EvangelizaçãoAula 1

Por que evangelizar?

“Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que ordenei a vocês.”Mateus 28.19-20 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Mt 28.16-20; At 1.6-8; Rm 10.9-17; 2Co 5.14-21

Perguntas norteadoras

Três perguntas antes de começar

Este curso não começa por técnicas. Começa por convicções — porque o que trava a evangelização quase nunca é falta de método.

1

Evangelizar é tarefa de quem?

De pastores, missionários e de quem “tem o dom”? Ou de todo cristão, sem exceção?

2

O que exatamente anunciamos?

Um convite religioso, uma promessa de vida melhor — ou uma notícia sobre um Rei que morreu, ressuscitou e reina?

3

Por que tanta gente trava?

Falta treinamento, ou falta outra coisa? A aula inteira se dirige a essa pergunta.

Tese da aula: método sem amor produz constrangimento; amor sem mensagem produz uma simpatia inofensiva, que não salva ninguém. A Grande Comissão pede as duas coisas ao mesmo tempo — uma mensagem clara na boca de gente que ama de verdade.

Parada 1

A ordem que não caducou

Os quatro evangelhos e Atos registram a mesma comissão, cada um com uma ênfase. Lidos juntos, formam o mandato completo da Igreja.

Mateus 28.18-20

Autoridade e discipulado

“Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações.” No grego, o único imperativo é façam discípulos; ir, batizar e ensinar dizem como se faz. Evangelizar, portanto, não termina numa decisão — termina numa vida ensinada a obedecer.

Marcos 16.15

Alcance

“Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas.” Não há região neutra, nem povo dispensado, nem vizinho fora do alcance.

Lucas 24.46-48

Conteúdo

O que se prega tem conteúdo definido: o Cristo que padeceu e ressuscitou, e que em seu nome se pregasse arrependimento para perdão de pecados. Sem arrependimento e perdão, a mensagem deixou de ser o evangelho.

João 20.21

Método

“Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês.” O método é a encarnação: aproximar-se, conviver, servir. Jesus não pregou dos altos céus; desceu, andou, comeu com pecadores.

Atos 1.8

Poder e geografia

“Vocês receberão poder ao descer sobre vocês o Espírito Santo, e serão minhas testemunhas.” Jerusalém, Judeia, Samaria, confins da terra: começa onde você está — e não para onde você se sente confortável.

Parada 2

O que é, afinal, evangelizar

Evangelizar é comunicar as boas novas de Jesus Cristo a todas as pessoas, em obediência ao mandato de fazer discípulos (Mt 28.18-20). É anunciar que Deus oferece perdão, reconciliação e vida eterna por meio de Cristo (Jo 3.16). O Novo Testamento descreve essa mesma tarefa por vários ângulos.

1

Proclamar o evangelho

Alguém precisa falar. “Como crerão naquele de quem nada ouviram?” (Rm 10.14-15; 2Tm 2.2).

2

Testemunhar de Cristo

Contar o que se viu e recebeu, prontos para responder a quem pergunta (At 1.8; 1Pe 3.15).

3

Semear a Palavra

Espalhar a semente sabendo que nem todo terreno responde igual (Mc 4.14-20).

4

Promover a reconciliação

Deus reconciliou o mundo consigo em Cristo e nos confiou a palavra da reconciliação (2Co 5.18-19).

5

Ser embaixador

Falamos em nome de outro: a mensagem não é nossa e a autoridade não é nossa — a responsabilidade de entregá-la é (2Co 5.20).

6

Ser luz no mundo

Vida visível, que leva as pessoas a glorificarem o Pai (Mt 5.14-16).

7

Proclamar libertação

“Se o Filho os libertar, vocês serão de fato livres” (Jo 8.36).

8

Chamar ao arrependimento

Deus “ordena a todas as pessoas, em todos os lugares, que se arrependam” (At 17.30; Mc 1.15; At 2.38).

Evangelizar não se resume a cumprir uma ordenança bíblica: é participar ativamente do plano redentor de Deus para a humanidade.

Parada 3

Palavras e ações

A pergunta “evangelizar é falar ou é viver?” é mal formulada. O Novo Testamento não conhece essa separação.

Palavras

Testemunho pessoal. Ensino das Escrituras. Explicação de quem é Jesus, do que Ele fez na cruz e de por que todos precisamos de salvação.

Ações

Práticas de amor. Serviço. Hospitalidade. Demonstração de que o evangelho produz transformação real no coração de quem crê (Tg 2.14-17).

Nosso papel é falar e viver o que anunciamos, orando para que Deus abra o coração das pessoas. Cooperamos com o Espírito Santo, que convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8).

O que nos falta mesmo é amor pelo perdido, e não mais técnicas de evangelismo e relacionamento. De que adiantam as técnicas para abordar pessoas sem o amor por elas? As pessoas querem ver Cristo em nós, e não somente ouvir de nós sobre Cristo.

Parada 4

Cinco motivos para evangelizar

Motivação errada cansa rápido. Vale saber por que fazemos o que fazemos.

Motivo 1

Por obediência

A ordem foi dada por Aquele que tem toda a autoridade (Mt 28.18). Não é sugestão para os entusiasmados; é mandato para a Igreja.

Motivo 2

Por amor às pessoas

“Pois o amor de Cristo nos constrange” (2Co 5.14). Quem ama não fica calado a respeito daquilo que salva.

Motivo 3

Por gratidão

Recebemos de graça (Mt 10.8). Reter a boa notícia depois de tê-la recebido é uma contradição prática.

Motivo 4

Pela condição real de quem está sem Cristo

A Bíblia não trata a incredulidade como preferência inofensiva: quem rejeita o Filho permanece sob juízo (Jo 3.18,36). Entre cristãos fiéis há leituras diferentes sobre a natureza desse juízo — uns o entendem como tormento consciente e eterno, outros como destruição final. O que a Escritura afirma sem ambiguidade é que o juízo é real, justo e proporcional (Lc 12.47-48), e que a salvação é recebida pela fé em Cristo (Jo 14.6; At 4.12; Rm 10.9). Não nos cabe medir a pena; cabe-nos anunciar o Salvador enquanto há tempo.

Motivo 5

Pela glória de Deus

O fim último da missão não é o crescimento da igreja, e sim o nome de Deus honrado entre os povos (Sl 96.3; Ap 7.9-10).

E não esqueça a alegria. “Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!” (Rm 10.15). Quem semeia com lágrimas colherá com alegria (Sl 126.5-6), e cada conversão provoca festa no céu (Lc 15.7). Ver vidas transformadas fortalece a própria fé de quem anuncia — o evangelista é o segundo a ser abençoado em cada conversa.

Parada 5

Urgência e amor

As duas coisas costumam ser tratadas como opostas. Não são: a urgência sem amor atropela; o amor sem urgência adia para sempre.

Doutrina correta é importante, claro. Mas uma ortodoxia fria nunca ganhou ninguém para Cristo. A verdade precisa ser dita em amor. As pessoas não se importam com o quanto nós sabemos até perceberem o quanto nós nos importamos com elas.

Jesus tocava os intocáveis. Comia com os pecadores. Construía pontes, e não muros. Às vezes um ato de bondade, um ouvido atento ou uma mão estendida falam muito mais alto do que um tratado teológico inteiro. Nossa missão é amar as pessoas até a cruz — conduzi-las, com paciência, até Jesus.

Aplicação

Obediência antes do sentimento

Não espere um sentimento extraordinário para começar a obedecer. Na vida cristã, muitas vezes a obediência vem antes do sentimento. A ordem de Jesus já foi dada: “Vão”. O que está faltando não é oportunidade — são trabalhadores dispostos (Mt 9.37-38).

Mt 9.37-38

Que a sua oração hoje seja simples: “Senhor, aqui estou. Usa a minha vida. Começa hoje, onde eu estou, com o que eu tenho nas mãos.”

Parada 6

O que nos trava — e o que a Bíblia responde

Quatro objeções que ouvimos de irmãos sinceros, e que provavelmente já fizemos a nós mesmos.

1“Não tenho o dom de evangelista.”confunde dom com mandato+

Correto — nem todos têm. O dom de evangelista é dado a alguns (Ef 4.11). Mas o testemunho é tarefa de todos: “vocês serão minhas testemunhas” (At 1.8) foi dito à igreja inteira, não a uma categoria. Na igreja primitiva não havia distinção entre ministros de tempo integral e leigos quanto à responsabilidade de difundir o evangelho; os principais instrumentos da expansão do cristianismo foram homens e mulheres que viviam de maneira totalmente secular e falavam da sua fé a quem encontravam no cotidiano.

2“Tenho medo de ser rejeitado.”supõe que o resultado depende de nós+

O medo é honesto e quase universal. Mas ele costuma revelar uma expectativa equivocada: a de que o resultado depende de nós. Quem convence do pecado é o Espírito (Jo 16.8); quem abre o coração é Deus (At 16.14). Nossa parte é semear com fidelidade e amor — e a semente cai em terrenos diferentes (Mc 4.14-20). Além disso, boa parte da rejeição que tememos nasce de abordagens sem relacionamento. Onde há amizade real, a conversa quase sempre é bem recebida.

3“Não sei o que dizer nem como responder.”tem remédio: preparo com mansidão+

Você sabe mais do que pensa: sabe o que Deus fez na sua vida, e ninguém pode contestar isso. Comece por aí. Depois, aprenda: “estejam sempre preparados para responder a todo aquele que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês” (1Pe 3.15) — o mesmo texto acrescenta “com mansidão e temor”. Preparo e mansidão andam juntos. As Aulas 5 e 8 deste curso tratam exatamente disso.

4“Minha vida não é exemplo suficiente.”meia verdade, com remédio errado+

Se o critério fosse vida perfeita, ninguém evangelizaria — o próprio Paulo se declarou o principal dos pecadores (1Tm 1.15). O testemunho cristão não é “sou melhor que você”, e sim “fui alcançado por graça, e ela está disponível para você”. Dito isso, a objeção guarda uma verdade: incoerência grave fecha portas. Não é razão para calar; é razão para buscar santidade de coração e vida.

