Quais são os principais fatores que os mantêm distantes?
Falta de informação, resistência espiritual, ou algo que nós mesmos produzimos?
“Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte.”Mateus 5.14 · NAA
Perguntas norteadoras
Por que, após tantos esforços e tentativas de evangelização, são ainda tantos os parentes, amigos e conhecidos que continuam indiferentes ao Evangelho?
Falta de informação, resistência espiritual, ou algo que nós mesmos produzimos?
Não a que gostaríamos que tivessem. A que de fato têm.
Há obstáculos que não controlamos. E há vários que estão inteiramente nas nossas mãos.
Tese da aula: os obstáculos à evangelização se dividem em três grupos — os que vêm do evangelho em si e não devem ser removidos, os que vêm da cultura e precisam ser compreendidos, e os que nós mesmos criamos e precisam ser confessados. Confundir os três é a receita para ou diluir a mensagem ou culpar o mundo pelo que é culpa nossa.
Parada 1
Michael Green começa o seu estudo sobre a igreja primitiva não pelas dificuldades, e sim pelas portas que Deus abriu naquela geração. Vale começar igual.
Caminho 1
Império unificado, estradas seguras, trânsito livre de pessoas e ideias. A infraestrutura do Império virou infraestrutura da missão.
Caminho 2
Uma língua franca, um vocabulário filosófico pronto, termos teológicos disponíveis — e uma busca real por monoteísmo entre os pensadores.
Caminho 3
A religiosidade popular estava viva e insatisfeita. Havia fome espiritual, ainda que mal orientada.
Caminho 4
A diáspora, as sinagogas, as Escrituras traduzidas, o monoteísmo, a ética elevada e a ênfase na conversão. O evangelho encontrou terreno arado.
A pergunta para nós
Liberdade religiosa garantida em lei. Uma cultura de fundo cristão, em que quase todos já ouviram falar de Jesus. Bíblias acessíveis e traduções modernas. Alcance digital que nenhuma geração teve. Uma população que reconhece a existência de Deus com facilidade. Antes de reclamar do que está fechado, convém ver o que está aberto — e quanto disso a gente não usa.
Cl 4.3
Parada 2
Green organiza em cinco grupos aquilo que os primeiros cristãos enfrentaram. A lista é surpreendentemente atual.
Os cristãos eram acusados de incendiários, anti-sociais, depravados, canibais — e adoradores de um criminoso crucificado. Foram perseguidos e martirizados por isso. Eram acusados de ateísmo, por não cultuarem os deuses comuns, o que era considerado crime; de incesto e canibalismo, por causa da linguagem mal compreendida do amor fraternal e da Ceia; e de deslealdade política ao senhorio de César, por confessarem outro Senhor. Repare que a maior parte disso era calúnia — e mesmo assim custou vidas.
As expectativas messiânicas apontavam para um libertador político; o título Cristo aplicado a um carpinteiro crucificado era maldição, vergonha e derrota (Dt 21.23). Some-se o problema do monoteísmo judaico diante da divindade de Jesus, e discípulos iletrados como porta-vozes. Havia ainda a própria igreja como pedra de tropeço: a eclesiologia sem templo (At 7.46-50), o abandono da circuncisão, do sábado, das festas e das leis alimentares.
Para o mundo greco-romano, o cristianismo era novidade — e novidade, em religião, era defeito. Era tido como superstição nociva, coisa da ralé da sociedade, e os cristãos eram socialmente marginalizados. A recusa do culto ao imperador era lida como sedição.
Para os cultos, era loucura afirmar que Deus revelou a sua sabedoria numa cruz — Paulo diz isso com todas as letras (1Co 1.23). Acrescente-se que os cristãos, em sua maioria, não eram cultos e pertenciam a classes sociais inferiores, o que reforçava o desprezo. Note que a igreja não removeu o escândalo: pregou-o.
A exigência de santidade, pureza e retidão custava caro: um convertido perdia negócios ligados a templos, laços familiares e posição social. Este é o único grupo de obstáculos que não deve ser removido — e que ainda hoje afasta gente, com razão. O evangelho pede a vida inteira.
Guarde a distinção: os grupos 1 a 3 são preconceito e mal-entendido, e devem ser desfeitos com paciência e boa vida. O grupo 4 é o escândalo da cruz, que não se remove sem perder o evangelho. O grupo 5 é o custo do discipulado, que deve ser dito com clareza desde o começo.
Parada 3
A situação é bastante complexa. A seguir, os principais impedimentos à evangelização no contexto brasileiro.
Impedimento 1
Vivemos num país que não é de formação protestante. Como minoria, sempre fomos discriminados e enfrentamos muitas dificuldades para evangelizar. Existem muitos preconceitos em relação aos “crentes”, palavra usada em sentido pejorativo. Somos alvos de piadas contadas em toda parte, a começar pelos principais programas humorísticos de TV e rádio. O país está saturado de propaganda anti-evangélica.
