Consolo e presença cristã na dor
O que a igreja tem a oferecer a quem enfrenta a enfermidade ou a perda de alguém amado? Não fórmulas nem respostas prontas, mas algo maior: a presença do Deus de toda consolação, encarnada no cuidado de irmãos que choram com quem chora e esperam com quem sofre.
Este ministério cuida dos que passam pelo vale — o enfermo no leito, a família à beira da despedida, o coração que ficou depois da partida. Onde a dor isola, a igreja se aproxima.
“Bendito seja o Deus… de toda consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação.”2 Coríntios 1.3–4 (NAA)
Deus é “o Pai das misericórdias e o Deus de toda consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia” (2Co 1.3–4). Fomos consolados para consolar.
Jesus não foi indiferente à dor: diante do túmulo de Lázaro, ele chorou (Jo 11.35). Por isso a Escritura nos ensina a “chorar com os que choram” (Rm 12.15), pois o Senhor está perto dos que têm o coração quebrantado (Sl 34.18).
A igreja se achega ao enfermo com presença, escuta e oração. Tiago instrui: “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor” (Tg 5.14–15).
Oramos com fé, sabendo que toda cura vem de Deus, e ao mesmo tempo com humildade, confiando o resultado às suas mãos. Visitamos no lar e no hospital, levamos a Palavra, e cuidamos também da família que acompanha o enfermo.
No luto, a maior ajuda costuma ser a presença fiel — estar ao lado, sem pressa e sem clichês. Choramos com a família, oramos com ela e a servimos nas necessidades práticas dos dias difíceis.
E oferecemos a única esperança que não decepciona: para os que morrem no Senhor, a morte não é ponto final. Por isso não nos entristecemos “como os demais, que não têm esperança” (1Ts 4.13–14), pois cremos na ressurreição. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados (Mt 5.4).
O cuidado não termina no funeral: acompanhamos a família nas semanas e meses seguintes, quando o silêncio pesa e o consolo ainda é necessário.
Ministrar aos doentes e enlutados é encarnar a compaixão de Cristo num dos momentos mais sagrados da vida — aquele em que a pessoa está fragilizada e precisa saber que não está só.
Que a nossa igreja seja conhecida como um povo que não abandona os que sofrem, mas se aproxima deles com a presença, a oração e a esperança que há em Jesus.
No amor do Senhor,
Bispo Ildo Mello