Estudos do Bispo Ildo · Doutrina Cristã

Cristologia

10 estudos

← Voltar a Doutrina Cristã

Clique no título para abrir o texto completo.

Declaração de Fé+

Cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus e a temos como autoridade suprema em assuntos de fé e conduta (2 Tm 3.16-17; 2 Pe 1.20-21).

Cremos em um único Deus, que eternamente coexiste em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo (Mt 28.19; Jo 1.1-3; Jo 10.30; 2 Co 13.14; Cl 1.15-17; Hb 1.3)

Cremos que “há um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.” (Ef 4.6; 1 Co 8.6 e 1 Tm 2.5). Cremos que Ele é santo, justo, compassivo e bondoso, tardio em irar-se e grande em misericórdia e fidelidade (Ex 34.5-6; Dt 6.4; 1 Cr 16.25-27; Sl 86.15; Is 45.5-7; Is 57.15; Jr 10.10; Ml 3.6; 1 Co 8.6; Tg 1.17; 1 Jo 1.5; Ap 1.8).

Cremos que o Filho, Jesus Cristo, é totalmente Deus e totalmente humano (Jo 1.1, 14; Cl 2.9), concebido pelo Espírito Santo e nascido da Virgem Maria (Lc 1.35; Mt 1.18-23). Ele é o Criador de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele (Jo 1.3; Cl 1.16-17; Hb 1.2-3), sendo Ele o Todo-Poderoso e eterno (Is 9.6; Ap 1.8; Ap 22.13). Ele viveu sem pecado (Hb 4.15; 1 Pe 2.22), morreu na cruz como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29; Is 53.5-6; 1 Pe 3.18), ressuscitou corporalmente ao terceiro dia (1 Co 15.4; Lc 24.6-7), subiu aos céus e está assentado à direita do Pai, de onde governa com poder soberano (Hb 1.3; At 1.9; Ef 1.20-21). Ele voltará pessoal e visivelmente ao final desta era para julgar vivos e mortos, como Juiz de toda a criação (Mt 24.30; Jo 5.22-27; At 1.11; 2 Tm 4.1; Ap 20.11-15). Ele é digno de receber toda adoração que é conferida ao Pai (Fp 2.9-11; Ap 5.12-13; Mt 2.11; Mt 14.33; Mt 28.9; Jo 5.22-23; Hb 1.6; Ap 1.17; Ap 5.11-14).

Cremos na pessoa divina do Espírito Santo, verdadeiro Deus e participante pleno da Trindade, que procede do Pai e do Filho e atua como o Consolador prometido por Cristo, presente e ativo na Igreja (Jo 14.16-17, 26). Seu ministério inclui glorificar o Senhor Jesus Cristo (Jo 16.14) e aplicar a obra redentora de Cristo nos corações dos crentes. Ele convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8), capacitando os pecadores a responderem com fé em Cristo. O Espírito Santo regenera o pecador, tornando-o uma nova criação (Tt 3.5; Jo 3.5-6), habita em cada crente e o sela como propriedade de Deus (Ef 1.13-14; 1 Co 3.16). Ele guia (Rm 8.14), instrui e ilumina as Escrituras para o entendimento dos crentes (1 Co 2.12-14), fortalece-os para viverem em santidade (Ef 3.16; Gl 5.22-23) e intercede por eles segundo a vontade de Deus (Rm 8.26-27). O Espírito é mencionado junto ao Pai e ao Filho na administração do Batismo e na concessão de bênçãos (Mt 28.19; 2 Co 13.14), e esteve presente com eles na Criação, onde pairava sobre as águas (Gn 1.2). Ele distribui dons espirituais, capacitando a Igreja a cumprir sua missão e a edificar o corpo de Cristo (1 Co 12.4-11; Ef 4.7-12). O Espírito Santo é eternamente presente e ativo, demonstrando plenamente os atributos de onisciência, onipotência e onipresença de Deus (Sl 139.7; 1 Co 2.10-11).

Cremos que a humanidade foi criada à imagem de Deus, homem e mulher (Gn 1.26-27), mas caiu de seu estado original por desobediência deliberada (Gn 3.1-7), resultando em condenação à morte e separação de Deus (Rm 6.23 e 5.12). Os seres humanos tornaram-se escravos do pecado, incapazes de cumprir plenamente a vontade de Deus (Rm 3.23). No entanto, a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, preparando e capacitando os pecadores a receberem, com fé, o dom gratuito da salvação oferecida em Cristo (Ef 2.8-9; Jo 1.12-13).

Cremos que a salvação não pode ser alcançada por meio de boas obras ou méritos pessoais, mas unicamente através da graça do Evangelho de Cristo, que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16; Ef 2.8-10 e Tt 3.4-7). Embora o sangue derramado de Jesus Cristo e Sua ressurreição ofereçam salvação a todas as pessoas (1 Jo 2.2; Rm 5.18-19), essa salvação é eficaz apenas para aqueles que creem no Evangelho (Mc 16.16; Rm 10.9-10; Jo 3.16; Rm 8.14-17). Cremos que a graça salvadora de Deus é oferecida livremente a todos, mas não atua de modo coercivo e irresistível. As pessoas são livres para resistir a ação e oferta da graça (Jo 1.11; Lc 19.41; At 7.51; Hb 3.7-15; Jo 5.40; 2 Ts 2.10-12; Hb 2.3). Cremos que a eleição para a salvação é condicionada à fé em Cristo (Rm 8.29-30; Ef 1.4-5) e que perseverar na fé é essencial para a salvação final (Mt 24.13; Hb 10.36).

Cremos que a Igreja foi criada por Deus (Mt 16.18), sendo o povo de Deus e o Corpo de Cristo, do qual Ele é Senhor e Cabeça (Ef 1.22-23; Cl 1.18). O Espírito Santo é a sua vida e poder (At 1.8; Ef 3.16-17). A Igreja é ao mesmo tempo divina e humana, celestial e terrestre, ideal e imperfeita (Ef 5.25-27; 1 Jo 1.8). Ela existe para cumprir os propósitos de Deus em Cristo (Ef 3.10-11), ministrando a redenção em Cristo às pessoas (1 Pe 2.9-10). Cristo amou a Igreja e se entregou por ela para torná-la santa e sem mácula (Ef 5.25-27). A Igreja é a comunidade dos redimidos, chamada a viver e pregar o Evangelho e administrar os sacramentos segundo a instrução de Cristo (Mt 28.19-20; 1 Co 11.23-26). Cremos que é nosso dever buscar a plenitude do Espírito Santo, conforme ensinado pelo apóstolo Paulo em Efésios 5.18, para sermos capacitados a vivermos uma vida santa para testemunhar de Cristo e pregar o Evangelho eficazmente a todos os povos, em cumprimento à Grande Comissão (Mt 28.19-20 e At 1.8). A busca pela plenitude do Espírito nos capacita a desenvolver dons espirituais e a viver de maneira santa e agradável a Deus (1 Co 12.4-11; 1 Pe 1.15-16).

Cremos que os sacramentos são sinais exteriores e visíveis de uma graça interior e espiritual, instituídos por Cristo como meios pelos quais Ele comunica aos crentes os benefícios de sua obra redentora. Ordenados pelo Senhor, o batismo e a ceia do Senhor são instrumentos essenciais para o crescimento e fortalecimento da fé cristã. Pelo batismo, simboliza-se a regeneração, a purificação do pecado e a entrada do fiel na comunidade de fé e na aliança de Deus. Pela ceia do Senhor, celebramos a comunhão contínua com Cristo, renovando nossa fé e experimentando sua presença real, que nos fortalece para uma vida de santidade. Reconhecemos que esses sacramentos não agem de forma automática, mas que, para serem eficazes, requerem uma resposta sincera de fé e obediência do participante. Assim, vemos os sacramentos como meios de graça que Deus usa para transformar e edificar o seu povo.

Cremos na segunda vinda de Jesus Cristo de forma pessoal e visível, quando Ele descerá sobre as nuvens do céu com grande poder e glória (Jo 14.3; Mt 24.27-31; At 1.11; 1 Ts 4.16-17; 2 Ts 1.6-10; Ap 1.7). Ele virá para julgar os vivos e os mortos, os quais ressuscitarão – uns para a vida eterna e outros para a condenação (Mt 16.27; 25.31-45; Jo 5.28-29; 2 Tm 4.1; At 17.31; Ap 20.11-15). Assim, todas as coisas serão renovadas, e haverá um novo céu e uma nova terra. Estaremos para sempre com o Senhor, que enxugará dos nossos olhos toda lágrima, e já não haverá morte, luto, pranto ou dor, pois todo mal será destruído e superado para sempre (Ap 21.4).

A DIVINDADE DE CRISTO+

Quem é Jesus, afinal?

Comecemos com algumas perguntas fundamentais:

Quem é Jesus segundo as Escrituras?

Seria Ele apenas um profeta? Um mestre iluminado? Um ser criado exaltado?

A Bíblia dá a Jesus atributos, nomes e obras que pertencem somente a Deus?

Se só Deus deve ser adorado (Mt 4.10), por que Jesus recebe adoração no Novo Testamento?

Se Deus não divide Sua glória com outro (Is 42.8), como explicar Ap 5, onde o Cordeiro recebe a mesma glória eterna do Pai?

Essas perguntas não são meramente acadêmicas.

Nossa fé, nossa salvação e nossa adoração dependem da identidade correta de Jesus.

E se Jesus não é Deus, então: sua morte não poderia satisfazer a justiça eterna; sua ressurreição não teria poder para nos vivificar; sua presença constante não seria possível; sua adoração seria idolatria.

Mas se Ele é Deus Filho — como afirmam as Escrituras — então nossa fé repousa sobre o fundamento mais sólido possível.

Vamos à exposição.

I. SÓ DEUS PODE SER ADORADO (Mt 4.10; Ap 22.8–9)

Começamos pelo princípio básico do monoteísmo bíblico:

“Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto.” (Mt 4.10)

E quando João tenta adorar um anjo, ele imediatamente é repreendido:

“Não faças isso! … Adora a Deus.” (Ap 22.9)

Conclusão inicial: adoração é exclusiva do Deus único.

Isso será essencial para entender tudo o que vem depois.

II. JESUS RECEBE ADORAÇÃO – E NÃO RECUSA Se só Deus pode ser adorado, então qualquer ser criado que recebesse adoração cometeria blasfêmia.

Mas vejamos como o Novo Testamento descreve Jesus.

1. Os discípulos o adoram (Mt 14.33)

Depois de Jesus acalmar a tempestade:

“E os que estavam no barco o adoraram, dizendo: ‘Verdadeiramente és o Filho de Deus!’” (Mt 14.33)

Jesus não corrige ninguém, não rejeita o gesto, não aponta para o Pai — Ele aceita a adoração.

2. O cego curado o adora (Jo 9.38)

“Creio, Senhor! — e o adorou.” (Jo 9.38)

Novamente, nenhuma correção.

3. Todos os anjos o adoram (Hb 1.6)

“E todos os anjos de Deus o adorem.” (Hb 1.6)

E aqui temos o ponto decisivo:

Anjos não podem adorar criaturas, mas são ordenados pelo Pai a adorar o Filho.

Se os anjos só podem adorar a Deus, e adoram o Filho, então o Filho participa da natureza divina.

III. JESUS É CHAMADO DE “DEUS” DE FORMA CLARA NAS ESCRITURAS 1. “Meu Senhor e meu Deus” (Jo 20.28)

Tomé declara:

“Senhor meu e Deus meu!” (Jo 20.28)

Jesus não repreende. Pelo contrário, responde:

“Porque me viste, creste.” (Jo 20.29)

A fé verdadeira de Tomé é reconhecer Jesus como Deus.

2. O Verbo era Deus (Jo 1.1)

“No princípio era o Verbo… e o Verbo era Deus.” (Jo 1.1)

A estrutura do texto afirma que: o Verbo é distinto do Pai (“com Deus”), o Verbo é participante da natureza divina (“era Deus”).

3. “Nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo” (Tt 2.13)

A gramática grega (regra de Sharp) mostra que “grande Deus” e “Salvador” se referem à mesma pessoa: Jesus Cristo.

4. “Deus forte, Pai da eternidade” aplicado ao Filho (Is 9.6)

Isaías profetiza sobre o Messias:

“Maravilhoso Conselheiro, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz.”

IV. JESUS TEM ATRIBUTOS QUE SOMENTE DEUS POSSUI

1. Eternidade

“No princípio… o Verbo já era.” (Jo 1.1)

“Antes que Abraão existisse, EU SOU.” (Jo 8.58)

Aqui Jesus assume o nome divino revelado a Moisés (Êx 3.14).

2. Imutabilidade

“Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e para sempre.” (Hb 13.8)

A imutabilidade é atributo divino (Ml 3.6).

3. Onisciência

“Senhor, tu sabes todas as coisas.” (Jo 21.17)

4. Onipotência

“Toda autoridade me foi dada no céu e na terra.” (Mt 28.18)

5. Onipresença

“Eis que estou convosco todos os dias.” (Mt 28.20)

Criaturas não têm essa presença constante.

V. JESUS REALIZA OBRAS QUE SOMENTE DEUS REALIZA

1. Criação de todas as coisas

“Todas as coisas foram feitas por intermédio dele.” (Jo 1.3)

“Nele foram criadas todas as coisas…” (Cl 1.16)

“Por meio do Filho fez o universo.” (Hb 1.2)

Pergunta fundamental:

Como um ser criado pode criar “todas as coisas”, inclusive o tempo, o espaço e os anjos, sem criar a si mesmo?

2. Sustentar o universo

“Nele tudo subsiste.” (Cl 1.17)

3. Perdoar pecados com autoridade própria

“Teus pecados estão perdoados.” (Mc 2.5)

Os escribas se escandalizam, corretamente dizendo:

“Quem pode perdoar pecados, senão um só: Deus?” (Mc 2.7)

Jesua responde demonstrando poder divino.

4. Ser o Juiz final da humanidade

“O Pai a ninguém julga, mas confiou todo o juízo ao Filho.” (Jo 5.22)

Só Deus pode julgar todos os seres humanos e toda a história.

VI. JESUS RECEBE A MESMA ADORAÇÃO QUE O PAI (Ap 5)

Aqui está o ápice da revelação neotestamentária.

Em Apocalipse 5, João descreve: o Pai no trono (v. 1); o Cordeiro de pé, como morto, mas vivo (v. 6); adoração conjunta:

“Aquele que está sentado no trono e ao Cordeiro sejam o louvor, a honra, a glória e o poder para todo o sempre.” (Ap 5.13)

Observe: mesma adoração, mesma glória, mesmo louvor eterno, para o Pai e o Filho.

Se Deus diz que não dará a outro a sua glória (Is 42.8), e o Cordeiro recebe essa glória junto ao Pai, então o Cordeiro não é outro — Ele participa da mesma glória divina.

VII. SÍNTESE TEOLÓGICA: O FILHO É DEUS, DISTINTO DO PAI, MAS UM COM ELE A Bíblia mostra:

Distinção de pessoas O Pai envia o Filho (Jo 3.17)

O Filho ora ao Pai (Jo 17)

O Pai glorifica o Filho (Jo 17.1)

Unidade de essência “Eu e o Pai somos um.” (Jo 10.30)

(No grego, “um” está no neutro — uma só essência, não uma só pessoa.)

Comunhão eterna “Glorifica-me, Pai, com a glória que tive junto a ti antes que houvesse mundo.” (Jo 17.5)

Isso é impossível para qualquer ser criado.

VIII. APLICAÇÃO PRÁTICA: POR QUE A DIVINDADE DE CRISTO IMPORTA?

Só Deus pode nos salvar.

Se Jesus não é Deus, não há evangelho.

Só Deus merece adoração.

Adorar Cristo é honrar o Pai (Jo 5.23).

Nossa esperança é tão segura quanto a glória eterna de Cristo.

Cristo divino significa redenção perfeita e vida eterna garantida.

Nossa fé não repousa em uma criatura, mas no Deus encarnado.

Conclusão

A Bíblia, do Antigo ao Novo Testamento, revela um Cristo que: é adorado, é chamado Deus, possui atributos divinos, realiza obras divinas, partilha da glória eterna do Pai, e salva com poder divino.

Jesus é Deus Filho, consubstancial ao Pai, e digno de toda a adoração, honra e louvor.

“Para que todos honrem o Filho assim como honram o Pai.” (Jo 5.23)

A Encarnação de Cristo e a Missão da Igreja+

Seguindo o modelo de Cristo, a Igreja deve exercer um ministério encarnacional, de profunda identificação pessoal e social. A Encanação do Filho de Deus mostra como este mundo material é importante para Deus. É um grande sinal de que “Deus amou o mundo de tal maneira…” (Jo 3.16). A Encarnação destrói qualquer argumento de que Deus esteja preocupado apenas com o aspecto espiritual, considerando o aspecto material como maligno e não merecedor da atenção da Igreja. Pois Deus se fez carne. Deus se fez concreto e real. Jesus habitou entre nós em carne e osso, e foi possível tocar em suas feridas e escutar a sua voz. Portanto, afirmar que a Missão da Igreja diz respeito apenas às coisas espirituais é ignorar a Encarnação de Cristo.

i

Jesus desenvolveu um ministério de compaixão e caridade e boas obras atuando de maneira transformadora num mundo concreto e de maneira concreta, curando pessoas verdadeiras e ressuscitando mortos.

O ministério encarnacional de Cristo ensina que a Igreja não deve apenas crer, mas deve também encarnar a Cristo e seu Evangelho, como dizia Paulo: “não mais eu, mas Cristo vive e mim” (Gl 2.20). A semelhança de Cristo que se esvaziou de si mesmo para se fazer como nós, precisamos nos esvaziar de nossos privilégios e direitos a fim de viver uma vida de serviço aos outros no mundo com o coração de humildes servos. Um ministério caracterizado pelo equilíbrio entre a cruz e a ressurreição, entre o já e o ainda não, entre fraqueza e poder, perseguição e vitória, dor e alegria, e assim por diante. O cristão e a Igreja precisam experimentar primeiro a morte da cruz de Cristo para poderem, então, também experimentar o poder da ressurreição. Não há como separar um do outro. A cruz foi a máxima expressão do amor de Cristo, pois quem ama sacrifica e quem ama muito sacrifica muito. O cristão é chamado a carregar a sua própria cruz. Devendo, portanto, a exemplo de seu Senhor, manifestar o seu amor de modo sacrificial. Deve amar a ponto de dar a sua vida pelo seu Senhor e deve amar também ao seu próximo a ponto de também dar a sua vida por ele (1 Jo 3.16).

Portanto, a Encarnação e a cruz não são questões do passado, mas tarefa diária (Lc 9.23). E cada ato da missão transformadora e integral da Igreja deve caracterizar-se pela Encarnação e pela cruz do Cristo que veio ao mundo como Rei humilde e manso para ser quebrantado como Servo Sofredor. Não havendo lugar para prepotência e autoritarismo. Veremos mais detalhadamente as implicações da cruz de Cristo para a Missão da Igreja e para o exercício da autoridade e da liderança cristã.

i

Myers, Bryant L. Caminar con Los Pobres. Manual teórico-prático de desarrollo transformador. Buenos Aires: Kairós. 2002. P. 49.

O Caminho da Cruz+

Condenado à morte injustamente "Disse-lhes Pilatos: Que farei, então, de Jesus, chamado Cristo? Disseram-lhe todos: Seja crucificado! O governador, porém, disse: Mas que mal fez ele? E eles mais clamavam, dizendo: Seja crucificado! Então, Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto crescia, tomando água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo; considerai isso. E, respondendo todo o povo, disse: O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos. Então, soltou-lhes Barrabás e, tendo mandado açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado." (Mt 27.22-26).

Aquele que regressará um dia para julgar o mundo se vê ali humilhado e indefeso diante de um juiz terreno. Pilatos sabe que Jesus é inocente e até procura um meio de absolvê-lo, mas diante da pressão, ele opta por ver o seu lado, para não comprometer sua imagem pública. Assim, a justiça foi espezinhada pela covardia e pelos interesses pessoais, que acabaram sufocando a voz da consciência. A mais severa pena foi aplicada ao homem mais justo da história. Deste modo foi que se deu a maior de todas as injustiças.

Sofrimento e humilhação à caminho da cruz “Logo a seguir, os soldados do governador, levando Jesus para o pretório, reuniram em torno dele toda a corte. Despojando-o das vestes, cobriram-no com um manto escarlate; tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça e, na mão direita, um caniço; e, ajoelhando-se diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus! E, cuspindo nele, tomaram o caniço e davam-lhe com ele na cabeça. Depois de o terem escarnecido, despiram-lhe o manto e o vestiram com as suas próprias vestes. Em seguida, o levaram para ser crucificado.” (Mt 27.27–31).

Ao Rei dos reis deram uma coroa de espinhos, a ele, cujo cetro é de justiça (Sl 44.7), deram um caniço por cetro. O Filho de Deus foi tremendamente ridicularizado pelo mundo. “Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca.” (Is 53.7). O Rei Jesus entrou em Jerusalém, manso e humilde, montado em um jumentinho, pois o verdadeiro Rei não reina por meio da violência, mas do amor que o move ao sacrifício da cruz, caminho este repleto de sofrimento e humilhação. Quão diferente são os reis e poderosos deste mundo que agem apenas em função dos seus próprios interesses.

Seguir o verdadeiro Rei é morrer para si mesmo e carregar a humilhante e dolorosa cruz em um mundo de tanta corrupção, injustiça e violência.

Ildo Mello

A vitória da Cruz+

A cruz é o maior símbolo do cristianismo. No entanto, nas celebrações da Páscoa, muitos crentes fogem do tema da cruz. Pulam a Sexta-feira e vão direto para o Domingo. Preferem falar apenas da cruz vazia. Alguns parecem mesmo se escandalizar com a cruz, vendo nela apenas fraqueza e morte, não atentando para o poder e a vitória da cruz. Paulo não pregava apenas a cruz vazia. De fato, seu foco principal estava na mensagem da cruz “cheia”, com Cristo crucificado! “Mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios (1 Co 1:23); “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1 Co 2:2).

A palavra da cruz é poder de Deus (1Co 1.18). Por meio da cruz, nosso pecado foi perdoado (1Co 15.3; 1 Jo.1.7), nossa dívida foi removida (Co 2.14), fomos libertados da lei do pecado e da morte (Ap 1.5), fomos justificados (Rm 5.9), fomos redimidos (Ef 1.7; Ap 5.9), o véu do templo se rasgou de alto a baixo (Mt 27.51; Hb 10.19) e fomos reconciliados com Deus (Rm 5.10; Ef 2.16; Co 1.20-22), e também, através da cruz de Cristo, foi destruído aquele que tinha o poder da morte, a saber, o diabo (Hb 2.14), pois, Jesus, “despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando sobre eles na cruz.” (Co 2.14–15).

Quando Jesus vier novamente em poder e glória, estará “vestido com um manto encharcado de sangue” enquanto que todos os remidos estarão “vestidos de linho finíssimo, branco e puro” (Ap 19.11-14). Bendito seja o sangue de Jesus, Filho de Deus, que nos purifica de todo pecado! (1Jo 1.7).

Portanto, não devemos entender a morte de Cristo como algo superado pela ressurreição. Foi da cruz que Jesus bradou: “Está consumado”! A ressurreição é o atestado da vitória da cruz! Páscoa é a revelação do triunfo do amor e da vida que nasce da morte! Jesus disse que deveríamos ter memória de seu sacrifício na cruz (1Co 11.25). Esquecer a morte de Jesus é privar o cristão daquilo que dá sentido à sua vida e que também deve caracterizar o seu modo de viver. Jesus venceu na cruz e por meio do seu sangue é que nós também temos a vitória sobre o pecado, o diabo e o mundo! “Eles o venceram por causa do sangue do Cordeiro.” (Ap 12.11).

Feliz Páscoa! Sim, feliz, pois há muito poder e vida brotando sempre desta morte!

Bispo José Ildo Swartele de Mello

O que a ressurreição de Jesus nos garante+

A ressurreição de Jesus nos garante: vitória sobre o nosso maior inimigo que é a morte ou seja a certeza da nossa própria ressurreição (1Co 15.25-58); coragem diante da morte, pois, se não precisamos mais temer o nosso maior adversário, então, a quem iremos temer? A ressurreição de Jesus impactou os discípulos. O mesmo Pedro, que havia negado a Cristo por causa do medo da morte, enche-se de coragem para enfrentar as autoridades politico-religiosas após a ressurreição de Jesus (At 5.29); uma alegria que ninguém pode tirar (Jo 16.22); que Jesus é Filho de Deus, pois exerceu poder sobre a vida e a morte, conquistando vitória sobre o pecado e o inferno, tendo sido exaltado sobre tudo e todos (Ef 1.19-23). "Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor" (Rm 1.4); a vitória de sua Igreja (Mt 16.18); que a nossa fé não é em vão (1 Co 15.14); que realmente estará sempre conosco até a consumação dos séculos (Mt 28.20); que Jesus voltará para julgar os vivos e os mortos (2Tm 4.1) e que os que esperam em Cristo são por ele libertos da ira vindoura (1 Ts 1.10). a certeza do céu, pois Jesus prometeu que subiria aos céus para nos preparar um lugar (Jo 14.2-2); o cumprimento de todas as suas demais promessas, pois ressuscitou como havia prometido (Mt 28.6).

Feliz Páscoa!

Bispo Ildo Mello

Conquistas de Jesus na Cruz+

Na cruz, Jesus concluiu a nossa salvação (Jo 19.30): Ele pagou toda a nossa dívida e apagou a culpa do pecado (Cl 2.14‑15; Ef 1.7), declarando‑nos justos diante de Deus (Rm 3.24‑26) e quebrando a barreira que nos separava dEle e uns dos outros, unindo judeus e gentios num só povo (2Co 5.19; Ef 2.14‑16). Ali Ele venceu as forças do mal (Cl 2.15), tirou de nós a maldição da Lei (Gl 3.13) e o medo da morte (Hb 2.14‑15). Pelo seu sangue inaugurou a nova aliança e abriu caminho livre até a presença do Pai (Lc 22.20; Hb 10.19‑20), adotou‑nos como filhos (Gl 4.4‑5) e formou um povo de sacerdotes pronto para servir (1Pe 2.9; Ap 1.5‑6). Depois de morrer e ressuscitar, derramou o Espírito Santo sobre nós (At 2.33; Gl 3.14), abriu portas para a reconciliação de todo o universo com Deus (Cl 1.20), deixou o exemplo supremo de humildade e serviço (Fp 2.5‑8; 1Pe 2.21) e garantiu uma esperança viva de ressurreição e nova criação (1Co 15.20‑22; 2Co 5.17). Assim, a cruz mostra de uma vez por todas a justiça, o amor e a sabedoria de Deus (Rm 5.8; 1Co 1.24) e nos assegura que, tendo entregue o Filho, o Pai também nos dará tudo de que precisamos (Rm 8.32).

Celebrando a encarnação do Verbo+

É justo celebrarmos a ocasião do nascimento de Jesus Cristo ainda que não seja possível precisarmos a data. De fato, a encarnação do Filho de Deus merece ser celebrada todos os dias, por que não também no dia 25 de dezembro? Devemos aproveitar a ocasião festiva para falar sobre o verdadeiro sentido do Natal. O Criador do sol veio ao mundo como a verdadeira luz que ilumina a todo homem!

O nascimento de Jesus foi comemorado por Maria e José, pelos pastores, pelos reis magos e pelos anjos. O arcanjo Gabriel disse que tal acontecimento seria motivo de alegria para todo o povo! "O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor." (Lc 2.10-11).

Celebremos o Natal, pois sem a encarnação não teríamos o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo; Não teríamos a cruz de Cristo e nem a ressurreição de Seu corpo. Deus não teria provado o seu amor pela humanidade e todos nós estaríamos ainda mortos em nossos delitos e pecados e perdidos, sem salvação.

Feliz Natal!

Bispo Ildo Mello

O Lugar de Cristo: o Centro ou um Cantinho?+

Imagine que alguém pudesse entrar na sua vida hoje. Alguém que tivesse acesso completo a tudo: seus pensamentos, seus planos, sua rotina, suas conversas, seus relacionamentos, seus medos e desejos mais profundos. Imagine que essa pessoa pudesse abrir cada porta do seu coração — a porta da sua agenda, da sua conta bancária, do seu tempo livre, da sua fé, da sua identidade.

A pergunta é simples, mas profundamente reveladora: ao abrir todas essas portas, onde estaria Jesus?

Ele estaria no centro, como Senhor da sua vida? Ou estaria apenas em algum cantinho reservado para os domingos, para os momentos de aperto ou para quando é conveniente?

Muita gente quer que Deus conserte partes da vida: saúde, família, trabalho, emoções. Mas a pergunta mais importante não é sobre as partes — é sobre o centro. Cristo está no centro da sua vida? Ou você está apenas tentando encaixá-lo em meio a tantas outras prioridades?

Jesus é Deus!+

Textos bíblicos em que o termo grego Theos (“Deus”) é aplicado a Jesus Cristo:

João 1.1

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

João 1.18

Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.

João 20.28

Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu!

Romanos 9.5

deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém!

Tito 2.13

aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus,

Hebreus 1.8

mas acerca do Filho: O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; e: Cetro de equidade é o cetro do seu reino.

2Pedro 1.1

Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco obtiveram fé igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo,