Estudos do Bispo Ildo · Santificação e Vida Cristã · Batalha Espiritual

Jó, o homem crente

Viajante da órbita terrestre, Satanás, o astronauta marginal, se apresenta entre os filhos de Deus, destilando seu veneno mortal.

“Vistes meu servo Jó?” Pergunta Deus.

Homem humilde e paciente, crente leal e poderoso, o mais rico do oriente?

Com sórdida astúcia e maldade, responde o pai da mentira:

“Não há paciência e lealdade quando falta o dinheiro, quando a doença bate à porta, quando está vazio o celeiro.

Vou provar da fé a utopia, ante às cinzas do altar; Vou olhá-lo frente a frente e fazê-lo blasfemar!”

Do inferno as portas se abrem com espíritos imundos em legiões para travar a luta ingente, falanges do mal se alinham contra Jó, o homem crente.

Vendo os filhos dizimados ante os bens saqueados, raspa a cabeça, rasga o manto, adora a Deus o homem santo.

Satanás não suporta o encomiástico gesto de quem na dor mais profunda, não se desespera, não maldiz a sorte, disposto a ser fiel até a morte.

Vociferando coisas do inferno, com um plano mais nefando, Satanás com ódio e sarcasmo bate em retirada com seu bando.

O anjo marginal numa última cartada numa tentativa desesperada, ordena a mobilização total a guerra fria, sutilezas das palavras, os inocentes úteis, os mercenários e todo o corpo diplomático infernal.

Línguas virulentas, fratricidas, chacais asquerosos pestilentos, fagulhas incandescentes incendiárias, abutres cruéis, corvos nojentos.

O murmúrio sórdido, ferino, o deboche, a maledicência, o cochicho, a hipocrisia, contestando sua inocencia.

Jó, caráter infrangível, estirpe de nobreza, ante o terrorismo, a sabotagem, não se curva, não se dobra, vendo no céu sua defesa.

“Eu sei que o meu redentor vive.

Levantarei das cinzas – a luz raiou!”

Desde agora e para sempre, Bendito seja o nome do Senhor!

Satanás lança cinzas e bactérias do seu tenebroso arsenal, e desenha no corpo de Jó o mapa da chaga mortal.

Vou deixá-lo desprezado e só com a chaga pestilenta e com a ferida nojenta o curvarei até o pó!

A corte demoníaca se engalana aguardando soberano campeão, que promete trazer em sua mão cabeça santa do varão de Deus, para alegria do inferno e júbilo dos ateus.

Uma voz ressoa – da fé a gama; os alicerces do inferno se abalam, um clarão ilumina, o éter inflama; o inferno ouve em confusão e horror:

“O Senhor deu, o Senhor levou, bendito seja o nome do Senhor!”

A luta foi renhida, mas a batalha vencida.

Embraçando o escudo da fé, na borrasca do mar bravio, quando fumega o pavio, o crente fica de pé!

(José Alves do Carmo)

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