Eis que — Elifaz conclui o seu discurso dando a Jó uma esperança consoladora, se se humilhasse diante de Deus. Feliz — em hebraico: bem-aventuranças (felicidade grande e variada) pertencem ao homem a quem Deus repreende. A razão é clara: porque as aflições são penhores do amor de Deus, que ninguém pode comprar caro demais, e são necessárias para purgar o pecado, e assim prevenir misérias infinitas e eternas. Sem referência a isto, a proposição não poderia ser verdadeira; e portanto mostra claramente que os homens bons, naqueles tempos antigos, tinham a crença e a esperança da bem-aventurança eterna. Não desprezes — não a abomines como coisa perniciosa, não a recuses como inútil, nem a trates com leviandade como desnecessária. Mas intenta-se mais do que se exprime: reverencia a disciplina do Senhor; tem humilde e reverente consideração pela sua mão que corrige, e estuda corresponder ao seu desígnio. O Todo-Poderoso — que pode sustentar-te e consolar-te nos teus males, e livrar-te deles; e também acrescentar-lhes mais calamidades, se fores obstinado e incorrigível.
Nota do editor
Jó 5.17-18 é a pérola no discurso defeituoso de Elifaz — tão verdadeira que a Escritura a retoma três vezes: 'bem-aventurado o homem a quem Deus disciplina' ecoa em Pv 3.11-12, Sl 94.12 e Hb 12.5-11. O erro de Elifaz nunca foi a doutrina isolada; foi a aplicação: usar uma verdade geral como diagnóstico particular do sofrimento de Jó. Wesley tira da máxima a inferência preciosa: se a aflição é bem-aventurança, é porque previne 'misérias infinitas e eternas' — logo, já os santos antigos criam na bem-aventurança eterna; a disciplina só compensa se houver herança (Hb 12.10 — 'para que participemos da sua santidade'). E a imagem do v. 18 consola sem explicar: 'ele fere e as suas mãos curam' — a mesma mão; o crente ferido não caiu de uma mão para outra, e nenhuma ferida de Deus é funda demais para a cura de Deus (Os 6.1; Dt 32.39).