Salmos 90.1 §
Nota de John Wesley
Refúgio (morada) — embora nós e os nossos pais, por algumas gerações, não tenhamos tido habitação fixa, tu nos serviste de morada, pela tua vigilante e graciosa providência. E isto insinua que todas as misérias seguintes não deviam ser imputadas a Deus, mas a eles mesmos.
Nota do editor
O salmo mais antigo do Saltério abre com a descoberta de quarenta anos de tendas desmontadas: 'Senhor, TU tens sido a NOSSA MORADA de geração em geração' (Sl 90.1) — escrito por um nômade que nunca teve endereço, sepultado sem túmulo conhecido (Dt 34.6): quando não há casa, Deus é a casa (Dt 33.27 — 'o Deus eterno é a tua habitação'; Jo 15.4). Sobre esse alicerce, Moisés arma o contraste mais sóbrio da Escritura: 'de eternidade a eternidade, tu és Deus' (v. 2) versus o homem-relva que 'de manhã floresce e à tarde murcha' (v. 5-6), setenta ou oitenta anos cujo orgulho é 'canseira e enfado' (v. 10). E do funeral de uma geração inteira nasce a petição que salva o salmo do desespero: 'ENSINA-NOS A CONTAR OS NOSSOS DIAS, para que alcancemos coração sábio' (v. 12) — a matemática que ninguém faz sozinho: numerar o estoque para investir cada unidade (Ef 5.15-16). Os pedidos finais são o testamento do velho líder: 'SACIA-NOS de manhã com a tua benignidade' (v. 14 — só uma saciedade dura o dia todo), alegria proporcional à aflição (v. 15), e duas vezes: 'CONFIRMA sobre nós as obras das nossas mãos' (v. 17) — que o trabalho de uma vida breve receba a durabilidade que o trabalhador não tem (1Co 15.58; Ap 14.13).