5“Não tenho tempo.”quase sempre é questão de prioridade+

Paulo exorta a “remir o tempo, porque os dias são maus” (Ef 5.15-16) — administrar bem o tempo é alinhá-lo à vontade de Deus. Na prática, a evangelização acontece em oportunidades simples do dia a dia, sem exigir grandes intervalos adicionais: a conversa no trabalho, a fila do mercado, a mensagem que você já ia mandar. Se realmente não temos tempo para anunciar as Boas Novas, é preciso reavaliar prioridades — porque o tempo que falta para isso está sendo gasto em outra coisa.

6“Não faz parte das minhas prioridades.”a mais honesta das quatro+

Ao menos é sincera. Mas a Grande Comissão é um mandamento, não uma sugestão (Mt 28.19-20). E Jesus ensina a buscar primeiro o Reino de Deus (Mt 6.33) — evangelizar faz parte dessa busca. Vale examinar onde está o nosso tesouro, porque ali estará o nosso coração (Mt 6.21). Evangelizar não é um item opcional da agenda cristã: é parte do nosso relacionamento com o Senhor e do serviço ao próximo.

Parada 7

Nota wesleyana: por que isso é assunto de todo membro

O metodismo nasceu do encontro entre um evangelho anunciado a todos e uma igreja que capacitou os leigos a anunciá-lo.

A Reforma ergueu a bandeira do sacerdócio universal de todos os crentes, mas, na prática, o clericalismo continuou prevalecendo. Wesley também começou resistindo: era contra a pregação leiga, e comparava o caso ao de alguém de fora da tribo de Levi ministrando ao altar. O número de convertidos, porém, cresceu tanto que ele precisou de auxiliares.

Quanto mais os críticos escarneciam da origem humilde e da instrução insuficiente daqueles primeiros pregadores leigos, mais se evidenciava a grandeza do trabalho deles: bêbados tornados homens sóbrios, ladrões tornados homens honestos, prostitutas tornadas mulheres castas. Uma igreja pastorcêntrica acaba deixando de ser cristocêntrica. Cristo reparte dons, promovendo a democratização do ministério — afirmar o sacerdócio universal não é dizer que todos são pastores, e sim que ninguém é dispensado da missão.

Guarde esta frase para o resto do curso: Wesley jamais evangelizava uma pessoa para abandoná-la à própria sorte, à mercê do inimigo. Ele exortava seus auxiliares: “não ousem pregar sem organizar novas classes”. Evangelização e discipulado eram a mesma obra. Voltaremos a isso nas Aulas 10 e 11.

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.

0 de 5

Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

Quem são as três pessoas mais próximas de você que ainda não conhecem a Cristo — e o que, de fato, tem impedido você de falar com elas?Ver resposta sugerida
Escreva os nomes antes de responder; a pergunta muda quando deixa de ser abstrata. Sobre o que impede: costuma ser uma destas quatro coisas — medo da reação, vergonha de alguma incoerência, desconhecimento do que dizer, ou simplesmente ausência de convivência. Cada uma tem um remédio diferente. Medo se enfrenta com oração e com a certeza de que o resultado é obra do Espírito (Jo 16.8). Vergonha se trata com arrependimento, não com silêncio. Desconhecimento se resolve com preparo (1Pe 3.15). Falta de convivência se resolve abrindo a agenda e a casa. Note que nenhum desses remédios é uma técnica de abordagem — todos são decisões de vida.
Alguém lhe diz: “respeito sua fé, mas acho invasivo querer converter os outros”. Como responder com mansidão?Ver resposta sugerida
Primeiro, concorde com o que há de justo na objeção: abordagens que ignoram a pessoa, que constrangem em público ou que tratam gente como alvo de estatística são invasivas, e a Igreja tem razões para pedir desculpas por elas. Depois, distinga: falar do que a gente crê não é invadir; invadir é não aceitar o não. Você pode perguntar: “se você descobrisse a cura de uma doença grave, guardaria segredo por educação?” — a analogia costuma abrir a conversa. Acrescente que a fé cristã não admite conversão forçada: a salvação é recebida pela fé, e fé não se impõe, se oferece (Rm 10.9-10). Termine com um convite, não com uma defesa: “posso te contar em cinco minutos o que mudou na minha vida?”. Tudo isso “com mansidão e temor” (1Pe 3.15).

Para casa e próxima aula

Tarefas

1) Fazer a sua lista de oikos: de cinco a dez nomes de pessoas com quem você já tem contato real e que ainda não conhecem a Cristo — vizinhos, colegas, parentes. Comece a orar por elas todos os dias, pelo nome. 2) Escrever em meia página, com as suas palavras, o que é o evangelho, como se estivesse explicando a um vizinho que nunca entrou numa igreja. Traga na Aula 2.

Aula 2

O evangelho que anunciamos: o conteúdo da mensagem. O que é notícia e o que é opinião, o núcleo cristocêntrico da pregação apostólica e os atalhos que mutilam o evangelho. Ir para a Aula 2 →

Curso de Evangelização · Igreja Metodista Livre do Brasil. Texto redigido com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello.