própria ação de Deus. Em outras palavras, a nossa ação depende da ação de Deus.
O texto faz uma exaltação ao governo de Deus sobre todas as coisas, ao mesmo tempo que revela, nossa total dependência dEle.
Devemos refletir sobre as arrogantes pretensões humanas, como as que, por exemplo, caracterizavam aqueles que tentaram certa vez edificar a Torre de Babel. Rechaçando o orgulho humano, a auto-suficiência, a confiança no que supostamente temos e podemos. Lembramos o que também está escrito: ?Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR!? (Jeremias 17.5).
A nossa confiança deve estar em Deus e não em nós mesmos. O que mais honra a Deus é a nossa fé e confiança nEle. Descansar em Deus significa entregarmos nossa causa, nossos problemas, nosso futuro nas mãos daquele que não somente é poderoso para nos socorrer como também é bondoso e misericordioso para conosco. É o que Davi revelou ao enfrentar o Gigante Golias. Davi não estava confiando em si mesmo, em sua habilidade com a funda, nem confiou na armadura, mas ele confiava em Deus, e em Seu nome enfrentou e venceu o gigante.
Descansar em Deus é uma das mais difíceis tarefas. A tendência humana é tentar confiar em nossas ações e nos recursos humanos. Por vezes, os homens depositam suas garantias naquilo que não é Deus, o que é uma espécie de idolatria, que entristece e ofende a Deus. Isaías relata como Deus ficou chateado com o povo, que num momento de crise, quando Israel estava a ponto de ser atacado pelo exército assírio, eles buscaram ajuda do Egito (Is 31).
Deus nos convida a participar do Seu descanso (Mt 11.28,29), pois a vitória está em confiarmos e esperarmos tranqüilamente em Deus (Is 30.15). Não depende de nós, como por vezes supomos, mas depende da misericórdia divina (Rm 9.6, Ec 9.11; Sl 33.17; Pv 21.31; Jr 9.23,24; Pv 3.5). A nossa suficiência vem de Deus (2 Co 3.5), pois é Deus quem estabelece e remove reis, tempos e estações (Dn 2.20, 21). Por isso, a vitória que vence o mundo está e é a fé (1 Jo 5.4).
Nossa ação não deve ser encarada como uma coisa em si mesma. Devemos plantar e regar, sabendo sempre que o crescimento vem de Deus (1 Co3.6). Pensando assim, acabamos sendo encorajados a plantar mais, confiando tranqüilamente que Deus cuidará dos resultados. Portanto plantamos com santa expectativa, de que, ainda que com dor e sofrimento, um dia colheremos com alegria (Sl 126). Sendo assim, descansemos em Deus. Nada de ansiedade e preocupação (Lc 12.26). Coloquemos nossa vida e futuro nas mãos daquele que é poderoso e bom para cuidar de nós e confiemos em Suas promessas (Is 58.11, Sl 23).
Confiemos no Agir de Deus, no cuidado de Deus, na justiça de Deus, na recompensa de Deus, no amor de Deus.
Bispo José Ildo Swartele de Mello
Isaías 6, João 12 e Atos 28: Um Testemunho Claro da Trindade+
Quatro perguntas que organizam o tema:
1. Quem é o “Senhor” que Isaías viu (Is 6.1–9)?
2. A quem João diz que Isaías viu em sua glória (Jo 12.37–41)?
3. Quem, segundo Paulo, falou por meio de Isaías naquele mesmo oráculo (At 28.25–27)?
4. Se o mesmo texto é atribuído no AT a YHWH, e no NT é aplicado ao Filho e ao Espírito, o que isso implica para a doutrina cristã de Deus?
Tese: a leitura canônica de Isaías 6 feita por João 12 e Atos 28 oferece um argumento cumulativo poderoso para a Trindade: o único Deus (Dt 6.4; Is 45.5) subsiste eternamente em três Pessoas — Pai, Filho e Espírito Santo — sem confusão de Pessoas e sem divisão de essência.
1. A visão de Isaías (Is 6.1–9)
Isaías escreve:
“No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono…” (Is 6.1).
Os serafins proclamavam:
“Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.” (Is 6.3).
Depois Isaías ouve:
“Vai e dize a este povo: ouvi, mas não entendais; vede, mas não percebais” (Is 6.9).
Ou seja, Isaías viu o Senhor (YHWH) e recebeu de Deus uma mensagem para pregar ao povo. O nome YHWH designa o único Deus verdadeiro, que no Novo Testamento é plenamente revelado como Pai, Filho e Espírito Santo.
2. João 12 cita Isaías 6 e identifica a glória com o Filho
Ao explicar a incredulidade diante de Jesus, João cita Is 6.9–10:
“Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração…” (Jo 12.40, citando Is 6.9–10).
E conclui:
“Isto disse Isaías porque viu a glória dele e falou a seu respeito.” (Jo 12.41).
O referente é Jesus (Jo 12.37–42). Portanto, a glória que Isaías viu é a glória eterna do Filho, contemplada séculos antes da encarnação (Jo 1.14; 17.5). Aqui não se nega a distinção entre Pai e Filho; ao contrário, afirma-se que o Filho participa da mesma glória divina do Pai desde a eternidade.
3. Atos 28 cita Isaías 6 e atribui a fala ao Espírito Santo
Em Roma, Paulo também cita Is 6.9–10 e introduz assim:
“Bem falou o Espírito Santo a vossos pais, por meio do profeta Isaías…” (At 28.25–26).
Logo, o mesmo oráculo que Isaías ouviu de YHWH e que João aplica à glória do Filho, Paulo declara ter sido pronunciado pelo Espírito Santo. Isso confirma tanto a pessoalidade quanto a divindade do Espírito.
4. Comparação lado a lado
•
Isaías 6
: Isaías vê YHWH e ouve a Sua palavra (Is 6.1,9).
•
João 12
: João afirma que Isaías viu a glória de Jesus, o Filho (Jo 12.41).
•
Atos 28
: Paulo declara que foi o Espírito Santo quem falou em Isaías (At 28.25).
Assim, o mesmo texto atribuído a YHWH no Antigo Testamento é aplicado no Novo Testamento ao Filho e ao Espírito. Isso só faz sentido se entendermos que o único Deus subsiste em três Pessoas distintas, coeternas e consubstanciais.
5. O que isso prova?
Não há contradição. Ao contrário: confirma a fé cristã na Trindade.
• Isaías vê o único Deus no trono.
• João declara que a glória vista é a glória do Filho.
• Paulo afirma que a voz ouvida era a do Espírito Santo.
Isso é exatamente o que os cristãos sempre confessaram: um só Deus em três Pessoas, iguais em poder e majestade, distintas em relação, mas inseparáveis em essência.
Conclusão
A leitura conjunta de Isaías 6, João 12 e Atos 28 mostra, sem margem para dúvida, que João e Paulo se referem ao mesmo texto de Isaías, e que nele se evidenciam o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Por isso, confessar a Trindade não é acrescentar algo à Bíblia, mas reconhecer o que a própria Escritura revela: o Deus que Isaías viu é o mesmo que se encarnou em Jesus Cristo e que fala e age pelo Espírito Santo — um só Deus, bendito em três Pessoas, para sempre.
O que você diria nesta manhã?+
O que cada um deles diria
Moisés diria: “Não vou a lugar algum sem a Tua presença, Senhor.” (Êxodo 33.15)
Abraão diria: “O Senhor proverá.” (Gênesis 22.8)
Jacó diria: “Não te deixarei antes de me abençoares.” (Gênesis 32.26)
Josué diria: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor.” (Josué 24.15)
Samuel diria: “Fala Senhor que o teu servo ouve.” (1 Samuel 3.9)
Neemias diria: “A alegria do Senhor é a nossa força.” (Neemias 8.10)
Davi diria: “Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará.” (Salmos 37.5).”
Salomão diria: “Confie no Senhor de todo coração e não se apóie na sua própria inteligência.” (Provérbios 3.5)
Isaías diria: “Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar.” (Isaías 55.6-7)
Jeremias diria: “O Senhor tem grandes planos para nossas vidas, planos de Paz e não de guerra.” (Jeremías 29.11)
Ezequiel diria: “A Palavra de Deus é doce como o mel”.” (Ezequiel 3.3)
*Daniel diria: “Seja bendito o nome de Deus, de eternidade a eternidade, porque dele é a sabedoria e o poder.” (Daniel 2.20)
Oséias diria: “Os caminhos do SENHOR são retos, e os justos andarão neles, mas os transgressores neles cairão.” (Oséias 14.9)
Joel diria: “Todo aquele que invocar o nome do SENHORe será salvo.” (Joel 2.32)
Amós diria: “Buscai o bem e não o mal, para que vivais.” (Amós 5.14)
Obadias diria: “O Dia do SENHOR está prestes a vir sobre todas as nações”.” (Obadias 15)
Jonas diria: “Em minha angustia clamarei a ti e tu me responderas.” (Jonas 2.1-2)
Miquéias diria: “Eu, porém, olharei para o SENHOR e esperarei no Deus da minha salvação; o meu Deus me ouvirá.” (Miquéias 7.7)
Naum diria: “O SENHOR tem o seu caminho na tormenta.” (Naum 1.3)
Habacuque diria: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação. O SENHOR Deus é a minha fortaleza.” (Habacuque 3.17–19)
Sofonias diria: “Não temas, nem se afrouxem os teus braços. O SENHOR, teu Deus, está no meio de ti, poderoso para salvar-te; ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo.” (Sofonias 3.16–17)
Ageu diria: “Sê forte, diz o SENHOR, e trabalhai, porque eu sou convosco, diz o SENHOR dos Exércitos”.” (Ageu 2.4)
Zacarias diria: “Alegra-te muito, eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde…” (Zacarias 9.9)
Malaquias diria: “Mas para vós outros que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas.” (Malaquias 4.2)
Pedro diria: “Lancemos sobre Deus a nossa ansiedade, pois Ele tem cuidado de nós!.” (1 Pedro 5.7)
Paulo diria: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece.” (Filipenses 4.13)
João diria: “Creiamos em o nome de seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros” (1João 3.23).”
Filipe diria: “Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se referiram os profetas: Jesus, o Nazareno, filho de José.” (João 1.45).”
Judas, o irmão do Senhor, diria: “guardai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna.” (Judas 21)
Tiago diria: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes.” (Tiago 1.22)
O autor de Hebreus diria: “importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos.” (Hebreus 2.1)
Maria diria: “Fazei tudo o que ele vos disser.” (João 2.5)
Jesus diria: “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.” (João 7.38)
E você, o que diria?
Como é bom confiar no Senhor! Um abençoado dia na presença de Cristo!
Chorem sacerdotes e ministros do Senhor, e orem.+
“ Quando Jesus ia chegando a Jerusalém, vendo a cidade, chorou por ela, ” (Lucas 19.41, NAA)
“ Quando Jesus viu que ela chorava, e que os judeus que a acompanhavam também choravam, agitou-se no espírito e se comoveu. ” (João 11.33, NAA)
“ Jesus chorou. Então os judeus disseram: — Vejam o quanto ele o amava. ” (João 11.35–36, NAA)
“ Porém Jesus, voltando-se para elas, disse: — Filhas de Jerusalém, não chorem por mim; chorem antes por vocês mesmas e por seus filhos! ” (Lucas 23.28, NAA)
“ Abraão veio lamentar a morte de Sara e chorar por ela. ” (Gênesis 23.2, NAA)
“ E Ana, com amargura de alma, orou ao Senhor e chorou muito. ” (1Samuel 1.10–11, NAA)
“ Então Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe tinha dito: “Antes que o galo cante, você me negará três vezes.” E Pedro, saindo dali, chorou amargamente. ” (Mateus 26.75, NAA)
“ Prantearam, choraram e jejuaram até a tarde por Saul, por Jônatas, seu filho, pelo povo do Senhor e pela casa de Israel, porque tinham caído à espada. ” (2Samuel 1.12, NAA)
“ Então houve grande pranto entre todos, e, abraçando Paulo, o beijavam, entristecidos especialmente pela palavra que ele tinha dito: que não mais veriam o seu rosto. E eles o acompanharam até o navio. ” (Atos dos Apóstolos 20.37–38, NAA)
“ As minhas lágrimas têm sido o meu alimento dia e noite, enquanto me dizem continuamente: “E o seu Deus, onde está?” ” (Salmo 42.3, NAA)
“ Por estas coisas, eu choro; os meus olhos, os meus olhos se desfazem em lágrimas.
Porque o consolador, que devia restaurar as minhas forças, se afastou de mim. Os meus filhos estão desolados, porque o inimigo prevaleceu. ” (Lamentações de Jeremias 1.16, NAA)
“ Os filhos de Israel gemiam por causa da sua escravidão. Eles clamaram, e o seu clamor chegou até Deus. ” (Êxodo 2.23, NAA)
“ Na minha angústia, invoquei o Senhor; gritei por socorro ao meu Deus. Do seu templo ele ouviu a minha voz, e o meu clamor chegou aos seus ouvidos. ” (Salmo 18.6, NAA)
“ José, profundamente emocionado por causa do seu irmão, apressou-se e procurou um lugar onde chorar. Entrou no quarto e ali chorou. ” (Gênesis 43.30, NAA)
“ Que os sacerdotes, ministros do Senhor, chorem entre o pórtico e o altar, e orem: “Poupa o teu povo, ó Senhor, e não faças da tua herança um objeto de deboche e de zombaria entre as nações. Por que hão de dizer entre os povos: ‘Onde está o Deus deles?’ ” ” (Joel 2.17, NAA)
Rm 12,15: Alegrai-vos com os que se alegram,… Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram.
“O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.” (Salmo 30.5)
“ Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam. ” (Salmo 23.4, NAA)
João Batista foi a reencarnação de Elias?+
Sabemos que os espíritas alegam que João Batista foi a reencarnação de Elias. No entanto, o próprio João Batista negou ter sido o Elias. "És tu Elias? E disse: Não sou." (Jo 1.21).
Outro argumento contra a idéia de que João Batista tenha sido a reencarnação de Elias reside no fato de que, no monte da transfiguração, apareceram Moisés e Elias (Lc 9.30-31). Mas, se João Batista fosse a reencarnação de Elias, ele deveria ter aparecido, e não Elias, pois o próprio João Batista já havia falecido na ocasião e a doutrina espírita diz que a última reencarnação é a que conta para uma aparição.
Além do mais, a doutrina espírita diz que é necessário morrer para poder reencarnar, no entanto, Elias jamais morreu. Ele foi arrebatado com corpo e tudo. (2 Reis 2.11). O que aconteceu com Elias foi o mesmo que aconteceu com Enoque que "foi trasladado para não ver a morte" (Hebreus 11.5). Portanto, nem Elias e nem Enoque morreram, pois ambos foram transladados para não verem a morte!
A Bíblia é enfática a respeito de que "aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo" (Hebreus 9.27). Portanto, só se vive uma vida, e, depois dela, vem o juízo final e não outras reencarnações assumindo personalidades distintas.
O Apóstolo Paulo, em 2 Coríntios 5.1, diz que "se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus" e não novos corpos humanos, mortais e corruptíveis através de sucessivas reencarnações aqui na terra.
Enquanto os espíritas dizem que a reencarnação se faz necessária para pagar pelos pecados de vidas anteriores e também possibilitar o aperfeiçoamento do espírito através das boas obras, a Bíblia ensina que a salvação não se dá através das boas obras e nem de pagarmos pelos nossos pecados através do sofrimentos nesta ou em diversas outras existências, pois é através da fé no sacrifício único e perfeito de nosso Senhor Jesus Cristo. Por suas chagas somos sarados, purificados, santificados e salvos para a vida eterna na glória do céu! (Ef 2.8-10; Hb 10).
Agora, quando Jesus diz que João Batista "é Elias, que estava para vir" (Mt 11.14; Mt 17.10–13; Mc 9.11–13), ele não estava afirmando que João Batista seria literalmente Elias, mas que cumpria as profecias relacionadas a sua vinda (Ml 4.5), pois exerceria as funções relacionadas a ele. A ideia é que Elias representava os profetas do Antigo Testamento e João Batista foi o último dos profetas, concluindo o ciclo profético, tornando-se aquele que veio para preparar o caminho do Senhor! Há muitas semelhanças entre eles, pois ambos atuaram no deserto e assim como Elias foi perseguido pelo rei Acabe e por sua mulher, Jezabel. (1Rs 19.1-3; 21:20), João também foi perseguido pelo rei Herodes e por sua mulher, Herodias (Mt 14.3-5 e Mc 6.18-20).
Espero poder ter contribuído para uma melhor compreensão desta questão.
Quem foi o maior pai da história humana?+
Quem foi o maior pai de toda a história?
Foi Abraão!
Porque Abraão é pai dos árabes, dos midianitas, dos judeus e também de todos os cristãos. Pai da fé!
O nome de Abraão era originalmente Abrão, que significa: “o pai é exaltado”. Seus pais lhe deram este nome em honra ao deus pagão da lua, pois cultuavam a luz com os demais idólatras da cidade de Ur. Deus mudou o nome de Abrão para Abraão (Gn 17.5) como sinal de rompimento com as raízes pagãs. Outro motivo para a mudança do nome tem a ver com o seu novo significado: “pai de multidões”, de acordo com a promessa de Deus de que Abraão teria uma descendência inumerável. 25 anos se passaram até o cumprimento até o nascimento de seu filho Isaque. Durante este longo período de provação de sua fé, cada vez que alguém chamava o seu nome, ele podia se recordar da promessa. (Gn 11.30; 17:1-4, 17).
Além disso, ele foi um pai exemplar pelo amor e consideração a esposa, por sua fé, por sua obediência e por sua amizade com Deus.
Foi um bom marido. Não foi um marido perfeito, mas, devemos lembrar que ele jamais desprezou sua esposa que, a princípio, era estéril, em uma época em que as mulheres estéreis eram desprezadas. Sara só veio a dar a luz milagrosamente com 90 anos de idade.
Sua fé e confiança na promessa e fidelidade de Deus. Creu contra a esperança. Hebreus 11 e Romanos 4. Sua fé foi provada por 25 anos, desde a promessa ao cumprimento e, posteriormente, quando Deus pede o sacrifício de Isaque.
A fé de Abraão era uma fé viva que o levou a obedecer ao mandamento extremo de Deus, crendo até mesmo que Deus era poderoso para ressuscitar a Isaque.
Abraão foi chamado de “amigo de Deus”. “Ora, Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça; e Foi chamado amigo de Deus.” (Tg 2.23–24 cf. 2Cr 20.7).
Salmo 122.1+
“Alegrei-me quando me disseram: Vamos a casa do SENHOR.”
Salmos 122.1
Quantos se alegram de fato em ir para a casa do Senhor?
Um pouco sobre o Salmo 122.1 Infelizmente, o que mais vemos hoje em dia, são outros verbos sendo conjugados, mesmo que mentalmente, quando chega o domingo.
Muitos trocam o “alegrei-me” por qualquer outra coisa:
Reclamei…
Encontrei uma desculpa…
Virei para o lado e dormi…
Fui pra Internet, ver TV, pesquisar algo para o trabalho etc Sim, somos o templo do Espírito Santo e devemos ser igreja no mundo, mas a vida de comunhão na sua igreja é importante (embora o inimigo vai insistir em dizer que não é…).
Você sabia que você pode abençoar um irmão apenas com seu sorriso?
Com seu abraço consolador?
Com uma oferta?
Com uma breve oração no momento de intercessão?
E que pode ser abençoado da mesma forma?
Quando alguém não vai, o corpo fica mutilado.
Há como repor um momento de dor, em que um irmão precisava do seu abraço, do seu consolo e não teve?
Ou há como repor um momento em que você ouviu aquele texto da EBD que depois edificou tanto a sua semana?
O sorriso que recebi de cada jovem da Colônia que abracei domingo passado iluminou meu dia.
Os testemunhos ouvidos alimentaram a minha fé. Vi, inclusive, pessoas que se sensibilizaram com a história que a Silvia contou e ofertaram com alegria para aquele senhor de cadeira de rodas de Colônia.
Que a nossa oração neste restinho de semana seja:
Pai, ajude-me a administrar meu tempo.
Livra-me das distrações, dos obstáculos, da canseira e dê-me sempre um coração disposto a te servir e ser bênção ao meu irmão.
Restitui a alegria da sua salvação.
Amém!”
Beijos, Ana Paula Mendes
CRIADOS À IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS+
O Deus único e verdadeiro decidiu criar os seres humanos à sua imagem e semelhança, não por carência, pois é pleno de felicidade em si mesmo, mas por pura bondade, propiciando ao homem o privilégio de desfrutar de sua vida, amor e comunhão. Criado à imagem e semelhança de Deus, o homem não é somente matéria, mas um espírito tal como o seu Criador, um ser dotado de inteligência reflexiva e criativa, de liberdade para tomada de decisões, de atribuições e responsabilidades, da capacidade de governar e administrar o restante da criação, de emoções, afetos e da capacidade de amar e de se relacionar com Deus e com seu semelhante.
“Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres e o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste. Deste-lhe domínio sobre as obras da tua mão e sob seus pés tudo lhe puseste: ovelhas e bois, todos, e também os animais do campo; as aves do céu, e os peixes do mar, e tudo o que percorre as sendas dos mares. Ó SENHOR, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome!” (Sl 8:3-9 RA).
(Gênesis 1.26-27,31; 5:1; Salmos 8:3-9; 139:14; Isaías 43:7; Efésios 2.:10)
Eliseu, os rapazes de Betel e os discípulos que quiseram fazer descer fogo do céu+
Existem alguns textos bíblicos que, quando lidos pela primeira vez, nos deixam desconfortáveis. E talvez poucos provoquem tantas perguntas quanto o episódio em que Eliseu amaldiçoa os jovens que zombavam dele e, em seguida, duas ursas saem do bosque e atacam quarenta e dois deles (2Rs 2.23–25).
Muitos leitores fazem perguntas legítimas:
* Eram apenas crianças fazendo brincadeira?
* O problema era chamarem Eliseu de “calvo”?
* Eliseu perdeu o controle e agiu por raiva?
* O castigo foi exagerado?
* Esse episódio pode ter influenciado Tiago e João quando quiseram fazer descer fogo do céu sobre os samaritanos?
* E mais: quando Jesus repreendeu os discípulos, aquela repreensão não se aplicaria também a Eliseu?
São perguntas importantes. E, quando perguntas sinceras surgem, elas merecem respostas igualmente sinceras. Às vezes textos difíceis parecem contraditórios quando lidos isoladamente. Porém, quando ampliamos o olhar e observamos o contexto bíblico mais amplo, as peças começam a se encaixar.
O que realmente aconteceu com Eliseu?
O texto diz:
“Então Eliseu subiu dali para Betel; e, indo ele pelo caminho, uns rapazes saíram da cidade, zombavam dele e diziam: ‘Sobe, calvo! Sobe, calvo!’ Então Eliseu se virou para trás, olhou para eles e os amaldiçoou em nome do Senhor. Então duas ursas saíram do bosque e despedaçaram quarenta e dois daqueles rapazes.” (2Rs 2.23–24, NAA)
Lendo rapidamente, alguém pode imaginar a seguinte cena: algumas crianças brincam com um homem careca, ele se irrita, amaldiçoa os meninos e Deus responde enviando duas ursas.
Mas provavelmente não foi isso que aconteceu.
Eram crianças pequenas?
Essa é uma das primeiras impressões que muitas pessoas têm ao ler o texto. Entretanto, a expressão hebraica usada ali não exige que sejam crianças pequenas.
Ela pode se referir a jovens, adolescentes ou rapazes. O mesmo termo é usado para José quando tinha cerca de dezessete anos (Gn 37.2). Além disso, estamos falando de pelo menos quarenta e dois envolvidos. Isso parece mais um grupo grande e hostil do que algumas crianças fazendo travessuras.
Talvez devamos imaginar algo mais próximo de uma multidão de jovens debochando, cercando e intimidando o profeta.
O problema era a palavra “calvo”?
Muito provavelmente não.
À primeira vista parece apenas uma zombaria relacionada à aparência física, mas a questão parece ser mais profunda.
Eles gritavam:
“Sobe, calvo! Sobe, calvo!”
No contexto imediato, Elias havia acabado de ser levado ao céu (2Rs 2.11). É possível que a expressão “sobe” fosse uma referência direta a esse acontecimento.
Em outras palavras, poderiam estar dizendo algo semelhante a:
“Se Elias subiu, você também pode subir.”
“Desapareça daqui.”
“Vá embora.”
Talvez a ideia seja ainda mais forte:
“Não queremos você aqui.”
Portanto, a questão parece ultrapassar uma simples brincadeira sobre aparência. O alvo não era apenas Eliseu; era sua autoridade como profeta de Deus.
E por que Betel aparece na história?
Esse detalhe não é insignificante.
Betel havia se tornado um centro de idolatria depois da divisão do reino. Foi ali que Jeroboão estabeleceu um dos bezerros de ouro (1Rs 12.28–33).
A cidade havia se tornado símbolo de rebelião espiritual.
Eliseu não estava entrando num ambiente neutro. Ele estava entrando num lugar conhecido por resistência à verdadeira adoração.
Isso ajuda a explicar a hostilidade.
Eliseu agiu por vingança?
O texto não transmite essa ideia.
Ele:
“os amaldiçoou em nome do Senhor.”
Isso é importante.
O texto não diz que Eliseu perdeu a paciência, explodiu emocionalmente ou procurou vingança pessoal.
No Antigo Testamento, o profeta não era simplesmente um pregador ou líder religioso. Ele falava como representante de Deus para a nação.
Rejeitar o profeta significava rejeitar aquele que o havia enviado.
O que aconteceu com os quarenta e dois?
O texto afirma que as ursas os “despedaçaram”.
A palavra hebraica utilizada pode significar rasgar, ferir gravemente ou mutilar. O texto não está preocupado em detalhar quantos morreram ou exatamente como aconteceu.
Seu foco principal parece ser outro: mostrar a seriedade do juízo divino e confirmar publicamente a autoridade do novo profeta que sucederia Elias.
Esse episódio pode ter influenciado Tiago e João?
Parece bastante possível.
Em Lucas 9, Jesus foi rejeitado por uma aldeia samaritana. A reação dos discípulos foi imediata:
“Senhor, quer que mandemos descer fogo do céu para os consumir?” (Lc 9.54)
Essa pergunta não surgiu do nada.
Tiago e João eram judeus que conheciam as Escrituras. Eles possuíam exemplos claros na memória.
Elias havia feito descer fogo do céu sobre soldados enviados pelo rei (2Rs 1.10–12).
Eliseu havia exercido juízo sobre aqueles que desprezaram a autoridade profética (2Rs 2.23–25).
Além disso, pouco antes, eles tinham visto Elias na transfiguração (Lc 9.28–36).
Talvez a lógica fosse:
“Se Deus julgou os que resistiram aos seus servos no passado, por que não agora?”
Humanamente falando, a reação deles não parece tão estranha.
Então Jesus estava corrigindo Eliseu?
Aqui chegamos ao ponto mais delicado.
Jesus os repreendeu.
Alguns manuscritos acrescentam:
“Porque o Filho do Homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los.”
A pergunta inevitável é:
Se Jesus repreendeu os discípulos, ele também teria repreendido Eliseu?
Creio que precisamos responder com cautela.
Jesus não estava negando a realidade do juízo divino. O próprio Jesus falou inúmeras vezes sobre juízo futuro.
O problema não era:
“Não existe juízo.”
O problema era:
“Vocês querem executar o juízo agora.”
Existe uma diferença importante entre as duas situações.
Eliseu atuava dentro da antiga aliança, numa nação teocrática, como profeta autorizado por Deus.
Já Tiago e João estavam reagindo à rejeição de uma aldeia.
Observe a diferença:
Eliseu age “em nome do Senhor”.
Os discípulos perguntam:
“Quer que mandemos…?”
Parece haver um elemento de indignação pessoal na reação deles.
A Bíblia não se contradiz; ela revela progressivamente o propósito de Deus
Talvez aqui esteja a chave para entender a questão.
As Escrituras revelam um desenvolvimento do plano de Deus sem contradição.
Na primeira vinda de Cristo, a ênfase não era executar juízo imediato, mas abrir uma porta de graça.
Jesus disse:
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho…” (Jo 3.16)
E também:
“Porque Deus enviou o Filho ao mundo não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.” (Jo 3.17)
Isso não significa que o juízo desapareceu.
Significa que havia um propósito específico naquele momento: oferecer arrependimento antes da condenação.
E talvez a evidência mais bonita disso apareça depois.
Os samaritanos que foram rejeitados em Lucas reaparecem em Atos:
“Quando os apóstolos em Jerusalém ouviram que Samaria havia recebido a palavra de Deus…” (At 8.14)
Os mesmos que alguns discípulos talvez quisessem consumir com fogo se tornaram receptores do evangelho.
A graça adiou o juízo para criar oportunidade de arrependimento.
Conclusão
O episódio de Eliseu não retrata um homem irritado porque zombaram de sua aparência.
Também não encontramos Jesus condenando os profetas do Antigo Testamento.
O que vemos é algo mais profundo.
Vemos um Deus que leva a sério a rejeição consciente de sua Palavra, mas também um Deus que, em Cristo, estende misericórdia antes do juízo.
(Autor Bispo José Ildo Swartele de Mello)