EvangelizaçãoAula 7

Obstáculos à evangelização

“Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte.”Mateus 5.14 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Mt 5.13-16; Mt 23.1-28; 2Co 2.14-17; 1Co 1.18-25

Perguntas norteadoras

Três perguntas antes de começar

Por que, após tantos esforços e tentativas de evangelização, são ainda tantos os parentes, amigos e conhecidos que continuam indiferentes ao Evangelho?

1

Quais são os principais fatores que os mantêm distantes?

Falta de informação, resistência espiritual, ou algo que nós mesmos produzimos?

2

Que imagem os que estão fora têm da igreja?

Não a que gostaríamos que tivessem. A que de fato têm.

3

O que podemos fazer para reverter esse quadro?

Há obstáculos que não controlamos. E há vários que estão inteiramente nas nossas mãos.

Tese da aula: os obstáculos à evangelização se dividem em três grupos — os que vêm do evangelho em si e não devem ser removidos, os que vêm da cultura e precisam ser compreendidos, e os que nós mesmos criamos e precisam ser confessados. Confundir os três é a receita para ou diluir a mensagem ou culpar o mundo pelo que é culpa nossa.

Parada 1

Antes dos obstáculos, os caminhos

Michael Green começa o seu estudo sobre a igreja primitiva não pelas dificuldades, e sim pelas portas que Deus abriu naquela geração. Vale começar igual.

Caminho 1

A paz romana

Império unificado, estradas seguras, trânsito livre de pessoas e ideias. A infraestrutura do Império virou infraestrutura da missão.

Caminho 2

A cultura grega

Uma língua franca, um vocabulário filosófico pronto, termos teológicos disponíveis — e uma busca real por monoteísmo entre os pensadores.

Caminho 3

As seitas entusiásticas

A religiosidade popular estava viva e insatisfeita. Havia fome espiritual, ainda que mal orientada.

Caminho 4

A religião judaica dispersa

A diáspora, as sinagogas, as Escrituras traduzidas, o monoteísmo, a ética elevada e a ênfase na conversão. O evangelho encontrou terreno arado.

Parada 2

Os obstáculos da igreja primitiva

Green organiza em cinco grupos aquilo que os primeiros cristãos enfrentaram. A lista é surpreendentemente atual.

1Preconceitos sociaisa fama que os precedia+

Os cristãos eram acusados de incendiários, anti-sociais, depravados, canibais — e adoradores de um criminoso crucificado. Foram perseguidos e martirizados por isso. Eram acusados de ateísmo, por não cultuarem os deuses comuns, o que era considerado crime; de incesto e canibalismo, por causa da linguagem mal compreendida do amor fraternal e da Ceia; e de deslealdade política ao senhorio de César, por confessarem outro Senhor. Repare que a maior parte disso era calúnia — e mesmo assim custou vidas.

2Obstáculos judaicosCristo como pedra de tropeço+

As expectativas messiânicas apontavam para um libertador político; o título Cristo aplicado a um carpinteiro crucificado era maldição, vergonha e derrota (Dt 21.23). Some-se o problema do monoteísmo judaico diante da divindade de Jesus, e discípulos iletrados como porta-vozes. Havia ainda a própria igreja como pedra de tropeço: a eclesiologia sem templo (At 7.46-50), o abandono da circuncisão, do sábado, das festas e das leis alimentares.

3Obstáculos greco-romanosuma superstição nova e prejudicial+

Para o mundo greco-romano, o cristianismo era novidade — e novidade, em religião, era defeito. Era tido como superstição nociva, coisa da ralé da sociedade, e os cristãos eram socialmente marginalizados. A recusa do culto ao imperador era lida como sedição.

4Objeções intelectuais“ridículo dizer que Deus mostrou sabedoria numa cruz”+

Para os cultos, era loucura afirmar que Deus revelou a sua sabedoria numa cruz — Paulo diz isso com todas as letras (1Co 1.23). Acrescente-se que os cristãos, em sua maioria, não eram cultos e pertenciam a classes sociais inferiores, o que reforçava o desprezo. Note que a igreja não removeu o escândalo: pregou-o.

5Pedras de tropeço éticas e sociaissantidade, pureza e retidão+

A exigência de santidade, pureza e retidão custava caro: um convertido perdia negócios ligados a templos, laços familiares e posição social. Este é o único grupo de obstáculos que não deve ser removido — e que ainda hoje afasta gente, com razão. O evangelho pede a vida inteira.

Guarde a distinção: os grupos 1 a 3 são preconceito e mal-entendido, e devem ser desfeitos com paciência e boa vida. O grupo 4 é o escândalo da cruz, que não se remove sem perder o evangelho. O grupo 5 é o custo do discipulado, que deve ser dito com clareza desde o começo.

Parada 3

Os obstáculos no Brasil de hoje

A situação é bastante complexa. A seguir, os principais impedimentos à evangelização no contexto brasileiro.

Impedimento 1

Preconceitos

Vivemos num país que não é de formação protestante. Como minoria, sempre fomos discriminados e enfrentamos muitas dificuldades para evangelizar. Existem muitos preconceitos em relação aos “crentes”, palavra usada em sentido pejorativo. Somos alvos de piadas contadas em toda parte, a começar pelos principais programas humorísticos de TV e rádio. O país está saturado de propaganda anti-evangélica.

Impedimento 2

Os escândalos

Como se não bastassem os preconceitos, surgiram nos últimos tempos escândalos incontáveis e de todos os tipos: mercenários que se valem do nome de pastor, aproveitadores que de pastores só têm o nome, enganadores interessados em dinheiro. O estrago é duplo: fecha portas para quem é honesto e dá razão a quem já desconfiava.

Impedimento 3

A mercantilização da fé

O evangelho anunciado como troca comercial — barganha, promessa de retorno financeiro, venda de objetos. Quem está de fora não distingue as igrejas entre si: vê um bloco só, e conclui que religião é negócio.

Impedimento 4

A politização da fé

A identificação da igreja com projetos partidários fez com que, para muita gente, aceitar a Cristo passasse a significar entrar numa trincheira política. Perdemos o direito de ser ouvidos por metade do país sem termos dito uma palavra sobre Jesus.

Impedimento 5

O secularismo e a indiferença

Não é hostilidade, é desinteresse. A absolutização do tempo presente e daquilo que ele oferece — bens de consumo, dinheiro, poder, êxito — condiciona as pessoas a buscarem realização nas “coisas desejáveis” da vida. Não é que discordem do evangelho: é que a pergunta que ele responde deixou de ser feita.

Impedimento 6

O sincretismo religioso

Muita gente já se considera cristã, tem uma imagem em casa e reza — e por isso não vê motivo para ouvir. É o obstáculo mais silencioso: não há oposição, há a convicção de que o assunto já está resolvido.

Parada 4

Os obstáculos que nós mesmos criamos

Estes doem mais, porque estão inteiramente ao nosso alcance. Jesus dedicou Mateus 23 inteiro a eles.

1

Incoerência

“Eles dizem e não fazem” (Mt 23.3). Nenhuma campanha repara o dano de uma vida contraditória conhecida no bairro ou no trabalho.

2

Fechar a porta

“Vocês fecham o Reino dos céus diante das pessoas” (Mt 23.13). Exigências que Deus não fez, linguagem que ninguém entende, cultura interna impenetrável.

3

Prosélito pior que antes

“Percorrem o mar e a terra para fazer um prosélito e, quando o conseguem, o tornam filho do inferno em dobro” (Mt 23.15). Evangelizar para a nossa subcultura, e não para Cristo.

4

Guetização

Anos de conversão e nenhum amigo de fora. A Aula 3 já tratou disso: onde não há convivência, não há evangelização possível.

5

Arrogância

O tom de quem já chegou falando com quem está perdido. Quem foi salvo de graça não tem do que se gabar (Ef 2.8-9) — e o tom entrega a teologia.

6

Divisão entre irmãos

Jesus ligou a credibilidade do testemunho à unidade: “para que todos sejam um… a fim de que o mundo creia” (Jo 17.21). Igreja brigada prega contra si mesma.

Parada 5

Como reverter o quadro

Nada aqui é rápido. Reputação se perde num escândalo e se reconstrói em uma década de vida boa.

1

Transparência que desarma

Contas abertas, prestação pública, nada de constrangimento financeiro no culto. Paulo cuidava para que ninguém pudesse censurá-lo na administração das ofertas, procurando o que é honesto “não somente diante do Senhor, mas também diante das pessoas” (2Co 8.20-21).

2

Serviço sem contrapartida

A igreja que serve o bairro sem contar frequência e sem cobrar presença desmonta a acusação de que religião é negócio. Sirva também a quem nunca vai se converter.

3

Distinguir sem atacar

Quando o assunto for escândalo alheio, não defenda o indefensável e não use o momento para atacar outra igreja. “Isso é um escândalo mesmo, e me envergonha. Não é isso que a Bíblia ensina — quer ver o que ela diz?” Esse é o caminho: reconhecer, distinguir, redirecionar.

4

Devolver o fermento à massa

Cristãos presentes na escola, no condomínio, no sindicato, na associação de bairro — não para dominar, e sim para servir. É assim que o preconceito morre: pela convivência, não pelo argumento.

5

Buscar a unidade visível

“Para que o mundo creia” (Jo 17.21). Reconciliar-se com o irmão da sua própria igreja é ação evangelística — ainda que ninguém de fora veja, porque o clima da comunidade transparece.

E o que não se remove: a cruz continuará sendo escândalo e loucura para quem se perde (1Co 1.18,23), e a santidade continuará custando caro. Aí não há estratégia a corrigir. Há fidelidade a manter.

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

Faça a lista dos obstáculos que a sua igreja local enfrenta no bairro. Quantos são preconceito, quantos são o escândalo da cruz e quantos são culpa nossa?Ver resposta sugerida
Faça a coluna dos três tipos antes de responder — a separação já é metade do trabalho. Preconceito e mal-entendido (a fama de “crente chato”, a piada de TV, a suspeita de fanatismo) se desfaz com convivência e com vida boa, nunca com discurso defensivo. O escândalo da cruz (a exigência de arrependimento, a exclusividade de Cristo, o custo do discipulado) não se remove sem perder o evangelho — e se você tentar suavizá-lo para agradar, terminará com uma igreja simpática e vazia de conteúdo. Culpa nossa (incoerência conhecida, brigas internas, linguagem impenetrável, guetização, arrogância, algum episódio financeiro mal explicado) é o único grupo que depende só de nós. Comece por ele, e comece pelo mais concreto: se houver um caso específico que o bairro comenta, trate dele. Uma igreja que confessa o próprio erro ganha um crédito que nenhuma campanha compra.
No trabalho, alguém diz: “vocês evangélicos só querem dinheiro, é tudo igual”. Como responder sem ser defensivo nem desleal com outros cristãos?Ver resposta sugerida
Comece pela concordância, e ela precisa ser sincera: “boa parte do que você viu é verdade, e me envergonha”. Negar o óbvio destrói a sua credibilidade em dois segundos; reconhecer abre a conversa. Em seguida, ofereça um critério em vez de uma defesa: “o teste é simples — se alguém prega que Deus dá dinheiro em troca de oferta, está vendendo outra coisa. Jesus não tinha onde reclinar a cabeça (Mt 8.20) e mandou os discípulos darem de graça o que de graça receberam (Mt 10.8)”. Note que isso distingue sem atacar: você critica a prática, não faz campanha contra outra igreja pelo nome — e essa contenção é percebida como honestidade. Depois, convide para verificar: “vem visitar a nossa; as contas são abertas e não se pede dinheiro a visitante”. Se a sua igreja não puder receber esse convite com tranquilidade, o problema deixou de ser o interlocutor. Feche redirecionando para o essencial: “mas o que eu queria mesmo te contar não é sobre igreja, é sobre Jesus — posso?”.

Para casa e próxima aula

Tarefas

1) Listar, em três colunas, os obstáculos que a sua igreja enfrenta no bairro: preconceito, escândalo da cruz e culpa nossa. Escolher um item da terceira coluna e propor uma ação concreta ao pastor ou ao conselho. 2) Anotar, durante a semana, todas as objeções que você ouvir de pessoas reais — elas serão o material da Aula 8.

Aula 8

Objeções e respostas: sofrimento, exclusividade de Cristo, ciência e fé, hipocrisia da igreja — como responder com mansidão e temor, sem vencer o argumento e perder a pessoa. Ir para a Aula 8 →

Curso de Evangelização · Igreja Metodista Livre do Brasil. Texto redigido com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello.