Jó 3.1 §
Nota de John Wesley
O seu dia — o dia do seu nascimento. Em vão procuram alguns escusar este e os seguintes discursos de Jó, que depois é repreendido por Deus e severamente se acusa a si mesmo por eles (Jó 38.2; 40.4; 42.3,6). E contudo ele não chega a amaldiçoar a Deus, e faz do diabo um mentiroso; mas, embora não irrompa em censuras diretas a Deus, faz reflexões indiretas sobre a sua providência. A sua maldição foi pecaminosa: tanto porque era vã, aplicada a coisa incapaz de bênção e maldição, como porque lançava sobre Deus a culpa de ter trazido aquele dia e de lhe ter dado vida naquele dia.
Nota do editor
O cap. 3 é o vale do livro: o mesmo Jó que adorou de rosto em terra (1.20-21) agora amaldiçoa o próprio nascimento por vinte e seis versículos. A Escritura não esconde a queda dos seus santos — e Wesley marca o limite com precisão: Jó 'não chega a amaldiçoar a Deus, e faz do diabo um mentiroso', mas a sua maldição foi pecaminosa. Duas verdades pastorais moram juntas aqui. Primeira: fé robusta e depressão profunda coabitam — Jó, Elias debaixo do zimbro (1Rs 19.4), Jeremias amaldiçoando o seu dia com as mesmas palavras (Jr 20.14-18); desejar não ter nascido não é ainda apostatar. Segunda: o desabafo do aflito não vira norma — Deus o repreenderá (Jó 38.2), e Jó se retratará 'no pó e na cinza' (42.6). A igreja que só admite lamentos comportados empurra os seus Jós para fora; a que canoniza toda queixa os deixa no cap. 3 para sempre. O caminho é o do livro: dar voz à dor e depois deixá-la ser respondida por Deus (Sl 13; Sl 88).