Estudos do Bispo Ildo · Santificação e Vida Cristã

Oração e Espiritualidade

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Resgatando a Cruz na espiritualidade evangélica+

(Conteúdo das palestras que o Bispo José Ildo dará na Primeira Igreja Presbiteriana Independente de Marília, 10 e 11 de Junho de 2004, sobre o tema:

“Resgatando a Cruz na Espiritualidade Cristã – Cruz e liderança Cristã”)

Gálatas 2.19 “Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo;” Gálatas 6.14 “Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo.”

Introdução:

Debate: Cruz X crucifixo Não é de hoje que a cruz é considerada o maior símbolo do cristianismo entre católicos e protestantes em geral, excetuando-se uma minoria extremista que vê na cruz um objeto de idolatria. Mas existe um debate entre católicos e protestantes em torno do crucifixo, ou seja, cruz com Cristo Crucificado comum entre os católicos e a cruz vazia defendida pelos evangélicos. Não quero aqui sair em defesa do uso do crucifixo, mas apenas mostrar a fraqueza dos argumentos de muitos evangélicos, que criticam os católicos argumentando em favor da cruz vazia, como se a cruz com Cristo significasse algo ultrapassado pela ressurreição. Conheci alguns evangélicos que chegavam a crer que os católicos não criam na ressurreição. Tem uma música chamada “Espelhos Mágicos” do Oficina G3 (gosto da banda e até desta música não fosse este detalhe) que, num determinado trecho, diz: “Só vêem um cristo vencido em dor. Não conhecem a cruz vazia, pois ressuscitou…” Este trecho da canção parece refletir este debate entre “cruz vazia X crucifixo” e o pensamento de que existem alguns ou muitos cristãos, provavelmente católicos, que “não conhecem a cruz vazia”, traduz-se: “não sabem que Cristo ressuscitou”. Sim, de fato, alguns crentes chegam a sugerir que os católicos estariam ignorando a ressurreição de Cristo. Bobeira oriunda da tentativa de desenvolver uma identidade evangélica latino-americana (no nosso caso) muito fixada em estabelecer contraste e fazer oposição à igreja católica. Picuinhas desta natureza são perigosas por acabarem levando a outros extremos, não necessariamente nesta ordem, pois pode ser que os outros extremos tenham vindo primeiro, mas pelo menos parece existir alguma relação entre eles, vejamos: Observo que, na comemoração da páscoa, a maioria evangélica chega a se esquecer da sexta-feira. Fogem do tema da cruz, pulam a cruz e vão direto para a ressurreição. E, a cruz, quando lembrada, é a cruz de Cristo e não também a do discípulo. Pode ser também que isto de evitar o tema da cruz possa ter contribuído em alguma medida para o sucesso do conceito pretribulacionista, tão proeminente entre os evangélicos brasileiros, com seu ensino escapista, que diz que Deus não permitirá que a igreja passe pela Grande Tribulação. Segundo este conceito teológico a igreja será arrebatada e o Espírito Santo será removido da Terra antes da manifestação do Anticristo. Mas parece bastante incoerente que o anticristo surja no cenário mundial apenas após o arrebatamento da igreja e a remoção do Espírito Santo. Mas como é que este inimigo poderá ser nomeado anticristo, visto que, segundo o pretribulacionismo, seriam removidos o Espírito Santo e a Igreja que é o Corpo de Cristo? Se este fosse o caso, este inimigo seria ANTI O QUÊ? Tem ainda a teologia da prosperidade que ensina que Cristo morreu e sofreu na cruz para que nós pudéssemos viver uma vida livre das doenças, necessidades, privações e sofrimentos, que cai como uma luva para aqueles que estão contaminados pelo espírito que atua neste mundo por traz desta sociedade de consumo e que também pensam na cruz apenas em termos do que Cristo sofreu por nós a fim de que pudéssemos desfrutar hoje de uma vida semi-paradisíaca na terra, propondo uma escatologia quase que realizada, pois que já poderíamos usufruir sem restrições de tudo o que Cristo conquistou na cruz como um direito nosso aqui e agora a ser apropriado pela fé, ignorando, portanto, que estamos vivendo no intervalo entre a primeira e a segunda vindas de Cristo, e que neste período presente, experimentamos apenas os primeiros frutos da colheita do Reino do Céu (Rm 8) e que vivemos em esperança, suportando angústias até agora aguardando a plenitude dos tempos que se dará com a manifestação do Filho de Deus por ocasião de sua segunda vinda. Vivemos no “já e ainda não”. Portanto, no mundo ainda temos aflições (Jo 16.33). Sabemos que Jesus Reina hoje (Ef 1.22) e que está pondo paulatinamente um a um os seus inimigos debaixo de seus pés (1 Co 15.25), mas ainda não vemos todos os seus adversários subjugados aos seus pés (Hb 2.8). A batalha decisiva já foi travada, Cristo já triunfou na cruz, mas a luta continua até a batalha derradeira do Armagedom. E a nós, como seus seguidores, nos cabe nos identificarmos com ele na sua luta e no seu sofrimento, carregando as nossas próprias cruzes, cumprindo assim o que resta dos sofrimentos de Cristo (Colossenses 1.24). Mas, voltando ao tema do debate entre católicos e protestantes, Paulo, por exemplo, não pregava apenas a cruz vazia e sua ênfase não recaiu sobre o a mensagem do Cristo ressuscitado, ainda que isto seja de vital importância. Na verdade, sua mensagem enfatizava Cristo crucificado! “Mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios (1 Coríntios 1.23); 1 “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (Coríntios 2.2). Nos textos de Gálatas mencionados acima, Paulo deixa claro que não somente Jesus havia sido crucificado, mas que ele também havia sido crucificado juntamente com Cristo de modo que o mundo estava crucificado para ele e ele para o mundo. O servo não é maior do que o seu Senhor, devendo o discípulo sempre ter a consciência de que, seguir o Servo Sofredor, que na cruz morreu, é se identificar com ele em todos os sentidos, não somente na glória da sua ressurreição, mas também na dor de seu sofrimento na cruz. Assim, quem quiser seguir o mestre e herdar o reino, deve estar disposto a tomar a sua própria cruz. Veremos também as implicações da cruz para a ética e a santificação cristãs e também para a pregação do Evangelho e o exercício da liderança cristã e do ministério pastoral.

Os primeiros discípulos de Jesus, a princício, também procuraram se esquivar do tema da cruz. Pois não a entendiam, não faziam muita questão de entender o seu propósito. Só enxergavam o que queriam ver, como alguém apaixonado que só olha o lado bom e agradável. Por exemplo, enquanto Jesus falava da cruz (Lc 9.44) e eles ignoravam o tema e logo mudavam de assunto inquirindo e disputando sobre algo que lhes parecia bem mais interessante, a saber: “qual de nós será o maior no Teu Reino?” (Lc 9.45-46). Os discípulos tinham uma concepção do messias apenas em termos do Rei vencedor que restauraria o Reino a Israel. Criam que ele se manisfetaria ao mundo com grande poder e glória ainda naqueles dias e não podiam pressupor um caminho de cruz, sofrimento, humilhação e rejeição nem sequer como estágio para o estabelecimento do seu Reino. Sentiam-se prontos para reinar com Cristo, mas tinham que aprender a ser menores como uma criança, pois o menor é que é, de fato, o maior, e também deveriam aprender a servir como servos de todos (Lc 9.47-48).

Em 1 Coríntios 1, vemos algo semelhante acontecendo só que no sentido inverso, ou seja, havia disputa entre os coríntios sobre quem seria o maior dos apóstolos, quem seria o melhor dos cristãos e qual grupo era o mais cristão de todos. Paulo responde a esta disputa que inclusive incluía o seu nome, dizendo que ele nunca quis um lugar de destaque e que ele só quis saber de Cristo e este crucificado. Paulo critica a sabedoria deste mundo que é míope para ver o poder e a sabedoria de Deus que se revelam na “fraqueza” da cruz. Leia o capítulo dois, que também aborda este tema. É por essas e outras que se diz que “levou 1 dia para tirar o povo do Egito e 40 anos para tirar o Egito do Povo!”.

Veja, no próprio capítulo 9 de Lucas, que os discípulos, por vezes, manifestaram o espírito deste mundo: “pediram para descer fogo do céu” (v.54). Jesus repreende perguntando “não sabeis de que espírito sois?” (v. 55). Os discípulos estavam agindo como agem os do mundo procurando destruir e eliminar os que fazem oposição), queriam impedir que alguém continuasse a pregar e a expulsar demônios somente por que não faziam parte do mesmo “time” (v. 49). Disputaram por posições (v. 46) e Pedro recomendou que Jesus desse um jeitinho de evitar a cruz como veremos a seguir com mais detalhes:

Pedro e o jeitinho brasileiro: Marcos 8.31-38. Ditados populares: “em tudo, dá-se um jeito” – “o negócio é levar vantagem em tudo, certo?”

Pedro também quis dar uma de esperto, quis dar um “jeitinho”, quase que “batendo 3 vezes na madeira” ou gritando algo como “tá amarrado!”, “esconjuro!” ou “vira essa boca pra lá!”; quando Jesus lhe falou sobre a inevitabilidade do caminho da cruz. Jesus sente a ação maligna por tais das palavras de Pedro e retruca imediatamente dizendo: “arreda Satanás pois cogitas das coisas dos homens e não das coisas de Deus.” (Mc 8.33). Mas uma vez vemos Jesus se levantando contra o espírito que opera nos filhos da desobediência, que os faz amarem e se escravizarem as coisas passageiras desta existência em detrimento das coisas celestiais que são eternas e que se encontram no caminho da obediência, no caminho da cruz. O discípulo deve estar disposto a carregar a cruz, não procurar fugir dela, como Pedro sugere. Nos versículos 34 e 35 Jesus convida a todos, dizendo: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me!”. “quem quiser, pois salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, salvá-la-á.”

O caminho do discipulado é o caminho da cruz. Devemos assumi-la como nossa a exemplo de Jesus Cristo, nosso mestre e Senhor, pois o discípulo não é maior que o seu mestre. A cruz fala da oposição e rejeição que Jesus recebeu neste mundo. As forças anticristãs responsáveis pela cruz de Cristo continuam a operar hoje contra os seus seguidores leais. Pois “todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos”. (2 Timóteo 3.12)

Outro exemplo: Tiago e João (Mt 20) queriam os primeiros lugares no Reino. Jesus pergunta, então, se eles estão dispostos a beber o cálice que Ele bebe. Sem refletir, prontamente respondem que sim. Jesus profetiza que eles certamente beberam deste cálice. Sabemos que Tiago (At 12.2) foi o primeiro dos doze apóstolos a ser morto como mártir e João o último. Jesus pediu para que o cálice fosse afastado dele, mas não teve jeito, aceitou tomá-lo livremente dizendo: “Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua.” (Lucas 22.42). “Mas Jesus disse a Pedro: Mete a espada na bainha; não beberei, porventura, o cálice que o Pai me deu?” (João 18.11). Pedro também tentou se esquivar do cálice, mas resignou-se ao seu destino. Tiago e João só estavam pensando na graça e glória de estarem ao lado de Cristo como primeiro ministros, mas nada sabiam ainda sobre a graça de padecer por Cristo. Todos os apóstolos parecem ter sido martirizados por amor a Cristo. Bem, Jesus mesmo já os havia prevenido: “Quem quiser vir após mim, negue a si mesmo e tome a sua cruz e siga-me” e também: “bebereis do meu cálice e sereis batizados com o batismo com que sou batizado”. Mateus 20.22: Mas Jesus respondeu: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu estou para beber? Responderam-lhe: Podemos.

Mateus 20.23: Então, lhes disse: Bebereis o meu cálice; mas o assentar-se à minha direita e à minha esquerda não me compete concedê-lo; é, porém, para aqueles a quem está preparado por meu Pai.

Identificados com a cruz do Senhor pelo batismo e pela participação na Ceia do Senhor:

Ignorais, porventura, que todos nós que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na Sua morte?… Pelo Batismo sepultamo-nos com Ele para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, mediante a glória do Pai, assim caminhemos, nós também, numa vida nova. Uma vez que nos tornamos com Ele num mesmo ser, por uma morte semelhante à Sua, também o seremos por uma Ressurreição semelhante. Sabemos todos que o homem velho foi crucificado com Ele, para que o corpo do pecado fosse destruído a fim de já não sermos escravos do pecado” (Rom 6,4-6).

Jesus disse que deveríamos fazer memória de seu sacrifício na cruz. Esquecer Morte de Jesus é privar o cristão daquilo que dá sentido à sua vida e também daquilo que deve marcar o seu estilo de vida. Não se deve entender a morte como algo superado pela ressurreição. Páscoa é descobrir a Vida que está no interior da morte. Descobrir na morte a Páscoa, como plenitude de Vida, como Vida definitivamente instalada na existência. Algo assim como na Primavera: abrem-se os botões e entregam a vida, gestada na aparente morte do Inverno. A Vida é o que de melhor alguém pode dar a seu semelhante. Quando alguém é capaz de dar a vida por seus semelhantes, é sinal de que vive em plenitude. Assim que, saber ler tudo isso na morte de Jesus, é descobrir a vida pascal. Na prática, fazer memória é identificar-se com Cristo e com Cristo Crucificado. Fazer memória da Paixão de Jesus significa manifestar no nosso agir diário, que acreditamos no mistério do Amor, da entrega do Filho de Deus pela salvação do homem, e porque acreditamos na sua obra salvífica e sabemos que permanece vivo na Sua Igreja, recordando-O, fazendo d’Ele memória, procuramos ser hoje como Ele foi outrora. Neste sentido, obedecer ao mandamento de “fazei memória de mim” não se dá somente através da celebração do ritual da Ceia do Senhor, mas também em tomar a própria cruz, seguindo e assumindo o modelo e o estilo de vida de Jesus aqui neste mundo como suas testemunhas que somos e devemos ser. Portanto, ser Espiritual é ter a mente de Cristo; Comer da carne, e beber do sangue significam estar em verdadeira união com Cristo. É não fazer vã a morte dele na cruz.

Lc 9 e 10 – Discípulo e a cruz v. 3 “não levem nada pelo caminho” v. 5 – rejeição “faz parte” v. 13 – “temos apenas 5 pães e dois peixinhos” v. 18ss – Pedro confessa pelo Espírito que JESUS É O FILHO DE DEUS, mas depois, tenta convencê-lo a dar um jeitinho de escapar da cruz. v.23 – não apenas Jesus, mas todos nós devemos carregar nossa cruz diariamente. v.44 – Jesus adverte que o Filho do Homem será traído e entregue nas mãos dos homens, mas eles não entendiam o que isto significava (v. 45) v.46 – disputavam por poder, posições e prestígio (espírito do mundo) v. 48 – para ser o maior tem que ser o menor – servo de todos. (0 avesso do espírito deste mundo)v.54 – Não queriam levar desaforo para casa. Espírito de vingança. Queriam subjugar os inimigos pela força. Boanerges. v. 55 – você não sabem de que espírito sois? v. 58 – Não tem onde reclinar a cabeça 10.3 – Enviados como cordeiros entre lobos.

Diz o Pe. Monier Vinard: ” Quem não sacrifica nada não ama. Quem sacrifica pouco ama pouco. Quem sacrifica tudo ama totalmente.” Tudo evoluciona, mas a cruz de Cristo permanece para novas conquistas, novos sacrifícios e novos triunfos sobre o mal. Não crê quem não crê até a morte, não ama quem não ama até ao sacrifício supremo. Aquele, de quem os cristãos tomaram o nome e é o seu Comandante, banhou a Cruz com Seu Sangue, abraçou-a como objeto há muito desejado, morreu sobre ele para vencer a morte e nos libertar da destruição eterna. O triunfo da Cruz será o triunfo total da justiça e da verdade. Todos assistirão a ele, todos participarão dele, mas nem todos da mesma forma. Só aqueles que combaterem pela Cruz de servo não se envergonharem dela, triunfarão com ela nesse dia, coroados de glória por toda eternidade.

“Já e Ainda Não” que caracterizam o Reino de Deus aqui neste mundo no tempo presente. A cruz deve caracterizar a vida dos cristãos neste mundo no intervalo entre a primeira e a segunda vindas de Crristo. Karl Barth disse o crente caminha à sombra da cruz e à luz da ressurreição. Jesus comparou o Reino de Deus a um grão de mostarda que é a menor das sementes, que, uma vez, plantado, cresce paulatinamente até se tornar a maior das hortaliças. Ensinando assim o caráter paulatino e gradativo do estabelecimento do Reino de Deus. O Seu Reino não se estabelece de maneira abrupta, de uma hora para outra, de maneira incontestável, mas, pelo contrário, começa pequeno no coração dos homens e vai se expandindo aos poucos até atingir sua maturidade. É por esta razão que, os apóstolos ensinavam o caráter paradoxal do Reino afirmando ao mesmo tempo o Senhorio de Cristo sobre todas as coisas e também que ainda não estavam vendo todas as coisas debaixo do seu domínio:

“Todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou fora do seu domínio. Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas;” (Hebreus 2.8). A batalha decisiva já foi vencida na cruz, mas a guerra continua, outras batalhas ainda estão sendo travadas até a batalha final. Neste sentido é que ainda é necessário que Ele reine até por todos os inimigos debaixo de seus pés (1 Co 15), tais inimigos resistem um pouco mais ainda que tenham sido mortalmente feridos na cruz. Por esta razão, ainda há muita tensão e vivemos numa guerra espiritual (Ef 6). Como cristãos sabemos que no mundo teremos aflições, ainda que Cristo tenha vencido o mundo (Jo 16.33). E, portanto, não devemos estranhar as perseguições e os sofrimentos. “Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. E nós também gememos.” (Romanos 8.22)

A espiritualidade cristã não pode ser confundida com prosperidade financeira, nem com sucesso e nem com saúde. Pois, fosse este o caso, não poderíamos considerar nem a Jesus e nem os apóstolos como homens espirituais, visto que eram pobres, ficavam doentes, passaram muitas necessidades, sofreram perseguições, foram presos, desprezados pelo mundo e foram martirizados. A própria Maria, entre todas as mulheres a mais agraciada, não teve um lugar descente para dar a luz ao seu Filho bendito. Todas as portas se fecharam e apenas a porta do curral foi a que se abriu para ela e para José seu esposo. Ela não ficou murmurando e nem ficou rejeitando aquele lugar fétido e incipiente. Ela não ficou ali inconformada reivindicando um lugar condizente a sua condição de bendita entre todas as mulheres. Ela, pelo contrário, aceitou a sua própria cruz, acolheu a bendita graça de padecer por Cristo e não de somente crer nEle (Fl 1.13). Foi naquele curral e naquela manjedoura improvisada de berço que se fez Natal. A noite mais feliz da história humana! Eis aí mais um exemplo do privilégio de participar dos sofrimentos de Cristo e completar o que falta de suas aflições (Colossenses 1.24). Perguntaram a William Booth, fundador do Exército de Salvação, qual era o segredo do seu sucesso, ele respondeu: “Deus teve de mim tudo o que Ele quis”. Infelizmente os evangélicos seduzidos pelo consumismo têm feito o contrário: exigem de Deus tudo o que eles querem.

Cruz gera felicidade e paz, pois a cruz traz libertação das ansiedades e temores – resignação e confiança – entrega. Considerar-se morto. O morto não é afetado por estresse e ansiedade. O morto descansa em Deus, sabe que sua vida e futuro estão nas boas mãos de Deus. Sabe também que nada pode separá-lo do amor de Deus que está em Cristo (Rm 8). Colossenses 3.3 porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Em Filipenses 4 e 5, Paulo fala da prisão sobre a alegria, felicidade e paz que ele aprendeu a desfrutar em toda e qualquer circunstância. Em 2 Co 12, ele chega a dizer que tem ainda mais alegria nas doenças e privações da vida, pois descobriu que o poder de Deus se aperfeiçoa nas fraquezas humanas e que é exatamente quando ele está mais fraco do ponto de vista humano que de fato ele está mais forte do ponto de vista de Deus. Um homem assim torna-se indestrutível, pois está certo de que o viver é Cristo e de que morrer é lucro. Este é o segredo daquela paz de Deus que excede a compreensão humana e que guarda o seu coração e a sua mente. Vemos, portanto, quanta vida pode ser encontrada na cruz!

Cruz e santidade e as implicações para a missão de evangelizar o mundo – não devemos somente apresentar a Jesus como salvador, mas também como Senhor, não somente falar da necessidade de fé, mas também da exigência do arrependimento. Não somente frisar a questão de aceitar, mas devemos deixar claro o preço do discipulado e a necessidade que o homem tem de arrepender-se e se sujeitar ao mando de Cristo. Colossenses 3.5. Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria; Torne-se quem você já é em Cristo (Barth). O credo mais antigo da igreja é “Jesus é o Kyrios” (At 2.36, Rm 12)12, At 1.4). A salvação não pode ser reduzida a justificação. Não somente perdão de pecados, mas também transformação de vidas. O crente é transladado ao Reino do Filho de Deus que já se manifestou (Cl 1.13). A hora da cruz foi a hora do juízo deste mundo e de seu “príncipe” (Jô 12.31; 16.11; Cl 2.15), Jesus foi exaltado como Senhor de todo o Universo (Ef 1.20-22; Fp 2.9-11; 1 Pe 3.22) e é como tal que ele pode salvar todos os que invocam seu nome (Rm 10.12-13). Padilha diz que Evangelizar é proclamar Jesus Cristo como senhor e Salvador, por cuja obra o homem é liberto tanto da culpa como do poder do pecado, integrando-se ao propósito de Deus de colocar todas as coisas sob o mando de Cristo. Um dia, todo o joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor, mas, hoje, a Igreja, em antecipação ao reconhecimento universal de Jesus Cristo como Senhor de toda a criação (Fp 2.9-11). Evangelizar é proclamar Jesus Cristo como aquele que reina hoje e continuará reinando “até que haja posto todos os inimigos debaixo dos seus pés” (1 Co 15.25). Muitos cristãos se curvam ao secularismo desenvolvendo uma religião antropocêntrica que diz ao homem unicamente o que ele quer ouvir, ou seja, que o homem é dono de si mesmo, que o futuro da história está em suas mãos, que Deus somente pode ser tolerado como algo impessoal que ele, homem, pode manipular. É uma negação da mensagem bíblica, que tem como um dos seus pressupostos básicos o de que deus transcende o universo e atua livremente nele. O evangelho se converte assim numa mercadoria cuja aquisição garante ao consumidor a posse dos valores mais altos: o êxito na vida e a felicidade pessoal agora e para sempre. O ato de “aceitar a Cristo” é o meio para alcançar o ideal da “boa vida” sem custo algum. A cruz perde seu escândalo, uma vez que aponta para o sacrifício de Jesus Cristo por nós, mas não é um chamado para o discipulado: é a cruz de cristo, não do discípulo. O Deus deste cristianismo é o Deus da “graça barata”, o Deus que sempre dá, mas nunca exige nada, o Deus feito para o homem que se rege pela lei do menor esforço, o Deus que se concentra naqueles que não tem possibilidade de negarem-se a eles próprios para dedicarem-se a Deus, porque O necessitam como analgésico. Sem o chamado ao arrependimento não há evangelho. E o arrependimento não é um mero remorso de consciência (2 Co 7.10), mas uma mudança de atitude, uma reestruturação de todos os valores, uma reorientação de toda a personalidade. Não é o mero reconhecimento de uma necessidade psicológica, mas a aceitação da cruz de Cristo como uma morte ao mundo a fim de viver para Deus. A mudança que se impõe envolve um novo estilo de vida (Lc 3.8). Se Jesus Cristo é o Senhor, os homens devem ser confrontados com sua autoridade sobre a totalidade da vida. A fé sem arrependimento não é fé salvadora, mas uma crendice presunçosa. Padilha conclui dizendo que a conversão não é uma mudança de religião, na qual a gente se torna adepto de um culto, mas uma reorientação do homem total em relação a Deus, aos homens e à criação.

Ainda sobre a cruz, a evangelização e o Reino de Deus, Padilha lembra que Jesus, em meio a várias alternativas políticas (o farisaísmo, o saduceísmo, o zelotismo e o essenismo), encarna e proclama uma nova alternativa: O Reino de Deus. Dizer que Jesus é o Cristo é descobri-lo em termos políticos, é afirmar que ele é rei. Seu reino não é deste mundo, não porque não tenha nada a ver com o mundo, mas porque não se amolda à política dos homens. É um reino com sua própria política, uma política marcada pelo sacrifício. Jesus é um rei que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (Mc 10.45). O serviço até o sacrifício pertence à própria essência de sua missão. E esta tem que ser a marca distintiva da comunidade que o confessa como rei. É assim que Jesus denuncia a ambição de mando, proclamando uma alternativa que se baseia no amor, no serviço, na auto-entrega aos demais. (Mc 10.43-44). A cruz é a exigência de um novo estilo de vida caracterizado pelo amor, totalmente oposto a uma vida individualista, centralizada em ambições pessoais, indiferente frente às necessidades do próximo. Assim como a Palavra se fez homem, também o amor precisa tornar-se boa obra para ser inteligível aos homens (1 Jo 3.10). A evidência da vida eterna não é só a confissão de Jesus como Senhor, mas é “a fé que atua pelo amor” (Gl 5.6). Não há lugar para a evangelização que, ao passar junto ao homem que foi assaltado pelos ladrões enquanto descia pelo caminho de Jerusalém a Jericó, vê nele uma alma que deve salvar-se, mas passa por cima do homem (ver também Tg 2.14-17). Portanto, a primeira condição de uma evangelização genuína é a crucificação do evangelista. Sem ela o evangelho se converte em verborragia. Fomos enviados por Cristo ao mundo como Cristo mesmo foi enviado pelo Pai (Jo 17.11-18) “para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5.15).

Espiritualidade confundida com a posse e o exercício dos dons extraordinários do Espírito Santo – mas os coríntios tinham dons e foram chamados de carnais. Eles precisavam compreender que Cristo crucificado é sabedoria de Deus.

1 Coríntios 1.23 mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; 1 Coríntios 2.2 Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.

A CRUZ DO ESCRAVO E A CRUZ DO SERVO.

O pior aspecto da escravidão não é o físico, mas, sim, o ideológico, pois não é o trabalho que incomoda mas o trabalho sem objetivo, sem alvos pessoais, sem a liberdade de escolha. Ser livre é negar-se a si mesmo, tomar a sua cruz e seguir um alvo, Jesus (Mat. 16.24). O inimigo escraviza, subjugando pelo poder e força. Mas a cruz que DEUS nos conclama a carregar não é a cruz de escravos mas a cruz de servos. O servo é livre ideologicamente. “Se alguém Me serve, siga-me; e, onde eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém me servir o meu Pai o honrará.”(Luc. 16.13) Ele trabalha, certo de que será recompensado pelo seu Senhor e sobre tudo pode escolher a quem servir (livre arbítrio) em outras palavras ele pode escolher carregar ou não a sua cruz, é livre.

Segunda Parte – As implicações da cruz para o estilo de liderança cristã O que é que Is 6, o Natal, as Bodas de Caná, a Tempestade no Mar da Galiléia e a crucificação de Cristo têm em comum? O silêncio de Deus por um tempo e o seu aparente abandono que se vê no caos que se abatia sobre Israel no período de Isaías, onde parecia que o Diabo havia se assenhoreado da situação, portas que se fecharam para José e Maria no momento crítico do parto, o vinho que acaba durante a festa e a tempestade que abate o barco em que estão os discípulos com Jesus e a própria condição de abandono experimentada por Cristo na sua cruz. Mas sabemos como a boa mão do Senhor se manifestou em cada um daqueles episódios. Deus é o Senhor da história. Não somos joguetes nas mãos dos homens e dos demônios. O Senhor tem um plano e um caminho no meio da tormenta (Naum 1.3). A cruz faz parte do plano, mas ela não é o capítulo final! Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8.28). Os líderes cristãos precisam aprender a carregar a sua própria cruz com perseverança, confiança e total dependência de Deus.

O desafio do cristianismo frente a esta sociedade de Consumo Hoje, vivemos numa sociedade de consumo, antes dela o que tínhamos era uma sociedade de produção, onde se exigia muita abnegação e renúncia em prol da produção e também da construção da própria felicidade, realização e prazer que eram adiados para um tempo futuro ou de aposentadoria. Foi a aquela sociedade que Freud se reportou. Mas na tentativa de combater um extremo de repressão, acabamos mergulhando num extremo oposto, num mundo do “não se reprima!”, “experimenta!”, “No limit!”… Portanto, na sociedade atual de consumo, o que predomina é o individualismo e o hedonismo. Não existe disposição para se adiar nada. Os próprios pais procuram satisfazer todos os desejos dos filhos, que acabam não aprendendo a lidar com frustrações e “nãos”. As propagandas, que são o pulmão deste sistema, criam novas “necessidades” e nos falam de uma vida plena de satisfação imediata, tipo êxtase proporcionado pelas drogas. Só que isto é utópico para a maioria das pessoas que estão excluídas dos bens de consumo. Tal frustração, incrementada pelo grande contraste entre a realidade e o sonho, só faz é escancarar ainda mais a porta para o alcoolismo e para o mundo das drogas. As drogas parecem, em algum sentido, ainda que por pouco tempo, proporcionar a sensação de prazer tão valorizada por esta sociedade de consumo. O incremento da violência também é uma outra decorrência! Esta visão tão colorida da vida, que pouco tem a ver com a realidade da grande maioria das pessoas, acaba fomentando ainda mais inveja, cobiça e frustração, não apenas pela ausência do básico, mas, agora, também pela ausência do supérfluo que nos é apresentado como sendo indispensável para a sensação de bem-estar. Temos também que, em nome da felicidade individual e também fascinado pela “grama do vizinho que parece mais verde que a nossa”, impaciente e frustrado com as naturais crises do casamento, o indivíduo, está cada dia menos disposto a pagar um preço de renúncia em prol da sobrevivência da relação, e, não tendo disposição de suportar frustração a curto prazo para conquistar realização a médio e longo prazo, acaba optando pelo caminho aparentemente mais fácil e de recompensa mais imediata ainda que isto possa lhe custar sua felicidade futura.

A teologia da prosperidade é produto desta sociedade de consumo, prometendo conceder através da fé tudo aquilo que as propagandas dizem que uma pessoa precisa ter para ser feliz. Fazendo da fé uma varinha de condão e, do nome de Jesus, uma espécie de abracadabra ou lâmpada de Aladin para a realização de todos os sonhos despertados pela sociedade de consumo. Alguns pastores sucumbem aos encantos do sucesso e, buscando se tornarem celebridades, acabam entrando no espírito deste mundo consumista. Passam a pregar uma mensagem triunfalista e adocicada que esconde o preço do discipulado, nada falando sobre a necessidade da negação de si mesmo e de se carregar cada um a sua própria cruz, nada dizendo também sobre a graça de padecermos por Cristo. Com a promessa de prosperidade e saúde sempre em nome da fé, entram numa competição desenfreada em busca de adeptos ou “consumidores”, chegando a apelar para novidades e “promoções” a fim de atrair o “freguês”. Por falar no “freguês”, é ele a grande vítima de todo este complexo sistema de nossa sociedade consumista, que acabou até seduzindo parte da igreja evangélica. Diante da grande mentira de que o prazer, o sucesso e o bem-estar físico, econômico e social são o grande alvo da vida e que tudo isto está acessível a todos. Iludido, o freguês busca no consumo a realização imediata deste ideal, mas tem que lidar com a realidade de uma vida de privações, injustiça, lutas e muitos sofrimentos. Frustrado, desamparado e só está o freguês, sente-se fracassado e oprimido pela ditadura do ter. Agora, nem na igreja encontra respostas para a sua dor, mas apenas ainda mais culpa por não ter tido fé suficiente para ter sido bem sucedido na vida profissional ou para ter sido curado de algum mal.

Tenho pensado também nas Palavras de Paulo e de Jesus sobre a alegria e a paz que encontramos em Cristo. Tal alegria e paz não é deste mundo. O mundo desconhece e não compreende tais coisas, pois só concebe alegria e paz advindas das condições favoráveis. Paulo testemunhou ter aprendido a estar contente em toda e qualquer circunstância, tanto na fartura como na pobreza. Dava graças a Deus por tudo. Sabemos que Paulo estava preso quando escreveu a carta aos Filipenses. Ele era odiado por muitos, havia sido açoitado muitas vezes, e passou por muita dor e sofrimento na vida, e que também foi abandonado por alguns de seus amigos mais chegados. Além disto tudo, sabemos que ele era um homem doente e que vivia uma vida de solteiro. Digo isto a propósito, pois existe muita gente vivendo infeliz por não ter encontrado a pessoa amada, portanto, esta poderia ser mais uma razão para Paulo se lamentar, mas, pelo contrário, diante de tantos dissabores, ele fala de alegria, paz e contentamento. Isto era possível, pois ele bem sabia que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, e que mesmo tendo que passar por tantos infortúnios, nós, como cristãos, somos mais do que vencedores em todas estas adversidades. A alegria de Paulo vinha direto do Senhor e de Seu amor e cuidado. Ele conseguia discernir a boa mão de Deus em todos os episódios de sua existência. Ele podia desfrutar sempre da boa companhia do Senhor. Este é o segredo que lhe permitiu cantar de alegria louvores a Deus, mesmo estando amarrado a um tronco, após ter sido açoitado. Um homem assim é mesmo indestrutível, pois ele não é escravo do sistema deste mundo, ele não ama ao mundo, pois para ele o viver é Cristo e o morrer é lucro. Ele dizia, se vivemos para o Senhor vivemos, se morremos para o Senhor morremos, quer pois vivamos ou morramos, somos do Senhor. Ele aprendeu com Cristo que nos ensinou a aprender com a natureza, com os pássaros e com os vegetais. Parece que os índios, neste aspecto, tiraram lições preciosas da natureza para viverem vidas mais alegres, confiantes, despreocupadas e tranqüilas que os “civilizados”.

Veja que interessante registro de um diálogo entre um português e um velho e sábio índio brasileiro:

“Os nossos tupinambás muito se admiram dos franceses e outros estrangeiros se darem ao trabalho de ir buscar os seus arabutan. Uma vez um velho perguntou-me: Porque vindes vós outros, maírs e pêros (franceses e portugueses) buscar lenha de tão longe para vos aquecer? Não tendes madeira em vossa terra? Respondi que tínhamos muita, mas não daquela qualidade, e que não a queimávamos, como ele o supunha, mas dela extraíamos tinta para tingir, tal qual o faziam eles com os seus cordões de algodão e sua plumas. Retrucou o velho imediatamente: e porventura precisais de muito? – sim, respondi-lhe, pois no nosso país existem negociantes que possuem mais panos, facas, tesouras, espelhos e outras mercadorias do que podeis imaginar e um só deles compra todo o pau-brasil com que muitos navios voltam carregados. – Ah! Retrucou o selvagem, tu me contas maravilhas, acrescentando depois de bem compreender o que eu lhe dissera: Mas esse homem tão rico de que me falas não morre? – Sim, disse eu, morre como os outros. Mas os selvagens são grandes discursadores e costumam ir em qualquer assunto até o fim, por isso perguntou-me de novo: e quando morrem para quem fica o que deixam? – Para seus filhos se os têm, respondi; na falta destes para os irmãos ou parentes mais próximos. – Na verdade, continuou o velho, que, como vereis, não era nenhum tolo, agora vejo que vós outros maírs sois grandes loucos, pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos, como dizeis quando aqui chegais, e trabalhais tanto para amontoar riquezas para os vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos pais, mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que depois da nossa morte a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso descansamos sem maiores cuidados” (O Povo Brasileiro, segunda edição, página 46, Darcy Ribeiro).

Se os índios podem, assim como as aves do céu e os lírios dos campos, viverem despreocupadamente na confiança que tem na “terra que os nutre”, nós bem podemos, como cristãos, vivermos em paz e alegria descansados nos cuidados do Pai celestial que nos ama e nos conduz.

Pedro foge da cruz, mas é restaurado 3 p(s) do chamado pastoral – lembrar de falar sobre minha experiência de peneira (primeira mensagem em Jd. Rey).

Jesus passou pelo deserto antes do início de seu ministério. Elias e Moisés também. Paulo foi para o deserto. Temos muito a aprender sobre deserto na vida dos servos de Deus. Cruz e deserto estão em sintonia, são sinônimos. O estilo de liderança de Jesus marcado pela cruz, pelo burrinho, pelo balde e a toalha. Sendo Senhor, foi humilde e assumiu a condição de servo. Não é dominador, procura cativar pelo exemplo. Não constrange os seguidores que sempre são livres para escolher e até mesmo desistir. Não se impõe pela força, escolheu o caminho da graça e do amor. O caminho da cruz, quando foi levantado atraiu muitos a si. Quem quiser ser o primeiro que seja o servo de todos. Seu estilo de liderança, seu reino nada tem a ver com o estilo de governar deste mundo. É um estilo as avessas do padrão comum de autoridade que se coloca pela força.

Um seminarista animado ao me ouvir falar sobre líder servo, me disse que, neste sentido, havia exortado ao seu pastor a agir como servo. Retruquei imediatamente, dizendo que ele, como ovelha, não era a pessoa mais indicada para dizer isto ao pastor, por estar legislando em causa própria. Assim como não é indicado a um marido o papel de lembrar a sua esposa que ela deve ser submissa e nem a esposa ficar lembrando ao marido que ele deve amar como Jesus amou a igreja e se entregou por ela. Não são os filhos que devem dizer aos pais que eles não devem provocar a ira aos filhos e assim por diante. O marido deve se concentrar em fazer a sua parte para o bem da esposa e vice-versa. O pastor deve se preocupar com as ovelhas e as ovelhas deveriam se preocupar com o pastor. A cruz nos faz deixar de lado, sacrificando assim os nossos direitos na busca do bem alheio ou do bem comum. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros. (Filipenses 2.4)

Os 3 P(s) do chamado pastoral – Pedro – Peneira – Pastor – (Inspirado em um artigo do pastor Ricardo Barbosa)

Lc 22.31-32 e Jo 21 Introdução:

O espírito desta sociedade de consumo influenciando a igreja e o ministério pastoral. Rubem Amorese adverte que a igreja hoje está passando por um processo de transformação semelhante aos das quitandas que deixaram de existir com o advento dos supermercados. Quem se lembra de como eram as quitandas de antigamente?! A quitanda era aquele mercadinho da esquina onde o freguês era conhecido pelo nome e era atendido pelo dono ou por alguém de sua família. Havia um caráter paroquial. Era uma comunidade de amigos, um lugar para servir. Não havia grandes novidades e os produtos eram sempre os mesmos, pois as pessoas não iam ali em busca de novidades, mas, sim, em busca do essencial, queriam apenas o básico. Havia confiança mútua e podia se comprar fiado. A palavra empenhada tinha valor. Havia solidariedade. Bem, você conhece o Supermercado. Não se estabelece mais na vizinhança. A freguesia é estranha, ninguém conhece mais ninguém. Mas o mercado não se preocupa com isto, pois as pessoas que vão ali não são pessoas com passado, família e nomes. São apenas consumidores. O dono e o gerente nunca estão por perto. Não parecem fazer questão de conhecer você. Estão preocupados com a concorrência, investem em propaganda e estão sempre apresentando alguma novidade com promoções tentadoras para atrair mais consumidores. Usam a propaganda para criar e induzir novas necessidades com apelos voltados para a emoção. A quitanda deu lugar aos supermercados e algo parecido está acontecendo com as igrejas, e os pastores estão deixando de ser pastores de almas para assumirem a função de gerentes e empreendedores de projetos arrojados, que entram num mundo de competição feroz pelo “mercado”, acabam abrindo mão da simplicidade do Evangelho para não ficarem para traz em termos de ofertas de “novidades”, parecem mais grandes celebridades e animadores de auditório com técnicas mirabolantes, parecem tão bons que nem precisam mais de Deus, operam com as mesmas ferramentas do mercado “religião de Mamom”. Deixaram a simplicidade de lado e fazem tudo para sofisticar e impressionar com luzes e holofotes, ou seja, com coisas artificiais, satisfazendo assim o seu narcisismo. A pessoa humana está sendo substituída pelas massas. Esta é a mente do mundo e tem a ver com o espírito do anticristo que pretende mesmo é destruir a sociedade, promovendo o individualismo, a impessoalidade, a ganância e a conseqüente desestruturação da família, do caráter humano e da sociedade.

