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A expressão “servos do nosso Deus” indica que os 144.000 sejam parte do povo de Israel?

A tese dispensacionalista e o problema da expressão

Dispensacionalistas afirmam que os 144.000 mencionados em Apocalipse 7 são uma referência a Israel por estarem também sendo chamados de “servos do nosso Deus”, n o entanto, observamos que Paulo e Tiago, como Apóstolos da Igreja, se autodenominam “servos(s) de Deus”:

“Servo de Deus” e “servo do Senhor” no Novo Testamento

“Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo para levar os eleitos de Deus à fé e ao conhecimento da verdade que conduz à piedade (Tt 1.1 cf. Rm 1.1 e Gl 1.10)

“Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo” (Tg 1.1)

E vemos também que a expressão sinônima “servo do Senhor” é utilizada no Novo Testamento para designar os líderes cristãos:

“Tíquico, o irmão amado e fiel servo do Senhor, lhes informará tudo, para que vocês também saibam qual é a minha situação e o que estou fazendo” (Ef 6,21)

“Ao servo do Senhor não convém brigar mas, sim, ser amável para com todos, apto para ensinar, paciente” (2Tm 2.24).

Jesus é chamado de Senhor o que implica que seus seguidores são seus servos. São abundantes os textos a este respeito:

“Quem é você para julgar o servo alheio? É para o seu senhor que ele está em pé ou cai. E ficará em pé, pois o Senhor é capaz de o sustentar” (Rm 14.4).

“Então perguntei: Quem és tu, Senhor? “Respondeu o Senhor: ‘Sou Jesus, a quem você está perseguindo. Agora, levante- se, fique em pé. Eu lhe apareci para constituí-lo servo e testemunha do que você viu a meu respeito e do que lhe mostrarei” (At 26.15-16).

“Quem me serve precisa seguir-me; e, onde estou, o meu servo também estará. Aquele que me serve, meu Pai o honrará” (Jo 12.26).

“ ‘Muito bem, meu bom servo! ’, respondeu o seu senhor. ‘Por ter sido confiável no pouco, governe sobre dez cidades.’” ( Lc 19.17).

“Será que ele agradecerá ao servo por ter feito o que lhe foi ordenado? Assim também vocês, quando tiverem feito tudo o que lhes for ordenado, devem dizer: ‘Somos servos inúteis; apenas cumprimos o nosso dever’” (Lc 17.9-10).

“Nenhum servo pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará outro, ou se dedicará a um e desprezará outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro” (Lc 16.13).

“Aquele servo que conhece a vontade de seu senhor e não prepara o que ele deseja, nem o realiza, receberá muitos açoites” (Lc 12.45).

“Feliz o servo a quem o seu senhor encontrar fazendo assim quando voltar” (Lc 12.43)

“Assentando- se, Jesus chamou os Doze e disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, será o último, e servo de todos” (Mc 9.35).

“O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo acima do seu senhor. Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor…” (Mt 10.23).

Judas se autodenomina “servo de Jesus Cristo” no mesmo versículo em que chama a Deus de Pai:

“Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos que foram chamados, amados por Deus Pai e guardados por Jesus Cristo (Jd 1.1)

Pedro igualmente:

“Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo” (2Pe 1.1)

Paulo chama Epafras de servo de Cristo:

“Epafras, que é um de vocês e servo de Cristo Jesus, envia saudações” (Co 4.12)

A mesma expressão dentro do Apocalipse

Mesmo no Livro do Apocalipse os membros da Igreja ou os salvos em Cristo que desfrutaram a eternidade na Nova Jerusalém são chamados de servos:

“Já não haverá maldição nenhuma. O trono de Deus e do Cordeiro estará na cidade, e os seus servos o servirão. Eles verão a sua face, e o seu nome estará em suas testas. Não haverá mais noite. Eles não precisarão de luz de candeia, nem da luz do sol, pois o Senhor Deus os iluminará; e eles reinarão para todo o sempre (Ap 22.3-5)

“Então caí aos seus pés para adorá-lo, mas ele me disse: “Não faça isso! Sou servo como você e como os seus irmãos que se mantêm fiéis ao testemunho de Jesus…” (Ap 19.10).

“Mas ele me disse: “Não faça isso! Sou servo como você e seus irmãos, os profetas, e como os que guardam as palavras deste livro. Adore a Deus!” (Ap 22.9)

Repare que é claramente dito que o Senhor enviou o seu anjo para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer, e sabemos que a revelação do Apocalipse foi dada as Sete Igrejas:

“O anjo me disse: “Estas palavras são dignas de confiança e verdadeiras. O Senhor, o Deus dos espíritos dos profetas, enviou o seu anjo para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer” (Ap 22.3).

Os mártires cristãos, vencedores da Besta, cantaram o cântico de Moisés e o do Cordeiro. Pois a igreja congrega em si mesma ambos os povos, judeus e gentios (Ef 2), de modo que os cânticos de vitória das duas Páscoas estão  em sintonia sendo entoados pelo povo de Deus que é a Igreja em louvor ao único e verdadeiro Messias que é Rei das Nações:

“e cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro” (Ap 15.3).

O que se conclui do uso da expressão

Portanto, não há motivo para concluirmos que o uso da expressão “servos de Deus” seja um indicativo do povo de Israel, pois os da Igreja são assim também nomeados. A Igreja é a manifestação do remanescente de Israel. Notar que o primeiro gentio a se converter foi Cornélio. O que vale dizer que a Igreja era composta originariamente de crentes judeus, pelos remanescentes de Israel (Rm 2.28,29; 3.3,4; 9.6-8,27,29; 11.15), os gentios foram acrescentados nesta mesma Oliveira. Neste sentido, há muito mais continuidade do que descontinuidade (Ef 2.18-20; 3.6; Gl 3.6-29). Não houve mudança no plano de Deus (Ef 1.3-4), mas revelação progressiva (Gl 6.16; 3.13,14). O Verdadeiro Israel é aquele que possui o Messias. Cristo é a Videira verdadeira (Jo 15.1), a videira é símbolo notório de Israel. O verdadeiro herdeiro de Abraão é o que tem fé no Messias prometido (Gl 3.1s). E não é sem propósito que o número de apóstolos da Igreja é idêntico ao número de tribos de Israel. A Igreja é agora “o Israel de Deus” (Gl 6.16), composta por judeus (o remanescente de Israel, os judeus que aceitam o Cristo) e por gentios crentes (Ef 2).

O texto de Apocalipse foi escrito para as Sete Igrejas da Ásia e não para Israel. Além disto, trata-se de uma literatura apocalíptica, repleta de figuras de linguagem, que não podem e nem devem ser interpretadas de forma literal para não incorrermos em erros grosseiros como os dos Testemunhas de Jeová, entre tantos outros.

Se formos interpretar literalmente, teríamos de concluir que apenas 144.000 homens, virgens e de Israel estariam ali presentes.

A Igreja é o Israel de Deus

A Igreja é denominada de o Israel de Deus, o que determina isto não é a circuncisão, mas o novo nascimento!

“De nada vale ser circuncidado ou não. O que importa é ser uma nova criação. 16 Paz e misericórdia estejam sobre todos os que andam conforme essa regra, e também sobre o Israel de Deus” (Gl 6.16).

E Tiago, como Apóstolo de Cristo, inicia sua Epístola endereçada para a Igreja, referindo-se as 12 tribos de Israel como uma figura de linguagem para toda a Igreja de Cristo:

“Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos dispersas entre as nações: Saudações”.

“Significando que, mediante o evangelho, os gentios são co- herdeiros com Israel, membros do mesmo corpo, e co- participantes da promessa em Cristo Jesus” (Ef 3.6).

O verdadeiro Israel é a Igreja que é herdeira da promessa feita a Abraão:

“Não pensemos que a palavra de Deus falhou. Pois nem todos os descendentes de Israel são Israel. Nem por serem descendentes de Abraão passaram todos a ser filhos de Abraão. Ao contrário: “Por meio de Isaque a sua descendência será considerada”. Noutras palavras, não são os filhos naturais que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa é que são considerados descendência de Abraão.” (Rm 9.6-8).

Os da fé é que são verdadeiros filhos de Abraão:

“Estejam certos, portanto, de que os que são da fé, estes é que são filhos de Abraão” (Gl 4.7)

Além disto, à luz do Novo Testamento, a parede de separação entre judeus e gentios foi derrubada (Ef 2) e não poderia estar aqui em Apocalipse de novo reconstruída com uma visão celestial que separasse Israel da Igreja. Deus não possui dois povos, mas um só, e dele fazem parte judeus e gentios unidos e lavados pelo sangue de Jesus. O que está em vista em Apocalipse é a Igreja da qual Jesus é o Cabeça.

Apocalipse 7: a mesma igreja vista de dois ângulos

Em Apocalipse 7, temos a igreja sendo descrita de duas formas distintas, uma como um grupo definido, sem tirar nem por, e outro como uma multidão inumerável. Certamente os selados não são apenas os 144.000, mas também a Grande Multidão. Ambos são a mesma e santa Igreja do Senhor Jesus.

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