Estudos do Bispo Ildo · Heresias e Apologética

Teologia da Prosperidade

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Uma análise crítica do Neopentecostalismo+

1. Introdução

O fenômeno neopentecostal, especialmente no que se refere à teologia da prosperidade, apresenta-se como um movimento que valoriza a experiência carismática, a confissão positiva e a promessa de bênçãos materiais (saúde, riqueza e sucesso). Em sua prática, muitas vezes, há uma comercialização do sagrado: o evangelho é tratado como um “produto” no qual a doação (a semeadura de “sementes”) e a repetição de declarações de fé são instrumentos para garantir bênçãos visíveis e imediatas. Essa abordagem tem atraído muitos, sobretudo em contextos de miséria e vulnerabilidade, mas também suscita graves críticas, pois contrasta com o ensino bíblico integral – que enfatiza a soberania de Deus, a centralidade da cruz e a realidade do sofrimento no discipulado cristão.

2. Origem e Desenvolvimento

2.1. Raízes no Pentecostalismo Clássico O Início e a Ênfase Carismática:

O pentecostalismo, surgido no início do século XX, destacou o batismo no Espírito Santo e as manifestações dos dons espirituais (línguas, profecia, curas). Essa experiência de encontro com o divino gerou uma renovação no ambiente cristão e despertou uma espiritualidade vivida e transformadora.

Adaptação Cultural e Estratégias de Comunicação:

A partir da década de 1970, alguns grupos passaram a adotar novas estratégias comunicativas – utilizando intensivamente a televisão, o rádio, a internet e técnicas de marketing moderno – para disseminar suas mensagens. Essa nova fase enfatizou a “confissão positiva” e a “teologia da prosperidade”, adaptando o discurso para dialogar com a cultura de massa e atender às demandas socioeconômicas de contextos de vulnerabilidade.

Contexto Socioeconômico:

Em muitos países, sobretudo em áreas marcadas pela pobreza e desigualdade, o ensino que associa fé a bênçãos materiais surge como uma resposta imediata e atrativa para aqueles que buscam esperança e melhoria de vida.

O Papel do Líder:

Os movimentos neopentecostais são geralmente conduzidos por pastores e evangelistas de grande carisma, cuja personalidade e estilo comunicativo exercem forte influência sobre os fiéis. Essa centralização favorece uma dependência pessoal e, muitas vezes, a interpretação subjetiva da Palavra de Deus.

Estrutura Hierárquica:

As organizações tendem a ser altamente centralizadas, com o controle exercido de forma verticalizada, o que facilita a propagação de uma mensagem única, porém, em detrimento de uma reflexão teológica aprofundada nas congregações locais.

Expansão Midiática:

O uso intensivo de recursos da mídia – televisão, rádio e internet – possibilita a rápida disseminação dos ensinamentos, transformando os cultos em espetáculos que, por vezes, priorizam o efeito emocional imediato sobre a explicação exegética das Escrituras.

Confissão Positiva:

Ensina que o crente tem o direito de declarar, por meio de palavras de fé, as bênçãos prometidas por Deus, acreditando que a confissão transforma a realidade. Essa prática minimiza o reconhecimento da soberania divina, ao sugerir que o fiel pode “manipular” o mundo por meio de declarações.

Teologia da Prosperidade:

Afirma que a fé genuína resulta necessariamente em bênçãos materiais – saúde, riqueza e sucesso – e que a doação financeira (a “semeadura”) é a chave para liberar essas bênçãos. Essa leitura, no entanto, costuma ser baseada em uma interpretação seletiva das Escrituras, ignorando o contexto global da mensagem bíblica, que também inclui advertências quanto à ganância, à opressão e à responsabilidade com os vulneráveis.

Visão Bíblica de Prosperidade:

É inegável que as Escrituras reconhecem a bênção de Deus também no âmbito material (por exemplo, em passagens do Antigo Testamento e na promessa da “vida abundante” em João 10.10). Contudo, a Bíblia não ensina que o bem-estar espiritual deva ser medido pelo sucesso financeiro ou pela ausência de enfermidades, nem que a pobreza ou a doença sejam sempre o resultado de falta de fé ou maldição.

Centralidade da Cruz e da Soberania de Deus:

O protestantismo histórico enfatiza que o evangelho está centrado na cruz e no sofrimento redentor de Cristo – elementos que transformam a vida do crente não por meio de fórmulas de prosperidade, mas pela submissão à vontade soberana de Deus. Assim, a ideia de que Deus estaria “à disposição” de técnicas humanas para operar milagres ou suprir necessidades materiais revela-se incompatível com a verdade bíblica.

A “Semeadura” e a Compra de Bênçãos:

Nos ambientes neopentecostais, é frequente a associação entre a doação financeira e a garantia de bênçãos. Essa prática trata a fé – e, por consequência, a atuação do Espírito Santo – como se pudessem ser “compradas” por meio de dízimos e ofertas, o que caracteriza uma grave distorção do evangelho.

Exemplos Bíblicos Contra a Comercialização:

Marcos 11.15-18:

“E, entrando Jesus no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo… Não devíeis fazer da casa de meu Pai um mercado.”

Mateus 6.19-21:

“Não ajunteis para vós tesouros na terra… mas ajuntai para vós tesouros no céu…”

1 Timóteo 6.10:

“Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males.”

2 Coríntios 9.7:

“Cada um contribua segundo propôs no coração, não com tristeza ou por necessidade…”

Do Poder Miraculoso e da Confissão:

Afirmação Positiva:

Os teólogos reconhecem e afirmam a fé na graça e no poder milagroso de Deus, encorajando as igrejas a estimular os crentes a experimentarem o poder sobrenatural do Espírito Santo.

Rejeição da Manipulação Humana:

Criticam veementemente a ideia de que esse poder possa ser tratado como algo automático ou manipulado por técnicas humanas, palavras, ações ou rituais.

Da Visão Bíblica de Prosperidade Terrena:

Coerência Exegética:

Há o reconhecimento de que a Bíblia apresenta uma visão que inclui o bem-estar material, mas enfatizam que isso deve ser interpretado em harmonia com o ensino integral dos Testamentos.

Medida do Bem-Estar Espiritual:

Rejeitam a dicotomia que associa o sucesso material como prova de bênção ou a pobreza como sinal de maldição, pois a Escritura demonstra que fatores como opressão, corrupção ou injustiça podem influenciar a condição material dos homens.

Do Trabalho e do Uso Positivo dos Recursos:

Valorização do Esforço Humano:

Embora afirmem a importância do trabalho duro e do uso adequado dos dons e recursos que Deus concede, rejeitam a ideia de que o sucesso seja exclusivamente fruto do esforço ou de técnicas de autoajuda (como o “pensamento positivo”).

Responsabilidade Social:

Criticam a ênfase exclusiva na riqueza e no sucesso individual, sem considerar a responsabilidade social de cada cristão, apontando que muitos ensinos prosperistas ignoram a necessidade de combater as injustiças que promovem a pobreza.

Da Realidade dos Contextos de Miséria:

A Aparente Esperança:

Reconhecem que, em ambientes marcados pela pobreza, o ensino da prosperidade pode representar, à primeira vista, uma esperança para uma realidade dura.

A Ineficácia Prática:

Contudo, observam que esse ensino frequentemente não promove mudanças sustentáveis; os pregadores prosperam, enquanto muitos fiéis permanecem na mesma condição, carregando o peso de esperanças frustradas e, por vezes, culpando-se pela própria pobreza.

Da Distorsão Exegética:

Leitura Seletiva:

Os teólogos denunciam a prática de utilizar uma exegese seletiva e manipuladora da Bíblia para promover a teologia da prosperidade, que descontextualiza e distorce passagens fundamentais para favorecer uma visão que contraria a mensagem completa do evangelho.

Substituição do Evangelho:

Lamentam que, em muitas igrejas onde esse ensino é dominante, a mensagem central – que inclui o arrependimento, a fé salvadora em Cristo, a centralidade da cruz e a esperança da vida eterna – seja substituída por uma ênfase no bem-estar material.

Do Crescimento Numérico vs. Saúde Espiritual:

Popularidade Não é Sinônimo de Verdade:

Embora o fenômeno prospere em termos numéricos, os teólogos ressaltam que o crescimento dos números não garante a saúde espiritual dos fiéis. A popularidade pode enganar, uma vez que muitos se deixam atrair por ensinamentos que prometem milagres materiais, mas que, em última análise, geram desilusão e afastamento de Deus.

Das Consequências Pastorais e Sociais:

Falsas Expectativas e Deserção da Fé:

É comum que o fracasso em obter as bênçãos prometidas leve muitos a abandonar a fé, experienciando um escândalo espiritual e emocional.

Estilo de Vida dos Pregadores:

Criticam os pregadores que adotam estilos de vida extravagantes, evidenciando uma idolatria do dinheiro (Mamom) e comportamentos incompatíveis com os ensinamentos de Cristo, como a negligência do verdadeiro chamado ao arrependimento e à santidade.

Da Centralidade da Cruz e do Exemplo de Jesus:

A Tentação no Deserto:

Os teólogos recordam que, mesmo diante das tentações – como no deserto, onde Jesus enfrentou a proposta de alívio milagroso para suas necessidades físicas – o Salvador optou por obedecer à vontade do Pai, rejeitando atalhos que comprometem a mensagem da cruz.

Exemplo Contra os Falsos Profetas:

Assim como Jesus respondeu a Satanás utilizando a Palavra de Deus com sabedoria (não se deixando levar por promessas de riqueza ou segurança material), os cristãos são chamados a resistir a ensinos que transformam o evangelho num instrumento de enriquecimento pessoal.

Desvirtuamento do Discipulado:

Quando o ensino da prosperidade coloca o bem-estar material como medida de bênção, o discipulado se torna utilitarista, voltado para ganhos imediatos, em vez de promover a transformação moral, a identificação com o sofrimento de Cristo e o compromisso com a justiça e a ética cristã.

Impacto na Vida dos Fiéis:

Há inúmeros casos em que a ênfase exagerada na prosperidade gerou consequências trágicas – como o caso do menino Wesley Parker, cuja morte resultou da crença equivocada de que a fé, por meio de declarações positivas, poderia substituir cuidados médicos essenciais. Essa tragédia evidencia como o ensino distorcido pode conduzir a práticas negligentes e até mesmo a uma ruptura na confiança em Deus.

Responsabilidade Social e Ética:

O ensino da prosperidade tende a vitimar os pobres, culpando-os por sua condição, enquanto ignora as causas econômicas, políticas e estruturais da miséria. A Bíblia, porém, repudia a injustiça e a exploração, chamando os cristãos a agir em solidariedade com os necessitados, sem transformar a fé em um instrumento de opressão ou alienação.

2.2. Da Renovação ao Neopentecostalismo

3. Perfil dos Representantes e Estrutura dos Movimentos

3.1. Liderança Carismática e Centralização 3.2. A Utilização dos Meios de Comunicação

4. A Teologia da Prosperidade e a Confissão Positiva

4.1. Conceitos Fundamentais 4.2. Pontos de Convergência e Divergência com o Ensino Bíblico

5. A Comercialização do Sagrado

5.1. A Transformação da Mensagem em Produto Essas passagens evidenciam que o sagrado não pode ser negociado ou transformado em mercadoria, sob pena de se desvirtuar o propósito da fé.

6. Considerações dos Teólogos sobre a Teologia da Prosperidade Um grupo de teólogos, representando diversas denominações evangélicas – conforme a Statement on the Prosperity Gospel do Lausanne Theology Working Group (Tradução Bispo Ildo Mello) – elaborou uma declaração que sintetiza diversas críticas aos ensinamentos da teologia da prosperidade. Entre os pontos relevantes, destacam-se:

7. Implicações Práticas e Pastorais

8. Conclusão

O estudo do neopentecostalismo e, em particular, da teologia da prosperidade revela um fenômeno complexo que, apesar de utilizar recursos modernos de comunicação e atrair grande número de adeptos, apresenta sérias distorções quando confrontado com o ensino integral das Escrituras.

As práticas de confissão positiva, a promessa de bênçãos automáticas e a comercialização do sagrado transformam o evangelho em um produto a ser “negociado”, em vez de ser vivido como a verdade transformadora que convoca os crentes a uma identificação profunda com o sofrimento e a cruz de Cristo. As considerações dos teólogos – fundamentadas em uma exegese cuidadosa e na tradição do protestantismo histórico – enfatizam que, embora a fé verdadeira reconheça a possibilidade de bênçãos materiais, estas nunca devem ser entendidas como garantias automáticas ou como sinais exclusivos da aprovação divina.

Jesus, em seu exemplo no deserto e em sua resposta às tentações (como registrada em Lucas 4 e nos evangelhos sinóticos), nos convida a confiar na soberania e na sabedoria de Deus, sem transformar a oração em um “cheque em branco” ou a fé em um instrumento de negociação. O verdadeiro evangelho é aquele que liberta, transforma e chama o cristão a buscar primeiramente o Reino de Deus e a justiça, acumulando tesouros no céu e não na terra (Cf. Mateus 6.19-21; Colossenses 3.1).

Em resumo, é fundamental que cada igreja promova uma reflexão crítica e exegética, denunciando os falsos ensinamentos que desvirtuam o evangelho e conduzindo os fiéis a uma vivência autêntica, que une a esperança da salvação com a responsabilidade ética e social. Que possamos, como comunidade cristã, rejeitar os atrativos de um “evangelho da prosperidade” distorcido e nos apegar ao exemplo de Cristo, que venceu as tentações e nos mostrou que a verdadeira bênção não está na riqueza material, mas na fidelidade, no amor e na obediência à vontade de Deus.

Vencendo a tentação da teologia da prosperidade+

São muitas as distorções doutrinárias da Teologia da Prosperidade: Negam a soberania de Deus, dizendo que usar a expressão “se for a Tua vontade” destrói a oração; ensinam os crentes a exigirem e reivindicarem coisas de Deus, em vez de as pedirem a Ele; acabam exaltando mais ao homem do que a Cristo; exibem um espírito de orgulho do “que eu posso fazer ou conquistar em nome de Jesus”; dizem que sofrimento, pobreza e doença não devem fazer parte da vida de um cristão. Se, porventura, um cristão estiver em tais circunstâncias é porque não tem fé. Dizem que Jesus teve de morrer espiritualmente para pagar pelos pecados do homem no inferno, pois sua morte física e seu sangue derramado na cruz foram insuficientes para fazer a expiação. Chegam ao ponto de negar a eficácia do sangue de Jesus. Alguns afirmam a deidade humana, dizendo serem deuses. Hagin, em seu livro “Zoe: a própria vida de Deus”, página 79, diz que nem Jesus Cristo tem uma posição mais elevada do que nós diante de Deus. Blasfêmia!

A teologia da Prosperidade tem suas raízes na Ciência Cristã, que é derivada do gnosticismo. Daí vemos o dualismo da teologia da prosperidade, quando diz que a morte física de Cristo não tem relevância em relação a redenção do nosso espírito, tendo Jesus que morrer também espiritualmente no “inferno”, tal dualismo revela-se também em seu misticismo em relação ao poder das palavras e em sua ênfase na confissão positiva.

Hoje percebemos uma ênfase exagerada no elemento “fé”, em detrimento da verdade e do amor. Um exemplo disto se vê na trágica história do menino diabético Wesley Parker, falecido em 23 de agosto de 1973, cujos pais cristãos foram presos por negligência, devido a teologia da prosperidade, que os levou a acreditarem firmemente na declaração de um pastor que, após a oração, afirmou que o menino havia sido curado. A partir daí, seus pais não mais permitiram que ele tomasse insulina o que acabou levando-o à morte. Mais tarde, arrependidos, escreveram o livro: “We let our son die”, que traduzido, significa "Nós deixamos nosso filho morrer". Neste livro eles reconhecem, com muita dor no coração, o lamentável fato de terem colocado a fé, ou, mais propriamente falando: o orgulho da fé, acima do amor pelo filho. Infelizmente, este não é um caso isolado.

Os adeptos da Teologia da Prosperidade são mais preocupados com a questão do sofrimento do que com a questão do pecado. Mais preocupados com prosperidade e saúde do que com santidade. Demonstram mais medo do azar (forças invisíveis que não conseguimos controlar) do que do pecado e do juízo final. Eles são produto desta sociedade consumista que valoriza o que é material, cujo deus é Mamom. O secularismo e o mundanismo estão ameaçando a sã doutrina.

Lucas 4, conta como foi que Jesus venceu as tentações da teologia da prosperidade sugeridas por Satanás. Interessante notar que após seu batismo, Jesus é movido pelo Espírito Santo para o deserto. Isto nos faz lembrar da história do Êxodo, que mostra o povo hebreu tendo que enfrentar um longo período no deserto após sua passagem pelas águas do Mar Vermelho antes de poder ingressar na Terra Prometida. Enquanto a teologia da prosperidade promete um paraíso na Terra, vemos as Escrituras nos despertando para a realidade do deserto. O paraíso ainda está por vir.

No deserto, Jesus teve fome. Jesus disse aos seus discípulos que eles teriam de enfrentar aflições neste mundo. A boa notícia é que Jesus venceu o Mundo! Venceus as tentações! Venceu a Satanás! Venceu a morte! Ressuscitou e prometeu que sempre estaria conosco! Não estamos abandonados e sós no deserto! A vara e o cajado do Bom Pastor nos consolam! Os anjos consolaram e sustentaram a Jesus no deserto! A Palavra de Deus foi alimento para Jesus no deserto (Dt 8.2-3). O povo hebreu recebeu maná dos céus no deserto. Lá a presença de Deus se manifestava de muitas formas, entre elas, através da arca, da nuvem que os conduzia de dia e da coluna de fogo que os iluminava e aquecia durante a noite!

Satanás aproveitou-se da fragilidade física de Cristo e de sua fome para tentá-lo propondo alívio milagroso para as suas privações físicas, além de muito poder, riqueza e sucesso. Jesus não se deixou seduzir pelo conforto, prazeres, riquezas, poder e glória deste mundo. Ele não pactuou com o diabo. Ele venceu o Mundo! Jesus provou amar mais a Deus do que as coisas do mundo. Ele pode dizer de verdade que nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que procede da boca de Deus.

Quando Satanás pediu para Jesus saltar do pináculo do templo apelando para o texto do Salmo 91 que trata da proteção dos anjos de Deus. Jesus rebateu a sugestão lembrando outro texto bíblico que diz que não devemos tentar ao Senhor nosso Deus. É certo que os anjos de Deus acampam-se ao redor daqueles que temem ao Senhor para os protegerem, mas não devemos abusar disto tomando atitudes estúpidas. Deus nos concedeu inteligência para que fizéssemos bom uso dela. Isto já faz parte da proteção de Deus. Agir de maneira imprudente e ainda esperar o socorro de Deus é o mesmo que tentar a Deus. Por exemplo, não devemos acelerar o máximo e pedir para Deus nos proteger nas curvas. "De Deus não se zomba, o que o homem plantar, isto também irá colher" (Gl 6.9). Por falar nisto, muitos adpetos da teologia da prosperidade, movidos pela ambição consumista, acabam contraindo dívidas muito acima das suas posses, baseados numa pretensa fé de que Deus os ajudará de alguma forma. Isto não não se chama fé, mas, sim, má fé!

Deus pode nos curar sem o auxílio de remédios, mas também pode fazer uso deles para nos sarar. Se alguém se sente curado, deve primeiramente receber um atestado médico de cura antes de suspender qualquer medicação, pois está escrito: "não tentarás ao Senhor teu Deus".

Satanás tentava a Cristo lançando dúvidas sobre sua filiação, provocando-o com a expressão: "Se és filho de Deus…". Jesus não entrou na provocação do Diabo, pois ele estava firmado na Palavra de Deus. Dias antes, por ocasião de seu batismo, ele ouvira a voz do Pai que dizia: "Este é o meu filho amado!" Jesus dava ouvidos a Deus e não a Satanás!

Jesus venceu o diabo, firmando-se na Palavra de Deus. Satanás mencionou as Escrituras, mas de modo seletivo e fora do contexto, assim como fazem os pregadores da teologia da prosperidade e todos os demais hereges. Jesus mostrou-se um profundo conhecedor das Escrituras e as usou apropriadamente como uma espada bem afiada para botar o diabo em fuga.

"Resisti ao diabo e ele fugirá de vós!" Assim, Jesus venceu as tentações da teologia da prosperidade. Sigamos o seu exemplo! Sejamos seguidores de Cristo e não de pregadores hereges.

Esta palavra de alerta contra a teologia do prosperidade, não significa uma defesa da teologia da pobreza, pois não concordamos com tais extremos. De fato, há ricos e ricos e pobres e pobres. Ou seja, nem riqueza e nem pobreza por si mesmas são sinais incontestáveis de fé ou de falta de fé, de virtude ou de pecado. Não devemos concluir que alguém é abençoado espiritualmente por possuir muitos bens materiais e nem podemos dizer que alguém está pobre por falta de fé. Encontramos na Bíblia exemplos de justos que eram ricos como Abraão, José e Davi, e de justos que eram pobres como José e Maria, Jesus e seus discípulos. A história de Jó nos ensina que um justo pode cair enfermo e experimentar a pobreza como também pode receber cura e receber muitas riquezas. O Apóstolo Paulo disse que já havia experimentado carestia e fartura e havia aprendido a estar contente em toda e qualquer circunstância.

Somos contra a teologia da prosperidade porque ela ensina que Deus tem de nos fazer ricos e saudáveis. Uma coisa é ensinar que Deus tem o poder outra bem diferente é ensinar que Ele tem o dever. Deus não nos deve nada! Ele é livre para agir como bem quiser. Deus tem uma sabedoria muito além da nossa. Deus em sua soberania consegue traçar um bom caminho no meio do deserto e da tormenta (Naum 1.3). Partilhamos da teologia bíblica, sim, da teologia da possibilidade de Mesaque, Sadraque e Abednego que diante do Rei Nabucodunosor que os ameaça jogar na fornalha caso não adorassem um ídolo, responderam dizendo: "Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, é que nos pode livrar; ele nos livrará da fornalha de fogo ardente, e da tua mão, ó rei.

E, se não, fica sabendo ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste" (Dn 3.17-18). Vemos aí que eles criam que Deus era poderoso para operar um milagre, mas também estavam preparados para enfrentarem a morte caso fosse esta a vontade de Deus para eles.

Interessante observar que Deus livrou o Apóstolo Paulo da morte em distintas ocasiões, mas sabemos também que chegaria o dia em que o corpo de Paulo seria entregue como libação: "Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé" (2 Tm 4.6.10). E, o capítulo 12 de Atos, conta como Herodes matou a Tiago, irmão de João, mas não conseguiu fazer o mesmo com Pedro, que milagrosamente foi liberto da prisão. Por que teria Deus libertado somente a Pedro? Por que o mesmo anjo que libertou a Pedro não libertou também a Tiago? Sabemos que mais tarde, o próprio Pedro irá morrer como um mártir. Por que Paulo disse: "Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro" (Rm 8.36)? Vemos em tudo isto que a Bíblia não dá margem para uma teologia da prosperidade que quer tratar a Deus como se Ele fosse como o Gênio da Lâmpada de Aladim.

Deus tem vontade própria. Deus tem seus caminhos. Orar não é dar ordens a Deus. Orar não é reivindicar e exigir coisas de Deus. Orar não e preencher um cheque em branco assinado por Deus. Pois aprendemos na Bíblia que Deus somente atende as orações que estão de acordo com a sua vontade: “Esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade ele nos ouve” (1 João 5.14); “Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, com o fim de satisfazerdes as vossas paixões” (Tg 4,3).

Boa parte da multidão que buscava a Jesus estava interessada somente nos milagres de cura e multiplicação de pães, o que chateou a Jesus a ponto dele dizer: "Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará" (Jo 6.26). No final deste discurso de Jesus, muitos a maioria o abandonou pois realmente só estavam interessados em Cristo como um meio para obtenção de bens físicos e materiais (Jo 6.66).

O discurso de Jesus vai de encontro ao discurso dos pregadores da teologia da prosperidade, que, ao contrário de Jesus, estão pregando o que o povo quer ouvir e não o que o povo precisa ouvir. Tais pregadores são prisioneiros do espírito que opera sobre os filhos da desobediência, estão plenamente conformados ao espírito deste mundo e estão buscando popularidade, poder e dinheiro, tentações estas que Jesus resistiu heroicamente.

Ouçamos a mensagem de Jesus e busquemos primeiramente o Reino de Deus e a sua justiça, acumulando tesouros nos céus e não aqui na Terra. "Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus" (Cl 3.1).

“Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4.7).

Bispo Ildo Mello

Declaração sobre a teologia da prosperidade+

Um grupo de teólogos representando diversas denominações evangélicas produziram a seguinte declaração a respeito dos preocupantes ensinos da teologia da prosperidade:

Nós definimos o evangelho da prosperidade como o ensino que os crentes têm o direito às bênçãos de saúde e riqueza e que eles podem obter essas bênçãos através de confissões positivas da fé e da semeadura "das sementes", através do pagamento fiel dos dízimos e ofertas. Reconhecemos que o ensino da prosperidade é um fenômeno que atravessa as barreiras denominacionais. A teologia da prosperidade pode ser encontrada em diferentes graus no meio protestante, pentecostal, bem como nas igrejas católicas carismáticas.

Reconhecemos, ainda, que existem algumas dimensões do ensino da prosperidade que tem raízes na Bíblia, e afirmamos a veracidade de tais elementos como veremos mais abaixo. Nós não queremos ser apenas negativos, e reconhecemos a terrível realidade social dos países em que tal ensino mais floresce, fornecendo uma medida de esperança aqueles que estão em desespero. No entanto, apesar de reconhecer essas características positivas, é nossa opinião geral de que os ensinamentos daqueles que mais vigorosamente promovem o "evangelho da prosperidade" são falsos e são produtos de uma grave distorção da Bíblia, e que sua prática é muitas vezes antiética e anticristã, e que o impacto sobre muitas igrejas é pastoralmente prejudicial, espiritualmente insalubre, e não só não oferece nenhuma esperança duradoura, mas pode até desviar as pessoas da mensagem e os meios de salvação eterna. Em tais dimensões, pode muito bem ser descrita como um falso evangelho.

Fazemos um apelo para uma reflexão mais profunda sobre estas questões no seio da Igreja cristã.

1. Afirmamos nossa fé na graça e no poder milagroso de Deus, e parabenizamos as igrejas que crescem demonstrando o genuíno poder de Deus estimulando os crentes a exercitarem sua fé no poder sobrenatural do Deus vivo. Acreditamos no poder do Espírito Santo.

No entanto, nós rejeitamos como antibíblica a idéia de que o poder miraculoso de Deus pode ser tratado como automático, ou à disposição de técnicas humanas, ou manipulado por palavras humanas, ações ou rituais.

2. Afirmamos que existe uma visão bíblica de prosperidade terrena, e que a Bíblia inclui o bem-estar material (saúde e riqueza) no seu ensinamento sobre a bênção de Deus. Precisamos estudar a Bíblia inteira com o devido cuidado para ser coerente com o ensino global de ambos os Testamentos. Nós não devemos dicotomizar o material e o espiritual.

No entanto, rejeitamos a noção bíblica de que o bem-estar espiritual pode ser medido em termos de bem-estar material, ou que a riqueza é sempre um sinal da bênção de Deus (uma vez que pode ser obtido pela opressão, o dolo ou a corrupção), ou que a pobreza ou a doença ou morte, são sempre um sinal de maldição de Deus, ou a falta de fé, ou produto de maldições humanas (já que a Bíblia nega explicitamente que seja sempre este o caso)

3. Afirmamos o ensino bíblico sobre a importância do trabalho duro, e do uso positivo de todos os recursos que Deus nos deu – habilidades, dons, a terra, educação, sabedoria, riquezas, etc. E, na medida em que alguns ensinos da Teologia da Prosperidade incentivam essas coisas, pode haver um efeito positivo na vida das pessoas. Nós não acreditamos em um ascetismo que rejeita totalmente tais coisas, ou em um fatalismo bíblico, que vê a pobreza como um destino infalível que não pode ser combatido e superado.

No entanto, nós rejeitamos como perigosamente contraditórios com a graça soberana de Deus, a noção de que o sucesso na vida é inteiramente devido ao nosso próprio esforço, fé, luta, negociação, ou inteligência. Rejeitamos os elementos da Teologia da Prosperidade que são praticamente idênticos ao 'pensamento positivo' e outros tipos de técnicas de "auto-ajuda".

Nós também nos entristecemos ao observar que a os ensinos da Teologia da Prosperidade sublinham a riqueza e sucesso individual, sem chamar a atenção para nossa responsabilidade social de cada indivíduo.

4. Reconhecemos que a teologia da prosperidade floresce em contextos de grande miséria, e que para muitas pessoas, representa a sua única e última esperança de um futuro melhor, ou mesmo para um presente mais suportável. Não podemos nos conformar com a miséria que assola a humanidade. Reconhecemos e confessamos que, em muitas situações, a Igreja perdeu a sua voz profética na arena pública.

No entanto, não acreditamos que a Teologia da Prosperidade ofereça uma resposta útil ou bíblica para os que vivem numa condição de pobreza, principalmente em países extremamente pobres. E observamos que grande parte desse ensino vem de fontes norte-americanas, onde as pessoas não são materialmente pobres da mesma maneira. a. É muito comum observar que os pregadores da teologia da prosperidade são os que realmente prosperam, enquanto a multidão de seus seguidores continua na mesma e agora tem ainda sobre si a carga adicional das esperanças frustradas. b. É enganoso atribuir ao diabo todos os infortunios da vida, sem reconhecer às causas econômicas e políticas, incluindo a injustiça e a exploração de práticas desleais de comércio internacional, etc. c. A Teologia da Prosperidade tende a vitimar os pobres, fazendo-lhes sentir que a pobreza é culpa deles próprios, consequência de sua falta de fé, (coisa que a Bíblia não faz), deixando de abordar e denunciar aqueles cuja ganância promove a pobreza dos outros (o que a Bíblia repetidamente denuncia). d. A Teologia da Prosperidade realmente não ajuda a resolver a questão da pobreza e não dá uma resposta e não dá uma resposta sustentável para as verdadeiras causas da pobreza.

5. Aceitamos que alguns professores da teologia da prosperidade procuram usar a Bíblia para explicar e promover os seus ensinamentos.

No entanto, fazem isto de maneira desastrada e distorcida. Fazem uma leitura seletiva e manipuladora das Escrituras Sagradas para favorecer seu ponto de vista. Apelamos para a necessidade de uma exegese mais atenta dos textos, e uma visão mais holística da hermenêutica bíblica, e denunciamos a maneira com que muitos textos estão sendo interpretados de maneira distorcida, completamente fora de contexto, aplicados de modo a contradizer muitos ensinos claros da Bíblia.

E, principalmente, lamentamos o fato de que em muitas igrejas onde a teologia prosperidade é dominante, a Bíblia é raramente pregada de forma cuidadosa ou explicativa, e caminho da salvação, incluindo o arrependimento do pecado e da fé salvadora em Cristo para perdão dos pecados, e a esperança da vida eterna, é deturpado e substituído pela ênfase no bem-estar material.

6. Alegramo-nos com o fenomenal crescimento do número de cristãos professos, em muitos países onde as igrejas que adotaram os ensinamentos de prosperidade e prática são muito populares.

No entanto, o crescimento numérico não é sinônimo de saúde espiritual e nem sempre vem acompanhado do verdadeiro ensino bíblico. Popularidade não é prova de verdade, e as pessoas podem ser enganadas em grande número.

7. Observamos que muitas pessoas foram enganadas por este tipo de ensino que os levaram a falsas expectativas, e quando estas não são satisfeitas, as pessoas desistem de Deus, perdendo a fé por completo e, escandalizadas e frustradas, abandonam a igreja. Isto é trágico, e deve ser muito doloroso para Deus.

8. Reconhecemos que muitos pregadores da teologia da prosperidade têm suas raízes nas igrejas evangélicas.

Mas lamentamos a clara evidência de que muitos deles têm, na prática, afastado-se dos princípios fundamentais da fé evangélica, incluindo a autoridade e prioridade da Bíblia como a Palavra de Deus e a centralidade da cruz de Cristo.

9. Sabemos que Deus às vezes coloca os líderes em posições de fama pública para produzirem influência mais significativa na sociedade.

No entanto, há aspectos do estilo de vida e do comportamento de muitos pregadores da teologia da prosperidade que são deploráveis, imorais e idólatras do deus do Mammon, que são marcas dos falsos profetas, de acordo com as normas da Bíblia. Estas incluem: a. estilos de vida Flamboyant de riqueza excessiva e extravagante b. Uso de técnicas de manipulação e c. ênfase constante em dinheiro, como se fosse um bem supremo – que é Mamom d. Substituindo o tradicional apelo ao arrependimento e à fé por uma chamada a dar dinheiro como prova de sua fé para obtenção de cura e prosperidade. e. Avareza que é idolatria f. Vivendo e se comportando de maneiras que são totalmente incompatíveis com qualquer exemplo de Jesus ou com o padrão de discipulado que ele ensinou. g. Ignorar ou contradizer o forte ensinamento do Novo Testamento sobre os perigos da riqueza e do pecado da cobiça e da idolatria a Mamom. h. Falta de pregar a palavra de Deus de uma forma que alimenta o rebanho de Cristo i. Negligencia da pregação e do ensino do puro evangelho que conclama o pecador ao arrependimento arrependimento, fé e esperança na vida eterna. j. Deixam de pregar todo o conselho de Deus, para dizer aquilo que as pessoas querem ouvir. k. Substituindo o tempo para o evangelismo com eventos de angariação de fundos e recursos Este é um resumo das observações feitas por muitos contribuintes que estão envolvidos no congresso mundial de Evangelização que acontecerá este ano na cidade do Cabo na África do Sul. A Statement on the Prosperity Gospel – Lausanne Theology Working Group. (Tradução Bispo Ildo Mello)

“Liquidação! 900 Reais por uma unção financeira!”+

Uma crítica a comercialização do sagrado Por Bispo José Ildo Swartele de Mello Fiquei estarrecido ao ver o Silas Malafaia e o Morris Cerullo na TV comercializando uma tal unção de prosperidade financeira ao custo de R$ 900,00. E olha que o programa teve horas de duração totalmente focadas no comércio desta suposta unção financeira. Esta fórmula de se fazer dinheiro parece mesmo funcionar, pois o programa foi reprisado várias vezes. O que faz lembrar o famigerado “ligue já” de Walter Mercado.

Cerullo apelou para numerologia para propor a oferta de 900 Reais, dizendo que estamos em 2009, e que 9 representa plenitude, de modo que os que ofertassem 900 receberiam, ainda este ano, uma prosperidade plena, algo jamais visto, o cumprimento de todas as promessas de Deus para as suas vidas. Uma oferta realmente tentadora para justificar um investimento alto! Mesmo assim, não ficou claro porque ele induz o telespectador a contribuir com 900 e não com apenas 9 Reais, visto não estarmos no ano de 2900, mas, sim, em 2009! Marqueteiro que nem ele só, Cerullo chegou ao disparate de afirmar que os ofertantes receberiam uma Bíblia de brinde que valeria mais de 900 Reais. Peça rara ou pregação de peça!

Lutero deve ter se revirado no túmulo, pois o protestantismo surgiu exatamente contra a comercialização do sagrado. Suas 95 teses protestavam contra a abominável prática católica de cobrança para concessão de perdão de pecados. A salvação é de graça e as bênção de Deus são gratuitas: “vós, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite” (Is 55.1).

Certa vez, um mágico chamado Simão, maravilhado com os prodígios operados no ministério de Pedro, quis negociar com o apóstolo, oferecendo dinheiro para adquirir aquele dom espiritual. Sabe como Pedro reagiu àquela proposta indecente? Indignado, "Pedro, porém, lhe respondeu: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois julgaste adquirir, por meio dele, o dom de Deus. Não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois da tua maldade e roga ao Senhor; talvez te seja perdoado o intento do coração” (At 8.18-22).

“De graça recebestes e de graça dai” (Mt 10.8), disse Jesus, que em outra ocasião ficou muito irado com aqueles que praticavam comércio das coisas espirituais, tanto que, com um chicote na mão, expulsou os vendilhões do templo, chamando-os de “ladrões e salteadores”. Jesus estava sempre advertindo seus seguidores a respeito do cuidado que se deve ter contra os mercenários (Jo 10.1,12). O Apóstolo Pedro também advertiu a igreja a respeito dos falsos profetas espertalhões que “movidos por avareza”, procurariam fazer comércio da boa fé do povo de Deus. (2Pe 2.3).

Isto é fruto da maldita teologia da prosperidade que o que produz na verdade é a prosperidade de seus pregadores. O Apóstolo Paulo alerta a Igreja contra os falsos profetas e pastores que ensinam heresias por pura ganância: "Aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância." [Tt 1.11].

A teologia da prosperidade é produto desta sociedade de consumo, prometendo conceder através da fé tudo aquilo que as propagandas dizem que uma pessoa precisa ter para ser feliz. Transforma a fé em uma varinha de condão e faz do nome de Jesus, uma espécie de abracadabra ou lâmpada de Aladim para a realização de todos os sonhos despertados pela sociedade de consumo. Diante da grande mentira de que o prazer, o sucesso e o bem-estar físico, econômico e social são o grande alvo da vida e que tudo isto está acessível a todos. Iludido, o freguês busca no consumo a realização imediata deste ideal, mas tem de lidar com a realidade de uma vida de privações, injustiças, lutas e muitos sofrimentos. Frustrado, desamparado e só está o freguês, que se sente fracassado e oprimido pela ditadura do ter. Agora, nem na igreja, encontra ele respostas para a sua dor, mas apenas ainda mais culpa por não ter tido fé suficiente para ter sido bem sucedido na vida profissional ou para ter sido curado de algum mal.

Mas, as vítimas deste golpe não são tão inocentes assim, como bem falou o Apóstolo Paulo dizendo que “… os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão” (1Tm 6.4-11).

A espiritualidade cristã não pode ser confundida com prosperidade financeira, nem com sucesso e nem com saúde. Pois, fosse este o caso, não poderíamos considerar nem a Jesus e nem os apóstolos como homens espirituais, visto que eram pobres, ficavam doentes, passaram muitas necessidades, sofreram perseguições, foram presos, desprezados pelo mundo e foram martirizados. Jesus mesmo disse que não tinha onde reclinar a cabeça (Mt 8.20) e não tinha dinheiro sequer para pagar o imposto, tendo que solicitar a Pedro que pescasse um peixe que teria uma moeda dentro de si que serviria para pagar esta divida (Mt 17.24-27), pois sabemos que Jesus, sendo rico se fez pobre (2 Co 8.9). Pedro e João disseram claramente que não possuíam ouro nem prata (At 3.6). Paulo experimentou período de pobreza (Fl 4.11, 2 Co 6.10, Tg 2.5). Comunidades inteiras de cristãos do Novo Testamento eram muito pobres (2 Co 8.2, Rm 15.26, Ap 2.9). A própria Maria, entre todas as mulheres a mais agraciada, não teve um lugar descente para dar a luz ao seu Filho bendito. Todas as portas se fecharam e apenas a porta do curral foi a que se abriu para ela e para José seu esposo. Ela não ficou murmurando e nem ficou rejeitando aquele lugar fétido e incipiente. Ela não ficou ali inconformada reivindicando um lugar condizente a sua condição de bendita entre todas as mulheres. Ela, pelo contrário, aceitou a sua própria cruz, acolheu a bendita graça de padecer por Cristo e não de somente crer nEle (Fl 1.13). Foi naquele curral e naquela manjedoura improvisada de berço que se fez Natal. A noite mais feliz da história humana! Eis aí mais um exemplo do privilégio de participar dos sofrimentos de Cristo e completar o que falta de suas aflições (Co 1.24). Perguntaram a William Booth, fundador do Exército de Salvação, qual era o segredo do seu sucesso, ele respondeu: "Deus teve de mim tudo o que Ele quis". Infelizmente os evangélicos seduzidos pelo consumismo têm feito o contrário: exigem de Deus tudo o que eles querem.

Com isto, não queremos dizer que Deus não possa prosperar ou curar. Dizer que Deus pode não é o mesmo que dizer que ele deva. A teologia da prosperidade nega a soberania de Deus, quando ensina que o uso da expressão “se for da Tua vontade” anula a fé e destrói a oração. Mas Deus tem vontade própria! Somos nós quem devemos nos sujeitar a vontade dele e não ele a nossa. Enquanto a Teologia da Prosperidade ensina a orar exigindo e reivindicando coisas de Deus, a Bíblia ensina que nós não sabemos orar como convém (Rm 8.26), por isso é que a gente, às vezes, pede e não recebe, porque pede mal (Tg 4.3). Portanto, devemos orar de acordo com a vontade de Deus assim como orou Jesus no Getsêmani: “Não seja feita a minha vontade, mas a tua (Lc 22.42), pois “esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1Jo 5.14).

Concluo trazendo à nossa memória o texto de Daniel 3.15 a 18 que mostra que Sadraque, Mesaque e Abede-Nego não eram adeptos da teologia da prosperidade, mas, sim, da teologia da “possibilidade”. Pois eles confessavam crer no poder de Deus para libertá-los das mãos do Rei, mas entendiam que Deus poderia ter outro plano e estavam dispostos a entregarem-se totalmente à vontade de Deus seja ela qual fosse. “Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, ele nos livrará da fornalha de fogo ardente e das tuas mãos, ó rei. Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste”.

Portanto, cuidado com os ensinos e artimanhas dos falsos profetas (Mt 7.5, 15; 24.11; Mc 13.22; 2Tm 4.1-5).

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Respondendo às críticas ao artigo que escrevi contra a comercialização do sagrado

Respondendo às críticas ao artigo que escrevi contra a comercialização do sagrado+

"Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos" (Jd 3).

Recentemente, escrevi um artigo contra a comercialização do sagrado ( link para o artigo). Bem, o texto foi apreciado por muitos que entendem que não podemos nos calar diante dos hereges que exploram a boa e ingênua fé de muita gente. Mas, em contrapartida, muitos sentiram-se profundamente incomodados com minha atitude crítica. As queixas são de que eu, como pastor, não deveria estar falando mal de outros pastores, afinal, eles estão pregando o Evangelho e pessoas estão sendo salvas, e isto é o que importa. Dizem também que todo mundo comete erros e que eu deveria ser mais tolerante e me calar, passando apenas a orar por eles.

Bem, respondendo às críticas, primeiramente quero dizer que tais argumentos parecem engrossar o coro dos que defendem a idéia do: "ele rouba, mas faz!". Algo como "os fins justificam os meios". Sabe, conheço um "evangelista" que confessou ter inventado uma revelação em sonho que, na época, chegou a ser gravada em disco de vinil e foi um sucesso de vendas. Em defesa da farsa, ele alegava que, por causa do disco, muitos estavam sendo salvos. Sabiam que argumento semelhante foi usado para a introdução da idolatria na igreja católica? Alegavam que tal prática contribuía imensamente para a conversão de milhares de pagãos. Eis aí o perigo de tal pragmatismo. Devemos tolerar a mentira e a comercialização do sagrado sob o pretexto de estarem promovendo a salvação de muitos? De maneira alguma!

Por que se sentir incomodado com os que denunciam os hereges e não com os hereges em si? Jesus não tolerou os vendilhões do templo e nem tão pouco os hereges! E Deus disse: "não posso suportar iniquidade associada ao ajuntamento solene" (Is 1.11-14). Como podemos nos calar diante de tamanha barbaridade? Graças a Deus, Lutero seguiu o exemplo de Cristo e não se calou! Lutero denunciou os vendilhões do templo! Lutero combateu os hereges! Lutero protegeu as ovelhas dos lobos devoradores!

Jesus advertiu que haveria lobos disfarçados de ovelhas no meio do rebanho. Muitas ovelhas são ingênuas demais para discernir o perigo. Cabe ao pastor proteger o rebanho. É papel do pastor advertir as ovelhas sobre as artimanhas dos lobos. É papel do pastor enfrentar e combater os lobos!

Jesus foi enérgico contra os falsos profetas. Ele falou abertamente contra os mal intencionados líderes religiosos de sua época. Suas palavras mais duras foram dirigidas aos pastores hipócritas (Mt 23). Publicamente, os chamou de "hipócritas, sepulcros caiados e raça de víboras". Jesus usou o chicote para expulsar os vendilhões do templo, pois o zelo pela casa de Deus o consumia! Onde foi parar o zelo devido pela casa do Senhor que é a sua igreja? O Bom Pastor enfrenta o lobo e dá a vida pelas suas ovelhas!

Jesus elogiou a igreja de Éfeso por ter desmascarado os falsos apóstolos: "Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes suportar os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e o não são, e tu os achaste mentirosos" (Ap 2.2).

O Apósto Paulo também profetizou dizendo: "Sei que depois da minha partida, surgirão lobos vorazes que não pouparão o rebanho" (At 20.29, Mt 7.15). “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência” (1 Tm 4. 1-2). E Paulo ainda chamou os falsos mestres de cães (Fp 3: 2).

E Pedro também é categórico: "Entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras… por causa deles será blasfemado o caminho da verdade; também, movidos pela ganância, e com palavras fingidas, eles farão de vós negócio." (2 Pe 2.1 a 3). O nome de Deus está sendo blasfemado por causa do comportamento e ensino destes embusteiros. Seria melhor se os escândalos envolvendo pastores fossem realmente produto de uma perseguição gratuita de uma mídia preconceituosa, mas, infelizmente, não é o que se verifica, pelo menos, na grande maioria dos casos.

Os evangélicos estão sendo ridicularizados por culpa do comportamento escandaloso dos lobos gananciosos e devoradores que não estão poupando o rebanho. "É inevitável que venham os escândalos, mas ai daquele que é motivo de escândalo" e "ai daquele que serve de pedra de tropeço". Estes pastores mercenários escandalizam e fazem tropeçar a muitos. Quem poderia contar o número de pessoas que deixaram de se converter ou se afastaram da fé por conta destes impostores? E quem pode calcular o estrago que ainda está por vir?

Certamente as Escrituras Sagradas não são a fonte de inspiração daqueles que dizem que devemos nos calar diante dos hereges e vendilhões do templo.

Precisamos odiar as heresias. "Odiai o mal, e amai o bem, e estabelecei na porta o juízo" (Am · 5:15 e Sl 97.10). "Odiai o mal e apegai-vos ao bem" (Rm 12.9). Quem ama a verdade, odeia a heresia. Sabemos que uma pessoa ama a verdade quando notamos a sua aversão ao erro, pois quem ama a verdade não pode ser complacente com a heresia.

Como alguém pode dizer que ama a sã doutrina, quando não sente aversão pelas doutrinas contrárias? Como podemos dizer que amamos a Deus, sua luz e verdade, quando nos calamos diante de seus inimigos que espalham trevas e mentiras? Não podemos fazer as pazes com o erro. Não podemos ceder aos hereges. Se formos complacentes com o câncer, ele nos devorará. O amor e a tolerância não podem estar a serviço dos que deturpam a verdade. "Odiai o mal!" Vamos seguir o exemplo de Cristo, dos Apóstolos e também da igreja de Éfeso (Ap 2.2). Portanto, parafraseando o Apóstolo Judas, concluo dizendo: "Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos" (Jd 3).

Por amor a Cristo e a Sua Palavra, Bispo José Ildo Swartele de Mello

Desmascarando os Erros da Teologia da Prosperidade na Interpretação de Isaías 53+

Por Bispo Ildo Mello Apoiados em passagens como Isaías 53.4–5, os adeptos da Teologia da Prosperidade defendem a promessa de cura física plena nesta vida. Entretanto, é fundamental examinar o texto cuidadosamente, tanto em seu contexto imediato quanto à luz do conjunto das Escrituras, para verificar se essa leitura realmente se sustenta.

1. “Nossas Enfermidades” no Contexto de Isaías Em Isaías 53, o profeta descreve o Servo Sofredor (cumprido em Cristo), que toma sobre si não apenas o pecado da humanidade, mas também as consequências da queda, abrangendo aspectos espirituais, físicos e emocionais.

Ênfase Espiritual:

O capítulo 1 de Isaías compara o povo pecador a um corpo enfermo, aludindo a uma realidade espiritual:

“Toda a cabeça está doente, e todo o coração está enfermo. Desde a planta do pé até a cabeça não há nada são, mas feridas, contusões e chagas abertas…” (Is 1.5–6).

Nesse contexto, “enfermidade” simboliza rebeldia, corrupção moral e separação de Deus. Por isso, quando Isaías 53.4 fala em “nossas enfermidades”, a profecia certamente inclui o problema do pecado e sua barreira espiritual, que afeta o relacionamento humano com o Criador. É nesse sentido que Pedro cita esse texto aplicando-o à libertação do pecado:

“Ele mesmo levou os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro, para que, tendo morrido para os pecados, vivamos para a justiça; pelas suas feridas vocês foram curados” (1Pe 2.24).

Dimensão Física:

Ao mesmo tempo, a palavra “enfermidades” em Isaías 53 não exclui o sentido literal. O resultado do pecado no mundo também engloba doenças e sofrimentos físicos. Portanto, a linguagem de Isaías 53 pode abarcar tanto a cura do coração pecador quanto suas repercussões externas (doenças, dores, sofrimento).

O Evangelho de Mateus mostra que Jesus cumpriu Isaías 53.4 em seu ministério terreno ao curar a sogra de Pedro:

“Assim se cumpriu o que fora dito pelo profeta Isaías: ‘Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças’.” (Mt 8.14–17)

Aqui se vê que a expressão de Isaías 53 se aplica às curas realizadas por Jesus, demonstrando Seu poder sobre doenças físicas. Ainda assim, o cumprimento final dessa profecia — a restauração completa da criação — ocorrerá apenas na consumação dos séculos, quando “Ele enxugará de seus olhos toda lágrima […]; não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor” (Ap 21.4).

2. Entre o “já” e o “ainda não”

Ao interpretar Isaías 53.4–5 como se o cristão tivesse, nesta vida, um direito inquestionável à cura, a Teologia da Prosperidade ignora o aspecto escatológico que equilibra a perspectiva bíblica. É verdade que Cristo inaugurou o Reino de Deus e manifestou seu poder curador em seu ministério terreno; contudo, a experiência completa de restauração só será consumada na eternidade.

Já:

Cristo inaugurou o Reino de Deus e demonstrou Seu poder curador durante o ministério terreno. Ainda hoje, podemos vivenciar curas divinas, conforme a vontade soberana de Deus. Tais curas são sinais do Reino, as “primícias” de uma realidade ainda não plenamente manifestada.

Ainda não:

Embora possamos experimentar curas, permanecemos sujeitos a doenças, dores e, por fim, à morte, pois ainda gememos, aguardando a redenção completa de nosso corpo, que segue mortal e corruptível (cf. Rm 8.22–23). Vivemos em uma condição de peregrinação, com limitações físicas que culminam na morte — afinal, ninguém morre de “saúde”; toda morte implica a falência de algum aspecto do organismo.

Essa tensão entre o “já” e o “ainda não” evidencia que, apesar de Deus operar curas em nossa jornada, a restauração completa do corpo só se consumará na glorificação futura, quando “o que é corruptível se revestirá de incorruptibilidade” (1Co 15.53–54).

3. O Erro de Ignorar que Mesmo Servos Fiéis Padecem Enfermidades As Escrituras mostram que os cristãos continuam a enfrentar sofrimentos (cf. Fp 1.29; 2Tm 3.12), incluindo doenças. O próprio apóstolo Paulo lidou com um “espinho na carne” que não lhe foi removido, apesar de suas orações (cf. 2Co 12.7–9). Além disso:Timóteo tinha enfermidades frequentes; em vez de recomendar apenas “mais fé”, Paulo aconselhou um remédio prático (um pouco de vinho) para fins medicinais (cf. 1Tm 5.23).

Epafrodito quase morreu em decorrência de uma doença (cf. Fp 2.27).

Trófimo foi deixado enfermo em Mileto (cf. 2Tm 4.20).

Esses exemplos deixam claro que a cura física não é garantida de forma contínua a todos os cristãos. Deus pode curar, mas o faz segundo Sua soberania e propósito. A promessa de cura plena — sem enfermidade nem morte — só será cumprida na ressurreição final, quando Cristo consumar Seu Reino.

Conclusão

Isaías 53.4–5 apresenta uma profecia abrangente, que envolve a redenção do pecado e de todas as suas consequências, tanto no âmbito espiritual quanto no físico. O ministério terreno de Jesus já apontou para essa restauração ao curar enfermos e perdoar pecados, mas a plenitude só será atingida na nova criação, quando todo sofrimento for removido (cf. Ap 21.4).

Por isso, é incorreto usar Isaías 53 como garantia de que o crente jamais ficará doente neste mundo. O testemunho das Escrituras e a experiência cristã mostram que continuamos expostos à realidade de um mundo caído até a volta de Cristo. Devemos, portanto, anunciar a esperança bíblica de que, embora sejamos sujeitos à dor nesta vida, temos a promessa segura de que seremos finalmente libertos de toda aflição na consumação do Reino de Deus, quando será destruído o último inimigo, a saber, a morte (cf. 1Co 15.26).

Até lá, podemos desfrutar as “primícias do Espírito” (Rm 8.23) e a certeza de que nada poderá nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm 8.38–39).

Inflação! O preço da bênção aumentou de 900 para 1.000 Reais!+

Novidades do programa de TV do Pr. Silas Malafaia. O preço da bênção aumentou! Eram 900 Reais no segundo semestre do ano passado e agora passou para 1.000. Hum… Deve ser a inflação!

Sabe, o profeta também já não é mais o Morris Cerullo, agora é o Mike Murdock quem promete liberar unção financeira de Boaz, acompanhada da conversão de todos os familiares e a restituição de sete vezes mais de tudo o que o diabo roubou, tudo isto cumprindo-se até o final deste ano. Lembram-se de que o Morris Cerullo havia prometido a liberação de uma inacreditável unção financeira até o final do ano passado sobre a vida de todos os que contribuíssem com 900 Reais? Será que a promessa se cumpriu na vida de todos os que caíram neste conto do vigário? Quem saberia dizer?

Bem, o que sabemos é que houve uma mudança de profeta, embora a estratégia continue a mesma. Agora, é o Mike Murdock quem promete uma tripla bênção ainda mais tentadora que a do Cerullo, apelando para o sonho do crente de ver toda a sua família convertida ao Senhor. Mas a liberação de tamanhas bênçãos tem um preço: 12 parcelinhas de 1.000 Reais. Estaria, mesmo, o Espírito Santo aguardando a sua generosa contibuição para o programa de TV do Pr. Silas Malafaia para promover a conversão de seus familiares e lhe enriquecer? Se for assim, ficam sem esperanças todos aqueles que não tiverem condições financeiras de fazer parte do clube do milhão.

O protestantismo surgiu contra a prática católica de se cobrar dinheiro para liberação do perdão dos pecados. É com tristeza que vemos pastores negando o Evangelho e a tradição protestante ao condicionarem a liberação de bênçãos ao pagamento de determinada quantia financeira.

Mas não foi assim que Jesus ensinou. Pelo contrário, o Senhor comissionou os seus discípulos dizendo: "DE GRAÇA RECEBESTE, DE GRAÇA DAÍ" (Mat. 10.8). Então, que estória é essa de condicionar a liberação de bênçãos ao pagamento de mil Reais para a manutenção de um programa de TV?

"Aproveite a promoção! Semeie 1.000 hoje e resolva todos os problemas familiares e financeiros da sua vida até o final do ano!" O disparate é tão grande, que a gente fica imaginando o quanto não custará a conversão de nossos familiares no próximo ano.

Que os verdadeiros Protestantes se levantem contra os inúmeros falsos profetas que estão mercadejando o Evangelho.

No temor do Senhor, Ildo Mello Bispo da Igreja Metodista Livre do Brasil: www.metodistalivre. org.br Twitter: http://twitter.com/ ildomello Meu Blogs: http://escatologiacrista. blogspot.com/ http://imeldemirandopolis. blogspot.com/ Link para vídeo do Sermão em que trato deste assunto: http://www.divshare.com/download/11032720-270

A falaciosa distinção entre “logos” e “rhema”+

Cuidado com as invencionices dos hereges que deturpam a palavra de Deus para confundirem os seguidores de Cristo. Não caia na armadilha daqueles que ensinam haver duas espécies de palavra de Deus, baseados em uma forçada e ilusória distinção entre os termos gregos "logos" e "rhema" que significam "palavra". Eles dizem que "logos" é usado para designar a palavra genérica e objetiva de Deus para todos os homens enquanto que "rhema" seria uma palavra mais subjetiva comunicada pelo Espírito para um indivíduo em particular que, no caso, deve apropiar-se dela como sua, reivindicando, exigindo e chegando mesmo ao ponto de dar ordens para Deus, usando "rhema" como uma varinha de condão que sujeita Deus aos nossos caprichos, como o gênio da lâmpada o era a Aladim. Um disparate que não condiz com o ensino bíblico, mas que tem muito a ver com neurolinguística, estendendo suas raízes até o gnosticismo antigo combatido pelos apóstolos, e que subsiste hoje em dia nas heresias da seita ciência cristã e, mais recentemente, no movimento de confissão positiva com sua teologia da prosperidade. Por conta disto, nota-se também o surgimento de mais e mais cristãos que passam a menosprezar o "logos" de Deus em busca da palavra "rhema", supostamente mais viva e poderosa.

No entanto, os termos gregos

"logos" e "rhema" são utilizados indiscriminadamente no Novo Testamento quando fazem referencia a "palavra" de Deus. Um claro exemplo disto, encontramos na Primeira Epístola de Pedro, quando ele usa os termos "logos" e "rhema" de modo indistinto para designar a palavra de Deus: "Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra (logos) de Deus, viva, e que permanece para sempre. Porque Toda a carne é como a erva, E toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor; Mas a palavra (rhema) do Senhor permanece para sempre (1 Pe 1:23-25).

Portanto, qualquer tentativa de separar a Palavra de Deus em duas categorias é artificial, fantasiosa e produz heresias. "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração  (Hb 4:12). A palavra de Deus, ou seja, toda a palavra de Deus é viva e eficaz e não uma em especial, como Jesus ressaltou: "Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus (Mt 4:4).

Bispo Ildo Mello

Apostando na Ilusão: O Elo Entre a Teologia da Prosperidade e as Bets+

O mesmo espírito que anima a teologia da prosperidade é o que impulsiona a febre das apostas esportivas (bets) que se espalham pelo Brasil e pelo mundo. Ambos exploram o desejo humano de mudança imediata, prometendo riquezas fáceis e soluções instantâneas para os desafios da vida. A teologia da prosperidade transforma a fé em um investimento de retorno garantido, onde o fiel é levado a “semear” ofertas esperando uma colheita multiplicada. Da mesma forma, as apostas iludem seus participantes com a ideia de que um simples palpite pode reescrever seu destino financeiro.

No fundo, ambos alimentam uma cultura de esperança vazia, onde o esforço, a disciplina e os princípios bíblicos de fidelidade, trabalho e contentamento são substituídos por uma mentalidade de “tudo ou nada”. Essa ilusão é especialmente perigosa porque aprisiona as pessoas em um ciclo de frustração e dependência, afastando-as da verdadeira fonte de provisão e segurança: Deus.

O resultado é um povo que, em vez de buscar sabedoria e diligência, vive à mercê da sorte e do engano, escravizado por falsas promessas. A teologia da prosperidade promete bênçãos que Deus nunca garantiu, e as apostas vendem uma ilusão estatisticamente improvável. Ambas corrompem a verdadeira fé, desviando o coração do contentamento em Cristo para a obsessão pelo dinheiro.

No fim das contas, a fé que aposta na sorte e a fé que aposta no dinheiro têm o mesmo destino: a frustração daqueles que confiaram em promessas vazias.