Jó 38.1 §
Nota de John Wesley
SENHOR — o Verbo eterno, Jeová, o mesmo que falou do monte Sinai. Respondeu — de uma nuvem escura e espessa, da qual enviou um vento tempestuoso como arauto da sua presença. Desta maneira Deus aparece e fala, para despertar Jó e os seus amigos a atenção mais séria às suas palavras, e para testemunhar o seu desagrado contra Jó e contra eles: para que todos fossem mais profundamente humilhados e preparados para receber e reter as instruções que Deus estava prestes a dar-lhes.
Nota do editor
Depois de trinta e cinco capítulos de debate, Deus fala — e não responde a pergunta nenhuma. Nem uma palavra sobre Satanás, sobre a aposta celestial, sobre a causa das perdas; em vez de explicações, setenta perguntas sobre alicerces da terra, partos de cabras montesas e despensas de neve (Jó 38–41). O método é a mensagem: Jó não precisava de um dossiê, precisava de uma visão — e 'agora os meus olhos te veem' bastou onde mil respostas não bastariam (Jó 42.5). Note-se também DE ONDE Deus fala: 'do meio do redemoinho' (v. 1) — a tempestade, que para Jó era símbolo do caos que o destruíra (1.19), torna-se o púlpito da presença. Deus não fala apesar da tormenta; fala nela (Na 1.3 — 'o SENHOR tem o seu caminho no turbilhão'). Quem espera que Deus só se pronuncie depois que a vida acalmar pode esperar demais: os maiores encontros da Escritura aconteceram dentro do vendaval (Sl 29; Mc 4.37-41).