EvangelizaçãoAula 3

Evangelização como estilo de vida

“Comportem-se com sabedoria para com os que estão de fora, aproveitando bem o tempo. A palavra de vocês seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibam como devem responder a cada um.”Colossenses 4.5-6 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Cl 4.2-6; 1Pe 2.11-12; At 2.42-47; Rm 12.9-13

Perguntas norteadoras

Três perguntas antes de começar

Já sabemos por que anunciar (Aula 1) e o que anunciamos (Aula 2). Falta o mais difícil: onde e quando isso acontece na vida real.

1

Quando foi a sua última conversa sobre fé fora da igreja?

Não vale culto, célula nem grupo de WhatsApp da igreja. Com alguém de fora.

2

Quantos não cristãos sabem o seu nome?

Depois de alguns anos convertidos, muitos de nós só convivemos com quem já crê. Isso tem consequência.

3

Evangelizar é um evento ou um jeito de viver?

Campanha e programação têm lugar. Mas o grosso da colheita não vem de lá.

Tese da aula: a evangelização mais eficaz não é a que se agenda, e sim a que decorre de uma vida partilhada. Todos nós temos contato diário com pessoas que não conhecem a Deus — o ponto de contato já existe. O que falta, quase sempre, é intenção e tempo.

Parada 1

Uma vida que não se pode contestar

Pedro escreve a cristãos difamados e dá uma instrução curiosa: não manda revidar, manda viver de um jeito que a acusação não se sustente.

“Vivam entre os pagãos de maneira exemplar, para que, naquilo em que falam contra vocês como se fossem malfeitores, observando as suas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação” (1Pe 2.12). É uma estratégia lenta e sem holofote — e foi assim que a igreja primitiva virou o Império do avesso.

Vale dizer o que isso não significa. Não significa “pregue o evangelho e, se necessário, use palavras”: sem palavras não há evangelho, porque ninguém adivinha a cruz olhando o seu comportamento. Significa que a vida é o que dá crédito às palavras — e a falta dela é o que as anula.

Parada 2

A rede que você já tem

O Novo Testamento usa uma palavra que resolve boa parte do nosso problema de método: oikos — a casa, entendida como a rede de relações de uma pessoa.

Quando Cornélio se converte, converte-se “com toda a sua casa” (At 10.24,44). O carcereiro de Filipos, idem (At 16.31-34). Lídia, idem (At 16.15). O evangelho corria pelas relações que já existiam, não por abordagens a estranhos.

Camada 1

Família e parentes

Os mais difíceis e os mais importantes. Jesus mandou o endemoninhado de Gadara justamente para casa: “vá para os seus e anuncie-lhes tudo o que o Senhor lhe fez” (Mc 5.19).

Camada 2

Trabalho e estudo

Onde você passa a maior parte das horas acordado. Convivência longa, comportamento observado de perto, confiança construída sem pressa.

Camada 3

Vizinhança

O porteiro, a vizinha do lado, o dono da padaria, o pai do colega do seu filho. Gente que você vê toda semana e cujo nome, muitas vezes, você ainda não sabe.

Camada 4

Interesses comuns

Esporte, música, condomínio, voluntariado. Aqui a amizade nasce naturalmente, porque já existe assunto.

Exercício: pegue a lista de oikos que você fez na Aula 1 e classifique cada nome numa dessas quatro camadas. Se alguma camada estiver vazia, essa é a sua área de crescimento — provavelmente a vizinhança.

Parada 3

Abra a porta da sua casa

Numa cidade grande, onde o medo da violência é constante, bater na porta dos outros ficou difícil. Mas há um caminho que continua aberto — e que é mais bíblico ainda.

Em vez de somente procurar ir à casa das pessoas, convide as pessoas para ir à sua casa. Leve-as para tomar um café com você. A mesa desarma como poucas coisas desarmam: quem come junto baixa a guarda, faz perguntas de verdade e ouve respostas sem se sentir alvo.

Jesus foi acusado exatamente disso — “este recebe pecadores e come com eles” (Lc 15.2). A acusação era verdadeira, e era o método.

O que funciona

Refeição simples e sem pregação embutida. Interesse real pela vida da pessoa. Convite recorrente, não único. A casa arrumada o suficiente para receber, bagunçada o suficiente para ser real.

O que atrapalha

Transformar o jantar em emboscada evangelística. Convidar só quem “dá retorno”. Adiar até a casa ficar pronta, a agenda abrir e a vida se organizar — ou seja, adiar para sempre.

Parada 4

A conversa comum, sem susto

A maior parte da evangelização cotidiana não é um discurso: são frases curtas, ditas com naturalidade, que abrem portas para conversas maiores depois.

1

Fale da sua vida com Deus como fala do resto

“Ontem na igreja aconteceu uma coisa boa…”, “eu tenho orado por isso…”. Sem tom solene. Se a fé aparece só em tom de púlpito, parece uma persona, não uma vida.

2

Ofereça oração na hora certa

Alguém conta um problema: “posso orar por você?”. Quase ninguém recusa, e ninguém esquece. Depois, pergunte como ficou.

3

Faça perguntas melhores

“O que te sustenta quando aperta?”, “você acredita em alguma coisa?”. Perguntar é mais poderoso que afirmar, e ninguém se sente atacado.

4

Sirva antes de falar

Carona, ajuda numa mudança, um prato de comida na doença. O serviço compra o direito de ser ouvido — e às vezes já é a mensagem.

Nada disso é técnica de venda. É o que Paulo chama de andar “com sabedoria para com os que estão de fora, aproveitando bem o tempo” (Cl 4.5): estar atento à oportunidade que a conversa oferece, em vez de forçar uma que ela não oferece.

Parada 5

Ritmo, paciência e o perigo da pressa

Muita evangelização fracassa não por falta de zelo, mas por excesso de velocidade.

Princípio paulino

Conecte-se ao contexto de quem ouve

“Fiz-me tudo para com todos, para, por todos os modos, salvar alguns” (1Co 9.19-23). Assim como Paulo adaptava a linguagem e a abordagem para alcançar públicos diferentes, procure entender a cultura, os interesses e os desafios da pessoa com quem você fala. Comunicação contextualizada demonstra respeito e aumenta a receptividade — e não tem nada a ver com diluir a mensagem.

1Co 9.22

Prefiro andar lento e chegar, a correr e quebrar a perna pelo caminho.

Somos apressados demais em falar do evangelho para pessoas que ainda não estão prontas para nos ouvir. O resultado é conhecido: a pessoa se fecha, e quem vier depois encontra a porta trancada. Semear exige estação; colher exige espera (Mc 4.26-29).

Isso não é desculpa para o silêncio permanente — há também o erro contrário, o de quem convive há dez anos e nunca disse uma palavra, sempre esperando o momento perfeito. O momento perfeito é um mito piedoso. O que existe é a oportunidade que aparece na conversa, e a coragem de não desviar dela.

Diagnóstico honesto

De qual erro você sofre?

Se as suas conversas terminam com as pessoas incomodadas, o problema é pressa. Se você tem dezenas de amizades antigas e nenhuma delas sabe o que você crê, o problema é medo. Os dois têm cura, e a cura não é a mesma.

Mc 4.26-29

Parada 6

Letra e Espírito: por que método nenhum basta

Um cuidado final, para que esta aula não vire mais uma lista de tarefas.

Não podemos nos ater somente ao legalismo da letra. O Espírito é quem vivifica esta letra, aplicando-a de maneira prática para produzir o resultado desejado. Quer dizer: você pode fazer tudo o que está aqui — abrir a casa, servir, perguntar, esperar — e ainda assim precisar depender de Deus para que uma única pessoa se converta.

É por isso que a Aula 6 será inteirinha sobre o Espírito Santo. Aqui basta guardar o equilíbrio: estratégia sem oração é ativismo; oração sem estratégia costuma ser desculpa.

Parada 7

Um plano de sete dias

Nada aqui exige dom especial, tempo extra ou coragem heroica. Exige decisão.

Todos os dias

Ore pelos nomes da sua lista

Pelo nome, um por um. É a única parte inegociável — e a que mais muda você, não só eles.

Dia 1

Aprenda um nome novo

Do porteiro, da vizinha, do atendente. Chame a pessoa pelo nome na próxima vez.

Dia 3

Faça uma pergunta de verdade

“Como você está, de verdade?” — e depois fique calado tempo suficiente para ouvir a segunda resposta, que é a real.

Dia 5

Preste um serviço concreto

Uma carona, uma ajuda, um prato de comida. Sem cobrar retorno e sem sermão embutido.

