“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna.”Daniel 9.24
Para começar
Em nenhum lugar do livro de Daniel, ou de qualquer outra passagem da Bíblia, encontramos menção de que exista um lapso, um intervalo ou um parêntese entre a sexagésima nona e a septuagésima semanas da profecia.
Pelo contrário, Daniel profetiza: “Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído… Como viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro” (Dn 2.44-45).
A tese desta aula: a profecia das Setenta Semanas de Daniel é hoje muito mais profecia realizada do que escatologia futura. Na sua primeira vinda, Cristo cumpriu os seis propósitos da visão.
O contexto
O profeta Daniel estava com seu povo no exílio babilônico, estudando as profecias de Jeremias, que previam que o exílio duraria setenta anos (Dn 9.2).
Visto que o prazo estava se cumprindo, Daniel, consciente de que o exílio havia sido uma punição de Deus por causa dos pecados de Israel, começa a interceder pedindo perdão em nome do seu povo, na esperança de que o castigo estivesse para acabar. A oração de Daniel é ouvida (Dn 9.20-23). Mas, para sua surpresa, ele recebe uma visão de que setenta semanas estavam determinadas para a realização de seis benefícios favoráveis a Israel, que se realizariam na pessoa do tão esperado Ungido, o Messias.
Daniel 9.24
Tudo o que a visão promete se realiza na pessoa do Ungido.
Os números
Todas as correntes teológicas concordam que setenta semanas equivalem a 490 anos, entendendo que cada dia da semana corresponde a um ano (Gn 29.27; Lv 25.8; Nm 14.34; Ez 4.4-6).
As Setenta Semanas estão divididas em três períodos (Dn 9.25): sete semanas (49 anos) de reedificação; sessenta e duas semanas (434 anos); e uma última semana (7 anos). O versículo 26 diz que “após” as sessenta e duas semanas, ou seja, já dentro da última semana, seria assassinado o Ungido.
Em termos proféticos, tamanha precisão, embora não necessária, é realmente impressionante.
Daniel 9.26-27
Em decorrência da morte do Ungido, ocorreria a destruição de Jerusalém e do templo por um povo de um príncipe que haveria de vir (Dn 9.26). A visão termina com o assolador recebendo o merecido juízo de Deus.
A profecia não diz que o Assolador viria exatamente dentro das Setenta Semanas: ele vem como consequência dos eventos dela, principalmente a morte do Ungido. Por Israel ter rejeitado seu Messias, Jerusalém seria cercada e destruída, o que aconteceu algumas décadas depois, ainda naquela geração, exatamente como profetizou Jesus no final do capítulo 23 de Mateus.
Quem executa o juízo é “o povo de um príncipe que há de vir” (Dn 9.26): os exércitos romanos, sob o general Tito. O próprio Jesus citou Daniel ao anunciar “o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel” (Mt 24.15), e Lucas explica o sentido concreto para leitores gentios: “Quando virem Jerusalém sitiada de exércitos, saibam que está próxima a sua devastação” (Lc 21.20). E o prazo veio dos lábios do Senhor: “não passará esta geração sem que tudo isto aconteça” (Mt 24.34).
O que não existe no texto de Daniel 9.24-27:
Do juízo à missão
A destruição de Jerusalém não representa o fim desta era. Jesus disse que a cidade seria pisada pelos gentios “até que os tempos dos gentios se completem” (Lc 21.24), e que o Evangelho seria pregado a todas as nações antes da sua vinda (Mc 13.10).
Estamos na era da Igreja. De Jerusalém, a Igreja se espalhou para todas as nações (Cl 1.23; 1Ts 1.8). Paulo a isto se referia: “veio endurecimento em parte a Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios. E, assim, todo o Israel será salvo” (Rm 11.25-26). O Apocalipse revela o Israel de Deus pleno como “grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas” (Ap 7.9).
O Reino não foi adiado
“Nos dias destes reis”, os do Império Romano, Deus levantou o reino que jamais será destruído (Dn 2.44). Foi inaugurado por Cristo na primeira vinda.
A consumação vem
“Eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem… o seu domínio é domínio eterno” (Dn 7.13-14). Então Cristo voltará, e toda a visão se consumará.
E, até lá, a pedra cresce do único modo que a profecia autoriza: “Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4.6).
Fixação
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Avaliação
Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe. Errar aqui também ensina.
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Para pensar e conversar
Para ver e rever
Se você preferir ouvir o argumento inteiro de uma vez, esta exposição do Bispo Ildo percorre o mesmo caminho da lição.
As Setenta Semanas de Daniel · Bispo Ildo Mello. Veja também, no mesmo canal: Decifrando as Setenta Semanas de Daniel e As Setenta Semanas de Daniel já se cumpriram?
Para aprofundar. Esta aula nasceu do estudo As Setenta Semanas de Daniel, do Bispo Ildo Mello, que você pode ler e compartilhar em página própria.
Tarefas
Ler Daniel 9.1-27 e Lucas 21.20-24, anotando cada elemento da visão que encontra correspondência nos evangelhos; e refazer a conta dos 490 anos por escrito, do decreto de Artaxerxes até Estêvão.
Aula 5
Isaías 17 e a queda de Damasco: o que acontece quando se lê profecia com o jornal na mão, e o que o contexto histórico ensina sobre como Deus fala. Ir para a Aula 5 →
Citações bíblicas conforme o estudo original do autor. · Bispo Ildo Mello