Impedimento 2
Como se não bastassem os preconceitos, surgiram nos últimos tempos escândalos incontáveis e de todos os tipos: mercenários que se valem do nome de pastor, aproveitadores que de pastores só têm o nome, enganadores interessados em dinheiro. O estrago é duplo: fecha portas para quem é honesto e dá razão a quem já desconfiava.
Impedimento 3
O evangelho anunciado como troca comercial — barganha, promessa de retorno financeiro, venda de objetos. Quem está de fora não distingue as igrejas entre si: vê um bloco só, e conclui que religião é negócio.
Impedimento 4
A identificação da igreja com projetos partidários fez com que, para muita gente, aceitar a Cristo passasse a significar entrar numa trincheira política. Perdemos o direito de ser ouvidos por metade do país sem termos dito uma palavra sobre Jesus.
Impedimento 5
Não é hostilidade, é desinteresse. A absolutização do tempo presente e daquilo que ele oferece — bens de consumo, dinheiro, poder, êxito — condiciona as pessoas a buscarem realização nas “coisas desejáveis” da vida. Não é que discordem do evangelho: é que a pergunta que ele responde deixou de ser feita.
Impedimento 6
Muita gente já se considera cristã, tem uma imagem em casa e reza — e por isso não vê motivo para ouvir. É o obstáculo mais silencioso: não há oposição, há a convicção de que o assunto já está resolvido.
Parada 4
Estes doem mais, porque estão inteiramente ao nosso alcance. Jesus dedicou Mateus 23 inteiro a eles.
“Eles dizem e não fazem” (Mt 23.3). Nenhuma campanha repara o dano de uma vida contraditória conhecida no bairro ou no trabalho.
“Vocês fecham o Reino dos céus diante das pessoas” (Mt 23.13). Exigências que Deus não fez, linguagem que ninguém entende, cultura interna impenetrável.
“Percorrem o mar e a terra para fazer um prosélito e, quando o conseguem, o tornam filho do inferno em dobro” (Mt 23.15). Evangelizar para a nossa subcultura, e não para Cristo.
Anos de conversão e nenhum amigo de fora. A Aula 3 já tratou disso: onde não há convivência, não há evangelização possível.
O tom de quem já chegou falando com quem está perdido. Quem foi salvo de graça não tem do que se gabar (Ef 2.8-9) — e o tom entrega a teologia.
Jesus ligou a credibilidade do testemunho à unidade: “para que todos sejam um… a fim de que o mundo creia” (Jo 17.21). Igreja brigada prega contra si mesma.
Parada 5
Nada aqui é rápido. Reputação se perde num escândalo e se reconstrói em uma década de vida boa.
1
Contas abertas, prestação pública, nada de constrangimento financeiro no culto. Paulo cuidava para que ninguém pudesse censurá-lo na administração das ofertas, procurando o que é honesto “não somente diante do Senhor, mas também diante das pessoas” (2Co 8.20-21).
2
A igreja que serve o bairro sem contar frequência e sem cobrar presença desmonta a acusação de que religião é negócio. Sirva também a quem nunca vai se converter.
3
Quando o assunto for escândalo alheio, não defenda o indefensável e não use o momento para atacar outra igreja. “Isso é um escândalo mesmo, e me envergonha. Não é isso que a Bíblia ensina — quer ver o que ela diz?” Esse é o caminho: reconhecer, distinguir, redirecionar.
4
Cristãos presentes na escola, no condomínio, no sindicato, na associação de bairro — não para dominar, e sim para servir. É assim que o preconceito morre: pela convivência, não pelo argumento.
5
“Para que o mundo creia” (Jo 17.21). Reconciliar-se com o irmão da sua própria igreja é ação evangelística — ainda que ninguém de fora veja, porque o clima da comunidade transparece.
E o que não se remove: a cruz continuará sendo escândalo e loucura para quem se perde (1Co 1.18,23), e a santidade continuará custando caro. Aí não há estratégia a corrigir. Há fidelidade a manter.
Fixação
Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.
Avaliação
Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.
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Para pensar e conversar
Tarefas
1) Listar, em três colunas, os obstáculos que a sua igreja enfrenta no bairro: preconceito, escândalo da cruz e culpa nossa. Escolher um item da terceira coluna e propor uma ação concreta ao pastor ou ao conselho. 2) Anotar, durante a semana, todas as objeções que você ouvir de pessoas reais — elas serão o material da Aula 8.
Aula 8
Objeções e respostas: sofrimento, exclusividade de Cristo, ciência e fé, hipocrisia da igreja — como responder com mansidão e temor, sem vencer o argumento e perder a pessoa. Ir para a Aula 8 →
Curso de Evangelização · Igreja Metodista Livre do Brasil. Texto redigido com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello.