É bíblica e explícita
Não precisa ser deduzida. Está em Cl 3.10, Ef 4.24, 2Co 3.18 e Rm 8.29, com essas palavras.
“Pois aqueles que Deus de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho.”Romanos 8.29 · NAA
Escolha de método
Entre todas as maneiras de descrever a santificação, há uma que me parece superior às demais, e era o modo preferido de Wesley: a santificação entendida como renovação da imagem de Deus no ser humano.
Não precisa ser deduzida. Está em Cl 3.10, Ef 4.24, 2Co 3.18 e Rm 8.29, com essas palavras.
A salvação não é um plano B improvisado, mas a restauração do propósito original.
A imagem se expressa em caráter e em conduta, e por isso a categoria não permite separar as duas coisas.
A imagem de Deus inclui a capacidade de relacionamento, e por isso a santificação nunca é assunto privado.
Base bíblica
O novo ser humano “se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou”.
Cl 3.10
“Revistam-se da nova natureza, criada segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.”
Ef 4.24
“Somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.”
2Co 3.18
“Predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho.”
Rm 8.29
O versículo de 2 Coríntios merece atenção especial. O verbo está na voz passiva: a transformação nos acontece enquanto contemplamos, e não é obra que produzamos. E a expressão “de glória em glória” indica um percurso sem ponto final anunciado nesta vida.
Finalidade
“Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele.”Efésios 1.4
Qual é o destino que Deus estabeleceu para os que estão em Cristo? Serem semelhantes a Jesus. Não simplesmente escaparem do juízo; serem conformados à imagem do Filho.
A eleição não tem como propósito apenas levar pessoas ao céu. O seu propósito é formar um povo santo, irrepreensível e semelhante a Cristo. Aqui a leitura wesleyana difere da leitura reformada popular: não discutimos a extensão ou a condição da eleição, e sim a sua finalidade. E a finalidade declarada nos textos é a santidade.
Distinção clássica
Incomunicáveis
A onipotência, a onisciência, a onipresença. Ninguém jamais será onipotente, e a ideia de imitar Deus nesses aspectos é a própria definição da tentação original: “vocês serão como Deus”.
Gn 3.5
Comunicáveis
O amor, a justiça, a misericórdia, a fidelidade, a santidade moral. É nestes que a Escritura nos manda ser imitadores de Deus.
Ef 5.1
Este último versículo, aliás, tem peso no debate sobre Romanos 7, que veremos na Aula 10. Um homem que se descreve como “carnal, vendido à escravidão do pecado” não convida ninguém a imitá-lo.
Aplicação pastoral
A categoria da imagem oferece um critério prático de discernimento. Diante de qualquer prática, hábito ou decisão, a pergunta não precisa ser “isto está na lista do proibido?”
Essa pergunta é mais exigente do que a lista, e não menos. Muita coisa que não está em lista alguma deforma a imagem: a amargura cultivada, a ironia cruel, o desprezo pelos simples, a avareza disfarçada de prudência. E muita coisa que as listas proibiram ao longo da história não tinha relação nenhuma com a imagem de Cristo.
Roberts foi implacável nesse ponto ao tratar dos limites da santificação: há coisas que, por natureza, não podem ser santificadas, e devem ser postas fora, não reformadas. O machado vai à raiz, e não aos galhos.
Fixação
Toque no cartão para ver o outro lado. Bom para revisar antes da avaliação.
Avaliação
Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe, porque errar aqui também ensina.
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O critério da imagem alcança coisas que as listas não pegam, e é por isso que ele é mais exigente. Os candidatos mais comuns são a amargura cultivada, a ironia cruel, o desprezo pelos simples e a avareza disfarçada de prudência. Vale nomear um, e apenas um, para trabalhar nele com os meios de graça durante a semana.
Wesley não propôs trocar o evangelho por um programa. Ele pregou um evangelho tão completo que gerou consequências sociais: escolas, visitas a presos, socorro aos pobres, combate à escravidão. A diferença está na ordem e na raiz. A santidade social nasce de pessoas transformadas pela graça e transborda; o ativismo sem evangelho tenta o fruto sem a árvore. Vale acrescentar que o erro simétrico também existe: a santidade que se protege do mundo em vez de servi-lo, e que Roberts chamava de pureza enclausurada.
Tarefas
Escolher uma das seis formas de imitação listadas na aula e praticá-la deliberadamente durante a semana, registrando o que aconteceu.
Próxima aula
Aula 8 — As promessas: Deus santifica completamente. O coração do argumento bíblico, onde Deus deixa de apenas ordenar a santidade e passa a prometer realizá-la.
Curso preparado a partir do livro Perfeitos no Amor: o ensino bíblico sobre a perfeição cristã e a inteira santificação, de Bispo Ildo Mello. Citações bíblicas na Nova Almeida Atualizada (NAA).
Consequência
A imagem restaurada não produz santidade solitária
A imagem de Deus no ser humano inclui a capacidade de relacionamento. Deus é comunhão; fomos feitos para a comunhão. Por isso a restauração da imagem nunca produz santidade isolada.
É preciso entender bem o que ele quis dizer. Não estava falando de ativismo social como substituto do evangelho, leitura anacrônica que trai o texto. Estava dizendo que a santidade cristã não pode ser praticada em isolamento; ela se forma e se prova nas relações.
“A natureza de vocês é dar sabor a tudo quanto os rodeia. É da natureza do sabor divino que existe em vocês expandir-se em tudo quanto tocarem, difundir-se por todos os lados, atingindo a todos aqueles em cujo meio estiverem. Esta é a grande razão pela qual a Providência de Deus os misturou com os outros seres humanos.” (Wesley, Sermão 24)