Dia 7

Convide alguém para a sua mesa

Um café que seja. Se a conversa abrir para a fé, siga; se não abrir, o convite continua valendo para a semana seguinte.

Se você repetir isso por um ano, terá orado por dez pessoas trezentas e sessenta e cinco vezes, aprendido cinquenta nomes e aberto a sua casa cinquenta vezes. Nenhuma campanha da igreja chega perto disso.

Parada 7

Convidar para o culto: gesto simples, porém poderoso

Convidar não substitui a conversa sobre Cristo, mas faz o que nenhuma conversa faz sozinha: mostra a fé cristã sendo vivida em comunidade.

Razão 1

Vivência em comunidade

Ao convidar amigos e familiares para momentos de adoração, comunhão e ensino, você possibilita que eles vejam como a fé cristã funciona entre pessoas — e não apenas na sua cabeça. Muita gente nunca imaginou que fosse assim.

Razão 2

Superando preconceitos

Muitas pessoas precisam vivenciar o ambiente cristão para superar preconceitos ou ideias distorcidas. Experimentar a comunhão, os cânticos e as mensagens bíblicas pode tocar o coração de maneira profunda e inesperada — e derruba num domingo o que dez argumentos não derrubariam.

Razão 3

Continuidade do relacionamento

Quando um visitante comparece, a proximidade não termina ali. Ofereça acompanhamento, apresente-o a outros irmãos, mostre-se disponível para conversar e esclarecer dúvidas. A evangelização é um processo, e o calor humano demonstrado pela igreja muitas vezes fala mais alto do que palavras.

Dois cuidados. Primeiro: vá junto, sente ao lado e apresente pelo menos três pessoas — visitante deixado sozinho num banco não volta. Segundo: escolha o domingo. Nem todo culto é bom para quem nunca entrou numa igreja; prefira aquele em que a mensagem se entende sem vocabulário interno e em que ninguém será constrangido a se levantar ou a dar dinheiro.

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.

0 de 5

Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

Faça as contas: quantas horas por semana você passa com pessoas que não conhecem a Cristo? O que esse número diz sobre a sua vida?Ver resposta sugerida
A conta costuma assustar. Muitos cristãos ativos chegam a quase zero: trabalho com colegas que mal conhecem, e todo o tempo livre dentro da igreja — culto, ensaio, reunião, célula, escala. Não há maldade nisso; há um deslizamento lento que acontece com quase todo mundo depois da conversão. Duas observações. Primeira: não se trata de sair da igreja, e sim de não deixar a agenda da igreja consumir todo o tempo que sobrou. Segunda: onde a convivência é zero, a evangelização vira necessariamente abordagem a estranhos — que é justamente o formato mais difícil e menos frutífero. Se o seu número está baixo, escolha uma coisa concreta para o próximo mês: um esporte, um curso, um trabalho voluntário fora da igreja, ou simplesmente conhecer os vizinhos do seu andar.
Um irmão diz: “eu evangelizo com a minha vida, não preciso ficar falando”. O que há de certo e o que há de errado nessa frase?Ver resposta sugerida
O que há de certo: ele entendeu que vida incoerente destrói o testemunho, e Pedro concorda com ele (1Pe 2.12). Uma igreja cheia de gente que fala e não vive faz mais estrago que bem. O que há de errado: vida nenhuma comunica o conteúdo do evangelho. Olhando o seu comportamento, o vizinho pode concluir que você é boa pessoa, educada, honesta — e não tem como deduzir daí que Cristo morreu pelos pecados dele e ressuscitou. Notícia precisa ser dita (Rm 10.14,17). Na prática, a frase costuma ser usada como anestésico para o medo: soa espiritual e dispensa a conversa difícil. O caminho não é escolher entre vida e palavra, e sim reconhecer que a vida dá crédito à palavra — e que a palavra ainda precisa ser dita.

Para casa e próxima aula

Tarefas

1) Cumprir o plano de sete dias, anotando o que aconteceu em cada passo. 2) Convidar uma pessoa da sua lista para um café ou uma refeição na sua casa nesta semana — sem agenda evangelística, só convivência. Traga o relato na Aula 4.

Aula 4

O método de Jesus: como Ele abordou a mulher samaritana, como Paulo falou no Areópago e por que cativar a atenção vem antes de comunicar a mensagem. Ir para a Aula 4 →

Curso de Evangelização · Igreja Metodista Livre do Brasil. Texto redigido com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello.