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A Igreja: o povo que Cristo ama

Textos bíblicos: (At 2.42–47); (Ef 2.19–22)

O que é a Igreja? Um prédio, uma instituição ou uma programação religiosa? É possível amar Jesus e desprezar o povo que ele ama? Como reconhecer o valor da Igreja, apesar das falhas daqueles que fazem parte dela?

A Igreja não é perfeita. Ela carrega as marcas da graça de Deus, mas também as limitações de pessoas que ainda estão sendo transformadas. Contudo, seus problemas não anulam sua origem, sua natureza nem seu valor.

A Igreja foi idealizada pelo Pai, comprada pelo sangue do Filho e habitada pelo Espírito Santo.

1. A Igreja é o povo de Deus

Pedro afirma que somos “povo de propriedade exclusiva de Deus” (1Pe 2.9). Nossa identidade cristã não é apenas individual. Deus não salva pessoas para deixá-las isoladas; ele as incorpora ao seu povo.

A salvação é pessoal, mas nunca é solitária.

Na Igreja, recebemos uma história, uma identidade, irmãos e irmãs, responsabilidades e uma missão.

A Igreja não é simplesmente um lugar aonde vamos; é um povo ao qual pertencemos.

Deus não nos chamou apenas para assistir, mas para participar; não apenas para receber, mas também para servir.

2. A Igreja é a família de Deus

Paulo escreve: “Vocês são da família de Deus” (Ef 2.19). Na Igreja, pessoas que antes eram estranhas tornam-se irmãos e irmãs.

Famílias saudáveis celebram juntas, choram juntas, repartem responsabilidades e cuidam dos seus membros mais frágeis. Da mesma forma, a Igreja deve ser um lugar no qual ninguém enfrente sozinho suas dores, dúvidas e necessidades.

A comunhão cristã começa quando deixamos de perguntar apenas: “O que esta igreja pode me oferecer?” e passamos a perguntar: “Como posso contribuir para o bem desta família?”.

A Igreja revela seu valor quando o desconhecido encontra acolhimento, o ferido encontra cuidado e o solitário encontra uma mesa.

Isso não significa encobrir pecados ou tolerar abusos. Uma família verdadeiramente cristã protege os vulneráveis, confronta o pecado, pratica justiça e busca restauração.

Amar a Igreja não é fingir que seus problemas não existem; é trabalhar para que ela se pareça cada vez mais com Cristo.

3. A Igreja é o corpo de Cristo

“Vocês são corpo de Cristo” (1Co 12.27). Cristo é o cabeça, e cada cristão é membro desse corpo.

Nenhum membro possui todos os dons. Nenhum membro é autossuficiente. Nenhum membro é dispensável.

O individualismo diz: “Eu não preciso de ninguém”. O evangelho declara: “Somos membros uns dos outros”.

Um membro separado do corpo não se torna mais livre; perde o ambiente necessário para viver e cumprir sua função. Da mesma forma, o cristão isolado perde oportunidades de ser ensinado, corrigido, encorajado, consolado e enviado.

Na Igreja, nossos dons encontram propósito.

Deus não nos capacita para construirmos plataformas pessoais, mas para edificarmos seu povo.

4. A Igreja é o templo do Espírito

A Igreja é a comunidade na qual Deus escolheu habitar pelo seu Espírito (Ef 2.21–22). O templo principal da nova aliança não é feito de pedras, mas de pessoas reconciliadas com Deus e umas com as outras.

Quando a Igreja se reúne, não temos apenas uma plateia diante de um palco. Temos um povo reunido na presença de Deus para ouvir a Palavra, orar, repartir o pão, celebrar a graça e discernir a vontade do Senhor.

A Igreja não vive da competência de seus líderes, mas da presença do Espírito.

Programas podem reunir pessoas, mas somente o Espírito produz vida. Técnicas podem organizar a comunidade, mas somente o Espírito gera amor, santidade, unidade e poder para testemunhar.

5. A Igreja é a noiva amada por Cristo

Cristo “amou a igreja e entregou-se por ela” (Ef 5.25). O valor da Igreja não depende apenas do que vemos nela, mas do preço que Cristo pagou por ela.

A Igreja é imperfeita em sua condição presente, mas preciosa aos olhos do seu Senhor.

É incoerente afirmar que amamos profundamente a Cristo enquanto tratamos com desprezo aquilo que ele chama de seu corpo e sua noiva.

Podemos denunciar erros, exigir justiça e trabalhar por reformas. Entretanto, devemos fazer isso com o coração de quem deseja cura, e não destruição.

Cristo conhece todas as manchas da sua Igreja e, mesmo assim, não desistiu dela.

Ele a corrige, purifica, sustenta e prepara para a glória.

6. A Igreja é sinal do Reino no mundo

Atos 2 apresenta uma comunidade que perseverava no ensino, na comunhão, no partir do pão e nas orações (At 2.42–47). Seus membros repartiam recursos, comiam juntos com alegria, louvavam a Deus e testemunhavam publicamente sua fé.

A Igreja tornava o evangelho visível.

A missão não estava apenas no que aquela comunidade dizia, mas também no modo como vivia. Sua doutrina aparecia à mesa, suas orações produziam coragem e sua fé se transformava em generosidade.

O mundo precisa ouvir a mensagem de Cristo, mas também precisa enxergar uma comunidade transformada por essa mensagem.

A Igreja é o laboratório da reconciliação, a escola da santidade, a mesa da comunhão e uma antecipação do Reino de Deus.

Conclusão

Ainda vale a pena acreditar na Igreja? Sim! Não porque ela seja perfeita, mas porque pertence a Cristo.

A Igreja não salva; Cristo salva. Entretanto, Cristo reúne os salvos em seu corpo, alimenta-os por meio da Palavra e dos sacramentos, fortalece-os na comunhão e envia-os em missão.

Não precisamos de uma Igreja que apenas funcione. Precisamos de uma Igreja viva: centrada em Cristo, submetida à Palavra, cheia do Espírito, santa em suas relações, generosa no serviço e corajosa na missão.

Não fomos chamados apenas para frequentar a Igreja. Fomos chamados para viver como Igreja.

Bispo Ildo Mello

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