Pedro, antes de Jesus tratar com ele, era um líder segundo o mundo, mais identificado com o estilo de liderança de Herodes, Anaz e Caifaz do que com o de Jesus. Veremos a seguir como Jesus transformou Pedro em um Pastor segundo o espírito do Reino de Deus.

Temos alguns 3 neste história: 1. Pedro nega a Jesus 3 vezes; 2. Pedro Confessa seu amor a Jesus por 3 vezes e 3. Podemos dizer que existem também 3 P(s): Pedro, Peneira e Pastor (Pedro precisa passar pela peneira para ser confirmado como pastor (“apascenta as minhas ovelhas”)

1) Primeiro P – Pedro presunçoso antes de ser peneirado • Orgulhoso e prepotente • “Se achava” mais forte e corajoso que os demais (Decidido a ir até a morte)

• Narcisista, gostava de demonstrar suas virtudes e superioridade; se autopromovia; • Autoconfiante – nem precisa orar – não sabia o que é depender de Deus – estava no controle • Não admite suas fraquezas • Maquia suas debilidades – aparenta ser melhor do que é • Mente até para si mesmo a ponto de não conhecer a si mesmo • Sentia-se autovocacionado (eleito pelos méritos) e imprescindível para Cristo e Seu Reino.

• Via a Jesus como aquele que traria libertação política a Israel 2) Segundo P – Peneira • Lc 22.31-32 – Pedro será provado e terá que passar pela peneira. Jesus diz que ele o negará por 3 vezes. Nisto, Pedro pode ter pensado: “depois de 3 anos e meio, ele ainda não me conhece. Como é que ele pode dizer isto de mim?”

• Pedro nega a Cristo. Ficou confuso com o fato da prisão de Cristo e suas expectativas messiânicas entraram em cheque, pois ele não compreendia nada ainda sobre o “o Messias como o Servo Sofredor”. “Valeria a pena morrer por um projeto fracassado e lutar por um condenado e por uma causa perdida?”. Com medo foge e passa a seguir a Jesus de longe, negando-o em seguida por 3 vezes.

• O Olhar de Jesus desmascara, desnuda e leva a Pedro ao reconhecimento do seu verdadeiro eu. (Jesus morre na cruz e Pedro sequer é preso).

• Pedro volta às redes. Um retrocesso, um retorno à velha profissão, à antiga rotina. Como quem perdeu a esperança em si mesmo (Jo 21). Eu tive um sentimento assim após um período de pregações eloqüentes quando ainda tinha 19 anos de idade, que me levaram a pregar com muita autoconfiança num culto de domingo à noite (petulante, sentia-me mais espiritual do que meus irmãos). Foi um fiasco! Fui peneirado! Sobrou só o pó e as cinzas. Sentia-me envergonhado e morto para o ministério da pregação. Dizia para mim mesmo que nunca mais pregaria em toda minha vida. Levou mais de um ano, com a ajuda de Jesus, para eu começar a pregar novamente, com muito temor e tremor. Estava aprendendo a não confiar na minha técnica e a depender da graça de Deus.

3) Terceiro P – Pastor – Jesus confirma sua vocação pastoral (Jo 21)

• Jesus pergunta: “Tu me amas?” – Agostinho falou: “se queremos conhecer um homem, não devemos perguntar o que ele faz, mas o que mais ama.”

• Pedro não podia mais enganar e nem impressionar com palavras. Jesus sabe de tudo!

• Passou pela peneira e deixou para traz as preensões do velho homem. Desnudo, humilde e fraco, Pedro confessa seu amor.

• Agora, Jesus reafirma seu chamado pastoral. É somente do outro lado da peneira que ele é ordenado Pastor!

• Aprendeu o significado de “a minha graça te basta, meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”.

• Jesus lhe faz agora uma profecia diferente da anterior: agora, sim, Pedro irá segui-lo com fidelidade até a morte! Não mais irá negá-lo! Pedro aprendeu que seguir o Messias é também seguir ao Servo Sofredor. Sabia agora que o servo não é maior que o seu Senhor e que, portanto, deveria carregar a própria cruz.

Aplicações:

A cultura contemporânea despreza o frágil e o dependente e gosta dos que se mostram fortes, competentes e auto-suficientes. Os espertos que dominam com poder, escondem suas fraquezas, e manipulam para exercerem o controle recebem maior reconhecimento. Mas não é assim no Reino de Deus: “os primeiros serão os últimos e os últimos, primeiros”, Jesus escolheu os pequeninos que não são para reduzir a nada os que pensam que são. Os primeiros no Reino são os que servem e lavam os pés dos demais. Moisés, Isaías e Jeremias também se sentiram inaptos e reconheceram suas fraquezas quando de seus respectivos chamados. E não podemos nos esquecer que Davi era o último da casa de seu pai quando foi ungido para ser rei de Israel. João Batista rejeitou a autopromoção, a histeria e o exibicionismo (não gritava nas praças e disse que convinha que ele diminuísse para que Cristo crescesse). Renúncia e sofrimento fazem parte do chamado dos discípulos que devem carregar a cruz à semelhança do mestre. É triste ver que muitos pastores abandonam o ministério e optam por um trabalho burocrático diante das crises, pressões, decepções e das rejeições tão peculiares aos seguidores do Servo Sofredor.

O pastor não deve se comportar como dominador do rebanho, mas deve guiar, inspirar e influenciar pelo exemplo. (1 Pedro 5.2-3). Deve lembrar que o próprio REI JESUS entrou em Jerusalém de maneira humilde e mansa, montado em um jumentinho. “Nem por força e nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos”. Fomos chamados para servir e não para ser servidos. O amor e a entrega humilde de nossas vidas ao serviço do próximo deve caracterizar a vida dos vocacionados para o ministério pastoral.

Não devemos estranhar as provações. Pelo menos, neste sentido, Nietsche está certo quando disse que “aquilo que não nos mata, nos torna melhores”. Precisamos nos deparar conosco mesmos, precisamos nos conhecer melhor, precisamos reconhecer nossas fraquezas. É necessário deixar de lado toda maquiagem espiritual e todo engano que nos separa do arrependimento e da graça de Deus.

Estudo preparado pelo Bispo Ildo, baseado no livro “Nova Liderança, paradigmas de liderança em tempo de Crise” – Encontro Publicações – No Encontro de Pastores Metodistas Livres realizado na Igreja de Vila Moraes em 16 de Maio de 2004.

A Cruz e o Líder cristão – algumas idéias:

O líder cristão é humilde, coração de servo, sem ambição de liderar “Um líder verdadeiro e seguro, provavelmente não tem o desejo de liderar, mas é pressionado a aceitar uma posição de liderança pelo chamado interno do Espírito Santo e pela pressão das circunstâncias externas. Foi o caso de Davi, Moisés e dos Profetas do Velho Testamento (…) o homem que tem ambição de liderar está desqualificado para ser líder. O verdadeiro líder, não tem o mínimo desejo de mandar na herança de Deus, mas será humilde, gentil, terá espírito sacrificial, pronto para liderar como para ser liderado, quando o Espírito torna-lhe claro que apareceu alguém mais sábio e mais bem dotado de dons do que ele”. (W.Tozer)

“Os campeões não se tornam campeões nos ringues – ali são meramente reconhecidos”.

Quando o verdadeiro líder fala, as pessoas ouvem “Se você tem que dizer as pessoas quem você é, então você não é.” Margaret Thatcher.

Delegação de Poder “Só líderes seguros delegam poderes aos outros”

O bom líder deve encontrar líderes e desenvolvê-los, dando-lhes recursos, autoridade e responsabilidade, e depois garantir-lhes liberdade para agir.

A capacidade de realizar está ligada a capacidade de delegar poder.

Razões porque líderes violam a lei de delegação: 1ª Medo de perder o cargo para outro; 2ª Resistência a mudança e 3ª falta de auto-estima.

“Grandes coisas podem acontecer quando você não se importa com quem vai levar a fama”. Mark Twain.

Creio que as maiores coisas só acontecem quando você dá fama aos outros.

O Perfil do líder cristão Demonstra alto grau de recuperação diante das crises.

Ser servo Humildade. O líder deve ser o primeiro a reconhecer seus limites, sua incapacidade, sua dependência do Espírito Santo. O líder cristão é um homem que sabe lidar com as pessoas não no nível “eu sou superior a você, pois sou seu líder”, mas no nível “sou seu servo, conte comigo”.

Acessibilidade. O líder deve ser uma pessoa acessível aos outros, pois ele segue o exemplo de Jesus, e todos nós sabemos que as pessoas sempre queriam estar junto de Jesus.

Forte, perseverante, que agüente o tranco. Quem não estiver preparado para ouvir críticas, para ser perseguido, para tomar posição, não pode ser líder cristão. Aprender a viver na dependência do Senhor. Não pode ter hiper sensibilidade e melindres. Confiar em Deus, Ter domínio próprio.

Preparados para a frustração e para a oposição no Reino.

Na parábola do Semeador aprendemos que: Precisamos estar preparados para as frustrações do ministério. Nem sempre seremos bem sucedidos. Devemos esperar rejeição e desapontamento. Apenas um quarto do esforço do semeador deu resultados positivos.

Na parábola correlata do joio e do trigo aprendemos também que: precisamos estar preparados para oposição e para lidar com os falsos irmãos.

Perigo do Autoritarismo O que teriam em comum governantes com idéias e ideais tão diferentes quanto Fidel Castro e Adolf Hitler? Um estilo de gestão à moda antiga, que está com os dias contados. O autoritarismo, um dos principais pilares da gestão durante décadas, perdeu o fôlego no final dos 90 e não cruzou a linha de chegada ao século 21. O mundo mudou, esse é um fato, comprovado por acontecimentos recentes e trágicos noticiados na mídia, mas muitos líderes e empresas não sabem, ou sabem, mas resistem aos vagalhões da nova ordem, agarrando-se a ultrapassados modelos como náufragos a bóias salva-vidas Perigo do Profissionalismo Profissionalismo, que nos torna desumanos, preocupados com o sucesso e nos faz perder a visão de nossa vocação e a nossa paixão.

Só pensar em resultados – concretismo Apego ao poder Orgulho A Igreja moderna está se transformando num negócio, numa empresa, e o pastor num executivo que luta para manter-se no mercado. Esta é, talvez, uma das mudanças mais significativas e sérias que estamos atravessando.

Ser ocupado, tornou-se um símbolo de “status” e sucesso tanto no mundo secular como no religioso. Ter uma agenda repleta de compromissos é sinal de competência.

Nesta busca por sucesso e “status” não temos mais tempo para construirmos amizades verdadeiras e profundas, nem tempo para caminharmos com nossos amigos no caminho do discipulado. Não temos tempo para ouvir as histórias dos velhos, os dramas dos mais novos e as crises da alma humana.

John Stott afirma algo muito importante quando trata desse assunto: “A falta mais comum da igreja é que ela está estruturada para a “santidade”, e não para a “mundanidade”, para a “adoração” e não para a “missão”.

Pense um pouco no que aconteceria se alguém dissesse ao pastor ou ao líder para ele investir seu tempo fora da igreja, contatando gente que não pertence a igreja. Isso pareceria um absurdo para alguns.

Liderança Amorosa de José (Gn 45.3-5; 14,15) A docilidade deste líder expõe francamente lideranças insensíveis e indiferentes, embriagadas pelo poder. “Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho” (1Pe 5.2,3).

Líderes dominadores são isentos de amor. Em geral, a aspereza utilizada, decorre de figuras fracas que se sentem ameaçadas, procurando impor-se pela força. Estas pessoas costumam apresentar indisposição em ouvir os outros, não são ensináveis, e agem sozinhas, como se fossem detentoras da verdade. Que a figura de José seja inspiração para conduzir ao arrependimento tais homens enfermos pelo poder.

José no Egito: Não murmurava e nem desanimava diante das circunstâncias adversas. Andava por fé. Atentava para a realidade do propósito de Deus para a sua vida. Tal era sua fé e confiança em Deus, que ele encarava as adversidades como oportunidades e desafios. Saia-se sempre bem seja como escravo ou como prisioneiro. Em tudo dava graças. Sabia que a boa mão de Deus estava sobre ele.

Já Esaú, se deixando levar pelas circunstâncias, andando por vista e não por fé, trocou direito de primogenitura por um prato de lentilhas.

Eliseu ora para que Geazi possa ter seus olhos abertos para a realidade espiritual (2 Rs 6.16-17). Ver também Mt 6.22 sobre a importância de termos bons olhos.

10 Razões para uma vida abundante e frutífera – José 1. Confiava no amor e no cuidado de Deus – Sabia que Deus o amava. Sentir-se amado por Deus faz muita diferença na vida! Muitos blasfemam de Deus por muito menos do que José enfrentou.

2. Andava por fé e não se deixava abater pelas circunstâncias 3. Tinha sonhos, uma visão do plano de Deus para sua vida. Gênesis 37.5 Teve José um sonho e o relatou a seus irmãos.

4. Era otimista – conseqüência natural de sua fé no amor de Deus e na sua Palavra, no plano de Deus para a sua vida.

5. Esperava em Deus sempre – era paciente – foram treze anos de grande provação 6. Via cada crise e dificuldade como uma oportunidade de crescimento – não se deixava abater – se sentia desafiado pelas tribulações. Adaptava-se facilmente a cada uma das situações adversas e logo conquistava a simpatia e a confiança de seus superiores. Gênesis 39.2 O SENHOR era com José, que veio a ser homem próspero; e estava na casa de seu senhor egípcio. Gênesis 39.4 logrou José mercê perante ele, a quem servia; e ele o pôs por mordomo de sua casa e lhe passou às mãos tudo o que tinha. Gênesis 39.5 E, desde que o fizera mordomo de sua casa e sobre tudo o que tinha, o SENHOR abençoou a casa do egípcio por amor de José; a bênção do SENHOR estava sobre tudo o que tinha, tanto em casa como no campo. Gênesis 39.6 Potifar tudo o que tinha confiou às mãos de José, de maneira que, tendo-o por mordomo, de nada sabia, além do pão com que se alimentava. Gênesis 39.21 O SENHOR, porém, era com José, e lhe foi benigno, e lhe deu mercê perante o carcereiro; Gênesis 39.22 o qual confiou às mãos de José todos os presos que estavam no cárcere; e ele fazia tudo quanto se devia fazer ali. Gênesis 39.23 E nenhum cuidado tinha o carcereiro de todas as coisas que estavam nas mãos de José, porquanto o SENHOR era com ele, e tudo o que ele fazia o SENHOR prosperava. Gênesis 41.39 Depois, disse Faraó a José: Visto que Deus te fez saber tudo isto, ninguém há tão ajuizado e sábio como tu. Gênesis 41.41 Disse mais Faraó a José: Vês que te faço autoridade sobre toda a terra do Egito.

7. Não murmurava, em tudo dava graças ao Senhor – sabia que Deus tem o seu caminho na tormenta (Naum 1.3)

8. Não culpava os outros por seus infortúnios – confiava na soberania de Deus – Gn 45.5 Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos irriteis contra vós mesmos por me haverdes vendido para aqui; porque, para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós.

9. Possuía a sabedoria de Deus, que tem como princípio o temor do Senhor. Por esta razão não caiu em tentação com a mulher de Potifar. Era um homem honesto de caráter e princípios. Reto diante dos olhos de Deus. Não agia corretamente só porque outros estão observando, mas porque teme a Deus que tudo vê. Gênesis 39.10 Falando ela a José todos os dias, e não lhe dando ele ouvidos, para se deitar com ela e estar com ela, 10. Era perdoador e misericordioso – não era vingativo – não guardava rancor – enxergava tudo do ponto de vista elevado de Deus. Gênesis 45.15 José beijou a todos os seus irmãos e chorou sobre eles; depois, seus irmãos falaram com ele.

Adversidades de José: Odiado pelos irmãos que o invejavam; foi colocado no fundo do poço, pensaram em mata-lo, mas acabaram vendendo-o como escravo. Foi acusado injustamente e condenado a prisão. Foram 13 anos de sofrimento longe de sua terra e família.

Contraste entre Davi e Saul “Ao contrário de qualquer outro na história do arremesso de lanças, Davi não sabia o que fazer quando uma era atirada contra ele. Não arremessava as lanças de Saul de volta contra o rei. Havia algo diferente em Davi. Só fazia desviar-se”. (1Sm 18.5-16)

Saul, ciumento, vaidoso, prepotente, iracundo, arrogante, ambicioso e insubmisso.

Davi, é um homem sem pretensões, amável, pacífico, temente a Deus e submisso, capaz de suportar afrontas, sem revidar. Não fazia justiça com as próprias mãos. Sua visão a respeito de um Deus soberano deve transpor todas as provocações ou ameaças. Davi enxergava acima das circunstâncias. Ele conhecia a Deus de fato. Ele aprendera os caminhos que regem os princípios da autoridade espiritual. Sabia reconhecer autoridade, e jamais se rebelou contra Saul pois o via como tal. Davi já havia sido ungido por Samuel para ser rei em Israel, segundo a vontade de Deus, mas nunca, apesar de ter tido oportunidades, usou de força natural para depor a Saul. Ele esperou a ação soberana de Deus sobre sua vida.

“O que é do homem, o bicho não come!”

Jesus líder humilde Não reivindicou a prerrogativa de ser Deus.

Jesus foi tentado a demonstrar o poder de Sua divindade. Entretanto, Ele estava determinado a se esvaziar da Sua glória, reduzindo-se a nada, unicamente voltado para a glória do Pai.

Narcisismo: Henri J.M. Nouwen chama a atenção para a grande tentação que acomete os líderes cristãos: o desejo de ser espetacular e causar impacto. Ser relevante, notado, referido, popular, destacado, bombástico, “o melhor”.

“No meio de vós, Eu sou como quem serve” (Lc 22.27); Jesus jamais perseguiu a fama, pelo contrário, vivia fugindo dela.

Dar testemunho de si mesmo é um pecado grosseiro, pois revela a necessidade carnal de ser o centro das atenções. (Jo 7.18a).

Russell P. Shedd afirma: “Um líder, que é servo, não busca poder para auto-enriquecimento, mas para a glória do seu Mestre. Um servo que serve bem não se preocupa com sua fama ou bem-estar, conquanto, possa realizar os desejos de seu Senhor”.

Fp 2.3-8: “Nada façais por partidarismo, ou vanglória, mas por humildade, considerando os outros superiores a si mesmo… Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz”.

Pobre de Espírito Quanto mais nós crescemos no Espírito de Jesus Cristo, mais cônscios de nossa pobreza nos tornamos e mais nós percebemos que tudo nada vida é uma dádiva imerecida. O tom de nossa vida passa a ser a humildade e alegre atitude de gratidão.

O pobre de espírito é a pessoa que menos julga ao seu próximo, diferente do altivo fariseu que orava no templo.

Jesus e as Crianças A criança é pobre de espírito porque não tem pretensões na base de seu méritos. O Reino pertence as pessoas que não ficam tentando parecer boas para impressionar quem quer que seja. Perigo da hipocrisia e do narcisismo espiritual.

A criança não tem que lutar para se colocar numa boa posição diante de Deus. Tudo o que ela tem de fazer e aceitar rapidamente os biscoitos e doces provenientes do reino gracioso de Deus.

As crianças tinham pouco valor na época do Novo Testamento. Sem importância, sem status, não eram contadas. São símbolo dos que são marginalizados pela sociedade, como os pobres, mendigos, prostitutas, coletores de impostos, inferiorizados e envergonhados pela sociedade, mas que foram chamados por Jesus de “pequeninos”. Nunca desprezem um destes meus pequeninos (Mt 18.10). Eles não têm o que temer, o reino pertence a eles (Lc 12.32)

Jesus e os marginalizados Jesus gastou um tempo desproporcional com pessoas descritas como: pobres, cegos, mendigos, leprosos, pecadores, prostitutas, cobradores de impostos, perseguidos, marginalizados, possuídos por espíritos imundos, não religiosos, pequeninos, a ralé da sociedade, os últimos e ovelhas perdidas da casa de Israel.

Extrema atenção que Ele deu aos perdedores, pecadores e para aqueles que eram tidos como ninguém Preferência de Jesus pelos fracos, perdidos e doentes. Possuía uma incompreensível atração pelos não atraentes, um estranho interesse pelos não desejáveis e desinteressantes e um estranho amor pelos não amados.

Não têm medo de serem superados pelos colaboradores.

Líder ultrapassado:

Nunca assumem os erros. Sempre acham alguém em quem jogar a culpa, principalmente se este “alguém” não tiver como se defender.

Estão sempre prontos para se apropriar das idéias de seus colaboradores.

Simão X Pedro – Jesus encontrou Simão e lhe deu o nome de Pedro, que quer dizer Rocha (Jo 1.42). Jesus disse que agora ele era Pedro, esta era a sua nova identidade, sua realidade em Cristo. Mas, a despeito disto, observamos que muitas vezes Pedro agiu como Simão.

É interessante notar o processo de transformação de Simão em Pedro. Ex. 1. Pedro como Pedro pede para andar sobre as águas com Jesus, até começa bem, mas como Simão, fixa os olhos nas ondas do mar e sente o vento forte e, se deixando levar pelas circunstâncias, começa a submergir. 2. Em Lc 22.31-34, lemos sobre Pedro afirmando como Pedro que se manteria firme diante das pressões e não negaria Jesus. Mas é curioso que Jesus, neste episódio, tenha chamado a Pedro de Simão. E sabemos que Pedro acaba agindo como Simão ao negar a Jesus. E é neste sentido que Simão precisa se converter em Pedro: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo! Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos”.

Não basta estarmos convictos de nossa realidade em Cristo, precisamos nos converter a ela. Convicção X Conversão. Conversão significa devoção, doar-se, entregar-se, dedicar-se. Precisamos nos converter a família, a profissão, à igreja, a Deus.

Hoje se fala muito em fazer aquilo que se gosta. Mais importante que isto é gostar do que faz. Isto também significa conversão.

Nunca se acha uma “vítima”. Ele não fica parado, reclamando das coisas e dos acontecimentos. Ele age para modificar a realidade!

Textos bíblicos:

1co 1.23 pregamos a cristo crucificado gl 6.14 mas longe de mim gloriar-me senão na cruz de cristo Mc15.23 Deram-lhe a beber vinho com mirra; ele, porém, não tomou.

24 Então, o crucificaram e repartiram entre si as vestes dele, lançando-lhes sorte, para ver o que levaria cada um.

25 Era a hora terceira quando o crucificaram.

26 E, por cima, estava, em epígrafe, a sua acusação: O REI DOS JUDEUS.

27 Com ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita, e outro à sua esquerda.

28 E cumpriu-se a Escritura que diz: Com malfeitores foi contado.

29 Os que iam passando, blasfemavam dele, meneando a cabeça e dizendo: Ah! Tu que destróis o santuário e, em três dias, o reedificas!

30 Salva-te a ti mesmo, descendo da cruz!

31 De igual modo, os principais sacerdotes com os escribas, escarnecendo, entre si diziam: Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se; 32 desça agora da cruz o Cristo, o rei de Israel, para que vejamos e creiamos. Também os que com ele foram crucificados o insultavam.

33 Chegada a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra até a hora nona.

34 À hora nona, clamou Jesus em alta voz: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? Que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?

35 Alguns dos que ali estavam, ouvindo isto, diziam: Vede, chama por Elias!

36 E um deles correu a embeber uma esponja em vinagre e, pondo-a na ponta de um caniço, deu-lhe de beber, dizendo: Deixai, vejamos se Elias vem tirá-lo!

37 Mas Jesus, dando um grande brado, expirou.

38 E o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo.

39 O centurião que estava em frente dele, vendo que assim expirara, disse: Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus.

Mt 16.13 Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem?

14 E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas.

15 Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou?

16 Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.

17 Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus.

18 Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

19 Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus.

20 Então, advertiu os discípulos de que a ninguém dissessem ser ele o Cristo.

21 Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia.

22 E Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá.

23 Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.

24 Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.

25 Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á.

26 Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?

Lucas 4.3 Disse-lhe, então, o diabo: Se és o Filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão.

CRUZ Mateus 10.38 e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim.

Mateus 16.24 Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.

Mateus 27.32 Ao saírem, encontraram um cireneu, chamado Simão, a quem obrigaram a arregar-lhe a cruz. Mateus 27.40 Ó tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas! Salva-te a ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz!

Mateus 27.42 Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se. É rei de Israel! Desça da cruz, e creremos nele.

Marcos 8.34 Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.

Marcos 15.21 E obrigaram a Simão Cireneu, que passava, vindo do campo, pai de Alexandre e de Rufo, a carregar-lhe a cruz.

Marcos 15.30 Salva-te a ti mesmo, descendo da cruz!

Marcos 15.32 desça agora da cruz o Cristo, o rei de Israel, para que vejamos e creiamos. Também os que com ele foram crucificados o insultavam.

Marcos 15.46 Este, baixando o corpo da cruz, envolveu-o em um lençol que comprara e o depositou em um túmulo que tinha sido aberto numa rocha; e rolou uma pedra para a entrada do túmulo.

Lucas 9.23 Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.

Lucas 14.27 E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo.

Lucas 23.26 E, como o conduzissem, constrangendo um cireneu, chamado Simão, que vinha do campo, puseram-lhe a cruz sobre os ombros, para que a levasse após Jesus.

João 19.17 Tomaram eles, pois, a Jesus; e ele próprio, carregando a sua cruz, saiu para o lugar chamado Calvário, Gólgota em hebraico, João 19.19 Pilatos escreveu também um título e o colocou no cimo da cruz; o que estava escrito era: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS. João 19.25 E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, e a irmã dela, e Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena.

João 19.31 Então, os judeus, para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, visto como era a preparação, pois era grande o dia daquele sábado, rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados.

1 Coríntios 1.17 Porque não me enviou Cristo para batizar, mas para pregar o evangelho; não com sabedoria de palavra, para que se não anule a cruz de Cristo.

1 Coríntios 1.18 Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus.

Gálatas 5.11 Eu, porém, irmãos, se ainda prego a circuncisão, por que continuo sendo perseguido? Logo, está desfeito o escândalo da cruz.

Gálatas 6.12 Todos os que querem ostentar-se na carne, esses vos constrangem a vos circuncidardes, somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo.

Gálatas 6.14 Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo.

Efésios 2.16 e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade.

Filipenses 2.8 a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.

Filipenses 3.18 Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo.

Colossenses 1.20 e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus.

Colossenses 2.14 tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu- o inteiramente, encravando-o na cruz; Colossenses 2.15 e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.

Aflições João 16.33 Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.

Atos 7.10 e livrou-o de todas as suas aflições, concedendo-lhe também graça e sabedoria perante Faraó, rei do Egito, que o constituiu governador daquela nação e de toda a casa real.

2 Coríntios 6.4 Pelo contrário, em tudo recomendando-nos a nós mesmos como ministros de Deus: na muita paciência, nas aflições, nas privações, nas angústias,Colossenses 1.24 Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja;2 Timóteo 4.5 Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério.

Sofrimento Romanos 8.18 Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.

Hebreus 12.2 olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Tiago 5.10 Irmãos, tomai por modelo no sofrimento e na paciência os profetas, os quais falaram em nome do Senhor. 1 Coríntios 12.26 De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam.1 Coríntios 13.7 tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Hebreus 2.18 Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados.Hebreus 5.8 embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreuHebreus 13.12 Por isso, foi que também Jesus, para santificar o povo, pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta.1 Pedro 2.21 Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos xemplo para seguirdes os seus passos,1 Pedro 4.1 Ora, tendo Cristo sofrido na carne, armai-vos também vós do mesmo pensamento; pois aquele que sofreu na carne deixou o pecado, Suporta2 Timóteo 4.5 Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério.Tiago 1.12 Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.

CáliceMarcos 10.38 Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu bebo ou receber o batismo com que eu sou batizado?Marcos 10.39 Disseram-lhe: Podemos. Tornou-lhes Jesus: Bebereis o cálice que eu bebo e recebereis o batismo com que eu sou batizado; Mateus 26.39 Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres. Mateus 20.22 Mas Jesus respondeu: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu estou para beber? Responderam-lhe: Podemos.Mateus 20.23 Então, lhes disse: Bebereis o meu cálice; mas o assentar-se à minha direita e à minha esquerda não me compete concedê-lo; é, porém, para aqueles a quem está preparado por meu Pai.

Se fez carne – posição de fraqueza – burrinho pobrezaJoão 1.14 E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai. Filipenses 2.8 a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. 2 Coríntios 12.10 Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte. 1 Coríntios 2.3 E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. 2 Coríntios 11.30 Se tenho de gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza.2 Coríntios 12.9 Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.2 Coríntios 13.4 Porque, de fato, foi crucificado em fraqueza; contudo, vive pelo poder de Deus. Porque nós também somos fracos nele, mas viveremos, com ele, para vós outros pelo poder de Deus. 2 Coríntios 3.5 não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus, NegueLucas 9.23 Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. TribulaçõesAtos 14.22 fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus.Atos 20.23 senão que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que me esperam cadeias e tribulações.Romanos 5.3 E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança;Efésios 3.13 Portanto, vos peço que não desfaleçais nas minhas tribulações por vós, pois nisso está a vossa glória.1 Ts 3.3 a fim de que ninguém se inquiete com estas tribulações. Porque vós mesmos sabeis que estamos designados para isto;2 Ts 1.4 a tal ponto que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus, à vista da vossa constância e fé, em todas as vossas perseguições e nas tribulações que suportais,Hebreus 10.33 ora expostos como em espetáculo, tanto de opróbrio quanto de tribulações, ora tornando-vos co-participantes com aqueles que desse modo foram tratados.Tiago 1.27 A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo.Romanos 5.3 E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança;Romanos 8.35 Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?Romanos 12.12 regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, na oração, perseverantes;2 Coríntios 1.4 É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.2 Coríntios 1.8 Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida.2 Coríntios 4.17 Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação,2 Coríntios 7.4 Mui grande é a minha franqueza para convosco, e muito me glorio por vossa causa; sinto-me grandemente confortado e transbordante de júbilo em toda a nossa tribulação.2 Coríntios 8.2 porque, no meio de muita prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria, e a profunda pobreza deles superabundou em grande riqueza da sua generosidade.Filipenses 1.17 aqueles, contudo, pregam a Cristo, por discórdia, insinceramente, julgando suscitar tribulação às minhas cadeias.Filipenses 4.14 Todavia, fizestes bem, associando-vos na minha tribulação.1 Ts 1.6 Com efeito, vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, tendo recebido a palavra, posto que em meio de muita tribulação, com alegria do Espírito Santo,1 Ts 3.7 sim, irmãos, por isso, fomos consolados acerca de vós, pela vossa fé, apesar de todas as nossas privações e tribulação,2 Ts 1.6 se, de fato, é justo para com Deus que ele dê em paga tribulação aos que vos atribulam Apocalipse 1.9 Eu, João, irmão vosso e companheiro na tribulação, no reino e na perseverança, em Jesus, achei-me na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.Apocalipse 2.9 Conheço a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rico) e a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são, sendo, antes, sinagoga de Satanás.Apocalipse 2.10 Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.Apocalipse 2.22 Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteram, caso não se arrependam das obras que ela incita.Apocalipse 7.14 Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro,2 Timóteo 3.11 as minhas perseguições e os meus sofrimentos, quais me aconteceram em Antioquia, Icônio e Listra, —que variadas perseguições tenho suportado! De todas, entretanto, me livrou o Senhor.

Padecer Filipenses 1.29 Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele, Servo não é maior do que seu Senhor João 15.20 Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. Torturados Hebreus 11.35 Mulheres receberam, pela ressurreição, os seus mortos. Alguns foram torturados, não aceitando seu resgate, para obterem superior ressurreição; Não tem onde reclinar a cabeça Lucas 9.58 Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.

Angústia Marcos 4.17 Mas eles não têm raiz em si mesmos, sendo, antes, de pouca duração; em lhes chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam. Marcos 14.33 E, levando consigo a Pedro, Tiago e João, começou a sentir-se tomado de pavor e de angústia. Romanos 8.35 Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? 2 Coríntios 1.4 É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.

Gememos Romanos 8.23 E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo. 2 Coríntios 5.2 E, por isso, neste tabernáculo, gememos, aspirando por sermos revestidos da nossa habitação celestial; 2 Coríntios 5.4 Pois, na verdade, os que estamos neste tabernáculo gememos angustiados, não por querermos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida.

Humilde Mateus 11.29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.Mateus 21.5 Dizei à filha de Sião: Eis aí te vem o teu Rei, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de animal de carga.Romanos 12.16 Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos.2 Coríntios 10.1 E eu mesmo, Paulo, vos rogo, pela mansidão e benignidade de Cristo, eu que, na verdade, quando presente entre vós, sou humilde; mas, quando ausente, ousado para convosco Perseverança Romanos 12.12 regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, na oração, perseverantes; Lucas 21.19 É na vossa perseverança que ganhareis a vossa alma.Romanos 5.3 E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança;Romanos 5.4 e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança.Efésios 6.18 com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santosColossenses 1.11 sendo fortalecidos com todo o poder, segundo a força da sua glória, em toda a perseverança e longanimidade; com alegria,2 Timóteo 3.10 Tu, porém, tens seguido, de perto, o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança,Hebreus 10.36 Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa.Hebreus 12.1 Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta,Tiago 1.3 sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança.Tiago 1.4 Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.Tiago 1.12 Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.2 Pedro 1.6 com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade;Apocalipse 1.9 Eu, João, irmão vosso e companheiro na tribulação, no reino e na perseverança, em Jesus, achei-me na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.Apocalipse 2.2 Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos;Apocalipse 2.3 e tens perseverança, e suportaste provas por causa do meu nome, e não te deixaste esmorecer.

Outros textos Colossenses 2.20 Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: Colossenses 3.3 porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Romanos 6.2 De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?Romanos 6.8 Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos,Romanos 14.8 Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor.2 Timóteo 2.11 Fiel é esta palavra: Se já morremos com ele, também viveremos com ele;2 Coríntios 4.10 levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo.Filipenses 1.21 Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.

6 visões de Isaías 6+

(Isaías 6.1-8)

1. Visão do caos

Isaías vive num contexto de verdadeiro caos espiritual, que ele começa a descrever já no primeiro capítulo: “Ai desta nação pecaminosa, povo carregado de iniquidade, raça de malignos, filhos corruptores; abandonaram o Senhor, blasfemaram do Santo de Israel e voltaram para trás… toda cabeça está doente e todo o coração enfermo… A vossa terra está assolada, as vossas cidades consumidas pelo fogo; a vossa lavoura os estranhos a devoram em vossa presença” (v.4-7); O próprio culto estava contaminado: “Não posso suportar iniquidade associada ao ajuntamento solene” (v.13). Era um período de profundo declínio moral e espiritual (3.5-26). A idolatria tomava conta do cenário religioso (2.18); o rico oprimia o pobre; “cada um deles ama o suborno” (1.23), homens e mulheres negligenciavam suas famílias em busca do prazer carnal; muitos dos sacerdotes e profetas tornaram-se bêbados e interesseiros (5.7-12,18-23; 22.12-14). A última frase do capítulo 5 é um resumo do caos: “se alguém olhar para a terra, eis que só há trevas e angústia, e a luz se escurece em densas nuvens”. Esta é a visão que Isaías tem da terra. Parece que o mal prevaleceu sobre o bem. O mundo parece estar de pernas para o ar. O Diabo parece estar no comando, pois as trevas estão obscurecendo a luz. Onde está Deus? Isaías vai ao templo em busca de resposta.

2. Visão de Deus em meio ao caos

A visão que Isaías tem de Deus em meio a todo o caos nacional é do Senhor “Assentado” no trono. Deus Não está agitado, correndo de um lado para o outro, nem aflito; Mas está tranquilo no controle de tudo e continua sendo o mesmo Deus glorioso e tremendo em seus grandes feitos! Isto no faz lembrar da ação criativa do Espírito Santo que pairava soberanamente sobre a Terra quando ela ainda estava em trevas e sem forma e vazia para que do caos surgisse a vida, a beleza e a ordem (Gn 1.2)! Deus não está indiferente ao que se passa na terra (3.13-26). Ele tem um plano de restauração (4.1-6; 6.8). Deus reina soberanamente e tem um caminho na tormenta (Naum 1.3)! Ele dará ordem para que haja luz (Gn 1.3)!Há muitos anos atrás, numa madrugada fria, meu coração havia sido tomado por uma grande tristeza. Não conseguia dormir. Então, fui assistir televisão para tentar espairecer um pouco, quando me deparei com estas duas excepcionais intérpretes cantando esta inspirada canção que diz que Deus tem o mundo inteiro em suas mãos! (vide vídeo abaixo).O impacto foi tremendo! Instantaneamente, despertei daquele estado melancólico. “O que eram os meus problemas diante daquele que tem o mundo inteiro em suas mãos?” Fui tomado por grande emoção diante da grandeza de Deus. Em meio a lágrimas e sorrisos de alegria, todo o meu fardo se foi, dando lugar a uma paz extraordinária que deliciosamente invadiu o meu coração, fruto de uma imensa certeza de que todo o meu futuro estava nas mãos do ser mais poderoso e bondoso de todo o universo.

3. Visão da adoração em meio ao caos

As Circunstâncias são ruins, mas Deus é adorado, pois permanece digno de louvor. Os anjos dizem constantemente: Santo, Santo, Santo (6.3)! Pois Deus não é o culpado pelo mal que há na terra (5.16). Este é produto da desobediência humana (5.24). Os homens estão colhendo o que eles mesmos plantaram, como sinal do juízo de Deus sobre o pecado (Is 3.11; 4.12; 5.24,25; Gl 6.9). Eles tiveram escolha, mas optaram por afastarem-se de Deus, trazendo sobre si o justo juízo, fazendo o mal a si mesmos (3.9, 11; 1.19-20). Pois “a arrogância do homem será abatida, e a sua altivez será humilhada; só o Senhor será exaltado naquele dia” (2.17). É possível discernir a poderosa mão de Deus em meio ao caos, de modo que os anjos estão cantando: “Toda a terra está cheia da sua glória” (6.3)!

Em meio ao caos, Deus é adorado! Não é certo deixar de adorar a Deus alegando indisposição e nem adorá-lo apenas quanto tudo nos vai bem, pois devemos adorar a Deus em todo o tempo, assim como Habacuque que exclamou (3.17-18): “Ainda que a figueira não floresce, nem há fruto na vide; o produto da oliveira mente, e os campos não produzem mantimento; as ovelhas foram arrebatadas do aprisco e nos currais não há gado, TODAVIA eu me alegro no Senhor exulto no Deus da minha salvação.” Habacuque podia agir assim, pois bem sabia que “o justo vive pela fé” e não se deixa levar pelas circunstâncias (Hc 2.4b). “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.” (Hb 11.1).

Portanto, não devemos ser cristãos de temporada, que são guiados por vista, por circunstâncias, movidos pelos “embalos de Domingo a noite”. Nossa fé em Deus não pode estar baseado em nossos sentimentos e nem nas circunstâncias ao nosso redor, por serem relativos e inconstantes. Deus segue sendo Deus a despeito das tribulações da vida, quer chova ou faça sol, seja em tempos de paz ou de guerra, de fartura ou de carestia, quer estejamos sadios ou doentes, pois “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre” (Hb 13.8)! Precisamos ser como Paulo que disse (Fl 4.11, 12): “aprendi a viver contente em toda e qualquer situação… tudo posso naquele que me fortalece”. “Não vos entristeçais, pois a alegria do Senhor é a vossa força” (Ne 8.10b). Não é a alegria das circunstâncias, não é a alegria e nem a paz deste mundo. É algo que vem do Senhor e que excede a todo entendimento humano. É alegria que transcende a razão secular. A despeito da situação, dos problemas, das vicissitudes da vida, Deus segue sendo Deus e a Cruz continua sendo um evento histórico e redentor que alterou o curso da história humana. Nada pode alterar o fato de que Jesus ressuscitou, a alegria daquele dia ninguém pode nos tirar (Jo 16.22)!; A estrela brilhou de modo especial naquela Noite de Natal, os anjos apareceram aos pastores, a profecia se cumpriu, Jesus nasceu! O Verbo se fez carne! Os problemas e as mazelas desta vida não podem nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação?” (Rm 8.35). As circunstâncias não podem alterar a realidade de que Jesus é o Senhor e Salvador e nem de que Deus é Santo, Santo e Santo! Glória a Deus nas maiores alturas!

4. Visão de si mesmo em meio ao caos

Diante de Deus, Isaías vê o seu próprio pecado e diz: “ai de mim!” (v. 5). Isaías não atenta primeiramente para o pecado do vizinho; ele não desculpa o seu pecado e nem busca um “bode expiatório”, queixando-se de sua herança genética tentando, assim, minimizar sua responsabilidade e nem apela para as circunstâncias desfavoráveis ao seu redor ou para artimanha dos demônios e nem muito menos coloca a culpa em Deus, pelo contrário, ele se queixa dos seus próprios pecados, assumindo a sua responsabilidade e reconhecendo sua culpa.

A cura começa com a confissão do próprio pecado, ou seja, com o reconhecimento de que o caos não é apenas algo externo, mas também interno. Isaías sabe que não pode subsistir diante de Deus na base do seus próprios méritos, então, ele clama por misericórdia. Ele entende que até pode levar vantagem se quiser se comparar com determinados pecadores, mas vê-se totalmente perdido diante da pureza divina. A santidade e a luz da glória de Deus revelam a perversidade do seu coração. Assim diz o Senhor: “Porque, pois, se queixa o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados.” Façamos como Jeremias e Isaías: “Esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los, e voltemos para o Senhor” (Lm 3.39-40).

5. Visão da bênção em meio ao caos

Deus se compadece e envia serafins para purificarem os lábios de Isaías (v. 6, 7); Ação misericordiosa e graciosa de Deus que aponta para a obra redentora de Jesus Cristo. Deus não abandona o homem a própria sorte, mas intervém na história promovendo salvação (Is 9.1-7; Jo 3.16). Ainda que Isaías tenha vivido cerca de 700 anos antes de Jesus, ele descreve o Cristo de modo tão detalhado (9.6)!

A bênção que temos em Cristo é extraordinária: “já fomos abençoados com toda sorte de bênçãos e graças espirituais em Cristo Jesus” (Ef 1.3); Fomos purificados de modo ainda mais especial do que Isaías: “Ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós abundantemente, por meio de Jesus Cristo nosso Senhor.” (Tt 3.5,6). Jesus disse: “Já estais limpos pela Palavra que vos tenho falado” (Jo 15.3); João disse: “… O sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1 Jo 1.7).

6. Visão da sua missão em meio caos

O Encontro com Deus traz bênção e missão; purificação e serviço (v. 6-8). Após sua purificação, Isaías é convocado por Deus e enviado com uma missão ao mundo (v. 8). O mesmo vemos no episódio do chamado de Abraão registrado em Gênesis 12.2. Primeiramente, Deus diz a Abraão: “…de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome”; E, logo depois, diz: “Sê tu uma bênção!”

As bênçãos são como os talentos descritos na famosa Parábola de Mateus 25; Não podem e nem devem ser “enterradas” e nem existem para serem guardadas e conservadas intactas; Antes, precisam render e produzir frutos; Se não, corre o risco de ser considerada nula (Jo 15)! Pois aquele que é abençoado por Jesus, deve ele próprio ser uma bênção. Aquele que bebe da água da vida, não tornará apenas a não ter mais sede de novo, mas também se tornará uma fonte a saltar para a vida eterna (Jo 4). Devemos ser como a luz que não existe para ser guardada, mas, sim, para ser espalhada em benefício de todos ao redor! Fomos chamados a fazer diferença no Mundo!

Conhece aquele cântico que diz: “você veio buscar uma missão? Missão Jesus tem pra dar”? Eu também não! Isto porque muitas pessoas costumam buscar apenas as bênçãos, mas não estão interessadas em servir a Deus neste mundo. Se apenas um dos dez leprosos curados voltou para agradecer a Jesus, quão poucos não serão os que retornam para servir!

Precisamos ter cuidado com a mentalidade utilitarista e egoísta que visa apenas ao interesse pessoal; que usa e depois joga fora como se algo descartável fosse. Infelizmente, tal atitude tem tomado conta da nossa sociedade, a ponto de adentrar nas igrejas. A igreja não é supermercado, onde os cristãos seriam os fregueses. Hoje, muitos trocam de igreja com a mesma facilidade com que trocam de supermercado. Estão sempre em busca de melhores ofertas. Se sentem como fregueses, como clientes e não como servos. Não estão dispostos a servir para suprir as necessidades da igreja local, não se sentem responsáveis. São melindrosos, imaturos, bebês que precisam ainda de mamadeira. E a igreja também não é um navio, onde os cristãos seriam os turistas. Mas se a igreja fosse um navio os cristãos seriam a tripulação e não meros passageiros. Longe de nós tal mentalidade sanguessuga e parasita, que nada tem a ver com seguir os passos de Cristo, que veio para servir e não para ser servido.

Concluindo:

A visão de que Deus está assentado num alto e sublime trono, reinando sobre tudo, tendo o mundo todo em suas mãos nos anima, revigora, enche o coração de alegria e confiança diante das tribulações e desafios da vida.

Adoremos a Deus por quem Ele é, e por tudo que Jesus fez. Não sejamos inconstantes. Nosso relacionamento com Deus, nossa salvação, nossa paz e alegria, e nossa adoração não dependem dos nossos sentimentos e das circunstâncias muitas vezes caóticas que nos rodeiam, mas devem estar edificados no firme fundamento da fé em Jesus e nos seus atos redentores e históricos e imutáveis registrados nas Escrituras.

O encontro com Deus produz o humilde reconhecimento do nosso pecado e culpa, conduzindo-nos ao arrependimento. Não há lugar para desculpas ou para transferência de culpa, quando estamos diante daquele que é Santo e que sabe todas as coisas. Cônscios dos nossos próprios pecados, não nos sentimos à vontade para apontar o cisco que porventura esteja no olho do nosso semelhante (Mt 7.3) e nem para sermos murmuradores e nos queixarmos dos outros e das circunstâncias, a não ser dos nossos próprios pecados. Cônscios também da gravidade dos nossos pecados, não ousamos confiar em nossos próprios méritos, mas assumimos a nossa inteira dependência da graça perdoadora de Deus, o que nos leva a sermos também misericordiosos com os que pecam contra nós (Mt 6.12).

Por fim, Deus nos concede bênçãos para que possamos ser bênçãos. Os talentos que Deus nos concede não devem ficar estagnados, precisam ser aplicados para poderem render (Mt 25). As bênçãos que um ramo recebe da raiz da árvore visam conceder-lhe as condições necessárias para frutificação. Mas, se não produzir os devidos frutos, corre o risco de ser cortado e lançado fora (Jo 15).

O justo viverá pela fé e não por circunstâncias. O cristão é cheio de esperança, confiança, alegria, tudo regado com muita humildade, amor e espírito misericordioso. Ele não é utilitarista; não busca apenas o que é seu, mas busca o bem comum, a unidade da Igreja e a glória de Deus; não busca apenas receber, mas aprendeu a servir, pois recebeu de Jesus o exemplo, a bacia e a toalha (Jo 13.5).

Bispo José Ildo Swartele de Mello

Curso de Discipulado: Lição 5 – Regeneração e Adoração+

Lição 5

: Regeneração e Adoção Textos bíblicos para cada dia da semana · Segunda-feira:

Leitura:

João 5.24 e Ezequiel 36.26-27.

Reflexão:

Medite sobre a transformação que ocorre ao aceitar Jesus como Salvador e a vida nova que começa.

· Terça-feira:

Leitura:

Romanos 6.

Reflexão:

Considere o significado de ser "nascido de novo" e deixar para trás a vida marcada pelo pecado.

· Quarta-feira:

Leitura:

Tito 3.4-6.

Reflexão:

Reflita sobre o papel de Deus na regeneração e como isso é um milagre operado em nossos corações.

· Quinta-feira:

Leitura:

Efésios 4.22-24.

Reflexão:

Explore o chamado à renovação da mente e à obediência a Jesus como Senhor.

· Sexta-feira:

Leitura:

Colossenses 3.9-10.

Reflexão:

Pondera sobre a exortação para se despir da velha natureza e se revestir da nova natureza em Cristo.

· Sábado:

Leitura:

João 1.1-12.

Reflexão:

Contemple a ideia de adoção e como ela nos torna filhos amados de Deus.

· Domingo:

Leitura:

Romanos 8.15-17 e Gálatas 4.4-7.

Reflexão:

Explore a liberdade que vem com a adoção como filhos de Deus e como somos herdeiros das Suas bênçãos.

Regeneração: A Transformação Espiritual que nos Torna Novas Criaturas A regeneração é um conceito essencial para entender a vida cristã e a transformação que ocorre quando, pela fé, aceitamos Jesus Cristo como nosso Salvador (João 20.31; Efésios 1.13 e 1 João 5.1). A regeneração é o ato divino pelo qual Deus renova a criação caída, transformando-a para que volte a espelhar fielmente o Seu caráter. O termo tem origem biológica e ilustra a ideia de que, através do nosso relacionamento com Jesus, somos capazes de experimentar uma nova vida e uma nova natureza espiritual (Ezequiel 36.26-27).

Enquanto a justificação é uma obra de Deus a favor de nós, a regeneração é uma obra de Deus em nós. Quando nos tornamos crentes, somos "nascidos de novo" e nos tornamos novas criaturas em Cristo (João 5.24). A vida antiga, marcada pelo pecado e pela separação de Deus, é deixada para trás, e uma nova vida começa (Romanos 6.4). Essa transformação é um milagre operado por Deus em nosso coração e em nossa alma (Tito 3.4-5). Esse acontecimento é tão poderoso que Jesus o descreve como um nascimento do Espírito (João 3.8), e Paulo o chama de uma "nova criação" (2 Coríntios 5.17).

A regeneração nos permite crer, amar e obedecer a Jesus como nosso Senhor e Mestre (Efésios 4.22-24). Isso também significa que somos chamados a nos despir da velha natureza, marcada pelos desejos e atitudes pecaminosas, e nos revestir da nova natureza, caracterizada pela justiça e santidade (Colossenses 3.9-10).

Essa nova vida em Cristo é sustentada pela Palavra de Deus e pelo poder do Espírito Santo. Somos chamados a nos alimentar constantemente da verdade das Escrituras e a permitir que o Espírito de Deus nos guie em nosso caminho de crescimento e transformação (1 Pedro 1.23).

Adoção: Tornando-se Filhos Amados de Deus em Cristo Por meio do novo nascimento, somos introduzidos na família de Deus. Esse renascimento espiritual é simbolizado pela expressiva imagem da adoção, uma metáfora jurídica que ilustra nossa integração na família divina.

Por meio do novo nascimento passamos a fazer parte da família de Deus. Esta metamorfose espiritual que é a regeneração é acompanhada pela poderosa imagem da adoção, uma metáfora jurídica que ilustra a inclusão na família divina. Enquanto uma metáfora descreve a transformação a outra destaca o pertencimento.

A adoção é um conceito repleto de amor, calor e aceitação, que nos ajuda a compreender a relação especial que estabelecemos com Deus quando nos tornamos crentes em Jesus Cristo (João 1.12). Através desse novo relacionamento, somos considerados filhos amados de Deus, libertos do domínio do pecado e de Satanás (Romanos 8.15-17).

Ao aceitarmos Jesus como nosso Salvador e Senhor, experimentamos uma transformação profunda: somos adotados na família de Deus, tornando-nos herdeiros das bênçãos e promessas divinas (Gálatas 4.4-7). Nesse contexto afetuoso, Cristo é carinhosamente chamado de "irmão mais velho" (João 20.17; Hebreus 2.11-12; Romanos 8.29), uma expressão que ressalta a proximidade e o cuidado fraternal oferecido àqueles que creem. Ao mesmo tempo, o Pai é afetuosamente referido como "Abba" (Romanos 8.15), uma terminologia aramaica que reflete uma intimidade profunda, como a expressão "papai".

Como filhos de Deus, experimentamos o testemunho do Espírito Santo em nossos corações, confirmando nossa filiação e assegurando-nos de nossa posição na família de Deus (Romanos 8.16). Esse testemunho não apenas nos garante o amor e aceitação de Deus, mas também nos motiva a viver em conformidade com nossa nova identidade como filhos. Deixando para trás a escravidão ao pecado, o crente agora pertence integralmente a Deus e à Sua comunidade (Romanos 8.15; Gálatas 4.7).

Embora Deus seja Pai para toda a humanidade, o cuidado paternal por Seus filhos adotivos é singular e especial, conforme destacado nas Escrituras (1 João 3.1-3; Romanos 8.17). Recebemos perdão dos pecados (Efésios 1.7; Colossenses 1.14; Atos 10.43; 1 João 1.9), o poder de nos tornarmos filhos de Deus (João 1.12), o privilégio de fazer parte da família divina (Efésios 2.11), e o cuidado paternal (Mateus 6.31-34), além do Espírito de coragem que nos liberta da escravidão do pecado e do medo (Romanos 8.14-17; Gálatas 4.4-7). Essa adoção também nos confere o privilégio de nos tornarmos herdeiros de Deus de todas as bênçãos espirituais e eternas (Romanos 4.13-16; 8:16-23; 1 Pedro 1.4).

Além de todas essas bênçãos, como filhos de Deus, somos convocados a imitar nosso Pai celestial e a buscar uma vida de amor, justiça e santidade (1 João 3.1-3). A relevância da adoção transcende suas dimensões meramente legais, revelando-se como um catalisador divino que reconfigura e enriquece significativamente os laços dentro da família de Deus. Assim como os filhos terrenos aprendem com seus pais, os filhos espirituais são orientados a seguir o exemplo de seu Pai celestial (Lucas 6.36; Efésios 5.1). Deus, em Sua sabedoria, exorta Seus adotados a viverem uma vida de obediência, honrando o Pai celestial e acolhendo Sua disciplina como expressão de amor (Hebreus 12.5-11).

A Bíblia nos ensina que Jesus proclamou que seus seguidores são "a luz do mundo" (Mateus 5.14). Assim, somos incentivados a deixar nossa luz brilhar diante dos outros, para que possam ver nossas boas obras e glorificar nosso Pai celestial (Mateus 5.16). Essa luz não é apenas um reflexo de nosso relacionamento com Deus, mas uma expressão ativa de amor e justiça que impacta positivamente o mundo ao nosso redor.

Portanto, a obediência e o amor praticados pelos filhos de Deus não são apenas reflexos do relacionamento com o Pai, mas também uma luz radiante que ilumina o caminho para os que estão ao nosso redor. Esse testemunho não apenas fortalece nossa conexão com Deus, mas também inspira outros a glorificarem o Pai celestial ao verem as boas obras que emanam de uma vida vivida em amor e obediência a Ele.

Questões Como a regeneração é ilustrada na passagem bíblica de Ezequiel 36.26-27? a) Como um renascimento físico b) Como uma transformação espiritual c) Como uma jornada moral d) Como uma adoção divina O que acontece quando nos tornamos crentes, de acordo com João 5.24? a) Renascemos biologicamente b) Nos tornamos novas criaturas em Cristo c) Experimentamos um renascimento físico d) Nos tornamos cidadãos de outra nação Qual é a base da nova vida em Cristo, de acordo com 1 Pedro 1.23? a) Obras virtuosas b) A Palavra de Deus e o poder do Espírito Santo c) Boas intenções d) Observância rigorosa dos mandamentos Como a adoção é descrita em relação ao relacionamento com Deus em João 1.12? a) Como um contrato legal b) Como uma relação fria c) Como uma relação especial de filhos amados d) Como uma obrigação imposta Qual termo aramaico é usado para se referir carinhosamente a Deus como Pai em Romanos 8.15? a) Abba b) Adonai c) Elohim d) Yahweh O que o testemunho do Espírito Santo em nosso coração confirma, de acordo com Romanos 8.16? a) Que somos perfeitos b) Que somos filhos de Deus c) Que precisamos crescer espiritualmente para nos tornarmos filhos de Deus d) Que nossa posição na família de Deus é temporária Qual versículo corresponde à ideia de ser "nascido de novo"? a) Romanos 8.15-17 b) Efésios 2.8 c) 1 João 3.1-4 d) Efésios 4.22-24 Qual versículo destaca a relação especial estabelecida com Deus por meio da adoção? a) João 1.12 b) 1 Pedro 1.23 c) Hebreus 2.11-12 d) Romanos 6.4 Em qual versículo Jesus é referido como o "irmão mais velho" e o Pai como "Abba"? a) João 20.17 b) Romanos 8.15 c) Gálatas 4.4-7 d) 1 João 3.1-3 Qual versículo fala sobre o testemunho do Espírito Santo confirmando nossa posição como filhos de Deus? a) Romanos 8.16 b) 1 Pedro 1.23 c) João 5.24 d) Colossenses 3.9-10 Complete o Versículo: "Ezequiel 36.26 – Darei a vocês um novo coração e porei um novo espírito em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um ____________." a) Coração de alegria b) Coração puro c) Coração de amor d) Coração de carne." Complete o Versículo: João 1.12 – Mas a todos quantos o ____________, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome." a) Aceitaram b) O receberam c) Entenderam d) Seguiram Complete o Versículo: "Romanos 8.15 – Porque não recebestes o espírito de ____________, para outra vez viverdes no temor, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Abba, Pai." a) Escravidão b) Covardia c) Rebeldia d) Engano Complete o Versículo: "Colossenses 3.9-10 – Não mintam uns aos outros, visto que vocês já se despiram do velho homem com suas práticas e se ____________ do novo homem." a) Vestiram b) Abandonaram c) Ocultaram d) Ignoraram Organize os seguintes conceitos em uma sequência lógica da salvação, ainda que alguns aspectos pareçam mesmo ocorrer instantânea e concomitantemente: a) Adoção b) Fé c) Regeneração d) Justificação.

Qual é a sequência mais coerente: i) b, c, a, d ii) a, c, b, d iii) b, d, c, a iv) a, d, c, b Qual metáfora melhor ilustra a regeneração: a) "família” b) "metamorfose" c) "corpo" d) "edifício" Exercícios on-line: https://forms.gle/PjiBxJYNhqw4Dk6v9

Reportagem Completa da Celebração do Coração Aquecido+

Grande Celebração do Coração Aquecido

Igrejas de tradição Wesleyana reunidas no Ginásio do Ibirapuera com o propósito de dar testemunho de sua unidade em Cristo e de seu compromisso em reformar a nação, a começar pela Igreja, espalhando a semente do Evangelho Regenerador e Santificador de Cristo por toda a Terra.

21/05/11 Abertura Clip emocionante com Fotos Muito mais Fotos:

Hino Nacional – CJC Metodista Livre e Banda do Exército de Salvação Coral Mil Vozes e Orquestra da Metodista Wesleyana Louvores Mensagem PRONUNCIAMENTO DAS IGREJAS DE TRADIÇÃO WESLEYANA NO DIA 21 DE MAIO NA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO.

Unidos pela vida

João Wesley, com seu irmão Carlos Wesley e um grupo de pessoas cristãs, revolucionou o pensamento e a prática cristã na Inglaterra no século XVIII No contexto de um caos religioso, moral, social, econômico, no princípio da industrialização, a partir de uma vital experiência religiosa ocorrida em 24 de maio de1738, surge um “movimento denominado wesleyano” do qual de sua vertente fluem vários grupos denominacionais cristãos, totalizando hoje no mundo o montante de 100.000.000 de fiéis mais seus familiares e seguidores.

Hoje, aqui, estamos com um contingente da Família Wesleyana em momento celebrativo representando as Igrejas Exército de Salvação, Holiness, Metodista, Metodista Livre, Metodista Wesleyana, Igreja do Nazareno, bem como outros segmentos da tradição wesleyana expressando a nossa gratidão a Deus pela visão e estilo de vida surgidas a partir do movimento no século XVIII e as dimensões espirituais, éticas, morais, sociais que ele nos delegou.

A Vocação divina concedida ao Movimento Wesleyano se fundamenta na Graça de Deus, revelada em Jesus Cristo, sob a dinâmica do Espírito Santo contempla a vitalidade de uma espiritualidade profunda de comunhão com Cristo, através de “uma experiência espiritual pessoal” progressiva, contínua guiando-nos ao caminho da “perfeição cristã”, também chamado de “santificação”.

Não é uma visão aparentemente “intimista”, mas tem os seus reflexos pessoal, familiar, social em todos os seus aspectos. Wesley pregou aos “mineiros”, nas prisões, lutou contra a escravidão, à marginalização da mulher, abriu espaços educacionais a uma multidão de crianças abandonas, dando uma dimensão de “piedade” e de “atos de misericórdia” junto da Comunidade.

São muitos os testemunhos históricos que afirmam que “esse movimento” livrou a Inglaterra de uma revolução sangrenta, proporcionando uma profunda reforma na vida da nação.

O nosso compromisso

Cremos em nossa Vocação Cristã numa ação missionária que atinge a vida humana em seus vários segmentos, em particular numa responsabilidade cívica e social.

Nessa perspectiva, reafirmamos nesta Casa Legislativa o nosso compromisso com a vida manifesta em Cristo Jesus em termos de justiça, paz, reconciliação e integridade da criação.

Igualmente, assumimos o compromisso enquanto família wesleyana, em terras brasileiras, de continuar a exercer o ministério profético, de anúncio e edificação dos sinais do Reino de Deus e de denúncia e erradicação de tudo quanto gera injustiça e morte.

Fiéis à direção do Espírito Santo, sentimos que Ele nos leva ao compromisso de anunciar o Evangelho em sua plenitude, a lutar contra a injustiça sendo solidários com os pobres, oprimidos, marginalizados e discriminados pela presente ordem política, econômica, social, moral, ética e espiritual.

Dessa forma, comprometemo-nos a deixar que Deus nos use, como família cristã e wesleyana visando cumprir a nossa vocação histórica que é: “reformar a nação, particularmente a Igreja, e espalhar a santidade bíblica sobre toda a terra” (João Wesley). a. Respeito à liberdade de expressão e ser e à separação entre o Estado e a Igreja, não significando com isso ausência de diálogo e de uma ação profética a favor dos valores maiores do Reino de Deus fincados no amor, na reconciliação, na presença da Justiça, da ética, da paz, do respeito humano, da solidariedade e do respeito. b. Nossa preocupação com a tramitação no Senado Federal da PL 122/2006 (Projeto de Lei número 5003/2001), que criminaliza toda e qualquer manifestação contrária a orientação sexual da homossexualidade.Compreendemos que a PL fere à Constituição Brasileira que sublinha no caput do Art. 5o: “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”, bem como, desrespeita a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 que no Art. 18 afirma “que todo homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião”, e no Art. 19o complementa: “que toda a pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão, o que inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios independente de fronteiras. O PL favorece uma minoria em detrimento da grande maioria do povo brasileiro. c. A falta de uma ação mais efetiva que venha preservar o “meio ambiente”, expressando cuidado para com ele através da formação educativa de nossas crianças e jovens e de ações e leis que defendam os “mananciais”, as matas e florestas, os rios, as montanhas e tudo o mais que venha a desequilibrar o harmonia da Criação. d. Uma ação efetiva contra todas as formas de violência presentes no tecido social afetando pessoas, famílias grupos sociais os mais diversos. Nesse sentido, nos postamos a favor do desarmamento, tão necessário em nosso país. e. A cultura de uma ação cidadã responsável, através de uma educação cívica fundada em valores universais básicos para o respeito, o direito e a justiça sociais. f. Preocupação e busca de ação concreta contra a presença do “álcool, da droga, da liberação do sexo irresponsável”, que traz como consequência a deteriorização da Pátria e de seus cidadãos. g. A contraposição aos valores da Pós-modernidade, tais como o “individualismo”, o ”egocentrismo”, a “busca do prazer”, o “domínio da força”, o apogeu do nome, da autoridade, da posição, da busca do poder, do domínio a todo o custo, com os valores do Evangelho do Reino e da Ética Universal, respeitada por todos os que militam no caminho da Justiça e da Paz. h. Preocupa-nos uma “política” que estimula o “consumismo” sob todas as formas como um meio de desenvolvimento econômico, levando uma multidão de concidadãos à dívidas impagáveis, em especial pela cobrança indevida de altos juros nas transações efetuadas. i. Não concordamos com os “meios” que tendo em vista os “fins” a serem atingidos são usados de forma indevida e de forma contraditória em qualquer nível e área do viver, da vida nacional ou Internacional.

Fazemos este pronunciamento com respeito e consideração, orando ao Senhor a favor das nossas autoridades constituídas aqui, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, bem como pela presidência da República, Congresso Nacional e demais autoridades nacionais.

Expressamos o nosso respeito e colocando-nos à disposição através de nossas Igrejas aqui representadas para colaborar em favor de uma sociedade melhor para todos.

Assinam este pronunciamento

São Paulo, 21 de maio de 2011.

Adriel de Souza Maia, Bispo-Presidente 3a.Região –Igreja Metodista.

Andreson Caleb – Bispo-Presidente 3a. Região – Igreja Metodista Wesleyana, Eduardo Goya – Pastor – Igreja Evangélica Holiness do Brasil José Ildo Swartele de Mello – Bispo-Presidente da Igreja Metodista Livre Oscar Saches – Comissário Exército da Salvação L. Aguiar Valvassoura – Pastor-Presidente da Igrea do Nazareno Passeata Ecológica que culminou com o plantio da Árvore Wesleyana no Parque do Ibirapuera 700 pessoas participaram de uma passeata ecológica no Parque do Ibirapuera como sinal do nosso compromisso com a Salvação de Cristo que promove reconciliação do homem com seu criador, com seu próximo e com toda a Natureza! No final da caminhada, plantamos uma árvore que denominamos Árvore Wesleyana, sinal de nossa unidade e missão em favor da vida.

Fraternidade Wesleyana de Santidade:

Site: santidadeeunidade.org e Blog: santidadeeunidade.blogspot.com

O que contamina o homem – A essência da espiritualidade+

Por Bispo José Ildo Swartele de Mello

Por conta da gripe suína, está se falando muito sobre a importância de lavar as mãos. No passado, Jesus travou um debate com os fariseus sobre algo que tinha a ver com lavar as mãos. Mas Jesus não estava legislando sobre higiene e saúde. Para uma melhor compreensão do assunto é fundamental uma análise do contexto.

Jesus e os religiosos legalistas

Os líderes religiosos legalistas da época do Novo Testamento criticaram os discípulos de Jesus por não terem lavado as mãos antes de uma refeição. Bem, se a queixa dissesse respeito à higiene e à saúde até que faria sentido, mas não era este o caso. O problema é que os discípulos de Jesus estavam infringindo uma das muitas regras espirituais criadas e sustentadas por aquele grupo religioso. Segundo eles, a contaminação era de ordem espiritual e não física. Alguém que quebrasse a regra não estaria sujeito a uma doença física, mas sim a uma enfermidade espiritual. A santidade era medida através do cumprimento das regras e proibições, de modo que o indivíduo era excluído do grupo, recebendo a pecha de profano, imundo e pecador caso não as obedecesse.

Jesus bateu de frente com aqueles religiosos, dizendo que tais regras são inócuas e não produzem santos, mas apenas hipócritas preocupados com a fachada espiritual, quando a sua própria estrutura está completamente comprometida. Como exemplo da inconsistência de tal pensamento religioso, Jesus menciona uma regra que os religiosos costumavam usar para burlar a lei áurea do amor. Em nome de sua tradição espiritual estavam deixando de honrar e cuidar de seus próprios pais. Acabamos negligenciando o principal quando nos apegamos a picuinhas.

Regras acabam por afastar os homens da essência da verdadeira espiritualidade. Aprendam o que significa misericórdia quero e não sacrifícios (Mt 9.13). O Apóstolo Paulo declarou que Jesus nos livrou das regras e preceitos humanos através da sua morte,”encravando-as na cruz” (Cl 2.14), portanto a espiritualidade não se mede através da observância de tais proibições; “ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados. Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade” (Cl 2. 16-23).

Ascetismo não é santidade

O ascetismo para muitos é sinônimo de santidade. Mas Jesus não era asceta como João Batista e nem vegetariano como Daniel. Jesus era visto constantemente comendo e bebendo em festas, nas casas e até mesmo na companhia daqueles que eram considerados pecadores. Tanto que seus adversários maldosamente o chamavam de comilão e beberrão (Mt 11.19). Tal comentário era maledicente, pois Jesus não era dado a excessos, agindo sempre de maneira comedida e exemplar, embora isto não fosse satisfatório para aqueles que possuíam uma mentalidade legalista e asceta.

O legalismo só produz crente do tipo sepulcro caiado, bonito por fora, mas sem vida lá dentro (Mt 23.27-28). O legalismo gera um ambiente de críticas e juízos condenatórios. Maquiados e travestidos de uma pretensa espiritualidade, os que se sentem guardiões da santidade, partem sem dó nem piedade para cima dos infratores. Advertindo contra o perigo da hipocrisia, Jesus disse: “Não julgueis, pois, para não serdes julgados; porque com o juízo que julgardes os outros, sereis julgados; e com a medida com que medirdes, vos medirão também a vós. (Mt 7. 1-2). “Aquele que estiver sem pecado que atire a primeira pedra” (Jo 8.7)! “Por que reparas tu o cisco no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? (Mt 7.3). “Tu, porém, quem és que julgas a outrem?” (Rm 14.4).

Certa vez, Valquíria, esposa do Pr. José Carlos Teodoro, conversava com uma amiga sua que pertencia a uma igreja legalista. À medida que ela compartilhava uma bênção, sua amiga retrucava: “É, mas o Senhor está pedindo o seu cabelo”. Ela testemunhava um outro grande feito de Deus em sua vida, e lá vinha a legalista, dizendo: “É, mas o Senhor está pedindo o seu brinco”. Por fim, a Valquíria contou mais uma bênção e de novo a amiga reagiu dizendo: “É, mas o Senhor está pedindo as suas unhas”. Aí, então, a Valquíria, indignada, rebateu às críticas dizendo: “É, mas o Senhor está pedindo a sua língua!”

A essência: de dentro para fora

O que contamina a alma humana não é o que entra pela boca, mas o que dela sai. Porque a boca fala do que o coração está cheio (Lc 6.45). “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida. (Pv 4.23). Em Mateus 12.35 a 37, disse Jesus: “O homem bom tira boas coisas do seu bom tesouro, mas o homem mau do mau tesouro tira más coisas. Mas eu vos digo, que toda palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo. Porque por tuas palavras serás justificado, por tuas palavras serás condenado”. E Tiago emenda: “” Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã” (Tg 1.26). “Assim também a língua é um pequeno membro, e se gaba de grandes coisas. Vede quão grande bosque um tão pequeno fogo incendeia. A língua também é fogo, mundo de iniqüidade situada entre os nossos membros. Ela contamina todo o corpo, inflama o curso da natureza, e é por sua vez inflamada pelo inferno (Tg 3.5,6).

Santidade, portanto, não é algo que se constrói de fora para dentro, mas de dentro para fora. Tem a ver com essência e coração. Não adianta dar uma trato na aparência exterior. Nem adianta investir na decoração. Pois espiritualidade é uma questão de estrutura. No entanto, regras e proibições só conseguem atingir a superfície, não tem podem para transformar o coração. Quando a espiritualidade está centrada na fachada, a hipocrisia e o espírito crítico são inevitáveis. O legalismo sufoca a graça e a misericórdia. Só o amor de Deus pode cativar e transformar o coração humano. O amor procede de Deus. Amor gera amor. Nós o amamos porque ele nos amou primeiro (1 Jo 4.19). O amor é fruto do Espírito (Gl 5.22). Amor é algo que procede do coração. O remédio de Deus para o coração humano é Amor. Todos os mandamentos se resumem a um só: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Rm 13.8-10).

A fraca e vacilante, porém eficaz oração de um pai!+

O capítulo 9 do Evangelho de Marcos relata a mais fraca, contudo, uma das mais tocantes orações registradas na Bíblia. Não é a oração de um super herói espiritual, nem é a eloquente oração de um religioso fariseu e nem a de um profeta do Antigo Testamento ou a de algum discípulo de Jesus. Na verdade, trata-se da oração de um homem que nem sequer era religioso e cuja fé era ainda muito débil. É a oração vacilante, curta e dramática de um pai sofrido e desesperado! Ele não possuía muita fé, mas não era totalmente descrente, pois procurou a Jesus. Ele não sabia orar direito, mas não esperou a conclusão de um curso para começar. Ele confessou, “eu creio”, mas reconhecendo a fraqueza de sua fé, clamou ao Senhor: “ajuda-me na minha incredulidade”. Talvez ele não cresse tanto, mas ele queria crer em Cristo. Jesus o ajudou em sua falta de fé. Jesus não desprezou a sua oração. Jesus teve compaixão e socorreu o seu querido filho.

Dois contrastes: o monte e o vale

Neste capítulo temos dois interessantes contrastes. O primeiro diz respeito a glória que se viu no alto do monte da transfiguração em oposição a miséria presenciada no vale sombrio povoado de demônios. Depois, temos também, a questão da ausência de oração e a falta de fé tanto dos discípulos quanto dos fariseus, em contraste com a oração, mesmo que vacilante, daquele angustiado pai em busca de socorro para seu filho.

É interessante notar que Jesus guia três de seus discípulos ao alto do monte para contemplarem a sua glória. Mas o mesmo Senhor também os guia ao vale sombrio para se depararem com a miséria humana que carece de ajuda e libertação. O Bom Pastor nos guia aos pastos verdejantes e também nos guia através vale da sombra da morte. Devemos subir ao monte, mas não é hora ainda de permanecermos ali, pois há muito o que fazer no vale. Vivemos entre dois mundos, entre duas eras. Vivemos sob à luz da ressurreição e também sob a sombra da cruz. Jesus nos leva ao cume do monte e nos refrigera a alma, mas também nos desafia a sair de nossa zona de conforto para descermos ao vale a fim de cumprirmos uma extraordinária missão.

A glória do Senhor deve ser vista tanto no monte quanto no vale, e sua vontade deve ser feita tanto no céu quanto na terra. O mundo jaz no maligno, mas Jesus veio desfazer as obras do diabo. O diabo só vem para matar, roubar e destruir, mas Jesus veio para dar vida abundante (Jo 10.10). “O Espirito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar aos pobres. Enviou-me para apregoar liberdade aos cativos, dar vistas aos cegos, por em liberdade os oprimidos, e anunciar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.14-19)

A cena caótica ao pé do monte

Quando os discípulos descem do monte com Jesus, eles se deparam com uma situação caótica em que fariseus estavam discutindo com os discípulos que haviam fracassado em sua missão de libertar o moço de seus demônios. O que se via era confusão entre religiosos diante do drama de um pai desesperado em busca de cura para o seu único filho que desde a infância era dominado e oprimido por espíritos malignos.

Diante da miséria humana, os fariseus e os discípulos discutiam uns com os outros em vez de orar. No final da história, Jesus instrui aos discípulos dizendo que eles não puderam expulsar, porque aqueles tipos de demônios só saem através da oração. Os discípulos ainda estavam em formação. Eles precisavam aprender muitas lições. E uma delas era sobre a oração. Às vezes, somos tentados a agri como se fôssemos auto-suficientes, como se não dependêssemos de Deus. Passamos a confiar em nossa própria capacidade e até mesmo em nossos dons espirituais e agimos com certa arrogância. Fico curioso para saber como foi que os discípulos haviam tentado expulsar o demônio sem oração. Pode ser que tenham sido tomados por uma certa presunção espiritual, crendo que tinham autoridade em si mesmos para tanto. Talvez, tenham feito como muitos pastores hoje em dia que não pedem mais nada a Deus, pois ensinam que o certo é “exigir” e “reivindicar”. Ou talvez tenham feito como Moisés quando desobedeceu a orientação de Deus e, em vez de falar a rocha, feriu-a para que dela saísse água (Nm 20). Pode ser que tenham chamado mais a atenção para si do que para a glória de Deus. Sabemos que os discípulos ainda estavam naquela fase de querer fazer descer fogo do céu para consumir os impenitentes e disputavam entre sim pela primazia no reino de Deus. Certamente precisavam aprender a ser humildes para sempre reconhecer sua dependência de Deus. Todos precisamos admitir que nossa suficiência vem de Deus. Pois, como ensinou Jesus: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15.5).

Bem, o que sabemos, de fato, é que a única oração que se ouviu foi a daquele pai, que, em sua fraqueza, ousou buscar o socorro de Jesus. A ignorância espiritual e a fraqueza da fé deste pobre pai foi maior que a bagagem teológica dos fariseus e a experiência dos discípulos de Jesus que foram negligentes na fé e na oração. O pai do moço não sabia orar, mas orou mesmo assim, enquanto os que sabiam falharam em fazê-lo, o que nos faz lembrar o contraste entre o profeta Jonas e os pagãos que diante da tempestade, em sua ignorância, clamavam aos seu próprios deuses, enquanto o profeta de Deus permanecia indiferente e calado diante do drama daquela tempestade. A fé daquele pai foi vacilante. Ele chegou até mesmo a supor que aquele problema fosse grande demais para a alçada de Jesus, ao dizer “se tu podes”, mas, mesmo assim, aos trancos e barracos, ele orou em favor de seu filho e clamou por misericórdia em relação a sua falta de fé, dizendo: “eu creio, ajuda-me na minha incredulidade”.

O poder não está no tamanho da fé

Vemos aí, que o poder não está nem no tamanho da fé e nem na oração em si, mas, sim, no Senhor Jesus, autor e consumador da fé. Mesmo uma fé pequena pode transportar montanhas quando está depositada no Deus verdadeiro. Aprendemos com aquele pai que podemos e devemos clamar para que o Senhor nos socorra em nossa falta de fé. Os discípulos de Jesus também oraram para que sua fé fosse aumentada. O mesmo Deus que ouviu o clamor daquele pai e dos discípulos, ajudando-os em sua incredulidade pode e deseja acudir a todos que o invocam, pedindo: “ajuda-me na minha incredulidade”.

Oremos!

Bispo Ildo Mello

Emanuel: Deus Conosco! Reflexões sobre o Natal e a Intimidade com Deus+

Por Bispo Ildo Mello O Natal nos lembra que Deus, em Sua infinita graça e amor, escolheu estar conosco. Emanuel, “Deus conosco” (Mt 1.23), é a mensagem central desta celebração. Por amor, o Pai enviou o Filho ao mundo (Jo 3.16) não apenas para nos salvar, mas para caminhar ao nosso lado, oferecendo-nos Sua presença transformadora. Onde Deus está, até os lugares mais simples se convertem em santuários de vida, paz e alegria.

Natal: A Glória na Humildade O nascimento de Jesus ocorreu em um cenário de rejeição e simplicidade. Enquanto Jerusalém seguia indiferente, em Belém as portas das hospedarias estavam fechadas para o pobre casal de Nazaré (Lc 2.7). Assim, o Filho de Deus veio ao mundo num estábulo, tendo uma manjedoura como berço. No entanto, foi nesse ambiente tão modesto que o Natal se fez presente! Ali, Deus trouxe “boas novas de grande alegria, que o serão para todo o povo” (Lc 2.10). Naquele curral desprovido de recursos, nasceu o Redentor, a escada do sonho de Jacó (Gn 28; Jo 1.51), o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14.6). Esse contraste revela que a glória de Deus não depende de riquezas ou status, mas da disposição do coração em acolhê-Lo.

Portas Fechadas e Corações Abertos Desde o nascimento de Jesus houve portas fechadas, simbolizando a dureza do coração humano. Mais tarde, Jerusalém não reconheceu o tempo da visitação divina (Lc 19.44), e o próprio Cristo lamentou: “Quantas vezes quis reunir seus filhos, mas vocês não quiseram” (Mt 23.37). Em contrapartida, aqueles que abriram seu coração experimentaram a glória de Sua presença: Maria e José, os pastores, os magos do Oriente e, mais adiante, Zaqueu, que recebeu Jesus em seu lar com alegria (Lc 19.6). Ainda hoje, Ele continua a bater à porta (Ap 3.20), convidando-nos a permitir que Sua presença transforme tudo ao redor.

O Vale com Deus é Melhor que o Palácio Sem Deus A Palavra de Deus nos mostra que a comunhão com o Senhor vale mais do que qualquer conforto terreno. Davi declarou: “Um dia nos teus átrios vale mais do que mil em qualquer outro lugar” (Sl 84.10). Mesmo no “vale da sombra da morte”, o Salmo 23 garante o consolo da presença do Senhor (Sl 23.4). A história do Natal exemplifica isso: melhor estar num estábulo com Deus do que num palácio sem Ele.

Exemplos Bíblicos da Presença Transformadora de Deus • Paulo e Silas: Presos e açoitados, cantavam louvores a Deus (At 16.23-25). A presença divina foi tão palpável que as cadeias se romperam, conduzindo até mesmo o carcereiro à salvação (At 16.26-34).

• Jó: Em meio à dor, descobriu que conhecer a Deus intimamente superava qualquer compreensão teórica: “Agora os meus olhos te veem” (Jó 42.5).

• Davi: Compreendeu que a verdadeira alegria está na presença de Deus: “Na tua presença há plenitude de alegria” (Sl 16.11).

Além disso, Enoque andou com Deus (Gn 5.24) e Moisés falava com Ele “face a face” (Êx 33.11), afirmando: “Se a tua presença não vai comigo, não nos faça subir deste lugar” (Êx 33.15). Esses exemplos mostram que andar com Deus, conhecê-Lo intimamente e priorizar Sua companhia é o chamado para todo crente.

O Êxodo: Libertação para a Comunhão O Êxodo não visava apenas retirar Israel do Egito, mas aproximar o povo de Deus. No Sinai, o Senhor não permaneceu distante: Ele instruiu a construção do Tabernáculo, colocado no centro do arraial, simbolizando Sua presença no meio do Seu povo (Êx 25–40). Hoje, pelo Espírito Santo, Deus habita em nós (1Co 3.16), convidando-nos a viver em comunhão constante com Ele.

Jesus: A Melhor Parte Maria escolheu a melhor parte ao ficar aos pés de Jesus (Lc 10.42), e Zaqueu experimentou alegria ao recebê-Lo em casa (Lc 19.6). Pedro entendeu que somente Cristo tinha as palavras da vida eterna (Jo 6.68). Cristo em nós é a esperança da glória (Cl 1.27), Nele estão todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (Cl 2.3). Como os discípulos a caminho de Emaús, sentimos o coração arder quando estamos com Ele (Lc 24.32).

A Graça de Deus nos Basta Paulo compreendeu que a presença e a graça de Deus eram suficientes, mesmo em meio a fraquezas e limitações (2Co 12.9). A comunhão com o Senhor o ensinou a estar contente em qualquer situação (Fp 4.11), certo de que nada pode nos separar do amor divino em Cristo (Rm 8.38-39).

Abraão, “amigo de Deus” (Tg 2.23), também entendeu que a maior bênção era o próprio Abençoador, e não apenas Suas promessas. Por isso, deixou Ló escolher a terra (Gn 13.8-11), confiando no cuidado de Deus acima de qualquer riqueza.

Conclusão: Onde Deus Está, Tudo Muda O Natal lembra que a presença de Deus é capaz de transformar qualquer lugar e qualquer situação. Seja num curral em Belém, num vale escuro ou numa prisão, onde Deus está, há paz, alegria e esperança.

Jesus promete: “Eis que estou com vocês todos os dias” (Mt 28.20) e convida: “Ah, se você conhecesse o dom de Deus” (Jo 4.10). Que o Natal nos encoraje a receber Emanuel, a valorizar Sua presença e a experimentar a transformação que só Ele pode trazer.

Aplicações Práticas:

1. Abra Seu Coração: Como Zaqueu, acolha Jesus com alegria e permita que Ele transforme sua vida.

2. Valorize Sua Presença: Como Maria, priorize a comunhão com Cristo, dedicando tempo à oração, à Palavra e à adoração.

3. Confie na Sua Graça: Lembre-se de que a presença de Deus basta em qualquer dificuldade.

4. Celebre Emanuel: Faça do Natal uma celebração do Deus conosco, que veio habitar entre nós e nos chamar a caminhar com Ele.

Quando oramos mal+

Certa vez, os discípulos de Jesus se aproximaram dele e lhe fizeram a ele o seguinte pedido: “ensina-nos a orar” (Lc 11.1). Hum… Até os apóstolos precisaram aprender a orar. Orar não é algo que a gente já nasce sabendo. Jesus considerou tão relevante aquela solicitação que passou imediatamente a ensinar-lhes a orar, apresentando-lhes uma oração que lhes serviria de modelo por conter os princípios fundamentais da boa oração.

Alguém poderia aqui conjecturar: “Então, quer dizer que existe oração má?” Sim, existe oração má, quer por não glorificar a Deus, quer por estar completamente fora dos propósitos divinos. Vejamos:

Quatorze maneiras de orar mal

  1. Oramos mal por ignorância, pois “não sabemos orar como convém” (Rm 8.26-27); porque nosso conhecimento sobre todos os fatores e implicações futuras é limitado, de modo que “o coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa vem do Senhor” (Pv 16.1);
  2. Oramos mal por ambição carnal como bem apontou o Apóstolo Tiago: “Pedis e não recebeis, porque pedis mal para esbanjardes nos vossos deleiteis e prazeres” (Tg 4.3);
  3. Oramos mal por orgulho, egoísmo e presunção espiritual tal como o fariseu que orava sentido-se superior ao publicano (Lc 18.9-14);
  4. Oramos mal por desconhecermos a verdadeira natureza de Deus: “Vós adorais o que não conheceis” (Jo 4.22).
  5. Oramos mal quando agimos como os pagãos que se valem de vãs repetições acreditando que por muito falarem é que serão ouvidos (Mt 6.7,8);
  6. Oramos mal quando usamos a oração como instrumento de autopromoção como faziam muitos fariseus que gostavam de orar para alcançar prestigio espiritual em suas comunidades (Mt 6.5);
  7. Oramos mal quando estamos, ao mesmo tempo, tratando indignamente as pessoas do nosso convívio: Quanto a isto Pedro adverte: “tratai vossas esposas com dignidade para que não se interrompam as vossas orações” (1 Pe 3.7);
  8. Oramos mal quando somos impiedosos como aquele credor incompassivo da parábola, que tendo sido imensamente perdoado, na sequência, não usou de misericórdia para com aquele que lhe devia (Mt 18.21-35 e Mt 6.35); Pois quem depende da misericórdia divina deve também tornar-se misericordioso e perdoador.
  9. Oramos mal quando conservamos mágoa e não estamos abertos a reconciliação, não atentando para a seguinte exortação do Apósto Paulo: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja em vós alguma raiz de amargura…” (Hb 12.14,15);
  10. Oramos mal quando oramos sem fé, pois devemos pedir “com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa” (Tg 1.6,7; ver também Hb 11.1 e Mc 11.24);
  11. Oramos mal quando não estamos dispostos a produzir frutos para a glória de Deus e nem buscamos o seu Reino em primeiro lugar, pois Jesus nos vocacionou para sermos frutíferos e para que o nosso “fruto permaneça; a fim de que tudo o que pedirmos ao Pai em nome de Jesus, nos seja concedido…” (Jo 15.16; Mt 6.33);
  12. Oramos mal quando não oramos diretamente ao Pai em nome de Jesus, como ensinava ele dizendo ao seus discípulos, que: “… se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome” (Jo 16.23);
  13. Oramos mal quando dirigimos nossa oração aos santos que já morreram, algo que foi terminantemente proibido por Deus, que disse ao seu povo: “não acharás entre ti quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor” (Dt 17.10,11) e, no mesmo sentido também falou através do profeta Isaías, questionando: “a favor dos vivos se consultarão os mortos?” (Is 8.19);
  14. Oramos mal quando solicitamos a mediação de qualquer outra pessoa que não seja Jesus, “porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1 Tm 2.5; ver também At 4.12; Hb 9.15 e 12.24); Jesus é nosso único advogado perante Deus (1 Jo 2.1); Jesus é também o único caminho para Deus (Jo 14.6); Ele é o nosso supremo sumo sacerdote que, por tudo que sofreu, sabe exatamente como nos sentimos, sendo capaz de compadecer-se de nós, de modo que, em parceria com o Espírito Santo (Rm 8.26), nos socorre em nossas fraquezas, vivendo a interceder a nosso favor  diante do trono de Deus (Hb 4.14-16; 7.25).

Jesus nos ensina a orar e intercede por nós

Vemos aí que o Senhor Jesus não apenas nos ensina a orar, como também intercede por nós. Com um reforço deste, os cristãos sinceros têm esperança de que suas orações imperfeitas, mesmo as do tipo que produzem os gemidos inexprimíveis do Espírito, alcançarão o trono da graça.

E, como oração não é monólogo, mas, sim, diálogo, neste processo de orar, estamos também ouvindo a Deus, o que propicia o desenvolvimento de nosso relacionamento com ele, nos levando a conhecê-lo melhor, a admirá-lo mais, e ao desejo profundo de nos tornarmos cada vez mais parecidos com nosso grande Pai. Portanto, quando não nos conformamos com este mundo, mas buscamos a transformação pela renovação do nosso entendimento (Rm 12.1), alcançamos a mente de Cristo (1 Co 2.16; Jo 15.7) de modo a orarmos cada vez  melhor de acordo com aquela que é a boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Rm 12.2). E já podemos começar orando assim: “Jesus, ensina-nos a orar!” Em um próximo programa, estaremos estudando a oração do “Pai Nosso” para aprender de Jesus os princípios de uma boa oração.

Oro para que o Senhor o ajude em sua caminhada cristã. Até breve se o Senhor assim o permitir. Um grande abraço e fique na paz do Senhor.

Bispo Ildo Mello

Os poderosos recursos da Palavra e Oração+

A Missão da Igreja só pode ser levada a cabo através do poder sobrenatural de Deus. Jesus não chegou para os seus discípulos e lhes deu uma grande missão, dizendo a eles que se virassem. Jesus subiu aos céus, mas não nos deixou órfãos, nos enviou o seu Espírito que confere poder para a Igreja. Disse Jesus: “sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5). Pelo Espírito temos também acesso a preciosas armas e ferramentas espirituais, tais como a Palavra e a Oração, que nos servem de meios de graça para o viver cristão e o cumprimento de nossa tarefa de ser sal da Terra e luz do Mundo. “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas” (2 Co 10.4). O autor de Hebreus num mesmo contexto fala sobre o poder e a eficácia da Palavra de Deus e da Oração: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas. Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna (Hb 4.12-16).

A Palavra: viva, eficaz e relevante

A Palavra de Deus é viva e eficaz, sendo relevante e potente para dar conta dos desafios dos nossos dias. Além de ser poderosa para revelar o mais íntimo do coração e das intenções humanas (Hb 4.12), a Palavra de Deus também é descrita na Bíblia como sendo poderosa e eficaz para produzir fé, que capacita o crente a agradar a Deus e a vencer o mundo (Rm 10.17, Hb 11.6; 1 Jo 5.4); para regeneração e recriação (Tg 1.18); para conversão, não volta vazia, mas prevalece e prospera poderosamente (Is 55.11; At 19.20); para santificação, capacitando o crente e a comunidade dos crentes a viverem a ética da cultura do Reino de Deus, com um estilo de vida que afirma o senhorio de Cristo sobre a totalidade da existência humana, servindo de modelo para o mundo (Jo 15.3; 17.17; Ef 5.26; 1 Tm 4.5); para vencer a tentação (Lc 4.4); para vencer o maligno como parte fundamental da armadura de Deus e das armas espirituais (Ef 6.17), para curar e fazer milagres (Mt 8.8; Lc 5.5), para criar e sustentar todas as coisas (Hb 11.3). Além de tudo isto, a Bíblia nos revela a Deus em Cristo, seu ser, seu caráter, seu propósito, sua missão, sua Igreja, seu Reino… e a própria promessa que Jesus fez aos seus discípulos de estar com eles para sempre, se cumpre através da presença do Espírito e da Palavra. Encontramos na Bíblia, graça, força, direção, modelos, inspiração, esperança e missão, nossa razão de ser e existir, que nos liga a Deus e ao povo de Deus. Na Bíblia, encontramos nossa herança e legado. Deus que operou poderosamente em outros tempos está vivo, seu Espírito está vivo, sua Palavra continua viva e eficaz para atuar em nós e através de nós para consecução dos propósitos divinos em nossa geração.

A oração: recurso que traz o Reino

Ao lado da Palavra, temos também a oração, que é uma poderosa para trazer o Reino e para buscar que a vontade de Deus se faça na terra (Mt 6.10). A oração de dedicação do templo feita por Salomão (1 Rs 8.12-66) revela que Deus é afetado positivamente por nossas orações feitas aqui na terra” (2 Pd 3.5). “Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus” (Mt 18.18). A oração tem poder até sobre o clima e os fenômenos naturais: “Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo. Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu” (Tg 5.16b, 17). “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á. Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?” (Mt 7.7-11). É maravilhoso saber que Jesus nos ajuda a orar melhor. Não oramos sós. Ele intercede por nós (Rm 8.34; Hb 4.16). E o Espírito Santo também intercede de modo tremendo por nós (Rm 8.26, 27). Com tanta graça a nosso favor, temos motivos para estar confiantes a respeito do nosso viver e missão.

Mensagem Concentração do Coração Aquecido no Ginásio do Ibirapuera+

Mensagem do Bispo Ildo Mello na Concentração do Coração Aquecido que foi realizada em 21 de maio de 2011 no Ginásio do Ibirapuera.

A reforma da nação passa pela reforma da Igreja

John Wesley dizia sobre a essência do movimento metodista: “Reformar a nação, particularmente a Igreja, e espalhar a santidade bíblica sobre toda terra”.

Este é o dia que o Senhor nos fez, um dia de alegria e cânticos; bendito seja o Senhor! Quem está feliz aqui diga um amém bem forte! (Sl 118.24).

Deus é glorificado na unidade

O Senhor preparou este dia especialmente para nossa reunião. Deus é glorificado na unidade do seu povo. Jesus afirmou: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18.20). Jesus, em sua oração sacerdotal, clamou pela unidade da igreja, pedindo ao Pai que todos fossem um para que o mundo pudesse crer (Jo 17.20-23). Essa unidade é um poderoso testemunho para o mundo, que carece desesperadamente de amor, compreensão e unidade.

Infelizmente, o que prevalece no mundo são divisões, ciúmes, inveja e todo tipo de sentimento faccioso que separa as pessoas. São obras do maligno que semeia ódio, desconfiança e separação nos corações. Mas, graças a Deus, Jesus veio justamente para destruir as obras do diabo (1Jo 3.8). Cristo é maior que o pecado e o ódio, e sua obra é infinitamente superior à obra do maligno.

Como Wesleyanos, acreditamos profundamente no poder da graça de Deus, não somente para perdoar pecados e garantir a vida eterna, mas também para transformar completamente nossas vidas aqui e agora. Essa graça nos conduz à santificação e regeneração, tornando-nos novas criaturas, e permitindo que declaremos com convicção que as coisas antigas já passaram e que tudo se fez novo (2Co 5.17). Como afirmou Jesus: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21.5).

O apóstolo João, inspirado por essa fé poderosa, dirigiu-se aos jovens dizendo: “Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e já vencestes o maligno” (1Jo 2.14). Esta é nossa fé: uma graça suficiente e poderosa que restaura plenamente o ser humano à imagem e semelhança de Deus (Rm 6.14).

Algo maravilhoso e especial tem ocorrido entre nós recentemente. Líderes, bispos e superintendentes têm se reunido regularmente e de maneira espontânea para orar juntos, escutar uns aos outros, aprender mutuamente e compartilhar experiências. O que nos une é nossa raiz comum Wesleyana, cuja história celebramos hoje. É o Espírito Santo que está unindo nossos corações de forma especial, gerando algo novo e poderoso entre nós. Bendita seja essa unidade do povo de Deus, pois nela o Senhor ordena bênção e vida eterna (Sl 133).

A mensagem da santidade é necessária hoje

Estamos convencidos que a mensagem da santidade é extremamente necessária no Brasil atual. Nosso país enfrenta uma grave decadência moral, injustiças sociais profundas, violência generalizada e corrupção em todos os níveis. Jovens estão sendo destruídos pelas drogas, álcool e criminalidade. Não basta falarmos contra esses males, o mundo está cansado de discursos vazios da igreja. Precisamos urgentemente assumir nosso papel de ser sal da terra e luz do mundo, vivendo em santidade e demonstrando por meio das nossas ações o poder transformador de Deus, para que vejam nossas boas obras e glorifiquem nosso Pai celestial (Mt 5.13-16).

Nos dias do profeta Isaías, quando havia grande corrupção e caos, Deus decidiu agir começando por sua própria casa. Ao revelar sua santidade ao profeta, Isaías percebeu imediatamente seu próprio pecado, clamando: “Ai de mim! Estou perdido! Pois sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!” (Is 6.5). Antes de Deus transformar o mundo, Ele precisa transformar Sua igreja.

Atualmente, a igreja evangélica necessita urgentemente de reforma. Temos visto escândalos financeiros, imoralidades sexuais e até comércio das bênçãos espirituais. Precisamos retornar firmemente à Palavra de Deus e abandonar práticas vazias, o emocionalismo barato e o estrelismo. Não podemos nos conformar com este mundo, mas sermos renovados diariamente pelo Espírito Santo, vivendo uma vida santa e agradável a Deus (Rm 12.2; 1Pe 1.15).

A reforma começa na casa do Senhor

Quando Jesus entrou triunfante em Jerusalém, Ele não foi primeiramente ao palácio de Herodes ou à casa de Pilatos, mas ao templo, à casa de Deus, para purificá-la (Mt 21.12-13). O juízo de Deus começa pela Sua casa (1Pe 4.17). Por isso, todo aquele que professa o nome do Senhor deve afastar-se da iniquidade e viver em santidade (2Tm 2.19).

Assim como João Wesley, que foi radicalmente transformado pelo Espírito Santo, precisamos crer e buscar um poderoso avivamento espiritual. Wesley acreditou não apenas na transformação pessoal, mas também numa transformação social profunda, enfrentando males históricos como a escravidão. O segredo de Wesley não estava em suas habilidades humanas, mas na ação poderosa do Espírito Santo, que ainda hoje está disponível para nós (Ez 36.26-27).

Precisamos urgentemente de homens e mulheres comprometidos com Deus, dispostos a serem instrumentos nas mãos do Espírito Santo para trazerem uma verdadeira reforma espiritual e social ao nosso tempo. Que possamos, com Isaías, responder à voz de Deus dizendo: “Eis-me aqui, envia-me a mim!” (Is 6.8).

Vivifica-nos novamente

Que esta seja nossa oração sincera hoje e sempre: Senhor, vivifica-nos novamente! Que o Senhor derrame sobre nós o mesmo espírito que transformou João Wesley e tantos outros grandes servos, para que possamos impactar nosso país e nosso mundo com a mensagem do evangelho.

Amém!

Não Deixemos de Congregar – Hb 10.25+

Não deixemos de Congregar Como se dá o crescimento espiritual de um cristão? Podemos nos desenvolver espiritualmente mesmo alheios a vida da igreja? Qual a importância de estarmos juntos? O que significa ir a igreja? Por que temos de ir a igreja? Será mesmo possível desenvolvermos nossa vida espiritual à parte da igreja, através da leitura bíblica e oração particular?

Em Ef 4.1-16, o Apóstolo ressalta a importância da igreja. Temos ali uma exortação à unidade, o que requer a eliminação de todas as tendências para as facções, que são apenas manifestações de egoísmo. Em Ef 1.9, 10, onde está escrito: “desvendando-nos o mistério da sua vontade … de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra”, vemos que o grande desígnio de Deus é a restauração e a unidade de todas as coisas em torno de Cristo. A igreja deve experimentar a unidade para tornar-se a primeira ilustração de como o Senhor haverá de reunir todas as coisas em torno de Jesus. Os próprios anjos se colocam a observar o que Deus está fazendo no seio da igreja, e desse modo aprendem o que o Senhor fará em todo o universo.

Foi o próprio Jesus quem disse: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome ali eu estarei” (Mt 18.20). Ressaltando a importância da comunhão. Quando os irmãos se reúnem Deus se faz presente de uma maneira toda especial. É na unidade do povo de Deus que o Senhor “ordena a sua bênção e a vida para sempre” (Sl 133.3).

Muitas orações são respondidas porque oramos juntos em unidade: (Mt 18.19) “Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que porventura pedirem, ser-lhe-á concedida por meu Pai que está nos céus.” E a própria plenitude do Espírito se dá quando estamos reunidos como Igreja como aconteceu no primeiro Pentecoste e conforme o ensino de Paulo aos Efésios, quando diz: “enchei-vos do Espírito Santo, falando entre vós com salmos e cânticos espirituais… sujeitamos uns aos outros no temor do Senhor.”

A vida cristã não é a exaltação de nossa individualidade, ou de nossa independência, mas, sim, é uma vida em congregação, em unidade, em sociedade, em amor. Somos individualmente membros do corpo de Cristo. Onde estamos interligados e interdependentes. Não podemos ser cristãos tipo “ilha”, não podemos viver isolados do corpo. A própria oração que Jesus nos ensinou é uma oração que deve ser feita em conjunto: “Pai nosso… e pão nosso”. Não podemos nos batizar a nós mesmos e nem ministrarmos a Ceia sozinhos, individualmente, para nós mesmos.

Infelizmente, em nossos dias, principalmente no ocidente, tendemos a negligenciar tal solidariedade em favor da afirmação de nossa identidade individual. Mas, como afirmou John Donne: “Nenhum homem é uma ilha, completa em si mesma; todo homem é um pedaço do continente, uma parte do todo. Se um bloco de terra é arrastado pelas águas, o território fica diminuído, seja a Europa ou a fazenda dos teus amigos. A morte de cada ser humano me diminui, porque estou envolvido na humanidade.”

Não devemos nos preocupar apenas com nossa santidade e edificação pessoal. Não devemos buscar apenas o que é nosso. Devemos evitar o egoísmo e o individualismo.

A questão da solidariedade é muito forte na igreja, por esta razão nos exorta o autor de Hebreus, dizendo: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes façamos admoestações, e tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima.” (Hb 10.25).

O cristão cresce espiritualmente através da verdade e do amor. Ele não cresce sozinho, independente dos outros, alheio à igreja. Mas cresce como membro do corpo de Cristo, em íntima comunhão com os demais membros e vinculado a Cristo que é o cabeça do corpo. Um dedo, se for cortado do corpo, deixa de crescer, morre e apodrece, pois não há vida fora do corpo para ele. Portanto, não deixem de congregar!

Bispo Ildo Mello www.metodistalivre.org.br mensagem pregada no dia 4 de julho de 2010

Oração: A Chave para Alcançar Milagres e Transformar Destinos+

Deus, em sua soberania, decidiu agir por meio da oração, e isso é evidente nas passagens bíblicas que exaltam a importância de pedir e buscar a Deus.

Em Tiago 4.2, encontramos a afirmação impactante de que muitas vezes não recebemos porque não pedimos. Essa passagem nos lembra que, ao nos aproximarmos de Deus em oração, Ele está pronto para nos atender e suprir nossas necessidades.

Jesus também nos encoraja a pedir em Seu nome, prometendo que receberemos e nosso gozo será completo (João 16.24). Essa promessa mostra que Deus deseja nos abençoar através da oração e que nossos pedidos têm poder quando são feitos com fé em Jesus. E que deixamos de receber bençãos de Deus disponíveis a nós pelo simples fato de não orarmos a Deus.

Em Mateus 7.7-8, Jesus nos ensina a pedir, buscar e bater, garantindo que aquele que pede recebe, aquele que busca encontra e ao que bate, abrir-se-á. Essa passagem reforça a importância de perseverarmos na oração, confiando que Deus responderá de acordo com Sua vontade.

Um exemplo marcante de como a oração pode mudar o curso da vida é a história da milagrosa cura de Ezequias, narrada em Isaías 38.1-5. Quando Deus disse a Ezequias que ele morreria, o rei não se conformou com a sentença e se lançou diante do Senhor em oração. Como resultado, Deus concedeu mais quinze anos de vida a Ezequias, demonstrando Seu amor e compaixão ao responder à sua súplica.

Além disso, temos exemplos bíblicos que mostram como a falta de fé e arrependimento pode afetar os destinos das pessoas. Em Jonas, Deus mandou o profeta anunciar a destruição de Nínive por causa de sua maldade. No entanto, quando os ninivitas se arrependeram e clamaram a Deus, Ele mudou Seu plano e decidiu não destruir a cidade. Isso ilustra como a oração e o arrependimento podem alterar o curso dos acontecimentos, movendo o coração compassivo de Deus.

Por outro lado, a falta de fé e arrependimento impediu a salvação de Jerusalém. Jesus desejava salvá-los, mas o povo não O reconheceu como o Messias, resultando na perda de sua oportunidade de salvação. (Lucas 13.34). Esses exemplos destacam a importância de nos arrependermos, ter fé em Cristo Jesus e buscar a Deus em oração.

Portanto, fica evidente que a oração é uma poderosa ferramenta que Deus disponibiliza aos Seus filhos. Ela nos conecta com o coração do Pai e nos permite participar ativamente do Seu plano. Através da oração humilde e cheia de fé, podemos experimentar a intervenção divina em nossas vidas e presenciar milagres. Não devemos subestimar o poder da oração, pois, como mencionado anteriormente, muitas coisas deixam de acontecer por falta dela. Que possamos nos dedicar à oração constante, confiantes de que Deus ouve e responde ao clamor do Seu povo.

Bispo Ildo Mello

A essência da Espiritualidade (Mc 7.1-22)+

Nos dias do Novo Testamento, os líderes religiosos legalistas criticaram os discípulos de Jesus por não lavarem as mãos antes de uma refeição. Embora a higiene e a saúde fossem importantes, esse não era o problema real. Os discípulos de Jesus estavam quebrando uma das muitas regras espirituais criadas e mantidas pelo grupo religioso. Para eles, a contaminação era de natureza espiritual e não física. Alguém que quebrasse a regra não seria suscetível a uma doença física, mas sim a uma enfermidade espiritual. A santidade era medida pelo cumprimento das regras e proibições, e aqueles que não obedeciam eram rotulados como profanos, imundos e pecadores, sendo excluídos do grupo.

No entanto, Jesus confrontou esses líderes religiosos, afirmando que essas regras eram inúteis e não produziam santidade, mas apenas hipocrisia. Ele apontou a inconsistência dessas crenças, mencionando uma regra que os religiosos usavam para contornar a lei do amor, deixando de honrar e cuidar de seus próprios pais em nome de sua tradição espiritual. Ao se apegar a detalhes insignificantes, negligenciaram o mais importante.

As regras podem afastar as pessoas da verdadeira essência da espiritualidade. Jesus ensinou que o significado da misericórdia é mais importante do que sacrifícios (Mt 9.13). O legalismo produz apenas crentes que parecem bonitos por fora, mas não têm vida interior (Mt 23.27-28). Esse tipo de crença cria um ambiente de crítica e julgamento condenatório. Aqueles que se consideram guardiões da santidade criticam impiedosamente os que infringem as regras, enquanto se escondem atrás de uma falsa aparência.

Santidade não é algo que possa ser construído de fora para dentro, mas sim de dentro para fora. A essência da espiritualidade está relacionada com o coração e a essência do ser humano. Não adianta apenas cuidar da aparência exterior ou investir em decoração. A espiritualidade é uma questão de estrutura. As regras e proibições podem apenas alcançar a superfície e não têm o poder de transformar o coração. Quando a espiritualidade se concentra apenas na fachada, a hipocrisia e o espírito crítico se tornam inevitáveis. O legalismo sufoca a graça e a misericórdia, enquanto somente o amor de Deus pode capturar e transformar o coração humano. O amor procede de Deus e gera amor em nós. Nós amamos a Deus porque Ele nos amou primeiro (1 Jo 4.19). O amor é o fruto do Espírito (Gl 5.22) e algo que brota do coração. O remédio de Deus para o coração humano é o amor, e todos os mandamentos podem ser resumidos em um: “Ame o próximo como a si mesmo” (Rm 13.8-10).

Adoração ou Entretenimento? O Risco de Confundir Emoção com Devoção+

Vivemos em um tempo em que muitos cultos são marcados por produção artística impecável: música de alta qualidade, músicos talentosos, luzes e estrutura profissional. Tudo isso pode enriquecer a experiência de adoração, mas surge uma pergunta crucial: estamos realmente adorando a Deus ou apenas nos encantando com a performance?

Como seres humanos, facilmente trocamos a essência da adoração por emoções passageiras. O profeta Oséias já alertava: “Quero misericórdia, e não sacrifício; conhecimento de Deus, mais do que holocaustos” (Os 6:6). Deus não se impressiona com ritos vazios; Ele busca corações sinceros e comprometidos. Jesus reforçou essa verdade: “Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mateus 15:8).

Infelizmente, é possível estar em um culto emocionante, saltar de alegria, levantar as mãos e ainda assim não adorar de verdade. A verdadeira adoração não é sobre entretenimento, mas entrega. Como diz Romanos 12:1: “Ofereçam seus corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês.” Deus não ouve apenas músicas; Ele escuta corações. Não importa a perfeição técnica ou a atmosfera emocional—o que Ele deseja é sinceridade e devoção profunda. A adoração genuína não é um espetáculo, mas uma rendição incondicional ao Senhor.

Por isso, a igreja deve ser um lugar onde Deus é o centro, não nossas preferências artísticas. O louvor não existe para satisfazer nossos sentidos, mas para expressar vidas transformadas por Ele.

Que nossa oração seja sempre: “Senhor, ensina-me a adorar em espírito e em verdade” (João 4:24). Assim, O honraremos não apenas com palavras, mas com corações completamente Seus.

Grande Celebração do Coração Aquecido+

CELEBRAÇÃO DO “CORAÇÃO AQUECIDO”

Convocação Convocamos pastores, pastoras, evangelistas,obreiros e membros das igrejas de origem wesleyana para participarem ativamente de uma grande e histórica celebração do Coração Aquecido, experiência que transformou a vida de João Wesley e o mundo ao seu redor. O evento especial acontecerá no dia 21 de maio – Sábado – no Ginásio do Ibirapuera.

O objetivo central da celebração será  fortalecer os laços históricos da família wesleyana; proporcionar um momento de fortalecimento da nossa prática da unidade cristã; revitalizar a importância da experiência do “Coração Aquecido”; testemunhar publicamente o nosso compromisso com a santidade de vida. Espera-se uma celebração vibrante e participativa, proporcionando a oportunidade para dar expressão a nossa unidade na diversidade de Dons e Ministérios no ambiente da grande família wesleyana.

Programação:

09h00 às 11h00 – Acolhimento 11h00 às 13h00 – “Chamados para testemunhar a graça de Deus”: Evangelismo e ato ecológico no Parque o Ibirapuera 13h00 às 14h00 – Intervalo para refeição 14h00 às 15h00 – “Chamados para transformar a sociedade”: Passeata até a Assembléia Legislativa Oração em favor de nossos governantes clamando por santidade e ética na política de nosso Estado e Nação No salão da Assembléia, pronunciamento oficial da família wesleyana e oração 15h00 às 16h00 – Apresentações Musicais no Ginásio do Ibirapuera como prelúdio para o culto de celebração 16h00 às 19h00 – “Mil vozes para celebrar”:

Culto de ação de graça com Santa Ceia "Santificai-vos, porque amanhã o Senhor fará maravilhas no meio de vós"( Josué 3.5)

Ore incessantemente, divulgue animadamente e participe ativamente!

No amor do Senhor, Bispo Ildo Mello

Quanta coisa deixa de acontecer por falta de oração.+

“… Nada tendes, porque não pedis.” (Tg 4.2).

“Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo seja completo.” (Jo 16.24).

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á.” (Mt 7.7,8)

“Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.” (Jo 4.10).

A milagrosa cura de Ezequias (Is 38.1–5)

1. Deus disse que Ezequias morreria

2. Ezequias orou

3. Deus respondeu dando mais quinze anos de vida a ele!

Deus, em sua soberania, sabe deixar-se mover por amor e compaixão! Deus realmente interage com suas criaturas e responde às suas orações, pois o futuro não está totalmente determinado. Por exemplo, honrar pai e mãe prolonga os dias de nossa existência na terra (Êx 20.12). Arrependimento, fé e humilde oração mudou o destino de Nínive. Deus mandou o profeta Jonas anunciar a destruição de Nínive, mas os ninivitas se arrependerem e o destino de Nínive foi alterado! A falta de fé e arrependimento impediu a salvação de Jerusalém. Jesus quis salvar o povo de Jerusalém, mas o povo não quis reconhecê-lo como Salvador e acabaram sem Salvação (Lc 13.34).

A humilde oração de fé em Cristo Jesus move as mãos de Deus!

Bispo Ildo Mello

Viva em espírito de adoração!+

“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Coríntios 10.31).

Devemos viver para a glória de Deus. Todos os atos de nossa existência devem promover a glória do Senhor Jesus. Louvor e gratidão devem permear tudo o que fazemos. Em tudo devemos dar graças (1 Ts 5.18), pois Deus é o doador de todas as bênçãos espirituais e materiais e é poderoso para fazer com que todas as coisas, boas ou ruins, venham a convergir para o bem do crente que o ama. Portanto, devemos reconhecer a Deus em todo o nosso caminhar (Pv 3.6).

O saudoso Jorge Redher certa vez ministrou esta lição de maneira criativa, dizendo:

Adoramos a Deus, ministrando a Ele: louvor e adoração, de lábios e de coração; Adoramos a Deus, ministrando uns aos outros: dons e talentos, numa atmosfera de amor; Adoramos a Deus, ministrando as pessoas: evangelização, serviços; boas-novas e boas obras.

Nisto resume-se o que significa adorar a Deus. Não é apenas cantar; não é apenas vir à igreja, orar, ler a Bíblia. Todas estas coisas são boas, mas são apenas alguns aspectos de algo muito maior que significa adorar a Deus. Adorar a Deus é um modo de viver. Viva em espirito de adoração!

Ildo Mello Bispo da Igreja Metodista Livre do Brasil: www.metodistalivre.org.br Twitter: http://twitter.com/ildomello Meu Blogs: http://escatologiacrista.blogspot.com/ http://imeldemirandopolis.blogspot.com/

Oração no Apocalipse+

*O Apocalipse demonstra como nossas orações fazem toda a diferença a ponto de mover a história (5:8 e 8:5). Sendo assim, os cristãos mais humildes são mais poderosos que os soberanos da terra.*

Veja:

“E, quando ele pegou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos se prostraram diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.” (Ap 5.7–8).

“E da mão do anjo subiu à presença de Deus a fumaça do incenso, com as orações dos santos. Então o anjo pegou o incensário, encheu-o do fogo do altar e o atirou à terra. E houve trovões, vozes, relâmpagos e terremoto.” (Ap 8.4–5).

Este será o tema da Live da Hora Nona desta Segunda-feira. Não perca! 15 h no Face, Instagram e Youtube.com/ildomello

A oração de Jabes à luz do Pai Nosso+

 🙏 DA REZA AO PRINCÍPIO

A oração de Jabes à luz do Pai Nosso

Nos últimos anos, poucas orações curtas da Bíblia foram tão repetidas quanto a de Jabes. Ela estava escondida numa lista de nomes em 1 Crônicas e, de repente, virou cartão, quadro e bilhete na geladeira. Por isso vale uma pergunta sincera, sem nenhum alarme: o que estamos pedindo quando oramos assim?

1. O que o texto diz

Jabes pediu quatro coisas a Deus: que o abençoasse, que alargasse as suas fronteiras, que a mão de Deus estivesse com ele e que o livrasse do mal (1Cr 4.10). E Deus atendeu.

Aqui já aprendemos algo importante: esse texto conta uma história, não dá uma fórmula. O autor narra o que aconteceu com um homem; ele não promete que toda pessoa que repetir essas palavras vai receber a mesma coisa. Tratar uma história da Bíblia como se fosse uma promessa para todos é um engano comum, e a boa leitura das Escrituras nos ajuda a corrigir isso.

2. O que há de bonito na oração

Há muito o que admirar. Jabes não negocia com Deus: ele clama. E o melhor pedido dele é este: “que a tua mão seja comigo”. Aqui Jabes pede o próprio Deus, e não só os presentes de Deus. Isso é oração de verdade: querer a presença d’Ele acima de tudo.

3. Onde está o perigo

O perigo não é orar todo dia. Orar com constância é lindo e faz bem. O perigo é achar que as palavras certas, ditas o número certo de vezes, obrigam Deus a agir, como se a oração fosse uma fórmula mágica.

Foi contra isso que Jesus avisou: “E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios” (Mt 6.7). Quando a oração vira amuleto, mesmo um amuleto tirado da Bíblia, ela perde o sentido.

Dois pedidos de Jabes ainda precisam de cuidado. “Alargar fronteiras”, se a gente entende mal, vira só pedido de mais coisas, mais sucesso, mais bens, e aí escorrega para o “evangelho da prosperidade”. E pedir para nunca passar por aflição esbarra numa verdade do Novo Testamento: Deus não promete uma vida sem dor, mas a Sua presença dentro da dor (Rm 8.18).

4. A oração que Jesus ensinou

Quando os discípulos pediram “Senhor, ensina-nos a orar” (Lc 11.1), Jesus não ensinou a oração de Jabes. Ensinou o Pai Nosso. E a diferença é grande.

A oração de Jabes começa e quase só fala do eu: abençoa-me, alarga as minhas fronteiras, livra-me. Já o Pai Nosso começa em Deus: “Santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade” (Mt 6.9-10). Primeiro o Pai, primeiro o Reino, primeiro a vontade d’Ele. Só depois vem o nosso pão, e mesmo assim o “pão de cada dia”, na medida da necessidade.

Onde Jabes pede para não ser tocado pela dor, o Pai Nosso ensina a pedir “livra-nos do mal” (Mt 6.13), que é livramento do pecado e dos intentos de Satanás, não imunidade ao sofrimento. E onde Jabes pede fronteiras maiores, o Pai Nosso ensina a pedir pelo pão nosso de cada dia e a perdoar como fomos perdoados.

A grandeza do Pai Nosso não é pedir menos. É pedir na ordem certa: Deus em primeiro lugar, e o nosso “eu” achando o seu devido lugar.

5. Princípio, não reza

Aqui está o coração de tudo: nenhuma oração da Bíblia foi dada para ser repetida como reza automática. Ela foi dada para formar quem ora.

A pergunta certa não é “posso orar Jabes?”. É: “com que coração eu oro?”. Orada como clamor de dependência e dentro da prioridade do Reino, até Jabes faz bem. Orada como fórmula de prosperidade e de fuga da dor, ela nos desvia, por mais sincero que seja o coração.

Uma palavra final

A oração madura não tenta arrancar de Deus o que queremos. Ela alinha o nosso querer ao querer d’Ele. Foi assim que Jesus orou: “não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lc 22.42). Quando esse é o fundo de toda oração, então sim a mão de Deus está conosco de verdade. E as fronteiras que Ele alargar serão as do Seu Reino, não as do nosso “eu”. 🙌

(Autor Bispo José Ildo Swartele de Mello)