Estudos do Bispo Ildo · Escatologia · Ressurreição, Juízo Final e Estado Eterno

Uma Só Ressurreição, um Só Juízo Final

“Vem a hora em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo.”
João 5.28–29

Introdução

O que acontecerá quando Jesus voltar?

Haverá diversas ressurreições, separadas por longos períodos? Haverá um tribunal exclusivo para os cristãos, outro para as nações e ainda outro, mil anos depois, para os ímpios? Ou essas passagens apresentam perspectivas diferentes de um mesmo e grandioso acontecimento?

Em 10 de março de 1758, John Wesley pregou, diante de autoridades judiciais reunidas em Bedford, na Inglaterra, o sermão conhecido como “O Grande Juízo”. Seu texto foi Romanos 14.10: “Todos compareceremos diante do tribunal de Cristo”.

Wesley organizou sua mensagem em torno de três questões: os acontecimentos que precederão o juízo, o próprio julgamento e aquilo que acontecerá depois dele. Em sua exposição, ele reuniu a volta de Cristo, a ressurreição geral, o julgamento de todas as nações e a renovação da criação como partes do mesmo acontecimento final.

Embora não precisemos concordar com todas as especulações escatológicas de Wesley, sua percepção central está firmemente fundamentada nas Escrituras: Cristo voltará, todos os mortos ressuscitarão, toda a humanidade comparecerá diante dele e haverá uma separação definitiva entre os que pertencem ao Senhor e os que permaneceram em rebelião contra ele.

A Bíblia não apresenta a história caminhando em círculos. Ela caminha para um encontro marcado por Deus:

“Porque Deus estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um homem que designou.”
Atos 17.31

Há um dia estabelecido, um Juiz designado e um mundo inteiro que será julgado.

1. DEUS ESTABELECEU UM DIA PARA JULGAR O MUNDO

Paulo declarou aos atenienses:

“Deus estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça.”
Atos 17.31

O Juízo Final não é uma possibilidade, uma metáfora religiosa ou uma tentativa de assustar as pessoas. É um acontecimento determinado pelo próprio Deus.

A história terá um encerramento. O mal não continuará indefinidamente. As injustiças não ficarão eternamente sem resposta. Os opressores não escaparão para sempre. Os segredos serão revelados, as obras serão examinadas e a justiça de Deus será publicamente manifestada.

Jesus chama esse momento de “o último dia”.

Em João 6, ele repete quatro vezes:

“Eu o ressuscitarei no último dia.”
João 6.39,40,44,54

E, falando sobre aquele que rejeita sua palavra, Jesus declara:

“A própria palavra que falei, essa o julgará no último dia.”
João 12.48

Portanto, a ressurreição dos que pertencem a Cristo e o julgamento daqueles que rejeitaram sua palavra estão relacionados ao mesmo “último dia”.

A expressão “último dia” não precisa significar um período de apenas vinte e quatro horas. Trata-se do grande momento escatológico em que Deus consumará seu propósito. Entretanto, é difícil imaginar que Jesus chamasse de “último dia” um acontecimento que seria seguido, mil anos depois, por outra ressurreição e outro juízo final.

O “último dia” é o dia da consumação. É o Dia do Senhor. É o dia em que a história humana chegará ao seu destino.

Isso deveria mudar nossa maneira de viver.

O mundo afirma que podemos viver como desejarmos, desde que ninguém descubra. A Bíblia ensina que nada ficará definitivamente escondido.

O mundo diz que a verdade é relativa. A Bíblia afirma que haverá um julgamento de acordo com a verdade.

O mundo diz que cada pessoa é dona de sua vida. A Bíblia declara:

“Cada um de nós prestará contas de si mesmo diante de Deus.”
Romanos 14.12

A vida é uma dádiva, mas também é uma responsabilidade.

2. HAVERÁ UMA RESSURREIÇÃO UNIVERSAL

Jesus foi muito claro:

“Vem a hora em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão.”
João 5.28–29

Observe as palavras utilizadas por Jesus:

“Vem a hora.”

“Todos os que estão nos túmulos.”

“Ouvirão a sua voz.”

“Sairão.”

Jesus não descreve duas horas separadas por mil anos. Ele fala de uma hora em que todos ouvirão sua voz.

A distinção feita pelo Senhor não está no momento da ressurreição, mas no destino dos ressuscitados:

“Os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo.”

É uma ressurreição universal com dois resultados eternamente distintos.

Daniel já havia anunciado:

“Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno.”
Daniel 12.2

Paulo também declarou:

“Haverá ressurreição, tanto de justos como de injustos.”
Atos 24.15

A palavra “ressurreição” aparece no singular, abrangendo duas classes: justos e injustos. Isoladamente, esse singular não resolveria toda a discussão cronológica, mas, combinado com João 5 e Daniel 12, ele se harmoniza perfeitamente com a compreensão de uma ressurreição geral.

Paulo afirma ainda que isso acontecerá:

“Num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta.”
1Coríntios 15.52

A última trombeta anuncia a consumação, não o início de uma nova sequência de ressurreições que se estenderia por mais mil anos.

Wesley entendeu essas passagens dessa maneira. Em seu sermão, ele afirma que, ao soar a trombeta de Deus, os túmulos serão abertos, o mar entregará os seus mortos e todos os que já viveram serão ressuscitados. Em seguida, relaciona essa ressurreição à reunião de todas as nações diante do trono de Cristo.

Nenhum túmulo permanecerá fechado.

Nenhum oceano poderá reter seus mortos.

Nenhuma geração será esquecida.

Reis e servos, ricos e pobres, conhecidos e anônimos, adultos e crianças, pessoas de todas as épocas e nações ouvirão a voz do Filho de Deus.

A mesma voz que chamou Lázaro para fora do túmulo chamará toda a humanidade.

Naquele dia, a morte descobrirá que não possui a palavra final. A palavra final pertence a Jesus.

3. HAVERÁ UM JUIZ E UMA ÚNICA GRANDE CORTE

A Bíblia identifica claramente o Juiz:

“O Pai a ninguém julga, mas confiou todo julgamento ao Filho.”
João 5.22

Paulo declara que Deus julgará o mundo por meio de Jesus Cristo:

“Deus estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um homem que designou.”
Atos 17.31

Jesus é apresentado como Juiz em diferentes passagens.

Em Mateus 25, ele é o Filho do Homem assentado no trono de sua glória:

“Quando o Filho do Homem vier na sua glória e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória. Todas as nações serão reunidas em sua presença.”
Mateus 25.31–32

Em 2Coríntios 5, ele é aquele diante de cujo tribunal todos comparecerão:

“É necessário que todos nós compareçamos diante do tribunal de Cristo.”
2Coríntios 5.10

Em Apocalipse 20, ele aparece na visão do grande Trono Branco:

“Vi um grande trono branco e aquele que está sentado nele.”
Apocalipse 20.11

Essas não precisam ser três cortes cronologicamente separadas. São três retratos do mesmo juízo, apresentados por ângulos diferentes.

Paulo escreve à igreja e enfatiza a responsabilidade dos cristãos.

Jesus fala do Filho do Homem e destaca a separação entre as ovelhas e os bodes.

João recebe uma visão apocalíptica e contempla os mortos, grandes e pequenos, diante do grande trono.

O cenário é o mesmo:

O significado do tribunal de Cristo

Algumas pessoas ensinam que o “Tribunal de Cristo”, mencionado em 2Coríntios 5.10, será apenas uma cerimônia de premiação para os cristãos.

Entretanto, o texto não diz isso:

“É necessário que todos nós compareçamos diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo.”
2Coríntios 5.10

A palavra grega traduzida como “tribunal” é bēma. Ela não significa “tribunal de prêmios”. Seu significado básico é uma plataforma elevada ou assento judicial diante do qual alguém comparecia para que uma decisão fosse pronunciada.

A mesma palavra é usada para o tribunal diante do qual Jesus compareceu perante Pilatos:

“Pilatos estava sentado no tribunal.”
Mateus 27.19

Também é utilizada para o tribunal de Gálio, diante do qual Paulo foi acusado:

“Levaram Paulo diante do tribunal.”
Atos 18.12

E aparece diversas vezes no julgamento de Paulo diante de Festo:

“Estou diante do tribunal de César, onde devo ser julgado.”
Atos 25.10

Portanto, nada na palavra bēma limita seu significado à distribuição de prêmios. O contexto de 2Coríntios 5 apresenta um juízo verdadeiro, no qual as pessoas recebem segundo o bem ou o mal que praticaram.

O versículo seguinte confirma a seriedade da cena:

“E assim, conhecendo o temor do Senhor, procuramos persuadir as pessoas.”
2Coríntios 5.11

Paulo não trata o Tribunal de Cristo como uma simples cerimônia de entrega de medalhas. Ele fala de responsabilidade, prestação de contas e temor do Senhor.

Naturalmente, haverá recompensa para aqueles que serviram fielmente. Também poderá haver perda de recompensa, como ensina 1Coríntios 3.11–15. Mas diferenças de recompensa não exigem a criação de outro tribunal.

O mesmo julgamento pode:

Uma única corte pode proferir diferentes vereditos.

4. O TRIBUNAL DE CRISTO, O JUÍZO DAS NAÇÕES E O TRONO BRANCO DESCREVEM O MESMO JUÍZO

O Tribunal de Cristo

“Todos nós compareçamos diante do tribunal de Cristo.”
2Coríntios 5.10

O Juízo das Nações

“Todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros.”
Mateus 25.32

O grande Trono Branco

“Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, em pé diante do trono.”
Apocalipse 20.12

Essas três passagens apresentam paralelos importantes.

O mesmo Juiz

Em Mateus 25, o Juiz é o Filho do Homem.

Em João 5, o Pai confiou todo julgamento ao Filho.

Portanto, aquele que está assentado no grande Trono Branco não é um juiz diferente de Cristo. Jesus exerce o julgamento segundo a autoridade recebida do Pai.

O mesmo alcance universal

Em Mateus 25, todas as nações são reunidas diante dele.

Em Apocalipse 20, comparecem os mortos, grandes e pequenos.

Em Romanos 14, todo joelho se dobra e cada pessoa presta contas de si mesma diante de Deus.

O mesmo critério público

Em 2Coríntios 5, cada pessoa recebe segundo o bem ou o mal que praticou.

Em Mateus 25, as obras de misericórdia são apresentadas como evidência da relação das pessoas com Cristo.

Em Apocalipse 20, os mortos são julgados segundo as suas obras.

O mesmo resultado definitivo

Em Mateus 25, uns entram na vida eterna e outros recebem a condenação final.

Em Apocalipse 20, aqueles que não estão inscritos no Livro da Vida enfrentam a segunda morte.

Em João 5, uns ressuscitam para a vida e outros para o juízo.

A presença do Livro da Vida em Apocalipse 20 também se encaixa naturalmente em uma cena universal. O texto não afirma que apenas ímpios estão diante do trono. Os mortos, grandes e pequenos, comparecem, os livros são abertos e o Livro da Vida também é consultado.

João não está descrevendo necessariamente um tribunal diferente daquele apresentado por Jesus em Mateus 25. Ele está contemplando, em linguagem apocalíptica, a mesma grande separação final.

Wesley fez exatamente essa relação em seu sermão. Ele uniu a reunião das nações de Mateus 25 com os mortos diante do trono em Apocalipse 20, entendendo ambas as passagens como descrições da assembleia universal diante de Cristo.

Não são necessariamente três tribunais.

São três janelas pelas quais contemplamos a mesma corte.

5. TODOS SERÃO JULGADOS SEGUNDO AS SUAS OBRAS

A Bíblia repete essa verdade de maneira insistente:

“Deus retribuirá a cada um segundo as suas obras.”
Romanos 2.6

“Cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito.”
2Coríntios 5.10

“Os mortos foram julgados segundo as suas obras.”
Apocalipse 20.12

“O Filho do Homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um segundo as suas obras.”
Mateus 16.27

Isso significa que somos salvos pelas obras?

Não.

Somos salvos pela graça, mediante a fé:

“Porque pela graça vocês são salvos, mediante a fé; e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.”
Efésios 2.8–9

Mas o texto continua:

“Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras.”
Efésios 2.10

As obras não compram a salvação. Elas revelam a realidade da fé.

Não somos salvos porque praticamos boas obras. Somos salvos pela graça para uma vida de boas obras.

A fé que justifica é uma fé viva. E uma fé viva produz amor, obediência, misericórdia, justiça e santidade.

Por isso Jesus pode dizer:

“Tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber.”
Mateus 25.35

As ovelhas não praticaram essas obras para comprar o Reino. Jesus lhes diz:

“Venham, benditos de meu Pai! Venham herdar o Reino que está preparado para vocês desde a fundação do mundo.”
Mateus 25.34

Uma herança não é comprada pelo herdeiro. Ela é recebida.

Contudo, as obras demonstraram que aquelas pessoas pertenciam ao Rei. O amor que manifestaram ao próximo revelou a presença da graça de Deus em sua vida.

Wesley enfatizou que, no Juízo Final, não apenas as obras exteriores, mas também as palavras, intenções, pensamentos e disposições do coração serão revelados. Para ele, isso demonstrará publicamente a justiça de Deus e a grandeza da graça que transformou os que pertencem a Cristo.

O julgamento segundo as obras não contradiz a justificação pela fé. Ele manifesta publicamente a autenticidade ou a falsidade da fé professada.

Tiago afirma:

“A fé, se não tiver obras, por si só está morta.”
Tiago 2.17

No último dia, não bastará dizer: “Senhor, Senhor”.

Será revelado se Cristo foi apenas confessado pelos lábios ou verdadeiramente recebido no coração.

6. OS SALVOS COMPARECERÃO, MAS NÃO SERÃO CONDENADOS

Neste ponto surge uma pergunta importante.

Jesus não disse que aquele que crê “não entra em juízo”?

Sim:

“Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.”
João 5.24

Isso não significa que o salvo jamais comparecerá diante do tribunal de Deus. Paulo afirma claramente:

“Todos compareceremos diante do tribunal de Deus.”
Romanos 14.10

E também:

“É necessário que todos nós compareçamos diante do tribunal de Cristo.”
2Coríntios 5.10

Em João 5.24, “não entra em juízo” significa que aquele que está em Cristo não entra em juízo condenatório.

Ele comparece diante do Juiz, mas não recebe sentença de condenação.

“Agora, pois, já não existe nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus.”
Romanos 8.1

O crente já passou da morte para a vida.

O veredito final invadiu o presente. A vida eterna já começou naquele que crê. A justificação é a antecipação graciosa da sentença que será publicamente confirmada no último dia.

O salvo não permanecerá de pé porque nunca pecou. Permanecerá porque foi lavado pelo sangue de Cristo.

Não será recebido porque acumulou méritos suficientes. Será recebido porque está unido a Jesus.

Suas obras serão examinadas, sua fidelidade será recompensada e toda a ação da graça será manifestada. Entretanto, seus pecados não serão apresentados contra ele para condená-lo.

Wesley afirmou que a vida dos justos será revelada para manifestar a graça e a providência de Deus, mas seus pecados perdoados não serão lembrados para sua condenação. A sentença pronunciada sobre eles será de absolvição e acolhimento.

Essa é a segurança do evangelho.

O salvo estará diante do tribunal, mas seu Advogado será o próprio Juiz.

O Juiz será aquele que carregou os nossos pecados.

O Juiz será aquele que morreu em nosso lugar.

O Juiz será aquele que ressuscitou para nossa justificação.

O Juiz será o Cordeiro que foi morto.

7. A MESMA VINDA TRARÁ ALÍVIO AOS FIÉIS E JUÍZO AOS ÍMPIOS

Paulo escreve aos cristãos perseguidos:

“É justo para com Deus que ele dê em paga tribulação aos que perturbam vocês e que dê a vocês, que são atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder.”
2Tessalonicenses 1.6–7

Observe quando as duas coisas acontecerão.

Os perseguidores receberão retribuição e os perseguidos receberão alívio:

“Quando do céu se manifestar o Senhor Jesus.”

Não são duas vindas separadas.

Não são dois dias distintos.

Não são dois julgamentos afastados por mil anos.

A mesma manifestação de Cristo trará alívio aos fiéis e juízo aos que permaneceram em rebelião.

A volta de Jesus terá dois efeitos.

Para os que o aguardam, será o amanhecer da redenção.

Para os que rejeitaram sua graça, será a revelação da justiça.

Para uns, ele dirá:

“Venham, benditos de meu Pai.”

Para outros:

“Afastem-se de mim.”

O mesmo Rei pronunciará as duas sentenças no mesmo grande dia.

João 5 apresenta exatamente essa estrutura:

“Os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo.”

Uma hora.

Uma voz.

Uma ressurreição universal.

Um Juiz.

Dois destinos.

8. DEPOIS DO JUÍZO, VIRÁ A RENOVAÇÃO DE TODAS AS COISAS

A Bíblia não termina com a humanidade eternamente dividida em uma interminável sucessão de eras históricas.

Ela termina com a derrota definitiva do pecado, da morte e de todos os poderes que se opõem a Deus.

Pedro declara:

“O Dia do Senhor virá como ladrão. Naquele dia, os céus passarão com grande estrondo, e os elementos se desfarão pelo fogo. Também a terra e as obras que nela existem desaparecerão.”
2Pedro 3.10

Em seguida, ele afirma:

“Nós, porém, segundo a promessa de Deus, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça.”
2Pedro 3.13

João contempla a mesma esperança:

“Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram.”
Apocalipse 21.1

A sequência bíblica é coerente:

Cristo volta.

Os mortos ressuscitam.

Os vivos são transformados.

Toda a humanidade comparece diante dele.

O julgamento é realizado.

As sentenças são pronunciadas.

A morte é definitivamente vencida.

Deus estabelece novos céus e nova terra.

A esperança cristã não é escapar eternamente da criação. É participar da criação renovada, na qual habita a justiça.

9. COMO DEVEMOS VIVER À LUZ DO JUÍZO FINAL?

A doutrina do Juízo Final não foi revelada apenas para satisfazer nossa curiosidade sobre o futuro. Ela foi revelada para transformar nossa vida no presente.

Pedro pergunta:

“Uma vez que tudo será assim desfeito, que tipo de pessoas vocês devem ser?”
2Pedro 3.11

9.1 Não devemos ocupar o lugar do Juiz

O contexto de Romanos 14.10 é uma repreensão aos cristãos que julgavam e desprezavam uns aos outros:

“Você, porém, por que julga o seu irmão? E você, por que despreza o seu irmão? Pois todos compareceremos diante do tribunal de Deus.”

Quando nos lembramos de que também prestaremos contas, tornamo-nos mais humildes ao tratar as fraquezas dos outros.

Isso não significa abandonar o discernimento moral. Significa reconhecer que não possuímos conhecimento perfeito do coração e não temos autoridade para pronunciar a sentença final sobre ninguém.

Há um só Juiz, e nós não somos ele.

9.2 Devemos levar a santidade a sério

Wesley concluiu seu sermão perguntando que tipo de pessoas deveríamos ser, sabendo que compareceremos diante de Cristo. Sua resposta foi um chamado ao arrependimento, à fé e ao amor santo.

A graça não é uma licença para viver no pecado.

A mesma graça que perdoa também transforma.

“Procurem viver em paz com todos e busquem a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.”
Hebreus 12.14

Não buscamos a santidade para comprar a salvação. Buscamos a santidade porque fomos alcançados pela graça salvadora.

9.3 Devemos praticar a misericórdia

Mateus 25 mostra que nossa relação com Cristo se manifesta na maneira como tratamos as pessoas vulneráveis.

Alimentar o faminto, acolher o estrangeiro, vestir o necessitado, cuidar do enfermo e visitar o preso não são detalhes periféricos da vida cristã.

São expressões concretas do amor de Cristo.

Uma fé que não enxerga o necessitado precisa examinar se realmente enxergou Jesus.

9.4 Devemos anunciar o evangelho

Paulo declarou:

“Conhecendo o temor do Senhor, procuramos persuadir as pessoas.”
2Coríntios 5.11

Quem crê no Juízo Final não pode tratar a evangelização com indiferença.

As pessoas não são números. São seres humanos que comparecerão diante de Cristo.

A mensagem do juízo não nos torna arrogantes. Torna-nos urgentes, compassivos e responsáveis.

Não proclamamos: “Somos melhores do que vocês”.

Proclamamos: “Encontramos misericórdia, e essa misericórdia também está disponível para vocês”.

CONCLUSÃO: O JUIZ É TAMBÉM O SALVADOR

John Wesley encerrou seu sermão com uma afirmação profundamente evangélica: “O Juiz de todos é também o Salvador de todos.”

Esta é a mensagem que precisa permanecer em nosso coração.

O Juízo Final é uma notícia terrível para quem insiste em viver longe de Deus. Mas é uma notícia gloriosa para aqueles que sofrem injustamente, para os que choram diante do mal e para todos os que se refugiam em Cristo.

O mal não vencerá.

A mentira não prevalecerá.

A violência não terá a última palavra.

Os opressores não escaparão para sempre.

A morte não reterá seus prisioneiros.

Jesus voltará.

Todos ouvirão sua voz.

Todos ressuscitarão.

Todos comparecerão diante dele.

Toda injustiça será exposta.

Toda obra de amor será lembrada.

Toda graça recebida será manifestada.

Não haverá três juízos finais. Haverá um único grande Dia do Senhor.

Não haverá vários juízes. O Juiz será Jesus Cristo.

Não haverá diversas humanidades. Todas as nações estarão diante dele.

Não haverá possibilidade de recurso contra sua decisão. Seu julgamento será perfeitamente justo, porque ele conhece as obras, as palavras, os pensamentos, as intenções e todas as circunstâncias da vida.

Mas hoje o Juiz ainda nos chama como Salvador.

Hoje é o dia da graça.

Hoje Cristo não está dizendo: “Afastem-se de mim”.

Hoje ele está dizendo:

“Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei.”
Mateus 11.28

Hoje ele oferece perdão.

Hoje ele oferece reconciliação.

Hoje ele oferece vida eterna.

Hoje ele oferece poder para uma vida santa.

Não precisamos esperar o último dia para descobrir qual será o nosso destino. Jesus declara:

“Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em condenação, mas passou da morte para a vida.”
João 5.24

Naquele dia, o Juiz será o mesmo Cordeiro que entregou a vida por nós.

Portanto, arrependamo-nos dos nossos pecados, confiemos inteiramente em Cristo e vivamos em amor e santidade.

Assim, quando a última trombeta soar, quando os túmulos forem abertos e quando toda a humanidade estiver diante do grande trono, ouviremos a voz daquele que nos amou e nos resgatou:

“Venham, benditos de meu Pai! Venham herdar o Reino que está preparado para vocês desde a fundação do mundo.”

Oração final

Senhor nosso Deus, reconhecemos que todos compareceremos diante do tribunal de Cristo. Não permita que vivamos de maneira descuidada, como se nossas escolhas não tivessem consequências.

Perdoa os nossos pecados. Purifica o nosso coração. Livra-nos de uma fé apenas de palavras e forma em nós uma fé que atua pelo amor.

Dá-nos coragem para praticar a justiça, amar a misericórdia, servir aos necessitados e anunciar o evangelho.

Que não temamos a condenação, porque estamos em Cristo, mas que vivamos com santo temor, sabendo que prestaremos contas da vida que recebemos.

Prepara-nos para o dia em que o teu Filho voltará, os mortos ressuscitarão e todas as coisas serão renovadas.

Que naquele dia sejamos encontrados em Cristo, revestidos não de nossa própria justiça, mas da justiça que recebemos pela fé.

Em nome de Jesus. Amém.

(Autor Bispo José Ildo Swartele de Mello)

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