Curso de RomanosAula 15

Acolher como Cristo acolheu

“Portanto, acolham-se uns aos outros, como também Cristo os acolheu para a glória de Deus.”Romanos 15.7 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Rm 15 (leia o capítulo; observe o tema da unidade e da missão)

Para começar

As perguntas que nos guiam

Romanos 14 pediu que fortes e fracos convivessem. Agora Paulo eleva a régua: não basta conviver — é preciso acolher.

1

Tolerar ou acolher?

Qual é a diferença entre suportar o irmão diferente e recebê-lo de verdade?

2

Qual é o maior exemplo de acolhimento?

Existe um padrão para medir como devo receber o outro. Quem é ele?

3

A carta termina em doutrina ou em missão?

Onze capítulos de teologia desembocam em quê?

Tese da aula: os fortes devem carregar os fracos, seguindo o Cristo que não agradou a si mesmo (15.1-4); acolhemo-nos uns aos outros como Cristo nos acolheu, para a glória de Deus (15.5-7); judeus e gentios se unem num só louvor (15.8-13); e a graça recebida se converte em paixão missionária concreta — de Jerusalém à Espanha (15.14-33).

Rm 15.1-4

Os fortes carregam os fracos

“Nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos e não agradar a nós mesmos.” (Rm 15.1)

O modelo é Cristo

“Porque também Cristo não agradou a si mesmo” (Rm 15.3). Ele tomou sobre si o peso alheio. E as Escrituras foram escritas para que, “pela paciência e pela consolação”, tenhamos esperança (Rm 15.4).

Rm 15.3-4

Rm 15.5-7

Acolher como Cristo acolheu

“Portanto, acolham-se uns aos outros, como também Cristo os acolheu para a glória de Deus.” (Rm 15.7)

Rm 15.8-13

Judeus e gentios num só louvor

Paulo mostra que o plano sempre foi este: Cristo confirmou as promessas feitas aos patriarcas (aos judeus) e abriu a porta para que os gentios glorificassem a Deus pela sua misericórdia (Rm 15.8-9). E costura uma cadeia de citações do Antigo Testamento — da Lei, dos Profetas e dos Salmos — em que gentios e judeus louvam juntos. O muro caiu; a adoração é conjunta.

“E o Deus da esperança os encha de todo o gozo e paz no crer, para que sejam ricos de esperança no poder do Espírito Santo.” (Rm 15.13)

É uma das mais belas bênçãos das Escrituras. O Deus da esperança nos enche de alegria e paz no crer, para transbordarmos esperança pelo poder do Espírito. Fé, alegria, paz e esperança — todas dádivas, todas obra do Espírito.

Rm 15.14-21

A paixão missionária de Paulo

“…esforçando-me por pregar o evangelho, não onde Cristo já fora anunciado, para não edificar sobre fundamento alheio.” (Rm 15.20)

Paulo se apresenta como “ministro de Cristo Jesus entre os gentios” (Rm 15.16), e revela a sua santa ambição: alcançar quem ainda não ouviu. Não disputa terreno já evangelizado; busca a fronteira, o não alcançado. Essa é a marca do coração missionário — não a competição pelo que já existe, mas a paixão pelo que ainda não há. A graça recebida vira urgência de anunciar.

Rm 15.22-33

Planos e a coleta: doutrina encarnada

A oferta dos gentios

Antes, ele leva a Jerusalém uma coleta das igrejas gentílicas para os santos pobres (Rm 15.25-27). Gentios convertidos socorrendo judeus necessitados: a unidade da carta virou dinheiro, gesto, prova viva de que o muro caiu.

Rm 15.25-27

E Paulo pede oração — para ser livrado dos incrédulos e bem recebido pelos irmãos (Rm 15.30-31). O grande apóstolo não se envergonha de precisar da intercessão da igreja. Missão se faz de joelhos, em rede, dependentes uns dos outros e de Deus.

Da exegese à vida

Aplicações pastorais

1

Use a sua força para carregar

Maturidade não é ter mais direitos, é ter mais capacidade de suportar o outro (Rm 15.1). Pergunte quem você pode carregar esta semana.

2

Acolha no padrão da cruz

Receba o irmão diferente “como Cristo o acolheu” (Rm 15.7): não à distância, mas para dentro, para a glória de Deus.

3

Deixe a teologia virar missão

Se Romanos 1–11 não o movem a anunciar e a servir, algo parou no meio (Rm 15.20). Encontre a sua “fronteira”.

4

Faça missão em rede e de joelhos

Contribua com a obra, sustente quem vai e ore por eles, como Paulo pediu (Rm 15.30). Ninguém evangeliza sozinho.

A pergunta de Romanos 15 mede o coração: eu tenho apenas tolerado meus irmãos — ou os acolhido como Cristo me acolheu?

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

Paulo diz “acolham-se uns aos outros, como também Cristo os acolheu” (Rm 15.7). Qual é a diferença entre tolerar um irmão diferente e acolhê-lo como Cristo me acolheu?Ver resposta sugerida
A diferença é o padrão. Tolerar é suportar a distância: “fica aí no teu canto que eu fico no meu”. Acolher, no sentido de Paulo, é receber para dentro, dar lugar à mesa, tratar como pertencente. E o parâmetro é assustadoramente alto: “como também Cristo os acolheu” (Rm 15.7). Como Cristo me acolheu? Quando eu ainda era inimigo (Rm 5.8,10), sem méritos, com a minha bagagem toda. Ele não me tolerou de longe; entrou na minha condição, carregou o meu peso e me trouxe para a família. Se é assim que fui recebido, não tenho margem para receber o meu irmão com menos do que isso. E note o alvo final: tudo isso é “para a glória de Deus”. A unidade da igreja não é diplomacia para evitar conflito; é adoração — um povo diverso glorificando, “a uma só voz”, o mesmo Pai (Rm 15.6).
Romanos passa de onze capítulos de doutrina profunda para planos de viagem e uma coleta (Rm 15.22-29). Alguém pode achar isso “menos espiritual”. O que essa virada nos ensina sobre a relação entre teologia e missão?Ver resposta sugerida
Ensina que a boa teologia sempre desemboca em pés na estrada. A mesma carta que expôs a justificação pela fé e a soberania de Deus termina falando de Jerusalém, Roma e Espanha, e de uma oferta prática dos gentios para os pobres de Jerusalém (Rm 15.25-27). Não há aqui uma queda do “espiritual” para o “administrativo”: a coleta é doutrina encarnada — gentios convertidos socorrendo judeus necessitados são a prova viva de que o evangelho derrubou o muro entre os dois. E a ambição missionária de Paulo, de pregar “não onde Cristo já fora anunciado” (Rm 15.20), mostra que a graça recebida vira urgência de anunciar. Teologia que não gera missão parou no meio do caminho. Quem entendeu Romanos 1–11 acaba, como Paulo, planejando a próxima viagem — e abrindo a carteira pelos irmãos.

Para casa e próxima aula

Tarefas

Ler Romanos 15 e escrever sobre um irmão (ou grupo) que você tem apenas “tolerado” e como seria “acolhê-lo como Cristo o acolheu” (Rm 15.7); depois, identificar uma “fronteira” missionária — alguém ou algum lugar sem o evangelho — e um passo concreto de oração, contribuição ou ida (Rm 15.20,30).

Aula seguinte

O encerramento da carta: as saudações que revelam o rosto da igreja, o lugar das mulheres e dos cooperadores na obra, a vigilância contra os que dividem e a grande doxologia final (Rm 16). Ir para a Aula 16 →

Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA), salvo indicação em contrário. · Bispo Ildo Mello